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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


JUSTICE / Laurann Dohner
JUSTICE / Laurann Dohner

 

 

                                                                                                                                                

  

 

 

 

 

 

 

Justice North é a cara das Novas Espécies. Vê-lo de perto faz o coração de Jessie disparar. É o último macho alfa — grande, musculoso, exótico, bonito... e perigoso. É claro que está fora dos limites. Mas então o homem sexy ronrona e todas as apostas estão na mesa.

Jessie Dupree é uma fêmea humana tagarela, ardente, que traz à tona o animal de Justice. Ela quer lhe mostrar como relaxar e ele está pronto para tudo e qualquer coisa que ela queira fazer, mas Justice jurou proteger seu povo e tomar uma companheira da Espécie. Está dividido entre a mulher que quer e o juramento que fez.

Jessie sabe que um relacionamento entre eles provavelmente não vai acabar bem; ter o coração partido é inevitável. Mas isso não vai impedi-la de libertar a selvageria dentro de Justice e passar com ele cada momento que puder roubar, enrolada em seu corpo quente, o fazendo rugir de paixão.

 

 

 

 

Jessie observava Justice North do canto da sala e mordeu o lábio. Realmente queria ter coragem de abordá-lo. Esteve no noticiário muitas vezes, mas parecia ainda mais alto e mais bonito pessoalmente.

Poucas pessoas a intimidavam, mas o homem nomeado líder da Organização Novas Espécies por seu próprio povo era um desses raros.

Respeitava força e coragem, algo que ele parecia ter em abundância.

Ela se questionou se era uma boa ideia ter uma conversa com ele. Justice dava ordens aos seus patrões e tinha o poder de mudar algumas das políticas da força-tarefa, que ela não concordava. A chance de uma nova oportunidade para conversar com ele era quase nula. Não foi autorizada a participar das reuniões que o líder de sua equipe tinha com o líder das Espécies. Sua opinião era irrelevante para ele, mas as questões eram importantes.

Hesitou, considerando as consequências. Tim Oberto ia comer seu rabo no seu escritório se descobrisse que passou por cima dele. Como de costume, gritaria e a deixaria em pedaços com suas palavras.

Seu olhar varreu a sala, estudando os Novas Espécies. Eram corajosos por tudo que sofreram. Cada um deles vítima de um grande negócio os envolvendo.

Uma empresa farmacêutica, Indústrias Mercile, criou os humanos geneticamente alterados usando DNA animal. Foram criados dentro de instalações secretas e os forçados a suportar décadas de testes horrendos em seus corpos torturados. Fizeram isso para ganhar dinheiro e, pior, foram financiados em parte pelo governo.

Meus impostos, ela reconheceu sombriamente e apertou os dentes sobre o quão profundamente isso a chateava. A Mercile armou propostas para drogas milagrosas que poderiam ajudar soldados feridos dos EUA a se curar mais rapidamente, se tornarem mais fortes fisicamente e melhorar seus reflexos. Esses idiotas do D.C. comeram e assinaram os cheques para pagar a pesquisa, mas depois negaram ter conhecimento e estarem envolvidos com os testes em seres vivos.

Ela deu-lhes algum crédito por agirem imediatamente após descobrirem a verdade, quando surgiram rumores de práticas ilegais. Uma vez que os funcionários tiveram provas, forças militares e policiais trabalharam juntas para resgatar os sobreviventes presos pelas Indústrias Mercile.

Os Novas Espécies foram criados com o dinheiro dos impostos americanos e nasceram em solo americano, o que os tornava cidadãos.

A primeira unidade foi invadida e os sobreviventes resgatados — libertados.

As localizações dos três lugares mais infernais foram descobertas depois que os funcionários foram interrogados. As equipes golpearam com força e rápido, resgataram mais vítimas e todo o inferno se desatou. Centenas de vítimas precisaram ser alojadas. Foram colocados em locais seguros e começou o jogo da culpa. Os EUA deram aos Novas Espécies uma recém-construída base militar, que se tornou sua terra natal. Uma comunidade dirigida pelos Espécies, os mantendo seguros do mundo exterior. Sob pressão do governo, as Indústrias Mercile rapidamente indenizaram os Novas Espécies. Com parte do dinheiro compraram uma segunda grande área de terra, a que deram o nome de Reserva.

Um grande corpo colidiu com Jessie, a tirando de seus pensamentos sombrios e ela sorriu para o macho. Novas Espécies eram facilmente identificadas por suas características animalescas. Não eram completamente humanos, mas não eram geneticamente alterados com os mesmos genes ou clonados para esse título abranger todas as diferenças. Alguns foram misturados com DNA de grandes felinos, outros com caninos e outros com primatas.

— Desculpe. — ele resmungou enquanto ela olhava para um bonito par de olhos felinos.

Felino, silenciosamente identificou sua espécie.

— Não tem problema. — Ele se moveu e ela suspirou de decepção. Muitos deles não queriam falar com os humanos. Não podia culpá-los depois de tudo que passaram. As Indústrias Mercile marcaram cada um com um número e os chamavam de protótipos experimentais. A equipe tratou as crianças como se fossem sub-humanos, ratos de laboratório, sem almas. Levaram vidas frias, duras, deixando apenas suas células para formação ou testes.

A nova raça criada não era dócil como a Mercile projetou em seu grande esquema. Algumas das espécies se rebelaram e mataram os humanos que passaram anos os prejudicando e torturando. Em vez de ratos de laboratório, a empresa tinha centenas de furiosos e amargos prisioneiros realmente fortes, que tiveram o suficiente de sua merda. Esse fato fez Jessie sorrir. Bom para eles. Esperava que tivessem levado um monte desses bastardos.

A Mercile decidiu ver se podiam produzir filhos dos machos e fêmeas. Era um processo mais rápido, uma mulher dar à luz a outra criança alterada, que gastar milhões de dólares para replicar o processo que os criou. A Mercile queria se livrar dos originais, começar de novo e aprender com seus erros. Suas tentativas de criar as infelizes vítimas foram infrutíferas. Os machos e fêmeas eram incapazes de procriar.

Foi quando a Mercile começou a vender os outros experimentos que criaram. Jessie sentiu raiva ao pensar nas fêmeas-presentes que a empresa usou para atrair mais investidores.

Propositadamente fêmeas menores com DNA animal não agressivo e drogas usadas para controlar sua taxa de crescimento para ter certeza que as fêmeas nunca atingiriam mais de um 1,65m. Todos os membros do conselho das Indústrias Mercile e todos os ricos colaboradores dos projetos secretos as receberam de presente quando dinheiro suficiente foi trocado de mãos. Jessie se perguntou se por isso o cientista original saiu da Mercile. O médico que projetou a Nova Espécie destruiu sua pesquisa e desapareceu, levando o conhecimento com ele. Já era ruim o suficiente que criassem pessoas como cobaias, mas entregá-las a pervertidos sádicos parecia cem vezes pior.

As fêmeas-presentes foram vendidas para escravidão sexual. Foram presas, escondidas e grosseiramente abusadas. Foram essas fêmeas que Jessie ajudou a recuperar e que a mantiveram acordada durante a noite, sem conseguir dormir.

Ela trouxe seus pensamentos de volta ao presente e olhou Justice North atravessando a sala, decidindo que poderia fazer seu trabalho melhor se o levasse a ouvi-la. Tim podia ficar chateado, mas isso era sobre tornar as coisas mais fáceis para as pobres mulheres.

Nunca viu Justice de jeans e camiseta antes. Geralmente usava ternos em suas entrevistas coletivas. Os braços nus revelavam a pele de musculosos bíceps dourados e ficava com uma aparência relaxada que o fazia mais acessível. Ela respirou fundo, soprou e avançou.

Mais detalhes minúsculos se tornaram evidentes quando se aproximou do maior líder das Novas Espécies. Seu cabelo era castanho com mechas de loiro. Na televisão e nas fotos parecia um maçante marrom universal. Os olhos felinos eram exóticos e mais escuros, quase pretos. Possuía as largas maçãs do rosto distintas, se projetando mais que um humano típico e seu nariz achatado, parecendo mais animal. Sempre a fascinou que tão poucos tivessem barba e se perguntou se a raspavam para se enquadrar mais.

Sua respiração ficou presa quando de repente ele riu e foi um som rouco e sexy. Seus lábios eram do tipo adorável que gostava de mordiscar. Essa constatação a levou a parar. Mau, Jessie. Não vá por aí. É o chefe do seu chefe e está fora dos limites. Absolutamente, preciso encontrar um homem. Estou a ponto de fantasiar com homens com quem trabalho. Grande erro.

Tomou conhecimento de seus dentes perfeitamente brancos e retos revelados quando riu. Não viu nenhuma presa, mas era possível que fosse um dos raros que não as tinha. Claro, também notou que sorriu com os lábios juntos. O Senhor North podia ter treinado para escondê-las, já que lidava com o público. Ela ouviu Tim dizer que alguns deles faziam isso e saberia, já que falava com muitos dos homens das Espécies diariamente.

Justice falou com outro macho da Espécie que era alguns centímetros mais baixo e sua conversa parecia intensa, nunca desviando o olhar. Depois de uma rápida avaliação do líder das Espécies, o calculou com 1,93m de altura. Estava quase chegando ao seu lado quando uma mão áspera agarrou seu braço e a fez parar.

Jessie mascarou seu alarme quando o olhar caiu na grande mão em seu braço, no aperto quase doloroso e levantou o queixo para olhar para cima. Perguntou-se se era um dos guardas que protegiam Justice. Aprendeu a esconder seu medo das Novas Espécies, quando entrou em contato com esses caras de aparência feroz. Todos eram grandes, musculosos e assustadores.

Este não era exceção.

Era as características faciais de animais que os faziam parecerem tão assustadores... e seus dentes afiados e sua capacidade de fazer sons ameaçadores. Ele rosnou no fundo de sua garganta enquanto seus olhos verdes se estreitavam para olhar para ela. O cabelo negro caía dos ombros e as roupas eram tão novas que não foram lavadas.

Merda. Jessie reconheceu o ódio quando o viu em seu olhar. Na noite anterior, a quinta instalação de testes foi invadida e cerca de 90 prisioneiros libertados de suas existências infernais. Tinha uma ideia muito boa que este era um deles. Parecia muito áspero para ser acalmado, por sua experiência. Obviamente, odiava qualquer humano e significava um problema para ela.

Rapidamente avaliou a situação, sabendo que tinha o potencial para se transformar num pesadelo. Ele era um grande bastardo, obviamente super irado, e ao mesmo tempo em que o aperto em seu braço não era muito doloroso, o olhar que dava a ela parecia mortal. Ele teve problemas com seu tipo e ela estava na frente dele. Não era bom.

— Por favor, me solte. — ela ordenou suavemente.

— Humana. — Ele rosnou.

Jessie tentou puxar o pulso de seu aperto, mas os dedos apenas apertaram até que o osso ameaçou quebrar. Não ofegou em voz alta pela intensa agonia de ser espremida ou lutou contra a reação, em vez disso, permitiu que sua formação assumisse antes que quebrasse seu braço. Ele podia facilmente aplicar mais pressão. Não parecia razoável e ela não queria usar gesso por semanas.

Rapidamente se aproximou do corpo dele, quase tocando seu peito e empurrou seu braço com força para baixo. Ele não teve escolha senão libertá-la ou torceria o pulso dolorosamente. Jessie saltou para trás, colocando espaço entre eles e ficou tensa. Ele ia atacar ou ficar no lugar.

Ser menor ajudava. Com 1,63m, Jessie tinha a vantagem quando deslocou seu corpo enquanto seu atacante saltava para ela com um grunhido furioso. Ele não esperava esse movimento e suas mãos só agarraram o ar quando os dedos fecharam onde ela esteve. Ela se virou de lado, ajeitou e o chutou com sua bota.

Ela pegou o homem desequilibrado em seu quadril e ele caiu no chão, deitado ao seu lado. Jessie se apoiou para colocar mais espaço entre eles. O macho da Espécie levantou a cabeça, olhou boquiaberto para ela com espanto e usou seus braços para se levantar. Abriu a boca e rosnou desumanamente, revelando alguns dentes afiados e letais. Saltou novamente, desta vez mais rápido.

Jessie pensou numa palavra antes de mergulhar para o lado para evitar os dedos com garras.

PORRA! Encolheu-se numa bola, rolou no chão e levantou do jeito que foi treinada a fazer. Precisava ficar fora de seu alcance e sabia o que ia acontecer se ele pusesse as mãos sobre ela. Não era páreo fisicamente se ele partisse para o combate mano a mano. Ele a pulverizaria.

O pegou saltando para ela novamente pelo canto do olho. Chutou, se inclinou para pressionar as mãos no chão para se preparar e acertou o homem com um violento pontapé.

O impacto da bota com o corpo feriu sua perna, mas devia ser mais doloroso para ele.

Cambaleou para trás com um suspiro alto e caiu quando ela conseguiu acertá-lo na virilha. Ela se virou depois de se levantar, o observou segurar a frente de seu jeans e se dobrar. Jessie estremeceu.

Não tinha intenção de acertá-lo nas bolas, mas foi eficaz. Ela mirou seu estômago, mas o cara era muito alto e suas pernas não eram longas o suficiente. Sua cabeça levantou e não tinha dúvida que a queria morta. Pura raiva estava exibida em suas feições duras.

— Calma — Jessie disse, tentando soar composta quando não estava. — Não faria isso se mantivesse suas mãos e temperamento para si mesmo. Não vou machucar você, se não tentar me machucar.

Jessie sabia que o mundo desabou ao seu redor. Não se atreveu a desviar a atenção do grande macho que olhava para ela, ainda curvado, segurando a virilha ferida. Foi apenas sorte ouvir um grunhido de advertência e virar a cabeça para verificar a nova ameaça.

Outro grande macho Espécie ostentando roupas novas, empurrou os outros homens do seu caminho, que estavam congelados em estado de choque. A nova ameaça veio na direção dela e só teve segundos para avaliar a situação. Algumas Espécies saíram de seu estupor e tentaram impedi-lo, mas ele facilmente os empurrou para o lado. Ninguém foi capaz de impedi-lo de alcançá-la.

— Merda! — Jessie engasgou quando ele lançou o punho em seu rosto.

O instinto a fez estender o braço acima para aparar com o punho de lado e desviar o soco direto, que seria mortal, no meio de seu rosto. Os dedos roçaram sua orelha e a dor atravessou o lado da sua cabeça. Ele agarrou sua camisa com a outra mão. Ela não viu o movimento chegando. Sua única prioridade foi evitar o punho. Ele a empurrou no chão como se não pesasse nada e o terror a atingiu. Provavelmente queria jogá-la em algo ou esmagar seus ossos fazendo com que batesse em algo duro.

De qualquer maneira, seria muito doloroso.

Duas mãos agarraram os quadris de Jessie firmemente por trás. Merda. Estou ferrada. Dois deles. Só podia esperar que alguns das Espécies viessem em seu auxílio antes que os machos a transformassem num V invertido. Embora fosse humana, duvidava que se permitisse ser morta antes que a pisassem. Quanto ficaria ferida antes de ser resgatada era uma incógnita.

As mãos nos quadris puxaram forte. Foi arrancada da frente dele e o som de tecido rasgando registrado. Ela o viu levantar seu punho para tentar acertá-la novamente, mas agora estava fora de seu alcance.

Suas costas bateram num corpo rígido e o macho — assumiu que era um — a virou para longe de seu agressor. Ele colocou seu corpo entre ela e o punho chegando, tomando o soco ele mesmo. Jessie sentiu o impacto através do homem a segurando e enviou os dois para frente. Viu a parede chegando e virou a cabeça, achando que ia doer quando batessem. Ele a esmagaria entre ela e seu corpo.

O macho segurando Jessie se torceu novamente no último segundo e seu ombro e quadril bateram brutalmente na parede em vez dela. Ele a largou em pé, se moveu muito rápido para posicioná-la gentilmente contra a parede e ela tocou o gesso. Estava atrás do grande macho Espécie que veio em seu socorro. Ele se preparou, o corpo tenso quando um grunhido alto rasgou de sua garganta.

Ele está me protegendo. Jessie relaxou instantaneamente. O cara era enorme e estava entre ela e qualquer um que quisesse fazer mal. Quem disse que o cavalheirismo está morto?

— Cai fora. — seu protetor rugiu — um som áspero, brutal. Jessie cuidadosamente estudou suas costas e observou que usava jeans com uma camiseta preta. Os braços musculosos estavam expostos e os dedos fechados em punhos, levantados ao seu lado para lutar. Seu olhar vagou acima de suas costas até a cabeça e identificou o cabelo castanho com mechas loiras. Percebeu então que Justice North era o homem que salvou seu traseiro.

— Ela é humana. — outra voz gritou.

— Isso não dá a ninguém o direito de atacar. É uma hóspede aqui. — Justice rosnou as palavras com raiva óbvia. — Somos amigos dos humanos e não os atacamos. Nós, principalmente — ele gritou agora —, não atacamos mulheres.

— Sinto muito, Justice. — uma nova voz masculina ofegou. — Deveríamos ter mais policiais presentes.

— Quero cada um dos novos cercados e levados para o refeitório imediatamente. — Justice deu a ordem com autoridade dura. — Isso vai ser resolvido imediatamente. Este é o segundo ataque a uma fêmea humana desde esta manhã e não haverá um terceiro. — Justice rosnou essas palavras.

— Mesmo as novas fêmeas? — O macho arfante falou.

— Não. Apenas os machos. As fêmeas parecem mais espertas. Quero ver cada novo macho dentro daquela lanchonete em dez minutos.

— Vamos cuidar disso. — afirmou outro homem com firmeza.

Jessie ficou perfeitamente imóvel e esperou que a tensão aliviasse. Justice ainda parecia pronto para a batalha desde que não se moveu de sua posição na frente dela. Ouviu movimento na sala, as vozes suaves, alguns rosnados e finalmente o silêncio. Justice relaxou sua postura. Baixou os braços aos lados, os punhos abrindo e se virou lentamente.

Jessie olhou para o rosto bonito de Justice. De tirar o fôlego, ela pensou, quando percebeu que tinha parado de respirar. Puxou ar para os pulmões e encontrou um par de olhos de gato furiosos emoldurados com longos cílios negros. Era um grande contraste com o cabelo castanho com mechas loiras. Na televisão e em fotos, seu cabelo parecia muito mais suave e a câmera não começava sequer a capturar seus lindos olhos. Eram tão exóticos que provavelmente era a visão mais bonita que já teve.

— Quem é você? — Rosnou suavemente. — Como passou pela segurança? — Jessie franziu a testa. Deveria saber quem era e por que estava ali. Puxou uma respiração profunda.

— Sou Jessie Dupree e trabalho para a força-tarefa atribuída ao ONE. Sou a embaixadora fêmea para suas fêmeas-presentes recuperadas. Na noite passada estava no ataque no Colorado, e vim para cá junto com as fêmeas recuperadas. — Ela parou e viu seus olhos intensos. Era incrível vê-los se transformar.

A cor mudou enquanto a raiva se dissipava. Havia um pouco de azul nessas profundezas escuras.

Por um momento ficou tão distraída, que esqueceu o que estava falando.

— Tiger me deu permissão para ficar aqui. Vim no helicóptero com suas fêmeas e ficamos num quarto do terceiro andar do hotel. Tammy me convidou para seu casamento, por isso aqui estou. Não me viu durante a cerimônia?

— Não. Estava distraído com uma longa mensagem de voz do presidente. Tinha um fone de ouvido... ligado... e estava passando minha resposta para ele. — Respirou fundo e estendeu a mão. Era grande, com dedos longos e fortes e calos bacanas que cobriam ambas as pontas dos dedos e sua palma. — Sou Justice North. É um prazer conhecê-la, Sra. Dupree.

Ela colocou a mão menor dentro da dele. O calor de sua pele a estremeceu. A grande mão apertou a dela, mas em vez de sacudi-la, seus dedos se enroscaram em torno dos menores, os segurando. Seu olhar baixou para olhar suas mãos unidas. Contudo, Jessie não podia tirar a atenção de seu rosto. Ele finalmente olhou para cima quando a soltou.

— Peço desculpas pelo ataque. São novos e têm muito a aprender. Vou ensinar algumas lições valiosas sobre maneiras daqui a alguns minutos. Não vamos tolerar esse tipo de comportamento.

Ela encolheu os ombros.

— Entendo porque odeiam meu tipo. Têm suas razões. Agradeço que tenha vindo em meu resgate. Posso manter alguém longe de mim por um tempo, mas quando vêm juntos para cima, não é geralmente um resultado indolor ou saudável para mim. — O olhar baixou do rosto dela por seu corpo. Seus olhos se arregalaram e sua respiração mudou um pouco, aumentando para um ritmo mais rápido. As narinas abriram e um som suave veio de dentro da garganta. Jessie sorriu.

— Acabou de ronronar?

Seu olhar se ergueu.

— Não ronrono. — Ele agarrou sua camiseta pela bainha e rapidamente a puxou sobre o torso impressionante e acima da cabeça. Ofereceu a ela. — Coloque isso sobre sua camisa.

Jessie olhou para seu peito e notou que sua camisa rasgou na confusão.

Estudou seu sutiã de renda preta, grata por não estar vestindo o branco que usou ontem — o feio sutiã reforçado. O sutiã de bojo preto cobria os seios e aumentava seu peito tamanho 44. Estremeceu sobre como sua pele aparecia pálida contra o negro e esperava que não estivesse cego pela visão. Jessie não se bronzeava, se queimava, por isso evitava o sol.

— Obrigada, mas posso segurar isso junto até chegar ao meu quarto. Uma de suas mulheres, Breeze, me deu algumas roupas, já que não fiz as malas para uma viagem. Fui chamada para o ataque no Colorado rápido demais para fazer isso.

Jessie evitou o olhar examinando sua camisa enquanto falava, sentindo que ele já tinha visto muito de seus seios. Alguns botões foram perdidos e o rasgo começava num botão e terminava sob os seios para expor totalmente o decote. Agarrou o tecido junto sobre os seios e o bojo do sutiã para escondê-los. Muito para uma primeira impressão. Tim vai mastigar minha bunda grande e me culpar por começar uma briga com um Espécie.

Seu olhar se ergueu. Jessie examinou o peito nu de Justice e sua atenção se fixou em algumas partes de pele nua. Começaria a babar, mas sabia que era extremamente rude e pouco profissional. O cara era bronzeado, com músculos firmes e marcados no torso. Os mamilos eram ligeiramente mais escuros que a pele cor de cobre e estavam duros no momento. Teve vontade de lambê-los para ver se eram tão bons quanto pareciam. JESSIE MÁ! Sua mente gritou. Ela forçou o olhar a subir mais para descobrir que a observava em silêncio.

— Deve colocar sua camisa de volta, Sr. North. Pode pegar um resfriado.

Ele piscou.

— Não sei.

Seu foco estava nos mamilos, duro como pedras.

— Seu peito parece discordar e é difícil para mim não olhar para você. Deve trabalhar muito para manter essa boa aparência. — Eu disse isso em voz alta. Merda! Não queria.

Outro som suave veio de sua garganta e Jessie sorriu rapidamente sobre o deslize de seus lábios. Isso era definitivamente um ronronar. Ele era tão quente. Alto, boa aparência, podia lutar, resistir às mulheres e fazer esse som sexy. Ah, sim, não se esqueça que está fora dos limites!

Justice se moveu e limpou a garganta.

— Não estou com frio. — Ela deixou passar, sabia que disse mais que o suficiente para ouvir os gritos do líder da força-tarefa e apertou os lábios com firmeza. Justice colocou a camisa de volta e ela desejou que fosse um crime ele cobrir essa visão maravilhosa e sexy de músculos masculinos.

Com o peito coberto de novo, o foco permaneceu em seu rosto e ela não deixou de notar as narinas quando respirou profundamente, levando seu perfume. Estava feliz por ter tomado banho recentemente e usar desodorante. Manteve o sorriso no lugar quando ele enfiou a parte superior da camiseta no cós da calça jeans. Apenas alguns metros os separavam. Ele inalou novamente e seu nariz se contraiu. Era tão bonito quanto o inferno, mas ela temia que a achasse ofensiva.

— Espero não estar cheirando mal. Usei coisas do quarto quando tomei um banho rápido antes do casamento. O shampoo do hotel não é ruim, mas é uma espécie genérica. Passei muito?

Seu olhar encontrou o dela.

— Sinto muito. Você tem um cheiro agradável. É um instinto natural que temos.

— Está tudo bem. — Jessie se inclinou um pouco e inalou profundamente. Seus olhos permaneceram fixos nos dele. —Você tem um cheiro muito agradável. Gosto do seu perfume. É uma espécie de bosque e masculino.

Ele ronronou suavemente e limpou a garganta novamente.

— Obrigado.

— Você está bem? Será que esse cara o golpeou na garganta? — Ela começou a se preocupar que pudesse estar machucado, pela forma como continuava fazendo barulho.

Justice North corou. Ele a surpreendeu um pouco e a fez gostar mais dele.

— Estou bem. — Ele fez uma pausa. — Foi um prazer te conhecer e sinto muito pelo ataque. Devo ir ao refeitório, já que os chamei para a reunião. Preciso gritar com meus novos machos e fazer algumas ameaças para ter certeza que aprenderão bom comportamento. — Ele se virou e deu alguns passos para longe dela antes que a mente de Jessie começasse a funcionar plenamente de novo. Justice estava se afastando dela e não podia suportar a ideia de nunca mais vê-lo novamente.

— Espere! Laurann Dohner Justice

 

Justice congelou e virou. Seu olhar escuro encontrou Jessie.

— Sim, Sra. Dupree?

— Queria saber se terá algum tempo livre em breve. Esperava que pudéssemos conversar sobre suas mulheres. Há algumas políticas que eu adoraria discutir com você que precisam ser mudadas. Comentei com Tim Oberto, mas ele não é exatamente sensível às necessidades femininas. Existe alguma possibilidade que tenha algum tempo para ouvir minhas ideias? Acho que são válidas.

Ele pareceu ponderar isso.

— Quanto tempo vai ficar na Reserva?

— Alguns dias, se estiver tudo bem. Pensei em ficar por perto para ajudar as novas fêmeas a se adaptar à vida exterior, a menos que receba um telefonema da força-tarefa. Tenho um monte de tempo livre entre as recuperações.

Ele mordeu o lábio.

— Por que não vem ao refeitório comigo se vai ficar? Gostaria que a vissem para saberem que algo assim não vai voltar a acontecer. Poderíamos dividir o jantar depois. É o tempo que tenho livre. Pode falar comigo enquanto comemos. Depois do jantar, tenho que preparar uma conferência de imprensa a ser realizada fora dos portões, às dez horas, sobre as atividades da noite passada.

— Isso seria ótimo. — Ela se lembrou de sua camisa rasgada. — Tenho tempo para me trocar? — Sorriu. — Caso contrário, aposto que nenhum deles vai esquecer de como pareço se soltar minha camisa. Não tenho certeza se vão lembrar do meu rosto, mas pode fazer alguma coisa para impulsionar as relações humanas com seus homens se me virem de sutiã. — Seu corpo inteiro sacudiu pelo riso. Justice é escaldante, Jessie decidiu. Seus olhos brilhavam e sua boca generosa se ampliou para revelar dentes brancos. Viu um flash de pontos ao longo de seu lábio inferior. Tinha presas de Espécies depois de tudo. Ela sentiu seu corpo responder.

Não só teria que trocar a camisa, mas o fio dental também se não começasse a controlar suas emoções. Perguntou-se como seriam esses dentes contra sua pele, se a mordesse com eles.

— Devagar, menina. — ela murmurou.

Sua risada morreu.

— Desculpe-me?

Ele a ouviu. Esqueceu que melhoraram a audição dos Espécies.

— Não foi nada. — Ela sorriu de novo. — Então, posso me trocar ou vou como estou?

— Por que não troca de camisa? Vou falar com eles enquanto esperamos por você e vou apresentá-la quando chegar. Sabe onde é o refeitório?

— Tomei café da manhã com Breeze esta manhã.

— Te vejo quando voltar. — Ele se virou e foi embora.

Jessie o observou sair de vista. O homem enchia um par de jeans melhor que qualquer cara que já viu. Tinha longas pernas musculosas que se estendiam pelo tecido em torno de suas coxas e bunda arredondada. Usava botas pretas. Tinham fechamentos de velcro.

Seriam rápidos para arrancar.

Sorriu por sua libido rebelde, se movendo rapidamente na direção do elevador. Apreciava um homem que usava coisas rápidas e fáceis de sair. Balançou a cabeça para seu reflexo dentro do elevador enquanto subia. Ele é Justice North, um Nova Espécie e sabe que não pode nunca ir lá. Custaria meu trabalho. Tim não só chutaria minha bunda, mas a tiraria da força-tarefa.

Jessie se inclinou para frente, olhou para seu reflexo no espelho e fez uma careta. Podia usar um pouco de maquiagem, mas raramente se incomodava, a menos que precisasse. Fez tudo isso para seu primeiro marido e foi uma perda de tempo. Ele esperava que ela se enfeitasse para ele ou era um insulto. A necessidade de agradar morreu junto com o casamento. O desgraçado teve um caso com um soldado colega, nos exercícios de treinamento. Ela recuou e passou os dedos pelo cabelo. Era realmente vermelho brilhante, uma bagunça e não podia ficar pior se tentasse. Podia estar atraída pelo sensual Espécie, mas ele não sentiria o mesmo por ela.

As portas do elevador se abriram e ela praticamente correu pelo corredor. Não tinha certeza do que aconteceu a ela desde que conheceu Justice, mas o homem a transformou. Fazia muito tempo desde que conheceu alguém que a atraísse. Ele definitivamente fazia seu coração disparar e pensamentos selvagens enchiam sua cabeça. Dois anos se passaram desde seu amargo divórcio e não tinha se interessado por homens.

Bem, houve um cara, se lembrou. Mas um caso de uma noite, depois de beber muito contava? Decidiu não pensar nisso. Foi uma noite difícil e precisava do conforto de outra pessoa. Foi logo depois da primeira vez que recuperou o corpo de uma mulher Nova Espécie.

O bastardo que a assassinou enterrou seu corpo, pequeno e quebrado, sob o piso do porão da cela que a manteve por anos. A visão do corpo desenterrado levou Jessie direto ao bar mais próximo e aos braços do primeiro homem que parecia bom. Ela queria esquecer a dor de saber o que foi feito à pobre vítima e como chegou tarde demais para salvá-la. O caso de uma noite foi um fracasso. Ele fez propaganda, mas uma vez que atingiu o campo, não arrumou nada que valesse a pena.

Entrou no quarto e pegou a primeira camisa jogada na cama, uma blusa azul. Era grande para ela, mas não se surpreendeu já que todas as fêmeas Novas Espécies que viviam na Reserva eram protótipos femininos experimentais para drogas que usaram para torná-las tão grandes e fortes. A menor que viu tinha cerca de 1,78m. A mais alta tinha cerca de 1,90m. Eram mulheres robustas que poderiam derrubar um homem médio se necessário. A loja de roupas fazia a reposição para os moradores da Reserva e provavelmente não pediam tamanhos pequenos ou médios.

Jessie correu para fora do quarto, empurrando a chave de volta dentro do jeans. Foram dados apenas moletons para ela. Não gostava deles. Continuou com o par de jeans preto que usava quando chegou. Não era de usar bolsa e se algo não se encaixava dentro de um bolso podia ser amarrado em algum lugar de seu corpo. Não via necessidade de carregá-lo. Voltou ao elevador e verificou seu reflexo novamente. O longo cabelo caía passando pela bunda. Estava vermelho, brilhante atrevido, a cor criada a partir de duas caixas de tinta para cabelo.

Ela teve coragem de romper com o molde de trabalho pelas Novas Espécies. Eles eram diferentes, especiais e faziam seus próprios lugares na vida. Jessie mudou seu cabelo para a cor brilhante, chamativa, desafiando as normas. Sabia que provavelmente a luminosidade dos cabelos devia brilhar no escuro, mas adorou. Realmente definia seus olhos azul-escuros e era um contraste drástico para sua pele naturalmente quase branco leite. Nunca se bronzeou e não se importava.

As portas do elevador se abriram e caminhou na direção da lanchonete. As portas duplas estavam abertas e dois Novas Espécies policiais uniformizados estavam de guarda. Ela diminuiu o passo e estudou os homens, querendo saber se o juiz informou que foi convidada para a reunião.

Eles se moveram para fora do caminho. Jessie deu a cada homem um sorriso e caminhou dentro da grande sala, só para parar alguns metros após a porta. Avistou Justice logo depois, incapaz de não percebê-lo se elevando sobre todos, de pé sobre uma mesa do outro lado da sala na longa mesa do buffet. Ele, naturalmente, chamava atenção de qualquer maneira, mas no alto parecia maior que a vida.

— Os seres humanos não são nossos inimigos. Não a maioria deles. — Justice parecia irritado e seu rosto um pouco franzido. — Há pessoas boas e outras ruins como as que foram expostos no Mercile. Os maus são minoria. Estou sendo claro? Seres humanos bons nos libertaram e lutaram para nos dar direitos e privilégios. Somos iguais em todos os aspectos, devido a eles. Não foram os que nos escravizaram e torturaram. Não sabiam o que estava sendo feito conosco, mas quando descobriram, fizeram todo o possível para nos ajudar a chegar onde estamos hoje. Cada um de vocês está aqui por causa desses seres humanos bons.

Um homem levantou.

— Será que podemos confiar neles agora? É difícil, Justice.

Justice relaxou. Seus traços suavizando.

— Entendo sua hesitação, mas temos que mudar com o tempo. Ontem você estava trancado dentro de uma cela, mas hoje está livre. Ontem os humanos com quem lidava eram monstros, mas hoje está lidando com humanos bons que ficariam horrorizados se percebessem o que foi feito conosco por seu próprio povo. Querem as pessoas punidas tanto quanto nós. — Alguns homens na parte de trás, de repente viraram a cabeça para olhar Jessie. Ela manteve o sorriso no lugar e percebeu que o cheiro dela os atingiu. Só levou cerca de quinze segundos para todos perceberem que entrou no refeitório. Ficou ao lado da porta e olhou para os homens, divisando raiva em algumas faces.

— Esta é Jessie Dupree. — Justice declarou em voz alta. — É uma humana boa. Ninguém vai atacá-la novamente. Seu trabalho é ajudar a localizar Novas Espécies que ainda estão presos. Ela entra com uma equipe treinada de machos humanos que lutam pela nossa liberdade e poderiam facilmente morrer para nos salvar. Seu trabalho é cuidar de nossas mulheres recuperadas. Estava lá quando foram libertados ontem à noite e arriscou sua vida para entrar e levar nossas mulheres para a segurança. Sua vida é dedicada a nós, mas foi atacada por um de vocês no lobby. — Justice fez uma pausa, seu olhar severo deslizando para cada homem antes de falar de novo. — É inaceitável o que aconteceu com ela. Não atacamos seres humanos, a menos que sejamos atacados primeiro.

— Ela me atacou. — um macho rosnou.

Justice arqueou a sobrancelha e cruzou os braços sobre o peito, o olhar de raiva retornando enquanto falava pelo alto-falante.

— Sério? Como ela atacou você? — Jessie mordeu o lábio para manter a boca fechada. Esperou em silêncio até que o homem finalmente falou.

— Ela me ofendeu e tentou quebrar meu pulso.

Justice deu um passo ameaçador à frente sobre a mesa, mas parou na borda.

— Será que você a tocou primeiro?

— Seu braço.

— Você a agarrou. Vi marcas em seu pulso e você as colocando lá. Atacou primeiro. Ela se defendeu, tentando se livrar de você. — Justice fez uma pausa. — Muito bem feito.

O macho rosnou em protesto e o olhar de Jessie vagou, até que o encontrou. Era o cara que chutou nas bolas que fez o som irritado. Tentou não sorrir. Ele realmente mereceu, mas ainda assim, tinha a intenção de acertá-lo com o calcanhar no estômago. Era baixa, ele era um cara alto e a merda aconteceu.

— Qualquer ser humano na Reserva é um convidado. Está aqui com nossa bênção e acolhimento. Estão sob nossa proteção e não vão atacar nenhum. Não vão ser rudes com nenhum. Também nunca atacarão um ser humano do sexo feminino em qualquer circunstância. Suas mulheres não são tão fortes quanto as nossas e não foram colocadas em nosso caminho. Não possuem nossas habilidades de luta ou resistência. Juro que serão tratados muito duramente se atacarem uma fêmea humana aqui. Algumas delas vivem com nossos homens como companheiras. Comprometeram-se um com o outro, acasalados pela vida. Esses homens vão matar qualquer um que tocar sua fêmea e seria seu direito fazê-lo.

Justice fez uma pausa e respirou fundo antes de começar a falar de novo.

— Essas são nossas leis. Nunca atacar policiais que virem em uniformes negros também. Devem ser respeitados e ouvidos. Sua palavra é lei como se eu estivesse falando. Nossas mulheres estão fora dos limites, a menos que consintam ser tocadas. Espero não ter, sequer, que mencionar isso, mas não estava na mesma instalação de testes que vocês. Tratamos nossas mulheres com respeito e nunca compartilhamos sexo com elas a não ser que elas comecem. Vão conhecer a punição se algum de vocês se recusarem a viver de acordo com essas regras. Odeio ressaltar isso, mas essas são as leis que nunca deverão ser quebradas. Serão presos, se não puderem viver por elas e prometo que não serão postos em liberdade, até perceberem que precisamos ter algumas leis para vivermos juntos e em paz. Estou sendo claro?

A sala ficou em silêncio. Justice levou seu tempo para encontrar o olhar de cada homem antes de lentamente assentir.

— Agora, o jantar será servido. Vamos considerar este assunto encerrado. — Justice pulou graciosamente da mesa para caminhar diretamente para Jessie. Ele parecia triste quando parou ao seu lado. — Vamos comer.

Ela não sabia o que dizer para aliviar seu mau humor. Ele ofereceu o braço. Ela estendeu a mão e seus dedos se enroscaram em torno do antebraço. Outro choque disparou através de seu corpo pela pele quente, firme sob seus dedos. O homem estava tão quente que parecia como se estivesse com febre.

— Não vamos comer aqui?

— Não. Espero que não se importe, mas vamos jantar na sala de estar da minha suíte. Realmente quer uma discussão na frente de todos? Eu não. Não estão realmente felizes comigo agora, por que estabeleci a lei, mas isso precisava ser feito.

— Provavelmente não sou sua pessoa favorita também. Isso é bom. — O coração de Jessie saltou ao pensar em ficar sozinha com Justice para jantar. Parecia íntimo, em vez de profissional. Então, se ele tinha um escritório na Reserva, estariam sozinhos se a levasse para lá. A sala de estar de sua suíte seria maior que um escritório. Justice a levou para os elevadores.

Justice se recusou a olhar para Jessie uma vez que as portas do elevador se fecharam, olhando para todos os lugares, menos para ela. Jessie não liberou seu braço, mas queria. Por que ele não olhava para ela? Ele puxou uma respiração profunda.

— Pedi o jantar. Não tinha certeza do que você queria. — Fez uma pausa. — Tomei a liberdade de pedir vários pratos. Podia esperar para perguntar, mas levaria mais tempo. Tenho um discurso para escrever depois do jantar e quanto mais rápido comer, mais rápido posso fazê-lo.

— Isso soa como um grande plano. — Ela sorriu. — Não sou realmente exigente sobre comida. Fico feliz em comer.

Finalmente desviou o olhar para o dela.

— Não parece como se comesse muito. É pequena.

Ela riu.

— Exercícios rigorosos fazem isso. Meu pai e meu irmão, ambos foram fuzileiros navais e me casei com um SEAL da Marinha. — Encolheu os ombros. — Minha mãe morreu quando eu tinha cinco anos, então sempre estive em torno dos homens. Foi onde consegui algumas habilidades de luta. Queriam ter certeza que eu podia cuidar de mim em qualquer circunstância. Sempre fui tagarela e curiosa quando criança e, definitivamente, não do tipo tímido. Meu pai disse que minha boca e minha capacidade de encontrar problemas significava que precisava ser capaz de me defender. Estava certo.

Justice ficou tenso. Sua voz era naturalmente profunda, mas saiu mais áspera.

— Seu marido deve odiar seu trabalho, se a mantém longe dele.

— Ex-marido. Nos divorciamos há dois anos.

Justice evitou olhar para ela de novo. Notou que ele lentamente relaxou quando as portas para o terceiro andar se abriram, o que lhes permitiu sair do elevador.

— Vamos ficar no mesmo andar.

Justice não disse uma palavra quando a levou pelo corredor. Foi na direção oposta ao seu quarto. No final do corredor, tirou uma chave do bolso das calças de brim para abrir a porta. Jessie teve que libertá-lo enquanto abria e fazia sinal para que tomasse a frente.

Tomou nota da maravilhosa suíte com área de estar espaçosa. Uma pequena quitinete foi construída contra uma parede com um barzinho. O corredor que levava ao quarto ficava na outra extremidade da sala. Justice apontou para o sofá.

— Por favor, sente-se. Importa-se se eu tirar os sapatos? Não me importo com quanto tempo os uso, mas não posso esperar para ficar com os pés descalços.

— É seu lugar. Fique confortável.

Ela sentou no sofá. Isso era outra coisa sobre as Novas Espécies que ouviu da equipe. A maioria deles odiava usar sapatos, preferiram andar descalços, uma vez que nunca os usaram dentro de suas celas. Ela sabia em primeira mão que as fêmeas não gostavam muito de roupas íntimas. Perguntava-se se era o mesmo com os homens e a fez sorrir. Justice não usava cueca sob o jeans? Diga alguma coisa, ordenou à sua boca, para não ficar divagando sobre esse tópico.

— Não gosto de sapatos também. Quando estou em casa, os tiro no segundo que entro na porta e não os coloco novamente até sair. — Justice sentou a poucos metros de distância e tirou os sapatos. Puxou o velcro, os empurrou e Jessie sorriu ao ver seus grandes pés descalços. Devia odiar meias, já que não as usava. As chances eram que estava nu sob os jeans. Apostaria nisso.

Sua atenção focou no colo quando ele levantou, mas não podia dizer de uma maneira ou de outra. Seu olhar se ergueu por seu corpo e ela corou ligeiramente. Ele olhou para ela com olhos apertados, obviamente, a pegando de olho na frente de suas calças.

— Estava olhando para mim. Esqueci de fechar o zíper do meu jeans? — Estendeu a mão para roçar na frente deles.

Ela balançou a cabeça mais envergonhada.

— Não. Não esqueceu.

Ele piscou.

— O que está olhando? Existe uma mancha? Será que joguei alguma coisa no meu colo quando almocei? — Ele se inclinou para frente um pouco, olhou abaixo, antes de se endireitar.

— Não estou vendo nada.

Ela hesitou. Novas Espécies gostavam de franqueza. Isso era uma coisa que sabia sobre eles com certeza. Apreciavam honestidade.

— Não gosta de sapatos ou meias. Sei que suas fêmeas odeiam roupas íntimas e estava inadequadamente me perguntando se os homens sentiriam o mesmo. Estava tentando descobrir se usava algo sob seu jeans ou não. Não posso dizer. Sinto muito. Foi extremamente rude da minha parte. — Jessie esperava que ficasse ofendido ou talvez com raiva. Em vez disso, seus olhos enrugaram e um riso profundo irrompeu de sua garganta. Foi uma agradável surpresa ele estar se divertindo.

— Sei. Eu uso. Acho jeans um pouco duro sobre a pele sensível e pode beliscar também. Gosto de usar algodão suave e espesso entre o jeans e minha pele. — Jessie se perguntou o quanto a pele era sensível e onde "o algodão suave e espesso" cobria. Era um homem de boxers ou cuecas? Talvez um cara de Speedos? Esperava que não. Era a escolha de seu ex-marido e odiaria descobrir que Justice tinha algo em comum com Conner.

A campainha tocando distraiu os dois. Justice foi até a porta com as graciosas e longas pernas o levando lá rapidamente.

— Esse será nosso jantar. Não tenho mesa de jantar, mas se importaria de comer comigo na mesa de café? — Teve uma imagem dele esparramado de costas, esperando nu e a comida sobre seu corpo musculoso. Ela a empurrou de volta. Droga, pare! É o chefe do meu chefe. Pensamentos como esse vão me meter em apuros. Pare de fantasiar sobre Justice! Concentre-se em outra coisa e responda.

Ele era tão amável e educado. A surpreendeu mais, considerando a forma como foi criado na instalação de testes.

— É perfeito. Nunca uso minha mesa de jantar em casa. — Ela riu. — Sou uma dessas pessoas que assistem TV enquanto como na mesa de café. Sei que é um hábito muito ruim, mas vivo sozinha. É melhor assistir algo em vez de olhar para o vazio.

Jessie não podia ver com quem Justice falava baixinho, mas foi uma conversa curta. Seu anfitrião puxou um carrinho prateado para o quarto e fechou a porta. O carrinho tinha quatro bandejas cobertas na parte superior e na prateleira inferior meia dúzia de refrigerantes diversos e quatro pequenos recipientes cobertos. Justice empurrou o carrinho através do tapete até a borda da mesa de café.

— Pode escolher o que quiser. Pedi coisas que gosto, então vou comer qualquer coisa que restar. — Justice tirou as tampas e as jogou numa cadeira estofada perto. Tinha boa mira por que cada tampa aterrissou perfeitamente no alvo.

Jessie olhou para as quatro bandejas. Uma continha macarrão ao molho branco com camarão e, ao lado, pão de alho. Bom. Havia provavelmente o maior pedaço de costela que já viu na próxima com acompanhamento de uma batata cozida e alguns vegetais.

A terceira quase a fez recuar. Era um peixe cozido, possivelmente truta e teve flashbacks de seu passado pela mera vista dele. Seu ex os comia constantemente e passou a odiar o cheiro. A quarta bandeja era frango, recheado e assado com molho.

— Tudo parece bom, exceto o peixe. — Ela sorriu. — Você escolhe. — Ele hesitou antes de alcançar o frango. — Sou parcial com o frango. Nunca tive isso antes de sermos libertados.

— Não sabia disso. Não os alimentavam com frango? — Jessie pegou a costela.

Ela colocou o prato sobre a mesa de café com cuidado. Justice ficou na frente dela e sentou alguns metros abaixo, para que pudessem confortavelmente esticar as pernas sob a mesa sem se tocar. Ela sentou no chão também. Suas costas encostaram contra o sofá, achando realmente confortável.

Justice estava mais próximo do carrinho.

— Que tipo de refrigerante quer? Importa-se de tomar refrigerante?

— Um de cereja, por favor. Eu os amo. Laurann Dohner Justice

Ele sorriu.

— Assim como nós.

— Nunca foram dadas bebidas com cafeína a vocês. Sei disso.

— Só água. Às vezes recebíamos suco. — Ele agarrou o refrigerante de cereja e o entregou. Seus dedos se roçaram.

— Obrigada.

Ambos puxaram os lacres de suas latas e organizaram a prataria. Justice espetou sua galinha e Jessie sorriu por seus modos surpreendentemente bons à mesa. A surpreendeu novamente. Ela comeu muitas vezes com as fêmeas. Comiam com os dedos na maioria das vezes, destroçando os alimentos e engolindo rapidamente como se estivessem prestes a perdê-lo.

Justice cortou e mastigou a comida calmamente. Ela olhou para o frango assado. Comia carne totalmente cozida, o que também a surpreendeu. Talvez os homens fossem diferentes das mulheres e seu tempo longe da cela tenha mudado seus hábitos alimentares. Jessie sabia que achava alimentos cozidos um inferno muito melhor que carne crua ou quase crua.

O celular de Justice tocou e ele suspirou. De repente, pareceu cansado para Jessie. As feições parecendo ficar abatidas. Moveu o corpo para alcançar dentro do bolso detrás para tirá-lo. Olhou para a tela antes de encontrar o olhar curioso de Jessie.

— Sinto muito. Tenho que atender.

— Vá em frente. — Esperava começar a falar, antes que fosse chamado.

Abriu o telefone, mas continuou comendo.

— O que é? — Jessie comeu enquanto Justice ouvia a chamada, respondia com respostas abruptas e continuava comendo sua refeição. Parecia um homem acostumado a trabalhar ao redor de um telefone, uma vez que não lutou para comer enquanto conversava. Podia conciliar o telefone e os talheres com facilidade praticada. Mastigava entre as palavras. Finalmente desligou e usou seu rosto e ombro para fechar o telefone. Esse foi o talento que arrancou um sorriso dela.

Justice ergueu o olhar para ela enquanto o telefone escorregava por seu peito para pousar perfeitamente no colo.

— O que é tão divertido?

— Você. Nunca vi esse tipo de talento antes. Fechou seu telefone sem ter que usar as mãos e então se mexeu um pouco para que o telefone deslizasse abaixo pelo peito até o colo. Faz isso frequentemente?

Ele sorriu.

— É uma habilidade que aprendi.

O telefone tocou novamente e ele suspirou. Fechou os olhos por um segundo antes de soltar o garfo para alcançá-lo em seu colo. Estudou o identificador de chamadas e colocou o telefone na ponta da mesa. Seu olhar encontrou Jessie.

— Posso pular essa. É uma das estações de notícias que tentam obter um comentário meu.

— Já teve dias de folga? Laurann Dohner Justice

— Nunca. — Encolheu um ombro. — Sabia que seria uma responsabilidade difícil quando me pediram para assumir a liderança.

— Assumir a liderança?

— Meu povo me pediu para conduzi-los. Era mais calmo e razoável que a maioria. Era o melhor lutador e tive o tempo de resposta mais rápido de ajuste para onde nos levaram depois que fomos libertados. Não tentei matar todos os humanos que nos incomodaram com sua forma de criticar tudo que fizemos. Sempre fui a almofada entre meu povo e o seu. Tornei-me o negociador quando havia divergências entre nós. As espécies foram convidadas a eleger um porta-voz para representá-los e fui convidado pelo meu povo para liderar. Eu aceitei.

Ela tomou um gole de bebida.

— Fez um trabalho incrível. Meu pai é o senador Jacob Hills e sempre me diz que originalmente seu trabalho deveria ser limitado, mas você se levantou pela espécie e argumentou para levá-los onde estão hoje. Diz que você é uma força da natureza que ninguém deve ser estúpido o suficiente para mexer.

Justice riu.

— Gosto dele. Não sabia que era filha dele. — Seu olhar deslizou por ela. — Não se parece nada com ele.

— Me pareço com minha mãe, mas mal me lembro dela. Morreu quando eu tinha cinco anos de idade, após um motorista bêbado bater em seu carro no caminho de casa para a academia. Tenho um monte de fotos dela, e definitivamente, pareço com minha mãe.

— Sinto muito pela sua perda. Seu pai é muito querido.

— Ele gosta de você também. Muitas pessoas não percebem que sou sua filha e ele tenta manter isso fora do radar. Sou do tipo selvagem. — Ela tocou no cabelo. — Ele odeia meu cabelo.

Justice a estudou.

— Não nasceu com esse cabelo brilhante, correto? Eu gosto. Mas nunca vi essa cor antes e vi um monte de pessoas desde que fomos libertados.

— É direto de uma garrafa. Não é a cor que contesta, mas sente falta de vê-los menos coloridos. É o comprimento que mais odeia. Recusei-me a cortá-lo depois de um corte de cabelo especialmente ruim quando tinha dezesseis anos, que me fez parecer um menino e foi dias antes do meu aniversário de 16 anos. Era uma grande festa e o odiei curto. Parei de cortá-lo depois desse fiasco. Então, meu ex-marido exigiu que eu o mantivesse curto após o casamento. Disse-me que era muito longo, sempre incômodo, e ele e meu pai tentaram conspirar contra mim para cortá-lo nos ombros. “As pessoas responsáveis não têm cabelo até a bunda." Essa era uma citação. — Jessie riu. — Não cortei o cabelo e meu pai fica triste com isso sempre que o vejo. — Ela encolheu os ombros.

Seu olhar suavizou.

— É lindo. Qualquer um é insensato, se quer que você o corte. Não sei como alguém pode achar que é incômodo. Tenho cabelo comprido. Não tão longo quanto o seu, mas cabelo longo para homem não está na moda ao que parece, pelo menos foi dito por nossos consultores de mídia. Também me recusei a cortar meu cabelo curto, mas lhes permito mantê-lo no comprimento. Sou responsável e os seres humanos esperam me ver como tal. Espero que deixe o seu crescendo.

Ele gosta de cabelos longos. Jessie sentiu seu coração torcendo. Mais que sexy, uma bela bunda, um corpo que não terminava e gostava de seu cabelo. Era quase perfeito. Seu telefone tocou e, de repente, ele estendeu a mão para ele. Risque isso. Um cara perfeito não teria um celular chato que não parava de tocar o tempo todo. Não seria um maníaco por trabalho. Justice North vivia e respirava trabalho.

— Sinto muito, mas tenho que atender. — Ele abriu o telefone. — Justice.

Jessie terminou seu jantar. Justice terminou o seu também. No meio da conversa deu um olhar de desculpas e ficou em pé. Caminhou para sua pasta em uma mesa ao lado da porta da frente e a abriu para folhear algumas folhas enquanto falava calmamente. Permaneceu no telefone.

 

Jessie limpou seu prato e o colocou na prateleira inferior do carrinho vazio. Levantou as tampas dos quatro pratos menores para identificar as sobremesas enquanto as puxava e colocava em cima. Sabia que vários Espécies não gostavam de chocolate e ignorou o bolo fudge para estudar os outros pratos. Um deles era uma mistura de diversas frutas empilhadas no que parecia ser bolo. Os outros dois eram pedaços de torta de maçã e abóbora. Olhou para Justice por um momento, tentando decidir qual gostaria mais. Pegou as frutas e a torta de maçã e pegou uma colher antes de se aproximar dele.

Deve tê-la sentido atrás dele. Virou-se e segurou a parte inferior do telefone para silenciar a voz.

— Sinto muito.

— Qual? — Ela os segurou.

Ele sorriu e aceitou as frutas. Ela acertou. Estendeu a colher, mas ele não tinha uma mão livre para pegá-la. Sorriu quando a mergulhou no prato que ele segurava e a ergueu para seus lábios. Ele sorriu em resposta e abriu a boca.

Tomou conhecimento de suas presas quando gentilmente colocou a colher contra a língua, evitando as pontas afiadas de seus dentes. Ele fechou a boca ao redor da colher e Jessie de repente se tornou tão ciumenta como o inferno dessa pequena prata com os lábios em torno dela.

Ela a puxou lentamente para fora.

Ele fechou os olhos enquanto saboreava, sua expressão mostrando o puro prazer que experimentava e suavemente gemeu. Jessie colocou o outro prato sobre a mesa, longe dos papéis e levou o prato que segurava. Seus olhos se abriram para olhá-la e ela manteve o sorriso no lugar, apesar da atração que sentia por ele. Mergulhou a colher novamente para oferecer uma mordida.

— Precisa de duas mãos. — ela explicou suavemente.

— Obrigado. — sussurrou.

Ele deu outra mordida, tão sedutora quanto a última, mas da segunda vez manteve o olhar em seu rosto. O azul dos olhos apareceram mais e a fascinava como a cor parecia mudar com suas emoções. As pupilas ovais encolheram um pouco, se estreitaram e o azul se espalhou através de suas íris exoticamente coloridas. Justice de repente quebrou o contato visual para procurar algo. Pegou um papel e o leu.

Ela sentiu a perda de sua atenção e a decepção a encheu por algum motivo estranho.

Gostou de ser o único foco de atenção nesses breves instantes.

— Estou vendo. Bem na minha frente. Diga-lhes que é bom, mas os faça baixar o preço. Só porque ganhamos aquela ação judicial não significa que somos estúpidos o suficiente para gastar tudo isso em lances altos. — Justice limpou a garganta. — Diga a eles que está chamando outros para dar lances para conseguir o trabalho. Isso deve fazê-los baixar o preço. Vá com o número que falamos e, se não aceitarem, chame os outros e reabra a licitação. O orçamento está fechado.

 

Jessie lhe deu outra mordida quando a outra pessoa no telefone continuou falando. Ela não alimentou um homem... nunca. Gostou. Ele deu outro olhar grato, sorrindo para ela.

Perguntou-se se alguma mulher já o tinha alimentado, e esperava, e não queria que se lembrasse dela. O alimentou com toda a fruta e bolo até que o prato estava vazio. Devolveu o prato para a bandeja e pegou um refrigerante para ele. Ele apontou para a mesa ao lado, sorriu seu agradecimento e pegou algo na pasta. Jessie abriu o refrigerante para ele e o baixou. Foi para o sofá e comeu a torta de maçã.

— Sinto muito por isso. — Justice desabou no sofá ao lado, poucos minutos mais tarde, após o fim da conversa. Três pés os separavam. — Obrigado pela fruta. Estava muito boa.

Virou para ele.

— Eu entendo.

O telefone tocou novamente e seu sorriso desapareceu com uma careta.

— Não vou olhar. Pague-me um centavo que jogo essa coisa numa parede e o quebro.

Ela tocou seus bolsos frontais.

— Desculpe, mas não tenho qualquer chance.

Ele riu.

— Gostaria que tivesse.

— Será que seu telefone toca sempre sem parar?

— Só quando está ligado e isso é sempre.

— Devia ter alguém para ajudá-lo. Um homem não pode fazer tudo.

Ele deu de ombros.

— Não sei quem faria tudo que faço.

— Eu treinaria uma dúzia deles e desaparecia por um mês de férias. Aposto que sonha em se esconder de celulares e outras pessoas.

— Não me tente. — Um olhar de saudade cruzou seus traços. — Acha que me contratam se eu fugir para o circo?

Jessie riu.

— Tenho certeza que sim. Não acho que iria desfrutar mais desse outro trabalho. Não teria chamadas, mas lidaria com pessoas, o que seria um inferno muito pior.

Ele ajustou seu grande corpo no sofá, colocando o pé para descansar na beira da mesa de café.

— O que queria falar? Estou realmente interessado em ouvir suas ideias.

Jessie hesitou.

— Lida com isso o tempo todo, não é? Pessoas que querem sua atenção para alguma coisa? — Se sentiu mal por ele. — Vamos fazer assim. Vou escrever uma carta, a envio para seu escritório e pode olhar quando encontrar algum tempo livre. Não deveria ter que lidar com trabalho agora. Realmente precisa de algum tempo para relaxar.

— Quer desistir? — Ele ficou tenso. — Entendo. Sinto muito sobre o jantar ser interrompido. Foi rude da minha parte, mas realmente tinha que atender essas chamadas. Juro que vou ler se quiser enviar suas ideias por carta. Basta colocar seu nome em negrito no verso do envelope e digo à minha secretária para levá-lo para mim assim que chegar, e terá toda a minha atenção.

Jessie levantou.

— Não quero desistir. Está muito estressado. — Olhou para ele. — Trabalha mais do que qualquer um que já conheci. Meu pai é um workaholic, mas empalidece em comparação com você. Não se preocupe com o jantar ou as ligações. Sabe o que precisa?

Ele balançou a cabeça, mas a curiosidade despertou seus lindos olhos. Jessie hesitou. Oh inferno, quem se importava em ser profissional? Ele está estressado, eu quero ajudá-lo e estou fazendo isso. É uma péssima ideia, horrível, mas dane-se.

— Precisa de uma massagem.

Suas sobrancelhas levantaram.

— O que?

Sua expressão era adoravelmente perplexa e atraiu uma risada dela quando repetiu suas palavras.

— Precisa de uma massagem. Posso esfregar seus ombros se tiver um pouco de creme por aqui. Costumava fazer isso para meu pai quando ficava estressado. Isso o fazia se sentir melhor.

Justice engoliu em seco.

— Há alguns no banheiro. Todos os quartos contam com essas coisas.

— Por aqui? — Ela apontou para o corredor.

— Sim.

— Eu vou. Você relaxa. Coloque ambos os pés para cima, se sinta confortável e não se atreva a tocar no telefone. Deixe-o tocar.

Jessie percebeu que perdeu a cabeça. Justice podia mandar seu chefe chutar sua bunda e Tim o faria. Justice era o líder da ONE e ela planejava massagear a tensão de seus grossos ombros largos. Oh, inferno! Pensou enquanto olhava ao redor do quarto e entrava no banheiro. Justice era um caso de estresse e precisava descansar. Uma massagem tornaria o mundo melhor. Achou a loção e voltou para a sala de estar.

Justice seguiu suas ordens descansando seus grandes pés em cima da mesa de café.

Jessie sorriu quando se inclinou, tirou os próprios sapatos e encontrou o olhar inseguro. Ele a olhava com cautela, como se não tivesse ideia do que faria. Ela lutou contra uma risada por sua perplexidade. Descobriu que ele provavelmente estava se perguntando se era louca ou não.

— Vou subir na parte detrás do sofá e me sentar atrás de você. Pode tirar a camisa?

Ele só hesitou um segundo antes de alcançar a cintura, se inclinar um pouco e puxar a parte superior mais acima pelo peito para revelar músculos incríveis em seu estômago plano novamente. Jessie pisou no sofá, sentou atrás dele e plantou os pés ao lado de seus quadris. Ela abriu a tampa da loção, estudando seus ombros enormes, entendendo quanta responsabilidade repousava sobre eles. Eram tão impressionantes que achou que era o único homem que podia ser o rosto das Espécies perante o mundo.

Seu cabelo caiu no caminho e ela baixou a loção. Alcançou seu rabo de cavalo, puxando pelo elástico para tirá-lo no lugar. Seus dedos balançaram para frente do rosto de Justice.

— Pode colocar o cabelo para cima de sua cabeça para tirá-lo do caminho, por favor?

Ele hesitou antes de aceitar isso, puxou todo o cabelo acima e prendeu os fios. Ela achou que ia rir se o visse de frente. Concentrou-se em suas costas tentadoras outra vez, desejando tocá-lo e derramou loção numa palma. Colocou o frasco no chão e aqueceu a substância cremosa entre as mãos.

— O truque para relaxar é fechar os olhos e deixar tudo ir. — Espalhou a loção sobre os ombros com seus dedos segurando os músculos. A tensão nele não podia ser negada. Os ombros pareciam pedra sob seus dedos e palmas das mãos. Deixou as mãos deslizarem sobre a pele aquecida até a loção revestir a área que tinha intenção de massagear. — Acha que pode fazer isso?

— Vou tentar. — Sua voz saiu profunda e rouca.

— Ótimo. Simplesmente feche os olhos e relaxe.

Jessie cavou seus dedos no músculo tenso. Usou as palmas das mãos para empurrar a pele e massagear profundo, sabendo que não ia machucá-lo. Suas mãos não eram fortes o suficiente para fazer isso. Prazer a encheu ao tocá-lo como olhar fixo na pele bronzeada que manipulava e esperava que funcionasse. Justice precisava relaxar. Trabalhava muito duro.

Ele gemeu, tirando um sorriso de Jessie, mas não perdeu seu toque. Suas mãos trabalharam até o pescoço para amassar os músculos antes de descer lentamente para os ombros, em seguida, de volta. Ele gemia e fazia sons suaves ocasionalmente.

O telefone tocou algumas vezes, mas ele o ignorou. Não ficou tenso nas interrupções ou se moveu sob suas mãos. As mãos de Jessie começaram a doer eventualmente, por causa da força que usava. Ela parou.

— Está melhor?

Ele gemeu.

— Sim.

— Está se sentindo sem stress?

— Sim.

— Minha missão de relaxamento agora está completa.

Ela soltou seus ombros com pesar. Foi um prazer ter as mãos sobre o líder maior das Espécies. Tentou não permitir que seus pensamentos permanecessem aí e sabia que era uma coisa muito ruim estar tão atraída por ele. Seus dedos deslizaram para soltar o elástico de seu cabelo e ela o enfiou no bolso. Falando sobre latir na árvore errada. Ele está fora do meu alcance e Tim vai chutar minha bunda, se souber que estive aqui.

Jessie subiu pelas costas do sofá e estudou as belas feições de Justice.

Seu olhar escuro e sexy encontrou o dela. Teve que engolir em seco pelo olhar intenso que concentrou no dela, sem saber o que queria dizer estando tão sério. Era muito bom em deixá-la desequilibrada.

— Tem alguma coisa errada? Está me olhando como se quisesse dizer alguma coisa.

Ele levantou lentamente e era tão alto que precisou levantar o queixo para manter seu olhar sobre o dele. Ela continuou imóvel. Era quase trinta centímetros mais alto e realmente impressionante em tamanho. Muito grande. Se deixou divagar. Não importava, porque não se sentia ameaçada por ele. Continuou a observá-la atentamente, até que finalmente falou.

— Obrigado. — respondeu asperamente.

— De nada.

Ele piscou.

— Provavelmente deve sair antes que eu faça algo que vou me arrepender. Obrigado por compartilhar o jantar comigo... e me alimentar com a sobremesa. Particularmente quero agradecer pela massagem. Foi maravilhosa e necessária.

O coração de Jessie acelerou um pouco e não negou sua curiosidade.

— O que está pensando em fazer que vai se arrepender?

Seu olhar procurou o dela e um longo momento se passou enquanto parecia debater se respondia.

— Tocar em você.

Seu coração deu um salto. Identificou o olhar em seus olhos, agora que tinha uma pista.

Desejo. Justice a queria como um homem quer uma mulher. Suas narinas e aquele som macio em sua garganta que fazia coisas maravilhosas em sua libido.

— Você ronrona. — ela sussurrou.

Justice fechou as mãos em punhos ao seu lado, preocupado que Jessie pudesse vê-lo como uma ameaça, mas desejava tocá-la tão desesperadamente que se tornou um desejo quase impossível.

Pôr as mãos sobre ela, inalar seu feminino perfume tão perto dele enquanto ela massageava seus ombros o deixou um pouco louco.

Ela era humana, trabalhava para a força-tarefa atribuída sob seu comando e leu sobre etiqueta humana adequada ao local de trabalho. Assédio sexual. Essas duas palavras repetiam em sua cabeça. Ela não era Espécies, as regras de sua sociedade eram totalmente diferentes daquelas no mundo em que vivia e não era uma solução simples perguntar se queria compartilhar sexo com ele. Isso era o que faria se ela fosse uma de suas mulheres. Sabiam que podiam livremente negar e seriam respeitadas. Ela podia ficar com medo ou insultada se ousasse proferir essa pergunta.

Tentou argumentar com seu corpo ligado. Não podia compartilhar sexo com Jessie Dupree. Ela não o queria. Suas ações foram baseadas na bondade e não num convite para colocar suas mãos sobre ela em troca. Veio para discutir trabalho, não acabar em sua cama.

A imagem dele a varrendo em seus braços e levando pelo o corredor até seu quarto encheu sua cabeça. Rasgando a roupa dela, explorando sua pele pálida e passando as mãos sobre cada centímetro de seu corpo. Seu pau respondeu com força total enquanto o sangue corria para a virilha e o peso incômodo da ereção o fez querer ajustar sua posição, uma vez que pressionava contra o denim confinante de seus jeans.

Respirando fundo, ordenou ao seu corpo. Resista. Não pode oferecer seu sexo. Ela é humana e não está autorizado a tê-la, independentemente do quanto a quer. Esses pensamentos ajudaram a recuperar algum controle sobre sua necessidade furiosa de tomá-la. Rosnaria para ela se fosse Espécies, mostraria seu domínio e oferecia seu corpo. A pegaria em menos de um minuto, se ela concordasse em partilhar sexo com ele e mostraria sua habilidade como amante.

Um pequeno traço de incerteza o atingiu e manteve esse rosnado de intenções trancado dentro de sua garganta, já que ela não era Espécies. Não tinha ideia se alguma coisa que aprendeu sobre os humanos se aplicava a ela. Engoliu em seco, se manteve em silêncio e esperava não parecer ameaçador. Ela era muito menor e mais fraca do que as mulheres Espécies. Essa era outra coisa que resfriava seu sangue aquecido. Jessie parecia frágil em comparação e temia machucá-la, de alguma forma, se seguisse seu instinto para tentar levá-la para sua cama.

Jessie olhou de volta para o olhar lindo de Justice, enquanto ele permanecia em silêncio absoluto. Eu o quero, ela silenciosamente admitiu. Tim terá minha bunda, me demitirá, mas, oh inferno, ele vale a pena o risco.

Ele quer me tocar e eu realmente o quero. Tim não tem que saber, certo? Quem contaria? Seu olhar rompeu o contato ao varrer toda a sala. Sem testemunhas, ninguém para julgar e nós dois somos adultos. Ela olhou para ele de novo, encontrou seu olhar intenso enquanto ele continuava a olhá-la, quase como se esperasse por consentimento tácito.

Isso podia levar ao sexo, se colocassem as mãos um no outro. Justice era um cara grande, muito forte e Espécie. Ela se perguntou como funcionaria entre eles na cama. Sabia que algumas mulheres se ligaram com eles. Foi ao casamento de Tammy e Valiant, e Tammy com certeza parecia mais do que feliz apesar de sua drástica diferença de tamanho.

— Alguma vez já dormiu com uma humana? — Essas palavras saíram e não podia acreditar que disse o pensamento em voz alta.

— Não.

Seus olhares permaneceram presos e a encorajou a continuar falando.

— Nunca fiquei atraída por seu tipo antes, mas estou atraída por você da pior maneira. Estou sendo muito direta? Sei que total honestidade supostamente é normal para os Espécies. Apenas me diga para calar a boca se eu estiver errada.

— Você me quer também? — Sua voz baixou a um rosnado rouco.

Meio assustador, mas quente, ela decidiu. A mudança de voz fez seu coração disparar mais rápido. Justice se moveu lentamente, inclinou seu corpo mais perto e levantou a mão para tocar seu rosto com a palma grande. A outra mão deslizou frouxamente ao redor de sua cintura enquanto estudava seus olhos. Responda.

— Sim. — ela mal respirava.

— É tão pequena, que tenho medo de contundi-la ou acidentalmente te machucar.

Ela sorriu, achando seu nervosismo reconfortante. Provava que ela não era a única em terreno movediço e todas as suas dúvidas sobre se envolver com ele desapareceram. — Sou forte e disposta a correr o risco.

— Vi que era forte no lobby quando foi atacada. — A puxou mais perto, com a mão em seu quadril até que seus corpos pressionaram juntos. — Me excitou. Você era pequena, mas feroz. Lutou muito bem.

— Eu o fiz?

— Mmmm — ele rosnou quando baixou o rosto. — Puxe o cabelo para trás, por favor. Quero acesso ao seu pescoço.

Ela agarrou o cabelo longo, sem hesitação e o empurrou de volta sobre o ombro.

Inclinou a cabeça para o lado para dar livre acesso ao seu ombro e pescoço. Ele se inclinou mais e Jessie estremeceu em antecipação quando sentiu a respiração quente a provocando na pele abaixo da orelha. Justice inalou lentamente e percorreu o nariz nessa área, tão suave como a carícia de uma brisa, baixando, para onde a camisa mostrava o sutiã.

— Não vou tocar em você com meus dentes. Não tenha medo. Estou ciente que caninos afiados assustam os humanos.

— Não estou preocupada com isso e pode me tocar com os dentes tanto quanto quiser. — A ideia a excitava, mas tinha uma exceção. — Só não tente romper a pele. Não estou para mordidas de amor. Não sou fã de dor. — Ele ronronou profundamente, um estrondo sexy vindo dele. A mão dela apertou contra seu peito e ela se aproximou até que os seios achataram contra o corpo grande. Podia sentir as vibrações quando ronronava assim. Jessie suspirou baixinho pela surpresa quando, de repente, a língua traçou sua pele. Jessie virou a cabeça, sua boca pressionado na pele dele e se abrindo para lamber o mamilo. Ela o prendeu e mordeu delicadamente com os dentes enquanto chupava. O corpo contra o dela ficou tenso e ele rosnou, vibrando novamente.

O estridente e irritante som do celular os interrompeu. A boca em seu pescoço parou de beijar e Justice proferiu uma maldição rosnada. Ela soltou o mamilo, ergueu o queixo e encontrou seu olhar cheio de paixão.

— Não atenda. Deixe tocar. — Ela prendeu a respiração, esperando que a escolhesse, em vez de quem ligou.

— Vamos para o quarto, longe dele.

Ela puxou o ar para os pulmões, a tensão diminuiu de seu corpo e ela sorriu. Essa era uma maneira de levá-la para seu quarto. É claro que queria segui-lo para qualquer lugar naquele momento.

Ele se afastou para colocar espaço entre seus corpos e a cor dos seus olhos parecia visivelmente mais escura. Não costumava se mover tão rápido com alguém, mas o queria, ele a queria e se recusava a pensar muito profundamente sobre isso. Estendeu a mão e ela ansiosamente colocou a menor na dele. Ele se virou, seu foco sobre ela e a levou para fora da sala.

Justice soltou sua mão quando entraram no quarto principal, deu a volta e empurrou a porta para fechar. Um bloqueio clicou no lugar, o som fácil de identificar.

— Não é para prendê-la, mas para evitar que alguém nos interrompa. Às vezes, os homens designados para me vigiar entram na minha suíte e a porta trancada irá impedi-los de abri-la.

— Certo.

Jessie pegou a frente de seu jeans e desabotoou o botão superior. Olhou seu rosto quando puxou o zíper abaixo, procurando algum sinal de protesto. Paixão brilhava no olhar aquecido e ela desceu a atenção por seu corpo para ver os dedos afastando o tecido. Ele usava boxer de flanela vermelho.

Pareciam caros e eram surpreendentemente suaves quando passou os nós dos dedos contra eles. Não estava brincando sobre gostar de conforto entre sua pele e o jeans.

Ela empurrou as calças abaixo por suas pernas musculosas antes de ir para a cueca e removê-la também. Suas mãos, de repente agarraram as dela e o olhar de Jessie subiu para encontrar o dele.

— Estou indo muito rápido? Quer ir mais devagar? — Ela resistiu a sorrir divertida ao pensar num homem resistindo a ficar nu o mais rápido possível com uma mulher disposta em seu quarto. Ele não era como os outros caras, se lembrou.

— Há algumas coisas que deve saber primeiro.

Uh-oh.

— Tem as mesmas partes, certo? Partes masculinas? — Ele abriu um sorriso.

— Sim.

— Então o que mais há para saber?

Ele hesitou.

— Fomos informados que somos maiores que os machos típicos.

Maiores. Ela engoliu em seco.

— Posso lidar com isso. Maior como em "um pouco maior" ou como em "isso nunca, nunca vai caber dentro de mim?"

Uma risada escapou de seus lábios.

— Sua raça e a minha compartilham sexo. Não parecem ter qualquer problema com isso.

— Isso é bom saber.

— Há mais.

Ela mordeu o lábio, sem saber se realmente queria saber. Algumas coisas eram melhores quando não ditas, mas apreciava ele querer ser totalmente honesto com ela.

— Mais que grande?

— Só quero que esteja consciente. Alguns Espécies incham, ficando ainda maiores no final do sexo. Eu não.

Ela estava um pouco chocada ao ouvir esse fato sobre as Espécies.

— Tammy disse que com Valiant, no final, sua semente é visivelmente quente. Não dói, mas sente um calor a enchendo quando derrama sua semente. Não tenho preservativos e não poderei conter minha semente se fizermos. Vai sentir isso se eu entrar em você. — Ele puxou uma respiração afiada. — Não preciso. Só queria te dar a opção de sair.

— Não faz mal a ela?

Ele balançou a cabeça.

— Ela parecia divertida com o que ele me disse. Só queria avisá-la.

— Estou avisada. Acho que posso viver com isso. — Jessie estava feliz que não fosse algo pior. Sêmen mais quente que o normal não era um obstáculo no quarto.

Ele hesitou.

— Pode ficar grávida? Usa alguma coisa para evitar isso?

— Uso injeção hormonal, mas sei que não é uma preocupação, pois você não pode ter filhos. Isso é verdade, certo?

Ele hesitou.

— É melhor estar seguro. Somos todos diferentes e, portanto, estamos sempre dentro do reino das possibilidades. Prefiro estar seguro, em vez de correr risco.

— Vou ao médico regularmente, uso injeção e não tomei nada que pudesse influir com ela, por isso estamos bem. Não tenho nenhuma doença também. Fazem testes regulares no consultório do meu médico e não tenho parceiro sexual há cerca de um ano. Tenho certeza que estou completamente saudável.

A surpresa arregalou seus olhos.

— Um ano?

Ela encolheu os ombros.

— E você?

— Faz alguns meses desde que compartilhei sexo com uma mulher. Era Espécie e não temos doenças sexualmente transmissíveis. Nunca estive com uma humana, como disse.

— Então, estamos prontos. Tivemos uma conversa responsável, estamos cobertos sobre gravidez e ambos livres de doença. — Ela sorriu e agarrou a cintura de sua boxer para empurrá-la abaixo por suas coxas musculosas. Não podia deixar de olhar o corpo que ela revelava e, logo que libertou o pênis, congelou. Seus dedos se fecharam em torno do material macio.

— Jessie?

Ela se forçou a desviar o olhar da metade inferior para encontrar seu olhar preocupado.

— Não estava brincando sobre ser maior.

— Quer parar? — Os lindos olhos felinos se estreitaram, e ele franziu ligeiramente a testa e a preocupação tencionou seus traços.

Ela olhou para o pênis e o estudou. Não era assustadoramente dotado, mas nunca esteve com um homem do seu tamanho.

— Não mudei de ideia. Basta ir devagar porque senão isso vai doer. — Ela soltou a boxer, permitindo que caísse no chão. Sua atenção se voltou para o rosto. — Ainda quero você.

— Não tenho que entrar em você. Podemos fazer outras coisas. Não vou te machucar. — Jessie recuou quando Justice chutou as roupas. Ela agarrou a barra de sua blusa, a puxou sobre a cabeça e a deixou cair no chão. Justice silenciosamente observava enquanto tirava sua calça jeans.

— Tenho certeza que sou igual às outras mulheres. Sem surpresas sobre partes do corpo.

Ele ronronou novamente.

— Sua pele é tão pálida. É muito bonita.

Ela olhou para seus seios.

— Estou feliz que pense assim. Suas mulheres são naturalmente bronzeadas.

— Sua pele me lembra o leite. Amo leite. A textura e o sabor quando está quente é meu favorito.

Ele era bom. Jessie sorriu pelo elogio. A melhor parte era que não acreditava que fosse uma linha que praticasse para usar com potenciais parceiros sexuais. Justice não era um cara comum, que cresceu namorando e aprendendo o que funcionava para pegar garotas. Se dizia que sua pele parecia o leite que amava, isso era o que parecia. Ela tirou a calcina e o sutiã combinando, grata que fossem bonitos.

— É linda! — rosnou Justice, olhando seus seios. — E maior que nossas mulheres.

Ela riu.

— Estou feliz por algo em mim ser. Suas mulheres são bem impressionantes. — Ele foi para frente até que quase se tocavam e as mãos quentes gentilmente agarraram seus quadris. Ele caiu de joelhos na frente dela, o rosto agora nivelado com seus seios. A respiração quente os ventilou e seus mamilos responderam ficando duros. Teve que olhar para seu rosto mais uma vez, enquanto os olhares se encontravam.

— A última coisa que devo avisá-la é sobre sermos naturalmente dominantes e agressivos. Nunca te machucaria durante o sexo, mas poderia fazer ruídos que não está familiarizada. Não quero que se assuste se parecer assustador. Não é minha intenção ser uma ameaça.

— Gosto quando ronrona. Você vibra e isso me excita.

— Está prestes a ficar realmente excitada se estiver sendo honesta comigo. Não tem ideia do quanto quero você, Jessie. Estou lutando contra meu instinto de entrar em você com força total.

Ela se perguntou a que tipo de instinto resistia.

— Não sou frágil ou me assusto facilmente, Justice. — Levantou as mãos e segurou seu rosto, olhando dentro do olhar exótico e o desejo de beijá-lo a agarrou. Sabia tudo sobre como manter o controle no momento.

— Não esconda nada. Seja você mesmo. Quero te conhecer. — Ele suavemente rosnou para ela, um estrondo profundo que devia ser a coisa mais sexy do mundo. O azul de seus olhos realmente se mostrava naquele momento, não deixando qualquer dúvida que a cor se escondia naquelas profundezas escuras e ela observou uma mudança em sua expressão.

— Você vai me pegar.

 

Justiça abriu a boca e lambeu a parte inferior de um dos seios. Jessie agarrou seus ombros e enfiou levemente as unhas em sua pele. As mãos apertaram sua cintura e a empurraram de costas até que estava deitada no colchão. Ele se inclinou para frente enquanto a puxava abaixo até seu traseiro descansar na borda e sua boca aberta cobrir o seio direito. Sua língua saboreou, brincou e tocou com a ponta.

O calor se espalhou através de Jessie pela textura estranha de sua língua. Essa era outra diferença dos Novas Espécies. Estava molhada, quente e parecia um pouco áspera, mas no melhor sentido. Os caninos afiados rasparam sua pele, enviando um choque de paixão por todo seu corpo.

— Isso é um talento. — ela gemeu.

Ele riu e soltou seu seio.

— Estou apenas começando. — Suas mãos deslizaram dos quadris para o interior das coxas, as abrindo mais e puxando mais perto de seus quadris. Ele confortavelmente se acomodou no berço de suas pernas. O pênis quente e duro cutucava contra sua vagina, deslizando por seu clitóris e Jessie gemeu novamente. Sabia que já estava molhada e preparada para tê-lo dentro dela. Arqueou os quadris para cima, esfregou contra seu eixo e ganhou mais prazer. Ele ronronou em resposta.

— Devagar. — ele sussurrou.

Devagar? O homem sabia como acender seu fogo. Chupava seu seio esquerdo, até que queria implorar que transasse com ela, mas parecia decidido a infligir tortura. Começou a lamber e beijar até suas costelas, o ventre e os vãos de seu quadril quando recuou até o pênis não pressionar contra ela por mais tempo. Ela cravou as unhas em seus ombros, tentou arrastá-lo de volta, mas ele se recusou a aceitar a sugestão.

Foi descendo por seu corpo enquanto os lábios desciam por ela e enfiou as mãos entre suas coxas as afastando para dar espaço para o rosto. Sua respiração acelerou em antecipação. Fazia muito tempo desde que um cara fez isso com ela. Não que fosse bom, mas tinha esperança com Justice. Ela o soltou quando ele se moveu mais abaixo de seu corpo, incapaz de tocá-lo por mais tempo.

A mordida afiada dos dentes beliscando sua coxa a fez gemer. Não doeu tanto, fez crescer sua necessidade para ele continuar. Ela imobilizou seus quadris no lugar, tentando não se mover, para encorajá-lo a continuar, mas quando a boca deixou sua pele, ele não retornou. Seus olhos se abriram. Não percebeu que os tinha fechado até esse segundo, e levantou a cabeça para olhar para baixo.

Hálito quente provocava sua boceta exposta. Estava tão perto, a apenas alguns centímetros de distância do local que mais queria sua atenção. Suavemente rosnou para ela, os olhos se estreitando quando seus olhares se encontraram e se prenderam. Foi a cena mais erótica que já tinha visto.

— Sua cor natural? — Sorriu, olhou para baixo e depois voltando.

Ela limpou a garganta.

— Não acho que tingir seria uma boa ideia. Também não gosto totalmente raspada.

Ele riu.

— A forma de coração é sexy e seu cabelo vermelho mais claro é muito atraente. Não sei como conseguiu perfeitamente esse padrão, mas aprecio vê-lo. Quer descobrir outro talento meu?

Ela assentiu com a cabeça ansiosamente.

— Definitivamente.

— Feche os olhos e relaxe, Jessie.

Ela deixou a cabeça cair na cama e sorriu, fechando os olhos.

— Usando minhas próprias palavras contra mim. Eu gosto.

Estava longe do objetivo se queria relaxá-la. Seu corpo ficou tenso enquanto esperava para ver o que faria em seguida. As unhas cavaram no edredom quando a língua traçou seu clitóris levemente. Ele ronronou, um estrondo profundo do som e sua língua voltou a pressionar com mais força contra o feixe de nervos. Os sons sensuais continuaram e as vibrações fizeram Jessie gritar. Seus quadris sacudiram, mas as mãos a seguravam com força, empurrando sua bunda abaixo, contra a cama enquanto esfregava a boca contra sua buceta molhada. Êxtase cru a atingiu quando a língua de textura áspera se moveu rapidamente acima e abaixo, deslizando contra a área mais sensível do seu corpo naquele momento.

Ela se debatia, arranhava a roupa de cama e arfava. Justice não mostrou misericórdia, apesar de ser muito intenso. Seu corpo parecia ter se transformado em pedra e cada músculo ficou tenso e quando ronronou mais alto, rosnou, as vibrações ficaram mais fortes.

O clímax a atingiu tão poderosamente que jurava ter visto o outro lado da sua cabeça quando seus olhos reviraram. Não conseguia pensar, não conseguia respirar e mal registrou os barulhos saindo dela. Só parou quando Justice afastou sua boca. Ela ficou lá por alguns segundos, tentando reaprender a respirar de novo antes que fosse capaz de abrir os olhos e olhar para ele.

Seus olhos estavam tão azuis que a surpreenderam. Sua boca parecia mais cheia, mais adorável e ele rosnou para ela antes de levantar. Não sentiu o mínimo medo ou ameaça, apesar de sua expressão dura. Ele deixou cair a parte superior do corpo sobre o dela, apoiou mais de seu peso em seus antebraços e seus lábios pairavam tão perto que respiravam o mesmo ar.

Jessie arqueou a coluna até que seus seios pressionaram contra o peito e os braços envolveram seu pescoço para abraçá-lo e permitir que suas unhas alcançassem suas costas. Ela arrastou as pontas levemente ao longo dos ombros dele. Justice se arqueou contra ela, a pressionando com mais força na cama e totalmente presa sob ele.

O tamanho e sua força a excitou mais. Justice não só tinha uma boca incrivelmente talentosa, seu corpo era a perfeição e olhar em seus olhos exóticos a fazia querê-lo novamente. Isso a surpreendeu, considerando que ele acabava de fazê-la gozar e devia estar saciada, mas a dor de ser preenchida por ele permanecia. O clitóris inchado latejava após a atenção amorosa que recebeu e ela queria mais. Todo ele, do jeito que disse que se daria a ela.

Jessie virou um pouco a cabeça e a levantou, direcionando a boca em seu pescoço. Seus lábios se separaram e provaram a pele exposta quando ela empurrou o cabelo para trás. Nunca esteve com um homem de cabelo comprido e adorava a sensação de como seus dedos roçavam por ele. Era sedoso e macio, maravilhoso e ela beijou até o topo de seu ombro.

— Me tome. — ela exigiu.

Justice arqueou o corpo um pouco longe dela e um braço se moveu até que agarrou seu traseiro com uma mão grande e forte. Jessie levantou as pernas, envolveu-as em torno de sua cintura e tentou usá-las para puxá-lo mais perto.

A ponta do seu grosso eixo sondou a entrada de sua boceta, pressionado contra seu calor molhado, mas não entrou nela. Ele fez uma pausa, o corpo tenso e o tempo pareceu parar.

Confusa, Jessie parou de beijá-lo para deixar cair a cabeça no colchão e olhar em seus olhos.

— Não quero te machucar. — ele murmurou baixinho. — Temo que vou.

— Sou durona. Posso te tomar.

A mão soltou sua bunda e ele se afastou o suficiente para que não estivesse pressionado contra ela. Os dedos traçaram a linha de sua boceta molhada e a abriram antes de seu dedo penetrar. Ele rosnou profundamente, o peito roncando enquanto seu dedo afundava mais. Jessie gemeu, arqueando seus quadris em sua mão gostosa, enquanto a fodia com o dedo.

— É tão quente e apertada. — Rosnou. Sua voz um pouco assustadora de novo, mas se recusava a ficar com medo. O dedo deslizou dentro e fora dela, a torturando lentamente. — É muito pequena para mim.

— Role de costas na cama. Vou ficar em cima. — Ela levantou a cabeça e mordeu seu ombro suavemente.

Ele acalmou o dedo, já não atormentando suas paredes vaginais e ela quase pode sentir algo mudando no quarto. Jessie soltou sua pele, deixou cair a cabeça para trás e o descobriu a olhando com um olhar irritado. Isso a atordoou.

— O que há de errado? Mordi muito forte?

— Quer que eu me submeta a você?

— Não. Quero que se deite de costas, se está com medo de me machucar. Vou ficar em cima, e posso controlar quanto de você entra em mim e não terá que se preocupar em ir rápido demais. — Ele realmente parecia zangado, com os traços duros e isso a alarmou o suficiente para que seu corpo ficasse tenso em resposta, enquanto um pouco de sua paixão arrefecia.

— O que há de errado?

Ele ergueu o corpo para longe dela, colocando espaço entre o peito e apoiou os quadris longe.

— Não fazemos isso. É submissão.

— Me montando estará me submetendo? Nunca teve uma mulher por cima antes, durante o sexo?

Ele balançou a cabeça.

— Seus homens fazem isso? Permitem que suas mulheres os dominem e controlem? Submetem-se a vocês?

Espanto a cortou quando ficou claro que ele estava totalmente sério.

Ele nunca permitiu que uma mulher ficasse por cima. Era sobre domínio e pareceu ficar com raiva quando pediu para mudar de posição. Novas Espécies eram conhecidos por serem agressivos e ter pouco controle, mas ela nunca considerou o lado sexual antes. Percebeu que estava realmente insultado por sua oferta de montá-lo.

— Devemos nos vestir. — Toda emoção deixou seu rosto, uma máscara de educado controle cobrindo seus traços e endireitou os braços para sair totalmente da cama.

— Justice? Espere. — Jessie pediu, com as mãos segurando seus ombros para mantê-lo sobre ela. — Não tive a intenção de ofendê-lo. Não sabia que isso era um tabu.

Ele hesitou e suavizou um pouco o olhar.

— Nossas culturas são diferentes, mas não sabia o quanto até este momento. Não estou ofendido. Estava, mas não mais. Ter uma mulher dominando um homem durante a relação sexual é uma ocorrência regular com seus homens?

— É. Vai pelo menos tentar por um pouco? Pode me virar imediatamente depois se não gostar. Por favor? Realmente quero você, Justice.

Seu olhar suavizou mais.

— Quero você também. — Ele hesitou, a indecisão clara, mas então soltou um suspiro profundo. — Podemos tentar.

— Obrigada. Tenho certeza que realmente vai gostar.

Ele hesitou.

— Não quer me amarrar?

Ela balançou a cabeça.

— Não faria isso. Estou familiarizada com sua história, lembra? Nunca pediria para amarrá-lo de qualquer forma. Podemos tentar isso? Por favor?

Ele mordeu o lábio inferior, a incerteza numa expressão bonita.

— Um teste então.

Ela saltou e se moveu para cima na cama, até que não estava mais junto dele. Sentou, avançou para o lado do colchão e deu um sorriso.

— Deite-se de costas. Por favor!

Ele permaneceu de quatro sobre a cama. Era bonito para Jessie enquanto seu olhar se embebia em seu corpo. Justice era um trabalho de arte com tudo perfeitamente esculpido. Os músculos flexionando quando se virou e esticou o corpo alto e grande ao longo do colchão. O olhar incerto em seu rosto era impagável e absolutamente adorável para ela.

Sua atenção focou em seu pênis, realmente grosso e reafirmou sua convicção que ele era a perfeição.

Jessie avançou de joelhos ao lado de seu estômago para olhar em seus olhos.

— Relaxe, Justice. Prometo que isso vai ser bom.

Ele mordeu o lábio novamente, sinal evidente de incerteza.

— Quer que feche meus olhos?

— Não. Acho que vai gostar de assistir o que quero fazer com você. — Ela puxou o cabelo sobre o ombro e se inclinou sobre o peito. Seu olhar o prendeu para ter certeza que ele não estava alarmado. A tensão estava lá, mas não raiva. Ela fez uma pausa direto sobre seu mamilo antes de quebrar o contato visual. Ele tinha mamilos escuros e estavam um pouco enrugados pelo frio ou desejo e a tentação era demais para resistir. Selou os lábios sobre o pico mais próximo, chupou e esfregou a ponta da língua sobre ele. Um rugido profundo vibrou contra seus lábios. As vibrações provocando um pouco de cócegas, mas não a fizeram parar.

Sua mão roçou a coxa mais próxima enquanto usava a boca para brincar com seu corpo. As mãos achatadas no peito e na barriga, amando a sensação da pele firme e lisa que explorava. A palma da mão em sua barriga baixou até que roçou o pênis rígido e gentilmente colocou os dedos em torno da base ampla. Porra, era grande.

Ela empurrou esse fato longe, soltou o mamilo com um raspar de seus dentes e se lançou ao outro. O pênis se contraiu em seu aperto, pareceu aumentar mais, se isso era possível e sabia que estava apreciando as coisas que fazia. Isso a motivou a liberá-lo novamente e traçar beijos de língua molhada sobre suas costelas até seus abdominais contraídos.

Tinha músculos firmes e levou seu tempo beliscando, saboreando a pele maravilhosa e um pouco salgada. Gemeu quando rosnou para ela. Sabia que era uma coisa boa e seu pau parecia empurrar contra sua palma. Ela se moveu mais abaixo, beijando o caminho pela barriga.

Jessie parou quando estudou a coroa do pênis. Não estava chocada que os Espécies fossem circuncidados já que os cientistas os geraram e criaram, mas a deixou atordoada que fosse visivelmente carnuda na ponta. Suas paredes vaginais apertaram. Aposto que vai ser muito bom dentro de mim. Devagar, ela exigiu de si mesma, precisando muito montar nele enquanto seu nível de excitação crescia. Quero que isto seja realmente bom para ele também, após o que fez por mim. É justo, portanto, mais devagar!

Os pensamentos acalmaram sua necessidade de subir em seu colo. Ela lambeu os lábios em vez disso e virou a cabeça para olhar seu rosto bonito. A fome crua que irradiava dos lindos olhos assegurou que estava totalmente integrado com qualquer coisa que quisesse fazer. Seus dedos massageavam a coxa, apertando ao ponto de um desejo quase frenético que ela parasse de atormentá-lo.

— Não vai protestar se eu lamber você aqui, vai? — Ela pressionou suavemente seu eixo e passou a ponta do dedo ao longo da parte debaixo, acariciando a maciez aveludada da pele esticada sobre sua quente excitação de aço.

Ele ronronou muito alto. Os olhos se estreitaram em fendas e a boca se abriu para revelar suas presas, que apertavam o lábio inferior. Ele balançou a cabeça rapidamente, negando que iria ofendê-lo.

Ela moveu seu corpo um pouco para sustentar seu olhar, abriu a boca e se recusou a parar de olhar quando pôs a língua para fora e traçou a borda da coroa. Ele fechou os olhos, sua cabeça caiu para trás e os sons que fez a excitaram. O cara ronronou. Era sexy como o inferno que pudesse fazê-lo responder dessa forma e o tomou totalmente em sua boca, agora se concentrando nele.

— Jessie. — rosnou.

Ela chupou e tomou mais dele entre os lábios, testando sua circunferência. Seus dentes levemente o roçavam, mas não podia evitar. O trabalhou mais profundamente em sua garganta até que sabia que atingiu o seu limite, então lentamente se levantou, agitando a língua ao longo da parte inferior, mantendo a sucção apertada. Ele fazia sons animalescos que gostava de ouvir. Nenhum homem jamais respondeu tão fortemente a ela antes. Era lisonjeiro e aumentou seu prazer fazê-lo se sentir tão bem.

A mão dele soltou sua coxa e o som de tecido rasgando chegou aos seus ouvidos. Ela virou a cabeça para olhar para ele de novo, viu que sua cabeça ainda estava jogada para trás, suas presas afundadas ainda mais no lábio e os dedos como garras na cama. Mais espuma do edredom aparecia enquanto a trituração acontecia. Suas unhas rasgaram a roupa de cama.

Jessie aliviou o aperto na cabeça e, lentamente, o libertou da boca.

Justice gemeu, seus olhos se abriram e olhou para ela com um olhar tão intenso que a fez parar. Ele puxou algumas respirações irregulares e sabia que estava bem, mas realmente excitado. Levantou uma coxa, girou ao redor e montou seus quadris. Ergueu-se e segurou seu pênis. Uma de suas mãos se apoiou no peito para manter o equilíbrio enquanto o guiava direto onde o queria.

— Pode se manter imóvel até eu me ajustar ao seu tamanho? É realmente grande. — Ele deu um aceno de cabeça afiado e com as mãos acariciou seus quadris. Um brilho fino de suor irrompeu através do corpo bronzeado e musculoso, o fazendo parecer mais sexy, como se tivesse passado óleo. Jessie estava mais do que pronta e dolorida para sentir Justice dentro dela.

Jessie gemeu quando sentiu seu corpo resistir à penetração, mas colocou mais peso. Seu pênis grosso a violou e ela jogou a cabeça para trás de prazer quando afundou lentamente em cima dele. Ele a encheu profundamente, a esticando ao ponto perto da dor, mas era tão bom. Evitou deixar seu peso levá-la abaixo quando mais alguns centímetros entraram nela. Uma de suas mãos a deixou para alcançar e agarrar um travesseiro perto da cabeça.

Ela se levantou e sentou novamente, tomando mais dele dentro dela. Era pura felicidade e esperava que ele sentisse o mesmo. Sua bunda roçou o topo das coxas e sabia que tomou quase tudo dele. Seu corpo se ajustou mais rápido do que imaginava.

Os sons de ronronos a motivaram a montá-lo mais rápido. Não tinha certeza de qual deles estava sendo mais torturado por seus movimentos lentos. Ela desceu mais uma vez até o traseiro repousar sobre seus quadris, a sensação dele completamente ligado a ela era pura perfeição e ela fez uma pausa para apreciar a sensação.

Justice rosnou e madeira estalou. Seu queixo se ergueu para ver o que aconteceu.

Justice jogou a barra da cabeceira que tinha quebrado. Agarrou a parte superior da madeira com sua força demais para a pobre.

Seus olhos se abriram. Ele encontrou seu olhar e Jessie se moveu, estabelecendo um ritmo rápido, o montando duro. Ela jogou a cabeça para trás, incapaz de manter contato visual com ele. Sentiu o clímax crescer, apesar de sempre precisar de mais que apenas um homem dentro dela para gozar, mas não com Justice. Ela o montou freneticamente, queimando para gozar enquanto apertava os quadris contra ele a cada golpe descendente. Seus músculos vaginais apertaram forte e o prazer a atravessou quando o clímax foi atingido. Ela gritou seu nome.

Justice rolou, preso sob seu corpo e golpeou nela, mais e mais rápido.

Ele disparou seu prazer ainda mais alto, a fez continuar gozando até que tinha certeza que seu coração podia explodir. Rosnou uma última vez, um som profundo e terrível e começou a pulsar dentro dela com a propagação quente de sua liberação.

Jessie ofegou, se agarrou a ele e gostou da sensação. Qualquer leve dor que estava sentindo pelo rescaldo do sexo um pouco áspero não importava. Ela abriu os olhos e encarou Justice. Ele mantinha a maior parte do peso nos cotovelos apoiados na cama.

Seus braços estavam ao redor do pescoço, as mãos segurando os ombros e ela não se lembrava de colocá-los lá.

— Machuquei você? — Preocupação estreitou seus bonitos olhos de gato.

— Isso foi incrível.

Ele sorriu.

— Sim. Isso foi.

Jessie o puxou mais perto e roçou sua boca sobre a dele. Ele gemeu e forçou seus lábios a abrirem para explorar sua língua. Foi ela quem finalmente interrompeu o beijo. Seus olhares se encontraram e fixaram.

— Será que meu calor te incomoda?

— Eu gostei. Fiquei um pouco dolorida por alguns segundos, mas agora não estou. Deve engarrafar isso como uma cura milagrosa para acalmar uma mulher depois do sexo. — Riu.

Ele sorriu.

— Gostei de me submeter a você.

Ela olhou por cima de suas cabeças.

— Você quebrou a cabeceira da cama. — Ele ergueu o queixo para olhar a cabeceira e fez uma expressão cômica com o rosto.

Jessie não pôde deixar de rir. Seu olhar encontrou o dela.

— Não me lembro de ter feito isso.

— Então acho que não devo mencionar o edredom.

Ele franziu a testa.

Jessie soltou uma das mãos de suas costas, alcançou seu lado e pegou um punhado de enchimento. Mostrou a ele.

— Deve cortar as unhas, querido. Rasgou a cama. Mas obrigado por me deixar e agarrá-lo em meu lugar. Minha coxa ilesa realmente aprecia isso.

Justice olhou o enchimento, atordoado.

— Não me lembro de ter feito isso.

— Acho que estava muito focado em mim.

— Definitivamente foi isso. Você é linda, Jessie. Eu te disse isso? — Ele olhou profundamente em seus olhos. — É a coisa mais linda que já vi quando estou dentro de você e você está desfrutando de estarmos juntos.

— Essa é a melhor coisa que alguém já me disse. — Jessie virou a cabeça para olhar o relógio da cabeceira. — Oh, merda! — Seu olhar voou para Justice. — São nove e meia.

— E daí?

— Sua conferência de imprensa.

Justice empalideceu e suavemente amaldiçoou.

— Esqueci.

Ela sorriu.

— Retiro o que disse antes. Essa foi a melhor coisa que alguém já me disse. Fiz o rei dos workaholics se esquecer do trabalho.

Ele riu.

— Fique esta noite comigo. Vou tomar um banho, depois até os portões para falar com a imprensa e volto.

Felicidade a encheu por que não queria que acabasse seu tempo juntos.

— Adoraria. Tem algum outro trabalho hoje à noite?

Ele mudou de posição sobre ela e retirou o pênis ainda duro. Algo próximo a pesar marcava seus traços enquanto se separava de seu corpo. Ele se levantou e se moveu para o final da cama. — O único trabalho que tenho depois de falar com a mídia é superar o que nós fizemos. Acho que posso conseguir isso. — O olhar viajou por seu corpo. — Você me inspira a querer chegar aos portões e voltar o mais rápido possível. Vou me apressar na conferência de imprensa.

Jessie sentou na cama, puxou os joelhos e os abraçou.

— Sequer escreveu um discurso.

Ele deu de ombros, se virando para o banheiro e Jessie olhou sua bunda. Definitivamente tinha a melhor que já tinha visto em toda sua vida, dentro ou fora de um par de jeans.

— Vou improvisar. — Ele se virou na porta do banheiro. — Quer vir comigo para a conferência? Precisa tomar banho comigo, se o fizer. Meu cheiro está sobre você toda, a menos que não se importe que todas as Espécies que cheguem perto saibam o que fizemos. — Riu. — Ficaria feliz se você mantivesse meu cheiro, mas sei que as mulheres humanas podem ser sensíveis em revelar essas coisas publicamente.

— Acho que vou ficar aqui se não se importar. Não sou grande fã dos três círculos com câmeras.

Ele riu.

— Também não. — Ele desapareceu no banheiro.

Jessie voou da cama e a estudou. O edredom era história. Ela o arrancou do colchão e amontoou. Virou-se, riu e percebeu que os lençóis estavam danificados também. Suas unhas perfuraram o edredom, direto através dele até os lençóis. Depois de retirá-los, riu de novo. Ele marcou até o colchão. Tudo destruído e ela começou a rir.

— O que?

Jessie teve que recuperar o fôlego quando se virou para ele, e viu que já tinha tomado banho e ficou impressionada que conseguisse fazer isso tão rápido.

— Tem conexões neste hotel, certo?

— É nosso.

— É melhor fazer uma chamada. Precisa de roupa de cama toda nova e talvez um colchão novo. — A atenção de Justice se deslocou para a cama. Ele olhou para o colchão nu e sorriu.

— Oh!

— Sabia que o edredom já era e então descobri que os lençóis também. — Ela riu. — Mas pegou o colchão. Acho que podemos abri-lo.

— Vou cuidar disso quando voltar. — Seus olhos brilhavam. — Vou correr de volta.

— Não posso esperar.

Ele ronronou suavemente quando olhou seu corpo nu da cabeça aos pés.

— Também não posso.

— Mantenha esse pensamento até voltar.

— Tenho que ir, mas vou correr.

— Saia logo para voltar mais rápido. Vou tomar banho enquanto estiver fora.

— Sinta-se em casa.

Ela o observou abrir a porta do quarto, sair e fechá-la atrás dele. Olhou para a cama e começou a rir de novo. Ouviu falar em quebrar a cama durante o sexo, mas não destruir toda a cama. Se isso não fosse sexo impressionante, não tinha certeza do que seria.

Rapidamente tomou banho, lembrando-se de sua declaração para se sentir em casa. Encontrou uma das regatas dele na cômoda e a vestiu, com fome de novo. Caminhou até a porta para ir em busca dos restos de seu jantar, mas um som de toque veio por trás dela. Suas calças jogadas no chão tocaram novamente.

Correu para seu celular. Ela o cavou no quarto bolso e o abriu, vendo o nome de Tim Oberto. Respondeu à chamada com medo. Esperava como o inferno que ninguém o tivesse informado que estava com seu chefe, Justice North. Seria um verdadeiro inferno se fosse o caso e a teria chamado para demiti-la.

— O que foi, Tim?

— Temos uma pista sobre a localização de uma possível fêmea-presente. O mandado chegou. Preciso de você agora.

Adrenalina bateu forte e rápido.

— Quando estamos saindo?

— Assim que você chegar aqui.

—Uh...

— Recebi a mensagem que estava na Reserva e assim enviei um helicóptero. Deve estar aterrissando em dez minutos e sua bunda precisa estar esperando por ele no heliporto. — Ele desligou o telefone.

Droga. Fechou o telefone e olhou para o colchão nu. Adorava seu trabalho, mas por uma vez, desejou que pudesse recusar uma missão. Justice ia voltar para descobrir que foi embora e não iria passar a noite com ele. É claro que ia entender, uma das fêmeas-presentes podia ser resgatada e não tinha nenhuma desculpa para ficar.

Ainda assim ficaria triste por ela sair. Provavelmente nunca vou vê-lo novamente e queria dormir em seus braços. Seus ombros caíram, mas os ergueu de novo. Tinha que ir. Os dez minutos estavam acabando.

 

Justice leu a nota que Jessie deixou sobre a cama. Ficou preso com a imprensa pelos jornalistas, mas correu de volta para seu quarto ansioso para ficar com ela.

Leu a nota novamente e entendeu que recebeu uma chamada de emergência da força-tarefa depois de localizarem uma fêmea Nova Espécie e ela teve que sair. Tim Oberto enviou alguém para buscá-la. Ele rosnou e amassou a nota em seu punho.

Justice pegou o celular e congelou. O que faria? Chamar o chefe da força-tarefa e se queixar que ele ordenou a Jessie que trabalhasse quando Justice queria voltar para a cama com ela? Xingou e baixou o celular. Jessie nunca o perdoaria se fizesse isso. Mulheres humanas eram discretas sobre suas vidas sexuais e independentes. Duvidava que ela gostasse que a força-tarefa e as pessoas que trabalhava soubessem que esteve em sua cama. Possivelmente também ia se ressentir por ele interferir com seu trabalho.

O que o irritou mais foram as palavras escritas. Ela se divertiu e agradeceu. Pior, disse para relaxar mais e tentar trabalhar menos. Um grunhido de frustração irrompeu novamente, seus instintos em desacordo com o raciocínio. Ela deveria prometer voltar ou dar a ele seu número com um convite para ligar. Não o fez.

Agradeceu-me por um bom momento. Ele cerrou os dentes. Disse que foi divertido. DIVERTIDO! Outro rosnado rasgou de sua garganta enquanto sua raiva crescia. Foi mais que divertido!

Justice olhou para a cama e seu temperamento finalmente explodiu. Jessie deveria estar lá esperando que a tocasse e abraçasse enquanto dormiam. Ela o fez rir, o sexo foi incrível e estava feliz pela primeira vez. A raiva pela perda o agarrou e ele saltou, seus instintos se recusando a serem negados.

Atacou o colchão com gosto. Suas unhas cavaram o material e o rasgaram. Quando isso não o fez se sentir melhor, levantou todo o colchão e o jogou longe. Atacou em seguida as molas, tirando a madeira com os pés e quebrando a armação. A cabeceira sucumbiu à sua birra, enquanto a destruía. Ficou no meio de seu quarto, ofegante, com a confusão em torno dele.

Avaliou os danos e amaldiçoou, meio constrangido com a destruição que criou. Não permitiu que seu temperamento levasse a melhor desde que foi libertado, apesar das muitas vezes que realmente ficou irritado. Perdeu-se agora, com certeza. Estudou os danos severamente antes de sair do quarto. Jogou-se no sofá respirando fundo, mas o leve aroma dela encheu seu nariz. Virou-se, enterrou o rosto contra as almofadas e inalou profundamente. Isso o ajudou a lembrar de cada detalhe deles se tocando, seu cheiro profundamente ligado às suas memórias e ele gemeu. Queria a coisa real, não apenas farejar o que teve.

O que estou fazendo? Levantou a cabeça com desgosto. Estava cheirando o sofá só para sentir o cheiro de Jessie Dupree. Proferiu uma maldição terrível e começou a passear em sua frustração. Finalmente se acalmou o suficiente para fazer uma chamada ao térreo. Em minutos mandariam uma nova cama e roupa para ser trocada. Ele desligou e fechou os olhos. Jessie Dupree o deixou louco. Era Justice North. Não tinha tempo para perder a cabeça ou o raciocínio por uma fêmea, nem mesmo uma tão quente e sexy que o deixou tão feliz quanto furioso por ela tê-lo deixado.

Os dois machos Espécies que subiram a cama nova franziram o cenho para Justice enquanto tiravam a cama destruída e a cabeceira. Ele olhou para eles, os desafiando a dizer uma palavra sobre o cheiro floral em sua suíte. Encontrou no banheiro uma lata de purificador de ar sob a pia para mascarar o cheiro de Jessie antes que chegassem. Ninguém saberia que ela esteve em sua cama e seu orgulho feminino ficaria intacto, já que era tão reservada.

Os homens saíram e Justice abriu seu telefone. Sempre tinha trabalho para distraí-lo e o acolheu, de repente. Ligou para a equipe da noite, sabia que estavam acordados em suas suítes no corredor abaixo e pediu um café. Gostava da bebida doce e quente. Evitou o sofá, em vez disso, acomodou seu computador no bar. Meia hora depois estava ligado à sua equipe através da interface e imerso no trabalho. Tinha café na sua frente e sua equipe estava ocupada o atualizando sobre projetos em andamento.

A campainha tocou e a esperança o agarrou por um segundo que pudesse ser Jessie, mas Tiger estava lá quando abriu a porta. Silenciosamente o convidou para entrar, ao sair do caminho.

— Está bem? — Tiger franziu a testa. — Como chefe de segurança sou informado de tudo. Recebi uma chamada informando que destruiu seu quarto. Isso é contrário a você, Justice. Disseram que tudo, desde a roupa de cama até a cabeceira, teve que ser substituído.

Justice estudou Tiger cuidadosamente. Era um amigo de confiança e queria falar com alguém.

— Foi por causa de uma fêmea.

— Ah! — Tiger sorriu. — Espero que ela esteja melhor que as coisas dentro do quarto?

— Ela está bem. — Justice rosnou. — Sabe que nunca machucaria uma mulher.

— Foi uma tentativa ruim de piada. Quer falar sobre isso? — Tiger sentou no braço do sofá.

— Queria que ela ficasse essa noite, mas saiu enquanto eu estava na conferência de imprensa. Perdi o controle. Não tenho orgulho disso, mas estava ansioso para passar mais tempo com ela. Os repórteres foram brutais e queriam todos os detalhes sobre o ataque. Não gostaram que eu dissesse que algumas coisas eram confidenciais e que me recusasse a dar números. Estamos lidando com vítimas depois de tudo e eles não se importam com nossa privacidade. Também não parecem compreender que cada vez que mais de nós somos resgatados, isso agita o pote das pessoas que nos odeiam. Deixaram-me de mau humor, em seguida voltei para descobrir que ela foi embora.

— Então, destruiu a cama? Entendo. Realmente. — Tiger parecia simpático. — Talvez ela mude de ideia e bata em sua porta mais tarde.

— Ela não vai.

Tiger inclinou a cabeça.

— Conhece nossas mulheres, Justice. Todos esses anos de cativeiro as deixaram incapazes de ficar conosco por mais que algumas horas e ficam nervosas se sugerir algo mais que sexo. Não querem se comprometer, porque não querem que alguém tente dizer-lhes o que fazer. Está em nossa natureza dominar e temos pouco controle. Elas conhecem nossos defeitos assim como conhecemos os delas e é por isso que evitam qualquer coisa além de algumas horas de prazer físico com a gente.

Justice não corrigiu a suposição de Tiger que esteve com uma fêmea Espécie.

— Não estava pedindo que morasse comigo. Só queria que passasse a noite.

Tiger sorriu.

— Sempre pode ter outra mulher. Você é Justice North. Nossas fêmeas são todas um pouco apaixonadas por você. Poderia entrar numa sala, abrir os braços e uma delas saltaria para eles. É o macho forte por quem são atraídas. Não só tem a força física, mas é visto como vontade de ferro por causa do seu trabalho.

— Estão atraídas por mim por razões erradas. É porque acham que me devem por tudo que faço. Não quero uma mulher que sente gratidão.

O sorriso de Tiger desapareceu.

— Você quer uma que goste de você por quem é.

— Sim.

— Está solitário, não é?

Justice suspirou.

— Acho que estou. Seria bom ter uma pessoa para compartilhar tudo. Gostaria de ter a mesma fêmea indo para a cama à noite e abraçá-la.

— Entendo a solidão. Sinto-me assim às vezes. — De repente, ele sorriu. — Então apenas encontro alguém para vir para minha cama e me sinto muito melhor depois.

Justice riu divertido pela simplicidade da solução de seu amigo para o que o afligia chegando perto do cômico.

— Você é tão fácil.

— Funciona para mim.

— Espere até encontrar uma que queira manter mais que algumas horas.

O sorriso de Tiger morreu.

— Encontrou uma em especial que deseja passar mais tempo?

— Sim. Infelizmente. Deveria ter cancelado a coletiva de imprensa, quebrado todos os telefones e a mantido na cama comigo por tanto tempo quanto possível.

— Mantido? A tinha em sua cama?

Justice suspirou.

— Sim.

— Que bom, hein? Tenho certeza que ela vai voltar eventualmente, e passar mais tempo em sua cama. É bem querido e respeitado.

— Não acho que ficou impressionada comigo.

— Todas as nossas mulheres são.

Justice só balançou a cabeça. Não estava disposto a admitir que ela não era uma de suas fêmeas, mas seria um inferno muito mais fácil se fosse. Ele pelo menos teria acesso a ela para tentá-la a voltar para sua cama, se vivesse na Reserva ou Homeland. Não tinha acesso a Jessie já que vivia no mundo exterior.

— Fique comigo por um tempo. — Justice odiava pedir qualquer coisa a alguém, mas desprezou a ideia de ficar sozinho ainda mais. A mulher sexy o assombraria de outra forma. — Vamos assistir alguns filmes que Ellie me sugeriu recentemente e vou pedir um pouco de comida.

Tiger levantou e segurou seu ombro.

— Parece divertido. Não sou sexy, não vou transar com você, mas vou passar a noite. — Ele riu.

Justice riu.

— Por isso, pode pedir a comida.

 

Jessie amarrou a arma em sua coxa e apertou seu colete à prova de balas, enquanto estudava os homens ao seu redor. Pareciam tensos, mas não os culpava. Ouviu o comandante da equipe sobre as medidas de segurança que estavam prestes a enfrentar. O velho dono da mansão era paranoico e tinha algo sobre contratar mercenários para proteger a propriedade.

Tim Oberto caminhou para Jessie, parecendo triste.

— Você fica atrás, está me ouvindo? Só porque seu pai te conseguiu uma licença de porte de arma, isso não faz de você um membro da equipe real. Está aqui para segurar a mão da mulher e impedir que os meninos grandes a apavorem. Isto vai ser perigoso, Jessie. Eu, pessoalmente, a colocarei sobre meus joelhos na frente de toda a equipe e baterei em sua bunda, se tentar algo semelhante ao que fez no México há cinco meses. Faz-me lembrar da minha filha e faria o mesmo com ela.

Jessie franziu a testa.

— O México não foi minha culpa.

Ele bufou.

— Mentira. Ouviu a mulher gritar e não esperou a equipe limpar a área. Voou lá e a única coisa que salvou sua bunda foi ser baixa. Aquela bala raspou sua cabeça por uma polegada, porque ele visava alguém maior, esperando um homem quando você chutou a porta. Espere até a área estar limpa e a mulher garantida. E só então, pode pegá-la pela mão.

— A única razão da fêmea no México estar viva é porque entrei. Ele planejava incendiar o local com ela amarrada numa cama para destruir a prova que ela era. Mais alguns minutos e teria terminado o trabalho.

— Sua vida é mais importante.

Ela balançou a cabeça.

— Você e seus homens arriscam suas vidas. Por que não posso fazer o mesmo pelas Espécies?

— Porque estou no comando e disse isso. — Ele sorriu. — Outro truque como no México e juro que vou te pegar na frente dos homens e chicotear seu traseiro como se fosse minha filha. Então vou chamar seu pai. Aposto que vai puxar sua corrente tão forte que teria você assando biscoitos caseiros para ele em cinco minutos. Isso é o que eu faria.

— Você não conhece meu pai. — Jessie olhou para ele. — Ele me criou e eu o conheço muito melhor que você. Me ensinou a ser forte e que por algumas coisas valem a pena se arriscar. Está comigo nisso. Por estas Espécies que salvamos vale a pena arriscar nossas vidas e ele sabe disso, tanto quanto eu. Se alguém vai ter sua corrente puxada será você, então pare de bater em seu peito e me dizer para agir como sua versão do que uma mulher deve ser.

Ele se afastou. O observou caminhar para o veículo de assalto que estabeleceu como posto de comando.

— Cadela. — ele resmungou.

Jessie olhou para o relógio, se recusando a morder a isca. Tim era um idiota, mas se preocupava com sua equipe, incluindo ela. Eram duas e meia da manhã e o ataque seria em breve. Pensou em Justice e percebeu que estaria definitivamente dormindo numa hora tão tardia. Ela suspirou, desejando estar ao lado dele na cama, enrolada ao seu lado. É claro, desejava uma coisa tendo dois Estados entre eles.

Jimmy Torres apontou para o relógio, levantou um dedo e apontou o polegar em direção a um dos veículos pretos. Ela puxou o cabelo para trás para prendê-lo firmemente na base do pescoço num rabo de cavalo. Claramente queria ser identificada como mulher e seu longo cabelo ajudava. Sua roupa toda preta e volumosa com certeza não parecia feminina e o colete à prova de balas escondia os seios.

Aproximou-se de sua equipe. Cinco homens esperaram dentro do SUV preto estacionado a uma quadra do alvo. Ela sentou no banco de trás. Estava apertado para fechar a porta e olhou para os dois caras que compartilhavam o assento com ela. A força-tarefa era toda constituída por homens com pelo menos 1,80m de altura e musculosos. Só contratavam homens grandes e fortes, pois às vezes não queriam que os machos Espécies visivelmente se destacassem dos humanos que trabalhavam. Os fazia alvos mais fáceis se houvesse um tiroteio.

Jessie estremeceu pensando nisso. Até agora, teve sorte. O mais próximo que esteve de ser baleada foi na missão do México. Tiros foram trocados, mas Jessie ficou longe da luta até que furou as fileiras.

Os homens estavam abaixados, mas foi capaz de deslizar ao redor e entrar pela porta dos fundos daquela casa e ir atrás da pobre fêmea-presente. Hoje à noite iam todos de uma vez. Era uma grande propriedade com três edifícios no local. A fêmea Espécie podia estar mantida em qualquer uma das três posições. Se o babaca rico ainda a tivesse. Se ainda estava viva e se o idiota que pagou a Mercile ganhou uma das mulheres. As chances são boas. Sabe disso. Pense positivo. Não nos chamariam a menos que honestamente acreditassem que podemos recuperar uma delas.

— O que foi dito sobre isso? — Jessie olhou para Jimmy, sentado ao lado dela.

— Recebemos uma dica numa ligação anônima que este idiota está mantendo uma mulher de aparência estranha em sua propriedade e que ela está sendo acorrentada. Quando a polícia investigou o idiota, parece que ele tem uma forte associação com Mercile. Nos chamaram. Um relatório como esse imediatamente foi sinalizado. O informante também implicou que este babaca rico está prestes a mover a mulher. Sabíamos que tínhamos de vir esta noite. Estamos torcendo para que não a tenha movido ainda, pois quem chamou disse que sairia amanhã de manhã.

Jessie sentiu esperança.

— Parece uma dica quente.

— Isso é o que os chefes dizem. — Jimmy sorriu. — Então, quando vai se refugiar num motel comigo para que eu possa ter meu tempo sujo com seu corpo?

Ela sorriu pela conversa que sempre compartilhavam antes de um ataque. Tinha certeza que o ex-fuzileiro naval não estava seriamente dando em cima dela, que estava apenas tentando fazê-la rir, a distraindo para não ficar muito nervosa. Era bom em fazer isso.

— Quando estiver com 92 anos. Acha que ainda vai me querer então?

Ele riu.

— Claro. Vou deixar você subir no meu colo na minha cadeira de rodas. Vou tomar algumas pílulas azuis e vamos falar sobre a primeira coisa que vier à tona. — O riso suave flutuava ao redor do SUV. Jessie sorriu, relaxando um pouco. Gostava da maioria dos homens na força-tarefa. Eles brincavam com ela, mas nenhum deles jamais a assediou.

— Parece meio difícil. — Jessie piscou.

Mais risadas encheram o veículo. O motorista e líder da equipe, Trey, de repente, limpou a garganta.

— Bloquear e carregar, meninos e menina. Coloquem seus fones. Estamos prestes a travar uma festa.

Jessie empurrou o fone e o prendeu firmemente em seu ouvido. Esperou. Seis segundos depois, uma voz no comunicador disse “Checando”. Jessie ergueu um polegar. Os outros homens também o fizeram. Trey assentiu.

— Estamos todos bem e podemos ouvi-lo.

— Tudo bem. — disse Tim no dispositivo auricular de Jessie. — Vamos seguir o plano. No meu “vão” vamos atingir este mausoléu e ver se podemos acordar os mortos. — Jessie respirou fundo e soltou. Segurou o braço da porta, as botas achatadas no chão e engoliu enquanto baixava um pouco o queixo. Esteve em suficientes incursões para saber o que esperar.

— Vão! — Tim rugiu. — Todos!

O veículo disparou para frente e para trás, Jessie bateu no banco pela força repentina, mas estava preparada. Não tinha colocado o cinto de segurança. Nenhum deles o fez, uma vez que precisavam sair dos veículos rapidamente quando parassem. O SUV pegou velocidade. O portão ao lado da estrada era a única coisa no escuro que podia ver até que chegaram ao local bem iluminado, onde os portões se assentavam para admitir visitantes na propriedade.

Trey virou o volante bruscamente para deixar a estrada até a entrada de automóveis. Uma explosão na frente, luzes piscaram e as fechaduras dos portões de ferro explodiram. Sua equipe determinou que explodir as fechaduras do portão seria o mais rápido para entrar e um atirador acertou a carga explosiva do outro lado da rua. As paredes tinham sensores de movimento, assim ir a pé não teria funcionado. O cara rico também tinha sensores de movimento em todo o terreno. Velocidade importava e não tinha tempo de desacelerar pelas aborrecidas fechaduras.

Jessie percebeu que era o carro da frente quando Trey acelerou o veículo diretamente para os portões de ferro. Não estavam arrombados, mas os danos às fechaduras eram claros, mesmo à distância. Bateram com força, faíscas voando e os portões se abriram com um barulho enorme. Jessie sabia que alarmes deviam estar soando dentro da mansão. Virou a cabeça e viu seis pares de faróis diretos na sua bunda, se dirigindo em pares.

Trey puxou o volante com força, saiu da calçada e saltou sobre ela. Foram atribuídos para vistoriar a casa de hóspedes. Um veículo seguiu, ainda perto da sua bunda. O atalho mais fácil para esse local era através do campo de golfe pessoal.

— Evite a areia. — Bob, o membro da equipe no banco do passageiro, disse e riu. — É uma armadilha.

Jessie sorriu. Realmente gostava dos rapazes e suas observações espertinhas. Ajudava a manter o terror longe o maior tempo possível. O veículo ganhou velocidade.

— Se segurem aí. Vamos voar, criancinhas. — Trey advertiu.

Jessie viu a pequena colina chegar muito rápido e cerrou os dentes. O nariz do SUV subiu e estavam voando. O veículo bateu com força quando pousou. Trey perdeu um pouco de controle, mas se manteve. O impacto a teria jogado para frente, pois não pesava tanto quanto os caras, mas Jimmy jogou o braço em seu colo quando as rodas deixaram o chão. Ele a impediu de se mover muito.

— Lá se foi nosso estômago, mas vamos pegá-lo no caminho de volta. — Bob gemeu.

—Lembre-me de pagar para todos uma rodada de donuts da próxima vez que tentarmos. — Jessie viu uma bem iluminada estrutura de dois andares chegando rápido. Estendeu a mão e desatou a correia que segurava a arma dentro do coldre em sua coxa. Seu coração batia forte. Sabia que podia ficar realmente ruim, mas ainda esperava o melhor. O medo a manteria pronta e alerta. Terror era uma coisa boa numa situação perigosa.

Chegaram na frente da pousada e Trey pisou forte nos freios, derrapando a traseira alguns metros e desligou o motor. Jessie abriu a porta e saltou, se movendo rapidamente na direção das portas da frente. Trey e Bob já estavam na sua frente. Jimmy, Mike e Shane permaneciam atrás dela.

Trey trazia um aríete de metal com cerca de 1 metro de comprimento que bateu com toda a força nas portas duplas trancadas no centro. A madeira estilhaçou sob o ataque, estalou e abriu. Trey soltou o aríete o jogando de lado, e pegou suas duas armas. Ele e Bob entram primeiro, lançando-se para os lados da porta. Jessie encostou-se à parede do lado da entrada, puxou a arma e esperou.

— Limpo. — Bob chamou.

Jessie deslizou em torno da porta quebrada. Olhou ao redor da grande entrada, para a escadaria curva, o pé direito alto e o longo corredor que levava para outras partes da casa. Trey e Bob se moviam de porta em porta, limpando quartos, enquanto ela ficava colocada com sua arma apontada para o topo das escadas para cobrir Jimmy e Shane enquanto corriam até eles.

Mike tomou posição na frente de Jessie para guardar a porta. Qualquer entrada ou saída seria enfrentar contra um homem fortemente armado. Assim que os dois homens revistaram o andar acima, ela abaixou a arma e se virou para mirar nas portas quebradas.

A espera era o pior enquanto Jessie estava lá. Ouviu tiros irrompendo subitamente acima. Merda. Seu olhar voou para Mike, encontrou sua expressão sombria e tensa enquanto esperava a equipe terminar o tiroteio. Ele sacudiu a cabeça na direção da porta da frente. Ela se moveu, seguiu sua ordem silenciosa e saiu. Suas costas pressionavam contra a casa quando mais tiros vieram do segundo andar. Um tiroteio começou.

— Tiros dentro da pousada! — A voz de Tim gritou em seu ouvido. — Quatro homens armados. Segundo andar.

— Vamos pegá-los. — a voz de Jimmy resmungou. — Um abaixo. Faltam três. — O olhar de Jessie se manteve vasculhando o quintal procurando qualquer movimento. A voz de Tim em seu ouvido a mantinha informada do que acontecia com sua equipe e com os outros.

— Temos oito assinaturas de calor em dois carros em alta velocidade na direção da casa de hóspedes do sul.

Jessie empurrou a cabeça nessa direção, mas não viu nada. Em menos de dez segundos isso mudou. Faróis apareceram na distância e se aproximavam rapidamente.

Ela se moveu, deslizou dentro da casa e acenou para Mike.

— Cubro suas costas se puder lidar com os carros. — Ela olhou para suas armas. — Você tem os melhores brinquedos.

Ele sorriu.

— Mantenha sua cabeça baixa.

— Isso não é problema. Sou pequena, lembra?

— Parem o falatório. — Tim ordenou. — Seus microfones estão abertos desde que estão sob ataque equipe cinco.

Grande. Jessie revirou os olhos para Mike. Ele sorriu e se lançou ao lado de Jessie, mais perto das portas abertas. O som de pneus freando o levou a abrir fogo. Jessie ergueu a mão para cobrir a orelha mais próxima da arma. Mirou sua arma na direção das escadas para ter certeza que ninguém tentasse descer por elas. Trey e Bob desceram ao piso inferior e correram de volta.

— Jessie, mova sua bunda daí. — Trey ordenou. — Bob, suba as escadas para apoiar Jimmy e Shane. Vou atrás de você para guardar a porta Mike. Não atire em mim.

— Vou tentar. — Mike resmungou.

Os tiros eram ensurdecedores. Jessie se viu empurrada mais para dentro da casa. A queriam fora da linha de fogo, mas era difícil fazer isso com armas disparando acima e fora. Tiros entravam pela frente da casa e balas cavavam na parede, perto da escada.

— Apenas três deles correram dos carros para dar a volta. — Mike assobiou. — Encontre um buraco, Jessie. Vão tentar nos alcançar pela parte de trás da casa. Estamos ferrados!

— Porra! — Trey rosnou. — Estamos presos! Repito, estamos presos!

Merda. Havia janelas por todo o corredor onde uma grande sala se abria. Se três homens com armas entrassem, então ela seria um alvo, não importava onde estivesse. Contornariam aquele canto e matariam seus amigos, tirando qualquer esconderijo ao longo do caminho. Ela olhou ao redor e se lançou na direção de uma porta de entrada para uma lavanderia. Era o único lugar que não podia ver uma janela. Ouviu vidro quebrando não muito longe dela e ouviu atentamente.

— Estão vindo pela sala de estar. — Jessie advertiu suavemente. — Vou cobrir suas costas, pessoal.

— Droga, Jessie, — Trey assobiou. — Fique abaixada e encontre um buraco. Vou tentar cobrir as costas deste lugar.

Ele queria que ela se escondesse. Se os três homens chegassem por trás de Trey e Mike, ficariam presos e sem cobertura na longa entrada, apesar do blefe do seu líder de equipe. Ele sabia, assim como ela, que estavam presos. Já admitiu para todos.

— Tenho suas costas. — ela repetiu com mais firmeza.

Ouviu os passos de alguém no vidro, uma vez que rangia alto. Respirou fundo e se empurrou ao redor da porta, entrando no corredor e se arrastando até o fim do mesmo. Parou ali, agarrou a arma com força e olhou em torno do canto para a sala de estar. Ergueu o braço da arma, viu um homem sair pela janela quebrada, apontou e disparou. Ele gritou, caindo. As balas de seus dois companheiros rasgaram a parede perto dela. Jessie se empurrou de volta e abaixou. Os outros dois já estavam dentro.

— Um a menos. — disse ela suavemente.

— Jessie — Trey sibilou —, encontre um buraco.

Ignorou a ordem. Respirou fundo e olhou pelo canto, de joelhos. Um dos homens se aproximava mais dela ao longo da parede da sala. Seus olhos se arregalaram quando ele baixou o queixo e olhou para ela com surpresa. Ela abriu fogo e duas balas atingiram seu alvo. Uma encontrou seu peito e a outra o atingiu no rosto. Ela se empurrou de volta para a direita quando viu o terceiro homem se atirar atrás do sofá para atirar nela.

— Dois abaixo. — Jessie sussurrou para sua equipe. — Falta um. — Jessie teve uma ideia. —Realmente não estou baleada. Vou fingir para que ele venha até mim. Abrace as paredes e se faça menor, cara. Tenho certeza que não pode ver se estiver no closet atrás da porta. O gabinete deve bloquear a visão de você.

— Jessie! — Trey assobiou. — Não faça isso.

— Cale-se e abrace a parede. — Sussurrou de volta. Ela fez um som alto soluçando. — Fui baleada. Oh Meu Deus! Fui baleada. Estou morrendo. Não posso me mover. Alguém me ajude.

Ela ficou de novo em pé, caminhando tão longe quanto podia atrás da secadora. Era apertado enquanto esperava. O cara obviamente acreditava que era um alvo melhor do que realmente era. De repente, ele saltou para a porta e apontou a arma para o chão, onde Jessie deveria estar. Jessie não hesitou quando a arma do homem explodiu atirando nos seus pés. Ela atirou três vezes no peito.

Seu olhar se arregalou, a boca abriu e sangue derramou antes dele apenas cair para trás.

— Três abaixo. — Jessie disse com voz trêmula. — Estou verificando sinais vitais.

— Não se mova, Jessie! — Tim rugiu. — Espere por apoio. — Oh, ele está chateado e estou num mar de merda. Mas não tinha realmente uma escolha. Trey e Mike estavam de mãos atadas, presos e ambos eram necessários para conter os empurrões fora. Precisavam que da porta da sala até a porta da entrada estivesse seguro. Significava que alguém tinha que cuidar de suas costas. O que deixava Jessie disponível para vigiar a sala e ela o fez.

A voz de Jimmy soou.

— Quatro abaixo. Repito, quatro abaixo. O segundo andar está garantido. Nenhuma mulher aqui.

Trey e Mike ainda estavam trocando tiros na porta da frente até que outra equipe de força-tarefa chegou para lidar com os atacantes que estavam presos sem cobertura. Dois dos guardas da propriedade de segurança foram mortos, mas outros três se entregaram nesse ponto. Jessie saiu da lavanderia para o corredor uma vez que um "tudo limpo" foi dito.

Trey chegou primeiro. A estudou severamente antes de se inclinar para beijar sua bochecha.

— Bom trabalho.

— Dois estão abaixo na sala de estar, mas não chequei para ver se ainda estão respirando. — Evitou olhar para o cara morto na frente da porta da lavanderia.

— Está definitivamente morto. Enquadrei seu rosto. — Trey olhou abaixo. — Sim, é um assassino. Vou verificar os sinais vitais dos outros. — Ele se afastou para fazer isso.

— Alguém vai ter problemas — Mike gritou quando passou pelo corredor segurando a arma em seus braços. — Estávamos presos e fez bem, garota. Obrigado.

Jessie assentiu.

Trey retornou da sala de estar.

— Acertou os três assassinos. Um no pescoço e outro no rosto e peito. Acho que seu treino de prática de alvo está se pagando, Jessie. A má notícia é que não há nenhuma mulher aqui. A mansão apenas foi eliminada por nossas equipes. Os alojamentos da garagem e funcionários foram apurados por nossas equipes. Devem tê-la movido antes de chegarmos.

Jessie franziu a testa.

— Estavam guardando o edifício por uma razão. — Ela girou, quase correu e procurou no andar inferior. Olhou para as escadas e se dirigiu para lá, mas Trey agarrou seu braço. — Foi revistado, Jessie. Sinto muito. Se esteve aqui, não está agora. Sei que é difícil de aceitar, mas a perdemos.

— Achou algum quarto em que ela seria mantida?

— Não. Ninguém da equipe relatou. O fariam.

— Estavam protegendo alguma coisa. É uma casa de hóspedes, mas está vazia. Todos os corpos são de seguranças. Os caras mortos têm emblemas. Por que quatro homens neste local, sem qualquer razão e, em seguida, enviar mais oito para cá? — Ela se recusava a desistir da esperança.

Trey encolheu os ombros.

—Talvez os quatro vivessem aqui.

Jessie puxou o braço do seu domínio.

— Vou dar outra olhada. Não me importo se tivermos que derrubá-la, mas estavam protegendo algo que não encontramos ainda.

Trey hesitou.

— Depressa. Tim está a caminho e está realmente chateado com você. — Ela subiu correndo as escadas. Os homens estavam guardando alguma coisa. Seu intestino gritava para ela. O cara a quem pertencia esta casa estava associado às Indústrias Mercile. Era, obviamente, um bastardo rico e provavelmente não era um cara legal, se contratava mercenários para proteger sua propriedade.

Ela alcançou o primeiro quarto, não encontrou nenhum móvel e procurou o armário aberto.

Usou a lanterna para procurar em cada centímetro de espaço, chutou as paredes e as encontrou sólidas. Saltou um pouco sobre o piso dentro do armário e da sala, mas nada indicava quaisquer tábuas soltas.

A próxima sala tinha uma mesa posta e dois homens mortos estavam deitados no chão. As quatro cadeiras e a mesa eram a única mobília da sala. Ela foi para o armário primeiro, não olhando em frente para não ter que rolar os corpos dos mortos para testar o chão sob eles. Procurou com a lanterna, mas não viu nada. Chutou um lado e ouviu um som sólido. Chutou a parede de trás, mas não soava bem. Franziu o cenho e chutou novamente. Oca.

Jessie agachou e usou sua lanterna para estudar o chão com cuidado. Viu arranhões leves a poucos metros da moldura. Seus dedos roçaram sobre eles.

— Porra, Jessie! Eu avisei. — gritou Tim atrás dela. — Vou te colocar sobre meu joelho.

— Cale-se! Encontrei algo. — Não se preocupou em olhar para seu chefe, muito focada na parede na frente dela.

Houve silêncio atrás dela. Jessie mordeu o lábio e empurrou a parede, mas ela não se mexeu. Ficou de pé, apoiada e estudou a parede de um novo ângulo. Olhou para sua equipe para ver que Tim esperava na porta, olhando para ela. Trey e alguns dos outros caras a tinham seguido para cima.

Jessie girou, chutando a parede. Seu pé fez contato e furou um pouco o gesso. O gesso tinha uma polegada de espessura, mas só escuridão aparecia no pequeno buraco que fez, em vez de vigas de madeira ou o isolamento que devia estar por trás dele. Ela agachou e apontou a lanterna para o buraco.

— O que é isso? — Trey estava ao seu lado.

— Derrube. — Jessie ordenou suavemente. — É uma parede falsa. — Ela recuou para fora do seu caminho.

Trey arrancou a lanterna da mão dela e agachou para apontar a luz no pequeno buraco, balançando a cabeça.

— Está certa. — Trey levantou. Empurrou a lanterna para ela quando deu um passo atrás. Chutou a parede de gesso.

— Apoie mais. — Jessie deu-lhe espaço para fazer a coisa. Trey era um cara grande, forte, e tinha botas militares de combate. Em minutos destruiu gesso suficiente para fazer um buraco grande para um homem rastejar por ele. Ele pegou sua lanterna presa ao cinto, caiu de joelhos e sua outra mão arrancou a arma.

— É mais um quarto. — confirmou, se aproximando.

O coração de Jessie palpitou quando Trey desapareceu no buraco em suas mãos e joelhos.

Os segundos passaram tão lentamente como se fossem minutos. Trey de repente gritou.

— Jessie, entre aqui. Ela está viva.

 

Justice bocejou e olhou para o relógio.

— Passa das três.

— Estou pronto para encerrar a noite. — Tiger se esticou no sofá. — Esse foi um filme de ação bom.

— Obrigado por ficar comigo.

— Sem problema. A qualquer momento. — Tiger encontrou seu olhar. — As fêmeas são problemas. Nunca se esqueça disso. Estamos melhor sem elas.

— Não sei se concordo.

— Quer que eu fique no quarto de hóspedes?

— Está bem para dirigir até sua casa?

— Não de verdade. — Tiger bocejou. — Não estou acostumado a estas noitadas.

Justice desligou a TV e o aparelho de DVD, levantou e deixou cair os controles remotos na mesa de café.

— Fique. Vamos tomar café juntos e discutir as novas câmeras que serão instaladas nos portões.

Ele retirou o celular e o abriu.

— Quem está chamando a esta hora?

— Homeland. Nossa força-tarefa humana saiu numa missão e quero ver se recuperaram uma de nossas mulheres.

— Teriam chamado. — Tristeza enchia os olhos de Tiger. — Sabe como essas coisas são. Gostaríamos de ouvir que acharam uma. Sei que queriam atingir o local às duas. Não deve ter sido uma boa vantagem.

Isso significava que Jessie foi chamada para nada. Foi pelo menos reconfortante pensar que podia ficar sem ela para recuperar uma de suas mulheres.

— Certo.

— Espero que da próxima vez encontrem uma.

— Podemos esperar. Boa noite.

Ele girou sobre os calcanhares, caminhou rapidamente pelo corredor e fechou a porta suavemente atrás dele. Seu olhar permaneceu na nova cama fresca que colocaram em seu quarto. Nenhum traço de perfume de Jessie restava e não tinha ninguém para culpar além de si mesmo por esse fato. Ele também pulverizou a área muito bem com desodorizador.

A boa notícia era, Jessie estava segura. Começou a tirar as roupas, bocejou e onde quer que estivesse esperava que pensasse nele. Se estivesse em sua cama a consolaria pela missão que falhou. Ele faria muita questão disso.

Seu pênis se contraiu pelo pensamento de como iria distrai-la e sibilou uma maldição.

Precisava esquecer a humana sexy. Jessie Dupree não era alguém que se pudesse dar ao luxo de gastar muito tempo de qualquer forma. Sabia da futilidade de seu futuro.

Parou na frente do espelho sobre a cômoda, olhou seus traços ligeiramente alterados e por uma vez lamentou ser Espécie. Era a cara de seu povo, o símbolo, o mundo o via e nunca teria a liberdade que tanto lutava para dar ao seu povo.

Inveja o encheu enquanto pensava em Fury, Slade e Valiant. Apaixonaram-se por humanas e as mantiveram. Os machos eram amados e dormiam com suas companheiras. Tinham anonimato para fazer isso. Justice North tomando uma companheira seria notícia no mundo e quando o fizesse, deveria ser uma fêmea Espécie. Não só seu povo esperava isso, mas toda a população humana também.

Seus ombros caíram quando se virou, incapaz de olhar mais para seu reflexo.

Evitou o contato com fêmeas humanas por uma razão. Muitas o assediaram antes, mas nenhuma o agitou como a ruiva flamejante fez. Ela tinha coragem de ter tal cabelo brilhante e se engajar na batalha com os homens. Era forte, bonita e fora do limite.

Ele se inclinou, tirou o celular de sua calça e o colocou sobre a mesa de cabeceira. Sentou-se com força na beira do colchão com os pensamentos de Jessie ainda o assombrando, e estendeu a mão para a luz. Esqueça-a. Você não tem escolha. Não era para ser, e foi melhor que fosse chamada para longe. Seria um desastre caso se tornasse importante demais. É só pioraria a dor já que não há como ficar com ela sem que o mundo saiba.

Ele entrou debaixo das cobertas e se esparramou de costas. Seu pau encheu de sangue quando se lembrou da última vez que esteve nessa posição na cama com a boca de Jessie, quente e sexy em seu corpo, seu cabelo fazendo cócegas em sua coxa. Gemeu e rolou.

Esqueça-a, caramba. Ela vai se esquecer de você. Foi apenas um caso de uma noite e isso é tudo que foi.

 

Jessie não hesitou em cair de joelhos e rastejar pela escuridão. Avançou na direção de Trey, cerca de dez metros à sua esquerda. Ele focava sua luz no chão enquanto ela se movia para seu lado.

— Não queria assustá-la. — ele sussurrou. — Está presa no canto, mas não consigo encontrar um interruptor de luz. — Trey apontou uma direção sob sua lanterna para Jessie saber para onde olhar.

— Cai fora. — Jessie pediu a ele. — Consiga uma lâmpada aqui. Alguma coisa. — Ele se afastou e Jessie ligou a lanterna. Jessie levantou lentamente a luz até que viu uma gaiola de cão de tamanho grande e um colchão fino no chão da mesma. Uma mulher pequena estava encolhida num canto, vestindo uma camisola longa que estava tão suja e encardida como o forro do colchão que se sentava. Parecia não ser lavado há muito tempo.

Jessie levantou a luz um pouco mais, cuidando para não piscar no rosto da mulher.

— Meu nome é Jessie. — afirmou suavemente. — Vamos tirar você daqui e levá-la para algum lugar seguro. Vou chegar mais perto de você, mas não tenha medo. Nunca a machucaria, certo? — Ela iluminou seu rosto e permitiu que a luz brilhante temporariamente a cegasse para dar à mulher confinada um bom olhar sobre ela. — Sou uma mulher também. Vê? Não estamos aqui para te machucar.

Jessie abaixou a luz e esperou até que os pontos apagassem, então, cuidadosamente monitorou o feixe de volta para onde a mulher estava encolhida. Ela observou mais quando levantou a luz para as pernas da mulher. Era Espécie sim. O cabelo era preto e seus traços mostravam seu DNA de primata. Era óbvio em seus traços delicados, a forma mais arredondada de seus olhos castanhos escuros e o nariz bonito, alegre.

Jessie se arrastou mais perto.

— Sabe que há outros como você? Vou te levar para a casa deles, para sua família. Estiveram procurando você por um longo tempo. Pode me dizer seu nome?

A mulher agarrou seus joelhos mais apertados contra o peito e seus traços mostravam terror. Jessie não a culpava pelo medo.

— Realmente não vou te machucar. Estou aqui para levá-la para um lugar seguro. Vou levá-la para sua família. Eles são pessoas como você, que também foram feridos por outros e que vão fazer que fique segura lá. Ninguém jamais vai trancá-la dentro de uma gaiola de novo. Sou Jessie — ela repetiu. — Qual seu nome?

A mulher abriu a boca e sussurrou palavras suaves que eram difíceis de entender.

— Lixo.

Jesus! A raiva rasgou Jessie ao ouvir o nome de merda que seus captores deram a ela, mas tentou escondê-la.

— Esse não é realmente seu nome. Lembra-se como era? Como era chamada antes de ser trazida aqui?

A mulher hesitou.

— Meu nome era Macaca.

Jessie contou até dez para esfriar seu sangue fervendo. Filho da puta. Não havia fim para a merda que o povo fazia com essas pessoas?

— Vou te dizer uma coisa. Por que não a chamamos de Bela? Gosta desse nome? Acho que se encaixa muito melhor que os outros. Os homens lá fora comigo vieram para levá-la para longe dos homens que a tinham aqui. Vou levá-la para algum lugar seguro. Pode confiar em mim.

Jessie se arrastou mais perto quando a Espécie pareceu calma e um pouco do medo aliviou de seus traços delicados. Voltou sua atenção para a gaiola, observou o cadeado e as correntes que corriam dos tornozelos da mulher até um parafuso nos pés do assoalho da gaiola. O parafuso passava direto através do assoalho. Não seria fácil libertar esta fêmea-presente com os pesados grilhões. Eles geralmente as levavam com as correntes, se não fossem capazes de libertá-las no local e esse parafuso no piso seria infernal de quebrar.

— Posso olhar seus tornozelos, por favor? Gostaria de ver se posso tirar essas algemas e olhar o cadeado vai me dizer se são fáceis de tirar ou não.

— Certo. — ela concordou hesitante.

Jessie a alcançou através da gaiola para gentilmente segurar uma das algemas. Havia buracos de chave em cada uma e o metal era pesado, sólido e não romperia com o que carregavam. Os cadeados eram complicados e isso não previa nada de bom também.

— Procurem pelas chaves. — disse ela em seu microfone. — Eles a têm acorrentada a um parafuso que será difícil de remover, já que passa através do chão e quebrar os cadeados não é uma opção. Poderia entrar na gaiola com ela, mas essas algemas são outra história.

— Não sei onde estão. — Bela sussurrou.

Jessie colocou a lanterna abaixo para que emitisse luz suficiente para que vissem uma a outra quando pegou seu tornozelo. Ela estendeu a mão e apontou, virando a cabeça para mostrar a outra mulher.

— Eu tenho um dispositivo dentro da minha orelha, que permite que as pessoas que ajudaram a salvar você ouçam o que digo. Posso ouvi-los também. Estava dizendo a eles para procurar a chave. Se não puderem encontrá-la, vamos tentar cortar a corrente. Vamos tirar você daqui. Isso é uma promessa. Certo, Bela?

— Sim. Realmente vai me levar?

— Juro que vou te tirar.

— Encontrei um conjunto de chaves com um cara morto. — Era Tim falando. — Também encontramos um cabo de extensão e uma lâmpada.

— Só me dê as chaves e envie Trey já que ela já o viu. Peça para entrar lentamente. — Jessie sorriu para Bela. — Esse homem esteve aqui há poucos minutos e vai trazer as chaves que achamos ser dos cadeados. Não tenha medo dele. É meu amigo e nunca machucaria uma mulher.

Bela pareceu assustada, mas balançou a cabeça corajosamente. Trey se arrastou para o quarto e sentou ao lado de Jessie. Na outra mão, tinha quatro lanternas ligadas para iluminar a sala. Jessie lançou um sorriso agradecido quando aceitou as chaves. Ele se apoiou a poucos metros.

— Vou ou fico? — Sua voz era suave.

Jessie estudou a mulher que olhava para Trey, mas não parecia em pânico ou aterrorizada.

— Fique. — Jessie decidiu.

Trey não se moveu quando Jessie tentou as chaves. Destrancou primeiro a gaiola, abriu a porta e hesitou antes de tocar Bela. A outra mulher empurrou seus pés mais perto para ajudar. Jessie deu um sorriso quente e a outra mulher sorriu firmemente em troca.

— Bingo. Temos uma vencedora. — Jessie sorriu para Bela quando abriu o cadeado do tornozelo.

— Vê? Encontramos as chaves. — Jessie destrancou o outro tornozelo. Bela estava livre.

— Limpem e nos deem um caminho livre para um veículo. — Jessie ordenou suavemente. —Estamos levando-a para fora.

— É isso aí. — Tim suspirou. — Bom trabalho, Jessie. Nós a teríamos perdido, se não encontrasse o quarto escondido. Seu traseiro ainda é meu quando você a assegurar. — Jessie revirou os olhos, mas continuou a sorrir para Bela enquanto se apoiava para ajudar a mulher a sair da gaiola. — Tudo bem.

Pode ficar em pé? — Jessie se levantou lentamente e estendeu as mãos para a mulher. — Pode pegar minhas mãos e vou te ajudar.

A mulher hesitou antes de lentamente se inclinar para frente, se arrastar alguns metros até que passou pela porta aberta da gaiola e estendeu a mão trêmula e pálida para Jessie. Jessie a agarrou com cuidado, enquanto lutava contra as lágrimas. Esta parte arrancava um pedaço seu a cada vez. O medo em seus olhos esperando, confiando e acreditando que não estavam apenas brincando com eles sempre partia seu coração. Jessie a ajudou a levantar.

— Estamos indo. — Jessie informou a equipe. — Estamos limpos?

— Limpo. — Tim respondeu suavemente. — Temos um veículo direto na porta da frente e arrastamos os mortos da vista. Jimmy derrubou algumas cortinas para jogar sobre o sangue. Ela provavelmente sentirá o cheiro se herdou o olfato das Espécies, mas não ficará aterrorizada pela visão.

— Ela é primata. — Jessie respondeu, deixando a equipe saber que a mulher liberada era menos provável de sentir o cheiro da morte ou sangue derramado. Os primatas não tinham sentido tão agudo de olfato. — Fale com Homeland imediatamente e pergunte onde querem que seja levada, para que outras primatas estejam lá quando chegarmos. Precisa conhecer sua família. — Jessie continuou esperando a mulher assustada. Bela só tinha cerca de 1,50m de altura e seu corpo muito magro revelava que passou fome. Jessie podia carregar o corpo leve para fora da casa se a mulher não pudesse andar sozinha. Lutou contra as lágrimas mais uma vez enquanto andava pela casa lentamente. A mulher foi espancada recentemente e não tinha sido banhada, pela estimativa de Jessie, há alguns dias. Seu cabelo estava embaraçado, um pouco gorduroso e sujeira se agarrava em seus pés e braços por causa do quarto escondido e empoeirado.

Trey permaneceu como uma sentinela silenciosa às suas costas e sabia que ele permaneceria lá, no caso da fêmea Espécie cair por seu estado debilitado. Jessie levou Bela pela porta da frente até o ar fresco da noite e diretamente para a porta traseira aberta do SUV. Ela sorriu para sua carga.

— Vamos entrar nesta coisa e depois fazer algo realmente emocionante. Vamos voar no céu numa grande coisa para conseguir alguma ajuda médica e vai se encontrar com sua família. Ficarão tão felizes em ver você.

— Não vai me deixar? — Bela parecia aterrorizada quando agarrou Jessie.

— Não, Bela, não vou a lugar nenhum. Vou segurar sua mão o tempo todo. — Jessie apertou sua mão com ternura. — Não vou deixar nada acontecer com você e vou ficar enquanto me quiser. — Jessie pediu que subisse no banco central e a prendeu com um cinto subabdominal. Jessie sorriu de novo, reconfortante. — Vou sentar ao seu lado e Trey aqui vai nos levar. É uma boa pessoa. — Ela verificou o cinto de novo, se inclinou para empurrar o cabelo de Bela atrás da orelha e deu um olhar sincero. — Tudo vai ficar bem, Bela. E... — A dor explodiu em volta de Jessie. Foi jogada para frente e seu corpo caiu sobre Bela e o assento. A mulher Espécie gritou.

— Atirador! — Trey gritou.

Jessie lutou para levantar, apesar de não ser capaz de respirar por causa da dor nas costas. Bela gritou de terror novamente e vidro explodiu da janela do passageiro da frente. Jessie encontrou força para empurrar seu peito para cima, empurrando Bela para o lado e se jogando em cima da outra mulher.

— Tenho você. — Jessie ofegou sobre a fêmea gritando e os tiros.

A dor explodiu novamente em volta de Jessie, enviando um caminho de fogo entre as omoplatas até a parte detrás de sua cabeça. Desta vez, a dor foi demais. Tentou puxar ar, mas não queria vir. Tudo ficou escuro, a dor desapareceu e os gritos de Bela foram a última coisa que ouviu.

 

Justice rosnou quando se virou na cama e olhou para o relógio. Eram quatro e meia da manhã. Procurou no escuro por seu celular e abriu, pressionando-o no ouvido.

— É melhor que seja bom. — ele resmungou.

— Justice? Sinto muito sobre a hora. Realmente sinto. Temos uma emergência. Precisava de sua permissão para algumas coisas.

— O que aconteceu, Brass? Permissão para quê? — Ele sentou e estendeu a mão para a luz ao lado da cama, de imediato acordado.

— Precisamos enviar nosso helicóptero de Homeland para resgate imediato de uma das nossas fêmeas-presentes que foi recuperada menos de uma hora atrás. Também preciso de permissão para levá-la para a Reserva. Têm melhores equipamentos médicos e esta está vindo brutalizada. Bastante traumatizada. Tiveram que sedá-la em cena por causa do trauma emocional. Pensei que seria capaz de lidar com isso melhor na Reserva. A Doutora Trisha ainda está lá.

Justice puxou uma respiração profunda.

— Tudo bem. Envie o helicóptero para pegar nossa fêmea. Vá em frente e mande-a para cá. Chame o Doutor Harris em vez da Doutora Trisha. Ele está de plantão e ela está de férias. Não deve ser chamada. — Ele não mencionou que ela acabava de ter seu bebê, já que as linhas telefônicas não eram sempre seguras. — Sabe disso.

— Certo. Desculpe. Estou cansado. A força-tarefa queria colocar nossa fêmea num avião particular para mandá-la para nós, mas eu lhes disse que levaria muito tempo. Foi quando pediram nosso helicóptero de Homeland. Você tem um na Reserva.

Justice franziu a testa.

— Por que não voam por si mesmos? Seu helicóptero está em manutenção? Sei que eles têm um. Tive que lutar para conseguir o financiamento da coisa.

— Está em uso. Um da força-tarefa foi baleado durante a extração. Tiveram que usar o helicóptero para transporte aéreo de seu companheiro ferido até o centro de trauma a quase 60 milhas de distância.

— Um deles foi baleado? Quão ruim está o homem? Será que vai viver?

— Não foi um homem. Foi a embaixadora fêmea humana na equipe. É por isso que nossa fêmea está tão traumatizada. Quando a fêmea humana foi baleada deixou nossa fêmea com todos os homens.

O coração de Justice despencou. Jessie era a única mulher que trabalhava com a força-tarefa que conhecia.

— O que aconteceu?

— Tim Oberto acredita que nossa fêmea era o alvo. O atirador tentou derrubar nossa fêmea conforme me foi dito e essa fêmea humana foi baleada em seu lugar. Eu não sei o quanto é sério, mas devia ser muito ruim para que sentissem necessidade de usar o helicóptero para o transporte aéreo, em vez de trazer nossa fêmea para nós.

— Jessie Dupree foi baleada?

Brass hesitou.

— Não sei o nome dela.

— Dê-me o número de Tim Oberto agora — rosnou Justice.

— Uh, está pronto?

Justice pulou da cama e correu para fora do quarto.

— Espere. — Ele encontrou uma caneta e pegou a primeira pasta mais próxima sobre a mesa. —Diga. — Ele anotou o número.

— Brass, faça o que achar que é melhor. Não precisa me perguntar primeiro. Consiga nossa fêmea em casa, seja lá o isso implicar e obtenha sua segurança. — Justice desligou e discou o número de Tim Oberto. Tocou quatro vezes.

— Tim Oberto. — um macho suspirou.

— Aqui é Justice. Acabei de ouvir a notícia. Jessie Dupree foi ferida?

— Sim.

Justice queria rugir de pura raiva.

— Está viva?

— Estão trabalhando com ela numa das salas de trauma. — Tim puxou uma respiração profunda. — Não sei sua condição.

— Ela levou um tiro? — Justice tremeu.

— Foi. Um na parte detrás da cabeça. Parecia ruim. — A voz de Tim falhou. — Um atirador tentou derrubar a fêmea-presente, mas Jessie estava no caminho. Atirou-se sobre sua fêmea e teve três tiros a atingindo. Seu colete levou duas das rodadas, mas a terceira a atingiu.

— Onde estavam seus homens? — Justice rugiu. — Ela é uma embaixadora. Deve ir quando é seguro.

— Não grite comigo. — Tim gritou. — Tínhamos assegurado a área antes de permitir que Jessie levasse sua mulher para fora. Era um atirador. Ficamos presos até ele ser localizado. Amo essa menina como se fosse minha filha. Fui eu quem a tirou de cima de sua fêmea e a segurou nos braços até nosso helicóptero poder nos alcançar. Tenho o sangue dela sobre toda a minha roupa e sou eu quem vai ter que notificar seu pai, quando me disserem que a perderam.

Justice desabou duro sobre a mesa, sentando atordoado e fechou os olhos. Não podia respirar no início, também ferido pela notícia que a mulher vibrante, que compartilhou sua cama foi baleada. Demorou muito para puxar uma respiração dolorosa.

— Acha que ela vai morrer?

— Levou um tiro na nuca. O que acha? Ela não acordou e estava ruim.

Dor rasgou o peito de Justice. Jessie estava perdida para sempre. Seu rosto passou pela sua mente, a memória dela deitada nua sob ele com os braços em volta do pescoço, sorrindo para ele com seus lindos olhos azuis. Seu cabelo vermelho estendido sobre sua cama. Mais dor rasgou através de seu peito.

— Onde está? Estou a caminho.

Tim hesitou.

— É claro. Política. — ele soltou. — Uma oportunidade de uma boa foto, certo? Pode chegar ao hospital e dizer alguma merda na frente dos repórteres sobre como ela foi corajosa ao dar sua vida no cumprimento do dever para salvar seu povo. Você não a conhecia.

Raiva rasgou Justice.

— Conheço Jessie. Nunca me acuse de dissimulação novamente. Não dou a mínima para conseguir minha foto ou sobre o que os humanos pensam neste exato momento. Quero saber onde ela está porque estou indo aí para vê-la.

Tim suspirou.

— Sinto muito, Justice. Foi sem intenção. Sei que é um bom homem, mas apenas estou com a cabeça totalmente fodida agora. Isso está me rasgando. Entende isso? Ela é como minha filha. Estava ameaçando colocá-la sobre meus joelhos e espancar seu traseiro pelo que fez esta noite e dez minutos mais tarde, estou a segurando em meus braços a assistindo sangrar. Nunca me senti tão malditamente inútil na minha vida e agora estou tão chateado que posso estar atacando quem eu puder.

Angústia. Esse era o sentimento expresso em Tim, e Justice se identificou com ele, uma vez que a mesma emoção se derramava através de seu próprio corpo.

— Está tudo bem, Tim. Onde ela está?

— Estamos em Portland, Oregon. Era o centro de trauma mais próximo que podíamos voar com ela. Foi derrubada no estado de Washington, numa área remota. — Ele disse o nome do hospital.

— Estou indo. Tem o número do meu celular, correto? Se não, deve tê-lo agora, já que eu liguei. Quero que entre em contato comigo no segundo que souber algo sobre sua condição.

— Eu vou, Justice. Mais uma vez, me desculpe. Não quis dizer essa merda.

— Não pense mais nisso. — Desligou o telefone e ligou para o centro de controle da Reserva. Conseguiu que o helicóptero fosse abastecido, os pilotos acordados e uma equipe de seguranças o encontrassem em cinco minutos. Lembrou-se de Tiger no quarto, o acordou também e correu para seu quarto para se vestir.

Congelou imóvel, quando sentou na cama tremendo. A imagem fixa de Jessie em sua mente o levou a morder outro rugido de dor. Nunca teria chance de beijá-la novamente, ou vê-la sorrir. Na melhor das hipóteses, poderia ser capaz de alcançá-la antes de morrer e chegar para segurar sua mãozinha pálida.

A vida não era justa, sabia disso, teve uma vida de merda, mas sua perda deixaria cicatrizes emocionais também. Tiveram tão poucos momentos juntos, mas foram daqueles que nunca esqueceria. Doeu.

 

Justice severamente ajustou a gravata pela centésima vez enquanto olhava para sua equipe de segurança. Os humanos olhavam para eles quando entravam no saguão do hospital, mas não era incomum.

Seis grandes homens Espécies, todos vestidos em uniformes pretos, mas o que estava de terno chamava mais atenção. Justice passou as mãos nervosas abaixo de sua jaqueta cinza escura quando parou na frente do balcão das enfermeiras. A fêmea levantou o queixo e sua boca abriu, quase competindo com seus olhos arregalados.

Tentou não intimidar a mulher, falando num tom suave.

— Estamos aqui para ver Jessie Dupree. Foi trazida como uma vítima de tiroteio. — A mulher estalou a boca fechada e engoliu em seco.

— É Nova Espécie, não é?

Justice se absteve de rosnar e mostrar as presas. Não queria conversar com a enfermeira. Não queria brincar de 20 perguntas. Jessie ainda estava viva, tanto quanto sabia e queria chegar ao seu lado antes que fosse tarde demais. Tiger ficou tenso ao seu lado e estendeu a mão para colocá-la sobre o balcão.

— Isto é urgente — Tiger suavemente rosnou. — Responda, por favor, ao Sr. North e lembre-se de ser profissional.

Justice normalmente teria se encolhido, mas hoje à noite não se importava se um de seus homens fosse brusco. Queria a cooperação da mulher, independentemente de como conseguisse.

— Sim. Como disse, estamos aqui para ver Jessie Dupree.

A enfermeira olhou para o computador, digitou as informações e deu-lhes instruções no final do corredor para uma sala de espera. Não se afastaram 3 metros da mesa antes de ouvirem a mulher no telefone dizendo a alguém que um grupo de Novas Espécies de aparência assustadora estavam no hospital.

— Acha que está chamando as emissoras locais? — Tiger gemeu. — Odeio aqueles bastardos.

Justice deu de ombros.

— Vamos evitá-los na saída. — Ele realmente não dava a mínima para a imprensa. Jessie ainda está viva? Vou conseguir vê-la antes de morrer? Isso está me matando. Só precisava vê-la. Queria inalar seu cheiro e tocá-la pelo menos uma última vez. Seu peito doía muito por saber que não haveria qualquer esperança em seu futuro de passar uma noite com ela.

Tiger entrou na sala de espera primeiro, manteve seu corpo na frente de Justice e fez com que não houvesse qualquer forma de ameaça dentro do quarto. Justice imediatamente avistou o senador Jacob Hills sentado numa cadeira com as mãos cobrindo o rosto, inclinado e chorando suavemente. Justice congelou pelo som aflito.

Sentiu suas emoções se desligando da dor ao saber que Jessie já tinha morrido. Seus dedos se fecharam em punhos, porém a raiva brilhou e jurou vingança. Ia descobrir onde se escondia o atirador que a matou, e se o homem ainda estivesse vivo, o mataria com suas próprias mãos. Rasgaria o filho de uma cadela que matou Jessie, o faria gritar e sofrer muito antes de morrer. Pura raiva e dor lutaram até que recuperou controle suficiente para falar.

Tim Oberto dividia a sala com outros quatro homens ainda vestidos com seus uniformes de força-tarefa. Justice tinha que continuar respirando fundo para se impedir de perder o controle instável que encontrou. O animal dentro dele o instigava fortemente, empurrado para frente, e queria rasgar a sala e enlouquecer pelo conhecimento que Jessie foi embora.

O Senador Hills olhou para cima, suas mãos caíram e seu olhar cheio de lágrimas encontrou Justice. Pareceu surpreso ao ver Espécies e ficou em pé, instável.

— Justice, o que está fazendo aqui?

Justice engoliu em seco.

— Ouvi sobre Jessie e voei para cá imediatamente. — O senador piscou para conter as lágrimas e se aproximou mais. Passou a mão em suas calças e a estendeu.

— Obrigado. Nunca esperei que algum de vocês viesse aqui, mas isso significa o mundo para mim.

Eles apertaram as mãos.

— O médico acabou de sair. — O senador sorriu. — Sinto muito pelo show de lágrimas, mas pensei que minha filha estava morrendo. — Mais lágrimas inundaram seus olhos. — Contudo, ela vai ficar bem.

Imenso alívio rasgou através de Justice, seguido por um sentimento de necessidade de encontrar Jessie.

— Onde ela está?

— A estão limpando. — O senador riu. — Sempre disse que tinha uma cabeça dura. A bala atingiu de raspão seu crânio, mas não penetrou. — Justice fechou os olhos para esconder suas furiosas emoções. Jessie ia viver e um arranhão significava que não ficou gravemente ferida, já que não houve trauma cerebral causado pelo impacto. Abriu os olhos e respirou para se acalmar. Precisava ficar no controle. O que realmente queria fazer era derrubar o hospital até encontrar Jessie.

Queria enterrar seu rosto contra seu pescoço e a respirar dentro. Ele não se moveu, porém, com medo que não parasse por aí.

— Está chateada pelo cabelo dela. — O senador enxugou mais lágrimas, rindo. — Acredita nessa minha filha? Poderia ter morrido e está chateada por que tiveram que raspar o cabelo da parte detrás de sua cabeça.

— Rasparam sua cabeça? — Justice rosnou. Puxou uma respiração profunda. Foi só cabelo que ela perdeu, em vez de sua vida. Voltaria a crescer. O senador ficou tenso, olhando para ele, atordoado.

— Achamos estranho raspar a cabeça — afirmou Tiger, avançando para se incluir na conversa. Deu a Justice um olhar preocupado, mas forçou um sorriso. — Estamos gratos que sua fêmea vai viver.

Justice concordou com a cabeça.

— Peço desculpas. Estou chateado por que Jessie foi machucada. — Ele se forçou a entrar em modo Justice North, o macho que representava todas as Novas Espécies. — Queríamos mostrar nosso apoio.

O senador sorriu.

— Sabia que era um bom homem, Justice. Minha filha gostaria de conhecê-lo. Se importaria de ficar um pouco de tempo? Você voou todo este caminho e vai delirar por conhecer o homem de quem falo tanto.

— Eu já me encontrei com ela — Justice informou a ele. — Gostaria de vê-la.

O senador pareceu surpreso.

— Conheceu Jessie?

— Sim. Ela levou um grupo de nossas mulheres para a Reserva e ficou lá até a noite passada.

— Sua filha pode ser bastante persistente. — Tiger riu. — Pensei que ia atirar em mim se dissesse que não poderia acompanhar nossas mulheres e ajudá-las a se acomodar na reserva após o ataque no Colorado.

O senador riu.

— Essa é minha garota. A criei para não aceitar um não como resposta. Ela é uma coisinha durona. Parece com sua mãe e isso me assustou, porque sempre foi tão pequena, mas com uma personalidade tão grande. Você pensaria que era uma zagueira com 2,10m por sua atitude. — Ele mostrava orgulho paternal. — Ela pode ser difícil.

— Sim. — Tim riu. — Ela é. Na noite passada ia colocá-la sobre meus joelhos e bater em sua bunda.

O senador engasgou.

— Você ia o quê?

Tim ficou sério.

— Ela me lembra de minha filha. Tivemos uma situação onde a fêmea-presente estava sendo mantida. Dois dos nossos homens foram feridos e três atacantes invadiram a parte de trás da casa. Jessie foi ordenada a ficar de fora, mas se recusou a ouvir. Matou três dos bastardos e os manteve longe dos meus rapazes. Então, quando não conseguimos encontrar a fêmea, ela foi olhar e maldição se não a encontrou. Nós teríamos perdido a fêmea se Jessie não estivesse tão certa que havia uma Espécie lá.

Um dos membros da equipe de trabalho se aproximou.

— Sou Trey Roberts, líder da equipe de Jessie. Ela salvou meu traseiro e o do Mike. — Ele virou a cabeça para o outro homem de pé ao lado dele. — Estávamos presos e aqueles babacas podiam ter nos pegado, uma vez que não podíamos recuar. Estávamos sob fogo. Jessie derrubou todos os três.

— Ela fingiu cair. — Mike riu. — Fingiu estar baleada e morrendo para fazer o filho da puta vir acabar com ela. Ela o derrubou num piscar de olhos.

A boca do Senador estava aberta.

— Ela matou três homens? Ninguém me disse isso.

Tim empalideceu.

— Eu teria, mas acabou de chegar. Pedi a ela para encontrar um buraco, senhor. Ela devia ficar escondida até que eu pudesse alcançá-la, mas se recusou a me ouvir. É por isso que ia colocá-la sobre meus joelhos.

— Ela não deveria estar em perigo. — O senador engasgou. — Não deveria mandá-la para dentro até fosse seguro para ela entrar em contato com as Novas Espécies.

— Você foi a pessoa que deu a ela uma arma. — Tim resmungou. — Ela pensa que é parte da equipe porque você continua dizendo que ela é. Sabe como pode ser teimosa. Eu digo o que fazer, mas ela não escuta. Se o fizesse, teria esperado lá fora, mas inferno que não. Não sua filha. Pediu para ir com os homens para que pudesse estar no local certo que a mulher se encontrava. Provavelmente teria roubado um carro e batido nas portas por conta própria, se não a colocasse com uma equipe.

O senador puxou várias respirações profundas para se acalmar, mas ainda parecia irritado.

— Está certo. Essa é Jessie. — Sua boca ficou tensa. — Ela está demitida. Nunca pensei que seria tão perigoso e que teria que matar três homens ou ser atingida. Ela não vai voltar. Vou encontrar um substituto para a equipe imediatamente, mas ela não volta mais. — Seu olhar se voltou para Justice. —Gostaria de pedir que uma de suas pessoas tomasse seu lugar temporariamente até que possamos encontrar alguém de confiança. Não me importo se é homem ou mulher, mas a equipe precisa de alguém para que suas mulheres não fiquem aterrorizadas. Quem melhor para cuidar de qualquer uma delas que um de seus próprios?

Justice não queria que Jessie voltasse a trabalhar ou considerar que os machos de sua equipe permitiram que quase fosse morta.

— Vou encontrar um substituto. — Ele estudou os homens dentro da sala que pertenciam à equipe de Jessie, até que olhou para o líder da equipe, Trey Roberts. — O que poderia funcionar melhor com sua equipe? Um dos nossos homens ou uma mulher? — Ele fez uma pausa. — Tenha em mente que nossas fêmeas ficariam irritadas se algum de seus homens a assediasse sexualmente ou as incomodasse.

Trey piscou.

— Definitivamente um homem. Provocamos Jessie o tempo todo, mas ela sabe que é brincadeira. É um dissipador de estresse. Não sei se uma de suas mulheres entenderia as piadas e um dos meus homens pode escorregar.

— Feito. Vou pedir um voluntário e colocá-lo em contato com você dentro dos próximos dias. — Justice voltou sua atenção para o senador. — Vamos ter que resolver onde ele viverá e o que seria mais seguro. Não vou colocar nenhum dos meus homens em campo para ser alvo de grupos de ódio. Ele tem que ter condições de vida segura.

— Feito.

A porta abriu para admitir uma enfermeira. Ela ficou de boca aberta com os Novas Espécies. Longos segundos se transformaram em um minuto. O senador avançou, chamando a atenção da mulher.

— Sim?

Ela se forçou a olhar para ele.

— Uh, sua filha, uh. Está pronta para partir. Seus testes parecem bons e se recusa a ficar em observação. Eles são... — Ela virou a cabeça para se embasbacar com Tiger.

— Eles são o quê? — O senador rebateu.

A atenção da enfermeira voou de volta para ele.

— Ela está deixando o hospital. A liberarão tão logo esteja vestida. — A mulher girou e fugiu.

— Devo carregar nossas fotos e apenas distribuí-las? — Tiger riu. — Assim, poderiam olhar o tempo que quisessem.

— Duvido que fosse funcionar. Só querem que dê um autógrafo. — Justice sorriu para suavizar suas palavras.

Tiger se encolheu.

— Digo que não sei como escrever meu nome quando me pedem para fazer isso. Um monte de humanos acham que não sabemos ler, então acreditam.

Trey riu.

— Fez isso muitas vezes, não é?

Tiger assentiu.

— Sim. Fomos convidados à Mansão do Governador, há duas semanas e tive que lidar com uma grande quantidade de humanos no evento. Queriam que assinássemos coisas, ficavam tentando nos tocar e nos pediram para posar com eles para fotos. As mulheres passavam seus números quando apertávamos as mãos.

Mike riu.

— Cara, queria que as mulheres me dessem seus números. Não parece tão ruim.

— Não gostaria disso se fosse com você — Justice declarou em voz baixa. — Você não é mais uma pessoa, apenas é visto como uma coisa. Um objeto. Algo não consciente.

— Mas as mulheres... — Mike piscou.

Tiger sorriu.

— São muito frágeis.

Mike abertamente estudou Tiger dos pés à cabeça antes de olhar abaixo, para seu próprio corpo.

— Somos iguais.

— Não. Não somos. Eu sou mais forte. — Tiger riu, mostrando suas presas para Bob. —Tenho dentes afiados. Suas mulheres são muito frágeis.

— Ah! Suas mulheres desfrutam de dentes afiados? Uau. Isso é legal. Sim. Posso ver onde não poderia fazer isso com as nossas. Belisquei uma na bunda uma vez e ela me dispensou, dizendo que eu era uma aberração. — Mike mostrou os dentes. — Os meus são lisos e retos e para isso pago o melhor dentista. Ela tinha uma bunda poderosa, contudo. Era uma de afundar seus dentes.

Justice suspirou, enviando ao senador um olhar de desculpas. O senador sorriu de volta, ambos parecendo entender por vezes que seus homens tinham conversas que provavelmente não deveriam. Justice ignorou Tiger e a conversa do membro da equipe. Realmente queria sair e encontrar Jessie.

— Fique e fale com seu novo amigo, Tiger. Estarei do lado de fora. — afirmou Justice, se movendo na direção dela.

— Não se esqueça de mim. — brincou Tiger.

Justice olhou ao redor do corredor quando saiu com os outros guardas machos.

O senador ficou ao lado dele. A mente de Justice fez horas extras quando percebeu que ver Jessie podia não ser a melhor coisa no momento. Os humanos estavam observando, reunidos em grupos acima e abaixo do corredor para olhar para ele. Alguns retiraram celulares para fotos instantâneas, sem se preocupar em esconder sua intenção.

A raiva o agarrou fortemente quando percebeu o perigo que representava para Jessie. Qualquer fotografia ou vídeo dele reagindo fortemente a ela seria vendido para as estações de notícias locais. À meia-noite estaria em todos os meio de comunicação de todo o mundo, fofocas especulando se podiam estar namorando e ela se tornaria um alvo para os repórteres e inimigos das Novas Espécies.

Não estavam namorando, o que implicaria se ela queria vê-lo e ele não tinha certeza se era o caso. Esperava que sim, mas isso não o tornava realidade. Podia fazer algo tolo, provavelmente o faria, se tivesse chance de tocá-la e precisava evitar isso. Seu desejo de falar com Jessie, contudo, não seria negado. De uma forma ou de outra, queria acesso a ela cara a cara, mas sob condições mais seguras. Recusava-se a colocá-la em perigo. Encontrou o olhar do senador, achando uma solução.

— Jessie precisa de um emprego e tenho um seguro para oferecer a ela. É o mínimo que posso fazer, já que foi prejudicada resgatando uma de nossas mulheres. Ainda pode trabalhar com elas, mas em condições estáveis.

O senador sorriu.

— Isso seria ótimo, Justice. Para ser honesto, ela vai ficar chateada como o inferno quando descobrir que a demiti. Estaria salvando meu traseiro. Minha filha tem muito temperamento. Que tipo de trabalho é?

Justice hesitou. Ia compensá-la.

— Ela vai viver em Homeland. É seguro e estável para ela lá. Temos um dormitório segregado onde abrigamos nossas fêmeas. Seria maravilhoso ter Jessie de volta e tenho certeza que seria uma grande ajuda.

O senador concordou.

— Parece uma boa ideia.

— Ela pode começar assim que estiver bem. — Justice teve que abafar um sorriso. Veria Jessie muitas vezes se vivesse em Homeland. Inferno, teria tanto acesso a ela que poderia convencê-la a voltar para sua cama. O pensamento ajudou a aliviar seu desejo de vê-la imediatamente. —Teremos sorte por tê-la.

Eu teria muita sorte de tê-la. Uma imagem dela com ele em sua cama na noite anterior brilhou, mas a empurrou de volta antes que tentasse invadir os corredores para localizar Jessie e jogá-la por cima do ombro. Não faça isso. Muitos malditos humanos, a imprensa provavelmente já chegou e não pode deixar seu povo na mão. Você é o rosto dos Novas Espécies. Vai vê-la em breve. Muito em breve.

— Isso provavelmente seria hoje, conhecendo minha filha.

Hoje. Justice não pode evitar o sorriso que se espalhou pelo seu rosto.

— Vou tomar todas as providências imediatamente.

O celular de Justice tocou.

— Desculpe-me. Tenho que atender.

O senador falou.

— Eu entendo.

Justice se afastou, atendendo a chamada. Era sobre a nova fêmea que Jessie resgatou.

Ele ouviu.

— Mantenha-a sedada. Quero que ela se mude para Homeland imediatamente. — Justice caminhou de volta para o senador. — Tenho que sair. É a fêmea que Jessie resgatou. Sua cabeça não está bem. Acabou de acordar, mas se recusa a ser acalmada e a equipe médica teve que sedá-la novamente quando tentou fugir deles. Quando Jessie quiser trabalhar, vamos pedir para nos ajudar primeiro com essa mulher. Ligue-me e providenciamos o transporte de Jessie para Homeland.

— Certo. Vou levá-la eu mesmo. Tenho um avião particular à minha disposição.

Justice estendeu a mão.

— Estou feliz que ela esteja bem.

— Obrigado por ter vindo.

Em minutos Justice e seus homens deixaram o hospital. Vans de Emissoras esperavam lá fora e Justice suspirou em frustração quando os repórteres correram para eles e gritaram perguntas, mas ainda ouviu Tiger grunhir uma maldição.

— Nossa vida é foda, às vezes.

Justice concordou com a cabeça. Fez a coisa certa ao sair, apesar da tristeza atroz que torcia seu intestino por não ser capaz de se certificar que Jessie estava realmente bem. Por mais que quisesse abraçá-la, se assegurar que vivia, não queria destruir a vida dela no processo.

Jessie resistiu a vontade de chorar. Tocou o curativo na parte detrás de sua cabeça, estremeceu e odiou que raspassem parte de seu cabelo. A enfermeira lhe deu um olhar simpático.

— Ninguém vai saber se puxá-lo num rabo de cavalo ou deixá-lo solto. É na parte de trás de sua cabeça, assim alguém só vai ver se puxar seu cabelo para cima ou usar tranças. Ele vai crescer com o tempo, mas até esse comprimento, sei que é difícil. Uma vez que crescer um pouco, vai se misturar com o resto de seu cabelo e será mais difícil de ver. Precisa manter esses pontos secos.

— Eu sei. — Jessie deixou a mulher ajudá-la a sair da cama de hospital. Apertou seus lábios pelo moletom que foi entregue. Seu pai os comprou na loja de presentes e a roupa cirúrgica era sua outra opção. Odiava moletons em geral, mas o fato da roupa cirúrgica estar marcada com o nome do hospital a fazia pior. — Tenho a papelada me dizendo como cuidar deles.

— Tem que sentar na cadeira de rodas. É política do hospital com uma ordem de acompanhá-la até a porta da frente.

— Ótimo. — Jessie bufou, evitando seu comentário, já que a enfermeira era gentil.

Ela sentou humildemente e permitiu que a mulher a empurrasse para fora da sala depois de colocar sua sacola de roupas ensanguentadas no colo.

Jessie viu seu pai e Tim logo que entrou no corredor. Parte da equipe se mostrou também. Mike, Trey, Jimmy e Bob estavam encostados na parede a observando com sorrisos. Shane era o único membro ausente de sua equipe.

O senador Jacob Hills sorriu quando a viu, cortando sua conversa com Tim e correndo pelo corredor.

— Como está meu bebê?

— Sim. — Trey sorriu, levando todos para mais perto. — Como está, bebê? — O dedo do meio de Jessie coçava para ser mostrado, mas forçou um sorriso em seu lugar.

— Muito bem. Pronta para ir para casa. — Seu olhar encontrou o de Tim, e não era um bom sinal que sombriamente enfrentasse seu olhar. Isso significava que ainda estava bravo com ela por não seguir ordens. — Como está Bela? Disseram-me que ela não ficou ferida. Chegou bem, onde a queriam?

Tim hesitou.

— Tivemos que tranquilizá-la, Jessie. Ficou histérica depois que foi baleada e não podia ser acalmada. Chamamos a ONE logo de cara depois que você foi atendida. Shane ficou atrás com ela, já que ele disse que você ia querer alguém de sua equipe com ela até que fosse entregue. A ONE enviou um helicóptero para buscá-la e ele a transportou para a Reserva pessoalmente, mas está a caminho de casa agora. Está segura e estava dormindo como um bebê da última vez que a viu.

Bob riu.

— Shane preencheu a papelada e colocou Bela como seu nome. Achamos que você ia ficar chateada se ele escrevesse Lixo ou Macaca.

O senador ofegou, dando um olhar para Bob.

— Você a chamou desses nomes?

O sorriso de Bob morreu.

— Não. Isso é o como a chamavam. Jessie a renomeou de Bela.

— Ah! — O senador relaxou. — Pensei que ia ter um pesadelo em minhas mãos. Nunca os chame de nomes depreciativos. Vou demiti-lo se o fizer. Sempre os tratará com respeito, como se fossem da família.

Jessie sorriu.

— Quer dizer como chamo Jake de cabeçudo e peidão? Assim é como se chama a família. Pode querer dizer para tratá-los como qualquer pessoa, menos da família.

O senador sorriu.

— Seu irmão odeia esses nomes, Jess. Se estivesse aqui, em vez de no Afeganistão, diria ele mesmo.

— Jessie. — corrigiu ela, sorrindo. — Estou feliz que veio pai. Estou pronta para ir para casa e voltar ao trabalho.

Tim pigarreou e apontou o polegar para os homens. Jessie franziu a testa enquanto a equipe rapidamente se afastava, a deixando com seu pai. Ele parecia triste quando ela olhou para ele, confusa.

— Sobre isso. — Seus olhos azuis se estreitaram. — Está demitida.

— O que? — Ela gritou.

— Quieta, Jessica Marlee Dupree. — ele ordenou em voz severa. Era o mesmo tom que usou toda a sua vida quando ela estava na merda. — Desobedeceu ordens ontem à noite e matou três homens. Fez a coisa certa, protegeu seus colegas de equipe e sei disso. Mas matou três homens. — Sua voz quebrou e lágrimas inundaram seus olhos. — Tem sorte que sua cabeça está intacta. Sabe como me senti quando recebi o telefonema que levou um tiro? — Ele deu um suspiro. — Está demitida. Eu te amo, mas não posso viver sabendo que estou colocando você na posição de ter que matar mais homens ou mandar matá-los. Tem um trabalho novo, se me ouvir antes de perder a paciência.

Jessie estava em choque. Seu pai estava mais chateado que jamais poderia lembrar-se de ter visto, exceto uma vez. Ele chorou quando sua mãe morreu e nunca se recuperou totalmente da perda. Ela deslizou de volta na cadeira de rodas, seu corpo tenso e a culpa a comendo enquanto olhava para ele. Ele foi ao inferno por ela levar um tiro e sabia disso. Doía perder o emprego, mas amava mais seu pai.

— Um novo trabalho?

Ele hesitou.

— Não vai gritar e me dizer que não posso demiti-la?

Ela balançou a cabeça.

— Você está chorando. Desculpe, pai. Perdeu mamãe e ela significava o mundo para você. Quase me perdeu e entendo. Odeio isso porque amo esse trabalho e amo esses caras da força-tarefa, mas entendo a posição infernal que está. O que é esse novo trabalho e esqueça-o se me disser que está me enfurnando num escritório.

Ele se inclinou e agarrou Jessie forte, a abraçando. Ela o abraçou de volta e desejou que pudesse respirar. Ela balançou os braços e ele finalmente a soltou. Endireitou-se, enxugando as lágrimas. Sorriu para ela e isso fez valer a pena perder seu emprego e quase ficar azul por falta de oxigênio.

— Tenho um emprego na ONE de Homeland, Jessie. Que tal como prêmio de consolação por perder seu trabalho na força-tarefa? Vai estar trabalhando diretamente com a organização das Novas Espécies, mas num local mais seguro. — Ele sorriu. — Justice North voou até aqui para se certificar que estava bem e ofereceu o trabalho ele mesmo!

Choque rasgou Jessie.

— Justice esteve aqui? — Sua cabeça virou, procurando por ele.

— Recebeu uma chamada de emergência sobre a mulher que salvou na noite passada. Ele teve que sair, mas disse que podia começar a qualquer momento que estiver pronta. Sabia que ia querer voltar imediatamente ao trabalho. — Ele riu. — Conheço minha menina e você quer o trabalho, então espero que não se importe, mas mandei alguém para seu apartamento. Ele está fazendo suas malas enquanto falamos, apenas seus pertences serão enviados e todos os seus móveis serão armazenados. Os caras que pedi para embalar suas coisas vão enviar tudo para lá. Pode levar alguns dias, mas chegará bem rápido.

— Obrigada. Esse foi uma grande ideia. — Forçou um sorriso para esconder sua surpresa com as mudanças drásticas em sua vida. — Sabe que quero o trabalho. — Justice veio e foi, mas não a tinha visto. Ela mascarou as emoções de seu pai, com medo que confundisse a tristeza que sentia, sabendo que Justice veio, mas não ficou tempo suficiente para vê-la. Sentiu um pouco de raiva também, mas a deixou ir.

Ele voou desde a Califórnia para vir ao hospital. Isso tinha que significar alguma coisa, certo? Podia ter ficado e dizer: Olá. Talvez se certificar que eu estava bem. Ela suspirou.

— E minha fêmea-presente? Qual foi a emergência?

— Não sei, mas quando começar na ONE de Homeland, tenho certeza que vai descobrir. Ele ordenou que ela se mudasse para lá e disse que seria seu primeiro trabalho.

Jessie ponderou sobre isso. Justice podia estar zangado por ela partir, uma razão para que ele não tivesse ficado. Ela estava dividida. Era trabalho e teve que sair. Ele devia entender isso. Bem, para ser justa, ela pensou, ele teve que sair para o trabalho também.

— Gostaria de dizer adeus à minha equipe.

— Faça isso. Estão na sala de espera. Tenho um carro esperando para nos levar ao aeroporto. Vamos parar e comprar algumas roupas para durar alguns dias no caminho. — Ele olhou para o moletom. — Sei que odeia isso, mas era tudo que tinha, a menos que quisesse um vestido de verão com estampa de flor laranja brilhante.

Ela fez uma careta. O senador riu.

— Eu sei. Não vejo você num vestido desde que terminou o ensino médio e teve que usar um. Usava calça jeans e um top por baixo, se bem me lembro.

Ela sorriu.

— Não era um top. Era um sutiã esportivo.

Ele estendeu a mão e segurou seu rosto.

— Essa é minha garota. Sempre tem que ser diferente.

A imagem de Justice passou pela sua cabeça e se perguntou se talvez fosse parte da razão pela qual estava tão atraída por ele. Gostava do diferente e gostava muito dele. Só queria que tivesse ficado para vê-la.

 

Jessie estava nervosa quando saiu da cabine e ergueu a bolsa de ginástica em seu ombro. A visão de manifestantes que marchavam perto do portão a irritou instantaneamente. Será que não tinham vida? Algo melhor para fazer que perseguir um grupo de pessoas que nunca fizeram nada para eles? Jessie parou ao lado da janela da cabine e entregou ao motorista vinte e três dólares.

— Guarde o troco.

— Obrigado. — Ele deu ré no veículo.

Seu olhar estudou os homens e mulheres quando ela se dirigiu para as portas. A ONE de Homeland era a casa principal das Novas Espécies e também tinham uma enorme área arborizada que compraram e chamaram de Reserva. Ela esteve aqui antes, mas nunca teve que atravessar os portões da frente. Vinha num helicóptero, trazendo fêmeas, que eram prontamente levadas, sem nunca passar da área do heliporto. Agora, ia viver e trabalhar dentro de Homeland. Dizia-se que Justice morava lá em tempo integral e isso significava que provavelmente o veria algumas vezes.

— O que está fazendo aqui? — Era um cara de quarenta e poucos anos, que saiu da linha segurando um cartaz que dizia "Abominações não serão toleradas, adoramos o Senhor." Jessie parou, levantou a cabeça e deu-lhe mais uma vez um olhar crítico.

— O que você está fazendo aqui?

Ele franziu a testa.

— Estou usando meu direito como americano de expressar minha opinião.

Ela encolheu os ombros.

— Estou aqui porque meu traseiro americano quer. — Ela avançou mais 1,5m antes do idiota se mover, pulando no seu caminho. Ela parou, seu corpo ficou tenso e o avaliou como uma ameaça potencial. Ele tinha cerca de cinco centímetros a mais que ela e não estava em boa forma com sua barriga de cerveja e braços flácidos. Ele olhou para a bolsa com os olhos apertados.

— Vai ficar aqui?

— Você é muito inteligente. Sim. É por isso que tenho uma sacola comigo.

Ele franziu o cenho, parecendo mais irritado.

— Não pode ir lá. É um covil do mal.

Jessie sorriu com frieza.

Isso pareceu deixar mais louco o estranho.

— Duvida de mim? Tenho a palavra do Senhor ao meu lado. Ele me disse para vir aqui e que eles saibam que não são bem-vindos na América. Somos um país amante de Deus. Laurann Dohner Justice

Jessie amava caras como este. Estava ganhando seu dia, quando ela riu.

— Uau! Deus fala com você? Isso é ótimo. Pode dizer-lhe que eu gostaria da paz mundial e Elvis de volta? Sonho com ele se juntando com alguma banda de metal legal. Poderiam fazer alguma música incrível juntos.

O homem ficou de boca aberta, mas finalmente fechou a boca. Seus olhos se arregalaram, enquanto o rosto ficava vermelho.

— Zomba de mim? Zomba de Deus?

— Não. Nunca zombaria de Deus. O que zombo é que você é um idiota que não parece saber disso. Em vez de perder seu tempo aqui, deveria estar resolvendo sua própria vida. Pergunto-me o que Deus tem a dizer sobre julgar os outros? Lembra-se disso? Eu lembro, da escola bíblica. Nunca vi um adesivo que diz que Jesus ou Deus ama você, a menos que... preencha os espaços em branco. Comece uma vida e perceba que, se Deus realmente fala com você, ele tem coisas melhores para dizer e fazer do que perder tempo irritando pessoas boas. Ele fala sobre amor e aceitação, não estupidez e ódio. — Sua atenção se voltou para seu cartaz e depois para ele. — Pode querer tomar algumas aulas já que não parece saber que vírgula deve vir num período. Pode aprender algo como compaixão também enquanto está nisso. Sei que é bom caminhar e tomar ar fresco, mas faça-o num parque, não perturbando pessoas boas que estão tentando melhorar suas vidas. Deve tentar isso algum dia. Pode fazer de você um ser humano decente. Atualmente está fazendo um trabalho de merda aqui.

Jessie se moveu ao redor dele. Ele estava chateado, ofegante e chocado. Jessie avistou dois sorridentes policiais Espécies de onde guardavam a entrada do portão. Estava claro que ouviram cada palavra. Ela manteve as mãos onde pudessem vê-las e tentou parecer ameaçadora enquanto se aproximava. Eles permaneceram do outro lado das portas e estavam fortemente armados.

— Olá. Sou Jessie Dupree. Vou estendeu minha mão para meu bolso da frente e puxar a carteira de motorista lentamente.

Um deles deu permissão. Ela tirou sua licença e a entregou através das grades.

— Justice North falou com o senador Jacob Hills esta manhã e me ofereceu um emprego em Homeland. Não era esperada tão cedo, mas aqui estou eu. — Um deles entregou de volta sua licença. Ele hesitou antes de alcançar algo na parede, fora de sua vista. Pegou uma prancheta e passou o dedo por ela. — Deixe-a entrar. Está na lista.

O segundo oficial destrancou o portão. Jessie entrou, parou e viu a porta trancar atrás dela. O primeiro oficial deu um sorriso educado e indicou que deveria segui-lo. Jessie deu aos manifestantes um aceno antes de sair da vista. As paredes ao redor de Homeland tinham nove metros de altura e corredores acima de onde mais oficiais Espécies patrulhavam.

— É um procedimento padrão verificar sua sacola. Todo mundo tem que ser revistado. Também temos que revistar você. Peço desculpas, mas devido às graves ameaças contra a ONE é necessário. Posso chamar uma policial feminina para te revistar se ficar desconfortável comigo tocando você. Posso ter uma aqui em menos de dez minutos. Temos algumas garrafas de água e refrigerantes Laurann Dohner Justice disponíveis para que possa confortavelmente esperar. Entretanto, temos que revistar sua sacola agora. Precisamos ter certeza que não existem quaisquer armas ou bombas nela.

— Entendo. Costumo carregar uma arma, tenho licença, mas não a trago comigo. Sei que não é bom aqui, então a deixei com minha equipe.

O homem piscou.

— Equipe?

— Trabalhei com o Grupo de Trabalho de Recuperação Humano à ONE até esta manhã.

Ele sorriu.

— Não sabia que tinham nenhuma fêmea.

— Eu era a única. — Ela virou o rosto para a parede e abriu as pernas. — Vá em frente e me reviste.

O homem foi eficiente e não fez Jessie querer socá-lo. Suas mãos correram sobre seus seios, mas não pararam, apertaram ou apalparam. Ele se agachou e começou em seus tornozelos e passou as mãos por todo o caminho até em cima. Usou as costas de sua mão para ter certeza que ela não tinha uma arma dentro de sua calcinha. Ele se levantou e voltou. Jessie se virou e olhou para ele.

— Obrigado. Notificamos o escritório da sua chegada e estão enviando um jipe para você, Srta. Dupree.

— É apenas Jessie. Obrigada.

Ele sorriu.

— Sou Flame e meu parceiro lá olhando para os manifestantes é Slash. Obrigado pela diversão quando falou com o homem lá fora. Ele gosta de zombar de nós.

— O prazer foi meu. Quando ele começar de novo é só cantar Elvis e aposto que ele vai calar a boca. — Ela piscou. — É a melhor maneira de lidar com eles. Ficará totalmente irritado, vai saber que é um insulto, mas não vai soar assim para ninguém mais, exceto ele.

O policial riu.

— Vou me lembrar disso e passar para os outros.

— É justo que revide. Tenho certeza que tem passado um inferno aqui. Posso fazer uma pergunta pessoal?

Ele deu de ombros.

— Claro.

— Por que escolheu Flame para seu nome? Poderia entender se tivesse cabelo vermelho, mas o seu só tem reflexos vermelhos.

Ele sorriu.

— Adoro assistir um fogo queimando e muitas vezes passava minhas noites sentado na frente de uma fogueira. O cheiro de lenha é agradável, as chamas são belas e tão animadas.

— Sempre gosto de perguntar. Tem sorte por escolher seus nomes. Fiquei presa com Jessica Marlee Dupree. — Ela balançou a cabeça. — Meus pais disseram que era bonito. Acho que estavam fumando drogas para rimar dois dos meus nomes. Laurann Dohner Justice

Ele riu.

— É por isso que insisto em ser chamada de Jessie. Ouço alguém me chamar pelo meu nome completo e apenas me encolho. Parece que eu deveria estar cantando velhas músicas country ou algo assim. Você tem significado para seu nome.

— Você é uma alegria para estar ao redor. — Ele sorriu. — Seus pais fizeram a coisa certa.

— Obrigada.

— Realmente vai trabalhar aqui?

— Sim. Não sei o que vou fazer, mas fui despedida da equipa esta manhã. Fui enviad para cá.

Seu sorriso escorregou.

— Quer dizer demitida? Por que a demitiram?

— Levei um tiro. Foi só um arranhão, realmente. Matei três idiotas também, mas eles mereceram. É uma longa história. Foi um bom tiro, mas meu pai é o senador Jacob Hills, e o apavorei. Ele me despediu para se certificar que não estou mais em perigo, ou me coloque numa situação que poderia ter que matar idiotas. — Ela sorriu para suavizar suas palavras. — Acho que ele pensou que estaria mais segura aqui. — Ela estudou as paredes altas e os oficiais Espécies armados patrulhando acima com armas de grande porte. — Posso ver que este lugar é muito seguro.

Flame sorriu.

— Onde levou um tiro?

Ela se virou para mostrar as costas e estendeu a mão em seu cabelo. Em segundos o separou para revelar uma área raspada com cerca de dois centímetros de comprimento e uma polegada de largura coberta com uma bandagem. —Foi só um arranhão. A bala levou algum couro cabeludo, mas, ... — ela soltou o cabelo e se virou para ele. — Lembre-se de sempre usar o colete no plantão. — Ela olhou para ele. — Levei duas rodadas nas costas de um atirador. — Ela apontou para seu colete. —Eles funcionam bem. Tudo que tenho são algumas contusões.

— Surpreendente. — Ele sorriu. — Tem amigos aqui? Trabalhando com a força-tarefa deve ter feito algum.

— Não. Conheci algumas pessoas, mas ninguém que passasse muito tempo. — Exceto Justice. Não o mencionou em voz alta contudo.

— Por que não me liga quando se acomodar? Temos um bar aqui. Adoraria pagar uma cerveja e apresentá-la a todos. Acho que vai fazer um monte de amigos. É muito engraçada.

— Eu gostaria disso. Nunca se tem bastantes amigos.

— Temos uma lista telefônica. Estou listado. Só chamar Flame. Não tenho sobrenome. Não tive razão para escolher um. — Um Jeep conduzido por uma mulher Espécie se aproximou dos portões. Era uma mulher grande, obviamente um protótipo experimental e não uma fêmea-presente. Jessie não tinha muita experiência com as fêmeas, exceto com as que passou algum tempo na Reserva. Gostava muito de Breeze.

— É sua carona. Espero que goste de viver e trabalhar aqui, Jessie. Foi um prazer conhecê-la. Espero pagar uma cerveja em breve. Ligue para mim. — Flame acenou.

Ela agarrou sua bolsa de ginástica e acenou de volta.

— Foi um prazer conhecê-lo também. Vou ligar sobre a cerveja. — Ela foi para o jipe.

A grande fêmea Espécie fez uma careta.

— Humana, venha comigo.

— Olá. Sou Jessie. Você é minha carona?

— Sim. — Ela não parecia feliz. — Sou Midnight. Por favor, suba. — Jessie jogou a bolsa de ginástica no banco detrás e sentou no banco de passageiro. Não colocou seu cinto. Não existiam leis de cinto de segurança nas propriedades Novas Espécies. Não tinham muito tráfego ou problemas de excesso de velocidade. Ela viu principalmente carrinhos de golfe estacionados ao longo da maioria dos estacionamentos. A motorista virou o jipe e olhou para Jessie novamente, obviamente, não feliz por ser atribuída para levá-la a qualquer lugar.

— Não gosta de humanos em geral ou é só comigo? — Jessie manteve o sorriso no lugar.

— Não quero ser rude. — Ela olhou para Jessie com uma aparência mais suave. — Não estou acostumada a lidar com seu tipo e minhas experiências não foram boas.

— Sei. Bem, sou uma espertinha total, mas estou sempre bem com as pessoas, a menos que não sejam bons para mim primeiro. Não acho que está sendo rude. Só gostaria que me desse uma chance antes de decidir não gostar de mim. Tenho a mente aberta sobre você.

Midnight sorriu.

— Estou vendo.

Jessie teve que aprender a quebrar o gelo por toda a sua vida. Como filha de uma figura pública teve que lidar com um monte de desconhecidos em diferentes tipos de cenários. Podia ser mais aberta e franca com Novas Espécies do que com os humanos e gostava disso. Espécies não jogavam ou mentiam facilmente. Eram diretos.

— Então, é você quem vai me dizer onde trabalho, o que faço, onde vou dormir e quando começo? Estou meio no escuro, exceto que tenho um trabalho e vou viver aqui.

Midnight mostrou seu olhar azul para Jessie.

— Supostamente só fui buscá-la e levá-la para um dos chalés. Disseram-me para mostrar a casa, esperar até que esteja pronto e, em seguida, levá-la para o Centro Médico. Não sei de mais nada.

Essas pessoas precisavam de ajuda com seu programa de orientação de trabalho, Jessie decidiu.

— É justo. Será que tenho que viver com alguém ou terei meu próprio quarto?

— Vai ter sua própria casa de campo. Não compartilhamos espaço, a menos que a gente viva no dormitório das mulheres, mas todos temos nossos próprios apartamentos. Partilhamos apenas algumas áreas comuns. São apenas para as Novas Espécies, e aos humanos e visitantes são atribuídas casas. São casas localizadas em áreas seguras e isoladas do resto da população em geral.

Jessie ficou em silêncio, se permitindo absorver a informação. Dentro de áreas seguras e isoladas da população em geral soava bastante sombrio. Midnight não era conversadora e não pareceu se importar com o silêncio que se estendeu entre elas. Jessie olhou ao redor.

Havia muitos prédios sem nomes, mas não tinha mapas para identificá-los. Percebeu que não via quaisquer números em nada, em qualquer coisa. Encolheu os ombros. Deixaram os edifícios e se dirigiram através de um grande parque. Havia toneladas de árvores e um lago obviamente artificial.

— Isso é muito bonito.

Midnight olhou para a água.

— Gosto mais da Reserva. Eles têm um lago muito grande e é muito bonito. Faz quatro semanas que estive lá e quero voltar.

— O que faz lá? É melhor que dirigir os novos funcionários ao redor? — Ela quis dizer isso como uma piada.

— Slade cuida da Reserva, e pediu ajuda das fêmeas enquanto a construção está sendo feita lá. Precisava de ajuda com a segurança, então 20 de nós fomos para lá. Depois que tudo terminou nos trouxeram de volta para cá. Sentimos falta. Isso é bom, mas a Reserva é melhor. Agora vamos negociar turnos para que eu vá por um mês, mas depois vamos nos mudar. Funciona bem e dessa maneira nossas fêmeas serão divididas igualmente entre os dois locais.

— Ser dividida igualmente é importante?

Midnight hesitou.

— Somos muito menos que os homens e eles são protetores conosco. Se algo ruim acontecer num lugar, eles querem ter certeza que nem todas serão mortas. — Ela fez uma pausa. — Recebemos ameaças o tempo todo por seu tipo, de nos explodir e caçar como animais. Faz com que os homens se preocupem conosco e vão dividir nosso número de maneira uniforme.

— Entendo. Os humanos podem ser muito ruins, não podem? — Midnight lançou-lhe um olhar surpreso.

— Conheço as falhas do meu povo. — Jessie deu de ombros. — Alguns de nós são bons, enquanto outros merecem uma bala na cabeça.

A mulher sorriu, mas a Espécie tentou esconder, virando a cabeça para frente para ver a estrada.

— Também estamos aqui porque Justice e o Conselho decidiram que devemos cuidar de todos no nosso povo. Algumas de nossas mulheres não viviam aqui até recentemente, e precisam das mais fortes fêmeas para cuidar delas.

Jessie se moveu em seu assento.

— Quer dizer as fêmeas-presente?

Midnight de repente olhou desconfiada para Jessie, e ela franziu a testa.

— O que sabe sobre elas?

— Na verdade, muito. Até esta manhã fazia parte da equipe que as recuperava e devolvia para serem ajudadas por seu povo.

A mulher pisou duro no freio. Jessie quase bateu no painel do carro. A mulher se virou inteira em seu lugar para enfrentar Jessie, estudando seu cabelo.

— É você! Você é Jessie! — Um sorriso irrompeu no rosto de Midnight. — Tiny e Halfpint conversam sobre você o tempo todo! Todos o fazem, mas, sobretudo as duas.

Jessie se recuperou de quase ser um inseto no interior do para-brisa e empurrou a bunda atrás contra o assento.

— Tiny e Halfpint estão aqui? Sério? O que aconteceu com o retiro de mulheres que estavam vivendo?

— Oh, não as enviamos mais para lá. Tornou-se muito perigoso. Não queremos aquelas bonitas mulheres humanas ou nossas fêmeas feridas. Estavam recebendo ameaças de morte por abrigar Espécies. — Midnight ainda sorria. — Espere até que eu diga a elas que está aqui. Adoram você. Sempre que estão se sentindo assustadas e com medo, pensam em você. É pequena como elas, mas disseram que é feroz. — Midnight olhou para Jessie e seu sorriso escorregou. — Não parece feroz. Parece pequena e meio fraca.

Jessie riu.

— Sou mais forte e mais resistente do que pareço.

Midnight não parecia convencida.

— Vou levá-la para a casa e ao Centro Médico. Vou dizer às fêmeas que salvou que está aqui. Podem querer assar algo. Estão aprendendo e estamos orgulhosas de suas habilidades. — Midnight levantou a bota do freio e acelerou. — Não fira seus sentimentos. — Soou ameaçadora.

Jessie se recostou contra seu assento.

— Não sonharia com isso. Amo assados e adoraria vê-las.

Cerca de duas dezenas de casas realmente bonitas estavam situadas do outro lado do lago. Eram todas de diferentes cores. Jessie esperava ter uma com essa vista. Eram maiores do que pensava que seriam quando ouviu a palavra casa. Realmente não se assemelhavam a casas, mas deu de ombros também. As casas que viu deviam ter cerca de 500 m². Midnight não desacelerou o Jeep quando passaram pelo portão principal das casas.

— Não eram esses os chalés? — Jessie olhou atrás.

— Sim. Disseram-me para levá-la para as outras casas.

— Há mais?

— Essa é a área onde humanos trabalham ou visitam Homeland. Você foi atribuída ao lado das Novas Espécies.

Jessie franziu a testa, voltando a olhar para Midnight.

— Lado das Novas Espécies, tipo apenas Novas Espécies vivem lá?

— Sim. Não sei por quê. Perguntei, mas fui informada para fazê-lo. Então faço. — Chegaram a outro condomínio fechado. Uma guarita com um oficial Espécie em seu uniforme preto esperava. Midnight apertou os freios.

— Esta é a fêmea humana? — O homem olhou para Jessie com curiosidade.

— Sim. — Midnight anunciou. — É ela.

O oficial sorriu.

— Bem-vinda. Sua casa foi preparada e me disseram para dizer que se precisar de alguma coisa é só falar, Sra. Dupree. Ou então a quem estiver aqui de plantão. Alguém sempre estará nos portões. É

só apertar o botão no interior da porta de sua casa para chegar até nós. É claramente identificado. Vai nos deixar saber que precisa de ajuda. — Seu olhar se voltou para Midnight. — É a cor-de-rosa depois da azul escuro. É a mais alta no topo da colina. — Ele apontou.

— Obrigada. — Jessie forçou um sorriso. Por que me colocaram aqui?

O policial abriu o portão eletrônico e ele balançou se abrindo. Midnight passou. Jessie olhou para as casas por onde passavam. Eram semelhantes às casas por onde passaram, e em que todos os humanos viviam. Eram bonitas, casas novas, mas pareciam um pouco maiores que as dos humanos. A comunidade era construída sobre uma colina com vista para Homeland.

Midnight dirigiu até a rua no topo onde uma excepcionalmente grande casa azul escuro ficava longe de todas as outras casas, mas uma cor-de-rosa, um pouco menor ficava ao lado. Um grande quintal estava localizado de cada lado das duas casas, as distanciando das outras da rua.

— É esta. — Midnight apontou. — É grande para uma pessoa.

— Sim. — Jessie estava em choque. — Esperava apenas ser atribuída a um quarto.

Midnight estacionou na garagem e saiu. Jessie saiu mais lentamente. Alcançou a parte de trás e agarrou sua bolsa de ginástica, depois seguiu Midnight até a porta da frente. A chave foi deixada na fechadura. Midnight a pegou e entregou a Jessie.

— Sua. — Midnight empurrou a porta e a abriu.

Jessie entrou. A sala de estar tinha bom tamanho, totalmente mobiliada e uma lareira de pedra cinza. Era charmosa e a adorou. Deixou cair o saco antes de se virar para Midnight novamente.

— Vamos para o Centro Médico.

— Não vai explorar?

— Não. Vou fazer isso mais tarde. Estou morrendo de vontade de saber o que faço agora.

Midnight piscou.

— Tudo bem.

Jessie trancou a porta e guardou a chave. Seguiu Midnight até o jipe. O policial parou na porta delas com uma expressão profunda.

— Há algo de errado?

Midnight deu de ombros.

— Ela disse que vai olhar mais tarde. Quer ir para o trabalho.

Ele estendeu a mão e digitou um código para abrir o portão elétrico.

— Tenha um bom dia.

O Centro Médico estava localizado perto das portas dianteiras. Era um prédio de um andar com uma frente de vidro. Parecia deserto quando Midnight estacionou o jipe no meio-fio. Não havia ninguém na rua também. Jessie saiu.

— Este é o lugar onde eu saio. — Midnight deu um aceno de cabeça. — Aproveite seu trabalho, seja qual for.

— Obrigada. — Jessie hesitou. — Como faço para chegar em casa mais tarde? — Midnight encolheu os ombros. — Não sei. Ninguém me disse para buscá-la.

Ela se despediu e foi embora.

Jessie enfiou as mãos dentro dos bolsos traseiros das calças de brim e viu Midnight desaparecer no jipe virando a esquina. Suspirou. Até agora, isso devia ser um de seus mais estranhos dias. Virou-se, estudando o Centro Médico e abriu as portas de vidro.

Dentro havia cadeiras contra a janela, um longo balcão e atrás do balcão estavam mesas de exame. Estavam abertas para qualquer um ver. As sobrancelhas de Jessie se levantaram. Olhou em torno do quarto, mas não viu ninguém. Avistou portas e corredores sobre o outro lado do balcão.

— Olá! — Jessie não exatamente gritou, mas sabia que alguém devia ouvi-la.

— Venha. — gritou um homem no corredor. Ele parou e olhou para ela.

— Deve ser a Srta. Dupree. Sou Paul, o enfermeiro aqui. O Doutor Ted Treadmont está nos fundos com Bela. Estamos tão felizes que esteja aqui. Odiamos prendê-la, mas estava muito traumatizada pela noite passada. Queremos acordá-la e deixá-la te ver. Pensamos que poderia acalmá-la te ver ao seu lado. Quando acordou esta manhã depois que as drogas passarem, não parava de gritar. Tivemos que sedá-la de novo.

Jessie rodeou o balcão.

— Vou fazer o que posso.

— Obrigado. Ficamos aliviados ao ouvir que estava vindo. Trisha, uh, a Doutora Norbit, está de férias e incapaz de voltar para nos ajudar. Pensamos que uma mulher ajudaria. Consideramos trazer outras Novas Espécies para sentar com ela, mas não queríamos chocá-la mais. A maioria era jovem demais para lembrar muito e quando vissem seu próprio tipo ficariam assustadas. Algumas não parecem diferentes de nós. Só viram humanos, de modo que ver uma Espécie as assusta.

Jessie piscou.

— Nunca pensei nisso. Ainda tenho que encontrar uma mulher que tivesse um espelho em qualquer prisão que esteve confinada.

— É. É um processo de aprendizagem. Vou ficar feliz quando Trisha voltar. Precisaram dela na Reserva há alguns meses.

Paul a levou por um corredor. A última cama no canto era de Bela. Jessie estudou o homem mais velho de cabelos brancos que estava sentado numa cadeira com um laptop em seu colo. Usava óculos e sorriu para Jessie.

— Deve ser a Srta. Dupree. Muito obrigado por ter vindo. Fui informado do que aconteceu na noite passada. — Seu sorriso morreu. — Está tonta? Experimentando náuseas? Dores de cabeça?

— Estou bem. — O foco dela deslizou para Bela.

Jessie percebeu que banharam a frágil fêmea. Seu cabelo estava agora de um belo marrom brilhante. Caía longo, fluindo sobre os ombros e ela parecia pacífica em seu sono. A roupa de cama desta vez estava limpa e ela usava uma camisola com um bonito florido.

Jessie estremeceu pelo tecido. Era bonita no estilo "eu tenho 80 anos de idade e é legal querer se parecer com uma floricultura", mas a última coisa que Bela precisava era se preocupar com senso de moda.

Jessie avançou.

— Pensei que o ferimento fosse pior.

— A maior parte era terra. — Paul balançou a cabeça.

— Ouvi dizer que estava realmente muito mal quando chegou. — Jessie deu-lhe um olhar penetrante. — Você não a limpou? — Ela olhou para o médico, decidindo que parecia um pouco frágil para lidar com esse tipo de trabalho.

— Algumas mulheres do dormitório vieram. — Paul hesitou. — Os homens não estão autorizados a tocar numa delas sem roupa, a menos que seja caso de vida ou morte. Acho que estão com medo. — Ele limpou a garganta. — Você sabe. — Ele sacudiu a cabeça. — Vê a câmera? Instalaram-na para vê-la.

— Estão preocupados que um de vocês vá molestá-la? — Jessie virou, viu a câmera e deu um aceno. Ela virou de costas para ele. — Pode culpá-los? Tenho certeza que são confiáveis, mas essas mulheres já passaram pelo pior abuso.

Paul acenou com a cabeça.

— Disseram que a maior parte era sujeira.

— Ela está bem de saúde, apesar da dieta extremamente pobre e alguns abusos que sofreu. — O Doutor Treadmont suspirou. — Me permitiram a examinar com quatro de suas mulheres presentes. — Ele encontrou os olhos de Jessie. — Foi muito abusada durante anos. Também estava morrendo de fome.

Ela entendeu o que não estava dizendo em voz alta.

— Não encontrei uma ainda que não fosse abusada ou morresse de fome. — Ela se aproximou da cama e levantou a mão de Bela para segurá-la. Parecia delicada e pequena dentro de seu aperto suave. — Sabe qual o meu trabalho exatamente? — Ela olhou para o médico.

Ele deu de ombros.

— Que trabalho? Disseram-me que estava aqui para falar com ela quando acordar. — O homem olhou para o relógio. — O que deve ser em breve. — Ele levantou. — Estarei em meu escritório. Um de nós deve ficar com ela em todos os momentos. — O olhar de Paul encontrou o de Jessie. — Basta dar um grito se precisar de ajuda.

Ele puxou a cadeira vaga para a cama, assim Jessie poderia sentar e ainda segurar a mão de Bela.

— Disseram que é melhor se os homens não estiverem por perto quando falar com ela. Boa sorte.

— Espere. Sabe o que o meu trabalho?

Ele hesitou.

— Só ficar aqui para ela. Quando falar com ela e acalmá-la, sei que vão querer que a apresente a algumas das fêmeas. Só precisam que ela não tenha medo delas. Quando estiver mais estável clinicamente será movida para o dormitório das mulheres.

Grande.

— Então vai chamar alguém para deixá-los saber quando estará pronta para ser apresentada a algumas das mulheres?

Ele apontou para a câmera.

— Tem som e estão monitorando. Fale com a câmera e saberão o que você precisa. — Ele fugiu.

Jessie estudou Bela de perto. Parecia jovem, mas em geral eram mais velhas do que pareciam. Achava que a mulher tinha, provavelmente, vinte e tantos anos. Normalmente, tinha tempo para estudar o perfil dos sequestradores machos envolvidos e saber que tipo de monstro vitimava as mulheres, mas não desta vez. Perguntou-se que tipo de monstro trancou Bela. Estava cega nisso. O que mais importava era Bela passar pelo choque de sua mudança drástica de vida.

Beuaty se agitou e Jessie levantou, segurando a mão da mulher um pouco mais apertado. Olhos castanhos se abriram e Jessie sorriu.

— Oi, Bela. É Jessie. Lembra-se de mim? Estou bem. Como está indo?

O medo foi instantâneo. A mulher ficou tensa e agarrou a mão de Jessie forte. Olhou para Jessie com olhos arregalados, alarmados, antes de parecer se acalmar.

— Pensei que tinha morrido.

— Não. Só tive um ferimento na cabeça. Estou bem. Como está se sentindo?

A mulher hesitou.

— Estou com medo.

Jessie continuou falando com ela, a acalmando, até que o medo da mulher aliviou. Descobriu que Bela ficou com seu captor por um longo tempo. Não conseguia lembrar-se da instalação de teste e não tinha ideia do que era.

Jessie precisava explicar para ela, mas não sabia por onde começar. Não queria contar todos os horrores sobre as Indústrias Mercile e o que fizeram.

Essa era uma história para outra ocasião, quando a mulher estivesse mais forte. Em vez disso gentilmente explicou que havia algumas diferenças físicas entre elas e, em seguida, começou a contar que pessoas como Bela queriam conhecê-la.

— Lembra-se do que eu disse na noite passada? Que iam levá-la para a casa de sua família e estaria a salvo? Bem, você está aqui. — Jessie lançou um olhar para a câmera. — Quero que conheça algumas delas. Algumas mulheres realmente bonitas como você. Virão em breve para conhecer você. — Ela voltou sua atenção para a mulher na cama.

Bela parecia com medo de novo e Jessie tentou acalmá-la.

— Não vão te machucar. Estava com medo de mim quando nos conhecemos, mas não está mais, não é?

— Não. Você é boa.

Jessie sorriu.

— Elas também. Estavam procurando por você. — Jessie ouviu um som suave e virou a cabeça na direção da porta. Sorriu para Halfpint, percebendo que provavelmente estavam esperando no corredor.

Jessie acenou e estudou Bela.

— Esta é Halfpint. Ela era como você, Bela. Ficou presa e machucada. — A voz de Jessie suavizou. — Ela é muito legal e sabe como está se sentindo agora. Esteve onde você está. — Bela olhou para a mulher baixa que timidamente entrou no quarto do hospital e ofegou. Halfpint levantou um pé para voltar atrás, mas Jessie fez um gesto para que ficasse. Bela soltou a mão de Jessie e levou ambas as mãos para seu próprio rosto. Jessie compreendeu.

— Halfpint não é bonita? Assim como você. — Jessie disse suavemente. — Eu disse que você tinha família aqui.

Bela encarou Jessie começando a compreender.

— Sou parecida com ela e não com você?

— Sim. É muito mais bonita do que eu poderia ser. Eu a invejo. Adoraria ter suas maçãs do rosto e olhos bonitos.

Bela sorriu.

— Sério?

— Sim. Porque acha que te chamei de Bela? É linda.

Bela olhou timidamente para Halfpint.

— Você é como eu? Ficou presa também por pessoas, quero dizer?

Halfpint piscou para conter as lágrimas.

— Sim, fiquei. Jessie me achou e me trouxe para casa. Estou livre há um tempo e estou tão feliz aqui. Posso tocar em você? Gostaria de te abraçar.

O olhar de Bela voou para Jessie. Jessie assentiu enquanto recuou e trocou de lugar com Halfpint. Em minutos, as mulheres estavam se abraçando e conversando. Jessie finalmente saiu da sala e viu Tiny escondida no corredor.

— Jessie!

Jessie a abraçou com força. Tiny era outra mulher que salvou que parecia cem por cento saudável e feliz nestes dias.

 

Justice voltou seu foco para longe da câmara e encontrou Tiger de pé atrás dele sorrindo.

— Gosto da humana. É muito boa com nossa espécie.

— Sim — concordou Justice suavemente. — Jessie é.

O sorriso de Tiger desapareceu.

— Tem certeza que quer que ela viva em nossa área? Nunca tivemos um humano morando lá.

— Jurei a seu pai que ficaria de olho nela e que estaria segura. Não pode estar mais protegida do que vivendo onde está.

Tiger não parecia emocionado.

— Estou feliz por viver algumas casas abaixo dela. Espero que não tenha nenhum hábito estranho.

Justice estudou seu amigo.

— Que tipo de hábitos?

— Não sei. Talvez cozinhe comida malcheirosa ou pior, pode ouvir música alta que odeio.

Justice olhou para a tela de segurança. Jessie permanecia fora do alcance da câmera, agora que deixou o quarto que Bela estava sendo mantida, mas realmente queria que ela voltasse. Desejava olhar para ela, ouvir sua voz, e queria vê-la pessoalmente.

— Envie alguém para buscá-la e levá-la para casa. Ela teve um longo dia. Diga a ela para voltar ao Centro Médico pela manhã. Amanhã pode levar Bela para o dormitório se Ted autorizar. Providencie seu jantar. Não deve cozinhar hoje a noite, após as últimas doze horas que sofreu. Ela gosta de costela.

As sobrancelhas de Tiger se ergueram.

— Como sabe disso?

Justice interiormente estremeceu por revelar tanto.

— Apenas sei. Certifique-se que seja cuidada e bem alimentada. Tenho que fazer algumas chamadas. O governador está exigindo que vá a um evento de caridade no próximo mês e vou aceitar. É pelos direitos dos animais e seria má publicidade recusar, então se prepare para ficar aborrecido.

— Merda. — Tiger gemeu. — Leve Brass.

— Ele vai, mas quero você lá. — Humor curvou os lábios de Justice. — Se tenho que sofrer, você também. A esposa do governador o achou especialmente encantador.

— Ela bateu no meu traseiro!

— Vê? Ela é amigável com as Espécies.

Justice riu, saiu do edifício de segurança de forma rápida e esperava limpar sua agenda o mais rápido possível. Jessie estava em Homeland e queria falar com ela.

 

Jessie fechou a porta e segurou a grande sacola de comida para viagem do refeitório da ONE. Ela não comeu durante todo o dia e o cheiro do jantar fez seu estômago gritar.

Acendeu as luzes para estudar a sala de estar, debatendo se comia ou explorava. Seu estômago roncou novamente resolvendo o debate.

O sofá era fofo e confortável quando se sentou, colocando a sacola sobre a mesa à sua frente e a abrindo. O cheiro de costela a fez gemer. Justice devia ter pedido isso por ela, uma vez que não perguntaram a ela o que queria. Pelo menos esperava que ele tivesse feito algo pensando nela. Por tudo que sabia, costela podia ser o especial do dia.

Chegou a passar mais tempo com Tiny e Halfpint novamente. Isso foi ótimo.

Sempre achou seu trabalho gratificante desde que entrou para a força-tarefa, mas reafirmava ainda mais ao ver as mudanças nas duas. Estavam assustadas, feridas, mulheres abusadas que eram apenas conchas quando foram resgatadas. Agora estavam seguras, indivíduos prósperos que encontraram a felicidade.

O refeitório enviou tudo, desde talheres até guardanapos e dois tipos de refrigerantes. Ela comeu — quase engolindo a comida — e saboreou cada mordida. Ignorou a televisão na sala, uma tela de plasma de grandes dimensões que pairava sobre uma lareira, e se espantou de como seus aposentos eram bons. Era uma casa grande, totalmente mobiliada e nova.

Sua atenção finalmente se estabeleceu na sacola que trouxe e sabia que tinha que desempacotar. Queria suas roupas de casa, mas teve que se contentar com as que seu pai comprou numa grande loja de varejo. Ele tentou encontrar lojas sofisticadas, mas Jessie recusou.

Seu pai podia ser pior que suas amigas quando escolhia roupas.

Não podia apenas sentar em silêncio enquanto fazia compras, mas tinha que fazer comentários, especialmente quando não concordava com suas escolhas.

Agarrou a alça da sacola, levantou e caminhou pelo corredor. O primeiro quarto era genérico, agradável. Moveu-se para o segundo. Era um quarto grande, master, e ela sorriu.

— Posso me acostumar com isso — ela murmurou. Levantou as sobrancelhas pela altura da cama king-size. — Provavelmente vou precisar de uma escada para subir nisso. — O quarto tinha um armário de nove gavetas enormes e uma TV de tela plana assentada sobre elas. Era provavelmente uma TV de 40 polegadas. Legal. Ela sorriu. Dois criados mudos completavam o mobiliário. Se afastou, viu um closet abrindo para uma porta escura.

O banheiro era enorme. Espantou-se com a banheira Jacuzzi ocupando um canto inteiro e deixou cair sua sacola. Não resistiu à tentação de entrar, sentar e rir. Quatro pessoas podiam caber na coisa. Tinha jatos e decidiu que tomaria um banho, em vez de um chuveiro.

— Preciso me despir primeiro. — Não queria se mover. Foi um dia muito longo e sua dor de cabeça ameaçava voltar enquanto sentia um ligeiro latejar nas têmporas.

Levantou a mão para tocar suavemente a parte de trás da cabeça, encontrou o curativo lá e suspirou alto. Sua vida mudou porque foi baleada. Seu trabalho com a força-tarefa era história. Tinha uma nova casa e ainda absolutamente nenhuma ideia do que esperar. O que precisava, percebeu, era, pelo menos, se familiarizar com seu entorno, começando com o resto da casa.

Jessie forçou seu corpo a ficar ereto, decidiu que era hora de explorar a casa e saiu da banheira. Havia uma bela cozinha e sala de jantar aberta perto da sala de estar. Abriu armários e gavetas, e descobriu que tudo, desde talheres a pratos, foram fornecidos. Um suspiro passou pelos lábios abertos quando abriu a geladeira para descobrir que foi abastecida com comida suficiente para alimentar uma família de oito pessoas, por uma semana, pelo menos. O freezer estava lotado com tudo — de sorvete a carne congelada.

 

Jessie limpou a sujeira do jantar rapidamente e tomou uma das pílulas para dor que seu médico prescreveu. Aquela banheira a chamava. Desempacotou e pegou um short largo e uma camisa de malha antes de retornar ao banheiro. Não demorou muito tempo para encher a grande banheira, se despir e afundar lentamente na excelência quente da jacuzzi borbulhante.

Os jatos contra suas costas eram celestiais e ela levantou os pés, os empurrando mais sobre os dois jatos opostos de onde estava sentada. A dor de cabeça lentamente desapareceu quando a inclinou suavemente na borda, com o corpo relaxado e soltou toda a tensão reprimida.

— Oh, nunca vou sair. — sussurrou em voz alta, seus olhos fechando. — Isto é que é vida.

 

Justice olhou para o relógio, impaciente para deixar o escritório, mas foi informado que uma situação precisava ser tratada. Esfregou a nuca e pensou em Jessie. Foi deixada em sua casa e teve tempo para se instalar. Queria vê-la mais do que qualquer coisa, inclusive resolver qualquer problema surgindo.

Bateram na porta, ele abriu imediatamente e Fury e Tiger entraram. Os machos pareciam estressados e irritados quando a porta fechou — prova ainda maior de seu mau-humor. Caíram nas cadeiras em frente a ele.

— O que está acontecendo? — Ele olhou para eles.

— O de sempre — Tiger murmurou. — Ameaças de morte acompanhadas com uma intimação para comparecer num tribunal.

Fury rosnou, um som horrível, e pura raiva escureceu seus recursos.

— O pai de Ellie está exigindo que ela compareça perante um juiz para avaliar sua capacidade mental.

Descrença agarrou Justice.

— O quê?

— Ela teve que cancelar a visita dele. Ele está com raiva e acredita que quero que ela se afaste da família.

— Audiência de Capacidade? Isso implica que acreditam que não está com a mente sã, correto? — A raiva cravou Justice. — Será que a está acusando de insanidade por amar você?

— Sim. — As mãos de Fury agarraram a cadeira com força suficiente para fazer a madeira gemer.

— Está carregando nosso filho e é óbvio o suficiente que com seu enjoo matutino ele ia perceber se ficasse conosco por alguns dias. E dizem que ela está sendo abusada por mim. Ela não deve ficar chateada, mas tenho que falar com ela sobre isso. Vai ficar com raiva e isso vai me deixar com raiva.

Tiger lançou um olhar e suas sobrancelhas se levantaram.

— Você? Com raiva? Inacreditável.

Justice sufocou um sorriso pela piada e relaxou.

— Não diga a ela, Fury. Não há necessidade.

— Ela precisa saber. Entregaram uma intimação no portão em seu nome e eu sempre compartilho tudo com ela.

— É sua companheira, vive em Homeland. Isso faz dela Espécie. — Justice se inclinou e cruzou os braços para descansá-los em sua mesa. — As leis não se aplicam a nós. Eles não têm jurisdição e não podem aplicá-la.

Esperança encheu o olhar preocupado de Fury.

— Tem certeza?

— Sim. Não perturbe sua companheira.

— É seu pai. Tenho certeza que pode mencionar isso quando falar com ele ao telefone.

— Está certo. A informe que não há nada que o mundo exterior possa fazer. Não podem entrar em Homeland e é uma tática para causar ansiedade. Vai terminar uma vez que seu pai se acalme. Diga-lhe essas coisas antes de dar a notícia sobre ele ser difícil.

— Queria que o mundo exterior nunca descobrisse sobre Ellie e eu. — Fury suavemente rosnou. — Causa tanto sofrimento. Todo mundo acredita que estou a machucando ou que não deve ficar comigo. Por que não nos deixam em paz?

— Vocês dois pertencem um ao outro. — Tiger encolheu os ombros. — Seu amor um pelo outro é claro e, talvez, estejam com inveja. Além disso, os humanos podem ser realmente estúpidos quando se trata de nós.

Justice severamente concordou.

— Sua companheira e filho estão seguros, Fury. Ninguém pode tirá-los de você ou entrar em nossas portas para levá-la embora. Cuide dela, a ame e esteja lá para ela.

— Sempre. — Fury levantou. — Ainda gostaria que o mundo exterior nunca descobrisse sobre nós. Os vejo provocando sua dor por vezes, e me parte em pedaços por dentro. Quero protegê-la, mas este é o homem que ajudou a dar sua vida. Entendo sua decepção, mas me acusar de machucá-la ou dela ser louca por me amar é frustrante. — Ele olhou para cada homem. — Se cruzar com uma humana, tente protegê-la melhor do que fiz com minha Ellie. Vou para casa agora. Odeio deixá-la por mais de algumas horas. — Ele saiu do escritório.

— Merda. — Tiger suspirou, afundando na cadeira. — Não invejo a conversa que estão prestes a ter. É por isso que jurei deixar as mulheres do lado de fora. Vêm com famílias intrometidas que parecem causar mais problemas do que essas associações valem. Faz-me parecer ter sorte por não termos pais.

O pensamento de Jessie passou pela cabeça de Justice. Seu pai era o senador que falava em reuniões pelas Espécies e lutou em Washington pelos direitos que tinham.

Preocupação começava a surgir. Teria o pai de Jessie uma reação adversa se soubesse que sua filha permitiu que a tocasse? Quantos problemas poderiam causar se o fizesse? Ele tinha poder real, não era apenas um humano protestando do lado de fora dos portões ou enviando mensagens desagradáveis. Ele caiu em sua cadeira quando se inclinou para trás.

— Temos sorte de ser solteiros.

Justice encontrou o olhar firme de Tiger.

— Será que temos? Acho que Fury discordaria. Sua Ellie vale a pena para ele. Seu amor é verdadeiro.

— É. Você tem razão, mas eu também. — Tiger sorriu. — Vamos fazer um pacto. Não vamos dizer a ninguém, se alguma vez nos apaixonarmos por uma mulher do lado de fora. Entre os humanos que pensam que somos idiotas retorcidas fazendo lavagem cerebral nas mulheres para ficarem conosco e nossa própria espécie nos observando para ver o que acontece quando estamos com os humanos. Vamos ignorá-los e mantê-las no armário.

— O quê?

— É um termo que aprendi com um humano. Isso significa manter em segredo. Não é da conta de ninguém e, portanto, não terão nenhum problema se não concordarem com o relacionamento. O homem disse que fez isso com uma mulher indesejável. — Seu rosto ficou solene. — Riu quando comentei que sua aparência devia ser irrelevante se ela o fazia feliz. Não tinha certeza de como lidar com isso, mas acho que ele se preocupa muito com as aparências. O termo é ainda o mesmo. Significa estar com alguém e ninguém saber.

Justice se levantou.

— Não gosto desse termo. Qualquer pessoa que escondesse alguém por causa de sua aparência não é alguém inteligente o suficiente para aprender.

— Vai para casa? — Tiger olhou para o relógio na parede antes de dar um olhar curioso. — Não está se sentindo bem? Nunca sai tão cedo.

— Estou cansado. Não consegui dormir muito. — Era parcialmente verdade. Não tinha dormido muito, mas queria ver Jessie. — Não fique até muito tarde.

— Claro. — Tiger encolheu os ombros. — Ainda tenho alguma papelada para fazer, mas vou para casa depois.

Justice saiu rapidamente da sala, os pensamentos em Jessie distraindo-o. Queria protegê-la e evitar problemas com seu pai, mas isso significaria não ficar com ela totalmente. Os dentes apertaram de raiva. Podia não ser um problema. Ela poderia apenas querer compartilhar sexo com ele outra vez.

 

Jessie saltou quando a campainha tocou e percebeu que cochilou. Ela sentou e agarrou o lado da banheira para levantar seu corpo lentamente e agarrar uma toalha. A campainha soou novamente. Jessie amaldiçoou, se secou e colocou o short e a camisa de meia manga. Correu para a porta da frente. A campainha soou pela terceira vez.

— Estou chegando. — gritou. Esperava que quem estivesse lá não partisse. Abriu a porta.

Justice usava um terno azul-marinho com uma gravata cinza claro. Seu cabelo estava puxado atrás num rabo de cavalo, longe de suas belas feições. Seu olhar intenso e escuro desceu lentamente por seu corpo para observar sua pele úmida, sua roupa. Ele hesitou sobre seus seios. Jessie olhou abaixo para ver o que prendia sua atenção — os mamilos estavam duros. Não se secou bem, assim suas roupas se agarravam a ela em alguns lugares. Ela cruzou os braços sobre o peito e tentou não corar.

— Olá, Justice. Estava no banho. Como está? Não esperava que alguém passasse por aqui ou teria posto roupas diferentes. Como tem passado? — Estava balbuciando? Jessie queria se chutar. Justice estava em sua porta e parecia bom o suficiente para atacar. Ela fechou a boca, respirou fundo e forçou um sorriso. — Gostaria de entrar?

Seu olhar baixou ainda mais e puxou um sorriso em seus lábios.

— São calções de pugilista de homem?

Ela olhou abaixo novamente.

— Os roubei de meu irmão mais velho quando nos hospedamos juntos no meu pai. — Ela riu, olhando para seu rosto. — O zíper é costurado e são confortáveis para dormir, meu pai colocou em seu avião com algumas das minhas coisas que trouxe para me dar da próxima vez que nos virmos.

Justice entrou e fechou a porta suavemente atrás dele. Jessie percebeu como era muito mais alto já que estava descalça. Suas botas davam-lhe alguns centímetros de altura. O fazia parecer maior que a vida em sua opinião.

— Vim para recebê-la em Homeland e ver como está indo. — Olhou seu cabelo. — Está com dor?

— Não mais. Tomei um comprimido para dor, não muito tempo atrás.

Ele hesitou.

— Posso ver sua lesão?

— Claro. Não há realmente nada para ver, exceto uma bandagem. — Ela se virou de costas e puxou os cabelos para retirar os grampos.

Os dedos de Justice roçaram os dela, os imobilizando.

— Permita-me. — Sua voz saiu apenas num sussurro.

O coração de Jessie acelerou pela mudança de sua voz rouca. Parecia sexy para ela.

Ela inalou e quase gemeu em voz alta. Ele cheirava tão bem que a fez querer virar e enterrar o nariz na sua camisa. Fosse qual fosse a colônia que usava era dinheiro bem gasto. Lembrou vividamente da noite anterior, quando estavam nus e se tocando. Uma imagem dele afundando seu pau passou pela sua memória e calor se propagou entre suas coxas. Começou a doer.

Pare com isso, ela se ordenou. Ele veio me verificar e me acolher em Homeland. Se não começasse a se controlar, tinha medo de girar quando ele terminasse de olhar sua cabeça, rasgar suas roupas e passar a língua sobre quaisquer partes interessantes do corpo com que se deparasse. Com Justice isso significava cada maldito centímetro de sua pele.

Justice puxou um grampo de seus cabelos. Seu corpo respondeu ao toque macio quando ele libertou seu cabelo e usou os dedos através deles. Jessie cerrou os dentes, lutando para conter um gemido.

— Não é tão ruim. Apenas uma ferida de carne. Alguns pontos, mas não posso tirar a bandagem por dois dias. Preciso mantê-la seca.

— Tiveram que cortar um pouco do seu lindo cabelo. — ele rosnou.

Jessie virou a cabeça para olhar para ele, se perguntando por que de repente parecia irritado.

Seu olhar era um que viu antes, o que tinha quando ela se empalou em seu pênis. Respirou fundo quando as mãos de repente agarraram seus quadris por trás e lentamente a puxaram contra seu grande corpo.

— Estava preocupado com você. Pensei que ia morrer. — Ele puxou uma respiração. — Tinha certeza que nunca conseguiria tocar em você de novo. — Ele respirou profundamente, enquanto um ronronar vibrava seu peito. — Quase fiquei louco, Jessie. Deixe-me ficar com você. Deve-me uma noite na cama.

Não havia nada que a fizesse negar a qualquer um deles mais tempo juntos, especialmente quando seu corpo doía por ele. Ele ronronou novamente quando a virou de frente para ele.

Braços fortes a levantaram até que seus pés deixaram o chão e ela colocou as pernas em volta de sua cintura. Um de seus braços enganchou em sua bunda para apoiá-la enquanto a boca encontrava a dela.

Jessie gemeu contra a língua, que mergulhou dentro de sua boca, e envolveu seus braços em volta do pescoço dele. Pegou o laço no cabelo dele e o puxou até o cabelo derramar pelas costas. A textura sedosa era algo que não conseguia ter o suficiente, assim como seu beijo apaixonado. Ela apertou os quadris contra a excitação dura aninhada contra o V de seu short. Justice rosnou contra sua boca. Interrompeu o beijo e afastou o rosto para trás enquanto seu olhar viajava atrás dela.

Justice atravessou sua sala de estar na direção do corredor e sabia onde ele a levaria. A boca aberta de Jessie roçou seu pescoço, deixando beijos sobre a pele quente que encontrava. Ela riu quando mordiscou sua pele levemente e lambeu a orelha quando ele tropeçou.

— Acha isso engraçado? — Ele riu. — Me distrai muito quando usa os dentes e língua.

Ele entrou no quarto principal e a colocou na cama alta. Ela odiava o deixar ir, mas sabia que era a única maneira de se despir. Seus braços e pernas o soltaram com pesar, amando estar envolta em torno dele um pouco demais. Viu quando se afastou, pegou a gravata e a afrouxou até que a puxou sobre a cabeça. O paletó bateu no chão ao lado e ele se recostou no colchão, usando seus cotovelos para segurá-la. Desabotoou a camisa em tempo recorde, a puxou e jogou no chão.

Os sapatos foram expulsos de forma rápida e ela sorriu, percebendo que ele não estava usando meias de novo.

— O que é divertido para você? — Suas mãos pararam na cintura da calça.

— Nunca usa meias, não é?

— Nunca. Não possuo um único par. — Ele arrancou a calça. — Por que sou o único a me despir?

— Porque amo ver você tirando a roupa. Vai amassar seu terno e parece caro. Quer um cabide?

Justice empurrou a calça e boxer abaixo por seu corpo. Saiu deles ficando nu ao lado da cama.

— Não me importo com o terno. Só quero você, Jessie.

Jessie se ergueu e puxou a camisa sobre a cabeça. A jogou fora antes de cair de costas. Agarrou a cintura de seus calções, ergueu os quadris e os deslizou abaixo o suficiente para chutá-los.

— Vai rasgar meu edredom? — Ela riu, apreciando cada centímetro nu de Justice enquanto ele estava em cima dela. Ela fugiu para o centro da cama, sem tirar os olhos de cima dele. Seu olhar vagou pelos ombros largos, braços musculosos e os mamilos duros. Seu foco desceu para saborear a visão de seu estado totalmente excitado.

— Isso tudo é para mim?

Justice rosnou em resposta quando pulou para frente da cama e a arrastou em suas mãos e joelhos, parecendo carnal e faminto. Ele parou, apoiou seu peso e agarrou ambos os tornozelos para abrir as pernas dela. Os soltou e subiu mais alto sobre ela até que estavam peito a peito. Seu grande corpo prendia o dela na cama e o olhar exótico se estreitou quando olhou profundamente em seus olhos.

— Nunca morra, Jessie. Nunca. — Sua mão roçou seu rosto numa carícia suave. — Não posso esperar. Tenho que ter você. Preciso estar dentro de você. — Um pouco atordoada pela emoção crua que viu em seus olhos e ouviu em sua voz, ela concordou. Nenhum homem jamais a quis ou precisou dela tão fortemente antes. Justice baixou a boca, roçou os lábios nos dela, e ela abriu a boca para o beijo. Ronronou profundamente com o peito vibrando intensamente e não havia nenhuma ternura ou brincadeira no beijo. Justice vinha por ela como um homem faminto e fosse sua última refeição.

Jessie gemeu quando cravou os dedos em seus ombros. Seu beijo a deixou tão quente que ardeu com o desejo, pressionou mais contra ele e arqueou os quadris contra a pressão dura e quente de seu pau preso entre a cama e sua coxa. Justice se moveu e levou a mão entre seus corpos. Jessie arrancou sua boca da dele para gritar quando o dedo golpeou sua boceta sem aviso.

Parecia tão incrível que não podia recuperar o fôlego quando ele quase saiu completamente de seu corpo acolhedor e então empurrou mais profundo, a estirando com um dedo grosso. Ele se moveu mais rápido, a fodendo duro e rápido e rosnou para ela.

— Está tão quente e molhada para mim. Malditamente apertada. — Rosnou de novo. Um som realmente assustador e arrancou o dedo de sua boceta. Seu corpo ficou tenso e se empurrou da cama, rolando para longe dela. — Droga! — Ele gritou as últimas palavras quando sentou na beira da cama, de costas para ela.

Jessie ficou ali atordoada, se perguntando por que parou e o que estava errado. Levou alguns segundos para se mover, sentar e olhar de boca aberta para ele. Percebeu então que tinha arranhado suas costas. — marcas vermelhas de sangue marcavam as pontas de suas unhas e sua boca se abriu.

— Sinto muito. Não tive intenção de tirar sangue.

A cabeça de Justice se virou em sua direção para olhá-la por cima do ombro. O olhar em seu rosto era assustador. Parecia completamente enfurecido e ela se esqueceu de respirar. Virou-se para ela, suas mãos fechadas em punhos e rosnou novamente.

— Justice? — Sua voz saiu apenas um sussurro. — Sinto muito. Não tive intenção de te machucar.

Ele se encolheu e seu queixo levantou até que seu rosto estava virado para o teto e não encontrava mais seu olhar. Soprou forte e rápido, ofegante.

— Sou o único que sente, Jessie. Podia ter te machucado. — Sua respiração desacelerou. — Não percebeu, mas quase perdi o controle.

— Como? — Ela estava perplexa. — Justice?

Justice se recusou a olhar para Jessie, com medo de ver o medo em seus olhos expressivos novamente.

Isso foi o que viu quando rosnou para ela. Seus olhos fecharam, enquanto tentava acalmar seu batimento cardíaco irregular e corpo em fúria. Seu pênis latejava, dolorido, e os punhos mais apertados até suas unhas entrarem em suas palmas.

Perdeu toda sua reserva quando ela se envolveu em torno dele enquanto se beijavam. Ela não era uma fêmea Espécie, mas se esqueceu desse fato importante, até sentir o incrível aperto de seus músculos em torno de seu dedo. Não era resistente o suficiente para lidar com um macho em plena luxúria e assim era exatamente como foi para ela. A queria virar, erguer seu traseiro e fodê-la até o esquecimento.

Apenas notar o quão doloroso seria para ela o fazia tremer de medo. Teria hematomas no quadril esquerdo, a segurando imóvel para mantê-la onde queria, poderia tê-la feito sangrar por sua entrada áspera quando começasse a transar com ela e não seria capaz de parar uma vez que começasse. As lembranças de como era boa o asseguravam disso.

— Justice?

Sua voz tímida e insegura o rasgou e abriu os olhos, olhou para o teto do quarto e soube que devia sair. Devia uma explicação, no mínimo. Baixou a cabeça e encontrou o olhar preocupado.

— Eu sinto muito. Te arranhei. Suas costas estão sangrando.

— Não é isso.

Sua voz saiu muito rude, com uma ponta dura que desejava poder remover, mas suas emoções estavam muito perto da superfície. Era esse outro lado dele que tentava manter preso, mas estava prestes a ficar descontrolado por trás da fachada que mostrava ao mundo, fora das paredes da Reserva e Homeland. Era um macho Espécie naquele momento, um com sentimentos por uma mulher que sabia que não podia ter e o rasgava por dentro.

Estava encolhida no meio da cama, parecendo menor que o normal, pálida, com o cabelo vermelho brilhante se derramando pelo peito, escondendo os seios. Parecia uma ninfa — tão inocente, a própria imagem de uma mulher que nunca deveria estar à sua mercê num quarto.

— O que há de errado? Por que parou? Ainda estou no prazo da injeção. Não estou tomando nada que a altere. Assegurei-me de perguntar no hospital antes de me liberarem.

Ela se lembrava que ele se preocupava com gravidez e isso o fez se odiar um pouco mais. Jessie levava tudo em consideração, se lembrava das pequenas coisas sobre ele que causavam preocupação, mas ele não conseguia lembrar seus hormônios em fúria de jogar limpo com seu delicado corpo quando a tinha presa sob ele.

Não seria capaz de detê-lo e não teria nenhuma chance de lutar quando a dor começasse. Isso o colocava ainda mais acima em sua escala de bastardo.

— A verdade é que quase a machuquei, Jessie. Queria tanto você, tão fortemente, mas felizmente me controlei o suficiente para liberá-la antes que fosse tarde demais. — Ele a encarou, sabendo que seu pau ainda estava duro pela necessidade. Ela notou quando seu olhar caiu lá antes que encontrasse seus olhos novamente. O medo não aparecia em seus traços ao ver o quanto ela o afetava, mas Jessie Dupree era uma mulher corajosa. Entre seu trabalho e o modo como lidou com o ataque do macho Espécie, admirava sua coragem. Outra mulher correria gritando para longe dele agora, mas se mantinha imóvel.

— Desejo não é uma coisa ruim e estou totalmente a bordo dele. — Ela soltou os braços de suas pernas e se inclinou para frente, com as mãos espalmadas na cama e expondo seus lindos seios arredondados para ele. — Aprecia a franqueza, assim é exatamente o que vou fazer. Inspire e saiba o quanto o quero, sinta como estou molhada se não for suficiente para convencê-lo. Use esse seu olfato apurado, se seu senso de toque não o convencer.

— Vim para você sem levar em conta sua fragilidade.

Para sua surpresa, ela sorriu e seus olhos azuis brilhavam com humor.

— Fui descrita de muitas formas na minha vida, mas esse termo não é usado com frequência. Pelo menos não mais que uma vez, porque costumo derrubar caras que dizem essa porcaria. Vou abrir uma exceção para você, porque é tão bonito quanto pode ser, e é diferente dos outros homens. Não acho que poderia derrubá-lo numa rodada de sparring, não com seus reflexos e força. Não vai me machucar na cama, contudo.

— Esqueci que era humana — admitiu.

— Existe diferença?

— Sim. — Ele fechou a boca, não querendo falar mais sobre o assunto.

— Sou menor que suas mulheres, não tão forte ou tão cheia. Isso não significa que sou menos dura, entretanto. Posso prometer isso.

Seu corpo queria acreditar nela, mas sua mente estava no comando.

— Eu poderia machucá-la de forma grave. Precisa entender isso.

— Tudo bem. Entendo, mas parou tudo por que pensou que ia me machucar. — Ela baixou o queixo um pouco e seus olhos azuis o localizaram quando rastejou um pouco mais. Ele não pôde evitar, apenas reagir à imagem incrivelmente sexy dela sobre suas mãos e joelhos, vindo para ele. Seu coração acelerou, o pau estremeceu em resposta à necessidade de tomá-la e resistiu ao desejo de jogá-la de costas e transar com ela.

— Vamos trabalhar nisso, vá com calma, para que não fique com medo. — Seu sorriso se alargou. — Fizemos isso uma vez e quero fazer novamente.

— Jessie. — ele rosnou em advertência. — Pare. Eu te toco e será difícil manter o controle dos meus impulsos.

— Seus impulsos pareciam muito fantásticos, até que parou. — Ela parou e sentou, abriu as pernas e as mãos agarraram suas coxas.

Sua respiração se tornou um arquejo, baixou o olhar e um ronronar rasgou sua garganta.

Ele se alarmou que não pudesse parar de fazer isso com ela, o embaraçava um pouco, mas o cheiro de sua necessidade o deixava louco. Queria empurrá-la de costas, enterrar o rosto entre suas coxas bonitas e saboreá-la.

— Você me quer — ela sussurrou. — Eu quero você. Qual o problema?

— Você não tem ideia. — Ele tremeu novamente e sabia que devia sair. Seu corpo não respondia à demanda para ir embora e seu olhar se recusava a ceder da visão da tentadora faixa mais pálida de cabelo vermelho, mal disfarçada, onde queria colocar a boca. — Sou perigoso.

— Sou uma viciada em adrenalina e é extremamente sexy, Justice. Nós dois somos adultos e estamos nus no meu quarto. Precisa de mais incentivo?

Ele quase perdeu a cabeça quando a mão dela soltou sua coxa, deslizou mais perto de seu corpo e o dedo deslizou sobre a fenda de sua vagina. Ela o puxou para longe, brilhando com seu mel e ele perdeu a capacidade de pensar.

 

Jessie sabia que pressionou Justice ao ponto da ruptura, quando seus olhos felinos se fixaram nela a cada movimento como se fosse a coisa mais fascinante do mundo para ele.

Sua respiração ficou irregular. Os sons suaves que fazia eram puramente animalescos e a excitou ainda mais.

Ele admitiu ser perigoso, mas não acreditava nem por um segundo que fosse machucá-la. Podia estar louca, mas seus instintos sempre eram algo que contava. Nenhum alarme foi acionado quando olhou para o líder Novas Espécies. Sua atração por ele não era a coisa mais inteligente que já sentiu, mas se recusava a negar. O queria o suficiente para lutar por ele. Isso significava ser provocante na cama e quebrar seu controle de ferro.

Ele agarrou seu dedo sem aviso e o puxou para os lábios. Jessie ficou atordoada quando desapareceu em sua boca e ele rosnou, e chupou. Era erótico ver sua reação. A necessidade apertava suas feições e puro desejo brilhava no olhar quando olhou para ela. Aliviou o aperto dos lábios e da língua sobre seu dedo, e lentamente o puxou e olhou para seu colo. O olhar dela seguiu o dele para apreciar a dureza de seu sexo.

Ele se moveu de repente e a mão correu para agarrar o membro, mas seu domínio era gentil. Ele empurrou contra sua pele, pedindo a ela que recuasse e a decepção a atingiu. Estava a recusando novamente. Não precisava de palavras para saber disso — era uma batalha de vontades que perdeu. Ela sentou a bunda na cama, pronta para puxar os joelhos até o peito e cobrir seu corpo já que ele não parecia querer vê-lo por mais tempo.

Soltou seu ombro e ambas as mãos agarraram seus tornozelos. Ela estava chocada demais para fazer qualquer coisa, exceto cair para trás. Suas pernas se abriram quando ele puxou, a arrastando na direção dele uns bons trinta centímetros e afastou seus joelhos.

Jessie engasgou quando Justice se inclinou para frente para enterrar o rosto em seu colo. Esfregou com força e ronronou alto. Soltou as pernas para agarrar as coxas, as estendendo abertas para sua língua roçar sobre o clitóris. Lambia o feixe de nervos num volteio rápido de sua língua forte, e ela gritou, rouca pelo prazer imediato.

Seus dedos agarraram a cama perto dos quadris, cavando o edredom procurando algo para se agarrar. A vontade de segurar a cabeça dele não era fácil de resistir, mas segurou o tecido macio em vez de pegar punhados de seu cabelo.

— Oh, Deus! — Ofegou, ouvindo quão alto sua voz soou, mas não podia se importar menos. Justice era muito gostoso. Não podia pensar e não queria.

— Sim! — Ele foi implacável, encontrando o local exato que a fez ofegar um gemido, e esfregar a boceta contra sua boca. Queria gozar e sabia que estava prestes a fazê-lo. Seu corpo ficou tenso, todos os músculos apertados. As costas arqueadas para fora do colchão quando o prazer chegou perto da dor, crescendo para o clímax, no ponto do sem-volta.

Ele parou e ela gritou em protesto. Estava tão perto. Sua língua desceu outra vez e se dirigiu em sua boceta antes que ela pudesse proferir palavras reais para transmitir que não queria que ele parasse de atormentar seu clitóris. A sensação a fez jogar a cabeça para trás e um tipo diferente de prazer rasgou por seu corpo. Nenhum cara nunca fez isso antes, a pegando com a boca e ela percebeu que perdeu muito. Ele deslizou sua língua um pouco mais, entrando e saindo dela lentamente e seu nariz empurrava contra o clitóris.

— Justice. — gemeu. — Por favor? — Não estava acima da mendicância. Só queria gozar. Precisava. Seu corpo queimava. — Por favor, querido!

A língua se retirou e os lábios mordiscaram mais forte, selados em torno do clitóris inchado.

Sua língua pressionou contra ele, e ele ronronou alto. As vibrações e manipulação de seu broto sensível quando começou a sugar deixou Jessie insana. Era muito bom, muito intenso e não podia aguentar. Ela gemeu e gemeu. Ofegou. Seu corpo se curvou e puxou ar quando o êxtase a atingiu com intensidade ofuscante.

— Justice! — O corpo dela estremeceu rígido.

Sua boca saiu do clitóris enquanto ela tremia, se recuperando do mais forte clímax que já experimentou na vida. Sua mente mal registrou quando as mãos soltaram suas coxas e uma cavou sob seu traseiro, abarcando as nádegas na mão grande, enquanto a outra se curvava em torno de seu quadril. Jessie não tinha forças para expressar sua surpresa quando Justice a virou sobre seu estômago. Suas mãos se ajustaram, agarraram os quadris e seu corpo deslizou para baixo na cama quando ele a puxou para perto dele. Ela não se importava por que fez isso ou qual sua intenção. Seu corpo ainda estava formigando pelo prazer de suas habilidades surpreendentes com a língua. O colchão se moveu pelo peso dele quando deslizou para fora da extremidade da cama.

Justice a puxou até que suas pernas estavam fora da cama, ajeitou sua posição e se inclinou para frente para manter a curvatura sobre o colchão. Um de seus pés enganchou em seu tornozelo, abriu suas pernas e a coroa do pênis pressionou contra sua boceta.

Prazer a encheu quando o grosso eixo lentamente a penetrou por trás. Jessie gemeu quando ele esticou suas paredes vaginais. Empurrou mais fundo, indo tão devagar que era quase uma tortura. Os sons sensuais que fez combinavam com os dela, enquanto implorava com os dedos apertando a cama. Ele se retirou um pouco e lentamente começou a balançar dentro e fora dela. Ronronos altos encheram seus ouvidos quando seus quadris impulsionaram mais rápido. Jessie queria mais.

Podia sentir que ele estava se segurando e ela não queria isso dele.

— Mais rápido. Justice, é tão gostoso. — ofegou. — Mais. Dê-me tudo. — Seu rosto enterrou em seu pescoço e abafou o grunhido quando pareceu dar o que estava restringindo. Foi mais profundo, os quadris batendo contra sua bunda e o arrasto rápido de seu pênis contra suas terminações nervosas a mandaram para o céu. Ele inundou seus sentidos, seu corpo ficou tenso novamente e ela gritou quando um segundo clímax a atingiu. Ela o apertou, seus músculos reprimindo firmemente em torno do sexo dele e dentes afiados morderam sua pele na parte superior do ombro. Ele gemeu alto e empurrou contra ela, seu pênis indo fundo e ficando lá quando sentiu o calor do sêmen a banhando por dentro.

Jessie não podia se mover. Estava tão satisfeita que não sabia mais se seu corpo era de carne e osso ou um pudim. Apenas o corpo de Justice a impedia de cair pela borda da cama numa confusão mole no chão, pois suas pernas não serviam para qualquer coisa. Ele ofegava. Seus dentes se afastaram e respiração quente ventilou sua pele enquanto se recuperavam. Era evidente que impedia que seu peso a esmagasse totalmente, permitindo que recuperasse o fôlego.

A névoa do êxtase sexual se dissolveu, a função normal voltou e ela sorriu, desejando poder ver seu rosto. Ela disse a primeira coisa que veio à mente.

— Isso foi um quinze na escala de um-a-dez do fator uau!

— Sinto muito, Jessie. Nunca quis perder o controle. É tão pequena, mas a queria ao ponto que não podia pensar. Pode me perdoar?

Ela riu.

— Está me pedindo desculpas? Sério? Não há nada a perdoar. — Ela virou a cabeça apenas o suficiente para encontrar seu olhar preocupado e manteve o sorriso no lugar. — Foi perfeito, incrível e maravilhoso.

Ele cortou o contato visual, baixou o rosto e deu um beijo na parte de trás do pescoço.

— Você é delicada e simplesmente parece não saber. Eu poderia realmente ter causado danos ao seu corpo.

— Sou pequena, não posso negar isso, mas sua versão de descuido foi incrível.

Justice soprou em seu pescoço, mantendo o rosto onde ela não podia vê-lo.

— Precisa confiar em mim quando digo que é frágil comparada a mim. Está ferida? Fui muito áspero? — Sua voz suavizou. — Precisa que eu chame o médico?

— Não preciso de um médico. Está exagerando. — Ela queria rir de novo de sua exagerada preocupação — que beirava o ridículo — mas não queria correr o risco de ferir seus sentimentos. A tocava profundamente que estivesse tão ansioso sobre seu bem-estar.

Um grunhido retumbou em seu peito.

— Tomei você como se fosse uma de nossas mulheres, mas você não é. Felizmente não perdi todo o controle. — Justice se soltou dela, retirando seu peso completamente. — Não sei o que há de errado comigo quando se trata de você. Não sou eu mesmo.

Jessie se virou para olhar para ele, admirando a visão bronzeada, alta e sexy. Só sabia que a visão de seus músculos esculpidos e constituição forte sempre a afetava.

— Talvez seja esse o problema. Assumiu esta grande responsabilidade de se tornar a cara das Novas Espécies. — Ela se sentou, confortável em sua nudez e olhou para ele com compaixão. — Sei o que é fingir ser alguém que não é. Meu pai é um senador. Fui criada em torno de políticos e outros idiotas e tive que vestir esta imagem perfeita que meu pai exigia. — Ela encolheu os ombros. — A verdade é que não sou realmente educada. Sou mais um moleque que uma senhora e realmente o que queria fazer era bater na maioria das pessoas que era forçada a levar em conversas educadas.

Justice sentou na beira da cama, virou o corpo de lado, e a olhou, um pouco confuso.

— Não entendo.

— Você está diante das câmeras, dos repórteres e do mundo fingindo ser totalmente humano, mas não é. Pode apenas ser você mesmo comigo Justice. Aceito você por quem e o que é. É o cara que ronrona e rosna, fica um pouco fora de controle quando nos beijamos e não há nada de errado com isso. — Ela se empurrou para frente, com as mãos espalmadas na cama e se pôs de joelhos. Seu olhar prendeu o dele enquanto tentava mostrar que queria dizer cada palavra. — Não há nada de errado com você, Justice North. Acho que é incrível e não quero que se controle comigo. Quero conhecer você de verdade, e não alguma imagem perfeita que tenta para seu trabalho. Está fora do trabalho e é hora de brincar. Vou te ensinar como se divertir e derrubar as paredes que construiu. Tenho certeza disso Justice.

Justice queria avançar, puxar Jessie em seus braços e abraçá-la. Ela oferecia aceitação, compreensão e oportunidade de ser o macho que era antes de se oferecer para representar seu povo. A saudade o agarrou ao ponto da dor e soube naquele instante o que tinha que ser feito. Um afiado soco esfaqueou seu coração, mas fez uma promessa, um juramento de fazer o trabalho e muitos estavam contando com ele para poder seguir seu coração.

A clareza doía mais. Estava se apaixonando por Jessie Dupree, provavelmente desde o momento que a arrancou dos braços de outro homem, a protegendo com seu corpo e ela sorriu. Ela acreditava que ele encarnava a segurança, mas não podia estar mais errada. A adorável ruiva com seu sorriso rápido, coração generoso e acolhedores braços devia ser a tentação mais perigosa, mais bonita que já cruzou seu caminho.

— Está com fome? Comeu? Eu poderia fazer alguma coisa. — Falhou outra batida de seu coração. Ela queria alimentá-lo, preocupada que estivesse com fome e era estimulante. Também lembrou que ela definitivamente não era Espécie — as fêmeas preferiram que os machos vigiassem totalmente após o sexo.

— Olá? Está olhando para mim, mas não está respondendo. — Se inclinou mais perto. — Está cansado? Tenho que avisá-lo que gosto de dormir pele com pele. Pretendo me envolver em torno de você e ficar agarrada.

Ia agarrá-la de novo, perder o controle e beijar sua boca macia. O desejo de derrubá-la de costas e fazer amor com ela atravessou suas veias novamente. Seus punhos apertaram enquanto lutava contra o desejo de retornar ao seu abraço celestial. Não era apenas de sua própria vida que precisava lembrar, mas o que estar com ele faria à dela também. Deixou escapar palavras que a fariam se afastar.

— Minha raça morde durante o sexo e isso a machucaria, uma vez que é muito menos tolerante à dor. Tive o desejo de afundar meus dentes em sua pele até provar seu sangue, Jessie. Não quero te assustar, mas você queria honestidade. Sou muito forte e você não teria a menor chance contra mim se eu perdesse o controle. Poderia acidentalmente quebrar seus ossos ou não parar se me descontrolasse. Sou perigoso.

— Não vai me machucar. — A falta de medo aparecia em seus olhos azuis e ela não se afastou. — Não gosto de dor, mas não tenho medo de seus dentes também. Não vai me morder forte o suficiente para abrir minha pele. Recuso-me a acreditar que faria alguma dessas coisas. Vai se convencer totalmente disso depois de algumas noites comigo.

Ele precisava sair, ficar longe dela, antes que cedesse ao seu desejo egoísta. Seu povo dependia dele para ser forte, esperava, e jurou fazê-lo. Nada de bom viria deles ficando juntos como Jessie queria.

Sua raça não ia entender e seu pai não apoiaria mais ONE.

Todo mundo ia sofrer.

Ela vai começar a se ressentir quando estiver presa vivendo em Homeland depois que os grupos de ódio a fizerem de alvo. Não se esqueça de Valiant contando como o melhor amigo de Tammy cortou os laços quando ela se recusou a deixá-lo. Quem Jessie vai perder? Quanto tempo vai demorar antes que me odeie? É melhor deixá-la agora, antes que qualquer um de nós se machuque mais.

— Nunca haverá outra noite para estarmos juntos. Sinto muito, mas não podemos fazer isso de novo.

Sua expressão de choque o fez estremecer.

— O quê? — A surpresa logo se transformou em raiva quando seu olhar se estreitou e o nariz ardeu. — De jeito nenhum. Está atraído por mim e sinto o mesmo. Está sendo paranoico.

— É o melhor. Estamos atraídos um pelo outro, mas deve acabar. — Se afastou finalmente para cair de bunda na cama. Seu queixo se levantou e ela olhou para ele.

— Só queria duas noites. Entendi. Li coisas erradas por pensar que havia algo entre nós, mas, obviamente, não há. Entendo o que quer bem alto e claro.

Ele a machucou e sabia disso. Ela tentava esconder a dor, mas seus olhos expressivos mostravam a emoção. Ela confundiu suas palavras ao dizer que o que queria dela era apenas luxúria. Um homem inteligente a teria permitido acreditar, mas seu coração tinha outras prioridades. Preferia ser honesto que deixá-la se sentir rejeitada.

— Não confio em mim com você e me assusta, Jessie. Estou sempre no controle, mas não estava hoje à noite. A outra parte de mim queria possuir você em todos os sentidos. Queria seu aroma e seu toque... Eu... — Ele puxou uma respiração profunda. — Não sei como explicar isso, mas caramba, perdi o controle e nunca vou te tocar de novo, me arriscando a ferir você.

Seu olhar suavizou e seus ombros tensos relaxaram.

— Nunca vai me machucar.

— Não sei disso e nem você, Jessie.

— Realmente estou tentando ser paciente com você, mas está começando a me irritar. Sou uma garota grande, adulta, e se é arriscado, estou disposta a lidar com as consequências. Confio em você e essa é a linha de fundo.

— Você é humana. — Ele saudou a raiva sobre a tristeza por desistir dela. — É por isso que nunca me envolvi com uma. — Passou os dedos pelos cabelos, cerrou os dentes e tentou centrar seus pensamentos. — É melhor acabar isto antes de começar.

— Você realmente está com medo. — De repente, ela sorriu. — De mim. Isso é engraçado. — Seu olhar passou por seu corpo antes de retornar aos olhos. — Dissemos que íamos dormir juntos e estou cobrando isso. — Ela deu um tapinha na cama. — Que lado prefere?

Queria ficar, abraçá-la e saber como seria, pela primeira vez em sua vida, não dormir sozinho. Suas fêmeas nunca queriam ser mantidas por mais tempo que o necessário. Vacilou em sua necessidade de sair e seu desejo de passar mais tempo com Jessie. O desejo venceu. Era uma noite, a última que compartilhariam e se recusava a negar a si mesmo esse prazer.

— Vou trancar e apagar as luzes. Vou me apressar.

Ela sorriu.

— Vou voltar para baixo das cobertas.

Ele fugiu antes que pudesse reconsiderar sua decisão. Ia assegurar a casa, desligar tudo e rapidamente voltar para o quarto.

Jessie o assistiu sair e seu sorriso desapareceu no segundo que ele deixou sua vista. Justice era teimoso, paranoico e incrivelmente bonito. Suas razões para terminar antes que qualquer coisa pudesse se desenvolver entre eles eram válidas, mas ela não era de fugir de um desafio. Passaram bons momentos juntos, sentia sua falta e ele invadia seus pensamentos desde que conversaram.

Ela desceu da cama, arrastou a roupa de cama e pulou de volta no colchão alto. Ele não disse a ela que lado queria então se deitou no meio, seus ouvidos se esforçando para ouvir sua chegada, mas não devia ter se incomodado. Justice se movia com discrição enquanto voltava para o quarto. Um sorriso ameaçou vir à tona novamente. Será que tinha alguma ideia de quão sexy parecia quando andava com esse movimento gracioso, fluido, completamente nu? Ela duvidava. Gostou da visão de seus músculos e pele nua agora envoltos na escuridão da sala pelo toque do interruptor de luz sob seu dedo.

A cama desceu quando seu peso se acomodou à sua direita. Ela se virou, cegamente o alcançando e seus dedos encontrando a pele quente. Não houve nenhuma hesitação quando chegou mais perto, jogou uma perna por cima dele e se apertou ao longo de seu comprimento. Ele descansou deitado de costas, enquanto ela estava deitada de lado. Sua cabeça se ajustou até que o peito acomodou seu rosto, o batimento cardíaco num pulsar constante em seu ouvido. Ela sorriu na escuridão.

— Quero abraçar você de uma maneira diferente. Importa-se? — Foi bonito quando ele falou rispidamente.

— Claro. Como gosta de dormir?

— Vire. Quero me abraçar contra suas costas.

Ela odiava libertá-lo, mas fez o que pediu. Seu braço deslizou sob sua cabeça para protegê-la, o outro braço envolveu a cintura e ele a arrastou contra seu corpo, até que estavam firmemente encaixados.

— Gosto disso. — ela admitiu.

— Está com frio? Devo nos cobrir com o lençol?

— Está uma noite agradável e você gera grande quantidade de calor. Sinto-me confortável. E você?

— Muito. — Ele soprou em seu pescoço e acariciou o ombro nu. — Gosto disso.

— Eu também. É por isso que voto em fazer isso novamente no futuro próximo.

Seu braço em volta da cintura ficou tenso.

— É melhor para nós dois, se não fizermos isso, Jessie. Não confio em mim mesmo com você. Deixa-me um pouco louco te querer. Vou te assustar, se deixar ir completamente minhas inibições e agir como você me faz sentir.

Ela franziu o cenho, desejando que ele desistisse de seu controle de ferro.

— Não quero brigar com você, mas está sendo muito protetor. Nada do que disse até agora está me deixando desconfiada que haja algo mais que não está dizendo.

— Quando estou dentro de você, quero gritar. Foi tão difícil lutar contra a vontade desta vez.

— As pessoas fazem sons quando fazem sexo. — Ela sorriu. — Faço muitos, caso se lembre. Acontece que gosto dos que você faz. — Jessie de repente se contorceu em seus braços meio se virando e enganchou as pernas sobre suas coxas. Sua palma encontrou e acariciou o lado de seu rosto antes de raspar as unhas através do cabelo para massagear o couro cabeludo. Um ronronar suave encheu a sala.

— É. Gosto dos sons que faz. Isso é sexy para mim. Tem que vir me ver algumas vezes já que estou trabalhando e vivendo em Homeland, certo? Estou avisando agora que não vou deixar isso pra lá, Justice. Seria outra história se não acreditasse que você está realmente atraído por mim e que isso poderia não dar em nada. Porém, esse não é o caso. Está assustado e é porque se importa, não é? — Seu corpo ficou tenso e aprofundou o ronronar num grunhido leve.

— É. Foi o que pensei.

— Jessie. — murmurou — Sinto muito, mas esta é a última noite que podemos passar juntos. Tenho uma longa lista de razões na minha cabeça além das que já mencionei.

Ela mordeu o lábio e suspirou.

— Só está chateado agora. Vai mudar de ideia, e quando o fizer, sabe onde estou.

— Enfrentaria o perigo se associando comigo. Não podemos fazer isso de novo.

Ela mexeu o traseiro contra suas coxas e pôde sentir seu pau responder endurecendo, crescendo mais grosso. Ela sorriu na escuridão. Sua boca podia dizer uma coisa, mas o corpo dele e dela certamente estavam em sintonia.

— Tudo bem. — Disse para acalmá-lo. Ele era uma pessoa muito preocupada, mas lidaria com isso mais tarde. Seu objetivo imediato era fazer amor com ele. Talvez depois de algumas dezenas de vezes ele superasse essa sua besteira de sou-um-Espécie-muito-forte-para-você-frágil-humana. Ela conseguiu não rir dessa análise. — Vamos conversar mais tarde. — Sua outra mão se abriu em sua barriga. Ela desejou que ele estivesse deitado de costas e pudesse tocar mais de seu corpo. Traçou seu umbigo, mergulhou os dedos mais abaixo e usou as unhas para arranhar levemente. Justice rosnou.

Ela se virou para o lado, empurrando a bunda contra ele e pressionou as costas contra seu peito até que nenhum espaço restava entre eles. Amava o calor que emanava. Com seu corpo enrolado em torno dela e seu braço firmemente ao redor da cintura, nunca se sentiu mais certa por estar nos braços de alguém.

Inalou o cheiro maravilhoso que era de Justice e o escutou ronronar. Estou me apaixonando, ela admitiu. Forte e rápido. A lembrança do paraquedismo brilhou em sua mente. O medo de sair do avião foi esmagador, mas ela queria voar. Mergulhou, então abriu os braços e foi de cabeça, sem hesitar. Justice venceria essa experiência qualquer dia e ela queria mergulhar novamente. Um coração partido era um risco melhor que um paraquedas não abrir, e muito menos perigoso.

A contração do comprimento duro de seu pênis, preso entre eles, a tirou de seus pensamentos. A decisão não era difícil de tomar — era muito simples. Ela passou a mão até seu quadril, deslizou de volta e segurou sua bunda firme. Ele ronronou suavemente antes de amaldiçoar.

— Droga, mulher. Pare de fazer isso.

Ela se mexeu, sugestivamente revirou os quadris e agarrou o pulso dele. Não resistiu quando ela o levantou e colocou sobre seu seio. Sua mão deslizou acima, cobriu a dele e apertou, forçando os dedos a se fechar em torno do monte. Jessie esfregou a bunda contra seu pau com força, virou a cabeça para expor o pescoço para a boca e lambeu os lábios para molhá-los. Seu corpo não precisava de nenhuma preliminar. Estava preparada para gozar e doía por tê-lo dentro dela novamente. A memória de sua língua fazendo coisas maravilhosas em seu clitóris e a maneira como ele era gostoso transando com ela era o suficiente para tomá-la já.

— Me tome de novo. — sussurrou. — Preciso de você, Justice. Não me negue isso. — A mão dele massageava o seio sem sua ajuda neste momento.

— Droga, Jessie. — Seus lábios roçaram a garganta exposta e seus quadris se moveram, balançando lentamente contra os dela.

— Sim. — gemeu.

— Fique quieta. Vamos devagar.

Jessie abriu suas coxas e se recusou a obedecer sua ordem ou ir devagar. Ele era muito cuidadoso, pensou, muito malditamente, e ela queria que se soltasse. Queria o Justice real, o homem que rosnava e grunhia, que queria fazer barulho durante o sexo. Ela soltou a palma de sua mão, alcançando entre suas pernas e colocou os dedos em torno do eixo rígido.

— Jessie. — rosnou.

— Me foda, querido. Duro, rápido. Se dê para mim.

Ela usou a perna enganchada sobre sua coxa para inclinar os quadris, guiou a cabeça do pênis para esfregar ao longo da fenda de sua boceta, revirou os quadris quando encontrou o ponto certo e usou o domínio que tinha para juntá-los. A sensação de ser esticada, tomada por ele, a cravou de desejo.

Dentes de repente agarraram a parte superior de seu ombro quando Justice mordeu sua pele forte o suficiente para enviar uma sacudida direto para sua virilha. Ele não rasgou a pele, mas era uma linha fina entre o prazer e a dor. Jessie gemeu mais alto, mas as pontas afiadas se afastaram quando a soltou de suas presas.

— Fique quieta. — rosnou.

— Não. — Ela usou a mão livre para agarrar o braço sob sua cabeça para ganhar força e rebolou os quadris freneticamente, o forçando a se mover dentro dela. Ela aumentou o ritmo e puxou sua bunda com a mão para ter seu pênis mais profundo. — Não me torture — ela ofegou. — Esqueça o lento.

Justice fez um som assustador — o grunhido profundo e cruel — e os dentes apertaram em seu ombro novamente. A sensação da mordida não machucava, mas aumentava a paixão.

Prazer atravessou seu corpo e sua mão agarrou o quadril dele num aperto forte. Pensou que podia usar seu aperto para imobilizar seus quadris, mas nunca esteve mais feliz por estar errada.

Justice dirigiu o pênis fundo, balançou os quadris mais rápido e bateu contra sua bunda com força suficiente para sacudir a cama e bater a cabeceira na parede. Jessie não conseguia pensar. Estava muito presa no êxtase e na sensação erótica dele a mantendo presa pelo ombro com os dentes. Ele não abrandou, não parou e seus músculos apertaram em antecipação pelo clímax pendente.

Justice golpeou nela mais e mais rápido, duro, profundo. Inclinou seu pau um pouco, atingiu um ponto que a fez ver estrelas e ele parecia saber disso. Continuou arrastando a cabeça do pênis contra ela, não tão fundo quanto antes e então aconteceu. Jessie jogou a cabeça para trás contra seu ombro e gozou forte. Seus lábios se separaram e mal registrou que gritava.

Seus dentes soltaram sua pele, o aperto em seu quadril aumentou e ele a seguiu. Jatos quentes de sêmen a encheram. Podia sentir cada gota enquanto seus músculos vaginais o ordenhavam. Um estrondo quase a ensurdeceu, seu ouvido muito perto de sua boca.

Ficaram ofegantes no rescaldo, seu domínio sobre ela aliviou e seus dedos massageavam o quadril. Jessie queria rir, mas não conseguia reunir força. Esse era o Justice que queria ver. Sua audição podia nunca mais ser a mesma, mas valeu a pena.

Ela sorriu.

Uma língua quente e molhada lambeu seu ombro e ela abriu os olhos para olhar o quarto escuro. Ele era tão doce. Primeiro estava esfregando o local um pouco dolorido por onde a manteve imóvel e agora estava usando a boca para acalmar a área que apertou com os dentes. Era um pouco estranho, mas não desagradável. Ela podia se acostumar com isso.

— Esse foi o melhor sexo que tive. — ela murmurou. — Gosto de você me lambendo, mas se quiser pedidos de locais onde eu gostaria dessa língua, me deixe saber.

Ele parou de lamber sua pele e sua respiração desacelerou.

— Vou limpar seu ferimento. Droga, Jessie, é por isso que não podemos ficar juntos. Foi o melhor sexo, mas te machuquei.

— Que machucado? — Virou a cabeça, mas não podia ver nada.

— Mordi seu ombro. — Ele parecia triste. — Sinto muito, querida. Não dói?

— Não. Não pode ser tão ruim. Não se preocupe com isso. — Podia viver com uma mordida de amor.

Ela gostou.

Ele ficou tenso.

— Não se preocupe com isso? Eu te mordi, caramba. Tirei sangue. — Alarmes altos soaram à distância e Justice amaldiçoou.

— Está tudo bem. — ela murmurou, um pouco surpresa que estivesse sangrando, mas não doesse. — É provavelmente apenas um alarme de carro.

— Não é. — Retirou o pênis ainda duro de seu corpo e rolou sobre o estômago para liberar o braço debaixo de sua cabeça tão rapidamente que ela engasgou. A cama se moveu quando seu peso a deixou. — Nos ouviram no portão de segurança. — Luz a cegou quando ele acendeu o abajur no criado-mudo. Ela esperou que sua visão se ajustasse. Só podia olhar como Justice empurrava a calça pelo quadril, se inclinava e vinha com seus pertences na mão.

Raiva irradiava dele.

— Vá para o chuveiro agora ou vão me cheirar por toda você.

Jessie sentou.

— Não me importo que alguém saiba.

— Eu sim. Não permita que venham ao seu quarto quando baterem na porta ou que me cheirem aqui também. Diga a eles que estava no chuveiro e não ouviu nada quando fizeram as perguntas. Se mova, caramba. Tem cerca de três minutos ou menos antes de chegarem. Eles têm chaves mestras de todas as casas e vão entrar se você não abrir a porta.

Ele caminhou até a janela e a abriu. Jessie o observou com espanto, enquanto empurrava a tela com uma cotovelada para tirá-la do caminho e passava por cima do parapeito. Ele se virou, puxou a janela fechada e empurrou a tela de volta no lugar tão forte que fez chocalhar a janela. Se afastou e desapareceu na escuridão. Sua mente mudou de marcha.

— Droga. — Jessie sussurrou, quase caindo da cama em sua pressa de correr para o banheiro. Tentou muito não se sentir ferida.

Oh, doía muito, não podia negar. Estava claro que não queria que ninguém soubesse sobre eles. Estava envergonhado dela? Ela acendeu a luz, se lançou para o chuveiro e não se preocupou em ajustar a temperatura quando entrou sob o jato forte de água gelada.

— Filho da puta! — Sussurrou. Pegou o sabonete líquido e jogou fora quase metade para esfregar furiosamente em sua pele. — Homens! Não posso acreditar nisso. Que burro! — Ela fez uma pausa, se perguntando por que estava fazendo o que ele pediu. Ele podia ter um problema com as pessoas sabendo que dormiram juntos, mas ela não tinha. A água fria caía sobre ela, tremeu e amaldiçoou novamente.

A sensação de queimação a fez estremecer e virou a cabeça o suficiente para localizar a fonte. Vermelho saía das marcas de mordidas visíveis misturado com a água. Podia ver os furos de suas presas e o contorno vermelho dos dentes da frente, mais planos. Voltou o ombro na água, tirou o irritante sabão, e a queimação parou.

Talvez por isso não quisesse que ninguém soubesse que dormiram juntos. Justice North, o rosto poderoso das Novas Espécies, perdia a compostura o suficiente para afundar seus dentes numa humana. A imprensa ia delirar com uma história tão grande, a transformar em algum tipo de cenário desagradável e torcer da maneira que sempre faziam e haveria um inferno a pagar.

— Merda! — Desligou a água, saiu e pegou uma toalha para se secar o mais rápido possível.

Um frasco de perfume que desembalou estava no balcão e chamou sua atenção.

Nunca usava esse. O pai o entregou no provador, enquanto estavam pagando por suas roupas novas. Talvez não fosse tão inútil como pensava. Novas Espécies odiavam cheiros artificiais e mascararia o cheiro de Justice. Ela deixou cair a toalha, pegou a caixa e a abriu enquanto corria para seu quarto.

Engasgou um pouco quando pulverizou muito perfume floral no ar ao seu redor, fechou os olhos e entrou nele para que orvalhasse sobre seu corpo. Não podia fazer um curativo molhado e as Espécies tinham narizes surpreendentes. Podiam pegar alguma coisa do seu cabelo, mas agora apenas pegariam o perfume de gardênias.

— Iupi. Se isso não mascarar o cheiro dele, nada mais o fará. — Jogou o vidro na cama, rapidamente se vestiu com as roupas que tirou antes e lembrou-se de pegar o vidro quando correu para fora do quarto, enquanto uma batida soava na parte da frente da casa.

Jessie pulverizava o perfume enquanto corria para a porta, e em seguida, jogou o vidro no sofá. Acenou com os braços freneticamente para espalhar o cheiro horrível, alisou sua camisa de malha para garantir que seus seios não estavam aparecendo e abriu a porta da frente.

Dois oficiais Novas Espécies estavam lá parecendo sombrios. Jessie segurou a porta para colocar o máximo de distância possível entre eles e ela. Ambos os homens estavam segurando suas armas brancas, seus olhares sobre ela antes de varreram a sala atrás dela e um deles deu um passo para entrar na casa. Abriu os braços, segurou o batente da porta e o bloqueou.

— O que está acontecendo? O que é isso, um alarme de carro?

O que queria entrar em sua casa teve que recuar para que não se tocassem.

— Você gritou?

— Não. Estava no banho e só ouvi esse barulho quando desliguei a água. Se não é um alarme de carro, há um incêndio?

Os dois homens se entreolharam e, em seguida, olharam para ela. O segundo tomou fôlego, farejou e fez uma careta. Uma mão disparou para seu rosto para cobrir o nariz e deu um enorme passo atrás. O outro fez o mesmo. Ela não tinha seu olfato apurado e o cheiro de gardênias quase fazia seus olhos lacrimejarem.

— Podemos procurar na sua casa?

— Ninguém está aqui, apenas eu. Acha que gritei? Eu não. Nada há nada de errado, exceto o alarme de alguém. Talvez o vento tenha acionado um alarme de carro. Isso acontece.

Eles não pareciam saber o que fazer, mas provavelmente não gostavam do que estavam cheirando.

— Tudo bem. Estamos contentes que esteja segura. Tranque as portas. Se ouvir ou ver qualquer coisa, aperte o alarme. — Ele apontou para a parede.

— Claro. Sem problema. Obrigada! — Jessie fechou a porta e trancou. Ela se inclinou contra a madeira, seu corpo tenso relaxando e fechou os olhos.

Respirou fundo, fez uma careta e se afastou da porta. Precisava arejar a casa para se livrar do fedor e entrar no chuveiro novamente.

 

Justice nadou mais uma volta na piscina, até que ouviu um grito e parou, imerso na água. Inalou e se virou, localizando dois agentes de segurança que se aproximavam do pátio lateral. Usaram o portão de lá para encontrá-lo, em vez de entrar em sua casa.

— O que está acontecendo? O que ativou o alarme? O ouvi um pouco antes. Está tudo bem? — Culpa o comia um pouco por mentir, algo que odiava fazer, mas precisava proteger Jessie. Duvidava que iria contar a alguém, mas algumas de suas pessoas eram amigáveis com os empregados humanos. Um deslize e chegaria aos ouvidos errados. Não ia arriscar com ela. — Não temos uma violação de segurança?

Um deles deu de ombros.

— Ouvimos um grito e um estrondo. — Justice praticou sua história.

— Eu rugi, mas não ouvi um grito. — Ele apontou para as roupas pela porta dos fundos. —Tropecei nessa cadeira quando saí aqui para nadar depois de um dia longo e difícil. Doeu meu pé e fiquei louco. Rugi, tirei minha roupa e fui nadar para esvair minha raiva.

O segundo passou, franzindo a testa.

— Não ouviu um grito?

— Não. Talvez tenha confundido a cadeira batendo na parede como um grito. A quebrei quando tropecei.

— Lamentamos o perturbar, Justice. Pensamos que talvez a humana fosse atacada.

— Jessie Dupree? Ela está bem?

— Está bem. Fomos para a casa dela primeiro, mas não nos deixou procurar em sua casa.

— Ela cheira — o outro amaldiçoou. — como flores estragadas.

— Perfume. — o outro rosnou. — Deveria fazer uma lei para não usá-los aqui, Justice. Meu nariz ainda arde.

Justice escondeu um sorriso sobre Jessie conhecer esse truque. Perfume forte irritava seus narizes e confundiam seu sentido de olfato. Ela trabalhou para Tim Oberto na força-tarefa e ouviu coisas sobre os Espécies da equipe que trabalharam de perto com seus homens.

— Vou enviar-lhe uma nota.

Os dois homens pareciam confusos.

— Talvez alguém estivesse assistindo um filme de terror. As fêmeas humanas gritam o tempo todo. Vamos ter que perguntar a todos se for o caso, para rastrear a origem do distúrbio.

— Não incomode ninguém. A única fêmea aqui é Jessie Dupree e disse que ela está bem.

— Se machucou quando quebrou a cadeira, Justice? Posso chamar alguém para dar uma olhada.

Justice balançou a cabeça, nadando na direção do lado da piscina.

— Estou bem. Só me irritou.

Os homens hesitaram. Justice saiu da piscina e foi até uma toalha que jogou na espreguiçadeira antes. A envolveu em torno de seus quadris e arqueou uma sobrancelha quando os enfrentou.

— Há mais alguma coisa?

— Porque essa fêmea humana está aqui? Não questionamos seu julgamento, mas estamos curiosos, Justice.

— Esta é a área mais segura de Homeland. Seu pai é alguém que cuida de nós e trabalha através de questões jurídicas em nosso nome. Dei minha palavra a ele que ela seria mantida segura. Ela também salvou nossas mulheres e as trouxe para nós em seu último trabalho. Jessie Dupree é uma amiga de confiança.

Um deles falou.

— Entendemos. Obrigado por explicar.

Justice esperou até que fossem embora antes de balançar seu cabelo molhado, tentando secar um pouco. Virou-se para olhar por cima do muro para a casa ao lado. A luz do quarto de Jessie permanecia acesa. Desejava escalar a parede e bater na janela.

A frustração tomou conta dele quando se virou. Querer e fazer eram coisas diferentes no seu caso. Perdeu o controle tirando sangue no sexo partilhado e atraiu a atenção para eles estarem juntos por rugir de prazer. Isso o perturbava profundamente, pois era algo que nunca fez antes com uma fêmea. Ela atraía partes dele que não podia permitir ser livres. Nunca.

Precisava pensar, limpar a cabeça e ficar longe dela até que pudesse descobrir como controlar as emoções assustadoras se remexendo nele. Só tinha certeza de uma coisa... Jessie Dupree o estava deixando louco.

 

— Breeze. — Jessie sorriu. — Está aqui no dormitório das mulheres! Por que ainda não está na Reserva?

A mulher de mais de 1,90m sorriu.

— Cheguei cedo esta manhã. Minha melhor amiga Ellie queria que eu viesse para casa para compartilhar algumas novidades e vou ficar aqui por um tempo. Ela é humana e casada com Fury, que é Espécie.

— Ouvi falar deles na TV quando se casaram. Espero que seja uma boa notícia?

— A melhor. Sinto muito, mas não posso compartilhar o que é. Tudo que posso dizer é que ela e seu marido queriam algo, uma vez que encontraram o amor juntos finalmente conseguiram.

— Essa é uma boa notícia.

— O que está fazendo aqui? Está verificando as mulheres que trouxe para nós? Ainda estão na Reserva e estão bem. Instalaram-se bem. Foi decidido que deveriam ficar lá em vez de ser trazidas para cá, uma vez que estão aproveitando as árvores e as milhas de terra para passear.

— Na verdade, trabalho aqui agora. É uma longa história.

Os olhos de Breeze se arregalaram.

— De verdade? Fazendo o quê?

Jessie virou a cabeça para olhar para Bela. Ela passou a manhã e parte da tarde a ajudando a se instalar no dormitório feminino. Aceitou bem a maior parte da movimentação.

Tiny e Halfpint eram companheiras constantes de Bela, e ajudaram. A única quase colisão na transição suave foi quando Bela viu as mulheres muito mais altas, fortemente construídas. Teve medo delas, mas atualmente estava sentada na sala de estar conversando com uma meia dúzia delas, sem medo.

— Essa é Bela. Nós a recuperamos na noite de anteontem de uma propriedade em Washington. Não sei tudo que meu novo trabalho implica, mas por agora é ajudá-la a se adaptar em sua nova vida. Ela está levando isso bem.

— Gosto de seu nome. Encaixa-se. Ela escolheu bem. — Breeze sorriu e voltou sua atenção para Jessie.

— Na verdade, eu o escolhi. Continuo dizendo que ela pode mudar a qualquer momento e estou esperando que o faça. Sinto-me um pouco estranha nomeando uma adulta. — Jessie deu de ombros. — Precisava fazer isso rápido e foi tudo que me veio à cabeça.

— Por que precisava de um nome para ela?

Jessie cerrou os dentes.

— Porque os dois únicos nomes que ela podia se lembrar me irritaram tanto que não permitiria que ninguém jamais a chamasse assim. Temos que fazer a papelada e vai ficar com ela no registro. Recusei-me a gravar esses nomes.

O rosto de Breeze endureceu.

— Do que a chamavam?

Jessie olhou para a mulher mais alta.

— Realmente não acho que quer saber.

— Diga-me.

Jessie suspirou, imaginando que Breeze tinha o direito de saber.

— A chamavam de Porcaria e acho que de Macaca quando era mais jovem. Esses foram os dois únicos nomes que podia se lembrar.

A alta mulher Novas Espécies rosnou e cuspiu uma série de maldições que fariam corar um marinheiro ao longo da vida. Jessie concordou com a cabeça. As duas mulheres olharam uma para a outra até que a raiva de Breeze desapareceu.

— Obrigada. Foi um nome muito bom que escolheu e lhe convém. Acho que pode mantê-lo e você fez um favor a ela.

— Obrigada. — Jessie sorriu de repente. — Então, está indo conseguir algum sono decente agora que está fora do hotel?

Breeze riu.

— Mandaram Tammy e Valiant para sua casa, para sempre. Justice disse que precisam de sua privacidade, uma vez que estão casados agora. Ele tem guardas em torno de sua propriedade para ajudar Valiant a mantê-la segura. Talvez seja uma coisa humana e Espécie, mas ninguém tem sexo tão alto quanto os dois.

Jessie conseguiu manter seu sorriso no local enquanto lembrava-se da noite anterior.

Ela e Justice gritaram tão alto que dispararam o alarme de segurança.

— Posso perguntar uma coisa?

— Claro. — Breeze a levou para a cozinha para pegar refrigerantes da geladeira. Ela indicou a Jessie uma banqueta de bar. — Conte comigo! Amo esse ditado.

Jessie sentou ao lado dela.

— O casal misto, que acabou de se casar, uh, ele é leão, certo?

— Acreditamos que sim. Principalmente fazemos adivinhações já que os registros foram destruídos. Com sua cor e personalidade, podemos assumir que foi misturado com esse DNA. O que tem ele?

— Conheci Justice North e ele tem o mesmo tipo de olhos que Valiant. Ele é leão? — Isso explicaria o barulho depois do sexo.

— Sua coloração não está certa. No meu tempo livre estou estudando animais. Queria saber melhor como alguns de nós foram alterados. — Breeze parecia orgulhosa. — Acho que seja, talvez, misturado com leopardo preto... que os humanos chamam de panteras.

Jessie conseguiu impedir que sua boca abrisse, apesar de seu estado de choque.

— Seus cabelos não deveriam ser pretos? Quer dizer, Valiant tem cabelo vermelho-alaranjado semelhante a um leão. Conheci Flame e ele tem o cabelo vermelho, mas tem olhos de gato. Pude ver imediatamente.

Breeze mordeu o lábio.

— Não posso discutir isso com você, Jessie.

— Por que não?

Breeze hesitou novamente, mas soltou um suspiro.

— É uma amiga para nós e salva nossas mulheres. Sei que é confiável. Alguns de nós pintam os cabelos. Isso é tudo que vou dizer.

Justice pintava o cabelo? Explicava por que parecia diferente pessoalmente do que na televisão e em algumas fotos no jornal. Ele parecia diferente, porque sua cor de cabelo variava.

— Por que ele... Quer dizer, alguns de vocês fazem isso?

— Alguns de nós precisam parecer mais humanos, mas nossa coloração natural por vezes, torna isso muito difícil. Por favor, não repita isso para ninguém. Eu poderia ficar em apuros.

— Não vou contar a ninguém. Tem minha palavra. Então, como exemplo, alguém com cabelo loiro poderia realmente ter o cabelo preto?

— Exatamente. O faria parecer mais humano e menos ameaçador.

Pelo menos aos olhos do público. Alguém que lidava com humanos o tempo todo. Jessie tentou imaginar Justice com cabelo preto, mas era difícil. De repente, explicava por que seus cílios longos eram negros. Às vezes, via um pouco de azul escuro nas profundezas de seus olhos, mas de longe parecia uma sombra mais escura de marrom, na fronteira com preto.

Com cabelo preto seria... Uma imagem passou dentro de sua cabeça de Justice com cabelo preto. Assustador. Terrível. Feroz. Justice com cabelos claros parecia mais humano e menos propenso a assustar alguém. Fazia sentido.

Jessie dormiu com um homem alterado com DNA de pantera. Explicava o ronronar, os olhos felinos e o rugido após o sexo. Ele rasgou a roupa de cama e marcou o colchão com as unhas. Garras. Panteras eram animais perigosos. Talvez tenha uma boa razão para temer me machucar.

— O que está pensando?

Jessie tirou sua atenção de seus pensamentos para forçar um sorriso para Breeze.

— Um homem.

O rosto de Breeze se abriu num sorriso.

— Conte tudo, namorada.

Jessie sacudiu a cabeça.

— Não posso.

— Ah. Está perguntando sobre nossos homens por uma razão, não é? Ouvi Flame falando de você. Ele é felino e é por isso que estava me perguntando sobre Valiant, não é? Escorregou e mencionou seu nome. Juro que não vou dizer uma palavra a ninguém. Flame é atraente e um colírio para os olhos. Tem um bom senso de diversão também.

Flame? Jessie não sabia se devia estar aliviada pela suposição de Breeze. Mas acertou corretamente supondo que Jessie pensava em Justice. Jessie apenas sorriu.

— Flame gosta de você. Ouvi dizer que deixou uma boa impressão nele.

— Ouviu isso? Ele se ofereceu para pagar uma cerveja e me apresentar por aí, para que pudesse fazer alguns amigos.

— Devia aceitar.

— Há essa coisa de sou-toda-humana-e-ele-Espécies acontecendo.

O sorriso nos lábios de Breeze desapareceu.

— Não ficaria com um da minha espécie?

— Não é isso. — Mordeu o lábio, cuidadosa com o que dizia. — Estive conversando com alguns de seus homens uma vez. — mentiu, formando um cenário que se inserisse em seu dilema real. — Eles meio que deixaram claro que não dormiriam com uma mulher humana. Ele, quero dizer, eles disseram que não gostariam de se envolver com uma humana e foram inflexíveis sobre como teriam muito medo de perder o controle e machucá-la.

— É um temor válido. Nossos homens são fortes e dominam. O que sabe sobre isso?

— A maioria dos homens são mandões. Esse é um traço universal que vem com um pau.

Breeze não riu da tentativa de humor de Jessie.

— Não. Seus homens dizem às mulheres o que fazer, porque apenas querem fazê-lo. Nossos homens dominam fisicamente e precisam fazer. Há uma grande diferença.

— Poderia explicar isso para mim? Estou muito curiosa.

— Quando um homem e mulher do nosso tipo fazem sexo, nos montam por trás. Ele vai usar os dentes em nossos ombros para nos manter imóveis se sentir que seu domínio é ameaçado. A necessidade de estar no controle durante o sexo é avassaladora. É difícil descrever, mas há um ponto em ambos os lados aqui... — Ela estendeu a mão e tocou seus ombros. — Se um macho nos agarra com os dentes é muito bom e não dói. Nunca rompem a pele, mas sabemos que é melhor não se afastar ou acidentes poderiam acontecer.

Jessie teve uma sensação ruim. — tinha uma bandagem escondida sob sua camisa. — Que tipo de acidentes?

— Seus dentes podem afundar apenas o suficiente para tirar sangue ou poderiam deixar uma cicatriz em nossa pele. É raro, mas um macho tirou meu sangue uma vez. Matou um dos técnicos quando ele veio me retirar de sua cela depois que compartilhamos sexo. Ele não queria me deixar ir embora ou me compartilhar com outros machos. Era muito possessivo. Estava apaixonado por mim e acho que me mordeu para mostrar dominação e que eu era sua, talvez para me marcar, porque não tentei desafiá-lo durante o sexo. Ele disse que suas entranhas gritavam que me mantivesse e sabia que nós não queríamos ser mantidas. É por isso que não temos relações sexuais com o mesmo macho muitas vezes, agora que somos livres. Queremos ter certeza de que se lembrem que não queremos ser mantidas por eles e isso lhes permite não se sentirem possessivos sobre nós. Nossos homens podem ser perigosos para sua espécie.

— Por que qualquer um seria perigoso para as humanas?

— Quando nossos homens apertam os dentes, você não sabe que não é para lutar ou fugir. Ele poderia ficar louco se o fizesse. Temos certeza que queremos ficar juntos e tem que ser totalmente mútuo quando fazemos. Se um homem estiver atrás de você e morder sua pele forte, não ficaria alarmada? Lutaria, não é? Fugiria? Seus dentes são afiados e podem rasgar a pele ou suas mãos poderiam machucá-la, tentando segurar você imóvel para sua própria segurança. Eles podem ser gentis e agradáveis, mas se desafiar seu domínio durante o sexo, sentiria uma vontade incontrolável de provar que ele é digno. É uma necessidade. É o que são. Se deixar um de nossos homens fazer sexo com você, muitas vezes poderá querer segurá-la se começar a se sentir possessivo. Um macho Espécie não a deixaria ir se isso acontecesse, lutaria para mantê-la e mataria qualquer um que tentasse tirá-la dele. Pode sentir amor se permitir que ele a conheça muito bem e isso é muito perigoso em nossa espécie.

— Não pode ser tão perigoso. Há casais mistos.

— Sim, mas os machos matariam qualquer um que tocasse uma de suas companheiras. Você encontrou Tammy e Valiant. Ele não gosta que outros machos olhem para ela. Ela voluntariamente se submete a ele e se entregou totalmente, mas compartilham amor. Valiant rasgaria qualquer um com suas próprias mãos, se achasse que está sendo ameaçada, Jessie. Esse é o perigo com nossos homens e estamos considerando o que aconteceria se um deles se apaixonasse por uma mulher que não retribuísse. Ele nunca a machucaria, mas achamos que qualquer homem que tentasse tocá-la perderia uma parte do corpo. Entendo o medo que nossa raça sente pelo sexo com humanos e é razoável. Se você se decidir a fazer sexo com Flame, preciso ensinar você primeiro, para que saiba como lidar com um de nossos homens com segurança.

Jessie não tinha certeza se queria a resposta, mas ainda assim fez a pergunta.

— O que preciso saber?

— Nunca peça a um homem para se submeter a você. São dominantes e isso iria deixá-los irritados e perigosos se fizer isso. Para eles, seria um desafio. Estará questionando suas habilidades. Os machos estão sempre no controle do sexo. Não lute durante o sexo se Flame a apertar com os dentes. Isso significa que está perdendo o controle e precisa ficar quieta.

— Perder o controle é uma coisa ruim?

— Sim! — Breeze desceu seu olhar pelo corpo de Jessie, a medindo. — Ele a quebraria. Nossos homens são fortes e nossa ideia de preliminares seria uma luta áspera para você.

— Certo. — ela soltou, atordoada novamente.

— Nunca olhe nos olhos de um homem com raiva, porque isso é um desafio também. Olhe para baixo e se controle até que tenham tempo para se acalmar. Além disso, nunca permita que compartilhe sexo com você, se estiver realmente excitado porque podem ser agressivos para atender suas necessidades. Diga não se Flame tiver o desejo de mordê-la e tomar seu sangue durante o sexo. Isso o faria sentir que a possui e você nunca vai querer isso com um de nossos homens, a menos que esteja preparada para ficar presa com ele para sempre.

— Acho que entendi. Obrigada. Por favor, esqueça sobre a nome Flame, certo? Não estou pensando em dormir com ele. Estava apenas curiosa.

Breeze sorriu.

— Claro.

A outra mulher não acreditou, mas Jessie deixou como estava.

— Foi um longo dia e vou para casa. Vou ver Bela primeiro e ter certeza que ficará bem comigo indo embora. Estou feliz por estar aqui e vamos nos ver muito.

— Vou dizer Olá e tomar conta dela enquanto você estiver fora. Pode apenas ir e descansar um pouco. Vai voltar aqui amanhã?

— Sim.

Jessie deixou o dormitório, sua mente processando tudo que descobriu. Segundo a assessoria de Breeze sobre o que não fazer na cama com um macho Espécie, ela já tinha estragado tudo.

Pediu a Justice para deixá-la ficar por cima, o que o desafiou. Sua reação foi quase sair do quarto e terminar o encontro. Breeze disse que nunca permitiam que uma mulher os dominasse no sexo, mas Justice o fez quando ela conseguiu ficar por cima. Não tinha ideia por que fez isso, exceto que talvez ele não fosse como a maioria dos Espécies, já que lidava com tantos humanos diariamente. Os humanos trabalhavam em Homeland e ele estava em contato com os meios de comunicação, seu pai e um monte de outras pessoas que investiam no bem-estar das Espécies.

Sentiu os dentes de Justice em seu ombro, mas não sabia o que significava. Ignorou seu pedido para que ficasse parada, sem querer, o provocando a fazer valer sua posição dominante. Ela se moveu contra ele, o empurrou para tomá-la do jeito que queria e ele mordeu seu ombro forte o suficiente para tirar sangue. Esse era outro não-não. É claro que não queria ficar com ela para sempre. Não. Queria acabar com seu breve relacionamento antes de arriscar que decolasse.

Não admira que não quisesse me ver novamente. A depressão a atingiu duro enquanto Jessie ia para casa no carrinho de golfe. Mais cedo naquele dia acordou para encontrar um estacionado em sua garagem com um mapa marcando de sua casa até o dormitório das mulheres. O oficial prostrado em sua porta garantiu a ela que era para seu uso. Tinha como passear por Homeland, mas não tinha aonde ir, exceto sua casa vazia.

Um novo oficial estava no posto de segurança, mas não a impediu. Sorriu e acenou quando abriu as portas que a levariam para a área de moradia. Jessie acenou de volta e estacionou na garagem. Não conseguia entender o quanto conseguiu estragar com Justice. Espécies deviam vir com um manual intitulado Encontros para quem não entende nada de homens e 50 coisas para evitar insultá-los.

Ela abriu a porta da frente, feliz quando entrou por que o perfume finalmente desapareceu. Seu olhar foi para o vaso de plantas à esquerda e sorriu.

Escondeu o vidro lá, no caso de ser necessário mascarar o cheiro de Justice novamente. Seu humor rapidamente esvaziou, já que duvidava que voltasse.

Um banho rápido, uma mudança para roupas confortáveis e um desejo de ocupar seu tempo na cozinha ajudou a manter os pensamentos longe de Justice. Gostava de cozinhar. A relaxava e gostava de comer. O único problema era a maminha que colocou para assar, que iria alimentá-la por uma semana a base de sanduíches com as sobras. Ela mordeu o lábio, a observou girar lentamente, escorrendo os caldos na forma e decidiu que podia levar sanduíches para as mulheres no dormitório, amanhã.

Ficou espantada com a quantidade da oferta de alimentos e os tamanhos das porções enormes. Claro que Espécies provavelmente comiam uns oito quilos de carne a cada vez, mas com certeza ela não podia.

Virou-se, decidida a lavar as roupas novas antes de usar o resto delas e se acomodar para tomar um longo banho para matar o tempo antes do jantar ficar pronto.

Os jatos eram maravilhosos e a água morna. Avaliou sua vida. A amorosa era uma merda, mas estava vivendo num lugar agradável e amava seu novo trabalho. A campainha tocou, a fazendo saltar, mas sorriu. Tinha que ser Justice! Saiu rapidamente e colocou as roupas novamente, sua mente trabalhando numa maneira de falar para o homem estúpido baixar sua guarda e voltar quando a área estivesse limpa. A campainha tocou novamente e correu do banheiro.

— Estou indo. Espere!

Jessie torceu as fechaduras enquanto seu coração disparava e sorriu, animada por vê-lo depois da noite anterior. Dois grandes machos Espécies estavam ali diante dela. Ambos sem uniforme, ostentando calças jeans e camisetas e a olhavam com uma severidade que a assegurou que não estavam felizes.

O da direita falou.

— Sou Night. Seus pertences foram entregues e nos pediram para trazê-los. Importa-se se descarregarmos o jipe agora e carregar essas caixas para dentro? Temos que informar que suas coisas foram revistadas pela segurança. É procedimento padrão, mas nada foi confiscado.

— Tudo bem. Obrigada. Claro. — ela concordou. — Deixe-me pegar os sapatos e vou ajudar. — O Espécie à esquerda franziu a testa por seu descontentamento.

— Não. É muito pequena e só vai nos atrasar. Basta sentar e manter a calma. Não faremos nenhum dano. — Ele puxou uma respiração. — Sou Sword. Não está em perigo.

Suas palavras provocaram diversão, como se temesse que ela pudesse estar com medo deles, mas sua tensão a obrigou a escondê-la. Ele realmente parecia no limite por lidar com ela, então baixou o olhar. Eram Espécies e queria que se sentissem à vontade com ela.

Regras de etiqueta era um longo caminho para ganhar esse objetivo.

— Obrigada. Vou esperar lá dentro e lembrar que não estou em perigo. — Recuou.

— Bom. — Night grunhiu, girou sobre os calcanhares e desceu a passarela. O outro o seguiu.

Jessie ergueu o olhar para vê-los pegar caixas da parte de trás do jipe lotado e, finalmente, permitiu que a risada escapasse. Era bonito como presumiam que ficaria com medo deles e doce que quisessem assegurar que não estavam lá para matá-la. Riu de novo. O olhar voltando para a sala e viu uma área onde podia empilhar as caixas.

— Podem simplesmente deixá-las lá. — Apontou, virando de costas. — Obrigada. Sinto muito, há muitas delas. Não sabia que tinha acumulado tanta coisa. — Uma ideia se formou quando um deles cheirou o ar, sua atenção sobre a arcada aberta para a cozinha e ambos continuaram fazendo isso enquanto traziam mais caixas. Ela inalou o aroma irresistível da carne, e percebeu que poderiam estar com fome e decidiu tentar fazer amigos. Não ia ficar sentada a noite toda pensando em Justice e como resolver os problemas que tinham. Os caras finalmente transportaram as últimas duas caixas.

— Muito obrigada. Fico feliz. Gostariam de ficar para o jantar? Tenho muito e é costume humano alimentar as pessoas, como forma de mostrar agradecimento.

Os homens olharam um para o outro, sua apreensão perto do cômico.

— Tenho carne. É assada cortada em fatias finas e rosada. Não tão cru como a maioria de vocês gostam, mas acho que vão gostar. Agradeço a oportunidade de fazer novos amigos. Acabei de me mudar aqui e não conheço muitas pessoas.

Sword respondeu por ambos.

— Nós aceitamos. Deve se sentir bem-vinda por nós e amigos são importantes.

— Eles são. — Sorriu. — Por que não sentam no sofá? Podem tirar os sapatos, ligar a televisão e relaxar enquanto vou cortá-la e assar as batatas no micro-ondas. Não deve levar mais que 15 minutos.

Eles fecharam a porta da frente e caminharam na direção do sofá. Jessie se virou, entrou na cozinha e tirou a carne quinze minutos mais cedo. Parecia realmente pronta por fora, mas estaria mais crua do que comia normalmente. Em outras palavras, perfeita para seus convidados. Foi trabalho rápido lavar três batatas, espetá-las com um garfo e assá-las no forno de micro-ondas. Ela cozinhou até mesmo alguns legumes picados, um pouco de cebolinha para as batatas e colocou a mesa para três.

A excitação a agarrava pela perspectiva de falar com os dois homens. Estava familiarizada com fêmeas, mas seus colegas eram completamente diferentes. Esperava que conhecê-los a ajudasse da próxima vez que lidasse com Justice. Podiam ser amigáveis o suficiente para responder todas as perguntas que faria.

Jessie entrou na sala de estar.

— O jantar está pronto. Querem me seguir ou poderia trazer os pratos para cá, se preferirem a mesa de café.

Ambos os homens ficaram em pé instantaneamente e se aproximaram com cautela, como se temessem que pudesse fugir de terror. Sword parecia ser o mais falante dos dois quando respondeu.

— Temos a honra de comer à sua mesa, na cozinha. Obrigado, Sra. Dupree.

— Por favor, só me chame de Jessie e sou a única que tem a honra de ter vocês como convidados. — Ela os levou para a cozinha e se dirigiu para a geladeira. Depois de perguntar o que queriam beber, pegou refrigerantes e sentou à mesa para sorrir para os machos. — Vão fundo. Não sou formal e não se preocupem com boas maneiras à mesa. Apenas se sintam em casa, certo? Há muita comida e espero que possam comer tudo ou vou ter que usar as sobras para fazer uma tonelada de sanduíches. Estariam me poupando o trabalho.

Night cortou uma fatia de carne, olhou para ela como se ele estivesse com medo de dar uma mordida, mas depois a coisa encheu sua boca. Jessie parou para observar a reação dele, esperando que gostasse. Ele sorriu enquanto mastigava. Sua surpresa evidente enquanto olhava para ela até que engoliu.

— Isso é muito bom! Obrigado, Jessie.

— Sim. — concordou Sword, engolindo a primeira mordida. — É delicioso. Não sabia que podia fazer desse jeito. Apenas os cortamos em grandes pedaços e assamos. Deve nos dizer como cozinhá-los desta maneira.

— Ficaria feliz em escrever para você. É fácil. — Apontou a churrasqueira. — Isso faz o trabalho. Só tempere a carne, coloque lá e espere que fique pronto. Qualquer um pode fazer isso.

Eles comeram em silêncio, os homens consumindo grandes quantidades de carne. Jessie resistiu ao impulso de enchê-los de perguntas. Pelo menos espere até que estejam satisfeitos e cheios, argumentou.

Night finalmente parou de comer, largou o garfo e olhou para ela. Ela encontrou seu olhar.

— Não estava com medo de nos convidar para jantar? Somos dois machos ferozes que você não conhece em sua casa. Acreditávamos que estaria aterrorizada.

Sword limpou a garganta.

— Não queríamos trazer suas caixas porque achamos que podia nos ver e chorar. — Ele fez uma cara horrível e estremeceu.

— Não choraria. — Jessie lutou contra uma risada, mas não conseguiu evitar o sorriso que se espalhou em seu rosto. — Estou acostumada a ficar perto de homens maiores e não me assusto facilmente. Sabe qual foi meu último trabalho?

Ambos os homens balançaram a cabeça. Jessie começou a contar sobre seu trabalho com a força-tarefa, os homens que trabalhava e todas as Espécies que conheceu e salvou. Os dois homens ouviram atentamente com interesse. Ela terminou com a forma como foi atingida de raspão por uma bala e foi parar em Homeland.

— Sabe que não iremos atacá-la e forçar sexo com você? — Sword parecia sincero. — Um cara disse que, provavelmente, ao ver nós dois ia achar que íamos te estuprar.

Night riu.

— Ele disse que ia ferir nossos ouvidos com seus gritos assim que abrisse a porta.

— E chorar. — Sword riu. — Estava esperando que achasse que eu era um estuprador e apenas gritasse, em vez de explodir em soluços histéricos. Isso machucaria menos meus ouvidos.

Jessie riu.

— Diga ao seu amigo que me desculpe por desapontá-lo.

— Vai ficar desapontado quando contar sobre o jantar que nos convidou. — Night sorriu. — Foi convidado a vir, mas eu lhe devia um favor. Disse-me que devia vir em seu lugar para nos deixar quites. — Sword riu de novo. — Devia levar um pedaço do bife. Eu ia rir ao ver a cara dele quando saboreasse a carne com que ela nos alimentou.

Jessie levantou.

— Deixe-me te dar um saquinho e pode levar alguns pedaços.

— Você é uma humana boa, Jessie. — Night sorriu. — Estou contente por que não a fiz gritar ou chorar.

— Eu também. — Jessie riu, colocando algumas fatias de carne num saquinho antes de voltar para a mesa.

Ainda estavam rindo quando um rosnado terrível sacudiu todos neste momento.

Jessie girou pelo som alto, surpreendente e ficou boquiaberta com a visão de Justice em pé no arco aberto entre a sala de estar e a cozinha. Raiva brilhava nos olhos semicerrados. Os punhos estavam apertados ao seu lado e nem mesmo o impecável terno cinza podia suavizar as vibrações perigosas emitidas.

Não estava olhando para ela, mas, em vez disso parecia apenas focado em seus convidados do jantar.

O som de uma cadeira batendo no chão a fez girar a cabeça nessa direção. Ambos, Night e Sword se levantaram rapidamente, baixando a cabeça até que seus queixos quase tocavam os peitos e seus olhares encontraram o chão. Afastaram-se para longe da mesa e o medo empalideceu suas feições.

Jessie franziu o cenho quando se virou para olhar Justice, em seguida, os machos, avaliando o que estava acontecendo. Justice estava furioso por alguma razão e seus homens estavam com medo de seu show de humor e não tinha a menor ideia de por que estava agindo assim tão louco.

— Olá, Sr. North. — Ela se recusava a chamá-lo de Justice desde que deixou claro que não queria que ninguém soubesse que passaram algum tempo juntos. — Obrigado por entregar minhas coisas. Não sei por que está chateado, mas estamos jantando. Está convidado a sentar se estiver com fome.

O misterioso olhar furioso de Justice encontrou o dela. Rosnou para ela e mostrou seus dentes afiados.

Jessie cruzou os braços sobre o peito enquanto olhava bem nos olhos dele. Queria perguntar qual era o problema.

— Saiam. — rosnou Justice. — Agora.

Ambos os homens caminharam ao redor da sala para se manter o mais longe possível de seu líder, próximo as paredes e mantendo uma distância segura. Ela olhou para a mesa, viu o saquinho esquecido de carne e o agarrou. Saiu atrás dos homens. Evitou Justice andando em volta dele também.

— Esperem.

Os dois homens estavam na porta quando os parou com sua voz e estendeu o saquinho.

— Esqueceram isso para seu amigo. Não sei o que está acontecendo, mas sinto muito por isso.

Night olhou para ela.

— Nunca olhe um Espécie nos olhos quando ele rosnar para você. Está chateado com alguma coisa. — Pegou o saquinho. — Obrigado, Jessie. — Um rugido feroz encheu a sala atrás de Jessie. Night vacilou e os dois homens fugiram.

Jessie apertou os dentes e fechou a porta da frente lentamente. Ouviu o Jeep se afastar e puxou algumas respirações profundas e calmantes antes de virar para enfrentar o homem puto atrás dela.

Justice olhou para ela a cerca de oito metros de distância e rosnou novamente. Seus olhos de gato brilharam com pura raiva com as mãos ainda em punhos e estava mostrando perfeitos dentes retos e suas acentuadas presas. Jessie olhou para trás e perdeu a paciência. Já não tinha que se preocupar com testemunhas, uma vez que estavam sozinhos.

— O que foi isso? — Gritou. — Eu os convidei para jantar depois de trazerem todas as minhas coisas e pensei que seria legal fazer alguns amigos. Como se atreve a simplesmente entrar na minha casa e assustá-los. Isso sem falar da parte sobre você apenas se convidar em minha casa. Não viu a campainha? Suas mãos estão quebradas para que não possa bater?

Outro rosnado baixo veio de sua garganta. Ele estendeu a mão, agarrou a gravata e a arrancou. Pegou seu paletó em seguida, não se incomodando em desabotoa-lo, quando o tecido rasgou e botões choveram sobre o piso de ladrilho. Jessie o assistia e sua raiva desapareceu pelo choque.

— Não permito homens dentro de sua casa e que os convide para ficar. — rosnou. — Vieram aqui e ficaram muito tempo. Imaginei o pior quando não saíram.

— Estava espiando minha casa?

Ele tirou os sapatos e um deles atingiu o sofá. O outro partiu pelo ar até que bateu na parede ao lado da porta. Ele respirava rapidamente, todos os vestígios do homem bem preparado, normalmente calmo se foram. Este era um lado dele que ela nunca viu e tinha que admitir ser assustador. Tentou uma bravata, uma vez que sempre a ajudou no passado.

— Por que estava vigiando minha casa? Esqueceu que me disse ontem à noite que não ia voltar aqui novamente? Lembro-me dessa conversa muito bem. Também me lembro de como saiu por uma janela para que ninguém soubesse que o poderoso Justice esteve na cama com uma humana. Não voltou. Será que dormir comigo te deu pulgas?

Os olhos de Justice se estreitaram e ele rosnou.

— Saia. — Advertiu numa voz profunda. — Precisa ficar longe de mim.

— Esta é minha casa. — Suspirou. — Você sai. Não vou me esconder até que passe seu acesso de raiva.

Ele pulou. Jessie sentiu o perigo imediato. Este não era seu ex-marido. Ele gritava com ela quando ficava chateado, mas Justice parecia selvagem quando veio para ela. Isto envolvia mais que gritar.

— Merda. — Sussurrou. Ficou tensa e lembrou-se das palavras de Breeze. Baixou a cabeça, fechou os olhos e ficou imóvel. Então começou a rezar.

Ele estava ao lado dela instantaneamente, respirando pesadamente. Seu coração batia forte enquanto se perguntava se era capaz de machucá-la. Não tinha mais certeza. Os segundos passaram lentamente até que pareceu uma eternidade. A respiração de Justice desacelerou quando ele respirou fundo. Alívio deslizou por ela quando a sensação de perigo passou. Breeze acertou em cheio no conselho.

— Jessie? — A voz de Justice ainda soava animalesca, mas mais suave e não parecia ameaçador.

Ela abriu os olhos para olhar o peito a menos de um metro de distância.

— O quê? É seguro eu me mover ou vai me machucar?

— Droga. — ele sussurrou, girando para longe.

Jessie olhou para cima para ver Justice de costas para ela. Não sabia o que estava acontecendo ou por que agia assim, não tinha certeza, naquele momento, se queria saber. Ela se dirigiu para a cozinha e apenas se afastou. Espaço entre eles parecia uma ideia muito boa.

Ela limpou a mesa e os pratos para colocá-los na máquina de lavar louça. Tirou a pequena quantidade de sobras e arrastou os pés para evitar a sala de estar.

Não ouviu a porta da frente abrir, o que significava que ele ainda estava lá.

— Jessie?

Ela se virou para encontrar Justice na porta da cozinha parecendo normal agora, exceto por suas roupas e sapatos desalinhados e desaparecidos.

— O que foi aquilo?

— Não posso ficar com você e é por isso. — Sua expressão era ilegível. — Os vi entrar e pensei sobre um deles tocando em você quando não saíram. Me perdi. Se tivessem colocado um dedo em você, os teria matado. — Sua voz quebrou e ele limpou a garganta. — Teria matado meus próprios homens. Estou calmo agora, mas nunca deixe homens entrar em sua casa de novo. Nunca ficará sozinha com um de novo. Em qualquer lugar.

Jessie o olhou enquanto suas palavras afundavam em seu cérebro atordoado. Não a queria, mas não queria que ninguém mais a tivesse também. Filho da puta.

— Deixe-me dizer como vai ser, Justice. Não me diga quem posso ou não ter dentro da minha casa. Trabalho para a ONE, mas minha vida pessoal é minha. Perdeu o direito de dar sua opinião — ela ressaltou a última palavra — sobre o que faço ou não no segundo que decidiu que não queria mais me ver. Não me quer, então não se atreva a me dizer que não posso passar meu tempo com outros homens.

Ele se moveu tão rápido que ela não teve tempo para tentar se defender. Justice a agarrou, o mundo virou de cabeça para baixo e o choque a impediu de lutar quando saiu na direção do seu quarto com ela jogada sobre o ombro. Ele chutou e a porta que se fechou atrás deles com força suficiente para fazê-la bater e a jogou deitada de costas no centro da cama num movimento rápido que a deixou tonta por alguns segundos.

Justice olhou para ela.

— Se quer alguém, vai ter a mim. — ele rosnou. Seus dedos com garras abriram os botões da camisa cara, deixando a coisa aberta e arrancando do peito. Suas mãos desceram para a calça. — Sou o único homem que a toca.

Jessie estava chocada, mas não com medo. Estava respirando com dificuldade, porém, um pouco irritada ainda, mas quando avaliou suas emoções, estava principalmente surpresa. Seu olhar desviou para Justice quando arrancou o elástico que segurava seu cabelo, o deixando cair por cima dos seus ombros. A visão que apresentava era uma que nunca esqueceria.

Parecia sexy, feroz, primitivo e todos os músculos do corpo estavam delineados pela adrenalina que obviamente experimentava. Arrancou a calça, a jogou e então teve outra grande pista sobre o que ele estava sentindo. Estava excitado, seu pênis em alerta total e a distraiu o suficiente para que não visse sua mão agarrar seu tornozelo. Ele a puxou para ele, forçou seu corpo a deslizar sobre a cama e sua outra mão agarrou sua calça. O tecido rasgou durante os segundos que permaneceu no seu estupor atordoado, e ele as arrancou completamente de seu corpo.

Instinto e anos de treinamento assumiram quando seu pé subiu e golpeou duro em seu estômago. O impacto foi suficiente para diminuir o aperto em seu tornozelo e enviá-lo tropeçando para trás com um gemido alto de dor. Jessie rolou, caiu sobre seus pés do outro lado da cama e o olhou.

— Não vou permitir que me machuque. — Sua voz tremeu e seus braços subiram numa postura defensiva.

Ele olhou para ela, esfregando o estômago. Havia uma marca vermelha.

— Não vou te machucar. Vou te foder. Queria ver meu verdadeiro eu. — Seu queixo levantou e ele abriu os braços abertos. — Aqui estou eu, querida.

 

Oh merda. Bem, eu disse que queria que ele parasse de se segurar. Acho que deveria ser cuidadosa com o que desejava. Jessie empurrou de volta seus pensamentos, deu-lhe uma rápida e profunda olhada uma vez mais e arqueou as sobrancelhas.

— Boa linguagem. Vai me deixar no clima. Isso é sarcasmo, se perdeu o ponto. Esqueça isso, Justice. Por que apenas não mija no canto da cama para marcar seu território?

Ele resmungou, mas Jessie não estava mais com medo. O choque desapareceu e estava preparada para ele agora. Ele estava com ciúmes. Mais irritado que qualquer coisa. Ele não a queria, mas não queria que ninguém mais quisesse ficar com ela.

— Se acha que vou deixar você chegar perto de mim dessa maneira, pense novamente. Você me deixou. Precisa sair até que saiba o que quer. Então, vamos conversar.

Justice rodeou a borda da cama, com os braços ainda abertos. Planejava agarrá-la, em vez de puxá-la e a virar para o espaço entre a janela e a cabeceira da cama. Ela não ia mergulhar através do vidro.

— Eu sei o que quero. Você.

— Pare.

Ele parou, mas não pareceu feliz com isso. Seu olhar encontrou o dela, suas narinas dilataram e baixou os braços dos lados.

— Não. Venha para mim, Jessie.

Ela balançou a cabeça.

— Não sou assim tão fácil, querido. — Ela usou seu próprio termo para lidar com ele. — Saiu pela janela ontem à noite para esconder o fato que estamos nos vendo. Se isso não fosse ruim o suficiente, não voltou. Esperei por você e me irrita ser tratada dessa forma.

Ele franziu a testa.

— Estava protegendo-a de todos.

— Estava sendo um idiota e poderia ter dormido na minha cama, mas não o fez. Ninguém saberia se voltasse furtivamente. Eu te cobri e mascarei seu cheiro com os oficiais. Eles não tinham ideia que esteve aqui.

— Quer discutir agora? — Ele olhou para o sexo dele esticado e depois para ela.

Ela quase riu de sua expressão frustrada. Queria ele e estava nu no quarto dela e poderiam discutir mais tarde. Apesar da discussão, o medo e agora a raiva a fazia se sentir viva. O resultado era que o queria e ele a queria.

Ele não estava questionando ficar com ela naquele momento. Alcançou a blusa, viu os olhos dele se arregalando enquanto a olhava abri-la e levou seu tempo para se despir. Ia fazê-lo pagar um pouco pela porcaria que a fez passar.

Jogou a blusa para ele e ele a pegou. O sutiã saiu em seguida, outro item que jogou na sua direção. Ele respirou profundamente, sentindo o cheiro de suas roupas e as deixou cair cegamente no chão. Era fácil dizer que queria dar o bote nela, mas se continha, lutando pelo controle novamente. Agora que estavam na mesma página sobre terminarem juntos na cama, ela queria que ele viesse para ela do jeito que estava antes dela o chutar.

Os polegares se curvaram na calcinha em seus quadris e ela se virou um pouco, se mantendo a vista e, lentamente, balançou o traseiro quando as abaixou. Seu olhar se fixou lá, um ronronar vindo dele e a observou se curvar até que saiu delas. Ela as deixou no chão e com as mãos segurou o lado da cama o olhando por cima do ombro.

— O quê? Quer um convite escrito para se juntar a mim? Por que não sobe na cama primeiro e discutimos nossos problemas mais tarde?

Se se moveu rápido, veio para ela em vez da cama e as mãos agarraram seus quadris. Ela não esperava isso ou ser levantada, torcida no ar e jogada de costas no colchão macio. Ela saltou uma vez e as mãos agarraram suas coxas. Ele as abriu, curvada para cima e expondo totalmente sua boceta. Seu olhar baixou e ela percebeu que o pênis estava a centímetros de entrar nela. Se esticou um pouco, com medo que apenas transasse com ela quando realmente queria um pouco de preliminares primeiro.

— Me convidou para jantar, mas só quero comer você. — respondeu asperamente.

Suas palavras fizeram sentido quando ele deu um passo atrás, se inclinou sobre ela e seu cabelo caiu para frente em seu baixo ventre. Ele deu um beijo na parte interna da coxa, ajustou suas pernas e se deleitou com seu clitóris. Jessie jogou a cabeça para trás, os punhos no edredom e gemeu pelo prazer imediato que sua boca quente lhe dava. A língua raspou sobre o botão sensível rapidamente, puxando sua paixão para níveis explosivos e soltou o edredom para embalar os próprios seios. Ela os apertou, acrescentando a experiência e as vibrações adicionadas à mistura quando um ronronar profundo veio de Justice.

— Oh, Deus! Amo quando faz isso. — ela ofegou. — Estou tão perto, querido. Não pare ou fique mais devagar.

Ele vibrou mais rápido, o som ficou mais alto e sexy e Jessie gritou quando atingiu o clímax rápido e furiosamente. Mexeu os quadris, mas as mãos fortes a seguravam presa ao colchão, sua boca soltou e ele finalmente soltou suas coxas. Ela abriu os olhos e o viu passar por cima dela de uma forma que lembrava que era parte pantera. Já não teve dúvida disso pela forma em que parecia rondar graciosamente em cima de seu corpo. Seus olhares se encontraram e sua boca desceu para tomar a dela num beijo que roubou seu fôlego.

Enganchou as pernas sobre seu traseiro enquanto ele se dirigia para ela. Seu pênis separou as paredes vaginais num impulso rápido. Ela gritou contra sua língua e ele rosnou, rasgando o beijo. Ela tinha mais de 100 kg de macho desenfreado transando com ela até o esquecimento enquanto a montava duro e rápido. O êxtase de ser tomada dessa forma, de como ele era gostoso, a enviou para um segundo clímax.

Justice se torceu um pouco, enfiou a cara na cama ao lado dela e gritou quando a seguiu enquanto suas paredes vaginais contraíam em torno de seu eixo grosso. O som não feriu seus ouvidos desta vez, muito abafado pelas cobertas e ela se agarrou a ele, só então percebendo que seus braços estavam em volta dos ombros dele.

Ela explorou as costas quentes com mãos errantes, adorando a sensação de tê-lo em cima dela, dentro dela. Justice manteve o rosto contra a cama, com os braços apoiados o suficiente para evitar que a parte superior do tórax a sufocasse com seu peso e ela se virou para roçar beijos em seu pescoço.

— Isso foi incrível.

Ele levantou a cabeça, encontrou seu olhar e franziu a testa.

— Não fui gentil.

— Não estou reclamando. A parte incrível foi um elogio. — Ela sorriu. — A melhor rapidinha.

Um som retumbou em sua garganta — um bonito de desagrado — e seu rosto pairou centímetros acima dela. Ele mudou seu peso e colocou uma das mãos em concha ao lado de seu rosto.

O polegar roçou sua bochecha, a acariciando.

— Me desculpe, perdi a cabeça e agi assim...

— Idiota? Uma dor no traseiro? Ciumento? — Estava feliz em sugerir palavras enquanto ele parecia perdido.

Seu olhar exótico se estreitou.

— Rude. — decidiu. — Admito o ciúme. Se alguma vez permitir que alguém te toque, vou matá-lo, Jessie. Vou destruí-lo. Entende?

O sorriso desapareceu.

— Realmente quer dizer isso, não é?

A raiva brilhou em seus lindos olhos.

— Sim. O pensamento me deixa louco. — Sua voz se aprofundou. — Apenas pensar que outro homem beije você, coloque as mãos sobre você, até...

— Entendo. — ela o cortou antes que realmente se irritasse. — Realmente é uma merda ruim e violenta. Um médico legista testaria seu nível de brutalidade. — Ela moveu as mãos para pressionar contra o peito, seus dedos o acariciando. — Vou fazer um acordo com você.

— Não há nenhuma negociação aqui.

— Pare de me dizer que acabou, que não podemos ver um ao outro, e não terá motivo para sentir ciúmes, porque não engano. — Ela manteve seu olhar. — Tenho um cara na minha vida e na minha cama. Não preciso de dois. Só quero você.

A raiva diminuiu.

— Não é tão simples assim.

— Nada que vale a pena na vida é.

— Firmei um compromisso com meu povo e me envolver com você aumenta os problemas que temos. — Respirou fundo e sua raiva desapareceu para ser substituída por tristeza, enquanto olhava nos olhos dela. — Posso pensar em mil razões por que é uma má ideia ficar com você, mas ainda assim estou aqui. Você é minha única fraqueza, Jessie. Quero você e parece que a lógica não me ajuda a ficar longe.

Ele admitir isso a fez derreter um pouco por dentro.

— Que tipo de problemas acha que ficar comigo vai causar? Fale comigo.

— Assim que sair que estamos namorando, isso só vai conduzir os grupos de ódio a outro frenesi sobre como somos animais e como é errado estarmos autorizados a viver. Os fanáticos religiosos vão gritar sobre os pecados dos animais que têm sexo com humanos. — Um pequeno sorriso curvou seus lábios. — Se sentir pecador é muito legal, mas você entende o ponto.

Ela riu.

— É. A vantagem é que a maioria das pessoas acha que esses grupos estão cheios de idiotas e não os ouvem.

— Eles aterrorizam nossas portas, fazem ameaças de morte, e tenho outras coisas para considerar também. — Seu humor desapareceu. — Vão alvejá-la. Descobrimos isso em primeira mão. Eles não apenas vêm atrás de nós, mas das mulheres com quem estamos. Não seria capaz de deixar Homeland sem estar em perigo.

— Sou boa em tomar conta de mim e por acaso trabalho e vivo aqui agora. Não estou realmente preocupada com isso. — Ela passou as mãos em seus ombros, massageando a tensão lá e deu de ombros. — Odeio fazer compras, então com certeza não vou perder os shoppings e posso comprar qualquer coisa desde que tenha a internet. Qual o próximo?

Ele hesitou e sua atenção desviou para seu cabelo espalhado sobre a cama. Ela sabia que estava evitando algo e mexeu com ele para trazer seu foco de volta aos seus olhos. Ele encontrou seu olhar e ela arqueou as sobrancelhas.

— O que mais? Fale comigo, caramba. Pode ser totalmente honesto. Apenas solte.

— Seu pai.

As duas palavras tiveram um efeito frio nela.

— Certo. Meu pai. Sim, isso poderia ser um problema.

— Ele pode tirar seu apoio à nossa causa e representa os Novas Espécies em Washington. Contamos com ele e pode pegar se ele descobrir sobre nós. Sujar. Ficar feio. Ele poderia prejudicar meu povo.

— Vai aceitar bem estarmos juntos também. Não estou muito preocupada com isso. É uma figura pública, o Sr. Reputação, e pode haver uma tempestade de merda sobre seu trabalho, se sua filha — eu — estiver com você. Alguns podem pedir que se demita porque estará emocionalmente envolvido. — Ela mordeu o lábio inferior.

— Ele não vai aceitar que fique comigo.

Ela relaxou.

— Estará feliz enquanto eu estiver feliz. Confie em mim. Estou mais preocupado com seu trabalho que qualquer outra coisa. Representar as Novas Espécies se tornou seu p... — Ela parou de falar, cortando o que ia dizer ”projeto de estimação“, uma vez que provavelmente não era o melhor termo para usar considerando que Justice poderia se ofender. Ela limpou a garganta. — Paixão na vida — substituiu.

Justice suspirou.

— Exatamente. Ficarmos juntos poderia causar um monte de problemas para todos e...

— E o que?

— Não temos certeza de onde isso está indo.

— Certo. — Ela concordou. — Mal nos conhecemos.

— É por isso que queria evitar vê-la. — admitiu. — Realmente devemos considerar isso, Jessie.

— Quero ficar com você e aqui é onde você quer estar também. Estou errada?

— Não.

— Tudo bem. — Suspirou. — Portanto, resta apenas duas coisas razoáveis que podemos fazer. Ou paramos de nos ver, o que não queremos fazer. Ou podemos apenas não falar a ninguém que estamos nos vendo até termos certeza que há algo a contar.

Ele a estudou.

— Não ficaria ferida se mantivéssemos nossa relação em segredo? Não tenho vergonha de ficar com você. Acusou-me disso e não é verdade.

— É apenas inteligente, por agora, manter as coisas entre nós, certo? Acho que nós dois concordamos que é melhor, considerando tudo que está em jogo. Realmente não quero causar problemas ao meu pai ou ter esses lunáticos agitados nos portões. Seus pobres oficiais já sofrem muito com o assédio. Odeio aumentar.

Ele franziu a testa.

— Não gosto de mentir.

— Não contar não quer dizer que estamos mentindo. — Ela sorriu. — Pelo menos me assegurou meu pai, mas ele está na política. Basta fingir que está lidando com a imprensa. Teve que aprender a lidar com eles. Enquanto formos totalmente honestos um com o outro, é tudo que importa. — Ela segurou o rosto dele. — Então, como ficamos sobre isso, Justice? Quer secretamente me namorar? Menos a parte do namoro, porque isso significaria alguém nos ver juntos. — Riu. — Não gosto de sair para jantar ou ver um filme de qualquer maneira. Gosto de noites calmas em casa.

— Você é perfeita.

— Oh, eu gostaria que isso fosse verdade. Vai ficar essa noite, certo? Ainda tenho que dormir com você e dizem que a terceira vez é um charme.

— Tente me tirar da sua cama. — Ele colocou mais peso para prendê-la debaixo dele.

— Estou muito cansada e não tenho motivação para movê-lo já que gosto de você exatamente onde está. Não tive muito sono na noite passada e sei que é cedo, mas estou cansada.

— Eu também não. Queria voltar, mas não sabia se ia me receber depois que fugi para evitar a detecção. Sinto muito por isso. Não quero te machucar, mas tenho que pensar sobre meu povo e tudo que faço reflete sobre eles. Senti-me tão rasgado.

— Entendo mais do que pode imaginar. Meu pai sofria quando meu irmão ou eu aprontávamos enquanto crescíamos. Tudo que fazemos reflete sobre ele e você representa as Espécies para o mundo. Tem muito em comum com ele, mas não da forma assustadora, estou-tendo-sexo-com-alguém-como-meu-pai.

Ele riu, seu corpo tremeu sobre o dela e sorriu.

— Você me faz feliz, Jessie. Estou tão feliz que entrou na minha vida. É um sopro de sol no silêncio escuro que a minha vida se tornou.

— Você balança meu mundo e minha cabeceira.

Diversão parecia realmente bem sobre ele, decidiu, admirando as belas feições. Ela estava contente que não estivesse tentando negar mais que havia algo entre eles. Entendia por que foi relutante em continuar a vendo. Toda preocupação que mencionou era válida para os dois. Ela se tornou dedicada a proteger e localizar Espécies, não causando mais sofrimento. Acabavam de manter seu envolvimento em privado. Evitaria problemas e não faria sentido agitar um vespeiro até que tivessem certeza de onde seu relacionamento ia.

— Pelo menos não disparamos nenhum alarme hoje à noite.

Ele lentamente se retirou de seu corpo e rolou para o lado, abriu os braços e, silenciosamente, pediu que viesse mais perto.

Jessie não hesitou em se aconchegar em seu abraço quente. Parecia incrível estar protegida contra ele e essa sensação de estar onde pertencia, com quem pertencia, a atingiu novamente. Não ia permitir que ele a assustasse já que estava cansada demais para se preocupar com um possível desgosto futuro. Ele valia o risco.

— Durma, Jessie. — murmurou, beijando o topo de sua cabeça. — Estou aqui e não vou sair.

— Isso é bom. — ela admitiu. — Deveria dormir aqui a noite toda.

O coração de Justice apertou pelo convite suave de Jessie para compartilhar sua cama numa base permanente. Ele queria. O desejo o golpeou forte e rápido para fazer exatamente isso. A ideia dela pertencer a ele trouxe emoções que nunca experimentou antes. Fechou os olhos, inalou seu perfume e seus braços apertaram ao redor dela.

Esta felicidade devia ser o que Fury, Slade e Valiant sentiam quando abraçavam suas companheiras. Esse pensamento o fez abrir os olhos e seu coração disparou. A ideia de manter Jessie ao seu lado, na sua cama e se comprometer com ela em todos os sentidos não enchia de medo seu coração. O deixava dolorido e seu pênis endureceu em resposta, querendo reclamá-la.

Droga. Calma, ele silenciosamente pediu ao seu corpo. A respiração de Jessie tinha mudado, dormia pacificamente contra ele e se recusava a acordá-la para fazer amor tão cedo de novo.

Conteve um bufo. A tomou de uma forma que não seria considerada amar no livro de ninguém. Foi muito áspero, frenético em mostrar a ela que era seu homem e que ele devia ser o único em sua cama.

A memória do surto em sua casa o envergonhava. Teria matado Night ou Sword se descobrisse que um deles tentou compartilhar sexo com Jessie. A raiva permanecia, só de pensar em outro homem colocando as mãos sobre sua mulher. Sua. Sim. É assim que penso nela e muito. Ele a puxou contra seu corpo, a segurou um pouco mais apertado, certificando-se que não a esmagava. Ela parecia pequena comparada a ele, frágil, e seus instintos protetores ardiam como nunca antes.

Não era fácil admitir que mataria um de seus próprios homens, mas não se coibia da verdade. Por Jessie faria isso. Se arrependeria mais tarde, mas ainda teria sangue de Espécies em suas mãos. Era perturbador perceber quão profundamente seus sentimentos cresceram em tão pouco tempo.

Um zumbido suave chamou sua atenção e cuidadosamente moveu Jessie o suficiente para liberar seu corpo, cuidadoso para não acordá-la, e rolar. Tinha que atender ao telefone ou alguém iria procurar em sua casa para se certificar que estava bem e descobrir que não estava lá. O incomodava quando deslizou para fora da cama, agarrou a calça rasgada e correu para fora do quarto, enquanto puxava o celular do bolso intacto.

— Justice aqui. — Não olhou para o identificador de chamadas.

— Desculpe. Estava comendo? No chuveiro? Demorou cinco toques para responder. Não quero ouvir sobre isso, se estava no banheiro fazendo outras coisas. — Tiger riu. — Isso não poderia ser adiado.

— Comi antes de deixar o escritório. Estava longe do meu telefone. O que foi?

— Adivinha quem apareceu na porta pedindo para te ver imediatamente? Sua repórter preferida e está esperando por uma resposta.

— Não. — A irritação explodiu. — Me recuso a falar com aquela mulher de novo.

— Ela está inflexível. Está ameaçando a manchete do jornal da manhã com a notícia de um Espécie se casando com uma humana na Reserva.

Ele entrou na sala de estar e parou.

— Isso não importa. Tammy contou aos seus amigos e foi obrigada a partir quando Valiant casou com ela. Já foram fotografados juntos quando foi sequestrada e a equipe a localizou e resgatou. Esperava que isso acontecesse.

— Tudo bem. Não é você que sempre diz que é melhor ser educado com esses abutres que deixá-los irritados o suficiente para nos arrasar em seus jornais?

— Me recuso a permitir essa mulher perto de mim, de novo.

Tiger riu.

— Ela quer um pedaço de Justice.

Rosnou em resposta.

— Ela é uma ameaça que acredita que sou burro demais para saber que está tentando me seduzir para ter acesso à informações sigilosas. Não está à procura de um companheiro, mas de uma série de reportagens exclusivas para impulsionar sua carreira.

— Ela é bonita, embora um pouco tagarela.

— Jurei que nunca iria permitir outra entrevista após a última.

— Gostaria de ver sua cara quando ela te mostrou os seios. — Tiger bufou. — Não teria me importado de vê-los. Como saiu dessa bagunça?

— Gritei para minha secretária entrar no escritório e acompanhar o resto da entrevista. Você conversa com a repórter. Ela pode mostrar os seios novamente se achar que é ingênuo o suficiente para acreditar que é sincera em seu interesse sexual por você e achar que pode soltar informações na cama.

— Claro que não. Estou evitando as fêmeas humanas. Sou muito esperto para isso.

Justice permaneceu em silêncio, incapaz de dizer qualquer coisa já que Jessie dormia no corredor, seu cheiro misturado com paixão ainda provocando seu nariz e mantendo seu pau duro ao querê-la novamente.

— Vou lidar com a abutre. Vou dizer a ela que não está aqui e teve que voar para a Reserva para uma reunião. Falando nisso, Miles Eron chamou para lembrá-lo que é esperado em seu escritório às nove da manhã.

— Ótimo. — Ele se absteve de rosnar, cansado de reuniões.

— Está preocupado com nossa imagem e foi por isso que o contratou. — Tiger fez uma pausa. — Vão pedir para pintar seu cabelo de novo. Está ficando escuro. Sabe como são nossos consultores de mídia.

— É uma tortura quando mexem comigo. Essa merda fede.

— É por isso que estou feliz por não ser você. Vou lidar com a pisca-pisca palerma e você volte ao que estava fazendo.

Justice hesitou.

— Posso pedir um favor?

— É claro.

— Estou cansado, Tiger. Gostaria de uma noite de sono ininterrupto. Pode apenas lidar com qualquer coisa que surgir e se certificar que não seja perturbado?

Simpatia brotou no tom do outro macho.

— É claro. Merece isso e muito mais. Vou cuidar de tudo que aparecer. Durma e descanse. Essa reunião na parte da manhã será um inferno e ambos sabemos que vão ter aquela mulher no escritório te esperando para pintar seu cabelo. Vou ficar no escritório e encaminhar todas as chamadas daqui.

— Obrigado.

— Durma um pouco e não se preocupe. Tenho tudo sob controle e vou chamar os oficiais para se certificarem de ficar longe de sua casa. Não os quero patrulhando perto demais e acordando você.

— Isso não é necessário. Já disse a eles para evitar minha casa.

— Se preocupam com você e querem ter certeza que está seguro. Não podemos permitir que nada aconteça com você. — Tiger riu. — Ninguém mais quer seu trabalho. Todo mundo precisa tanto de você porque não há nenhum de nós que pudesse se manter tão calmo, independentemente do que os humanos dizem ou fazem. Você é o mais tolerante e bem educado de todos nós. Estaríamos num mundo de merda se estivesse morto, porque ninguém mais poderia nos manter todos juntos.

Os ombros de Justice caíram.

— Não acho que seja verdade.

— É. — Todo humor deixou a voz de Tiger. — É por isso que vou ter a maldita certeza que durma um pouco. Estamos ferrados sem você. Sono profundo meu homem. — Desligou o telefone.

Justice fechou o telefone, o apertou na mão e mal evitou esmagar a coisa.

Olhou para o corredor na direção onde Jessie dormia. Nunca imaginou querer nada mais que cuidar de seu povo e garantir que conseguissem se fundir com o mundo fora das instalações de testes. Uma ruiva sexy e ardente mudou sua vida. A queria, mas duvidava que pudesse ter ambos.

Deixou seu telefone em cima da mesa no corredor, fechou a porta do quarto e olhou para o relógio. Era cedo para ir para a cama, mas estava cansado de sua vida, exausto de arcar com tanta responsabilidade e deprimido que um dia, em breve teria que desistir de Jessie pelo bem de seu povo.

Arrastou-se em sua cama, inalou o cheiro dela e puxou-a em seus braços. Ela murmurou seu nome no sono, deu um beijo no seu peito quando o rosto se aninhou contra ele e ele passou os braços apertados em torno dela.

Ser Justice North era uma merda, mas por enquanto teria a coisa que mais queria. Fechou os olhos, determinado a aproveitar cada segundo que pudesse passar com Jessie.

 

— Então, quando vamos começar a dormir na sua cama?

Jessie colocou o último prato na máquina de lavar louça e se virou. Justice estava sentado à mesa com o laptop aberto. Dormiu todas as noites na casa dela durante os últimos quatro dias, mas à noite ainda tinha horas de trabalho para completar. No período da manhã ia embora antes que ela acordasse e ficava fora o dia todo. Saía do trabalho a tempo de compartilhar o jantar com ela e apreciava isso, sabendo que era um workaholic. Seu pai não tinha essa consideração quando morava com ele, e Justice, obviamente, se esforçava para passar tempo com ela.

Ele não olhou para cima.

— Não podemos.

Ela franziu o cenho.

— Não vi sua casa ainda e gostaria.

Ele finalmente olhou acima da tela.

— Jessie, tenho muitas pessoas que visitam minha casa. Estão sempre entrando por um motivo ou outro, e tenho um macho Espécie que limpa minha casa. Não pode me visitar ou dormir lá.

— Por que não?

— Qualquer pessoa que entrasse na minha casa sentiria seu perfume e saberia que esteve lá. O macho que limpa meu quarto saberia que compartilhamos sexo quando arrumasse minha cama ou suspeitaria se começasse a lavá-la. — Deu um olhar de desculpas antes de voltar sua atenção para o computador. — Ninguém tem qualquer motivo para vir aqui e é seguro.

Ela o observou até seu celular tocar. Ele cegamente o alcançou e respondeu. Falou baixinho com alguém sobre um banquete e as medidas de segurança por cerca de dez minutos. O telefone tocou poucos minutos depois, alguém tentando marcar um compromisso com Justice — uma entrevista pelo que podia determinar a partir de partes das conversas.

Jessie deixou a cozinha enquanto ele lidava com eles e afundou no sofá. Tentou não sentir um pouco de autopiedade. Ele ficava no telefone e seu computador até pelo menos as dez horas nas últimas noites. Usava a mesa da sala de jantar como seu escritório em casa e ela suspirou quando as lembranças de sua infância vieram à tona. Jurou nunca se apaixonar por um homem obcecado com seu trabalho como seu pai era, mas Justice deixava todos os outros workaholics pálidos em comparação. Era irônico como o inferno e odiava ironia.

Sorriu. Pelo menos workaholics com namoradas podiam ter razões válidas para tirar uma noite de folga. Justice não podia permitir que ninguém descobrisse sobre Jessie. Ela não podia ver sua casa ou passar uma noite em sua cama. Era seu cérebro infantil querendo um encontro furtivo, mas a realidade era uma merda.

Vai ficar melhor, se consolou. Está acostumado a viver sozinho e talvez esteja adiantando alguns de seus trabalhos para ter a noite toda de novo... e você está tão cheia de merda. Ele não vai mudar e se alguém sabe disso, deveria ser eu.

Ela levantou, se esticou e caminhou até a porta deslizante de vidro. Havia uma brisa leve quando a deslizou aberta e entrou no quintal. Seu olhar se ergueu para o céu estrelado, a lua quase cheia e cruzou os braços sobre o peito.

Relações eram difíceis, sabia disso, e se apaixonou por um cara com um monte de responsabilidades. Era parte da razão pela qual o amava e fazia dele quem era.

Esperar que mudasse drasticamente estaria errado. Descobriu isso, em primeira mão com seu casamento com Conner. Ele casou com a filha de um senador — a imagem — mas a pessoa não era bem do seu gosto. A incomodava para que fosse mais parecida com a figura pública que devia ser, para benefício de seu pai, até que seu relacionamento se desfez.

— Jessie?

Ela se virou para ver Justice saindo, franzindo a testa. Desligou o telefone e estava longe do computador.

Ela sorriu.

— Oi.

— O jantar foi ótimo. Adorei. Obrigado.

— Achei isso, já que comeu tudo e quando enchi seu prato de novo, foi polido também.

— Me desculpe, estava no telefone o tempo todo, mas era uma chamada importante. Estamos tentando comprar uma propriedade no Novo México. Nunca é simples para nós. Não só temos que comprar a terra, mas temos que ganhar o apoio local e nos certificar que o estado está disposto a trabalhar conosco antes de comprá-la. É por isso que, até agora, as duas únicas propriedades que possuímos estão na Califórnia. Estamos tendo problemas com alguns estados.

— Parece um grande aborrecimento.

— Não tem ideia. Por que está aqui fora?

— Estou com calor. Talvez vá mergulhar na banheira.

Justice cortou a distância entre eles, sorriu e pegou a mão dela.

— Venha comigo.

Ele caminhou com ela mais fundo no quintal até a parede da casa ao lado.

— Para onde vamos?

Ele riu.

— Para o lado.

Ela olhou para cima.

— Por quê?

—Há uma piscina e disse que estava com calor.

Jessie riu.

— Hum, Justice? Acho que alguém se importará se usarmos sua piscina.

Ele virou e soltou sua mão.

— Vou te levantar. Fique em cima do muro. Eu pulo primeiro e depois levanto você. Pronta?

— Vamos ser pegos. — Jessie advertiu.

— Está pronta?

Sorriu, feliz que estivesse fazendo algo tão espontâneo e arriscado para passar tempo com ela. Ele agarrou seus quadris e a levantou facilmente para colocá-la sobre o muro. Ela jogou a perna por cima e observou Justice retirar a camisa após desabotoá-la. Sua gravata e paletó estavam na sala de jantar, junto com os sapatos, que sempre tirava logo que chegava em casa. Seu salto rápido e gracioso por cima do muro tirou seu fôlego, a impressionou profundamente e sorriu quando ele levantou os braços para ela.

Ele agarrou seus quadris, ela se inclinou para apoiar as mãos em seus ombros, e ele a levantou pela parede para arrastar lentamente seu corpo abaixo de sua alta estrutura. Era sexy, assim como ele, e sua libido instantaneamente disparou. Não era todo profissional agora e ligado ao seu laptop ou telefone. Era o homem que a olhava como se quisesse violentá-la, tomá-la nua numa piscina atrás de uma casa escura e esperava que quisesse passar tempo com ela.

— Vamos nadar. — Ele aliviou sua espera. — Boa água fria nos espera.

Ela não se importaria em abrir mão da piscina para beijá-lo. Um sorriso se formou pela perspectiva dele nu e molhado. O beijo podia esperar até lá.

— Não me culpe quando formos presos por invasão se o dono chegar em casa. Você providencia o dinheiro da fiança. — Brincou.

— Sou Justice North. Quem me prenderia em Homeland? — Riu.

Ela levantou os braços quando ele agarrou a parte inferior de sua camisa e a puxou sobre a cabeça. Jessie riu e o ajudou tirá-la de suas roupas. Ele descartou a calça e a boxer, se inclinou e a arrastou nos braços. Sabia o que ele ia fazer, apertou o nariz quando ele hesitou na borda e encontrou seu olhar.

Ela assentiu com a cabeça e mergulhou fundo da piscina. Mergulharam na água fria e ele a soltou para que conseguissem nadar até a superfície. Ela riu, jogando o cabelo atrás do rosto e a lua brilhou o suficiente para torná-lo fácil de ver. Ela chegou mais perto, até que ele passou um braço em volta da cintura, a rebocando para a parte rasa onde ele podia ficar em pé. Segurou Jessie em pé com as mãos nos quadris.

— Fresca agora?

Ela sorriu.

— Não. Estou mais quente.

—Mais quente?

Jessie alcançou entre os corpos até que segurou seu pênis. Ela o massageou até que cresceu grosso e duro. Ele fechou os olhos de prazer e um ronronar retumbou em sua garganta. Jessie passou o braço em volta de seu pescoço e envolveu as pernas frouxamente em torno de seus quadris e continuou a acariciá-lo.

— Você me deixa quente. — Jessie sussurrou.

Lindos olhos se abriram para olhar para ela.

— Você me faz queimar. — Sua mão segurou seu eixo o posicionado sob ela e usou suas pernas para ajustar o corpo. Justice jogou a cabeça para trás quando Jessie o tomou dentro dela. Ronronou suavemente quando ela apertou as coxas ao redor de seus quadris, o tomando mais profundo dentro de sua vagina.

— Só de olhar para você fico molhada. Sente?

— Sim. — Justice andou para trás enquanto Jessie se movia, usando seu poder sobre os ombros e quadris como alavanca para lentamente transar com ele. Ela gemeu, se movendo mais rápido e ficou maravilhada com o quanto era gostoso entrando e saindo dela, atingindo todas as terminações nervosas. O sentia duro e grande dentro dela. Justice resmungou baixinho. De repente, a agarrou e soltou suas pernas do redor de sua cintura. Jessie protestou com um gemido quando Justice retirou seu pênis. Seus olhos se abriram.

— O que está errado?

Ele mostrou os dentes enquanto sorria e a sentava na escada, dentro da água. Virou Jessie em seus braços até as costas pressionarem contra seu peito. Ele a deslizou pelo colo lentamente. Jessie gemeu quando deslizou dentro dela novamente. Justice abriu suas coxas, as forçando abertas do lado de fora das dele. As mãos fortes que agarravam o interior de suas coxas foram ao redor de sua cintura. Justice empurrou. Jessie jogou a cabeça para trás contra seu ombro.

— Sim!

Uma mão deslizou mais abaixo e Justice roçou o dedo sobre o clitóris pela frente. Empurrou acima num ritmo mais rápido, pressionando contra seu feixe de nervos mais duro e gemidos rasgaram de seus lábios. Justice ronronou atrás dela, o hálito quente soprando seu ombro quando baixou a cabeça e mordeu o ombro. Jessie gozou gritando quando o estreitamento agudo da dor a enviou sobre a borda. Justice afastou a boca e rugiu sua própria libertação.

As mãos de Justice que envolviam a cintura a abraçaram com força e acariciou seu pescoço. Os dentes afiados rasparam seu ombro e a língua lambeu sua pele. Ela sorriu, feliz por ele a estar abraçando ou ela provavelmente teria derretido direto de seu colo para a piscina enquanto o corpo relaxava.

— Me fez sangrar de novo? — Ela não se importava se fez. — Está tudo bem se o fez. Foi bom.

— Não machuquei a pele. — Respondeu suavemente. — Mas estou certo que a segurança vai bater em sua porta novamente. — Ele ficou solene. — Acho que fomos muito barulhentos. Precisamos levar você de volta para dentro de sua casa antes que a verifiquem. Deixe destrancado para mim e vou...

Algo chiou alto e Justice ficou tenso. Seus reflexos foram rápidos quando a empurrou de seu colo, girou em seus braços e a arrastou para as águas mais profundas. Suas costas atingiram o lado da piscina, seu corpo grande preso ali e ele se inclinou perto, a protegendo.

— Saia. — rosnou Justice.

— Ouvimos um distúrbio. — um homem falou do outro lado do pátio.

— Saia agora. — Justice soou furioso.

— Mas ouvi, Justice. Está tudo bem? Ouvimos um grito feminino.

— Eu não estou sozinho. Agora saia. — rosnou Justice.

O portão bateu e Justice suavemente amaldiçoou. Afundou mais abaixo na água, permitindo que ela respirasse mais facilmente, e abaixou a cabeça. Ela ficou preocupada. Ele admitiu estar com uma mulher na piscina de alguém, uma invasão, mas impediu os oficiais de olhar ao redor.

— Amanhã vou falar com eles sobre a diferença entre fazer seu trabalho e serem chatos. Não os quero correndo para me encontrar cada vez que eu rugir.

Ela hesitou.

— Acha que me viram?

— Não. Estamos contra o vento e teve sorte. Os dois machos não sabiam que era você, Jessie. Vão assumir que trouxe uma de nossas mulheres pela entrada dos fundos para evitar que a vissem. Tenho uma entrada particular para a comunidade.

— Olhe pelo lado positivo. Não estamos em apuros por invasão, uma vez que não está preso.

— É minha casa e piscina. — De repente, ele sorriu. — Nunca estivemos em perigo por isso.

Surpresa, Jessie olhou para ele. Seu olhar se deslocou para a casa grande e escura. Era a maior na comunidade e se sentiu um pouco idiota por não adivinhar a quem pertencia. É claro que seria dele.

— Me colocou na porta ao lado da sua?

— A queria perto para te proteger. — Ela estudou seu rosto enquanto ele a olhava até que ele sorriu. — Estava esperando que me quisesse de volta em sua cama. Tem que admitir, isso torna mais fácil ficarmos juntos, sem ninguém saber. A próxima casa depois da sua está vazia e não há nada do outro lado da minha. Foi concebida desta forma pela privacidade para essas duas casas.

Jessie colocou os braços em volta do seu pescoço e sorriu.

— Por que há uma casa ao lado da sua se está tão preocupado com não ter um vizinho do outro lado?

Seu sorriso desapareceu.

— Queria uma companheira, eventualmente, e sabia que uma mulher não poderia viver numa casa comigo. A casa foi construída para abrigar minha companheira quando eu decidisse tomar uma. As mulheres precisam de seu espaço e liberdade. Só espero que ela não tenha problema por estar tão perto de mim, mas a quero perto o suficiente para proteger.

Jessie sentiu a dor esfaquear seu coração. Ele a colocou numa casa que um dia sua esposa iria viver. Sabia exatamente por que uma mulher queria sua própria casa e liberdade de viver longe de Justice. Ele contava que sua companheira fosse Espécie. Ela pegou o jeito como redigiu sua última frase — a fonte de seu desgosto. Ele tinha esperança, como algo que quisesse ainda. Nunca considerou Jessie como alguém para se manter.

Ela era apenas sexo para ele.

Jessie soltou seus ombros.

— Estou cansada e preciso ir para casa. — Se afastou dele para percorrer a água na direção das escadas.

— Jessie? Tem alguma coisa errada?

Além de você ser um bastardo? Ela queria dizer isso em voz alta, mas não, tinha muito medo que revelasse o quanto suas palavras feriram.

— O que pode estar errado? — A dor a torcia enquanto se arrastava até os degraus. O ar parecia frio quando saiu da piscina aquecida e correu para suas roupas descartadas.

— Jessie? O que está errado? — Justice pulou para fora da piscina.

Ela avaliou a parede enquanto vestia sua camisa e calça, empurrando a calcinha no bolso. Era muito alto para escalar de modo que se virou e viu as cadeiras de gramado. Levantou uma, a levou até a parede e subiu facilmente. Um pouco de dor atingiu seus tornozelos quando caiu sobre a grama macia em seu quintal e correu para chegar ao interior, longe dele.

Justice facilmente pulou o muro atrás dela.

Jessie? Droga, o que está errado?

Ela olhou por cima do ombro.

— O que pode estar errado? — Entrou pela porta deslizante de vidro ainda aberta e se dirigiu para a sala de jantar. Um Justice nu a seguia de perto, pingando água em seu tapete, mas ela mal notou enquanto se concentrava em seu alvo. Ela fechou o laptop, se inclinou para pegar a alça de sua pasta e a colocou aberta sobre a mesa.

— O que está fazendo? — Justice parecia irritado e confuso.

Jessie o ignorou ao deslizar seu laptop dentro da mala e, cuidadosamente, pegou as pastas espalhadas sobre a mesa. Empurrou seu celular dentro e fechou a mala. Agarrou a alça, se virou e a levantou na direção dele quando seu olhar finalmente encontrou o dele.

— Leve seu trabalho e vá para casa.

— Jessie?

Ela olhou fixamente os belos olhos confusos. Ele não tinha ideia de por que estava chateada ou porque queria que ele saísse, estava tão claro como a carranca no rosto. Esse era o problema. Ela empurrou a mala para ele novamente.

— É pegar ou deixo cair.

Ele a agarrou pelo fundo.

— O que está errado?

Ela lutou contra as lágrimas enquanto olhava para ele. Estava realmente machucada e, pior, realmente louca. Não deveria ter que explicar isso para ele, mas via que ele não ia entender, a menos que ela o fizesse. Soltou sua pasta para colocar as mãos nos quadris, pronta para dizer a ele exatamente qual era o problema.

— Estou pronta, Justice. Não queria que ninguém soubesse sobre nós porque sabia que não ia durar. Disse que era para proteger a todos, mas assumi que era apenas enquanto ainda estávamos começando a nos conhecer. Como fui ingênua, e honestamente achei que queria ver se tínhamos um futuro. Trouxe-me para a casa de sua futura companheira e deixou muito claro que está destinada a uma mulher Espécie. Bem, adivinhe? Foda-se, Justice. Tenho sentimentos. Entendeu isso? — Ela gritou a última parte.

Seus olhos se estreitaram. Ainda parecia perplexo com sua explosão.

— Não olhe para mim desse jeito. Não há nada de errado comigo. Você é o problema. Esta fêmea-humana-indigna-de-você está farta. Dorme comigo, faz amor comigo, me tem cozinhando seu jantar e ainda assim esconde o fato que estamos juntos.

— Discutimos isso e sabe que é para te proteger.

— Bobagem! — Ela não o deixou terminar. — Sim, entendo por que devemos esconder nosso relacionamento, mas pensei que uma vez que nos aproximássemos, talvez percebesse que era a longo prazo, que mudaria. Mas vai me despachar quando decidir tomar uma companheira. Será que ficaria com alguém que se recusasse a te reconhecer em público? Que tal isso? Ficaria com uma mulher que dissesse que ia jogá-lo de lado no segundo que encontrasse um homem que ela levaria a sério e deixasse claro que nunca seria você, porque tem vergonha de ficar com você? Bem, eu não fico. Saia daqui agora.

Jessie se virou, o rodeou e saiu da cozinha.

— Jessie! Espere. Não tenho vergonha de você.

Ela bufou quando girou para enfrentá-lo.

— Certo. É por isso que não consigo dormir em sua cama, ou inferno, até mesmo ir na sua casa. Alguém pode descobrir que está comigo. Não foi isso que disse?

— Não colocaria dessa forma grosseira. — rosnou. — Concordamos em manter nosso relacionamento privado. Você disse...

— Não dou a mínima para o que eu disse. Não sabia que planejava me usar e jogar de lado, independentemente de quaisquer sentimentos que pudéssemos compartilhar. Essa é a linha de fundo. Não quer que ninguém descubra que o grande líder da ONE prefere subir na cama com uma humana, por que apenas uma Espécie será sua companheira. — Ela olhou. — Saia e não volte. Não vou dizer mais isso, Justice.

Ele a seguiu quando entrou no quarto. Ela se virou, o viu chegando e tentou bater a porta na cara dele. Sua mão disparou e colocou aberta para evitar que a porta se fechasse. Ele a empurrou de novo aberta.

— Não tenho vergonha de você, Jessie. É que sou a pessoa que é o rosto dos Nova Espécies. O que vai acontecer se tornar público que prefiro uma humana? Estou arriscando muito para ficar com você por te querer tanto assim. Nem sequer a conhecia quando planejei a casa. Não pode usar isso contra mim. Eu a coloquei aqui para que pudéssemos ficar juntos.

— Disse que esperava que ela não tivesse problema por viver tão perto de você. Você tem ESPERANÇA! ESPERANÇA! ESPERANÇA! Tempo presente, em vez de tempo passado. Entendi isso. Agora saia e vá encontrar uma mulher Espécie para ficar. Alguém que queira que todos conheçam. Deixe-me.

Justice rosnou.

— Droga, Jessie. Está perdendo o foco. Estou arriscando muito ao ficar aqui.

— Grande coisa. Não é risco quando sabe que não há muita chance de alguém descobrir. É por isso que me fez viver ao seu lado. Pode pular o muro de trás da maneira como fez na outra noite quando seus homens chegaram à porta. Isso foi o que fez, não é? Simplesmente pulou o muro e provavelmente respondeu em sua própria porta, quando verificaram você. Não posso fazer isso, e mais importante, não vou a menos que esteja disposto a dizer a todos que estamos juntos. Caso contrário, não quero você aqui de novo. Prove-me que significo mais para você que apenas alguém para dormir, enquanto passa seu tempo à espera de uma esposa.

— Não posso ir a público com nossa relação, Jessie. Nem mesmo por você. — Seu olhar escureceu, a raiva apertou os traços e um grunhido suave passou pelos lábios entreabertos. — Tenho uma raça inteira de pessoas que olham para mim e contam comigo para cuidar deles. Tenho que fazer o que é melhor para eles e dar aos fanáticos um motivo para nos atacar não vai ajudá-los nem um pouco. Aqueles humanos realmente odeiam quando descobrem que um de nós está com uma fêmea humana. Você estaria em perigo. Não poderia deixar Homeland sem ser incomodada na melhor das hipóteses, morta, na pior. Pense em seu pai também.

— Saia.

Justice balançou a cabeça.

— Vamos conversar sobre isso. Precisa ver a razão.

Jessie contou até dez, mas mal a acalmou.

— Vou pegar uma bebida.

— Vamos conversar primeiro. Quero resolver isso. Você significa muito para mim, Jessie.

— Não o suficiente para que as pessoas saibam que estamos juntos? Importa-se o suficiente para se arriscar a receber alguns e-mails de ódio sobre nosso relacionamento?

— Você significa muito para mim, mas não posso fazer isso. Tenho pensado sobre isso muitas vezes e não há como possa deixar vazar que somos um casal. Você estaria em perigo e poderia causar muitos problemas. Estamos felizes agora. Ninguém precisa saber que compartilhamos a cama à noite. Não tenho planos para tomar uma companheira em qualquer momento próximo e você está lendo muito sobre o que eu disse.

A dor era forte no coração de Jessie. Ele nunca ia admitir estar com ela e só porque não queria se casar com alguém de imediato não aliviava a ardência de saber que nunca seria ela com quem planejava um futuro.

— Estou com sede. Quer um refrigerante?

— Não. — Ele estava irritado.

— Vou pegar um.

Ela caminhou ao redor dele e, logo que chegou no corredor, correu para a sala de estar numa corrida rápida. Justice amaldiçoou ruidosamente quando percebeu que pretendia fugir e ela mal chegou à porta da frente, antes que a agarrasse pelo braço. Sua mão apertou o botão, ele se iluminou e um alarme gritou do lado de fora. Encontrou seu olhar arregalado e atônito.

— Por que fez isso?

Ela levantou o queixo.

— É melhor pegar suas coisas e sair correndo Justice. Vou deixá-los entrar e vão encontrá-lo nu, se não sair. Tente explicar isso a um de seus oficiais.

Um rosnado rasgou de sua garganta. Ele a soltou e pegou sua pasta e casaco.

Lembrou-se de seus sapatos e gravata e os recuperou antes de fugir pela porta deslizante aberta. Jessie correu e a trancou atrás dele. Verificou as janelas e fez com que estivessem trancadas também, até que a campainha tocou.

Jessie pegou o frasco de perfume escondido dentro da jardineira na porta e pulverizou forte. Tossiu e fez uma careta pelo forte aroma de flores quando o jogou fora da vista e abriu a porta. Dois oficiais estavam segurando armas.

Era óbvio por sua respiração pesada que correram para a casa dela.

— Sinto muito! Acidentalmente bati e não sabia como desligá-lo.

Um dos oficiais Espécie franziu a testa. Inalou e saltou atrás com um espirro.

— Como acidentalmente o atingiu? — Ele chegou lá dentro, apertou o botão e o alarme silenciou.

— Sai para pegar algo no meu carrinho de golfe que esqueci e quando voltei bati nele em vez do interruptor de luz. Realmente sinto muito. — Ela sentiu uma pontada de culpa por usá-los para obrigar Justice a sair, mas ele podia a ter convencido a dar-lhe outra chance. Ela merecia mais que ser companheira de cama temporária de alguém. — Isso não vai acontecer de novo.

— Tem certeza que está bem?

— Sim. Realmente sinto muito por causar uma perturbação.

Ele hesitou.

— Pode não usar tanto... — Ele fez uma careta. — Que cheiro é esse?

— Velas perfumadas. — mentiu. — Não gosta delas?

Ele espirrou novamente e recuou.

— Acho que sou alérgico. Por favor, encontre outra coisa para usar se quer mudar o perfume de sua casa.

— Eu vou. Obrigada. Sinto muito por apertar o botão errado e fazer você espirrar pelas minhas velas. — Fechou e trancou a porta.

Cinco minutos depois ouviu o controle deslizante de vidro e entrou na sala de estar. Justice estava de jeans e camiseta. Silenciosamente ficou do outro lado do vidro e apontou para a fechadura. Ela balançou a cabeça e apagou as luzes da sala de estar, não disposta a discutir mais. Entrou em seu quarto.

— Jessie? — Ele estava do lado de fora da janela do quarto. — Deixe-me entrar.

— Vou chamar a segurança novamente se não sair. Vá embora! — Puxou e fechou as cortinas e apagou as luzes.

Ele xingou, mas ficou em silêncio. Ela esperou um longo tempo, mas ele não tentou chamar sua atenção. Subiu na cama, puxou a calcinha de seu bolso e a jogou no chão. As lágrimas encheram seus olhos e deslizaram por suas bochechas. Ela se apaixonou por um homem que nunca se permitiria amá-la de volta. Seu trabalho e as pessoas vinham em primeiro lugar e sempre o fariam. Doía.

 

Justice socou a parede e rosnou. Os nós dos dedos abriram pela força enquanto se dirigiam através do gesso. Jessie estava magoada, se recusava a falar com ele e não podia culpar ninguém além de si mesmo. Falou sem pensar, mencionou os planos originais que tinha e ferrou tudo respondendo suas perguntas.

Puxou seu punho para trás, estudou o sangue e apertou a outra mão sobre ele. A pele rasgada queimava, doía e adorou a dor. Merecia isso e muito mais.

A memória da dor de Jessie era tão clara em seus olhos que o perseguia. A vontade de ir até ela, mantê-la em seus braços se tornou uma necessidade física.

— Droga! — Murmurou quando se virou e encostou-se à parede danificada do escritório em casa.

É o melhor, o lado lógico dele argumentou. O outro lado dele protestava em voz alta enquanto seu corpo ficava tenso, a vontade de rugir o agarrando e teve que respirar fundo pelo nariz até que passou. Jessie era teimosa. Não ia vê-lo novamente, a menos que tornasse sua relação pública e tinha argumentos válidos quando gritou com ele.

Lutou contra o desejo de irromper em sua casa, pular o muro e estraçalhar o controle deslizante para alcançar sua Jessie. Faria isso se acreditasse que poderia seduzi-la para permitir que dormisse em sua cama, mas ela o odiaria pela manhã. Colocou na cabeça que não ia vê-lo mais secretamente.

— Maldição! — Rosnou, fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás contra a parede.

A queria, precisava estar com Jessie, tanto quanto a próxima respiração, mas seu povo sofreria. Ela ia sofrer. Ele lidou com grupos de ódio e a imprensa por muito tempo para ser ingênuo sobre como se desdobraria. Repórteres correriam com a história, seria notícia em todo o mundo que Justice North estava namorando uma humana e haveria um inferno a pagar.

Sua imagem seria estampada em todos os jornais e emissoras de notícias. Cavariam seu passado, não deixando pedra sobre pedra para expor sua vida e oferecê-la para consumo público. Ela então se tornaria alvo de alguém que acreditava que era uma humana vil dormindo com um Espécie. Seria rotulada de nomes horríveis e alguns lunáticos desejariam vê-la morta. Começaria a odiá-lo pelo caos que sua vida se tornaria.

O senador, possivelmente, perderia sua posição, ou pior, a manteria para se manifestar contra a ONE se ficasse chateado por sua filha preferir um macho Espécie em vez de um humano. O apoio que ainda recebia de Washington secaria. O dinheiro vinha dos processos contra as Indústrias Mercile, mas era lento e podia levar anos até que fossem cem por cento financeiramente solventes. Seus contatos do governo atribuíram a força-tarefa humana para ajudar a recuperar Espécies em cativeiro e deu-lhes acesso para rastrear todos os registros corporativos financeiros de investidores da empresa farmacêutica.

Espécies morreriam, nunca mais seriam encontradas, onde quer que estivessem presas se perdessem as equipes de força-tarefa. Os funcionários da Mercile que evitaram a prisão nunca seriam levados à justiça se as equipes parassem de caçá-los. Seria um desastre. Vidas seriam perdidas e jurou fazer tudo que pudesse para seu povo. Amar Jessie arriscava tudo isso.

Seus joelhos dobraram e deslizou pela parede até que se sentou no chão. Achava que os anos vividos na instalação de testes foram os mais dolorosos que já sofreu. Não tinha esperança, nem futuro para olhar, mas agora tinha algo maravilhoso.

A perda da felicidade deixou um gosto amargo na boca. Simplesmente não conseguiria ficar com Jessie. Custaria muito e o preço não seria apenas para si. Morreria por ela, mas não era só sua vida em risco.

Seu pai pode aceitá-lo, sua voz interior sussurrou. Pode não ser tão ruim. Poderia tê-la e ficar com as equipes de trabalho. Ela poderia não se importar com o que acontece no mundo lá fora se estiver aqui, onde a feiura não pode tocá-la. Seus olhos se abriram e olhou para a parede do outro lado da sala. Era um risco — um enorme — e simplesmente não podia correr esse risco. Não com seu povo e, definitivamente, não com a vida de Jessie.

A dor invadiu seu coração e soube que era melhor se não aproveitasse a oportunidade.

Preferia perder Jessie que tê-la o odiando quando tudo à sua volta fosse tocado pela feiura que o mundo exterior podia se tornar. Preferia que sofresse um pouco que vê-la sofrer por perder tudo que amava. Dobrou o joelho, descansou o braço lá e baixou a cabeça contra ele. Recusou-se a permitir que as lágrimas que enchiam seus olhos caíssem.

Ele encontrou o amor, mas não podia tê-la. Tinha que ser suficiente vê-la de longe, seu único conforto.

 

Justice bateu com o punho na mesa e olhou para o telefone que acabava de desligar.

Alguma nova igreja de ódio foi para o rádio reclamar sobre como Novas Espécies eram animais, não pessoas, e se referia à ONE como nada mais que um zoológico particular. Isso fazia seu sangue ferver.

Nenhuma Espécie pediu para ser alterada geneticamente com DNA animal, não foi uma escolha, e seu crime foi apenas sobreviver ano após ano de abuso nas mãos de cientistas, médicos e pesquisadores que usavam seus corpos para criar drogas para ajudar os humanos. Não que tivessem muito apreço por quaisquer avanços médicos que seu sofrimento forneceu.

A porta se abriu e Tiger enfiou a cabeça com cautela.

— Pude ouvi-lo rosnando da sala ao lado. — Entrou e fechou a porta. — Está bem?

— É apenas um dia ruim.

— Isso não é incomum. Aconteceu alguma coisa terrivelmente má?

— Só temos um novo grupo de pessoas a enfrentar.

— Sempre temos. — Tiger tomou assento, cruzou os braços sobre o peito e franziu a testa. —Você parece um inferno. Dormiu na noite passada? — Seu olhar baixou para mão de Justice. — Espero que o que socou pareça pior que sua mão.

Encolheu os ombros largos.

— Perdi a paciência.

— Isso é diferente de você. Precisa fazer uma pausa.

— Eu sei, mas quando tenho tempo?

— Como vai a construção de sua casa na Reserva? Pretendo ir visitá-lo e me sentar na varanda coberta que vi nas plantas. Parece bom e a vista do lago deve ser ótima. Podemos ir pescar.

— Cerca de três semanas para estar concluída e estou ficando com dor de cabeça só de pensar nisso. Os habitantes não estão felizes por ter equipes de trabalho em seu território. Slade está pronto para atirar em mim por fazê-lo lidar com mais humanos.

Justice levantou a mão e soltou o cabelo do elástico o prendendo num rabo de cavalo, sacudiu os dedos entre os fios e recostou na cadeira.

— Não que eu vá ter tempo para me divertir.

—Estamos trabalhando nisso. O Conselho está pronto para assumir algumas das suas responsabilidades. Tem a mim, Slade, e Brass também. Faríamos qualquer coisa por você.

— Sei disso e aprecio.

— O que diabos está acontecendo com você, cara? Honestamente, todos os dias vem aterrorizando qualquer um que chegue perto de você. Está agindo mais como um urso que um líder. Está fora do seu comportamento.

— Sente na minha cadeira e depois vamos ver como será amável com todos, todos os dias.

Tiger piscou algumas vezes e permitiu que o silêncio desconfortável crescesse antes de falar novamente.

— O que quer que seja que esteja errado, precisa encontrar uma maneira de trabalhar nisso. Todo mundo já percebeu sua raiva. Está começando a se ressentir de nós? Tive sete de nossos homens vindo até mim nas últimas horas para me fazer essa pergunta. É o stress?

Justice suspirou.

— Estou tendo um dia ruim. Todo mundo tem desses.

— Você não. É o homem mais controlado que conheço, e mantêm seu senso de humor. Só mostra esse lado para nossos inimigos quando precisa lembrá-los que não podemos ser confundidos. Quer lutar?

A surpresa cintilou através de Justice.

—O quê?

Tiger deixou cair os braços, segurou os braços da cadeira e se inclinou para frente.

— Lute. Precisa deixar sair alguma agressão? É bom e não faz isso há algum tempo. — Ele se levantou. — Vamos.

Justice hesitou.

— Agora. — Tiger rosnou. — Tire a máscara e lembre-se de quem realmente é.

Ele levantou lentamente e caminhou ao redor da mesa. Tiger abriu a porta e passou pela área de recepção. Justice olhou para a recepcionista.

— Vou dar um tempo.

Ela assentiu.

— Vou segurar suas chamadas. — Ela se recusava a encontrar seus olhos.

A culpa o encheu que pudesse ter assustado a fêmea com sua severidade.

— Obrigado. — Respondeu com sinceridade. — Fico agradecido.

— Vamos.

Tiger abriu a porta exterior para a parte principal do edifício da ONE e andaram lado a lado na direção do sol. Brass estava sentado num jipe no meio-fio. Justice se surpreendeu por vê-lo lá, mas o macho apenas deu um aceno severo de cabeça. Tiger acenou para Justice sentar no banco do passageiro, em seguida, agarrou a barra de rolagem, pulou e caiu no banco de trás. Justice sentou, puxou os pés para dentro e o motor ligou.

Dirigiram-se ao edifício principal e de segurança, entrando na sala de treinamento que usavam para se manter em forma. Tiger olhou para os Espécies dentro.

— Todos para fora. Ninguém chega perto da porta. Brass e eu vamos mostrar a Justice algumas novas técnicas de treinamento e se ele gostar, vão aprender algumas habilidades novas em breve.

Todos os olharam, mas os oito saíram calmamente. Tiger trancou a porta e Brass atravessou a sala para bloquear a segunda porta. Não havia janelas na sala grande, apenas colchões no chão e um monte de equipamentos de exercício ao longo de uma parede. Justice hesitou.

Tiger voltou, se abaixou e arrancou as botas. Levantou a cabeça, se levantou e começou a remover suas armas. Um movimento à sua esquerda chamou a atenção de Justice para Brass.

O macho também tirava suas botas e armas.

— Deveria estar preocupado? — Ele manteve o tom calmo. — Dois contra um?

Brass deu um sorriso.

— Tire o terno. Odiaríamos estragá-lo. — Seu olhar desceu por seu comprimento. — É bom. Nós não somos. Vamos evitar seu rosto. Tem que parecer bonito para as câmeras.

Justice estreitou o olhar quando pegou a gravata.

— Bonito?

Tiger riu.

— Bonito. Amamos seu cabelo também. Qualquer mulher ficaria orgulhosa de ter essa cor agradável. Fizeram um bom trabalho de pintura.

Raiva vibrou através de Justice.

— Sabe o quanto odeio o fedor disso?

Tiger entrou no tatame maior, o encarou e puxou sua camisa sobre a cabeça. A jogou longe o suficiente para bater no chão na borda da área de formação.

— Conte-nos sobre isso. Temos que sentir seu cheiro por dias.

Brass tirou a camisa e pisou no tatame.

— Contudo, ele fica bonito. Viu a capa da revista de fitness que ele saiu? Fiquei impressionado. — Riu. — Porém, esse terno cobre seus músculos não é? Não o faz parecer em forma a não ser que ficar sentado atrás de uma mesa seja um treino forte.

A raiva ardeu mais forte por sua provocação quando Justice soltou a gravata, tirou o paletó e sua camisa. Aumentou a pilha de roupas até que ficou só de cueca boxer.

— Não posei para isso. Tiraram uma foto minha no evento de caridade e a colocaram lá. — Ele deu um passo ameaçador na direção deles. — Realmente querem fazer isso? — Os punhos cerraram.

— Deve pendurar seu terno sobre as barras lá atrás. Vai amassar. — Brass bufou. — Sairia no noticiário da noite, se usar roupas amassados que não foram tocadas por um ferro. Isso nos faria parecer ruins.

Um rosnado saiu de Justice e Tiger deu o primeiro soco. Seu golpe atingiu Justice no ombro e reagiu chutando, atingindo seu amigo no quadril e o fazendo voar para cair de bunda. Brass rosnou, agachou e Justice avançou. Seus corpos se entrelaçaram, bateram no chão e a luta começou. Trocaram alguns golpes de braços, rolaram ao redor e Justice finalmente jogou Brass longe dele.

Brass rolou no tatame e Tiger mergulhou em Justice. Rolou para fora do caminho, levantou e virou a tempo de bater em Brass, que vinha para ele também.

Os três lutaram, devolvendo golpe por golpe, evitando seus rostos, e misturando alguns golpes de kickboxer e luta livre. Brass saiu primeiro após Justice derrubá-lo de bunda. Ofegante, levantou os braços satisfeito. Tiger rosnou e se lançou para Justice, mas ele estava pronto para a mudança. Fugiu, abaixou e jogou o braço para alavancar o macho que o perdeu por centímetros. Tiger bateu no tatame de costas, gemeu e olhou para ele.

— Água. — disse Tiger e levantou as mãos.

O suor escorria de Justice enquanto estava ali, olhando para os amigos e percebendo que teria alguns hematomas por dias. A dor era boa, se sentia vivo e um pouco de sua raiva se foi.

Tiger virou a cabeça para olhar Brass.

— Viu por que eu disse para você vir? — respondeu asperamente. — Nunca poderia vencê-lo.

Brass gemeu, esfregou um de seus ombros e concordou.

— Ele pode parecer civilizado, mas tem uma capacidade de luta cruel.

Tiger encontrou o olhar de Justice.

— Sente-se melhor?

Ele sentia.

— Sim.

— Temos que fazer isso todos os dias?

— Merda. — Brass murmurou. — Espero que não.

Tiger riu.

— Eu também. É fácil esquecer que ele é mais que um rostinho bonito.

Justice balançou a cabeça.

— Está tentando me irritar de novo.

— Não, estou brincando. É o que os amigos fazem.

— Pensei que íamos ficar sem nossas bundas até ele extravasar sua agressão. — Brass ficou de joelhos, se ergueu e levantou. — É isso que os amigos fazem. — Se aproximou e agarrou o braço de Justice. — Não segure essa merda. Estamos aqui para você. Vamos fazer isso diariamente, se precisa bater em alguém.

— Fale por você. Eu estava brincando. — Tiger rolou, ficou de pé e se espreguiçou, fazendo uma pequena careta. — Preciso de um banho quente e uma mulher para beijar meus machucados. — Ele se virou para Justice e seu sorriso desapareceu. — O que quer que seja que está acontecendo com você, ou converse sobre o assunto com a gente ou lide com isso. Ultimamente está sempre sozinho, guarda as coisas e somos uma família. Está pronto para compartilhar o que está acontecendo?

Justice manteve a boca fechada. Jessie não estava em discussão.

— Foi o que pensei. — Tiger entrou na frente dele e sustentou o olhar. — Acho que vamos fazer isso de novo amanhã, se estiver de mau humor. E no dia seguinte. Não importa o tempo que for preciso. Vá para casa e saia assustando todos. Aproveite o resto do dia de folga.

— Obrigado. — Justice falou sério, olhando para os dois. — Precisava disso.

— Nós sabemos. — Brass deixou cair o braço. — Pegue o jipe. As chaves estão lá, perto das minhas botas.

Justice se banhou rapidamente no vestiário, se vestiu e acenou para seus amigos quando saiu. Pegou as chaves, mas sabia que voltar ao escritório não ia acontecer. A luta ajudou, mas a raiva ainda queimava em sua alma. Estava zangado com a vida, com raiva por Jessie o ter expulso e que a tivesse perdido.

Pegou a estrada particular para sua casa, porque não queria ter que lidar com as perguntas dos policiais na entrada da seção das Espécies de por que estava em casa ao meio-dia. Quando estacionou o veículo emprestado em sua garagem, um som o fez virar e viu com olhos apertados como Jessie se dirigia até a rua, estacionava ao lado e evitava até mesmo olhar na sua direção.

Ela o ignorou e ele se irritou. Hesitou e olhou em volta. Não havia ninguém à vista. Virou-se para vê-la passear na direção da porta. Moveu-se rápido, manteve o ritmo rápido e ela sequer o viu quando chegou atrás dela. Ela abriu a porta e entrou. Se virou e então o viu e seus olhos se arregalaram.

Entrou antes que pudesse reagir. Sua mão disparou para fechar a porta e manteve seu corpo entre ela e o alarme que alertava os funcionários para se apressar para sua casa. Ela não ia se livrar dele tão facilmente de novo.

— Precisamos conversar.

Seus olhos azuis brilharam com espanto, mas se estreitaram pela raiva rapidamente. Estava feliz por não assustá-la, o que não era sua intenção e se aproximou invadindo seu espaço pessoal. O cheiro dela o torturava. Seus lábios se separaram e seu olhar caiu lá. A vontade de beijá-la o agarrou fortemente e apertou suas mãos para impedi-las de envolver seu rosto.

— Não tem uma mulher Espécie para atrair e ser sua companheira? Devo arrumar minhas coisas logo, assim ela pode se mudar?

— Não estou à procura de uma companheira. — Sua ira se intensificou. — Tentei te dizer isso na noite passada.

— Quer me levar para jantar em algum lugar não privado? — Ela o estava atraindo.

— Sabe que isso não vai acontecer. Já passamos por isso. É perigoso para...

— Sua futura companheira Espécie pode descobrir sobre nós? Prejudicaria suas chances dela aceitar uma casa onde vivia sua ex-amante?

— Jessie. — rosnou. — Pare.

De repente, ela estendeu as mãos achatando sua camisa e o empurrou.

— Saia.

Ele a pressionou para trás, seu corpo preso contra a parede e as palmas das mãos pousaram sobre a superfície ao lado dela, a mantendo lá.

— Sinto sua falta. Não dormi na noite passada. Será que não podemos discutir isso razoavelmente?

— Não. — Ela lambeu os lábios, chamando sua atenção novamente. — Não podemos. — Raiva, frustração e arrependimento arderam através dele e reagiu. Sua cabeça baixou, seus lábios selaram sobre os dela e quando ela engasgou, sua língua se aproveitou. Ela tinha sabor de café e chocolate quando a beijou. Ela ficou tensa e tentou se afastar de sua boca faminta, mas ele segurou o rosto dela para mantê-la imóvel.

Suas mãos apertaram a camisa dele, mas não empurraram. Ela respondia e ele rosnou quando a paixão substituiu tudo mais. Jessie era sua e seu pau estava cheio de sangue. Sua necessidade de mostrar a ela o quanto significava cancelou tudo e ele soltou seu rosto para tirar o casaco. O tecido rasgou, mas não deu a mínima.

Jessie alcançou os botões da camisa que voaram pela porta de entrada. Ela abriu sua camisa com força, sem tempo de desabotoá-los. As mãos dele deslizaram entre eles, agarraram sua blusa e facilmente a arrancaram.

Ela gemeu contra sua língua, o beijou loucamente e esfregou as mãos em seu peito nu. Ele segurou os seios, rasgou o sutiã que o impedia de sentir sua suavidade e empurrou o bojo abaixo o suficiente para libertar seus mamilos. Os dedos e polegares encontraram as pontas esticadas, os beliscaram suavemente e ela gemeu.

Ele a soltou, freneticamente trabalhando para abrir a frente de sua calça e enfiou os polegares no cós, agarrando as tiras finas de sua calcinha. Ele interrompeu o beijo quando deslizou de joelhos, beijando o caminho de sua garganta até o seio e chupando um mamilo na boca. Seus dedos deslizaram em seu cabelo molhado, o seguraram com força e ele apenas empurrou sua roupa, a libertando de tudo da cintura para baixo. Seu joelho se moveu, pressionando para movê-los e ela empurrou seus pés para fora do emaranhado de tecido.

O cheiro de sua excitação o deixou insano. A queria e, a julgar pelo cheiro pesado do desejo, ela o queria da mesma forma. Ele não podia esperar mais. Suas mãos localizaram a frente da calça, apenas as rasgando, e libertou o pênis dolorido. Ele puxou sua boca longe e agarrou seus quadris quando ficou em pé.

Jessie sabia que devia parar com essa loucura, mas estava perdida. Seus pés deixaram o chão quando o grande corpo de Justice a apertou com força contra a parede, a prendeu lá, e levantou as pernas para envolver em torno de sua cintura. Ela não conseguia se alavancar — suas malditas roupas estavam no caminho, mas uma pequena rebolada diminuiu o espaço entre eles. Suas coxas encontraram pele enquanto seus quadris ficavam à mostra.

Ele moveu seus quadris, a coroa de seu pênis cutucando sua boceta, encontrando o ângulo certo e ela gritou quando ele entrou nela com um impulso líquido que quase a fez alcançar seu clímax.

Estava queimando viva, tão excitada que se perguntava se perdeu totalmente sua cabeça, mas a sensação dele era incrível.

Ele se retirou, quase deixou seu corpo e a boca esmagou a dela. Sua língua entrou para encontrar a dela enquanto seus quadris batiam para enterrar o eixo grosso dentro dela até o punho e as mãos agarravam seu traseiro para esfregar a pélvis contra a dele. Ela gritou de puro prazer, mas seu beijo capturou o som, abafou, e ele a apertou com mais força contra a parede.

Os corpos se esfregavam enquanto a tomava fresca e suave contra a parede se alimentava dentro e fora de seu corpo num ritmo rápido que a deixou numa névoa de felicidade. Ele se moveu para passar o braço sob sua bunda. A outra mão mexia entre eles, o polegar pressionando contra o clitóris e a fodeu ainda mais forte.

Ela agarrou seus ombros, puxou a boca longe antes que o mordesse e enterrou seu rosto contra o pescoço dele. Sua camisa ainda estava aberta, apenas o suficiente para que seus mamilos esfregassem a pele enquanto balançavam juntos e ela inalou o cheiro de sabonete e xampu vindo dele. Ele revirou os quadris, descobrindo que esfregar determinado local com seu pau a fazia ofegar em assombro e continuou a golpear como se pudesse ler sua mente.

— Sim. — ela ofegou. — Não pare.

— Nunca. — rosnou.

As paredes vaginais apertaram com força, seu corpo tremia e sua barriga também. Ela estava presa, não podia se mover pela forma como ele a segurava e podia sentir como manipulava seu corpo. O polegar acariciou seu clitóris, acelerando sua paixão e ela gritou quando atingiu o clímax, a rasgando.

— Jessie. — ele gemeu, os quadris sacudiram forte e sêmen quente a banhou profundamente por dentro quando ele começou a gozar.

Ele abaixou a cabeça, escondeu o rosto no ombro dela e gemeu mais alto. A acariciou mais lentamente com seu eixo grosso, finalizando o ato de amor e, finalmente, apenas a abraçou enquanto tentavam recuperar o fôlego.

A realidade penetrou lentamente. Ela acabava de ter sexo alucinante com alguém que jurou estar fora. Podia culpar a raiva, que definitivamente desempenhou seu papel na sua ida do frio ao quente num flash, mas principalmente, tinha que admitir que era porque o amava.

Queria sexo com ela, a única coisa que aceitaria e ela deu a ele. Ele era muito sexy, seus beijos muito irresistíveis e sua boca devia vir com uma etiqueta de aviso, na sua opinião. Um beijo e podia fazer uma mulher perder a cabeça e sua calcinha.

Justice deu um beijo em sua garganta quando virou um pouco a cabeça e seu hálito quente e pesado fez cócegas no pescoço quando se moveu a sua espera novamente, puxando a mão por entre seus corpos para embalar a bunda com as duas mãos.

— Segure-se em mim. Vou levar você para a cama. Vamos comer mais tarde. Quero você de novo.

A parte triste era que queria deixá-lo levá-la lá. Passar horas tocando e se perdendo em seus braços era tão tentador que machucava resistir. Não queria ser um capacho — a mulher com quem dormia até decidir que queria sossegar — e tinha que tomar uma posição. Não seria usada por nenhum homem.

— Coloque-me no chão.

— Você não é pesada. — Ele se afastou da parede e ela teve que segurar em seus ombros para permanecer em pé e não cair quando a puxou com ele.

Balançou freneticamente, se levantou pressionando os braços sobre os ombros dele e apertou os músculos vaginais. Isso forçou seu pênis ainda duro a deslizar para fora dela. No segundo que se separaram, ela soltou as pernas de sua cintura e o empurrou.

Tropeçou, mas não a deixou cair. Em vez disso, rosnou quando ela afastou a cabeça para olhar em seus olhos surpresos.

— Jessie?

— Me solte.

A confusão veio em seguida, a emoção relacionada. Ele a fazia se sentir assim, então era justo que sofresse também. Ele a desceu, mas não a libertou inteiramente.

— O que está errado?

Ela teria rido se não fosse tão triste.

— Isso não muda nada. Foi apenas uma despedida sexual.

— O quê? — Ele olhou boquiaberto para ela.

— Despedida sexual — repetiu. Soltou seus ombros para empurrar o peito. — Isso acontece. Temos algo entre nós, mas não era para ser. Você tem seus planos e não sou parte deles.

Justice foi rápido em rosnar.

— Não foi isso. Não estamos terminando. Vamos para a cama e conversar. — Tentou puxá-la mais perto. — Somos felizes juntos.

— Pareço feliz? — Ela olhou para o rosto dele. — Quero mais que apenas ser a mulher com quem passa as noites. Gostaria de estar lá durante os dias também. Quero conhecer seus amigos e talvez até mesmo ver seu escritório. Quero sair com você, e se tiver que ir à Reserva por alguns dias, não temos que ficar separados. Que funcione. Isso é o que quero, Justice. Direitos plenos de namorada.

Outro grunhido retumbou dele.

— Não é seguro. Já falamos sobre isso.

— Sim, falamos. Você tem sua opinião formada e eu também. Sabe como isso é chamado?

— Teimosia de sua parte por não ver as razões lógicas por que seria ruim se alguém soubesse que estamos juntos?

Ela desejou poder sorrir, mas doía muito.

— Deixe-me ir, Justice.

Seus dedos flexionaram, mas ele aliviou o aperto até que suas mãos caíram dos lados.

— Aí está. Não vou tocar em você.

— Quero dizer, deixe-me ir. Não quer me machucar, certo? É tão paranoico sobre fazer isso. Estar com você do jeito que estamos não funciona para mim. Não pode ou não vai me dar o que preciso. Isso está me machucando. — As lágrimas encheram seus olhos. — Você está me machucando.

Ele balançou a cabeça.

— Não.

— Sim. — Ela puxou a camisa rasgada para cobrir os seios, desejando que fosse outra hora, porque se sentia muito exposta naquele momento, tanto física como emocionalmente. — Por favor, saia, Justice. Se gosta de mim, vai pegar suas roupas, pular o muro e sair. — Ela se virou, não suportava o olhar torturado em seu rosto, e caminhou até a porta dos fundos. A abriu, se recusando a olhar para ele de novo. — Vá. Por favor! Não podemos fazer isso de novo. É muito doloroso.

— Eu machuquei você? Fui muito áspero? — Raspou as palavras, soando tão atormentado quanto parecia. — Jessie? Olhe para mim.

Ela se recusou.

— Vá, Justice. Apenas... vá.

— Não posso. — sussurrou. — Penso em você. Eu...

Justice estava sem palavras. Desapareceram ao ver como Jessie parecia abatida. Seus ombros caíram e abraçava a camisa rasgada como se confortando de algo triste. Por que não podia encontrar as palavras certas para fazê-la entender o quanto era importante para ele? Escreveu discursos para enfrentar o mundo dos humanos muitas vezes, mas não conseguia encontrar uma forma de expressar seus sentimentos para a única deles que ganhou seu coração.

—Vá. — sussurrou, o som das lágrimas em sua voz. — Não me faça gritar ou apertar esse maldito alarme novamente. Isso me faz parecer uma idiota quando aparecem aqui e tenho que fingir que fiz por acidente. Preciso de espaço. Se você se importa, prove. Saia.

Agonia rasgou através dele quando se virou com as pernas dormentes, recolheu sua roupa e hesitou ao seu lado.

— Jessie? Por favor, fale comigo. Não me faça sair. Quero ficar com você. — Estava tentado a agarrá-la, jogá-la por cima do ombro e amarrá-la na cama.

Podia fazê-la ver que se pertenciam, mas a dor o impediu. Vê-la dessa maneira o rasgava por dentro.

— Jessie, eu...

— É o fim.

— Não aceito isso. — A raiva se agitou. Não tinha acabado. Não ia aceitar isso.

Ela virou e correu para a porta da frente. O movimento repentino o surpreendeu e demorou a reagir, até que ela girou, voltou para a parede e levantou sua mão sobre o botão de alarme. Ela encontrou seu olhar em seguida, com os olhos cheios de lágrimas.

— Realmente tenho que pressionar essa coisa de novo? Sério? Vá.

— Não.

Seu dedo o tocou levemente.

— Não vou pulverizar perfume desta vez para cobrir seu cheiro. Todos saberão sobre nós se eu pressioná-lo. Não vou te poupar. — Seu queixo se ergueu em desafio, a raiva brilhava em seus olhos. — Não volte a menos que seja para me convidar para um encontro em público. Essa é a última coisa que tenho a dizer, exceto que tem cinco segundos para sair.

— Jessie, não faça isso.

— Um.

— Droga, mulher. Podemos resolver isso.

— Dois. — Suas costas endureceram e ela puxou ar.

A raiva tomou conta dele.

— Não vou ser ameaçado.

— Três e quero dizer isso, Justice. Em cinco vou pressionar esta coisa e deixá-los entrar na casa. Não terá escolha depois. Todo mundo vai falar sobre nós e provavelmente até mesmo abrir caminho para a imprensa. Sabe que amam rumores suculentos e correm por eles.

Ela estaria em perigo. Rosnou.

— Quatro.

Ele girou, saiu de sua casa, e saltou sobre o muro. Queria rugir para ela. Queria destruir tudo. Ela vai se acalmar. Vai sentir minha falta, tanto quanto eu a dela. Só precisa de tempo. Este raciocínio ajudou quando entrou pela porta dos fundos e se atirou na cadeira mais próxima. Jogou suas roupas no chão e fechou os olhos. Raiva e tristeza lutavam em seu coração e mente.

 

Duas semanas de miséria se passaram desde que chutou Justice de sua casa. Ele a deixou sozinha, conseguiu evitá-la completamente. Ela forçou sua atenção em Breeze.

Um grande edifício apareceu por trás da mulher Espécie e a emoção brilhou em seus olhos.

— É isso. Vai se divertir, Jessie.

— Este é seu grande ponto de encontro, hein?

— Sim. É um bar e clube de dança juntos. Este é o lugar onde a gente sai com os amigos ou se liga com um macho se quisermos compartilhar sexo. Vou apresentá-la e vai fazer novos amigos. A dança é divertida e estamos ficando bons nisso. Ellie gosta de dançar e nos ensinou. Vai ser bom para você fazer algo além de trabalhar ou ficar dentro de casa.

— Adoro Ellie. — Jessie admitiu. Conheceu a mulher que dirigia o dormitório das mulheres, instantaneamente se identificou com ela e se tornaram amigas. Ellie era a primeira mulher humana a se casar com um macho Espécie. Só trabalhava algumas horas por dia no dormitório, mas funcionava sem problemas. Jessie passava todo seu tempo no dormitório quando não estava de mau humor na casa dela. Parecia que seu trabalho na ONE consistia em sair com as mulheres e ser sua amiga.

— Adoro Ellie também. — admitiu Breeze.

— Ela é divertida, mas espero que se sinta melhor logo. Essa coisa no estômago pela gripe me preocupa. Vomitou novamente hoje.

— Está sob cuidados de um médico e vai ficar bem. — Breeze mudou de assunto. — Vê por que ela é minha melhor amiga?

— Sim.

Música alta explodia do interior do edifício antes de chegarem às portas duplas. Breeze abriu um lado e acenou para Jessie entrar, seu amplo sorriso a convidando a partilhar o clube Espécies. Isso divertiu Jessie, que secretamente imaginava que seria provavelmente o bar e clube de dança mais bobo que viu, porque essas pessoas eram novas em festa, mas jurou que tentaria se divertir.

A sala era grande, aberta e mal iluminada. Tinham um bar que funcionava ao longo de uma parede, perto da porta da frente e mesas na mesma área. Mesas de bilhar e máquinas de pinball foram adicionadas. Na parte de trás do edifício, a alguns passos, uma pista de dança cheia de corpos em movimento chamou sua atenção.

A surpreendeu ver dezenas de mulheres do dormitório junto com os homens. Devia haver mais de uma centena e sua capacidade de dançar parecia bastante avançada. Ela os observou balançando graciosamente, os movimentos sexy e nenhum pouco bobos. Suas sobrancelhas levantaram, mas manteve o sorriso no lugar quando a porta fechou atrás delas e Breeze agarrou sua mão, a puxando na direção do bar.

— Nós gostamos de dançar. — gritou Breeze sobre a música. — Vamos pegar uma bebida.

Jessie pediu uma bebida mista, querendo ficar um pouco tonta após as últimas semanas, mas observou que a maioria dos clientes bebiam refrigerante direto das latas. Sentaram-se no bar. Breeze se torceu em seu assento bebendo o refrigerante e olhou com cobiça para os dançarinos.

— Vá dançar, Breeze. Posso ver o quanto quer.

Breeze olhou para ela.

— Venha comigo.

— Vou um pouco, mas quero terminar meu drinque primeiro.

— Basta sair e me encontrar quando terminar. Nossos homens são educados e não vão atacá-la. Tem que dizer que deseja compartilhar sexo com eles, se quiser levar um para casa com você. Amo dançar! — Breeze disparou de seu lugar, deixando o refrigerante, e quase correu para a pista de dança.

Jessie estava feliz que não esteve engolindo a bebida quando ouviu as palavras de despedida da outra mulher. Compartilhar sexo? Levar alguém para casa? Merda! Tomou um gole de bebida, esperando que sua nova amiga não esperasse que ficasse com um cara para um caso de uma noite. Teve muitas conversas com as mulheres, sabia que faziam isso muitas vezes, mas não esperava que Breeze pensasse que podia desfrutar desse passatempo. Terminou a bebida com esse pensamento sombrio pendurado em sua cabeça.

O barman era uma fêmea Espécie chamada Christmas. Era uma pessoa naturalmente feliz e sorria o tempo todo. Ela caminhou até Jessie com outra bebida, e em seguida, foi embora. Jessie deu de ombros e tomou um gole, admirando seu serviço ao cliente. Não trocavam dinheiro, e obviamente não esperavam que alguém pedisse outra bebida, o que garantia que seus clientes nunca tivessem sede.

Jessie virou no assento, estudou os dançarinos e viu Breeze dançando com um alto macho Espécie na frente. O sorriso foi instantâneo. O casal se movia junto, peito a peito e flertavam escandalosamente. Quase podia imaginá-los fazendo sexo quando a mulher alta se virou nos braços do cara mais alto, empurrou sua bunda contra a frente de seu jeans e se mexeu em seus braços. Jessie tomou outro gole de bebida, percebeu que provavelmente ia para casa já que Breeze encontrou alguém e decidiu sair no segundo drinque. Não queria beber e dirigir, mesmo que fosse apenas num carrinho de golfe.

Terminou seu segundo drinque e Christmas encontrou seus olhos. Jessie balançou a cabeça negativamente. A barman se moveu e Jessie enfrentou a pista de dança novamente. Breeze e o macho dançaram quatro músicas juntos, músicas rápidas, mas quando a música terminou, a próxima era uma melodia mais lenta, voltada para a dança lenta.

Muito poucos dançarinos deixaram a pista de dança para ir na direção do bar. Podia atestar depois de observá-los dançando que estavam com sede. Quando os corpos se afastaram um casal dançando chamou a atenção de Jessie. O sorriso escorregou de seu rosto e a dor atravessou seu coração.

Justice dançava com Kit, uma fêmea Espécie com quem falava com frequência, no dormitório feminino.

Seu cabelo vermelho brilhante caia em seus ombros. Tinha cerca de 1,80m de altura e belos olhos felinos. Usava uma minissaia de couro preta e uma camiseta que revelava sua barriga lisa.

Jessie espiou as pernas bem torneadas que pareciam nunca terminar até seus sensuais saltos agulha. Provavelmente por isso parecia ser quase tão alta quanto o homem que a segurava firmemente em seu abraço enquanto se moviam juntos.

Justice era um grande dançarino. Era uma pantera, Jessie pensou. Eram animais graciosos e mostrava no jeito sedutor que se movia. Os braços musculosos estavam expostos, já que usava uma regata justa e calça jeans desbotada. Seu cabelo estava solto, não preso no seu rabo de cavalo de costume e parecia sexy como o inferno.

Kit se aproximou dele e virou até as costas pressionarem contra a frente de Justice.

Justice estendeu a mão e agarrou seus quadris, se movendo eroticamente contra ela como se estivessem fazendo amor. Kit virou a cabeça, olhou atrás para Justice e sorriu. Pareciam o casal perfeito e Kit era uma mistura de gato, como Justice. Era sua companheira ideal.

O estômago de Jessie apertou pela percepção de que Kit podia ser a única que mudaria para sua casa um dia. Jessie lutou contra as lágrimas que encheram seus olhos, mas se recusou a chorar pelo babaca e cerrou os dentes para combatê-lo. A imagem deles juntos na cama era vívida enquanto seus corpos se moviam com a música, Justice tocando com as mãos os quadris de Kit. Um de seus braços deslizou em torno de sua cintura para puxá-la mais perto e Kit riu. A mulher se virou, colocou os braços frouxamente ao redor de seu pescoço e esfregou o corpo ao longo da sua frente com os lábios quase se tocando.

Jessie virou, enganchou os pés no fundo do banco do bar e se levantou do assento para se inclinar para frente. Olhou para baixo freneticamente pelo bar e chamou a atenção de Christmas. Encenou um, por favor, com a boca. Christmas acenou.

Jessie sentou no banco e virou a cabeça, incapaz de afastar o olhar do acidente de trem de seu coração despedaçado. Justice ainda dançava com Kit agarrada a ele. Enquanto Jessie assistia, a mulher desceu seu corpo, se esfregando contra a frente de Justice e as mãos espalmaram sobre a barriga nua. Jessie se obrigou a se afastar, achando demasiado doloroso assistir, a tempo de ver Christmas deixar sua bebida. Jessie forçou um sorriso para agradecer, esperou tempo suficiente para a barman seguir em frente e tomou a coisa em alguns grandes goles.

— Jessie! — Flame deu um passo ao lado dela, sorrindo. — Está aqui.

— Estou. Como está? — Percorreu o olhar sobre ele, feliz que bloqueava a visão da pista de dança com o corpo grande. Vestia uma camiseta como a maioria dos homens lá e calça preta. O cabelo estava preso num rabo de cavalo.

— Estou bem. Nunca ligou.

Ela não fez.

— Sinto muito. Esta é a primeira noite que venho aqui. Breeze me trouxe.

Ele sentou na banqueta ao lado dela.

— Como está o trabalho?

— É fácil. Sento-me o dia inteiro falando com as mulheres e as fazendo se abrir comigo. Dou algumas aulas de culinária e mostro como usar a internet. — Encolheu os ombros. — Gosto disso.

— Fez amigos?

— Fiz. — Era verdade. Fez um monte de amigas. Não que pudesse contar seus problemas, já que seu principal era Justice North. — Como está seu trabalho?

Ele sorriu.

— Começamos a perseguir os manifestantes de volta e não gostam disso. Alguns partiram.

Ela riu, mais que um pouco embriagada e feliz por se agarrar a outro tema que a impedisse de olhar acima do ombro para ver o que Kit fazia com Justice.

— Isso é ótimo.

— Dance comigo. — Ele estendeu a mão. — Não tenha medo. Se não sabe dançar, não importa. Metade de nós não sabe, mas gostamos de nos divertir.

Jessie hesitou. Seu olhar se deslocou para a pista de dança com medo, mas Justice não estava mais lá. Saiu com Kit e um olhar abrangente em torno não o encontrou, e percebeu que saiu do bar. Se foi embora não teria que se preocupar de encontrar com ele. Talvez dançar tirasse de sua cabeça o que estaria fazendo com a alta e sexy mulher felina. Colocou a mão na maior de Flame. Sua pele estava quente, a lembrando de Justice. Empurrou o pensamento longe, não querendo chorar.

Jessie percebeu que era a pessoa mais baixa na pista de dança quando ficou claro o quanto mais altos todas as pessoas ao seu redor eram. Flame sorriu e começou a dançar, melhor do que deixou implícito. Ela se soltou, apenas para a música e sentir a batida. O álcool ajudou e, quando Flame se moveu, não hesitou em dançar contra ele.

Justice saiu do banheiro e foi até o bar onde Kit disse que o encontraria depois que usasse o banheiro das mulheres. Ela pediu suco e acenou para algumas pessoas.

Ele sentiu alguém vindo por trás e se virou para receber Breeze.

— Oi, Justice. Como está hoje? Está tirando uma noite de folga finalmente?

Ele sorriu.

— Todo mundo deveria ter uma noite de folga.

— Já ouviu sobre Tammy e Valiant? Como estão indo?

— Estão bem, Breeze. Estou feliz em dizer que já não aterrorizam o sono de ninguém.

Breeze sorriu e se virou, observando a pista de dança. Ela riu.

— Ótimo. Ela está se divertindo dançando. Ela faz isso muito bem também.

Justice tomou um gole da bebida que Chistmas entregou a ele.

— Quem é? Trouxe uma das novas aqui?

— Mais ou menos. — Breeze riu. — Ela é nova, mas não é Bela. Trouxe Jessie Dupree.

Justice quase deixou cair o copo. Ele se torceu em sua cadeira e examinou a pista de dança, não tendo que procurar muito para encontrar Jessie. Dançava com Flame na borda exterior do grupo. Justice fixou os olhos no par. O cabelo de Jessie estava solto, roçando no jeans apertado que abraçava sua bunda e camiseta preta decotada e apertada, exibindo o cremoso vale entre os seios.

Dançava tão bem que o ciúme o encheu instantaneamente, enquanto observava Jessie mexer a bunda e mover os braços acima da cabeça. Flame agarrou a mão de Jessie e a girou em seus braços até que caiu contra seu peito, a mão agarrando seu ombro e Flame se atreveu a baixá-la. A visão do homem dobrando as costas femininas e se pressionando firmemente contra ela arrancou um grunhido de sua garganta. Ele levantou tão rápido que a banqueta bateu no chão.

Kit e Breeze ergueram a cabeça para ele. Breeze falou primeiro.

— O que é isso? O que há de errado?

Ele olhou para Breeze.

— Trouxe uma humana aqui?

Ela parecia chocada.

— É Jessie. Ninguém iria incomodá-la.

—Está segura aqui — Kit confirmou. — Todo mundo a ama. Os machos vão se comportar.

— Ela não deveria estar aqui. — Ele conseguiu conter seu temperamento, mas não o suficiente para rosnar para ambas as mulheres. Seu olhar furioso se voltou para Jessie a tempo de ver mais de seus seios do que queria que alguém visse. — Tirem-na daqui, agora.

Breeze engasgou.

— Mas Justice, juro que ninguém vai machucá-la.

Ele virou a cabeça em sua direção e a olhou com raiva.

— É humana e sob nossa proteção. Nem todos gostam de humanos. Leve-a para casa agora, onde estará segura.

— Ela está com Flame. Ninguém ousará chegar perto dela com ele. Vai defendê-la se houver algum risco se esse é o problema. — Breeze mordeu o lábio. — Está segura comigo e está segura com ele. Flame nunca permitiria que nada acontecesse com Jessie. Ele gosta dela.

Kit bufou.

— Flame gosta de Jessie? Isso é dizer o mínimo. Ela é tudo que ele pergunta quando o vejo. Fala sobre ela indefinidamente. Não precisa se preocupar, Justice. Apostaria que se Flame conseguir, vai proteger seu corpo durante toda a noite, de todas as maneiras imagináveis. A única coisa que deixaria de tocar hoje à noite é ele mesmo.

Justice viu vermelho e saiu na direção da pista de dança. Flame tinha liberado Jessie, mas ainda dançavam muito juntos. Justice observou Jessie e o modo como se movia o lembrou de sua primeira noite juntos, quando ela subiu em cima e ele se enterrou dentro dela.

Justice chegou à pista de dança quando Jessie se virou para ele. Ela estava com as mãos sobre a cabeça, os punhos juntos e mexia o corpo. O olhar de Justice se prendeu na bunda bem feita dela e a quis tanto que suas calças ficaram dolorosamente apertadas.

Seu coração disparou, o sangue correu para seus ouvidos e soube, naquele momento, que se Flame tocasse sua mulher, o maldito homem perderia a mão.

Jessie estava tendo um bom momento. Flame era um grande dançarino. Mergulhou com ela algumas vezes e a virou novamente. Jessie amou a reprodução da canção, que era uma de suas favoritas, e ergueu as mãos para balançar com o ritmo.

Uma grande mão de repente segurou em torno dos pulsos de Jessie acima de sua cabeça. Ela ofegou quando dedos fortes os algemaram e não conseguia puxar os braços para baixo. Ergueu a cabeça e ficou chocada com as feições enfurecidas de Justice.

Jessie ficou nervosa por descobri-lo ainda no bar. Tinha certeza que havia saído com Kit. Ele deu a volta à sua frente, manteve seus braços presos acima e continuou a olhar. Raiva derramava de seu olhar, que parecia mais escuro que o normal — sem os pontinhos azuis habituais. Ela ficou séria rapidamente.

— Oi, Justice. — Flame gritou para ser ouvido. — Algum problema?

Justice finalmente desviou o olhar dela para encarar Flame. Os olhos escuros se estreitaram, seu nariz queimou e um grunhido saiu em vez de palavras, quando seus lábios se abriram. Flame empalideceu e recuou. Justice o ignorou para olhar Jessie novamente.

— Precisa ir para casa. Este não é um lugar seguro para uma humana. — Sua voz saiu áspera, rude e não muito humana.

Ela rangeu os dentes enquanto sua própria raiva crescia. Justice só estava chateado por que estava lá e dançando com outro homem. Não tinha que ler mentes para saber onde seus pensamentos estavam — sua linguagem corporal gritava a explosão de ciúmes. O filho da puta era um hipócrita.

— Bobagem. Estou me divertindo com meus amigos e estou dançando.

— Está saindo agora. — O nariz de Justice ardia.

Jessie o odiou naquele momento. Realmente o fez. Estava lá com outra mulher, ela teve que vê-lo se esfregar e ainda tinha a coragem de pedir para ela sair.

— Sinto muito, senhor North. — declarou Jessie desafiadoramente. — Teria pedido sua permissão, mas o vi dançando com Kit. Não queria interromper a maneira como vocês dois estavam se tocando e esfregando um contra o outro.

Justice empalideceu um pouco e algo em seus olhos mudou, se suavizou. Seu aperto sobre seus pulsos aliviou e ela os desceu, deu um passo atrás e colocou espaço entre eles.

— Vamos discutir isso depois. Vá para casa.

— Na verdade, não temos nada a discutir. Confie em mim. Vim aqui e aprendi totalmente minha lição. Nunca vou cometer este erro novamente. — Ela lutou contra as lágrimas. — Tenha uma boa noite com Kit. Parecem tão... perfeitos juntos.

Justice olhou em seus olhos e deu um passo hesitante mais perto. Jessie piscou rapidamente as lágrimas que enchiam seus olhos e se afastou, totalmente pronta para desmoronar em seu estado de embriaguez, mas orgulhosa demais para fazê-lo. Deu apenas alguns passos quando uma mão grande e quente a deteve, agarrando seu braço. Ela olhou acima para Justice.

— Sinto muito por essa noite, mas é como tem que ser. Há momentos que temos de fazer certas coisas para o bem de todos.

O que isso significava? Entendeu a parte do sinto muito. O resto era grego para Jessie. Não entendia uma palavra.

— Não entendi a última parte.

Ele a olhou por longos segundos e seus dedos a soltaram.

— Vamos discutir isso amanhã.

Amanhã. Não ia para sua casa ou teria companhia que o impediria de falar com ela naquela noite. A dor a atravessou por essas implicações. Kit e Breeze entraram em seu caminho. Kit parou ao lado de Justice e colocou a mão em seu braço.

— Justice, ela estava apenas se divertindo. Deixe-a sozinha e venha dançar comigo.

Breeze o olhou.

— Juro que se a deixar ficar, vou ajudar Flame a guardá-la.

Flame se apressou a acrescentar.

— Vou protegê-la com minha vida, Justice.

Justice se dirigiu a Breeze.

— Leve-a para casa agora.

Flame estendeu a mão para Jessie.

— Vou levá-la para casa.

Jessie viu o nariz de Justice tremer e ele olhou para ela. Seu olhar baixou quando a mão de Kit massageou seus bíceps e ele não se afastou do toque dela.

É assim. Ele pode dormir com Kit, mas não posso falar com outros homens. Jessie forçou um sorriso quando a dor rasgou através dela.

— Adoraria que me levasse para casa, Flame. Obrigada. — Ela segurou sua mão e virou as costas para Justice. — Bebi muito e não devo dirigir.

— Jessie! — Justice rosnou.

Ela olhou por cima do ombro.

— Se lembra do que eu disse sobre interação com machos Espécie? Eu falei com você. É melhor se lembrar do que eu disse cuidadosamente.

Ela ficou boquiaberta, soltou Flame e, lentamente, se virou para o homem que amava. Ela se lembrava de como jurou matar qualquer homem que ela deixasse tocá-la. Kit pressionou seu corpo contra seu lado, passou os dedos no braço para descansar em seu estômago, o esfregando um pouco acima do cós da calça jeans. Parecia uma coisa familiar.

— Calma, Justice. — Kit ronronou. — Se preocupa com ela porque está sob sua proteção, mas Flame não vai machucá-la.

— Breeze, leve-a para casa. Flame, fique aqui.

Foi uma ordem dada duramente, sem brincadeira, o tom ameaçador.

A raiva queimou em Jessie. Que bastardo!

— Sr. North, sou uma menina grande e solteira. Não tenho ninguém a responder, especialmente alguém que não conheço. Tive um ex-marido, mas era um bastardo enganador que não sabia como ser leal. Saía para galinhar, mas esperava que eu ficasse sozinha em casa. Divorciei-me dele porque não é assim que funciona comigo e nunca será. Quando um homem te engana com outra pessoa, não tem direito de ficar bravo se eu tiver sexo com outra. Vou para casa agora, mas agradeço sua... — Ela hesitou, sabendo que falou demais, mas sem se importar. — Preocupação. — Jessie se virou. — Vamos, Flame. Vou te dar um tour pela minha casa, pois está sendo bom o suficiente para me levar para casa.

Andaram alguns metros, quando ela percebeu que não estava muito constante em seus pés e Flame agarrou seu braço, rindo.

— Bebeu demais, pequena Jessie.

— Provavelmente. Tomei uns três e não sou muito de beber.

— Quando foi a última vez que bebeu?

— Oh, cerca de um ano atrás. Era o primeiro...

Um braço se prendeu em volta da sua cintura e a puxou direto para fora de seus pés e ela bateu num corpo quente e duro. Estava atordoada demais para fazer mais que suspirar quando seus pés tocaram o chão novamente. Braços fortes a mantiveram presa e incapaz de se mover. Um rosnado alto soou próximo a sua orelha da boca de Justice, e Flame se virou para ver o que aconteceu com ela.

— Está bêbada e não vai levá-la a qualquer lugar. — Justice rosnou novamente. — Vá, Flame. Estou a protegendo e não há discussão. Seu pai ficaria furioso se alguém a tocasse enquanto não estava em seu juízo perfeito pela bebida.

Flame recuou, parecendo chocado e correu para longe sem outra palavra.

Jessie puxou uma respiração profunda, seu cérebro atordoado tentando absorver o que acontecia, mas uma respiração quente ventilou sua pele quando Justice baixou a cabeça para sussurrar em seu ouvido.

— Vou matá-lo, Jessie. É isso que quer? Me ver arrebentando Flame em pedaços, membro por membro? Pense antes de falar ou agir. Não estou fodendo Kit. Não compartilhei sexo com ninguém além de você desde que nos conhecemos. Foi apenas pelas aparências, para fazer meu povo se sentir confiante e acreditar que tudo está bem. — Seus braços a soltaram. — Vá para casa. Tenho um helicóptero para pegar em uma hora e devo participar de uma reunião na Reserva no início da manhã. Vamos terminar esta discussão depois que eu voar para casa no período da tarde. — Seu grande corpo tremia atrás dela. — Fique feliz por que preciso sair e não quer falar comigo agora mesmo. Sou perigoso. Iria te mostrar porque nunca vai aceitar qualquer outro macho, além de mim.

Ele a soltou tão rapidamente quanto a agarrou, recuou e disparou um olhar para Breeze.

— Leve-a para casa e a mantenha longe de todos os homens. Ela bebeu, precisa ser protegida e não está sóbria. Cheire-a e vai entender. Se alguma coisa acontecer com ela é seu traseiro que está na reta.

Ele saiu na direção da porta da frente.

— Justice? — Kit amaldiçoou. — Droga! — Ela se aproximou de Jessie e colocou as mãos nos quadris. — Você o deixou louco. — ela fez beicinho. — Estávamos nos divertindo e não gosto de seu pai, se coloca tal preocupação em Justice sobre sua segurança.

Breeze se adiantou, parecendo confusa.

— Vamos, Jessie. — Ela a cheirou. — Quantas bebidas tomou?

Fale, ela ordenou à sua mente cambaleante.

— Hum, algumas. — Fechou a boca.

Breeze a levou até o carrinho de golfe e para casa. O silêncio se estendeu entre elas. Jessie ainda se sentia magoada pelo encontro com Justice, humilhada pela cena que fez e realmente bêbada. Não deveria ter pego essa terceira bebida.

— Vou levá-la para dentro. — A outra mulher a estudou. — Espécies raramente consomem bebidas alcoólicas. Têm gosto e cheiro ruins.

— Está me dizendo educadamente que estou fedendo não é?

Uma risada respondeu e Breeze a ajudou a levantar. O mundo oscilou um pouco para Jessie e lembrou que não bebia muitas vezes por uma razão. Calma. A mão apertou seu braço e a segurou.

— É pequena e não deve beber aquela coisa horrível, Jessie. É inteligente e não precisa. Deveria ver como fica descoordenada e seus olhos brilhantes.

— Não é bom olhar para mim né?

— Não.

Jessie riu, amando como os Espécies eram contundentes. Tentou abrir a porta, mas a danada da fechadura continuava se movendo. Breeze rosnou suave, puxou a chave da mão dela e a abriu. Acendeu as luzes.

— Vou ajudá-la a ir para a cama.

— Posso fazer isso sozinha. Este não é meu primeiro rodeio.

— O que significa isso? Não temos quaisquer touros no bar.

Outra risada veio de Jessie quando olhou para a alta mulher.

— É um provérbio. Já enchi a cara antes. Obrigada por me trazer para casa, mas posso lidar com isso a partir daqui.

— Tem certeza?

— Positivo. Obrigada. — Ela girou, tropeçou e focou em colocar um pé na frente do outro. A porta fechou ruidosamente atrás dela, assegurando que sua amiga saiu.

A depressão a atingiu duramente.

Justice e Kit pareciam bem juntos e ele podia não ter dormido com ela recentemente, mas a forma familiar como a mulher Espécie o tocava não deixava dúvidas que foram amantes no passado. Ele provavelmente estava vivendo e flertando com outras mulheres enquanto Jessie ficava em casa, miserável. Isso a deixou louca e pior, realmente machucada.

Não tinha certeza se ele disse a verdade. No que dizia respeito a ela, podia foder qualquer mulher Espécie em Homeland.

Lágrimas quentes encheram seus olhos e lamentou a embriaguez, uma vez que a deixava mais hormonal e menos racional. Justice era um idiota, mas era quente. Adorava estar em seus braços e o cara podia fazê-la gritar. Havia a parte sobre se apaixonar por ele também, mas bufou sobre isso.

— Tenho mau gosto para homens. — Fungou. O som de sua voz quebrada e a dor partiram o último pedaço de bravata que tinha para conter os soluços. Cambaleou para sua cama, subiu, se enrolou e puxou os joelhos.

Se apaixonou por um cara viciado em trabalho, líder dos Novas Espécies, seu chefe. Estava escrito desastre desde o momento que o viu, parecendo tão sexy de camiseta.

A calça jeans apertada não ajudou muito. Uma mulher teria que ser cega e estar morta para não notar Justice.

— Jessie? — Luz brilhante inundou o quarto quando Breeze correu para o quarto. — Você caiu? Está machucada?

Merda! Ela limpou o rosto, fungou e forçou seu corpo a se mover. Sentou, mas se recusou a olhar na direção da porta.

— Estou bem. Choro quando bebo. É apenas uma coisa humana — mentiu. — Pensei que tinha saído.

— Sei que algumas pessoas ficam doentes e vomitam quando bebem. Sou sua amiga e Justice me encarregou de você.

Ouvir seu nome só doeu mais e soluços se acumularam em seu corpo. Ela cobriu o rosto com as mãos, jurou nunca beber novamente e tentou falar.

— Estou bem. Basta ir para casa, Breeze. Vou estar melhor na parte da manhã.

— O que foi, Jessie? Está sempre tão feliz e agora está vermelha, molhada e triste. — Breeze agarrou seu ombro e puxou suas mãos para procurar o olhar de Jessie. Breeze amaldiçoou. — Vejo a dor. Quem fez isso?

— Não é nada. Ninguém me machucou.

— Está olhando para longe de mim. — Breeze acusou. — Está mentindo. Não faça isso. Somos amigas, mas me recuso a ter uma pessoa desonesta ao meu redor. Deve ser honesta.

A culpa comeu Jessie. Breeze não foi nada além de honesta e gentil com ela. Compartilhou segredos sobre as Espécies, confiou, e ela queria fazer o mesmo, mas isto era muito grande para contar.

— Eu gostaria de soltar tudo, mas simplesmente não posso.

A raiva de repente encheu o rosto de Breeze.

— Será que Flame te machucou? Será que te tocou em um lugar ruim? Estava chegando muito forte no bar? Vou causar-lhe uma dor tão grande que vai...

— Não. — Jessie sacudiu a cabeça. — Foi um total cavalheiro, enquanto dançamos.

Breeze estava confusa.

— O que te causou dor? Está doente? Precisa de um médico?

— Não tem ideia de quanto preciso de alguém para conversar, mas simplesmente não posso.

— Entendo. É segredo. Temos essas coisas também.

Jessie chorou ainda mais. Que ela e Justice se ajustassem ao relacionamento estava bem. Ninguém nunca deveria saber. Breeze disse palavras suaves e colocou os braços em volta de Jessie.

Ela a acariciou nas costas quando a abraçou. Eventualmente Jessie parou de chorar.

— Me desculpe, eu desmoronei. Não deveria beber. Normalmente consigo me controlar quando estou assim.

— Está tudo bem, Jessie. Todos temos momentos que choramos.

— Você chora? — Jessie a estudou.

Breeze hesitou.

— Fiz quando era jovem, mas aprendi que lágrimas não aliviam a dor ou alteram as razões dela. Te invejo pela capacidade de liberar um pouco da dor através do esforço físico de chorar. Deve estar cansada agora e vai dormir depois de chorar tanto. Vou vigiá-la e ficar com você até dormir. Nossas mulheres que você trouxe para nós gostam disso. As faz saber que nos importamos e me importo com você, Jessie. Você é minha amiga.

— Obrigada. É minha amiga também. Aprecio me deixar desmoronar sobre você do jeito que fiz. Realmente ajudou não ficar sozinha.

— A qualquer hora. — Breeze hesitou. — Basta tentar me advertir da próxima vez que se sentir assim. Vou usar uma camisa grossa para suas lágrimas não encharcarem minha pele.

Uma gargalhada explodiu de Jessie.

— Peço desculpas por deixar sua pele molhada. Prometo, vou dizer imediatamente quando sentir a próxima vez que for chorar.

— Obrigada. — Breeze piscou para ela.

Breeze puxou as cobertas sobre Jessie e desapareceu no banheiro, saindo momentos depois com uma escova de cabelo e um pano. Entregou o tecido a Jessie.

— Assoe o nariz.

— Obrigada, mãe.

Breeze riu e apontou o cabelo de Jessie.

— Vou escovar. Vai acalmar você e todo mundo gosta.

— Isso é tão legal. Gosto disso.

Jessie relaxou enquanto a outra mulher envolvia seu cabelo pelas costas, aplicava a escova na parte inferior e, lentamente, trabalhava todos os nós. Era gostoso. Seu corpo relaxou e bocejou. A escova parou e caiu na cama quando Breeze se moveu. Uma de suas mãos moveu o cabelo de Jessie para colocá-lo sobre seu ombro e um grunhido suave saiu dela.

— Quem fez isso com você?

Confusa, Jessie virou a cabeça para franzir a testa para ela.

— Fez o quê?

Breeze agarrou seu ombro, empurrou a camisa do caminho e revelou mais de sua pele. Ela olhou para baixo, viu as marcas vermelhas quase curadas que restavam de quando Justice a mordeu o suficiente duro para romper sua pele e soube que a cor desapareceu de seu rosto. Provavelmente haveria uma pequena cicatriz lá pelo resto de sua vida, uma vez que a vermelhidão desaparecesse.

— Jessie? Quem fez isso? Isto é de um dos nossos homens. — Breeze soltou um palavrão. —Existem apenas duas maneiras de um macho morder assim. Montado atrás e você lutou com ele para forçá-lo a te deixar imóvel ou um de minha espécie montou você e está mordendo humanas. Algumas humanas que dormem com Espécies pedem aos homens para mordê-las. Acham que seria um tesão, mas é estritamente proibido para nossos homens.

— Deixe para lá. — Jessie pediu suavemente.

Breeze soltou o ombro de Jessie, levantou e olhou para ela.

— Foi montada por um macho Espécie. Foi pela força ou algum está mordendo fêmeas pela novidade. Essa ferida não é tão velha. É por isso que estava chorando? Quero um nome agora.

— Por favor, Breeze. Não foi assim. Precisa deixar para lá.

— Vou ligar para os oficiais. Não entende a gravidade disso. Se um de nossos homens está forçando uma fêmea ao sexo ou a mordendo para se divertir, precisa ser impedido imediatamente. — Breeze girou para a porta.

— Pare!

Breeze virou e Jessie deu um olhar suplicante, em pânico pela ideia que sua amiga fizesse essa chamada.

— Não foi assim.

Um grunhido rasgou de Breeze.

— Como foi? Estou chamando os oficiais.

Justice ficaria furioso. O segredo acabaria se os oficiais fossem envolvidos.

Cada pedaço de dor que sentiu seria por nada e ele acharia que fez isso por vingança. Ela não era tão mesquinha.

— Se te disser a verdade, jura que nunca vai repetir nada a ninguém?

Breeze parecia incerta.

— Não vou ficar em silêncio se um homem está machucando mulheres.

— Isso não foi o que aconteceu. Não me forçou e... — Tocou a marca da mordida. — Não foi simplesmente um de seus homens mordendo minha espécie para foder.

Breeze sentou na cama.

— Dou minha palavra. Fale.

Ela mordeu o lábio.

— No dia que Tammy e Valiant se casaram, conheci um de seus homens. Fui atacada por um homem recém-libertado e um cara me protegeu. Jantamos juntos e uma coisa levou à outra. Foi mútuo.

— O nome dele?

Esperava evitar responder.

— Tivemos sexo consensual.

— Ele te mordeu? — Breeze severamente franziu a testa. — Mudou de ideia durante o sexo e ele tentou forçá-la a ficar com ele? Eles não têm muito controle quando começam. Sinto muito, Jessie. Ele a machucou muito?

— Não me machucou nada.

— O viu novamente. Aqui? — Seu olhar se fixou na marca em seu ombro. — Está mal curada. Já está aqui há cerca de três semanas, certo?

— Foi aqui.

— Como essa mordida aconteceu?

— Estávamos fazendo sexo. — Fez uma pausa. — Ele me agarrou com os dentes. Disse-me para ficar quieta. Realmente preciso dizer isto em voz alta?

— Precisa, se não quiser explicar aos nossos oficiais. Derrame.

As bochechas de Jessie aqueceram.

— Ele estava tentando ser muito lento e gentil comigo para que não arriscasse me machucar, mas eu queria que ele não fosse. Meio que forcei a questão e ele me mordeu. Foi simples assim. Não doeu e ele ficou arrependido, mas não era para me machucar.

Breeze ficou olhando para ela, em silêncio, e manteve a carranca no lugar.

— O quê?

— Por que estava chorando antes? Ele mora na Reserva e teve que voltar? Sei que alguns dos nossos homens de lá estiveram aqui há algumas semanas. Diga-me o nome dele e vou trazê-lo de volta. Você, obviamente, sente sua falta se chora por sua ausência.

— Não estamos mais vendo um ao outro. Terminei com ele.

— Por que estava chorando? Mudou de ideia e o quer de volta?

— Gostaria que fosse assim tão simples. — Mais lágrimas ameaçavam transbordar. — Preciso de sua promessa que não vai contar nada a ninguém. Realmente preciso de uma amiga agora, Breeze. Preciso de alguém para conversar. Alguém que possa confiar.

— Pode confiar em mim. O segredo a fez chorar? Não vou deixar isso.

— Tinha que terminar tudo com ele, porque não quer que ninguém saiba que dorme comigo. — Lágrimas quentes caíram pelo rosto. — Dormiu na minha cama noite após noite, mas durante o dia se eu passasse por ele, provavelmente não teria me dado um olhar. Estou tão apaixonada por ele que me deixa doente. Colocou na cabeça que um dia vai conseguir uma mulher Espécie como companheira. Esse é seu grande plano, e não estou nele.

Breeze amaldiçoou.

— Ele é estúpido. É uma mulher doce, Jessie. Qualquer um dos nossos homens devia ter orgulho de apresentar você. Quanto tempo ficaram juntos?

— Dormiu na minha cama por quatro noites seguidas e provavelmente ainda estaria na mesma se eu não dissesse que não podia mais fazer esta coisa de segredo de amantes. Apenas não posso viver dessa maneira Breeze. Dói que ele nunca vá me reconhecer abertamente.

— Ele é estúpido. Alguns dos nossos homens acasalaram com sua espécie e são felizes. Tenho um plano. Vou fingir que não sei de nada e fazê-lo passar um tempo em torno de Ellie e Fury. Vai ver como estão felizes e descobrir que pode funcionar entre vocês. Diga-me seu nome e vou fazer. — Breeze sorriu. — Vamos corrigir isso.

— Ele já os conhece.

Isso limpou o sorriso do rosto de Breeze.

— Qual o problema? Todos podem ver como estão felizes. Deve abraçar a felicidade que pode ter com você.

O coração de Jessie acelerou quando hesitou.

— O problema é que acredita que vai estar abandonando seu povo se ficar comigo. Está preocupado com os grupos de ódio, com meu pai tirando o apoio das questões das Espécies em Washington e que todo o inferno vai desatar. Acho que também está preocupado que será um mau exemplo para seu povo se ficar comigo em vez de uma de suas mulheres.

Breeze franziu a testa.

— Ninguém tem tanta influência sobre todos nós ou seu pai.

— Apenas um. — Jessie sussurrou.

A cor lentamente drenou da face de Breeze.

— Justice.

Jessie explodiu em lágrimas e Breeze amaldiçoou baixinho.

 

Breeze passeou pelo quarto, lançando olhares para Jessie e cerrou os punhos.

— Faz mais sentido agora. Justice é muito inteligente. — Fez uma pausa. — Agora entendo. Mudou você para esta casa para mantê-la ao lado dele. Todos se perguntavam por que colocaria uma humana aqui. Todos vivem na aldeia humana, exceto Ellie que vive com Fury. Disseram que era porque Justice é próximo de seu pai e queria você no lugar mais seguro de Homeland. Estas casas são guardadas e protegidas mais que quaisquer outras.

— Eu sei.

— Ele mora ao lado e pode entrar aqui sem ninguém saber.

Jessie assentiu.

— Eu sei.

Breeze se virou para ela.

— Ele é tão inteligente. Hoje à noite... — Breeze pôs a mão sobre a boca antes de deixá-la cair do lado. — Não estava preocupado com sua segurança ou por estar num bar com nossa espécie. Estava com ciúmes. Estava furioso por você estar lá e dançando com Flame.

— Sei disso também.

O olhar de Breeze se estreitou.

— Ele estava tão furioso Jessie. Poderia ter conseguido que Flame fosse morto quando concordou em dançar com ele e foi por isso que o impediu de trazê-la para casa. Possessividade num dos nossos homens é perigosa, mas a avisei disso.

— Justice estava com Kit. Não temos compromissos. Parei de vê-lo há duas semanas.

— Viu sua raiva?

— Viu as mãos de Kit por ele todo e o jeito como o estava tocando?

— Bom ponto. — Breeze sentou. — Pobre Jessie.

— Não vai contar a ninguém, certo? Por favor, não.

— Não vou fazer qualquer coisa que prejudique Justice. Agora tudo faz sentido. Ele não é estúpido. Ele é Justice North.

A boca de Breeze se suavizou num sorriso.

— Não. Apenas faz sentido porque não a reivindicou e escondeu que estava com você. Ele nos representa para seu mundo e todos olham para ele. É muito respeitado e apreciado por tudo que faz. — O sorriso de Breeze desapareceu e tristeza encheu seu olhar. — Ficar com uma humana poderia prejudicá-lo de muitas maneiras, Jessie.

Seus ombros caíram.

— Eu sei. Entendi. De verdade. Lembro que a imprensa foi à loucura quando Ellie e Fury se casaram. Foi um circo e todos os grupos de ódio apareceram em talk shows bradando sobre o quão errado era ficarem juntos. Fury e Ellie são apenas pessoas normais que ninguém conhecia até então. Justice é...

— Justice North. Todo mundo conhece seu rosto e nome. — Breeze estendeu a mão e apertou o joelho de Jessie em apoio. — Vai ser uma grande notícia quando ele tomar uma companheira, não importa quem seja. Seria mais aceito em ambos os mundos se fosse uma da minha espécie. É o esperado.

— Eu sei. — Novas lágrimas encheram seus olhos. — Não está dizendo nada que me choque.

Breeze hesitou.

— Me disse seus segredos. Posso te contar um dos nossos? Tem que jurar sobre sua vida nunca contar Jessie. Isso é muito sério. Está com muita dor, mas precisa saber outra razão pela qual Justice estaria tão determinado a tomar uma da minha espécie como companheira em vez de você.

— Eu juro. O que é?

— Sabe muito sobre nós, mas sabe que não podemos ter filhos?

— Sim. Não me importo com isso. Voluntariamente desisti de ter uma família para ficar com ele.

— Jessie, se Justice a tomasse como companheira, teria que se preocupar com algo que está acontecendo que poderia revelar um dos nossos segredos mais temidos. Temos que nos proteger que certas coisas cheguem lá. Justice está à vista do público o tempo todo e você também estaria, como sua companheira. Não haveria como esconder esse segredo para sempre com vocês dois. Nossos outros casais mistos podem ser escondidos e ninguém fará perguntas em seu mundo. Será mais difícil com Ellie e Fury, mas a notícia deles está esquecida o suficiente desde que se casaram. Também nunca precisam deixar Homeland ou falar com humanos, se não quiserem.

— Não entendo. Por que os casais mistos tem que ficar escondidos?

O olhar de Breeze cruzou com o de Jessie.

— Jure pela sua vida que nunca vai revelar o que vou dizer. Colocaria muitas vidas em perigo.

— Juro.

Breeze se moveu na cama.

— Lembra quando eu disse que ia para casa, porque Ellie tinha novidades para compartilhar comigo?

— Sim.

— Ela está grávida.

O choque rasgou Jessie.

— Como?

— Teve relações com seu companheiro depois de uma cirurgia para corrigir uma Trompa de Falópio bloqueada. A impedia de uma gravidez bem sucedida, mas agora está tudo certo.

— Mas...

— As fêmeas humanas e machos Espécies podem conceber um bebê juntos. Descobrimos isso por acaso, quando uma de suas fêmeas ficou grávida por um de nossos homens. Nós os escondemos dos humanos, mas o bebê já nasceu. Nossos genes mutantes são dominantes e o bebê parece totalmente Espécie. Achamos que todas as crianças nascidas de casais mistos será. Se seu mundo descobrir...

— Oh Deus! — Jessie cambaleou de choque. — Esses fanáticos grupos de ódio ficariam loucos. Têm certeza que um dia vocês ficarão velhos e todos vão morrer. Têm apostas em curso quando o último de vocês vai morrer, como jogos de morte que alguns dementes fazem com celebridades. São idiotas como esses.

— Sim. Se Justice tiver uma companheira humana, esse segredo seria descoberto quando ficasse grávida. — Breeze hesitou. — Nossos médicos estão tentando descobrir por que não podemos engravidar... é um problema feminino obviamente, não com nossos homens. O sistema reprodutor feminino é muito mais complicado e não temos certeza se algum dia vão descobrir. Esperamos que um dia isso seja possível, já que todas queremos filhos. Gostaria de ter um filho também se Justice a tomasse como companheira. Ele teria que escolher. Seria difícil para mim resistir a ter um filho, se pudesse. Ele não conseguiria esconder você ou a criança, porque, como sua companheira, todo mundo notaria se não estivesse ao seu lado. Esperamos que com o tempo, esses grupos de ódio se dissolvam e todos aceitem nossa existência, mas agora não seria um bom momento para deixar que o mundo saiba que há crianças Espécies. Estamos aterrorizados que se tornem alvos e devemos protegê-los a todo custo. Elas são nosso futuro.

Jessie fechou os olhos, a dor queimando através dela e a magnitude da posição da Justice nunca foi mais clara.

— Eu entendo. Ele nunca poderá ficar comigo.

— Estaria arriscando muito. Não apenas colocando sua vida em perigo, mas a sua própria e dos bebês. Qualquer uma da sua espécie que acasalou ou venha a acasalar com nossos homens representaria a possibilidade da criação de mais de nós. Os grupos de ódio fariam tudo para impedir isso.

— Entendo. — Seu coração estava partido. Tinha esperança que ele sentisse sua falta, mudasse de ideia, mas agora estava quebrada em pedaços. Não era paranoico. Ela subestimou o perigo. — Está realmente acabado entre nós.

— Quer se mudar para o dormitório das mulheres, Jessie? Estar ao lado dele é muito difícil?

— Tenho que pensar sobre isso.

— Nunca estive apaixonada, mas deve ser uma tortura.

Uma risada borbulhou de Jessie.

— Sim. Essa é a palavra perfeita para descrever isso.

— Justice não leva Kit a sério. Às vezes, a leva para dançar ou compartilhar sexo se estiverem interessados. Nunca vê ninguém mais que de vez em quando. Isso ajuda você? Se montar em Kit esta noite será apenas sexo. Você é a fêmea que colocou perto de sua casa e com quem dormiu numa cama. Nunca pediu a uma fêmea fazer isso antes. Teria ouvido falar sobre isso, e para ser honesta, teriam concordado em permitir que Justice tirasse um pouco da sua liberdade. É bem respeitado e qualquer mulher ficaria honrada se ele a quisesse perto dele. Ele sente isso por você. Sabe disso e deveria estar confortada.

Tudo que Jessie sentia era uma crua e terrível dor angustiante.

— Preciso de outra bebida.

— Vou acompanhá-la. Odeio álcool, mas vamos sofrer juntas.

— Você é uma grande amiga. Obrigada.

— Só estou triste por ter se apaixonado por Justice. Flame seria uma escolha melhor e poderia tê-lo como companheiro.

 

Justice passeava pela sala de estar na Reserva. Memórias de Jessie o assombravam. Sempre ficava na mesma suíte do hotel quando o visitava, era considerado sua segunda casa e seu olhar permanecia no sofá onde ela lhe deu uma massagem.

Sentia falta dela. Era uma dor constante, que nunca desaparecia, uma dor que magoava seu coração e uma profunda tristeza que não o deixava. Jessie Dupree mudou sua vida e tentar esquecê-la parecia impossível. Amaldiçoou, passou os dedos pelo cabelo e odiou a vida.

A tela do computador acendeu e ele sentou na beira do sofá, perto do local exato que estava quando Jessie pôs as mãos sobre ele. Cerrou os dentes.

A notícia corrente era a história de um homem Espécie se casando com uma humana. Não sabiam os nomes de Valiant ou Tammy, mas isso não impediu a mídia impressa ou televisiva.

Leu relatório após relatório de ameaças de morte telefônicas recebidas, algumas cópias de relatórios de incidentes tanto na porta de Homeland como na Reserva quando os manifestantes ficaram turbulentos depois de ouvir sobre o casamento e, finalmente, o nível de avaliação da equipe que a força-tarefa humana enviou. Estavam em alerta máximo para um ataque.

O celular tocou e ele o arrancou, abriu e apertou contra seu ouvido.

— Justice aqui.

— Desculpe ligar tão tarde. — Brass disse e suspirou. — Já estava dormindo? Sei que chegou apenas uma hora atrás e tem reunião na primeira hora da manhã.

— Ainda estava acordado. O que está errado?

A hesitação por parte do outro macho o deixou tenso. Devia ser muito ruim para Brass não querer compartilhar a informação ou chamá-lo naquela hora tardia.

— Diga-me. Vou imaginar muito pior.

— Duvido. Sua reunião foi mudada e virão aqui para seu escritório, em vez de você ir ao deles. Miles Eron chamou, seus escritórios foram invadidos e apesar de não terem acesso aos nossos arquivos, claramente era sua intenção.

Uma dor de cabeça se formava e Justice se inclinou para trás, com a mão livre esfregando a testa.

— Como sabem disso? Talvez fosse apenas um crime humano.

— Miles disse que mantém todas as nossas informações trancadas num cofre e não foram capazes de abrir, mas grafitaram as paredes. Eram dirigidas contra nós.

— O que diziam?

— Apenas o de sempre e como estão com raiva que Miles e sua empresa trabalhem para nós. Ele disse que o dano foi mínimo, mas tem medo que você vindo haja risco para sua segurança. Está vindo aqui em vez disso.

— Droga.

— Eram humanos que nos odeiam ou abutres procurando os nomes de Valiant e Tammy. Alguns de nossos funcionários relataram que alguns paparazzi vieram às portas para oferecer dinheiro para obter informações sobre o casal. Têm sido muito assediados durante todo o dia e à noite. Estão golpeando. Não estranharia se invadissem os escritórios de Miles e fizessem parecer um grupo de ódio. Ele concordou comigo e assim colocou a polícia para investigar uma vez que o dano não foi tanto e nada foi roubado. Queriam o cofre como se soubessem onde procurar.

— Só o que precisávamos.

— Também tenho outra questão.

— Ótimo. O que mais está errado?

— Tivemos duas violações na Reserva. Foram pegos antes de escalar as paredes, mas chegaram ao topo antes que fossem presos. Um deles tinha uma câmera e é conhecido por seu registro na polícia por invasão para tirar fotos de celebridades para vender aos tabloides. O segundo homem estava armado e bradava sobre matar a mulher que desonrava a si mesma, permitindo que um ministro a casasse diante de Deus. Tivemos ambos transferidos para o xerife local. Um vai para a cadeia, enquanto o outro está sendo enviado a um hospital para avaliação mental.

— É só isso?

— Sim.

Justice suspirou alto, pensando em Jessie novamente. Aquele homem com uma arma poderia vir atrás dela se alguém descobrisse que estavam se vendo. Só mostrava que ficar com ele a colocava em perigo demais. Sentir sua falta poderia rasgá-lo, mas estava a salvo, pelo menos.

— Justice?

— Estou aqui.

— Miles irá encontrá-lo em seu escritório aqui às nove horas. Sinto muito por incomodá-lo.

— É meu trabalho.

— Boa noite e tente dormir um pouco.

— Você também.

Desligou e olhou para o local onde Jessie sentou na parte de trás do sofá.

Seus olhos se fecharam e permitiu que a dor o apertasse. Os dedos se fecharam mais fortes ao redor do telefone. O desejo de ligar para sua casa era tão forte que quase cedeu, mas só tornaria as coisas mais difíceis. Falaria com ela amanhã depois que voltasse para Homeland. Faria isso antes do evento na noite de amanhã no bar, que foi planejado para ajudar na interação de Espécies com humanos.

A decisão a ser tomada era sobre se devia tê-la vivendo na casa ao lado da sua. Era tentador demais estar tão próximo dela, mas a ideia de Jessie em qualquer outro lugar era muito difícil de considerar. Podia não ser capaz de ficar com ela, mas saber que estava tão perto tinha que ser suficiente.

Ele se levantou, desligou tudo e foi para a cama. Duvidava que fosse dormir.

Os pensamentos estavam divididos entre a segurança do seu povo e o fato que desejava uma ruiva de cabelos compridos esperando entre seus lençóis.

Imagens encheram sua cabeça do que faria a Jessie se estivesse ali. A tocaria e beijaria cada centímetro do seu corpo. O pênis se contraiu apenas por considerar a possibilidade. Jurou que quase podia sentir o cheiro dela. Cheirou o quarto, com a certeza que o cheiro dela na verdade há muito desapareceu. Nenhum traço persistia. Estava tudo em sua cabeça.

Alguns homens que se acasalaram relatavam estar obcecados pela necessidade de ficar perto de suas companheiras. Parou em seco a caminho para o banheiro. Oh, Deus! Ela não é minha companheira. Pare com isso! Não vá por aí! Já é ruim o suficiente sem esses pensamentos loucos.

Entrou no banheiro, acendeu a luz e agarrou o balcão para se inclinar para frente. Olhou profundamente em seus olhos, sua aparência tão diferente dos humanos e um lembrete constante que a vida lhe entregara desafios difíceis.

Se qualquer outro homem quisesse tomar uma humana como companheira, ele fortemente o apoiaria. Alegremente lidaria com as dores de cabeça que surgissem pela precipitação. Traçaria a melhor maneira de lidar com as ameaças que surgissem e lidaria com elas. Não se importava com os desafios — a vida seria mais simples sem eles, mas não se coibia de batalhas.

É claro que não era sua mulher que colocava em perigo. Jessie não seria a única com um alvo em suas costas, estaria expondo todos, e jurou fazer tudo em seu poder para tornar a vida mais fácil para as Espécies. A raiva apertou seus braços na beira do balcão e ele rachou sob suas mãos fortes. Olhou para baixo, viu o estrago, suavemente amaldiçoou e o liberou.

Tudo que tocava parecia quebrar quando pensava em Jessie. Sua mandíbula apertou e um grunhido ameaçou subir.

— Nem por ela, nem por mim. Não vou colocar a mulher que amo em perigo.

 

Três cervejas depois Jessie sabia que passou de bêbada para além de profundamente bombardeada.

Breeze tomou um pacote de seis de cerveja sozinha e bebeu mais uma garrafa de vinho que encontrou enterrada no fundo da geladeira. Breeze estudou Jessie.

— Estive pensando.

— Não posso levantar.

Breeze riu.

— Devagar. Justice merece você. É maravilhosa e merece um homem bom como seu companheiro. Ele deve ter uma chance e você também. Talvez seu mundo não seja tão contrário à ideia como Justice pensa. Para a maior parte, levaram isso muito bem quando Ellie e Fury se casaram. Foi acidentado no início, mas sua espécie os amou depois que Fury quase morreu protegendo Ellie. Talvez, um dia, descubram sobre nossas crianças e não seja desagradável. Quem realmente poderia odiar um bebezinho bonito? Você e Justice merecem ficar juntos e serem felizes.

— Ele não pensa assim e não gosto da parte sobre Fury quase morrer. Não quero Justice sendo alvejado.

— Nossos homens são teimosos às vezes, e seguem seus caminhos. Não veem a razão quando deveriam. Devemos fazê-lo ver que devia ficar com você apesar de causar alguns problemas.

Breeze balançou enquanto Jessie a olhava, mas com certeza era sua visão e não a mulher oscilando.

— Não acho que isso vá acontecer. Ele não escuta muito bem.

— Há uma festa amanhã à noite no bar onde fomos hoje dançar. Vou te convidar, Jessie. Vai se vestir e mostrar que Justice não pode ignorá-la.

Jessie riu e quase caiu da cadeira. Agarrou a mesa para se manter de pé.

Uma mão perdida bateu em sua coxa.

— Jessie? Olhe para mim.

Jessie o fez.

— Qual de vocês? Há duas.

Breeze se sacudiu com o riso. Isso fez Jessie se sentir doente e ela gemeu.

— Não se preocupe. Vou cuidar de tudo. Vamos fazer Justice perceber que é a fêmea para ele. Não vai chorar mais.

— O que isso significa?

Breeze pareceu pensativa.

— Espero que não seja tímida.

— Tímida? — Jessie sofreu um ataque de tontura. Tentou se mover em seu assento, mas caiu de novo.

Breeze riu quando pegou Jessie antes de atingir o chão.

— Calma. — ela riu, levantando-a e jogando-a sobre seu ombro. Breeze a levou para seu quarto e a jogou na cama. — Agora vamos ver se possui alguma coisa sexy. — Se aproximou do armário, com um olhar determinado no rosto.

 

— Minha cabeça. — Jessie gemeu.

Breeze riu, fazendo a cabeça doer mais. Engoliu duas aspirinas e orou desesperadamente que funcionassem logo. Era como se alguém estivesse usando uma britadeira atrás de sua testa.

— Nunca devia beber. — Breeze riu.

— Pare de rir. Por favor? Dói.

— Tive que levá-la para a cama.

— Não me lembro de nada além da segunda cerveja. Quantas tomei?

— Muitas mais, mas eu bebi três vezes mais que você. Não desmaiei. Tentei levá-la a tomar vinho depois que a cerveja acabou, mas você disse que havia duas de mim.

— Obrigada por me colocar na cama.

— Trouxe uma coisa.

— O quê? Esperemos que seja um tiro para me derrubar de uma vez.

Breeze saiu do banheiro, onde Jessie estava de molho na banheira e voltou carregando um saco de vestido nos braços.

— É um vestido e tudo que precisa para usar com ele. Ellie me ajudou a encontrar algo bonito para vestir. Você é de seu tamanho, mas seus seios são maiores. Isso vai se encaixar.

— Não uso vestidos, mas obrigada. Estive divagando sobre essas malditas coisas ontem à noite ou algo assim?

— Vai usar esta noite.

Jessie franziu a testa.

— Por quê? O que tem hoje?

—Vai a uma festa comigo. Não se lembra?

Jessie sacudiu a cabeça e se arrependeu imediatamente. Movimento era ruim.

— Que festa?

Breeze sorriu.

— Vai ser realmente bom. Não se lembra que falamos sobre isso. — Sua risada soou novamente. — Vai a uma festa Espécies como minha convidada. Outros humanos estarão lá e vai ser divertido.

— Não acho bom, Breeze. Justice foi muito claro que estou proibida de ir a encontros sociais com Espécies e minha cabeça dói tanto que só quero voltar para a cama até a próxima semana.

— Fiz todos os arranjos e você vai. Assunto encerrado.

— Mencionei que não uso vestidos? Meu pai é um senador e me arrastou para tantos eventos beneficentes enquanto crescia que não posso suportar a visão deles. — Um pouco da dor em seu crânio diminuiu, um sinal que os comprimidos estavam funcionando e ela olhou para Breeze cautelosamente. — Além disso, sabe que alguém vai falar para Justice em algum momento que fui a essa festa. Não quero brigar com ele. Quando falarmos, não quero que seja lá aos gritos.

Breeze sentou no balcão.

— Você vai e usará um vestido. Quero que coloque maquiagem da maneira como suas mulheres fazem e vamos nos divertir. É pacífico e vou uivar se argumentar. Sou uma mistura de canino e tenho praticado. — Sorriu, obviamente orgulhosa disso. — É alto o suficiente para fazer seus ouvidos sangrarem, então cale a boca minha amiga. Agora vou lavar seu cabelo e vai sair da banheira antes de enrugar a pele. Só temos algumas horas para ficar prontas, pois você dormiu o dia todo.

— Que horas são?

— Quatro da tarde.

Jessie gemeu.

— Não pode ser. Tinha que trabalhar hoje.

— Disse a Ellie que não iria hoje. Ela estava na internet, enviou um humano para pegar as coisas que escolheu e entregaram tudo no portão. Ela comprou tudo para esta noite. Tive que vir buscar um de seus sapatos e seu sutiã para obter seus tamanhos. Espero que não se importe, mas pedi a chave da porta da frente. Temos um monte de problemas para discutir, Jessie. Vai à festa nem que eu tenha que carregá-la. Fiz isso ontem à noite e vou fazer isso de novo. Agora, venha para a borda e vamos lavar seu cabelo.

Duas horas mais tarde, Jessie se sentia uma centena de vezes melhor. A aspirina fez efeito totalmente, o banho ajudou e a dor de cabeça era apenas uma memória. Breeze aprontou Jessie para a festa, quase temerosa que fugisse. Admitiu que poderia tentar ser a mulher mais alta se não a mantivesse dentro de seu campo de visão a todos os momentos.

Jessie olhou seu reflexo e tentou esconder o desânimo. Breeze estava orgulhosa ao seu lado, feliz por como parecia. O vestido estava muito apertado, revelava muito o vale dos seios pelo decote e a saia transpassada mostrava demais as pernas.

— Ellie escolheu este vestido? — Olhou para Breeze para confirmação.

— Disse a ela que queria que parecesse muito sexy e bonita. Ela disse que o vestido faria qualquer macho olhar para você. Acho que é perfeito, mas gostaria que prendesse seu cabelo num desses bonitos coques que suas mulheres usam. Eu as vejo fazendo isso na televisão quando vão para festas. — Ela se aproximou. — A maquiagem escondeu as marcas que Justice deixou em você, assim não há nenhuma razão para seu cabelo cair sobre os ombros.

— Gosto dele para baixo. É tão longo que me dá dor de cabeça se eu colocá-lo sobre a minha cabeça por mais que algumas horas.

— Você parece bem. — Breeze deu um sorriso. — Todo mundo vai achar isso.

Ou vão me confundir com uma prostituta. Se absteve de dizer isso em voz alta, não querendo explicar a definição para Breeze ou ferir seus sentimentos. A festa parecia significar muito para sua amiga e só por isso obedeceria e se calaria.

— Espero que não haja dança. — Jessie olhou para o decote exposto. — Este vestido não vai sobreviver a qualquer coisa que não seja uma dança lenta sem me fazer ser presa por exposição indecente. Estou com medo de puxar uma respiração profunda e meus seios saltarem. Acho que tenho outro sutiã que não é push-up.

— Não vai mudar nada que Ellie escolheu para você usar. Ela sabe o que está fazendo e teve um monte de problemas por isso. Haverá dança, mas ninguém disse que tinha que participar. Tem um grande corpo e está maravilhosa. Não tem nossos músculos e é pálida, mas não tem nada a esconder, Jessie. Como é o ditado? Se você tem, ostente? Você tem, use-o com orgulho.

Jessie de repente franziu o cenho estudando Breeze. Seus alarmes internos avisavam que algo estava acontecendo.

— O que está planejando? Está muito satisfeita consigo mesma e tem esse brilho nos olhos.

— Nada. — Breeze desviou o olhar, olhando para todos os lugares, menos para Jessie e mexendo as mãos.

— Justice vai estar lá? — Era o pior cenário que podia imaginar. — Me disseram que ele está na Reserva e sua secretária também quando me ligou aqui para explicar que nosso encontro foi cancelado. Ele deve ter dito a ela, porque com certeza não teria mencionado que estava vindo aqui para gritar comigo na noite passada.

— Foi adiada por algum problema na Reserva. — Breeze encontrou o olhar dela e o manteve. —Seria interessante se fosse capaz de vir. Todos os machos estarão olhando para você e vão querer te montar.

Jessie suspirou.

— Não quero uma repetição da noite passada nunca mais. Foi embaraçoso ser tratada como alguém com cinco anos de idade e enviada para seu quarto. Ele fez uma cena na pista de dança com Flame quando me impediu de sair com ele.

Aquele brilho malicioso voltou aos olhos escuros de Breeze.

— Isso não vai acontecer hoje à noite. Justice não poderá gritar se os machos dançarem com você e quiserem que você partilhe sexo com eles.

— Breeze, fez Ellie escolher o vestido de propósito só para irritar Justice se os homens derem em cima de mim, não foi? Ele vai ouvir sobre isso e ficar muito irritado.

Breeze não olhava para ela, mas seu sorriso cresceu.

— Breeze!

— Vai ser bom para ele. Ele te fez chorar. Vai fazê-lo ficar com raiva e não será capaz de fazer nada sobre isso hoje à noite. O Conselho e todos do nosso povo, exceto os da segurança que trabalham, vão estar lá e ele não tem nenhuma razão lógica para dizer que não deve ir à festa. Esta é sua noite para se vingar Jessie. Justice terá que manter seu temperamento sob controle, mesmo que isso o mate quando descobrir que você está lá. Pode paquerar e dançar com todos os homens que quiser e ele vai sofrer se perguntando se um deles vai ganhar sua atenção. Vai ser bom para ele descobrir o quanto é atraente para nossos homens. Pense em como se sentiu, sabendo que ele dançou com Kit. Aposto que depois desta noite ele vai aprender a nunca sair com outras mulheres novamente. Só por isso deve fazer Jessie.

Jessie suspirou.

— Não quero que ele fique realmente chateado.

— Nossos homens não ficam chateados. Ficam com raiva, explodem, mas se recuperam rapidamente. O caminho para alcançar um dos nossos homens é irritá-lo e fazê-lo quando não pode retaliar. Ele vai aprender desta forma e lembrar.

— Quer dizer que não poderá retaliar esta noite. E amanhã? Sua secretária disse que estaria de volta pela manhã.

— Vai dormir esta noite no dormitório das mulheres. Não sou estúpida. Pensei nisso. Vamos ter uma festa do pijama na biblioteca do dormitório e você foi convidada. Vai durar dias. Já arrumei seu pijama na mochila. No momento que chegar em casa, ele vai ter esfriado e aprendido uma lição.

Jessie mordeu o lábio inferior, considerando.

— Tem certeza?

Tinha que admitir que era tentador. Justice ia pirar quando recebesse a ligação que ela estava na festa e desobedeceu suas ordens. Merecia um pouco de dor.

Breeze sorriu.

— Não se preocupe com Justice. Prometo que, de uma forma ou de outra, vai ter esfriado pelo tempo que ficar só. Nossos homens não ficam com raiva por muito tempo. Vamos. Não quero me atrasar. — Ela agarrou seu braço e puxou. — Vou dirigir.

Breeze estacionou na rua do bar. Jessie saiu do carrinho de golfe e encontrou Breeze na calçada.

— A festa vai ser no bar?

— É onde todos os nossos encontros sociais são realizados.

— Qual o motivo? Esqueci de perguntar.

— Fazemos isso de vez em quando. É bom para nos misturarmos uns com os outros e com os humanos. É uma das coisas que Ellie acha que vai ajudar a preencher a lacuna entre nossas diferenças e tem ido mais além. Tivemos dois deles no ano passado. São divertidos e apreciados pelos humanos e quem está associado ao nosso povo. — Ela hesitou. — Estou surpresa que nunca esteve numa. Trabalhou com a força-tarefa humana e são convidados.

— Meu chefe nunca me disse. Tim me mimava muito.

— O que significa isso?

— Era protetor e me tratava como se eu fosse sua filha. Provavelmente não me convidou, pensando nos homens dando em cima de mim.

— Ah! Isso é válido. — Breeze andou mais rápido para a porta. — Apresse-se. Alguns Espécies vêm da Reserva também, só para participar. Não têm um grande edifício na Reserva para fazer isso. Temos dormitórios e sempre cabem mais pessoas aqui confortavelmente. Eles podem ficar por dias. Alguns dos homens e mulheres que ajudaram no resgate do Colorado estarão aqui também. Queríamos que eles compartilhassem da alegria da liberdade com a gente. — A parte sobre Espécies libertados da instalação de testes do Colorado encheu Jessie com um pouco de medo, lembrando-se de seu ataque, mas achou que seria bom. Outros humanos estariam lá, o que significava que estavam preparados para lidar bem com eles. Breeze se agitou para dentro.

A música bombava alto pela grande área e luzes piscando foram ligadas à pista de dança. O lugar estava lotado de pessoas — as mulheres usavam vestidos bonitos e os homens ternos ou calças casuais com camisas.

— O conselho também está aqui. Vou apresentá-la depois. — Breeze teve que gritar sobre os ruídos.

— Eles são amigáveis.

Jessie nunca conheceu os quatro membros machos do conselho. Cada um representava uma das instalações de teste e Espécies que foram detidas dentro de cada um deles. Jessie adivinhou que logo teria um quinto membro do conselho da instalação do Colorado recém-descoberta, se já não tivesse.

Breeze segurou a mão dela.

— Venha. Vamos dançar!

Viu Trey, seu antigo chefe de equipe e alguns membros da força-tarefa no bar.

— Espere aí. Vejo alguns amigos. Quer conhecer os caras com quem trabalhei?

— Agora não. — Breeze a puxou de novo. — Vamos dançar. Diga olá a eles mais tarde, quando estivermos com sede e quisermos uma bebida. Vamos sentar e conversar.

Jessie tinha certeza que não queria beber depois da ressaca infernal. A equipe ficaria lá por horas, a noite ainda estava iniciando e a festa acabava de começar. Não era como se tivesse escolha com o aperto de sua amiga Breeze a arrastando para a pista de dança num mar de corpos em movimento.

Jessie era baixa, mas viu algumas mulheres mais baixas na pista de dança. Tiny e Bela eram Espécies dançando juntas. Bela sorria, estava na pista de dança enquanto Tiny dançava ao seu redor e via todo mundo dançar. Jessie riu, feliz por não ver medo no rosto da outra mulher enquanto estava no meio de uma multidão tão grande.

Algumas coisas se tornaram evidentes para Jessie sobre Espécies enquanto dançava num grupo deles. Dançavam juntos, mas não como casais na maior parte, apenas agrupados. Ela relaxou mais e só se deixou levar pela música. Breeze se inclinou.

— Ensine-me alguma coisa sexy.

Jessie parou de balançar com a batida.

— Como o quê?

— Essa coisa que estava fazendo quando dançava com Flame na outra noite. — Breeze se apoiou e ergueu os braços para mexer os quadris. — Este movimento.

Jessie deslizou seus braços acima e mostrou a ela. Ela fez uma curva e balançou os quadris, algo que aprendeu numa aula de dança do ventre, anos antes. Breeze a imitou e assim o fizeram algumas das outras mulheres por perto. Ela mostrou o que sabia, o prazer de ensinar. Breeze se aproximou.

— Faça isso. — Breeze mostrou alguns movimentos.

Jessie estava tendo o momento de sua vida. Dançava com um macho e outro, coisa que todos faziam, enquanto as canções mudavam. Outra canção veio e um homem agarrou sua cintura por trás. Jessie girou longe do Espécie que dançava para dançar com o outro, grata por sair da casa de Justice. Sair parecia ser a solução perfeita para começar a esquecer o homem que amava.

Justice não confirmou participar da festa, mas era esperado. Kit pediu para ser seu encontro, mas ele recusou. Ela deu a entender que consideraria ser sua companheira na noite passada quando a levou para jantar. Ela deixou claro que podia compartilhar sexo com ela e lamentou concordar em levá-la. Acabava de fazer isso, porque achava que estar com alguém com quem falar pela noite, o distrairia dos pensamentos obsessivos sobre Jessie e da preocupação de todos, se parecesse feliz. Em vez de ser uma amiga, Kit tentou seduzi-lo.

Os quatro membros do conselho sentaram numa mesa com ele e ele os estudou. Queriam mais controle e que entregasse alguns de seus deveres para eles. Ele prontamente concordou com uma reunião pela manhã para discutir o assunto, ansioso para passar algumas de suas responsabilidades. O ajudaria, permitindo que trabalhasse menos horas e o fazendo sentir como se estivesse fazendo mais por sua espécie.

Seus pensamentos foram para Jessie novamente. Na noite passada, mal dormiu e, quando o fez, teve sonhos onde ela estava em sua cama com ele. Acordar sozinho com um furioso tesão não tornou a manhã agradável. Tomou banho e foi para o escritório apenas para entrar numa discussão com Miles.

Miles trouxe a mulher que tingia o cabelo de Justice e sua assistente chata, Tonya, que atacou Justice anteriormente. Era uma mulher agressiva que tentava atrair machos Espécies para sua cama. Ele sempre se sentia caçado quando tinha que lidar com ela. Tinha pena do tolo que a tomasse. Ela tinha um coração mau, olhos frios e calculava suas ações como se tudo fosse um jogo.

— O que é essa expressão irritada em seu rosto? — A voz profunda pertencia a Jaded.

Ele ergueu o olhar para os brilhantes olhos verdes do membro do conselho.

— Vê meu cabelo?

— Está mais claro. Esse tom de marrom não é sua cor. — O outro cara sorriu e tocou seus próprios fios negros. — Isso parece muito melhor em você.

— Pare de provocá-lo. — Cedar, outro membro do conselho pediu suavemente, com a voz enganosamente fria. — Ele faz muito por nós e tenho certeza que o fedor de tudo que usaram o está incomodando mais do que a nós. Posso sentir o cheiro do outro lado da mesa.

Alguém se aproximou e distraiu Justice de sua provocação. Sabia que era para melhorar seu humor, mas duvidava que pudesse. Tim Oberto sorriu quando parou ao lado da mesa.

— Obrigado por nos convidar Justice. — Ele olhou para os membros do conselho antes de voltar sua atenção mais uma vez ao líder da ONE. — Ainda não me deu o nome do substituto que preciso. Temos algumas pistas que estamos estudando e quero uma Nova Espécie a bordo antes de termos uma meta de recuperação a localizar.

Brawn se inclinou para frente.

— Substituto?

— Sinto muito Tim. — Justice tinha muita coisa na sua mente. — Tim quer um de nossos homens para se juntar à equipe que faz o primeiro contato quando uma fêmea-Presente é encontrada. — Ele encontrou o olhar do humano. — Prometo que amanhã vou passar os arquivos, encontrar alguém que seja bom com interação humana e que se voluntarie para viver no exterior. Suponho que tem um plano para mantê-lo seguro enquanto viver lá?

— Tenho.

— Vou escolher alguém e ele vai contatá-lo até o final do expediente de amanhã.

— Bom. — Tim olhou para os membros do conselho. — Senhores. — Ele fugiu.

Brawn riu.

— Não nos conhece ou nunca usaria esse termo ao se referir a qualquer um nesta mesa, exceto Justice.

Os pensamentos de Justice deslizaram para Jessie novamente. Depois da festa planejava pular seu muro, falar com ela para permitir que entrasse em sua casa e iam conversar. Ela não ia partilhar sexo com ninguém, exceto ele. Isso era apenas como ia ser, ou mataria o macho. Tinha um plano. Jurariam nunca ter encontros com outros. O impediria de cometer um assassinato e ele nunca teria que ver a mágoa que viu em seus olhos quando ela percebeu que saiu com Kit.

— Falando de não ser senhores, amo as mulheres humanas. — Jaded riu. — Há algo que me deixa tão duro quando as vejo. Não sei se é porque são tão diferentes das nossas fêmeas ou se é porque são tão diferentes de nós.

Cedar riu.

— Estou duro até agora, assistindo uma humana dançar antes de vir para a mesa. Ainda estou tendo fantasias sobre suas pequenas mãos passando sobre meu corpo. Sei que vão parecer ótimas me tocando. Sua pele era tão cremosa e embora seus rostos sejam estranhos, o dela me fez a achar bonita.

— Eu a vi. — disse Bestial e assentiu. — Gostaria de tirar aquele vestido dela e ver se a cor cremosa está em toda parte. — Rosnou. — Quem é ela? — Bestial incisivamente encarou Justice. —Quem é a humana lá fora? Quero o nome, pois quando for atrás dela terei uma vantagem. Acho que suas coxas se encaixam perfeitamente sobre meus ombros.

Os homens riram enquanto Justice balançava a cabeça para Bestial, em diversão.

— É provavelmente de Ellie que está falando. Estão aqui esta noite uma vez que ela não está se mostrando o suficiente para perceber estranhos ainda. Deve parar. Está acoplada com Fury e ele colocaria suas próprias coxas em torno de seus ombros antes de enfiá-lo num saco para te enviar à Reserva por olhar sua fêmea. A única outra fêmea humana que está aqui é a nova médica contratada. É atraente e única, mas não acho que está preparada para você. É um pouco tímida.

Bestial apontou.

— Qual o nome dela? Vai me fazer quebrar o zíper da minha calça, se continuar balançando a doce bundinha por muito mais tempo.

Justice sorriu e se virou em sua cadeira o suficiente para seguir na direção do dedo do membro do conselho. Conheceu a nova médica, Allison Baker, uma semana antes. Era doce, um pouco tímida e de fala mansa. Alguém tão rude como Bestial tentando seduzi-la a fazer sexo seria completamente engraçado. Só esperava que a pobre não deixasse seu novo trabalho por medo, não percebendo que não estava em perigo.

A humana foi fácil de detectar, com o corpo menor e mais baixo, e o choque rasgou quando percebeu a fonte da ereção de Bestial. O vestido preto apenas reforçava o brilho do cabelo que caia em sua bunda. A pele pálida quase brilhava em comparação com as Espécies bronzeadas ao lado dela. Jessie estava lá e era sobre seu doce traseiro que Bestial fantasiava. Raiva o rasgou instantaneamente, e não conseguia respirar.

Ela dançava entre dois machos Espécies, não muito perto para evitar roçar contra eles, e enquanto ele olhava, ela colocou as mãos sobre o peito de um na frente dela. Justice puxou ar para seus pulmões famintos, uma névoa de vermelho quase o cegando, e permaneceu congelado. Os humanos estavam presentes, a equipe de trabalho inteira, alguns funcionários que vivam em Homeland e o pessoal médico, incluindo a nova médica.

Forçou seu corpo a relaxar. Custou cada grama de seu controle não pular da cadeira, mas tentou ser racional. Ela estava dançando com homens, não compartilhando sexo com eles.

Era uma festa. Não estava em perigo de ir para casa com um e com certeza não ia. Precisava pensar numa maneira de levá-la para casa sem fazer uma cena. Seu olhar correu ao redor, procurando Breeze. Teria uma palavra com ela em particular, dizer que Jessie estava em perigo e pedir a ela para acompanhá-la em casa.

— Viu o que quero dizer? — Cedar riu. — Dancei com ela. Tem as mãos menores e mais delicadas. Gostaria que as passasse por cima de mim. As mãos humanas são suaves. Não têm rugosidades de calos. Aposto que é melhor ser acariciado com mãos macias.

— Gosto da maneira como ela se move. — Bestial rosnou novamente. — Imagine embaixo de você.

Justice não tinha que imaginar. Sabia o que era ter Jessie presa sob ele. Raiva o inundou novamente e dirigiu um olhar aos quatro membros do conselho.

Eles ignoraram e continuaram a olhar para Jessie, como se fosse um coelho que queriam caçar e comer. Cerrou os dentes.

— Está comprometida. Esqueça isso. — Justice conseguiu manter seu tom de voz humano.

Bestial olhou para ele.

— Com um dos nossos?

Justice não disse nada, muito ocupado lutando contra a raiva.

Bestial deu de ombros, olhando para Jessie novamente.

— Vou mostrar o quanto sou melhor que seu amante humano. Ele é estúpido por permitir que vá a qualquer lugar sem ele. Estaria dançando com ela em meus braços, me certificando que ninguém mais a tocasse. Seu amante humano é burro demais para mantê-la.

Cedar riu.

— E se for casada?

— Eles têm divórcio. Machos humanos são fracos demais para manter uma fêmea. — Bestial apontou.

— Essa é uma mulher que gostaria de manter.

— Acasalaria com ela? — Cedar olhou para a mulher. — É. Se eu fosse acasalar uma humana essa seria a única. Poderia passar o resto da minha vida a montando.

Jaded falou baixo.

— Imagine ela inchada com uma criança. Agora estou realmente duro.

Brawn, o membro mais velho do conselho, rugiu:

— Eu gostaria de possuir uma mulher totalmente. Quero provar o leite de seu seio. Agora que a apontou, Bestial, obrigado. Acho que eu vou ver se ela acha gatos sexy. — Brawn levantou.

Justice teve que manter rédea curta sobre sua raiva.

— Ela trabalha e mora aqui. Sente-se.

— Bom. — Brawn sorriu. — Não vai custar muito movê-la quando eu a levar para minha cama. Ela é uma guardiã.

— Você não a conhece. Ela pode ser irritante. — Justice sentiu seu controle escorregar.

— Não me importo. Olhe para ela. — Brawn encontrou o olhar de Justice. — Vou reclamá-la até o final da noite. — Ele mostrou suas presas. — Vou levá-la para casa, montar nela, transar com ela até que grite meu nome e continuar fazendo isso até que inche com o que é meu.

Justice rosnou alto e lentamente se levantou. Seus olhos se estreitaram e cada músculo de seu corpo ficou tenso. Brawn continuou a sorrir, aparentemente inconsciente do perigo, mas os outros três membros do conselho se levantaram para pôr distância entre eles e a mesa.

— Algum problema, Justice? — Brawn arqueou uma sobrancelha. — Está chateado.

— Não chegue perto dela. — rosnou Justice.

Brawn ergueu a cabeça, ainda sorrindo.

— Há uma razão por que não posso?

— Ela trabalha aqui.

Brawn deu de ombros.

— Não pertence a qualquer Espécie e isso torna o jogo justo. Não que esteja pensando em jogar com ela. Conhece seu pai, certo?

— Sim, e jurei protegê-la.

— Vou reclamá-la, então não há nada de protegê-la. Vou fazê-la minha, enchê-la com minha semente e ela vai plantar lá. Será uma excelente companheira e mãe do meu garoto.

Um rugido rasgou da garganta de Justice, e ele virou a mesa para que não ficasse mais entre ele e Brawn. As pessoas ao redor deles levantaram, pararam de falar e rapidamente se afastaram dos dois homens tensos. Justice estava com as mãos em punhos de seus lados, a respiração aumentou para um arfar e suas presas foram reveladas quando zombou do membro do conselho que queria sua mulher. Brawn deu um passo atrás, cauteloso.

— Brawn — Cedar disse suavemente — você foi longe demais.

Brawn observou Justice, deu mais um passo atrás para colocar mais espaço entre eles e desviou o olhar para a mesa virada.

— Se não for hoje, talvez outro dia. — Baixou o queixo no peito, manteve seu olhar abaixo e se retirou mais longe até que girou sobre os calcanhares e desapareceu no grupo perto do bar.

Justice estudou seu povo depois que lutou contra a vontade de seguir Brawn e bater nele. A afirmação verbal que tentou fazer por Jessie era justificativa suficiente para socar aquele rosto presunçoso. Espécies o encaravam com olhares nervosos, confusos enquanto o observavam em silêncio, se recusando a fazer contato visual direto. Era aparente que ele quase brigou com um membro do conselho. Ninguém se aproximou dele, a raiva ainda evidente e os membros restantes do conselho se afastaram mais.

Seu olhar voltou para a pista de dança. Jessie e as outras pessoas lá fora eram alheios à situação tensa, a música abafando os sons da briga.

A visão de seu corpo esfregando contra um homem disparou sua fúria. Ele lutou contra outro rugido ofegante e ficou ali até que amarrou sua fera interior. Caso contrário, alguém ia morrer. Sabia como era perigoso nessa condição, não só para sua mulher, mas para seu povo.

Respirações lentas e profundas ajudaram. Seus dedos se abriram e selou os lábios sobre suas presas. Jessie precisava sair, parar de permitir outros machos tão perto dela ou ia fazer uma cena pior que a anterior.

Será um milagre se puder tirá-la daqui antes que sangue seja derramado. Essa possibilidade ajudou a acalmá-lo mais.

 

Jessie virou quando a mão agarrou sua cintura com força. O macho era um pouco agressivo a segurava firme enquanto dançava, mas sabia que ninguém iria machucá-la.

Ela olhou para cima e suspirou. Justice a fuzilava com o olhar. Estava na festa e não parecia feliz ao vê-la, a julgar pela raiva que brilhava em seus olhos escuros. Ela olhou para baixo quando sua outra mão se estendeu e ambas apertaram em torno de seus quadris. Ele usava um terno azul-marinho, gravata de seda preta e parecia civilizado do pescoço para baixo.

— Precisa ir para casa agora.

Jessie encontrou seu olhar de novo, vendo a extensão de sua ira enquanto estudava as feições duras. Estava furioso. Seu nariz queimava, resmungava baixinho e seus dedos a apertavam, confirmando sua avaliação. Ela virou a cabeça freneticamente para olhar sobre o ombro, viu Breeze e não viu surpresa em seu rosto. Tinha a sensação que sua amiga planejou isso e sabia que Justice estaria na festa.

— Você está saindo. — Justice exigiu duramente, sua voz áspera.

Breeze parou de dançar, balançou a cabeça e fez um sinal de punho. Seu olhar escuro correu em torno da pista de dança, e ela piscou quando olhou de volta para Jessie. Ela sorriu, quase parecendo querer assegurar a Jessie que estava segura.

— Jessie? Está me ouvindo? Olhe para mim agora.

Ela virou a cabeça atrás, olhou para Justice e franziu a testa. Ele não ousaria criar outra cena semelhante à última. Outros humanos estavam lá e ele teria que recuar se ela se negasse. Estava louco por ela estar dançando. Não precisava ser um gênio para descobrir que provavelmente não aprovava como estava vestida e a queria fora do bar.

— Não. Estou me divertindo e não vou sair. Os humanos são bem-vindos a esta festa e fui convidada.

Seus olhos se estreitaram e os dedos flexionaram em seus quadris.

— Não vou falar de novo. Vá para casa.

Sua raiva se agitou.

— Olha, se quer dançar, me peça e vamos fazer isso. Caso contrário me solte para que eu possa me divertir. Isso é tudo que estou fazendo. Vim com Breeze e vou sair com ela. — Sua voz baixou. —Não precisa bater no peito, então pare com isso. Não é como se eu estivesse permitindo que qualquer um dos homens passasse suas mãos por todo meu corpo do jeito que você deixou Kit fazer com o seu. Nenhum deles está esfregando os quadris contra minha bunda.

Ele afastou as mãos de seu corpo, como se o queimasse, virou e seus olhos se arregalaram pelo choque de sua recusa em obedecer ou por ela descaradamente falar sobre a noite anterior. Jessie se virou, deu as costas e se aproximou de Breeze. Não a surpreendeu, no mínimo, que se recusasse a dançar com ela. Era muito público, as pessoas o veriam com os braços em volta dela e isso não era algo que ele faria. Pelo menos não com uma humana. Perguntava-se se era Kit de novo a tocá-lo e esfregar o corpo contra o dele.

Ela alcançou Breeze, franziu o cenho e lançou um olhar zangado. A Espécie sorriu em resposta, mas seu olhar se voltou para algo atrás de Jessie. Toda a cor drenou de seu rosto e ela quase tropeçou em outra dançarina na sua pressa de colocar espaço entre elas.

Mas que diabos? Jessie virou para ver o que obviamente assustava Breeze e bateu num sólido corpo envolto num terno caro, macio. Ela olhou para suas mãos apertadas dos lados, seu queixo ergueu e na viagem para perscrutar o rosto, notou sua postura extremamente tensa. Fúria se mostrava em seus olhos quando seus olhares se encontraram, seus lábios se separaram e mostrou os pontos afiados de seus dentes.

— Eu disse para ir para casa.

— Tome conta de si mesmo. — Breeze falou apenas alto o suficiente para ser ouvida sobre a batida da música. — Não a intimide, Justice.

Sim. Tome conta de si mesmo. Isso é besteira, e enquanto for meu chefe, estou de horas extras. Ela endireitou os ombros e não desviou de seu olhar hostil.

— Obrigada por sua preocupação, mas estou segura e me divertindo com meus amigos. Com sua agenda lotada, tenho certeza que deve ter algo a fazer além de me assediar. Esta é uma pista para dançar ou sair. Já sei a resposta para essa noite tão boa Sr. North.

— Jessie — ele rosnou —, vá para casa.

Um movimento pelo canto de seu olho chamou a atenção. Ela olhou para a direita, e interiormente estremeceu quando percebeu que não só as outras pessoas mantinham um amplo espaço, mas pararam de dançar para olhar para ela e Justice abertamente. Ela virou a cabeça para a esquerda e encontrou mais pessoas olhando para eles da área do bar.

Jessie olhou para Justice, odiando-o um pouco por fazer isso e percebeu que ele não ia parar até que ela saísse. Seria tão embaraçoso como da última vez, talvez ainda pior, e sentiu seu temperamento escorregar. Ela fechou os olhos, respirou fundo e contou lentamente até dez. Um. Dois. Três. Quatro. Cin...

— Jessie? Mova seu traseiro para fora da porta e vá para casa. Não venha nesse bar nunca mais.

E foi isso. Os olhos de Jessie se abriram e desistiu de tentar se manter calma.

— Trabalho para você, mas este é meu tempo livre. Sei que todo mundo tem medo de você porque é Justice North, mas adivinhe? Não é meu líder. Para mim chega se é assim que vai me tratar cada vez que for a algum lugar. Será que o faz feliz? Vou para casa e faço as malas agora. Não preciso disso, Sr. North. Estarei fora de Homeland em uma hora e não terá que cuidar de mim nunca mais.

Jessie girou e foi da pista de dança para a porta. Novas Espécies se moveram longe do seu caminho, a fazendo se sentir como se de repente contraísse hanseníase pela forma como abriram um amplo caminho para evitá-la por pelo menos dez metros. Ficou tão enfurecida que as lágrimas ameaçaram transbordar, mas as segurou. Não lhe daria a satisfação de ver o quanto a afetou.

Filho da puta! Perdi meu trabalho. Amei trabalhar com as mulheres e viver naquela casa. Nada mais de imergir na banheira gloriosa, mas isso é bom. Vou arranjar outro emprego e Justice pode ir se ferrar. El...

— Jessie! — Justice rosnou.

Ela parou abruptamente, chocada pela intensidade de sua voz e se virou. O último pedaço de sua contenção estalou. A raiva explodiu e se obrigou a lidar com sua birra. O amava, mas estava sendo um completo idiota. Não ia aguentar essa merda de nenhum homem, nem mesmo dele.

— O quê?

Ele a seguiu e seus pés apenas se separaram quando fez uma pausa para olhar zangado, aparentemente alheio às pessoas que assistiam. Ela desejou poder esquecer que, provavelmente, 200 espécies e dezenas de pessoas assistiam esta discussão.

A música parou e a sala foi ficando quieta como uma igreja de repente. Merda.

— Venha aqui.

Ela olhou, atordoada.

— Desculpe-me?

— Venha aqui. — Ele apontou o chão na frente dele.

Oh, inferno não! Ela girou e se dirigiu para a porta novamente. Se queria gritar, podia fazê-lo sem platéia. Talvez fosse uma coisa de Espécies chutar a bunda de alguém verbalmente em público quando estavam com raiva, mas ela não ia aceitar esse tipo de tratamento.

Alguém cortou seu caminho e estremeceu. Tim Oberto parecia estrondoso quando encontrou seu olhar furioso, certa que ele ia gritar com ela, uma vez que estava batendo boca com o precioso líder da ONE. Ele bloqueava a porta e não havia como evitá-lo.

Trey, seu antigo chefe, chegou em seguida e o agarrou pelo braço, sussurrando algo em seu ouvido. Seus companheiros de equipe chegaram mais perto dos dois homens, dando olhares nervosos ao redor deles e a tensão era clara em seus rostos. Estavam esperando problemas e a queriam fora do edifício. Era um procedimento operacional padrão.

Jessie queria gritar de frustração e raiva. Como minha noite ficou tão ruim, tão rápido? Ela e Breeze iam conversar. Tinha certeza que a mulher tinha boas intenções, mas tudo que fez foi envolver Jessie numa tonelada de problemas. Seu pai ouviria sobre isso e provavelmente daria um sermão sobre seu desrespeito, dizendo que devia ter saído em silêncio da primeira vez que Justice pediu, sem protestar, a menos que dissesse ao seu pai a verdade. O que não ia fazer. O pai dela não ficaria feliz por ter dormido com Justice. Sempre preferiu fingir que era uma menina, em vez de uma mulher com necessidades.

— Volte aqui! — Justice rugiu.

O coração de Jessie disparou. Parou novamente e não estava certa do que fazer. Todos na sala o ouviram. Inferno, provavelmente o ouviram até no portão de entrada da frente. Ele a surpreendeu, dando um espetáculo enorme com sua discussão. Todo mundo falaria sobre isso por semanas, se não meses. Jessie se virou lentamente. Justice estava no mesmo lugar de antes, não se moveu uma polegada e seu dedo ainda apontava o chão onde ele queria que ela fosse.

Respirou fundo e cerrou os dentes enquanto lentamente colocava um pé na frente do outro. Seu dedo relaxou, caiu ao seu lado e sua outra mão se abriu.

Ela fez uma pausa de três metros na sua frente para olhar em seus olhos exóticos.

— O quê? Está fazendo uma cena. Disse-me para sair e vou. — Ela manteve sua voz suave e esperava que ninguém pudesse ouvi-la.

— Nunca faz o que digo. — Ele não baixou a voz, falou alto e claro, e o som facilmente atravessou a sala.

Jessie baixou o olhar para a gravata preta, lembrando-se de evitar contato com os olhos, agora que ela se acalmou um pouco. Não queria desafiá-lo. Duvidava que ele pudesse ficar pior, mas não ia testar essa teoria.

— Vou fazer o que você quer e sair. Vou para casa fazer as malas. — Manteve a voz baixa. —Todo mundo está olhando para nós. Queria que um buraco se abrisse sob mim para me tirar daqui e me recuso a permitir que me humilhe ainda mais.

Jessie virou e deu três passos antes que Justice a agarrasse. Ele a girou pelo cotovelo e seu outro braço envolveu sua cintura. Engasgou quando a puxou contra seu corpo. Jessie ergueu a cabeça para olhar para ele com olhos arregalados. Chocados. Ele a puxou mais contra seu corpo grande, a imobilizou rente a ele e soltou seu cotovelo. Essa mão se dirigiu ao seu cabelo na base do pescoço, pegando um punhado dele e gentilmente puxou até a cabeça inclinar para trás.

— O que está fazendo? — Ela sussurrou. — Perdeu a cabeça?

Justice inclinou o rosto mais perto, olhou profundamente em seus olhos e toda a raiva desapareceu dele.

— Quase perdi alguma coisa. Estou fazendo o que deveria ter feito desde o início.

Jessie apertou as palmas das mãos sobre o peito dele, o empurrando para longe, mas o braço não afrouxou em sua cintura.

— Do que está falando? — Sua voz saiu um ronco rouco.

— Estou te reivindicando publicamente, Jessie. Estou deixando todos saberem que é minha.

Jessie estava feliz que a segurasse, porque os joelhos cederam sob ela. Seu braço forte a impediu de desmoronar no chão quando cambaleou por suas palavras, sua mente atrapalhada pelo significado por trás delas.

— Mas... — Não conseguia encontrar palavras.

— Quase perdi você. — Sua voz ficou rouca, mais alta e roncou as palavras: — Você não vai sair da minha vida. Você é minha, Jessie. Pertence a mim.

Ele passou a língua nos lábios, o olhar caiu na sua boca e ela percebeu que pretendia beijá-la enquanto lentamente abaixava a cabeça mais perto. Não podia se mover, muito espantada para fazer outra coisa senão ver sua boca descer perto dela.

Os lábios roçaram os dela e fechou os olhos, tensa. A língua de Justice varreu dentro, forçou sua boca a abrir mais e rosnou. A paixão a atingiu em segundos. Derreteu-se contra ele, seus dedos segurando as lapelas de seu paletó e apertaram o material caro apenas para ter algo para se agarrar. Fazia semanas desde que a tocou, seu corpo se lembrava dele e se perdeu em seu toque e tudo desapareceu, exceto Justice.

Ela o beijou de volta, atendendo a necessidade dele com sua própria e gemendo contra a língua. A mão segurando o cabelo soltou para envolver a nuca e Jessie esqueceu a sala cheia de pessoas os testemunhando emaranhados no meio da sala. Esqueceu que estava brava com ele. Havia apenas eles. Estavam juntos e ele não queria que o deixasse. Suas mãos soltaram a camisa para deslizar ao redor do pescoço e seus pés deixaram o chão quando Justice a ergueu mais acima de seu corpo.

Justice finalmente parou o beijo. Atordoada, Jessie olhou para ele, ofegante, seu corpo ligado e depois se lembrou de onde estavam. Um rubor aqueceu suas bochechas e não ousou olhar para longe de seu olhar sexy enquanto olhavam um para o outro. Não estava preparada para lidar com as reações da sala. A única coisa que importava estava agora mesmo na frente dela, a segurando com força.

Justice desviou o olhar dela e ajustou seu aperto até que a ergueu em seus braços para embalá-la contra o peito com as pernas enganchadas sobre um de seus braços fortes.

Ela se agarrou em seu pescoço e percebeu que cuidadosamente prendia sua saia quando levantou suas pernas, para evitar que se mostrasse a alguém. Ela enfrentou o olhar em volta para ver o que ele faria.

Cada rosto, tanto humano quanto Espécie, parecia completamente atordoado.

— Esta é Jessie. — Justice fez uma pausa, virou a cabeça e pareceu querer encarar todos. — É humana. Sei que alguns podem ter problema com isso. Sinto muito se acontecer, mas não vou desistir dela, independentemente de suas reações. Ela é minha, e será minha companheira.

Jessie estava feliz que a segurasse. Seus braços apertaram ao redor de seu pescoço e ela deu um olhar ao seu antigo chefe. A boca de Tim estava aberta, o rosto vermelho e os olhos cheios de incredulidade. Ela rapidamente desviou o olhar. Trey ainda agarrava o braço do homem mais velho, o empurrava duro para afastá-lo do bloqueio da porta e seu antigo chefe de equipe sorriu quando chamou sua atenção. Ele arrastou Tim na direção do bar, acenando ao resto da equipe para recuar com um movimento de cabeça.

— Sei que vai causar problemas com alguns humanos por causa da minha posição. — Justice fez uma pausa e olhou Jessie em seus olhos. Ele desviou o olhar. — Estou mais do que disposto a me demitir se isso for o que acham que deve acontecer. Apenas me deixem saber amanhã, depois de tomar uma decisão. Agora vou levar minha companheira para minha casa, para fazer planos para o casamento. Uma grande festa e se divirtam. — Caminhou para a porta.

— Justice?

Justice parou de andar, seu domínio sobre ela apertou e se virou lentamente ao reconhecer a profunda voz masculina que chamou seu nome. Jessie estudou a sala, procurando em todos os rostos pelo locutor. Um homem alto se aproximou. Um cara grande com peito largo e braços enormes. Seus olhos felinos estavam fixos em Justice quando ergueu a mão para prender o cabelo preto atrás de sua orelha. Justice rosnou baixo, um som ameaçador, e ninguém precisava dizer a Jessie que estava pronto para lutar.

— Pode se dar ao trabalho, se quiser, Brawn. Não vou brigar com você e colocar minha companheira em perigo.

— Ficamos felizes com sua companheira. — Brawn anunciou em voz alta. — Ninguém pode tomar seu lugar, assim não espere uma chamada amanhã para pedir que se demita. Ela será uma adição bem-vinda à nossa família. — Seus olhos de gato focaram em Jessie. — Não quero lutar com ele, mas admito estar com um pouco de inveja. Tome cuidado com ele, companheira de Justice.

Jessie estava atordoada demais para responder, mas Justice não teve esse problema.

— Obrigado.

O homem abaixou a cabeça e olhou para o chão. Justice se virou e caminhou rapidamente para a porta. Um policial correu até ele, sorriu e segurou a porta aberta para permitir que a levasse para fora, no ar da noite.

— Não acredito que fez isso. — Jessie sussurrou.

Justice sorriu quando olhou para ela.

— Eu também não, mas estou feliz por que fiz. Vou levar você para casa para empacotar seus pertences. Vai para a minha casa hoje à noite e nunca vai embora. — Parou de andar e a olhou. —Vamos nos casar, e isso não está em discussão.

— Podia me perguntar. — Diversão e felicidade a enchia.

Ele inclinou a cabeça.

— Podia. — Olhou para longe, riu e a levou para seu jipe para colocá-la no banco de passageiro.

Jessie ouviu a música começar de novo dentro do bar, o homem que amava saltou para o assento do motorista. Ele arrancou a gravata e virou no banco para balançá-la entre eles.

— Antes de responder, deixe-me te dizer algumas coisas. Não vou aceitar um não como resposta. Vou usar isso para prendê-la na minha cama até que mude de ideia se não responder da maneira que quero. — Ele riu de novo. — Quer se casar comigo?

Ela sorriu.

— Não sei. — A atenção ficou fixa na gravata por alguns segundos antes de encontrar seu olhar novamente. — Eu poderia estar tentada a dizer não apenas para você me amarrar à cama. Parece divertido e bizarro.

— Jessie. — Ronronou.

— Sim.

— Sim para seu nome ou sim, vai se casar comigo?

Ela mordeu o lábio, dando um olhar provocante.

— Ainda estou pensando sobre o que vai fazer comigo quando me deixar nua e amarrada na cama. Dê-me um minuto.

Ele deixou cair a gravata em seu colo e ligou o Jeep.

— Vamos resolver isso em casa.

Ela riu.

— Então, se sou sua companheira não quer dizer que tenho que manter minha casa? A construiu para quem quer que fosse. Era minha enquanto vivesse lá.

Ele balançou a cabeça.

— A construí para uma companheira Espécies. Você vai viver comigo e dormir na minha cama toda noite ou vou queimar a casa.

— Mas é uma casa tão bonita.

Ele virou a cabeça para sorrir para ela.

— Odiaria vê-la destruída. Lembre-se de nunca pensar em deixar minha cama pela antiga.

— Vou casar com você.

— Não estava preocupado. Estava falando sério sobre amarrar você na minha cama até que mudasse de ideia. Eu disse que isso não estava em discussão.

 

Breeze se aproximou da mesa lentamente, olhou para os quatro homens sentados lá e colocou as mãos atrás das costas. Esperou até ter sua atenção antes de falar.

— Obrigada. — disse suave e sinceramente.

— Disse que gostava dela. — resmungou Brawn. — Não me disse que estava obcecado a ponto de ficar selvagem. Quase arrancou minha cabeça quando eu disse que pretendia reclamá-la.

Cedar riu.

— Ele podia virar a mesa ou arrancar sua cabeça quando disse que ia reclamá-la. Breeze pediu para fazer ciúmes e levá-lo a admitir seus sentimentos pela humana. Você o provocou até querer matá-lo.

Bestial sorriu.

— Gostei da parte sobre levá-la para sua casa, montá-la e transar com ela até que gritasse. Justice com certeza não, mas eu me diverti.

Jaded riu.

— Sim. Não vamos nos esquecer do clássico que finalmente quebrou seu controle mal contido. O que disse, Brawn? Que ia enchê-la com sua semente e plantá-la? Isso foi um toque agradável.

Breeze estendeu a mão e apertou o ombro largo de Brawn.

— Disse tudo isso para ele?

Ele tomou um gole de suco.

— Quase perdi a cabeça. Como seu conselheiro, estou aqui por você sempre que precisar de um favor. Da próxima vez, porém, me avise se puder me matar, assim pelo menos, estarei esperando. Esperava raiva, mas ele honestamente queria me despedaçar. Da próxima vez que precisar de um favor, quero ser o Espécie que mente por você e faz a chamada, fingindo ser secretária de Justice.

Breeze se aproximou de sua cadeira.

— Você é meu herói. Gostaria de dançar? Parece tenso e sei como aliviar isso.

O olhar de Brawn se arregalou e ele sorriu.

— Adoraria.

Breeze levantou a ponta dos dedos para esfregar a pele exposta em seu pescoço.

— Vamos.

Brawn levantou e piscou para os outros três homens.

— Arriscar meu traseiro valeu a pena, por isso não riam muito. Sentem-se aqui, enquanto danço com uma mulher bonita.

— Nós ajudamos. — Bestial disse e riu. — Tem amigas que queiram dançar com a gente?

Breeze balançou o dedo para eles.

— É noite de festa. Estamos todas com vontade de nos divertir.

Cedar parou.

— Boas ações não são pagas.

Jaded terminou sua bebida e levantou.

— Amo noite de festa.

— Eu também — Bestial rosnou. — Vamos ter algumas horas de diversão com nossas mulheres.

 

Jessie fechou a bolsa de academia, mas Justice a tirou dela antes que pudesse levantá-la da cama. Sorriu, divertida que realmente a levasse direto para casa para fazer as malas.

Ele ajudou a embalar tudo dentro do banheiro e levou a maior parte para o lado da porta.

— Eu poderia fazer isso amanhã, enquanto estiver no trabalho.

— Quero que se acomode esta noite. — Justice estendeu a mão e acariciou o rosto com a ponta dos dedos. — Não quero que tenha nenhuma razão para vir aqui novamente. Você viverá comigo.

Suas palavras ternas a encheram de felicidade. Estava totalmente comprometido com sua relação agora, não era mais segredo e não hesitava em, pelo menos, torná-la permanente.

— E todas aquelas caixas na sala de estar? Vamos levar com as demais?

— Não. Vou providenciar alguém para fazer isso na parte da manhã.

Jessie olhou ao redor da sala para se certificar que não estava deixando nada para trás.

— Estou pronta. Essa foi a última.

— Vamos. — Justice baixou a mão para pegar uma segunda sacola.

— Mostre o caminho, companheiro.

Jessie subiu os degraus da frente de casa de Justice, um pouco nervosa já que nunca esteve dentro dela antes. Esperava que a amasse tanto quanto a casa que acabava de sair. Ela estendeu a mão para a maçaneta da porta para abri-la para ele.

— Espere.

Ela olhou para ele, arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços sobre o peito, enquanto ele descia as malas.

— O quê? Deixou uma bagunça?

Ele riu.

— Fique aqui. Não olhe.

Ele abriu a porta, a empurrou e pegou suas malas novamente. Desapareceu lá dentro.

Não podia ver nada, já que ele não ligou as luzes. Moveu-se lá dentro. Ela podia ouvi-lo, mas não tinha ideia do que estava tentando esconder dela. Com sua sorte, o cara era um pateta, mas sexy. Mencionou que tinha um homem que limpava para ele.

Pelo menos não seria presa pela bagunça.

Ele deu um passo para fora da escuridão até a varanda e ela ofegou de surpresa quando de repente ele se inclinou, seu ombro pressionado contra seu quadril e um braço preso atrás de suas pernas. Ele se levantou rapidamente, a envolvendo pelas costas e acendeu uma luz dentro da porta.

Sua outra mão massageava sua bunda enquanto a levava para dentro, usando o pé para chutar a porta para fechá-la e rindo.

— Tranque a porta.

Ela teve que agarrar seu cabelo com um punho para o torcer perto do rosto e ver, tentando virar a cabeça para conseguir um vislumbre limitado de uma sala de estar surpreendentemente arrumada.

— Coloque-me no chão.

— Não. Não sou totalmente sem noção sobre os humanos. Estou sempre estudando seus costumes e estou familiarizado com carregar a noiva na primeira vez que entra em sua casa comum. Estamos unidos no que me diz respeito, o casamento é apenas papelada para seu mundo, mas você é minha, querida. Vou levar você para a cama e mostrar o devido respeito que merece, seguindo suas tradições valorizadas.

Era tão doce que não tinha coragem de dizer a ele que a maioria dos caras não atirava as mulheres sobre seus ombros. Riu, soltou o cabelo e segurou seu traseiro musculoso quando ele rapidamente atravessou o corredor. Tinha a melhor bunda e mal tomou conhecimento de seu quarto quando entraram e ele acendeu a luz.

Ele a ajustou quando se inclinou, a descendo para sentar na beira do colchão e se agachou diante dela sorrindo.

— Bem-vinda à nossa casa. Agora tire suas roupas. Senti sua falta e se não fizer amor com você em breve, vou perder todo o controle.

Ele se levantou, tirou os sapatos e arrancou o paletó.

— Depressa. — Resmungou baixinho.

Jessie o observou se despir rapidamente, apreciando a vista de cada centímetro sexy de pele e músculo revelado. Ele olhou para cima depois que tirou a calça, estreitou os olhos e fez uma careta.

— Tire a roupa. Sério, Jessie. Faz duas semanas e odiaria arrancá-la de você. É um vestido bonito.

Jessie tirou os sapatos. Estendeu as mãos para atrás dela e abriu o zíper do vestido e soltou o sutiã. Ela os deixou deslizar abaixo de seu corpo enquanto deslizava para fora da cama. Justice ronronou quando retirou a calcinha. Ela recuou quando ele deu um passo na direção dela.

— Espere.

Justice congelou.

— O quê?

— Temos que falar por um minuto.

— Não quero falar.

— Bem, precisamos.

Rosnou.

— Sobre o quê?

— Dormiu com Kit?

Ele franziu a testa.

— Não.

Ela franziu a testa de volta, estudando de perto seus traços, procurando qualquer indício de mentira ou culpa.

— Sério?

— A única mulher que quero é você. Não me contento com menos do que quero.

Ela balançou a cabeça, certa que estava sendo sincero.

— Essa coisa toda de companheiro, isso significa que não vai me trair?

Ele sorriu.

— Isso é o que significa. Você é para mim e eu sou para você. É um compromisso de apenas ficar com o outro.

— Pela vida?

— Para sempre.

— Tudo bem. Bom.

— Terminamos de falar agora?

Ela olhou para a cama e sorriu.

— Só mais algumas coisas para repassar.

Ele apertou as mãos, seu corpo ficou tenso e o pênis se contraiu visivelmente excitado, acenando um pouco para ela.

— O que mais?

— Tenho meu emprego de volta? Gosto de trabalhar com as mulheres no dormitório.

— Nunca perdeu seu emprego. Não aceitei sua demissão.

Jessie sorriu.

— Bom.

— Agora terminamos?

— Há apenas mais uma coisa.

— O quê? — Ele avançou mais perto, parecendo pronto para dar o bote em cima dela.

Jessie chupou seu lábio inferior dentro da boca.

— Você.

Ele piscou.

— Eu?

— Quero você na cama e quero ficar em cima.

Seus olhos se estreitaram enquanto Jessie prendia a respiração. Olharam um para o outro e ele deu um passo atrás.

— Quer se vingar por esta noite e pela noite passada. Quer que eu me submeta a você para acalmar seu orgulho ferido.

— Não. Só quero ficar por cima. Gostou da última vez e eu também.

— Quer que eu deixe você ficar no controle de nosso sexo?

— Gosto dessa posição e juro que não se trata de submissão ou dominância.

Ele deu um olhar desconfiado e subiu na cama para virar de costas.

— Por você, e se contar... — Seu olhar vagou por seu corpo. — Teria que fazer valer meu domínio sobre você publicamente de forma pior que fiz no bar.

— O que significa isso? — Jessie se encostou na cama. — Por que essas camas tão altas? Preciso de uma escada para chegar até aí.

Justice riu e estendeu a mão para segurar o pulso dela e puxá-la até o colchão.

— Somos altos. Vou ajudá-la a subir. É com sair da cama que terá problema quando eu quiser mantê-la aqui. Teria que montar você na frente de todo meu povo se tivesse que fazer valer meu domínio.

Jessie riu da piada, mas ele não fez. Arqueou uma sobrancelha em vez disso, a olhando em silêncio. Ela parou de rir, percebendo que falava sério. Ele a chocou e surpreendeu.

— Sério? Isso é... Se tentar fazer isso comigo na frente de outras pessoas, eu atiro em você. Realmente tem que fazer sexo comigo na frente de todos? Sou totalmente contra essa coisa de voyeurismo.

De repente, ele riu.

— Não. Só queria ver sua expressão.

Jessie relaxou e sorriu.

— Então o que realmente fará comigo se eu disser para alguém que me deixou fazer isto? — Jessie montou suas coxas e baixou o corpo todo nele. Sua cabeça caiu e a língua lambeu sua barriga perto do umbigo.

— Teria que puni-la. — suavemente gemeu.

Jessie escorregou para cima para lamber seu mamilo e chupou a carne endurecida entre os dentes. Beliscou e ele soltou um baixo ronronar. Jessie sentiu o pau duro preso entre seus estômagos pulsando em resposta. Ela soltou o mamilo e deu beijos em seu peito até que sua boca encontrou o outro mamilo para provocar.

— Como me puniria, Justice?

Suas mãos agarraram seus quadris.

— Eu te torturaria, Jessie. Gosta que me mova rápido dentro de você, mas te seguraria e me moveria tão lentamente que me imploraria para foder você do jeito que gosta. Eu não faria isso. Ia te torturar até que não aguentasse mais.

O corpo inteiro de Jessie respondeu à sua ameaça sensual. Ela moveu os quadris e ele levantou quando ela se afastou do mamilo e sentou reta. Seus dedos enroscaram em torno do eixo, segurando, acariciando o comprimento aveludado e roçando o polegar sobre a coroa. Umidade pré-semem a ajudou a provocar as bordas quando desenhou círculos.

— Sabe, se ameaçar me provocar, eu posso fazer o mesmo, querido.

— Jessie — sussurrou — passaram-se semanas. Quero que seja bom para você, mas continue com isso e não vai durar.

Jessie baixou os quadris sobre os dele, ajustou seu pênis e esfregou a boceta sobre ele. Ela gemia baixinho, gostando de brincar com seu clitóris, pronta para tomá-lo dentro dela. Sentiu falta dele também, sabia o quanto era gostoso e empurrou seus quadris abaixo. Justice jogou a cabeça para trás e soltou o aperto da cama enquanto ela o tomava.

— Unhas. — ela gemeu. — Você é tão gostoso. Só não destrua a cama. Vou dormir nela com você mais tarde.

— Foda-se a cama. — rosnou Justice.

— Foda a mim. — Jessie gemeu, abaixou o queixo e encontrou seu olhar cheio de paixão.

Jessie fechou os olhos, jogou a cabeça para trás e afundou mais, tomando mais dele, desfrutando do alongamento de suas paredes vaginais. A sensação de Justice a enchendo era a melhor coisa do mundo. Ela pressionou abaixo até que sabia que o tomou completamente, estava confortavelmente instalado e sua conexão completa. Se moveu para cima e para baixo para se ajustar, o tomando lento no início e foi uma tortura. O desejo de seu corpo para gozar a exortou a montá-lo mais rápido.

Justice ronronou e rosnou, fazendo sons eróticos que fizeram essa paixão crescer.

Sua mão subiu, agarrando sua perna e o polegar deslizou entre suas coxas abertas. Ele roçou seu clitóris, desenhando círculos com pressão suficiente para fazer os músculos vaginais apertarem em torno de sua grossura. Jessie gemeu mais alto, o montando mais rápido.

Justice de repente rolou. Jessie ofegou de surpresa, mas depois gemeu quando ele se dirigiu profundo e rápido, a prendendo com seu peso e ela sabia que ele estava no controle. Parecia sexy e feroz quando suavemente rosnou para ela, mostrou os dentes quando sorriu e apoiou os braços para prendê-la firmemente sob ele.

— Minha vez.

Justice entrou rápido e forte, não contendo nada, e ela se envolveu em torno dele. Suas pernas engancharam sobre sua bunda, os braços enrolaram ao redor do pescoço. Seus corpos se moviam perfeitamente juntos enquanto empurrava dentro dela, atingindo cada terminação nervosa que gritava por liberação. Ele foi mais profundo, mais forte e ajustou seu pau para atingir um ponto que a fez gritar seu nome.

Prazer a atravessou quando Justice foi mais rápido e mais forte. Ela gritou seu nome com a batida do clímax. Justice jogou a cabeça para trás e um rugido rasgou da garganta. Seus corpos empurraram e travaram juntos. Jessie relaxou quando a última pontada de prazer percorreu através do corpo e Justice se estendeu sobre o dela.

— Você é minha companheira. — Justice sussurrou em seu ouvido, roçando um beijo em sua garganta.

— Graças a Deus. —Sussurrou de volta.

Justice riu.

— Há uma coisa que gostaria de te dizer. — Ele levantou a cabeça para encontrar seu olhar.

— O quê?

— Descobrimos que é possível termos filhos, quando uma humana ficou grávida de um de nossos homens. Seu bebê é saudável e forte, nasceu semanas atrás. — Ele segurou seu rosto. — O bebê é Espécie, tem nossos traços faciais e se assemelha ao seu pai. Quero ter um filho com você. Será que pensa sobre isso?

Choque a atingiu, não que pudessem ter filhos, algo que já sabia, mas não se supunha, graças a Breeze confiar nela. Era o fato que Justice quisesse ter um filho com ela. Foi de lutar contra ficarem juntos a convidá-la para ser mãe de seus filhos ainda não nascidos era muito rápido.

Justice a rolou de lado, abriu um pequeno espaço entre seus corpos e segurou seu estômago.

— Quero que inche com meu filho e a quero ligada a mim de qualquer forma possível. — Ele olhou profundamente em seus olhos. — Quero fazer de tudo para te ligar a mim em todos os sentidos. Você me faz feliz. — Sorriu. — Você torna minha vida completa.

Lágrimas encheram os olhos de Jessie.

— Você é tão bom com as palavras.

Ele franziu a testa.

— O que significa isso?

Ela riu e limpou as lágrimas.

— Isso significa que adoraria ter um bebê com você, mas gostaria de esperar um ano pelo menos. Quero tempo com você primeiro e precisa ficar mais tempo fora do trabalho, antes de ter um. Eu o quero criando nosso filho ou filhos, não apenas eu carregando nosso bebê enquanto você estiver fora no trabalho.

— Sou seu companheiro. Vamos fazer tudo juntos.

— Querido, você é um workaholic. — Ela lambeu os lábios. — Meu pai é um e ele não estava muito perto de mim quando era criança. Meu maior medo era crescer e me casar com alguém como ele. Irônico, não é? Você o faz parecer absolutamente preguiçoso quando se trata das horas que trabalha, mas sou adulta. Entendo por que trabalha tão duro, mas as crianças não entendem o quão importante é seu trabalho. Só se sentem abandonados e como vêm em segundo lugar. Entende? Precisa aprender a relaxar mais antes de se tornar pai.

— Vou delegar algumas funções para o conselho e isso irá liberar uma parte do meu tempo. Posso esperar um ano e vai ver que vamos ter muito tempo juntos. Posso relaxar e você vai me ensinar. Eu não tinha vida sendo o rosto do meu povo. Tudo isso mudou agora Jessie. Eu os amo, mas você é minha prioridade número um. — Seu olhar se estreitou. — Você é minha companheira. Vem primeiro, antes de todos os outros. Vou descer de manhã para mostrar o quanto significa para mim. Que eu te amo e que você é tudo para mim.

Ela sabia que ele queria dizer isso e seu amor por ele cresceu mais forte.

— Não quero que saia, mas quero que trabalhe menos horas. O que faz é tão importante e não quero mudar quem você é. Você é o homem com quem quero ficar. Só peço mais do seu tempo. Procurar ajuda de seu conselho parece ideal.

Ele sorriu.

— Feito. Gostaria de ter mais de um filho. Gostaria de mantê-la grávida e poderia fazê-lo.

— Vamos conversar sobre os números depois que tivermos nosso primeiro.

Ele pareceu esperançoso.

— Mas pelo menos dois?

— Eu te amo com todo meu coração e você me faz feliz também. — Ela sorriu. — Quando não está me irritando ainda te amo mais do que quero te matar. Você faz minha vida completa também.

— Disseram-me que a próxima é uma boa notícia. Quando te engravidar o que será a pior coisa por estar grávida?

— Engordar.

Ele riu.

— A segunda pior?

— Enjoos matinais.

— Cerca de nove meses estando grávida?

— É. Isso soa como dor, mas vale a pena.

Justice de repente rolou Jessie e a colocou