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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


SHADOW / Laurann Dohner
SHADOW / Laurann Dohner

 

 

                                                                                                                                                

  

 

 

 

 

 

Bela se ressentia em ser rotulada de “Fêmea Presente”. Todos são extremamente superprotetores e os machos não tinham sequer permissão para falarem com ela, e até agora, a verdadeira liberdade era uma ilusão. Então, um oficial Espécie grande e sensual a confunde com o inimigo e a pega — literalmente.

Shadow está pasmo. Ele tem uma Presente presa debaixo dele — totalmente proibida para ele. Mas Bela está fascinada e quer saber muito mais sobre Shadow. Ela está cheia de recentes descobertas e de paixão não correspondida, e ele é tudo o que precisa para satisfazer sua curiosidade.

Para Shadow, sexo significa dor e ódio. Para Bela, escravização e zombaria. Duas almas solitárias que nunca conheceram um toque amoroso, juntas em uma cabana na floresta. Toda carícia, toda descoberta os trazem mais próximos de uma vida que nunca pensaram ser possível… além de seus sonhos mais selvagens.

 

 

 

 

Ela não seria mais chamada de Lixo. Bela. Silenciosamente repetiu o novo nome que a mulher lhe deu, determinada a lembrar de responder a Bela em vez de Lixo. Aquela distração a ajudou em sua confusa batalha e o choque profundo que sofreu depois de ser tirada de sua jaula por uma mulher chamada Jessie. As correntes já eram e escutou seus salvadores dizerem que os guardas foram mortos durante a luta para libertá-la.

Bela teria tropeçado, mas um braço firme ao redor da sua cintura a ajudou a se estabilizar, enquanto caminhavam pela casa bem iluminada. Jessie jurou que estava levando-a para algum lugar seguro onde havia outros que, como ela, foram presos. O conceito de tal coisa parecia completamente irreal. Tinha de ser mentira, algum tipo de jogo perverso e cruel. Bela olhou ao redor e viu o sangue no chão, o qual pôde sentir. A evidência de que os guardas estavam realmente mortos.

Uma sensação de esperança a encheu, de que a mulher ruiva pudesse estar dizendo a verdade. Ela estava livre do Mestre. A promessa de poder ver a luz do sol novamente parecia impossível. Tinha apenas vaga lembrança das raras vezes que lhe foi permitido ir para o lado de fora.

Estrelas pontilhavam o céu e uma lua parcial estava pendurada a sua direita. Um maravilhoso ar fresco encheu seus pulmões, e felicidade atingiu-a. Estou do lado de fora! Quase tropeçou nos próprios pés, seu corpo estava fraco pela falta de comida, mas a mulher estreitou-a ao seu lado. Um grande homem chamado Trey mantinha-se silenciosamente ao lado delas, mas recusava-se a olhar para o rosto dele. Podia sentir o olhar dele, mas tentou esconder seu medo. Ele não tentou tocá-la.

Uma grande coisa preta com rodas esperava perto da porta. Empacou de repente, mas Jessie continuou persuadindo-a a seguir em frente.

— É isso que nos levará daqui e então iremos fazer algo muito emocionante. Vamos voar no céu para conseguir ajuda médica, e você vai encontrar sua família. Eles ficarão tão felizes em vê-la.

— Você não me deixará? — Bela estava apavorada que a mulher a abandonasse com o grupo de homens.

— Não querida. Vou segurar sua mão o tempo inteiro. — Jessie sorriu. — Não vou deixar nada acontecer com você.

O assento era macio e confortável na grande caixa. Bela não estava certa sobre o cinto que Jessie apertou ao redor de seu corpo, mas não lutou. Deveria ser para sua segurança e estava feliz apenas em não ser empurrada para o fundo, dentro de um buraco sem luz. Foi assim que a removeram para a casa.

— Eu me sentarei bem ao seu lado e Trey vai nos levar. Ele é uma pessoa muito legal. Jessie verificou o cinto, debruçou-se para empurrar o cabelo de Bela para trás da orelha e sorriu novamente. — Ele é um bom amigo meu, e você pode confiar nele também.

Ela encontrou o olhar de Jessie e seu cabelo realmente luminoso, o vermelho brilhava pelas luzes da grande casa. Suas características eram delicadas, agradáveis. Uma sensação de paz encheu Bela. Confiava nesta mulher. Não sabia por que, mas confiava.

— Tudo vai ficar bem, Bela. Eu... — Jessie estremeceu violentamente onde se encontrava, e sua boca abriu. A expressão de pura dor refletida em seu rosto fez Bela estremecer de terror. Gritou, sem saber mais o que fazer. Os olhos azuis de Jessie se arregalaram, antes de lançar seu corpo para dentro do veículo. O impacto jogou Bela sobre o assento.

— Atirador! — Trey gritou o aviso.

— Peguei você. — Jessie prometeu com os braços dela abraçando Bela firmemente até que se sacudiu novamente e seu corpo tenso se tornou mole.

Bela gritou, assustada demais para fazer qualquer outra coisa. Jessie não estava se movendo. O cheiro de sangue deixou-a em completo pânico, pois sabia que não era seu.

A caixa, onde elas estavam, sacudiu, balançou e a porta fechou. Outra porta foi aberta acima de sua cabeça e mãos surgiram entre seu corpo e o de Jessie. O peso suavemente aliviou e parou de gritar. Abriu os olhos e observou enquanto outro homem arrastava Jessie para longe de seu corpo. Eles desapareceram pelo chão, mas outro homem grande de repente se lançou pela abertura. Fechou a porta e subiu no banco da frente, curvando-se para baixo.

— O vidro nos protegerá. — ele ofegava. — Vai ficar tudo bem, Bela. Ele retirou uma arma. — Sou Shane. Nada vai te machucar. Só fique abaixada.

A porta da frente abriu de repente e outro homem entrou agachado.

— O atirador está no leste. Não pode atingir este lado. Passe-a para cá. A pessoa que falou era mais velha que o resto, mas não tão enrugado como o Mestre. Foi a pessoa que tirou Jessie de perto de Bela.

— Ela está mais segura aqui. — Shane discutiu. — Fico com ela Tim. Cuide de Jessie. O quão ruim ela está?

— Mal. Trey está avaliando-a. — A porta fechou enquanto o homem mais velho desaparecia.

Isso deixou Bela sozinha com Shane. Seu olhar apavorado encontrou o dele, enquanto estava abaixado no assento dianteiro.

— Fique abaixada. — ordenou suavemente.

Suaves barulhos de balas soaram e ele xingou, de repente subiu no assento de trás onde ela estava. Ela gritou quando ele agarrou o outro lado do banco atrás dela, colocando a parte superior de seu corpo sobre o dela. Apenas centímetros os separavam e ela se sentiu presa. Suspirou para gritar novamente, mas ele largou o assento para apertar uma grande mão em sua boca. Silenciou-a, e seu coração parecia que ia explodir, enquanto o rosto dele chegava mais perto.

— Maldição. — ele falou. — Não olhe para mim desse jeito. — Lançou uma perna sobre o banco para elevar-se chegando mais perto. — Não estou atacando. Estou tentando protegê-la. Quero que meu corpo fique entre você e uma bala. Precisa parar de gritar, certo? Tenho medo que o atirador possa ouvir, e não vai parar de disparar até que esteja morta. Você pode ficar quieta?

Ela lutou contra o pânico e assentiu. A mão aliviou sua boca. Olhou fixamente para ele com medo, enquanto seu grande corpo a cobria. Ele inclinou-se sobre ela, e uma coxa pesada prendeu entre a perna dela e o banco. Moveu um braço debaixo dela também, e apoiou o corpo para segurar seu peso e evitar esmagá-la.

— Estou só usando meu corpo para cobrir o seu. — assegurou. — Isso é tudo. Não estou certo que tipo de munição o atirador tem, mas é melhor prevenir do que remediar. Tudo o que conseguiu fazer até agora foi estourar os espelhos laterais e os pneus. Deve ter percebido que não está quebrando o SUV, e pode estar recarregando com balas perfurantes. Prefiro que uma bala me atinja a você.

Surpresa a fez estudar seus olhos. Não viu crueldade dentro deles, eram realmente gentis. O medo aliviou um pouco, permitindo que respirasse normalmente, e o cheiro dele encheu seu nariz a cada respiração. Ele tinha um cheiro limpo e bom, até agradável. O calor de seu grande corpo vazava por sua roupa, e um pouco do frio que a agarrava desapareceu.

— Eles acharão o atirador e o deterão. Vai dar tudo certo. — Afastou o olhar para longe dela, para olhar por acima de sua cabeça pelo vidro. — Tim? Jessie está respirando? Ela está viva?

Percebeu que falava com outra pessoa, e que deveria ter um daqueles dispositivos de escuta na orelha que Jessie mostrou-lhe. Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça, até que seus lábios quase se roçaram nos dela. Isto fez com que Bela ficasse tensa. Ele suavemente xingou.

— Entendido. Graças a Deus ela está respirando, mas isso é ruim. Porra. Como isso aconteceu? A vítima está segura. Embora muito traumatizada. Estou em cima dela para mantê-la abaixada, mas não foi atingida.

Seus olhos abriram e olhou atentamente para os olhos dela. Ele ajustou seu tronco para descansar sobre os cotovelos, e uma grande mão tocou o lado de seu rosto. Permitiu que o virasse um pouco, enquanto seu dedo polegar esfregava sua bochecha suavemente.

— Está tudo bem querida. Calma. Parece muito apavorada, mas está segura comigo. Seu rosto está machucado? Você tem um pequeno corte. Acho que Jessie te arranhou com a unha quando caiu sobre você.

Não estava ciente do dano, mas não a surpreendeu. Tudo aconteceu tão rápido, e sabia que estava muito assustada para registrar isso tudo. Seu dedo polegar pausou, e ela virou a cabeça o suficiente para encontrar seu olhar novamente. Ele olhou para ela com uma expressão que nunca viu antes e era um tanto quanto boa.

— Nunca te machucaria. Não sou nada parecido com os imbecis que a mantiveram em cativeiro. Sabe qual é o meu trabalho? Acho pessoas como você e as levo para casa. Vai ser feliz de agora em diante. Sem mais correntes, jaulas ou dor. Sua voz aprofundou. — Eu morreria por você.

Calor se espalhou ainda mais, muito além de sua pele. Pareceu irradiar de dentro de seu peito com as palavras dele. Ele falava sério, e por alguma razão incrível acreditou nele. Todo seu medo enfraqueceu e ela enrolou as mãos agarrando sua camisa, de tecido estranho.

— Calma Bela. — ele falou. — Não me arranhe. Sou seu amigo.

— Eu... — Fechou a boca, com medo que ele ficasse bravo se falasse sem permissão.

— Você o quê? Converse comigo.

Nenhuma raiva obscureceu suas características ou relampejou em seu olhar convincente. Novamente a encorajou a falar.

— Quer que eu seja legal com você? — Ela perguntou.

— Sim. — Ele sorriu. — Somos amigos. — Ele ficou sério. — Matarei qualquer um que vier atrás de você. Estou aqui e está totalmente segura comigo. A equipe protege a área. Acharão esse atirador e o prenderão. Ninguém vai chegar perto de nós.

Ele quer me proteger. Ele matará outros se tentarem me machucar. A surpresa que a inundou dificultou seu pensamento. Seu cheiro limpo, maravilhoso era realmente bom, seu corpo assustadoramente grande e volumoso, mas não o temia. Ele foi cuidadoso em não esmagá-la debaixo dele, roçou sua pele com toques gentis. Ele seria um Mestre amável.

Ele ergueu a cabeça, olhando ao redor novamente, e mudou um pouco do seu peso, antes de olhar para baixo.

— Vou tirar meu colete e colocá-lo entre a sua cabeça e a porta. O atirador pode ter mudado de local para evitar ser descoberto.

Ela não pronunciou nada, enquanto ele arrancava o revestimento de seu peito. Isto fez barulhos altos, enquanto uma de suas mãos rasgava a coisa, e encolhia os ombros para tirar o colete. Colocou-o contra a porta acima de sua cabeça. Ela olhou fixamente para a camisa dele, e viu os botões descendo pela frente dela. Seu peito era largo e seus braços pareciam realmente grossos. Pensou que eles pareciam largos apenas por causa da coisa que acabou de remover.

Ele tocou a própria orelha.

— Como Jessie está? — Pausou. — Bom. A que distância está a outra equipe? — Pausou novamente. — Estamos bem aqui. Só ache aquele filho da puta. Bateu em sua orelha novamente, e seu braço soltou ao longo da extremidade do banco, para apoiar seu tronco em ambos os antebraços. Encontrou o olhar dela.

— Eles não acharam o atirador ainda, mas as equipes estão se movendo, e um helicóptero está perto para dar suporte pelo ar. Não deve demorar muito tempo. Como você está Bela? Somos amigos, certo? Sabe que não vou machucá-la, não é? Apenas fique calma.

Ela engoliu seu medo e perguntou novamente.

— Quer que eu seja legal com você?

— Isso seria ótimo. — Ele sorriu para ela.

Ele tinha um rosto atraente e nenhuma linha de “maldade” arruinando sua pele bronzeada. Não queria voltar nunca mais para o Mestre. Ele era insensível e a castigava por qualquer ofensa. Shane prometeu que não a machucaria e acreditou nele. Ela respirou fundo, sabendo que qualquer coisa tinha de ser melhor que voltar para sua antiga vida. Pelo menos Shane deu-lhe a esperança de um futuro sem miséria. Nem se importou quando falou sem permissão. Não bateu nela, e isso foi suficiente para convencê-la de que era um bom homem.

— Serei legal com você.

— Bom. Somos amigos Bela. Apenas relaxe, certo? Está totalmente segura comigo.

As mãos dela tremiam quando tocou no peito dele. Aquele material era mais suave e podia sentir o calor de seu corpo. Em baixo da camisa fina, as pontas de seus dedos encontraram o músculo firme. Precisava ficar com ele. Não podia ser pior do que aquilo que sobreviveu no passado. Nada podia ser.

Esperou para ver como reagiria, mas ele não fez nada. Isto a confundiu. Disse que seria legal com ele, mas apenas a olhava silenciosamente com seus olhos hipnotizantes. Eles realmente eram bonitos e gostou do jeito como olhava fixamente para ela. Era quase como se estivesse esperando que fizesse algo.

Posso fazer isto. Ele deve querer que eu comece. Engoliu em seco, desejou estar limpa e desejou que não parecesse tão ruim quanto temia. Suas mãos se moveram, deslizaram pela camisa dele, e agarraram a curva espessa de seu ombro, enquanto a outra parou em seu estômago. Ele engasgou e empurrou o tronco para longe dela, o suficiente para dar-lhe espaço. Ela usou o espaço para roçar a frente de suas calças.

— Porra! — Seus olhos arregalaram, enquanto ele olhava boquiaberto para ela. — O que está fazendo?

Ela congelou.

— Você pegou no meu pau. — Sua voz agitou. — Pensei que estávamos sendo bonzinhos. Isso vai machucar, mas não vou lutar com você, droga. Você é uma mulher. Por favor, não faça o que penso que está fazendo. Sou seu amigo.

Confusão tomou-a, percebeu que ele pensava que iria atacá-lo. Achou que seu toque era uma ameaça para causar-lhe dor. Suavemente o massageou para mostrar-lhe que estava sendo legal. Ela disse que seria.

Ele olhou fixamente para ela, seu olhar ainda arregalado, e engasgou novamente. Sabia que tinha feito certo, quando sua parte masculina endureceu contra sua mão.

— Pare. — ele falou.

Sua mão congelou.

— Quer minha boca lá ao invés disso? Eu disse que seria legal com você.

Ele torceu seus quadris para longe da mão dela.

— Não! Merda! Não quis dizer “legal” nesse sentido. Ah inferno! — Deslocou seus quadris mais para baixo do corpo dela, até a frente de sua calça ficar fora de seu alcance. — Eu… Filho da puta. Não quis dizer que queria sexo de você. Apenas quis dizer… merda!

Ela o desagradou, fez com que não a quisesse, e fez algo errado. O terror encheu-a que não a protegesse mais do Mestre. Agarrou a camisa dele com ambas as mãos.

— Por favor, me dê outra chance. Posso fazer melhor. Farei qualquer coisa que quiser. Só me diga o que fazer. Eu farei.

Ele olhou fixamente para ela com algo similar a horror, e lágrimas encheram seus olhos. Falhou deixando-o bravo. Virou a cabeça e tirou as mãos do corpo dele, se abraçando, e esperou que não batesse nela. Ele era muito mais forte que o Mestre e provavelmente infligiria mais dor.

— Sinto muito. — sussurrou. — Farei qualquer coisa. Você parece amável e ficarei melhor quando estiver limpa. Ousou olhar para ele, só para vê-lo ainda olhando-a fixamente com aquele mesmo olhar horrorizado. — Por favor, decida tomar-me. Quero ser legal com você. Não me deixe aqui.

— Oh inferno, querida. Posso ver que é bonita, apesar da sujeira, mas não é isso. — Sua voz suavizou e também sua expressão. — Não tem que oferecer-me sexo para protegê-la. Matarei qualquer um que vier atrás de você, mas não quero nada em troca. Quero apenas que seja feliz. Sou seu amigo.

Ela fungou, lutando contra as lágrimas.

— Você será meu Mestre agora?

— Não. — Mais horror encheu seus olhos. — Você está livre. Ninguém é seu dono.

Ela fechou os olhos e virou o rosto. Não falou novamente, achando que fez algo para chateá-lo. Seu silêncio esperançosamente o acalmaria, e talvez lhe desse outra chance de provar que valia a pena mantê-la. Não conseguiria suportar retornar ao Mestre.

Quanto mais pensava nesse conceito, mais apavorada ficava. Sua respiração acelerou — algo que não conseguiu parar. O homem em cima dela suavemente amaldiçoou, e apalpou algo dentro de um de seus bolsos.

— Acalme-se. — ordenou, sua voz um pouco severa. — Está hiperventilando. Não vou te machucar.

Queria implorar a ele para não devolvê-la ao Mestre. Só não conseguia dizer as palavras. Seus dedos agarraram sua camisa, pronta para implorar que a mantivesse com ele, mas terror cego a agarrou, quando chegou tão perto da liberdade só para perdê-la. Um lamento baixo encheu o veículo, mas não conseguia parar.

Ele ergueu algo em sua boca e rasgou uma parte. Era uma seringa. A dor a fez gritar quando ele espetou uma agulha no braço dela. Isto foi rápido, enquanto ele puxava e jogava a seringa fora. Suas mãos suavemente a seguraram.

— Calma Bela. Está salva. Olhou fixamente em seus olhos. — Droga, ela está apavorada! — Gritou. — Acabei de sedar nossa Presente. Achem esse atirador!

Uma névoa nublou sua visão, quando a tontura atingiu-a. Tudo ficou preto.

 

O Presente

Bela saltou na cama, seus olhos arregalados, descobrindo a escuridão que a cercava. Acreditando que ainda estava presa, o pânico a atingiu. Ofegando, cheiros familiares encheram seu nariz, sugerindo que foi apenas um sonho.

Não, uma memória, corrigiu. Virou-se e cegamente foi em direção à mesa do lado da cama. As pontas dos dedos apalparam ao longo da madeira, até achar a base do abajur de metal. O brilho da luz artificial que encheu o quarto a ajudou a escapar do estado de sonho.

O pequeno apartamento que lhe foi atribuído dentro do dormitório das mulheres em Homeland era sua casa agora. Ela foi libertada e não era mais chamada de Lixo. Empurrou as cobertas, esticou as pernas e saiu da cama. Os pesadelos estavam ficando piores e todos os seus antigos medos retornaram.

Passeou pelo carpete enquanto batalhava com a forte emoção da vergonha. Nunca se recuperaria da humilhação que sentiu, em ter feito aquilo com o estranho que usou seu corpo para protegê-la, quando aquele atirador os emboscou. Shane realmente queria ser seu amigo, mas ela não entendeu os motivos. Percebeu o porquê de ele ter ficado horrorizado quando o afagou inadequadamente, agora que teve tempo de se ajustar a sua nova vida.

Era seu trabalho salvar Novas Espécies. Não estava se oferecendo para se tornar seu novo Mestre se concordasse em fazer sexo sem lutar com ele. Apenas não queria que o atacasse e o forçasse a contê-la. Gemeu, achando que ele deveria ter pensado que era patética ou louca. Talvez um pouco de ambos.

Um som fraco alcançou seus ouvidos, e ela caminhou para mais perto da parede em comum com o apartamento ao lado. Sua orelha apertou contra o gesso frio para escutar, enquanto Kit e um homem compartilhavam sexo. Os sons de suas respirações pesadas, grunhidos e corpos golpeando sempre penetravam as paredes quando uma das mulheres trazia alguém para casa, em ambos os lados do seu apartamento. Isto a fazia ansiar por qualquer conexão que tinham.

Kit gritou, o homem rosnou mais alto, e sua respiração abrandou.

— Isso foi muito bom. — Kit riu. — Obrigada, Book.

— O prazer foi meu. — ele falou. — Quer que eu vá ou fique?

— Vá. — Kit respondeu.

— Tem certeza? — Ele não soou feliz. — Gostaria de te abraçar.

— De jeito nenhum. Você não é um macho que eu queira me apegar. É apenas sexo.

— Está bem. — Seu tom ficou mais áspero. — Da próxima vez podemos usar a cama.

— Não. — Kit mudou de lugar. — Pois eu ficaria por muito mais tempo do que deveria para lavar seu cheiro do meu corpo, e do ar do quarto. Teria que lavar a roupa.

— Você é fria. — Raiva transformou a voz dele para um pequeno grunhido. — Vou cair fora daqui. Boa sorte com o próximo macho que pedir para compartilhar sexo. Pobre bastardo. Uma porta abriu e fechou com força dentro de um minuto.

Bela ergueu a cabeça, escutando as passadas pesadas se moverem por sua porta, no corredor. O som da água corrente veio do apartamento de Kit. Tristeza tomou conta de Bela. Se um homem quisesse ficar com ela permitiria que dormisse em sua cama, e apreciaria seu cheiro em seus lençóis. Não o expulsaria assim que o sexo terminasse. Claro que significaria ter um homem dentro de sua casa, mas os homens Espécies a evitavam. Recusavam-se até mesmo a encontrar o olhar dela, e mantinham uma longa distância.

Fêmea Presente. Aquelas duas palavras asseguravam seu destino singular. Suspirou e caminhou para a cozinha, sabendo que o sono não retornaria. Era lei que todos os homens evitassem assustar uma Fêmea Presente. Era sabido que foram abusadas, provavelmente temiam sexo, e a evitavam.

Ela abriu a geladeira para pegar um refrigerante, mas uma risada masculina profunda assustou-a. Sua cabeça virou naquela direção, e percebeu que vinha de seu outro vizinho. O vento soprou sua cortina próxima a pia, onde tinha deixado a janela bem aberta. Chegou mais perto e olhou a noite pela janela.

Rusty e um homem estavam na sacada do apartamento ao lado. Estava perto o suficiente para que ouvisse suas palavras enquanto falavam. Bela, depressa, recuou temerosa que a descobrissem espionando. Parecia que quase toda mulher no dormitório tinha um visitante. Ela estava sempre sozinha.

Virou-se e apressou-se para a porta da frente, desesperada para escapar. Não era justo e isto machucava, as mulheres Espécies que viviam de ambos os lados dela, não tinham nenhuma ideia do quão sortudas eram em não saber o profundo desejo que sofria. Kit acabou de expulsar um homem farta dele. Rusty provavelmente faria o mesmo depois de compartilhar sexo com quem estava rindo.

Bela ultrapassou o elevador correndo para os degraus, e usou o corredor para sair pelas portas laterais do edifício, evitando as principais áreas habitadas. A última coisa que queria era se chocar com alguém. Irrompeu do outro lado e pausou, enquanto a porta se fechava atrás dela. O céu estava cheio de nuvens, bloqueando as estrelas e a lua. Sentia que uma tempestade se preparava.

Parte dela sabia que precisava retornar ao seu apartamento. O ar parecia pesado e o vento um pouco frio em seus braços e pernas nuas. Olhou até perceber que nem se vestiu. A camisola branca solta caia apenas acima de seus joelhos, e seus pés nus descansavam no chão frio. Girou e tentou abrir a porta, mas descobriu que estava trancada.

— Droga.

Teria que ir pela frente do dormitório para entrar. Fugiu sem seu crachá e outra pessoa teria que deixá-la entrar. Isso significava que teria que explicar o porquê de estar do lado de fora, tarde da noite e vestida com tão pouco. Provavelmente deixaria as mulheres preocupadas sobre seu estado mental. Hesitou.

Uma grossa gota de chuva caiu sobre seu ombro nu, e ela levantou o braço para ajustar a fina alça de sua camisola. Outra gota molhou seu nariz. Raios relampejavam no céu, iluminando a área com uma linha violenta de brilho intenso. Contou até quatro antes do estrondo de outro trovão.

Prometeram-lhe que a vida seria melhor depois de ser libertada, mas as coisas eram apenas diferentes. As correntes que a escravizaram não existiam mais, mas ainda estava sozinha. As memórias de ser trancada dentro do porão vieram à tona. Uma vez sonhou em ter deixado essa vida para ver o mundo lá fora, mas não estava vivendo naquele mundo. Os fatos não podiam ser negados enquanto abraçava o peito, ponderando sua realidade. Era quase mais cruel ver o que nunca podia ter. Pelo menos no passado não sabia o que podia ser possível.

Um raio riscou o céu novamente, ela girou com as mãos em punhos e correu. Suas pernas se moviam rápido, enquanto corria pela calçada em direção ao parque. Ela precisava se sentir viva. A chuva caía mais rápido, encharcando seus cabelos e a camisola, e o trovão retumbou mais alto. O coração acelerou e quase riu. Estava correndo livre e ninguém podia tirar isso dela. Hoje à noite podia ir aonde quisesse, quando quisesse, e isso tinha de ser suficiente.

Ela deixou a calçada e seus pés afundaram na grama suave e encharcada. Evitou as árvores, sua vista se ajustando a escuridão, apenas quebrada pelos raios. Era perigoso estar do lado de fora em uma tempestade, mas deu boas-vindas a sensação da chuva em seu rosto.

 

Shadow estacionou o carrinho de golfe, e suavemente rosnou de frustração, enquanto arrastava-se para o centro do assento para evitar ficar molhado quando o céu desabou. Estava de folga e esperava conseguir chegar ao dormitório antes da tempestade. Não teve sucesso. Podia continuar dirigindo e estar encharcado quando chegasse em casa, ou podia esperar pacientemente o aguaceiro cessar.

Um movimento pelo canto dos olhos o fez virar a cabeça. O clarão de um raio o cegou, mas iluminou a área. Viu algo. O trovão retumbou. Piscou. Sua mente tentando fazer sentido com o que acabou de testemunhar. Isto não poderia ser o que parecia. Seus olhos tinham de estar pregando peças, caso contrário tinha acabado de ver uma fêmea em um vestido branco, correndo pelo atalho em direção à lagoa.

Um raio relampejou novamente e pegou outro vislumbre dela. A visão de pernas pálidas, longos cabelos escuros voando atrás dela e aquele vestido branco era real. Havia uma intrusa em Homeland. Lançou-se diretamente do carro para a chuva. A chuva pesada imediatamente o encharcou.

Suas botas afundaram na grama molhada quando saiu da calçada, e um rosnado escapou dele, seus instintos imediatamente ficaram acesos. Cace. Ache. Capture. Seus passos largos devoravam o chão enquanto a procurava. Precisava achar a humana depressa e forçá-la a dizer-lhe o que fez de errado para correr tão rápido. Ela tinha colocado uma bomba que detonaria logo? O conceito o motivou a aumentar sua velocidade.

Estreitou os olhos e avistou uma mancha branca na frente dele. Ela estava definitivamente fugindo em direção ao parque. Era um lugar grande o suficiente para um helicóptero aterrissar se alcançasse a área próxima à lagoa. Olhou para cima por um segundo para examinar o céu, mas a chuva o cegou. Enxugou o rosto com o braço enquanto rosnava novamente. Alguém a ajudou a entrar em Homeland para fazer o estrago, mas não escaparia. Ele a pegaria antes que chegasse ao ponto de origem e a faria dizer o que fez.

Esquivou-se pela esquerda atravessando o bosque denso, evitado bater nas árvores e atravessou o campo aberto e relvado onde praticavam esportes. Um raio relampejou e a viu sair mais ou menos a uns seis metros adiante. Estava de costas para ele e o trovão escondeu seus sons de ultraje enquanto fechava a distância. Mais detalhes ficaram aparentes. Não era uma grande fêmea e tinha se livrado da maior parte de sua roupa, talvez para ficar mais fácil fugir na chuva.

Ele mergulhou e a agarrou. A sensação da cintura pequena em suas mãos imediatamente o fez reagir. Torceu-se no ar antes que suas costas batessem com força no chão. O corpo dela caiu sobre o dele, impulsionando-o a deslizar ao longo da grama escorregadia. No segundo que a derrapagem terminou, ele rolou, prendendo-a debaixo de seu corpo. Foi cuidadoso para não esmagá-la. Seus cotovelos afundaram na terra encharcada, apoiando seu peito para ter certeza de que ela pudesse respirar. Puxou os pulsos dela para cima e a segurou com as mãos.

— Quem é você? E o que fez? — Sua voz saiu mais animalesca do que pretendia, mas não pode evitar. Seu coração martelava pela adrenalina que pulsava em suas veias, e o desejo de rosnar novamente era forte. — Diga-me, fêmea.

Ele não conseguiu distinguir seu rosto. Não havia nenhuma luz naquela seção do parque. Ela ofegava fortemente, assegurando-o de que podia respirar e falar se desejasse.

— Diga-me. — exigiu novamente, rosnando agora. Ele estava enfurecido. A vida de seu povo podia estar em jogo.

Um raio faiscou acima deles e iluminou o chão. Os olhos escuros dela estavam arregalados com medo, enquanto encarava-os fixamente. A luz manteve-se apenas por um piscar de olhos, mas deu uma olhada em seu rosto. A surpresa o fez praguejar.

— Merda. — O choque o paralisou por um momento, antes que apressadamente aliviasse seu aperto dos pulsos dela. Eles eram pequenos e delicados em suas mãos. A culpa o encheu imediatamente, enquanto tentava erguer seu peso dela.

Ela não disse nada e esperou que não a tivesse ferido. A chuva batia em suas costas com mais força, e a tempestade se intensificava. Hesitou em rolar de cima dela completamente. Ela estaria à mercê da tempestade. Apenas ele era seu abrigo no momento.

— Você está machucada? — Forçou seu tom a abaixar para um nível mais tranquilo. — Pensei que fosse humana. Uma intrusa.

— Não estou machucada. — respondeu suavemente.

— Sinto tanto. — Ficou horrorizado de saber que tinha acabado de atacar uma Fêmea Presente. Ele não a conhecia, mas suas características não podiam ser negadas. Imaginou que fosse primata pela forma arredondada de seus olhos, e seu delicado narizinho. Isto o deixou ainda pior. As fêmeas primatas eram ainda mais frágeis que as caninas ou felinas. — Você está a salvo. Não a machucarei.

Virou a cabeça freneticamente procurando por ajuda. Precisava de uma oficial Espécie no local para lidar com a Presente, mas o parque estava vazio. Ninguém estaria correndo na tempestade. Eram apenas eles, e tinha que consertar a bagunça ele mesmo. Queria praguejar novamente, mas se conteve.

— Sou Shadow. — Sussurrou, esperando que a fizesse se sentir menos ameaçada. — Juro que está segura. Eu me moveria, entretanto você ficaria na chuva. Está realmente forte. Estou esmagando-a?

— Não.

Ela não moveu seus braços quando os largou, e ajustou seu peito um pouco mais alto acima dela para certificar-se de que estava protegida do tempo. Precisava apenas impedi-la de entrar em pânico até a chuva diminuir o suficiente para movê-la. Seu carro e o rádio não estavam muito longe. Teria que pedir assistência emergencial.

Fury e Justice iriam acabar com ele. Inferno, todos os machos iriam. Ele caçou uma Fêmea Presente. Não apenas isso, agarrou-a como se fosse um cervo. Pelo menos estava agradecido que reconheceu que era uma fêmea pequena, e certificou-se de fazer seu melhor para receber o impacto do choque com o chão quando a agarrou.

— Sou Bela.

As palavras sussurradas da fêmea o fizeram olhar para ela. Ele mal conseguia distinguir a forma de seu rosto na escuridão.

— O que estava fazendo aqui, Bela? Algo a assustou? — Tentou compreender por que corria com pouca roupa. Um pensamento ruim o atingiu e lançou um olhar perscrutador ao redor deles. —Alguém estava perseguindo você? — Sua voz intensificou com apenas o pensamento de alguém tentando machucá-la. Seus instintos protetores vieram completamente à tona.

— Não. Queria apenas me sentir viva.

A resposta o surpreendeu e chamou toda a sua atenção para ela novamente. Desejou que pudesse ver seu rosto. Um trovão agitou o chão debaixo deles. A tempestade parecia estar chegando mais perto. Sabia que assim seria mais seguro movê-la apesar do aguaceiro. Estavam ao ar livre. Relâmpagos brilhantes iluminavam acima deles, e ele levantou a cabeça para vê-los. Estava muito perto. O trovão veio em seguida, quase imediatamente.

— Estou movendo-a. Apenas permaneça calma. Tem minha palavra como um oficial Espécie que nunca a machucaria, Bela. Sei que deve estar apavorada, mas não há razão. Não sou um humano.

Odiou expô-la a chuva, mas não viu nenhuma outra escolha. Levantou-se depressa ajoelhando, as mãos deslizaram pela grama lisa debaixo dos braços dela, para agarrar suas costelas e suavemente erguê-la. Ela não pesava muito quando se levantou segurando-a firmemente contra seu corpo. Debruçou-se e dobrou a cabeça para manter a chuva afastada dela tanto quanto possível. Virou e apressou-se em direção ao carro. As pernas dela roçaram nas dele.

— Não estou com medo.

Ele ouviu suas palavras e respirou mais facilmente.

— Bom. Você é muito corajosa. — As Fêmeas Presente tinham horror a todos os machos, depois de serem abusadas por humanos.

Passou os braços ao redor do pescoço dele, e um segundo mais tarde as pernas dela ergueram-se para se envolverem ao redor de sua cintura. Deixou mais fácil que a levasse, e apreciou que confiasse nele o suficiente para se agarrar a ele. Aumentou o ritmo e chegou até as árvores espessas. Tinham acabado de adentrá-las quando um barulho soou alto, colocando-o completamente em alerta. Pausou antes de virar em uma nova direção e correr para a segurança.

— Espere. Isto é granizo.

Ele evadiu os troncos das árvores e os clarões dos raios mostraram-lhe o caminho, enquanto ia para o prédio de equipamentos de esportes. Mal parou antes de erguer a perna e lançar sua bota na porta. A fechadura abriu facilmente com o poder de seu chute. Entrou na mesma hora que os pedaços de gelo bombardearam o telhado. Soltou sua cintura com um dos braços, para cegamente procurar pela porta e fechá-la.

Estava barulhento dentro do pequeno edifício — mais para uma cabana — enquanto o exterior era martelado pelo granizo. Sua mão explorou a parede até que achou o interruptor. A lâmpada no teto não era muito brilhante, mas estava agradecido por isto enquanto olhava ao redor do espaço limitado.

— Estamos seguros aqui. Inclinou-se para trás o suficiente para ver seu rosto, procurando por danos.

Os grandes olhos estavam mais curiosos do que com medo, enquanto o estudava tão atentamente quanto ele a estudava. A cor deles era um suave marrom e tinha cílios muito longos e escuros. Todas as suas características eram delicadas e o assegurou uma vez mais que era Espécie primata.

— Você está bem?

— Sim.

Ele olhou para frente da sua camisola fina e esqueceu como respirar. O tecido estava molhado, grudado nela como se fosse uma segunda pele, e transparente o suficiente para que visse exatamente como ela era nua. As pontas escuras e tensas de seus mamilos estavam claramente visíveis. Eram tentações bonitas que imediatamente quis tocar e explorar.

Mal. Muito mal, puniu a si mesmo, virando o olhar para outro lugar, exceto nela. Odiou como seu corpo reagiu muito facilmente com a visão de seus seios. Seu pau encheu de sangue e teve de engolir, já que estava quase salivando por sugar um deles em sua boca para prová-lo.

Permitiu que seus instintos assumissem o comando enquanto a perseguia, e ainda estavam muito perto da superfície para que pudesse facilmente recuperar o controle de suas respostas. Freneticamente procurou por um lugar seguro para colocá-la no chão, e sua atenção se prendeu no grande banco-baú alojando o equipamento de beisebol. Ele avançou e a abaixou.

— Sente-se.

Os braços e as pernas dela o largaram, e ele a soltou no segundo que soube que não cairia. Shadow girou, procurando por um rádio de emergência, mas não achou nenhum. Olhou fixamente para a porta. O barulho da tempestade intensificou e o vento batia nas paredes.

— Você está bem?

Sua voz era tão suave que mal se ouvia. Não. Seu pau estava duro e não podia arriscar que notasse. Ela provavelmente gritaria, temendo que a atacasse.

— Estou bem. — Mentiu, mantendo-se de costas para ela. — Vou lá fora e tentar pedir ajuda pelo rádio.

— Você não pode. — Sua voz ficou mais alta, menos tímida. — Isso parece perigoso.

Ele girou a cabeça tentando explicar o porquê que precisava partir. Inocência olhava fixamente de volta para ele, quando encontrou seu olhar.

— Meu carro não está muito longe daqui. Preciso contatar a Segurança e informá-los do que aconteceu. Precisamos de uma oficial em cena.

— Por quê?

Ele hesitou.

— Você é uma Presente.

Ela piscou e sua boca fechou como se não entendesse.

— É procedimento chamar outra fêmea para cuidar de você. — ele explicou.

— Estou bem.

Seus braços se ergueram para abraçar o peito e esconder os mamilos, mas os montes ainda eram numa visão tentadora. Seus pulsos eram muito pequenos para cobrir muito. Shadow experimentou culpa em notar aquele fato, e ergueu o olhar para seu rosto. Ela era uma fêmea bonita com características pálidas. Alguns fios de seu cabelo estavam presos em sua bochecha.

— Você está molhada e não é tão forte quanto outra Espécie. Você precisa de cuidados médicos.

— Não posso negar a parte de estar molhada. Agarrou um punhado de cabelo gotejando que caia em sua cintura, e depois olhou para ele. Um sorrisinho apareceu. — É uma boa coisa eu não ser parte rato.

Shadow olhou fixamente para ela, surpreso que estivesse tão calma. Quase pareceu divertida pela situação.

— Sabe, como “rato afogado”? Foi uma piada. Embora tenha ouvido que macacos não podiam nadar. Pergunto-me se isso é verdade. Nunca tentei antes.

Isto não estava indo como imaginou. Pensou que ela estaria gritando, talvez explodindo em lágrimas, mas apenas jogou seu cabelo para olhar em torno do quarto apertado.

— O que é este lugar?

— Armazenamos equipamento de esporte aqui.

— Oh. Eles são divertidos de jogar? Não tenho permissão. Eu os assisti e parece agradável.

— Depende do esporte. — Quase se virou, mas lembrou do por que se mantinha de costas para ela. Seu pau recusava-se a concordar com seu cérebro que estava ordenando para não ficar interessado na Fêmea Presente.

Um calafrio percorreu o pequeno corpo e Shadow suavemente rosnou. Ela olhou para ele e arregalou os olhos. Um indício de medo finalmente apareceu em seus olhos.

— Desculpe. — ele falou. — Não estou bravo ou qualquer coisa. Só odeio que esteja com frio. Preciso conseguir ajuda para você. — Ele agarrou a porta.

— Pare!

Sua mão pairou em cima da maçaneta enquanto olhava para trás. Ela estava parada. A camisola branca abraçava todas as curvas de seu corpo, e o deixou ciente de que não era semelhante às fêmeas Espécies que estava acostumado. Seus quadris eram mais cheios, sua barriga mais suave e era pequena. Achou que não deveria ter mais do que um metro e meio. Uma coisa era certa, não estava vestindo roupa íntima. Seu olhar pausou no material fino grudado em sua cintura, antes dele olhar fixamente para o chão.

— Por favor, não arrisque sua vida saindo nessa tempestade. Apenas espere passar. Isso é minha culpa. Não devia ter deixado o dormitório, mas não estava pensando racionalmente no momento. Nunca me perdoaria se algo acontecesse com você.

— Ficarei bem. — Seu peito inchou um pouco, o orgulho ferido. — Sou mais durão do que um pequeno granizo.

— Não duvido disso. Parece feroz em seu uniforme e é muito grande.

Ele olhou para o rosto dela, preocupado que pudesse ter medo se notasse essas coisas. Nenhum medo apareceu em seu olhar enquanto examinavam um ao outro. Não estava certo do que fazer.

— Por favor, não vá. — Ela chegou mais perto. — Seria tão ruim esperar a tempestade passar comigo?

Ele conteve um gemido.

— Você é uma Presente e precisa da ajuda de outra fêmea.

O queixo dela ergueu e raiva relampejou em seus olhos.

— Conheço as regras, mas não tenho medo de você. É uma grande burrice sair daqui para conseguir ajuda quando não preciso.

— Sou um macho.

— Estou vendo isto.

Ele tentou uma nova linha de raciocínio.

— Não devia estar sozinha com um.

Seus braços abraçaram o peito novamente.

— Você vai me machucar?

— Nunca.

— Exatamente o que quero dizer. — Ela olhou ao redor. — Precisamos ficar aquecidos primeiro. Leio muito e é isso o que os livros dizem. Devíamos tirar nossas roupas molhadas e achar algo seco para vestir.

A boca dele escancarou.

— O que?

Ela olhou fixamente para algo acima da cabeça dele à esquerda e apontou.

— O que é aquilo lá em cima?

Ele seguiu a direção de seu dedo.

— São bandeiras.

Bela se preocupou que o grande homem fugisse. Ele parecia pronto para isso enquanto encarava a porta mais uma vez. Shadow era realmente alto e seu cabelo muito curto. Era esquisito ver um Espécie com o corte tão rente à cabeça. Seus olhos azuis eram verdadeiramente bonitos e estava certa de que era canino pelo modo como rosnou e grunhiu.

— Bandeiras?

Ele suspirou ruidosamente e virou-se parcialmente em sua direção, olhando para ela calmamente.

— Bandeiras. Nós temos times e alguém achou que seria legal pô-las nos bancos quando jogamos.

— Você pode me dar uma?

Lentamente alcançou o material dobrado e o puxou. Ela chegou mais perto. Ele erguia-se sobre ela quase meio metro. Sua cabeça nem alcançava os ombros largos. Shadow foi cuidadoso em não tocá-la quando entregou. O material macio e sedoso estava seco e era mais grosso do que esperava. Ela o desdobrou para olhar o tecido branco com a cabeça laranja de um leão impressa no centro.

— Parece como se fosse feito de chamas. É bonito.

— Eu acho. Ele mudou de posição. — A outra tem o rosto de um lobo. Ou um cachorro. Não estou certo qual era a intenção.

— Existe uma terceira para os primatas?

— Não. Apenas as duas. Não sei por que, mas provavelmente deveria existir uma. — Ele pareceu desconfortável.

— Estas são grandes. O que você acha? Talvez um metro e meio por cinquenta centímetros?

— Não estou certo.

— Nós devíamos vesti-las.

Sua boca fechou em uma linha apertada.

— Não.

— Você poderia amarrá-la ao redor da sua cintura como se fosse uma toalha, e esta aqui caberá em mim se enrolá-la ao redor do meu corpo como um vestido.

— Não. — Sua voz aprofundou. — Irei dizer sua localização pelo rádio para a Segurança e enviarão uma oficial.

O vento ainda batia dos lados do pequeno prédio, mas o granizo parou.

— A chuva ainda está muito forte. Não devia ir lá fora.

— Eu devo. — Agarrou a maçaneta.

— Não! — Odiou o modo como quase suplicou para ele, mas a verdade era que não queria que partisse. Nunca esteve sozinha com um homem Espécie antes, mas ele não a assustava. Curiosidade levou a vantagem e só queria passar algum tempo com ele. — Por favor?

Sua cabeça virou ao redor e seus olhos estreitaram.

— Você tem medo de ser deixada sozinha? — Sua expressão suavizou. — Vou avisar pelo radio e retornarei imediatamente.

A culpa devorava Bela enquanto mentia. Era errado fazer isso, mas não queria que se fosse ainda.

— Ficaria apavorada. Fique comigo.

Ele fechou a porta.

— Este edifício é bem construído e é seguro.

— Não me deixe.

Ele cedeu.

— Ficarei.

— Obrigada. — Ela percebeu que sobreviveria a culpa e a decepção. — Colocarei isso e você pode pegar a outra. Ficaremos secos para esperar a tempestade passar.

— Estou bem. — Ele olhou para longe. — Troque de roupa. Você está com frio.

Afastou-se dele e soltou a bandeira na caixa onde estava sentada. A camisola grudava em seu corpo enquanto a tirava por cima da cabeça. Um frio transpassou por ela enquanto o ar tocava sua pele nua. Estava frio. Espremeu o cabelo o quanto pôde antes de pegar a bandeira. Não era muita proteção contra a temperatura fria, mas estava seca enquanto a prendia ao redor de seu corpo. Aquilo a cobriu apenas da altura dos seios até os joelhos.

— Estou decente. — Sua atenção focada nele. — Fecharei meus olhos. Precisa realmente remover essas roupas molhadas. Por favor? Sei que é durão, mas me preocuparei.

Ele virou a cabeça para olhar fixamente para ela.

— Não é uma boa ideia.

— Por que não?

Seu peito expandiu enquanto dava algumas respirações profundas.

— Deixa pra lá.

Diversão faiscou. Ela não era estúpida.

— Acha que ficarei apavorada se ficar parcialmente despido comigo? Não ficarei. Você é Espécie.

O cintilar em seus olhos se tornou quase severo.

— Sou macho.

Ele lentamente abaixou seu olhar pelo corpo dela. O interesse acelerou as batidas do coração de Bela. Ele não precisava dizer mais. Ouviu que homens eram sempre ávidos para compartilhar sexo com uma mulher. A ideia dele tocá-la não a deixou em pânico. Os sons que suas vizinhas faziam quando tinham companhia, quase asseguravam que sexo consensual não era uma coisa ruim.

— Por favor, tire suas roupas molhadas e vista a bandeira? — Propositalmente ficou de costas para dar-lhe privacidade, do jeito que fez com ela.

Um grunhido suave foi a resposta, mas sua roupa farfalhou. Estava tirando-a. Bela abraçou sua cintura para manter o material sedoso no lugar e sorriu para a parede. Ele não estava indo embora, e ficariam apenas os dois juntos até a tempestade passar. Finalmente conheceria um homem.

 

— Estou coberto.

Bela resistiu a rir do tom áspero de Shadow. Virou-se para encontrá-lo ainda de costas para ela, mas tinha removido suas botas, calça, camisa e colete. Estavam dispostas ordenadamente em frente à porta. A bandeira azul amarrada ao redor da cintura mostrava uma parte da cabeça de lobo cobrindo sua coxa, no lado oposto de onde amarrou o material em seu quadril para mantê-lo no lugar.

— Realmente gosto dos padrões da chama.

— Você está mais aquecida?

— Não. — Isso não era uma mentira. — Está tão frio.

— O que você estava fazendo lá fora na tempestade? — Ele olhou ao redor do quarto, parecendo estudar tudo menos ela. — Poderia ter se machucado.

— Tive um pesadelo e só quis um pouco de ar fresco.

Seu olhar azul fixou-se nela imediatamente.

— No meio de uma tempestade?

— Pareceu a coisa certa a fazer no momento. Não foi inteligente, não é?

Seus lábios apertaram e olhou para a longa caixa em que ela estava sentada. Deu um passo hesitante chegando mais perto, mas pausou.

— Está tremendo. Não fique alarmada. Posso me sentar e você pode se encostar em mim. Provavelmente tenho mais calor corporal do que você.

A ideia de chegar perto dele não a alarmou, mas ao invés disso era um pouco excitante.

— Certo.

Ele moveu-se devagar, como se temesse que ela corresse, até que avançou e se sentou no centro da caixa. A bandeira cobria seu colo e o topo de uma coxa, a outra abertura lateral corria até o laço no quadril. Seu olhar preso no dela.

— Não há nenhuma razão para me temer.

— Você pode usar meu nome. É Bela.

— Eu lembro. — Seu corpo parecia duro e musculoso — inflexível — quando os braços se separavam como se para expor todo o peito à sua visão. — Permita-me te aquecer. Não farei mais do que me sentar aqui. Aconchegue-se a mim. Não a tocarei.

Não estava certa do que fazer, mas indecisamente se aproximou. Ele era tão grande e sua pele bronzeada a hipnotizava. As pernas se fecharam até que suas coxas ficaram juntas e ele quebrou o contato visual.

— Sente-se de lado em meu colo e se incline contra mim.

Posso fazer isto. Sentou-se nele do jeito que disse, e olhou para seu rosto. Ele fechou os olhos e evitou olhá-la novamente. O calor vazou pelas bandeiras em segundos e ela arrastou seu cabelo molhado sobre o outro ombro, para evitar que esfregasse no peito em que se debruçava. Ele era sólido e firme. Sua mão abriu e tremia enquanto apertava contra os abdominais de sua barriga.

Ele ofegou, mas não abriu os olhos enquanto ela sentia o feixe de músculos debaixo de sua palma.

— Você é muito quente.

— Bom. — A voz de Shadow saiu excepcionalmente profunda. — Seu pesadelo foi sobre o que? Devíamos passar o tempo conversando. Está segura em Homeland. Não há nada a temer.

Bela ficou mais valente e se ajustou um pouco em seu colo. Era confortável sentar-se nele, e descansou sua bochecha fria contra o peito com mais firmeza. O cheiro encheu o nariz dela à medida que respirava fundo. Era um agradável perfume masculino, misturado com um toque de tempestade.

— Era, na verdade, uma memória de algo real que aconteceu. Queria que fosse apenas parte da minha imaginação.

Achou que ele ficou tenso, mas o movimento foi tão suave que não teve certeza se apenas ajustou-se, ou se foi uma reação as suas palavras. Ele respirou e seu peito esfregou um pouco mais contra ela. Gostou de senti-lo e relaxou contra seu corpo.

— Você quer conversar sobre isto? Todos nós temos coisas que aconteceram conosco que nos seguem em nossos sonhos.

— Fiz algo mal quando fui salva.

— Não acreditou que estavam realmente lá para libertá-la? É um engano que muitos de nós cometemos. Não é culpa sua. Quem pensou que poderíamos confiar em humanos?

— Foi um homem. — admitiu. — Pediu-me para ser legal com ele. Temia que o atacasse e eu… — Sua voz sumiu. Tinha vergonha de admitir o que fez.

Uma das mãos timidamente afagou suas costas duas vezes antes de parar. O toque foi tão suave que quase não sentiu.

— É compreensível se tentou machucá-lo.

— Fiz pior.

— Humanos nos prejudicaram. Não é sua culpa, Bela.

Seu coração fez coisas engraçadas, quando ouviu o jeito rouco como disse seu nome. Escutou a batida de seu coração. Era alto e forte em sua orelha. Estável. Era suave e agradável.

— Pensei que… — Mordeu o lábio. — Nem quero dizer isso.

— Que ele a machucaria? Foi isso que os humanos fizeram conosco.

Ela se afastou dele um pouco para olhar em seu rosto. Seu queixo abaixou e ele olhou de volta para ela. Compaixão e aceitação os suavizavam e a encorajaram a falar. Queria confessar a Shadow por alguma razão.

— Eu pertencia a um homem muito velho, seu cabelo era branco e sua pele era enrugada. Ele gritava comigo às vezes quando era criança, e não sabia por que parecia tão bravo. Não até que cresci e as coisas ficaram piores. Ele estava esperando até que ficasse adulta para conseguir o que queria de mim.

De repente Shadow rosnou e sua expressão facial mudou. Um clarão de medo atravessou-a, e seus instintos a fizeram querer fugir. Ele deve ter sentido isto, porque seus braços a envolveram suavemente.

— Calma. — ele ordenou suavemente. — Nunca a machucaria. Não é de você que sinto raiva. Ouvi as histórias do que faziam com as Fêmeas Presente. Não há necessidade de reviver o trauma que sofreu.

— Preciso conversar sobre isto. — Queria conhecer Shadow e ouvir sua história. Esperava que compartilhando a sua o fizesse se abrir. — Ele nunca me machucou fisicamente enquanto eu estava crescendo. Ouvi algumas das histórias também. Não me molestou quando era criança.

Um pouco da raiva se dissipou de suas características.

— Estou contente por ouvir isto.

— Ele esperou que eu amadurecesse.

O peito debaixo de sua mão vibrou, meio segundo antes de um grunhido ser abafado atrás de seus lábios fechados. Entendeu que não era dirigido a ela. Seu olhar deixou o dele para focar em seu peito. Era mais fácil conversar enquanto não olhava em seus olhos.

— Ele não era fisicamente muito abusivo, era mais mental. Não gostava quando ele me tocava, mas ouvi histórias piores. Até nem durava muito.

— Pare. — Shadow sussurrou. — Por favor!

Ela olhou no rosto dele e surpreendeu-se por ver lágrimas em seus olhos. Ele sentia por ela e isso a chocou, que um estranho sentisse tal emoção por algo que aconteceu em seu passado.

— Ele tinha câncer. É uma doença que o deixou fraco e doente.

— Espero que tenha morrido dolorosamente. — A mandíbula de Shadow cerrou.

— Ele sobreviveu, mas não podia mais me tocar. O deixou em uma cadeira de rodas e incapaz de me machucar.

— Bom. — Ele rosnou.

Ela assentiu e se aconchegou de volta contra ele, fechando os olhos. A batida do coração dele aumentou, martelando dentro do tórax.

— Os guardas nunca ousaram me tocar. Diziam coisas. Sabia o que queriam de mim. Ofereciam-me mais comida e me tratavam melhor se fizesse coisas para eles e com eles.

Os braços ao redor dela apertaram o suficiente para que se sentisse segura em seu aperto. — Nós fizemos o que devíamos para sobreviver.

— Nunca fiz isto. — Tremendo, lembrando como a insultavam comendo na frente dela, e dizendo coisas rudes. — Nunca fui legal com eles. Eles me assustavam, mas sabia que se dissesse ao Mestre, os demitiria. Ele deixou claro que nenhum deles tinha permissão para colocar suas mãos em mim. Questionava-me sempre sobre isso, e me fez prometer dizer se alguém tentasse entrar no porão, sem que mandasse que fossem para lá para me buscar para visitá-lo.

— Lembrou-se disso e teve um pesadelo.

Ela assentiu.

— Estava assustada quando fui salva. Não sabia disso na época, mas o Mestre ouviu que sua associação com as Indústrias Mercile foi descoberta e fugiu do país. Deve ter temido que descobrissem que me possuía. Deixou-me com aqueles homens. Eles estavam sempre me dizendo para ser boazinha com eles, pedindo para que fizesse coisas sexuais com eles. Tinham olhos cruéis e lidavam comigo de uma forma agressiva, quando me levavam a um novo local para me esconderem. Odiava o modo como me olhavam tomar banho. — Tremeu com a memória, lembrando-se do terror de que fosse atacada. — Frequentemente eu os deixava com raiva, assim eles me castigavam, não permitindo me limpar.

Os braços ao redor dela apertaram, e Shadow a abraçou contra seu corpo. Gostou do quão aquecida e segura sentia-se.

— Acho que o Mestre esperava que ninguém descobrisse que me possuía, e ameaçou os homens para me manterem viva, caso pudesse ter-me de volta. Pensei muito sobre isso. Ele deve ter ordenado para não me tocarem. Era a única coisa que podia tê-los mantidos afastados de apenas pegar o que queriam.

— Não o chame assim. Ninguém a possui.

— É o único nome que tenho para ele. Era uma regra.

— Não existe mais regra.

Ela assentiu.

— Não com ele.

— Você está livre e nunca mais vai voltar. Não há necessidade de ter pesadelos.

— O homem que ajudou a salvar-me, pediu para que fosse legal com ele. Pensei que quisesse que eu fizesse coisas com ele. — suavemente admitiu. — Era com isto que estava sonhando. Ele foi muito gentil e tive medo por tanto tempo. Eles me deixaram faminta e presa com correntes na escuridão. Diziam coisas que fariam comigo se o Mestre dissesse para me matar. Estavam planejando machucar-me primeiro. — A voz dela engasgou. — O homem que me salvou foi tão gentil. Achei que se fosse boa para ele, me manteria segura. Nunca cedi a alguém antes, mas cedi para ele. Pensei que se lhe permitisse ter meu corpo, ele me protegeria da minha antiga vida.

— Qual é o nome dele? — Shadow rosnou. — Um macho membro da força tarefa compartilhou sexo com você? Eu o matarei.

A cabeça dela se ergueu e o rosto dele demonstrava a raiva.

— Não. Ele parou-me imediatamente. É por isso que sinto vergonha e sonho com isto. Ele ficou horrorizado. Não entendi e o toquei errado. Nada aconteceu entre nós.

Ele se debruçou mais perto, olhando profundamente em seus olhos.

— É verdade? Pode me dizer qualquer coisa. Farei com que pague se ele se aproveitou de você.

— Ele não se aproveitou de mim. Essa é minha vergonha.

— Estava confusa e assustada. — Um de seus braços deslizou ao redor da cintura, e uma grande mão suavemente agarrou seu rosto. — Estava tentando sobreviver o melhor que podia. Não há nenhuma vergonha nisso. Tem certeza de que ele não se aproveitou de você? Tocou-a? Talvez pediu que o tocasse?

— Ele imediatamente me parou. Nunca esquecerei o olhar nos olhos dele. Estava horrorizado.

— Você contou isso às fêmeas?

— Não.

— Por que não?

Ela piscou de volta as lágrimas.

— Ele foi honesto comigo. Olhou-me de um modo que ninguém jamais olhou. Eu importava e era uma pessoa para ele. Teria que admitir para as mulheres que toquei a frente das calças dele.

Ele jurou que ninguém nunca me machucaria novamente, e eu queria isso. Estava disposto a morrer para me proteger. Estávamos sendo atacados por um atirador e usou seu corpo para me proteger.

Os olhos de Shadow suavizaram.

— Todo macho em Homeland daria sua vida para protegê-la. Essa é a verdade. Nunca terá que compartilhar sexo para estar segura. Você é importante e preciosa. Sabe disso agora?

— Sei.

— Bom. — Ele olhou para longe. — Foi um engano honesto, Bela. Não se atormente mais com os pesadelos. Sua mão soltou do rosto dela para retornar às pequenas costas onde esfregava.

Ela se aconchegou contra ele. Era morno e tão forte que realmente pareceu estar segura sendo abraçada por ele. A batida do coração diminuiu. Ele tinha mãos grandes, mas eram incrivelmente gentis e a suave caricia em suas costas eram bem-vindas.

— Conte-me sobre você. — ela encorajou.

A carícia parou.

— Fui criado na Mercile. Eles nos mantinham acorrentados dentro de salas e faziam experimentos em nós.

— Como foram libertados?

Seu corpo ficou tenso. Todos os seus músculos pareceram endurecer contra ela, antes que soltasse uma respiração e relaxasse novamente.

— Fui levado para um novo lugar onde fizeram outras coisas conosco. Não quero discutir isto. Não é uma boa história.

— Será que todos nós temos essas histórias em nosso passado?

Sua risada a surpreendeu.

— Não.

— Por favor, conte-me?

Shadow segurava a pequena fêmea em seus braços. Ela era delicada e ele tinha medo de assustá-la se fosse se mover muito rápido. Sua pele estava gelada antes, quando descansou sua bochecha contra ele, mas esquentou depressa. Estava contente por isso, apesar de ser uma tortura segurá-la muito perto, quando tinha que prender o pau duro entre suas coxas para escondê-lo.

— Os empregados da Mercile souberam que outras instalações foram invadidas pela polícia. Estavam sendo caçados e conseguiram nos drogar e nos mover para um novo local. Estavam desesperados por dinheiro, e éramos a única forma que tinham de conseguirem dinheiro suficiente para tentar fugir do país e evitar um processo. — Ele pausou, não querendo contar-lhe o resto.

— Como fizeram isso? Eles pediram um resgate por você para a ONE?

— Não. — Ele conseguiu conter a raiva que ainda sentia.

— Parece que há um grupo de humanos ricos que adorariam possuir um bebê Espécie. — A ideia o enfureceu e o enojava que alguma criança pudesse ser tratada como se fosse um animal de estimação. — Não é uma boa história.

A mão dela se moveu em seu peito, o acariciando suavemente, e odiou o modo como seu pau pulsou. Ela não tinha mãos de Espécies. Suas palmas e pontas dos dedos eram mais humanas que Espécie, a textura suave. Bela passou por muita coisa, e o fato de que confiava nele o suficiente para se sentar em seu colo, o deixou admirado por sua coragem.

— Por favor, conte-me? Eu compartilhei a minha com você.

Sim ela o fez. O pensamento do que fizeram com ela pareceu diminuir seu próprio trauma. Era tão pequena que não teria chance de se defender. Pelo menos as grandes fêmeas eram fortes, e atacavam seus captores sempre que possível. Estava aliviado que não foi molestada quando criança, mas o deixou bravo saber que foi machucada mesmo assim.

— Eles me drogaram. — Não podia recusar contar sua história. — As drogas de procriação.

— O que são?

Ela não veio da Mercile. Foi poupada dos testes, foi dada para um investidor — uma experiência mais pessoal e infernal pensou. As fêmeas Presente foram isoladas de todos os outros de sua espécie, e a maior parte delas foram assassinadas nas mãos de seus molestadores.

— A Mercile inventou uma droga que aumentava nossa vontade de fazer sexo quase perto da loucura. — O encheu de vergonha ter sido usado desse jeito. — Fizeram coisas conosco para forçar nosso sêmen a sair para ser vendido.

— Por que fariam isso?

— Eles queriam congelar e vender para outros humanos que acreditavam que podiam usar fêmeas humanas para carregarem nossos bebês dentro de seus úteros. Eles planejavam vender as crianças.

Bela se aconchegou mais contra ele.

— Sinto muito. Eles conseguiram fazer isso? Você tem algum bebê lá fora?

— Os doutores não acham que funcionou. Quero desesperadamente acreditar que isso é verdade. Tenho pesadelos sobre crianças impotentes nas mãos daqueles monstros. Minha prole. — Sua voz se aprofundou, mas tentou impedir-se de rosnar. — Eu os rastrearia e os salvaria nem que fosse a última coisa que fizesse, mesmo sabendo que morreria.

Ela continuou a acariciar seu peito, e ele gostou do conforto que tentou lhe dar.

— Os médicos são inteligentes. Estou certa que não diriam, a menos que acreditassem nisso. Conheço a Dra. Trisha e a Dra. Alli muito bem, e elas não mentiriam para nós.

— Eu sei. Confio nelas também. Nosso esperma morre depressa, e disseram que não teria sobrevivido ao processo de congelamento que usaram para transportá-lo para outro país. Lá é onde os compradores estavam localizados.

— Você devia parar de se preocupar sobre isso então.

Odiou fazer isso, mas se mexeu um pouco. Sua bunda estava começando a doer de ficar sentado por muito tempo no mesmo lugar sobre a madeira dura debaixo dele. Bela não pareceu se importar ou não notou, já que não protestou de forma alguma.

— A tempestade está passando. Devia pedir ajuda.

— Ainda está chovendo. — Ela se afastou dele o suficiente para olhar fixamente em seus olhos. Ele os adorava. Eram de um marrom suave, e tão amáveis que o espantou que pudesse confiar em alguém depois do que fizeram com ela.

— Fique comigo. Por favor?

Também não queria deixá-la.

— Ficarei mais um pouco, mas devo chamar uma oficial. Você precisa ser levada ao dormitório das mulheres.

Ela sorriu.

— Isso não é engraçado?

— O que?

— Que usemos esses termos. Você sabe o que foi mais difícil para eu aprender desde que vim para cá?

— O que? — Estava curioso e gostava quando ela parecia divertida.

— Fui criada ao redor de vários humanos e nunca usaram os termos fêmea ou macho. Tive que tentar aprender a usar essas palavras. E há toda essa coisa de “humano”. Eram apenas pessoas para mim. Por que é dormitório das fêmeas em vez de dormitório das mulheres?

Ele não conseguiu evitar de apenas sorrir de volta.

— Não sei ao certo. Acho que é como o edifício foi chamado quando fomos trazidos para cá e pegou.

— Por que Espécies são chamadas de fêmeas ou macho em vez de mulheres ou homens?

— A Mercile se referia a nós somente assim. Eles eram os homens e nós éramos inferiores. Apenas machos.

Odiou ver o humor enfraquecer enquanto a tristeza invadiu seu olhar.

— Oh. Sei como é ser tratado como inferior. — O queixo dela se ergueu. — Os guardas me deram nomes feios.

Ele nem quis saber do que ela era chamada. O irritaria.

— Gosto do nome que ganhou.

— A equipe de salvamento escolheu esse para mim e o mantive.

— Combina com você.

Ela sorriu novamente.

— Você acha que sou atraente?

Bela o deixou sem fôlego, e prendeu a respiração até que forçou seus pulmões a funcionar novamente.

— Sim.

— Bem. Acho que é atraente também. — Sua mão deixou o peito e timidamente subiu até o cabelo, as pontas dos dedos escovando os fios. — Por que é tão curto?

— Trabalhei com a força tarefa de humanos que trabalham para a ONE. Acabei de retornar para Homeland dias atrás. Vivi no porão na sede da unidade. Cortamos nosso cabelos para nos encaixar com os outros.

— Odeio porões. — Sua mão abaixou para curvar-se ao redor do ombro, e o deixou muito ciente de seu leve toque. — Tinha janelas?

— Não.

— Eu também não tinha. — admitiu. — Lembro-me das vezes que fui levada para o sol. — Seus olhos se fecharam como se estivesse agarrando uma memória, assim podia imaginar vivamente em sua mente. Sua expressão validou sua suposição quando ela sorriu. — Aquilo era tão morno e brilhante. — Essas são algumas das minhas melhores lembranças de quando estava crescendo.

— Estou contente que tenha tido algumas boas lembranças.

Os olhos dela se abriram e ela sorriu.

— Havia um pequeno pátio com grama e uma fonte de água. Uma vez por semana eu tinha permissão para ficar do lado de fora por uma hora ou duas. O Mestre não gostava de quão pálida minha pele ficava, e dizia que precisava de um pouco de cor.

Shadow queria enrolar os dedos ao redor da garganta daquele humano, e sufocar a pessoa que abusou de Bela. Estava agradecida de que alguém lhe permitiu passar um tempo fora de sua cela, porque não gostavam do modo como parecia. Também explicava o porquê dela ter corrido do lado de fora durante uma tempestade. Ela não tinha nenhuma ideia do quão perigoso poderia ser.

— Prometa-me algo, Bela.

— Ok. — A imediata concordância o surpreendeu um pouco. Ela nem sabia o que ele queira, mas concedeu seu pedido. Isto reforçava sua inocência.

— Fique em um lugar fechado quando houver uma tempestade. Poderia ter sido atingida por um raio ou uma árvore que podia ter caído por causa do vento e da chuva. É perigoso sair assim.

— Eu sei.

— Então por que fez isto? — Ele franziu a testa, mostrando sua desaprovação.

— Apenas queria fazer algo, qualquer coisa, estar livre acho.

— Você é livre.

Sua mão deslizou de seu ombro até o centro do peito dele, e ela abaixou a cabeça, encostando a bochecha contra ele.

— Não sou realmente Shadow.

Suas palavras o alarmaram.

— O que quer dizer? Você é livre. Alguém está dizendo o contrário? Olhe para mim. Diga-me.

Ela hesitou. Alguém em Homeland abusou dela? Assustou-a? Alguém a estava assediando e ordenando-lhe que fizesse coisas que não queria? Conseguiria que ela falasse e imediatamente lidaria com a situação. Bateria em qualquer um que a intimidou.

— Sou uma Fêmea Presente. — sussurrou.

— Sim. Quem a assustou? Quem te dá ordens?

Ela finalmente encontrou e segurou seu olhar.

— Nenhum homem tem permissão de se aproximar ou conversar comigo. Não tenho permissão de trabalhar com eles do jeito que as grandes mulheres têm. Nunca deixamos Homeland para visitar a Reserva. — Lágrimas brilhavam em seus olhos e isso imediatamente tocou seu coração.

— É para sua proteção.

— Contra o que? Você? Você me machucaria?

— Nunca!

— Exatamente. Outros homens Espécies iriam me machucar?

— Não. Eles nunca ousariam.

— Eu sou… — Sua voz morreu.

— Você é o que?

— Sou solitária.

As lágrimas dela se derramaram e deslizaram sobre as bochechas. Não pôde resistir de enxugá-las com o polegar. Machucava-o vê-las.

— Você está cercada por fêmeas. Conversarei com elas e passarão mais tempo com você. Só diga-me o que precisa para ter certeza de que tenha isso.

— Você é o primeiro homem que me abraçou, Shadow.

Suas palavras lentamente penetraram em sua mente atordoada.

— Macho. Desculpe.

Ela fungou.

— Você está me abraçando. Não quer nada mais do que me manter aquecida e me confortar. Nunca me sentei no colo de alguém antes, ou cheguei a escutar as batidas de seus corações. Até tocar em seus cabelos.

Ele estava mudo, surpreso.

— Escuto quando homens visitam minhas amigas, mas isso nunca vai acontecer comigo. Nunca chegaria a falar com você se não tivesse me achando na tempestade e me trazido até aqui em segurança. Ser uma Fêmea Presente é uma espécie de prisão. O Mestre fez sexo comigo há muito tempo, mas nunca me abraçou ou conversou. Apenas fazia o que fazia e nem sequer removia todas as minhas roupas. Nunca fui beijada. As outras mulheres sabem tudo sobre isso, mas nunca saberei como é. — Sua atenção caiu no peito dele. — Posso te dizer o que mais queria saber?

— O que? — Ele conseguiu que uma palavra saísse apesar do nó em sua garganta.

— Imagino como seria dormir com alguém me abraçando e tê-lo lá no caso de despertar de um pesadelo.

Shadow nunca considerou como era a vida de uma Fêmea Presente. Elas tinham apenas fêmeas para confortá-las, e não podia imaginar ser segregado de mais da metade de sua própria espécie depois de conhecer a liberdade. Existiam menos fêmeas que machos. As fêmeas oficiais com quem tratou eram calorosas e sempre apreciaram seus toques quando as abraçava, ou dava tapinhas em seu braço quando trabalhava lado a lado com elas.

— Eu a abraçarei por quanto tempo quiser Bela.

Ela fungou.

— Você dormirá comigo?

Ele entraria em um grande problema de manhã, quando a devolvesse ao dormitório das fêmeas, e teria que responder perguntas. As Fêmeas Presente estavam fora dos limites. Passar uma noite sozinho com uma, seria contra as regras. Sabia disso, mas não podia negar-lhe. Ela olhava para ele com esperança e desejo.

— Sim.

— Obrigada.

Seu pau suavizou, todo interesse em sexo acabou com as admissões dela. Estava agradecido por isso. Afastou o olhar. O chão era mais duro que a longa caixa de madeira que se sentava. Não iria ser confortável para ele, mas ela era tudo o que importava.

— Dormiremos aqui até o amanhecer, e então a levarei para casa. — Empurrou para longe o pensamento do que enfrentaria. Tiger ou Fury desejariam falar com ele. Pior, podia ser levado para Justice. Não estava livre por tanto tempo quanto eles, e seus motivos poderiam ficar sob suspeita. — Você pode dormir em cima de mim. Estará segura.

— Eu sei. Obrigada. — Ela sorriu.

As consequências que se danem, ele pensou, olhando fixamente para ela.

— Manterei você aquecida e poderá escutar as batidas do meu coração se desejar. — Olhou para a luz. — Quer ligada ou desligada?

— Não me importo.

Ele apenas virou-se — ela pesava quase nada e se esticou de costas no banco. Seus pés ficaram pendurados no final, mas Bela se acomodou em cima dele, espalhada encarando-o. Suas mãos curvadas no topo de seus ombros, e ela descansou a bochecha em cima de seu coração. Ele lentamente envolveu os braços ao redor de sua cintura, para impedi-la de escorregar por ele para o chão.

— Confortável?

— Sim. Você está?

— Sim. — mentiu.

— Obrigada, Shadow.

— Não me agradeça por isso. Estarei aqui se tiver um pesadelo. Está protegida.

Ele fechou os olhos para bloquear a luz suave acima dele, e forçou seu corpo a permanecer relaxado. A respiração dela contra sua pele era morna, e soube quanto tempo levou para que adormecesse, quando as batidas do coração dela diminuíram. Duvidou que dormisse de tão preocupado que pudesse se virar, ou tocá-la de um modo errado em seu sono.

 

Bela despertou devagar, apreciando o calor de sua cama e o barulho estranho que de alguma maneira pareceu reconfortante. Seus olhos se abriram para olhar para algo estranho pendurado em uma parede a poucos centímetros de distância. Lentamente percebeu que estava olhando para uma sacola cheia de bolas.

Congelou confusa, entretanto percebeu que o barulho que ouvia era a batida de um coração. Shadow. A lembrança retornou imediatamente, enquanto seus dedos suavemente tocavam na carne quente e firme. Enquanto dormia suas mãos se abaixaram para os lados dele para ficarem presas entre seus bíceps e costelas.

Era uma sensação boa estar tão morna e aquecida em cima de um homem. Ela respirou seu cheiro, apreciando isso. A pele lisa debaixo das pontas dos dedos tentava-a a explorar. O pensamento de passar suas mãos por toda parte do corpo dele era difícil de resistir. A única razão de não fazer isso era a incerteza se o despertaria. Ele poderia ficar bravo. Isso não era algo que queria testar. Arruinaria o momento incomparável, de despertar com alguém pela primeira vez que em sua vida.

O quarto estava mais claro do que na noite anterior, enquanto suavemente erguia a cabeça para achar a fonte. Uma janela pequena na parte de trás da sala permitia a luz solar entrar. Seu foco mudou para o rosto bonito de Shadow. Ele dormia pacificamente, parecendo muito mais jovem.

Seus braços descansavam em cima das costas dela, um peso que apreciou. As pernas dela estavam esticadas abaixo das dele, enquanto ficava ciente de outra coisa. Um objeto firme estava aconchegado entre as pernas entreabertas dela. O material sedoso das bandeiras que vestiam preveniu que um tanto de sua pele tocasse na dele, mas outra coisa estava definitivamente entre suas coxas.

Bela suavemente virou a cabeça e olhou por cima do ombro para achar a fonte. Seus lábios se separaram quando percebeu o que a estava cutucando. O medo a agarrou por alguns segundos, mas se acalmou. Shadow estava excitado e era uma visão assustadora. Seu pênis estava para cima entre suas coxas. O material cobria a forma espessa, arredondada, mas sabia o que era.

Suas pernas ficaram tensas, e sem querer apertou o sexo dele com suas coxas. Ele ofegou, seu peito embaixo dela se expandiu, e ela virou a cabeça a tempo de olhar em seus olhos azuis. Estavam confusos a princípio enquanto piscava, mas durou apenas um piscar de olhos, antes da memória dele voltar. Seu nariz alargou e um estrondo suave veio de sua garganta. Era quase um rosnado suave ou talvez um gemido. Não estava certa de qual fosse, mas ficou fascinada por ele.

Os braços em volta da sua cintura apertaram, depois relaxaram. Suas mãos esfregaram suavemente, quase um afagar para assegurar-lhe que estava segura. Ela continuou a olhar fixamente em seus olhos sensuais. Eles eram muito atraentes e não queria desviar o olhar. O desejo de explorar seu corpo com as mãos vieram novamente. Ele se importaria? Ficaria bravo? Impediria-a? Abriu a boca para pedir permissão, mas nunca conseguiu dizer as palavras.

Um som fraco vindo de fora chamou sua atenção para a porta. O corpo debaixo dela pareceu endurecer e ela ofegou, quando os braços apertaram ao redor de sua cintura. Shadow se movia rápido para alguém que acabou de acordar. Moveu-a depressa, ergueu-a para o lado, e observou com olhos arregalados, enquanto ele se agachava no chão próximo a ela. Um rosnado profundo estourou de sua garganta, e suas mãos agarraram contra o solo de concreto em preparação para se lançar em ataque. Podia ver seus lábios separados e ele mostrava suas presas.

A porta foi arrombada e Bela soluçou, apavorada com a visão de dois grandes homens preenchendo a entrada. Quase deslizou da longa caixa em sua pressa de fugir. Ao invés disso acabou encolhida nela. Sua atenção mudou para Shadow. Ele era grande e a estava defendendo contra o perigo. Um pouco do seu medo aliviou.

Os dois homens que entraram estavam de uniforme. Shadow se levantou devagar.

— Oi. Desculpe-me. Ouvi alguém se aproximar e não percebi que eram vocês.

Bela olhou fixamente para os dois oficiais enquanto eles a olhavam. Notou que os dois empalideceram. O da esquerda rosnou e raiva mudou suas características para algo assustador, enquanto olhava para Shadow.

— Ela é uma Presente. O que você está fazendo com ela?

— Posso explicar. — Shadow rosnou de volta.

— Sério? — O outro homem olhou para a cintura de Shadow. — Vejo o que estava fazendo.

Bela percebeu qual era o pensamento dos homens. Shadow estava definitivamente excitado, e a bandeira amarrada ao redor de sua cintura não fazia nada para abaixar seu membro ereto. Ela arrancou sua atenção dele e lentamente desenrolou seu corpo para deslizar da caixa e se levantar.

— Não é assim. — Shadow protestou. — Eu a achei correndo na tempestade.

— Achou que poderia se aproveitar dela? — Um dos homens agarrou o rádio preso em seu cinto, depressa o usou para chamar ajuda. — Quem está falando é Book. Traga uma oficial para o parque agora. Nós temos uma Fêmea Presente na cena com um macho Espécie, dentro do prédio de equipamentos esportivos. Código vermelho.

— Não. — Shadow recuou, suas mãos se levantaram, as palmas aberta. — Não é um código vermelho.

— Afaste-se da Fêmea Presente. — o homem ordenou.

— Espere! — Bela chegou mais perto para o lado de Shadow.

Os dois oficiais a ignoraram.

— Caminhe para fora e não resista. Estamos levando-o para a Segurança.

— Eu disse espere! — Ela falou mais alto.

— Jericho, você me conhece. — Shadow silvou. — Isso não é o que parece. Sinta o cheiro. Não compartilhei sexo com ela.

— Não importa. Estava sozinho com ela e nenhum de vocês está vestido. Localizamos seu carro abandonado e estávamos lhe procurando. Você obviamente passou o tempo com ela. Precisa explicar isto.

— Parem! — Bela gritou, entrando na frente de Shadow para ficar entre ele e os oficiais. — Isso não é… ele não... Apenas parem!

— Estou tentando te dizer o que aconteceu. — Shadow falou ao mesmo tempo.

Um dos oficiais finalmente abaixou seu olhar acusador, e este se suavizou quando encontrou o dela.

— Você está salva. Uma fêmea está a caminho. Permaneça calma e, por favor, se afaste do macho.

— Não. Não me afastarei. — Ela abriu seus braços e se certificou de que ninguém viesse ao redor dela para alcançar Shadow. — Ele não fez nada comigo.

— Bela. — Shadow falou por trás dela. — Saia do caminho. Irei para fora com eles.

Ela virou sua cabeça para olhar fixamente para ele, chateada que parecesse estar em apuros por passar a noite sozinho com ela.

— Não. Você não fez nada.

Sua expressão se fechou.

— Quebrei as regras quando não informei imediatamente a situação pelo rádio. Você não está me ajudando. Por favor, vá para o lado e espere uma fêmea chegar. Tudo ficará bem.

Ela o estudou de perto, mas não conseguiu dizer se estava sendo honesto ou não. Seus braços caíram para os lados e o enfrentou, notando que não estava mais excitado, já que a bandeira cobria suavemente suas coxas.

— Tudo ficará bem. — ele assegurou-lhe uma segunda vez. — Piorará as coisas se não permitir que eu saía.

— Certo.

Não sabia o que fazer enquanto ele se curvava para recuperar suas roupas e botas descartadas. Os oficiais saíram com ele e a porta se fechou, deixando-a sozinha dentro do prédio dos equipamentos. Bela foi atrás de sua camisola descartada, mas ainda estava molhada. Largou-a e olhou fixamente para a porta, tentando captar qualquer conversa.

Estava muito quieto e queria ir para o lado de fora para ter certeza que Shadow não estava em apuros, mas hesitou. Os outros homens pareciam realmente bravos e assustaram-na um pouco. Odiava não ter a coragem de marchar para lá, e declarar novamente que não foi machucada.

Minutos se passaram antes da porta abrir e o medo a agarrou quando Kit entrou com raiva formando rugas ao redor de sua boca e de seus olhos. A alta mulher Espécie vestia o uniforme de trabalho. Ela sempre intimidou um pouco Bela.

A felina cheirou ruidosamente antes de seu olhar varrer o quarto e parar em Bela.

— Você está machucada? Aquele macho fez alguma coisa com você?

— Não.

— Como ele a tirou do dormitório?

— Ele não tirou. Fui dar uma caminhada na tempestade e ele me achou.

— Aposto que sim.

— Ele queria chamar alguém imediatamente, mas pedi para que ficasse comigo. Ele não fez nada errado.

— Sente-se.

Bela imediatamente sentou-se na extremidade da caixa, o tom da outra Espécie foi tão rude que deixou seus joelhos fracos.

— Não cheiro sexo, mas existem coisas que um macho pode fazer para esconder o cheiro. Ele forçou-a a pôr sua boca em seu pau? — Ela rosnou as palavras. — Pediu para tocá-lo?

— Não.

— Não minta por ele!

— Não estou mentindo. — Lágrimas encheram seus olhos com as feias acusações, uma reação que não podia ajudar. — Ele não fez nada de errado. Apenas ficou comigo do jeito que pedi. A tempestade estava forte e dormimos aqui.

Kit chegou mais perto e agarrou o braço de Bela.

— Vamos.

Bela foi arrastada para a porta. A chuva tinha parado quando saíram para o sol da manhã cedo. A grama estava fria e macia debaixo de seus pés nus. Surpreendeu-se quando olhou ao redor e não encontrou ninguém por perto. Shadow e os dois oficiais tinham ido embora.

— Você precisa ser treinada melhor. — Kit silvou. — As Presentes são crianças sem noção e não gosto de ser sua babá. Continuo dizendo a Ellie e a Breeze que você precisa ser fortalecida e ensinada a lutar, mas mimam você. Um macho nunca faria essa merda com uma oficial. — A mão dela apertou enquanto caminhava mais rápido, puxando Bela para o lado dela pelo parque.

— Sabe o que ele poderia ter feito com você? Qualquer coisa. Você é fraca e não poderia detê-lo. Permitiu até mesmo que passasse a noite com você. Isto é idiotice. Conhece alguma coisa sobre nossos machos? Ele podia tê-la seduzido e não conseguiria lidar com isso. — Rosnou uma maldição em voz baixa. — Não importa. Apenas não fale nada. Estou furiosa.

— Shadow está...

— Disse para não falar. — Kit deu uma parada abrupta e rosnou, mostrando as presas. — Estava a caminho de tomar café da manhã quando recebi o código de ajuda. Estou com fome e quero comer. Ao invés disso estou te levando para casa. Está de castigo por uma semana. Sem privilégios. Você não deixará seu quarto.

Rebeldia cresceu dentro de Bela, e ela puxou com força para livrar seu braço do aperto de Kit.

— Não sou uma criança!

Olhos felinos estreitaram e Kit rosnou.

— Você precisa de uma surra e posso dar-lhe uma se não calar a boca.

— Shadow não fez nada de errado e não sou fraca ou estúpida. Sou adulta e provavelmente tenho a mesma idade que você. Não pode tirar meus privilégios e não ameace me bater. Você deve ter sido misturada com canino porque é uma cadela.

— O que disse? — Kit deu um passo ameaçador.

Bela recusou-se a recuar.

— Não sei qual é o seu problema, mas você é má Kit. Posso não ser tão forte ou tão grande quanto você, mas tenho algo que nunca terá.

— Estou morrendo para ouvir isso. O que isso seria?

— Deram-lhe tanto, mas você não aprecia. Você é cruel com sua própria espécie quando não somos o inimigo.

— Não sou.

— Moro ao seu lado. — Bela foi embora, determinada a se distanciar da Espécie brava, e retornar ao dormitório sozinha. Tinha dado cinco passos antes que uma mão agarrasse em seu ombro para fazê-la parar. Olhou fixamente para Kit.

— O que isso quer dizer?

— Você pensa que Shadow me forçou a entrar naquele abrigo. É a ingênua se acredita que não gostei de passar um tempo com ele. Nunca o trataria do modo que trata nossos machos, os usando e os expulsando no segundo que consegue o que quer deles. Largue-me.

O choque era evidente nas características da felina, enquanto arregalava os olhos. Nenhuma palavra saiu de seus lábios, mas a largou. Bela olhou para frente e marchou pela grama úmida, evitando as poças barrentas.

— Ei, Bela!

Suas costas se enrijeceram, mas continuou andando, recusando-se a lutar verbalmente com Kit. Ela se defendeu e disse as palavras que encheram sua cabeça. Pareceu bom apesar de estar apavorada que a mulher a atacasse. A briga seria curta e Bela sabia que não podia ganhar se houvesse violência de verdade.

— Tornou-se bem valente para uma primata. Que pena que suas presas não são tão afiadas quanto sua língua. As palavras não machucam tanto quanto a dor física. Lembre-se disso.

Bela parou e olhou por cima de seu ombro para ver se Kit estava ainda olhando-a, perguntando-se se isso era uma ameaça.

— Não concordo e esta declaração só prova quem é mais inteligente entre nós. — Ela abriu a boca, enrolou seu lábio superior para trás, e silvou para a felina. Ela tinha dentes afiados e não hesitou em mostrá-los uma vez. — Não sou tão fraca quanto pensa.

Kit fez o inesperado rindo de repente.

— Leve seu traseiro para casa. Acho que realmente gosto de você. Breeze é extremamente chata. Boa sorte com ela. É melhor esperar que Ellie tenha chegado ao dormitório para lidar com você.

Bela apressou-se pelo parque até a calçada. Os carros e Jipes passavam, mas ficou com a cabeça baixa, se recusado a olhar para eles para ver se estava sendo observada. Não era normal uma Fêmea Presente caminhar sozinha. Escoltas lhes eram normalmente atribuídas se deixassem o dormitório. Vestindo uma bandeira também chamaria muita atenção.

Medo fez seu estômago se agitar, enquanto alcançava as portas da frente e Breeze as abriu. A Espécie alta vestia uma camiseta enorme, e era óbvio por seu cabelo desarrumado que tinha acabado de sair da cama.

— Você está bem? — A preocupação marcava suas características. — Devo levá-la para o Centro Médico?

— Estou bem. — Bela queria correr para seu quarto, mas a canina tinha outras ideias quando agarrou sua mão, segurando-a. Isto fez com que parasse para olhar para Breeze.

— A segurança não me disse o nome dele. Quero saber ou irei cheirá-la para descobrir. — Sua voz se aprofundou em um grunhido. — Cuidarei dele. Ele pagará pelo que fez.

— Ele não fez nada. — Bela odiava o modo como todo mundo presumia que Shadow fez algo ruim com ela. Soltou sua mão e cruzou seus braços sobre seu peito. Sua preocupação com Shadow a fez parecer mais valente que o normal. — Deixe-o em paz. Melhor ainda, se importe com sua própria vida.

Breeze ficou boquiaberta surpresa.

— O que?

— Agradeço sua preocupação e o fato de que iria atrás de um homem, em retribuição por qualquer crime que presume que ele cometeu, mas deixe-o em paz.

— Você está com febre? Está se sentindo doente? Seu sistema imunológico não é tão forte quanto o nosso. Pegou um resfriado?— Não. Não há nada de errado comigo. Esse é o problema. Ninguém parece perceber isso. Não sou fraca ou estúpida. Passei a noite com um homem que me abraçou enquanto eu dormia. Isso é tudo que ele fez e lhe sou grata. Não agradecida por ter apenas me abraçado sem tentar fazer sexo comigo, mas por estar lá. Shadow é maravilhoso. — Ela virou e se apressou pelos degraus, desejando alcançar seu quarto para ficar longe de todo mundo.

Breeze a alcançou enquanto ela abria a porta de seu apartamento e entrava. Quase fechou a porta na cara da outra Espécie antes de vê-la. A porta foi empurrada e seu apartamento invadido por uma cautelosa canina mostrando uma testa franzida.

— Bela? Que diabos está acontecendo?

— Deixe-me em paz. — Decidiu se retirar para seu quarto já que não havia nenhum jeito dela fisicamente expulsar Breeze.

A porta bateu e ela saltou, sua cabeça virou. Breeze não saiu, mas ao invés disso olhava-a com seu olhar escuro e intenso.

— Converse comigo. O que deu em você? Por que estava lá fora ontem à noite? Ele entrou aqui e a levou? Como chegou a conhecer Shadow? Ele é um dos machos mais novos. Foi atribuído para a força tarefa.

Lágrimas jorraram de seus olhos e ela as odiou.

— Por que se incomoda em conversar? Sou uma Fêmea Presente. Conheço as regras.

Breeze a perseguiu, movendo-se com os pés descalços de um jeito que fez com que sentisse um pouco de medo. Ela era uma mulher intimidadora e tinha uma expressão estranha em seu rosto. Parando a alguns centímetros de distância.

— Não posso ajudá-la a menos que me conte qual é o problema.

Bela enxugou suas lágrimas.

— Você não entenderia. Ninguém entende.

— Me faça entender. Fale. O que ser uma Presente tem a ver com isso e que regras?

Ponderou falar o que pensava. Não viu qualquer raiva no rosto de Breeze.

— Não sou Halfpint ou Tiny. Elas têm horror a homens. Eu as amo, são minhas amigas, mas precisam dessas regras para protegê-las. Eu não.

Os olhos escuros se arregalaram e Breeze contornou o sofá e se sentou

— Continue.

— Sou solitária. Você sabe como é para mim?

— Não. — A voz de Breeze suavizou para quase um sussurro. — Diga-me.

— Quero apenas o que todo mundo tem.

— Nós somos iguais aqui.

— Não. Não somos. Você já passou a noite fora com um homem antes?

— Claro.

— Raivosos oficiais de segurança o levaram? Foi chamada de nomes e insultada, como se estivesse de alguma maneira errada por estar com ele? Foi seguida para seu quarto para tê-lo invadido por alguém que exige respostas?

— Quem chamou você por nomes e te insultou?

— Kit. Ela acha que sou uma criança e estúpida, porque quis saber como era ser abraçada por um homem. Ele não tentou fazer nada comigo sexualmente, mas eu queria que tentasse. Embora ele nunca irá. Sou uma Presente. Ele nem falará comigo novamente e não é justo.

— Oh merda. — Breeze sussurrou. Entendimento sendo absorvido. — Você foi à procura de um macho?

— Não. Queria sentir-me livre e viva. Não sinto isto aqui. Fui para a chuva para sair deste lugar e ele me achou. O granizo começou e Shadow me levou para o pequeno prédio para me proteger da tempestade. Tentou sair imediatamente para pedir ajuda, mas queria apenas passar um tempo com ele. — Lágrimas quentes derramavam-se por seu rosto. — Agora está em apuros porque o enganei para ficar comigo, e todo mundo parece estar bravo com ele. Ele não fez nada de errado exceto acreditar em mim, quando disse que ficaria apavorada se me deixasse sozinha. Apenas queria conhecê-lo.

Breeze fechou os olhos. Bela não sabia o que a outra mulher estava pensando, mas achou agora que estaria em apuros por admitir que mentiu para Shadow. Era uma característica ruim que os Espécies detestavam, entretanto às vezes era necessário. Enganar um homem para passar a noite não foi para o bem de ninguém exceto pelo de Bela. Os olhos marrons abriram para grudar em seu rosto.

— Vou fazer alguns telefonemas e ter certeza de que Shadow não está em apuros. Então você e eu vamos conversar. Não vá a lugar algum. Estarei de volta logo.

— Eu sei. Estou restrita ao meu quarto. Kit me deixou de castigo.

— Ela o que? — Breeze se levantou com um grunhido.

— É isso o que as Presentes são para todos vocês, não é? Crianças? Por que se incomodaram em nos salvar? Isso é uma prisão sem abuso, mas ainda é um cativeiro. Raios de sol, condições boas de vida e comida não são suficiente. — Bela correu para seu quarto e fechou a porta.

 

Shadow perambulava no quarto, odiando que lhe fosse negado a oportunidade de mudar de roupa. A bandeira amarrada ao redor de seus quadris fez os outros machos rirem quando o viram, mais do que um pouco divertidos, até ouvirem por que estava sendo levado até Fury.

O macho entrou em seu escritório com uma expressão horrenda.

— Shadow.

— Fury.

— Isso é levar o espírito de equipe um pouco longe demais.

Shadow mordeu de volta um grunhido.

— Meu uniforme estava encharcado da tempestade e isso era tudo o que tinha disponível. Era melhor do que ficar nu. Book e Jericho recusaram-se a permitir que eu mudasse de roupa.

Os cantos da boca de Fury se torceram.

— Não é todo dia que se vê um macho vestindo uma cabeça de lobo enrolada ao redor da sua cintura.

— Não fiz nada com a Fêmea Presente. Eu a vi correndo na chuva. Acreditei que era uma humana a princípio, mas depressa determinei suas origens. Apenas a levei para aquele edifício para tirá-la do granizo, mas ela estava apavorada demais para que a deixasse sozinha para pedir ajuda. Apenas a segurei para mantê-la aquecida.

— Estou ciente. — Todo humor fugiu de Fury. — Acabei de falar com os machos. Eles não captaram o cheiro de sexo.

— Ela é uma Fêmea Presente.

— Conhece o protocolo.

— Ela se recusou a permitir que eu a deixasse sozinha. Tinha deixado meu rádio no carro.

O outro macho levou sua mão ao peito.

— Como ela é? Desta altura? Espera que acredite que ela evitou que fizesse a coisa certa? — Sua mão abaixou. — Tente novamente.

Shadow ajustou sua posição e cruzou os braços sobre o peito. Ele se sentia ridículo com a bandeira.

— Posso falar livremente?

— Sempre.

— Algo a chateou o suficiente para fazê-la deixar a segurança do dormitório. Estava preocupado, e ela se comportou bem até que tive a intenção de chamar uma oficial para ajudar. Já olhou nos olhos de Bela? Não podia dizer não. Ela queria passar a noite longe de casa e me pediu para ficar com ela. Esperei que me dissesse o que estava realmente acontecendo, mas ela não disse.

Fury inclinou-se para atrás contra a mesa.

— Você está sugerindo que ela está sendo abusada por alguém lá? Que uma de nossas fêmeas a está machucando? Tem provas disso? — Raiva refletia em seus olhos. — Quero me aprofundar nisso imediatamente.

Shadow hesitou.

— Não sei. Ela não quis voltar, Fury. Quase entrou em pânico quando disse que a deixaria para pedir ajuda.

A porta se abriu e a boca de Shadow abriu em surpresa, quando Breeze invadiu a sala vestindo apenas uma camiseta enorme que caia por suas coxas, seu cabelo um emaranhado bagunçado.

Fury se endireitou.

— Oi, Breeze. Diria bom dia, mas não é um bom dia. O que está acontecendo no dormitório das mulheres?

Breeze estudou Shadow dos pés nus até acima por seu traje, e finalmente segurou seu olhar.

— Shadow.

— Eu não fiz nada com a Fêmea Presente.

Ela virou-se e encarou Fury.

— Nós temos um problema.

— Estou ciente. Deixei minha companheira e meu filho em casa para estar aqui no meu dia de folga. Por que Bela estava lá fora naquela tempestade, em vez de segura dentro de seu apartamento? Você sabe? E antes de criticar severamente o macho, acredito nele, que não tentou ter sexo com ela.

— Não estou aqui para castrá-lo. Acabei de deixar Bela. — Seu olhar cortou para Shadow. — Ela defendeu suas ações. — Suas mãos agarraram em seus quadris enquanto focava de volta em Fury. — Isso é difícil de dizer, mas nós chutamos cachorro morto.

— O que? — As sobrancelhas de Fury elevaram-se rapidamente.

— É um ditado humano. — Breeze explicou. Apontou o dedo polegar para Shadow. — Quer dizer que cometemos um erro importante. Nossa Bela se ressente de ser classificada como uma Fêmea Presente e estava curiosa sobre ele.

— Não entendo.

Shadow estava com Fury nisso. Ele estava confuso também.

— Curiosa como?

— Fique fora disso, garoto toga. — Breeze murmurou, dispensando Shadow. — Você está ouvindo o que estou falando, Fury?

— Não. Poderia falar mais claramente? Nem todos nós amamos gírias humanas, e nem tomei café com rosquinhas esta manhã.

— Certo. — Ela assentiu. — Aqui vai sem cortes para você. Bela está curiosa sobre machos. Acho que se ressente da bolha protetora que formamos ao redor dela, afastando-a de oferecer-se para compartilhar sexo. Nós temos uma Fêmea Presente que pode estar pronta para experimentar um pouco de contato físico com machos. — Apontou seu dedo polegar para Shadow novamente. — Entendeu? Não pensamos que algumas delas quisessem ser tocadas, mas devíamos.

Shadow se sentia tão atordoado quanto Fury parecia. Esperou que sua boca não tivesse caído do jeito que a do outro macho caiu. Selou seus lábios firmemente para ter certeza. Sua mente começou a trabalhar novamente e respirou com força.

— Ela não tentou iniciar sexo comigo.

Breeze girou a cabeça para olhar fixamente para ele.

— Você tem certeza?

— Eu teria notado.

Ela se aproximou dele até apenas alguns centímetros os separarem.

— Ela não é uma típica fêmea, garoto toga. — Suas mãos de repente espalmaram em seu peito, e cutucaram o suficiente para fazê-lo rosnar uma advertência para não machucá-lo. — É assim que eu chegaria em você. Chutaria sua bunda se isso fosse preciso para que entendesse o que quero de você, mas ela não sou eu. — Suas mãos o largaram depressa e virou-se para enfrentar Fury. — Ela ter lhe pedido para ficar com ela pode ter sido sua versão de tentá-lo. Elas nunca lidaram com nossos machos. Talvez humanos gostem de dicas tímidas e estes foram os únicos machos que conheceu. O garoto toga aqui pode não ter entendido.

— Pare de me chamar disso. — Shadow exigiu. — Ela conversou comigo e nunca disse qualquer coisa que implicasse que estava interessada em compartilhar sexo.

Breeze olhou para ele sobre seu ombro.

— Sobre o que ela conversou?

— Seu cativeiro. — Ele pausou. — Ela compartilhou alguns detalhes sobre o macho que a mantinha e sua vida.

— Viu? — A fêmea canina jogou suas mãos para cima. — É isso. As mulheres humanas falam sobre seu passado quando estão perto de um cara gostoso no qual estão interessadas. Assisto filmes e essa era a intenção. — Ela franziu a testa para Fury. — O que devemos fazer? Dá-lo para ela? Não será difícil desenrolá-lo com a roupa que está vestindo.

Shadow cambaleou um pouco.

— O que? Dar-me a ela? Não!

Fury teve a audácia de rir.

— Verdade. É só um pequeno laço na cintura. — Ele passou os dedos pelo cabelo e sua expressão mudou para severa, enquanto encarava Breeze. — É isso que sugere? Nós o mandamos para satisfazer sua curiosidade? Acho que devíamos achar um macho que tem mais experiência com fêmeas humanas. Elas são imensamente diferentes das Espécies, e as Presente também são. Ele poderia assustá-la, e inferno talvez devêssemos considerar um membro da força tarefa. Talvez um humano fosse melhor neste caso. Conheço alguns deles muito bem e consultarei Tiger e Brass. Podemos achar um mais calmo em quem pudéssemos confiar para parar se ela mudar de ideia.

A ideia de alguém da força tarefa tocando em Bela fez com que uma fúria percorresse Shadow.

— Os humanos abusaram dela e quer enviar um para sua cama? Não!

— Fury tem um bom argumento. — Breeze suspirou. — Nossos machos são agressivos e não temos machos Presentes. Podíamos enviar Smiley para ela. Ele é primata e muito meloso. Ele também é menor que o garoto toga e não a esmagará. Primatas gostam de sexo cara a cara também. Estou certa de que ela apreciaria isso mais do que ser montada por trás. Não consigo vê-la gostando da inchação e de ficar presa depois, de qualquer jeito. Ela é pequena.

— Minha Ellie também é e ela me aguenta bem. — Fury a fulminou.

— Não estou falando mal dos machos caninos. Alô! Sou canina também. — Breeze rolou os olhos. — Estou apenas dizendo que ela é uma Presente. Poderia não apreciar um Espécie completamente ligado com as características caninas. — Olhou para Shadow. — O garoto toga é canino. Sugeriria um felino, mas novamente, as características agressivas.

— Disse, para parar de me chamar disso. — Shadow rosnou, perdendo a paciência. — Está certa de que ela quer compartilhar sexo? Ela não me deu esta impressão e dormi com ela sobre meu peito a noite toda.

— Talvez ele esteja certo. Nós poderíamos estar com muito achismo. Converse com ela, Breeze. Talvez esteja apenas confusa, ou seja uma coisa passageira. — Fury soou esperançoso. — Devemos investigar isto melhor, mas se esse for o caso, insisto que seja um macho Espécie. Shadow tem um bom argumento. Os humanos abusaram dela.

— Você pode fazer isso. Meu trabalho é proteger minhas fêmeas e ver suas necessidades. — Breeze olhou para ele. — Ela se sente escravizada por nossas regras relativas às Fêmeas Presente. Ela disse isto. Vou passar por cima de sua cabeça se precisar, e Justice me deve. Recuso-me a desistir.

Fury cautelosamente a considerou.

— O que você tem em mente?

Breeze virou sua cabeça para estreitar o olhar em Shadow. Ele quase podia ver a mente dela trabalhando, conspirando algo.

— Não. — Veementemente agitou sua cabeça. — Não sou o macho que você vai querer usar em alguma experiência para ver se ela quer compartilhar sexo. — A ideia o deixou em pânico. — Fui abusado também, e faz muito tempo desde que compartilhei sexo com uma fêmea. Evito isso.

— Muito melhor. — Breeze sorriu. — Você não vai iniciá-la e estaria sensível ao seu trauma. — Olhou para Fury. — Está pensando o que estou pensando?

— Merda. — Fury gemeu. — Acho que sim.

— O que? — Shadow olhou para os dois Espécies, que olhavam fixamente para ele com olhares calculadores. — Não. O que quer que seja que estejam pensando, não!

 

— Eu me recuso. — Shadow olhou para Brass.

O macho olhou-o silenciosamente por longos segundos.

— Tudo bem. A Fêmea Presente mostrou interesse por você, e foi o único macho que ela teve contato, mas estou certo de que ficará bem com um estranho. Esta é a posição que está tomando? Pense bem sobre isso.

— Não fui usado como experiência o suficiente?

— Ela é uma Presente. Você não daria sua vida para protegê-la? Elas são nossas fêmeas mais fracas e impotentes para se defenderem.

— Claro que morreria se isso fosse preciso para mantê-la segura.

— Sente-se seguro que todos os machos cuidariam dela? Estará colocando-a aos cuidados de outra pessoa se recusar a escoltá-la para a Reserva e viver ao lado dela. E se não tiverem consideração com ela tanto quanto você teria? E se a pressionarem a fazer mais do que estará confortável se eles ficarem muito excitados? Você não faria isto, não é?

Shadow olhou para seu amigo, imaginado que veio a Homeland apenas para convencê-lo a concordar com o plano de Breeze.

— Claro que não. Está usando a tática da culpa?

Os ombros largos encolheram.

— Ela o conhece. Estou ciente de sua história. Ela não é humana, então não devia ter reações adversas em ficar perto dela, mas você sabe tudo sobre ter a vontade de seu corpo tirada de seu controle. Compartilha esse laço em comum com ela. Confio que seria hipersensível com ela, e não a pressionaria de qualquer maneira. Quantos machos têm essa experiência?

— Todos nós fomos forçados a compartilhar sexo às vezes, devido a Mercile tentando que reproduzíssemos crianças.

— Você foi drogado e amarrado a máquinas estéreis enquanto sua semente era tirada de seu corpo. Foi uma forma de estupro. A Fêmea Presente era forçada a suportar um humano pondo suas mãos nela sem consideração. Nenhum de vocês teve outro Espécie para confortá-los, ou tornar esses eventos menos traumáticos. Li seu relatório sobre o que aconteceu na noite que passou com ela. Ela permitiu que a segurasse, e admitiu que nunca foi amavelmente tocada. Você podia ter tentado mais contato físico, mas não tentou. É perfeito para esta tarefa. Ela pode não desejar compartilhar sexo, mas pelo menos se sentirá segura o suficiente com você para tentar se quiser. É o macho certo para ela.

— Não sou o macho certo para ninguém. Shadow odiou admitir fraqueza. — Estou profundamente quebrado por dentro, Brass. Tenho pesadelos frequentemente, suo frio, e não estou preparado para compartilhar sexo com ninguém. Tive fêmeas oferecendo-se, mas recusei. Continuo tendo retrospectivas do tempo que estava preso dentro daquele armazém.

— Wrath superou isso.

— Ele é um macho mais forte do que eu.

— Papo furado. — Brass suavemente rosnou, relampejando irritação em seu olhar fixo. — Ele é como um irmão para você, porque são muito próximos e têm características semelhantes. Preciso chamá-lo aqui para falar com você? Ele e Lauren estão apreciando seus primeiros dias dentro de sua nova casa. Precisa das palavras dele em vez das minhas para te convencer que devia ser o responsável por cuidar da Fêmea Presente? O que ele diria?

— Merda. — Shadow sabia quando tinha sido derrotado. — Ele diria para que fosse, porque eu não poderia viver com o fato de outra pessoa a pressioná-la a fazer algo que não estivesse pronta e eu poderia evitar que isso aconteça.

— Exatamente. Você estaria menos propenso a confundir os sinais que ela fizer, e estaria certo do que quer antes de agir. Agora arrume algumas semanas de roupa, e esteja pronto para voar em trinta minutos. Então daremos o fora daqui.

— Não tive tempo de me instalar em meu apartamento ainda. Não desfiz as malas.

— Bom. Brass chegou mais perto. — É o macho certo para isso, Shadow. Preocuparia-me se outro macho fosse passar um tempo com uma Fêmea Presente. Isso é um território novo. Não temos nenhuma ideia do que esperar, mas queremos que elas floresçam com a liberdade como nós. Ela não é apenas emocionalmente frágil, como também fisicamente. Você não se esquecerá disso.

— Isto é verdade. — Ele não podia discutir com a lógica de Brass.

— Seja apenas você mesmo e tudo ficará bem.

Ele não estava tão certo daquilo, mas a ideia de Bela ser isolada com outro macho para permitir que tenha liberdade para procurar possíveis relações físicas com que ele, fez Shadow querer rosnar. Ela era muito inocente e alguém podia se aproveitar disso.

 

— Como é a Reserva? — Excitação e preocupação guerreavam dentro de Bela, enquanto via Breeze colocar as roupas dela em uma mala. — Ouvi que existem milhares de árvores e muito espaço aberto.

— Existem ambas dessas coisas. — Breeze sorriu, encontrando o olhar dela. — Gostará de lá. Está sendo enviada para uma cabana próxima a um rio. Seu sorriso enfraqueceu. — Não deve entrar na água. Entendeu? A corrente é forte. Há uma pequena área que é segura. Sua escolta lhe mostrará. É uma entrada onde a corrente não alcança, e a água fica apenas na altura da cintura.

— Sua cintura ou minha?

Breeze riu.

— Minha, mas não é tão pequena. Não será muito mais alto que seus seios.

— Não sei nadar.

— Imaginei. Nenhum de nós sabia, mas aprendemos.

— Minha escolta também me ensinará a nadar?

— Estou insegura se ele sabe como nadar. Fique apenas longe da parte principal do rio. A Espécie mais alta fechou a mala. — Pronto. Está abastecida com equipamentos suficientes para durar algumas semanas. Sair daqui vai ser bom para você e conhecerá a verdadeira liberdade. A Zona Selvagem é o lugar ideal. Os habitantes foram advertidos para se ausentarem. Não que fossem prejudicá-la.

— Eles sabem que sou uma Presente? — Bela odiava a ideia de ser olhada com piedade. Ela era muito olhada quando estava na população geral, e chamava a atenção de alguns dos homens que ousavam olhar em sua direção.

— Qualquer um que a veja sabe. Seu tamanho a entrega, mas sim estão eles cientes, e é por isso que ficarão fora do seu território.

— Ah. — A decepção a atingiu.

— Qual o problema? — O olhar escuro e afiado de Breeze não perdia nada.

— Nada.

— Converse comigo agora mesmo.

— Esperava que indo para lá mudasse as coisas. Queria falar com homens e conhecer alguns deles.

— A Zona Selvagem é cheia de nossos Espécies antissociais, mas estão cientes de que podem assustá-la se você se chocar com eles.

— Explique. — Bela se endireitou na cama.

— Alguns foram considerados fracassos pelas Indústrias Mercile. Suas diferenças faciais podem ser mais severas que as nossas.

— Não entendo.

— Suas características animais são mais pronunciadas. Parecem mais animal que humano. É isso que estou tentando dizer. — Breeze se levantou e esfregou o nariz. — Os nossos são levemente mais largos que os dos humanos, mas alguns dos machos da Zona Selvagem podem ter características planas, suas bocas são formadas com o que tenha sido o DNA de animal que foram misturados, e a textura do cabelo deles não é sempre como a dos humanos.

— Eles não têm permissão para viver em Homeland?

— Podem viver em qualquer lugar que desejem, mas preferem manter-se afastados dos humanos completamente. São encarados e é desconfortável para eles. Também foram tratados de forma menos bondosa na Mercile, então realmente detestam os humanos. Nós sofremos muito, mas eles sofreram muito mais. Não são propensos a querer viver com outros, e apreciam a solidão.

— Você já conheceu algum deles?

— Claro. Breeze sorriu novamente. — Passei muito tempo na Reserva. Até compartilhei sexo com um deles.

— Como foi?

Breeze levantou a bolsa pesada para soltar a correia em seu ombro.

— Interessante. Deixe-me dizer apenas que suas características animais também estão muito perto da superfície de suas personalidades. Não tem nenhuma razão para temê-los. Eles foram avisados por Valiant e Leo. Ambos os machos lideram a Zona Selvagem.

— Eles são como Justice aqui em Homeland?

— Eles são misturas de felinos, mas não diria que são semelhantes a Justice de outras maneiras. Justice é social e se dá bem com outros. Valiant e Leo são bem diferentes. Digamos que quando dizem algo nossos machos escutam. Justice ganha respeito. Valiant e Leo são muito assustadores.

— Existe alguma mulher residente na Zona Selvagem?

— Apenas Tammy. Ela é a humana acasalada com Valiant.

— Quis dizer mulheres antissociais com características mais animalescas.

— Nenhuma delas sobreviveu. — Breeze pareceu ameaçadora. — Se realmente existiram. Nenhuma foi achada quando fomos libertados. Mercile, cometeu o que eles consideraram erros com fêmeas ou as mataram. Breeze virou para dirigir-se à porta do quarto. — Às vezes desejo que Kit seja enviada para lá. Ela é um espinho a meu lado. Adoraria que fosse problema de outra pessoa. Vamos.

Bela deslizou da cama para segui-la.

— Qual é o problema de Kit?

— Não tenho nenhuma ideia. Ela se recusa a conversar comigo sobre por que está ficando tão má. — Breeze pausou em frente à porta e segurou o olhar dela. — Está pronta para uma aventura? Você se divertirá e espero que goste destas férias.

— Quem será minha escolta?

— Shadow se voluntariou. — Diversão apareceu em suas características. — Você já o conhece. Está tudo bem com isso?

Seu coração acelerou.

— Ele pediu para ir comigo? Sério?

— Isso vai ser um problema? Nós imaginamos que ficaria confortável compartilhando uma cabana com ele. Há dois quartos.

— Tudo bem. — Bela tentou esconder sua excitação em vê-lo novamente. — Ele não está bravo comigo por metê-lo em confusão?

— Ele nunca esteve em confusão. Os machos estavam apenas preocupados com a sua segurança. Todo mundo está ciente de que não a prejudicou. Está tudo bem. — Pausou. — Quer conversar primeiro?

— Sobre o que?

Breeze abaixou a bolsa para o chão e apertou suas costas contra a porta, olhando fixamente para Bela.

— Sexo.

Suas bochechas ficaram muito quentes.

— Não.

— Você está indo embora com Shadow. Ele não se oferecerá para compartilhar sexo com você, mas ainda é um macho. Vou dar-lhe um conselho pedindo ou não. Está pronta?

A vergonha a preencheu, que a outra mulher pudesse lê-la tão bem. Assentiu bruscamente, mais que disposta a escutar qualquer coisa que Breeze tivesse a dizer.

— Certo. Presumo que esteja curiosa, e estou achando que qualquer experiência sexual que teve não foi agradável.

Bela lutou contra as lágrimas enquanto as memórias vinham à tona.

— Não. — sussurrou.

A raiva refletiu nos olhos marrons escuros.

— Desejava poder matar aquele bastardo que a teve a mercê dele, mas isso ficará para outro dia quando nós o pegarmos uma vez que retorne aos Estados Unidos. Não é desse jeito quando compartilha sexo com alguém que se importa com você, e que quer que aprecie a experiência. Nossos machos fazem ambos. São diferentes dos humanos, o que é uma boa coisa. Um macho Espécie nunca a machucaria. Eles rosnam e são agressivos, mas dizer não para eles, significa parar. Eles irão. Fui clara? Se estiver perdido na paixão então esbofeteie suas orelhas. Isto significa abrir suas mãos, e bater nas orelhas deles em ambos os lados de uma vez. Você terá sua atenção. Um macho nunca devolverá. Repita a palavra “não” e ele imediatamente recuará.

Isto chocou Bela, pensar em bater em um dos grandes homens. Eles eram ferozes.

— Está certa que este bater de orelha não deixará um homem realmente bravo?

— Oh irá, mas nunca machucariam uma fêmea. Eu te prometo isso. Essa é outra diferença enorme entre nossos machos e os humanos que conheceu quando estava em cativeiro. Nunca encontrariam honra em prejudicar alguém que sabem que estariam indefesos contra sua força. Irão sair para se acalmar, mas retornarão com um humor melhor. — Ela respirou profundamente, exalando devagar. — Shadow não iniciará sexo com você, mas poderá ir atrás dele. Quer que te diga como ir atrás disso?

Bela assentiu.

— Fique nua. Diga-lhe que deseja compartilhar sexo. Seja direta. Desse modo ele não poderá se confundir com qualquer outra coisa.

— E se ele não me quiser?

Breeze riu enquanto toda a tensão desvaneceu de suas características.

— Ele é macho com tesão. Você é bonita. Recebeu esse nome por uma razão. Shadow não é um idiota ou cego. Vai querê-la. E lembre-se disso. É importante.

— Certo.

— Ele está com mais medo de você do que você dele. Confie em mim nisso.

A dúvida a assaltou.

— Acredito que esteja errada.

— Estou certa. De todas aquelas porcarias de macho, nada é mais assustador para um dos nossos machos, do que alguém que possa quebrar debaixo deles. Não viu nenhum dos nossos machos apaixonados por humanos, mas eu já. É algo engraçado, mas não repita que disse isso. — Breeze ficou séria. — Shadow foi abusado enquanto estava em cativeiro. Saiba apenas que ele tem alguns problemas sexuais também, e será sensível com o que você sobreviveu.

Machucou Bela ser lembrada sobre o passado de Shadow.

— Ele sabe como é ser virado de costas e curvado, enquanto alguém o machuca por trás?

Breeze fechou os olhos e respirou fortemente por longos segundos, antes que focasse o olhar em Bela. Raiva fervia lá.

— Não. Seu sofrimento envolvia drogas e máquinas. Faça-me um favor. Diga a Shadow para te pegar de frente se decidir compartilhar sexo com ele. Diga-lhe que é importante, e que eu disse isso. Pode fazer isso por mim?

— Sim.

— Bom. — Breeze afastou-se da porta e ergueu a bolsa. — Vamos. Os pilotos do helicóptero, a essa altura, já devem estar prontos para levá-la até a Reserva. Avise a Shadow se o voo te assustar. Estou certa de que ficará mais do que feliz em confortá-la. O passeio não é longo.

— Nunca estive consciente enquanto estava no ar. Eles me drogaram quando fui trazida para cá.

— Ficará tudo bem. Eu voei muitas vezes.

O corredor estava vazio, mas Bela não foi sortuda o suficiente para evitar as mulheres, quando saíram do elevador no térreo. Pelo menos dez delas estavam silenciosamente esperando, suas expressões preocupadas. Foi Tiny que falou primeiro.

— Aprecie suas férias, Bela. Divirta-se. — Seu olhar disparou para Breeze. — Ela estará segura, certo? Você prometeu.

— Ela estará. Um macho muito bom vai escoltá-la para lá e a manterá segura.

Tiny estremeceu um pouco e Halfpint andou para seu lado para segurar sua mão. Ela parecia nervosa, mas obviamente forçou um sorriso.

— Nós sentiremos sua falta, mas sabemos que precisa de alguma liberdade.

Bela caminhou e abraçou a dupla. Elas não entendiam por que queria deixar a segurança do dormitório, mas o fato de aceitarem significou muito para ela.

— Estarei de volta antes de notarem que fui.

As duas pareciam incertas sobre isso, mas depressa esconderam suas emoções.

— Estou certa que isso é verdade. — Tiny sussurrou. — Tenha cuidado com o macho.

— Não vamos ter nada disto, Breeze ordenou firmemente. — Ele é um bom macho e é Espécie. — Ela andou a passos largos em direção às portas da frente. — Vamos, Bela. Tem um voo para pegar.

Largou suas amigas, tentando não permitir que seus olhares preocupados a deixasse cautelosa de partir. O conceito de ver e passar um tempo com Shadow a animava muito. Ele não estava bravo se concordou em ser sua escolta. Poderia conhecer o homem melhor. Nenhum medo percorreu sua espinha com o pensamento de viver no quarto próximo ao dele. Não tentou molestá-la de qualquer forma quando estavam sozinhos no prédio de equipamentos.

Breeze depositou a bolsa atrás de um carrinho de golfe e pegou o volante.

— Isto vai ser ótimo, mas coloquei um celular em sua bolsa por via das dúvidas, se quiser me ligar às escondidas se ficar perdida.

— Às escondidas?

— Você sabe, se encontrar-se perdida em uma situação. Meu número está programado. Lembra-se de como usá-lo, certo? Ligue-me se precisar de um conselho, tudo bem? Dia ou noite. — Lançou o pequeno motor em marcha e acelerou para longe do dormitório. — Manterei meu telefone perto, até no chuveiro. Eu te ajudarei.

Bela sorriu.

— Estou muito contente que seja minha amiga, mas ficarei numa boa.

Breeze virou o volante e levou-as em direção ao helicóptero.

— Estou te passando minhas loucas gírias humanas? — Ela riu.

— Aprendi isto de um dos meus guardas. É a fala dos Espécies que acho difícil de me ajustar e falar.

Breeze diminuiu a velocidade do carro, parando e olhando para ela.

— Como o que?

— Fêmea, humano, e tenho um pressentimento que o termo “compartilhar sexo” pode ser um novo que tenho que aprender.

— Não se sinta pressionada a fazer nada com Shadow. Ele não espera isso. Sabe disso, certo? Ele provavelmente espera que eu esteja errada sobre você estar sexualmente curiosa.

As bochechas de Bela esquentaram.

— Você disse isso a ele?

— Disse. — Não havia nenhum remorso no olhar direto de Breeze. — Ele tinha o direito de saber se isso o envolve, no caso de que queira experimentar. Isto evitará que fique chocado ou pense que você está tendo uma falha na comunicação. Acontece com nossos machos quando se tenta ser sutil. É por isso que sugeri que fique nua, e diga-lhe exatamente o que quer. Ele não ficará confuso.

Bela absorveu a ideia de que Shadow estava ciente de sua confusão interna, e de que se tornou o foco disto. Estava atraída por ele, e esperava que algo pudesse acontecer entre eles. Ansiava saber o que suas vizinhas experimentavam quando tinham visitas. Decidiu ser direta.

— Não sou como você, Rusty ou Kit.

— Isso é óbvio e não é só seu tamanho.

Ponderou se isto era um insulto, mas não viu nenhum desdém na expressão de Breeze.

— Não quero ir de homem em homem. Quero conhecer apenas um.

— Respeito isso. Nossos machos podem ser dominantes. Apenas lembre-se disso e não permita que mande em você. Eles são grandes, mas há um ditado que se aplica. Lembre-se disso: “quanto maior eles são, mais forte é a queda”.

Bela considerou calmamente suas palavras. Hesitou ao sair quando estacionaram, estudando sua amiga

— E se algo acontecer e eu quiser mantê-lo?

Suas sobrancelhas ergueram-se.

— Fique nua e fique desse jeito. Ele não partirá. — Ela sorriu. — Eles são difíceis de jogar para fora da cama, por isto se não tentar duvido que ele vá a qualquer lugar.

Bela sorriu.

— Você faz isto soar tão fácil.

— É fácil. — Breeze ergueu a bolsa dela. — Ele está ali. Está olhando fixamente. Aquele é um macho que a nota. Não terá chance se tirar suas roupas. Espere apenas até que tenha certeza.

— Esperarei. — ela suavemente prometeu, virando a cabeça para olhar ao redor até que encontrou o homem alto, com o cabelo loiro curto. Ele estava de uniforme de pé próximo ao helicóptero, e parecia tão nervoso quanto ela.

— Presente embrulhado. — Breeze riu.

— O que? — Bela tirou sua atenção de Shadow até olhar em sua direção.

— Nada. Vamos. As hélices estão girando e os pilotos odeiam desperdiçar combustível.

 

A cabana ficava em uma floresta, e Bela não pôde evitar olhar abertamente para todas as árvores. O topo delas quase bloqueava o céu azul cercando a pequena clareira, onde a estrutura de dois andares havia sido construída. Sua língua arremessou para fora para lamber os lábios enquanto o Jipe parava.

— Esta é sua parada. — Jaded, membro do conselho, recusava-se olhar em sua direção. Ele falou apenas com Shadow desde que os pegou no heliporto, mas sabia que não estava sendo rude. Queria apenas evitar assustá-la abordando-a diretamente. — Está provida com tudo o que possa necessitar, e há um conjunto de telefones por satélite lá dentro. Deixamos dois no caso de algo acontecer com um. — Ele pausou. — Você consegue a recepção de celular normalmente, mas às vezes é esporádico. Ligue para o número da Reserva se precisar de ajuda de emergência. Sua voz enfraqueceu. — Temos fêmeas trabalhando em turnos por via das dúvidas.

— Por via das dúvidas? — Bela falou pela primeira vez desde que Shadow a ergueu para dentro do helicóptero. O passeio a apavorou, mas ele segurou sua mão silenciosamente durante o voo. Os olhos surpreendentes verdes claros, relampejaram em sua direção por alguns instantes, antes dele olhar para Shadow.

— No caso de precisar de uma fêmea, Bela.

Isso se traduz para — no caso de eu entrar em pânico, pensou.

— Vai dar tudo certo. Shadow não me machucará. Sei que estarei segura.

Shadow saiu do Jipe e a agarrou.

— Permita-me te ajudar.

Ela se levantou do banco, e as mãos fortes agarraram seus quadris e a ergueram lentamente da borda, até que ficou de pé na estrada empoeirada. Ele a soltou imediatamente para pegar seus pertences.

— Obrigado Jaded. Estou certo de que ficaremos bem desde que haja comida. Aprendi a cozinhar graças à força tarefa. Eles foram muito úteis enquanto vivi na sede.

O outro homem riu.

— Aposto que foram. Os que conheci diziam que são casados com seu trabalho. Não tendo acesso diariamente a lanchonetes como nós temos, os deixam ávidos para aprender a preparar sua própria comida. Caso contrário, passariam fome. — Seu humor enfraqueceu. — Ligue se qualquer problema surgir. Estamos todos aqui para ajudar.

Bela recusou-se a estremecer apesar do desejo forte. Teve uma suspeita de que todo mundo na ONE, estava ciente de que estava interessada em procurar uma relação física com Shadow. Estava envergonhada e desconfortável por tantos saberem o que deveria ser privado. Abaixou o queixo para esconder o rubor em seu rosto e virou-se para enfrentar a cabana.

O Jipe se foi e os sons do rio podiam ser ouvidos, uma vez que o motor desvaneceu. Os pássaros cantavam e as copas das árvores sussurraram ao vento. Era um lugar pacífico que esperava ansiosamente apreciar pelas próximas duas semanas.

— Por aqui. — Shadow levou as malas dela, enquanto liderava o caminho para a porta da frente.

Ela apressou-se atrás dele.

— Abrirei a porta.

Ele pausou e ela ignorou sua carranca enquanto abria a porta. Shadow fez sinal com a cabeça para indicar que deveria ir primeiro. Curiosamente, ela fez exatamente isto.

Dentro tinha um charme rústico, com paredes de tronco e o que pareceu ser mobília feita à mão, criada principalmente com produtos naturais. Um sorriso curvou seus lábios.

— Que bonito!

— Brass disse que os residentes da Zona Selvagem fizeram a maior parte disto. — Ele olhou para a mesa de centro, que alguém meticulosamente lixou de um tronco espesso cortado pela metade, os interiores alisados e achatados em uma superfície plana. — Bom trabalho.

— O sofá é bonito também. Ela chegou mais perto. — Mais troncos com almofadas grandes. Que inteligente.

— Os quartos devem ser lá em cima. Fui informado que tem dois. Escolha qual você quer.

Ela virou para olhar para ele. Seus nervos fizeram seu coração tremer. Metade dela desejava convidá-lo para dividir um quarto com ela, mas não era valente o suficiente para pedir.

— Não faz diferença.

Os ombros largos encolheram.

— Eu te darei o que for mais agradável. Retornarei imediatamente. Ele fugiu pelos degraus e ela o observou desaparecer. Resistiu ao desejo de segui-lo. A coisa ruim sobre ser segregada dos homens Espécies, era sua falta de conhecimento de como falar com eles. Moveu-se pelo andar de baixo para explorar o espaço aberto. Consistia de uma sala de estar dividida da cozinha por um bar com bancos. Havia um banheiro pequeno só com um vaso sanitário e pia.

Shadow retornou sem suas coisas. Evitando olhá-la.

— Estou indo lá fora para reconhecer a área. Fique aqui dentro até que esteja certo de que é seguro.

— Ninguém nos machucará aqui.

Isso conseguiu sua atenção.

— Você é fêmea e não estou certo se confio que alguns dos machos não ficarão curiosos em vê-la. Brass disse para que eu fizesse algumas coisas para assegurar que saibam que não podem cruzar os limites.

— Limites?

— Preciso demarcar a área em torno da casa, apenas para me certificar que estão cientes que estou aqui.

— Você trouxe sinais?

Ele abaixou seu olhar para o chão e andou a passos largos para a porta depressa.

— Fique do lado de dentro.

Ele se foi antes que ela pudesse fazer outra pergunta. Não tinha levado nada. Caminhando para a janela, o viu desaparecer à esquerda da cabana. Ela virou-se e correu para os degraus, esperando ter uma visão do segundo andar para ver o que ele estava aprontando.

Os quartos eram pequenos, mas mal notou os detalhes enquanto corria pelo quarto que esperançosamente daria uma visão de Shadow. As cortinas estavam abertas e o avistou caminhando pelas árvores. Ele pausou em um ponto com suas costas para ela e seu queixo caiu, enquanto agarrava a frente de suas calças. Embora não pudesse vê-lo exposto, achou que estava urinando em uma árvore.

Preciso demarcar a área. Suas palavras foram absorvidas, e ela se afastou da janela antes dele pegá-la observando. Ele quis dizer, literalmente, e estava demarcando a área como um animal. Isto a surpreendeu.

Espécies não são como humanos, lembrou a si mesma. Seu olhar caiu sobre a cama, para ver a mala de Shadow assentada nitidamente no final da cama. Estava dentro do quarto dele. A cama era grande, com uma cabeceira e um apoio de pé feito de galhos robustos.

Foi para o outro quarto, que tinha uma cama idêntica a dele, e começou a desfazer a mala, tendo certeza de não chegar muito perto da janela no caso de Shadow vê-la. Não queria que soubesse que espiou.

O guarda roupa tinha obviamente sido comprado. Ordenadamente armazenou sua roupa. O banheiro seria compartilhado por eles. Tinha uma porta em cada lado, conectando seus quartos. Nenhuma fechadura foi colocada em nenhuma das portas. Ele poderia entrar à vontade.

Olhou para o chuveiro com as portas de vidro claro. Em ambos os lados. Não haveria nenhum isolamento se ele entrasse. Ela podia pegá-lo enquanto tomava banho, e se não fossem cuidadosos para escutar antes de entrar para ter certeza que o banheiro não estava ocupado.

A porta no andar de baixo abriu e fechou. Bela foi procurá-lo imediatamente. Ele estava abaixado na frente da lareira quando retornou para o andar de baixo, estudando-a. Sabia que estava ciente dela, pois os degraus rangiam levemente debaixo de seus pés.

— Você demarcou a área?

— Sim. — Ele não olhou para ela. — Estarão cientes que estou aqui e ficarão longe da cabana.

Eles o sentirão. Não disse isto em voz alta.

— Não tenho medo deles. São Espécies.

— Eles não veem muitas fêmeas, a menos que se aventurem nas seções mais povoadas da Reserva. Não quero que fiquem tentados a vir aqui para conhecê-la. Alguns deles não são estáveis.

— Eles me atacariam?

Ele ficou de pé e virou em sua direção. A indecisão era clara em suas características em dar-lhe uma resposta. Isso a irritou. Merecia a verdade.

— Por favor, seja sincero. Acha que estou em perigo com eles? Sou primata. Isso faz alguma diferença? Ouvi que a maior parte deles são caninos e felinos. Assisto televisão e li muitos livros desde que fui libertada. São tão indomados que desejarão me caçar? Eles têm instintos de predador, certo? Estou ciente da cadeia alimentar no reino animal.

— Você é fêmea.

— E? Isso significa que não terei chance de sobrevivência se um deles vier atrás de mim? — Não podia vê-la ganhando a luta já que os homens eram tão mais fortes.

— Quer dizer que não desejariam caçar você. — Ele foi para a cozinha para lavar as mãos.

Ela olhou fixamente para suas costas e permitiu que suas palavras fossem absorvidas.

— Sexo?

Ele visivelmente endureceu enquanto fechava a água.

— Sim. — Secou as mãos em uma toalha e abriu a geladeira para inspecionar o conteúdo. Ela não conseguia ver seu rosto. — Não se preocupe. Estou aqui e nenhum deles chegará perto de você. Só não vá para fora sem mim para protegê-la, no caso de um deles ser descarado o suficiente para cruzar as linhas de limite que fixei.

— Shadow. — Disse seu nome suavemente, desejando que parasse de evitá-la.

Ele lentamente fechou a porta e virou a cabeça até que seu olhar azul a encontrou.

— Sim?

— Você podia apenas dizer isso para mim. Você tem medo que um deles me procure para oferecer sexo?

— Não. Tenho medo que um deles possa tentar agarrá-la, e levá-la para casa com ele. Adverti Brass que não sou bom em rastreamento. Tenho sentido aguçado de olfato, mas não estou acostumado à floresta. Poderia levar tempo até achá-la. Não vá a qualquer lugar sem mim. Quero que prometa que se trancará na cabana se algum problema surgir. Lidarei com isso.

— Prometo. — Ela não queria ser sequestrada. — Eles me machucariam se isso acontecesse?

— Eles sabem que é uma Presente, mas alguns deles não são bons da cabeça. Não perceberiam o trauma emocional que causariam, e poderiam tentar te persuadir fortemente a compartilhar sexo.

— Sedução?

Suas sobrancelhas levantaram em surpresa.

— Sim.

— Disse a você, eu leio. — Ela abraçou o próprio peito. — Não estava ciente que felinos ou caninos faziam isso quando estavam interessados em uma mulher. Normalmente tentam impressionar por outros meios em vez de carregá-la.

— É o humano em nós. — Ele deu um passo mais para perto, mas pausou. — Essa é a parte que nos faz irmos atrás, e pegarmos algo se quisermos muito. Você é uma tentação para um macho solitário. — Seu olhar abaixou. — É atraente. Pequena. Não pode revidar também e eles estariam ávidos para protegê-la.

— Proteger ou seduzir?

— Ambos.

— E os seus instintos? O que pensa quando olha para mim?

Ele limpou a garganta e virou-se.

— Está com fome? Posso fazer sanduíches para nós.

— Shadow.

Ele abriu a geladeira.

— Realmente abasteceram isto bem. Há comida suficiente aqui para alimentar um exército. Fechou e abriu o lado do congelador. — Está principalmente cheio de carne. Descongelarei alguns bifes para o jantar. Sou um bom cozinheiro. Gosta de sua carne completamente cozida ou apenas grelhada.

— Completamente cozida. Não vai responder minha pergunta, não é?

— Não. Não vou. Estou aqui para protegê-la.

— Não, você não vai responder essa pergunta sobre seus instintos ou não, vai ficar tentado a me seduzir? — Ficou surpresa que tenha falado seus pensamentos, mas não se arrependeu. Queria saber onde ele estava sobre assunto.

Shadow sufocou um grunhido. A fêmea devia ser tímida, mas agia como se fosse uma oficial com suas perguntas diretas. Elas o deixavam desconfortável, entretanto admirava sua coragem. Fechou o congelador e cortou o olhar de seu caminho, enquanto colocava a carne congelada no balcão.

A expressão no rosto dela partiu um pouco seu coração. Ela parecia frágil e um pouco assustada.

— Está segura comigo. Meus instintos estão em cheque.

Ela apertou o peito um pouco mais, e ele não deixou de notar esse fato ou qualquer outra coisa sobre ela. Sua respiração acelerou e os olhos ficaram arregalados. Pareceu pronta para fugir, e ele tentou parecer menos ameaçador dando um passo para trás.

— Sei que não faria nada prejudicial comigo.

— Sua linguagem corporal implica o contrário.

— Não estou acostumada a falar com homens. Só estou nervosa.

— Não há necessidade. — Uma ideia lhe ocorreu e ele ficou de joelhos. Isso os deixou quase no nível dos olhos. — Dou-lhe minha palavra de honra que nunca faria nada de propósito para assustá-la ou alarmá-la. Relaxe. Odeio ver sua posição defensiva.

O olhar dela abaixou para seu corpo, e soltou os braços para os lados. Seu olhar ergueu para encontrar o dele.

— Faço isso quando estou insegura sobre uma situação. Sempre estive sozinha, e só tinha a mim mesma para abraçar quando não sabia como lidar com algo. Por que está de joelhos?

— Para mostrar a você que estamos no mesmo nível. Não quero que meu tamanho te assuste.

— Estou realmente confortada por isto. — Sua língua molhou os lábios. — Faz com que me sinta segura. Você pode lidar com qualquer um que possa me procurar, certo?

Odiou o modo como seu peito apertou um pouco, ao compreender a raiz de seu medo.

— Lutaria até a morte com qualquer macho que viesse atrás de você. Ninguém passaria por mim. Não sou bom em rastreamento por falta de oportunidade, mas sei lutar. Essa é uma habilidade com que pode contar.

Ela deu um passo hesitante mais perto, e então outro até que parou na frente dele. Ele podia estender o braço para tocá-la, e estava tentado a fazer exatamente isso. Ele resistiu. Seus olhos estavam mais suaves agora e toda a tensão tinha enfraquecido.

— O que mais faria por mim?

— O que você quer? — Seu coração martelava e odiou para onde seus pensamentos viajaram. Breeze estava certa que a Fêmea Presente desejava compartilhar sexo. Seu pênis reagiu enchendo com sangue, enquanto esperava a resposta dela.

A ideia de tocá-la o fez sentir uma mistura de medo e ânsia. Não podia negar querer Bela. Ela tinha um cheiro de algo doce e feminino, mas não de excitação. Nenhum medo pairava no ar, e ele tomou sua palavra. Gratidão o inundou que tivesse tanta confiança nele. Era um leve milagre por si só, depois do que fizeram com ela durante seu cativeiro. Desejava apenas que confiasse em si mesmo tanto assim.

Imagens relampejaram em sua mente das experiências que sofreu. As características de Bela não eram completamente Espécie. Seu nariz espetado e olhos arredondados, não deixavam nenhuma dúvida de que não era canina ou felina. As anomalias faciais eram muito mais leves que a maioria dos Espécies. Seu corpo pequeno era muito humano. Frágil. Delicado. Facilmente contundido. Um suor frio apareceu inesperadamente em seu lábio superior e na testa, enquanto batalhava com o desejo de agarrá-la. Não estava certo se queria só abraçá-la para assegurá-la que estava segura ou se queria fazer mais.

Os lábios dela gesticularam. Ele sabia o que era beijar e queria experimentar isto. Os machos da força tarefa deram-lhe detalhes gráficos sobre como fazer isto, já que souberam que nunca tinha compartilhado isto com uma fêmea. As poucas fêmeas que foram trazidas para que compartilhasse sexo em Mercile, não tinham ficado com ele tempo suficiente para querer essa intimidade.

— Você podia esquecer que sou uma Presente e me tratar como se eu fosse apenas uma pessoa? — O desejo lampejou no olhar dela quando ele forçou seu foco mais para o alto. — É isto o que quero de você.

Sua mão tremia enquanto a erguia e cada músculo apertou quando chegou mais perto de seu rosto. Pairou muito perto para que pudesse sentir seu calor, mas não o tocou. Ela afastou-se.

— Posso fazer isto. — soltou.

— Pare de ficar tão preocupado que esteja me assustando, porque não está. — Ela andou para longe.

Ele a observou enquanto ela olhava para fora pela janela. Shadow abaixou-se para meter seu pênis mais abaixo de sua coxa e esconder sua condição, antes que ela notasse e ficou de pé.

— Posso fazer isto.

— Bom. — Ela sorriu quando olhou para ele por cima do ombro. — Vamos comer e então iremos ver o rio. Aposto que é bonito.

— Nós podemos fazer isso mais tarde. Temos bastante tempo. Gostaria que nos acomodássemos primeiro, e verificar a área antes de levá-la para um passeio. — Ele lutou para manter seu nível de voz. Queria rosnar em frustração por ela não pedir que a levasse para a cama, para tirar sua roupa e compartilhar sexo.

Não vá por aí, ordenou. Posso prejudicá-la com minha falta de experiência. Eles deviam ter enviado outra pessoa. Não sou o macho certo para ficar perto dela. O próprio desgosto transpassou-o pela excitação que sofreu, sabendo que isto estava errado.

— Vou lá trás pegar lenha primeiro. Teremos um fogo hoje à noite. Você gostaria disto?

— Sim.

— Estarei de volta logo. — Saiu pela porta, fechando-a atrás dele, e debruçou-se contra ela. Teve de ajustar seu pau novamente, e apertou seus dentes em frustração. Não conseguiu ficar meia hora sem desejar deixá-la nua.

— Merda. — Respirou fundo e afastou-se da cabana. Estaria levando madeira também. Sua mão deslizou até ajustar seu membro duro para uma posição mais confortável para caminhar. — Tenha controle, murmurou para si mesmo.

Bela sorriu e abraçou seu peito. O olhar retornou da janela, que surpreendentemente refletia a cozinha por trás. Não perdeu quando Shadow pôs a mão na frente de sua calça, antes de ficar de pé. Havia apenas uma razão para que agarrasse aquela área. Estava interessado em interação física também, mas tentou esconder.

Agora tinha apenas que compreender como conseguir que ele tomasse iniciativa para o sexo. Sua mente folheou rapidamente tudo o que aprendeu enquanto assistia filmes e lia livros de romances. Aquele conhecimento pareceu tristemente deficiente quando enfrentou um homem de carne e osso, dando-lhe a oportunidade de experimentar bom sexo pela primeira vez — a provocação, a risada, a proximidade e os toques suaves. O prazer.

A sugestão de Breeze era tentadora, mas não queria arriscar a rejeição. Seria muito vergonhoso para ela. Teria que atraí-lo para que sugerisse isto primeiro. Debruçou-se mais perto da janela e ficou nas pontas dos pés para vê-lo sair da varanda. Sua atenção se fixou em sua bunda musculosa, encaixada nas calças apertadas.

Queria senti-la só para ver se era tão firme quanto parecia. A lembrança de seu peito largo. Ele tinha tantos músculos que queria explorar passando suas mãos sobre cada um. Foi inesquecível acordar descobrindo o estado do corpo dele quando identificou o que estava aconchegado entre suas coxas, depois que passaram a noite juntos.

Sexo ainda a assustava um pouco, mas no fundo sabia que seria diferente com Shadow. Ouvia os homens visitando suas vizinhas o suficiente para que não tivesse nenhuma dúvida que seria agradável. Ela se sentiu estranha enquanto olhava para Shadow. Seu coração sempre acelerava, e coisas estranhas aconteciam em sua barriga. Pequenas sensações de formigamento eclodiam lá neste momento, só de pensar sobre nisso. Claro que não lhe pediria para sair logo depois que fizesse aqueles sons sensuais, que escutava pelas paredes do seu apartamento. Definitivamente quereria seu cheiro nela e em sua roupa de cama. O cheiro dele era maravilhoso para ela.

Os cenários começaram a aparecer em seus pensamentos. Ela podia pedir-lhe que a abraçasse no sofá para assistir televisão colocada sobre a lareira, depois que acendesse o fogo. Queria experimentar essa sensação. Ele poderia tomar isto como um sinal verde para fazer mais. Poderiam assistir a um filme romântico. As mulheres no dormitório adoravam. Ela descartou essa ideia depois de considerar que homens provavelmente não os apreciavam.

Soltou-se ficando de pé e perambulou, pensando profundamente. Seria improvável que assistisse a filmes de homens sobre explodir coisas e tiroteios, o poria num humor para oferecer-se para compartilhar sexo. Suspirou. Era frustrante querer algo, mas estar insegura de como realizar.

O último livro de romance que leu, lampejou em sua mente e ela pausou. Funcionou para a heroína do livro. O homem não apenas veio para sua cama como iniciou a relação sexual. Um plano começou a se formar. A excitação a fez rir.

 

Está tudo dando errado! Bela piscou de volta as lágrimas de frustração, por sua falta de sucesso em atrair Shadow para levá-la para a cama. De propósito tropeçou e caiu contra seu peito, enquanto ele preparava a comida na cozinha. Ofereceu-se para ajudar apenas para ter a oportunidade de colocar o plano em funcionamento. Ele deveria ter olhado para ela, seus olhares se fundiriam, e então ele plantaria um beijo nela. Ao invés disso endireitou-se imediatamente e se desculpou por estar em seu caminho.

O jantar romântico deles acabou sendo um fracasso. Ele evitou olhá-la o tempo inteiro que estavam acomodados próximo um ao outro no bar. Pegou uma revista sobre armas, declarando que estava pesquisando. A única conversa que compartilharam foi sobre a nova medida de segurança que a ONE estava tomando. Explicou detalhes sobre seu equipamento de monitoramento mais recente.

Toda vez que tentava dirigir o tema para o romance, Shadow ficava agitado. Seu rosto enrubesceu, e isto foi um tanto quanto atraente, enquanto gaguejava as palavras. Aparentemente, não ficava confortável discutindo qualquer coisa pessoal. O jantar terminou e sabia que relaxariam na sala de estar posteriormente.

Isso fez Bela parecer incapaz como mulher. Essa habilidade natural de paquerar com homens parecia totalmente deficiente no seu caso. Embora autopiedade não fosse seu estilo, em relação a sua falta de semelhança com uma vida normal, até ela ser libertada. Apenas teria que descobrir como despertar seu interesse em fazer sexo.

O fogo na lareira estava aceso, mas em vez de se sentar ao lado dela no sofá, onde deixou bastante espaço, ele se sentou em uma cadeira do outro lado da sala.

— Pode se sentar ao meu lado. — insinuou, imaginando se inclinar contra ele e se aninhar ao seu lado.

— Estou bem aqui. — Bocejou. — Estou cansado e não quero adormecer. O sofá é muito almofadado para mim.

As chamas seguraram seu olhar, mas não sua atenção. Isso estava no homem à sua esquerda. Do canto de seu olho, o viu cruzar os tornozelos. As botas volumosas que usava pareciam desconfortáveis. Deu-lhe uma ideia enquanto mexia seu corpo para olhá-lo.

— Quer que eu remova suas botas? Posso fazer isso para você. — Viu um filme onde a esposa fez isso para seu marido, quando voltou para casa do trabalho. Ele a beijou posteriormente agradecido. — Não seria nenhum problema.

— Sou capaz de removê-las eu mesmo. Tirarei-as antes de ir para a cama. — Ele franziu a testa. — Não sou um macho fraco.

— Não disse que você era. Só queria ser gentil.

— Você é. — A cabeça dele inclinou para trás e ele olhou fixamente para o teto.

Seguindo seu olhar, não viu nada de interessante nas vigas de madeira. Ele parecia fascinado. O vento lá fora esbofeteava o lado da cabana e sacudia as janelas. Shadow respondeu saltando de pé, imediatamente alerta.

— Fique aí. Vou lá fora patrulhar.

— Não é nada. — Não queria que ele partisse.

Ele parou na porta, finalmente encontrando seu olhar.

— Está tarde. Devemos nos preparar para dormir quando retornar. Vá na frente para seu quarto. Voltarei logo e apago o fogo.

Ela começou a dizer-lhe que era muito cedo — pouco depois das oito — mas ele se foi antes que pudesse falar. A porta fechou e uma grande decepção foi tudo o que lhe restou. Teria recebido um zero se fosse avaliada nas habilidades de “fazer um homem desejá-la”.

— Droga. — murmurou, sabendo que estava remetendo ao palavreado humano, entretanto, continuou tentando quebrar esse hábito. — Merda. Porra. Que se dane. — ela continuou, caminhando. Espécies eram difíceis de lidar. Os homens humanos sempre a pediam para ser legal com eles. Os guardas sempre estavam interessados nela, mas Shadow parecia imune. Isso a confundiu e a perturbou.

Foi para o andar de cima para pegar o telefone de sua bolsa. Ligou para Breeze. A Espécie respondeu no primeiro toque.

— Está tudo bem?

— Não.

— Ele fez algo errado? — Um grunhido ressonou na linha. — Baterei nele.

— Caí em cima dele, mas apenas me pôs de volta em pé. Convidei-o para se sentar ao meu lado, mas escolheu uma assento do outro lado da sala. Por que isso não está funcionando? Não acho que ele me queira. Estava certa que essas táticas provocariam uma resposta.

A pausa foi longa.

— Você o que?

— Caí sobre ele acreditando que ficaria tentado a me beijar, mas não ficou.

— Eu te disse o que fazer. Remova sua roupa e diga a ele para compartilhar sexo com você.

— Não sou tão corajosa. — Bela ergueu a cabeça, escutando a porta no andar de baixo, para certificar-se que ele não tinha retornado e escutado sua conversa. — Não acho que retribua meu interesse.

— Ele é macho e respira. — Breeze riu. — Ele apenas não está tendo noção exata do que quer dele. Precisa ser mais agressiva.

— Não sou você. — Odiou o modo como se sentiu ao admitir isto, como se tivesse perdido algo essencial, mas não podia negar ser um pouco tímida. — Congelo quando considero algo tão grande, e se ele me rejeitar? Ficaria envergonhada. Não conseguiria enfrentá-lo e estamos compartilhando uma casa.

— Quer que ligue para contar a ele? Faria isto facilmente. Tenho o número do telefone celular dele.

— Não! Queria apenas um conselho.

— Eu te dei um. Tire a roupa. Diga-lhe para remover suas roupas. Isso é tudo que vai custar, Bela. Ele não a rejeitará. Ele não tem nenhuma fêmea em sua vida.

— Você não poderia apenas me dizer como deixá-lo interessado em mim sem mostrar meu corpo primeiro?

— Você podia dizer-lhe que deseja compartilhar sexo. Isso clareia qualquer confusão.

— Estou procurando por uma abordagem mais aprazível.

— Foi isto o que aprendeu com os humanos? É incrível que façam sexo. — Breeze ficou muda por um momento. — Não sou uma perita nisto. Tentei iniciar sexo com um humano e ele não respondeu como esperado. Que tal se tirarmos Shadow e o substituímos por um membro da força tarefa? Talvez um macho humano fosse mais adequado para você.

O conceito de permitir que alguém exceto Shadow a tocasse, matou qualquer desejo que teve em descobrir o que acontecia entre duas pessoas durante o sexo consensual.

— Não. Eu o quero.

— Você está certa? Posso fazer alguns telefonemas.

— Quero Shadow.

— Ele é o único macho com que passou um tempo. Poderá gostar de outro. Posso enviar alguns deles até aí. Embora tivessem que movê-la para o hotel. De jeito nenhum Valiant iria lidar com os residentes da Zona Selvagem se cheirassem humanos. Eu posso...

— Esqueça o que perguntei. Descobrirei isto sozinha. Não envie ninguém.

— Está bem. Ligue-me a qualquer hora.

— Obrigada.

Bela terminou a ligação e escondeu o telefone. Endireitou-se para ouvir a porta, enquanto rapidamente ficava nua e colocava uma camisola. Um barulho leve embaixo a assegurou do retorno de Shadow. O olhar estava fixo na soleira aberta, na expectativa de vê-lo subindo as escadas. Não foi uma longa espera.

Ele pausou na entrada e olhou para seu corpo. Sabia que a camisola azul pálido não era sensual. Não possuía nada que pudesse ser considerado assim pelos padrões de ninguém, mas tinha um decote baixo. A ONE pagou por tudo que possuía, e compraram tudo on-line. Neste caso era uma enorme camisola que caia até seus joelhos, três vezes maior, e os braços eram longos o suficiente para alcançar seus cotovelos.

— Boa noite. Estarei bem no quarto ao lado. — Ele afastou o olhar. — Quer a porta fechada?

— Não. Prefiro aberta.

— Pode dormir à vontade. Nada entrará sem que eu ouça. — Virou-se pronto para se afastar.

— Shadow?

Ele pausou, virou a cabeça e olhou fixamente para ela.

— Sim?

Seus nervos a fizeram se sentir um pouco enjoada. Estava na ponta da língua para pedir-lhe para que compartilhasse seu quarto. Sua frequência cardíaca aumentou e um caroço pareceu se formar no centro de sua garganta, bloqueando a fala.

— Boa noite, Bela.

Ele se foi. Não ouviu a porta de seu quarto fechar, e se perguntou se tinha deixado aberta também. Seus ombros afundaram por perder sua chance de convidá-lo para dormir em sua cama. A luz apareceu debaixo da porta do banheiro que compartilhavam, deixando-a saber, que ele estava lá. A água, um momento mais tarde surgiu.

Sentou-se na cama olhando fixamente para a rachadura minúscula ao longo da parte inferior da porta do banheiro. A porta do chuveiro rangeu. A lembrança da maior parte do seu corpo nu escondido apenas pela bandeira veio à tona. Shadow tinha um corpo grande, todo musculoso e corpulento. Seu cabelo não demoraria muito para lavar já que era tão curto.

A disposição do banheiro se reproduziu em sua mente, e ela focou-se na parte onde ele estaria em pé debaixo do jato d’água. O desejo de se juntar a ele era forte. Breeze ou Rutsy apenas entrariam lá, tirariam a roupa, e entrariam no box com ele. Elas teriam a coragem de arrastar as mãos na pele dele, e dizer-lhe para fazer qualquer coisa que quisesse.

Bela se sentou quieta. Estava vivendo sozinha com um homem que queria, mas não podia se convencer a agir corajosamente. Isso a fez se sentir como uma grande covarde. A água cessou, ele abriu a porta do chuveiro e ela imaginou-o usando uma toalha para se secar. A luz desligou e o silêncio reinou dentro da cabana.

Shadow se esticou na cama e olhou para o teto. Escolheu dormir com um dos pares de cuecas boxer, que seus amigos humanos da força tarefa lhe deram, ao invés de estar nu. Odiava vestir qualquer roupa enquanto dormia, mas a entrada para o corredor estava iluminada pelo quarto de Bela. Ela não desligou a luz. Isto o deixou perguntando-se o que estaria fazendo lá.

Estava muito quieto na cabana, nenhum som de vida além do vento esbofeteando a estrutura ocasionalmente. O dormitório para onde se mudou recentemente sempre tinha um pouco de barulho. Os machos falando nos corredores, ou portas fechando em algum lugar. Um de seus vizinhos gostava de jogar vídeo game um pouco alto. Foi bem-vindo depois do silêncio imponente de viver no porão da sede da força tarefa. Sentia falta de Wrath e desejou que pudesse ligar para ele.

Seu melhor amigo e sua companheira tinham acabado de se mudar para uma casa em Homeland. Precisavam de tempo para se adaptar e não quis atrapalhá-los. Não estava tarde então não precisava se preocupar que perturbasse seu sono, mas sabia que esperaram ansiosamente para passar um tempo sozinhos. Privacidade não era algo que tiveram muito em seu antigo aposento.

Virou-se de lado, olhando para o corredor. Devia voltar a Homeland para se familiarizar com seus novos deveres. Viver entre tantos Espécies foi agradável. Eles o receberam de braços abertos e começou a fazer mais amigos. Então Bela decidiu correr na chuva.

Não podia lamentar conhecê-la, mas se ressentiu do modo que foi manipulado para se tornar uma cobaia. Jurou nunca permitir que isso acontecesse novamente. O fato de que pudesse envolver qualquer coisa sexual, realmente o deixava de mau humor. Ninguém considerou seus sentimentos. Não queria fazer parte de ser cobaia de ninguém.

É isso que sou, silenciosamente admitiu. Gastou muitas horas se familiarizando com os Novas Espécies e suas realizações, durante quase metade do ano vivendo com a força tarefa. Eles lhe deram acesso a todas as informações que quis sobre seu povo. As Fêmeas Presente foram um dos tópicos que leu. Era considerado que qualquer contato sexual com um macho, danificaria seu estado emocional já delicado. Elas foram criadas mais fracas de propósito, para serem mais fáceis de controlar e menos improváveis de lutar.

Um brilho de suor apareceu inesperadamente em seu corpo, embora tivesse acabado de tomar um banho frio. A ideia de tocar Bela o deixou com tesão. O conhecimento de que várias coisas poderiam dar errado se iniciasse sexo com ela, não só esfriou seu sangue, como abasteceu seus medos de compartilhar sexo. Poderia chegar nela muito agressivamente, porque negou seu desejo de tocar em uma fêmea.

Seu pau começou a endurecer só de pensar nela debaixo dele. A memória dela naquela camisola molhada grudada contra sua pele, não escondendo nada dele, foi à coisa mais sedutora que já viu. Alcançou abaixo, agarrando seu pau pelo seu short e o ajustou para uma posição mais confortável. Pausou antes de largá-lo, tentado a cuidar do desejo de gozar. Tornou-se um perito em masturbação para cumprir suas necessidades sexuais.

Faça isto, persuadiu-se. Diminuiria um pouco o seu desejo de caminhar para o quarto ao lado, para buscar a companhia dela. Seus dedos acariciaram e seus olhos se fecharam. A sensação do algodão roçando contra a cabeça do seu pau era um pouco irritante, mas ainda era bom. Endureceu ainda mais e suas bolas começaram a doer.

Imaginou Bela em sua mente, seus grandes olhos escuros olhando-o fixamente com confiança, e mordeu de volta um grunhido, enquanto soltava o pau para agarrar o travesseiro. Ela ficaria apavorada se o visse nu. Pior, a paciência não era sua característica mais forte. Podia pegá-la muito rápido ou muito severamente. Sabia que ainda não tinha entorpecido sua ânsia por ela. A habilidade de enfrentar seus medos parecia um pouco com uma lição, em comparação ao desejo quente queimando pelo seu corpo.

Culpa, admitiu. Cobiçava ir atrás da delicada fêmea. Ela dormiu em seu peito e a segurou. Os instintos protetores eram uma parte de sua genética, mas sentiu algo muito mais pessoal quando acordaram ouvindo alguém se aproximando do abrigo. Queria matar qualquer um que fosse uma ameaça para sua Bela. O estado meio adormecido de sua mente poderia ter respondido como a possessividade que o agarrava, mas não ia mentir para si mesmo. Esta não foi à razão ou a causa. Ela deu-lhe sua confiança e queria mantê-la ao seu lado.

Foi assim que acabou aqui, repreendeu-se. Brass o lembrou que outro macho poderia machucá-la sem querer, e teria feito qualquer coisa para prevenir isto. Ainda que significasse se deitar de lado com um pau duro, suando em frustração, olhando para a lâmpada no corredor, enquanto imaginava o que ela estaria fazendo no quarto ao lado.

A luz debaixo da porta do banheiro apareceu de repente, e ele se endireitou para ouvir todos os movimentos dela. Um sorriso curvou seus lábios quando a torneira da pia apareceu, e momentos mais tarde a descarga. Ela era tímida até mesmo quando cuidava de suas necessidades. Isso enfraqueceu a diversão. Ela camuflou propositalmente sua ida ao banheiro, então o que faria se estivesse nua debaixo de um macho que pretendia familiarizar-se muito mais pessoalmente com seu corpo?

A torneira fechou e a luz apagou, quando ela deixou o outro cômodo para retornar ao quarto. O corredor escureceu também, mas ela não fechou a porta. Teria ouvido se tivesse fechado. Respirou pela boca e tentou relaxar. Amanhã seria um longo dia, mas com moderação. Não seria fácil. Ele já estava em seu limite e só passaram poucas horas juntos. Inscrevi-me para uma nova tortura, querendo o que não posso ter.

 

Bela desistiu de dormir. Uma boa hora deve ter se passado e sua inquietação só piorou. Empurrou as coberturas e se levantou saindo da cama. Andou nas pontas dos pés pelo chão, e saiu do quarto fazendo uma pausa. Sua audição não era tão boa quanto à maioria dos Espécies, mas era melhor do que das pessoas normais. O som da respiração lenta, fixa assegurou-lhe que não tinha despertado Shadow.

Os degraus não rangeram enquanto rastejava por eles, e seguia em direção à porta da parte de trás. A área seria segura e apenas queria um pouco de ar fresco. A porta foi fácil de destrancar pelo que sentiu, e um vento morno explodiu nela no segundo que a abriu. Era agradável em sua pele enquanto saia para a varanda. A porta fechou silenciosamente atrás dela.

Era um espaço pequeno com um pequeno telhado, mas não ficou lá. Três passos a levaram para uma área gramada que era macia debaixo de seus dedos. O barulho do rio era fraco, atiçando seu senso de curiosidade.

Não foi difícil de distinguir as formas escuras das árvores, enquanto seguia o som da água se movendo. A densidade das árvores diluíra e de repente estava em um aterro olhando por cima da negritude com apenas alguns reflexos de luar refletidos. Sorriu orgulhosa por tê-lo achado sozinha. Um olhar ao redor e achou um tronco caído bom para se sentar.

Um uivo a assustou. Seu coração acelerou enquanto se levantava imediatamente temerosa. Estava muito perto e ela virou estudando a escuridão cuidadosamente. Algo se movia à sua esquerda, um ramo estalou e um grunhido baixo surgiu.

— Shadow? — Sussurrou seu nome, com medo de falar muito ruidosamente. Realmente esperou que fosse ele. Novas Espécies faziam isso quando estavam bravos, e imaginou que estaria furioso se tivesse acordado e descoberto que tinha saído. — É você?

Alguma outra coisa se moveu a sua direita e ela jogou sua cabeça nesta direção. Uma forma escura rastejava mais para perto por detrás de uma árvore. Era grande, mas abaixado no chão. A menos que Shadow estivesse de quatro, não era ele. Recuou lentamente, apavorada. Outro grunhido veio de sua direita, e olhou nesta direção para localizar outra forma grande e baixa entre dois arbustos rastejando mais perto.

— Shadow? — Sua voz aumentou ligeiramente. Queria gritar seu nome, mas o medo restringiu seus pulmões.

Um cheiro alcançou seu nariz enquanto começava a ofegar. Sangue fresco era o que estava sentindo se tivesse que adivinhar. Isso não predisse nada de bom. Outro cheiro veio com ele. Identificou-o dos tempos que acariciou alguns dos cães de guarda que os oficiais Espécies às vezes levavam para o dormitório das mulheres.

— Cachorrinhos bonzinhos. — cantarolou, recuando mais. Tinha de estar perto da margem do rio. — Onde estão os oficiais que levam vocês para passear?

Um deles saiu ao luar o suficiente para que conseguisse olhar bem para ele, e ela gemeu. Não estava usando a coleira da ONE nem parecia ser amigável. Mostrou suas presas e rosnou para ela.

— Merda. — respirou, reconhecendo um lobo quando via um.

O outro rondou chegando mais perto, vindo até ela pelo lado. Rosnou também e se abaixou um pouco, provavelmente se preparando para lançar seu corpo nela. Eles a estavam perseguindo e ela era a presa deles. Seus instintos gritaram. Perigo.

Ninguém a advertiu sobre lobos selvagens correndo em torno da floresta. Recuou, cambaleando, mas recuperou o equilíbrio, olhou para trás e percebeu que estava sem espaço. Podia saltar na água, rezar para que os lobos não a seguissem, mas não sabia nadar. A queda d’água não era longe, talvez um metro pelo rio denso, mas não tinha nenhuma ideia o quão fundo seria.

— Calma. — sussurrou, virando para enfrentá-los. Respirando profundamente, tentou deixar sua voz trêmula estável. — Parados! — O tom firme a deixou orgulhosa.

Eles chegaram mais perto, ambos rosnaram baixo e profundo. Vão me atacar. Podia sentir o perigo como se fosse um cheiro que pudesse inalar. Os dois ficaram tensos, seus grandes corpos peludos abaixaram-se lentamente de frente em preparação, mas outro uivo assustador perfurou a noite.

Os dois viraram a cabeça em direção de onde veio o uivo. Bela permitiu que seus instintos assumissem o comando, e correu sem parar pela beira do rio. Correu o mais rápido que pôde, ignorando a dor em seus pés nus.

Estavam em perseguição. Suas respirações difíceis e corpos pesados esmagando folhas e ramos a asseguraram disto. Não tinha certeza em que direção a cabana estava, mas continuou se movendo evitando árvores e arbustos. Uma boa ingestão de ar e um grito finalmente irromperam.

Os lobos estavam se aproximando dela, muito depressa para que pudesse ser mais rápida, apesar da vantagem de seus genes alterados. O rio não era uma opção, mas viu um galho baixo adiante. O desespero a fez tentar saltar por ele e uma casca áspera rasgou suas palmas. Não era forte o suficiente para se manter pendurada e colidiu no chão duro de barriga.

Enrolou-se em uma bola, a única coisa que sobrou para fazer, esperando que os lobos a despedaçassem. Seus braços cobriram o rosto e as palmas cobriram as orelhas. Algo grande aterrissou ao lado dela e ela choramingou.

— Não! — A voz masculina era alta e brutalmente severa.

Um fardo pesado apertou contra seu traseiro. Bela queria chorar quando uma mão apertou seu ombro para mantê-la na posição. Os rosnados dos lobos estavam perto, mas Shadow não se separou dela. Estava usando seu corpo para protegê-la.

— Vão. — rosnou. — Achem coelhos.

Um dos lobos ganiu.

— Vão!

Eles retrocederam, colidindo pela floresta ruidosamente. A mão sobre ela deixou seu ombro e o peso que se debruçava contra seu traseiro se moveu. Ele estava respirando fortemente. Os olhos de Bela encheram-se de lágrimas quentes, e soube o quão perto chegou de morrer.

— Você está segura. — A voz saiu menos animalesca e uma nova descarga de medo a percorreu. Este não era Shadow.

Lentamente moveu seus braços, espiando, e distinguiu a forma de um homem abaixado alguns centímetros de distância. Ele era grande.

— Eles se foram, ele a informou, seu tom suavizando. — Não tenha medo. Ele moveu-se devagar, oferecendo-lhe a mão. — Aceite. Deixe-me ajudá-la. Não está em perigo.

— Bela! — Shadow gritou seu nome.

O sujeito próximo a ela virou a cabeça e rosnou.

Ela ofegou.

— Shadow! Estou aqui!

Isso levou o homem a voltar seu foco de volta para ela.

— Ele devia cuidar melhor de você. Pegue minha mão. O chão está frio e quero ter certeza que não está machucada. Não sinto cheiro de sangue. Eu os estava seguindo quando começaram a agir estranhamente. Apenas não sabia que era você que queriam caçar.

Ele não atacou, então um pouco do medo aliviou.

— Quem é você?

A mão afastou-se.

— Torrent. Você é a Fêmea Presente. Por que está aqui fora sozinha? Podia ter sido jantar para aquela matilha de lobos.

— Saí de fininho. — admitiu. — Shadow não sabia. Achei que seria seguro se ficasse perto da cabana.

— Bela! — Shadow estava muito perto e segundos mais tarde correu para o lado dela. Aterrissou a centímetros, de cócoras, rosnando para o homem.

— Saia de perto dela.

Torrent recuou lentamente.

— Eu a salvei de uma matilha de lobos. — Soou bravo. — Você precisa tomar conta dela melhor. Não é apenas dos Espécies residentes que ela precisa ser protegida. Temos muitos animais selvagens correndo soltos. Eles não te advertiram?

— Não. — A voz de Shadow estava ainda rouca.

— Nós temos tigres, leões, ursos, e lobos vagando pela Zona Selvagem. Oferecemos abrigo para eles aqui na Reserva, quando os humanos os acham muito perigosos. Preferimos lidar com esses animais a vê-los destruídos. O outro homem abaixou-se também. — Sou Torrent. Ele pausou. — Alguém deveria ter lhe dito sobre eles, Shadow. — Olhou para Bela. — Ela admitiu ter saído de fininho. Previna isso no futuro. Foi pura sorte eu ter saído hoje à noite. Acabei de trazer um novo lobo, e descobri que a matilha farejava atrás de algo. Era ela. Localizei-os enquanto caçavam para ter certeza que não estavam atrás de um dos nossos outros animais resgatados.

Bela se sentou, espanando a sujeira. Shadow se levantou e ofereceu lhe a mão. Ela pegou e foi suavemente puxada em pé. Ele continuou segurando-a.

— Você trouxe um novo lobo para cá?

Torrent suspirou.

— Os humanos às vezes pegam animais selvagens, acreditando fazê-los de animais de estimação. Eles os abandonam ou os levam para abrigos quando percebem que não podem ser domesticados. Começamos um programa para aceitar esses marcados para a morte. Os residentes precisaram de algo para fazer e gostam de cuidar deles. Sou o enviado para pegá-los e libertá-los aqui na Reserva. É o meu trabalho. Hoje à noite dirigi para pegar um filhote de lobo resgatado de um dono abusivo. Sabia que uma das fêmeas lobos cuidaria dele. Ele é bastante jovem.

— Obrigado. — Shadow curvou a cabeça enquanto o outro Espécie se endireitava. — Bela não sairá sozinha novamente. Ele virou-se para olhar para ela. — Você está machucada?

— Estou bem.

Ele cheirou ruidosamente.

— Você está apavorada.

— Eles estavam me perseguindo. Pensei que teria que saltar no rio, mas não sei nadar.

— Você precisa aprender. — Torrent limpou a garganta. — Deixarei vocês agora. Vou checar o filhote e ter certeza que a matilha retornou ao seu território. Pedirei a alguns dos nossos machos para manter um cuidado maior sobre eles, para ter certeza que não retornaram a esta área enquanto estiver de visita. Pausou. — Ensine-a a nadar. Todos os animais aqui estão muito bem alimentados para desperdiçarem seu tempo entrando no rio para ir buscar sua comida. Ela estaria protegida deles se entrasse na água.

A mão de Shadow apertou um pouco mais.

— Também não sei nadar.

Torrent hesitou.

— Retornarei amanhã depois de almoço e ensinarei a vocês dois. Está é uma habilidade necessária. — Virou-se e caminhou para a escuridão. Um lobo uivou ao longe.

 

A pequena mão na dele o lembrou de que Bela esperava que a guiasse. Observou o macho Espécie partir, e não perdeu as formas escuras que o rastreava por ambos os lados. O cheiro dos lobos era forte o suficiente para estimar que houvesse pelo menos meia dúzia ou mais.

Shadow lutou para controlar seu temperamento enquanto forçou o ar a entrar e sair de seus pulmões. A raiva era uma emoção forte. Ninguém o advertiu sobre a perigosa vida selvagem que podia prejudicá-los. Claro que isso vinha em segundo plano, para o fato de que a fêmea deixou a cabana. Outro macho teve que salvá-la. Todas as coisas que podiam ter acontecido quase o enviou a um acesso de raiva.

— Shadow?

Ela sussurrar seu nome não ajudou. Acordou com o som de um grito fraco, sabia que era ela e que não estava na cabana. Abriu a janela, deslizou do telhado e caiu sobre o chão duro. O desespero e o medo pela segurança dela exaltaram seus sentidos, enquanto entrava na floresta seguindo seu cheiro.

Seus pés estavam sangrando, mas ignorou a dor. Ele virou, encarando-a.

— Teve sorte que aqueles lobos não te despedaçaram, ou aquele macho não a machucou. Você entende?

Olhos escuros se arregalaram e ela empalideceu.

— Sim. Não sabia que haveria algum perigo. Ninguém me disse. Fui advertida apenas sobre os residentes, e você disse que demarcou a área e que era seguro!

Ele olhou para seu corpo e para suas pernas nuas. A grande camisola que vestia quase brilhava na escuridão. Ela poderia também ter vestido um grande cartaz que dizia “venham me pegar” para quaisquer predadores por milhas.

— Não fale e não tenha medo. — ele advertiu antes de largar sua mão e curvar-se.

Ela ofegou quando ele agarrou seus quadris e a empurrou, até que sua barriga bateu em seu ombro. Um braço enganchou ao redor da sua cintura e a agarrou pelas costas. Endireitou-se, ajustado-a suavemente onde a pendurava através do seu corpo e seguiu em direção à cabana.

— Shadow?

— Silêncio. — rosnou. — Você o ouviu. Leões, tigres, e ursos estão aqui. Você já atraiu os lobos.

Ele não teve nenhum problema em achar à cabana e a deixar na varanda. A porta estava trancada.

— Fique aí.

Ele teve que subir até o telhado, entrar pela janela aberta e correr para o andar de baixo para destrancar a porta. Bela não se moveu um centímetro. Ele apenas a pegou em seus braços, virou-se e entrou. Chutou a porta que fechou atrás deles e livrou uma das mão para trancar as fechaduras. Recusou-se a olhar para o rosto dela enquanto a levava até o banheiro e suavemente a colocava no balcão.

— Não se mova. — Sabia que seu tom era severo, mas ainda batalhava com a raiva. Ela deixou a cabana sem ele e queria gritar.

— Você está sangrando!

Olhou para o chão azulejado e notou as pegadas sangrentas.

— É. Isso acontece quando se salta do segundo andar pela janela e corre pela floresta de noite sem sapatos. — Ele ligou o chuveiro e apenas entrou com sua boxer. — Não converse comigo agora.

A água fria ajudou a enfraquecer a dor enquanto se agrupava ao redor de seus pés, lavando o suor e o fedor do próprio medo de seu corpo. Tudo o que conseguia pensar enquanto corria para achá-la, é que podia estar muito atrasado. Um macho podia tê-la traumatizado ou um animal tê-la despedaçado. O tempo permitiu que suas emoções se tranquilizassem e foi quando fechou a água.

Seu olhar encontrou o dela. As lágrimas inundavam seus olhos e ainda parecia mais pálida que o normal. Agarrou uma toalha e começou a secar sua pele o melhor que pôde, com o short molhado. Limpou a garganta, tentando manter suas emoções fora da voz.

— Não deixe a cabana sem mim. — Pausou para surtir efeito. — Você entende?

— Sim.

Não queria apavorá-la, mas o medo era muito melhor que a morte, ou ser forçada a confrontar um macho excitado com a mentalidade de um animal.

— Percebe o quão pequena você é? O quão impotente?

Os braços dela se cruzaram no peito e empurraram seus seios juntos, dando-lhe uma boa visão dos montes suaves em baixo do tecido. Isto o deixou ainda mais raivoso.

— Sim.

— Não acho que percebeu.

Jogou a toalha no chão e avançou. O jeito que ela engasgou e se encolheu quase foi o suficiente para pará-lo, mas tinha adrenalina demais bombeando por suas veias para por um fim na sua necessidade de ensiná-la algo que poderia salvar sua vida. Suas mãos apoiaram no balcão em cada lado dela, enquanto se debruçava até que a cabeça dela descansou contra a parede. Ela não tinha nenhum lugar para ir para evitá-lo enquanto ele invadia seu espaço. Medo lampejava em seus olhos enquanto sua respiração aumentava.

— Podia fazer qualquer coisa com você, Bela. Não conseguiria me parar. — Ele aproximou o rosto até que seus narizes esfregassem. — Bata-me. Empurre-me. — Sua voz aprofundou. — Acha que poderia ganhar?

— Não. — ela sussurrou.

Olhou profundamente nos olhos dela e sentiu-se como um completo bastardo. Ela estava genuinamente com medo. Novos impulsos o golpearam e ele resistiu. Queria beijá-la e pôr suas mãos por toda parte de seu corpo. Recuou alguns centímetros.

— Você teve sorte de que aquele macho parecia manso. Poderia tê-la levado. Estaria dentro de um quarto com ele em vez de estar comigo. Ele não estaria aproximando-se deste jeito de você para provar um argumento. Eu poderia não te achar. Rastreamento não é minha melhor habilidade. Tem alguma ideia de que tipos de imagens de pesadelos passaram pela minha cabeça enquanto procurava por você? Ouvi seu grito e acreditei que te encontraria morta ou não te acharia.

Inspirou e expirou até que controlou seu desejo de dar mais lições, apenas por uma desculpa de tocá-la. Ele queria. Seu pênis começou a endurecer, mas o ignorou apesar do algodão molhado deixá-lo desconfortavelmente notável.

— Sinto muito.

— Teve sorte de estar segura agora. Confiei que tivesse o bom senso de me ajudar a mantê-la fora de perigo. Aprendi minha lição. — Ele soltou o balcão e recuou. — Espero que aprenda a sua.

Tire a roupa e tome banho. Conseguirei algo limpo para você vestir e colocarei em sua cama. Chame-me no segundo que estiver decente. Nós não acabamos.

Virou-se, saiu para o quarto dela e fechou a porta entre eles para dar-lhe privacidade. Ele pausou, escutando. A respiração irregular dela o fez se sentir pior. Achou que ela lutava contra o desejo de chorar, mas finalmente a água ligou.

Sua mala estava empacotada com coisas femininas que não se sentiu confortável mexendo, mas localizou uma camisola semelhante a que ela vestia quando se conheceram. Tinha alças minúsculas nos ombros e o algodão suave era muito fino. Ele o soltou na cama e usou o corredor para entrar em seu próprio quarto. Levou apenas segundos para trocar a cueca molhada por uma seca. Cuidaria de seus pés depois. Os cortes não estavam ruins, mas ficariam doloridos por alguns dias até que curassem totalmente.

Não podia permitir que Bela se livrasse do que fez. Da próxima vez poderia não alcançá-la a tempo, ou o macho poderia não ser civilizado o suficiente para ser tão educado. Ela precisava entender os perigos. As fêmeas no dormitório a mimaram demais, mas não era culpa dela. Era assim que as Fêmeas Presente eram tratadas.

— Droga. — falou.

Bela se secou e checou ambos os pés. Havia um pouco de dano em um calcanhar, mas teve sorte. Shadow não podia dizer o mesmo. Usou sua toalha úmida para limpar as pegadas sangrentas. Estava cheia de remorso e vergonha. Ele machucou-se porque fez uma coisa impensada. Pior, ele a viu chorar. A última coisa que queria era parecer mais fraca do que Shadow já acreditava que fosse.

Isto pareceu tão inofensivo no momento. Queria apenas ir lá fora, nunca achou que realmente seria perigoso. Shadow marcou a área e Espécies não machucam outro Espécie. Todos os homens a evitavam. Era uma coisa boa que estivesse errada sobre isto, considerando que Torrent salvou sua vida.

Abriu a porta do quarto e foi um choque quando Shadow estancou encarando-a. Ela o ouviu em seu quarto e pensou que seria seguro vestir-se depressa. Cobriu seus seios nus com as mãos e se retorceu, tentando esconder a parte de baixo.

— Merda. — Ele virou. — Desculpe. Não achei que sairia nua.

— Pensei que estava em seu quarto.

— Sua camisola está na cama.

Arremessou-se para ela e colocou-a por cima da cabeça. Em sua pressa as alças não quiseram ajustar-se em seus braços, enquanto emaranhavam com seu cabelo molhado. As coisas não podiam ficar pior. Ele estava bravo e acabou de vê-la nua. Arrastou a camisola para baixo depois de se desenrolar olhou fixamente para as costas largas dele.

— Estou decente. — O calor ainda aquecia seu rosto quando ele virou-se de frente novamente. — Desculpe. — Acho que não foi isto que Breeze quis dizer quando disse para mostrar-lhe meu corpo nu. De jeito nenhum iria pedir para fazer sexo com ele agora. Não havia como perder a raiva refletida em seus olhos, quando ousou encontrar o olhar direto dele. — Realmente sinto muito.

— Estive pensado.

Medo a agarrou.

— Quer que eu retorne a Homeland? Estraguei isso, não é? — Abraçou a cintura, um hábito que odiava, mas não conseguia parar.

Ele olhou para o seio dela e depois afastou o olhar.

— Não.

O sentimento de enjoou piorou.

— Vai chamar outra pessoa para ficar comigo? — Ela o queria, não um homem diferente vivendo com ela.

Ele agitou a cabeça.

— Dormirei aqui no chão. Desse jeito não ficará tentada a dar mais passeios sozinha, já que terá que passar por cima de mim para fazer isso. Não vai sair da minha vista a menos que eu esteja tomando banho.

Suas palavras foram absorvidas e ela ficou despedaçada entre a dor e a raiva. Ele não se ofereceu para compartilhar a cama dela preferindo o chão. Aquela rejeição machucou-a profundamente. A parte onde pensou que poderia cometer o mesmo erro duas vezes, insultava sua inteligência. Não era uma completa idiota.

Ela caminhou até a janela para olhar a vista, mas só viu seu próprio reflexo já que a luz no quarto deixou impossível ver qualquer outra coisa. Seu cabelo caia como uma massa molhada por cima dos ambos. Não era surpresa que não queria dormir com ela. Ela parecia um rato afogado. Pior, se sentia como um rato. Um rato assustado e tímido.

— Essas são as novas regras.

— São? — Sua raiva cresceu. Estava cansada de lhe dizerem o que fazer e o que não fazer. Estava livre e queria o direito de fazer como lhe agradasse, do jeito que todos os outros Espécies faziam. Ela o enfrentou. — Então está decidido? É o final? Nenhuma discussão entre nós primeiro?

Seus olhos estreitaram.

— O que isso quer dizer?

— Disse que sentia muito. Nenhum de nós sabia que havia animais perigosos lá fora. Fui lá fora tomar um pouco de ar fresco, mas queria ver o rio. Sei que fez xixi nas árvores para demarcar a área, para manter os outros homens afastados. Sou uma Presente então nenhum deles se aproximará de mim de qualquer forma. Sou uma leprosa em nossa sociedade ou como se fosse.

— Uma o que?

— Você não lê? Eu leio. É alguém com uma doença de pele contagiosa. É chamado hanseníase. Assim é como sou tratada. É como se tivesse isso e alguém pudesse pegar de mim se chegarem muito perto.

— Machos evitam você por respeito e preocupação por seu bem-estar.

Estava cheia de ouvir isso. Todo mundo estava tentando ser tão protetor que talvez pudessem também embrulhá-la em uma bolha, e trancá-la dentro de um quarto. Não era justo e não era certo. Ela não era Tiny ou Halfpint e estava cansada de ser igualada a elas.

— Isto é um monte de merda.

As sobrancelhas dele levantaram-se rapidamente.

— Isso significa besteira. Ninguém me perguntou se eu queria ser etiquetada com esse título ou tratada do modo como tenho sido. Apenas quero uma vida normal. Sou intitulada das mesmas coisas que qualquer Espécie.

— Você foi abusada.

Ele está brincando? Sua raiva ferveu.

— Você também.

Ele empalideceu ligeiramente.

— Não é a mesma coisa. As coisas feitas comigo não quebraram meu espírito.

— Não estou quebrada também. — Ele estava realmente irritando-a. — Você acha que não ouvi as histórias de alguns do nosso povo? Ouvi. Algumas das mulheres foram estupradas por guardas enquanto estavam na Mercile. Seu tamanho e força as salvaram às vezes, mas nem sempre. Só um homem me machucou e sei que podia ter sido muito pior.

— Não vejo como.

— Posso te dizer. Halfpint e Tiny não querem ser tocadas nunca mais. Elas estão quebradas por dentro ao ponto dos homens as apavorarem. Elas querem ser protegidas e se manter afastadas de todo mundo que tem um pau. Não posso nem imaginar algumas das coisas horríveis da qual sobreviveram. Não foi um piquenique para mim, mas o Mestre não era nenhum louco depravado por sexo.

— Ele não era seu Mestre. — Shadow rosnou. — Nunca mais o chame disso novamente.

— É o único nome que tenho para chamá-lo. Poderia chamá-lo de canalha ou imbecil, mas você entendeu. Era um homem velho e provavelmente poderia ter lutado com ele, mas sabia quantas coisas piores poderiam acontecer se eu fizesse isso.

Ele franziu a testa.

— Explique.

— Os guardas, Shadow. Ele era a única coisa que os impedia de me estuprar. Pagava-lhes para tomarem conta de mim, e manter suas mãos para si mesmos. Não que eles mantivessem suas bocas fechadas. Nunca tive dúvidas do que queriam fazer comigo, porque frequentemente falavam sobre isto. Tentaram me subornar para permitir-lhes fazerem coisas nojentas em troca de mais comida, e uma promessa de que não os denunciaria. Estive muito faminta em minha vida, mas nunca tanto assim. Tive as palavras para usar como arma. Isto é tudo que já ousei ter.

— Palavras?

— Como ameaçar denunciá-los se me tocassem.

— Ele tocou em você.

— Sim, tocou. Também não foi bom. Eu era um objeto para ele em vez de uma pessoa. Sabia disto. Sentia isto. Eu era algo que ele possuía. Ele me vestia com roupas bonitas, assim podia me admirar como se eu fosse uma daquelas pinturas que tinha no andar de cima. Tenho cicatrizes emocionais, certo, mas me senti sortuda depois que passei um tempo com as outras Fêmeas Presente e ouvi suas horríveis histórias. E, além disso, cresci lá. Não conheci pessoas vivendo de qualquer outro modo. Foi traumático e assustador, mas era normal para mim. Não sabia que existia qualquer outra coisa fora isso.

Ele ficou boquiaberto para ela.

— Você sabe o que Halfpint sofreu? O homem que a possuiu exibia sua mulher meio animal e os deixava tocá-la. — Lágrimas encheram seus olhos só de pensar no pesadelo infernal que sua amiga sofreu. — Ele se sentava em uma cadeira e os assistia fazerem o que queriam. Havia apenas uma regra. Não podiam contundi-la ou deixar marcas. Ele gostava dela com uma boa aparência.

Shadow rosnou.

— Tiny foi entregue a um sujeito que era afim de coisas que me deixaram enjoada. Nunca permitirá que um homem a toque novamente. Ela prefere morrer. Nem quero repetir as coisas que falou. Fez-me sentir culpada por me lamentar. A pessoa que me teve só me forçou a aceitá-lo em meu corpo. Doía e foi sem emoção, mas não me bateu ou me humilhou fazendo isto na frente de outros. Não me fez dizer que amava as coisas que fazia com meu corpo. Nunca estava amarrada enquanto me forçava a recebê-lo em minha boca ou… — Ficou quieta, tentando controlar suas emoções furiosas.

Shadow olhava fixamente para o chão, suas mãos fechadas aos seus lados. Ela se acalmou.

— Recuso-me a permitir que meu passado arruíne meu futuro. Não sou fisicamente tão forte quanto às outras mulheres, mas também não estou quebrada por dentro. Estou curando. Recuso-me a fazer nada menos. Quanto mais aprendo, mais sou agradecida. Você entende?

Ele olhou para cima.

— Sim.

— Sinto vergonha às vezes por não lutar. — Foi sua vez de olhar fixamente para o chão. — Fiz tudo o que ele pedia porque estava com muito medo de que parasse de me proteger dos guardas. Ficava apavorada que morresse quando adoecia, pois não haveria como impedi-los.

Silêncio se prolongou entre eles.

— Devemos dormir. Shadow caminhou para o corredor. — Vou pegar meu travesseiro para dormir no chão aqui no corredor.

— Pensei que fosse dormir no meu quarto.

Pausou, de costas para ela.

— O corredor é melhor. Fico mais distante de você.

Ai.

— Faria isso se eu fosse Rusty ou Kit? Dormiria no chão? Aprendi a não deixar a cabana sem você. Estou ciente de todos os perigos agora. Não precisa ser minha baba como se eu fosse uma criança. Não sou.

Seu olhar saltou para seus seios.

— Estou mais que ciente disto.

A frequência cardíaca dela aumentou. Não precisava perguntar-lhe o que quis dizer com isto. A atenção dele em seu seio deixou o significado claro. Ele deu-lhe as costas, mas não partiu.

— Pode dormir em seu quarto em vez do chão. Dou minha palavra, nunca mais farei qualquer coisa assim novamente. Pedirei a você para me levar para o rio da próxima vez.

— Por que fez isto? — Ele olhou para trás.

— Ir para o rio? Caminhei para o lado de fora para conseguir ar e o ouvi. Estava curiosa. Pensei que estava dormindo e não achei que isto fosse grande coisa. Posso distinguir formas bem o suficiente para pensar que pudesse encontrá-lo sem cair em um buraco ou na água.

Ele passou os dedos pelo cabelo, quebrando o contato visual.

— Tudo bem. Aceitarei sua promessa.

— Obrigada.

Ele hesitou.

— Não, não me ofereceria para dormir no chão com as outras fêmeas Espécies. Você não é como elas.

— Sou menos, certo? Fraca? Talvez inútil? — Kit lhe disse que os homens viam as Fêmeas Presente desse modo.

— Olhe para mim.

Ele virou.

— O que?

— Sou apenas uma mulher, Shadow. Estou ficando mais forte todo dia, e recuso-me a ser trancada dentro de uma caixa, enquanto você e todo mundo joga a chave fora. Posso não ser tão fisicamente apta como as nossas mulheres, mas isso não me faz menos. Seu queixo subiu. — Sou tímida e menos propensa a ser brutalmente direta, mas me dê um tempo. Quero uma vida normal e isso é algo que vou ter que ganhar, a fim de ser tratada igual por aqui, não é?

Um grunhido suave saiu dele.

— Quer ser tratada do jeito que elas são?

— Sim.

Seu olhar a percorreu lentamente, olhando cada centímetro.

— Não deveria dizer isto agora. Você não sabe muito sobre os machos Espécies, não é?

— O que isso quer dizer?

— Acabei de te ver nua e está exigindo que eu a veja como se fosse qualquer outra fêmea Espécie. Suavemente rosnou. — Tenha cuidado com o que deseja Bela.

Seu coração acelerou enquanto olhavam fixamente um para o outro. Olhou para baixo pelo corpo dele, e notou pela primeira vez que seu short formava uma tenda com o pau semiereto. Ficou surpresa pelo seu estado excitado. Estavam discutindo, mas isto pareceu excitá-lo. Isso não fazia nenhum sentido para ela.

— Boa noite. — Ele saiu de sua visão para retornar ao quarto.

Bela hesitou então correu atrás dele antes de perder a coragem.

— Shadow.

Ele virou, um grunhido baixo passando por seus lábios separados.

— O que?

— Conte-me mais sobre os homens Espécies.

Seus olhos arregalaram e suas mãos esticaram até agarrar o topo do batente da porta do seu quarto.

— Agora não.

— Você disse que não sei muito sobre homens Espécies. Diga-me o que acha que eu deveria entender sobre eles.

Ele pareceu estar estudando seu rosto antes de falar.

— Você não pode ser tão inocente.

A explosão de temperamento ainda abasteceu sua coragem.

— Você está atraído por mim?

— Sabe que estou. — Olhou para baixo para a evidência. — É óbvio. Não há como esconder nesta boxer.

Bela seguiu seu olhar e ficou um pouco boquiaberta com a vista do pênis de Shadow empurrando contra o material. O contorno era grosso, grande e intimidador. Não estava certa como não notou sua condição até que o mencionou. Mas ele tinha olhos tão bonitos que a distraíam. E seu peito nu e os ombros largos. Toda respiração que dava a fazia apreciar a visão de ambos. Havia tanto sobre ele que achava fascinante.

Shadow não faria nenhuma das coisas que o Mestre fez. Estava disposta a confiar nele, ainda que ele não estivesse tão certo de sua convicção. Primeiro, entretanto, precisava descobrir se era tão resistente em ficarem mais íntimos porque ela era uma Fêmea Presente, ou era resultado de seus traumas. Sua boca dizia uma coisa, mas seu corpo mostrava interesse.

— Você quer dormir comigo? — Não podia acreditar que acabou de soltar essa pergunta, mas ficaria com o olhar fixo no teto a noite toda se repreendendo por ser uma covarde. — Pensei que estava bravo. Estou confusa. Não entendo como pôde ter essa reação não gostando de mim.

— Estou furioso. — Ele continuava apertando a madeira da porta firmemente. — Tenho todos os tipos de coisas acontecendo dentro de mim.

— Que tipos de coisas?

Seu peito levantou enquanto sugava o ar antes de exalar lentamente.

— Não a desprezo. Esse é o problema. Podia ter sido morta pelos lobos ou levada pelo outro macho. Isso desperta certos instintos dentro de mim.

— Que tipo?

Ele fechou seus olhos e virou a cabeça para o lado para descansar sua testa contra o lado interno de seu braço, a frustração bem clara em seu rosto.

— Estou tentando entender. — ela suavemente explicou. — Não é minha culpa que fui mantida afastada dos homens Espécies e não sei tanto sobre você.

Sua cabeça virou na direção dela, seus olhos abriram.

— Sou um macho, não um homem.

— Eu te disse, estou trabalhando nessa coisa de linguagem.

— Você disse. — Ele largou o batente da porta e deu alguns passos hesitantes para frente, enquanto suas mãos abaixavam ao seu lado.

Ela não retrocedeu, entretanto parte dela queria. Ele era grande e estava quase nu, mas era Shadow. Surpreendeu-a quando de repente ele caiu de joelhos na frente dela, deixando seus rostos quase na mesma altura. Olhou profundamente nos olhos dela, enquanto suavemente encaixava seus quadris dentro de seu alcance. Ficou sem palavras apesar de querer saber o que ele estava fazendo.

— Explicarei. — ele falou.

Ela assentiu, recusando-se a desviar o olhar dele.

— É minha para proteger. Sei em minha mente que você não me pertence, mas meus impulsos dizem o contrário. Outro macho chegou muito perto, e sei o que poderia ter feito com você. Isto me deixa meio louco por dentro.

— O que acha que ele teria feito comigo?

Uma sobrancelha loira curvou.

— Está certa que quer a verdade?

Nitidamente assentiu.

— Ele teria tirado sua roupa e te seduzido. Teria te montado quando estivesse disposta a aceitá-lo. Sua voz aprofundou. — Teria te virado e pegado você por trás. Isso significa sexo.

— Breeze disse para dizer a um homem para me pegar de frente, por causa do meu passado.

Ele ligeiramente empalideceu.

— Por quê?

— Era assim que… — Pausou, lembrando que ele odiava o termo “Mestre”. — O canalha fazia comigo. Ele sempre me pegava por trás, assim não tinha que me olhar e saber que me causava dor.

Shadow pendurou sua cabeça até que sua testa quase descansou contra o topo de sua camisola. Sua respiração quente abanava o material fino entre seus seios. Ela só hesitou por um segundo, antes de estender a mão e lentamente escovar seus dedos pelo cabelo curto.

— Como aquilo machucava? — Seu tom era áspero.

— Não entendo.

Ele continuou com sua cabeça abaixada.

— Era apenas porque você é pequena e ele estava dentro de você que era doloroso, ou era porque não o queria e não estava molhada?

Ele foi direto o suficiente para surpreendê-la. Também queria ser sincera com ele.

— Não sei. Não queria que fizesse aquilo e apenas doía.

Ele tirou uma mão de seu quadril, e deslizou um braço em volta de sua cintura, abraçando-a.

— Alguma vez foi bom? Nem uma vez?

— Não. — Talvez houvesse algo de errado com ela. Não considerou isso até este momento.

Ele finalmente ergueu a cabeça e ela olhou fixamente em seus olhos novamente.

— Nunca?

— Não.

— Ele acariciava você? Disse que nunca te beijou. Ele tentou te excitar?

— Ele agarrava meus quadris e me dizia para ficar quieta. Isto é tudo.

Raiva lampejou em seu olhar antes que desviasse o olhar.

— Apenas te forçava de joelhos quando a pegava?

— Mais ou menos. Curvava-me no final da cama e agarrava a grade. Era uma cama estreita.

Um grunhido a assustou. Foi um som alto, perigoso.

— Não. — ele falou, segurando o olhar dela novamente. — Não sou ele.

— Sei disso.

— Você está curiosa sobre sexo, e quer saber como seria se um macho que quisesse te tocasse?

Suas bochechas estavam queimando agora, e queria se esconder de seu olhar intenso, mas respondeu honestamente apesar disto.

— Sim.

— Por quê?

— Não entendo a pergunta.

— Por que quer que um macho te toque depois de ter sido machucada?

Tentou colocar seus sentimentos em palavras.

— Não queria a princípio, entretanto comecei a ouvir as outras mulheres que vivem ao meu lado quando homens as visitavam. Elas continuamente convidam mais deles para seus apartamentos. Invejei-as porque soavam tão diferente de que conhecia. Os sons eram de prazer, não dor. Elas gostavam. Quero apenas saber como é ter alguém me tocando desse jeito. Não posso explicar melhor que isso. Gostei de tê-lo me abraçando na noite que passamos juntos.

— Não sou o macho certo para isso.

— Você não me quer. — Isso doeu. — Está tudo bem.

— Quero você. Estou dizendo apenas a verdade. Evito as fêmeas.

— É por causa de que fizeram com você? Fez com que odiasse as mulheres?

— Não, não odeio. Tenho medo que perca o controle se tiver uma retrospectiva. Tenho pesadelos.

— O que exatamente fizeram com você?

Ele não respondeu e pensou que não iria, até que deu uma respirada irregular.

— Eles me deram drogas de procriação e colocaram coisas em cima dos meus olhos para me forçar a assistir vídeos de mulheres humanas tocando em si mesmas. Deixava meu pau duro, porque sou macho e as drogas me excitavam muito. A dor lampejou em seus olhos bonitos. — Colocavam meu pênis em uma máquina que me estimulava a lançar minha semente.

— Roubavam seu sêmen para vender. — Lembrou-se dele lhe dizendo isso.

— Doía muito, e até depois que minha semente era tirada não paravam. Drogaram-me o suficiente para me deixar irracional, assim eu sofria. Comecei a associar dor e humilhação ao ver um corpo feminino. Progredi um pouco desde que fui libertado. A forma feminina me excita agora, mas a ideia de completar a ação me faz hesitar.

Bela continuou a acariciar seu cabelo com as pontas dos dedos.

— Isto fez com que se sentisse desse jeito, quando saí do banheiro agora sem minha toalha?

O braço ao redor de sua cintura apertou lentamente.

— Não.

— Como isto o fez se sentir?

Suavemente rosnou e abaixou seu foco para seu seio.

— Com medo, mas queria você.

— Como possivelmente posso assustá-lo? — Espantou-a que dissesse isto.

Ele olhou para cima e segurou o olhar dela.

— Você é menor que eu, e me preocupo em ser muito rude se puser minhas mãos em você.

— Está me tocando agora e está sendo muito gentil. — Ela engoliu com dificuldade. — Talvez pudéssemos ajudar um ao outro a nos recuperar do nosso passado.

— Como?

Seu coração martelava de medo, mas queria Shadow.

— Venha para a cama comigo.

 

Shadow travava uma batalha interna enquanto olhava para Bela. Era tão tentador assumir a oferta de compartilhar a cama. A condição de seu pênis fazia disso uma péssima ideia. Não queria apenas segurá-la em seus braços. Ele tocaria, talvez lambesse e até morderia. Olhou para o corpo dela. Havia uma dúzia de lugares que adoraria raspar suas presas em sua pele. Ela iria tremer de necessidade por mais ou isto a induziria ao terror?

As memórias de estar acorrentado, enquanto seu corpo era forçado em submissão para lançar sua semente, o danificou. Aquelas imagens de fêmeas humanas nuas o excitaram e ao mesmo tempo aprendeu a odiar a visão delas. Bela não era uma delas. Sua mente sabia a diferença. Seu corpo também, julgando pela resposta. O desejo que por muito tempo negou aquecia seu sangue. Em vez de se masturbar apenas para cuidar das suas necessidades físicas, queria contato íntimo com a Fêmea Presente.

Pensou um pouco nas vezes que a Mercile o usou em testes de procriação. As fêmeas não tinham sido amigáveis demais ou faladoras. Suas vidas as fizeram emocionalmente imparciais. A felina que montou em três ocasiões diferentes entrou em sua cela, tirou apenas as calças e ficou na posição sobre as mãos e joelhos em seu catre. Quando tentou excitá-la tocando-a suavemente e explorando seu sexo, ela rosnou.

— Apenas faça. Sabia que estavam me trazendo para um macho e preparei meu corpo.

Isso explicava o cheiro dela. O aroma rico saindo dela deixou seu pau duro, e seus impulsos animais surgiram. Pegá-la foi fisicamente agradável, não podia negar isto, mas o ato foi frio. Depois ela saiu imediatamente, pedindo aos técnicos para levá-la.

Ela não o reconheceu quando a viu novamente em Homeland — Kit. Foi isso ou propositalmente ignorou a associação passada deles. Vê-la viva foi um alívio, que alguém que conheceu durante aqueles breves encontros na Mercile também tenha sobrevivido, e uma lembrança da vergonha pelo qual uma vez foram sujeitados. Ouviu que as fêmeas foram levadas para muitos machos, e isto tinha sido há vários anos. Era possível que apenas ele não tenha sido memorável para ela.

A outra fêmea era uma que nunca viu novamente. Um técnico a trouxe para ele duas vezes durante os testes de procriação. Ela era canina e agressiva. Ela tinha avaliado o corpo dele de cima a baixo e mostrando as presas.

— Só não me morda. O último macho tentou.

— Eu não lhe farei mal. — jurou.

Ela assentiu.

— Prossiga.

Estava perdido sobre o que fazer. A irritação lampejou na expressão dela, quando ele apenas ficou lá esperando por uma indicação do que ela esperava.

— Primeira vez procriando?

— Não.

— Me deixe molhada.

Ele olhou para a fonte de água em sua cela. Ela rosnou, puxando sua atenção para ela.

— Você não sabe nada, não é?

Vergonha ardeu por ele.

— Posso montar você.

Ela puxou as costuras de sua roupa, rasgando-as.

— Siga-me. Você aprenderá.

Ele a assistiu enquanto ela caia sobre seu tapete, rolou, e abriu suas coxas. Apontou para o chão ao lado dela. — Ajoelhe-se aí mesmo. Qual é seu número?

— Sou 358. Qual é seu?

— 433. Isto é o que você vai fazer 358.

Continuou falando, explicando em detalhes o que queria, e como deixá-la molhada. Ele envolveu a boca no sexo dela. Aprendeu depressa, os gemidos e rosnados recompensaram seus esforços. Era a única habilidade real que sabia quando se tratava de fêmeas.

Bela chegou mais perto.

— Shadow?

Empurrou de volta suas memórias para retornar ao presente. A maior parte de sua raiva diminuiu. Ninguém o advertiu de que a Reserva tinha animais perigosos vagando pela Zona Selvagem. Ela não podia saber sobre eles também. Demarcou a área e disse que era para mantê-la segura.

— Estou mais tranquilo.

— Você quer dormir comigo?

Seu tom esperançoso arrastou-se em seu coração, e também fez seu pau contrair. O que ela faria se ele quisesse deixá-la molhada? O gosto de uma fêmea era viciante, algo nunca esquecido… e sentia falta. Olhou para baixo para os quadris dela, e imaginou aquelas coxas abertas para ele. Um grunhido profundo elaborou-se dentro de seu peito, mas conseguiu abafa-lo. A excitação o agarrou com força e o desejo de empurrá-la na cama, lambê-la e então vira-la para montá-la era tão forte que tencionou seu corpo para mantê-lo imóvel. Mal conseguia manter o controle. A pegaria com força, seu desejo era muito forte.

— Eu não posso.

— Ah.

A rejeição a machucou e ele se sentiu culpado.

— Agora não é uma boa hora.

— Você ainda está bravo comigo por ter ido lá fora. Incrível! Você é tão teimoso.

Olhou para baixo novamente para seu pênis inchado, então franziu a testa.

— Iria querer mais que te abraçar.

Ela não fugiu ou engasgou.

— Nós podíamos tentar.

Bela não tinha nenhuma ideia do que estava oferecendo, mas ele tinha. Estava muito excitado, faria algo estúpido, mas não quis compartilhar essa informação com ela. Gozar em sua cueca boxer, apenas colocando sua boca nela feriria seu orgulho e pior, provavelmente a horrorizaria ou iria fazê-la sentir pena dele.

Ele se levantou e pôs espaço entre eles.

— Não estou bravo. Estou cansado. Só vá para a cama. Discutiremos isto amanhã.

Ele andou a passos largos para seu quarto e fechou à porta, sua mão abaixou para ajustar seu pênis desobediente. Agarrar o membro o fez gemer. Isto doía tanto que se tornou uma dor física. Largou-o e deslizou seus dedos pelo cós de sua boxer para acariciar ao longo da coroa do seu pênis.

Shadow admitiu estar uma bagunça emocionalmente, enquanto enganchava o cós com a outra mão, e empurrava a boxer abaixo o suficiente para livrar seu membro. Ele esticou-se, inchado e vermelho. Mancou com o material ao redor dos joelhos até o criado mudo, se atrapalhou com a gaveta e conseguiu tirar o frasco de loção que pôs lá. O líquido frio nem o perturbou enquanto esvaziava um pouco em sua palma, agarrou seu pau e o bombeou furiosamente. Apenas precisava gozar para poder pensar claramente.

Seus quadris contraíram enquanto jogava sua cabeça para trás, e selou seus lábios para ficar quieto. O prazer o agarrou enquanto furiosamente acariciava seu pau dentro do punho apertado. Estava quase lá, tão perto, e apenas o pensamento de Bela nua foi o suficiente para mandá-lo para além do limite em um patético curto espaço de tempo. Suas bolas apertaram, e depois estremeceu com a explosão de seu gozo.

Um pequeno soluço atravessou a névoa do êxtase, e ele torceu a cabeça para o lado, boquiaberto para Bela. A porta do banheiro que conectava seus quartos estava aberta, o suficiente para ver seus surpreendidos grandes olhos, e seguiu para onde ela olhava. O último jato de seu sêmen saía, espirrando através do topo do criado mudo. Sua mão ainda agarrava seu pênis inchado, e horror o encheu. Tentou falar enquanto sua mente tentava funcionar, apresentar algo, qualquer coisa para explicar ser pego gozando. Nenhuma palavra saiu.

Ela olhou para seu rosto e então empurrou a porta fechando-a. Ela bateu e ele estremeceu enquanto soltava o membro. Outra porta fechou um segundo mais tarde — o lado dela do banheiro, e segundos mais tarde a do corredor. Ela trancou seu quarto.

— Merda. — rosnou. Ela estava provavelmente traumatizada e apavorada. Repugnação jorrou enquanto olhava para baixo na prova de sua tentativa desesperada de não segui-la.

Tirou sua cueca completamente, usou-a para limpar seu sêmen derramado, e caminhou para a porta do banheiro. Escutou, mas nenhum som veio do outro quarto. Entrou para lavar suas mãos. Deixou a luz apagada, já que não queria ver seu próprio reflexo no espelho.

Estava tentado a bater em sua porta para se desculpar, mas não usava nada. Ela poderia entender mal sua razão de tentar vê-la como algo abominável, em vez de apenas desespero para ter certeza de que estava bem. Shadow virou, retornou para seu quarto, e colocou uma calça de moletom. Esticou-se para ouvir algum barulho vindo do quarto de Bela. Ela estava bem? Assustada? Chocada?

— É por isso que disse a eles que não sou o macho certo para ela. — murmurou. Seu traseiro aterrissou com força na beirada da cama, abaixou a cabeça e balançou-a de um lado para outro. — Não tenho nada que fazer perto de uma fêmea.

Bela enrolou-se em sua cama na escuridão, seu coração fazendo uma dança engraçada dentro do peito. Ela entrou no banheiro para escovar o cabelo, mas sons estranhos no quarto de Shadow despertaram sua curiosidade. Queria apenas dar uma olhada nele quando percebeu que a porta não estava completamente fechada. Ao invés disso teve uma baita surpresa.

O perfil de Shadow parado ao lado de sua cama, era algo que nunca esqueceria enquanto vivesse. Sua cueca estava caída nos joelhos, e as coxas musculosas levavam até uma bunda arredondada e firme, que dobrava à medida que seus quadris balançavam. Isto era apenas o início. Seu pau era grande, tão grosso quanto pareceu quando estava escondido debaixo daquele material fino. Ele estava acariciando-o com a mão fechada.

A dor entorpeceu a excitação que sentiu de quão sensual a visão era, enquanto a cabeça de Shadow estava jogada para trás, os músculos de seu braço, sua bunda, e seu tronco tencionado, definindo tudo aquilo. Ele gemeu de um modo que a fez recuperar o fôlego, enquanto o assistia sacudir-se e estremecer enquanto gozava. Isso fez coisas engraçadas com seu estômago. Ficou ciente de seus mamilos por alguma razão, e a pulsação entre suas pernas. Embora não fosse um mistério o que estava sentindo. Teve a mesma reação quando lia fortes cenas de sexo em romances que a excitavam.

De repente Shadow torceu a cabeça em sua direção, e ela forçou seu foco longe da visão muito atraente do pau que ainda acariciava, mas em movimentos mais lentos. Olhou para ela, sua expressão horrenda. O instinto e o medo a agarraram, quando a boca dele abriu e suas presas apareceram. Ele estava muito descontente. Ela correu, fechando as portas entre eles. Invadiu sua privacidade, e não se acalmou até que se trancou dentro de seu quarto.

Shadow não a machucaria. Instintos eram uma merda. Às vezes reagia sem pensar, sofrendo as consequências mais tarde. O incidente da aranha na cozinha um mês atrás no dormitório, foi um exemplo perfeito. As outras mulheres ainda riam e a provocavam por ter saltado sobre o balcão gritando, quando a coisinha minúscula caiu sobre sua mão, quando retirou a assadeira. Deveria ter construído uma teia debaixo do armário e seus dedos devem ter roçado por ela.

O lado sensato dela sabia que não estava em perigo. Nem com a criatura de oito pernas, nem com Shadow. O problema era que algumas coisas apenas estavam embutidas em seu DNA. Qualquer coisa inesperada a fazia pular, fazendo-a correr e fazer aquele horrível som alto. Quase desejou ser canina ou felina. Eles grunhiam ou rosnavam, mas agiam agressivamente quando eram postos naquelas situações. Reações definitivamente não cômicas.

A dor veio depois do embaraço. Shadow podia ter compartilhado sua cama e iniciado sexo, mas foi para seu quarto ao invés disso. Ela rolou, fechando os olhos. Ofereceu-se, mas ele recusou.

Até a viu nua mais cedo, embora não fosse intencional. Não havia nada mais que pudesse fazer. As pistas foram fornecidas, foi sincera e agora a bola estava na quadra de Shadow. Não que parecesse como um jogo que pudessem ganhar. Não que estivesse jogando. Apenas queria que a quisesse tanto quanto o queria. Quem melhor para ajudá-la a curar-se que alguém que sofreu também?

— Droga. — sussurrou. — Por que você tem que tornar isto tão difícil?

 

O sono foi difícil de vir e Shadow sentiu como se tivesse dormido pouco ou simplesmente não tivesse dormido, quando finalmente desenrolou-se da cama assim que o sol subiu. A cabana estava tão quieta que temeu despertar Bela se abrisse a porta para ir para o andar de baixo à procura de comida. Um alívio chegou quando seu telefone celular vibrou e ele respondeu a ligação.

— Há tantas árvores aí quanto me disseram?

— Wrath! — O som da voz masculina nunca foi tão bem-vinda. — Como estão você e Lauren?

— Estamos muito bem. Lauren e seu gato amam a casa. Estou apreciando cada cômodo com ela. Ele riu. — Isto foi uma referência sexual. Fui correr esta manhã e imagine minha surpresa, quando ouvi que tinha sido atribuído para escoltar uma Fêmea Presente para a Reserva.

— Hã, sim. — Sentou-se de volta, correndo seus dedos pelos fios curtos de seu cabelo. O incomodou como cresceu depressa, desde que parou de cortá-lo para a força tarefa. — Fui.

— Você compartilhou sexo?

— Não.

— Por que não? Fui informado que este era o propósito de mandá-los para uma cabana. Para dar-lhes privacidade.

Ressentimento queimou.

— A Mercile não me controla mais.

O silêncio se prolongou por quase meio minuto.

— Sente-se pressionado nisto? Está comparando a ONE a Mercile? Essa foi à maneira que entendi sua declaração.

— Sim. É uma nova experiência de procriação sem os técnicos para lidar conosco, e nenhuma fechadura para nos manter aqui. É ainda esperado que compartilhemos sexo.

— É assim que a fêmea se sente?

— Acho que não. Ela, hã… — Não estava certo como falar isto.

— Ela o que?

— Fui informado de que queria ficar sozinha comigo.

— Ela está interessada em você, mas você não sente o mesmo? Não sente nenhuma atração sexual?

— Sinto. Ela é bonita. — Sua voz abaixou. — Doce. Inocente. Mas é uma Fêmea Presente, Wrath. É pequena, é uma mistura de primata. Sinto-me monstruoso em tamanho comparado a ela.

— Você se ajustará. Não se apresse. Temi isso com Lauren. Elas esticam lá embaixo para acomodar sua circunferência. Só não vá muito fundo até que o corpo dela fique acostumado ao seu.

— Esse não é meu medo. Suponho que em parte é… mas principalmente, tenho medo de perder o controle.

— Entendo. Sofri essas mesmas ansiedades sobre Lauren. Tive que confiar em mim mesmo até perceber que não a atacaria se tivesse um momento ruim. Precisa apenas se lembrar de que ela é de carne e osso, não aqueles vídeos e máquinas. Estamos livres. Nossos corpos não são mais atrelados à dor e a humilhação enquanto nossa semente é roubada. Não se esqueça disto enquanto estiver tocando-a. Largue esse medo. Sei do que estou falando.

— Sei que você sabe. Continuo tendo retrospectivas do que fizeram conosco.

— Você é incapaz de ter uma ereção? — Wrath sussurrou, uma pista de que sua companheira estava perto, e ele queria proteger seu amigo da humilhação de qualquer outra pessoa saber se este fosse seu problema. — Existem pílulas para isso. Deveria discutir isto com um médico. Assistimos comerciais sobre isto o tempo todo. Dizem que não é um problema apenas físico, mas às vezes sentimental.

— Meu pau fica duro o tempo todo. Meu corpo reage a ela. É o medo que bloqueia meu pau.

— Tive o mesmo problema.

— Sim. — Ele sabia que Wrath entenderia.

— Por que não me ligou?

— Você e Lauren finalmente têm sua casa, e está é a primeira vez que teve realmente privacidade. Sei o quanto esperaram ansiosamente para deixar o porão da força tarefa. Você declarou muitas vezes que queria que ela cozinhasse para você nua, e compartilhassem sexo sem medo que alguém os interrompesse. Não queria fazer isto.

— Em outras palavras, estava sendo cabeça dura e teimoso? Queria trabalho com horas mais estáveis uma vez que terminei meu tempo com a força tarefa, em vez de alguém batendo na porta de nosso quarto às duas da manhã com uma missão de emergência. Você é meu melhor amigo e não o considero uma interrupção.

Shadow riu.

— Devia tê-lo contatado.

— Devia. — Wrath concordou. — Deixe acontecer se estiverem atraídos um pelo outro. Tentei negar meus sentimentos por Lauren. A imaginação das coisas ruins que podem acontecer são muito piores do que a realidade.

— Ela foi abusada.

— Nós também. Prometo que não se transformará em um animal, ou entrar em um acesso de raiva pelas retrospectivas, ou de alguma maneira perder o controle levando as coisas rápido demais. Você gosta dela?

— Sim. Faria qualquer coisa para evitar machucar Bela.

— Foque sobre as necessidades dela no lugar das suas próprias necessidades. Somos mais fortes do que acreditamos. Precisa descobrir isto.

— E confiar em você.

Wrath riu novamente.

— Exatamente. Nunca te orientaria errado.

Shadow ficou sério.

— Ela me pegou gozando ontem à noite. Correu para seu quarto e fechou as portas entre nós.

— Está certo que ela o viu?

— Sim. — Ele estremeceu. — A luz estava acessa em meu quarto e eu estava a uns dois metros de distância dela.

— Isto é natural. Explique para ela que somos altamente sexuais, e não cuidar de nossa necessidade nos deixa irritados e desanimados. Nada é mais irritante que ter as bolas inchadas e dolorosas.

— Não brinca. — Olhou para a porta fechada, ainda sem ouvir qualquer coisa que indicasse que Bela despertou.

— Então confia em mim mesmo?

— Sim.

— Ainda me ressinto de ser ordenado a compartilhar sexo.

— Ei o conheço bem. Você não estaria aí se realmente não quisesse ir. Teria ligado para Tim ou Trey pedindo para retornar para a força tarefa mais cedo ou mais tarde. Ainda está contemplando o retorno?

— Não sei. As coisas estão diferentes.

— Bela.

— Sim.

— Sentiria falta dela?

Ele ponderou a pergunta. A ideia de não estar perto se ela precisasse dele era perturbadora. Outros machos poderiam ouvir falar de seu interesse nele, e acreditariam poder pedir para compartilhar sexo, se ela não quisesse ser etiquetada como uma Fêmea Presente. A raiva chamejou e seus dentes cerraram.

— Tomarei isso com um sim já que não negou imediatamente.

— Iria.

— Devia notificar a força tarefa e dizer-lhes que não está mais disponível.

— Ainda não. E se isso der errado? E se compartilhamos sexo e ela desejar explorar com outros machos do jeito que nossas fêmeas fazem? — Ele teria que matar todos os machos que a tocasse, mas isso estava fora de propósito. — Esperarei e verei o que acontece.

Wrath riu novamente.

— Você está mal.

Isso descreveu o tumulto de emoções que experimentava.

— Estou contente que tenha ligado e que você e sua companheira estão indo bem.

— Ontem à noite foi muito engraçado.

— O que aconteceu?

— Tivemos um convidado para o jantar. Tiger veio depois de uma reunião com Justice e Fury. O gato de Lauren silvou para ele e ele silvou de volta. Não gostaram um do outro. Ela disse a ambos que se comportassem bem e que tinham algo em comum. Então revelou que eles compartilhavam o mesmo nome. Quase morri de tanto rir de sua expressão.

— A do gato ou de Tiger?

Wrath riu mais.

— Daquele que entendeu. Ele não achou engraçado, mas eu achei. Fury concordou. Ele literalmente caiu de tanto rir. Ellie estava tendo uma noite de filmes no dormitório das mulheres, então o convidamos também para uma pizza.

— Queria poder ter visto o rosto de Tiger.

— Ele ficou quite.

— Como assim?

— Esta manhã acordamos com alguém na porta. Tiger disse que alguém achou um filhote de cachorro alguns dias atrás, próximo ao portão dianteiro em Homeland. Ele o recuperou da Segurança onde estavam cuidando dele. E disse que era um presente de casa nova e não podíamos recusar.

— Isso foi gentil. Você e sua companheira gostam de cachorros?

— Ela se apaixonou. Ele é bonitinho e parece que realmente já nos ama. Lambe meu rosto e me segue. — Pausou. — Tiger disse a Lauren que era costume dos Espécies nomear presentes e para conhecermos o pequeno Fury.

A intenção foi absorvida.

— Fury não vai achar divertido, mas eu vou.

— Exatamente.

— Como o gato está se entendendo com o filhote?

— Eles estão se ajustando, mas levará algum...

O som de vidro quebrando soou no telefone e fez Shadow ficar tenso.

— O que foi isso?

— O gato acabou de saltar no armário da parede e atropelou um vaso. Eu disse que Tiger estava quite, mas não estava com Fury. Cobriu o telefone um pouco. — Eu limparei.

Lauren podia ser ouvida do fundo.

— Fury mau! Tiger não é uma bola para perseguir.

Wrath suspirou e falou diretamente para o telefone novamente.

— O filhote acredita que o gato é um brinquedo, e o gato parece pensar que está em ataque. Tenho um pressentimento que vai ser uma longa semana.

— Eles se tornarão amigos. — Lauren gritou. — Só teremos que convidar Fury e Tiger de volta para jantar, assim eles podem ver que felinos e caninos podem se dar bem.

— Ela está contando em ficar quite também. — Wrath sussurrou. — É melhor eu ir. Não quero que Lauren corte os pés. Está nua e muito perto do vidro quebrado. Ligue-me se precisar de conselho. Não hesite.

— Não hesitarei.

Shadow desconectou o telefone e se levantou. Precisava de um banho depois faria o café da manhã. O cheiro de comida atrairia Bela para fora do quarto. Pelo menos esperava que sim. Eles precisavam conversar antes dele se encontrar com Torrent para a lição de natação. O pensamento de deixá-la sozinha por uma hora não era reconfortante, mas não a queria ao redor dos outros machos.

 

Bela se esticou de bruços e abriu seus olhos. O sol apareceu e o cheiro de bacon a deixou completamente acordada. Estava com fome e um novo dia amanheceu. A princípio duas semanas pareceram como se fosse muito tempo, para ver até onde sua atração por Shadow levaria, mas uma daquelas semanas já tinha passado, e eles não fizeram muito progresso. Viviam juntos, mas poderiam também ser companheiros de quarto. Pareceu que contato sexual real poderia nunca acontecer.

Culpou-se por espiar no quarto de Shadow. Ele estava desconfortável depois da noite que o pegou acariciando a si mesmo. Não encontrava o olhar dela por mais tempo que alguns segundos, e achava desculpas para ficar do lado de fora frequentemente. Não que o culpasse. Provavelmente o evitaria também se ele a pegasse na mesma situação.

A única vez que tentou falar sobre isso, ele a calou rapidamente mudando o assunto, gaguejando as palavras, e saindo da cabana depois de jurar que ouviu um barulho. Ela não ouviu nada. Foi uma desculpa para evitar a conversa. Qualquer chance de um romance pareceu escurecer com cada dia que passava. Estava tentada a pedir a Shadow apenas para devolvê-la a Homeland. Embora seu coração não permitisse.

Suas noites não foram assombradas pelo passado. Ao invés disso um Espécie alto, loiro atormentava seus sonhos. Assim que ia dormir, ele aparecia nu e correndo suas mãos por todo o seu corpo, mas recuava toda vez que tentava tocá-lo. A visão de todos aqueles músculos, pele bronzeada, e ele agarrando seu pau grosso a deixava excitada e frustrada.

O chão do lado de fora da porta rangeu, antes do som de uma batida.

— Bela? O café da manhã está pronto.

— Certo. Estarei aí em alguns minutos. — Tornou-se rotina ele informá-la que a comida estava pronta, comeriam silenciosamente juntos, e então ele sairia até a próxima refeição.

— Não se apresse.

O chão rangeu novamente à medida que ele partiu. Saiu das cobertas e olhou para sua camisola. Era difícil lutar contra a tentação de ir para o andar de baixo apenas do jeito que estava. Isto era exatamente o que queria fazer. Lute com Shadow. Era adulta, e ele era um homem. Estavam sozinhos e queria experimentar tudo que a vida tinha para oferecer, inclusive ele. Estava cansada de ser evitada e das discussões casuais com tópicos neutros.

Existiam sinais de que Shadow tinha tomado banho, quando ela entrou no banheiro. Uma toalha molhada pendurada no cabideiro confirmava isto. Só levou segundos para se despir e esperar pela água amornar. Depois de seu banho, correu para se preparar, vestindo uma saia com uma regata solta. A visão de pernas de mulheres deveria fazer os homens pensarem em sexo. Esperava que os livros estivessem certos. A regata solta permitia que visse que não usava sutiã.

Olhou para baixo. Seus seios não eram grandes demais, mas também não era achatada. O movimento era aparente debaixo da regata, quando saltou descalça, fazendo-os sacudir. Bela assentiu.

— Não jogue justo. A vida não é, então por que eu deveria ser?

Respirou profundamente e foi à procura de Shadow. Ele se sentava na mesa da cozinha com dois pratos de comida. Sempre a sensibilizava o fato dele esperar por sua chegada para poder comer. A atmosfera ainda estava um pouco tensa, mas já esperava por isto. Pegou uma cadeira em frente a ele e olhou para seu rosto.

Ele evitou contato visual, aparentemente muito interessado em seu prato.

— Isso parece delicioso. Obrigada.

Os ombros mal cobertos por uma regata preta encolheram.

—Obrigado.

— Espero que tenha dormido bem.

Linhas minúsculas ao redor de seus olhos diziam que provavelmente não dormiu.

— Para falar a verdade não.

Bela o estudou.

— Já estou cansada disto.

As sobrancelhas dele curvaram-se.

— Disto o que? Quer outra coisa para comer?

— Cansada do que quer que esteja acontecendo entre nós. Não posso suportar mais isso. Sinto muito ter visto o que vi, mas essa ultima semana nós mal conversamos, e você sair por horas está me enlouquecendo. Devíamos discutir isto.

Isso chamou sua atenção.

— Queria me desculpar. — Suas bochechas escureceram, mostrando claramente sua mortificação. — Você não devia ter visto aquilo.

Ele foi direto e a surpreendeu que não evitou discutir o que aconteceu.

— Fui eu que abri a porta. Ouvi barulhos e me perguntei o que você estava fazendo.

Suas sobrancelhas levantaram rapidamente.

— Percebi.

Sua boca apertou em uma linha firme à medida que sua expressão suavizava.

— Não precisa se desculpar, mas queria ser mais atraente que sua mão. — Eu realmente disse isto. Merda! Não quis expressar seus pensamentos em voz alta.

— Você é. — Sua voz saiu mais profunda.

Teve que desviar o olhar, o momento estava intenso.

— Machucou meus sentimentos. — Enquanto estava admitindo coisas, poderia também arriscar tudo. — Me ofereci para dormir com você.

— Não queria apenas dormir.

Ela encontrou seu olhar fixo.

— Eu também não.

Ele respirou com força e a cadeira raspou ruidosamente no chão, quando se levantou depressa, e a chocou enquanto dava a volta na mesa. Suas mãos agarraram seus antebraços e ele a puxou deixando seus pés instáveis.

— Não tenha medo.

— Certo. — Seu coração acelerou.

Seus pés deixaram o chão e ele a virou até que sua bunda caísse sobre o balcão. Foram de mal se falarem para estarem no nível de cara a cara. Shadow suavemente rosnou, um som sensual, e mexeu seus quadris. Ela separou os joelhos para permitir que ele chegasse mais perto, até que estavam quase nariz com nariz.

— Quero você.

Sua confissão era o que ela queria, mas estava acontecendo tão rápido que lutou para pensar.

— O que faremos? — Suas mãos se ergueram quando ele a largou. A pele dos ombros dele era extremamente morna, quando seus dedos enrolavam ao redor deles para ter algo para se agarrar.

Ele vasculhou seu rosto, procurando possivelmente por medo. Isto não era como se sentia. Shadow a tinha presa no balcão e chegou perto o suficiente para beijar. Ela ergueu seu queixo e separou os lábios, um convite para ele fizesse exatamente isto.

Ele se debruçou um pouco e os olhos dela se fecharam em antecipação. A respiração dele abanava seu rosto, um cheiro bom de café. Esperou, mas nada aconteceu. Suas pálpebras se abriram para espiá-lo.

Shadow afastou seu rosto alguns centímetros.

— Não desse jeito.

— Nós podíamos ir lá para cima.

— Eu…

— Você o que?

— Tenho que encontrar Torrent para uma lição de natação. Depois que me ensinar, a levarei para o rio para aprender.

Torrent ligou para adiar sua lição. Uma emergência surgiu relativa a um filhote de leão localizado na casa de um humano, e ele teve que deixar a Reserva. Ficou fora por toda a semana, mas talvez estivesse de volta agora.

Grandes mãos agarraram seus quadris e a ergueram lentamente, abaixando-a para seus pés.

— Devia comer. — Pareceu agitado. Ele recuou soltando-a, obviamente tentando clarear sua cabeça. — Sim. Coma. Preciso, hã, verificar o perímetro.

Ele continuou pondo espaço entre eles, enquanto encaravam um ao outro. Ela olhou para baixo e claramente viu o contorno de seu pênis rígido pressionado contra o material de sua calça de moletom.

— Shadow.

— Eu, hã, preciso ir. Coma. — Ele virou-se e fugiu.

— Droga! — O que tinha feito de errado? Talvez ele esperasse que ela o beijasse e tomou sua falta de iniciativa como rejeição. — Não sei como. — sussurrou. Ele não estava mais lá para ouvi-la.

 

Shadow não se importava de aprender coisas novas, mas natação na rápida corrente não apenas parecia perigoso, como também não trouxe nenhum interesse. Shadow não estava empolgado que o rio estivesse tão perto da cabana, porque isto representava um perigo para Bela, então aprenderia assim que Torrent tivesse um tempo livre na agenda dele.

Shadow sentou-se em um tronco caído, olhando através do rio para o outro lado. Um movimento pegou sua atenção, quando avistou um macho Espécie abaixado estudando algo na água. O macho estava longe, mantendo distância da cabana, mas avistá-lo não foi reconfortante. Ele se levantou, deixando sua presença visível.

Eles encaram um ao outro através da água. Shadow manteve uma postura tensa, as mãos fecharam-se em ameaça, certificando-se que o macho soubesse que defenderia o perímetro do território. Um sorriso curvou nos lábios do outro Espécie e uma mão levantou acenando.

— Vou ficar neste lado. — ele gritou. — Acompanhando um dos meus leões.

Shadow não teve nenhuma dificuldade em ouvir o que foi dito apesar do som da água corrente.

— Bom.

O macho assentiu.

— É uma fêmea. Ela está vagando, mas não acho que atravessou. — Ele endireitou-se, caminhou ao longo da margem e então apontou. — Ela saiu do rio aqui. Está tudo bem.

Leões selvagens. Shadow estremeceu um pouco. Ele não era contra os animais, mas não tinha muita experiência com eles. O gato de Lauren era o único com quem realmente passou um tempo, e ele era animal pequeno. O conceito de um maior com garras e presas afiadas não era algo com que quisesse entrar em contato pessoalmente.

O macho acenou novamente e virou, desaparecendo nas árvores espessas. A boca de Shadow despencou. Não havia como negar o que viu. O macho da Zona Selvagem não só tinha características mais animalescas e formatos de olhos incomuns — ele tinha um rabo. Não era um longo demais, mas estava pendurado na parte de trás do short solto até as panturrilhas nuas.

Havia muitas coisas que odiava na vida que lhe foi dada, mas foi poupado do que Mercile considerou um fracasso. Aqueles machos com suas características mais alteradas realmente tiveram uma vida difícil. Leu os relatórios sobre como foram tratados nas instalações de testes. A maioria foi alojada em canis no estilo de jaulas de verdade. Alguns tiveram muito poucas habilidades de comunicação já que os técnicos não falavam com eles frequentemente. Eram alimentados e tratados como se fossem puramente animais, e não tiveram o benefício de qualquer tipo de educação. A maioria dos Espécies podia ler, foram ensinados em uma idade jovem, ainda que fosse apenas para propósitos de experiências. Era duro julgar o resultado da droga se o participante não podia se comunicar verbalmente, ou ler para ver se sua memória ou vista foram adversamente afetadas.

Seu próprio abuso pareceu mínimo comparado aos outros, enquanto se sentava no tronco, ponderando a vida de um residente da Zona Selvagem. Eles nem se sentiam confortáveis vivendo entre seu próprio tipo em Homeland. Shadow recebeu a oportunidade de trabalhar próximo com humanos na força tarefa. Gostou da maioria deles, embora houvesse algumas exceções. Eles não o fizeram parecer inferior aos humanos, mas apenas não eram amigáveis demais, preferindo se afastarem emocionalmente dos outros membros. Não era pessoal. Tratavam todos desse jeito, Espécie ou humano.

Olhou para o céu, julgando que estava fora da cabana por tempo suficiente. Ele saiu às pressas quando fugiu de Bela. A tentação de compartilhar sexo com que ela foi quase insuportável, até que percebeu que a tinha prendido na mesa. Ela merecia melhor do que ser pega na cozinha. A culpa bateu com força e rápido.

Bela merecia uma cama e um macho que soubesse mais sobre sexo para se certificar de que apreciasse. Esse macho devia ser suave, falar palavras bonitas para ela, apesar dele sentir como se constantemente estivesse enfiando o pé na boca. Ela quis que a beijasse. Sua cabeça inclinada para trás e seus lábios divididos enquanto fechava os olhos, foi uma boa indicação. Havia só um problema. Ele nunca beijou uma fêmea antes.

— Merda.

Ficou de pé e começou a voltar para a cabana. De uma forma ou de outra, precisava descobrir como dar a Bela o que ela precisava. Queria fazer direito por ela, e mais importante, ele a queria. Wrath estava certo. Ninguém poderia tê-lo forçado a escoltá-la para a Reserva, a menos que no fundo, ele quisesse. Não negaria aquela verdade. Poderia não ser o macho certo para ela, mas desejava que fosse.

A cabana apareceu à vista e uma sensação profunda de alívio o encheu, quando viu fumaça saindo da chaminé.

Bela sentava-se no sofá, segurando um pequeno livro de bolso quando entrou. Seus olhos escuros se ergueram e seu coração disparou dentro do peito. O desejo de ir até ela, cair de joelhos e apenas tocá-la, o agarrou com força. Ela tinha trocado de roupa enquanto esteve fora, algo que mostrava menos pele. Perguntou-se se tinha feito isto em resposta por ter fugido mais cedo.

— Oi. — Ela fechou o livro depois de cuidadosamente colocar um marcador de páginas no lado de dentro. — Você saiu por horas.

— Precisava pensar.

— Você está indo embora? — Eles enviarão outro oficial para cá para me proteger, ou retornaremos a Homeland juntos?

— Você quer retornar? Quer outro macho aqui com você? Um protesto congelou em sua língua. Recusou-se a forçá-la a ficar com ele. Faria o que ela quisesse, ainda que isto o matasse.

— Não. — Ela inclinou-se.

— Bom. — Ele entrou na cabana, fechou a porta e trancou-a. — Gosto de estar aqui com você.

Um pouco da tensão deixou suas características delicadas.

— Sério?

— Sim. — Odiou sentir como se fosse um fracasso como macho. — Estou atraído por você, Bela. O que sinto é um pouco de medo.

Seus lábios se separaram.

— Você tem medo de mim?

— Não estou certo em como lidar com as emoções que sinto quando estou perto de você. Nunca as experimentei antes.

— Eu também não. — Ela bateu levemente no sofá próximo a ela. — Você vai se sentar?

Ele cruzou a sala e cuidadosamente se sentou na extremidade do sofá, a um metro de distância dela. O seu cheiro maravilhoso fez o membro estremecer. Por que sempre se sentia suado, nervoso e altamente excitado quando ela estava por perto? Toda sua confiança desaparecia.

— O que você está lendo?

— Um livro de romance.

Ele olhou para aquilo, divertido pela capa com um macho e uma fêmea entrelaçados em um abraço.

— Eles são interessantes?

— Sim. Acho que sim.

— Isto é tudo o que você lê?

— Não. Eu amo livros de terror também.

Isso o surpreendeu.

— Você gosta?

— Sim. Especialmente os de crime. Os livros tipo “quem é o culpado”. — Ela pausou. — Tive acesso a livros de mistério para crianças no porão. Achei uma caixa deles armazenados em um canto, atrás de algumas mobílias. Havia apenas quatorze deles, mas os conhecia de cor de lê-los tantas vezes. — Isso foi quando era livre para percorrer o porão inteiro. Mais tarde um quarto foi construído para mantê-la em uma única área.

— Estou contente que aprendeu a ler.

— Eu também. Um dos guardas era legal comigo quando era jovem. Acho que tinha pena de mim. Ele tinha uma filha.

Não iria admitir que o Mestre descobriu e despediu o homem. Mencionar o Mestre sempre azedava o humor de Shadow. Aquele guarda foi à única pessoa que tinha feito alguma coisa por ela sem esperar algo em retorno.

— Você lê livros?

— Às vezes. Houve longos períodos de inatividade quando trabalhei para a força tarefa, entretanto tivemos dias onde pareceu que apenas fechava os olhos, antes que estivéssemos saindo novamente.

— Isto era excitante?

— Às vezes.

— Você já sentiu medo?

— Nós invadíamos prédios e casas procurando por ex-empregados da Mercile. Às vezes eles revidavam. Muitas vezes já tinham ido embora.

— Isso soa assustador, mas sou tão agradecida que a força tarefa exista. Eles me acharam.

— Eu sei. — Sua mão suavemente tomou a dela. — Você ainda está tendo pesadelos sobre o membro da força tarefa?

— Não. — Sorriu. — Não estou mais. Não desde que te conheci.

Ele ponderou o que isso significava, mas isto não importava, desde que ela dormisse mais facilmente.

— Você está com fome? Eu estou.

— Sim. — Ela brilhou ainda mais. — Farei o jantar. Sei que é um pouco cedo, mas você pulou o café da manhã e o almoço já passou.

— Eu ajudarei.

Shadow a seguiu para a cozinha, apreciando a visão dela por trás. Ela tinha uma bunda redonda, cheia para alguém do seu tamanho e cabia em um jeans perfeitamente. A regata abraçava sua cintura. O cheiro de seu xampu e sabonete provocavam seus sentidos.

Eles trabalharam bem juntos, enquanto preparavam cachorros quentes e batatas fritas. Era uma refeição fácil que não exigia que passassem muito tempo na cozinha. Bela levou seu prato para a sala de estar, e bateu levemente no sofá próximo a ela.

— Você quer assistir um filme enquanto comemos? — Apontou para a parede onde os DVDs estavam alinhados. — Vi alguns bons filmes de ação que poderíamos gostar.

— Claro. — Queria passar um tempo com ela.

Isto era relaxante e uma emoção estranha subiu por seu peito com a cena doméstica que pintavam. Olhou em torno da cabana, perguntando-se como seria se realmente compartilhassem uma casa de verdade. Uma que os dois vivessem juntos. O desejo o atingiu enquanto seu olhar retornou para Bela.

Ela levantou dois filmes para sua inspeção.

— Qual? Realmente quero ver ambos.

Bela tirava seu fôlego. Teve que respirar fundo para responder.

— Você escolhe. Podíamos assistir os dois.

Alegria iluminou sua expressão.

— Fantástico!

Sim, é, concordou.

 

Bela se enrolou mais apertado contra o peito de Shadow. O braço dele ao redor da sua cintura a fez parecer mais segura. Eles não eram reais, mas os caras maus no filme ainda eram assustadores. Agarrou sua camisa enquanto olhava fixamente para a televisão.

— Você acha que eles sobreviverão?

Ele assentiu roçando o queixo contra o topo de sua cabeça.

— Os caras bons sempre ganham.

Nos filmes.

— Espero. Odeio aquele gângster. O segundo no comando devia ter atirado nele.

Shadow riu.

— Então o filme teria terminado depois de dez minutos.

— Verdade. — Ela esfregou seu rosto contra o material suave da camisa dele. Amou estar tão perto. Tudo que leu insinuava que os homens não se importavam quando as mulheres se agarravam neles durante cenas assustadoras de um filme. — Oh não. Eles não sentem aquele imbecil rastejar atrás deles?

— Humanos não têm nosso sentido de olfato.

— Ah. — Ela assentiu. — Certo. Apenas queria dizer, sabe, como sentir o perigo em suas costas?

— É um filme. — Ele ofereceu-lhe uma grande tigela que segurava. — Mais pipoca?

— Acho que estou pronta para explodir.

— Essa é a nossa quarta tigela. — Ele se debruçou e colocou-a na mesa.

Não estava prestes a mencionar que ele comeu três delas. Shadow tinha um grande apetite para acompanhar seu grande corpo. Ajustou-se para lhe permitir apoiar a tigela, e se aninhou contra ele novamente quando se endireitou.

A ação no filme ficou intensa à medida que desenvolvia. Notou o modo como Shadow esfregou a perna dela com sua mão agora livre. Era bom e a distraiu da tela. Não que se importou.

— Viu? Ele salvou a fêmea e os caras ruins estão mortos.

— Foi bom.

Odiou ver os créditos rolarem. Era o último dos dois filmes e isso significava que provavelmente iriam para a cama. Um olhar para o relógio confirmou que passava das nove da noite. Shadow gostava de levantar cedo, o que significava que estaria pronto para dormir.

Quase tinha sido como um encontro, sem a parte de sair.

— Eu desligarei.

Bela se sentou e assentiu.

— Certo. Limparei a mesa e levarei tudo para a cozinha.

Eles se separaram e ela se apressou enxaguando a louça. Seus nervos golpeavam. Queria pedir a Shadow para compartilhar sua cama, mas não estava certa se ele aceitaria. Até agora se recusou. Não queria repetir a semana anterior. Ouvir um não machucava.

— Precisa de ajuda?

Ela assustou-se e engasgou, balançando a cabeça.

— Não ouvi você entrar na cozinha.

— Desculpe.

— Está bem. Você se move tão silenciosamente para alguém tão grande.

— A água estava ligada.

Gostou que não mencionasse que sua audição não era tão boa quanto à dele.

— Acabei. Fechou as torneiras. — cortando a água. — Estou pronta para ir para a cama.

— Eu me certifiquei que tudo está seguro. — Ele manteve alguns centímetros entre eles. — Pronta?

— Sim.

Ele ficou perto enquanto subiam e ela parou em sua porta. A tentação de pedir para que continuasse seguindo-a para seu quarto era forte. Virou-se para olhá-lo. Shadow olhou de volta, mudo e sexy.

Seja forte. Apenas pergunte. Seus lábios separaram.

— Boa noite. — Ele deu um aceno com a cabeça antes de virar e caminhar para sua porta. — Durma bem, Bela. Desaparecendo no lado de dentro.

— Droga. — ela sussurrou, enfrentando sua porta aberta.

Shadow não só entrou em seu quarto, como agora estava no banheiro. Olhando fixamente para a porta fechada que conectava seus quartos, desejou que ele a abrisse para o quarto dela. A luz apagou e ouviu-o retornar ao seu quarto. A porta fechando no lado dele era deprimente.

Usou o banheiro, escovou seus dentes e escutou por algum som vindo do quarto de Shadow. A escuridão debaixo da porta implicou que foi imediatamente para a cama.

De volta ao seu quarto, tirou suas roupas e vestiu uma camisola. Os lençóis estavam frios quando deitou na cama, depois de apagar a luz. Virou de lado e suspirou. Queria Shadow. Não só para enrolar-se enquanto dormia — ela queria tocá-lo. Tê-lo tocando-a de volta. As lembranças de suas vizinhas e seus homens continuavam aparecendo em sua mente.

Era frustrante querer algo quando não podia ter. O conselho de Breeze também veio a sua mente, mas o descartou. Não queria que Shadow se sentisse como se o estivesse pressionado para fazer sexo, e iria se ficasse nua e apenas entrasse em seu quarto. Ele concordaria se ela exigisse sexo?

Balançou a cabeça. Definitivamente não era como o queria. Havia uma conscientização de seu corpo que parecia interminável. Era culpa dele. Todos aqueles músculos e sons sensuais que ele fazia, fazia com que pensasse sobre sexo com ele. Não conseguia esquecer de acordar naquele abrigo com seu pênis rígido aconchegado entre suas coxas.

Algo fez cócegas em seu tornozelo e moveu-se por sua perna. Parou, provavelmente era o lençol que estava sobre ela de forma errada. Sua mente vagou de volta para os pensamentos em Shadow, e como o trazê-lo para sua cama. Os dias estavam se esgotando quando retornariam para Homeland. Sua ideia de se banhar com ele na água vestindo o maiô minúsculo que Breeze embalou, que poderia tentá-lo ao sexo, não tinha sido uma opção ainda. Ele não a deixaria próximo ao rio novamente até que um deles pudesse nadar.

Seus olhos abriram de repente quando algo fez cócegas no seu pé novamente. Seu coração saltou e sua respiração congelou. O que quer que fosse moveu-se novamente. Ergueu-se e cegamente agarrou a luz enquanto puxava as pernas até seu peito. A luminária clicou e ela agarrou o lençol, o jogando para trás.

Uma aranha preta foi tudo que viu antes de reagir. O grito agudo rasgou dela antes que pudesse impedi-lo e rolou imediatamente para fora da cama. A aranha parecia segui-la, enquanto seu olhar horrorizado a localizou na extremidade do colchão. Um baque alto soou em algum lugar na cabana, e uma porta bateu em uma parede. Passadas pesadas diminuíram enquanto se movia para pôr distância entre ela e a cama.

A porta de seu quarto abriu de repente e Shadow invadiu. Ela virou a cabeça, olhando para ele. Ele vestia nada além de uma cueca boxer e um olhar feroz.

— O que foi? — Seus dedos estavam dobrados em garras, sua atenção imediatamente fixa na janela. — Alguém está do lado de fora?

— Hã, é uma aranha. — Sua mão tremia quando a ergueu para apontar.

A boca de Shadow despencou, enquanto olhava boquiaberto para ela.

— Olhe para ela. É grande. Estava em meu pé.

— Aquela coisa minúscula? — Ele abaixou, olhando para ela em vez do intruso em sua cama. — Você caiu da cama?

— É uma aranha. — Por que ele não entendia o quão assustadoras elas eram? Ela me tocou.

Ele olhou para a aranha, depois para ela.

— Inferno.

Ele se endireitou, caminhou para a cama e levantou a aranha. Ela se encolheu. A coisa podia morder. Poderia ser pequena, mas qualquer coisa com oito pernas tinha de ter pequenas presas afiadas. Isto fazia sentido para ela. Talvez suas pequenas pernas tivessem garras pontudas. Oito delas. Odeio aranhas. Essas coisas assustadoras e feias.

Shadow desapareceu no banheiro. Ouviu a água ligar. Ele retornou e curvou-se, suas mãos ainda úmidas enquanto a erguia do chão. Tentou colocá-la de volta em sua cama, mas ela agarrou-se em sua pele quente, agitando a cabeça.

— Ela pode ter família. Talvez um ninho em minha cama.

Suas sobrancelhas curvaram-se quando parou, depois virou e a levou para o corredor. Usou seu cotovelo para acender a luz antes de suavemente colocá-la de pé.

— Você está bem?

— Estava em minha cama. Em meu pé.

— Agora está do lado de fora. Abri a janela e a pus lá fora. Não voltará aqui para dentro.

— Por que suas mãos estavam molhadas?

— Eu as lavei. — Deu a ela um olhar preocupado. — Imagino que tenha horror a aranhas?

— Sim.

Seus lábios torceram.

— Era minúscula, Bela. Nem mesmo venenosa. Estou bem certo disto. Espere. Irei checar sua cama e seu quarto.

Ela o seguiu só até dentro do quarto, e viu quando ele agitou seus lençóis, a colcha, e até ergueu a cama para olhar embaixo dela. Varreu o quarto, abriu as gavetas e empurrou a mobília até que finalmente olhou para ela.

— Nenhum ninho e nenhuma família. — Diversão refletia em seus olhos. — Era uma aranha eremita.

— Isto não é engraçado. — Ela acalmou-se. — Sinto muito. Eu gritei, não foi?

— Sim.

— Realmente as odeio.

— Percebi isto.

Ela retornou para o corredor e ele a seguiu.

— Você tem medo de retornar ao seu quarto? Quer que cheque novamente? Podíamos trocar de quartos. Não há nenhuma aranha em minha cama.

Aí estava sua chance. Podia usar o medo novamente para convencê-lo a permitir que dormisse com ele, mas ainda se sentia culpada por ter feito isto no abrigo. Honestidade era melhor. Era a característica da Espécie que mais admirava, e Shadow merecia isso de uma mulher.

— Estou bem. Sei que procurou completamente e criaturas não mais me aborreceram.

— Bom.

Era impossível não notar seu peito. Tão largo, tão nu e tão perto. Os discos planos de seus mamilos eram hipnotizantes, mas não mais que o jeito que seus músculos do estômago a tentavam para tocá-los, traçar cada um e continuar indo mais abaixo.

— Bela?

Percebeu que estava olhando fixamente para sua cueca. Um calor aqueceu suas bochechas enquanto erguia seu queixo.

— Durma comigo. Não por causa da aranha ou porque acabei de levar um susto. Quero que me abrace porque gosto quando você faz isso.

Ele não disse nada além de engolir com força suficiente para que visse seu pomo de adão indo para cima e para baixo.

Ela deu um passo mais perto, até quase se tocarem.

— Não é hora de nós irmos além dos nossos passados? Somos dois adultos. Estou atraída por você. Acho que está atraído por mim. — Olhou para baixo e viu o modo que sua boxer encheu. O contorno de seu pau não podia deixar de ser notado. — Sei que está atraído por mim. Segurar-me não foi bom? Gostei de dormir em cima de você.

— Devemos conversar. — ele finalmente falou.

— Sobre que?

— Isto.

 

Shadow tremeu, querendo tanto Bela que congelou para prevenir a si mesmo de prosseguir, ergue-la em seus braços, e a levá-la para sua cama. Queria nada mais além de tirá-la daquela camisola e explorar cada centímetro dela com suas mãos e boca.

— Devagar. — ele exigiu.

— Não estou fazendo nada.

Ele estava sem humor.

— Estou falando comigo mesmo, em voz alta.

— Você não está fazendo nada. Por que dizer a si mesmo isto?

— É o que quero fazer. — Olhou nos olhos dela, procurando por medo, mas não achou nenhum. Ela estava completamente confiante. Isso o fez parecer culpado, como se fosse o animal que a Mercile costumava acusá-lo de ser. — Devia ir para a cama sozinha, Bela.

— Você dormiu comigo antes. Quero que me abrace e continuaremos conversando.

Seus dentes cerraram para evitar rosnar. Ela estava tentando provocá-lo, ou era só muito ingênua para identificar um macho no limite de perder o controle. Ele estava excitado e ela declarou que estava curiosa sobre sexo. De jeito nenhum podia apenas se deitar próximo a ela e dormir.

— Entre em meu quarto.

A voz dela estava tão suave, um sussurrou, como se estivesse com medo. Ele não viu essa emoção enquanto a estudava. Embora suas bochechas estivessem um pouco rosadas, insinuando que estava envergonhada com seu pedido. Ela era tímida — já tinha admitido isso — uma característica única entre os Espécies.

— Não dormirei apenas com você. — Queria adverti-la. — Não posso. Devíamos esperar até amanhã à noite se quiser apenas ser abraçada.

— O que isso quer dizer?

— Hoje à noite a tocarei e farei mais.

Seus bonitos olhos arregalaram ligeiramente, e mais rosado floresceu em suas bochechas. — Entre em meu quarto.

Era um convite e uma aceitação de compartilhar sexo. Não podia negar que a quantidade de pressão do qual se encontrou de repente. Isto repousaria sobre seus ombros, ensiná-la que machos tocando-a podia ser uma boa experiência. Macho, corrigiu. Um. Eu. O conceito de outro pondo as mãos nela o deixava furioso.

— Confio em você, Shadow.

A sinceridade em seu tom o humilhou. Não merecia isto. Ela não tinha nenhuma ideia dos demônios com que batalhava. Ele faria qualquer coisa por ela, inclusive levar as coisas lentamente para ter certeza de não machucá-la. Ela não era humana embora parecesse muito mais que as outras fêmeas Espécies. Nunca imaginou levar uma Presente para a cama antes de conhecer Bela.

Respirou fundo e lentamente se levantou. Isto apenas o fazia parecer grande, e ampliava suas diferenças. Ela olhou para ele nervosa. Não a culpou, sentindo o mesmo. Passou-se muito tempo desde que teve uma fêmea. Ele as evitava porque se preocupava que falharia em satisfazê-las, ou seu corpo reagia negativamente com a visão delas nuas. Perder sua ereção durante o compartilhamento de sexo seria humilhante, mas aconteceu algumas vezes quando se lembrava do que fizeram com ele.

— Vamos para meu quarto. — Ele a queria em sua cama.

— Por que a sua e não a minha?

Ele hesitou.

— É uma coisa de macho.

— As mulheres no dormitório sempre têm homens indo para seus quartos. Pensei que talvez fosse um ritual de acasalamento dos Espécies.

Não pôde evitar sorrir. Ela era tão inocente e atraente.

— As fêmeas insistem em usar seus quartos na maioria das vezes, para ajudá-las a se sentirem no controle, e machos tendem a ficar territoriais quando levam fêmeas para suas casas.

— O que isso quer dizer?

— Fêmeas não querem dar aos machos a impressão de que podemos ficar com elas.

Sua respiração mudou um pouco, aumentando o ritmo enquanto seus olhos alargavam.

— Você quer ficar comigo?

— Não tenha medo.

— Não tenho. Estou fazendo uma pergunta.

— Nunca te forçaria a ficar onde não quer. Só quero você em minha cama.

— Não sou como elas, você sabe. — Ela engoliu em seco. — Não quero ter diferentes parceiros sexuais. Não me oponho a namorá-lo. Seu olhar caiu sobre o peito dele e ficou lá, seu embaraço aparecendo novamente em suas bochechas. — Isto é, se quiser tentar ser meu namorado. Preferiria ter uma relação monogâmica.

Ele largou seu quadril para agarrar seu rosto. Foi tão delicado com as mãos. Ela encontrou seu olhar.

— Quero dizer. — falou depressa, ansiosa. — Não quero nenhuma outra pessoa e esperaria que não quisesse, sabe, dormir por aí.

— Você realmente não conhece muito sobre machos Espécies. — Queria pegá-la e levá-la para sua cama, queria tanto isso que chegava a doer.

— É errado esperar que não faça sexo com outras mulheres, e que talvez possamos tentar ter uma relação real?

Ele recuou, mas continuou segurando-a, insistindo para que o seguisse. Ela o seguiu e seu pênis pulsava, enchendo de sangue. Ele a queria tanto que doía.

— Está me dizendo que posso ter e ficar com você. — Ele estremeceu um pouco, quando sua voz soou profunda, enquanto os hormônios enfureciam dentro dele. — Grande excitação, admitiu, suavizando seu tom. — Faz-me querer te reivindicar.

Interesse faiscou em seu olhar.

— O que isso quer dizer?

Ele gemeu, querendo mostrar em vez de vocalmente detalhar para ela.

— Quer dizer que não devia me dizer isto, a menos que realmente queira dizer. Manteria você em minha cama, Bela. Não precisa se preocupar comigo com outras fêmeas. Já as evito. Você é a única que me tenta a ponto de me fazer enfrentar qualquer coisa para te tocar.

Eles pararam perto da cama e os lábios dela se separaram em uma clara surpresa.

— Sério?

Era tão pequena, mas conseguia deixá-lo de joelhos. A massa muscular e a força física não tinham nenhum poder maior que isso, quando ela colocou a mão em seu estômago. As pontas dos dedos macios esfregavam e o fizeram querer uivar. O prazer de tal toque leve passou de seu corpo para o cérebro, até o pênis.

— Posso ser muito ruim nisto, já que estamos sendo tão sinceros. Li livros e assisti pornôs na internet. — Ela corou novamente, mas manteve contato visual. — Devia, hã, tirar sua cueca? Sei que homens apreciarem sexo oral. Nunca fiz isso, mas sei o básico.

Seria um milagre se ele não morresse antes de amanhecer. Iria ter que se matar por causa da restrição. Uma memória lampejou de um dos vídeos que lhe mostraram. Era um ângulo da câmera fixado em uma mulher humana de joelhos, tomando um macho dentro de sua boca. A visão era atraente e o fez lançar sua semente, mas nunca fez isso. Agitou a cabeça depressa, apavorado em chocá-la com sua reação animalesca primitiva, ou que perdesse o controle se ela tentasse isto.

— Não. — Sua voz saiu como um grunhido e estremeceu. — Deixe-me cuidar de você. — Faria tudo para ela. Ele jurou isto.

— Está com raiva? — Ela tentou remover sua mão, mas ele a cobriu com sua própria mão, segurando-a contra seu estômago.

— Não. Estou excitado. Muito. Minha voz aprofunda e posso fazer sons assustadores. Ignore-os.

Ela assentiu.

— Ouvi esses sons pelas paredes quando as mulheres ao lado levavam homens. Esperei por isto, mas sei que você ainda está chateado comigo.

— Não estou. — jurou, já que ela o pegou se masturbando. Agora estava focado em levá-la para sua cama. — Vai precisar confiar em mim. Pode fazer isto?

— Já confio.

Sim, vou morrer antes de amanhecer. Bela iria matá-lo. Era tão doce que apenas queria devorá-la. Sufocou um grunhido com a imagem mental dela estendida sobre a cama dele, com sua boca entre aquelas coxas pálidas, lambendo sua vagina. Largou-a completamente afastando-se.

— Tire sua camisola e fique de costas no meio da minha cama. Não há necessidade de se sentir tímida. Você é linda.

Bela esperou que não desmaiasse. Sentiu tontura e seu coração acelerou tão rápido que parecia como se fosse explodir em seu peito. Não era medo que sentia, mas quase. Shadow iria tocá-la e finalmente entenderia por que as mulheres no dormitório convidavam homens para seus quartos.

Shadow era sexy e grande, duas coisas que gostava. Era o tipo de homem com o qual tinha fantasias desde que ganhou sua liberdade. Era forte, inteligente, e ela sabia que ele realmente cuidaria dela da maneira que disse. Queria saber o que isso implicava. Primeiro, entretanto, teria que achar a coragem para remover a camisola. Ele já a tinha visto nua, mas foi um acidente.

Suas mãos tremiam enquanto agarrava a bainha do algodão fino e a levantou lentamente. O olhar dele fixou-se em suas coxas e a expressão faminta em seu rosto a encorajou a tirá-la. A língua dele umedeceu seus lábios, implicando que gostou do que viu enquanto olhava abertamente para seus seios.

Olhou para baixo, perguntando-se o que ele estava pensando. Seus seios não eram perfeitos, um pouco pequeno dos lados, e estavam mostrando que o quarto dele estava um pouco frio, já que a janela estava aberta para permitir que a brisa da noite entrasse. Esperou que não odiasse o modo como pareciam enrugados.

Restringiu-se muito para não colocar uma das mãos embaixo para cobrir seu monte. Tinha um pouco de cabelo lá, diferentemente das outras mulheres Espécies. Isso importaria? Ele recuaria? Esperava que não. Constrangeu-se ligeiramente quando ele olhou mais para baixo, fixando naquele fato.

— É só um pouco. — sussurrou. — Eu deveria raspar?

Ele balançou a cabeça.

— Não. — Sua voz saiu estranha, rouca.

— Você está bem? — A preocupação com seu bem-estar anulou um pouco de sua timidez. Ele tinha problemas também, algo que não estava prestes a esquecer.

— Sim. — ele respondeu mais firmemente, em um leve tom mais profundo.

Ela engoliu com força e andou para mais para perto da cama. Os lençóis e as cobertas estavam jogados na ponta, onde ele os lançou quando a ouviu gritar. Teve que escalar sobre ela, as camas dos Espécies eram mais altas do que a que dormia, antes de se mudar para Homeland. Espécies eram altos e tendiam a levar isso em consideração quando compravam ou construíam a mobília. A Espécie Presente tinham que se contentar com colchões da cintura para cima.

Um grunhido profundo por detrás dela a fez parar e olhar para trás, enquanto rastejava para o centro da cama. Shadow tinha virado, seu olhar intenso fixado em sua bunda curvada. Odiou o modo como suas bochechas esquentaram, sabendo que ele podia ver tudo daquela posição. Embora não parecesse bravo, apenas fixado em seu corpo. Olhou para sua boxer e isto a incitou a rolar de costas.

Ele parecia enorme lá embaixo. Seu pênis estava duro e grosso, e mal estava contido dentro do material esticado na frente. O cós realmente não estava mais tocando no centro de sua barriga, porque estava muito excitado. Shadow era bem dotado, um ditado que aprendeu nos romances que começou a ler. Um pouco de ansiedade surgiu, mas imaginou que ficaria bem. Livros sobre sexo também estavam em sua lista de livros. Eles alegavam que a vagina esticava para acomodar um pênis, ainda que não parecesse possível em seu modo de pensar.

Ficou deitada esperando por instruções, olhando-o para ver o que faria em seguida. Ele não removeu sua boxer, mas ao invés disso caminhou para o final da cama, colocou um joelho no colchão que afundou com seu peso.

— Espalhe suas coxas para os lados e curve seus joelhos.

Um calafrio desceu por sua espinha pelo modo como ele rosnou as palavras. Era sexy e um tanto quanto perverso, da melhor forma, mostrando seu lado animal. Os homens Espécies eram conhecidos por serem protetores das mulheres, e gostava desse lado ser mais proeminente que o humano.

— Não vai beijar primeiro? — Ela imaginava que era como o sexo começava.

O olhar dele ergueu para o dela.

— Você disse que confiaria em mim.

Bela tentou relaxar, mas era difícil.

— Eu confio. Não estou excitada ainda e… — Queria morrer de vergonha. — Eu, hã, não estou pronta para que entre em mim. Você é grande. Li que quanto mais molhada ficar, mais fácil acontecerá. — Shadow admitiu que fazia um tempo para ele, então talvez tivesse esquecido. Queria trabalhar com ele, assim podiam ajudar um ao outro. — Pode tirar sua boxer. Não me assustará. Olhou para baixo por seu corpo. — Isto realmente não esconde seu tamanho de qualquer maneira, e já o vi.

— Não vou apenas montá-la pela frente imediatamente. — Ele curvou-se para frente e suas mãos apoiaram-se ao lado dos joelhos dela, até que estivesse em cima de suas pernas. — Quero que se abra para minha boca.

Seus olhos se arregalaram e agarrou o lençol embaixo dela.

— Ah. — Ela sabia que ele queria dizer sexo oral. — Hã, está certo que quer fazer isto?

Uma sobrancelha ergueu.

— Por que não iria?

Bela olhou para um de seus ombros largos, incapaz de continuar olhando em seus olhos.

— Nunca fiz isso antes ou teria feito. Quero dizer, e se eu… — Não conseguia dizer isto, selando seus lábios.

— Você não apreciar? Terei certeza de que goste.

Ela olhou para seu olhar escuro e penetrante.

— E se eu não tiver um gosto bom? Lá. — Ela disse.

Seu nariz alargou enquanto inalava e outro grunhido baixo veio dele.

— Terá. Você tem um cheiro incrível. Doce. Sou Espécie.

— O que isso quer dizer?

— Que eu quero. Preciso sentir seu gosto. Desejo isso. — Deu um pesado e trêmulo suspiro. — Abra-se para mim e pare de pensar. Só sinta. Confie em mim Bela.

Ela hesitou, sem estar certa se conseguiria se expor tão intimamente. Experimentava um novo nível de vulnerabilidade, mas aquele momento era sobre confiança. Queria saber como era ser tocada e não iria acontecer se não fizesse como ele disse.

Shadow se estendeu e suas grandes mãos acariciaram os topos de suas coxas.

— Só as abra para mim. É fácil. Erga-as para cima e separe seus joelhos. Por favor.

Sua voz tinha uma intensidade que a fez querer fazer qualquer coisa que pedisse. O apelo suave foi tudo o que precisou para relaxar, e se livrar de suas inibições. Curvou seus joelhos, tirando seus pés de debaixo dele, e os encostou em seu peito. Largou o lençol para agarrar seus joelhos enquanto os abria. Seus olhos fecharam incapazes de olhar nos olhos dele, para sondar a reação dele. A dúvida a importunou. Tinha um topete de cabelo em seu monte, enquanto as outras não tinham, e ela tinha uma constituição pequena. Poderia broxar Shadow.

O rosnado a assustou e seus olhos abriram de repente para olhar para seu rosto. Ele não estava segurando o olhar dela, ao invés disso estava olhando fixamente entre suas pernas, onde estava completamente exposta. Ele lambeu seus lábios e abaixou seu corpo até que estivesse deitado na cama com seu rosto diretamente em seu colo. Olhou para cima e ela notou a cor de suas íris parecendo mais escuras quase pretas. Não era sua imaginação.

— Mantenha-as abertas para mim. Não feche. — Duas grandes mãos apoiaram suavemente na parte de dentro de suas coxas, empurrando-as mais separadas. — Quero ouvir seus sons. Ajudará para que eu aprenda o que você gosta mais.

Meus sons. Assentiu entretanto, incapaz de confiar em sua voz para falar. Sentiu como se um caroço se formasse dentro de sua garganta que poderia sufocá-la.

A cabeça dele abaixou e ela apertou seus olhos bem fechados, tensa apesar de tentar soltar seus músculos. A respiração quente abanou ao longo da junção de sua vagina, e ela saltou quando ele acariciou os lábios de seu sexo. Pareceu como se o queixo dele estivesse esfregando contra o topo de seu monte.

— Macio. — sussurrou. — Gosto dos pelos.

Era bom que ele gostasse certo? Ela esperava. Soou como se ele não se importasse. Lamentou não ter se depilado.

Seus dedos polegares, pelo menos achou que foi isso que usou, separaram os lábios de seu sexo, e ela engasgou quando uma língua quente suavemente lambeu seu clitóris. Isto veio como um choque sentir outra pessoa tocá-la lá, mas o fato de que usasse sua boca realmente fez seu coração acelerar. Ele fez isto de novo lentamente, e aplicou uma pouco mais de pressão. Chegou nela novamente, fazendo de novo e de novo.

Um gemido suave elevou-se e ela deixou-o atravessar seus lábios separados. Sua respiração aumentou, e arranhou a cama. Quase doía, mas de uma maneira boa. Era como se ele tocasse em sua alma tão intensamente, que não podia construir uma proteção mental para bloquear as sensações que a inundavam, com cada movimento do músculo forte a manipulando na parte de baixo. Isto a despiu de coração e essência, até que nada sobrou exceto cada movimento da língua dele.

Ele rosnou e vibrações foram adicionadas contra o feixe de nervos, que pareciam tomar todo seu ser. Havia apenas Shadow e sua boca. Ela esqueceu onde estavam, esqueceu seu desconforto em estar tão indefesa debaixo dele, e focou-se apenas no prazer que crescia mais claro e mais quente. Parecia muito melhor do que seus próprios dedos esfregando aquela área para que gozasse. A comparação pareceu injusta. Ficou demais até que não conseguiu mais aguentar, seus joelhos tentaram se fechar. Ele iria matá-la se continuasse.

As mãos fortes apertaram mais em volta da parte interna de suas coxas, segurando-a aberta. Os lábios dele fecharam ao redor de seu clitóris inchado, e ele chupou enquanto ainda roçava sua língua de um lado para o outro rapidamente. Bela se debatia debaixo dele, implorando com palavras que não conseguia controlar ou entender. Duvidou que ele pudesse entender também já que eram mais choramingos do que palavras. Ele a estava matando.

Algo dentro dela se libertou, o prazer excruciante rasgou seu corpo, fazendo-a pular e gritar o nome de Shadow. Ele rosnou, afastando sua boca à medida que ofegava. Seu corpo lentamente relaxou, enquanto descia do alto de um clímax quase brutal. Seus olhos abriram e viu quando ele largou suas coxas.

Shadow rastejou por cima dela até que pairou centímetros acima de seu corpo. Sua respiração estava áspera, enquanto seus olhares se prenderam. Ela largou a cama e o agarrou, querendo tocá-lo apenas para ligar-se a vida novamente. A carne morna e os músculos firme encontraram suas mãos quando as abriu para agarrar seus ombros.

Ele quebrou o contato visual para olhar entre seus corpos, e ela seguiu seu foco. Ele empurrou a cueca para baixo até a metade de sua coxa, e a visão de seu pênis a chocou. Era tão grande e grosso quanto se lembrava, mas ficou surpresa por descobrir que estava um pouco vermelho sem ele tê-lo tocado antes. Perguntou-se imediatamente se isso doía.

— Bela. — sua voz soou impaciente. — Diga-me que sim.

Ela tirou seu foco dos quadris dele. Ele a olhava com uma concentração que estava quase a assustando. Assentiu incapaz de falar. Um pouco da tensão deixou suas características bonitas, enquanto ele se abaixava em cima dela. Seu membro bateu contra sua vagina e percebeu com o que tinha acabado de concordar.

Ele usou seus braços para escorar seu peso, evitando esmagá-la. Seus quadris estavam entre suas coxas, deixando possível para que abrisse suas pernas, forçando-a a se mover um pouco mais para cima e segurá-las aberta. Ele não usou suas mãos para guiar a coroa de seu pênis para o corpo dela. Estava tão duro que apenas ajustou seus quadris e empurrou contra ela.

Uma retrospectiva de dor tocou de novo dentro de sua mente, mas ele não socou sua parte masculina para dentro dela severamente. Ele a invadiu suavemente. A sensação lenta de suas paredes vaginais sendo esticadas pela circunferência larga de seu pênis não causou dor. Estava tão molhada que ele pôde penetrá-la sem dificuldade, entretanto seu enorme tamanho a deixou muito ciente dele. Seu olhar fixou em seu rosto.

Os olhos de Shadow estavam fechados e ele era o único que parecia estar com dor. Seus lábios estavam separados, e suas presas mordiam seu generoso lábio inferior. O suor escorria de sua testa, enquanto todos os músculos de seu rosto pareciam tensos, quase como uma careta. A preocupação por ele bateu com força e rápido, destruindo sua apreensão.

— Shadow?

Ele parou de se mover, sua respiração irregular, e seus olhos se abriram.

Suas mãos o acariciaram, acalmando-o com carícias.

— Está tudo bem.

— Não quero machucá-la. — rosnou.

— Você não vai. — Podia dizer isso com honestidade.

Ele se moveu devagar, retirou-se quase totalmente de seu corpo antes de aplicar peso suficiente para empurrar seu pênis de volta dentro dela, um pouco mais fundo. Foi um ajuste apertado, mas não havia nenhuma dor. Desviou seu olhar do dele, para examinar o espaço entre seus corpos. Não parecia existir muito mais dele para receber.

Moveu suas pernas e elevou-as mais alto para envolvê-las ao redor de seus quadris. Segurou seu olhar. Ele a fazia se sentir realmente bem e queria que encontrasse isso com ela também. Estavam fisicamente ligados. Sua barriga estremeceu enquanto ele afundou nela mais profundamente, uma estranha sensação, mas não desagradável. Bela o viu fechar os olhos novamente e inclinar a cabeça para trás enquanto rosnava.

Ele parou, retirou-se e empurrou de volta, desta vez um pouco mais rápido, e ela ofegou. Era uma sensação boa. Estranha, mas gostou disso. Ele parou e olhou fixamente para o rosto dela.

— Largue-me. Irei para o banheiro.

Bela sabia o que ele faria lá. Cuidaria de suas próprias necessidades, mas queria fazer isso para ele. Suas pernas apertaram ao redor dele e mexeu seus quadris. Seu gemido suave surpreendeu a ambos, quando o movimento o fez ir um pouco mais fundo dentro dela, e tocou algo que pareceu muito bom. Permaneceu presa ao redor dele e repetiu o movimento. Isto realmente pareceu maravilhoso e ela continuou movendo-se, contorcendo apenas para tê-lo tocando-a lá novamente.

— Bela, ele falou seu nome. — sua voz abafada pelo desejo. — Estou perdendo o controle. Quero-a tanto e estou muito perto.

Seus joelhos espalharam um pouco mais e então ele começou a se mover para dentro e para fora, fodendo-a em um ritmo deliberado que não era muito rápido, mas batia naquele local toda vez. Ela fechou os olhos, concentrando-se em Shadow. O peito dele esfregou seus mamilos sensíveis e seu pênis estava tão duro que poderia ter sido feito de pedra. Ele a penetrou um pouco mais fundo, seus quadris contraindo mais rápido, e os dois tiveram problemas em respirar.

— Não consigo segurar. — rosnou, de repente dirigindo mais fundo, enquanto seu corpo começou a tremer em cima dela, fortes empurrões enquanto seus músculos pareciam convulsionar.

Seus olhos abriram de repente arregalados quando a primeira explosão de calor a encheu. Seu pênis pareceu crescer e ficar mais grosso, quando seus impulsos abrandaram, mantendo-o enterrado profundamente dentro dela. Outra corrente quente de calor disparou dentro dela e ele abaixou o rosto de repente na base de sua garganta.

Ela ofegou quando o prazer de repente a atingiu, com os movimentos severos e bruscos dele, mandando-a para além do limite. Seu membro bateu naquele lugar maravilhoso dentro dela e pareceu ficar lá, em um impulso latejante. Suas unhas cavaram nele enquanto gritava seu nome.

Ele conseguiu manter a maior parte de seu peso suportado longe dela, quando acabou. Ambos estavam ofegando, o suor escorrendo entre seus corpos. Bela permitiu que seu rosto descansasse contra ele, enquanto mantinha o rosto enterrado em sua garganta. Suas mãos deslizaram de seus ombros para abraçá-lo firmemente, não querendo deixá-lo ir. Sorriu, entendendo finalmente por que as outras mulheres Espécies convidavam homens para seus quartos.

Shadow tentava recuperar o fôlego enquanto se preocupava com Bela. Ela se agarrava a ele como se estivesse apavorada. Mordeu de volta um grunhido de autodepreciação. Perdeu o controle totalmente uma vez que seu pênis estava revestido dentro da pequena vagina quente. Fazia um longo tempo desde que conheceu o prazer poderoso de compartilhar sexo, mas não conseguia se lembrar de quando foi tão apaixonante.

Os sons que ela fez o persuadiram e também seu gosto, que demorou a sair de sua língua. Estava tão molhada, o aroma de seu desejo foi como uma droga que o deixou mais drogado que qualquer coisa que a Mercile já lhe deu. O modo como seu corpo o recebeu, agarrando-o com sua vagina o enlouqueceu. Cada golpe de seu pênis quase o desfez, fazendo-o vir mais rápido e com força. Depois de uma dúzia de vezes empurrando dentro dela, ele estourou.

Perdeu sua humanidade enquanto a tomava. O lado animal dele se manifestou e quis marcá-la. Ele a marcou com seu sêmen e quase com seus dentes. Inspirou e expirou pelo nariz, assegurando que não havia nenhum cheiro de sangue. Não a mordeu do jeito que queria.

Seu pênis estava bloqueado dentro dela, por isso não pôde se mover para soltá-la. Seus músculos vaginais contraíram e ele mordeu de volta um gemido de prazer, enquanto saia mais de sua semente. Ela estava provavelmente tentando empurrá-lo para fora dela, mas não conseguia. A base de seu eixo desenvolveu um inchaço, mantendo-o lá por medo de rasgá-la se tentasse se retirar.

Não foi fácil ajustar seu peso, não querendo se mover, então se apoiou em um braço enquanto tentava alcançar entre eles para agarrar suas bolas. Achou a área abaixo e massageou para reduzir a inchação em um ritmo mais rápido. Era um truque que aprendeu durante o pior dos testes em Mercile. Doía, mas cerrou seus dentes e continuou a esfregar, e a pressão aliviou até que lentamente retirou-se do paraíso que encontrou dentro do corpo de Bela.

Largou suas bolas e alcançando suas costas, tocou no tornozelo dela.

— Solte-me.

Ela agitou sua cabeça contra ele, se recusando. Ele aplainou ambas as mãos e se ergueu. Surpreendeu-o um pouco quando ela gozou com ele. Não lhe restou nenhuma escolha a não ser se sentar com ela em seu colo. Seus membros estavam presos bem apertados ao redor de seus quadris e ombros, não dando nenhuma indicação de que fosse soltar logo. Sua força o surpreendeu para alguém tão pequena.

Abraçou-a de volta, lentamente balançando-a em seus braços para acalmá-la. Isto apenas provou seu argumento, de que nunca seria o macho para viver com ela. Ninguém deu ouvidos a suas advertências, e agora precisava achar um meio de fazer Bela saber que estava segura. Nunca tentaria compartilhar sexo com ela novamente.

— Sinto muito. — sussurrou, esfregando seus lábios contra a garganta dela. — Não quis machucá-la.

Seus braços aliviaram o aperto e ela recuou para olhar para ele. Profunda gratidão surgiu de que não houvesse nenhuma lágrima. Não estava certo se podia resistir se as visse, sabendo que foi a causa de sua dor.

— Você não me machucou.

— Você está sendo tão valente. — Desejou que pudesse chutar seu próprio traseiro.

— Isso foi maravilhoso. — Ela sorriu.

Era sua vez de abraçá-la firmemente enquanto o significado de suas palavras eram absorvidas.

— Você não gritou meu nome de dor? — Queria se certificar.

— Não. — O rosado apareceu em suas bochechas antes que abaixasse o olhar para os lábios dele. — Eu, hã, você sabe. Olhou para cima e sorriu. — Duas vezes.

Shadow dobrou a cabeça novamente, puxando-a para mais perto. Estava sem prática o suficiente para confundir as reações do corpo dela, mas estava agradecido que não fodeu com tudo. Seus músculos não estavam tentando expulsá-lo de sua vagina, e sim porque tinha chegado ao clímax.

Felizmente. Começou a balançá-la em seus braços mais uma vez, ignorando seu pênis ainda duro preso entre suas coxas. Queria-a novamente, mas não iria pressionar sua sorte uma segunda vez em uma noite.

— Shadow?

— Sim, Bela.

— Posso dormir com você? — Bocejou. — Eu queria.

Ele sorriu.

— Eu gostaria disso. Tem que me soltar. Desligarei a luz e então nos abraçaremos se quiser.

Seus braços e pernas afrouxaram ao redor dele, até que suavemente ele a deitou novamente. Ela olhava para ele com confiança. Desligou a luz, mas voltou em segundos, rastejando na cama. Ela rolou para ficar de frente para ele, enquanto a puxava contra ele. Enrolou-se ao redor dela para embalá-la na segurança de seus braços.

A respiração dela mudou tão rápido que o surpreendeu que pudesse adormecer tão facilmente, depois do que compartilharam. Ela passou por muito. Não seria tão rápido para juntar-se a ela na soneca.

Todas as coisas que ela disse circulavam em sua mente. Ela não queria outros machos, mas estava interessada em uma relação. A mera ideia de outra pessoa tocando-a o enfurecia. Quebraria os dedos de quem tentassem pôr suas mãos nela. Despedaçaria-os e arrancaria seus corações se eles se atrevessem a tirá-la dele. Mataria qualquer um que tentasse montar sua Bela.

Merda. Inspirou seu perfume para esfriar a ira intensa. Já penso nela como minha.

 

Bela não queria se mover, mas sabia que teria que se mexer logo. O corpo morno de Shadow a fazia sentir-se segura e protegida. Virou-se durante a noite ou ele a reposicionou até que se encaixou atrás dela. A sensação de seu pau duro apertado contra sua bunda, onde estava preso entre ela e o estômago dele, não era algo que pudesse ignorar. O desejo de usar o banheiro finalmente a forçou a se afastar.

O braço ao redor de sua cintura puxou-a de volta, e um másculo grunhido profundo, encheu o quarto. Surpreendeu-a o suficiente para que se virasse. Os olhos dele estavam parcialmente abertos, enquanto a espiava e seus lábios se separaram mostrando as presas.

— Não me deixe.

— Estarei logo de volta. — Limpou sua garganta. — Banheiro.

Seu aperto aliviou.

— Certo.

Deslizou da cama e tentou não ficar envergonhada que ele visse tanto dela na luz matutina, derramando pela janela ainda aberta de seu quarto. Não era lógico ficar tímida com sua nudez, depois das coisas que ele fez com ela. Isso absolutamente não aliviou a vergonha.

Ele estava sentado com o lençol cobrindo seu colo quando ela retornou. Uma perna estava curvada para cima no lado da cama. Estava contente de ter tido tempo para enrolar uma toalha ao redor de sua cintura, antes de retornar ao quarto, ficar nua não era confortável. Shadow parecia menos feroz despertando do sono com sua expressão mais aberta e legível. Ele sorriu timidamente.

— Como você está se sentindo?

— Bem. — Não estava certa se devia voltar para a cama com ele ou não.

O sorriso enfraqueceu.

— O que há de errado? Você se arrepende de entrar em meu quarto?

Seus dentes afundaram em seu lábio inferior, enquanto balançava a cabeça.

— Não sei o que fazer. — A honestidade era melhor. — Nenhum dos homens passava a noite com as mulheres, então nunca escutei as regras da manhã seguinte. Existe tal coisa?

— O que quer fazer?

Ela esquivou-se de sua pergunta.

— O que você quer fazer?

Sua perna deslizou esticando na cama e ela ofegou um pouco com a visão do lençol sobre seu colo. Sua ereção projetava-se para cima em vez de deitado.

— Não pergunte isso a um macho. Essa é a resposta. Esticou-se até agarrar a cabeceira acima dele, parecendo relaxado com exceção de seu pau duro. — Você voltará para minha cama?

— Eu quero. — admitiu feliz que ele não estivesse afastando-a.

Suas mãos apertaram a madeira o suficiente para suas juntas ficarem brancas.

— O que está errado?

Ele olhou para suas mãos antes de olhar para ela novamente.

— Estou tentando parecer dócil, sem assustá-la.

Riu antes de poder evitar e puxou a toalha soltando-a.

— Qual a graça?

— Você é tão grande e forte. Não conseguiria fazer isso. Você apenas parece extremamente sexy. — Suas bochechas esquentaram. — Não deveria dizer-lhe isto?

Ele sorriu.

— O que me faz atraente?

— O modo como seus braços estão para cima e você está esticado nos travesseiros. Lembra-me de algo que li em um romance, mas o galã usava algemas.

— Não as usaria, mas manterei minhas mãos aqui se isto me deixa menos ameaçador para você.

A toalha bateu no chão enquanto ela andava para mais perto da cama. O olhar de Shadow fixou-se em seus seios. Todo o humor enfraqueceu de suas características, o olhar tenso retornando. Podia identificar aquela expressão agora. Ele a queria e isto a encheu com uma sensação de coragem, enquanto subia no colchão alto próximo a seus pés.

— Por que não usaria algemas?

Ele desviou o olhar, sem falar nada. — Ela congelou.

— Disse algo errado?

Ele olhou de volta.

— Isto me lembraria de tempos ruins.

— Sinto muito. Estava apenas curiosa.

— Venha para mim. — ele falou. — Não a machucarei.

— Eu sei. Não tenho medo de você. — Ela rastejou em cima da cama e surpreendeu ambos ao se sentar em seu colo. Sua bunda aliviou em cima das coxas dele cobertas pelo lençol. Suas mãos apoiaram em seu peito. — Quero abraçar você. Posso?

— Pode fazer qualquer coisa que quiser comigo. — ele declarou asperamente, engolindo com força.

— Qualquer coisa? — A ideia fez coisas engraçadas ao seu estômago, fazendo-o agitar.

— Sim.

Deu uma respiração profunda e chegou mais perto dele.

— Quero beijá-lo.

A surpresa foi registrada, mas ele assentiu.

— Certo.

Ele estudou sua boca. Era cheia e exuberante — tentadora.

— Talvez você devesse me beijar.

— Nunca fiz isto antes. Não boca a boca.

— Eu também não. — Ela sorriu. — Aprenderemos juntos.

— Juntos. — ele repetiu, molhando seus lábios, focando-se sobre os dela. — Abra para mim.

Ela fechou seus olhos, separou seus lábios e inclinou sua cabeça lentamente. O primeiro contato foi quase delicado. Ele apertou seus lábios firmemente com os dela. Estavam boca com boca. A textura de seus lábios era incrivelmente macia. Sua língua lambeu a dela e ela derreteu-se contra ele. Levou alguns segundos, mas ela repetiu o que ele fez, saboreando-o e querendo mais. Estava espantada com aquela intimidade, e ele rosnou, aprofundando o beijo.

Seus sentidos se focaram completamente em Shadow, e todo o resto desapareceu. Prazer e excitação vazavam dela lentamente, irradiando do ponto de contato, espalhando mais para baixo. Ela gemeu e Shadow devagar quebrou o beijo.

Estavam ambos um pouco sem fôlego. Bela gostou de beijar. Julgando pelo olhar aquecido de Shadow, ele também gostou. Mal podia esperar para fazer isto novamente.

Debruçou-se até que seu corpo descansou contra o dele, e deslizou as mãos por seus ombros. Apertou sua orelha em cima do coração dele, relaxando.

— Você me abraçará?

Braços fortes envolveram ao redor de sua cintura, puxando-a mais firmemente contra ele. Moveu seus quadris, arrastando seu corpo mais para perto até que seu membro ficasse preso entre suas barrigas, com apenas um lençol como barreira. Ela inalou seu cheiro másculo e um barulho engraçado escapou dela, quase semelhante a um lamento.

Seus braços soltaram imediatamente, e sua frequência cardíaca aumentou.

— Não tenha medo.

Ela virou a cabeça, olhando para ele.

— Não estou com medo. Não sei por que isso aconteceu.

— Você é primata. O que estava sentindo quando fez esse som?

Avaliou o momento.

— Feliz. Segura. Sexualmente ciente de você.

Os braços ao redor dela apertaram lentamente para trazê-la mais para perto.

— Eu rosno ou faço grunhidos quando minhas emoções são fortes. Às vezes meus instintos estão muito perto da superfície, recusando-se a serem ignorados. Esse não foi um barulho humano. Ele olhava-a atentamente. — Está tudo bem. Você estava provavelmente tendo um desses momentos.

Ela relaxou.

— Eu silvei para Kit, mas ela fez isto primeiro. Nunca fiz isto antes.

— Nunca?

— Não que possa me lembrar. — Bela permitiu que sua mente vagasse enquanto relaxava, apertando sua orelha contra o peito de Shadow. Sua frequência cardíaca diminuiu para o normal. — Sei que quando era jovem, fazia barulhos engraçados e tive problemas por isto.

Seu corpo endureceu.

— Eles abusaram de você por ser o que é?

Sabia que ele estava bravo sem olhar em seu rosto. As pontas de seus dedos acariciaram sua pele, tentando acalmá-lo.

— Aprendi a ficar quieta. — Recusou compartilhar as memórias de sua infância. Nem todas eram boas. — Sempre pensava antes de fazer algo.

— Você pode apenas ser agora. — Shadow descansou seu queixo no topo de sua cabeça. — Pode fazer ou dizer qualquer coisa.

Ela sorriu.

— Qualquer coisa?

— Sim. — Não havia nenhuma hesitação, sua voz firme.

Suas palmas deslizaram de seus ombros para seu peito até que descansaram em cima de suas costelas.

— Tem certeza?

— Sim.

Seus dedos de repente cavaram em sua pele firmemente e remexeram. Não sabia se Shadow sentia cócegas, mas estava prestes a descobrir. Ele ofegou antes que suas costas se curvassem. Torceu seu tronco e de repente estavam se movendo. O movimento rápido a surpreendeu quando ele rolou. Aconteceu tão rápido que não estava certa como acabou deitada de costas com seus pulsos acima de sua cabeça, e presos firmemente pelas mãos dele. Ele desceu por ela, prendendo-a com seu peso.

Diversão faiscava em seus olhos.

— Você quer brincar?

— Você sente cócegas! — Ela riu.

— Muito. — Ele olhou para baixo. — Você não tem?

— Não sei.

— Não se mova. Soltou seus pulsos e moveu seu corpo até apoiar seu peso em um cotovelo. Sua mão lentamente abriu, enquanto o via colocá-la em seu estômago.

Seu coração martelava enquanto se perguntava o que ele faria. A textura áspera de seus calos nas pontas dos dedos era agradável, quando deslizou aquela mão mais para o alto acima de suas costelas, para parar debaixo de seus seios. Olhou para cima.

— Isso faz cócegas?

— Não.

Deslizou mais alto e agarrou seu seio, um dedo polegar roçou ligeiramente de um lado para outro em cima do mamilo. Isto imediatamente respondeu enrugando. Uma cócega começou lá que espalhou mais abaixo para seu sexo.

— Que tal isto?

Não confiou em sua voz enquanto lambia seus lábios e balançava a cabeça.

— Isto o faz parecer pesado.

— Minha mão?

— Não. Meu peito.

O lençol estava preso entre a parte de baixo de seus corpos depois que Shadow mudou suas posições. Livrou-se dele com uma perna e ela enganchou seu calcanhar em torno da parte de trás da coxa dele, depois mais alto. Não podia ver suas costas, mas podia sentir a pele nua. O lençol não cobria sua bunda musculosa. Estava lá para seu pé explorar.

Um murmúrio profundo saiu de Shadow enquanto olhava fixamente em seus olhos.

— Isso é bom.

Bela não queria mais fazer cócegas nele.

— Continue me tocando.

A paixão era uma emoção que estava aprendendo depressa a identificar no rosto dele, quando suas narinas alargavam e seus olhos estreitavam lentamente. A boca de Shadow fechou e a mão em seu seio começou a massagear, fazendo o polegar circular ao redor do mamilo tenso. Estava tão sexy com seu cabelo bagunçado apesar de seu comprimento curto. Se permitisse que crescesse, teria uma aparência devastadoramente selvagem. Isto fez com o quisesse mais. Uma dor começou entre suas pernas, fazendo-a muito sexualmente ciente dele.

— Gosto disso. Faça mais.

Ele removeu sua mão, desapontando-a. Isto durou apenas uma piscar de olhos, porque sua cabeça mergulhou para substituir seu dedo com a ponta de sua língua. Bela fechou os olhos e curvou suas costas para dar-lhe melhor acesso.

Sua boca estava realmente morna quando a fechou em seu mamilo, mas nada a preparou para quando chupou, usando sua língua para provocar a ponta. Esqueceu a ordem dele para que ficasse parada agarrando sua cabeça, seus dedos escorregaram em seu cabelo para mantê-lo no lugar.

— Sim. — ela sussurrou.

Ele rosnou em resposta.

Shadow arrancou o lençol restante entre eles. Seu corpo grande, musculoso acomodou-se nela mais firmemente e não havia como não notar seu pênis duro apertando contra a parte interna de sua coxa. Desejou que ele estivesse mais para o alto em seu corpo, assim poderia tê-lo dentro dela, enquanto a tocava, suspeitando que isto seria incrível. Não precisava de experiência para adivinhar que seria verdade.

Ele largou um seio para dar ao outro sua atenção. Teve de se conter para não arranhar seu couro cabeludo, forçando-o a continuar fazendo aquilo nela. As sensações tomaram conta de tudo, enquanto o prazer e a necessidade a enchia. Livrou sua outra perna e caminhou pelo redor do seu traseiro, abraçando-o firmemente.

Ele chupou seu seio em puxões fortes e rosnou novamente, seu peito contra sua barriga. A dor que irradiava entre suas coxas ficou dolorosa e seu clitóris pulsava, querendo atenção.

— Shadow. — suplicou.

Sua boca a soltou, quando ele ergueu a cabeça e olhou para ela.

— O que você precisa? Diga-me. É seu.

O modo que falou fez coisas engraçadas com sua barriga novamente. Sua voz era tão profunda, tão primitiva e animalesca, que chamou por algo dentro dela. Soltou sua cabeça para agarrar seu rosto.

— Você.

Ele a cheirou uma vez e gemeu, erguendo seu corpo.

— Não! — Agarrou-se nele, recusando-se a largá-lo. — Não pare.

Ele congelou com seus braços esticados, mas seus quadris ainda aconchegados contra ela.

— Você confia em mim?

— Sim.

— Quero que fique de joelhos inclinada na minha frente.

Ele queria pegá-la por trás. Isto trouxe rapidamente de volta um clarão de medo, que deve ter notado.

— Não sou ele. — Sua intuição foi perfeita. — Quero fazê-la se sentir realmente bem. Posso tocar em você em todos os lugares se curvar-se na minha frente.

— Confio em você. — Ela confiava. — Posso fazer isto. Suas pernas soltaram e soltou suas mãos de seu rosto.

Ele recuou sobre as mãos e joelhos, mas depois parou.

— Aqui. Apenas role e fique de costas para mim.

Bela não hesitou. Seu corpo o queria, ela o queria. Esse era Shadow, jamais o confundiria com o Mestre. Não havia nenhuma comparação e pareceu um insulto permitir que sequer compartilhassem espaço dentro de sua mente. Virou-se e se apoiou sobre suas mãos e joelhos, sua bunda para cima.

Olhando para trás, parou para admirar o corpo de Shadow. Ele era tão poderoso. Podia forçá-la a fazer qualquer coisa que quisesse fisicamente, mas ficou parado, o único movimento era a subida e descida de seu peito, e seu sexo rígido ficando mais firme e grosso, prova de que a queria também. Revirou-se e desviou o olhar para a cabeceira, enquanto lentamente rastejava para trás para ficar mais perto dele.

Mãos firmes suavemente agarraram seus quadris.

— Calma, amor. — ele persuadiu suavemente. — Devagar. Não machucarei você.

— Eu sei.

— Isto é muito difícil para você? — Ele a deteve, apertando-a. — Isto a faz lembrar muito dele? — Seu tom aprofundou para um rosnado.

— Não. — Torceu sua cabeça o suficiente para olhar para ele novamente. — Quero apenas você. — Suas palavras foram absorvidas e surpresa a encheu. — Você me chamou de amor.

A tensão aliviou suas características. Embora não dissesse nada para explicar o porquê disse isto, ao invés disso apenas deslizou uma de suas mãos de seu quadril, para a curva debaixo de sua barriga, então mais abaixo até que as pontas de seus dedos provocassem a junção de sua vagina. Ele rosnou suavemente quando localizou o clitóris, roçou de um lado para outro até um gemido baixo estourar dos lábios separados dela. Seus olhos fecharam enquanto olhava para frente, ela abaixou a cabeça e arranhou os lençóis.

Ele não a penetrou imediatamente. Um de seus joelhos esfregou a parte de dentro de sua coxa e cutucou. Espalhou-as mais para lhe dar acesso. Largou seu quadril e desceu por cima dela, até que seu corpo lentamente descansou contra suas costas curvadas. A cama afundou, dizendo- lhe que tinha apoiado seu peso com uma mão. Ele se mexeu até que suas pernas estavam do lado de fora das delas, e deslizou até que seu pênis pesado parou contra o lado interno de sua coxa.

— Você é tão bonita. — falou. — Tão sensível.

Era quase impossível para Bela pensar enquanto ele massageava o feixe de nervos com um dedo talentoso. Seu dedo deslizou mais para baixo, descobrindo o quão molhada e pronta ela estava para recebê-lo, mas ainda não a penetrou. Esticou-se novamente para continuar atormentando seu clitóris. Aplicou um pouco mais de pressão, um pouco mais rápido, e Bela balançou seus quadris. A necessidade de gozar cresceu de uma dor fixa para uma necessidade torturante.

— Shadow. — gemeu.

De repente a coroa de seu pau apertou contra sua boceta. Gemeu mais alto, persuadindo-o. Ele não parou de tocar seu clitóris enquanto lentamente a penetrava. Sabia que seus músculos estavam tensos, mas não havia nada que pudesse fazer sobre isso já que estava bem na beira.

Ela pressionou mais perto das costas dele, depois que estava acomodado alguns centímetros dentro dela. Shadow apoiou sua mão na cama na frente do seu ombro, prendendo-a dentro da gaiola de seu corpo. Sua boca era quente e molhada, enquanto dava beijos em seu ombro nu.

Amou o quão duro seu pau estava, o quão grande parecia estirando suas paredes vaginais, quando afundou um pouco mais enquanto ainda provocava seu clitóris. Ele moveu-se devagar, invadindo-a mais, e sabia que não iria durar. Seu corpo estremeceu com o forte e intenso prazer, e o último empurrão para o clímax foi quando ele retirou-se quase totalmente de sua vagina, para penetrar de novo com um impulso poderoso. Foi o necessário.

— Shadow! — Gritou seu nome enquanto o êxtase rasgava por ela. Seus músculos prenderam fortemente em seu eixo e Bela jogou sua cabeça para trás contra seu peito. Seu corpo tremeu com seu forte orgasmo.

Ele rosnou e sua mão deixou seu clitóris supersensível e inchado, para agarrar ao redor de sua cintura. Ele moveu-se então, fodendo-a freneticamente, prolongando o clímax até que ela não podia respirar, não podia fazer qualquer coisa a não ser sentir.

Seu pau pareceu mais duro, mais grosso, e ele fez sons que normalmente a teria assustado se não fosse tão sexy. Perguntou-se se era possível morrer de tanto prazer. O clímax continuou a rolar por ela, aparentemente infinito.

Um uivo alto a surpreendeu e achou por um instante que fosse Shadow que tivesse gozado, mas em vez de diminuir a velocidade para despejar seu sêmen nela, de repente saiu de seu corpo. Foi um choque ser abandonada por ele, mas depois foi derrubada e seu corpo foi totalmente afastado dela.

Ela bateu no colchão com força suficiente para quase deslizar da beirada da cama, e estava horrorizada em testemunhar o corpo de Shadow bater na parede do outro lado do quarto. O som do gesso rachando mal foi registrado, enquanto ele caia no chão. O terror agarrou Bela imediatamente quando outra figura bloqueou sua visão de Shadow. Era o homem da noite que foi perseguida pelos lobos e ele rosnava, se curvou, e com ambas as mãos segurava firmemente a garganta de Shadow.

Sua boca abriu para gritar, mas nada saiu. O homem largou Shadow e ele bateu na janela, quebrando a armação de madeira, e então ele se foi. Horrorizada, percebeu que Shadow tinha acabado de ser lançado pela janela aberta do segundo andar.

O homem virou-se, suas características retorcidas com ira, e Bela choramingou. Não o viu bem na escuridão, mas identificou Torrent pelo cheirou, enquanto ofegava apavorada. Seu cabelo preto caia até o meio de seu peito, onde se derramava por cima de seus ombros. Olhos azuis frios e apavorantes estavam fixos nela.

Ela estava nua, vulnerável, mas conseguiu afastar o olhar do Espécie perigoso para a janela. Os pedaços da armação quebrada estavam penduradas do topo, mas não havia nenhum sinal de Shadow e nenhum som para dizer-lhe se estava vivo. O pavor pelo destino de Shadow de repente anulou a preocupação com sua própria segurança.

Shadow está morto? O homem o matou? O conceito doía tanto que dor física apunhalou seu peito. Raiva pura veio em seguida. Ela rosnou profundamente em sua garganta, e isto surpreendeu a ambos. Não pensou antes de agir. Tinha de chegar a Shadow, tinha que saber se sobreviveu.

Bela moveu-se antes de perceber o que fez e se lançou no Espécie. O fato de que estava nua não atrapalhou, quando bateu no peito de Torrente. Suas mãos arranharam enquanto agarrava sua garganta e seus joelhos bateram em seu estômago. Suas presas afundaram em seu ombro, rasgando o tecido até a carne. O gosto de sangue encheu sua boca enquanto o mordia violentamente. Ele tropeçou, uivou de dor e então estavam ambos caindo.

Bela o soltou e saltou, usando seu corpo como um trampolim para ganhar vantagem. Bateu no chão próximo a onde ele aterrissou, rolou, tropeçou e saiu do quarto. Suas palmas doíam como também seu quadril do choque com o chão, mas ignorou-os enquanto se apressava para o andar de baixo. O pânico era uma emoção que conhecia bem, e permitiu que isto circulasse com toda força por ela enquanto fugia de seu atacante. A porta da frente estava escancarada e quase a alcançou, quando a grande forma de Shadow de repente encheu o espaço.

Bela não conseguiu diminuir a velocidade a tempo e se retorceu, tentando evitá-lo, mas ele era muito grande. Sua lateral esmagou no corpo dele com força o suficiente para tirar a respiração de seus pulmões. Ele grunhiu, mas seus braços fortes a envolveram, erguendo-a imediatamente, e ele cambaleou para trás alguns centímetros para a varanda antes de recuperar seu equilíbrio.

Era difícil sugar o ar para seus pulmões, mas conseguiu, virando a cabeça para olhá-lo fixamente. Tinha um corte na testa que sangrava o suficiente para deslizar pelo lado de seu rosto, pequenos arranhões estavam em sua garganta, mas ele não olhou para ela. Olhava fixamente para algo dentro da cabana e rosnou.

Torceu-se para ver Torrent descendo os degraus. O sangue manchava sua camisa onde o mordeu, o material rasgado claramente revelava o ferimento. Suas mãos estavam fechadas e ele rosnou, parecendo furioso. Não estava olhando para ela. Estava fixado em Shadow.

Shadow virou-se, colocando-a no chão, e a soltou uma vez que ficou de pé com pernas trêmulas. Ele rosnou, enfrentando o outro homem, mantendo-a atrás dele. Ele balançou um pouco. O outro Espécie de repente abaixou, rosnou, preparando-se para atacar.

Eles foram um para o outro antes que pudesse agarrar o braço de Shadow, para tentar mantê-lo parado. Torrent saltou enquanto Shadow entrava na cabana. Bela ofegava enquanto os via emaranharem-se e bater no chão, gruindo e rosnando. Socos foram trocados e estava enjoada do som de carne batendo em carne.

— Parem! — Bela gritou, mas eles a ignoraram. Correu para dentro da sala de estar, quando atingiram a mesa de centro, fazendo com que isto colidisse do outro lado. Seus grandes corpos rolaram bem em cima dos pedaços quebrados da mobília que era feita de troncos. O cheiro de sangue penetrou seus sentidos, e freneticamente procurou por uma arma. Shadow estava machucado mais ainda assim tentava protegê-la contra o homem agressivo que presumiu vir pegá-la. Apenas queria proteger Shadow ao invés dela.

A lareira chamou sua atenção e correu depressa para ela, agarrando uma das barras de metal de uma caixa pequena próximo à lareira. Era uma boa arma, firme em sua mão. Virou-se a tempo de ver Torrent ficar em cima de Shadow, esmurrando seu peito com punhos de aço. Apressou-se e balançou tão forte quanto pôde, cravando no homem atacando seu Shadow. Atingiu-o atrás da cabeça com força suficiente para machucar suas mãos.

Torrent rosnou enquanto lateralmente caía, agarrando sua cabeça. Ele aterrissou de costas com força, xingando ruidosamente, mas não tentou se levantar. A atenção de Bela mudou para Shadow. Ficou alarmada em ver que seus olhos estavam fechados. Muito sangue estava manchando seu rosto do ferimento em sua testa, mas agora havia mais ao redor do nariz e da boca.

Estava apavorada e enfurecida ao mesmo tempo. Ela caiu de joelhos. A arma de metal fez um barulho enquanto batia em algo quando a jogou para o lado, mas não se importou quando freneticamente rastejou para mais perto de Shadow. As mãos dela passaram pelo seu tórax primeiro, sentindo-o subir e descer. Aliviada, percebeu que estava vivo.

 

Um movimento no canto de seu olho a deixou ciente que Torrent começava a se recuperar. Virou-se, toda sua ira dirigida a ele, e rosnou. Ela se debruçou na parte de cima corpo de Shadow, protegendo-o tanto quanto sua pequena estrutura permitia.

— Para trás! Eu matarei você.

Os dele olhos arregalaram enquanto se sentava, olhando fixamente para ela depois que o ameaçou.

Ela silvou para ele, mostrando suas presas.

— Não toque nele novamente.

Ele usou seus pés contra o chão para se afastar, pondo espaço entre eles. Uma de suas mãos segurou sua cabeça de novo, mas a outra mão abriu na frente dele.

— Calma fêmea.

Bela sabia que estava prestes a hiperventilar. Não conseguia diminuir a velocidade de sua respiração. Muitas emoções estavam colidindo nela. Raiva. Preocupação. Medo. Acima de tudo, queria matar o bastardo por machucar seu Shadow. A mão dela em seu tórax assegurou-a que ele respirava, mas não ousou desviar o olhar arriscando-se a olhar para ele.

Seu corpo inteiro estremeceu quase violentamente, e sabia que não teria uma chance se lutasse com Torrent, mas morreria tentando proteger Shadow. Ele estava inconsciente e machucado. Rosnou novamente, esperando parecer feroz. Os olhos de Torrent seriam seu primeiro alvo se viesse até ela. Arranharia-o, tentaria cegá-lo, o único plano que pôde inventar.

— Calma. — Torrent repetiu. Ele parou de se mexer, ficando apenas sentando lá. — Acalme-se.

— Foda-se! Saia. — Ela conseguiu erguer sua mão e apontou para a porta aberta. — VÁ!

Ele largou a cabeça, abriu ambas as mãos na frente dele para mostrar as palmas. Era apenas um pouco satisfatório ver uma camada de sangue. Conseguiu machucá-lo.

— Não vou machucá-la. Estava tentando te proteger. — Olhou para Shadow. — Dele.

Outro clarão quente de ira rolou por Bela.

— Saia. Vá! — Rosnou para ele novamente, enquanto se curvava sobre o peito de Shadow, bloqueando seu rosto do Espécie agressivo. — Matarei você. Não sou fraca. — Esperou que ele acreditasse na ameaça, porque realmente não estava certa se seus membros trêmulos sustentariam seu peso por muito mais tempo, muito menos o suficiente para lutar com ele numa batalha física.

Torrent empalideceu e sua boca abriu, mas fechou-a em uma linha apertada.

— Certo. — Suas mãos apoiaram-se no chão, depois rolou para uma posição de pé.

Ela desviou o olhar depressa, localizou a barra de metal alguns centímetros afastada, precisando saber onde a arma estava. O homem não se virou para se lançar em um ataque de surpresa. Ele caminhou para a porta aberta e saiu da cabana.

Lágrimas quentes encheram seus olhos, mas forçou seu corpo a se mover. Correu e agarrou a porta aberta. Torrent tinha saído da varanda e caminhava depressa em direção a um Jipe, estacionado um pouco afastado da cabana. Ela fechou a porta e suas mãos tremiam muito enquanto a trancava. Seus joelhos ameaçavam ceder enquanto colocava suas costas contra ela, olhando fixamente para Shadow. Ele ainda estava inconsciente e sangrando.

Havia armas no quarto de Shadow. Ela as viu. De alguma maneira achou força para se afastar da porta e subir os degraus correndo. Não importava que nunca tivesse tocado em uma arma de fogo antes. Descobriria como funcionava e a usaria se o homem retornasse para tentar levá-la.

 

Bela mordeu seu lábio e tentou o telefone celular novamente. Suas mãos tremiam tanto que discou o contato pré-programado errado algumas vezes. A arma de fogo parecia fria e estranha, descansando em cima da sua coxa curvada. A cabeça de Shadow estava apoiada em sua outra coxa quando se sentou no chão da sala de estar. Enfrentou a porta, preparando-se para atirar em qualquer um que passasse.

Os números certos apareceram e colocou o telefone em sua orelha depois de apertar o botão de ligar. Tocou três vezes antes de uma voz familiar responder.

— Ei Bela. E aí?

— Ajude-nos. — Bela falou, tentando conter os soluços.

Breeze ficou muda por segundos.

— Bela? O que você disse? O que está de errado?

— Ajude-nos. — Sua voz saiu mais firme e fungou. — Shadow está machucado. Ele não acorda. Sua cabeça está sangrando. — A emoção a sufocou. — Tenho uma arma. — Olhou fixamente para ela. — Um homem atacou. Torrent.

— O que? — Breeze rosnou. — Onde vocês estão?

— Na cabana. — Bela começou a chorar, incapaz de parar. — Ele atacou. Eu mordi e bati nele. Está do lado de fora, mas não foi embora. Ainda está lá fora.

— Acalme-se. — Breeze ordenou. — Estou a caminho do Controle. Enviarei ajuda para você.

— Venha. — Bela forçou suas emoções para trás, tentando fazer como Breeze ordenou.

— O que aconteceu? Estou correndo, mas ainda posso conversar com você.

Bela respirou profundamente algumas vezes para empurrar de volta as lágrimas que ameaçavam descontrolá-la.

— Shadow e eu estávamos na cama quando Torrent atacou. Ele jogou Shadow pela janela do segundo andar e o machucou. Ele não acorda. — Olhou para o rosto dele, sua mão livre acariciando sua bochecha. — Não sei o que fazer.

— Você! — Breeze gritou para alguém. — Dê-me seu rádio. — Sua respiração diminuiu a velocidade lentamente. — Espere Bela. Fique na linha comigo.

Bela assentiu, mas percebeu que sua amiga não podia ver. Podia ouvir o que estava acontecendo pelo celular.

— Conecte-me com a Reserva. — Breeze ordenou. — Isto é uma emergência.

— Tenho uma arma. — Bela não estava certa se já havia mencionado aquele fato ou não, desorientada pelo seu medo.

— Merda. Não toque nela. — Breeze ordenou. — Você nunca foi exposta a uma arma antes.

Isso era verdade. Ela as viu na televisão e com alguns oficiais carregando-as, mas foi a primeira vez que interagia com uma de verdade. Bela olhou para a porta, certa de ter ouvido algo na varanda.

— Acho que ele está voltando.

— Quem?

— Torrent.

Bela removeu sua mão de Shadow cuidadosamente para agarrar a arma pesada. Tremendo, ergueu-a com ambas as mãos, apontou para frente da cabana, e mirou na porta. Suas orelhas esticaram certa de ter ouvido a madeira estalar. Apertou o gatilho.

O barulho afiado machucou suas orelhas, e ficou apavorada quando a arma empurrou dolorosamente em sua mão, mas esperou que o buraco que apareceu na parede afugentasse o homem. O toque em seus ouvidos a impediu de saber se ele fugiu ou não, mas sua audição se recuperou depressa. Tudo o que podia detectar enquanto se esticava para escutar novamente, era sua própria respiração lenta e a respiração estável de Shadow.

— Bela! — Breeze gritou no telefone.

Ela colocou-o em sua orelha novamente.

— Acho que talvez tenha assustado Torrent.

— Merda! Espere. — A voz de Breeze ficou mais severa. — Quem fala é Breeze de Homeland. Envie uma equipe para a cabana onde a Fêmea Presente foi enviada. Agora mesmo! Torrent os atacou. O macho que a protegeu está inconsciente e Bela precisa de ajuda. Pausou. — Não, isto não é uma piada ou um teste. Envie as fêmeas primeiro. Entendeu? Ela tem uma arma.

Bela abaixou a arma para colocá-la no chão onde poderia ter fácil acesso. Era pesada e seu pulso doía depois do disparo. Foi tão alto, mas Shadow nem sequer se mexeu, isso só provou o quão ferido devia estar.

Esfregou a mão em seu rosto, enxugando o sangue. O cheiro encheu seus sentidos. Breeze começou a falar, mas não com ela.

— Isso mesmo. Torrent atacou. Não me pergunte por quê. Como vou saber? Não estou lá. Mande minhas fêmeas para aquela cabana agora mesmo para proteger Bela, e envie suporte médico com elas! — Breeze rosnou e sua voz ficou mais alta. — A ajuda está indo, Bela. Você me ouve? Eles devem estar com você logo.

— Quero você.

— Estou muito longe para alcançá-la rápido. Leva tempo para chamar os pilotos e deixar o helicóptero preparado, mas irei assim que puder. Nossas fêmeas estão a caminho até você. Não atire nelas. Apenas coloque a arma no chão antes que machuque alguém. O que aconteceu?

Mais lágrimas deslizaram pelas suas bochechas enquanto as piscava para acariciar Shadow, sem se importar que seu sangue manchasse seu cabelo quando deslizou seus dedos por eles. Podia sentir um grande inchaço e se preocupou.

— Estávamos na cama e Torrent veio do nada. Ele apenas lançou Shadow pela janela. — Ela fungou. — Eu o ataquei. — Ainda estava atordoada por ter feito isso.

— Shadow?

— Torrent. — Sua voz quebrou. — Ataquei Torrent. Pensei que tivesse matado Shadow.

— Não sei. — Breeze disse a alguém, sua voz estava fraca. — Você ouviu o que eu disse. Preciso de um voo para a Reserva agora mesmo. Corra para o Controle para dizer-lhes o que está acontecendo. Faça-os ligarem para a Reserva para ter certeza que minhas ordens estão sendo seguidas. — Silvou um palavrão. — Bela, Shadow está respirando?

— Sim.

— Você o arrastou de onde ele caiu?

— Não. Desci os degraus para alcançá-lo, mas ele estava entrando pela porta.

— Então Shadow está bem?

— Não. Estava machucado e depois eles lutaram. Shadow mal podia ficar em pé, mas eles estavam batendo um no outro e rolando no chão. Ataquei Torrent por detrás e o atingi na cabeça.

Diga-me o que fazer. — O pânico surgiu novamente. — Tranquei a porta. Depois peguei o telefone e a arma lá de cima. — Deu um suspiro irregular. — Shadow não acorda, mas está respirando.

— Deveria ter ido com você. — Bela podia adivinhar que Breeze estava correndo novamente, a prova disso era sua respiração ofegante. — Nossas fêmeas estão indo até você e levarão um médico. Ele ou ela ajudará Shadow. Vou despedaçar Torrent. Ele disse por que atacou?

Uma memória veio á tona.

— Ele disse que estava me protegendo de Shadow.

— O que você dois estavam fazendo quando isto aconteceu?

— Fazendo sexo.

— Filho da puta.

Bela concordou com aquela opinião. Mais lágrimas quentes encheram seus olhos. Tinha sido maravilhoso, mas depois tudo se transformou num pesadelo. De repente Shadow se mexeu e a esperança de que estivesse bem aumentou. Seus olhos abriram enquanto se debruçava sobre ele. Seus olhos azuis eram uma visão bem-vinda, mas a confusão neles não era.

— Bela?

— Estou aqui.

Raiva transformou suas características e ele rosnou, sentando-se tão rápido que quase bateu sua cabeça na dela. Ela mal evitou a colisão jogando-se para trás. Um gemido alto veio dele e uma mão alcançou sua testa, enquanto ele balançava um pouco.

— Calma. Estamos seguros. — Ela soltou o telefone e agarrou seus ombros, tentando pará-lo. — A ajuda está vindo.

O recinto girava enquanto Shadow buscava pela ameaça. Sua vista estava ruim. Sua cabeça também, pela sensação de umidade que encontrou nas pontas dos dedos, quando tocou o lugar mais dolorido e localizou uma inchação dolorosa. O conhecimento do que aconteceu bateu em sua mente junto com a dor pulsante. A fúria o agarrou. Estava tão focado em Bela que não ouviu o macho se mover por trás dele até que foi atacado.

Virou sua cabeça e viu sangue na boca delicada de Bela. Não era sua imaginação. Quando aterrissou com força lá fora e conseguiu ficar em pé cambaleando para alcançar Bela, ela estava nua e correndo em direção à porta aberta à medida que entrava, mas viu vermelho em seu rosto antes dela colidir em seu corpo. Mal conseguia manter ambos na vertical. Depois Torrent veio atrás dela.

Ele rosnou forçando-se a desviar o olha para caçar o macho.

— Onde ele está?

— Está do lado de fora. Tranquei a porta. — Suas mãos acariciaram seus braços depois seu tórax. — A ajuda está vindo. Você me ouviu?

A ameaça imediata não estava presente. Focou-se nela, se torcendo para agarrar Bela. Ambos estavam nus, mas aquele fato mal foi registrado. Estava muito preocupado que estivesse machucada. Ele agarrou sua mandíbula, procurando pelo dano, mas só viu sangue em seus lábios e queixo.

— Abra.

— O que?

— Abra a boca. Você está sangrando.

— Não é meu sangue.

Isso deixou o perplexo.

— De quem é?

— Eu o mordi.

Ela mordeu Torrent. Ele rosnou. Mataria o macho.

— Ele machucou você? — Cheirou ruidosamente, mas seus sentidos estavam confusos. Tudo o que podia detectar era sangue.

Ela balançou a cabeça.

— Ele estava muito disposto a lutar com você. — Lágrimas encheram seus olhos. — Eu o ataquei.

Shadow olhou para seu corpo nu, mas não viu quaisquer outros danos. Não devia estar apenas sofrendo com a vista prejudicada, estava ouvindo coisas também.

— O que você disse?

Seu queixo levantou.

— Eu o ataquei duas vezes. Lá em cima depois que te jogou pela janela, e novamente quando ele estava batendo em você.

Ela olhou para o lado e ele seguiu seu olhar. Um ferro da lareira estava no chão há alguns centímetros de distância, o final dele estava dobrado ligeiramente. Chocado, voltou sua atenção para ela.

— Bateu nele com isto?

Ela assentiu com as mãos ainda vagando por seu braço e peito.

— Atrás da cabeça. Você está bem? — Sua voz tremeu. — Você não acordava.

Provavelmente teve uma concussão. Não estava certo se desmaiou quando aterrissou, mas sabia que bateu a cabeça no caminho para fora da janela, ou talvez na extremidade do telhado quando rolou dele para cair no chão. Os punhos de Torrent atingindo seu rosto não ajudaram em nada, mas estava muito atordoado para ser efetivo contra o ataque do macho quando lutaram.

Shadow teve que permitir que as palavras de Bela realmente fossem absorvidas. A imagem dela lutando com um macho estava além de sua compreensão. Apenas não conseguia imaginar isto. Ela era muito pequena para entrar em um confronto violento. As Fêmeas Presente fugiam da violência em vez de iniciá-la. Um horrível pensamento o atingiu.

— Ele tentou montá-la? Tocar em você? — Sua voz aprofundou em um grunhido. Estalaria o pescoço do macho se tivesse tentado.

— Não.

— Sinto tanto.

Estava agradecido que ela não foi sexualmente tocada pelo macho, mas também sentia outras emoções. Culpa e vergonha misturava-se fortemente, deixando um gosto tão amargo em sua boca, quanto o sangue do corte dentro de sua bochecha. Falhou em proteger Bela. Ficou distraído pelo seu corpo sensual e o quão bom era enquanto a montava. Sua guarda desceu o suficiente para permitir que outro macho penetrasse em seu quarto. Não sentiu o perigo até que mãos ásperas o agarraram e voou pelo ar. Depois caindo.

— Pelo que? — Uma de suas mãos deixou o peito para acariciar seu rosto.

Não podia mais olhar para ela, então virou a cabeça.

— Não devia ter acontecido.

— O sexo?

A dor em sua voz era clara o suficiente para chocá-lo, e voltou sua atenção para ela. Definitivamente parecia emocionalmente perturbada por acreditar que ele rejeitou o que compartilharam.

— Não. Eu falhei com você.

— Você foi maravilhoso.

As sobrancelhas dele ergueram-se rapidamente.

— Permiti que um macho nos atacasse, a atacasse. Você estava em perigo, mas não consegui protegê-la. Teve que defender-se sozinha.

— Oh. Pensei que estava falando sobre o que fizemos em sua cama. — Ela continuou a acariciar seu rosto. — Estávamos ambos distraídos. Ele é o culpado.

O som de motores penetrou nas paredes da cabana.

— Vá colocar suas roupas. — Ele olhou abertamente para seus seios. — Agora. A ajuda chegou e mais machos entrarão.

— Não quero deixá-lo.

Ele rosnou e se afastou do toque dela. A dor transpassou sua cabeça com o movimento acentuado.

— Faça isto. — Não queria que ninguém a visse nua. Ela era muito tentadora e atraente. — Estou bem.

Não estava e sabia disto. Ele já estaria do lado de fora caçando Torrent para matá-lo por ter posto Bela em perigo se as pernas aguentassem seu peso. Pontos dançavam na frente de seus olhos e se sentiu debilitado com a agonia dentro de sua cabeça. Sofreu concussões antes e conhecia os sinais. A náusea irritava, mas se recusou a ficar enjoado na frente de Bela. Não poderia ter mais vergonha adicionada à lista crescente que sentia.

Remorso e indecisão passaram pelo rosto dela, mas relutantemente seguiu suas ordens ficando de pé. Ele a viu ir, incapaz de desviar o olhar de seu pequeno traseiro enquanto subia os degraus dois de cada vez devido a pressa para retornar para ele. Sabia que era por isso que se apressava. A fé dela na habilidade dele em fornecer segurança estava tão danificada quanto sua cabeça.

Olhou para seu corpo quando ela estava longe de vista e gemeu. Não tinha nenhuma roupa para cobrir sua nudez, e nenhuma força para se levantar. De jeito nenhum pediria ajuda a Bela. Nunca se perdoaria por permitir que o ataque acontecesse.

As vozes do lado de fora eram fracas, mas sua audição aguda captou as palavras.

— Torrent. — uma fêmea silvou. — O que você fez? Se sente ou mandarei um dos membros do conselho bater em você.

— Eu… hã. Inferno. Estou sentando, Creek. Jaded, você e Bestial não me olhem assim. Isto não é o que parece.

— O que está acontecendo? — O macho soou furioso enquanto rosnava. — Você atacou uma Fêmea Presente? Que diabo você estava pensando?

— Vim para ensiná-los a nadar. — Torrent pausou. — Ouvi barulhos e entrei na cabana para descobrir o que estava acontecendo. Shadow estava montando uma Fêmea Presente. O que deveria presumir? Pensei que a estava salvando, mas estou tendo minhas dúvidas agora.

— Eles estão aqui para criar um vinculo. — A fêmea soou menos irritada. — Ninguém disse isso a você? Ela estava curiosa sobre o macho. Eles foram enviados para cá para ver se ela queria compartilhar sexo com ele.

— Merda. — Torrent gemeu. — Ninguém me disse isto. Apenas o vi em cima dela e pensei que estava sendo forçada.

— Ela mostrou um interesse naquele macho e se ressentiu em ser protegida da atenção dele. — Bestial anunciou. — Breeze enviou a Presente para cá assim eles poderiam passar algum tempo sozinhos, para dar-lhes a oportunidade de ver se gostariam de compartilhar sexo.

— Todo mundo foi informado. — Creek protestou. — Tivemos uma reunião sobre isto quando soubemos que estavam de visita.

— Não estava aqui. — Torrent protestou. — Tive que coletar aquele filhote de lobo com minha equipe e tive que pegar um filhote de leão. Estive fora muitas vezes.

— Merda. — Jaded gemeu. — Deixe Creek lidar com isto. Leve o médico para dentro com você. Nós esperaremos aqui fora.

Shadow lutou para ficar de pé quando pararam de conversar, e cambaleou um pouco quando a sala girou. Ele parou, deu algumas respirações profundas e foi até a janela perto da porta. Agarrou a cortina, rasgou-a da barra e embrulhou-a ao redor da cintura.

Alguém entrou na varanda na mesma hora que ele alcançou a porta e destrancou-a. Abriu-a e teve de se apoiar fortemente contra o batente para ficar de pé. Torrent não atacou para levar Bela. Isso enfraqueceu um pouco sua ira, mas ainda estava furioso pelo que aconteceu.

A alta fêmea vestia calça jeans e uma camiseta em vez do equipamento de Segurança da ONE. Seu cabelo marrom longo estava puxado para trás em um rabo-de-cavalo, e seu olhar escuro o varreu da cabeça aos pés.

— Pobrezinho.

Shadow estremeceu. Ele devia parecer horrível e patético para conseguir aquela resposta de uma fêmea. O macho humano carregando um kit médico hesitou atrás dela. Shadow afastou o olhar para ver a cena. Quatro Jipes estavam estacionados na frente da cabana e dois membros do conselho chegaram com a fêmea e o médico. Torrent estava sentado na grama na frente deles. Os olhos azuis frios do macho viraram em sua direção e seguraram sua atenção.

— Sinto muito. — Torrent declarou. — Pensei… bem, ela é uma Presente. Ninguém me disse que tinha permissão para tocá-la. Você estava muito chateado quando eu te vi da última vez, e pensei que poderia ter perdido o controle.

— Sobre o que estão falando? O que aconteceu? — Creek colocou as mãos na cintura, olhando entre eles. — O que mais aconteceu aqui?

O humano limpou sua garganta.

— Posso me aproximar dele? Ele é um residente da Zona Selvagem? Você precisa derrubá-lo antes dele ser tratado? — Saiu de detrás da fêmea. — Estou aqui para cuidar de seus ferimentos. Você está sangrando. Não sou o inimigo ou estou aqui para machucá-lo.

— Não sou um residente ou um selvagem. — Shadow rosnou, mas suavizou seu tom. — Apenas com raiva, mas pode se aproximar. Trabalhei com humanos durante algum tempo. — Atirou um olhar para Torrent. — Você podia ter perguntado o que estava acontecendo antes de me jogar da janela.

A fêmea chegou mais perto, eficazmente bloqueou sua visão do macho que o atacou. Avançou em sua direção, e ele imediatamente recuou afastando-se, e quase caiu de bunda quando largou o batente da porta. Ela engasgou, recuando. O médico tentou dar a volta por ela, mas ela agarrou o braço de Shadow.

— O que está errado com você? Ela mostrou suas presas, parecendo cautelosa. — Não ataque.

— Você não pode me tocar. — Ele endireitou seu corpo segurando o batente da porta novamente, e esperou pelo mundo parar de girar enquanto a visão se ajustava.

— Você precisa ser tratado. — Ela chegou mais perto e tentou tocá-lo novamente.

Ele rosnou.

— Você não. Não acho que Bela iria querer outra fêmea colocando suas mãos em mim.

Seus olhos arregalaram em surpresa, mas depois sorriu.

— Certo. — Andou para o lado. — Ele é todo seu, Mike.

O médico avançou com determinação.

— Você caiu de uma janela?

— Fui jogado. — Shadow voltou para dentro da casa e se debruçou fortemente contra a parede. — Bati minha cabeça no caminho. Fui esmurrado algumas vezes no rosto também. Estou bem certo que tenho uma concussão.

— Sou Mike. — O humano abaixou sua maleta, se curvou e abriu-a. — Pode se sentar? Você é bem alto e preciso examinar sua cabeça.

Shadow apenas deslizou pela parede para se sentar no chão, com cuidado para manter a cortina ao redor da cintura, já que podia sentir que a fêmea pairava na entrada. Olhou para os degraus enquanto se esticava para ouvir qualquer movimento de cima. Bela ainda estava lá. Começou a se preocupar. Não devia levar tanto tempo para vestir algo e retornar para ele. Ela poderia estar se escondendo do humano.

Permaneceu quieto enquanto Mike o examinava, ligeiramente rosnou quando o médico tocou em sua cabeça dolorida, achando o inchaço. O médico usou uma pequena luz brilhante para examinar seus olhos, verificando as respostas das suas pupilas. O macho suspirou.

— Preciso levar você para o Centro Médico. Acho que está certo sobre o choque, mas precisamos que um médico faça algumas radiografias para ver o que está acontecendo dentro do seu crânio. Está tonto? Com náuseas? Com dor?

— Tudo isso. — Shadow admitiu suavemente. — Creek?

A fêmea entrou na cabana.

— Pode por favor, ir checar Bela?

— Ela está ferida?

— Não. — Olhou para Mike, depois para ela. — Não queria insultar o humano, mas ele poderia ser a razão de Bela não retornar ao andar de baixo.

Ela pareceu entender.

— Certo. Ele é homem e humano.

Mike suspirou.

— Certo. Ela é Presente. Estou levando-o para o Centro Médico.

— Não deixarei Bela. — Shadow balançou a cabeça, mas gemeu da dor que isto causou.

— Eu a protegerei. — Creek jurou. — Precisa de tratamento. Ela estará segura e dois membros do conselho estão em cena. Eles ficarão do lado de fora. Não precisa se preocupar com nada a não ser melhorar.

Shadow não queria partir, mas sabia que seria estúpido não ver um médico. Sua cabeça martelava e temeu que vomitasse.

— Bela! — Levantou a voz. — Voltarei logo. Uma fêmea está aqui. Quer ficar com ela ou ir comigo?

Mal ouviu a resposta.

— Eu ficarei.

Seu olhar procurou nos degraus, mas não a viu. Estava em algum lugar próxima à entrada do andar de cima. Mais culpa mexeu dentro dele. Ela nem sequer confiava nele para protegê-la contra um médico humano.

— Eu cuido disso. — Creek prometeu. Pena lampejou em seus olhos, provando que pôde ler suas emoções. — Apenas vá e retorne quando puder.

Assistiu a Espécie alta subir lentamente pelos degraus. Ela pausou no topo e ele soube onde Bela estava escondida quando localizou o olhar de Creek.

 

— Oi, Bela. — Creek era uma mulher bonita com uma voz agradável. — Você está bem?

Bela odiou que parecesse não poder se mover da parede, mas saber que o médico estava no andar de baixo deixou-a paralisada. A equipe da força tarefa poderia aparecer depois e com eles, Shane. Não queria vê-lo novamente.

— Bela? — A Espécie abaixou a voz. — Você precisa ver o médico?

— Não! — Odiou o modo como medo soou em sua voz.

— Não se preocupe. Ele é muito bom. Você está sangrando.

— Não é meu sangue. Mordi Torrent e um pouco é de Shadow. — Olhou para suas mãos.

As sobrancelhas escuras elevaram-se rapidamente em surpresa.

— Você é responsável por alguns dos ferimentos de Torrent?

— Ele atacou Shadow e o jogou pela janela. Estava com raiva. E assustada. — Embora não estivesse disposta a admitir isto, apesar de ser óbvio.

— Isso foi valente para você.

Ela olhou para a Espécie mais alta.

— Nós duas sabemos que não foi por isso que fiz isto.

— Você se apavorou e apenas atacou porque seus instintos assumiram o comando?

— Algo desse tipo.

Creek debruçou-se contra a parede oposta.

— Já estive nessa situação.

— Você esteve? — Aquilo surpreendeu Bela. — Você parece forte.

— Não quando estava acorrentada e ainda sob o controle da Mercile. Ela abraçou a cintura. — Você não foi criada dentro das instalações de testes, mas os técnicos com quem lidávamos eram humanos grandes, fortes. Era raro ver um mais baixo a menos que fossem da equipe médica. Encolheu os ombros. — Os técnicos eram principalmente valentões com altos títulos que adoravam nos aterrorizar.

— Sinto muito.

— Eu também. Mas isto está no passado. — Um sorriso curvou seus lábios. — Como você está? Ela levantou a cabeça. — Eles estão levando Shadow para o Centro Médico agora. Nós seremos deixadas sozinhas por um tempo. Os machos ficarão do lado de fora. Por que não se limpa?

Bela rodeou a outra Espécie para entrar no banheiro. Lavou suas mãos e um olhar no espelho permitiu ver a si mesma, limpando o rosto e pescoço também. O sangue de Torrent estava lá. Creek a seguiu, mas parou na entrada.

— Você parece nervosa. Relaxe. Ninguém entrará na casa até que Shadow retorne.

— Nossos homens têm medo que me apavore se entrarem aqui? É por isso que permanecem do lado de fora?

— Sim. Ninguém quer te traumatizar mais. Breeze ordenou que todos os machos ficassem afastados de você. Vou ficar até que ela chegue. Estão preparando um helicóptero para trazê-la para cá assim que possível.

— Que bagunça. — Bela resistiu gemer enquanto fechava a água e usava uma toalha para se secar. — Como as coisas puderam dar tão errado?

— O que aconteceu?

— Você ouviu. Conversou com Torrent e Shadow. Minha audição é boa.

— Quero sua versão.

— Shadow e eu estávamos na cama juntos, mas de repente Torrent nos atacou.

— Você quer dizer que ele atacou Shadow.

— Sim.

— Torrent machucou você?

Ela balançou a cabeça, calma agora que as vozes enfraqueceram. Não conseguia ouvir nada no andar de baixo ou lá fora, exceto um veículo partindo. Isso parecia ser o médico levando Shadow para ser tratado.

— Torrent não sabia que Shadow tinha permissão para tocá-la.

A raiva agitou.

— Eu sei.

— Torrent não é um macho ruim. Ele pensou que estava protegendo você.

— Estou tão cansada disto! — Bela cerrou seus dentes e olhou para a outra mulher, até se acalmar o suficiente para falar novamente. — É por isso que fui trazida para cá.

— Eu sei. Breeze me informou sobre sua situação e como se sente. Você se ressente de ser etiquetada como Presente.

— Ressentir-me é um eufemismo. Isto não teria acontecido se todo mundo parasse de me tratar como se eu fosse uma fraca. — Pausou. — Não preciso de uma babá.

— Breeze não queria que ficasse sozinha. Podia passar horas antes de Shadow ser liberado para retornar. Pode demorar mais se ele tiver muitos ferimentos. O médico poderia querer mantê-lo lá durante a noite.

A preocupação a remoeu.

— Ele parecia bem para você, não é? Estava conversando e de pé.

— Estou certa de que ficará bem. Nossos machos são bem durões e se recuperam depressa depois de lutar. — Creek sorriu. — Eles fazem isto frequentemente aqui.

— Nunca vi você em Homeland.

— Vivo aqui em tempo integral. Já tinha sido transferida para cá quando foi salva.

— Por quê? Pensei que mudassem as mulheres a cada poucos meses.

O sorriso de Creek enfraqueceu.

— Gosto mais da Reserva e me sobressaí em minhas habilidades de secretária. Os membros do conselho atribuíram que precisavam de alguém aqui para ajudá-los. Eu me voluntariei.

— Há dormitórios de mulheres na Reserva?

— Vivo no hotel. É legal.

— Ah. — Bela avançou e Creek recuou, depois a seguiu para o quarto de Shadow. — Acho que deveria limpar a bagunça antes que ele volte para casa. Não quero que sinta que precisa fazer isto, mas ele irá.

— Eu ajudarei.

— Eu mesma posso fazer isto.

Creek levantou as mãos.

— Não quis ofendê-la, Bela. Estou aqui. O que mais farei?

— Você podia ir para casa.

— Breeze arrancaria meu pescoço. Não obrigado. Aquela é uma fêmea que nunca quero desapontar. Ela deu uma ordem e seguirei. — Creek sorriu, suas feições mostrando diversão. — Você sabe como ela fica.

— Ela é muito protetora.

— Com você talvez. — Creek olhou ao redor, estudando a estrutura do quarto. — Ela é tipo um urso para o resto de nós. Somos o “estofamento macio que afasta nossos machos de despedaçar um ao outro”. Essa é uma citação dela. Ela espera muito de nós.

— Nunca a ouvi dizer isto. O que isso quer dizer? — Bela parou na cama, seu triste olhar fixo na armação da janela quebrada. — Não sei o que fazer com isto.

Creek cruzou o quarto e apenas fechou a janela.

— Isto fecha. Isso é tudo o que importa. Outra pessoa pode consertá-la mais tarde. Temos pessoas que fazem isto. — Fechou as cortinas, eficazmente escondendo o dano e voltou-se. — Você nunca recebeu o sermão de Breeze sobre nossos deveres com nossos machos?

— Não. Não tinha permissão para ficar perto deles. — Decidiu arrumar a cama.

— Ah. — A Espécie caminhou para o outro lado para ajudar. — Nossos machos são grossos e não são os mais amigáveis se não notou. Intimidam os outros facilmente. O lado suave deles é difícil de achar, mas é nosso dever lembrá-los por que precisam ser sociais. Caso contrário, provavelmente competiriam com seus punhos. Haveria tanta luta que não fariam outra coisa.

Bela pausou, olhando fixamente para Creek.

— Por quê? Todos somos considerados família, não é?

— É a natureza deles. Mercile não os criou para serem fracos. Tivemos a vida toda para crescermos ressentidos das figuras de autoridade. É nosso trabalho como fêmeas dar-lhes uma razão para se unirem. Eles trabalham juntos para nos dar um lar. — Sorriu, dobrando seu lado do acolchoado. — Permitimos que façam isto. Precisamos lembrá-los que existe mais pelo que viver do que buscar vingança das pessoas que nos prejudicaram.

— Qual é seu trabalho especificamente? — Bela olhou em torno do quarto, não vendo qualquer outra coisa para fazer. Segurou o olhar de Creek.

— Breeze apenas espera que sempre encorajemos nossos machos.

— É por isso que ela dorme com tantos deles em vez de se acomodar com um só? Não existem muitos de nós que sobreviveram.

A boca de Creek curvou em um sorriso.

— Não. Ela se sentou no fim da cama. — Você sabe alguma coisa sobre as experiências de procriação que faziam na Mercile?

— Ouvi um pouco sobre isto.

— Nós éramos levadas para machos para compartilhar sexo. Às vezes era o mesmo por algumas semanas, mas na maioria nos levavam para outro diferente. Queriam que ficássemos grávidas e provavelmente pensaram que nos expor a vários machos ajudaria que isto fosse bem sucedido. Seu coração endurece depois de alguns anos disto.

— Não entendo. — Bela encostou-se na cômoda.

O humor de Creek acabou enquanto abraçava a cintura.

— Aprendemos a não ficar presos a ninguém. Era um erro doloroso se tornar emocionalmente envolvida. Eles nos usariam para castigar os machos, ou usariam os machos para tentar nos forçar a seguir suas ordens sem protestar, se suspeitassem que nos importamos demais uns com os outros. Discutir contra o que quer que fosse não era uma coisa boa.

— Que tipo de coisas eles queriam que fizesse?

As presas morderam o lábio inferior.

— Coisas ruins. Fui levada uma vez para um macho que foi torturado. Ele estava mal e cuidei dele ao invés de compartilhar sexo. — A raiva aprofundou a voz de Creek. — Como se ele tivesse condições de fazer isto. Ele foi severamente espancado. Acho que quiseram humilhá-lo.

— Colocando você para compartilhar sexo?

— Ele estava tão ferido que não podia se levantar de sua esteira. Esperavam que eu iniciasse o sexo. Você disse que não sabe muito sobre nossos machos, mas eles são orgulhosos. Isto o teria envergonhado se fosse esperado que fizesse, mas não foi capaz. Sua voz abaixou. — Duvido que ele pudesse levantar. Ela olhou para seu colo, depois de volta para Bela. — Você entende?

— Sim.

— Sabia que eles recusariam alimentar-me por alguns dias como castigo por não ficar nua, e por não tentar compartilhar sexo com ele, mas me preocupei que morresse. O técnico entendeu mal minha compaixão como um apego pelo macho, quando me levou de volta a minha cela. Aquele bastardo ameaçou a vida do macho se não permitisse que ele me montasse. Sua mandíbula cerrou e seus olhos escuros estreitaram. — Quebrei o nariz dele e o chutei nas bolas quando chegou mais perto. Espero que isto tenha doído como o inferno. Nunca iria me submeter a ser estuprada sem começar uma briga. Os outros técnicos o puxaram da cela antes que pudesse machucá-lo mais, ou pudesse matá-lo. Ela encolheu os ombros. — Ele nunca mais tentou isto novamente.

Bela piscou de volta as lágrimas.

— Estou contente que pôde se defender.

— Eu também. Nem todas as nossas fêmeas foram tão sortudas. — A compaixão encheu o olhar de Creek. — Embora seja desnecessário dizer, aprendemos a proteger nossos corações não ficando muito presas a um macho. Estamos apreciando nossa liberdade. Temos tantas escolhas agora, e ninguém mais nos diz com quem temos que compartilhar sexo. Creek hesitou. — Mas, acho que algumas de nós sentem que seria injusto escolher apenas um macho, quando não existem fêmeas suficientes para satisfazer a todos.

— Você se sente desse jeito? — Bela a estudou de perto, localizando tristeza em seu rosto.

Creek encolheu os ombros.

— Não sei. Às vezes, eu acho. Nunca repita isso para Breeze. Ela ficaria horrorizada. Essa não era sua intenção quando nos mudamos para o dormitório das mulheres em Homeland. Ela nos reuniu para discutir como ajudar nossos machos com nossas novas vidas. Nunca foi implicado que devíamos compartilhar sexo com eles, mas é nosso dever ter certeza que cuidamos deles tanto quanto cuidam de nós. Eles são protetores e nos protegem tanto quanto possível da crueldade que ainda suportamos do mundo lá fora. Parece um preço pequeno por atender as necessidades deles. Ela riu. — E, certamente, é prazeroso. Eles realmente cuidam bem de nós em todos os aspectos.

— Existe alguém que você gosta mais do que de algum outro?

— Não. — Creek se levantou. — Certifico-me de nunca passar tempo demais ao redor de qualquer um dos machos do qual fiquei íntima. Não existem tantos quantos você pensa. Muitos deles aqui estão interessados nos humanos. Temos muita interação com a cidade local.

— É assustador?

— Os humanos? — Creek sorriu. — Não. — Seu sorriso desapareceu e ela continuou. — Sinto muito pelo o que aconteceu com você. Foi ruim? Não conheço sua história.

— Acho que poderia ter sido muito pior. Havia só um homem que abusou de mim. Ele era velho e não me bateu, mas queria fazer sexo às vezes. Era frio e foi uma experiência desconfortável, mas não fui brutalizada. Os guardas que contratou estavam sempre tentando me subornar, ou me assustar para que eu fizesse coisas com eles. Nunca fiz.

— Sinto muito que teve que sobreviver a isso, mas não precisa temer todos os humanos. Nós temos alguns trabalhando aqui e me tornei muito amiga de dois deles. Você devia conhecer Zandy e Richard enquanto estiver visitando a Reserva. Almoço com eles frequentemente, mas não estão juntos agora.

— Você é amiga de homens humanos? Eles lutam por você? É por isso que precisam ser mantidos separados?

— Não. — A pergunta pareceu diverti-la. — Zandy é a fêmea acasalada com Tiger e eles têm um filho. Ela acabou de ter o bebê, mas Richard não pode descobrir que estava grávida. Nós confiamos nele, mas saber informações secretas poderia colocá-lo em perigo se alguém suspeitasse. Zandy teve que ser transferida para outro trabalho para evitá-lo, e ele foi informado que ela está em Homeland. Conversam por telefone desde que ficaram amigos, mas ficam separados. O bebê é adorável. Você já viu um?

Bela assentiu.

— Sim. Nós temos alguns deles em Homeland. Ellie leva Salvation para o trabalho com ela o tempo todo. Fury é o pai e o bebê parece exatamente como ele.

— Quero tanto um, mas não parece que será possível.

— Um bebê?

Creek assentiu, olhando em volta.

— Vamos limpar a bagunça do andar de baixo.

O tópico estava terminado. A Espécie fugiu do quarto. Sua postura dura e o tom melancólico da voz revelou sua dor. Bela colocou a mão em sua barriga lisa, perguntando-se como seria estar grávida, enquanto deslizava para fora da borda da cômoda. Até agora nenhuma mulher Espécies pôde conceber.

A ideia de alguém sendo totalmente dependente de Bela era um pensamento assustador. Mal podia enfrentar um dia de cada vez sozinha sem se perguntar como conseguiria passar por isto. Ela amava Salvation e Forest, os dois bebês com quem passava mais tempo, mas estava contente que não fossem sua responsabilidade. Crianças precisam de pais com conhecimento de todas as coisas, e que pudessem ensiná-los como sobreviver no mundo.

— Creek?

Ela parou no topo dos degraus, voltando-se.

— Sim?

— Por que quer um bebê?

Suas características endureceram. Ficou muda por longos segundos, depois relaxou.

— Acho que além das razões óbvias de só querer saber como seria me tornar mãe, quero alguém para amar. Uma criança seria seguro para abrir meu coração e dividir minha vida.

Bela ponderou a resposta e avançou, fechando seus dedos em torno do pulso da outra mulher.

— Entendo.

— Trisha diz para não perder as esperanças, e que talvez os peritos que contrataram possam achar uma maneira de contornar a nossa genética para que possamos conceber.

— Você iria querer um companheiro se fosse capaz de ter um bebê?

— Você está cheia de perguntas. — Creek hesitou. — Não é uma opção agora, então não me permito pensar sobre isto frequentemente.

— Mas pensa.

Ela sorriu.

— Considerei isto. Vejo o quão felizes são Zandy e Tiger. Ela é seu mundo inteiro e ele é o dela. Seria agradável ir para casa depois do trabalho e encontrar alguém ansioso para me ver. Claro que duvido que seria tão compreensiva quanto ela é com a natureza dele. Os humanos são mais agradáveis que as fêmeas Espécies.

— Não entendo.

— Nossos machos são insistentes. Zandy acha que é fofo quando Tiger fica muito protetor. Eu ficaria irritada. Sou forte o suficiente para cuidar de mim mesma. Poderia até me sentir insultada. Nós iríamos brigar frequentemente e agressivamente.

— Ela não é tão forte quanto você. — Bela a estudou da cabeça aos pés. — Ela provavelmente precisa da proteção dele.

Creek riu.

— Isto é verdade. Zandy é muito valente, mas não é fisicamente intimidadora.

— Gosto que Shadow seja protetor. A maioria me assusta, mas me sinto segura com ele. —Não foi muito ruim, admitir isto. Sentiu-se confortável com Creek. — Quero mantê-lo em minha vida.

— Vocês dois compartilharam sexo. Como foi? Estava assustada?

— Foi maravilhoso. — Seu coração acelerou só por lembrar. — Ele foi muito doce e muito mais do que eu esperava.

— Suas expectativas devem ser baixas depois do que sofreu.

Aquela declaração quebrou a felicidade de Bela.

— Verdade.

— Sinto muito. Não quis dizer do jeito que soou.

As mãos de Bela caíram.

— Não. É verdade. Qualquer coisa tem de ser melhor do que as coisas que conheço.

Creek agarrou sua mão.

— Eu realmente sinto muito. Esta discussão me deixou um pouco na defensiva e um pouco sombria.

— Não quis bisbilhotar ou te chatear.

— Não chateou. É natural ser curiosa. Falar sobre bebês e companheiros me deprime. Estou contente que gostou do sexo com Shadow, e que deseje passar mais tempo com ele. Parece muito preocupado com sua segurança. Ele é um bom macho. Consigo captar estas coisas.

— Todos os nossos homens são bons.

— Não. — Ela hesitou. — Conheci alguns que evito. Eles estão danificados por dentro pelo ódio, e fechados para as emoções. Nunca maltratariam uma fêmea, mas são friamente separados de sentirem algo mais. Shadow é muito carinhoso e amigável. Ele servirá para você, mas deve saber que quanto mais tempo passa com ele, mais apegado pode ficar por você. Eles tendem a querer manter algo que acreditam ser deles. Toda vez que compartilhar sexo lhe dará a impressão que pode mantê-la na cama dele.

— Eu gosto disso.

Creek suavemente a apertou.

— Então estou feliz por você. Ele retornará quando o Centro Médico liberá-lo.

— É assustador me permitir sentir. — Bela agarrou sua mão. — Devia se dar uma chance e permitir que alguém chegue perto de você, Creek. É assustador, mas percebi que não tenho nada a perder. Não estava vivendo. Estava apenas existindo. Existe um mundo de diferença. Mereço ser feliz e você também. Fui forçada a passar a maior parte da minha vida sozinha, mas tenho mais agora. Eu fui trancada dentro de um porão com apenas guardas para me trazer comida, quando decidiam me alimentar. Permitiam-me apenas estar do lado de fora, quando o Mestre me queria no andar de cima. Odiava quando um dia ou dois se passavam sem ver ninguém, mas ser levada lá para cima era pior.

Creek olhou fixamente para ela por longos segundos antes de largar sua mão.

— Pensarei um pouco sobre isso. — Ela sorriu. — Você é bem valente para uma Presente, Bela. Saiba disto. Sou muito mais forte, mas a ideia de pôr meu coração nas mãos de um macho, me assusta muito. Fui machucada o suficiente.

— Realmente não sou valente. Estou assustada o tempo todo, mas estou com mais medo de desperdiçar a vida que me foi dada sem nunca me arriscar. Eu tenho arrependimentos suficientes.

 

Shadow rosnou para o Dr. Harris, o macho enrugado de cabelo branco que era muito mais velho que ele. O humano franziu a testa.

— Não tire um pedaço de mim. Sem morder, droga. Estou terminando de te dar os pontos.

— Não morderei. Dói. Faço barulhos quando estou com dor.

— Desculpe sobre isso, mas estou contente que não está sendo teimoso comigo. O doutor tirou as luvas e as jogou no lixo. — Já fui mordido esta semana. Empurrou o paletó branco para cima, para mostrar um curativo em seu braço. — Os residentes da Zona Selvagem não são os melhores pacientes. Tive que dar quatro pontos em mim mesmo. Sou sortudo que ele tenha apenas me cortado um pouco.

— Não vivo lá. Eu estou de visita.

— Certo. — O doutor caminhou até a parede para ligar a luz, e estudar o raio-X que pediu. — Sem dano permanente, nenhuma fratura em seu crânio, e nenhuma hemorragia ou inchaço no cérebro. Vocês têm a cabeça dura. — Ele desligou a luz e virou-se. — Ainda está tendo problemas com sua visão? Tontura? Náusea? Algum barulho em suas orelhas? Enxaqueca?

— A injeção que me deu parece ter funcionado para parar esses sintomas.

— Eu o invejo. — O doutor se sentou no banco. — Minhas articulações estão me matando. Artrite é uma merda.

Shadow curvou suas sobrancelhas, sem estar certo do que aquilo significava.

— Não importa. Seu tipo não sofre disso e provavelmente nunca sofrerá. Essa é a vantagem de ter sua genética híbrida. Eles tiraram o que é ruim. — Cruzou os braços em cima do tórax. — Você está bem. Talvez possa ficar mais agressivo nas próximas vinte e quatro horas também, cuidado com seu temperamento. Sem lutas. Fique longe das mulheres também.

— Não posso fazer isto. Preciso retornar para Bela. Ela está esperando por mim na cabana.

— Oh. — Interesse faiscou nos olhos do macho. — Você foi o atribuído para proteger a Fêmea Presente e ver se está interessada em sexo? Como isto está indo? Precisa de algum conselho?

— Sem problemas.

— Você não estaria aqui se isso fosse verdade. Foi ela que o empurrou da janela? Fui informado que foi empurrado do segundo andar de uma cabana.

— Um macho me atacou.

— Ah. Não tive muitos detalhes. Como isso aconteceu? Achei que vocês dois deveriam estar sozinhos lá. Foi um residente da Zona Selvagem? Eles podem ser um pouco instáveis.

— Foi Torrent.

— Sério? — Os olhos do doutor alargaram. — Ele não vive lá, mas lida frequentemente com os Espécies mais selvagens. Acho que está sendo influenciado pelos selvagens. Achei que ele seria um bom exemplo para ensiná-los a controlar seus instintos, mas talvez devesse ter uma conversa com ele sobre como não sair por aí atacando outras pessoas.

A irritação chamejou.

— Ele acreditou que eu estava machucando Bela.

— Você estava?

— Não! — Shadow rosnou novamente, insultado.

— Calma jovem. Apenas fiz uma pergunta. Está certo que não quer um conselho? Dou o tempo todo quando vocês tentam ficar com mulheres que não são Espécies. Vi as Presentes e elas são bem pequenas. Está preocupado se está sendo muito grosseiro com ela?

— Nós compartilhamos sexo. Foi bom.

O doutor sorriu.

— Bom, hã? Talvez precise de alguns conselhos. Sexo devia ser maravilhoso. — Ele riu. — Já fui jovem uma vez. Se alguma mulher dissesse que foi bom eu saberia que tinha feito algo de errado depois de terminado o sexo. Em meus dias...

Um golpe soou na porta e esta abriu interrompendo o doutor. Shadow identificou o macho que bateu em sua cabeça e rosnou novamente. Torrent segurou seu olhar antes de entrar no quarto.

— Queria me desculpar. — Torrent tinha trocado de roupa e seu cabelo estava molhado por conta de um banho.

Dr. Harris se levantou.

— Sem luta em minha sala de exame! — Ficou entre eles.

Shadow ficou de pé, olhando para o outro macho por cima da cabeça do humano mais baixo.

— Você não tinha nenhum direito de entrar na cabana.

— Ninguém me disse por que vocês estavam lá. Apenas supus que uma Presente queria um pouco de ar fresco e ver a floresta. Realmente sinto muito. Ouvi sons quando fui bater na porta e pensei que talvez um dos residentes da Zona Selvagem pudesse ter entrado. Eles são bem curiosos. Entrei para ter certeza que não estavam causando problemas. Então percebi que você estava montando a Presente. Está impregnado em mim protegê-la.

Raiva ainda fazia seu sangue ferver, mas reconheceu o arrependimento no rosto do outro macho. Ele pareceu sincero. Shadow abriu seus punhos. Aprendeu a ter paciência quando viveu na sede da força tarefa. Enganos aconteciam frequentemente entre Espécies e humanos. Apenas não esperava isto de outros machos Espécies.

— Nunca forçaria uma fêmea.

— Estou contente por ouvir isso, mas não conheço você. Presumi o pior. — Torrent abaixou seu olhar. — Quer dar o troco para nos deixar quites? — Olhou para cima, segurando seu olhar.

— Não em minha sala de exame! — O Dr. Harris balançou a cabeça. — Resolvam isto do lado fora em vinte e quatro horas. Olhou para Torrent. — Dei uma injeção nele para ajudar a curar-se. Ele não vai fazer nada até que isto desapareça.

Shadow decidiu perdoar o macho. Ele tentou defender Bela, afinal.

— Você ainda pode me ensinar a nadar. Tenho medo de o rio estar tão perto, e represente um perigo. Nunca aprendi.

— Ficaria mais que feliz por fazer isto. Começaremos amanhã.

— Sem Bela, entretanto. Fique longe dela. Você me ensina e eu a ensinarei.

Um sorriso ergueu os cantos dos lábios do outro macho.

— Entendo. Duvido que seja a pessoa favorita dela agora. — Ele olhou para cima e tocou em seu ombro. Um curativo pode ser visto pelo material fino de sua camisa. — Ela me mordeu.

Shadow sorriu de volta, sentindo satisfação.

— Sou o único macho que ela quer.

 

Creek levantou a cabeça.

— Alguém se aproxima. Ouço um Jipe.

Bela a seguiu da cozinha até a porta da frente. Os dois membros do conselho permaneciam do lado de fora onde Creek juntou-se a eles. Bela hesitou, olhando ao redor primeiro para ter certeza que nenhum humano membro da força tarefa estava presente também. Um Jipe estacionou e alívio varreu por ela quando Shadow saiu do banco do passageiro.

O Espécie de cabelo escuro com olhos verdes claro se aproximou de Shadow, quando o outro hesitou.

— Como você está?

— Bem. — O olhar de Shadow buscou Bela antes de olhar para o Espécie. — Você pode ir.

Tentou desviar, mas o macho bloqueou seu caminho.

— Não tão rápido.

— O que está errado? — Creek caminhou pelos degraus da varanda para deter-se ao lado dele.

— O macho teve de receber as drogas curativas. Os sintomas o deixarão irritado, agressivo, e instável. Shadow, deve retornar de manhã uma vez que volte a si.

— Estou bem. — Shadow contornou Jaded, seu foco bloqueado em Bela novamente. — Nunca a machucaria.

Jaded saltou de volta em seu caminho novamente.

— Repense. Posso fazer disto uma ordem direta.

— Não. — o outro macho falou com sua voz profunda. — Ele não prejudicará a Presente. Eles estão vinculados. Esta hora é importante.

— Droga, Bestial. — Jaded virou a cabeça. — Fique fora disto.

— Eles tiveram interferências suficientes. É por disso que isso tudo aconteceu. Ninguém devia ter chegado perto deles. Permita-lhe passar e vamos.

— Não temos nenhuma ideia de como ele reagirá às substâncias químicas bombeando pelo seu organismo agora, acelerando o processo curativo.

O outro Espécie sorriu.

— Eu tenho. Esse é Shadow, anteriormente da força tarefa humana. Realmente leio os relatórios que passam pela minha mesa, em vez de ir para todos aqueles eventos de caridade que você frequenta. Ele já as recebeu pelo menos duas dúzias de vezes, sem efeitos colaterais, e nunca atacou qualquer um dos humanos na equipe. Estou certo de que o irritaram bastante. Ela estará segura e precisamos deixá-los sozinho.

Jaded xingou baixinho.

— Certo. — Olhou fixamente para Shadow. — Ligue se precisar de qualquer coisa. Vamos pôr esta área em total confinamento para que ninguém venha para cá novamente.

— Breeze está a caminho. — Creek os lembrou. — Vai dizer a ela que está proibida de checar sua Fêmea Presente? Certamente eu não vou. Essa é uma ordem que recusarei se tentar empurrá-la para mim.

— Porcaria que vou. — Jade rosnou. — Ela arrancaria minhas bolas.

— Concordei em permitir que Torrent me ensine a nadar.

Bela ficou surpresa com a admissão de Shadow. Pareceu não estar sozinha quando o outro Espécie mostrou surpresa também. Shadow encolheu os ombros.

— A intenção do macho era boa. Preciso aprender a nadar e ele se ofereceu para me ensinar. E se Bela cair no rio? É meu dever protegê-la contra qualquer perigo. Nós dois nos afogaríamos.

— Certo. — Bestial assentiu. — O que aprendeu com aqueles humanos?

— Enganos acontecem, mas você lida com eles e os supera.

Shadow se aproximou de Bela. O curativo em sua testa era pequeno, porem caminhava com pernas firmes. Parecia mais saudável e não tão pálido. Estava agradecida dele parecer estar se recuperando de seus ferimentos, e por ter retornado bem depressa. Ele veio para a varanda e parou para olhar para ela.

— Como você está?

— Estou bem.

Suas sobrancelhas ergueram.

— Sério?

— Estava assustada. — sussurrou incapaz de ver os outros com o corpo dele em seu caminho. — Como está sua cabeça?

— Não está quebrada. — Ele sorriu.

— Vamos deixá-los sozinhos. — Bestiais anunciou. — Você tem um evento de caridade para ir, não é Jaded? Não queremos que se atrase.

— Cale a boca. Pela milésima vez, não gosto desses eventos. Eles são um saco.

— Não vejo você recusando nenhum desses convites.

— São por uma boa causa, e nossa equipe de publicidade disse que melhoram nossa imagem.

— Você quer dizer sua imagem. Fale a verdade.

— Meninos! — Creek riu. — Sem briga. Pare de provocá-lo, Bestial. Não queremos que ele apareça com qualquer contusão se começarem a trocar socos. Eles sempre querem que Jaded esteja nas fotos. Ele não pode evitar ser tão bonito.

O macho rosnou.

— Vão se foder.

— Você não é meu tipo. — Bestial provocou.

— Seria muito errado foder meu chefe. — Creek riu novamente. Eles partiram e Bela escutou o som dos motores enfraquecerem. Shadow esperou até que apenas o canto dos pássaros por perto pudessem ser ouvidos. Respirou fundo e estendeu-se lentamente para segurar seu rosto com uma das mãos.

— Você está realmente bem? Odiei deixar você.

— Eu sei. — Acreditava nele. — Os médicos te liberaram ou ainda devia estar lá? — Não a surpreenderia se tivesse se recusado a ficar no Centro Médico ainda que lhe pedissem.

— Eles disseram que eu podia ir.

— Certo.

Ele a soltou e ela voltou para dentro da cabana. Seu olhar deixou o dela para se mover ao redor da sala. Sua boca apertou em uma linha horrenda, antes de olhar de volta para ela.

— Você limpou a mesa destruída.

— Creek me ajudou. Sabia que você faria isto, mas não queria que fosse lembrado do que aconteceu.

— Isso sempre vai estar comigo. Devia tê-lo escutado se aproximar.

— Nós estávamos distraídos. — Um calor subiu por seu rosto, de lembrar o que eles tinham feito e que Torrent os viu fazendo sexo. Ela limpou a garganta. — Estou fazendo comida para nós. Vá tomar banho enquanto acabo. São apenas sanduíches. Não estava certa de quando retornaria, mas queria me manter ocupada.

Ele hesitou, fechou a porta em suas costas e trancou.

— Posso te abraçar primeiro?

Ela assentiu, andando até ele. No segundo que seus braços cercaram sua cintura, e ele a trouxe contra sua longa estrutura, ela o aspirou. O fedor de anticéptico era forte, mas envolveu seus braços ao redor da cintura dele abraçando-o firmemente. Não importou que cheirasse mal, apenas que estava de volta.

— Sinto tanto. — ele declarou rispidamente. — Não acontecerá novamente.

— Não faça isto.

Ele ficou tenso.

— Isso não foi sua culpa. Pare de culpar a si mesmo. Estamos ambos bem. Foi uma lição aprendida. Nunca pensamos que alguém entraria na cabana.

Ele descansou seu queixo em cima de sua cabeça.

— Estou orgulhoso de você.

Era sua vez de ficar tensa.

— Por quê?

— Você o mordeu. — Ele riu. — Lutou com um macho. Não esquecerei isto. Enfrentou seus medos tentando me defender.

A preocupação dissolveu-se em sensações mornas, enquanto relaxava em seu abraço novamente.

— Creek pensou que seu orgulho ficaria ferido, e me advertiu que talvez pudesse estar bravo. Essa não era minha intenção. Apenas queria te proteger quando estava inconsciente.

— Meu orgulho está ferido por permitir que alguém nos espiasse. Estava preocupado que se arrependesse de estar aqui comigo. Provavelmente não sou o macho certo para você.

Isto era um progresso. Ele disse, sem ter muita certeza disso.

— Você é perfeito. — jurou.

Ele a abraçou um pouco mais apertado.

— Vou tomar banho. Estou cheirando a Centro Médico.

Uma pequena risada escapou.

— Eu não estou reclamando.

Shadow a aninhou novamente.

— Vou me apressar, então conversaremos.

— Certo. — Seu aperto sobre ele afrouxou, mas não queria deixá-lo ir. — Precisa comer algo.

— Preciso. — Olharam fixamente um para o outro, enquanto recuavam e quebravam o contato físico. — A comida ajudará meu corpo a processar as drogas que me deram.

— Você está realmente bem?

Ele assentiu.

— Curarei rápido. Ajustei-me aos efeitos colaterais. Você não está em perigo comigo.

— Eu sei disto. Confio em você. — Confiava, completamente.

— Viver com a equipe da força tarefa não foi fácil, mas estou contente pela experiência.

Bela o assistiu correr pelos degraus e desaparecer na direção de seu quarto. Estava tentada a segui-lo. Adoraria vê-lo tirar a roupa e tomar banho. Ao invés disso, entrou na cozinha para terminar de preparar o almoço. Deu-lhe uma sensação de realização preparar comida para seu Shadow.

Ela congelou. Meu Shadow? Bela fechou os olhos enquanto seu coração tropeçava dentro do peito. Ele não era realmente dela, com certeza não ainda. Fizeram sexo, mas isso não significava que eram um casal de verdade. Dormir em seus braços não significava que ele a quereria lá todas as noites, pelo resto de suas vidas. Doía pensar que este dia pudesse chegar, quando não fosse bem-vinda lá.

 

Shadow apressou o banho tomando cuidado com o curativo na cabeça. Não queria molhar os pontos. Isso significaria outra viagem para o Centro Médico, ou adquirir uma cicatriz feia. Normalmente isso não importaria para ele, mas agora sua aparência importava. Queria ser atraente para Bela.

Esticou-se até correr os dedos pelo cabelo para tirar o sabão. Estava acostumado ao corte militar que teve que manter enquanto trabalhava na força tarefa. Ajudou-o a se encaixar com a equipe. O cabelo começou a crescer desde que retornou a Homeland com Wrath, mas não muito.

Aborrecia Bela não ter o cabelo longo que a maioria dos machos Espécies tinha? Insegurança era uma nova emoção que não apreciou. Fechou a água e agarrou uma toalha. Secou-se depressa, sabendo que ela o esperava.

Ambos foram machucados por humanos. Ele e Bela tinham esse laço em comum, mas seria o suficiente para superar as diferenças? Ela era suave, tímida. Ele não era. Ela foi abrigada depois de sua soltura, enquanto ele enfrentou de cara os humanos como um membro da força tarefa, depois de receber sua liberdade. Ela se escondeu enquanto ele estava sendo tratado. E se quisesse voltar para a sede e trabalhar para Tim Oberto novamente? Bela teria que lidar com os machos humanos diariamente.

A resposta veio até ele imediatamente. Não conseguiria voltar. Retornou para viver com os Espécies de férias, não planejando ficar, apreciou seu tempo no mundo lá fora, mas teria que ficar em Homeland para sempre.

Shadow entrou no quarto, agarrou roupas da cômoda e sentou-se na cama. A imagem de Bela encheu sua cabeça quando fechou os olhos. Seu sorriso, o modo como corava. Os olhos escuros olhando fixamente para os seus ficariam impressos lá para sempre. Ela confiava nele. Foi ele quem ela escolheu para ser introduzida ao sexo. O tempo que passaram durante aquela tempestade, de alguma maneira a fez escolhe-lo.

— Cara. — ele falou.

A ideia de deixá-la não era uma que ficava bem dentro de seu coração. Doeu só de considerar dizer adeus. Outro macho iria, eventualmente, tomar seu lugar se partisse. Ela não queria ser segregada dos outros Espécies e obviamente apreciou sexo. Isso significava que alguém a tocaria, a beijaria, e colocaria as mãos em seu corpo flexível. A raiva queimou por dentro até gotas de suor apareceram inesperadamente em cima de sua pele.

De jeito nenhum. Ela é minha!

Surpresa substituiu o aparecimento violento de seu temperamento. Não era sua intenção formar um vinculo, mas ele estava lá. Abriu os olhos enquanto se levantava para colocar uma calça jeans e uma camiseta. Não se incomodou com os sapatos e correu para descer os degraus à procura dela. Estava sentada à mesa da cozinha com dois pratos de comida, esperando por ele.

O sorriso de Bela em vê-lo o fez querer beijá-la. Não hesitou de se agachar ao lado de sua cadeira, e deslizar os dedos em seu cabelo na base do pescoço. Seus olhos escuros arregalaram um segundo antes dele esfregar os lábios contra os dela. Eles eram tão macios, dando boas-vindas, e se separaram quando lambeu em cima da junção.

Ele a queria. O sangue se apressou para seu pênis até que sua calça jeans ficasse desconfortável. Recuou para olhar fixamente em seus olhos.

Ela corou, mas não desviou o olhar.

— Por que isto?

— Senti sua falta.

Surpresa, depois prazer apareceu em seu rosto bonito.

— Também senti sua falta. — A mão dela ergueu para agarrar seu ombro. — Mais. — Seu queixo ergueu, oferecendo sua boca novamente.

— Vamos comer primeiro.

Um clarão de dor não deixou de ser percebido. Queria que ela soubesse que não era uma rejeição de qualquer maneira.

— Recebi drogas para ajudar a me curar. Preciso de comida para ajudar meu corpo a se estabilizar.

— Certo. — Sua mão deslizou.

— Você vai dormir em minha cama novamente. — Ele não estava certo de como lidaria com isso se ela se recusasse. Não muito bem, supunha. O ar dentro de seus pulmões congelou, esperando por sua reação.

— Eu gostaria.

Ele respirou novamente.

— Todas as noites. — Não conseguia evitar não pressionar por mais. Era sua natureza.

— Certo.

Alegria e alívio se fundiram enquanto se endireitava e sentava na cadeira ao lado dela. O desejo de ficar perto era forte. Ele forçou sua atenção de Bela para a comida.

— Obrigado.

— De nada.

Olhou para ela para descobrir seu sorriso.

— Está cheirando muito bem.

— Sei cozinhar. Aprendi a limpar também. Consigo colocar a roupa para lavar. — Ela mordiscou o lábio inferior.

Algo a aborreceu. Moveu-se para olhar fixamente para ela.

— O que foi?

— Nada.

Sufocou um grunhido.

— Bela? Você tem um rosto expressivo. — Bonito também. Delicado. — O que está pensando?

— Não é nada. — Seu olhar desviou.

Ele rosnou, dessa vez sem conter a frustração. Ela pareceu surpresa quando seus olhos encontraram o dele.

— Não minta para mim. Nenhuma mentira deve ficar entre nós. Você está pensando em alguma coisa, algo que quer dizer. Fale logo.

Ela não sorriu, mas de repente teve grande interesse em sua camiseta.

— Bela?

Seus ombros caíram.

— É estúpido.

— Tudo o que disser é importante.

— Certo. Estava só pensando no quão patético deve me ver. Fiz comida para você e estou listando as minhas qualidades domésticas.

Confuso, ele forçou sua cabeça para cima suavemente com um aperto firme em seu queixo. — Essas são habilidades boas. Sou ruim em lavar roupa. — A necessidade de assegurá-la disto era forte. — Você quer saber o que acontece quando novos uniformes pretos, sendo lavados com meias brancas fazem? Transformam as meias num cinza feio. A equipe riu quando as viram na primeira vez que atingimos as esteiras para treinar. Ninguém me disse que branco devia ser separado de cores escuras, especialmente as que nunca viram uma máquina de lavar antes.

— Ellie nunca permitiria que nós cometêssemos esse erro. Ela é nossa supervisora, a que nos ensina habilidades de sobrevivência. — O humor iluminou suas feições antes de enfraquecer depressa. — Não tenho nada mais para te oferecer.

Ele tentou dar sentido para o que ela estava dizendo. Balançou a cabeça, perplexo.

— Não pedi nada.

— Vivo com nossas mulheres. Sei que elas treinam com nossos homens e praticam esportes às vezes. Trabalham juntos em serviços fora de casa. Não sou treinada para qualquer coisa exceto tarefas de casa. — A cor floresceu em suas bochechas. — Elas têm muita experiência com sexo também. Eu não tenho. Continuo pensando que tudo que posso oferecer à nossa relação é manter uma boa casa, se fôssemos compartilhar uma, e fazer comida para você em vez de ter que comer na lanchonete. Nós não poderemos compartilhar histórias do trabalho, ou brincar severamente juntos do jeito que elas fazem. Não sei nada sobre esportes, ou as cem outras coisas que elas podem conversar com você para manter seu interesse.

Ele lutou para achar as palavras certas.

— É patético. — Saiu de perto dele, mas manteve contato visual. — Você nem queria estar aqui.

Ele odiou o modo como ela engasgou quando ele se aproximou. A última coisa que queria era seu medo, mas não parou. Ela era leve quando a tirou da cadeira para colocá-la em seu colo. Gostava dela lá.

— Tive medo que pudesse machucá-la, mas te quis desde o momento que nos conhecemos. — Abraçou-a mais apertado contra ele. — Estou danificado por dentro e estava preocupado que fosse paralisar quando viesse a compartilhar sexo. — Os dedos acariciaram seu braço, contente que tivesse relaxado. — Não existe nada patético ou carente em você Bela. — Mentalmente enumerou uma lista. — Evitei mulheres Espécies. Não eram apenas as minhas inseguranças, mas elas são um tanto quanto assustadoras. — Suavizou seu tom, sorrindo.

— Nada te assusta.

— Muitas coisas me assustam. — Não mentiria para ela. O orgulho era um preço pequeno a pagar para ter certeza de que Bela soubesse seu valor. — Costumava considerar compartilhar sexo com uma delas, e temia que meu corpo não funcionasse. Pode imaginar o que uma delas faria se não pudesse ter uma ereção? — Suas sobrancelhas ergueram. — Não era uma situação bonita em meus pensamentos. E se congelasse ou tivesse uma retrospectiva? Elas são ótimas fêmeas, mas nossos machos não parecem ter esses problemas. Eu as imaginava rindo, ou pior, com pena.

Bela viu sinceridade em seu olhar. Isto fez o peito doer enquanto se aconchegava nele, pondo os braços ao redor de seu pescoço. Amava ser abraçada por ele em seu colo.

— Não era colocado em muitas experiências de procriação. Eles raramente enviavam uma fêmea para minha cela na Mercile. Então me tiraram de lá e… — Sua voz diminuiu enquanto engolia com força. — Abusaram de mim com máquinas e vídeos de fêmeas humanas. Também não tenho muita experiência. Faz anos desde que tive uma fêmea debaixo de mim. Não acha que eu estava preocupado que não fosse bom nisto? Você foi abusada também. Deixou-me agitando por dentro pensar que te lembraria disso quando a tocasse.

— Você não me lembraria. Não há nenhuma comparação. Você é realmente bom nisto.

— Estou contente. — Sorriu. — Muito contente. Você é boa nisto também. Não tenho nenhuma reclamação.

Uma carga de preocupação ergueu de seus ombros.

— Todas aquelas habilidades que mencionou são maravilhosas. Tive que aprender a cozinhar um pouco, vivendo na sede da força tarefa, mas odiaria ter que viver das dez coisas que aprendi para sobreviver o resto da minha vida, ou sempre precisar permanecer em uma fila para achar uma boa comida. — Acariciou sua bochecha com o nariz. — Não sou um grande fã de esportes, e estou contente que não trabalhe comigo. Ficaria com muito medo que se machucasse para ser eficaz em seus deveres.

Sua alegria enfraqueceu.

— Sou fraca.

— Nunca. — Seu tom aprofundou em um grunhido assustador. — Você é mais forte do que percebe. Não é apenas sobre tamanho ou músculos quando se trata de força. Você tem tanto disto por dentro. Você atacou um macho. Pensou que ganharia?

Ela balançou a cabeça.

— Não.

— Mas fez de qualquer maneira. Isto foi corajoso.

— Era porque ele estava atacando você. Caso contrário teria fugido ou me escondido. — Ela pausou. — Talvez entrado em pânico completamente.

— Estou honrado. — Ele a aninhou novamente, beijando sua bochecha desta vez. — Isso significa muito para mim.

— Sério? — Um delicado raio de esperança brilhou por dentro dela, de que talvez tivessem chance de um futuro.

— Sim. — De repente ele se levantou, ajustando-a em seus braços. — Deixe-me te mostrar o quanto.

Os braços dela apertaram.

— O que isso quer dizer?

Ele riu, andando a passos largos saindo da cozinha e subindo os degraus.

— Não acredita que realmente te queira, enquanto estou preocupado em como vou manter minhas mãos longe de você agora que a tenho debaixo de mim.

Entendimento raiou.

— Você está machucado.

Ele riu.

— Não estou tão mal, amor.

Excitação faiscou dentro de Bela com a ideia do que a aguardava. Shadow entrou no quarto dele e fechou a porta com o pé. Andou depressa para a cama e curvou-se, colocando-a no colchão suavemente. Não chegou a ser uma surpresa quando ele virou, caminhou para a cômoda e arrastou-a para frente da porta.

— O que está fazendo?

Ele sorriu, agarrando a bainha de sua camisa.

— Ninguém vai nos espiar desta vez. — Empurrou a cabeceira da cama contra a porta do banheiro para bloqueá-la.

Ela compreendeu. Alguém teria que quebrar a porta, escalar uma parede, entrar pela janela ou entrar pelo telhado para alcançá-los.

Musculoso, um abdômen bronzeado chamou sua atenção enquanto a camisa era arrastada para cima, revelando cada centímetro glorioso do peito de Shadow. Ele tinha ombros largos. A espessura de seu bíceps foi registrada em seguida, quando os braços abaixaram para soltar a roupa descartada no chão.

— Amo olhar para você. — Não quis admitir isto, mas a confissão saiu antes que pudesse impedi-la.

— Bom. — Agarrou a frente da calça, curvando-se para tirá-la pelas pernas. Seu queixo ergueu até que seu olhar segurou o dela. — O sentimento é mútuo. Tire tudo, amor. Quero que fique nua, assim posso tocar em todos os lugares.

Sua respiração elevou-se enquanto mudava de posição, ficando de joelhos. Agarrou a roupa querendo a mesma coisa. Existiu um tempo quando teria ficado horrorizada se alguém tivesse previsto que ficaria trancada dentro de um quarto pequeno com um homem nu ávido para pôr as mãos em seu corpo. Isso foi antes dela conhecer Shadow. Ele mudou sua vida. Largou suas roupas.

As possibilidades de repente eram infinitas e coisas que nunca ousaria sonhar encheram suas fantasias. O resto da sua vida não tinha de ser uma existência solitária. Riso e amor estavam dentro de seu alcance graças ao homem sexy em pé há apenas alguns centímetros de distância.

Shadow se endireitou em sua altura completa, ficando absolutamente quieto.

— Você está bem? Não temos que fazer isto.

Seu olhar abaixou pelo corpo dele. Ele era perfeito, magnífico e excitado. A espessura de seu pênis era tão impressionante quanto o comprimento.

— Eu quero.

Ele chegou mais perto e se agachou ao lado da cama, com a parte de baixo de seu corpo afastada de sua visão.

— Você está bem?

— Oh sim. — Ela sorriu. — Quero você, Shadow. Amo como me faz sentir quando nos tocamos.

A tensão aliviou de suas feições.

— Deite de costas.

Tão exigente. Gostava disso nele. Fazia com que parecesse menos tímida, já que ele estava no comando. Suas costas atingiram o colchão.

— Espalhe suas coxas.

Separou as pernas e não saltou quando ele agarrou seus tornozelos, posicionando-os nas curvas dos ombros dele. Ele os largou para agarrar as partes internas de suas coxas, empurrando-as mais separadamente. Rosnou quando seu olhar aquecido abaixou para focar em sua vagina exposta. Sua língua lambeu os lábios e depois abaixou o rosto.

Bela jogou a cabeça para trás no segundo que Shadow atacou seus sentidos. Os dedos dela cavaram em seus cabelos quando a língua lambeu seu clitóris e prazer explodiu com cada esfregada forte. Isto era selvagem, completamente indomado, mas não a assustou. Desta vez ele não foi gentil enquanto manipulava seu corpo — com uma fome frenética de fazê-la gozar tão rápido quanto possível. Estava de acordo com o plano assim que choques de necessidade dispararam por ela rapidamente.

— Sim. — gemeu, seu corpo ficando tenso, os músculos das pernas se agitavam, enquanto usava os pés apoiados para erguer os quadris mais alto, mais apertado contra a boca dele.

Shadow rosnou baixo e profundo, vibrações que adicionaram a combinação. Bela fechou os olhos quando o teto ficou turvo enquanto o clímax a atingia. Um grito áspero passou pelos seus lábios separados enquanto tremia pelo violento êxtase.

A boca separou-se de suas coxas espalhadas e mal percebeu quando ele agarrou suas pernas, usando-as para deixá-la virada de bruços. Seu rosto esfregou na colcha enquanto era arrastada para mais perto dele, até que suas pernas estavam fora da cama. Shadow acomodou-se sobre seu corpo curvado e ela ofegou quando o pênis grosso lentamente a penetrou. As unhas arranharam qualquer coisa que podiam agarrar quando ele começou a se mover, fodendo-a com um furor que pareceu nascer do puro desespero.

Shadow queria uivar enquanto segurava os quadris de Bela e conseguia manobrar sua mão entre ela e a cama. O clitóris inchado e sensível foi fácil de achar com a ponta do dedo, enquanto esfregava contra ele. Músculos vaginais fecharam, apertando mortalmente seu pênis. Os gemidos dela o enlouqueciam, fazendo-o ter dificuldades para pensar. Ela era céu e inferno, arrebatamento e necessidade pura para ele.

— Bela. — falou com seus lábios roçando beijos em seu ombro e no lado de sua garganta, quando ela virou o rosto em sua direção. Queria ver seus olhos. Precisava. E então seu olhar sexy escuro encontrou o dele.

Minha! Viu a necessidade e prazer dela, e era tudo dirigido para ele. Seu coração martelava, suor apareceu inesperadamente em seu corpo, e cerrou seus dentes para conter seu próprio orgasmo. Não gozaria sem ela e podia ver que estava perto. A ponta de seu dedo apertou um pouco mais, enquanto o pênis guiava para dentro dela mais rápido.

— Porra. Não vou aguentar. Quero você demais.

Estava para perder todo o controle, quando seu membro endureceu ao ponto de gozar. Um apertado pulsou formigando na base de seu eixo, quando a inchação começou, um sinal certo. Seus músculos de repente estremeceram, molhando-o, e seu segundo clímax encharcou a ponta do pênis com um calor molhado. Ela gritou seu nome e aconteceu.

O prazer escaldante rasgou por ele enquanto estouros de sêmen eram liberados. Seus quadris tremeram com a intensidade, seu corpo foi tomado e a vagina dela apertou ainda mais. Não, estou inchando. Tremeu com a força de seu pau bombeando esperma dentro dela, jato após jato fazendo-o gemer e se deleitar com a satisfação sexual. Ficou parado. Estava preso dentro dela do jeito que só um canino Espécie podia.

— Eu amo sexo. — ela admitiu obviamente contente por estar deitada lá, com ele curvado ao redor dela.

— Amo sexo com você. — ele ofegava, dando outro beijo em sua garganta. — Fui muito severo? — Preocupou-se que pudesse acidentalmente ter machucado seu corpo mais delicado.

— Nunca.

Mesmo em seu furor, cuidava dela. Um pouco de sua confiança retornou. Talvez realmente eu tenha superado meu passado.

— Foi perfeito.

— Estou contente. — Ele a beijou novamente. Seu pênis flexionou dentro dela, quase como o ritmo de uma batida de coração quando fez isto varias vezes. — Você está a fim de outra rodada? A inchação está enfraquecendo. A necessidade e o desejo por ela era uma coisa viva e respirando dentro dele. Nunca cansaria de sua Bela. Tocá-la, saboreá-la, ficar dentro de seu corpo doce.

Bela sorriu.

— Que bom.

Tudo parecia certo em seu mundo.

 

— Você está indo muito bem. — Torrent riu. — Vê por que chamam isto de nadar cachorrinho? Nós somos bons nisto.

Shadow não estava achando graça.

— Podia ter dito para que mantivesse o queixo levantado.

— Você é esperto. Aprendeu antes de engolir muita água do rio. — O macho moveu-se para a água mais rasa, se levantando quando os pés tocaram o fundo. — Acho que isto é o suficiente por hoje. Está razoavelmente qualificado e não vai se afogar. É bom que aprenda as coisas depressa.

— A vida de Bela está em minhas mãos.

Torrent assentiu.

— Fazemos o que devemos para proteger nossas fêmeas.

— Minha fêmea.

Torrent tirou o cabelo molhado de seu rosto.

— Vai marcar pontos impressionando-a. Talvez eu devesse dar lições para Bela agora.

O grunhido foi imediato. Shadow olhou para o macho.

— Não fale ou se aproxime dela novamente.

— Está bem. — Suas mãos desapareceram na água. — Já me desculpei. Ninguém me atualizou que estavam vinculados. Acha que é sério?

Shadow nadou para a água mais rasa e se levantou.

— Preciso voltar para ela. — Andou a passos largos para fora da água, tirou o short molhado e pegou uma toalha para secar seu corpo.

— Como as coisas estão indo?

Shadow o encarou quando saiu do rio também.

— Isto não é da sua conta.

— Ela é como um humano, não é?

— Novamente, não é da sua conta.

— Passei um tempo com eles. Você quer algum conselho?

— Não.

Um sorriso dividiu os lábios do outro macho.

— Vá devagar. Somos assustadores para elas.

— Pare com isso. Obrigado pela lição de natação.

— Você precisa aprender mais. Não se afogará, mas não tem muita prática ainda. Acho que dar lições a vocês dois seria mais seguro. Não flertarei com ela, mas odiaria pensar em algo ruim acontecendo se isto chegar a um cenário pior.

Shadow decidiu ser direto.

— Não quero você perto dela.

— É por isso que me encontrou longe da cabana?

— Ela é frágil.

O macho agarrou outra toalha e esfregou água do rosto e do peito.

— Não diria isso na frente dela. Ela poderia ficar ofendida.

— Ela não é uma fêmea Espécie típica.

— Não mesmo. — Torrent riu. — Percebi isso imediatamente quando a encontrei na floresta naquela noite. Elas teriam feito aqueles lobos correrem por suas vidas em vez do contrário. Ela também me atacou.

Aquela lembrança não divertiu Shadow.

— Quanto perigo espreita por aqui?

— Além dos lobos, ursos, leões e tigres que já mencionei? — Parou com a toalha em cima do peito. — Alguns pumas, nós ficamos com alguns pitbulls que os humanos acharam muito difíceis de domar e também existem os residentes. Alguns são bons, mas há alguns que você não deveria dar as costas. — Assentiu com a cabeça. — Eles não estão todos bem.

— Insanidade?

— De sobra. Eles foram torturados e em alguns casos, não tiveram nenhuma interação com ninguém, exceto os imbecis que os abusaram. A liberdade é um conceito que alguns se recusam a acreditar. Todos os humanos são considerados ameaças para eles.

— Bela não é humana. Ela é Espécie.

— Ela é pequena e parece mais humana que a maioria. Eles podem ter problemas com ela. Valiant os advertiu severamente para evitar esta área. Ele os mantém no controle na maior parte. Leo também é bem intimidador. Ele é um selvagem bastardo, entretanto.

— Quem é Leo? Ele é um perigo?

— Outro felino. Ele não virá atrás da Presente. Eu me preocuparia mais com ele fazendo pegadinhas, mas tem coração. Ele é são, mas não segue as regras. Aprecia dar dor de cabeça para os oficiais.

— Que tal Vengeance? — Lembrou-se de como o macho foi atrás da fêmea de Wrath. — Ele ainda está aqui?

— Sim. — Torrent largou sua toalha e agarrou um par de calças cargo. — Ele tem um hábito de seguir atrás das fêmeas que sente que poderiam se acasalar com ele. Não virá atrás da sua fêmea.

— Eu o matarei se vier atrás de Bela. — Shadow falava sério. Ele viu o quão apavorada Lauren ficou depois de seu ataque na sede. Vengeance tentou forçar acasalar-se com a humana. Ele nunca daria aquele Espécie uma chance de pôr as mãos em Bela. — Ele é sortudo de estar respirando.

— Você está se referindo ao que aconteceu com a companheira da Wrath. — Torrent assentiu. — Ouvi sobre isto. Tiger não era muito fã de Ven também, depois que ele foi atrás de Zandy uma vez. Mas eles resolveram isto. Ven tem… problemas.

— Não me importa. É melhor ele não ir atrás da minha fêmea.

—Ele está sendo mantido ocupado enquanto vocês estão na Reserva. Os humanos abandonaram uns filhotes de cachorro em nosso portão, então Tiger e Valiant decidiram dar-lhe essa tarefa. Eles precisam de cuidados por turnos devido a serem muito jovens. — Torrent riu. — Ven ficou contente com a tarefa. De jeito nenhum iria deixá-los para ir atrás de sua Presente.

— Bom. Ele viverá.

Um telefone tocou. Torrent fez uma careta, arrancando o celular do bolso de suas calças.

— Sim? — Pausou. — Merda. O quão ruim foi o ataque nos portões? Alguém está machucado? — Torrent escutou e rosnou a medida que os detalhes eram dados.

Shadow ficou tenso. Alguém atacou os portões? Isso não era bom.— Onde? — O olhar do macho endureceu enquanto encontrava o olhar fixo e interessado de Shadow. — Eu os advertirei. — Fechou o telefone. — Um dos nossos machos foi baleado no portão da frente por um atirador, mas não foi com uma bala. Pareceram ter usado tranquilizante. A segurança ligou dez minutos atrás para nos informar para colocarmos bloqueios, mas estávamos na água. Um relatório acabou de chegar de um oficial patrulhando este lado da Reserva. Nós temos intrusos. Eles pensam que Moon e outros oficiais foram baleados para desviar nossa atenção para aquele local. Moon foi o primeiro a ser atingido, então os outros deram cobertura.

Os sentidos de Shadow ficaram em alerta imediatamente.

— Onde os intrusos foram descobertos?

—Algumas milhas daqui. Um oficial sentiu o cheiro de pelo menos quatro humanos diferentes na Zona Selvagem próximos de nossos muros. Retorne a sua cabana enquanto me encontro com a Segurança para procurar por eles. — Jogou a cabeça para trás e uivou. — Advertindo os residentes. — Decolou num piscar de olhos, correndo para longe.

Shadow virou, sem se preocupar em se vestir ou agarrar sua roupa descartada. A segurança de Bela vinha primeiro. Ela não estava sozinha, mas isso não importava. Ela era sua para proteger.

 

Bela sorriu.

— Você não tem que ser minha babá, Breeze. Estou bem. Estava realmente chateada ontem quando liguei. Agradeço que tenha largado tudo para vir.

— Estou aqui agora. — A Espécie sorriu. — Estou pegando seu estilo? Não se preocupe. Vou ficar no hotel uma vez que o “menino toga” retorne, assim vocês dois podem continuar o que interrompi. Imagino que esta será uma boa folga, se ficar alguns dias para passar um tempo com as fêmeas que trabalham aqui.

— Por que chama Shadow disto?

— Menino toga? Por que o incomoda. Mas — ela riu —, nunca esquecerei como ele ficou usando aquela bandeira. Era um tanto quanto sexy.

Ciúme surgiu dentro de Bela.

— Ele é meu.

As sobrancelhas escuras ergueram-se e Breeze sorriu.

— Sentindo-se possessiva? Você acabou de silvar para mim.

— Sinto muito. — Bela ficou surpresa por sua forte reação inesperada.

— Ele é todo seu. Posso olhar, mas não tocarei. Todos os nossos machos são impressionantes, por assim dizer. Ele está parecendo possessivo com você também? — sorriu. — Não importa. Ele irá. É o como todos são.

— Sinto coisas por ele.

— Como é o sexo?

Bela hesitou, mas depois respondeu.

— Maravilhoso! — Corou, mas recusou-se a desviar o olhar. — É tão melhor do que já imaginei.

— Ponto para o “menino toga”! — Breeze riu. — Estou contente.

— Por favor, não o chame disso. Você deve notar como os músculos em suas mandíbulas torcem toda vez que diz isto.

— Eu sei. É atraente, não é? — Breeze se levantou. — É bom para os machos serem provocados. Isso os lembra para não serem sérios o tempo todo. O que você tem para comer por aqui?

Bela a seguiu para a cozinha.

— Realmente sinto muito por pedir para que viesse para cá ontem. Você tem uma vida ocupada.

— Foi bom cair fora. — Breeze acenou. — Sem problemas. Só sinto muito que cheguei atrasada esta manhã.

— Está tudo bem?

— Sim. Creek me ligou para dizer que você estava indo bem depois do choque inicial, e depois Justice marcou uma reunião de emergência.

— Espero que não tenha sido por minha causa. — A ideia que seu problema fazer o líder marcar uma reunião a fez se sentir um pouco enjoada.

— Não. Não foi sobre você. Nós tivemos algumas ameaças de alta prioridade chegando a Homeland. Isto acontece, mas estes imbecis soaram convincente o suficiente para ser alarmante, e os telefonemas foram localizados há alguns quarteirões de distância. Disseram que bombas foram plantadas e algumas foram fixadas para explodirem à meia-noite, então a força tarefa trouxe seus cães farejadores só para se certificar.

A ideia apavorou Bela.

— Alguém se machucou?

— Eles estavam falando merda. Não havia nenhum explosivo. Nós os teríamos achado. Embora Justice tenhas nos confinado. Ninguém vai esquecer que já tivemos um helicóptero abatido. Tive permissão para sair uma vez que estávamos certos que era seguro. — Ela puxou um lanche da geladeira e virou-se. — Então, o quão maravilhoso foi o sexo? Qual foi a melhor parte em sua mente? Ele te pegou de frente?

Bela abriu a boca, entretanto um som alto a distraiu, fazendo seu coração acelerar, enquanto algo grande parecia cair sobre a varanda. Um segundo mais tarde a porta da frente foi escancarada no outro cômodo e bateu na parede.

— Bela? — O rosnado era reconhecível.

Bela se apressou para a sala de estar e ficou boquiaberta com Shadow. Ele estava nu, seu corpo tenso, todo músculos, dos ombros até as coxas definidas. Ele fungou, sua cabeça empurrou em sua direção e andou completamente para dentro da cabana. A porta fechou com um empurrão forte de sua mão, trancou-a e revelou suas presas.

— Vá para o andar de cima para meu quarto.

— Porra. — Breeze murmurou. — Impressionante. Acho que o sexo é maravilhoso. Ele te quer muito.

A expressão furiosa de Shadow mudou para confusão antes de olhar para seu corpo. Merda. — Cobriu o pênis semiereto, tentando escondê-lo com uma das mãos, franzindo a testa. Seu olhar foi de Bela para Breeze. — Intrusos humanos foram sentidos há algumas milhas daqui dentro da Zona Selvagem. — Olhou para Bela. — Vá lá para cima, fique longe das janelas e jogue para mim uma calça. — Respirou fundo. — Por favor.

Virou-se, marchando em direção ao armário, revelando sua bunda corpulenta.

— Há uma espingarda e munição na cozinha em cima da geladeira, Breeze. Proteja essa área.

— Estou nessa. — Breeze soltou o pacote de lanche de lado e empurrou a cabeça em direção aos degraus para Bela. — Mova-se. Consiga para ele uma calça e evite as janelas. — Ela virou e abriu o armário que armazenava a arma. — Quantos Shadow? Eles estão armados?

— Pelo menos quatro, possivelmente mais. — Shadow abriu o armário e retirou uma mochila. — Os oficiais os estão caçando, mas isto é tudo o que sabemos.

Bela correu pelos degraus. Suas mãos tremiam enquanto escancarava as gavetas da cômoda para achar uma calça de moletom, e depois saiu do quarto de Shadow.

— Aqui. — Ela a jogou por cima do balcão para aterrissarem sobre o chão de baixo.

Shadow apareceu em segundos, uma arma agarrada em seu punho. Ergueu a cabeça para olhar diretamente para ela.

— Quero você dentro do banheiro, encolha-se na banheira. Estará protegida de uma bala perdida.

Ela queria protestar.

— Podia lutar com você se eles vierem.

Sua expressão horrorizada a magoou.

— Não. Fique onde é seguro. Agora, Bela.

Ele colocou a arma na mesa e se curvou para arrastar a calça de moletom para cima de suas pernas. Breeze parecia estar com a atenção presa na espingarda, e parou ao lado dele. Uma caixa de munição apareceu debaixo de sua camisa, onde a enganchou para manter suas mãos livres para usar a arma.

— A porta da cozinha está trancada, e empurrei a mesa na frente dela. Nós os ouviremos se tentarem entrar na cabana de qualquer jeito. — Olhou para a porta da frente. — Quer cobrir a frente ou a parte de trás?

— Você fique com a frente e ficarei com a de trás. Os humanos tendem a espiar e pensam que somos estúpidos. Escolherão nos atacar por trás se suas intenções forem roubar a Presente.

As palavras de Bela surpreenderam Shadow.

— Por que viriam por mim?

Breeze olhou para cima, raiva clara em seu rosto.

— Você ouviu Shadow. Fique dentro daquela banheira e fique abaixada!

Eles pensam que sou inútil. Isso doeu enquanto Bela recuava de sua visão, mas ficou perto o suficiente para ouvir a conversa.

— Acha que eles estão realmente atrás dela? — Breeze abaixou a voz. — Como saberiam onde achá-la?

— Houve reuniões sobre nós virmos para a Reserva, não foi? — Ele rosnou suas palavras, obviamente ainda furioso. — Por que então, de repente, invadiriam esta área? É menos protegida que Homeland. Alguém deve saber que está aqui.

— Não sei. — A espingarda carregou com um som distinto. — Os humanos realmente estão curiosos sobre as fêmeas Espécies. Justice e o conselho, propositalmente, evitaram que nossas fotografias fossem publicadas usando leis de vítima para proteger nossa privacidade. Eles poderiam apenas querer tirar fotos. Os humanos sabem que ela não pode lutar muito. Ela seria o objetivo perfeito nesse caso. Poderiam também estar atrás dela para pedir resgate, se tivermos outro vazamento de informações. As presentes são nossos membros mais fracos e pensam que nós pagaríamos a mais por elas.

Shadow hesitou.

— O imbecil que a possuiu a quer de volta. Sei que eu faria qualquer coisa para recuperá-la se ela fosse tirada de mim. Fiz meu dever de casa para aprender sobre ele depois que conheci Bela. Os poucos guardas capturados quando foi salva, declararam que o humano estava obcecado por ela. Temeram serem mortos por ele por permitirem que ela fosse levada.

— Filho de uma puta. — Breeze rosnou. — Não pensei nisto. Ele era um dos ricos investidores da Mercile. Teria os recursos para enviar humanos atrás dela e nunca foi pego.

— Não acontecerá. — jurou ferozmente. — Ninguém vai tirá-la de mim.

O Mestre. Os joelhos de Bela desabaram e ela afundou no tapete, enquanto as lembranças a atacavam. Ele faria qualquer coisa para consegui-la de volta se sentisse que podia. Apenas o pensamento de retornar a sua antiga vida a fez se sentir enjoada. Seria trancada de volta dentro de um porão escuro, sendo retirada apenas quando ele quisesse vesti-la como uma boneca que achava que ela era. Os guardas iriam insultá-la novamente, apavorá-la e tentariam fazê-la passar fome em submissão.

Embrulhou os braços firmemente ao redor de sua cintura, abraçando-se com força, enquanto arrepios atacavam. Pior, os homens contratados para vir atrás dela teriam que matar Shadow e Breeze para poder levá-la da Reserva. De jeito nenhum um Espécie iria permitir que fosse levada de volta ao monstro que a manteve presa toda sua vida, enquanto estivessem respirando. Este pequeno reconhecimento repeliu o terror.

Não vai acontecer. Não! A raiva surgiu enquanto elevava-se em suas pernas instáveis, e entrava no quarto de Shadow. Ele mantinha armas lá também. Não iria voltar para aquele inferno. Nunca mais iria ser forçada a sofrer o toque de um homem que odiava. Nenhum guarda a chamaria de nomes cruéis, enquanto a atormentavam com ameaças de estupro e molestamento. Ela preferia morrer primeiro.

A sacola de Shadow tinha pelo menos seis armas de tamanhos diferentes. Agarrou uma das menores, testando-a em sua mão. Era pesada e fria. Devia ter uma trava de segurança. Localizou-a, tendo certeza de que estava descarregada e manteve o canhão apontado para longe do seu corpo. Não prestaria se acidentalmente atirasse em si mesma.

Rastejou em direção à janela fechada e espiou a floresta. Não havia nenhum movimento com exceção de que estava ventando um pouco. Apenas uma vez desejou que tivesse a sensação de olfato extremamente apurado dos Espécies — primatas não eram tão aguçados quanto caninos ou felinos.

Sua frequência cardíaca permaneceu instável, parte medo, parte raiva. Shadow e Breeze estavam em perigo. De jeito nenhum iria se enrolar e se esconder em uma banheira de metal enquanto eles lutavam, se isto chegasse a acontecer. Poderiam pensar que era inútil, mas não concordava. Ninguém nunca lhe deu uma chance de provar que não era indefesa, mas conseguiu atacar Torrent.

O tempo passou lentamente, enquanto um sussurro ocasional podia ser ouvido lá de baixo. Breeze e Shadow conversavam muito baixo para que captasse suas palavras, mas ficou tensa quando um deles rosnou. Tinha de significar que viram ou sentiram algo que não gostaram.

— Porra. — Breeze disse mais alto. — Troncos de árvores não se movem, mas foi isso que acabei de ver. Estão vestindo roupa de camuflagem cara. Tenho movimento em dois locais.

— Três deste lado. — Shadow rosnou. — Há mais de quatro.

— Estou fazendo uma ligação do meu celular. — Houve uma pausa. — Não tenho nenhum sinal.

— Deveria ter.

Bela teve que concordar. Ligou para Breeze de seu celular sem dificuldade.

— Eles devem ter tirado a antena que impulsiona o sinal até aqui. A voz de Breeze aprofundou de raiva. — Você tem um telefone por satélite? Eles não podem nos impedir de usar um desses.

— Está lá em cima.

— Estou nesta. — Bela gritou, feliz por fazer algo.

— Disse para ficar dentro da banheira. — Shadow rosnou ruidosamente.

Ignorou-o para andar a passos largos para a cômoda. Viu um dos telefones na gaveta superior e puxou-o. Levou alguns segundos para entender como ligá-lo. O número da Reserva estava programado na memória. Não conseguia um sinal.

— Oh não. Não funciona.

— Traga aqui em baixo. — Breeze estalou com sua audição aguçada.

— Não. — Shadow protestou. — Fique aí em cima onde é mais seguro.

— Nós precisamos de ajuda. — O tom de Breeze abaixou. — Estão se aproximando devagar, mas eu os vejo. Traga-o para mim, Bela. Se apresse.

Bela colocou a arma no chão, no caso de ficarem bravos com ela por ter uma, e se apressou para o andar de baixo. Deu o telefone para a Espécie. Breeze descansou a espingarda contra seu tórax, enganchou-a em um braço, e tentou usá-lo. Uma expressão de choque empalideceu suas características.

— Isto não pode estar acontecendo. — sussurrou. — Nenhum sinal está registrado. Como isto é possível? Nós estávamos seguros que este funcionaria o que quer que acontecesse.

— Eles devem estar bloqueando a área inteira. — Shadow rosnou. — Estes não são humanos comuns.

— O que isso quer dizer? — Bela olhou entre eles.

— A força tarefa tinha equipamentos de bloqueio que podiam abafar todas as rotas aéreas.— Ele parecia cruel. — Nível militar e não é barato ou fácil de conseguir.

— Acha que são membros de sua equipe? — Breeze empalideceu. — Eles nos trairiam deste jeito?

Shadow agitou a cabeça.

— Não. Não é a força tarefa lá fora. Estou só dizendo, que se conseguiram colocar suas mãos naquele equipamento, então não são um grupo normal de humanos. Eles têm dinheiro e contato. — Seu olhar deslizou para Bela. — Fique lá em cima.

— Você acha que o Mestre os mandou atrás de mim?

Ele rosnou.

— Disse que para parar de chamá-lo disto.

— É isso que acha, não é?

Ele nitidamente assentiu.

— Ele é rico e pode contratar os melhores mercenários. Vá lá para cima.

— Onde estão nossos machos? Onde está Torrent? Ele deveria estar caçando-os. — Breeze passou o telefone de volta. — Faça como ele diz Bela. Fique na banheira. Estou certa que estão armados. Pelo menos os tiros vão chamar a atenção de alguns dos residentes para cá, se não captaram o cheiro dos humanos no vento primeiro.

— Mais Dois. — Shadow rosnou. — Sete ao todo a menos que tenha avistado mais.

— Oito, Breeze silvou. — Um está nas árvores. Acabei de ver algo refletir. Ele provavelmente está usando binóculos para nos espiar. Estreitou-se mais à parede, tentando se esconder. — Nós estamos em grande desvantagem. — Ela largou a espingarda com uma mão e usou a articulação para bater na parede. — Nada bom. As balas vão passar direto pela madeira. Esta é uma das cabanas originais que já estava aqui, não as de melhor qualidade que construímos.

— Nós temos que supor o pior. — Shadow falou calmamente, mas parecia furioso. — Há mais deles do que Torrent sabia. A Segurança não estava ciente ou teriam lhe dado informações mais precisas.

— Está presumindo que Torrent e os oficiais nesta área estão mortos? — Breeze severamente encontrou seu olhar.

— Sim.

— Teríamos ouvido se tivessem atirado em nossos machos. Eles não conseguiriam derrubar um Espécie numa briga mão a mão. São humanos.

— Silenciadores. — Shadow olhou pela janela. — Não teríamos ouvido nada também se tiverem atiradores os derrubando à distância. Nossos machos não teriam nem os avistados até que fosse tarde demais. Podem ter atirado antes que seus odores fossem captados.

Breeze empalideceu, mas focou sua atenção longe da janela também.

— O que nós faremos?

— Bela? Vá lá para cima. — Shadow soou calmo quando falou.

Ela hesitou, assistindo-os. Medo e terror assolaram dentro dela. Sua amiga e o homem que amava estavam em perigo por causa dela e de seu passado. Shadow admitiu que estavam em desvantagem, e viu o medo espreitando nos olhos de Breeze antes dela afastar o olhar. Ela era a mulher mais destemida que conhecia.

— Eu podia ir lá fora e me render para eles.

A cabeça de Shadow chicoteou em sua direção e seu olhar cheio de fúria.

— O que?

— Eles partirão comigo. Vocês estarão seguros. — Era um sacrifício que estava disposta a fazer. Segurou o olhar de Shadow. — Você me achará novamente com a força tarefa. Sei que irá. Tem que viver para poder fazer isto. O Mestre não me matará. Ele obviamente me quer muito de volta para contratar aqueles homens. — Ela abraçou sua cintura. — Não posso deixar que morra.

Ele rosnou.

— Vá lá para cima. Não chame aquele bastardo de “Mestre” novamente e de jeito nenhum permitirei que retorne para ele.

Uma vez teria corrido de seu tom severo, mas conhecia Shadow agora. Bela se manteve firme e continuou o contato visual com ele.

— Faz sentido. Você morrerá tentando me proteger, mas ainda assim me recuperarão no final. Este é o único caminho para evitar isto. — Olhou para Breeze. — Diga-lhe que estou certa. Vocês dois precisam sobreviver. Aqueles homens lá fora precisam de mim viva para serem pagos. Conheço o homem que costumava me possuir. — Cuidadosamente evitou seu nome. — Ele só me quer de volta. A força tarefa me achará do jeito que fizeram antes.

A boca de Breeze abriu depois fechou. Lágrimas encheram seus olhos, mas as piscou de volta.

— O que a faz pensar que perderemos? Estou tão orgulhosa de você agora, por ser valente o suficiente para oferecer sua vida pela nossa, mas isso não vai acontecer. — Suas feições ficaram tensas. — Agora leve sua bunda lá para cima e para aquela banheira. Somos Espécies. Nós lutamos. De jeito nenhum a mandaremos lá fora para retornar a uma prisão.

Os ombros de Bela afundaram em derrota.

— Você sabe que estou certa.

— Nós somos teimosos por natureza. — Breeze de repente sorriu. — E amamos uma boa luta.

— Lá para cima. — Shadow ordenou.

Ela encontrou seu olhar. Ele ainda estava enfurecido. Nenhuma tipo de conversar mudaria seu modo de pensar.

— Faça isto antes que te amarre e a coloque lá. — ele falou. — Farei qualquer coisa para protegê-la, até isto.

Ela virou-se e correu pelos degraus. A arma parecia um pouco melhor em sua mão quando a recuperou do topo da cômoda. A segurança estava feita e entrou no banheiro. Um olhar para a banheira a fez virar e entrar em seu quarto. Espiou pela janela, procurando por sinais dos homens que o Mestre devia ter enviado atrás dela.

Ela era Espécie e lutaria também.

 

Shadow fumegava. Bela ousou oferecer-se a entregar-se para aqueles humanos, para ser devolvida ao macho que abusou dela. A ideia era insultante e ultrajante.

— Calma. — Breeze sussurrou. — Estou quase sufocando com o cheiro de sua raiva do outro lado da sala.

Nem sequer lhe deu um olhar.

— Ela estava disposta a desistir.

— Eu ouvi. — Ela suspirou. — Foi amável.

Ele rosnou. Preferia enfrentar um exército de humanos fortemente armados que permitir que Bela fosse capturada.

— Seu coração estava no lugar certo.

— Não, não estava. — Seu coração pertencia a ele.

— Droga, Shadow. Dê-lhe um tempo. Ela está nos colocando diante dela. Acha realmente que ela sente falta do bastardo que a manteve em cativeiro? Eu estava lá quando foi trazida para nós. De jeito nenhum vai querer voltar. Isto somente prova o quanto importamos para ela.

Seu temperamento esfriou ligeiramente.

— Eles estão mantendo suas posições. Pelo que estão esperando?

— Não sei, mas vai entregá-los abrir fogo sobre nós.

— Eles não querem arriscar atirar em Bela se é que estão atrás dela. É por isso que a queria na banheira. Poderia ajudar a escondê-la se procuram por sinais de calor. Depende do que estão usando. Seu tamanho vai facilitar que a distingam de nós se puderem ver pelas paredes.

— Como nos filmes?

— Sim.

— Trabalhar com a força tarefa te ensinou muito.

Ele não negou. A tecnologia que a força tarefa tinha a sua disposição era impressionante.

— Quantos residentes da Zona Selvagem estão aqui?

— Mais ou menos quarenta ao todo. — Breeze pausou. — Foi especificamente ditos a eles para não se aventurarem nesta área, mas estou esperando que o cheiro de intrusos humanos os incentive a ignorar a ordem.

— Eu também. Um pouco de ajuda seria bom, mas isto poderia matar alguns deles. — Não queria isto. — Pergunto-me o que está acontecendo nos portões. Talvez eles fizeram outro ataque lá para manter a Segurança ocupada.

— Outro ataque?

Ele franziu o cenho, percebendo que não a atualizaram com todas as informações. Contou a Breeze sobre Moon sendo tranquilizado.

— Deve ter sido uma distração.

— Uma boa distração. — ela concordou. — Estamos ferrados. A Segurança teria ordenado a todos os oficiais disponíveis para ajudar lá nos portões. No protocolo geral é para todos os oficiais atribuídos as patrulhas para irem para o ponto ativo, enquanto os que ficam nos muros mantenham seus postos. Não ousariam deixar suas posições por medo de uma brecha pelo muro. De alguma forma os humanos passaram por eles.

— Ainda não acabou. — Recusou perder a esperança. — Há oito deles, mas humanos são fracos. Nós temos uma chance.

— Não uma boa. — ela sussurrou. — Que inferno, certo? É um dia bonito para matar alguns humanos ruins. Alguns deles estão saindo comigo. Imagino que estou com o tempo contado de qualquer maneira. — Parou e sua voz abaixou. — Sempre imaginei que morreria na Mercile.

Shadow esperava que os mercenários decidissem que era muito arriscado correr para a cabana. O tempo não estava ao seu favor. Quanto mais tempo ficassem nas terras da ONE, menos chances tinham de cumprir sua missão. Os oficiais Espécies iriam eventualmente cercar a área.

Movimentos o tiraram de sua reflexão. Uma parte de um tronco de árvore se separou, e ficou na forma de um humano. Ele avançou para outra árvore.

— Eles estão vindo.

— Estava prestes a te dizer isto. Dois deles acabaram de chegar mais perto.

— Não atire até que esteja certa de que tem um alvo. Há espaço aberto entre a cabana e a floresta. Estarão expostos quando tentarem nos alcançar.

Breeze deu uma inspiração instável.

— Acho que devia te dizer que não sou uma atiradora muito boa. Sou melhor em lutar com minhas mãos, mas passei no meu treinamento. Não atirarei no meu próprio pé.

Ele cerrou os dentes.

— Ao invés disso atire nos pés deles. Isso irá retardá-los.

— Posso fazer isto.

— Evite tiros no peito. Provavelmente estão usando coletes. Mire nas pernas ou nas cabeças. Apenas atire o quanto puder.

— Entendi. — Determinação soou na voz de Breeze.

Shadow respirou fundo, acompanhando os movimentos na floresta ao redor deles. Um humano chegou mais perto e quase alcançou onde as árvores da cabana foram cortadas. Ele se aproximou o suficiente para a tinta preta marcada em seu rosto ficar visível. Estes, definitivamente, não eram humanos comuns. Mercenários qualificados.

Ele queria mantê-los a uma distância. Ergueu o rifle das armas que tinha pego, bateu num painel de vidro, e despedaçou-o com o alvo. O som foi levado e viu o humano desaparecer atrás do tronco de árvore.

— Estamos bem armados. — blefou. — A Segurança está a caminho. Seu tempo está acabando. Partam enquanto podem. Meu povo não permitirá que vocês vivam.

Silêncio. Um minuto inteiro passou antes da voz de um macho responder mais à direita, fora de sua visão.

— Envie o Lixo para fora. Ela é uma Nova Espécie pequena, com cabelo e olhos marrons. Nós permitiremos que viva se fizer isso.

A raiva o agarrou e seu coração acelerou. Lixo? Eu vou matar o bastardo que a chamava disto. Supôs que estavam lá por Bela e agora suas suspeitas foram confirmadas. Levou muito esforço para conseguir controlar suas emoções. Novas Espécies recebiam números quando eram cobaias de testes, mas ela foi marcada com um título depreciativo.

— Porra. — Breeze silvou.

Shadow tinha palavras ruins para dizer também, mas palavras mais calmas saíram de sua boca. Foi cuidadoso para falar claramente em vez de rosnar.

— Não sabemos de quem está falando. Ninguém com esse nome está aqui.

— Não brinque Shadow. Sabemos quem você é. Você e Lixo estão aí.

Aquelas informações foram absorvidas. Sabiam seu nome, isso tinha de significar que alguém traiu a ONE. A banheira funcionou em esconder a temperatura do corpo de Bela, se estavam usando câmera térmica, se estavam confundindo Breeze com ela. A outra opção era que não podiam ver por dentro. Seu informante não os advertiu que outra fêmea Espécie estaria presente. De qualquer modo os humanos obviamente esperavam vir apenas contra ele.

— Filho de uma puta. — Breeze sussurrou. — Nós temos um vazamento. Vou descobrir quem e arrancar suas bolas.

Suavemente rosnou para silenciá-la. Eles lidariam com isso mais tarde. Agora eles precisavam ganhar tempo. Decidiu blefar rindo alto o suficiente para eles ouvirem.

— Sou Torrent. Vocês estão na cabana errada, humanos. Pagaram por informações erradas. Espero que isso tenha custado a vocês uma pequena fortuna para estarem fodidos.

— Mentira. — Outro macho humano gritou. — Nós bloqueamos seu sinal. Você é Shadow.

O ar em seus pulmões congelou enquanto seu cérebro tentava funcionar rapidamente. Como teriam um sinal? Ele teria que estar carregando algo pessoalmente ou dentro de uma de suas malas. Examinou mentalmente cuidadosamente a lista de itens que arrumou, e o que usou na viagem para a Reserva lentamente. A outra mala continha armas. Uma dúzia de possibilidades de quando poderia ter sido marcada com um rastreador encheram sua cabeça. Eram pequenos o suficiente para esconder na roupa, nas botas, ou até nas malas. As únicas pessoas que tiveram acesso a isto e aos seus pertences foram sua equipe da força tarefa e alguns Espécies com quem entrou em contato em Homeland. Claro que alguém podia ter entrado em seu quarto no dormitório. Embora apenas Espécies tivessem acesso.

— Sou Torrent. — repetiu. — Não sei qual sinal acha que rastreou, mas você está errado. Shadow está em outro local.

— Mentira. — O mesmo humano respondeu, provavelmente estava no comando, e estava adiantando-se por trás de uma pedra grande. — Pare de desperdiçar tempo e envie Lixo para fora. Seu dono a quer de volta.

Suas presas relampejaram enquanto lutava contra o desejo de uivar. Ninguém possui Bela.

O humano falou novamente.

— É sua moeda, imbecil. Todos os membros da equipe as têm e as carrega a toda hora. Pare de enrolar e mande-a. Nós não abrimos fogo porque ela vale muito dinheiro viva, mas essa é toda ordem que temos. — Pausou. — Viva. Não quer dizer que não podemos devolvê-la ferida. Nós temos um médico para remendá-la. Está é sua escolha. De qualquer modo nós entraremos aí para pegá-la, ou você vive se a mandar para fora desta cabana para nós. Essas são as únicas opções que tem.

Shadow virou a cabeça e pegou Breeze olhando boquiaberta para ele.

— Moeda? — Deu-lhe um olhar confuso.

— A força tarefa. — ele falou. — Alguém na equipe me traiu. — Olhou para o teto, depois de volta para ela. — Está ainda dentro da minha mala. Todos nós ficamos com ela, normalmente conosco, no caso de um membro ser levado. Só Tim e três outros membros sabem os códigos para ativar os rastreadores dentro delas.

Seus olhos estreitaram.

— Entendo.

Isso reduzia o vazamento. Silenciosamente Shadow jurou vingança ao membro da equipe que o traiu.

— Estou com algumas das coisas de Shadow, mas ele não está aqui. — Decidiu continuar blefando. Cada segundo podia contar. Poderia enrolar os mercenários.

— Estamos entrando. Sei o que está esperando e não vai funcionar. Temos pelo menos meia hora antes que nosso local esteja comprometido. Tenho atiradores nas árvores cercando a área. Qualquer Espécie vindo neste caminho será baleado. Nenhuma ajuda vai alcançá-lo.

Porra! Shadow acalmou sua ira o suficiente para apontar o rifle, olhando para o local pelo qual o humano chegava mais perto. Atiraria no segundo que o macho se movesse. Talvez alguns corpos mortos os persuadissem a repensar em avançar para a cabana. Duvidou, entretanto. Os mercenários eram conhecidos por terem um único objetivo, e eram malignos. Provavelmente calcularam algumas perdas antes de concordarem com a missão.

— Mate qualquer um que entrar na área aberta. — ordenou a Breeze suavemente.

— Compreendido.

Bela andou nas pontas dos pés se afastando pelo corredor, ouvindo a maioria do que Shadow e Breeze disseram. Oito humanos estavam lá fora dispostos a matar para levá-la de volta para o Mestre. Shadow mostrou-lhe como realmente viver. Breeze deu-lhe amizade. Nenhum deles merecia morrer por essas coisas maravilhosas.

O pensamento de Shadow morrendo deixou um ferimento aberto em sua alma. Não iria permitir que isso acontecesse. Lutaria também. Três contra oito eram chances melhores. A mala dentro do quarto de Shadow estava pesada, quando a ergueu e levou-a para seu quarto. Eles estavam mirando nele desde que entrou no caminho deles. Seu quarto era atrás da cabana, acima de onde Shadow estava.

Ela retirou as armas do modo que ele tinha guardado, as colocando no tapete assim estariam a postos. Levou alguns minutos para compreender onde pôr seus dedos em cada arma. Apontar e atirar. O quão difícil poderia ser? Poderia não atingir muitos, mas o poder de fogo extra, poderia surpreender aqueles homens lá fora, o suficiente para dar aos dois Espécies no andar de baixo uma chance melhor de sobrevivência.

Foi cuidadosa para não fazer barulho enquanto arrastava um baú pesado para frente da janela. Abriu a tampa, olhando dentro para a roupa de cama restante. Virou, o olhar fazendo uma varredura no quarto. Os livros de capa dura enfileirado nas prateleiras perto da porta chamaram sua atenção. Eles ajudariam a prevenir que balas passassem pelo baú de madeira para atingi-la, se aqueles homens revidassem. Enquanto embalava o baú, cada passo era dado cuidadosamente para não alertar Shadow de que não estava na banheira.

Ajoelhou-se e moveu a cortina o suficiente para espiar pela janela, observando qualquer sinal de movimento. Fez algumas varreduras, mas viu um homem à direita no limite da floresta. O outro estava a duas árvores atrás dele à direita. Não localizou ninguém mais, mas pelo menos tinha alvos.

Era muito arriscado abrir a janela. Teria que tirar a cortina do caminho e seria vista se a erguesse. Seria estúpido entregar seu local. Podia apenas atirar pelo vidro. Bela deu algumas inspirações para se acalmar, tentando diminuir a rapidez das batidas de seu coração. Posso fazer isto. Repetiu algumas vezes. Por Shadow.

A primeira bala disparada não foi alta. Foi um som enfadonho que lhe lembrou fogos de artifício vindo de longe, mas vidro quebrou em algum lugar no térreo.

— Abaixe-se. — Shadow gritou. — Homem entrando!

— Oh Deus. — Começou. Mas Shadow estava vivo. Ouviu sua voz.

O homem mais próximo da casa de repente saiu de detrás da árvore, algo agarrava em sua mão. Seu braço foi para trás como se fosse lançar uma bola, mas o som de balas explodiu no térreo. Bela assistia com horror e fascinação, enquanto o sujeito tremia quando suas roupas pareciam despedaçar. Sangue apareceu em seus braços, depois pernas, antes dele cair para trás.

BOOM! O som surgiu no mesmo momento em que o homem caído explodiu próximo a sua cabeça. Sangue voou em todas as direções, principalmente espirrando no tronco das árvores. A bílis subiu em sua garganta, mas Bela lutou. O filho de uma puta estava prestes a atirar uma granada em Shadow. Podia ter sido ele em pedaços, se não tivesse atirado no homem antes dele poder lançá-la na cabana.

Viu um segundo homem erguer uma arma longa e abrir fogo. Foi rápido e vidro despedaçou, um som silencioso comparado a arma ruidosa. As mãos de Bela tremeram, mas apontou para ele. Seu dedo puxou o gatilho. O vidro quebrou, um buraco irregular apareceu, e continuou disparando. Errou as primeiras três vezes e o homem pareceu nem notar até que recuou. Ele parou de disparar e olhou para baixo. Ela também olhou, parando para vê-lo. Ele ergueu sua bota, franzindo a testa. Avistou uma pequena falha ao longo da extremidade.

— Merda. — ela xingou. Pareceu tê-lo atingido, mas o sangue não escorreu. Apontou e atirou novamente.

Desta vez o atingiu na perna debaixo do joelho. Ele se jogou para trás e ela abaixou atrás do baú, esperando pelo tiro em resposta, enquanto agarrava uma arma maior. A arma não disparou rápido o suficiente.

— Bela! — Shadow rugiu seu nome.

Ela estremeceu. Ele acabou de perceber que não estava encolhida na banheira, mas pelo menos sabia que ainda estava vivo. Ele gritou qualquer outra coisa, mas não conseguiu entender, enquanto mais tiros estouravam lá embaixo. Veio da frente da cabana. Breeze devia estar ocupada com os homens também.

Bela fechou suas mãos em torno da arma maior. Pareceu com uma que viu em um videogame que as mulheres jogavam no dormitório. Era volumosa com um clipe de metal inserido na parte inferior, e era pesada. Estava certa de que era algum tipo de fuzil. Aninhou-a achou o gatilho e ficou de joelhos. Descansou a arma no peito e olhou pelo vidro quebrado na parte inferior da janela.

Dois homens corriam adiante enquanto apontava e apertava o gatilho. Tiros rápidos explodiram. A coisa bateu de volta nela e balas despedaçaram a janela até o teto antes que pudesse tirar o dedo do gatilho. Ficou boquiaberta pelo dano quando aterrissou de costas. O vidro na janela estava totalmente despedaçado agora, e buracos formavam cicatrizes feias nas paredes e no teto, onde as balas rasgaram por isto. Lutou para ficar de joelhos novamente.

Agora que sabia o que esperar, apoiou seus joelhos separadamente, tencionou seus braços e apontou novamente. Seu dedo hesitou desta vez, esperando que o estímulo da arma não a mandasse para o chão mais uma vez. Os homens abrigaram-se atrás de uma árvore, mas um correu para a cabana. Alguém disparou, provavelmente Shadow. O sujeito não conseguiu entrar dois metros na área aberta antes de cair. Ficou daquele jeito, sem se mover. Sangue vazava na poeira.

Os sons altos vindos de baixo asseguram que ambos os Espécies estavam disparando armas. Algo atingiu o topo do espelho acima da cômoda, quebrando o vidro. Girou sua cabeça para olhar para trás, vendo buracos nele e no topo da parede. Levou um segundo para perceber que alguém atirou de volta nela. Abaixou-se.

Seu coração acelerou, debruçou-se de volta no baú e abriu fogo. Seus braços machucavam da força que levou para manter a arma abaixada e, então, a arma a ensurdeceu, mas conseguiu manter apontada para a floresta. Virou o cano, pulverizando balas em um arco largo, nem mesmo certa em que estava disparando. Não importava. O inimigo estava lá fora, e as pessoas que se importava estavam do lado de dentro. A arma começou a clicar em vez de enviar balas. Estava vazia.

Jogou-a de lado e agarrou uma que era apenas um pouco menor. Medo não mais a impedia. Não havia nenhum tempo para pensar. As balas estavam despedaçando a cabana, a maior parte delas tinham de estar sendo apontadas para Shadow, já que podia ouvir o dano sendo diretamente feito embaixo de onde se ajoelhava. Abriu fogo novamente, de modo selvagem atirando na floresta.

Breeze gritou algo, mas as palavras estavam perdidas para Bela. Era o caos. Não entendeu por que a ajuda não chegou. O barulho da batalha de armas tinha de ser ouvido à milhas. Havia oficiais por toda Homeland.

A arma parou de cuspir balas e a largou, agarrando outra. Não sabia como recarregar, odiando o conceito de ficar sem armas, mas sabendo que lutaria enquanto pudesse.

Um choque chegou quando mãos brutais de repente agarraram seus ombros e foi jogada de lado. A arma foi retirada de seu domínio, quando bateu no chão com força suficiente para causar dor junto ao seu lado direito. Um grande corpo de repente bateu em cima do dela. Ficou de costas e presa no chão. Um rosto humano, manchado com tinta preta, era tudo o que pôde ver enquanto lutava para respirar debaixo do peso esmagando seu peito.

Seus olhos pareciam mortos, gelados enquanto olhava fixamente no dela. Moveu-se e dor explodiu no lado de seu rosto quando ele bateu nela com seu punho. Um choque chegou e a escuridão ameaçou tomá-la, mas levou tapas muitas vezes antes por guardas bravos. Lutou com o desejo de escapar para a inconsciência.

Ele grunhiu em satisfação quando recuperou a mão que usou para bater nela, e depois falou em um rádio.

— Peguei a cadela. Era ela no segundo andar. Limpe o caminho para mim.

Rolou de cima dela, mas Bela não conseguia se mover ainda tonta do tapa. Sentiu-se enjoada, como se fosse vomitar, e pontos a cegavam enquanto continuava a lutar para evitar desmaiar. Sua bochecha parecia quebrada, pulsava em agonia, e seu pescoço também doía de ser atingido com tanta força.

Mãos rudes cavaram debaixo dela e foi içada depois mudada de posição. O homem Largou-a facilmente em cima de seu ombro. Ela ficou pendurada lá mole, enquanto um braço enganchava atrás de suas coxas. À medida que caminhava o balançar deixou tudo pior. Viu armas amarradas em suas coxas, mas suas mãos recusavam-se a agarrá-las, enquanto sua mente as persuadia para apenas pegá-las. Ao invés disso, seus braços penduravam-se inutilmente.

Ele entrou no quarto de Shadow e outra voz falou.

— Olhos tinham razão. Foi bom tê-la visto pelas lentes de sua arma, assim não precisamos subir no segundo andar do jeito que pensamos que teríamos que fazer.

— Você quer descê-la, ou quer que eu desça?

— Você. Ela não é grande, não é?

— Não. Não pesa nada também. — Ele caminhou e virou-se. — Siga-me.

Bela olhou para baixo, percebendo que o homem segurando-a ficou no peitoril da janela de Shadow. Era uma longa queda para o chão. Sentiu um clarão de medo quando ele soltou a parte de trás de suas coxas. Ele apenas a deixaria cair? Era uma ideia horrível.

Ao invés disso os braços dele levantaram-se, prendendo seus quadris entre seu pescoço e o bíceps de um lado. Saltou. Eles caíram mais ou menos há meio metro, entretanto suas botas bateram ao lado da cabana, quando seu impulso diminuiu. Desceu o resto do caminho com mais dois pulos até que bruscamente bateu no chão. Os tiros estavam altos, a batalha ainda furiosa. Ele hesitou um momento enquanto o segundo homem deixava à cabana, e depois o braço dele enganchou de volta ao redor de suas coxas. Correu para a floresta, levando-a com ele.

— Não! — Tentou gritar, mas saiu mais como um silvo irregular.

— Cale a boca. — ele ofegava. — Você deu muito trabalho, mas vale a pena por um bocado de dinheiro, Lixo.

Não. NÃO! Sua mente gritou enquanto sua voz recusava. Eles iriam devolvê-la ao Mestre e a vida que teve uma vez. Ele continuou correndo, levando-a mais distante da cabana.

Os tiros de repente cessaram e outro medo a atingiu. Isso significava que Shadow e Breeze estavam mortos? Não conseguia ouvir nada, exceto o arfar dos homens à medida que corriam.

— Ela deu mais trabalho do que pensei que daria.

— É. — o homem que a segurava respondeu.

— Ela não parece valer um milhão para mim.

— O cliente está sempre certo. — Ele diminuiu a velocidade para rapidamente caminhar. — Quando nosso helicóptero chegará?

— Três minutos. Nós temos que fazer a limpeza. Você já quer que a carregue?

— Não. Ela está bem e estamos perto.

Uma vez que a colocassem em um helicóptero, estava terminado. Ela desapareceria. Havia uma chance que a ONE a localizasse novamente, mas não acreditava em sorte. Ser libertada uma vez foi um milagre. Lambeu seus lábios e fechou os olhos, tentando conseguir o controle de seu corpo. Estava machucada, mas era Espécie. Durona. Sua mandíbula cerrou e abriu os olhos.

As armas nas coxas do homem estavam desprotegidas, de fácil acesso, e as correias do coldre soltavam a cada passo. Olhou fixamente para uma e apertou suas mãos. Tinha de ser rápido. Mantendo seu corpo leve era a chave para fazê-lo pensar que não era uma ameaça.

O sujeito próximo a eles movia-se ligeiramente adiante e alguns arbustos os separavam um pouco. Provavelmente era a única oportunidade que teria. Jogou-se e agarrou-se a coronha da arma. Seu dedo de alguma maneira achou o gatilho e apertou enquanto se mexia ligeiramente. A arma disparou alto, e depois o homem que a estava segurando gritou.

Ele cambaleou, sangue despejava do ferimento onde atirou nele. Ela caiu, colidindo de joelhos. Conseguindo tirar a arma do coldre quando foi jogada. Caiu de costas na grama, mas estava preparada para ter o ar nocauteado de seus pulmões desta vez.

Ergueu a arma e disparou no outro homem. Ele jogou seu corpo para o lado, caindo em um arbusto para evitar a bala. Ela já estava se contorcendo, lutando para ficar de pé.

— Caralho!

Balançou sobre seus pé, mas correu. Não importava par aonde ia, apenas tinha que cair fora. Shadow e Breeze precisavam de ajuda também. Poderia ser capaz de achar alguns daqueles residentes da Zona Selvagens.

Algo bateu por trás dela e sabia que o outro homem a perseguia. Não ousou olhar para ele, com medo de chocar-se com uma árvore ou tropeçar em algo no caminho.

Corra! Persuadiu suas pernas a moverem-se mais rápido. Se havia um instinto que estava familiarizada, era o terror. Deixou isto levá-la, submersa em todos os seus pensamentos e apenas focou-se na sobrevivência.

 

Shadow se levantou do chão onde mergulhou para evitar a última onda de balas que abriu mais as paredes. Viu Breeze rastejar para longe da lareira. Podia sentir o cheiro de sangue, mas não estava certo de quem era já que ambos tinham sofrido cortes dos escombros voando. As paredes estavam destruídas pela quantidade volumosa de balas que rasgaram por elas.

Levantou seu braço, disparou cegamente por detrás de dois troncos espessos das mesas de canto, que imprensou junto de lado para deixar mais espesso. Não era mais seguro tentar mirar no inimigo procurando por eles. Isso significaria revelar seu rosto, algo que um atirador atingiria.

— Merda. — Breeze rosnou. — O que está sustentando a cabana?

Ele não tinha uma resposta. A luz solar entrava por todos os buracos de bala. O inimigo tinha grande potencial de fogo e, em sua estimativa, a única coisa que os salvou foi o acabamento de pedra ao longo do lado de fora. Estava perto do chão e isto provavelmente os impediu de serem baleados, quando eram impelidos para o chão toda vez que o inimigo abria fogo.

Podia apenas rezar que Bela estivesse segura. Era uma cabana muito velha e estava certo que a banheira era feita de ferro fundido. As balas esperançosamente não penetrariam pelos lados dela. Olhou para cima, mas o teto tinha alguns buracos de ricochete.

— Você está bem?

Breeze hesitou.

— Fui atingida, mas não está ruim. Atravessou completamente meu lado.

Era um espanto que ambos estivessem vivos ainda. Milhares de balas foram destinadas a eles desde que o ataque começou. Ele iria gritar com Bela quando isto estivesse terminado. Ouviu uma de suas armas disparar no começo, mas estava certo de ela tinha retornado para o banheiro quando gritou com ela. Depois era impossível saber de onde os tiros vinham. Suas orelhas ainda estavam zumbindo.

A interrupção dos tiros atuantes foi perturbador. Ficou tenso, esperando pelos tiros retornarem. Segundos se passaram e nada aconteceu. Franziu a testa e olhou para Breeze. Ela estava abaixada próxima à lareira, a arma na mão. Encontrou seu olhar interrogatório, seu cenho franzido também.

— Acha que vão invadir? — Sua sobrancelha se curvou interrogativamente.

Disparou outra bala para ter certeza que os mercenários soubessem que ainda estavam vivos. Isso devia afastá-los de entrar na cabana. Breeze disparou uma bala do outro lado da cabana, sem olhar também. Quase teve seu rosto atingido por uma bala e gritou uma advertência para ele. Os dois abaixaram mais uma vez.

Ninguém disparou de volta. Mais segundos se passaram. Breeze encolheu os ombros, uma mão indo para sua cintura para segurar seu ferimento. Viu o sangue escorrendo de sua camisa. Não pareceu muito ruim, mas ele se preocupou.

A esperança suavizou as feições dela.

— Talvez a ajuda chegou e eles caíram fora. Talvez devêssemos realmente parar de atirar. Odiaria atingir um dos nossos por engano.

Ele esticou-se para ouvir, mas ainda estava tendo dificuldades porque um zumbido leve permanecia. A coisa ruim sobre ter audição supersensível era que barulhos altos doíam. Breeze fez um barulho agudo.

— O que foi isso?

— Um pedido de socorro. Nossos machos responderão se estiverem por perto.

Os dois escutaram. Shadow olhou Breeze. Sua audição poderia não estar tão perturbada quanto à dele. Balançou a cabeça, a preocupação retornando. Merda, ela pronunciou.

Ele teve que concordar. Um uivo de repente rasgou o ar e os dois sentiram alívio. Breeze abaixou sua arma e sorriu.

— Nós temos ajuda.

Ele hesitou em se levantar do chão, sem estar certo se ainda era seguro. Minutos se passaram antes de algo colidir pela porta esburacada pelas balas. O macho estava apenas vestindo um short curto com uma massa de cabelo que honestamente lembrou a Shadow uma juba de um leão.

— Leo. — Breeze sorriu.

O macho olhou ao redor e segurou o olhar de Shadow por um segundo antes de correr para Breeze. Ele se ajoelhou, cheirando-a, e suavemente removeu sua mão do ferimento. Jogou sua cabeça para trás, rugindo.

Shadow estremeceu. Não havia nenhuma dúvida de que o macho era parte felino, mesmo sem ver seus olhos e as características faciais. Ele o reconheceu como o macho que viu no rio caçando uma leoa. Shadow ficou de pé e foi em direção aos degraus para checar Bela.

— Os humanos estão todos mortos? — Shadow esperava.

— Eles foram embora. Nós estávamos sendo atacados, ou teríamos alcançado vocês mais cedo. — Leo forçou Breeze a deitar de costas, rosnando quando ela protestou. — Fique quieta, fêmea! Você está sangrando.

Outro macho Espécie apressou-se para dentro da sala antes de Shadow chegar lá em cima. O sangue escorria pelo seu pescoço. A visão parou Shadow no caminho.

— Você está bem?

Torrent girou a cabeça, empurrando seu cabelo para trás para mostrar uma orelha sangrenta.

— Um atirador quase arrancou minha cabeça. Eles tinham alguns deles nas copas das árvores, e nos mantiveram presos dentro de um desfiladeiro há uma milha daqui. Uma vez que saíram nós viemos nesta direção, e enviei alguns dos machos para conseguir ajuda. — Olhou para Breeze, preocupado. — Você está bem?

— Dos pés a cabeça. — ela respondeu. — Não toque nos meus seios, Leo. O ferimento é aqui embaixo.

— Só estava os checando. — ele parou e riu.

O som de um tapa soou.

— Pare de me molestar. — Breeze rosnou.

Shadow virou e correu subindo os degraus.

— Bela!

Ela não respondeu. O pânico bateu que ela tivesse sido baleada também. A banheira estava vazia então se apressou para seu quarto. As armas descartadas estavam no chão, algumas ainda alinhadas como se não tivessem sido usadas. A janela estava quebrada, cortina rasgada, e havia buracos na parede e no teto. Virou-se e foi em direção ao seu quarto. Torrent estava no corredor bloqueando seu caminho. Apenas empurrou o macho do caminho.

A visão da janela chutada e uma corda balançando ao ar livre o fez rosnar. Jogou-se adiante, agarrou-a e olhou para baixo. Bela se foi. Lançou sua cabeça para trás, uivando. Estava fora da janela antes mesmo de verificar para ter certeza que a corda podia aguentar seu peso. Alguém roubou Bela. Foi por isso que pararam de atacar. Os mercenários a levaram da cabana.

Ele caiu de joelhos com força, dor subiu rapidamente por ambas as pernas, mas varreu o chão com seu olhar, caçando por sinais enquanto largava a corda. As pegadas pesadas foram fáceis de localizar, duas marcas, uma mais profunda que a outra. Nenhuma pegada menor era visível. Um deles tinha de estar carregando Bela. Mal registrou o fato de que Torrent caiu próximo a ele também, usando a corda para suavizar sua aterrissagem.

— Eles a levaram.

— Eu sei. — Shadow rosnou. — Não irão longe.

Um tiro soou ao Sul. O coração de Shadow parou. Aquele único tiro podia significar muitas coisas ruins. Um, podia ser que os mercenários tivessem recebido ordens de assassinar Bela. Talvez quisessem fazer isto pessoalmente, gravar um vídeo para seu cliente ou arrancar a cabeça de seu corpo como prova do assassinato. O humano que a possuiu poderia querê-la morta para prevenir-se de que ela nunca o identificasse se fosse trazido para Justice.

Disparou naquela direção, à ira o estimulou. Não se importou se os mercenários estavam em maior número ou o quão fortemente estavam armados. Apenas precisava alcançar Bela. Viva ou morta, eles não levariam nenhuma parte dela para perto do humano que a abusou.

Torrent o seguia. Ouviu a respiração forte do macho enquanto passavam pelas árvores, saltavam pedras, e cheiravam o ar, tentando captar seu cheiro. Conseguiu apenas continuar indo. O fedor de sangue fresco o fez rosnar enquanto se apressava para um agrupamento de arbustos.

Um mercenário estava deitado no chão, segurando sua coxa com ambas as mãos. Sua perna e o chão estavam encharcados de sangue, enquanto o macho gemia de dor. Shadow registrou o ferimento e a arma perdida do coldre vazio, esperança chamejou imediatamente que Bela tivesse atirado no filho da puta.

Caiu no chão próximo ao sujeito, desarmando-o depressa, e apenas empurrou as mãos do macho de lado. A expressão do mercenário cheia de agonia, encontrou a sua. A ira queimava mais brilhante quando Shadow agarrou o ferimento, de propósito usando seu dedo polegar para cavar nele. O macho gritou.

— Onde ela está? — Shadow rosnou pronto para despedaçar o macho. Ele podia sentir o cheiro dela no homem.

O mercenário se contorceu no chão, mas conseguiu apontar. Shadow ficou de pé e correu na respiração seguinte.

— Mate o filho da puta se ele se mover. — ordenou para Torrent por cima de seu ombro.

Avistou um galho quebrado por onde Bela fugiu. Marcas pesadas marcavam as mais suaves que ela fez. Alguém a perseguia. Estava próxima. Seu aterrorizado e doce cheiro pairavam no ar. Estava agradecido que não estava ventando, pois a seguia mais pelo cheiro do que pelas pegadas no chão.

Bela sabia que o homem estava ganhando terreno. Sua respiração irregular parecia bem atrás dela. Os músculos de sua perna queimavam e estava cansando rápido. Virou-se, ergueu a arma, e tentou apontar. Ele estava tão perto que realmente o atingiu. Puxou o gatilho, ofegando, também sem fôlego para gritar.

O tiro alto errou, mas ele virou colidindo em um arbusto e caindo. Quase caiu também, mas recuperou seu equilíbrio. O barulho do rio chamou sua atenção, o único modo de se certificar de que não estava correndo em círculos. Rompeu das árvores e quase caiu na água corrente.

Virou, procurando por uma fuga, mas não havia nenhum lugar para onde ir. Movimento a sua esquerda a fez choramingar. Outro homem vestido um uniforme corria para ela. Algo pegou sua atenção pelo canto de seu olho. Um terceiro homem corria em sua direção. Estava presa à medida que diminuíam a velocidade, sabendo que a pegariam.

— Largue a arma. — O homem que ela quase acertou apontava uma arma para ela.

— Não sei nadar. — advertiu-os. — Você atira em mim e eu caio. — Apontou a arma, alternando para apontar em cada um deles de cada vez, mantendo o cano se movendo. — O Mestre me quer viva, não é? Propositalmente ficarei submersa até me afogar. Prefiro morrer que voltar para ele.

Inquietação apareceu nos rostos deles. Acreditaram nela e a queda na água tinha de ter uns três metros. Permaneceu em uma curva do rio onde a terra corroeu a margem. Parecia fundo também.

— Morrerei assim que cair na água. A correnteza é forte. Você pisca, eu morro.

Eles congelaram, mas mais duas armas apontaram para ela.

— Solte a arma. — um deles exigiu. — Nós não vamos machucá-la. Nosso chefe quer você viva. Afogar-se é uma maneira horrível de morrer.

Ela riu amargamente.

— E ser devolvida ao Mestre é melhor? — Seu batimento cardíaco começou a diminuir agora que não estava correndo por sua vida. — Prefiro morrer.

Eles olharam de um para outro, sem obviamente esperar por isto.

— Serão pagos se eu estiver morta? — Podia notar que o dinheiro era a única razão para virem atrás dela. Teria que ser muito para entrarem na terra da ONE, além de suicida por tentar tal coisa. Espécies não eram conhecidos por serem gentis com intrusos. — Afastem-se de mim.

— Ela lutará quando cair na água. É instinto. — um deles murmurou. — Voltará para a superfície e nós a agarraremos.

Bela moveu seu pulso, apontando a arma para seu peito.

— Sobreviverei a uma bala no coração? Um tiro e está terminado. Vocês terão feito tudo isto por nada. Não vou voltar. — Esperou que acreditassem em seu blefe. — Afastem-se de mim.

— Maldita cadela louca. — um deles xingou. — Não atirará em si mesma. — Ele parecia inseguro.

— Fui enjaulada e acorrentada, mantida na escuridão e saia apenas quando o Mestre queria me ver. — Levantou seu queixo enquanto se aproximava um pouco mais da borda próxima à água, seu olhar varreu ao redor por uma fuga. Não havia nenhuma. — Eles me mantiveram fraca por falta de comida e água, tomava banho só quando o Mestre decidia que devia ser limpa, quando colocava suas mãos em mim. — A ira aprofundou sua voz num grunhido suave. — Acha que não preferirei morrer a ser devolvida a ele? — Pausou. — Uma bala é mais agradável e mais rápido do que sofrer esse destino.

Um galho baixo manteve sua atenção. Jogou seus sapatos e os homens franziram a testa.

— O que está fazendo? — Um deles chegou mais perto.

Reagiu tirando a arma de seu peito e disparou nele. Não importava se o atingiu ou não. Ele saiu do caminho como também os outros dois, do modo como esperava. Empurrou a arma morna em suas calças e saltou no galho, seus pés batendo o tronco de árvore. Ela era uma primata e esperava que o instinto desse-lhe uma habilidade forte de escalar.

Subiu mais rápido do que pensou ser possível, chegando mais alto enquanto suas mãos enrolavam em torno dos galhos, movendo-se tão rápido quanto pôde. As solas de seus pés queimavam um pouco por causa do tronco áspero, mas não se importou. Ela estava em uma árvore!

— Desça aqui. — um deles gritou. — Porra! Suba atrás dela, Bob.

— Ela se move rápido, — reclamou. — Porra, olhe o quão alto ela está indo.

— Não dou à mínima. — o primeiro estalou. — Vá atrás dela!

— O que ela é? Um macaco?

— Ela parece com um chimpanzé. — um deles declarou. — Você viu seus olhos e nariz? Ela é pequena para uma mulher também.

Ela continuou subindo até que não conseguiu chegar mais alto, sem medo dos galhos finos quebrarem com seu peso. O que estava abraçada balançou quando o vento soprou. Uma sensação de enjoo agarrou seu estômago, enquanto olhava para baixo. Tinha que estar a uns quinze metros ou mais no ar. Todos os três homens olhavam fixamente para ela.

— Desça! — O que estava no comando apontou um dedo para ela. — Agora mesmo! Nós não temos tempo para isto.

— O helicóptero está chegando. — Bob anunciou. — Está para aterrissar.

Olhou para ver se podia localizá-lo, mas muitas árvores bloqueavam sua visão até daquela altura. Depois escutou o barulho, provavelmente muito focada nos homens para notar antes. Virou sua cabeça e avistou. Estava voando baixo, apenas acima das copas das árvores, e chegando mais perto.

Desceu do tronco lentamente até que se sentou em um galho mais baixo, e abraçou-o firmemente com medo que tentassem pegá-la por acima. Olhou para baixo, imediatamente se arrependeu. Bob começava a subir atrás dela.

Retirou à arma, sua barriga doía de onde estava certa de que tinha sido queimada, pelo cano morno depois de dispará-la, e apontou. Ele olhou para cima e congelou.

— Afaste-se de mim.

— Quantas balas restaram? — O homem no comando falou suavemente, mas ela ouviu.

— Não sei Dillon. — Bob respondeu. — Ela já descarregou três, mas está é uma Glock 9. Não sei quantas foram disparadas antes dela roubá-la, e isto poder ter um grande alcance. Pode ter um monte sobrando.

Freneticamente procurou por uma fuga. As outras árvores estavam muito longe para pular para elas. Alguns primatas eram conhecidos por saltar de galho em galho, mas não estava disposta a arriscar cair para a morte. Sua mão tremia lentamente enquanto apontava a arma para o homem que chegava mais perto.

— Atirarei em você. Pare!

Ele subiu para o outro lado do tronco largo, longe da vista. Moveu-se adiante, tentando mantê-lo à vista. Os galhos espessos o protegeram. Olhou ao redor novamente, rezando para a ajuda chegar.

Foi como se Shadow tivesse ouvido seu apelo mudo. Ele de repente correu para fora das folhagens atrás do dois no chão. Assistiu com assombro absoluto quando ele agarrou ambos os mercenários pela parte de trás do pescoço, ergueu-os, e jogou-os longe. Um atingiu a terra debaixo da arvore, enquanto o segundo não foi tão sortudo. Esmagou no tronco. O Espécie enfurecido não tinha acabado ainda.

Tirou as armas deles, lançando-as no rio. O homem na terra tentou lutar, mas um soco de Shadow o parou. O homem que bateu no tronco recuperou-se muito mais devagar. A cabeça de Shadow virou e seus olhares se prenderam por um momento, antes dele olhar para o terceiro na árvore. Ele uivou.

Surpreso, Bob perdeu seu apoio na árvore e caiu mais ou menos três metros dos arbustos espessos. Shadow o seguiu, arrastou o homem gemendo pela sua bota e o desarmou. As armas e facas foram jogadas no rio. Bela assistia com fascinação extasiada enquanto Shadow ficou no centro dos três mercenários.

— Acharam que podiam tirá-la de mim? Lute comigo. Vocês são covardes por ir atrás de uma fêmea pequena. Deitem choramingando enquanto morrem. Eu. Não. Ligo. Atacarei de qualquer jeito.

Bela continuou muda apesar de estar tentada a advertir os humanos que lutar com um Espécie enfurecido seria estúpido. Shadow claramente queria bater neles e concordaram quando atacaram. Claro que os deixou sem escolha, sua ameaça para matá-los era tão alta quanto suas palavras rosnadas. Provavelmente pensaram que a desvantagem de três para um possibilitaria uma boa vantagem contra Shadow, mas ele certificou-se que pudessem apenas lutar com seus corpos. Abaixou a arma, com medo que acidentalmente disparasse e atingisse Shadow.

Seu olhar percorreu Shadow. Não estava sangrando muito. Seus braços e rosto tinham arranhões, mas nada sério que pudesse localizar de sua posição elevada. Ele moveu-se como se estivesse ileso, enquanto evitava um punho apontado para seu rosto e lançou o seu. Captou um leve barulho de algo esmagando antes de Bob gritar, tropeçando para trás enquanto sangue despejava de seu nariz e boca, aterrissando com força de bunda.

O pé de Shadow disparou quando o líder dos mercenários tentou vir até ele. O grito que saiu de Dillon foi horripilante quando o calcanhar atingiu na área de sua virilha. Bela estremeceu quando o mercenário ferido caiu, enrolado em uma bola. Shadow não estava lutando limpo, mas estava infligindo dor. Não mostrou nenhuma pena de seus oponentes. Eles tentaram matar dois Espécies e vieram para devolvê-la a uma existência infernal.

O terceiro homem hesitou antes de se jogar nas costas de Shadow. Ele deve ter sentido isto e evitou, curvou-se um pouco, e o sujeito aterrissou no chão. Ele abaixou em seu peito, com os joelhos primeiro, provavelmente quebrou suas costelas no processo. Os punhos esmurraram o humano enquanto o Espécie o pregava. Bela desviou o olhar, mas forçou sua atenção de volta. Ela não era fraca. Não mais.

Bob tentou rastejar para o rio, provavelmente tentando escapar. Shadow se levantou de seu oponente sangrando e pisou atrás da perna de Bob. Um grunhido rasgou de sua boca, enquanto o homem caído gritava em agonia, sofrendo com uma perna quebrada para combinar com seu nariz. Shadow abaixou, agarrou seu cabelo e disse algo que ela não conseguiu ouvir. Bob soluçava, implorando pela sua vida, mas Shadow apenas esmagou sua cabeça com força na Terra.

— Bela? — A cabeça de Shadow ergueu. — Você está machucada?

— Estou bem. Sua voz saiu trêmula.

— Desça aqui. Você pode fazer isso ou precisa que suba até você?

— Posso fazer isto. — Suas mãos tremiam lentamente enquanto empurrava a arma de volta em seu cós e começou a descer. Era mais difícil que subir. Poderia apenas parecer desse jeito por que o pânico cego não mais a agarrava, então fez isso mais lentamente.

Shadow ficou totalmente parado até que ela alcançou o galho mais baixo, e então ambos seus braços se ergueram. Curvou-se o suficiente para ele agarrar seus quadris. Apoiou seus braços em seus ombros e caiu nele. Tinha confiança absoluta que a pegaria e pegou.

Braços fortes a envolveram ao redor de sua cintura, abraçando-a bem apertado até que ficou difícil de respirar. Não reclamou sobre isso ou dele se recusar a colocá-la de pé. Sobreviveram e ele veio atrás dela. Estava certa que não terminaria tão bem.

— Olhe para mim, amor. — ele falou.

Ela colocou a cabeça para trás o suficiente para ver seu rosto. Os pequenos cortes deixaram uma bochecha sangrando, provavelmente do vidro voando dentro da cabana, quando foi despedaçada por balas. Sua testa não estava mais sangrando, mas sangue manchava seu couro cabeludo. Um braço largou sua cintura e sua mãozona suavemente tocou em sua bochecha.

— Ai! — Ele afastou a mão.

A ira estreitou seus olhos.

— Quem fez isto com você?

— Está tudo bem. Estou bem. — prometeu. Já bateram nela antes, muitas vezes. Não era nada sério. Entretanto, agora não era a hora de mencionar isto. Isto apenas incitaria Shadow a ser lembrado do passado de abuso que sofreu.

— Quem te bateu? Qual? Aponte para ele. — Sua voz saiu animalesca e assustadora.

— Atirei em sua coxa e fugi dele.

Ele estudou os homens no chão antes de soltá-la e empurrou sua cabeça na direção em que ela veio.

— Vá. Você não deve ver isto.

— Ver o que? — Estava hesitante em deixá-lo e agarrou seus braços.

Os músculos em sua mandíbula cerraram.

— Vá Bela.

Ele iria matá-los. Não era só uma ameaça inútil para assustá-los, quando queria que os mercenários lutassem com ele mano a mano. Estava seriamente irritado e queria mais que sangue.

— Você não tem que fazer isto. Prenda-os. Nós temos leis.

Ele chegou mais perto, olhando para ela.

— Vá. Seu nariz alargou. — Mais Espécies estão vindo. Você está segura. Apenas caminhe para longe de vista e espere por mim.

Ela balançou a cabeça.

— Você pode ter problemas se matá-los. Não faça isto por mim.

Ele deu uma inspiração profunda e tremula, possivelmente tentando conseguir controle de sua ira.

— Eles vieram roubar você. Uma mensagem tem de ser enviada e estou enviando-a. Ninguém sobrevive se se aproximar de você. Quero que isto jamais aconteça novamente. A pessoa que os pagou pode tentar contratar outros, mas a história se espalhará para os mercenários quando estes aqui desaparecerem. Eles saberão que morte os aguarda se aceitarem este trabalho. Agora vá.

Shadow estava disposto a morrer e matar por ela. Essa era a mensagem que estava lhe dando. Emoções fortes jorraram dentro de Bela, quase a inundando. Gratidão por até onde ele iria para mantê-la segura, apreciação pelos sacrifícios que estava disposto a fazer, porque não acreditava que ele poderia matar sem se importar, mas acima de tudo, ela sentia amor.

Estou apaixonada por ele, percebeu. Como isso aconteceu tão rapidamente não era realmente um mistério. Atração, confiança, as risadas, as discussões intensas que compartilharam, e finalmente a ligação física os uniu em um vinculo complicado. Também percebeu que tinha uma escolha a fazer.

— É isto o que você realmente sente que deve fazer, ou só está fazendo isto por mim?

— Ambos.

— Você dormirá melhor à noite sabendo que estão mortos, ou ficará acordado sendo assombrado por mais sangue em suas mãos?

Uma sobrancelha se curvou.

— Não quero que você os mate se vai sofrer por isto. Eles não valem à pena. Sei que Justice nunca permitirá que fiquem livres. — Ela lambeu os lábios, procurando pelas palavras certas. — Não quero que olhe para mim e lembre-se de morte. Não faça isso conosco.

Sua cabeça ergueu para olhar algo atrás dela. Seguiu seu olhar e mal suprimiu um suspiro. Dois Espécies enormes saíram da floresta, ambos só usavam tangas. Seus rostos eram típicos de residentes da Zona Selvagem. Não havia engano quanto aos traços mais animais que tinham, ou o olhar indomado em seus olhos notáveis.

— Os outros estão mortos. — um deles falou. Olhou fixamente para Bela com aberta curiosidade, depois moveu seu olhar para cima. — Estes são os únicos que sobraram com exceção do atirador no chão com Torrent.

— E o helicóptero?

Um homem grande vestindo uma bermuda saiu da floresta. Seus olhos de gatos eram surpreendentes, e também era seu nariz incomum, uma característica que deve ter herdado de leão ou outros genes de grandes felinos com que foi infundido. Ele acenou suas mãos para os outros dois, indicando que deviam voltar para as árvores espessas. Eles desapareceram sem uma palavra.

— Sou Leo. — Sorriu para Bela. — Estou contente que esteja salva. Seu foco fixou-se em Shadow. — Os oficiais arrastaram os dois humanos do veículo voador alto, e os colocaram no chão. Torrent me mandou atrás de você para ver se precisava de ajuda. Ele curvou-se, agarrando um dos mercenários pelo cabelo. — Vamos humano. Lute e te machucarei mais. — Ele rosnou baixo, uma advertência apavorante. — Os oficiais querem vocês. Agarrou o outro mercenário ainda enrolado em uma bola por ter sido atingido nas bolas. — Você também, chorão. Caminhe ou será arrastado.

Alívio percorreu Bela. Parecia que Shadow não teria que matar no final das contas. A decisão foi tirada de suas mãos, algo que estava agradecida. Já houve matança suficiente durante sua vida, em sua opinião, e não queria ser a razão para adicionar mais.

Uma emoção que se assemelhava a decepção mostrava-se através de suas feições bonitas antes dele suspirar.

— Caminhe na minha frente, mas fique à vista. Sinto o cheiro de muitos residentes por perto. Levarei este aqui e Justice pode decidir seu destino.

— Obrigada.

Ela assistiu silenciosamente enquanto Shadow agarrava o homem e o içava severamente. O humano gemeu de dor, mas estava vivo. Ele poderia se arrepender uma vez que enfrentasse suas leis. Novas Espécies não tinham nenhuma piedade com os inimigos. Caminhou, mantendo-se perto do Espécie alto.

Não havia nenhum medo quando notou algumas figuras solitárias na floresta. Eles eram residentes da Zona Selvagem que vieram para ajudar. Sorriu para alguns deles em agradecimento, mas eles mantiveram distância. Algumas de suas características eram chocantes, mais animal que humano. Seu coração doeu por eles. Seria difícil que se encaixassem em Homeland, e a razão para a Reserva ficou aparente.

O primeiro vislumbre da cabana fez os joelhos de Bela enfraquecer. O primeiro nível inteiro estava cheios de buracos de balas, todas as janelas quebradas, e buracos de vários tamanhos eram lembranças feias do ataque. Surpreendeu-a que a estrutura não tivesse desmoronado. A parte da cobertura tinha sido explodida, provavelmente por uma granada. Parou em seu caminho, nem mesmo ciente que fez isto ou do fato que mais de uma dúzia de Espécies estavam na varanda.

Breeze saiu pela quebrada porta da frente, sendo ajudada por um Espécie alto. Sua camisa e o lado de sua calça estavam encharcados de sangue, com uma mancha vermelha brilhante. Ela foi baleada ou apunhalada para causar esse ferimento.

— Oh não. — As lagrimas cegaram Bela.

— Estou bem. — Breeze firmemente jurou, ouvindo-a. — É só um arranhão.

O homem ajudando-a a caminhar rosnou em resposta.

— Isso implicaria que não tem um buraco passando por você. Cale a boca e permita que te leve para o Jipe.

— Não. Cale a boca você. — Breeze o esmurrou de lado onde estavam se tocando, com um de seus braços ao redor da sua cintura. Não era um golpe forte, estava mais para um murro brincalhão. Seu sorriso pareceu forçado, entretanto. — Não está mesmo ruim, Bela. Você parece que está prestes a desmaiar. Não desmaie. É só um arranhão.

Algo caiu fortemente no chão com um grunhido e Bela saltou, empurrando a cabeça naquela direção. Shadow descartou o mercenário que tinha levado e chegou mais perto, raiva ainda gravada em seu rosto. Ele a alcançou com passos largos e enxugou o sangue de suas mãos em sua calça de moletom antes de prender a atenção em seus quadris.

— Peguei você. Suba em mim e te carregarei.

Ela olhou ao redor para todos os homens Espécies silenciosamente os assistindo. Eles pareciam fascinados em ver o que fez. Shadow a ergueu sem qualquer advertência adicional, e ela apenas encostou-se contra seu tórax. Ele ajustou-se para segurá-la em seus braços, mas ela não protestou.

Não havia nenhum outro lugar que preferia estar. Seu queixo descansou no topo de sua cabeça.

— Você está segura. Vai ficar tudo bem.

Esperou que estivesse certo. Seu olhar moveu de volta para a cabana destruída e interiormente estremeceu. Umas férias. Teve um pressentimento ruim que isto acabou e seu tempo com Shadow poderia terminar também. Seus braços envolveram ao redor do seu pescoço, segurando-o firmemente. Não queria largar nunca.

 

O Centro Médico tinha se transformado em um burburinho de atividade desde que Shadow saiu na véspera. Os oficiais carrancudos estavam esperando para serem visto pela equipe sobrecarregada. Shadow levou Bela para o lado de dentro, caminhou para o balcão da frente, e rosnou para o enfermeiro humano atrás dele.

— Ela foi espancada e precisa ser vista.

— Pegue um número. — o macho aflito suspirou olhando para Bela. — Ela parece bem para mim, além da contusão. Ambos os doutores estão realmente ocupados agora. Estão remendando aqueles mercenários e temos oficiais feridos.

Shadow rosnou.

— Ela é mais importante que os humanos que nos atacaram.

Os olhos do enfermeiro alargaram enquanto recuava.

— Entendo e concordo com você, mas estamos em modo de triagem. Quer dizer que os mais críticos são vistos primeiro.

Outro macho foi para trás do balcão, um Espécie vestindo um jaleco azul, e esperou por Shadow encontrar seu olhar.

— Sou Destiny. Acabei de ser transferido para cá de Homeland. — Olhou para Bela. — Oi, Bela. Você está bem?

Ela assentiu. Alarmou Shadow um pouco que o macho soubesse seu nome. Não gostou disto, e recuou quando o outro macho tentou tocá-la. Ele rosnou em advertência, desafiando-o a tentar novamente.

Destiny levantou suas mãos, exibindo as palmas.

— Calma. Sou enfermeiro. Treinei em Homeland e estou familiarizado com todas as fêmeas, incluindo ela. Apenas queria mover o cabelo de Bela de sua bochecha para ver o ferimento. Os médicos estão ocupados, mas posso examiná-la.

Shadow debateu isto.

— Quero um médico. Diga a um deles para parar de trabalhar em um humano para cuidar dela. Ela é prioridade.

— Concordo. — Destiny abaixou suas mãos para seu lado.

— Estou bem. — Bela protestou.

— Silêncio. — Shadow ordenou suavemente. — Arranje um médico, Destiny. Ela foi atingia no rosto por um humano com um punho fechado. Seus ossos são frágeis e há inchaço. Ele pode ter quebrado algo.

— Estou certa de que estou bem. — sussurrou. — Tudo bem, Shadow. Posso esperar. Sinto muito cheiro de sangue aqui.

— Isto é verdade. Nós tivemos um Espécie baleado com um dardo tranquilizante, e depois alguns manifestantes decidiram aproveitar-se da confusão. Jogaram garrafas e pedras nos oficiais. Alguns foram atingidos. — Destiny chegou mais perto. — Um dos residentes da Zona Selvagem foi baleado e está em cirurgia.

— Abram espaço! Trouxe dois médicos para ajudar. — um macho gritou enquanto as portas eram escancaradas atrás dele. Shadow conhecia aquela voz e virou sua cabeça, surpreendido ao ver alguns dos membros da força tarefa entrarem no edifício. — Vão ajudar. — Tim Oberto ordenou a dois membros da força tarefa. — Façam o que puderem.

Shadow virou-se e acenou para Destiny.

— Leve-nos para um quarto. — Certificando-se de não esbarrar com ninguém enquanto levava Bela para longe de todos os humanos. Eles a assustavam e ela já tinha sido exposta a eles o suficiente. A força tarefa agora emitia um sinal de perigo, já que um traidor estava entre eles.

Abaixou a cabeça, esperando evitar seu antigo chefe no momento. Destiny os levou por um corredor para uma sala de exames vazia. Shadow olhou ao redor e suavemente colocou Bela na cama. Ele a largou e marchou para o banheiro adjunto, tendo certeza de que ninguém se escondia do lado de dentro. Estava limpo e se aproximou de Bela novamente.

— Sente-se segura com este macho? — Indicou o enfermeiro Espécie.

Ela assentiu.

— Sim. Eu o conheço. Faço exames regulares e ele está lá frequentemente.

Virou ao redor para olhar para o macho.

— Você a protege. Não saia do seu lado. Entendeu? Se acontecer qualquer coisa a ela você morrerá uma morte lenta e dolorosa. Tenho que ir falar com alguém, mas estarei de volta logo.

Destiny calmamente o considerou.

— Tudo que precisarei está neste quarto. Ela estará segura.

Irritava Shadow ter que confiar em alguém que não conhecia, mas tinha pouca escolha a menos que trouxesse Tim para o quarto. Bela tinha sido traumatizada o suficiente.

— É melhor que ela esteja. — Deixou o quarto, fechando a porta atrás dele.

Foi fácil achar o líder da força tarefa humana. Ele estava em pé em uma cadeira na recepção, gritando ordens para mais forças tarefas em cena.

— Sente-se, droga, se estiver sangrando. — Tim apontou para Mark, um homem de sua equipe. — Vá pegar curativos e panos molhados. Limpe alguns deles, assim será mais fácil para o pessoal médico avaliá-los. — Apontou para outro membro. — Cory, homem, atenda o maldito telefone. Esse toque constante está me dando enxaqueca.

Shadow parou atrás de Tim e rosnou. O macho virou a cabeça e olhou para ele.

— Shadow. Estou feliz que está aqui. Você parece abatido, mas bem. Vá para a Segurança e dê-lhes um relatório. Nós temos uma segunda equipe chegando em dez minutos, mas precisamos saber o que aconteceu. Estamos esperando instruções de emergência assim que o helicóptero aterrissar.

— O humano filho da puta que uma vez aprisionou Bela contratou mercenários para roubá-la. — Andou em torno da cadeira para encarar o macho. — Alguém na equipe deu-lhes acesso ao meu transmissor de emergência.

Tim empalideceu.

— O que?

— Sabiam sobre minha moeda e foi assim que localizaram a cabana. Ele queria uivar de raiva. — Eles admitiram isto, e antes que você pergunte como, tenho certeza. Vangloriaram-se com isto. Alguém me traiu.

Tim saiu da cadeira.

— Merda. — Agarrou seu celular, discando. — Alguém traiu todos nós, mas estou nessa. Pegarei o filho da puta pelas bolas antes que possa dizer “estou fodido”.

— Quero a cabeça dele. — Shadow exigiu.

Tim severamente movimentou a cabeça.

— Conecte-me com Trey, fone privado. — ordenou para quem estava falando. Colocou sua mão sobre o telefone. — Estou ligado para um dos pilotos do helicóptero. Há somente dois suspeitos possíveis. Vou mandar Trey prendê-los até que possamos saber qual deles foi. Estão atribuídos para a equipe dele hoje.

— Como você sabe que pode confiar em Trey? Sei que ele tem os códigos de acesso.

Tim bufou, um pouco de sua raiva enfraquecendo de suas características.

— Aquele menino é o filho que nunca tive, e é tão leal quanto possa ser. Uma vez pensei que ele seria bom para casar com minha filha, então eu pesquisei sobre ele. Entretanto, ela conheceu Brawn. Não foi Trey que traiu você. Aposto minha aposentadoria nisto.

Shadow não estava certo sobre o que era uma aposentadoria, mas confiava em Tim. O macho não era agradável o tempo todo, mas tinha honra. Tinha orgulho de seu trabalho e sua equipe. Sua filha também era acasalada com um membro do conselho. Ele reservadamente mostrou retratos de seu neto, Kismet, para os membros Espécies da equipe. O amor que sentia pela criança estava aparente. Tim nunca trairia sua nova família Espécies.

— Trey! — Tim cobriu sua outra orelha para ouvir melhor. — Nós temos uma situação. Olhe ao redor e mande todos os homens de sua equipe removerem seus fones agora mesmo, apenas no caso do piloto esquecer-se de fazer disto uma conversa privada. — Pausou. — Estão todos sem? Pausou novamente. — Bom. Apenas escute-me. O rastreador de emergência de Shadow foi ativado, e foi assim que aqueles bastardos atacaram a Reserva e acharam a Presente. Você entende o que isso quer dizer. Não fui eu ou você, então sabemos quem restou. Prenda ambos no momento que aterrissar e arraste seus traseiros para a Segurança. Nós daremos um jeito mais tarde, mas ficarei puto se formos ferrados uma segunda vez. Segurou o olhar de Shadow enquanto silenciosamente escutava a resposta, assentiu e desligou. — Trey está resolvendo. Ele está puto.

— Eu também.

Tim empurrou seu telefone dentro do bolso.

— Nós descobriremos qual deles foi.

— Quero estar lá.

Tim hesitou.

— Vamos descobrir quem é primeiro, e então eu pessoalmente deixarei você sozinho na sala com o filho da puta. — Olhou ao redor e abaixou sua voz. — Sabe quantas vezes quis dizer aos outros caras na equipe sobre meu neto, mas não tive permissão? Graças a Deus. — Cerrou os dentes. — Ele podia ter vendido essa informação também. Pensei que a ONE estava sendo paranoica não permitindo que os humanos soubessem, mas não estava. — Colocou os punhos nos quadris. — Só deixe o suficiente dele intacto para eu pegar um pedaço.

Shadow não estava prestes a fazer promessas que não estava certo se poderia manter.

— Preciso retornar para Bela. Esta informação não podia esperar. Sei que você está com tudo sob controle agora.

— Precisa ir à Segurança para relatar a missão. Você estava na cena.

— Os mercenários foram contratados pelo humano rico que comprou Bela da Mercile. Ache-o para ter certeza que nunca mais será capaz de tentar isto novamente. Ela precisa de mim. Afastou-se antes que Tim pudesse responder.

Bela e Destiny ambos viraram quando ele entrou no quarto. O macho estava muito perto dela, mas apenas segurava um gelo em sua bochecha ferida. Ele olhou ao redor, cheirou, e sabia que ninguém mais entrou no quarto enquanto esteve fora.

— Obrigado por protegê-la. — Assentiu para o enfermeiro. — Como ela está?

— Nada parece quebrado e ela não está exibindo quaisquer sintomas de uma concussão. Pedi um raio-X para certificar-me. Ela é uma Presente. É melhor prevenir do que remediar. Seus ossos não são tão densos quanto das nossas outras fêmeas. Ia levá-la assim que retornasse. Está tudo bem mover sua fêmea agora?

Shadow deu a volta nele e levantou Bela em seus braços. Gostou que o macho soubesse a quem ela pertencia.

— Vá na frente.

— Posso caminhar. — ela murmurou.

— Sei que pode. — Apenas não queria que ela caminhasse. Ainda parecia um pouco pálida e tinha passado por muita coisa. — Deixe-me cuidar de você. — Como se lhe desse uma escolha, mas era educado por pelo menos permitir que ela pensasse que tinha uma.

— Obrigado Shadow. — Sua bochecha machucada aninhou-se na parede de seu peito, enquanto descansava a cabeça lá, os braços envolveram ao redor de seus ombros.

Destiny abriu bem a porta e ele seguiu o enfermeiro pelo corredor abaixo, para fazer qualquer que fosse o teste que os asseguraria que Bela não tinha nenhum dano sério. Shadow estava ansioso, querendo ir para a Segurança pessoalmente para mostrar o seu desgosto a um de seus membros da força tarefa, mas isso significava deixá-la.

Bela era sua principal prioridade.

 

Bela não reclamou enquanto esperava por Destiny retornar. Shadow pairava ao seu lado e estava agradecida. Ele até exigiu que comida fosse trazida para ela, enquanto esperavam pelos resultados. Seu estômago estava cheio.

— Fui informado que o resultado do raio-X foi bom. — o enfermeiro declarou quando caminhou de volta para a sala. — Você está bem. Nem mesmo uma fratura, e a contusão só te deixou mais bonita. Piscou e sorriu.

Shadow rosnou.

— Sem paquerar.

— Isso se chama ter boas maneiras. — Destiny endureceu. — Queria que ela sorrisse, elogiando-a. Não estou oferecendo para compartilhar sexo com sua fêmea. Acha que sou cego ou meu nariz não está funcionando? Seu cheiro está por toda parte dela e seu nome é muito preciso no momento.

Bela franziu a testa.

— Seu nome é preciso?

— Ele é sua “Sombra”. — Destiny de repente riu. — Essa foi boa, não foi? Ele está bem ao seu lado.

Ela sorriu.

— Obrigado por cuidar de mim.

Shadow rosnou novamente, chamando o olhar dela.

— O que? — Ela não entendia por que ele parecia bravo.

— É trabalho dele tratá-la. Eu é que estou cuidando de você.

— Certo. — Começou a perguntar-se se Shadow estava mais machucado do que divulgou. Ele estava estranhamente irritado e talvez um pouco irracional, para fazer uma distinção tão leve. — Permitirá que Destiny olhe seus cortes? Sentiria-me melhor. Não quer que eu me preocupe com você, não é? Eu irei.

— Estou bem. — Levantou a cabeça com teimosia. — Nenhum dos meus machucados exige sua ajuda.

— Ele está bem. — Destiny concordou. — Estava olhando seus ferimentos e o modo como está se movendo. Ele tem alguns hematomas, mas os cortes não são ruins. Só desinfete-os na primeira chance que tiver e coloque alguns curativos nos piores. Nós combatemos as infecções facilmente, mas por que arriscar? — Ele virou-se, abriu um armário e removeu uma caixa pequena. — Aqui. É um mini kit médico. Tem tudo o que vai precisar.

— Obrigado.

A porta abriu atrás deles e um humano entrou. Lembrou-se de quando foi salva. Bela ficou tensa até Shadow ficar entre eles. Seu corpo a protegeu completamente da visão do outro homem.

— Queria que soubesse que ambos os suspeitos estão detidos, e Al está investigando suas contas bancárias, registros telefônicos e rastreando seus movimentos nas últimas vinte e quatro horas. Nós descobriremos qual foi.

— Obrigado Tim. — Shadow suavemente rosnou. — Ainda quero sua cabeça.

— Tenho um pressentimento que não vai haver muito restando desse imbecil, quando ele for despedaçado pela nossa equipe. Ele quebrou o código. Nunca ferre com seus irmãos. Estamos enviando um dos helicópteros de volta para Homeland. Justice ligou e quer que você escolte a Presente de volta. Ela está muito exposta aqui e tenho que concordar. Ela precisa de mais segurança.

— Compreendido.

— Saímos em vinte minutos. Alguns dos homens o cobriram lá.

— Terei oficiais nos levando.

O homem hesitou.

— Só porque tivemos uma maçã ruim isto não estraga a torta inteira, Shadow. Não quero que isto te azede na força tarefa.

— Confio na equipe, mas sei que os oficiais desejam falar comigo. Isto vai dar-lhes a oportunidade.

— Claro.

Shadow apertou a mão do homem e Tim partiu. Olhou para ela tristemente.

— Vamos. Tenho que dar um relato da missão antes de irmos para o helicóptero.

— Então estamos voltando para Homeland. — Ela realmente não precisava dizer as palavras, mas isto era o melhor do que realmente queria falar. O que isso iria fazer com a curta relação deles?

— Estamos. Você estará mais segura lá. Há muito espaço aberto aqui para invadirem, e quilômetros de paredes que podem obviamente serem capazes de passar.

Um golpe soou na porta e esta abriu, admitindo Jaded, o membro de conselho. Olhou para Bela e apontou seu dedo polegar para Destiny sair, antes de se endereçar a Shadow.

— Você parece bem depois do que sofreu.

Ele manteve-se na porta enquanto falava, longe dela. Notou que Shadow não ficou entre eles. Devia confiar nele.

— Obrigado.

Os olhos de gato verde claro estreitaram.

— Ótimo trabalho. Breeze ficará bem. A fêmea é muito teimosa para estar machucada o suficiente para derrubá-la por mais que algumas horas enquanto passava pela limpeza do ferimento e pontos. Ela já fez um dos médicos, Dr. Harris ameaçar se demitir. — Ele riu. — Era o mais jovem. Ele aprenderá a ser tão ranzinza quanto seu pai quando lidar conosco. Autodefesa.

— Estou contente por ouvir que ela ficará bem.

Bela também estava. Manteve-se muda, entretanto, sem estar confortável com alguém que não conhecia.

— Justice quer um relatório completo quando chegar a Homeland. Você vai levar Bela para casa. A força tarefa está lhe dando uma carona em aproximadamente vinte minutos. Eles têm ambos seus helicópteros aqui.

— Tim acabou de me dizer.

Hesitou, olhou para Bela e limpou sua garganta.

— Talvez nós devêssemos conversar no corredor.

Shadow não se moveu.

— O que foi? Você não confia mais na equipe? Conheço aqueles machos. Seria raro um trair os outros. Minha fé não foi abalada.

— Não é isto. — Ergueu uma mão e correu os dedos bronzeados pelo seu curto cabelo preto. — Nós temos um problema. Moon foi baleado por um atirador com um dardo tranquilizante.

— Torrent me informou. Estava com ele quando recebeu o telefonema.

— Nós acreditamos que foi só uma distração para chamar nossos oficiais na direção dos portões dianteiros, assim podiam ganhar acesso a Zona Selvagem. Mas ele acordou selvagem. Não foi uma droga sonífera a qual ele foi exposto. Estou certo que atiraram nele de propósito, mas o resultado é muito pior.

Bela não gostou do silêncio desconfortável que de repente cobria o quarto.

— O que isso quer dizer?

Jaded realmente olhou para ela por mais que alguns segundos antes de olhar para Shadow. — Você está certo que não quer levar isto para longe dela? Pode ser triste.

— Não vou deixá-la sozinha. — Shadow cruzou os braços em cima de seu peito. — Ela é mais forte do que você imagina. Ela quase foi morta e ainda assim está calma.

— Entendido. — Chegou mais perto, abaixando a voz. — Moon está completamente selvagem. Não nos conhece, não quer ou não consegue falar e estar exibindo um comportamento violento ao extremo. O Dr. Harris mais velho pediu exames de sangue depois de seis dos nossos machos conterem Moon quando ele tentou matá-los. Levará tempo para ter resultados oficiais, mas alguns dos nossos machos cheiraram o dardo para comparar com drogas conhecidas. Nossos sentidos são mais rápidos do que passá-lo por máquinas para identificar. A droga é desconhecida para todos eles. Seu olhar moveu-se para Bela, depois retornou. — Há uma conexão entre Douglas Miller e a Mercile. Eles podem estar trabalhando juntos nisto. Quem mais poderia apresentar uma droga que pudesse fazer algo que enviaria um dos nossos para uma ira assassina? Mercile é o único que conseguiria isto com seu conhecimento de nossa biologia. Moon é um dos nossos machos mais calmos. Eu o conheço bem, mas aquele que enfrentei dentro do quarto dele era um estranho. Uma reversão completa e total de personalidade.

Os punhos de Shadow fecharam ao seu lado.

— Isso significava que isto foi planejado com muita antecedência. Eles devem estar trabalhando em uma droga que nos prejudicaria.

— Ou já a possuem, mas ninguém do nosso povo que sobreviveu já experimentou.

— Há um médico da Mercile envolvido nisto.

— É isso que estamos presumindo neste momento. Douglas Miller podia estar esperando por uma oportunidade. Ele tem o dinheiro para sustentar os empregados que ainda estão atrás de nós. Puxei o arquivo de Miller, e por enquanto conseguimos congelar suas contas neste país, ele tinha um vasto alcance do Departamento de Justiça dos EUA. O bastardo até tinha um humano trabalhando para ele dentro da sede da força tarefa, para monitorar todos os movimentos. Alguns humanos são vingativos. Ele pode ter colocado isto em ação assim que percebeu que nós pegamos o que ele tinha. Finalmente viu sua chance de recuperar… o que queria.

— Quem é Douglas Miller? — Bela estava tentando seguir a conversa. — O que ele quer? É um dos donos da Mercile?

Shadow virou-se e chegou mais perto olhando em seus olhos. Sua mão era morna quando suavemente encostou-a em seu rosto no lado que não estava contundido.

— Douglas Miller é o humano que te aprisionou.

O Mestre. Era um bofetão emocional, mas manteve seu queixo para cima, resistindo enrolar-se em uma bola para se proteger da dor que percorria pelo seu corpo. Nem uma vez pediu para conhecer mais sobre o humano que a criou e a prendeu, indo além do que ele fez com ela. Parecia mais importante focar nos detalhes do que nos motivos.

A conversa entre Shadow e o membro do conselho de repente deixou uma sensação horrível. Estava contente por estar sentada. Shadow suavemente rosnou e com o polegar acariciou sua pele em conforto.

— Isto não é culpa sua.

— É de alguma maneira. Está atrás de mim. Ele me quer de volta. Afastou-se do seu toque para se debruçar de lado o suficiente para olhar para Jaded por trás dele. — Você acha que este… — Teve que pausar e engolir a bílis que subia. Não conseguia fazer seu verdadeiro nome passar pelos lábios. — Bastardo está trabalhando com a Mercile para machucar os Espécies em vingança pelo meu salvamento?

Ele hesitou, olhando para Shadow.

Shadow andou para seu lado.

— Diga-lhe a verdade. Ela merece isto.

Bela ficou agradecida pelo apoio, e quase se esticou para pegar a mão que ele abaixou para seu lado. Resistiu, com medo de parecer mais fraca aos olhos do membro do conselho que seguramente presumia que ela era.

— Por favor, diga-me.

— Mercile está sem dinheiro e os empregados que fugiram também estão. Cortamos seu dinheiro e apreendemos tudo o que possuíam com a ajuda do presidente. Douglas Miller tinha muito dinheiro em países estrangeiros que não podíamos tocar. Ele é um homem procurado que não pode retornar aos Estados Unidos, ou qualquer país que o extradite. — Compaixão suavizou suas características. — Nós sabemos que ele contratou os humanos para virem atrás de você e acreditamos que seja responsável pela condição instável de Moon.

Jaded respirou fundo, exalando devagar.

— De maneira alguma isto é sua culpa. Foi só uma coincidência. Miller e alguns dos médicos da Mercile devem estar trabalhando juntos para alcançar metas semelhantes. Ele tem o dinheiro para se esconder e ajudá-los se desejar. Mercile fez uma tentativa prévia contra um dos nossos machos com uma droga que esperavam que o fizesse cometer um assassinato. Teria apoiado sua posição de que somos perigosos e não merecemos direitos humanos se Fury assassinasse sua companheira humana. Teria sido uma vitória importante para influenciar a opinião pública mundial, de que tinham o direito de usar os Espécies como ratos de laboratório para suas experiências.

Shadow chamou sua atenção.

— Uma enfermeira humana foi atribuída para Fury depois que foi baleado em uma tentativa de assassinato por outros humanos contra sua companheira. A droga que o expôs foi para deixá-lo agressivo e violento. — Olhou para Jaded. — Era a mesma droga?

— Não, de acordo com o teste de olfato. É outra coisa que aparenta ser muito pior que os sintomas que Fury sofreu. Moon está completamente violento e indiferente com qualquer um, ou qualquer coisa. Ou ele está com tanta dor que está além do pensamento, ou danificaram sua mente tão extensivamente que sua personalidade foi transferida para uma sobrevivência básica de sua genética animal. É isso que estamos avaliando agora, mas é cedo. Há sempre a esperança de que a droga se dissipará do mesmo modo que aconteceu no caso de Fury. Mandamos buscar especialistas. Eles chegarão dentro das próximas horas.

A culpa devorou Bela.

— Por que ele não morreu apenas?

Os olhos verdes de Jade mostraram raiva.

— Moon é meu amigo. Odeio vê-lo deste jeito, mas estou agradecido que tenha sobrevivido.

— Quis dizer o bastardo. Não seu amigo. — De repente desejou que estivesse sozinha com Shadow. — Ele ficou doente e está velho. É isso que quis dizer. Isto teria acabado se morresse. Ele não estaria por aqui para vir atrás de mim ou machucar nosso povo.

Não mencionou em voz alta que não estaria viva se ele morresse, enquanto era sua prisioneira. Os guardas não teriam ninguém para impedi-los de machucá-la da maneira que desejassem. Teriam destruído a evidência e queimado seu corpo em cinzas, o modo que os escutava conspirando às vezes.

— Entendo. — Jaded se acalmou. — Alguns humanos desejam nos machucar de qualquer maneira. Eles têm medo de nós ou se recusam a aceitar o que somos. Não leve isto para o lado pessoal. Se não fosse Douglas Miller, seria outra pessoa.

Ele falou com Shadow depois.

— Sairei agora. Queria que ficasse informado de tudo que sabemos até agora. Teremos fatos mais sólidos quando você chegar a Homeland para se encontrar com Justice. Os olhos de gato viraram para Bela. — Falei sério. Isto não é sua culpa. Somos diferentes e às vezes isto é razão suficiente para aflorar ódio de outros. Você não é de maneira nenhuma responsável por Douglas Miller ou suas ações.

Foi deixada sozinha com Shadow. As lágrimas ameaçaram derramar, mas lutou com elas de volta.

— Sinto-me culpada.

— Não devia. — Ele esfregou as pontas dos dedos em seu braço, acariciando lentamente.

— Você e Breeze foram machucados me protegendo. Outro Espécie foi machucado. Vi todos aqueles homens lá fora precisando de ajuda médica.

— A maior parte dos feridos são mercenários. — Sorriu em uma tentativa de humor.

O esforço não funcionou.

— Não suavize isso. Por favor? — Ela esticou a mão, o peito era morno e firme debaixo de sua palma. Acalmou-a apenas tocar em qualquer parte de seu corpo. — Você parecia já saber o nome. Como?

— Douglas Miller?

Ela assentiu.

— Tive que revisar todos os arquivos quando fui atribuído para a força tarefa. Ele é um fugitivo, um dos muitos que planejamos encontrar e capturar. Revisei os arquivos dos humanos de quem recuperamos as Fêmeas Presente depois que me contou sua história. A força tarefa não põe os nomes das vítimas naqueles arquivos, mas as pistas que você me deu foram suficientes para localizá-lo e os detalhes da operação que te salvou. Foi assim que soube também o que aconteceu com Fury e Ellie. Eles mantêm a equipe a par dos casos não encerrados. A enfermeira humana tinha ajuda do lado de fora, e estávamos ainda rastreando alguns dos associados da Mercile conhecidos por ela.

— Fury não ficou permanentemente danificado pela droga. Eu o vejo o tempo todo com Ellie. Ele nunca a machucaria. — Isso a fez sentir esperança por Moon. — O amor deles é bonito.

Shadow olhou para o relógio.

— Nós precisamos ir, amor. O helicóptero sairá logo.

— Certo.

— Ficará tudo bem.

Ela também esperava.

 

A pior coisa que poderia acontecer para Bela aconteceu. Desejou que um buraco abrisse debaixo dela e a fizesse desaparecer, quando chegaram à área de aterrissagem do helicóptero. O membro alto da força tarefa que ela avistou estava conversando com outro, então Shane virou a cabeça. O reconhecimento apareceu nas suas feições enquanto ele sorria.

Não, silenciosamente implorou, abaixando o olhar. Não tente conversar comigo. Por favor!

Olhou para o chão, para as mãos, até mesmo sua camisa. Shadow foi falar com o piloto, deixando-a sozinha. Botas militares aproximaram-se até que pararam mais ou menos um metro de distância. Sabia que era Shane. Seu coração apavorou-se dentro do peito.

— Bela? Uau! Você parece fantástica. Bem, com exceção da contusão em seu rosto.

Teve que olhar para cima, mas temendo. O caroço dentro de sua garganta pareceu grande, mas tinha que falar. Caso contrário ele iria provavelmente ter pena dela depois do trauma que sofreu. Era importante mostrar-lhe que não era a mulher apavorada, delicada que ele ajudou a salvar. Seu olhar ergueu para ver um rosto que desejou nunca ver novamente.

— Oi Shane.

— Você se lembrou do meu nome? — Seu rosto corou. — Isso significa muito para mim. Sempre esperamos que seja uma faca de dois gumes, mas é tão traumático quando entramos. Nós meio que imaginamos que somos só um borrão na memória.

— Não entendo.

— Sabe, todo Espécie que libertamos é um triunfo para nós. Devolver a alguém sua vida, faz este trabalho valer todas as coisas ruins com que lidamos. Lembramo-nos de todos, mas não estamos certos se aqueles que salvamos se lembram de nós.

Desejou que pudesse esquecer pelo menos uma parte daquela noite terrível.

— É algo que sempre lembramos também.

Seu olhar varreu de cima abaixo em seu corpo.

— Você realmente parece bem. — Ela corou mais. — Não quis dizer do jeito que soou. Apenas significou que está saudável agora. Você ganhou peso. Não que esteja dizendo que está gorda ou qualquer coisa. — Apressou suas palavras. — Droga. Minhas irmãs chutariam meu traseiro. Estou pondo meu pé em minha boca. Estou só dizendo que parece bem e saudável. Perfeita. Sim. Certo, acabei. Tirando o pé da boca.

Ela quase riu. Ele parecer mais nervoso do que ela a fez relaxar um pouco. Um sorriso tocou em seu lábio.

— Não me ofendi. Sei o que quis dizer. É espantoso como um pouco de comida e banhos fazem alguém parecer melhor.

— Sim. Você era tão magra. — Ficou sério. — Você está bem? Quero dizer, além do que aconteceu aqui? Todos nós sabemos sobre os mercenários entrando para pegá-la. Está feliz com a ONE e estão cuidando bem de você?

— Estou feliz e estão cuidando de mim. — Ela engoliu em seco. — Um, há algo que preciso dizer.

Ele mudou de posição.

— Claro. Tudo bem.

Levou alguns segundos para trabalhar a coragem, mas conseguiu.— Realmente sinto muito por, um, você sabe… — Tentou dizer, mas falhou em tirar todas as palavras. — Pelo que fiz ou tentei fazer na noite… — que fiz papel de boba quando quase implorei que fizesse sexo comigo, pensando que seria um Mestre melhor e me protegeria do meu antigo.

Ele corou novamente e olhou para baixo antes de encontrar seu olhar.

— Não sei do que está falando. Não tem nada para se desculpar. — Entretanto, entendimento brilhou em seu olhar. — Nada. Nem sei do que você está se referindo.

Lágrimas ameaçaram derramar. Ele estava sendo tão bom com ela. Rapidamente piscou. Talvez se desculpar com ele pararia os pesadelos. No mínimo podia ganhar sua dignidade de volta. — Não sabia de nada, mas sei agora. Obrigado pelo que fez naquela noite, e por ter me protegido da minha própria ignorância. Você podia ter se aproveitado, mas não se aproveitou.

A mão dele levantou e lentamente tocou em seu braço, cuidadosamente olhando para ela primeiro para ter certeza de que não recuaria. Os dedos mornos suavemente apertaram seu antebraço.

— Ei, sem preocupação. Foi um engano sincero depois de tudo o que passou, e não tem nada para se desculpar. — Ele assentiu. — Nunca. Certo? Apenas estou contente que conseguimos tirá-la de lá, e sinto muito por tê-la furado com uma agulha. Senti-me mal por isto.

— Você não teve escolha. Eu pirei. Era a coisa certa a fazer.

— Obrigado.

— Tire sua mão dela. — Shadow rosnou.

Bela virou e mal foi capaz de saltar em sua direção quando ele tentou atacar Shane. Temeu que fosse jogá-la em sua pressa de atacar o outro homem. Seu rosto torceu em uma máscara de ira. Se o tom assustador de sua voz não fosse uma pista suficiente de sua intenção, as presas que revelou em ameaça eram.

— Pare!

— Ele estava te tocando. — Shadow nem sequer olhou para ela, ao invés disso continuou a encarar o membro da força tarefa. — Não faça isto. — advertiu, não mais falando com ela. — Arranco sua mão e te faço comê-la.

Bela suavemente empurrou seu peito largo, tentando fazê-lo andar para trás.

— Shadow! Pare com isto!

Ele olhou para baixo então.

— Ele não tem permissão para tocar em você. E ele estava!

— Esse é o homem que me protegeu das balas do atirador na noite que fui libertada.

A cabeça de Shadow levantou e rosnou, tentando alcançar seu objetivo novamente. Bela foi arrastada e poderia ter caído se não tivesse agarrado muito firmemente. Ele parou de tentar caminhar quando não conseguiu se libertar sem machucá-la. Sabia que Shadow lembrou-se da sua história vergonhosa, sobre o que fez com Shane naquela noite. O Espécie bravo pareceu com intenção de bater em Shane.

— Shadow! — Ela usou sua voz mais dura.

— O que? — Ele rosnou, seu olhos estreitando para ela.

—Acalme-se. — Seu tom suavizando. — Estávamos conversando até você rudemente interromper. Estava me desculpando por confundir suas intenções, e ele estava gentilmente não permitindo que me sentisse culpada. Ele só estava me confortando. Não é como você pensa.

Shadow piscou e um pouco da raiva enfraqueceu.

— Ele não devia tocá-la.

As mãos dela aliviaram seu aperto de morte nele.

— Não havia nada inapropriado nisto.

Ele a estudou cuidadosamente.

— Tudo bem. O helicóptero está preparando para partir. — Um olhar de advertência foi dirigido a Shane. — Estarei logo ali. — Pausou. — Olhando para que não a toque novamente. — Suas mãos ergueram-se para se livrar gentilmente do aperto de Bela.

Ela o deixou ir e ele caminhou mais ou menos uns três metros e virou-se. Braços cruzados em seu peito volumoso enquanto olhava para Shane. Sério que iria observá-los? Hesitou antes de virar-se. Shane empalideceu consideravelmente pela confrontação e recuou o suficiente para pôr mais espaço entre eles.

— Ele é protetor. — Manteve a voz baixa. — Obrigada.

— Sem problemas. Talvez eu deva pegar o próximo voo. — Deu outro passo para trás, dando um olhar nervoso para Shadow. — Eu teria que voltar para Homeland de helicóptero com minha unidade, mas de carro parece bom. Estou certo que há um carro de aluguel na cidade.

— Está tudo bem. Não deve ter este trabalho. — Olhou para trás para achar Shadow ainda os observando furiosamente. — Pare com isto. Diga-lhe que pode dividir o helicóptero.

Ele hesitou, entretanto encolheu os ombros.

— Certo. Você se senta do outro lado, não do lado dela.

— Você é quem manda Shadow. — Shane apressou-se. — Foi bom vê-la de novamente, Bela.

Bela assistiu o membro da força tarefa fugir, dando um amplo espaço para o Espécie raivoso. Ela não estava certa se devia ficar irritada ou lisonjeada que Shadow fosse tão protetor. Distraiu-a de seu embaraço com Shane. Shadow descruzou os braços, aproximando-se dela.

— Vamos. Coloquei nossas malas no helicóptero. Os oficiais as recuperaram da cabana. Eles estão prontos para partir.

— Você está bem?

Ele piscou.

— Shadow, aquilo foi inocente.

— Não gosto de ninguém te tocando.

Ele era um homem. Macho, corrigiu. Espécies não eram exatamente homens comuns. Breeze advertiu que Espécies podiam ser possessivos. Estava começando a entender isto agora. Shadow realmente teria atacado Shane se não entrasse em seu caminho.

— Entendo. Tentarei me lembrar disto se houver uma próxima vez. Até parece que tem muitos homens ao meu redor.

Outro membro da força tarefa juntou-se a eles. Bela o reconheceu e sorriu. Trey Roberts sorriu enquanto apertava o ombro de Shadow.

— Estou contente que ainda esteja vivo, amigo. Ouvi que lutou bastante. Aposto que não me odeia tanto agora por toda aquela prática de tiros que te fiz fazer.

A atitude da Shadow mudou enquanto sorria.

— Não. Ainda me ressinto das horas que gritou comigo, mas sei que precisava daquilo. — Esticou o braço e enlaçou uma mão na cintura de Bela e a puxou em uma posição protetora contra seu lado. — Essa é Bela.

Trey olhou entre eles.

— Nós nos conhecemos. É bom ver você novamente, Bela. — Ele pôs as mãos nos quadris. — Estava lá quando ela foi salva. Está pronto para voltar, Shadow? A equipe sente sua falta. Sei que disse que voltaria no final da semana que vem, mas certamente podíamos usá-lo agora.

Bela ouviu as palavras e dor espetou seu coração. Ele está voltando para a força tarefa? O olhar foi para o rosto de Shadow, mas ele ainda estava sorridente para seu amigo. Diga-lhe que não, silenciosamente pediu. Não podia perdê-lo. Ele viveu fora de Homeland quando trabalhou com a força tarefa. Significaria que nunca iria vê-lo, ou muito raramente.

— Prometi a Wrath que passaria algum tempo em Homeland. — Shadow encolheu os ombros. — Ele acha que precisamos nos conectar com nosso povo. Tem sido bom conhecê-los e viver com minha espécie.

Mais uma descarga de dor atravessou seu coração. Nem ao menos a mencionou. Isso significava que não era importante para ele? Seu foco caiu para o chão no caso dele olhar para ela. Não queria que visse como suas palavras machucavam.

— Bem, nós sentimos sua falta. — Trey largou sua mão, andando para trás. — Nós temos alguns brinquedos novos que acho que gostaria. Aposto que sente falta da ação.

— As coisas são mais lentas em Homeland.

Trey riu.

— Ouvi que eles te colocaram para patrulhar o interior. Aposto que é chato. Espécies não causam muitos problemas. Deviam ter te atribuído aos portões onde a ação acontece.

— Fury decidiu que eu apreciaria não ter que lidar com humanos depois de viver entre eles.

— Sim, somos uns bastardos chatos, não é? — Trey riu e bateu levemente no ombro de Shadow novamente, enquanto Bela olhava para cima. — Volte logo. Fizemos algumas melhorias nos quartos. Acho que realmente vai adorar os novos apetrechos. Os quartos foram aumentados assim como os banheiros. Quero me mudar, eles parecem tão legais. Tim até adicionou novas TVs de tela grande e colocou geladeiras próximas a elas, assim você não tem que caminhar para a cozinha para pegar seu refrigerante.

— Isso soa legal.

Muito legal, concluiu. A preocupação a incomodou que sua relação estava acabada antes de realmente ter iniciado. Eles estavam fazendo sexo. Isso não significou nada para Shadow? Era um compromisso para ela, mas ele poderia não ver isto desse jeito. Partiria seu coração se ele fosse embora.

— Tim se sentiu mal por Lauren ter que viver em quartos tão grosseiros. Você sabe que sua filha é acasalada com um Espécie. — Trey desviou o olhar e acenou para alguém. — É hora de ir. Instale-se e ligue amanhã para me dizer quando vai voltar. Só não me ligue muito cedo. Seu substituto está me enlouquecendo. Graças a Deus que é só temporário. Ele rosna frequentemente e não entende por que estou enchendo o saco dele para seu próprio bem.

— Felino? Eles não recebem ordens muito bem.

— Não. Ele é canino. — Trey foi embora.

— Vamos. — Shadow puxou sua cintura.

De boa vontade foi com ele, sua mente dando piruetas. O que significaria se ele voltasse para trabalhar com a força tarefa? O fim de verem um ao outro? Possivelmente a convidaria para viver com ele fora de Homeland? O conceito deixou-a se sentindo fria por dentro. De jeito nenhum poderia viver ao redor de um monte de humanos e se sentir segura depois da vida que levou. Confiava nos homens Espécies, mas poderia relaxar em volta dos homens com quem Shadow trabalhava? Ela duvidava muito disto. Um deles já traiu a ONE.

Shadow a deixaria sozinha dentro do quarto deles enquanto trabalhava. O medo agarrou-a só de considerar que alguém da equipe teria acesso a ela na sede da força tarefa. Eles podiam ser semelhantes aos guardas que uma vez a atormentaram. Shadow acabaria matando alguém se isso acontecesse. Ele nem gostou de Shane tocando em seu braço. Realmente enlouqueceria se alguém a abordasse para sexo.

Não haveria nenhuma outra mulher ao redor para faz companhia. Não haveria nenhuma Espécie protetora para certificar-se que ninguém a aborreceria. Mesmo que às vezes a aborrecessem, aquelas mulheres também eram reconfortantes. Perderia acesso a suas amigas. Não seria só uma viagem curta para a Reserva, para ficar em uma cabana se vivesse com Shadow. Sua intranquilidade aumentou. De jeito nenhum seria possível que deixasse as terras da ONE.

O helicóptero era barulhento e um pouco assustador enquanto Shadow a colocava em seus braços, e instalou-se do lado de dentro. Alguns da equipe já estavam acomodados, mas se mantiveram em um lado do interior. Shadow a seguiu, teve que abaixar a cabeça, e a guiou para um assento. Permitiu-o colocar o cinto nela, enquanto acomodava-se ao lado dela até que estavam quadril com quadril, coxa com coxa. Um braço enganchou em volta dela, trazendo-a mais para perto.

Sentia-se segura dentro de seu abraço. Shadow sempre tinha uma maneira de diminuir seu medo. Eles precisam conversar sobre o que ele planejava fazer com a força tarefa. Era impossível discutir o assunto no helicóptero. Teria que esperar até que estivessem sozinhos. Bela decidiu que provavelmente esse iria ser o passeio mais longo de sua vida. Seus olhos fecharam enquanto se debruçava contra Shadow, esperando por ele, com medo que o tempo deles juntos pudesse terminar logo.

Eu amo Shadow e perdê-lo vai me despedaçar, admitiu, lutando contra as lágrimas.

Shadow sabia que algo estava errado. Os dedos de Bela cavaram em seu braço através da camisa reserva, que pegou depois que Trey jogou para ele. Abraçou-a mais apertado quando se curvou nele. Voar poderia apavorá-la, algo que sabia como era, pois não apreciava também. Teve que se ajustar enquanto trabalhava com a força tarefa, pois voos faziam parte do trabalho.

Seus amigos na equipe de repente pareciam ameaçadores. Eles não prejudicariam Bela. A parte sensata de sua mente sabia disso, mas seus instintos protetores estavam chutando seu traseiro. Os homens estavam muito próximos e o cheiro do medo dela o enlouquecia um pouco. Resistiu encará-los e rosnar. Alguns sorriram quando ele pegava seus olhares, quando tinha certeza de que não representavam nenhum perigo para Bela. Forçou seus lábios a se curvarem, mas os manteve fechados, escondendo suas presas afiadas. Não era culpa deles que ela tinha medo de machos.

Não gostou de Shane tocando em Bela, mas acreditou ter sido inocente. Claro que levou tempo para controlar sua raiva. Seu companheiro de equipe era calmo e falava bem das fêmeas. Tinha muitas irmãs das quais falava frequentemente. Shadow viu centenas de fotografias delas, o macho orgulhava-se de sua família. Shane não era uma ameaça para Bela.

Inalou, a doçura de seu medo um pouco diluída. Trey pegou sua atenção, uma lembrança de que era esperado para retornar para a força tarefa. Isso significaria deixar à fêmea que tinha. Não conheciam um ao outro há muito tempo, mas não conseguia imaginar apenas ir embora. Eles concordaram em compartilhar sexo e ela queria apenas a ele, mas não estava certo por quanto tempo ela iria querê-lo por perto. Odiaria perder sua posição na força tarefa, se ela planejasse dizer-lhe para cair fora. Estava sentindo emoções profundas no que dizia respeito a ela, e estavam apenas ficando mais fortes. Precisavam conversar.

Primeiro, entretanto, teria que se encontrar com Justice e os outros machos Espécies. Douglas Miller ainda representava uma ameaça para Bela. Não era aceitável, tê-lo lá fora conspirando mais tentativas de prejudicar Espécies, e ainda ter o filho da puta tentando recapturar Bela.

Ela ficaria mais segura dentro do dormitório das mulheres, enquanto frequentava aquelas reuniões. Estava situado quase no centro de Homeland e eles corrigiram falhas no projeto do edifício depois de um ataque anterior. Exigiria que um grupo de fêmeas fosse atribuído para protegê-la por turnos também.

Por mais que não quisesse deixar Bela, precisava. Queria opinar sobre o que iria acontecer para mantê-la segura. Podia ser mais útil trabalhando com a força tarefa para eliminar a ameaça que segurando a mão dela. Até teria que colocar de lado seus planos para pegar o membro da equipe que deu aos mercenários sua localização para ajudá-los a chegar até a Presente. O macho morreria pela sua traição e por colocar Bela em risco de ser devolvida ao seu molestador.

Eles teriam que trabalhar nessa relação depois do perigo passar. Esperava apenas que ela quisesse que ele fizesse parte de sua vida. Largá-la seria quase impossível. Tudo dentro dele doía de um jeito ruim com a perspectiva de dizer adeus. Seu tempo juntos foi curto até agora, mas esperava mudar isso para algo permanente.

Companheira. Esta palavra fez coisas estranhas ao seu coração. Batia irregularmente e percebeu o quanto queria que ela sempre fosse dele. Dormiriam juntos toda noite e acordaria com ela em seus braços. Nenhuma incerteza estava presente quando investigou seus sentimentos. Queria isto, com ela. Ficariam mais íntimos e experimentaria a felicidade que Wrath descobriu com Lauren.

Bela se aconchegou mais apertado contra seu peito, e ele ajustou seu corpo para deixá-la mais confortável. Parecia certa em seus braços, e perfeitamente ajustada lá. Era onde ela pertencia. Sorriu, e seu olhar estudou os machos novamente para qualquer sinal de ameaça.

Trey piscou sorrindo, mas Shadow reconheceu o desejo refletido nos olhos do macho. Ele mesmo sentiu isto, quando via Wrath com Lauren. Era o desejo sincero de ter um vinculo profundo com uma fêmea. Wrath foi sortudo em achar isso, e agora Shadow tinha Bela. Nunca iria afastá-la novamente por causa do medo causado pelo dano que uma vez sofreu. Não permitiria que seu passado arruinasse sua chance de ter um futuro.

Teria que falar com Slade, Fury e Justice sobre as condições de moradia se Bela concordasse em ser sua companheira. Não podiam viver muito bem nos dormitórios. Precisavam de seu próprio espaço. Talvez pudessem ser atribuídos a uma casa próxima a Wrath e Lauren. Realmente gostou dessa ideia. Bela teria uma amiga por perto e seria mais seguro se ambos, ele e seu melhor amigo, estivessem próximos para proteger as companheiras um do outro.

O conceito se firmou enquanto os quilômetros passavam. Lauren e Bela eram ambas naturalmente meigas e se dariam bem. Acariciou as costas de Bela distraidamente, apreciando a liberdade de tocá-la. Não conseguia se cansar do quão maravilhoso era a sensação de tê-la tão perto. Apenas desejava que estivessem sozinhos. Um beijo seria melhor… ou tirar as roupas dela. A necessidade de inspecionar cada centímetro de seu corpo era profunda, só para certificar-se que não estava machucada. Adoraria beijar cada contusão ou arranhão que descobrisse depois faria amor com ela.

Seu pênis se encheu de sangue e se mexeu no banco para fechar suas pernas, mantendo sua ereção presa. A calça de moletom era folgada, por isso não usava nenhuma roupa íntima. Arrependimento veio por não ter aproveitado o tempo para tomar banho e mudar de roupa enquanto estavam no Centro Médico.

Conseguiria encontrar Douglas Miller depressa e eficazmente para livrar Bela dessa ameaça. Não havia nenhuma outra opção. Enquanto o macho permanecesse vivo e livre, ele usaria seus vastos recursos para continuar enviando mercenários atrás dela, e pagando aos médicos da Mercile para recriar drogas para machucar seu povo.

Também seria bom destruir o macho que machucou sua Bela. Rosnou baixo em sua garganta, incapaz de conter a raiva. Bela deve ter sentido a vibração que causou dentro de seu peito, porque sua cabeça levantou e seus bonitos olhos marrons olharam para ele interrogativamente.