Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


ANGEL'S HALO / Terri Anne Browning
ANGEL'S HALO / Terri Anne Browning

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblio VT 

 

 

Series & Trilogias Literarias

 

 

 

 

 

 

Creswell Springs é uma pequena cidadezinha em Contagem Trindade, Califórnia. População de 1.500 talvez. É uma cidade tranquila, com valores de cidade pequena. Sua maior renda é a Universidade nos limites da cidade ... e a receita que o Motorcycle Club local trazia.
Ser parte do MC que era a Angel's Halo era exatamente como fazer parte de uma família. Uma família poderosa, louca e assustadora. Era também como a sua tprópria sociedade. Existem regras, tal como existem em todas as famílias, todas as sociedades. Mas só de quebrar uma de suas regras vai deixá-lo em uma pilha de sangue quebrado no chão...
Ninguém toca em Raven Hannigan.

Raven
Eu era a única fraqueza do MC. Ou então era o que meu pai costumava me dizer enquanto eu estava crescendo. Mad Max Hannigan foi presidente do Angel's Halo. Ele fez as regras e todo mundo deveria segui-las ou ficar cara a cara com o punho do executor...
Eu passei a minha vida no meio do MC. Eu conhecia as regras e as penalidades por quebrar essas regras. Então, eu sabia o que iria acontecer com ele se eu deixá-lo quebrar a regra de ouro... Mas eu o amava como nunca amei alguém ou alguma coisa antes. Eu pensei que meu amor iria protegê-lo.
Claro que não. Quando o nosso segredo foi descoberto, ele foi espancado.
Então eu não deveria culpá-lo por me deixar...

Bash
Como o executor eu sabia as consequências. Sabia exatamente o que estava guardado para mim quando a família de Raven descobriu que eu tinha ousado quebrar a regra imperdoável do meu MC. Eu a amava, por isso não importa para mim. Quando seu irmão mais velho entregou o meu castigo eu não gritei. Não gemi. Aceitei como o homem que meu MC tinha me feito, e teria feito isso várias e várias vezes se era isso que precisava para ser capaz de chamar Raven Hannigan de minha.
Mas então, o meu passado elevou sua cabeça feia e eu tive uma escolha a fazer. Uma que eu só tinha vivido para me arrepender.
Assumir o cargo de novo presidente da Angel's Halo era a minha segunda chance. Mas... os meus segredos iriam destruir tudo que eu e Raven uma vez tivemos?

 

 


 

 


Capítulo Um

Raven

Eu sei que vai ser um dia de merda assim que eu ouço o estrondo do trovão do lado fora da minha janela. Gemendo, eu puxo meu cobertor sobre minha cabeça e fecho os olhos, desejando que o mundo vá embora por pelo menos mais algumas horas.

Isso não acontece. Claro que não. Nunca acontece.

O meu telefone vibra no meu travesseiro, e eu tateio pela cama com a minha mão procurando por ele. Quando eu sinto a capa com crânio incrustado do meu iPhone, eu sacudo a minha mão para trás e vejo que eu recebi uma mensagem de um dos meus irmãos.

SOS! A menina nova se demitiu. Traga seu traseiro aqui em baixo... Por favor.

Eu olho para a tela. Eu soube que isso iria acontecer na hora em que o meu irmão tarado disse que iria contratar a sua mais nova amiga de foda, me oferecendo a minha primeira noite de folga em uma sexta-feira desde que eu tinha começado a trabalhar no bar da família. O interesse de Raider em qualquer menina nunca durava além da primeira semana, e assim que ele seguia em frente – o que tinha sido a noite anterior - a nossa nova garota estava fora.

Eu murmuro alguns xingamentos que teriam feito cada um dos meus irmãos me baterem, porque damas não xingam, e digito uma resposta rápida de volta para Colt, que estava cuidando do bar esta noite. Se ele não tivesse dito por favor, eu teria dito para ele se foder, mas Colt era o mais novo dos meus quatro irmãos mais velhos e não me subestimava... tanto.

Assim que a mensagem foi enviada, eu jogo meus cobertores e empurro o meu cabelo loiro e longo para longe do meu rosto, e vou direto para o banheiro no corredor. Meu quarto tinha sido uma adição de última hora na nossa casa, porque eu tinha sido uma adição de última hora na família, então eu não tinha meu próprio banheiro como meus irmãos retardados tinham. Meus pais não esperavam ter a mim, tendo decidido que quatro meninos monstruosos eram suficientes para manter o legado Hannigan. Quando acabei sendo uma menina, não um menino como todos estavam esperando, todo mundo teve a surpresa de suas vidas, não tendo nascido uma filha Hannigan em mais de sete gerações.

Tomei um rápido banho de cinco minutos, onde eu desisti de lavar meu cabelo porque levaria uma boa meia hora para secá-lo completamente, e então voltei para o meu quarto puxando um par de jeans apertados e uma blusa branca escrita Hannigan’s Biker Bar nas costas e uma versão menor do logotipo no meu peito esquerdo. Minhas botas de motoqueira com salto completavam o meu uniforme de trabalho. Eu não me incomodei com maquiagem porque eu odiava essa merda.

Eu pego as chaves do meu Challenger preto, um presente de todos os meus irmãos no meu aniversário de dezoito anos, e vou em direção à porta. Não me surpreende ver que a calçada ao lado já está transbordando com carros gigantes e alguns carros esportivos de luxo. Os dois carros de luxo pertenciam às namoradas dos meus vizinhos. Aquelas duas eram vadias mimadas que namoravam dois dos maiores motoqueiros bad boys da cidade para se vingarem do papai que não lhes dava a devida atenção.

A música estava alta na casa ao lado, e eu revirei os olhos enquanto eu subia ao volante do meu carro e ligava o motor. Algumas cabeças saíram da porta da frente da casa do vizinho quando me ouviram acelerando, e eu vi meu irmão Hawk acenando para mim. Eu abaixei minha janela apenas o suficiente para gritar um adeus sem me molhar.

— Tenha cuidado, Rave! — Hawk grita. — Aquelas malditas estradas estão encharcadas...

— Sim, mamãe! — Eu rolo meus olhos e saio da nossa garagem.

— Raven Anne! — Eu ouço o meu nome do meio enquanto eu troco de marcha rapidamente e piso fundo no acelerador.

Um sorriso provoca meus lábios enquanto eu imagino o meu irmão e seus amigos idiotas me encarando. Eu vou escutar mais tarde, quando ele e o resto da gangue entrarem no bar, mas por agora eu vou aproveitar o fato de que eles estão pensando em mim e não na orgia que eu tinha interrompido.

As estradas estão muito molhadas, mas eu não me incomodo em diminuir a velocidade. São dez minutos até o bar e eu chego lá em menos de quatro. O estacionamento está lotado, e eu pulo para fora e corro para a entrada da frente para não ficar encharcada. Não importa, porque o meu cabelo já estava pingando na hora que eu entro pela porta.

Um rock familiar explode dos alto-falantes suspensos. O cheiro de fumaça e bebida me cumprimenta, e eu viro algumas cabeças enquanto eu teço o meu caminho através do bar superlotado. Minha camisa branca fica apertada nos meus seios, chamando a atenção para o meu sutiã preto, o ar frio do ar condicionado deixando meus mamilos endurecidos. Olhos masculinos me avistavam, se estreitavam, e então rapidamente desviavam o olhar tão logo eles percebiam que era eu.

Existe apenas uma verdadeira regra aqui: ninguém toca em Raven Hannigan.

Hannigan é o ponto de encontro para o Angel’s Halo Motorcycle Club. Meu pai foi o presidente do clube, até que ele morreu. Meu tio Jack deveria ter tomado posse como presidente, mas ele queria o clube sob uma direção mais jovem. O título já tinha passado para o meu irmão mais velho Jet, até que eventos recentes tinham acontecido, mas ele ainda tecnicamente era o presidente. Tecnicamente.

Colt e Raider, os dois mais jovens dos meus quatro irmãos mais velhos, estão no topo do totem no Clube. Não porque seus sobrenomes são Hannigan também. Eu não tinha permissão de saber o que eles faziam para o clube, negação plausível e toda essa baboseira. Ambos estão agitando e misturando bebidas e despejando cervejas. Eles me dão um sorriso aliviado quando eu ando em direção a eles. Eu mostro o dedo do meio a Raider, revoltada com ele por não ser capaz de manter o pau nas calças por pelo menos mais 24 horas para que eu possa ter uma noite de folga para dormir, quando eu corro para o escritório para pegar um avental e amarrar meu cabelo molhado para trás.

Nenhum dos meus irmãos disse uma palavra para mim enquanto eu pegava uma bandeja e começava a fazer minhas rondas. Eu pego um punhado de garrafas vazias da mesa mais próxima e as atiro no lixo antes de perguntar se os três motoqueiros querem algo mais. Eles mal olham para mim quando pedem uma garrafa de Patron e um saleiro.

Leva 30 minutos para que eu faça o meu caminho do bar até eu chegar na cabine na parte de trás. Não me preocupei com os clientes na mesa até agora porque eu sei que quando eu voltar lá eu não serei capaz de sair por pelo menos dez minutos.

Assim que eu chego aos seis homens sentados na cabine, sorrio para eles. Este é o lugar onde os Originais sentam. Os Originais, juntamente com o meu pai, tinham fundado o clube e todos os membros mais jovens procuravam por eles por orientação na vida, sexo e negócios. Eles só vinham nas noites de sexta. Atirar a merda, tratar de negócios. Garantir que os filhotes ainda saibam que no mundo dos motoqueiros eles eram a lei, perdendo apenas para o presidente do clube.

— Ei você aí, garota! — Todos eles me cumprimentaram com um sorriso acolhedor. Seus velhos olhos se iluminaram com carinho e apreço. Eu pareço com a minha mãe, ou assim me disseram, por pelo menos um milhão de vezes. Eu não me lembro dela porque sua vida tinha sido tragicamente interrompida, mas eu vi as fotos e há uma semelhança. Se eu sou um pouco sexy como ela era, eu acho que não sou tão ruim assim.

Eu paro ao lado de meu tio Jack. Ele não é realmente o meu tio, mas é assim que eu chamo os Originais, cada um deles. — Que tipo de problemas vocês velhos fodidos estão causando esta noite? — Pergunto, inclinando a cabeça para bater um beijo na bochecha de Jack. Eu não espero que eles realmente me digam o que eles estão fazendo aqui a noite toda. Não saber é a minha rede de segurança.

Um braço musculoso envolve a minha cintura. — Você e essa boca espertinha, Raven. — Ele balança a cabeça para mim, mas ele está sorrindo. — Sua pobre mãe está rolando em seu túmulo pelo jeito como esses meninos a deixam falar.

Eu dou de ombros. Minha mãe supostamente nunca levantou a voz, e muito menos xingou. Todo mundo que a descrevia dizia a mesma coisa. — Maggie Hannigan era uma dama. — Eu não sou nada como a minha mãe. Eu tinha crescido em uma casa com cinco motoqueiros e nenhuma influência feminina, a menos que você contasse o rastro de casos de uma noite que iam e vinham pela porta da frente. Eu falo e ajo exatamente como eu sou – uma cria de motoqueiros.

— Vocês precisam de alguma coisa? — Eu olho para as garrafas abertas na mesa entre eles: a garrafa meio vazia de Jack Daniels, um quarto de uma garrafa de Patron, garrafas de cerveja, e alguns copos de chope.

— Nós estamos bem por agora, Raven. — Tio Chaz me assegura. — Mas com certeza não recusaria uns poucos minutos desse seu traseiro para esse velho obsoleto aqui.

Eu pisco para Chaz. Ele tem sessenta e três anos e tem uma neta da minha idade que ele nunca vê. Chaz não vê muito ninguém de sua família, exceto pelo único de seus filhos que havia se juntado ao clube aos dezoito anos. Sua esposa colocou o rabo entre as pernas e fugiu depois que Chaz tinha quase morrido em uma briga de faca aqui no bar muito antes de eu sequer ter sido um brilho nos olhos do meu pai.

— Eu estou sempre feliz em obedecer, tio Chaz.

A porta se abre, deixando entrar o cheiro da chuva e do ar do verão. Eu normalmente não teria olhado para cima, mas o calor de seus olhos em mim fizeram os cabelos finos no meu pescoço se arrepiarem, me obrigando a virar a cabeça...

Todo o oxigênio em meus pulmões desapareceu enquanto meus olhos pousaram sobre a besta de homem de pé ao lado da porta ainda aberta. Tio Jack, seu braço ainda em volta de mim, me sentiu endurecer e levantou a cabeça. Eu ouvi-o murmurar algo que soava como uma maldição, antes que ele se levantasse. Os outros cinco Originais seguiram o exemplo, indo em direção ao homem que acabava de entrar no bar, me deixando de pé lá, me sentindo como se alguém tivesse me apunhalado no coração.

O executor estava de volta.


Capítulo Dois

Raven

Eu não tenho certeza de quanto tempo eu fiquei parada lá. Cada motoqueiro no bar se levantou para cumprimentar o homem, sacudindo a mão dele, e batendo-lhe nas costas enquanto eu ficava lá parada me sentindo despedaçada e um pouco enjoada.

Quando percebo que minhas mãos estão tremendo, eu cerro os punhos, odiando o quão afetada eu estou. Apertando minha mandíbula, eu passo longe da cabine dos Originais e início a coleta de garrafas vazias nas mesas abandonadas. Eu ouço meu nome algumas vezes por diferentes vozes ásperas mas ignoro cada uma enquanto eu limpo o bar do melhor jeito que eu posso com uma centena de motoqueiros em meu caminho.

Satisfeita que eu fiz tudo que eu posso fazer por enquanto, eu vou para o bar onde Colt está. Olhando para cima de onde ele estava limpando o bar, ele me vê e franze a testa. — O que você está fazendo aqui? Por que não está lá com...

— Ele não está aqui para me ver, Colt. Ele está aqui para tomar o lugar de Jet.

Colt aperta sua mandíbula com a menção de nosso irmão mais velho, mas não diz nada enquanto ele empilha alguns copos mais sujos na máquina de lavar de tamanho industrial atrás dele. Viro a esquina do corredor e começo a fazer o registo do caixa. É uma maravilha que fazemos algum dinheiro quando Colt fica na maldita coisa. Loucura o bastante, considerando a bagunça do caixa, ele é mais preciso do que Raider ou Hawk a maior parte do tempo.

— Bash!

A porta se abre novamente e Hawk entra com seus amigos. Eu suspiro mentalmente e me recuso a levantar os olhos do dinheiro quando eu ouço o bater de mãos fortes nas costas magras, musculares e familiares dos abraços dos homens. Em seguida, vem os gritos femininos das princesas mimadas.

Eu sei por que elas estão gritando. Quem não gostaria de ficar cara a cara com Sebastian “Bash” Reid? Bash tem um metro e oitenta de pura perfeição masculina: músculos que ondulam a cada respiração que ele toma; ombros mais largos do que qualquer porta; cabelos pretos que terminam logo após o queixo; olhos azul-prateados que perfuram através da alma. Eu vi as vadias dos motoqueiros fazerem fila só por uma chance de falar com ele.

— Que tal mais algumas cervejas aqui, Raven? — Raider chama e eu não tenho escolha a não ser finalmente olhar para cima. Hawk, Raider, e Bash estão sentados com os Originais na cabine. Olhei para Colt, que está se apressando para derramar bebidas, agora que a maior parte da comoção acabou. Eu não posso pedir a ele para levar as cervejas enquanto ele estiver tão ocupado.

— Sim, sim. Estou indo! — Eu grito, não deixando meus olhos irem para qualquer lugar perto de Bash mesmo que eu possa sentir seu olhar em mim.

Pegando uma bandeja carregada com tantas cervejas quanto possível, eu vou para a cabine dos Originais. Enquanto eu teço o meu caminho por entre as mesas, eu passo pela mesa onde as princesas mimadas estão sentadas com dois motoqueiros que não são os seus namorados. Namoradas não são permitidas na cabine dos Originais. Porra, nenhuma mulher é permitida voltar para lá com exceção de mim e talvez outras duas.

— Olha, Cassandra, é a ovelha que mora ao lado de Matt. — a loira com as raízes marrons comentou quando eu passei. — Eu não sabia que ela trabalhava aqui.

Eu teria continuado andando se aquela vadia tivesse me chamado de qualquer outra coisa. Eu sou bastante agradável e aceito xingamentos como pouca coisa e com um sorriso no meu rosto. Ovelhas são prostitutas do clube e tenho maldita certeza que não sou a ovelha de ninguém. Eu equilibro a bandeja com uma mão e levanto uma das garrafas abertas. Me virando, eu paro por trás da princesa que se atreveu a me chamar de puta.

Todo o bar se silencia quando eu viro a garrafa de cabeça para baixo e deixo o fluxo de cerveja cair sobre o cabelo da loira. — Me chame de ovelha novamente. Veja o quão sangrenta você sai daqui. — eu desafio.

A princesa grita quando ela e sua amiga se levantam. Dois pares de cílios postiços me encararam quando a loira dá um passo ameaçador em direção a mim. Ninguém mais no bar se mexe, eles nem sequer respiram, esperando para ver o que acontece.

— Sua vadia estupida! — A princesa loira grita para mim. — Como você se atreve...

— Porra, alguém salve as cervejas. — Tio Jack insiste.

Ainda equilibrando a bandeja cheia em um lado, eu passo em frente fechando o último do espaço entre mim e essa vagabunda super privilegiada. — Você quer jogar no lado selvagem, doçura? Vocês acham que podem ultrapassar os limites e olhar para baixo nesse nariz novo perfeito de vocês e saírem ilesas? Pensam que Matt ou Tanner irão salvar o rabo de vocês? — Eu avançava cada vez mais perto da loira.

Um pouco da raiva parece desaparecer enquanto a loira percebe que está perdendo, mas seu orgulho não vai deixá-la desistir de mim. — O que você vai fazer...ovelha?

— Porra... — alguém, provavelmente um dos meus irmãos, murmurou atrás de mim.

— Matt, você pretende intervir e salvar a sua garota antes que ela esteja sendo arrastada pelo chão? — A voz do tio Chaz estava cheia de diversão.

— Nah. A estúpida estava me aborrecendo às lágrimas de qualquer maneira, tio Chaz. — Matt Reid parecia entediado. — Além disso, eu não quero aquilo perto de Rave de qualquer maneira.

A conversa voa completamente sobre a minha cabeça, toda a minha atenção voltada para manter a minha bandeja de cervejas estável enquanto eu soco a princesa. Eu sinto o impacto do osso sob o meu punho quando meus dedos se conectaram com aquele nariz novo. O sangue jorra de suas narinas quase que instantaneamente, e a princesa grita de dor.

— Sua puta de merda! — Sua amiga grita, correndo em direção a ela para ajudá-la. — Sua puta estúpida! Steph, você está bem?

— Eu disse que elas eram estúpidas... — Tanner, irmão de Matt, ri.

— Sério, meninos. — Tio Jack insiste. — Salvem as cervejas.

A bandeja foi puxada da minha mão, mas eu nem percebi enquanto eu estreitava meus olhos irritados para a outra menina falsa, que está alternando entre me chamar de idiota vadia-piranha-cadela e consolar a amiga. Deixei-a fazer mais alguns comentários de — cadela — antes de eu agarrá-la pela parte de trás da cabeça e jogá-la no chão. Eu segurava sua pequena cintura enquanto eu a socava no rosto uma, duas vezes. — Eu não sou uma porra de ovelha! Você está me ouvindo? Eu. Não. Sou. Uma. Maldita. OVELHA!

Braços fortes me levantam no ar me surpreendendo tanto que eu nem sequer lutei. Então eu sinto o calor do peito do homem através da minha camisa. Eu arranho a mão em volta da minha cintura, lutando como um gato selvagem para me libertar do aperto de Bash.

— Calma. Calma. — Bash falou em sua voz profunda e áspera. — Você já fez seu argumento. — A mão apertou minha cintura, fazendo a minha tentativa de conseguir me libertar fraca e patética. — Vocês. Levem essas... damas encantadoras... para casa. — ele ordena para o homem mais próximo a ele. — ilesas.

Ethan, o homem ao lado de Bash, e seu amigo pegaram as duas princesas, ambas soluçando. Assim que a porta se fechou atrás deles, os clientes do bar voltaram a qualquer conversa que tinham tido antes da briga acontecer, agindo como se nada tivesse acontecido.

A mão na minha cintura aperta e perdura por mais um momento antes que eu fosse liberada. Eu nem mesmo me virei para encarar Bash, ainda muito irritada, ainda muito crua. Eu embalei meu punho dolorido na minha mão esquerda e caminhei calmamente em direção à cabine dos Originais.

Hawk tinha salvado as cervejas e agora estava colocando-as na mesa. Eu paro ao lado do meu segundo irmão mais velho. — Eu faço isso. Obrigado. — Ele dá de ombros e toma seu lugar enquanto eu coloco uma cerveja na frente do tio George, colocando a última na frente do tio Jack. — Eu vou pegar um pouco mais. — Percebendo que Tanner e Matt ainda não tinham uma cerveja, eu atiro-lhes um sorriso doce. — Vocês dois têm um grande gosto para mulheres.

Matt dá de ombros, seu cabelo escuro caindo em seu rosto antes que ele o empurrasse de volta. — Elas eram divertidas por alguns dias. A loira... Porra, Tan qual era o nome dela? De qualquer forma, o pai dela tem uma boa amizade com o promotor público assistente. Achei que seria divertido ver esse tipo de merda bater no ventilador quando o Papai Querido descobrisse que seu bebê estava fodendo com Matt Reid...

— Cuidado com a boca, Matt. — Bash diz a seu primo com uma voz fria enquanto ele retoma seu lugar ao lado do tio Jack.

Matt revira os olhos azuis para o homem mais velho. — O quê? Ela acabou de detonar este lugar. Não é como se fosse algo que ela não tenha ouvido antes, cara.

Os olhos azul-prateados de Bash se estreitaram nele. — Eu não me importo com o que ela fez. Você não fala assim com ela. Nunca mais.

É a minha vez de revirar os olhos. — Eu vou pegar as cervejas.

— Raider pode pegar as cervejas. — diz Bash. — Você se senta. Você tem trabalhado como um burro de carga.

Eu o ignoro e me viro. Quando eu passo por uma mesa com outros quatro motoqueiros, eu pego suas garrafas vazias e vou direto em direção à lata de lixo. Raider está bem atrás de mim pegando as cervejas antes que eu possa sequer tocá-las. — Vá se sentar, Rave. Fazemos isso por alguns minutos.

Se ele acha que eu vou voltar para a cabine dos Originais ele está louco, mas eu estou cansada e meu estômago está começando a protestar. Eu não comi desde o jantar na noite anterior e estou ficando sem energia. Eu vou para o escritório e abro a geladeira, já que há sempre algum tipo de sobras por lá.

Retirando a salada de macarrão que a minha amiga Felicity me trouxe ontem à noite quando voltava das aulas, acho um garfo limpo e começo a comer.


Capítulo Três

Bash

Eu levanto minha cerveja meio vazia aos lábios e bebo o que restou dela. Quando ela fica vazia, exceto pela espuma, eu bato a garrafa sobre a mesa. Eu me pergunto o que diabos eu estou fazendo aqui — e não pela primeira vez — somente para me perguntar o que diabos eu estava pensando quando sai daqui, em primeiro lugar.

A resposta à primeira é simples. Estou de volta, porque o Angel’s Halo Motorcycle Club precisa de um novo presidente. Eu conheço a razão — quem, o quê, onde e quando do que tinha causado essa necessidade por mudança. Não é justo, não há justiça em nada disso, mas a vida é assim e eu estou acostumado com isso estragando meus planos.

Eu tinha deixado o MC há um ano atrás, sabendo que não era o que eu queria, determinado a sair e fazer uma vida real para mim. Agora, pela diversão do destino, eu estou de volta, e aos vinte e oito anos, serei o mais jovem presidente do Angel’s Halo.

Sorte a minha, porra!

— Aqui, garoto. — Tio Jack me entrega uma garrafa aberta de Jack Daniels, sem nem mesmo se preocupar em me oferecer um copo. Eu não preciso e nem quero.

Tomando um gole profundo da garrafa, eu engulo um bocado antes de limpar a boca com as costas da minha mão. Meus olhos vão para Hawk e Raider. — Vá fazê-la sair daqui, porra. — eu ordeno.

Hawk levanta uma sobrancelha para mim. — Você já conheceu alguém que consiga mandar Rave fazer alguma coisa?

Isso só me fez olhar para ele. — Yeah. Eu.

Raider bufa. — Então você vá fazê-la sair daqui, porra.

Se o cara não fosse como um irmão para mim, e se eu não o amasse e respeitasse tanto quanto eu fazia, eu teria quebrado a garrafa sobre a cabeça dele. Em vez disso, eu apenas sentei lá olhando para baixo. Essa é a coisa sobre os Hannigan. Eles não recuam, mesmo sob o meu olhar mortal. Se qualquer coisa, Raider parecia divertido enquanto engolia uma dose de Patron.

É de se imaginar que Raider e Hawk iriam se divertir com meu tormento silencioso. Eles provavelmente achavam que eu merecia. Porra, eles provavelmente estavam certos.

Há uma regra absoluta para os Hannigan, assim como há apenas uma regra real no Angel’s Halo: Não toque em Raven Hannigan. Só vai fazer de você um homem morto. Em nosso mundo, essa é a mais sagrada das regras. Só houve um homem que ousou quebrar essa regra.

Eu.

Eu tinha enfrentado as consequências de minhas ações, sobrevivido ao espancamento de Jet, até mesmo saboreado cada maldito osso quebrado que ele tinha me dado. E então, quando Jet tinha dito que Raven era minha, eu fugi.

Não só dela, mas do Angel’s Halo. De toda a minha vida. De tudo o que eu sabia e pensei que eu queria. E eu não olhei para trás.

A única coisa pela qual eu me arrependi de sair é que eu não levei Raven comigo.

Murmurando uma maldição, eu levei a garrafa de Jack Daniels até meus lábios e tomei alguns bocados antes de bater em cima da mesa com ela. — Eu vou esperar que ela venha até mim.

— Vai esperar por um tempo. — Hawk me assegurou. — Talvez você tenha esquecido como Raven é, Bash. — Ele levanta a mão e começa a contar as qualidades de sua irmã caçula em seus dedos. — Ela não joga bem com os outros. Ela não desiste. Ela... — Meu olhar o fez rir, mas ele abaixou a mão. — Só estou tentando refrescar a sua memória, cara.

Não precisava me lembrar. Eu não me esqueci de nada sobre Raven Hannigan.

Nem uma maldita coisa.

Logo que eu estou começando a ceder, pronto para ir encontrá-la, Raven sai do escritório com um celular no ouvido. Virei meu olhar sobre ela, observando o modo como seu jeans vestia em seus quadris, fazendo meu pau endurecer. A camiseta do Hannigan que ela estava usando prendia firmemente sobre seus seios perfeitos. O sutiã preto por baixo me provocava, me despertando como se ela não estivesse usando nada.

Ela para no meio do passo, os olhos se estreitando para o que a pessoa do outro lado da linha está dizendo antes dela rir. Eu vejo seus lábios respondendo, percebendo que ela está falando com sua melhor amiga, Felicity Bolton, e relaxo um pouco. Só de pensar em outro cara colocando esse tipo de sorriso no rosto de minha garota me faz sentir instintos assassinos.

Na cabine, os outros continuavam uma conversa que eu deveria estar ouvindo. Eu não me importei se eu perdia ou não. Meu coração pulsava no meu peito, meu pau inchava a cada segundo enquanto eu observava Raven conversar com Felicity enquanto ela agarrava as garrafas e copos vazios.

—... tudo bem. Vejo você mais tarde. Tenha cuidado. — Raven colocou seu iPhone no bolso enquanto ela se aproximava da cabine dos Originais. — Tudo bem, seus velhos, vou sair daqui a pouco. Vocês precisam de algo mais antes que eu vá?

— Você não vai nos ajudar a fechar? — Raider perguntou.

Olhos verdes se estreitaram para seu irmão. — Não, eu não vou. Agora que Hawk está aqui, você não precisa de mim. Eu fiz planos quando você disse que eu poderia ter a noite de folga, e eu pretendo mantê-los. Portanto, tire sua bunda preguiçosa daí e vá ajudar Colt. Ele precisa de uma pausa.

Hawk agarra o braço dela antes que ela possa se virar. — Que tipo de planos? — Ele exige, antes de eu encontrar a minha voz para perguntar.

— Uma festa. — ela diz a ele. — Eu vou agir conforme minha idade e ficar bêbada antes de ir para casa com uma ressaca. Vejo você amanhã à noite.

— Rave! — Hawk chamou quando ela se livrou de seu aperto e se dirigiu para a porta. — Rave, onde é essa festa?

— Eu não perguntei. — Ela anda mais rápido. — Boa Noite.

— Eu não gosto disso. — Hawk se levantou para ir atrás dela. — Felicity está com um humor horrível ultimamente e é difícil dizer no que aquelas duas vão se meter só para provar um argumento.

Eu pego a garrafa de Jack Daniels e tomo outro gole antes de seguir Hawk para fora da porta. A chuva abrandou e eu saio pela porta a tempo de ver Raven saindo com o carro do estacionamento. Hawk xinga violentamente, seu celular pressionado em seu ouvido.

— Onde diabos você está levando a minha irmã hoje à noite? — Ele exige. — Isto não é um jogo, Flick! Você só está se punindo com essa merda e levando a minha irmã junto com você. — Eu estou ao lado de Hawk, enquanto ele escuta o que quer que Felicity diga antes dele começar a xingar novamente. — Puta que pariu, Flick! Culpe Jet. Isso é culpa dele, não minha.

Ele desliga, puxando as chaves do bolso antes mesmo de me notar ali. — Bem, você vem ou não, Bash?

— O que há com Flick? — Pergunto enquanto eu subo no banco do passageiro da Plymouth 1970 GTX vermelha de Hawk, apenas um dos muitos carros musculosos que o Hannigan tinha.

Hawk escovou uma mão por seu cabelo loiro desgrenhado. — Ela não está levando a coisa toda de Jet muito bem. Há... complicações. — Seus pneus cantaram quando ele saiu para o trânsito e depois seguiu o Challenger de Raven. — Felicity não está em um bom lugar agora.

A Felicity Bolton de quem eu me lembrava era uma boa menina. Ela estava indo para a faculdade. Ela não estava em todo o cenário do MC, apesar de sua mãe ter sido uma parte dele. Sua mãe tinha sido uma mãe, deixando o clube passar por ela membro por membro. Felicity tinha sido o produto disso, e até hoje ninguém sabia quem seu pai era de verdade. A única pessoa que poderia ter sido eliminado era Max Hannigan, que sempre tinha sido fiel à sua esposa.

Então, por que ela está tão confusa sobre todo o problema com Jet?

— Eu estou contando isso porque você é o presidente. Você vai nos governar, cara... Merda, eu acho que Flick nem contou a Raven, e você sabe que essas duas contam tudo uma à outra... — Ele nem sequer tocou nos freios no sinal de pare, apenas passou direto.

Apesar de Felicity ser alguns anos mais velha do que Raven, elas são melhores amigas desde que Raven começou a falar. Se ela não está compartilhando algo com Raven, então algo definitivamente está acontecendo.

— Flick e Jet... Merda, eu acho que foi alguma coisa. Eu não sei o que diabos aconteceu, cara. Jet não queria que ela lidasse com a besteira do clube, então ele continuou afastando-a. Então Flick disse a ele que estava grávida. — Os grunhidos de Hawk começaram a virar maldições. — Yeah. Então ele decidiu fazer a coisa certa. Assumir. Os Originais eram tudo para ele. Eles amam Flick. Porra, cara, eu tenho certeza de que um deles pode até ser o pai dela.

Eu não sei se eu acredito nisso, mas há sempre a possibilidade. Os Originais foram rebeldes em seus dias. Alguns deles ainda são.

— Mas Jet foi difícil. Muito teimoso para assumir imediatamente... Então Westcliffe seguiu Flick da escola para casa uma noite.

Meu intestino se contorceu e eu só pude adivinhar o que veio em seguida. Westcliffe tinha sido um dos mais próximos de Jet, mas eu sempre me senti um pouco estranho sobre ele. Então, ele tinha ficado desonesto. Virou as costas para o MC, para as nossas regras e para os nossos valores. Eu fechei meus olhos enquanto Hawk continuava. — Ele não a estuprou, mas bateu muito nela. Ela perdeu o bebê, talvez até mesmo a chance de engravidar de novo pelo que o médico me disse quando cheguei ao hospital naquela noite.

Meus olhos se abriram para isso. — Você? Não Jet?

— Jet ficou um pouco louco. Me chamou para lidar com o que ele não podia suportar. Essa é a única razão pela qual eu sei de tudo. — Outro sinal de parada passado para trás, e saímos da cidade. — Westcliffe desapareceu por um tempo. Partiu para um clima mais quente. Jet ficou bêbado por cerca de duas semanas.

— Então Flick e Jet...?

— Flick disse para ele ir se foder... e Jet... Bem, você sabe sobre o Jet.

Sim, eu sei sobre Jet. Seis meses atrás, Jet tinha batido em Westcliffe até a morte diante de cinco testemunhas. Duas semanas atrás, Jet foi condenado a cinco anos por homicídio. O júri tinha sido simpático pedindo ao juiz para incluir o tempo de serviço de seis meses que ele já tinha servido. Se tudo correr bem, Jet será um homem livre em questão de meses, mas ele não podia continuar sendo o presidente do Angel’s Halo enquanto estava preso.

É por isso que ele me chamou da prisão.


Capítulo Quatro

Raven

Eu nunca fui a uma festa de fraternidade, mas enquanto eu andava pela casa com a minha melhor amiga no mundo, eu via as semelhanças com o Angel’s Halo.

Sexo no gramado onde qualquer pessoa podia assistir? Confere. Drogas passando de mão em mão? Confere. Rock estridente saindo de todos os quartos fazendo as janelas e pisos vibrarem? Confere.

Meus irmãos e seus amigos se encaixariam bem aqui...

Sim, está bem. Isso é um grande monte de merda. Meus irmãos mastigariam esses garotos de fraternidade e os cuspiria.

Estou muito entediada aqui. Felicity não parece mais animada de estar aqui do que eu. Então, peguei uma garrafa de tequila e dois copos de dose limpos e agora estava em busca de um lugar privado para ficarmos bêbadas.

Acabamos na sala de estar no segundo andar da casa da fraternidade. Três sofás enchiam a sala e dois deles estavam ocupados com casais em diferentes estágios de sexo. O terceiro tinha um casal se beijando de um lado. Imaginando que esta era nossa melhor opção, eu desci ao lado do cara que tinha sua língua descendo pela garganta da ruiva peituda que estava sentada em seu colo.

Felicity cai para baixo no sofá, já tirando o lacre da garrafa barata de tequila. Nós não conseguimos sal, ou até mesmo limão, então o bebemos puro. Não me incomodava em nada. Eu posso ter apenas dezenove anos, mas eu tenho bebido incondicionalmente por mais tempo do que qualquer um na minha família provavelmente percebia.

A primeira dose queimou por todo o caminho, acabando como uma fogueira no fundo do meu estômago. Eu não fiz careta quando eu limpei uma gota de líquido claro do canto da minha boca com as costas da minha mão. — Outra! — gritei para Felicity tão logo ela prendeu a respiração de sua própria primeira dose.

Eu engulo mais duas antes de Felicity conseguir tomar a segunda. Minha vida está uma merda ultimamente, e esta é a primeira vez que eu me permito sentar e realmente tomar um fôlego. Eu preciso desesperadamente me descontrair.

Outra dose e eu estou começando a sentir os efeitos do álcool. Inclinando a cabeça para trás contra o sofá, eu viro meus olhos para Felicity, que está descascando o rótulo da garrafa de tequila. — Eu sinto falta do meu irmão.

Jet tinha sido o que sempre tomava conta de mim. Ele tinha sido aquele que fazia tudo parecer certo no mundo. Mesmo antes do nosso pai morrer, Jet estava olhando por mim. Ele sempre fez questão que eu tivesse tudo que eu precisava, me dando tudo que eu queria. Mas não é só porque ele me mimava que eu sinto falta dele. Jet e eu éramos próximos. Eu o sentia em minha alma.

Eu não o via em seis meses. Mesmo quando o julgamento estava acontecendo, ele se recusou a me deixar ir vê-lo. Ele não queria me ver daquele jeito, e parte de mim compreendia. A outra parte só queria abraçar o meu irmão.

Felicity suspira. — Eu também. — ela confessa com um olhar de dor em seu rosto bonito.

Eu vejo aquele olhar e meu coração se aperta por ela. Eu não sou cega. Eu sabia mesmo que todos tivessem tentado esconder de mim, que algo estava acontecendo entre Felicity e Jet no ano passado. Quando Westcliffe atacou Felicity, eu queria matar o filho da puta. Jet não devia estar sentado em uma cela de prisão agora porque ele fez um favor a humanidade e bateu naquele degenerado até a morte.

Desde então, Felicity mudou um pouco. Não de uma forma ruim, pelo menos não para mim. Antes ela era tímida e reservada, agora é mais ousada. Ela está dizendo para o mundo se foder há alguns meses, e eu meio que gosto disso. Mas eu sabia que Felicity estava fazendo isso porque ela está machucada pelo que Westcliffe fez — e eu suspeitava que pelo meu irmão fez também — e isso me fazia doer por ela.

Tomo a garrafa dela e bebo outra dose. Felicity nem fez careta desta vez enquanto a bebida deslizava para baixo de sua garganta. — Bash estava bonito hoje à noite. — eu digo a ela, tentando virar a sua atenção de seus próprios problemas para os meus. Eu normalmente não falava sobre Bash para ninguém, nem mesmo com Felicity, mas sei que Felicity vai concentrar toda a sua atenção sobre os meus problemas e não iria pensar em sua própria dor. Se eu pudesse dar-lhe um pouco de paz a partir dos meus próprios demônios internos, mesmo que por um momento, eu ficaria feliz em desabafar meus sentimentos em relação à Sebastian “Bash” Reid.

Felicity bufa. — Quando Bash não está bonito, Rave?

— Cale a boca, Flick. — Eu lanço o topo da garrafa de tequila para ela. — Você sabe o que quero dizer. Parece que ele não tem passado o último ano morrendo sem mim. — Enquanto eu lentamente definhava por dentro sabendo que ele me deixou sem se preocupar em olhar para trás.

— Caras são horríveis. — murmura Felicity. — Eles não reconhecem uma coisa boa, mesmo quando está bem na frente deles e dá um tapa em seus rostos.

Um grito feminino nos fez virar a cabeça para encontrar uma ruiva agora sem camisa e quase sem sutiã. Eu reviro os olhos e tento ignorar o casal. Eu estou acostumada a esse tipo de merda. Meus irmãos tinham parado de se preocupar que eu visse sexo em suas festas quando fiz dezesseis anos. Sexo é uma coisa natural, afinal de contas. Enquanto os seus homens não me tocarem, não há problema.

Aparentemente, o idiota com a ruiva em seu colo não recebeu o memorando sobre manter as mãos longe de Raven Hannigan. Eu realmente não posso culpar o cara. Ele estava drogado e alto como uma pipa e, provavelmente, nem sabia quem era Raven Hannigan. Então, quando ele agarrou meus cabelos e começou a puxar minha cabeça para trás pensando que só porque eu me sentei ao lado dele eu estava pronta para um ménage à trois, eu tentei me desembaraçar sem muito barulho.

Quando ele me puxou com mais força, ficando exigente, peguei sua mão e virei o dedo mindinho dele para trás até ouvir um estalo. Ele empurrou a ruiva de seu colo, um grito indignado saindo de sua boca. Ele é tão grande que nem sequer sentiu o mindinho quebrado. Supondo que eu só estou me fazendo de difícil, ele agarra meu braço com a mão livre e me empurra contra seu peito.

— Pare. — eu grito na cara do sujeito, finalmente conseguindo dar uma boa olhada nele. Ele não é tão feio. O cabelo curto no estilo de um falso moicano, mandíbula forte, nariz reto e lábios finos. Seus olhos castanhos pareciam nebulosos e injetados de sangue pelo que quer que ele estava fumando hoje à noite, e seus ombros eram largos e musculosos. Ele não estava vestindo uma camisa e a tatuagem em seu peitoral esquerdo me dizia que ele estava na fraternidade.

Em vez de me ouvir, ele abaixou a cabeça tentando me beijar. Eu peguei um punhado de seu cabelo e puxei a cabeça para trás. — Saia de perto, idiota!

— Rave? — A voz hesitante de Felicity me atingiu e eu fiz um esforço para manter os lábios do cara perto de mim. Suas mãos estão fazendo todos os tipos de pegada. É um desafio e ele é assustadoramente forte em seu estado drogado.

— Ocupada aqui, Flick! — Eu digo a ela.

— Vamos lá, baby. — Meu captor diz com uma voz rouca que supostamente deveria ser sexy. Apenas revira o meu estômago. A mão que não está no meu cabelo se move para baixo e aperta minha bunda.

O rosnado repentino que enche a sala é selvagem e faz algo inesperado para o meu estômago. Eu sei que ele tinha vindo antes mesmo de eu virar minha cabeça e vê-lo de pé na porta.

Olhos azul-prateados disparam raios de luz para o garoto me segurando contra a minha vontade. E sim, ele era um garoto. Cada indivíduo na casa era um garoto em comparação com esta besta de homem. Só olhar para ele faz minha calcinha ficar molhada, mesmo quando meu coração se quebra no meu peito.

— É isso aí, baby. Me dê essa boca sexy.

Eu quase me esqueci do atleta que ainda tinha uma parte de mim. Me pegando de surpresa, ele me puxa contra seu peito e abaixa a cabeça antes que eu possa pará-lo.

— Não! — Eu luto mais duro, lutando com tudo que tenho. Minhas unhas arranham seu rosto, e eu sinto sua pele raspando, deixando longas filas sangrentas em sua bochecha. Ele só geme de prazer. — Mal-humorada. Eu amo mal-humorada.

— Filho da puta! — A besta ruge e a próxima coisa que eu sei é que estou no chão, e o atleta é levantado pelos cabelos e jogado contra a parede.

Meu coração dispara com uma mistura de medo e sim, eu admito — luxúria. Observar Bash todo animalesco assim me deixava excitada, não importa o quê. Especialmente quando era por minha causa. Eu lentamente comecei a me levantar, fazendo uma careta porque minha bunda doía um pouco com a queda.

Um baque me fez virar para encontrar Bash prendendo o cara contra a parede. Ele está sussurrando algo na cara do cara que rapidamente o deixa sóbrio. Olhos assustados se voltam para mim e eu entendo as palavras “Angel’s Halo” e “morto” e “engolir seu pau”. As ameaças básicas.

— Bash. — Eu toco seu braço, sentindo os músculos tensos ondulando com cada respiração. Ele está vibrando com raiva, e eu sei que pode ser mortal para quem quer que seja o alvo dessa emoção em particular.

Eu o senti tremer sob o meu toque. Lentamente, esse rosto que eu amava desde quando eu era velha o suficiente para saber o que era amor virou e olhou para mim. Olhos azuis-prateados escureceram quando o seu olhar encontrou o meu. Meu coração doía por estar tão perto dele. Tocá-lo me faz arder de uma forma que ninguém nunca entenderá. Levantando uma mão que tremia visivelmente, eu afastei seu cabelo escuro para longe de seus olhos. — Solte-o, Bash.

— Ele tocou em você. — a voz negra de Bash rosnava. — Você quer as mãos dele em você?

Eu levanto uma sobrancelha para o seu tom acusador. — Se eu disser que sim, você vai matá-lo? — Quando ele tencionou ainda mais, eu soube que a resposta era sim. — Se eu disser que não, você vai matá-lo? — Mesmo tenso, ele suspirou. É um tipo de situação sem vitória, por isso só há uma opção.

Eu me empurro entre Bash e o atleta, meu corpo contra o grandão de Bash, duro. Todas as minhas necessidades femininas me faziam derreter por senti-lo tão perto. — Eu sou uma menina grande, Bash. Eu posso cuidar de mim mesma. Você viu o rosto dele? Ele vai se lembrar de mim por muito tempo mesmo depois que eu me esquecer dele. Agora, pare de ser tão territorial e solte-o.

— Não. — Eu consigo ver que ele está começando a se acalmar, a sensação do meu corpo contra o seu próprio afetando-o como nada mais podia. Um tipo diferente de tensão preenchia-o e eu sou recompensada com o pulsar do seu pau duro contra o meu estômago. — Ele tocou em você.

Eu dou de ombros. — Ele não conhece as regras, Bash. Ele está drogado com sabe se lá o que. Um homem fraco, com uma vida entediada. Solte-o.

— Jet o teria matado. — ele resmunga.

Eu sorrio um pouco. — Sim. É preciso um homem mais forte do que este para se levantar contra o meu irmão. Como você. — Eu me lembro da noite em que Jet punira Bash e meu estomago rolou mais uma vez. Meu sorriso desapareceu. — Seu braço ainda dói?

— Quando chove. — O que estava acontecendo está noite. Odiando o pensamento dele sentindo dor, eu me aproximei e tracei a linha em seu antebraço esquerdo que teve que ser recolocado com cirurgia depois que Jet terminou com ele. A cicatriz ia por todo o caminho de seu pulso até o cotovelo, e eu deixei meus dedos acariciarem a carne enrugada. Ainda estava rosa e parecia irritada. Um ano se passou desde que ele a tinha conseguido.

— Solte-o, Bash. — Eu sussurro, me empurrando contra ele. — Me leve para casa.


Capítulo Cinco

Raven

Bash tem sido uma parte da minha vida a quase tanto tempo quanto os meus irmãos. O tio e a tia dele moraram ao lado da minha casa por toda a minha vida. Quando o pai de Bash, Marl, morreu, eles o pegaram e o criaram como filho, e ele é tão filho deles quanto Matt e Tanner. Assim que ele tinha idade suficiente, Bash tornou-se membro do Angel’s Halo. Ser um motoqueiro era como um comércio familiar para a maioria dos caras, e todos esperavam que Bash entrasse para o MC.

Marl Reid tinha sido executor do meu pai, garantindo que as punições fossem tratadas de forma adequada e toda essa merda. Quando meu pai morreu, e os Originais perceberam que o Angel’s Halo precisava de uma geração mais jovem para assumir o cargo de presidente, eles entregaram tudo para Jet. Meu irmão queria apenas um homem como seu executor. Bash mal estava com vinte e dois anos quando se tornou o novo executor. Ninguém queria as punições quando elas estavam sendo dadas pela besta que era Bash Reid, então os motoqueiros raramente se metiam em problemas dentro do clube. Até hoje eles ainda têm medo de Bash. Eu tinha certeza de que se ele estivesse por perto quando Westcliffe se virou contra nós, as coisas teriam sido muito diferentes.

Eu tinha quinze anos quando eu soube que queria Bash pela primeira vez. Meus irmãos todos pensaram que era uma paixão. Mesmo naquela tenra idade eu sabia que eu o queria para sempre, e não havia nada que pudesse impedir. Então eu não tive pressa, o deixei perceber como eu me tornei uma mulher, e esperei para fazer a minha jogada.

Aos dezesseis anos, eu o deixei saber que eu o queria. Bash não era como alguns idiotas dentro do Angel’s Halo. Ele não ficava com meninas muito jovens, e isso era exatamente o que eu era. Eu sabia que eu precisava marcar o meu território, então foi o que eu fiz.

Ele estava deitado na rede no quintal da casa dos Reids, parecendo entediado e mais do que um pouco cansado após a corrida que os caras tinham feito no fim de semana. Seus olhos azuis estavam fechados e eu levei um momento apenas para mergulhar na visão do homem que eu queria. Cabelos negros como as asas de um corvo caiam em seus ombros. A regata branca que ele usava se esticava através de músculos duros como pedra. Veias incharam em seus braços, e eu queria rastrear cada um deles com a minha língua quase tanto quanto eu queria explorar o que estava embaixo daqueles jeans. Mesmo agora, quando eu o odiava tanto quanto o amava, eu ardia pelo toque e pelo gosto dele. O homem era um vício do qual eu nunca conseguiria me livrar. Pegando-o de surpresa, eu cai na rede, deixando meus dedos deslizarem por uma dessas veias. Meus dedos se arrepiaram com a eletricidade por apenas tocá-lo assim, e minha respiração ficou presa na minha garganta.

Bash resmungou algo baixinho e abriu os olhos, rápido como um relâmpago enquanto observava meus dedos acariciando sua carne. — Raven? — Meu nome saiu em um grunhido áspero.

Eu sorri e olhei para ele por baixo dos meus cílios. — Só vendo se você se é tão duro quanto parece.

— Ah, é? — Sua voz baixou, o som me fazendo tremer de prazer. — Eu sou?

— Mais como veludo coberto de aço. — Eu disse a ele honestamente, traçando a veia ao longo do interior de seu antebraço. — Você sempre é assim tão quente? É quase escaldante.

— Você está indo por um caminho perigoso, Raven. — Ele pegou minha mão, parando minhas carícias, mas sem me afastar ou me soltar.

— Eu só quero que você saiba que... — Minha coragem vacilou por apenas um segundo, mas então eu respirei fundo e soltei. — Eu quero você, Bash. Eu quero ser sua.

Ele arregalou os olhos com uma mistura de desejo e medo. Nós dois conhecíamos a regra. Ninguém toca em Raven Hannigan. Isso só me incomodou quando pensei em Bash ser incapaz de me tocar por causa dessa regra idiota. — Você quer ser minha senhora ?

— É... — Eu odiava quando os caras chamavam suas esposas ou namoradas disso. — Sim, é isso que eu quero ser.

Em um movimento rápido, ele saiu da rede e eu estava de pé onde ele tinha me colocado. Eu pisquei, surpresa ao encontrá-lo a mais de um metro de distância de mim. Seus olhos eram duros, mas ele não conseguia esconder completamente o desejo que eu via arder naquelas profundezas azuis prateadas. — Quando eu decidir que quero uma “senhora”, não vai ser com alguém que corre atrás de mim, Raven. Isso pode ser um estímulo para alguns caras, mas não pra mim.

Depois de me humilhar com essas palavras, ele se afastou. Fiquei ali quebrada, meu coração ainda dolorido por meses depois. Eu nem sequer olhava para ele, e muito menos falava com ele. Ninguém percebeu, é claro, porque eu me recusei a deixar que alguém soubesse que eu estava com o coração partido por um idiota como Bash Reid. Durante esse tempo, ele passou por mim com uma nova garota toda semana, me quebrando um pouco mais a cada vez que o via com uma das ovelhas em cima dele. Apenas o pensamento dele fodendo alguém por aí me deixava louca de ciúmes.

Finalmente, alguns meses antes de eu completar dezoito anos, eu me forcei a superar isso e seguir em frente. Eu comecei a trabalhar no bar e estava quase terminando o ensino médio, então eu precisava me concentrar no que eu ia fazer com a minha vida, quando a escola acabasse. Meus irmãos queriam que eu fosse para a faculdade como Felicity, mas eu não tinha certeza de que era o caminho que eu queria seguir. Comecei a tomar algumas aulas de contabilidade para que eu pudesse ajudar ainda mais no bar. Só Deus sabe que meus irmãos não eram tão bons assim em manter nossa merda junta de qualquer maneira. Obviamente ainda é verdade, porque eu passava horas fazendo os livros de contas aos domingos.

Quando os Originais descobriram que eu estava fazendo um ótimo trabalho com os nossos livros no bar, eles me contrataram para fazer os livros para alguns de seus negócios pessoais. Algumas dessas empresas eram legítimas, mas a maioria nem tanto. Mas os Originais sabiam que podiam confiar em mim com todos os seus segredos financeiros. Eu ainda passava a maioria dos sábados trabalhando para os Originais ao invés de no bar, mas os seus interesses comerciais expandiram-se a tal ponto que agora tenho que cuidar deles durante a semana também.

Aconteceu de eu estar terminando as contas da bicicletaria do Tio Jack uma noite, quando eu encontrei Bash. O lugar estava tão tranquilo que eu assumi que todos já tinham ido embora, e eu nem estava olhando quando sai do escritório improvisado que Tio Jack tinha feito para mim na parte de trás. De repente, eu bati em uma parede de pedra e quase caí no chão.

Mãos fortes e quentes pegaram meus cotovelos e me empurraram contra a parede de músculos. Minha respiração prendeu em algum lugar entre os meus pulmões e minha garganta pela surpresa e a sensação de ter as mãos sobre mim. Levantando minha cabeça, eu encontrei aqueles olhos azul-prateados olhando para mim.

Eu apertei meu queixo, odiando e amando-o ao mesmo momento. — Desculpe, eu não vi você.

Bash deu metade de um passo para trás, colocando alguma distância entre nós, mas sem soltar meus cotovelos. — Você terminou por hoje?

— Sim, tudo pronto. — Me soltei, precisando de um pouco de espaço antes de dizer algo embaraçoso como implorar para ele me beijar. Depois de vê-lo praticamente fazendo sexo com uma menina no estande dos Originais duas noites atrás, eu não tinha certeza se eu queria aqueles lábios em mim.

— Você pode limpar isso para mim? — Ele perguntou enquanto eu tentava me mover em volta dele. Foi quando eu vi a ferida sangrenta no seu bíceps nu.

Meus olhos se arregalaram. — Que porra é essa, Bash?! — Era profundo e parecia que foi causado por uma faca. — Quem cortou você?

Ele ergueu o braço bom e encolheu ombros. — Alguns posers entraram no bar e estavam causando problemas. Todos eles tinham facas. Felizmente eu fui o único que ficou cortado.

— Cortado? — Exclamei, olhando melhor o ferimento. — Você precisa de pontos!

— Achei que fosse precisar. — Ele fez uma careta para o sangue ainda escorrendo do corte. — Você pode fazer isso?

Me afastei dele, murmurando maldições sob a minha respiração. Era para mim que todos iam quando precisava de alguns pontos ou algo desagradável que precisava de cuidados também. Houve inúmeras vezes que eu tinha costurado um dos meus irmãos ou um dos seus homens. Eu nunca tive que costurar Bash. Ou ele nunca tinha se machucado ou tinha alguém como enfermeira. Eu não tinha certeza se eu poderia esconder minhas emoções por tempo suficiente para cuidar de sua ferida.

— Não é tão ruim, Raven.

Eu cerrei os dentes e me voltei para encará-lo. — Tudo bem. Mas eu não posso fazer isso aqui. Eu preciso do meu kit e ele está em casa.

— Então vamos lá. — Ele me seguiu para casa, e eu temia o que eu teria que fazer durante toda a viagem. Eu não tinha coração fraco. A visão de sangue nunca tinha me deixado enjoada, e eu tinha colocado agulhas e linhas em muitas pessoas, mas o simples pensamento de fazer o mesmo com Bash fazia minhas mãos tremerem.

Comecei colocando a água para ferver logo que entrei na casa vazia. Meus irmãos estavam todos no bar cuidando dos negócios de uma forma ou de outra. Era sábado à noite e eu não esperava que fossem para casa até de madrugada. Bash puxou uma cadeira na mesa da cozinha enorme, virou-a e sentou nela. Senti seus olhos em mim enquanto andava pela cozinha reunindo todas as coisas de que eu precisaria.

Finalmente me sentei ao lado dele e comecei a limpar o corte profundo em seu bíceps. — Como é que a faca acertou você? Por mais duro que essas malditas coisas sejam, eu esperava que uma faca apenas quicasse em você.

Uma risada profunda e rouca caiu de seus lábios. — Eu acho que eu vou ter que começar a treinar mais. Meus músculos parecem terem ficado um pouco flácidos ultimamente.

Revirei os olhos e limpei o último do sangue seco. Agora que eu podia examinar o ferimento, eu vi que não era tão ruim quanto eu tinha pensado originalmente, mas ainda assim não era bonito. Peguei o Betadine e desinfetei a área. A maioria dos caras choramingava quando eu fazia isso. Não Bash. Ele nem sequer pestanejou quando terminei de arrumar a ferida para costurá-la.

— Eu estou sem o spray anestésico que eu geralmente uso. — eu disse a ele, minha voz embargada ligeiramente com pesar.

— Eu estou bem, Raven. — Ele parecia mais divertido pela forma como eu estava nervosa e isso me irritou.

Rangendo os dentes, eu levantei a agulha da água fervente onde eu a tinha colocado e a enfiei nele. Quando eu coloquei a ponta contra a sua pele, meus dedos começaram a tremer. Eu respirei fundo para me acalmar. — Sinto muito — eu sussurrei enquanto eu fazia o primeiro ponto.

Ele ficou quieto pelos cinco minutos seguintes enquanto eu colocava dez pontos em seu braço e, em seguida, colocava gaze sobre o corte. A cada ponto eu ficava cada vez mais perto das lágrimas, e eu fiquei assim até que acabou, mantendo meus olhos no nada, para que ele não visse. Eu não era emotiva. Muito pouco podia me afetar a ponto de lágrimas.

— Raven... — ele rosnou meu nome antes que eu pudesse dar um passo para longe dele. Braços fortes se envolveram na minha cintura, me puxando para trás para encará-lo. Mordi o lábio, tentando não tremer. Dedos longos e ásperos tocaram meu rosto e enxugaram uma lágrima errante, logo que ela transbordou no meu rosto. — Você nunca deve derramar lágrimas por um filho da puta como eu, Raven.

Eu olhei para ele através dos meus olhos lacrimejantes. — Me desculpe por ter um coração. — Eu me afastei dele e comecei a limpar a bagunça que eu tinha feito. — Eu terminei. Você pode ir fazer o que quer que Bash Reid faz no sábado à noite. Tenho certeza de que há uma abundância de ovelhas no bar esperando por você. — Sempre havia nas noites de sábado, enquanto nas de sextas-feiras raramente tinha. Tinha algo a ver com os Originais e os problemas do negócio de Jet às sextas-feiras, mas eu não podia ter certeza.

— O que você vai fazer hoje à noite? — Questionou. Em vez de se levantar como eu esperava, ele apenas ficou lá observando cada movimento que eu fazia.

Dei de ombros. — Provavelmente, pedir uma pizza e chamar Flick. Venho fazendo livros durante todo o dia para os Originais e minha cabeça está me matando.

— Parece bom. Eu quero carne extra na minha metade.

Virei para encará-lo. Aqueles olhos de prata ardentes olharam para mim debaixo de longos cílios cor de fuligem. — O quê?

— Carne extra, Raven. E algumas asas de frango. Quentes. Muito quentes. — Ele parecia relaxado sentado lá me olhando, como se ele não se importasse com nada no mundo. Como se ele não tivesse acabado de me surpreender.

— Eu acredito que eu não lhe convidei para se juntar a mim. — Eu queria que a minha voz parecesse dura e fria. Em vez disso, saiu rouca e fraca pra caralho.

A boca de Bash se inclinou para o lado direito em um meio-sorriso arrogante. — Você vai me dizer não?

— Eu... — Eu não queria. Eu não queria que ele fosse, não queria que ele fosse encontrar uma das ovelhas no bar, mas ao mesmo tempo eu não tinha certeza de que eu conseguia lidar com o fato de estar na mesma sala que ele. Não com a casa completamente vazia e meus sentimentos tão visíveis.

— Me traga uma cerveja, baby. — ele ordenou, e antes que eu soubesse o que estava fazendo, eu tinha ido até a geladeira e pegado uma para ele.

Oh porra nenhuma! Assim que a entreguei eu coloquei distância entre nós. — Eu não sou uma ovelha, Bash, não mais do que eu sou sua senhora. Você quer uma cerveja, pegue sozinho. Mas não espere que eu pule com um comando seu.

— Eu sei que você não é uma ovelha! — Ele explodiu. — Eu mataria qualquer homem que tratasse você como uma. Eu só quero passar a noite aqui com você. Isso é demais para você compreender, garota?

Eu coloquei minhas mãos em meus quadris e olhei para ele. — Você poderia tentar pedir.

Seu rosto endureceu e sua mandíbula se apertou com tanta força que ele ia quebrar alguns dentes. Narinas inflaram enquanto ele respirava fundo uma vez depois da outra. Eu tinha certeza de que ele ia saltar para cima e me deixar ali de pé, ao invés disso ele me surpreendeu ainda mais. — Posso ficar com você esta noite?

Surpresa com a pergunta, eu me encontrei acenando. — Sim, você pode ficar.


Capítulo Seis

Raven

Eu pisco os olhos, voltando para o presente enquanto Bash estaciona meu Challenger na minha garagem e desliga o motor. Eu não tinha pensado sobre aquela noite fazia muito tempo, não me deixei pensar sobre qualquer uma dessas noites em que Bash apenas sentava no sofá da minha sala de estar comendo pizza e nos conhecendo em um nível mais profundo.

Se eu achava que eu amava Bash antes, então eu estava enganada. Todo sábado à noite eu me apaixonava um pouco mais por ele e uma parte do meu coração ainda se recusava a expulsá-lo depois de tudo que ele disse e fez.

— Você está bem pensativa. — diz Bash enquanto ele se virava no banco do motorista para me encarar.

Eu dou de ombros. — Eu provavelmente estou bêbada. — Eu não estava, mas é uma desculpa tão boa quanto qualquer outra. Eu estou cansada e eu não sinto vontade de relembrar o passado. Eu não posso mudá-lo mais do que ele podia, então não tinha porque remexer tão fundo. Eu já superei o fato dele me deixar...

Ok, essa é a maior mentira que eu já havia dito. Eu ainda estou uma maldita bagunça e acho que eu nunca vou superar Bash se afastando de mim, quando meu irmão praticamente me entregou a ele numa bandeja de prata. Após cumprir a punição de Bash por se atrever a me tocar, Jet realmente deu a sua bênção. Se alguém conseguia levar uma surra como essa e ainda voltar para mais, então ele me merecia, ou pelo menos é o que Jet havia dito na época.

Mas Bash deixou a cidade no dia seguinte e ninguém sequer sabia onde ele estava até que ele ligou para o Tio Jack, há alguns meses.

— Raven... — Ele soltou um longo suspiro.

— Não. — Eu balancei minha cabeça. — Eu realmente não tenho energia esta noite. Eu nunca poderia ter energia para isso.

— Eu voltei, Raven. Eu estou aqui por você.

Meu coração apertou, querendo que suas palavras fossem verdade. Mas nós dois sabíamos que não eram. — Você voltou para o clube porque Jet queria você como seu substituto e os Originais concordaram. Eu não tenho nada a ver com isso.

— Você tem tudo a ver com isso! — Ele explodiu, mas não recuou. Mesmo um Bash com raiva nunca encostou a mão em mim. — Se não fosse por você eu nunca teria aceitado a corrida. Você foi a razão pela qual eu disse que sim, a única razão pela qual eu voltaria para esta vida. Todos os dias nesses últimos 15 meses eu senti falta de você, a ponto de loucura. Todo dia eu tenho lutado comigo mesmo para não voltar e tomar o que é meu.

— Eu não sou sua, Bash. Você me perdeu no dia em que você foi embora sem olhar para trás. — Digo com calma, mesmo quando as lágrimas brotaram dos meus olhos. — Pare de mentir para mim e especialmente para si mesmo. Se eu significasse algo para você, então você não teria escapado no meio da noite como um ladrão, sem um adeus ou até mesmo um foda-se.

O carro se enche com tensão. Eu quase consigo provar sua raiva. — Você acha que foi fácil para mim, Raven? Você acha que eu não me odiei, mesmo quando eu passei por aquela placa de pare na estrada? Você acha que eu ainda me sentia vivo quando eu estava tão longe de você? Você é minha alma, garota!

Um nó se formou na minha garganta e não importava quantas vezes eu tentei engoli-lo, ele simplesmente não ia. Eu respirei fundo, mas não disse nada. Não que eu pudesse de qualquer maneira. Não sem enlouquecer completamente. Não sem mostrar-lhe exatamente o quão quebrada eu estive e ainda estava. Em vez disso eu alcancei a maçaneta da porta, desesperada para fugir do homem que eu amava.

Eu estou do lado de fora e correndo por chuviscos antes mesmo de ouvir a porta do motorista se abrir. A casa estava escura, mas eu precisava da escuridão. Eu podia me esconder melhor nela, não que eu achasse que pudesse ficar longe dele se ele decidisse vir atrás de mim. Mas pelo menos no escuro eu podia esconder a minha dor, meu quebrantamento.

 

Hawk

Assim que Bash desapareceu pelas escadas da casa de fraternidade com a minha irmã mais nova, eu me volto para a menina ainda sentada no sofá. Odeio ver Felicity assim. Odeio o quão quebrado seu espírito está. Nenhuma mulher devia ficar tão destruída por um cara, especialmente por um bastardo como Jet.

Suspirando, eu me larguei ao lado dela. As mãos de Felicity brincavam com a garrafa quase vazia de tequila barata, enquanto seus olhos continuavam a observar a porta por onde Bash e Raven acabaram de passar.

— Eles não vão voltar. Ela acabou de livrá-lo de cometer assassinato. É melhor se ela o mantiver longe de pessoas pelas próximas horas.

Felicity deu de ombros, mas não disse uma palavra. Eu resolvo voltar para o sofá e observar todas as mudanças na garota que eu conheço desde o nascimento. A velha Felicity tinha sido vivaz, mas reservada com aqueles com quem ela não estava confortável. Seus olhos, de um azul tão surpreendente que eu sempre os comparava com o azul das Miosótis que minha mãe costumava plantar no nosso quintal, quando eu era criança. Felicity sempre foi cheia de curvas e eu sou um bastardo por ter fantasiado sobre ela uma vez... ou três. Mas nos últimos seis meses ela perdeu muito dessas curvas suaves apenas para ser substituída por uma versão gostosa da doce Felicity.

Seus olhos não são mais tão azuis como aquelas flores miosótis que eu tanto amo. Um cinza cor de nuvens de tempestade entrou em seus olhos, algo que está lá desde a noite em que eu tive que sair da minha cama e levá-la ao pronto-socorro em uma noite fria.

— Flick... — Eu esfrego uma mão cansada sobre o meu rosto, desejando que eu pudesse ajudá-la, mas sabendo que o único que pode fazer isso está sentado em uma cela de prisão. — Não vale a pena se destruir por homem nenhum. Eu já não disse isso a você e Raven um milhão de vezes enquanto cresciam?

— Isto não é sobre Jet. — Ela finalmente se vira para mim, aqueles olhos tão tempestuosos quebrando algo dentro de mim cada vez que eu os via. — Eu não consigo dormir à noite. Eu mal consigo comer. Não é Jet que me deixa assim. Sou eu. Eu me quebrei e eu não consigo me juntar de novo. Mas estou tentando, Hawk. Estou tentando tanto.

— Isso é sobre o... bebê? — É difícil para mim até mesmo dizer a palavra bebê. Eu quase tive uma sobrinha ou sobrinho, mas isso foi tirado de mim antes mesmo de que ele tivesse a chance de ser amado por uma família que teria movido o céu e a terra por ele. Se eu ainda estava tão quebrado com isso, então eu sabia que Felicity tinha que estar também.

Eu sabia que Jet tinha que estar fodido da cabeça sobre isso.

Seu queixo tremeu, me dizendo que isso era inteiramente sobre o bebê. — O que posso fazer para ajudar, Flick? Como posso melhorar isso para você?

— Você não pode. — Sua voz quebrou ainda que levemente, e então ela limpou a garganta. — Como eu disse, só eu posso me corrigir.

Murmurando uma maldição, porque eu não era exatamente estável quando há algo quebrado e não podia corrigir, eu a puxei em meus braços e beijei o topo de sua cabeça. Ela era tão confiante. Depois de ter passado a minha vida cuidando dela e de minha irmã mais nova, ela sabia que podia confiar em mim com sua vida. Apesar de algumas fantasias inadequadas que eu pudesse ter tido nos últimos anos, considerava Felicity como uma irmã. Ela sempre será minha pequena Flick — o nome que Raven lhe tinha dado, porque ela não conseguia dizer Felicity quando ela era um bebê.

— Se você precisar de alguma coisa, Flick — qualquer coisa — você vem até mim. Entendeu? Dia ou noite, estou sempre aqui por você. — Ela balançou a cabeça, me abraçando um pouco mais. — Eu sempre vou cuidar de você, querida.

Um suspiro trêmulo escapou dela. — Eu sei.

Sentamos lá por um longo tempo. A música ainda estava tocando e sim, ainda existiam casais fazendo sexo nos outros dois sofás. Eles estavam tão drogados que não registraram nada do que aconteceu ao redor. Quando os sons de mulheres gemendo começaram a afetar meu corpo, eu levantei e segurei a mão de Felicity. Eu precisava tirá-la de lá antes de fazer algo louco como seduzi-la apenas para aliviar meu corpo dolorido.

À medida que começamos a descer as escadas, um grito assustador foi ouvido por sobre a música de repente. Felicity ficou rígida ao meu lado enquanto eu congelava no degrau. Seus olhos encontram os meus, quando outro grito seguiu o primeiro. Ela estava se movendo antes mesmo que eu entendesse que eu deveria estar olhando em volta, procurando pela fonte do grito.

Felicity desceu as escadas comigo logo em seus calcanhares. Ela começa a forçar as portas no primeiro andar procurando pela menina que continuava a gritar como se sua própria vida dependesse disso. Meu estômago se agitou porque eu sabia de todos os cenários possíveis que podíamos encontrar e cada um me enojava.

Era difícil acompanhar o som dos gritos sobre o volume da música, mas Felicity parecia estar chegando mais perto. Finalmente, Felicity encontrou um quarto na parte de trás da casa de fraternidade com uma porta fechada, e os gritos provavelmente vinham do outro lado. Eu a afastei e chutei a porta, estilhaçando a madeira pesada. Usando o meu ombro, eu empurrei a porta para baixo e encontrei uma visão que iria me assombrar até o dia da minha morte.


Capítulo Sete

Gracie

Eu sabia que iria me arrepender de concordar com essa festa estúpida assim que Janice estacionou no quintal da casa da fraternidade. A música tocava tão alta lá dentro que eu já podia sentir minha cabeça começa a latejar junto com a batida. As duas meninas que atacavam o capitão do time de lacrosse só reforçavam o fato de que eu não pertencia aqui.

Eu não gostava de festas, e eu não faço a coisa toda de fraternidade. Eu ainda sou virgem, pelo amor de Deus. Ver pessoas fazendo sexo em todos os cantos da casa enquanto outros assistem não é algo com que eu estou confortável.

Então por que eu concordei em vir hoje à noite com a minha colega de quarto Janice?

Sim, eu ainda estou me perguntando isso.

Eu nem tenho certeza se gosto de Janice. Tínhamos sido emparelhadas pelas autoridades habitacionais do campus da universidade porque supostamente viemos de origens semelhantes. A primeira impressão que eu tinha era que a garota era uma vadia, e isso vindo de mim significava muito. Eu tentava ver o melhor nas pessoas, mas até agora tinha sido difícil ver isso em Janice.

Ainda assim, eu queria dar-lhe uma chance. Então, quando ela tinha oferecido este ramo de oliveira me chamando para ir com ela hoje à noite, eu aceitei.

Quarenta minutos mais tarde, eu estava seriamente desejando que eu não tivesse feito isso.

Eu poderia ter estado no meu quarto estudando para o exame de História. Eu poderia ter lavado a minha roupa e estar assistindo as reprises de Bones na caverna do meu prédio. Em vez disso, eu estou aqui, fingindo beber dos copos vermelhos com cerveja que Janice continuava empurrando para mim. Eu odiava o gosto da cerveja, e não tinha cabeça para o licor, então eu derramava a cerveja um pouco de cada vez, quando ninguém estava olhando.

Eu descobri rapidamente que se Janice era uma vadia quando sóbria, bêbada ela é dez vezes pior. Ela ficava malvada e insultante. Decidi então que ia para as autoridades habitacionais na segunda-feira e pedir um novo apartamento para o que sobrou do semestre de primavera. Por Deus, eu até aceitaria um dos quartos de dormitório deles ao invés deste tipo de abuso.

— Aí está você. — A voz de Janice me assustou quando eu saí do banheiro no primeiro andar.

— Aqui estou. — Eu olho para trás da minha colega de quarto para os dois caras que estão em cada lado dela. Eles podiam estar no time de beisebol, mas não sabia com certeza. Janice é uma líder de torcida e está sempre por perto dos jogadores. — Eu vou voltar para casa. — Eu digo a ela, ignorando as caras sorridentes atrás dela. — Eu tenho um exame que eu realmente preciso gabaritar. — Quando ela abre a boca como se quisesse protestar, eu balancei minha cabeça. — Não se preocupe. Eu posso andar. — Eram apenas dois quilômetros até o nosso apartamento e eu corria três vezes mais do que isso todas as manhãs. Dois quilômetros de caminhada não iriam doer nada.

O cara à direita de Janice deu um passo à frente. — Nós não podemos deixar você correr de nós agora, doçura. Janice nos prometeu um pouco de diversão.

Meus olhos se arregalaram quando ele agarrou meu pulso forte o suficiente para deixar hematomas. — Me solte. — Eu ordeno. Depois de assistir a luta da minha mãe em um casamento abusivo pela maior parte da minha vida, eu não podia lidar com ser tocada.

— Bem, bem. — O segundo homem se aproximou e de repente eu me senti presa. Eu me afastei até que minhas costas estavam contra a parede. — Nós apenas queremos ter um pouco de tempo sozinhos, menina bonita.

Uma Janice bêbada desliza por detrás deles, e meu estômago revira quando eu percebi que ela está gravando a minha reação em seu smartphone. — O que você está fazendo? — Eu pergunto estupidamente, ainda incerta se estou realmente vendo isso, rezando silenciosamente que isso fosse um pesadelo e que eu iria acordar, sabendo no fundo o que está prestes a acontecer comigo.

A música está muito alta, as pessoas que estão em volta de nós estão muito bêbadas ou drogadas para se importar com dois caras me puxando para dentro da sala por trás deles. Janice seguiu, registrando tudo mesmo quando ela trancou a pesada porta de carvalho. Estava no quarto dos jogos. Uma mesa de bilhar ocupava um terço da sala e quatro sofás de couro estavam espalhados em vários ângulos para oferecer uma visão da tela plana na parede.

Eu lutava contra o cara segurando meu pulso. Ele era alto, volumoso e loiro. Seu amigo, um cara que eu já tinha visto Janice beijando na quadra na semana passada, era um pouco menor, com olhos vermelhos castanhos e cabelos castanho-avermelhado alguns tons mais escuros do que o meu. Eu acho que o nome dele é Brayden. O loiro aumenta seu aperto, já fazendo hematomas no meu pulso, me fazendo gemer de dor quando ele me empurra em direção à mesa de bilhar.

— Não! — Eu resisti mais duro, cavando meus saltos no tapete grosso enquanto eu tentava atrasá-lo. Eu sabia em minha alma que, assim que eu estivesse nessa mesa de bilhar, eu não seria capaz de parar o que iria acontecer.

Brayden pegou um punhado de meu cabelo espesso e castanho e começa a me puxar junto com seu amigo. — Você segura ela, enquanto eu vou primeiro — diz o loiro enquanto levantava minhas pernas e as colocava em cima da mesa.

— Por que você vai primeiro? — O loiro pergunta. — Você acabou de sair com a Janice do banheiro. Meu pau está latejando.

— Porque essa coisa doce é o meu presente de aniversário de Janice. — Brayden informa ao amigo.

Vou vomitar. Brayden já está abrindo o zíper da calça e eu não consigo me libertar do aperto do cara loiro em mim. Eu não tenho muita proteção na forma de roupas. Janice tinha me oferecido um de seus vestidos para vestir esta noite e eu estupidamente aceitei. O material sedoso sobe minhas coxas expondo minha calcinha para os olhos de todos. Mesmo Janice, enquanto ela continuava a gravar a minha humilhação, parecia excitada com a visão do material de algodão branco.

Uma mão quente e pesada tocou minha coxa, e eu não pude evitar o grito de puro terror que me escapou. Não havia nenhuma utilidade em gritar, não com esta música e não com todas as pessoas drogadas nesta casa. Não havia ninguém para me salvar, eles estavam tão viciados em suas próprias mentes. Eu testemunhei a maioria deles passando drogas para os outros como se fossem doces.

Brayden ri e isso soa tão maldoso que arrepia meu coração e faz murchar algo dentro de mim. — Eu gosto daquelas que gritam. — ele me diz, enquanto seus dedos pegam a borda da minha calcinha e ele começa a puxá-la para baixo.

Eu não queria dar-lhe a satisfação, não queria me humilhar ainda mais gritando novamente, mas o instinto assume e eu começo a gritar até que minha garganta esteja crua. Minha calcinha foi arrancada, e Brayden abre minhas pernas que ainda chutam com facilidade, enquanto seu amigo segura meus pulsos tão apertado que parece que ele está esmagando meus ossos.

— Você jura que ela é virgem? — Brayden pergunta a Janice.

— Pura como a neve, baby. — Minha colega de quarto sorri para ele, e foi a coisa mais maliciosa que eu já vi em toda a minha vida. — E toda sua.

Seus dedos musculosos roçam o meu sexo, e eu grito mais alto e mais forte. Eu nunca estive tão assustada na minha vida, e lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu orava por tudo o que eu valia a pena...

O som de madeira estilhaçando parecia ser uma alucinação, minha mente tentando oferecer algum escape quando eu precisava. As três pessoas más que estavam sobre mim não pareciam notar, mas segundos depois a madeira explode e na porta está meu anjo vingador.

Eu o vi através das minhas lágrimas. Seu cabelo é longo, empurrado para trás de um rosto que é tão surpreendentemente bonito que eu sabia que ele não podia ser real. Seus ombros eram quase tão grandes quanto a porta, e ele apenas forçou seu caminho. Uma camiseta de banda de rock apertada se estendia por seus músculos impressionantes que parecem vibrar com cada respiração ofegante que ele inspirava.

Meus captores giraram lentamente, seus reflexos entorpecidos por qualquer droga que eles tinham tomado esta noite. Janice oscilou, filmando-o com o smartphone antes de decidir que ele não era qualquer coisa de valor e se voltar de novo para mim. Brayden se dobra para alcançar seus jeans pendurado em volta de seus tornozelos, empurrando-os enquanto ele olhava para o intruso. — Cai fora, cara. Esta é uma festa privada.

— A festa acabou. — ele ruge em uma voz tão profunda e mortal que quase me fez gritar de novo. — Saia de perto dela.

Houve um movimento por trás do meu salvador e estou chocada ao ver uma menina que eu conheço da escola de pé ao lado dele. Ela é linda, com os cabelos voando ao redor de seus ombros e com o rosto pálido, com os olhos azuis assombrados.

— Felicity. — Eu choro o nome dela, desesperada por alguém em quem confio quando eu não posso confiar em ninguém.

— Gracie. — ela exclamou, correndo em minha direção.

— Flick. — O anjo vingador é rápido atrás dela, parecendo frenético para mantê-la segura.

O loiro ainda segurava os meus pulsos. Eu me esforcei em vão contra eles enquanto Brayden e Janice apenas ficaram no final da mesa de sinuca me observando. Felicity se aproximou e puxou o meu vestido para baixo sobre as minhas coxas. — Solte-a, seu animal doente! — ela gritou, o homem loiro ainda me segurando. — Hawk, por favor.

Eu não sei o que ela está pedindo, mas o próximo som que eu ouço é o grito de dor de Brayden desabando sobre o chão, depois de dois rápidos golpes duros no rosto. Então ele estava ao lado do cara loiro, agarrando seu cabelo loiro curto e torcendo a cara para encará-lo. — Maldito Ruim! — Eu ouço e depois estou livre.

Não posso me mover. Estou chorando muito, meu corpo se recusa a cooperar comigo mesmo quando eu desesperadamente desejava estar tão longe daqui quanto humanamente possível. Dedos gentis derramaram sobre o meu cabelo, e eu olho para cima para encontrar Felicity sussurrando suavemente para mim. — Você vai ficar bem agora, Gracie. Pegamos você. Hawk vai matar todos eles se eles te tocarem de novo.


Capítulo Oito

Hawk

A menina ainda estava chorando tanto que seu corpo tremia. Com ambos os bastardos doentes inconscientes no chão e a vadia que estava filmando a coisa toda havendo fugido a muito tempo atrás, eu puxei um cobertor das costas do sofá mais próximo e o envolvi em volta da garota. Ela fugiu de mim até que Felicity disse a ela que eu não ia machucá-la.

Eu ainda estava lutando contra a vontade de vomitar quando eu a levanto em meus braços, segurando-a com ternura, e a levo pela porta mais próxima. Felicity estava logo atrás de mim, já tirando as chaves de seu carro e destravando as portas quando cheguei perto do Jeep dela. Eu coloquei a garota no banco de trás e debati sobre deixar meu próprio carro e ir com Felicity. Eu sabia que se eu tivesse que voltar para buscá-lo, eu iria matar todos os meninos de fraternidade dentro daquela casa.

— Para onde você vai levá-la? — Eu exijo.

— Eu não posso levá-la para minha casa. Nós vamos ter que ir para a sua.

Concordo com a cabeça uma vez e corro para o meu carro quando Felicity rasga a grama em sua pressa de sair de lá. Eu atiro um último olhar assassino para a casa de fraternidade antes de ligar o meu carro. Os meninos e eu voltaremos. Nós iremos garantir que essa porra de lugar queime no chão enquanto aqueles filhos da puta assistissem.

E com essa promessa em silêncio dentro de mim, eu sigo Felicity.

Ainda estava chovendo e as estradas estavam escorregadias. Meu instinto era pegar Felicity e chegar até minha casa com segurança, mas eu sabia que ela poderia lidar com seu carro como ninguém. Jet e eu a tínhamos ensinado nós mesmos a dirigir, e essa menina podia lidar com praticamente qualquer coisa com volante. Parecia que ela levava uma eternidade para chegar em casa, e eu comecei a bater no volante em frustração quando vi as luzes de freio do jipe de Felicity entrando em minha garagem.

Felicity deve ter ligado para avisar Raven, porque ela já estava na garagem com um cobertor limpo. Bash ficou mais afastado ao lado dela, mas quando viu o olhar em meu rosto enquanto eu batia a porta do meu carro, ele correu para frente. — O quê? O que aconteceu? Raven só disse que Flick tinha uma menina que estava em apuros.

Eu não respondi de imediato, sem ter certeza do que eu poderia falar com a raiva que eu estava de qualquer maneira. Em vez disso, abri a parte de trás do jipe e levantei cuidadosamente a menina, que agora estava chorando em silêncio. Eu lancei o cobertor cheirando a fumaça de lado e peguei o que Raven estava oferecendo e envolvi em torno de meu pacote. Ela escondeu o rosto no meu peito, escondendo seu rosto bonito dos olhos de todos.

— Eu a conheço da minha aula de História. — Eu ouço Felicity explicar a Raven atrás de mim. — Ela é tão agradável. Tão doce. E esses animais doentes...

— Flick. — eu rosnei para ela por cima do meu ombro quando ouvia os gemidos da menina. — Cale a boca!

— Coloque-a no sofá. — diz Raven, a enfermeira dentro dela aparecendo. Ela observa que a menina se agarra ao meu pescoço enquanto eu tentava libertá-la, logo que ela estava em segurança no sofá. — Qual é o nome dela, Flick?

— Gracie. Gracie Morgan.

Raven colocou-se cuidadosamente entre eu e Gracie, falando baixinho como se fosse para um pequeno animal ou uma criança. — Meu nome é Raven, Gracie. Estou aqui para ajudá-la. Mas eu não posso fazer isso se Hawk estiver no caminho. Ok, querida? — Raven soltou levemente o aperto da morte que Gracie tinha no meu pescoço, e eu dei um passo para trás, com relutância.

— Vá, Hawk. Eu tenho que verificar o corpo dela. Ela não vai me agradecer se eu deixá-lo ver isso. — Raven ainda estava falando naquele tom suave, mas eu ouvi o comando em sua voz.

Cerrando os punhos ao meu lado eu fui embora, enquanto tudo dentro de mim gritava que eu deveria ficar. Talvez fosse a situação e meu complexo de herói, mas eu sentia uma ligação estranha com essa menina e, a cada passo que me levava para longe dela o meu coração gritava em protesto.

Bash estava de pé na porta da cozinha, seu grande corpo tenso e pronto para qualquer coisa. Eu não poupei um olhar a ele quando eu abri a geladeira e puxei uma cerveja. Eu senti seus olhos em mim me olhando como um gato prestes a atacar sua presa. Eu ignorei. Eu não podia poupar um segundo de pensamento com ele quando minha mente era uma tempestade de caos.

Da sala de estar, eu só podia ouvir os murmúrios suaves de minha irmã sobre o choro contínuo de Gracie. A cada soluço e lágrima algo dentro de mim apertava. Se eu estivesse pensando direito, eu teria percebido que eu estava louco, porque eu nunca deixei algo assim me afetar antes. Eu sou o irmão sem emoção em momentos como este, capaz de desligar tudo para que eu pudesse cuidar do que precisava ser feito.

Bash sabia disso e isso o deixou em guarda ainda mais enquanto me observava. Todos os seus anos sendo o executor tinham deixado-o em estado de alerta, seus instintos protetores para cuidar de sua mulher – minha babá – surgindo em direção à zona vermelha.

Ele esperou até que eu tomasse a metade da cerveja antes de falar. — O que aconteceu?

Eu olho pela janela da cozinha, a cena piscando na minha cabeça uma e outra vez. — Havia dois deles... Eles estavam segurando-a... Uma garota estava ali para tirar fotos ou filmar. Vadia doente.

Bash murmurou uma maldição violenta. — O que você quer fazer, cara? Você sabe que vou apoiá-lo em tudo. Eu não aceito essa merda e nem qualquer um dos Originais.

Fantasias do que eu queria fazer com os rapazes da fraternidade, cada um deles, e não apenas os dois que estavam machucando Gracie, passaram pela minha mente mais uma vez. — Eu avisarei você. Por agora vamos apenas cuidar da menina.

Felicity entrou na cozinha, seu rosto estava ainda mais pálido do que eu já vi. Lágrimas estavam em seus olhos azuis e isso me rasgou. Droga, ela tinha sua própria merda para lidar, sem precisar adicionar isso. — Raven diz que eles não tiveram a oportunidade de estuprá-la. — ela sussurrou, enquanto caia em uma das cadeiras da mesa de café.

Eu relaxei apenas um pouco, alivio como nada que eu já senti antes fluindo através de mim, e eu quase deixei cair a garrafa de cerveja. — Bem, obrigado por isso. — murmuro.

— Esses filhos da puta ainda precisam aprender uma lição. E a menina com a câmera... Flick, você sabe quem era ela?

— Sim. — Felicity morde com nojo. — Era a colega de quarto dela. Janice é da minha turma de Psicologia às terças-feiras. Ela é uma verdadeira peça.

— Eu quero que lide com isso. — Bash diz a ela em um tom que não deixa espaço para discussão. Felicity só balançou a cabeça. — Nós não podemos ter esses idiotas correndo ao redor desta cidade. De quantos você precisa?

Felicity apertou sua mandíbula. — Tenho certeza de que Raven e eu podemos lidar com ela por conta própria. Mas se não pudermos, eu peço a minha mãe.

— Leve Colt com você quando você fizer isso.

Raven entrou na cozinha, seus olhos estavam selvagens e as mãos tremendo ligeiramente quando ela se moveu em direção a pia para lavar as mãos. Lentamente, ela se virou para me encarar. — Tirando algumas contusões muitas feias, ela está fisicamente bem. Mentalmente... — ela balança a cabeça. — ... Bem, isso é outra história.

Minha mandíbula doeu de tanto apertar. Tudo que podia fazer era acenar com a cabeça. Raven tocou meu braço, me acalmando marginalmente. — Ela está perguntando por você, Hawk.

Eu olhei assustado para minha irmã. — O quê?

— Ela está com medo de qualquer barulhinho no momento. Você a resgatou. Em sua mente, você é a única coisa que é segura. Vá até ela, Hawk.

Eu não fui feito para ser suave. Eu não estava condicionado para ser gentil. Depois de ter sido criado por um motociclista com um clube inteiro atrás dele me ensinando todas as coisas que os homens não deveriam sentir, eu não tinha certeza se eu podia oferecer à menina o que ela precisava agora...

Mas não é isso o que eu estava fazendo desde que a ouvi gritar? Uma voz rosnou na parte de trás da minha mente. Algo havia mudado dentro de mim e eu cuidava de Gracie com ainda mais ternura do que eu teria cuidado de Raven ou Felicity. Então talvez eu pudesse ser o que ela precisava naquele momento.

 

Gracie

Eu acordei me sentindo desorientada.

Eu não estava no meu quarto, no meu apartamento perto da escola. Eu percebi que não estava nem mesmo em minhas próprias roupas quando me movi e senti o tecido macio da calça do pijama que minha nova amiga tinha me oferecido na noite anterior. Com as memórias de Raven Hannigan, vieram as outras memórias que me assombraram durante a maior parte da noite, e eu mordi o lábio para evitar que ele tremesse.

Minha garganta doía. Eu devia estar realmente tensa ontem à noite com todos os gritos. Eu não era muito chorona, mas parecia que eu chorei um oceano cheio nas últimas doze horas. Engolindo as lágrimas, eu me virei na cama confortável...

Um gemido atrás de mim me fez congelar, e eu virei minha cabeça lentamente até que eu vi o rosto adormecido do meu anjo vingador. Eu tinha descoberto que o nome dele era Hawk Hannigan, e ele me salvou, sem nem mesmo questionar. Devo-lhe a minha vida, a minha própria sanidade.

As memórias de Hawk me levando pra cima e me colocando em sua cama flutuaram de volta para mim, afastando as memórias terríveis de Brayden e Janice e daquele cara loiro. Ele tinha tomado conta de mim sem uma única queixa. Quando acordei no meio da noite, gritando quase tão alto como quando eu tinha sido atacada, ele estava lá me acalmando com mãos suaves que eram tão em desacordo com o seu tamanho e força perceptível por trás delas.

Eu tinha caído no sono com seus braços me segurando. Não me lembro de alguma vez me sentir mais segura em toda a minha vida.

A lógica dizia que eu não deveria me sentir tão segura com um homem que transpirava perigo por todos os poros. Depois da noite anterior, eu deveria ter medo de todo o homem e de todos os outros... humanos, considerando que tinha sido minha colega de quarto que planejou tudo. Mas com Hawk eu instintivamente sabia que nada de ruim iria acontecer comigo.

Como se sentindo meus olhos nele, seus olhos se abriram. Eles eram de uma cor verde-oliva-jade incomum que parecia ver minha alma. O olhar feroz em seu rosto relaxou e ele me ofereceu o menor dos sorrisos. — Como você está se sentindo?

— Eu estou bem... — Minha voz estava rouca de tanto gritar na noite anterior. — Eu não acho que eu disse isso ontem à noite, mas eu realmente queria te agradecer. Se você não estivesse lá eu... Bem, eu tenho certeza que as coisas teriam acabado de forma muito diferente. — E esse pensamento sempre me deixará grata por este homem.

— Não. — Ele levanta sua mão e traça seus dedos sobre o meu rosto com tanta ternura que eu senti lágrimas frescas picarem meus olhos. — Não pense sobre a noite passada. Não vale a pena. E qualquer homem decente teria feito a mesma coisa que eu fiz.

— Então eu tive sorte que um bom exemplo estava na festa.

Ele parecia quase envergonhado por minha gratidão. Eu não queria isso, assim eu mudei de assunto. — Eu preciso voltar para o meu apartamento. Eu deveria encontrar um hotel para ficar até que eu possa falar com a autoridade habitacional na segunda-feira sobre assumir um novo quarto. — Não tinha como eu dormir sob o mesmo teto que Janice nunca mais. Eu tinha um pouco de dinheiro extra, o suficiente para cobrir um hotel por uma noite ou duas, mas eu teria que encontrar um emprego em breve para ajudar com as minhas despesas. Minha bolsa da faculdade cobria minhas refeições no campus, mas há outras coisas cotidianas que eu teria que pagar e o que sobrou de minha herança estava esgotando mais rápido do que eu esperava.

— Não há necessidade para isso. Você pode ficar aqui o tempo que for preciso. Flick e Raven terão tudo que você precisa. Quanto a Janice... uma vez que terminarem com ela, você nunca mais vai ter que se preocupar com aquela vaca doente de novo.

Eu franzir a testa. — O que você quer dizer? O que elas vão fazer? — Elas iriam falar com ela? Falar com ela não faria com que ela fosse menos da cadela demente que ela é em sua alma.

— Não se preocupe com isso, Gracie. Basta dar a Raven sua chave e elas vão pegar suas coisas. — Ele sentou, fazendo com que o edredom caísse até a cintura e me mostrasse que ele dormiu com seus jeans a noite toda. Por que isso me decepcionou, eu não tinha certeza. As possibilidades eram suficientes para me fazer corar e vergonha me encheu. Eu quase tinha sido abusada sexualmente na noite anterior e aqui estou esperando ver um pouco deste anjo vingador loiro?

Há uma breve batida forte na porta antes de abrir, e uma versão um pouco mais nova do homem ainda sentado na cama ao meu lado entrou. — Bash quer saber o que você pretende fazer com a casa de fraternidade. Nós faremos isso hoje, ou o quê?

— Vou avisá-lo antes do fim do dia.

Eu não consegui tirar os olhos do cara novo. Ele devia ser o irmão de Hawk. Eles tinham os mesmos cabelos loiros e olhos verde-oliva-jade. Esse cara tinha uma construção um pouco mais magra, mas eu achava que ele era pelo menos uns cinco centímetros mais alto que Hawk. Quando eu continuei olhando para ele, o cara novo deu alguns passos para mais perto me estendendo a mão. — Ei, Gracie. Sou Colt.

Quando eu apertei a mão dele, fiquei surpresa ao ver a tatuagem em seu bíceps esquerdo: um diamante com um conjunto de asas de anjo dentro e um halo de fogo flutuando por cima. Ar parecia estar sendo tirado de meus pulmões, quando de repente eu percebi onde estava e exatamente com quem estava. Eu era nova na cidade, mas já tinha ouvido tudo sobre os motociclistas que corriam em Creswell Springs, Califórnia.

Há rumores de que o presidente do clube de motociclista local havia matado um homem com as próprias mãos. Ele havia sido condenado apenas algumas semanas atrás, e todos no campus estavam falando sobre ele desde o dia em que isso aconteceu e estava em todos os jornais locais. Já ouvi histórias de como eles são brutais... e quão devastadoramente sexys são...

Meu olhar voltou para o homem ainda sentado na cama. Hawk me observava de perto, e eu estava tentando compreender que o homem que tomou conta tão bem de mim fazia parte de uma gangue de motoqueiros. — Você é membro da Angel’s Halo? — Eu sussurrei.

Seus olhos estreitaram. — Sim.

— Você... Você realmente é um assassino? — Tudo dentro de mim protestou contra a pergunta assim que eu a proferi, mas eu precisava saber. Precisava de sua resposta antes que pudesse ser capaz respirar novamente.

— Não. — A resposta dele era firme, e eu vi uma ferida escurecer seus olhos antes que ele jogasse as cobertas e se levantasse. — Nós não somos assassinos.

Eu mordi meu lábio, sabendo que eu o tinha magoado de alguma forma, mas não sabia como corrigir isso. — É que eu sou nova por aqui... e houve uma conversa sobre o Angel’s Halo ser... — Eu parei, sem saber como eu poderia descrever sua gangue sem insultá-lo ainda mais do que eu, obviamente, já tinha feito.

Colt limpou a garganta, ainda de pé ao lado da cama à espera de seu irmão. — São apenas rumores que a universidade começa para manter as calouras virgens longe dos grandes motoqueiros ruins.

Um rubor se arrastou em minhas bochechas. Eu sou virgem e, obviamente, tinha sido colocada no meu lugar. — Sinto muito. — eu sussurrei.

— Não se preocupe com isso. — O tom de Hawk é um pouco menos gelado, mas eu ainda podia ver que ele não estava feliz com a tensão em seus ombros. — Colt, vamos. Gracie precisa se vestir.

— Hawk... — Eu chamei hesitantemente depois dele seguir o irmão para fora da porta. Eu ouço a maldição que ele murmura baixinho antes de virar a cabeça para olhar para mim por cima do ombro. — Sinto muito. — Eu digo a ele novamente.


Capítulo Nove

Raven

Hawk saiu de casa sem dizer uma palavra para mim ou Felicity. Colt o seguiu, mas pelo menos ele pegou as chaves. Eu franzi a testa para os meus irmãos, me perguntando o que se passava com os olhos mortos de Hawk. Os meninos da fraternidade ainda deviam estar pesando em sua mente para ele estar com esse tipo de humor.

Felicity bebeu seu último gole do suco de laranja antes de lavar o copo e se virar para me encarar. — Você está pronta para isso?

Se eu estava pronta para bater em uma vaca doente que planejou um estupro coletivo de uma menina doce e inocente? — Vamos. — Eu me sentei na mesa da cozinha e puxei as minhas botas de salto alto. Eu estava tão pronta.

Na hora em que eu tinha terminado de amarrar minhas botas, Gracie estava descendo as escadas. Eu olhei para ela quando ela entrou na cozinha. As calças que eu tinha emprestado a ela pareciam ser, pelo menos, um tamanho maior, e ela parecia pálida e com os olhos turvos. Eu normalmente não ficava com coração mole e preocupada com outras mulheres, mas havia algo sobre Gracie Morgan.

— Bom dia, Gracie. — Felicity a cumprimentou com um sorriso. — É um novo dia brilhante. Vamos tomar o mundo pelas bolas e apertá-las.

Um meio-sorriso levantou seus lábios, mas ela não se moveu da porta. — Eu... eu acho que magoei os sentimentos de Hawk... — ela sussurra, hesitante.

Isso fez um sorriso surgir em meus próprios lábios. — Hawk?

Gracie pisca as lágrimas, o queixo tremendo. — Eu... Bem... Eu não sabia que ele era... membro da Angel’s Halo... e eu tinha ouvido falar tantas coisas ruins...

Eu suspirei e empurrei o meu longo cabelo loiro do meu rosto. Eu não tinha certeza de como lidar com isso. As mulheres que eu conhecia eram todas conscientes de quem meus irmãos são e quão perigosos podiam ser. As mulheres que perseguiam qualquer membro da Angel’s Halo estavam procurando por um passeio no lado selvagem, e não alguém que ia segurar sua mão ou uma merda assim. — Olha, Gracie...

— Os caras têm uma má reputação por aqui, Gracie. — Felicity disse a ela antes que eu pudesse sequer adivinhar o que dizer. — Eu não vou mentir para você. Eles são muito hardcore, mas isso é porque eles têm que ser. Eles não são bandidos. E eles com certeza não toleram estupro. Hawk, ele é muito importante no clube, mas ele é um cara muito legal. Não o julgue a partir de rumores que idiotas estúpidos começaram porque eles não eram bons ou corajosos o suficiente para fazer parte da Angel’s Halo.

— Eu sei. — Gracie deu um suspiro trêmulo. — Eu percebi isso logo que eu disse. Mas eu confio em Hawk... com a minha vida. Como eu pude machucá-lo?

— Não diga merda de novo. — eu disse, me levantando e pegando as chaves do meu Challenger. — Hawk acabará por esta noite, mas a única maneira de provar a ele que você não quis dizer o que você disse é permanecer fiel a ele... — Eu lanço um olhar sério por debaixo dos meus cílios. Eu posso gostar da garota -surpresa- mas eu não deixaria ninguém machucar meus irmãos. Se eles eram protetores comigo, então eu tinha certeza como o inferno que eu seria protetora com eles também. — E se você disser coisas estúpidas como essa novamente, você terá que responder a mim.

— Não, eu não vou. — Gracie cruzou os braços sobre o peito, não parecendo disposta a recuar. Isso era um bom sinal. Se ela estivesse com medo de mim, então ela não iria durar muito tempo neste mundo louco em que vivemos, eu acho que talvez Hawk quisesse mantê-la por um tempo, e eu não me importaria se ele fizesse. Ela podia ser toda inocente e tudo mais, mas eu via o fogo no fundo de seus olhos.

— Eu preciso de suas chaves. — Eu estendi minha mão. — Felicity e eu vamos pegar o máximo de suas coisas que pudermos hoje e voltar para pegar o resto amanhã.

Após a menor hesitação, ela me entrega as chaves. — Tenham cuidado.

Eu não pude parar o sorriso maligno que se formou em meus lábios quando olhei para Felicity. — Não se preocupe com a gente. — Isso ia ser divertido.

Felicity não achava que tínhamos de levar qualquer outra pessoa com a gente e eu concordava. Entre nós duas, íamos demonstrar bem o nosso argumento na vaca doente. Só porque nós não precisamos de nenhuma outra mulher para ajudar, eu ainda queria assegurar as coisas. Saltei do Jeep de Felicity logo que ela parou no estacionamento da Razor’s Ink.

O sinal na porta dizia fechado, mas eu sabia que Spider estava lá dentro. Era uma manhã de sábado. Pelo menos um dos caras da Angel’s Halo estaria ali para fazer uma tatuagem nova. Embora Razor fosse o dono original da loja, Spider era quem trabalhava agora. Ele era o único que eu deixei fazer uma tatoo em mim, e no ano passado ele se tornou como um irmão para mim. Eu sentia que estava tão perto dele como eu estava de Felicity.

Eu bati duas vezes antes de tentar entrar e encontrar a porta aberta, o que era exatamente o que eu esperava. Só um idiota iria tentar algo contra Spider. — Hey! — Eu chamei quando eu vi a sala da frente vazia. — Você está ocupado?

— Depende da sua definição de ocupado. — A voz rouca veio do corredor que levava aos quartos mais particulares, onde as tatuagens eram discretamente feitas. Spider colocou a cabeça no canto, estreitando os olhos para mim. — O que você quer, garota?

Eu me inclinei contra o balcão da frente, onde o seu computador já estava sendo inicializado. — Eu preciso de você por cerca de uma hora. Você pode vir comigo e Flick?

Seus olhos negros se estreitaram ainda mais enquanto ele caminhava em direção a mim. Eu sorri para o monstro enquanto ele levava o seu tempo. Eu não sabia realmente porque o clube o chamava de Spider. Ele só tinha a tatuagem da Viúva Negra em seu pescoço há cinco anos, e ele estava no clube por pelo menos seis. Muitas pessoas não sabiam que seu verdadeiro nome era James, ou que ele tinha uma fraqueza por Snickers . Ninguém queria saber dessas coisas.

Tudo o que importava era que ele era um filho da puta assustador e podia te destruir com o movimento do pulso. Ele tomou posse como executor quando Bash tinha saído no ano anterior, e ninguém queria lidar com ele mais do que eles queriam lidar com Bash, então havia principalmente paz dentro do clube. Eu deixei meus olhos vagarem por ele.

Spider tinha apenas vinte e quatro anos, mas ele parecia mais velho do que Jet, que tinha trinta e um. Ele tinha a cabeça raspada e amarrava um lenço em torno dela. O piercing de touro atraia os meus olhos para o seu nariz. Ele tinha sido quebrado pelo menos duas vezes e nunca foi corrigido corretamente. Seu cavanhaque marrom escuro escondia a covinha no queixo. Ele estava vestindo uma camisa de uma banda de rock que gostávamos. A camiseta apertada sobre o peito duro sempre me fazia pensar nele sem ela, o que ele podia fazer em um piscar de olhos, destruindo a camisa. As calças de brim velhas estavam penduradas em seus quadris estreitos. Botas tamanho 44 bateram na minha direção.

— Alguém te tocou, Rave? — Ele perguntou quando se aproximou. — Preciso cuidar de alguém?

A regra de que ninguém tocava Raven Hannigan era a única regra que Spider tinha certeza que fosse aplicada. Jet garantiu isso. Isso não significava que eu não tinha tentado seduzi-lo quando eu estava me recuperando. — Não, não. Eu tenho que cuidar de algo para Hawk e eu estava esperando que você pudesse vir comigo e Flick.

— Claro. Eu sempre tenho tempo para você.

Levou vinte minutos para chegar ao apartamento de Gracie a apenas uma quadra da universidade. Spider fez o caminho dos dois lances de escada e bateu na porta, mantendo a sua tatuagem de aranha afastada do olho mágico enquanto esperávamos por Janice atender a porta. A tatuagem é a parte mais assustadora de Spider. Ninguém poderia vê-la e não saber que ele era um homem muito perigoso. Assim, ele manteve o lado menino bonito do seu rosto visível para o buraco, e eu sabia que Janice não seria capaz de resistir a abrir a porta para isso.

Eu olhei para Felicity, que já tinha o telefone dela para fora, pronta para gravar o que estava prestes a acontecer. Janice não ia gostar quando a situação se invertesse e alguém gravasse sua humilhação.

A porta se abriu e uma Janice sem fôlego olhou para Spider, seus olhos de vaca comendo-o. Ele deu um passo para trás e eu estiquei minha cabeça ao redor de seus ombros largos. — Olá. — eu disse com um sorriso que era pura maldade. Ela guinchou de surpresa com a minha aparição repentina. — Você é Janice?

— Hum... sim... — Ela olhou hesitante para o meu amigo e, em seguida, de volta para mim. — Eu te conheço?

Felicity colocou sua cabeça do outro lado de Spider. — Não, mas você está prestes a conhecê-la muito melhor. — Ela torceu o nariz para cima, de uma forma que era tão bonita que desmentia qualquer mal pensamento piscando em sua mente agora.

Eu passei em volta de Spider e me encostei em seu peito duro. Infelizmente, eu não entendia as borboletas no meu estômago quando eu o tocava assim. Minha calcinha não derretia quando eu sentia seu cheiro masculino único. Eu não tinha sido capaz de sentir qualquer coisa desde que eu tinha decidido usar Spider como minha escapada sexual após Bash me deixar. Algo que eu tentei, mas não consegui. A única razão pela qual eu queria usá-lo era porque eu sabia que ia doer mais em Bash se eu ficasse com o seu melhor amigo — Spider. Ele era meu amigo também e nunca foi só meu amigo. Ele cuidava de mim tão profundamente como se eu fosse uma irmã, então eu nem tinha certeza se ele poderia ter ido até o fim, se eu tivesse sido capaz de fazer.

Então, eu sabia que ele faria qualquer coisa que eu pedisse para ele. — Você fica de guarda, Spider. — Eu dei mais um passo para mais perto de Janice, empurrando-a de volta para o pequeno apartamento. — Eu vou ter toda a diversão desta vez.

 

 

Bash

Minha boca apertou quando eu vi o vídeo que Felicity me enviou por mensagem. Deveria me divertir. Deveria me fazer rir quando eu mostrasse para Hawk, que estava como uma nuvem de tempestade ao meu lado enquanto tomávamos outra cerveja no que Raven chamava de cabine dos Originais.

Em vez de um sorriso, meus lábios tinham um toque de raiva, enquanto eu assistia o começo do vídeo de Felicity de novo e de novo. Tudo o que eu podia ver era o gracioso toque dos dedos longos de Raven no peito de Spider. Eu continuava repetindo esses cinco segundo mais e mais. Vendo a mão que uma vez tinha me tocado com tanto carinho, com tanta paixão... Tocando. O. Maldito. Spider.

— Gostaria de um pouco de vidro para mastigar enquanto você acaba com o seu telefone, irmão?

Minha cabeça mal levantou e eu encarei Raider, que colocou mais uma garrafa de cerveja na minha frente. — Por que sua irmã levou Spider e não um de vocês?

Diversão encheu seus olhos verdes, e eu queria tanto dar um soco no rosto bonito de Raider que as minhas mãos estavam apertadas em punhos, eu senti o meu telefone apertar um pouco na minha mão esquerda. Eu percebi que iria destruí-lo e o lancei em cima da mesa ao meu lado. — Spider não é nada para se preocupar, Bash.

— Isso significa que há alguém com quem eu precise me preocupar?

Raider encolhe os ombros. — Não é pra mim que você deve perguntar. Porra, eu não tinha a menor ideia de que deveríamos ter nos preocupado com você por meses, cara. Se você quer saber, fale com Raven.

Hawk pegou meu telefone e apertou o play. Os gritos de uma menina que eu nunca conheci preencheram a tranquilidade do bar, e um pouco da tempestade que o rodeava começou a se dispersar. Ele sorri pela primeira vez hoje. — Bem, diga a ela para fazer algo e ela faz direito, não é.

— Essa é Raven. — Raider fala, e nós dois assistimos de perto com Hawk. — O que você quer fazer com a casa de fraternidade?

— Derrubá-la. — ele vociferou enquanto continuava a assistir sua irmã bater em uma Janice sangrenta.

— Vou ligar para os meninos. — Raider disse, balançando a cabeça. — O que você vai fazer com a garota?

Meu telefone caiu sobre a mesa com um baque alto. — Porra se eu sei.

Nós três ainda estávamos sentados lá bebendo cervejas uma hora mais tarde, quando Felicity entrou no bar. Ela tomou a cerveja de Raider e bebeu o resto da garrafa meio cheia antes de falar. — Bem, isso foi divertido.

— Onde está Raven? — Eu pergunto, na esperança de que ela esteja apenas tomando seu tempo e entrará a qualquer segundo.

— Hoje é sábado. — responde Raider para ela. — Ela está fazendo os livros para os Originais.

— Ela está fazendo livros de Razor agora. — Felicity me informa, tirando o rótulo da garrafa de cerveja vazia. — Spider tinha uma grande tatuagem para começar então ela apenas foi com ele.

Com isso eu me senti inquieto e agitado. Eu não dava a mínima para o que Raider dizia. Spider era definitivamente algo com que eu deveria me preocupar. — Eu acho que preciso de uma nova tatuagem. — eu digo as três pessoas ainda sentadas na cabine, olhando para mim como se eu fosse louco. Sim, eu provavelmente era. — Raider, você lida com os caras. Nós vamos nos encontrar aqui à meia-noite e resolver isso.

Eu não lhe dei tempo para fazer mais do que assentir antes de caminhar em direção a saída. Meu sangue ferveu por todo o caminho até a Loja da Razor. Se eu chegasse lá e as suas mãos estivessem sobre ela, eu iria estripar aquele filho da puta!

Havia duas motos no estacionamento. Uma que eu reconheci como sendo a de Spider, a outra pertencia ao mais novo membro do Angel’s Halo. Eu nem tinha certeza se eu lembrava o nome do cara. Havia trinta e sete membros ativos do clube em Creswell Springs. Não podia se esperar que eu lembrasse o nome de todos.

Eu estacionei minha moto e caminhei para dentro. Havia uma tela plana na parede na sala da frente. Vídeos de rock tocando em um volume moderado que não abafava o zumbido da arma de tatuagem enquanto Spider trabalhava nas costas nuas do homem. Eu vi a carne marcada de tinta. O cara estava colocando o nome de sua garota em sua pele. Obviamente, a garota vai ser sua para a vida. Motoqueiros não colocavam o nome de qualquer fêmea neles.

O som da porta batendo atrás de mim fez Spider levantar sua mão e girar em sua cadeira para ver quem ousava entrar no seu domínio sem aviso prévio. Quando ele me viu, seus olhos escureceram. — Bem, se não é o novo grande e mau presidente. — Ele virou as costas e começou a trabalhar na tatuagem novamente. — O que você quer?

— Ela está aqui?

— Se por ela você quer dizer Raven, então sim. Ela está na parte de trás lidando com os livros. — Ele adicionou mais cor na agulha da pistola de tatuagem e continuou com os golpes hábeis. — Como você pode ver, chefe, estou ocupado. Não há tempo livre para danificar as mercadorias e todas essas tretas que devem estar como um câncer corroendo sua sanidade.

Eu cerrei os dentes e entrei ainda mais na loja. Quando estava a poucos metros de distância, eu puxei uma cadeira e a olhei ao redor. Virando-a e sentando de frente para ela, eu observei o meu velho amigo trabalhar nas costas do jovem motociclista. — Ela veio a você quando eu fui embora?

— Não é da sua maldita conta.

— Ela fodeu com você?

A mão de Spider se levantou novamente. — Você realmente quer entrar nisto agora, chefe? Porque eu não tenho problema em fazer você comer alguns dentes.

O motociclista mais novo nem sequer se moveu enquanto nos ouvia. Ele sabia que era melhor não repetir nunca tudo o que ouvia agora.

— Responda, James.

Os olhos de Spider se escureceram ainda mais. Ninguém mais o chamava de James. Era desrespeitoso e eu sabia que eu estava sendo um bastardo. Spider me ajudou quando eu não tinha qualquer outro lugar para ir. Ele era quatro anos mais novo que eu, mas ele sempre foi o mais próximo amigo que eu tive. Mas eu não me arrependia. A imagem das mãos de Raven sobre o peito de Spider passavam como flash pelos meus olhos, e eu estava pronto para fazê-lo engolir alguns dentes.

— Ela te tocou como ela gostava de me tocar? — Eu exigi com uma voz calma, completamente diferente da ebulição de raiva em minhas veias.

— Você é um filho da puta, cara. — Spider ficou de pé, colocando a arma de tatuagem de lado cuidadosamente. Ele puxou suas luvas pretas de borracha pra fora e as jogou em um cesto de lixo ao lado da mesa que mantinha todo o seu equipamento. Enquanto ele lentamente se virava para mim, ele estalava o pescoço.

— Ela tocou?

— Você quer a verdade? — Ele rangeu com aquela voz rouca que soava como se ele fumasse cinco maços por dia, mas que na verdade era o seu tom natural. Eu lentamente balancei com a cabeça, incerto se ele estava falando a verdade ou não. — Ela estava uma bagunça do caralho. Eu vi. Eu senti a sua dor. Mas ela nunca se deixou chorar. Nem uma lágrima caiu de seus olhos bonitos. Uma noite ela ficou tão bêbada que ela não sabia o que estava fazendo. Ela queria contato humano. Alguém para dizer a ela que ela era boa o suficiente. Esse alguém não era você, então ela veio até mim. Se eu transei com ela? Não. Mas não porque eu não queria. Porque se houvesse uma gota do que ela sente por você no que ela sente por mim, eu teria saltado a bordo mais rápido do que você levou para decidir quebrar seu coração.

Alívio correu através de mim e meus ombros relaxaram um pouco. — Então por que ela veio a você ao invés dos seus irmãos?

— Somos amigos. Eu era o ombro que ela precisava para se apoiar quando o que ela queria estava fora, fodendo seu coração. — Ele ficou lá, vibrando com raiva. Eu podia ver, sabia que ele me odiava tanto quanto eu me odiava. Eu não apenas tinha saído sem lidar com o coração partido de Raven. Eu o tinha deixado sem olhar para trás também.

Mas ele estava errado. Eu olhei para trás um milhão de vezes todos os dias durante o ano passado.


Capítulo Dez

Raven

Eu ouvi sua voz e congelei na minha cadeira. Talvez eles pensassem que eu não poderia ouvi-los. Talvez eles simplesmente não se importassem. Mas cada palavra que Spider dizia abria as feridas que eu prometi a mim mesma que tinham sido cauterizadas há muito tempo. Humilhação me encheu e meu estômago apertou em protesto. Eu odiava as lembranças de como eu estava depois que Bash tinha me deixado, odiava que ele ainda tivesse o poder de fazer mal ao meus ossos, e ainda mais profundamente à minha alma.

Incapaz de apenas ficar sentada lá, eu lancei meu lápis de lado e me levantei. Eu estava no escritório com a porta aberta para que eu não fizesse tanto barulho quando eu fui para o corredor e entrei na sala da frente da loja. Spider estava com os braços cruzados sobre o peito enorme, olhando para o homem que tinha sido seu melhor amigo. Bash só encarava sua cadeira enquanto ele retornava o olhar.

Eu limpei minha garganta, forçando seu olhar para mim. Em vez de continuar a olhar para eles, eu olhei para Tim em seu lugar. — Tenho certeza de que Brandie vai adorar essa surpresa. Quando vocês dois vão se casar?

Tim me ofereceu um pequeno sorriso, mas sem fazer contato visual. — Mais algumas semanas.

— Bem, parabéns. Eu sei que ela está animada.

— Obrigado, Raven.

Eu me movi em direção a mini geladeira que ficava abastecida com Coca-Cola e garrafas de água. Puxei uma água para fora e tomei um longo gole antes de voltar a enfrentar os três homens. — Bem, já que a conversa parece ser tão divertida aqui, acho que vou voltar ao trabalho.

Antes de desaparecer pelo corredor, eu olhei para trás por cima do ombro para ver Spider com um pedido de desculpas em seus olhos. Eu mostrei-lhe o dedo e continuei caminhando. De volta no escritório que ninguém nunca usava exceto eu, comecei a trabalhar nos livros de contas novamente. De todos os livros que eu faço para Os Originais, o que eu mais odeio é o de Razor. Mesmo depois de três semanas organizando as coisas para que eu não tivesse que cavar e cavar e cavar para encontrar as coisas de que eu precisava, eu ainda tinha uma séria dor de cabeça para encontrar o que cada conta era.

Eu sabia que ele estava lá antes mesmo de levantar a cabeça. Bash era um predador que podia mover-se silenciosamente e sua presa nunca saberia que ele estava vindo para matar. Só que ele não sabia que eu tinha um sexto sentido e eu podia senti-lo. Um delicioso arrepio deslizou pela minha espinha enquanto meus dedos formigavam tanto que eu tive que cerrar os punhos para não alcançá-lo.

Meus mamilos endureceram assim que eu senti seus olhos em minha cabeça baixa, e eu odiei meu próprio corpo por me trair. Lentamente, eu levantei a cabeça e corajosamente encontrei seus olhos azul-prateados. — Você conseguiu as respostas que veio buscar?

— Houve mais alguém? — Ele perguntou, seus olhos não demonstravam o pedido de desculpas que Spider me ofereceu. Esta era a besta possessivo que havia capturado o meu coração durante de todos aqueles anos atrás. Cristo, eu sou uma masoquista quando se trata dele.

Eu levantei uma sobrancelha e lhe ofereci um sorriso que não atingiu os olhos. — Quem seria estúpido o suficiente para ainda vir correndo, se acontecer de eu balançar meu dedo, Bash? Entre você e Jet, cada um dentro de um raio de cem milhas está apavorado demais para sequer fazer contato visual. Caso tenha esquecido, eu não fico com fracotes.

— Por que Spider?

— Porque eu sabia que ia machucá-lo mais. — digo-lhe com sinceridade. — E porque ele era homem o suficiente para me dar o que eu queria. Só que eu não fui capaz de sentir nada. Eu sabia que depois do primeiro beijo eu não seria capaz de passar a noite com ele. Ele me agasalhou e me levou para casa.

Não adiantava mentir para ele sobre nada disso. Spider já lhe disse a maior parte de qualquer maneira. Eu estava quebrada quando Bash se foi. Durante dias, eu andava como um zumbi, chocada que o homem que eu queria acima de qualquer coisa e tudo o mais, tinha acabado de se afastar de tudo o que ele já tinha conhecido só para ficar longe de mim.

Recusando-me a sentir essa dor, eu virei o olhar da mesa para cima até ele. — Houve mais alguém?

— Não. — A resposta dele era firme e sem uma única hesitação. Não havia nenhuma vibração de seus cílios, o único sinal quando ele mentia. Talvez ninguém jamais notou isso sobre Bash, mas eu notei. Assim como eu observei tudo o mais sobre ele. — Não houve ninguém além de você desde a noite que você costurou o meu braço.

— Se você diz. — Eu podia acreditar nele, mas eu não tornaria fácil para ele. — Estou ocupada, Bash. E quando eu terminar, eu terei que ir até a Garagem e começar os do tio Jack. Ele ampliou a loja e eu tenho uma porrada de trabalho que precisa da minha atenção antes de ir para o bar hoje à noite. — Entre Razor e Tio Jack, meus sábados eram ocupados. Eu geralmente tinha que reservar tempo para os livros dos outros Originais mais tarde na semana.

— Hawk precisa contratar mais ajuda.

Revirei os olhos. — Raider faz a contratação. Adivinha o que acontece uma vez que as novas garotas descobrem que ele tem uma fila de meninas.

— Você acaba tendo que trabalhar até a morte. — Ele caiu na cadeira em frente à minha mesa. Quando ele se esticou cruzando as pernas na frente dele e colocou essas armas mortais atrás de sua cabeça, eu olhei para ele. — O quê? Você está sem seu carro. Spider está ocupado. Quando tiver terminado, você vai precisar de uma carona até o Tio Jack.

— Eu posso chamar Flick.

— Vou levá-la, Raven. — Ele me dá um sorriso que me diz que ele não vai a lugar nenhum. — É só fingir que eu não estou aqui.

Mais fácil dizer do que fazer! Eu olho para ele por um minuto inteiro antes de forçar a minha atenção sobre os números e faturas. É difícil me concentrar com ele sentado ali. Os números começam a se confundir de tão focada que estou neles na minha tentativa de bloqueá-lo. Murmurando uma maldição, eu largo o lápis e o encaro novamente. — Eu estou com fome. — Eu não tinha tomado café naquela manhã e já tinha passado muito da hora do almoço. Era também a única coisa que eu sabia que iria tirá-lo do escritório.

Ele ficou de pé. — O que você gostaria?

— Um sanduíche de filé de Aggie. — digo, e meu estômago realmente rosna com o pensamento de conseguir um de seus sanduíches. — Com anéis de cebola e blue cheese em vez de ketchup.

— Mais alguma coisa?

Eu balancei minha cabeça. — Não. — Eu o vi se afastar, aliviada por ter, pelo menos, trinta minutos sozinha para que eu pudesse me concentrar em terminar o que estava fazendo.

Quando Bash retornou 45 minutos mais tarde, eu estava quase terminando e começando a ficar frustrada porque meu estômago realmente estava fazendo barulhos e eu não podia ignorá-lo mais. Senti o cheiro do aroma delicioso que não podia ser confundido como algo além de Aggie, e momentos depois Bash apareceu na porta do escritório com a minha comida.

— Ela estava loucamente ocupada? — Eu perguntei, sabendo que aos sábados Aggie estava correndo, não só com os motociclistas, mas com os estudantes da faculdade e os mais corajosos ocupantes do Creswell Springs.

Bash colocou o saco no canto da mesa, oferecendo-me uma xícara de chá doce especial de Aggie. Ele lembrou que eu era viciada em seu chá. — Ela estava correndo desesperada, mesmo com seis garçonetes e três cozinheiros. Mas quando eu pedi a ela para fazer sua comida, porque eu sei que você odeia outras pessoas tocando suas coisas, ela largou tudo para fazê-lo para mim.

Eu não pude evitar, mas ri silenciosamente. — Você quer dizer que Aggie largou tudo por você. Ela te ama mais do que qualquer outra pessoa. — Eu peguei o meu sanduíche. Estava carregado com carne, cebola, banana e pimentão verde, maionese, molho de carne e molho de queijo no pão francês recém-assado. Eu quase gemi ao sentir o cheiro celestial. Em seguida, veio os anéis de cebola. Mergulhados na massa crocante acompanhados de uma xícara de blue chesee que eu quase derramei.

— Onde está o seu? — Perguntei com a boca cheia de anéis de cebola.

— Aggie ficava empurrando petiscos pra mim enquanto eu estava esperando sua comida. Estou cheio. — Ele tinha um segundo saco na mão que colocou cuidadosamente sobre a mesa ao lado meu chá. — Sobremesa.

Meus olhos se arregalaram e eu peguei o saco. Dentro havia uma fatia do bolo triplo de chocolate da receita secreta de Aggie com molho de framboesa por cima. Era irracional, mas lágrimas de repente queimaram na parte de trás dos meus olhos. Ninguém, ninguém, jamais tomou conta de mim do jeito Bash fazia.

Piscando para manter as lágrimas, eu apertei meu queixo e cuidadosamente coloquei o saco de volta na mesa. — Obrigada. — murmurei.

Dedos fortes agarram meu pulso delicadamente, e eu sou puxada para cima da cadeira e contra uma parede dura de músculos. Bash levanta a mão livre e coloca no meu rosto, me fazendo encontrar o seu olhar azul-prateado. — Você está chorando, Raven. — ele exige em uma voz mais áspera do que o habitual.

— Não. — eu minto, mas uma lágrima se solta e desliza para baixo da bochecha que ele toca.

Um polegar calejado enxuga a lágrima errante para longe. — Raven...

— Não é nada. Eu estou bem. — eu sussurro.

— Você não está bem. A última vez que eu vi lágrimas nos seus olhos bonitos eu quase matei um homem. — Sua cabeça desceu, o nariz roçando no meu pescoço. Eu sabia que deveria afastá-lo e voltar ao trabalho. Em vez disso, eu me vi segurando seu cinto com a mão livre e me mantendo firme. — É só a sobremesa, Raven. Por que te fez chorar?

— Porque... — Eu engoli de volta um gemido quando senti os lábios e, em seguida, sua língua sobre o pulso na base da minha garganta. —... Porque você sempre pensa sobre as coisas pequenas. Ninguém nunca fez isso... exceto você.

Ele rosna algo que eu não entendo e solta minha mão para segurar a minha bunda. Ele me aperta com força contra ele, me deixando sentir o quanto ele me quer. Minhas duas mãos agora seguram sua calça jeans, porque eu sei que vou precisar disso para me equilibrar. — Eu sempre vou tomar conta de você. — Ele respira em meu ouvido. — Você sempre vai ser minha.

Eu não falo. Não tem por que. Não vou mentir e negar suas palavras.

 

Gracie

Eu não sou o tipo de pessoa que pode se sentar e não fazer nada. Quando Felicity e Raven saíram, eu estava sozinha naquela casa grande. Elas me disseram para me sentir em casa, então eu tentei fazer isso.

Eu fiz um sanduíche e um copo grande de chá gelado. Então, limpei a cozinha. Aparentemente, ninguém se importava se havia pratos sujos na pia ou não, então os lavei e, em seguida, comecei a limpar os balcões. Me sentindo inquieta, eu decidi aspirar a sala de estar. Não era que a casa estava suja, eu só precisava desesperadamente de algo para me distrair de todas as coisas que estavam acontecendo em minha cabeça.

Eu ainda estava apavorada pela noite anterior. Meus dedos tremiam só de pensar no que poderia ter acontecido se Hawk Hannigan não estivesse lá para me salvar. Pensar em Hawk fez meu coração disparar, porque apesar do que tinha acontecido a menos de vinte e quatro horas atrás, ele me fez sentir algo que eu nunca senti antes. Merda! Isso me faz soar como uma puta...

O jeito com que eu insultei Hawk antes me fez estremecer. Eu nunca estive tão envergonhada de mim mesma antes na minha vida. Por que eu acreditava em todos esses rumores idiotas sobre a gangue de motoqueiros locais, em primeiro lugar? Foi provado muito claramente na noite anterior que eles eram pessoas melhores do que qualquer um dos atletas, que eram as pessoas supostamente honradas, que iam para a universidade comigo.

Era fim de tarde quando eu ouvi a porta traseira abrir. Mantive minha cabeça na cozinha e fiz uma careta quando vi alguém que eu não reconheci puxando uma cerveja da geladeira. — Eu não sabia que você ainda estava aqui, Raven. — O estranho falou com as costas ainda viradas para mim. — Posso conseguir um sanduíche? Estou morrendo de fome e Tanner não fez quaisquer compras de supermercado.

— Eu posso fazer alguma coisa. — eu ofereci.

Ao som da minha voz, a cabeça do cara se virou e olhos azuis olhavam para mim. — Quem diabos é você?

— Sou Gracie. Quem é você? — Ele tinha o cabelo escuro e os ombros quase tão grandes como os de Hawk ou Colt. Esse cara não era muito ruim de se ver, mas eu não podia começar a compará-lo com a masculinidade absoluta de Hawk.

— Matt. Eu moro ao lado. — Ele voltou para a geladeira aberta, retirando o material para um sanduíche. — Então, você deve ser a causa da corrida que temos que fazer hoje à noite. — Ele sorri por cima do ombro. — Tenho que dizer que se eu estivesse lá estaria fazendo a mesma merda que Hawk. Você tem que ser a coisa mais doce que eu já vi em... bem, porra, sempre.

— Eu... hum... obrigada? — Eu não tinha certeza de como responder a tudo isso, mas eu supus que isso foi dito como um elogio.

— Cristo! Você está corando? — Ele ri e eu sinto meu temperamento começar a subir. Eu posso lidar com a maioria das coisas, a não ser com pessoas que riem de mim.

Eu abro a boca. Não sei o que vou dizer, mas sei que eu não gosto dele. Antes de uma única palavra me escapar, a porta traseira abre e Hawk entra na cozinha. Seus olhos de jade se estreitam quando ele vê Matt, em seguida, seu olhar se move para mim. Vendo o olhar nos meus olhos, o rubor que ainda sombreava meu rosto, ele explode. — O que você fez, Matt?

— Ei, cara, eu acabei de chegar. Eu não fiz nada.

— O que ele fez, Gracie? — Hawk ordena, movendo-se em direção a mim.

— Um... — De quem estamos falando? Eu perco toda a linha de pensamento quando meus olhos tiram tudo dele. Merda! Eu quero tocar seus braços duros. Eu me lembro do quão fortes eram quando ele me levou e me segurou pela maior parte da noite. — O quê?

Matt faz um som de risinho, mas não disse nada, porque Hawk atirou-lhe um olhar assassino. — Matt fez alguma coisa para fazer você se sentir desconfortável, querida?

Oh, Matt. — Não, não, estou bem. — Ele fez, mas eu não queria que Hawk ficasse chateado. Quando ele parou a poucos centímetros de mim eu tive que fechar minhas mãos em punhos para não chegar até ele. — Hawk... podemos conversar? — Eu queria — precisava — me desculpar com ele novamente.

— É claro. — Ele estende a mão, e eu nem sequer hesitei. — Coma e vá para casa, Matt. — ele disse por cima do ombro enquanto me levava para a sala de estar. Hawk sentou no sofá e me puxou para baixo ao lado dele.

Seu jeans esfregou contra a minha coxa, e eu não consegui conter meu arrepio. Merda! Apenas um contato inocente já me eletrocutava. — O que há de errado? — Perguntou ele, parecendo preocupado.

Eu mordi meu lábio, sentindo minha vergonha me consumir novamente. — Eu não quis dizer o que eu disse esta manhã. Eu nunca achei que essas coisas sobre você... Me surpreendeu ao descobrir que você pertencia a um clube de motoqueiros.

Seus olhos escureceram um pouco, mas ele me deu um pequeno sorriso. — Eu sei, Gracie. Pare de se preocupar com isso, ok?

Eu tento retribuir o seu sorriso. — Estamos bem? Ainda somos amigos?

O seu sorriso se transformou em um sorriso completo. — Eu normalmente não tenho amigos do sexo feminino, querida. Mas sim, ainda somos amigos.


Capítulo Onze

Bash

Assim que Raven terminou com os livros de Razor, a levei para o tio Jack. Eu garanti que Jack fosse estar lá por tempo suficiente para ela fazer seu trabalho, e então eu voltaria para fazer a tatuagem nas minhas costas que eu tinha dito a Hawk e Raider que eu faria.

Spider estava sozinho quando eu voltei, ainda mastigando as batatas fritas com queijo e pimentão que eu tinha trazido da Aggie. A oferta de paz não era muito, mas eu sabia como Spider se sentia e essas malditas batatas fritas seriam a ponte que precisávamos para consertar nossa amizade.

— Cara, você já tem o nome dessa menina em seu peito. O que mais você quer?

Eu me equilibrei na cadeira e puxei a minha camiseta sobre a minha cabeça. O nome de Raven ocupava o lado esquerdo do meu peito, mas eu queria algo mais. Eu precisava mostrar-lhe que, para mim, ela era tudo. — Eu quero um corvo sobre meus ombros. Com as asas abertas. E olhos verdes.

Spider me lançou um sorriso e voltou para sua mesa de arte para esboçar o desenho que eu queria. Ele era habilidoso, isso era óbvio. Trinta minutos depois, ele estava preparando as minhas costas e arrumando a estação de tinta para facilitar o acesso às cores de que ele iria precisar. — Isso é quase como nos velhos tempos. — comenta, colocando as luvas pretas.

— Yeah. — Eu aceno. Houveram muitos sábados em que eu me sentava aqui, deixando Spider trabalhar com suas tintas em mim enquanto Raven trabalhava com os livros dos Originais. A tatuagem no meu peito foi a última que Spider me deu. Era também o que fez pender a balança e dizer aos irmãos de Raven que o meu envolvimento com ela não era exatamente tão inocente como eles pensavam.

Eu olho para baixo, para a cicatriz no meu braço, fazendo uma careta para a linha de cirurgia que estava no meu braço depois de Jet ter terminado comigo. Eu não mudaria nada sobre a surra, só que eu nunca teria deixado a força emocional de Jet me afetar tanto. Se qualquer coisa, tinha sido a gota d'água e a razão pela qual eu tinha deixado Raven para trás. Jet estava certo, eu não era bom o suficiente para ela. Eu não era homem o suficiente para cuidar dela. Eu não merecia Raven.

Mas eu tentaria o meu melhor para ser sempre o homem que ela queria. Quem ela desejava. De quem ela não poderia viver sem.

Eu não senti a picada da agulha quando Spider começou a tatuagem nas minhas costas. Eu mal conseguia ouvir o zumbido da arma enquanto ele passava as próximas duas horas fazendo o sombreamento e aperfeiçoando a arte. Nós mal nos falamos durante esse tempo. Spider sempre ficava na zona quando ele estava tatuando e eu estava muito perdido em meus próprios pensamentos para me importar.

Finalmente, ele enxugou minhas costas e colocou uma pomada nelas. — Ok, idiota. Minhas mãos estão até cansadas. Isso é tudo que você terá hoje. — Ele começa a limpar as coisas dele, e eu fico olhando para as minhas costas no espelho, que ocupa uma parede da sala da frente. — E então?

A forma como ele projetou os olhos pareciam exatamente como olhos de Raven, a forma e cor eram perfeitamente Raven. No pé do corvo dizia: Propriedade do Angel’s Halo Bash. A marca que Raven já deveria ter em suas costas, anunciando-a como minha. — Você é a porra de um gênio, cara.

— Vamos sair daqui. Eu preciso de uma cerveja. — Spider jogou as luvas no lixo e se dirigiu para a porta da frente.

— Quanto lhe devo? — Eu pego minha carteira.

— Cerca de um pacote com seis cervejas e almoço por uma semana. — Spider sorri quando saímos e ele tranca a porta atrás de nós. — Eu nunca cobrei antes, não vou começar agora.

— Tudo bem. Mas vou dar um pacote com doze cervejas então. Eu não quero que as pessoas pensem que eu sou seu favorito ou algo assim. — Eu retiro as minhas chaves. — Eu tenho que pegar Raven no Tio Jack. Você vai direto para o bar e vamos encontrá-lo lá.

— Ela vai ver a nova tatuagem e você não vai para o bar em breve. — Spider me dá outro sorriso enquanto ele sobe em sua moto. — Então, se eu não ver você em algumas horas, eu te vejo por ai.

Eu mostro o dedo para ele, mas eu abro um sorriso no meu rosto quando viro na direção oposta.

Estou ansioso para voltar para o Tio Jack e ver Raven. Meu coração e corpo doem para vê-la, mesmo que eu só tenha saído algumas horas atrás. Eu precisava reconquistá-la e sabia que tinha um longo caminho a percorrer até que eu a tivesse completamente onde eu a queria... em meus braços, minha cama, na parte de trás da minha moto onde ela sempre pertenceu. O problema é que eu nunca fui capaz de mantê-la lá.

Meu estômago se aperta com pesar e culpa. Eu seria capaz de mantê-la depois que ela descobrisse as razões pelas quais a deixei?

Essa pergunta ainda me dava indigestão enquanto eu parava no estacionamento da loja de motos de Jack e o encontrava vazio. As luzes de dentro estavam todas apagadas, e quando eu fui verificar a porta, ela estava trancada. Tio Jack deve ter terminado mais cedo e levado Raven com ele. Fazendo uma careta, eu viro minha moto na direção do Hannigan.

 

Raven

Eu ainda estava passando pelas faturas da última semana, quando tio Jack aparece na porta da sala de trás. Levantando minha cabeça, eu dou-lhe um sorriso cansado quando olho para ele de novo.

Se eu tivesse um "tio" favorito era o tio Jack. Ele tinha sido o melhor amigo de meu pai, o seu vice-presidente quando Max Hannigan era o Presidente. Depois que meu pai tinha morrido, ele poderia facilmente ter assumido o clube. Em vez disso, ele foi o primeiro a sugerir uma virada no clube para uma geração mais jovem, meu irmão e agora Bash.

Tio Jack ainda era bonito para a sua idade, que eu nem tinha certeza qual era. Seus ombros ainda eram largos e os músculos não muito flácidos, ao contrário de alguns dos Originais. O cabelo castanho estava manchado de cinza, e seus olhos eram quase do mesmo azul surpreendente dos de Bash. Ele não tinha família, de acordo com ele. Jet me disse que a única filha do tio Jack havia fugido com um rapaz rico da universidade local sem olhar para trás. Tio Jack não tentou fazer com que ela voltasse para casa e dizia que ela estava melhor longe do clube. Quando eu nasci, ele me adorava tanto quanto o meu pai, e eu sempre iria considerá-lo meu pai substituto.

— Hey. — eu disse quando ele ficou ali encostado à ombreira da porta. — O que está acontecendo?

— Vou sair mais cedo. — Ele acenou para os livros de contas na minha frente. — Deixe isso para a semana que vem. Tenho certeza de que não vou à falência antes disso.

Eu bufo. — Sim, eu tenho certeza. — Eu não era estúpida. Eu sabia que como a maioria dos clubes, o Angel’s Halo era uma merda ilegal. Ninguém nunca falava comigo sobre o que eles faziam, mas eu podia imaginar o que acontecia quando os caras retornavam do México, ou quando havia notícia de que um membro do clube rival de repente comia bala. — yeah, o que geralmente é um termo literal. Normalmente havia uma celebração no armazém nos arredores da cidade. Algo que eu nunca estava autorizada a ir, mas eu sabia o que estava acontecendo. Aquelas vadias e ovelhas não conseguiam manter a boca fechada afinal de contas.

Mas tudo isso era ilegal. Eu cuidava do legítimo, bem como os livros legítimos para todos os originais. Meu trabalho era manter os livros. Só porque eu não sabia o que eles estavam fazendo, não significava que eu não estava ciente do quanto suas corridas secretas traziam para o banco.

Tio Jack sorriu, fazendo-o parecer algumas décadas mais jovem. — Pegue suas coisas. Eu vou deixá-la no bar antes de ir para casa.

Fechando o livro, eu o coloquei em uma gaveta secreta sob minha mesa e tranquei antes de guardar a chave. Desligando a luz no escritório, eu o segui até a garagem em silêncio e sai pela porta lateral, onde a moto do tio Jack estava estacionada. Ele subiu e eu escorreguei atrás dele. Eu amava estar na parte de trás de uma moto e eu fazia isso com meu pai e irmãos desde antes que eu me lembre.

Como esperado, o bar estava lotado. Quase não havia lugar para Tio Jack estacionar, então ele apenas me deixou na porta da frente e esperou até que eu estivesse dentro do bar antes de ir para casa. Tentei convencê-lo a entrar para tomar uma cerveja, mas ele não se importava em passar as noites de sábado aqui como a maioria dos Originais se importava. Enquanto havia poucas mulheres dentro do bar às sextas-feiras, aos sábados o lugar transbordava com elas. Mamas, ovelhas, ou sweetbutts , as mulheres que eram consideradas propriedade de todos os membros do clube, e estavam lá para se prostitutirem para eles a qualquer hora. As noites de sábado eram também quando algumas das mais valentes meninas da faculdade entravam precisando de um pouco de aventura em suas vidas chatas. Que melhor aventura do que levar um motoqueiro para casa à noite?

Além das mamas e ovelhas, havia algumas senhoras casadas que vinham nas noites de sábado também. Sorrio para as duas sentadas no bar, enquanto seus maridos jogavam sinuca. Amarrando um avental em volta da minha cintura, eu coloquei um prato de pretzels frescos na frente delas. — Ei, Cory, Jen. Como estão indo?

Cory era uma mãe quarentona de quatro filhos, que estavam todos entrando para o negócio da família. Ela viveu uma vida dura, a evidência disso estava em sua face enrugada, mas ainda era bonita. Jen, que tinha sido a sua melhor amiga durante o tempo que eu as conheço, era mãe de dois membros recentes do clube e uma filha que estava prestes a dar à luz a um outro futuro motoqueiro. Não parecia importar a ninguém que a filha de Jen tinha apenas dezesseis anos, ou que o pai do bebê poderia muito bem não ser alguém do clube.

Jen me dá um longo olhar revelador. — Então Bash voltou.

Meu sorriso desliza um pouco. — Yeah. Ele voltou. — E eu sei qual vai ser a próxima pergunta antes mesmo de sair de sua boca. Como vou lidar com isso? Se tivessem me perguntado isso mais cedo esta manhã, eu teria dito a ela que eu não tinha certeza. Agora, mesmo que eu ainda esteja lutando para descobrir como lidar com o reaparecimento do homem que esmagou meu coração e alma, eu vou dizer a ela que estou perto de desistir.

Mas Cory cutuca a amiga e envia-lhe um olhar duro. — Deixe a garota em paz. Ela não precisa de você colocando o seu nariz pontudo em seus problemas. Sim, Bash voltou. A menina tem espinha dorsal e não desmoronou. Porque tanto ela quanto nós sabemos que esse menino só está de volta para encontrar uma mãe para aquela criança dele...

Cory ainda está reclamando para a amiga enquanto eu fico ali congelada. Meu coração parou. A respiração está presa em meus pulmões. Meu cérebro não está funcionando.

Criança. Criança. Criança. Criança.

Criança?

Que porra é essa que ela quer dizer, Criança? Bash não tem um filho. Eu saberia se ele tivesse. Certo? Certo?

CERTO??

— Bash não tem um filho. — Eu sufoco, incerta se eu estava defendendo-o ou pedindo a ela para me dizer que não era verdade.

Cory parou no meio da fala e virou seus olhos castanhos esverdeados para mim. Ela olhou o meu rosto pálido, com as mãos apertando o balcão do bar com tanta força que meus dedos ficam brancos. Meu coração vai de completamente parado para correndo um milhão de quilômetros por hora. E a minha respiração, está rápida e superficial. É uma piada. Tem que ser.

— Ela não sabia, cadela. — Jen joga para a amiga. — Eu lhe disse isso só porque o seu homem estava dizendo merda, e isso não significa que você precisa sair por aí contando a todos os outros.

— Raven... — Cory parece arrependida, com os olhos cheios de pena. — Querida, eu sinto muito. Eu achava que você sabia. Quero dizer... ele... Porra! Eu e minha boca.

Eu mudei o meu olhar para Jen. — Ele não tem um filho!

Jen pega as minhas mãos apertadas e dá-lhes um aperto maternal. — Sim, ele tem, querida. Ela tem cerca de três anos de idade.

Eu me empurrei para longe dela como se ela tivesse me dado um tapa. É mentira. É mentira. Tem que ser uma mentira. Alguém está inventando histórias para ver se eu vou acreditar. Bem, eu vou!

Estúpida, eu estava pronta para perdoá-lo, pronta para deixá-lo entrar em meu coração. Todas as razões por que eu assumi que Bash tinha me deixado nunca tinham envolvido alguém. Nem uma vez eu pensei que ele tinha me deixado para ir brincar de família feliz. Ele tem uma porra de um garoto - um filho, e eu nem sabia.

E quando ele disse que não houve mais ninguém? Que ele nunca quis ninguém além de mim? TUDO. MENTIRA!

Me sentindo louca, pronta para machucar alguém, eu olho em volta procurando quase freneticamente por um dos meus irmãos. Eles vão me contar a verdade. Se eles sabem e eles sabem tudo o que acontece no clube, então eu quero ouvi-los dizer. Colt anda para trás do bar com uma bandeja cheia de garrafas vazias e os joga em uma enorme lata de lixo ao meu lado.

Ele mal me lança um olhar antes de se virar para coletar mais. Eu pego o cotovelo dele, pegando-o de surpresa e se virando para me encarar. — Quem é a mãe da criança? — Eu exijo.

Colt faz uma careta. — Que criança?

Minha paciência estava diminuindo rapidamente. — O filho de Bash. — Eu solto. — Quem é a mãe?

Seus olhos escurecem e seu olhar se move de mim para Cory, que encolhe. Então aqueles olhos, tão idênticos aos meus, se viram para mim. — Eu não sei. Ela não é daqui. Eu acho que ela era a filha do presidente do clube de Vegas, o Red Dragons.

— Você acha ou você sabe?

— Sim, Rave. Era ela. Mas a cadela foi atingida por uma bala em um ataque no armazém em Las Vegas, junto com a metade do clube incluindo o pai dela. A criança não tinha ninguém. Bash decidiu que ele não queria que sua menina vivesse nesse mundo, então ele a levou para casa em outro lugar... Olha isso é tudo que eu sei, está bem? — Ele jogou a bandeja de lado e agarrou meus pulsos, me puxando contra ele. — Eu nem sabia disso até muito recentemente.

Eu me inclino para ele por apenas um segundo, precisando da força do meu irmão quando eu tento não cair na frente de um bar cheio de gente que nunca vai me deixar viver sem essa vergonha. Respirando fundo, eu me afasto de Colt. — Você deveria ter me dito. — eu sussurro e entro na sala onde eu deixei cair as lágrimas.


Capítulo Doze

Raven

A primeira vez que Bash me beijou foi na noite em que eu completei dezoito anos. Meu primeiro beijo, meu primeiro de todos.

Durante semanas, Bash me pegava no Tio Jack aos sábados e me levava para casa. Nós assistíamos a filmes, pedíamos pizza ou qualquer outra coisa que sentíssemos vontade de comer, e apenas passávamos o tempo. No começo eu adorava. Bash não estava fora se prostituindo no bar com qualquer ovelha que chamasse sua atenção. Ao contrário, ele estava comigo e eu tinha toda sua atenção.

Então eu percebi que meus irmãos provavelmente o colocaram para tomar conta de mim ou alguma outra merda. Eles odiavam que eu trabalhasse aos sábados, quando todas as prostitutas do clube estavam presentes, e com Bash mantendo um olho em mim, então eles ficavam livres para fazer o que precisavam fazer – ou com quem precisavam fazer . Porque ele era o executor – aquele que assegurava que a paz fosse mantida dentro do clube, aquele que cuidava dos quebradores de regras – Bash não era suscetível a quebrar a regra número um.

Ninguém toca em Raven Hannigan.

Eu estava começando a me sentir mal por sua presença nas noites de sábado, realmente odiava o fato de que ele mantinha toda a extensão do sofá entre nós quando assistíamos à televisão. Desprezando o fato de que ele me tratava como uma criança, quando havia meninas mais novas do que eu que estavam ficando com os membros do clube e até mesmo se tornando suas esposas.

Hoje era só mais uma noite de sábado, mas eu com certeza não a gastaria em casa assistindo filmes de ação com Bash. Na verdade ele não estava nem mesmo em minha mente enquanto eu colocava os livros do tio Jack de lado e arrumava minhas coisas para sair. Hoje era meu aniversário e eu iria celebrá-lo como eu queria. Com Flick, algumas garrafas de Jameson, e sem irmãos ou executor ou motoqueiro de forma alguma.

Pegando as chaves de meu carro novo, um Dodge Challenger novo que meus irmãos me deram naquela manhã, eu saí. Gritei tchau para meu tio e já estava correndo em direção à porta dos fundos. Se eu não conseguisse sair de lá em breve, eu sabia que Bash apareceria e eu seria forçada a sofrer com mais uma noite de sábado de querer algo que eu sabia que não podia ter.

— Whoa! — Tio Jack gritou, me segundo. Ele tinha graxa nas mãos e seu rosto ainda bonito estava riscado. Só porque ele era dono da loja e da garagem não significava que ele tinha que se sentar atrás de uma mesa o dia todo. Ele trabalhava duro. — Não tão rápido, Raven.

Franzindo a testa, eu me virei para encará-lo. — Você precisa de algo mais, Tio Jack?

Ele tirou algo do bolso de seu jeans e me ofereceu. — Eu prometi a Max que eu daria isto a você em seu aniversário de dezoito anos. Foi de sua mãe.

Quando ele abriu sua mão grande, eu vi um colar de prata com um medalhão pendurado. Eu não me lembrava de minha mãe, nem sequer uma coisa sobre ela. Fotos me diziam que eu parecia assustadoramente com ela, mas eu não senti emoção pela mulher quando eu vi as fotos. Era difícil amar algo que você nunca teve, difícil de sentir falta de algo que você nunca quis. Meu pai e Jet me criaram com tanto amor que eu nunca desejei uma mãe. As poucas vezes que eu precisei de conselhos maternais – como em minha primeira menstruação – a mãe de Felicity me ajudou.

— O que é isso? — Eu perguntei, pegando o colar.

— Algo que seu velho deu a sua mãe quando eles começaram a namorar. — Tio Jack deu de ombros. — Ele disse que ela queria que você ficasse com ele.

Eu afirmei com a cabeça enquanto eu lia a parte de trás do medalhão. Angel’s Halo estava gravado dentro de um diamante com uma auréola sobre a parte superior do diamante. No verso, dizia: Mad Max. Um sorriso tocou meus lábios enquanto eu trilhava o dedo sobre o nome de meu pai. — Obrigada, Tio Jack. — Eu deslizei o colar sobre minha cabeça deixando o medalhão cair. — Eu nem mesmo sabia que vocês ainda tinham essas coisas.

— Só os Originais os têm. Cuide disso, Raven. Seu pai era um dos poucos homens de bem que eu já conheci.

Dei-lhe um abraço, deixando-o me apertar firmemente antes de recuar. Dei um beijo em sua bochecha e então eu saí pela porta traseira. Peguei Felicity, pronta para me esconder durante a noite. Vinte minutos depois estacionávamos em cima de uma colina em Creswell Springs. Dava para ver toda a pequena cidade dali e eu senti que estava finalmente livre de meus irmãos quando eu sentei no capô de meu carro novo.

Ao meu lado, Felicity me ofereceu uma garrafa recém-aberta de Jameson. Com sua própria garrafa na mão, ela sentou e nós olhamos para o céu repleto de estrelas. — Feliz aniversário, Rave.

— Obrigada. Nem sequer parece ser meu aniversário. — Além de me dar o carro onde eu estava sentada, meus irmãos mal tinham falado comigo o dia todo. Eles normalmente me diziam feliz aniversário um milhão de vezes, e sempre tinha um bolo. Até mesmo um jantar.

Não que eu estivesse reclamando. Eu estava mais do que feliz que eles tinham me deixado sozinha o dia todo.

Eu também estava muito feliz por Bash não ter me mandado uma mensagem dizendo “feliz aniversário”. Nem mesmo seu rosto sorridente que normalmente me cumprimentava a cada manhã bem cedo. Tomei um grande gole do Jameson e cerrei os dentes, deixando a ardência do uísque lavar a dor que eu estava sentindo. Sim, eu estava feliz. Feliz, droga.

Eu estava miserável. Nem uma maldita mensagem?

— Vamos fugir.

Girei minha cabeça para olhar para minha melhor amiga. — O quê?

Felicity suspirou, seu olhar azul colado ao céu acima de nós. — Eu quero fugir. Vamos sair dessa merda de cidade. Longe destes motoqueiros idiotas. Eles não precisam de nós, de qualquer maneira. Você tem uma porrada de dinheiro guardado, e eu tenho um pouco também. Podemos apenas fazer as malas e partir esta noite.

A ideia era atrativa, realmente era. Mas a simples ideia de deixar Creswell Springs, de dizer adeus a meus irmãos, tios, Bash... Fazia meu coração doer e eu sacudi minha cabeça. — Eu não posso. Eles podem não precisar de mim, mas eu... eu preciso deles, Flick.

Ela tomou um gole de sua própria garrafa de uísque e permaneceu em silêncio por um longo tempo. Finalmente, quando ela falou foi para concordar comigo. — Eu sei. Eu preciso deles também.

Depois disso ficamos em silêncio. Essa era uma das coisas que eu amava tanto sobre Felicity. Nós não tínhamos que falar ou sequer olhar uma para a outra para gostar de estarmos juntas. Tê-la sentada ali a meu lado, e ficando bêbada do uísque que eu tirara do depósito dos Hannigan, era prova suficiente de que ela me amava tanto quanto eu a amava.

Por volta das nove meu telefone começou a zumbir com mensagens e chamadas telefônicas, uma após a outra. Eu sabia que não era qualquer um de meus irmãos, porque eu vagamente lhes disse o que eu tinha planejado com Felicity, sem dizer que eu ia ficar fora durante toda a noite me embriagando. Eles não pareceram se importar e não me questionaram sobre isso a não ser da primeira vez.

Após a quinta vez que foi para o correio de voz, e quando meu tom de mensagem de texto soou pela décima vez, eu estava pronta para desligá-lo. Onde DIABOS você está?!? A mensagem em minha tela era de um número que eu nunca tinha visto antes.

Franzindo a testa, eu voltei pelas outras mensagens, sem saber se eu estava lendo corretamente ou se eu estava bêbada.

Eu queria lhe desejar feliz aniversário. Mas eu não pude fazer do telefone. Era a primeira mensagem do número desconhecido.

Eu tenho um presente para você. Você está trabalhando esta noite? Obviamente essa pessoa me conhecia, mas eu ainda não tinha conseguido descobrir quem ele era – isso se realmente fosse um homem. Com um presente... Bem, como os membros do clube não eram autorizados a me tocar, eu tinha certeza de que eles não podiam me dar presentes também. Ninguém nunca fez isso antes.

Eu estive correndo desde ontem. Onde você está? Meus olhos se arregalaram. Sim, tinha que ser alguém do clube. Alguns rapazes tinham ido a uma correr na manhã de ontem em Los Angeles, ou pelo menos foi o que eu ouvi.

Abandonando as mensagens por um momento, eu levantei o telefone para meu ouvido para ouvir as mensagens de voz. Assim que ouvi a voz, eu quase deixei cair meu celular. Engolindo em seco, eu apertei o telefone e fechei os olhos. — Este é um celular pré-pago , Raven. Eu tenho um para você também. Apague esta mensagem assim que ouvi-la. Em seguida, me encontre em sua casa. — Assim que a mensagem terminou, outra começou. — Por que você não está em casa? Eu passei no Jack, mas ele já tinha saído. Você está trabalhando no bar? Se você estiver, eu estou chegando.

— Rave? — Felicity percebeu o quão quieta eu ficara, minha respiração ofegante. — Você está bem? Você não está tão bêbada ainda, não é?

— Shh! — Eu levantei minha mão, quando outra mensagem começou a tocar.

— Raven! Você também não está no bar. Que porra é essa? — Meus olhos se estreitaram. — Eu quero vê-la, porra! — O som de uma moto me cumprimentou antes da mensagem terminar e outra começar com a mesma rapidez. — Sábado é a nossa noite. Eu até me apressei numa porra de corrida para chegar aqui a tempo. Eu tinha seis de meus caras me olhando como se tivesse crescido uma segunda cabeça em mim quando eu lhes disse que não podia ficar para vadiar em Los Angeles. Agora estou aqui e você está brincando de esconde-esconde? Você acha que eu quero jogar?

A última tinha acabado de chegar e eu já estava tremendo. Uma mistura de choque, raiva e a maior de todas – necessidade. — Se você não me ligar nos próximos cinco minutos eu vou voltar para o bar e foder a primeira cadela que eu vir. Você escolhe, Raven. Cinco. Minutos.

Raiva ganhou de choque e necessidade, e eu pulei do capô de meu carro e golpeei meu dedo sobre o número que Bash usara para me ligar. Ele tocou uma vez e em seguida sua respiração pesada encheu minha orelha. — Finalmente!

— Você quer foder alguém, então faça! — Eu gritei com ele e desliguei. Desligando meu telefone, eu joguei-o pela janela aberta do Challenger.

— Que diabos foi isso? — Felicity perguntou, deslizando pelo capô e colocando a tampa de volta em sua garrafa meio cheia de Jameson.

Lágrimas de raiva queimaram meus olhos, e eu me mantive de costas para que ela não as visse. — Nada. Não era ninguém importante. — Mas a noite estava arruinada para mim agora, e eu só queria ir para casa e rastejar na cama. — Eu não quero mais fazer isso.

— Tudo bem. É seu aniversário. Eu concordo com o que você quiser fazer.

Eu a levei para casa antes de ir para minha casa sozinha. A bebedeira que eu tive antes se foi há muito tempo, substituída por uma mistura de dor e raiva que me deixou tremendo. Quando parei em frente a minha casa, eu não estava surpresa por ver a garagem completamente vazia. Todos meus irmãos estavam no bar trabalhando ou pegando alguns traseiros.

A casa estava escura e eu não me preocupei em acender as luzes quando eu fui para meu quarto e fechei a porta. Eu tropecei em um par de botas em meu caminho para a cama e cai de cara no colchão. Estúpidos motoqueiros. Malditos motoqueiros estúpidos!

Como eu fui de um pouco magoada porque ele ainda não tinha me mandado uma mensagem a chocada por ele ter me ligado, não uma, mas um monte de vezes, e para carente porque com certeza parecera que ele estava me oferecendo algo que eu tinha praticamente implorado por dois anos, e para tão furiosa que minha cabeça doía no espaço de apenas alguns minutos? Era um mistério minha cabeça não ter explodido depois de tantas emoções.

Estendendo a mão no escuro, peguei um travesseiro e cobri o rosto com ele antes de gritar minha frustração, socando a cama nos meus dois lados. MOTOQUEIROS DO CARALHO!

Eu devia estar um pouco bêbada ainda, porque eu não me lembro de muita coisa depois disso. Fechei os olhos e a próxima coisa que eu me lembro é que alguém me prendera a minha cama. Gritando muito, uma grande mão apertou minha boca. — Silêncio. Sou eu. — Sua voz profunda raspou em meu ouvido. — Eu não vou lhe machucar.

Um momento depois, seu peso saiu de cima de mim e minha lâmpada na mesa de cabeceira a meu lado acendeu enchendo o quarto com um brilho suave de luz. Me sentei, ficando o mais longe possível dele, meus olhos cheios com toda a raiva ainda fervendo em meu sangue. — Deve ter sido uma transa rápida. Acho que ela sabia o que estava fazendo.

Bash sentou na beira de minha cama, com as mãos nos joelhos e sua cabeça baixa. Tão amplos quanto a porta de meu quarto, seus ombros caíram com minhas palavras. — Eu não transei com ninguém.

— Acho que eu liguei de volta bem a tempo, então, não é? — Eu ainda estava usando minhas botas e me abaixei para desamarrá-las antes de chutá-las. — O que foi tudo isso, afinal?

Ele levantou e começou a andar. — Era eu tentando reivindicar a única coisa que eu sempre quis.

Eu parei no processo de tirar minhas meias. O que foi que ele acabou de dizer? Eu estava bêbada afinal de contas? Talvez eu ainda estivesse sonhando. Porque soara como...

— O quê? — Eu exigi, precisando confirmar que eu o ouvi direito.

Bash parou no meio de um passo e virou para mim. — Eu estive perdendo a porra da minha cabeça durante semanas, Raven. Semanas! Todos os sábados à noite eu pego você, levo-a para casa na parte de trás da minha moto com seu pequeno corpo pressionado contra mim. Me sento através de filme de merda após filme de merda. Comendo pizza e pipoca. Eu não toquei em você sequer uma vez. Sequer uma vez, merda! Eu deveria ser santificado. Tudo para que eu pudesse ter apenas algumas horas sozinho com você sem alguém me enlouquecendo e me rasgando.

Aqueles olhos azuis prateados estavam tempestuosos, disparando raios em mim. — E todo esse tempo eu estive contando os dias até eu poder lhe tocar sem sentir como se eu devesse ser preso. Marcando as horas em minha cabeça até eu poder saborear seus lábios sem cometer pedofilia.

Ele tirou um celular do bolso e jogou-o na cama. — Isso é seu. Não deixe ninguém saber que você tem. Você liga para meu número e só para meu número, entendeu? Em duas semanas eu vou lhe dar um novo.

Era um celular pré-pago. O clube usava-os muitas vezes quando estavam em trabalhos. Mantinha os policiais fora de seu rastro e toda uma carga de outras merdas das quais eu tinha certeza de que eu não deveria saber de nada. — Por quê?

Bash fez uma careta. — Porque eu quero passar um pouco de tempo a sós com você. No segundo que seus irmãos descobrirem, serei enterrado e você será trancada em um quarto até que eu possa voltar por você. Até lá, eu quero um pouco de tempo para nós. Para deixá-la descobrir se eu sou o que você realmente quer.

Meus olhos se arregalaram. — O que eu quero? Não quer dizer o que você quer? — Porque se fosse para eu descobrir se eu realmente o queria, então não havia necessidade disso. Eu o queria. Por enquanto. Para sempre. Pelo tempo que ele quisesse ser meu.

— Eu sei o que quero, Raven. Ela está deitada em uma cama olhando para mim neste exato minuto. Me fazendo pedir a Deus que ela fosse apenas um pouco menos complicada para que eu pudesse fazê-la minha amanhã. — Ele puxou um segundo celular pré-pago de seu bolso. — Se você precisar de mim, você liga para este número, me ouviu?

— É. Eu ouvi. — Eu peguei o telefone que ele jogara para mim e coloquei-o na gaveta ao lado de minha cama. Meus irmãos não viriam a meu quarto para salvar suas próprias vidas, então não havia nenhuma razão para escondê-lo melhor.

Meu coração estava batendo forte, me sacudindo para a morte, meu cérebro revisando tudo o que ele tinha acabado de dizer para mim. Olhei para ele debaixo de meus cílios para me certificar de que ele ainda estava lá de pé, que eu não tinha imaginado os últimos minutos. Ele ainda estava lá de pé, ainda olhando para mim como se estivesse debatendo se transava comigo ou me deixava.

Era difícil de acreditar que ele estava me oferecendo algo que eu sempre quis. Bem, na maior parte. Mas eu entendi seu raciocínio. Eu também queria um pouco de tempo com ele antes que meus irmãos acabasse com ele. Não havia nenhuma dúvida sobre isso. Se nós cruzássemos a linha, se Bash me tocasse, então um ou todos meus irmãos teriam o direito de puni-lo. Esse era seu código. Bash conhecia as regras melhor do que ninguém. Ele era o executor. Nem mesmo eu poderia salvá-lo se fossemos pegos.

Meu coração doía só de pensar. Por mais que eu o quisesse, eu também queria afastá-lo. Queria que ele saísse e não olhasse para trás para que ele pudesse ser salvo da depravação que meus irmãos iriam mostrar quando colocassem suas mãos sobre ele. — Bash...

Ele estava na cama ao meu lado antes que eu pudesse dizer outra palavra. — Não. Não diga isso. Eu sei o que eu quero, Raven. Eu vou lidar com seus irmãos e com o clube quando chegar a hora. Até lá, apenas... Foda-se. Eu tenho que te beijar.

Eu vi em primeira mão o quão forte Bash era. Houve brigas no bar onde ele lutara com três ou quatro caras de uma só vez, saindo com apenas um arranhão, deixando os homens sangrando e quebrados no chão do Hannigan’s para alguém limpar. Mesmo assim, esses dedos mortais foram gentis quando seguraram meu queixo e levantaram minha cabeça.

Seus lábios estavam firmes, mas não eram brutos quando ele deu um beijo em meus lábios. Aquele toque de lábios nos lábios era como ser eletrocutada. Um gemido suave escapou de mim, fazendo minha boca abrir o suficiente para ele empurrar para dentro. Ele me provou, mergulhando profundamente com a língua até que eu o provasse também. Meus dedos começaram a tremer quando eu embrulhei meus braços ao redor de seu pescoço, segurando-o caso ele decidisse que ele não gostava de meu beijo depois de tudo. De jeito nenhum eu o deixaria ir até que eu estivesse pronta.

O beijo se aprofundou. Um rosnado veio de algum lugar no fundo de seu peito e eu tremi com o quão animalesco parecia. Oh, merda, isso era sexy!

Com esse beijo, meu destino foi selado. Eu pertencia a Bash, e em meu coração, ele pertencia a mim.


Capítulo Treze

Bash

Meu telefone tem sido irritante como o inferno. Eu desligo minha moto e saio. Enquanto eu ando na direção do Hannigan’s, eu puxo o telefone e vejo que é Colt. Ele estivera enchendo meu celular com mensagens e ainda está fazendo isso. Eu não me incomodo de olhá-las ou ouvi-las. Porra, eu estou aqui. O que quer que ele precise me dizer, pode ser dito cara a cara.

Uma típica noite de sábado me cumprimenta assim que eu caminho pela porta: música alta, sala de fumantes, riso embriagado, e risos e gemidos femininos. As putas do clube estão todas presentes, juntamente com as esposas e namoradas. Algumas das ovelhas tentam me agarrar quando eu ando em direção ao bar onde Colt tem o telefone dele pressionado em seu ouvido. Espantando-as, eu continuo andando, olhando em volta procurando por Raven no caminho. Se ela foi para casa, então é para lá que eu vou. Pelo menos até a corrida esta noite.

Me vendo, Colt joga o telefone de lado e inclina-se contra o bar. Sua expressão é perigosa e eu desacelero meus passos. Dos quatro irmãos Hannigan, Colt e Jet são os mais parecidos. Se eu aprendi alguma coisa, é que quando um deles tem esse olhar em seu rosto, nunca é bom. Homens foram deixados sangrando e quebrados depois de encarar esse olhar. — O que está acontecendo? — Eu pergunto cautelosamente, imaginando quem eu tenho que derrubar para evitar que ele mate alguém.

Colt inclina a cabeça loira desgrenhada para a esquerda, acenando com a cabeça para as mesas de bilhar na parte de trás. — A esposa de Moose acabou de foder você, chefe. Raven sabe.

Meu queixo contraiu enquanto meu coração mergulhava para meu estômago. Raven sabe? De jeito nenhum! Raven não poderia saber. Eu não estou pronto para que ela saiba, merda. — O que, exatamente, Raven sabe? — Eu cuspi.

Aquele olhar perigoso nunca deixou os olhos de Colt. — Não muito. Só que você tem um filho. Que você foi embora por esse filho. Que você não contou a ela. Então, o suficiente para destruí-la.

— Onde ela está?

Colt acena para trás dele. — Lá atrás. Ela está lá há alguns minutos. Você pode querer se preparar. Eu acho que há algumas facas na pia.

Eu mostrei o dedo para ele e me apressei para a sala dos fundos. Eu sei que Colt não estava brincando sobre a coisa das facas, mas Raven não está sequer perto da pia. Suas mãos estão vazias enquanto ela se senta na borda do pequeno sofá contra a parede oposta da pia. Seu rosto está pálido, seus olhos vazios como se toda a vida de repente tivesse sido sugada daquelas profundezas verdes. Seu cabelo se prende a seu rosto úmido, e eu percebo que ela estivera chorando.

Porra! Meu coração para ao ver Raven chorando. Atravesso a sala até ela e me agacho em frente a ela. — Raven...

Seu corpo enrijece, sem sequer ter notado minha presença até agora. — Você tem um filho. — ela sussurra com uma voz cheia de emoções ruins, aqueles olhos verdes olhando acusadoramente para mim.

— Sim. — Eu não vou mentir sobre isso. Não é como eu gostaria de contar a ela, mas agora que ela sabe, eu tenho que confessar tudo. — Uma filha.

— Uma filha. — ela repete, baixando os olhos. — Quantos anos ela tem?

Eu empurro seu cabelo para longe de seu belo rosto, secando as lágrimas frescas com o meu polegar. — Lexa tem três anos. — Ela sacode ao som do nome de minha filha, mas acena com a cabeça.

— Colt disse que a mãe dela morreu. Que ela estava no clube em Vegas...

Eu cerro os dentes ao pensar na mulher que dera a luz a minha preciosa menina. Tasha colocara Lexa em tanta coisa nos poucos anos em que teve sua guarda. Eu nem tinha percebido como as coisas ruins afetaram minha menina até que eu fui buscá-la. Não tinha percebido porque parte de mim realmente não queria saber. Eu enviava os cheques e considerava minhas obrigações parentais cuidadas. — Sim, Tasha está morta. — Que a sua alma apodreça no inferno, porque eu sei que é onde ela está agora! — Sim, metade do clube foi morta durante uma incursão em seu depósito.

— E foi por isso que você partiu.

Fecho meus olhos, sabendo que a resposta é complicada. Eu partira para pegar minha filha e fiquei afastado por covardia. Jet já tinha enchido minha cabeça com todos os tipos de merda, e eu nunca me senti digno de Raven Hannigan. Então, eu escolhi ficar longe, criar minha filha longe da vida que eu sempre tive e longe da mulher que eu amava. Até Jet me ligar da prisão.

— Não foi assim. — Eu peguei o queixo de Raven, forçando-a a olhar para mim. — Eu não a deixei por ela. Eu juro para você, não foi assim. Lexa precisava de mim.

— E eu não precisava. — ela sussurra, novas lágrimas recolhendo em seus olhos.

— Alguma vez você já precisou de alguém, Raven? — Eu pergunto, já me sentindo um pouco derrotado porque eu consigo ver naqueles olhos que eu tanto amo que ela já está me afastando. — Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Eu nunca soube que você precisasse de alguém.

— Todo mundo precisa de alguém, Bash. Eles não podem ser sempre fortes. Às vezes até eu preciso de alguém para me segurar. — Ela empurra minha mão e se levanta, virando as costas para mim. — Eu tinha certeza de que você me amava. Você agiu como se me amasse... Mas talvez eu só estivesse vendo o que eu queria ver.

— Eu sempre amei você, Raven.

Ela não se vira, mas eu vejo seus ombros caírem um pouco. — Palavras vazias agora.

— Não! — Eu não quero gritar, não quero parecer tão rude, mas eu não posso evitar. — Não. Eu amei você quando você veio a mim aos dezesseis anos e me disse que era minha. Eu amei você aos dezessete anos e estava me deixando louco por não poder tocá-la. Porra, eu amei você na primeira vez que a beijei, fiz amor com você, marquei-a como minha. Eu amei você quando parti e eu amei você por todos os dias desde a minha partida. Talvez eu nunca tenha dito as palavras, mas eu amei você, Raven. Eu ainda te amo!

Ela não disse nada, simplesmente vai embora como se eu não tivesse me declarado para ela. Murmurando uma maldição, eu me viro e soco a parede. Eu não sinto a picada da madeira estilhaçando quando meu punho atravessa a parede, não sinto a pulsação enquanto minhas dobras dos dedos se quebram e minha carne rasga.

Tudo o que posso sentir é a dor em meu peito porque eu sei que Raven me odeia.

A porta se abre e Colt enfia a cabeça para dentro. — Ela se foi. Você vai atrás dela?

Eu sacudi minha cabeça. — Não. Deixe-a se acalmar um pouco. — Ela precisa deixar tudo isso entrar em sua cabeça um pouco mais. Talvez ela entenda que Lexa era um bebezinho assustado que precisava de seu pai.

— Então, você vai desistir? — Colt entra, fechando a porta atrás de si. — Minha irmã é teimosa. Se você a quer, então você tem que lutar por ela. Pensei que você já soubesse disso.

Eu cerro os punhos. — Eu não estou desistindo de nada, porra! Vou lutar por aquela menina até o dia em que eu morrer. Ela é minha. Depois. Agora. Para sempre. Entendeu?

Colt levanta uma sobrancelha, mas me dá um sorriso arrogante. — Sim, chefe. Eu entendo você.

 

Hawk

Fico preocupado que eu tenho que deixar Gracie em casa sozinha quando a hora de me encontrar com Bash e o Clube se aproxima. Eu odeio a ideia dela sozinha em minha casa a noite toda.

Quando Raven entrou como um furacão em casa, pálida, com os olhos selvagens, fiquei tão aliviado quanto hesitante por deixar Gracie com ela, mas eu não tinha outra escolha. — Eu tenho que fazer algumas coisas. — eu digo a Gracie enquanto eu coloco minha roupa do clube – um colete de couro com asas de anjo dentro de um diamante e uma auréola sobre o diamante. As asas são brancas, enquanto a auréola parece estar em chamas. Havia várias manchas na frente de meu colete que mostram minha posição dentro do clube, bem como algumas outras coisas que eu realmente não queria explicar para Gracie.

Como a mancha com a bola oito preta que tem o número sessenta e nove. Sim, eu não quero que ela saiba sobre eu transando com uma garota qualquer, enquanto meu clube observava. Tenho certeza de que ela não vai gostar de mim quando ela aprender o que isso significa.

Gracie sorri para mim. Aquele olhar de confiança em seus olhos me suga, e tudo que eu quero fazer é cair no sofá ao lado dela pelo resto da noite. Mas eu tenho que cuidar disso, tenho que me assegurar que esses malditos garotos de fraternidade saibam que não devem mexer com qualquer mulher como ela – e especialmente não com a minha mulher...

Ok, que porra é essa? Ela não é minha mulher. Eu não tenho direito de pensar nela dessa maneira. Gracie Morgan é muito doce, muito inocente, e muito perfeita para um fodido como eu. Isso não significa que eu não quero que ela seja minha mulher. Porque, merda, eu quero essa menina como algo feroz.

— Ok. — Gracie puxa o cobertor jogado que eu colocara sobre o colo dela mais cedo para mais perto de seu peito. — Tenha cuidado, ok?

Incapaz de evitar, eu traço um dedo sobre uma bochecha macia. Um rubor suave enche o rosto dela, mas ela não desvia o olhar. — Eu vou demorar para voltar. Não me espere. Meu quarto é seu pelo tempo que você precisar. Me prometa que vai dormir lá esta noite.

— Você tem certeza? Eu posso dormir no sofá...

— Não. Na minha cama. Ok? — Meu dedo ainda está em sua bochecha, e sem pensar eu deixo-o seguir por seu pescoço magro. Arrepio aparece em seus braços bem diante de meus olhos, e meu corpo enrijece em reação a sua resposta a meu toque. — Raven está aqui, então a avise se precisar de alguma coisa.

— Tudo bem, Hawk. — ela murmura baixinho. — Vou dormir em sua cama.

Relutantemente, eu a deixo sentada no sofá e saio pela porta dos fundos. Raven está sentada na mesa da cozinha com uma garrafa de Snapple Apple na frente dela, mas nem sequer a abriu ainda. Ao lado da Snapple está uma garrafa de vodca Grey Goose. A vodca me fez parar e eu paro para realmente olhar para ela.

— O que aconteceu? — Eu exijo quando vejo que ela está à beira das lágrimas. Raven não é chorona. Ela raramente deixa algo tocá-la emocionalmente. Se ela está chorando, então algo pesado deve ter acontecido.

— Bash tem uma filha. — ela range, finalmente abrindo a garrafa de Snapple e tomando um grande gole antes de colocá-la de volta na mesa e pegando o Grey Goose. Ela enche a Snapple até o topo com a vodca antes de colocar a tampa de volta e agitá-la. — Ela tem três malditos anos e eu acabei de descobrir sobre ela.

Eu inspiro profundamente. Merda! Eu não sabia sobre a filha de Bash até algumas semanas atrás, quando Jet me dissera que ele estava entregando tudo para Bash. Tivemos uma reunião sobre toda a maldita coisa na semana anterior e dissemos a todos que ninguém deveria dizer nada até Bash estar pronto para dizer para Raven ele mesmo. Parece que alguém abriu a boca.

Agora Raven está totalmente magoada e eu não tenho tempo sequer para abraçá-la. Murmurando uma maldição, eu dou um beijo no topo de sua cabeça. — Podemos falar sobre isso mais tarde. Eu tenho que ir. Não faça nada estúpido, Rave. Vá falar com Gracie. Ligue para Flick. Não se feche em seu quarto! Você está me ouvindo?

— Cai fora, Hawk. — Ela abre a mistura Snapple-vodca e bebe metade dela em um gole. — Vai fazer o que você tem que fazer e me deixe em paz.

— Ligue para Flick. Agora. — Eu lanço o telefone para ela quando bato a porta atrás de mim.

Quem quer que tenha contado para Raven é agora o número um em minha lista para-ser-morto. Porque, sim... Eu posso ter mentido para Gracie hoje mais cedo. Eu já matei alguns homens na minha época.

Chego ao bar quando a última das ovelhas entra no carro de alguém. Eu ignoro suas chamadas e vou para o bar ainda lotado. Cada membro que ainda não está fora em uma corrida está presente e contabilizado, exceto pelos Originais. Os velhos não ficarão felizes com o que eu estou planejando, mas eu tenho Bash me apoiando, então eles não podem fazer nada.

Os Originais prometeram às personalidades importantes da universidade que iríamos manter a paz com seus alunos quando eles construíram a universidade há alguns anos atrás. Enquanto ninguém causasse problemas para o Angel’s Halo, então o clube não iria causar problemas para a universidade. A casa de fraternidade é tecnicamente propriedade da universidade, mas meu jeito de pensar é que esses garotos da fraternidade começaram.

Não importa para mim que tenham sido apenas dois desses garotos que tentaram estuprar Gracie. Ninguém a ajudou quando ela estava gritando, então cada um desses filhos da puta são culpados na minha opinião.

Essa casa da fraternidade não será nada além de cinzas ao amanhecer.


Capítulo Catorze

Bash

Hawk entra no bar parecendo mais chateado do que estivera naquela manhã. Eu acho que ele viu Raven e está acelerando em minha direção. Em vez disso, ele fica de pé no meio do bar e espera até todo mundo parar de ativar suas armadilhas e encará-lo.

— Quem contou à minha irmã? — Ele exige em uma voz calma.

Voz calma mais olhos selvagens não é igual a um Hannigan estável. Todo mundo fica tenso. Colt faz a volta no bar e sussurra algo no ouvido de seu irmão e Hawk vira aquele olhar selvagem para Moose. — Você não poderia manter sua boca fechada para sua esposa? Você ainda não percebeu até agora que aquela cadela não consegue manter a boca fechada mais do que ela mantém as pernas?

Eu observo enquanto Moose, um condenado à prisão perpétua que ganhara uma grande pança enquanto perdia seu cabelo ao longo dos anos, fica tenso. Eu podia ver nos olhos do motoqueiro mais velho que ele queria dizer alguma coisa. Moose é esperto, contudo. Ele sabe que desafiar Hawk em algo – especialmente algo que diz respeito à Raven – só irá deixá-lo sangrando e quebrado, se não morto.

— Você mantenha essa cadela fora do meu bar até que eu diga a ela que ela pode voltar. Você entendeu, Moose?

Moose acena duas vezes e esse é o fim. Estou tão chateado quanto Hawk, mas eu não vou guardar rancor sobre algo que é minha culpa. Eu deveria ter contado a Raven antes de fazê-la minha. Eu deveria ter pegado minha filha e levado minha bunda de volta para Creswell Springs, e fazer de nós três uma família em vez de fugir como o covarde que eu sou.

Dirijo meu foco para o trabalho que iremos fazer hoje. Hawk está lançando ordens, olhando em minha direção por confirmação de tempos em tempos, e eu aceno com a cabeça. Hoje à noite é seu show e eu estou lá apenas para mostrar meu apoio. Eu mesmo teria queimado a casa da fraternidade se Raven não tivesse me acalmado na noite anterior. Eu estava tão enfurecido que eu poderia ter matado aqueles malditos atletas e depois ter reduzido o local a cinzas naquele dia.

Quando todo mundo está informado e já sabe o que fazer, nós saímos com Little John, o atacante, liderando o caminho, dirigindo a nossa carroça de guerra cheia de todos os suprimentos que precisávamos esta noite. Eu dirijo na parte de trás do monte com Colt, Raider, Hawk e Spider logo atrás de mim.

Há uma festa na casa de fraternidade. Não é surpresa. Casas de fraternidade são muito parecidas com um clube. Eles têm festas selvagens todo fim de semana, mas essa festa não vai nos parar. Na verdade, vai tornar isso ainda mais interessante.

Nós estacionamos nossas motos há meio quilômetro da casa e puxamos nossas bandanas pretas sobre nossos rostos. Com a gente vestindo nossas cores não haveria como negar que fora o Angel’s Halo que cometeu o crime. Com nossos rostos cobertos e o caos que se seguirá, haverá pouca prova de quem está presente e quem não está. Negação plausível.

Podemos ser criminosos. Idiotas, não.

Eu puxo meu cabelo em um rabo de cavalo baixo e amarro uma segunda bandana sobre as mechas escuras. — Acenda, meninos. — eu grito quando nos aproximamos da casa pelo leste. — Quero este lugar afundado e nossas bundas no meio do caminho para casa antes de ouvir as sirenes.

Risadas diabólicas encheram meus ouvidos a meu comando e eu pego um jarro de leite cheio de gasolina e começo a derramar sobre a varanda dos fundos. Esta casa é velha. Vai explodir a qualquer momento. Nós não vemos ninguém do lado de fora enquanto continuamos a encharcar a casa com gasolina, querosene e diesel. Quando nossos jarros estão vazios nós os deixamos para derreter quando o fogo começar.

Cinco minutos mais tarde, enquanto todos nós assistimos a uma boa distância, Hawk carrega seu arco com uma flecha que tem um trapo velho amarrado à ponta. O pano está embebido em diesel. Spider acende seu isqueiro e o pano inflama instantaneamente. Um minuto depois, a flecha atravessa uma janela na casa de fraternidade.

Alguns gritos cumprimentam nossos ouvidos e então a fumaça começa a sair da janela quebrada.

— Vamos embora, rapazes! — Eu tiro minha bandana de meu rosto e me viro em direção à minha moto. — Eu acho que terminamos aqui por enquanto.

Hawk fica por mais um minuto, até a explosão do primeiro conjunto de janelas explodirem pelo calor e a pressão ecoar à distância. Eu aceno para ele e ele monta em sua moto.

O som das sirenes ao longe nos cumprimenta quando alcançamos os limites da cidade. O longo caminho para casa nunca foi tão divertido. Sorrisos maus estão em cada membro do Angel’s Halo quando entramos no estacionamento de nosso armazém.

Algumas das ovelhas já estão esperando os caras. Depois de uma corrida como esta onde a adrenalina é alta, paus ficam duros. Eu ignoro as fêmeas e vou até meu escritório. São quase três da manhã e minha cabeça está doendo. A emoção da corrida não é nada comparada à merda que eu estou sentindo sobre Raven.

Eu passo por Colt, já despindo uma ovelha nova perto das mesas de bilhar. Raider está em um dos muitos sofás, duas fêmeas já disputam quem irá fazer sexo oral nele. Spider está fora de vista e Hawk correu atrás de mim enquanto eu subia as escadas para meu escritório.

Ou ele está realmente chateado comigo ou ele está realmente caído por aquela garota Gracie.

Eu caio em minha cadeira atrás de uma mesa que está coberta de faturas e só Cristo sabe mais o quê. A sala está toda empoeirada e precisa de uma boa limpeza de alto a baixo. Aposto que ninguém esteve no escritório do presidente desde que Jet fora preso.

Virando na cadeira, eu enfrento Hawk. Ele ainda está de pé, mal olhando ao redor da sala que um dia pertencera a seu irmão e a seu pai antes dele. A sala provavelmente traz muitas lembranças para ele. Merda, ela traz muitas para mim também. Mas não havia nenhuma maneira no inferno de eu ficar lá embaixo para a orgia que já está começando. Se isso chegasse a Raven, eu perderia minhas bolas.

— Raven estava derrubando vodca quando eu saí. — Hawk me informa.

Eu aperto minha mandíbula. Raven podia beber com o melhor deles. Sua escolha sempre era Jameson. Um bom uísque irlandês. Mas vodca? Essa merda é a criptonita dela. Ela pode beber a noite toda sem sentir. Até a manhã seguinte. Em seguida, surge a ressaca... junto com a cadela do inferno.

— Eu vou falar com ela. — Eu garanto.

— É lógico que você vai. — Hawk explode. — Você deveria ter dito a ela sobre a criança quando começou a dar uns amassos nela. Em vez disso, você deixou passar muito tempo e agora minha irmã está uma bagunça emocional. Você sabe o quão difícil é levar Raven a este ponto, Bash? É quase impossível!

Se tivesse sido qualquer outra pessoa falando assim comigo eu já teria arrancado a cabeça dele. Mas não era. Era Hawk. Um homem que é como família para mim. Um homem que eu quero como meu cunhado. Então, eu não o enfrentei. — Eu a amo, Hawk. Vou corrigir isso.

— Corrija agora! — Ele ruge, batendo os punhos sobre a mesa. Papéis se espalham em toda a sala, poeira voando em todas as direções. — Eu não vou ficar sentado enquanto minha irmã caçula tem seu coração rasgado pela segunda vez. Você pensou que Jet era ruim? Maldito, você estará implorando pela misericórdia dele quando eu terminar com você. Presidente ou não!

Antes que eu pudesse abrir minha boca, Hawk se foi. O escritório ainda vibrava com a força da porta batendo quando ele saiu como uma tempestade descendo as escadas e saindo do armazém.

Murmurando uma maldição, eu peguei um peso de papel de vidro em forma de motocicleta e joguei-o contra a parede oposta. Merda de Hannigans!

 

Raven

Estamos sem Snapple Apple.

Isso só me irrita. Como posso beber minha Grey Goose sem meu Snapple Apple? Eu pego minhas chaves. Eu terminei uma garrafa e estou a um terço do caminho para terminar a segunda. Não tem como eu terminar sem minha bebida de fruta favorita. Há uma loja de conveniência há cinco quilômetros.

— Onde você vai, Raven?

Minha cabeça se levantou. Gracie estava na porta da cozinha. Eu esqueci completamente dela. Ela está usando um shorts de pijama e um top de camisola. Até eu posso ver que a garota é gostosa, mas grita inocência. Talvez seja por isso que Hawk está tão mexido por ela.

— Eu preciso de mais Snapple. Quer alguma coisa da loja?

Seus olhos estreitaram quando ela percebeu a bagunça na mesa da cozinha – quatro garrafas vazias de Snapple Apple. Mais duas estavam quebradas no chão, onde eu as deixei cair. A primeira garrafa de Grey Goose estava ao lado. Ninguém sabe onde está a tampa. Eu não me lembro de onde a coloquei. Não é como se eu precisasse, a segunda garrafa de Grey Goose também estava sem tampa e me implorando para bebê-la.

— Você bebeu tudo isso sozinha? — Eu me lembro dela ter vindo me ver uma vez. Eu tinha bebido duas Snapple Apples quando ela fez um sanduíche. Nós não nos falamos, pelo menos eu não falei.

Eu dou de ombros. — É.

— Você não vai dirigir. — Ela dá um passo para frente, estendendo a mão para as chaves. — Você tem que estar bêbada... — seus olhos estreitaram —... mesmo se você não age como se estivesse. Me dê as chaves.

— Foda-se! — Eu me viro e me dirijo para a porta. Eu posso gostar da garota, mas isso não significa que eu vou ouvi-la.

— Raven. — Ela corre atrás de mim e pega meu cotovelo antes de eu abrir a porta. — Não faça isso. Olha, se você precisa ir até a loja, eu levo você. Por favor. Por favor, me deixe levá-la, Raven.

O por favor faz isso. Ninguém nunca diz por favor. Ninguém nunca se importa o suficiente para dizer por favor. Eu pisco para conter as lágrimas e entrego minhas chaves sem olhar para Gracie. — Vamos. — eu sussurro.

O relógio em meu braço diz que já passou das três da manhã. Eu suspiro, querendo saber se o trabalho aconteceu como o planejado.

Dez minutos depois, Gracie entra no estacionamento da loja de conveniência. Não é propriedade de ninguém no clube e eu raramente faço compras aqui, exceto por gasolina. É uma daquelas lojas vinte e quatro horas e parte de uma rede. Gracie dá ao cara atrás do balcão um sorriso nervoso quando entramos na loja, e eu vou direto para os refrigeradores de trás. Preciso de Snapple Apple. Isso é tudo o que eu quero...

Eles nem sequer têm Snapple!

Nem. Mesmo. Um.

Eu bato a porta do refrigerador e chuto-a com força suficiente, que se eu não tivesse acabado de engolir uma garrafa inteira de vodca teria doído como o inferno. Em vez disso eu rio e depois rio ao ouvir o som de minha risadinha feminina. Gracie toca meu braço. — Raven, você está bem? Isso pareceu doer.

— Eu falo para você amanhã. — Eu digo a ela, rindo novamente. — Eu não posso sentir merda nenhuma agora.

— Hum... Ok. Você encontrou o que você precisava?

— Não. Os malditos não tem Snapple Apple. Quem não vende Snapple Apple? Essa merda é incrível.

Gracie lança um olhar para frente da loja onde o caixa nos olha com cautela. — Raven, você está falando muito alto. Talvez você deva falar um pouco mais baixo.

— Ah, é? — Eu ignorei-a e me voltei para o caixa. Ele parece um garoto da faculdade com cartão de academia. Ele tem músculos e uma atitude óbvia, mas eu posso ver que ele é apenas um impostor. Sem coragem no interior, onde ela é mais necessária. — Ei, idiota! Onde está a Snapple?

— Nós não temos Snapple. — Seu tom é mal-humorado e eu acho que ele precisa de um cochilo.

— Por que não, porra? — Eu exijo. — Eu quero Snapple Apple.

— Há outros sucos de maçã na geladeira atrás de você. Pegue o que você precisa e saia. — Ele aponta para o refrigerador atrás de Gracie. — Eu não quero nenhum problema.

Eu reviro os olhos para ele. — Eu não quero essa merda. Tem gosto de bunda. — Eu ando em direção à caixa registradora, pegando lanches aleatórios das prateleiras e deixando-os cair no chão. Eu piso neles arrebentando-os e chutando-os. É, eu estou agindo como a cadela que eu afirmo não ser. Eu não me importo. Deixe este imbecil limpar a bagunça.

— Raven...

— Raven!

Minha cabeça se apressa com o som de meu nome nesse tom de voz. Eu faço careta quando vejo Hawk em pé na porta da frente. — O quê? — Eu exijo.

— Puta que pariu, menina! — Ele explode, captando a sombra em vermelho no rosto do caixa e vendo a bagunça que eu criei. O garoto está segurando um telefone. Quem diabos ele está chamando? — Você está tentando ser presa? — Seu olhar se move atrás de mim, estreitando sobre Gracie. — O que você está fazendo aqui, Gracie?

— Eu não queria que ela dirigisse. Ela acabou com uma garrafa inteira e já estava começando outra... Sinto muito, Hawk.

— Isso não é culpa sua, querida. — O tom de Hawk amolece. Oh, para ela ele fica todo mole e agradável. Ele nunca me tratou assim! — Você dirige para casa, querida. Eu vou cuidar de Raven e desta bagunça.

Gracie sai da loja e vejo Hawk tocar seu braço quando ela passa por ele. Eu cerro os punhos. Quando ela sai do estacionamento em meu Challenger, ele vira aquele olhar mal para mim. — Você está na merda!

— Eles não têm Snapple Apple! — Eu me defendo.

— Então, você destruiu a loja? — Hawk aponta para o caixa. — Esse idiota estava prestes a chamar a polícia, Raven! Se eu não tivesse visto seu carro e parado para ver o que diabos você estava fazendo, você provavelmente estaria algemada agora. — Ele puxa a carteira do bolso de trás e joga várias notas de cem dólares sobre o balcão. — Limpe. Isso é pelo que ela destruiu.

Então ele me joga por cima do ombro e me despeja no chão ao lado de sua moto. — Isto está abaixo de você, Raven. — O tom está mais calmo agora, a dureza se foi — a maioria das vezes. — Você acha que é a única menina que teve seu coração partido? Bem, você não é. Supere. Bash tem uma filha, lide com isso. Ele não disse a você? Talvez porque você não aja como alguém muito mais velha do que sua filha.

Eu salto para meus pés, pronta para bater nele em seu rosto bonito. Ao invés disso, suas últimas palavras arranharam meus nervos, e eu tropeço de costas, dor lançando direto em meu coração.

Comecei a chorar, me odiando porque eu sei que ele está certo.


Capítulo Quinze

Bash

Eu honestamente não me lembro do nome da garota com quem fiz sexo pela primeira vez. Todo mundo atrás dela é um grande espaço em branco para mim também. Eram fodas pura e simplesmente. Já fiz isso uma centena de vezes com o mesmo número de fêmeas diferentes.

Mas a primeira noite que fiz amor com Raven? Vou me lembrar desse momento para o resto de minha vida. Quando eu estiver velho e perdendo minha memória eu ainda me lembrarei daquela noite. O sabor de seus lábios –doce um pouco azedo – quando eu a beijei. O som de seus suspiros enquanto eu tocava cada centímetro de seu corpo. A sensação de suas unhas arranhando minhas costas enquanto eu a levava ao limite. Cada maldito segundo daquela noite está para sempre gravado na minha mente...

Não foi fácil conseguir esse tempo a sós que precisávamos para uma noite assim. Os irmãos de Raven estavam começando a perceber a forma como Raven não podia deixar de olhar para mim agora. Eu não podia culpá-la. Eu estava achando cada vez mais difícil não deixar meus sentimentos brilharem através de meus olhos quando eu olhava para ela também. A lembrança do beijo que compartilhamos em seu aniversário – e cada beijo depois desse – mantinha meu corpo em fogo brando com a necessidade por ela.

Spider era o único que sabia o que estava acontecendo. Foi uma loucura. Era perigoso. Eu não deveria ter envolvido meu amigo. Não quando Jet bateria tanto nele quanto em mim se ele descobrisse que ele sabia. Mas eu precisava de sua ajuda. De que outra forma eu conseguiria o tempo que eu precisava com Raven sozinho? Eu queria que ela decidisse se valia a pena me manter e, a menos que nós tivéssemos algum tempo de qualidade juntos, ela não seria capaz de decidir.

Assim com Spider mantendo todo o clube entretido com alguma ovelha nova no armazém, eu fiquei na casa de Raven.

Raven sorriu para mim quando ela levantou a cabeça do meu peito. — Seu coração vai explodir se você não se acalmar.

A trouxe mais para perto. Era uma loucura eu estar nervoso. Eu duvidava que eu estivesse tão ansioso quando perdi minha virgindade aos treze anos. Lá estava eu, vinte e seis anos e prestes a fazer amor com a garota que era dona do meu corpo e alma, à beira de um ataque de coração. Spider nunca me deixaria viver essa merda se ele descobrisse que eu era um maricas.

Ela se mexeu em meu colo até estar sentada de perna aberta em cima de mim. Sua camiseta de dormir subiu por suas coxas nuas, e sua buceta quente sentou direito sobre minha ereção pulsante. Eu respirei afiado, percebendo que Raven não tinha colocado nenhuma calcinha depois do banho. — Porra, Raven. — Eu murmurei, deixando minha cabeça cair para trás contra o sofá. — Você vai me matar.

— Talvez. Mas vou fazer isso ser bom, querido. — Ela chupou o pulso latejante na base de minha garganta. — Eu preciso de você para me foder esta noite, Bash.

Agarrei sua bunda nua em minhas duas mãos, meus dedos agarrando firme sua carne enquanto eu tentava deter o pouco de controle que eu tinha quando se tratava desta mulher. Não adiantava tentar manter o controle. Onde Raven estava preocupada, eu era impotente. Com suas pernas em volta de minha cintura, eu fiquei de pé e levei-a até as escadas para o quarto dela.

Seus dedos pentearam meu cabelo comprido, seu rosto estava enterrado em meu pescoço enquanto eu fechava e trancava a porta do quarto dela. Eu seriamente duvidava que seus irmãos se dariam ao trabalho de entrar em seu quarto se eles voltassem para casa antes do amanhecer, mas eu não iria arriscar. Quando me virei em direção a sua cama, eu já estava tirando minhas botas.

Eu estava tremendo de tão excitado, de tão nervoso. Era quase como se eu estivesse prestes a fazer sexo pela primeira vez em minha vida. Mas talvez eu estivesse, porque esta seria a primeira vez que eu faria amor com alguém.

Assim que me sentei na beirada da cama, ela começou a rasgar minha camiseta. Eu ri do fundo da alma, enquanto eu a puxava de volta e pegava suas mãos. — Calma, Raven. Nós temos a noite toda.

Olhos verdes ardendo de desejo encontraram os meus. — Estou prestes a pegar fogo, Bash. Eu não tenho nem dois minutos, muito menos a noite toda. Por favor, eu preciso de você.

Meu pau inchou ainda mais, me fazendo estremecer de dor quando ela pressionou contra o metal de meu zíper. Me levantei e coloquei-a deitada cruzando o colchão para que eu pudesse retirar meu jeans. Seus olhos me observavam o tempo todo, captando a visão de meu pau completamente excitado pela primeira vez. Ao longo das últimas duas semanas, nós demos uns amassos sempre que possível e eu deixei-a explorar meu corpo tanto quanto ela queria. Mas até agora eu não a tinha deixado ver o que ela gostava de tocar.

Raven lambeu os lábios enquanto olhava meu pau se contrair em resposta a seu olhar. Sorrindo, eu coloquei minha mão em volta da ereção, acariciando a ponta e lançando algumas gotas de gozo. Limpei o líquido claro com meu dedo e esfreguei-o em seu lábio inferior. Observá-la chupar o lábio inferior em sua boca e gemer quase me levou à loucura.

Rosnando, eu abri suas pernas e me estabeleci entre elas, deixando seu calor me envolver enquanto eu beijava cada centímetro de seu belo rosto. Ela me ajudou a puxar sua camisa sobre sua cabeça e eu enterrei meu rosto no vale entre seus seios maduros. Suas costas arquearam, silenciosamente me implorando para sugar seus mamilos, mas eu não cedi. Ao invés disso, eu afundei meus dentes na carne de seu monte e chupei.

Quando a soltei com um estalo alto e molhado, eu estava satisfeito com a mordida de amor que ficou. Apenas eu saberia que a marca estava lá e isso me deixou ainda mais duro quando beijei a marca da mordida. Eu fiz o mesmo com o outro mamilo, sugando ainda mais do que eu tinha feito com o outro, fazendo-a implorar para eu parar.

Mesmo quando ela arranhou minhas costas, me pedindo para parar e implorando para não fazer ao mesmo tempo, senti-a ficando mais úmida contra minha ereção, enquanto esfregava para cima e para baixo em seu clitóris com cheiro doce. Ela não duraria muito tempo e eu duvidava que eu durasse também. Já estava bom disso. Precisávamos nos aliviar ou eu ia acabar machucando-a. — Bash! — As unhas de Raven afundaram em meu bíceps, furando minha pele, mesmo estando curtas.

Eu apreciei a dor aguda quando eu levantei a cabeça e observei-a se abrir para mim pela primeira vez. Seus olhos rolaram em sua cabeça. Mais baixo, onde meu pau ainda estava esfregando para cima e para baixo naquele pequeno clitóris liso, eu podia sentir seu pulsar e enfiei dois dedos fundo para que eu pudesse sentir seu aperto em torno de mim quando ela atingisse o orgasmo.

— É isso aí, Raven. Venha para mim. — Eu tirei meus dedos e chupei sua doce libertação nos meus dedos. Merda! Esse gosto podia se tornar viciante se eu não tiver cuidado.

Ela ofegava, deitada frágil e cansada. Eu nunca tinha visto nada mais belo em minha vida. Foi com esse pensamento que eu me empurrei contra seu clitóris quente e gozei. O nome dela saiu de minha boca em um grunhido e ela levantou a cabeça para ver meu pau liberar um esperma grosso, quente e dispará-lo em sua barriga.

Ela esfregou sua mão sobre a viscosidade espessa, esfregando-a em sua pele. O cheiro de meu esperma encheu o ar e eu gemi quando o cheiro misturou com a excitação dela, me deixando duro mais uma vez.

— Ok, agora me foda. — ela ordenou, me trazendo para mais perto e sentando de perna aberta em minha cintura. Meu pau se contorceu contra a fenda de sua bunda. — E eu quero mais do que uma vez. Não me decepcione, Bash.

Bati a mão em seu doce traseiro. — Que tal você dar as cartas esta noite, querida. Então eu saberei que você não vai se decepcionar.

Eu vi seus olhos escurecerem e ela mordeu o lábio. — Eu poderia ser ruim nisso... — ela murmurou.

— Raven, você é perfeita em tudo. Isso, você e eu, você nunca poderia ser ruim nisso. Pegue o que quiser de mim.

Porra se ela fez isso! Ela pegou e pegou e ainda estávamos ambos implorando por mais enquanto a noite avançava. Por volta de quatro e meia, eu finalmente coloquei minhas roupas, deixando-a quase inconsciente com a exaustão. Eu odiei sair daquela casa naquela noite. Mesmo estando na porta ao lado, parecia que estávamos a um milhão de milhas de distância. Eu não consegui respirar direito até vê-la de novo no dia seguinte.

Na noite seguinte, e todas as noites desde então, eu escapei para a porta ao lado e subi na cama com ela. Algumas noites fazíamos amor até o sol nascer. Em outras eu só a abraçava, esfregando meus dedos para cima e para baixo em suas costas nuas. Nós conversávamos até que um de nós adormecesse e então eu me esgueiraria de volta para a casa de meus primos ao amanhecer.

Eu fiz careta quando deixei as memórias decaírem. Se alguma coisa, Raven e eu tínhamos feito mágica quando estávamos juntos. Tudo o que eu precisava fazer era lembrar a ela o quão perfeitos éramos juntos. Então, seríamos capazes de trabalhar em todo o resto.

 

Raven

Eu acordei com uma dor de cabeça terrível.

Meus olhos não se concentravam completamente em coisa nenhuma. Murmurando uma maldição, eu me forcei a sair da cama e descer o corredor para tomar banho. Porra, eu me destruí na noite passada. Felizmente, apenas Hawk e Gracie viram minha infantilidade.

Devo-lhes um pedido de desculpas esta manhã. Merda! Eu odeio dizer desculpas, mas eu vou fazer isso. Já é hora de eu crescer.

Talvez tenha sido minha culpa que Bash não me contou sobre sua filha até ser forçado a contar. Eu preciso falar com ele sobre isso. Podemos resolver as coisas? Ele vai me deixar ajudá-lo a cuidar de sua filhinha? Claro que eu não sou muito um exemplo, mas eu posso mudar. Podemos até nos tornar uma família...

Na hora em que eu saí do chuveiro estou com as ideias mais claras, mesmo que haja pequenos homens verdes furando meu cérebro. Eu puxo um par de suéteres e uma regata e me dirijo para baixo.

O cheiro de bacon e ovos fritos vira meu estômago, mas eu passo por isso. A gordura do bacon vai ajudar com a ressaca. Abro a porta da cozinha para encontrar Hawk, Tanner, Raider, Matt e Colt todos sentados à mesa da cozinha, enquanto Gracie está fazendo o café da manhã no fogão. É uma visão estranha, ver a pequena Gracie usando um par de calças de moletom de Hawk e uma de suas camisas – que a engoliam inteira – enquanto ela cozinhava. Eu me pergunto se ele dormiu na mesma cama que ela novamente ontem à noite, mas decido que não quero saber.

— Bom dia, luz do sol. — Tanner me cumprimenta com aquele sorriso arrogante de Reid que, como em seu primo, faz meu coração disparar. — Como está a cabeça?

— Foda-se, Tanner. — Eu murmuro enquanto caio em uma das cadeiras entre Hawk e Colt.

— Mau humor, mau humor. — Matt abana o dedo para mim antes de pegar um biscoito recém colocado na tigela de pão. — Trancamos oficialmente toda a vodca em um raio de 50 quilômetros.

Eu mostro o dedo para ele e despejo meio copo de suco de laranja. Percebo um novo pacote de doze garrafas de Snapple Apple no balcão e atiro o dedo para Tanner também. — Hawk contou a eles sobre a viagem para a loja de conveniência?

— Não. — Tanner balança a cabeça. — Bash trouxe isso no caminho esta manhã. Percebeu que você precisava de um pouco mais de Snapple se fosse beber Grey Goose como na noite passada.

Meus olhos se estreitaram nele. — Caminho? Aonde ele estava indo? — É domingo. Onde ele tem que ir em um domingo?

— Pegar a filha. Acho que já que você já sabe sobre ela, ele vai trazê-la para casa. — Tanner dá de ombros. — Eu acho que ele vai trazer a irmã de Tasha com ele também... — Alguém o chuta por baixo da mesa e ele grunhe de dor. — Ou talvez não.

— A irmã de Tasha? — Eu exijo, olhando para Colt, que foi quem chutou Tanner. — A irmã de Tasha?

Eu conheço Tasha. É natural que eu saiba sobre as filhas dentro de outros clubes. O Red Dragons, o clube de Vegas, é uma espécie de clube irmão do Angel’s Halo e conhecido por negócios sujos. Tasha tinha sido tão suja quanto. Apenas alguns anos mais velha que eu, ela também era conhecida por suas tendências sociopatas. Ela poderia estripar você e sorrir docemente enquanto fazia isso. Sua irmã é talvez um ano mais velha que eu, talvez dois. Sua mãe não deixou Willa se associar com a vida do clube como aconteceu com Tasha, então eu não sei muito sobre Willa.

Só que há rumores de que ela está muito bonita.

— Por que Bash traria Willa aqui? — Eu exijo, apenas para lamentar a sonoridade da minha própria voz. Aqueles homenzinhos verdes do caralho!

Colt dá a Tanner um olhar que promete uma morte lenta e agonizante antes de dar um longo suspiro. — Porque Willa tem vivido com Bash ajudando-o cuidar da criança. Achamos que já que ele está trazendo a menina, ele vai trazê-la também para mantê-la com a menina.

Talvez seja porque minha cabeça está doendo muito. Talvez seja porque eu ainda estou tão magoada por Bash não ter me contado sobre sua filha. Eu sinto as lágrimas queimando meus seios da face e corro da cozinha antes que alguém possa vê-las cair. Eu acreditei nele ontem quando ele tinha dito que não houvera ninguém desde que ele me deixou, mas ele tinha outra mulher vivendo com ele.

Por um ano inteiro!

Um. Ano. Inteiro.

Todas as resoluções que fiz para mim no banho agora eram atiradas para fora da janela. Meu coração, que acabou de se sentir amassado na noite anterior, agora estava quebrado de repente. Ele esconde tanta coisa de mim. Eu nem mesmo o conheço mais.

Eu ainda quero conhecê-lo agora? Posso confiar nele?

Eu nem tenho certeza se eu ainda quero tentar.

Em meu quarto eu atiro um monte de roupas em uma bolsa de ginástica e pego minhas chaves. Eu nunca me dei bem com dor emocional. Dói como nenhuma dor física poderia e isso só me irrita. Agora eu não estou apenas quebrada por dentro, mas eu estou com raiva de todo mundo que eu conheço.

Meus irmãos sabiam sobre a criança – e com certeza eu entendo eles esperarem Bash me contar – mas eles também sabiam sobre ele viver com outra mulher. Eles sabiam e não disseram uma palavra! Eu fui estúpida o suficiente para deixá-lo penetrar seu caminho de volta para minha vida, talvez até mesmo para minha cama.

Era óbvio onde a lealdade deles estava e não era comigo. O clube era a vida deles, sua maior prioridade. Bash é seu novo presidente, seu líder. Seu chefe. Os sentimentos de sua irmã mais nova não importam, apenas siga o grande homem.

Eu mal posso honestamente me lembrar de uma vez em que meus sentimentos importaram para qualquer um de meus irmãos. Não importa se eu peço, imploro, ou choro. Contanto que eu esteja segura e ninguém me toque, eles estão contentes enquanto eu estou preocupada. Nem mesmo quando eu implorei para Jet não ferir Bash.

Eu não posso ficar aqui. Eu não posso estar sob o mesmo teto que meus irmãos sequer um segundo a mais. Eles podem me amar, mas eles não se importam comigo. Possessivos, protetores, mas não cuidadosos, esses são meus irmãos.

Eu só tenho três pessoas que eu possa escolher. Apenas três opções para me refugiar. Tio Jack não vai entender. Ele me ama tanto quanto meus irmãos, talvez até mais, mas ele é todo clube. Felicity me ama, se preocupa comigo, mas eu realmente não posso lidar com a mãe dela. Ela é fiel ao clube em todos os sentidos e com certeza tomaria partido se chegasse a isso.

Só resta um só lugar.

Eu corro escada abaixo e para meu carro antes que alguém possa me impedir. Se meus irmãos souberem que estou deixando-os, eles vão me trancar em meu quarto. Eu ligo meu Challenger ao mesmo tempo em que eu jogo minha bolsa de ginástica cheia de roupas no banco de trás. Saindo com o carro rapidamente, eu acelero assim que saio da garagem.

É uma viagem de vinte minutos e meus irmãos explodem meu telefone antes de eu ter chegado há cinco minutos. Eu o desligo, meio tentada a lançar o celular pela janela. Na hora em que chego ao estacionamento do velho e degradado edifício de apartamentos, meus nervos estão disparados e algumas lágrimas desafiadoras escapam.

Pegando minhas coisas, eu tranco as portas e levo meu tempo subindo os degraus para o segundo andar. Isso já tinha sido um hotel e agora eram apartamentos, pelo menos o segundo andar era. Eu não estava fingindo não ver que o primeiro andar era uma casa de prostituição onde se paga pela hora.

Meus dedos tremem enquanto eu passo em frente à porta no final. Mais algumas lágrimas escapam e eu nem sequer me preocupo em secá-las quando eu bato duas vezes.

Eu ouço um grunhido animalesco, um — filho da puta — e algumas outras maldições que ele teria matado um homem por dizê-las em minha frente. Ele deve ter bebido mais do que o habitual na noite anterior porque ele está tropeçando nas coisas, principalmente nas próprias roupas e talvez até mesmo em uma cadeira ou duas.

Ele não se preocupar em olhar pelo olho mágico antes de abrir a porta. O sol o faz rosnar de novo, antes de se concentrar em mim plenamente. — Raven? — Spider pisca e depois esfrega uma grande mão sobre o rosto. Eu mantenho meus olhos em seu rosto, porque eu sei que ele está completamente nu. — Querida, o que houve?

Ao contrário de meus irmãos, ao contrário de todos os outros em minha vida, Spider me ama. Ele se preocupa mais comigo do que qualquer outra pessoa em minha vida. Mesmo ele sendo o executor agora, eu sei que venho antes do clube para ele. Não importa que seu melhor amigo seja o presidente. Não importa que o clube seja a única família que ele tem.

Ele se preocupa comigo.

Outras lagrimas escapam. — Posso ficar com você por alguns dias?


Capítulo Dezesseis

Spider

Eu vesti um par de jeans enquanto Raven afundava na segunda cama grande. Meu quarto não é uma vista bonita, mas isso nunca a incomodou antes, então eu não peguei as garrafas de cerveja espalhadas ou as caixas de pizza vazias. É o típico quarto de hotel que virou apartamento: duas camas tamanho grande - uma em que eu normalmente atiro as minhas porcarias - uma cômoda, uma mesa e um mini geladeira. A única coisa que eu adicionei ao quarto foi a grande TV de tela plana na parede. O banheiro é o único outro cômodo no apartamento. Pequeno, mas é tudo o que eu preciso. Para não falar que é muito mais agradável do que os quartos que eu fiquei antes. Aqueles que estão no armazém têm metade deste tamanho, e uma luz negra iria mostrar exatamente o quanto de sexo eles já viram.

Colocando uma camiseta velha, eu vejo quando Raven se enrola em uma bola em cima da cama e golpeia algumas lágrimas. — O que aconteceu? — Eu exijo, embora eu possa dar um palpite. Algo a ver com Bash. Ele é a única pessoa que pode levar Raven às lágrimas. Minha menina forte não é tão forte como ela quer ser quando se trata de meu melhor amigo idiota. Esse filho da puta não a merece, mas eu não estou em posição para distribuir conselhos no departamento do amor.

— Eu acho que você sabia que Bash tem um filho. — Ela suspira.

Eu encolho os ombros. — Yeah. Ele me disse quando descobriu... — Paro quando ela me lança um olhar mortal. — Ok, talvez eu devesse ter dito a você. Eu suspeitava que era por isso que ele foi embora, mas eu não tinha certeza. Quero dizer, ele não confiava exatamente em mim no momento, querida. Ele saiu sem dizer uma palavra a ninguém. — Nem mesmo para mim, que teria morrido com prazer pelo filho da puta.

O olhar raivoso se transforma em mais lágrimas. — Então você não sabia que ele estava tendo um caso e brincando de casinha com Willa Blackstone no ano passado?

Todo o ar foi sugado da sala de repente. Meu corpo fica quente apenas com o som do nome de Willa, então gelado quando as palavras de Raven finalmente são compreendidas. Eu cambaleio para a primeira cama e caio como uma pilha de tijolos. — O... que... você... disse? — Eu gaguejo.

Ela senta, parecendo preocupada agora. — Willa Blackstone. Ela está morando com Bash.

Eu recuo e os olhos de Raven se estreitam. — Você conhece Willa, não é?

Eu deixo cair a minha cabeça em minhas mãos, meus dedos apertando minha cabeça calva. Porra, eram momentos como este que eu gostaria de ter cabelos para que eu pudesse retirá-lo aos punhados. — Willa... ela está no meu passado. Eu não posso falar sobre Willa... — Eu respiro fundo, tentando acalmar meu coração acelerado com a ideia de Willa. Doce, bonita, muito boa para um bastardo como eu.

Eu não sou bom o suficiente para ela, mas o fodido do Bash também não é!

— Como é que você descobriu? — Eu exijo.

Raven faz uma careta. — Tanner estava falando demais sem pensar. Disse que Bash foi buscar sua filha e a irmã de Tasha. Colt não tinha escolha a não ser me dizer. — Ela escova alguns fios de seu longo cabelo loiro do rosto. — Eles sabiam sobre ele estar morando com ela há semanas, e ninguém se preocupou em me dizer. Isso só mostrou como o clube é muito mais importante para eles do eu. Meus sentimentos não parecem importar a mais ninguém, se é que alguma vez já importaram. Eu precisava limpar a minha cabeça... Tem certeza de que você não se importa se eu ficar alguns dias?

— Fique o tempo que quiser, querida. Eu vou cuidar de você. — Ela é a única que sempre deu a mínima para mim. Raven é especial. Ela pode agir toda durona, mas quando ela se preocupa com alguém, ela o ama profundamente.

Eu sou um sortudo por tê-la se importando comigo.

 

Raven

Passei três dias no Spider antes dos meus irmãos começarem a aparecer.

Eles tentaram me convencer a voltar para casa. Eu, é claro, lhes disse para se foderem e me deixarem em paz. Eu ainda não estou pronta para ir para casa. Eu não posso confiar neles mais do que eu poderia em Bash. Uma garota precisa saber que sua família vai colocar seus sentimentos em primeiro lugar, e eu duvido que alguma vez eles farão isso comigo.

Bash tem enchido o meu celular, mas eu bloqueei o número dele. Não há nada que ele tenha a dizer que eu queira ouvir. Sua chance de me dizer a verdade tinha ido e vindo e eu não me importava mais. Sobre ele. Sobre a pouco vivida fantasia de começar uma família com ele e sua filha.

Ok, então talvez eu não me importe completamente sobre isso. Talvez eu tenha passado algumas horas chorando enquanto Spider estava no trabalho para que ele não sentisse pena de mim.

Felicity apareceu para me ver antes de suas aulas no dia anterior, e eu descobri que Hawk falou para Gracie ficar em nossa casa por enquanto. Eu estou bem com isso. Isso faz não ir para casa mais fácil, porque eu sei que Gracie vai cuidar dos meus irmãos. Sei também que Bash voltou com a filha e a mulher para onde diabos ele esteve no ano passado.

Minha amiga me informou que Willa é definitivamente tão bonita como todo mundo sempre disse que ela era. Além disso, a linda Willa parece realmente doce. Ah, que maravilha, a doce Willa está dormindo na minha cama!

Que. Diabos!

Willa não se importa com Tanner e Matt, então ela e a pequena Lexa estão dividindo o meu quarto. Parece que eu não tenho um lugar para dormir, mesmo se eu decidisse ir para casa.

— Eu trouxe pizza! — Spider anuncia enquanto entra pela porta de seu apartamento de dois quartos. Ele deixa cair uma caixa de pizza no pé da minha cama junto com um pacote de seis cervejas geladas.

Eu ignoro a comida, mas rapidamente tomo uma cerveja. Preciso disso depois de lidar com ambos Colt e Raider a apenas algumas horas atrás.

Vendo que eu estou fazendo do álcool meu jantar pelo quarto dia consecutivo, Spider tira a cerveja da minha mão. — Coma, Raven. Não me obrigue a colocá-la sobre o meu joelho.

Eu sorrio para ele. — Isso pode ser divertido.

— Oh, querida. Eu sei que seria. — Ele pisca e toma o resto da minha cerveja em um gole. — Agora coma.

Rindo pelo que parece como a primeira vez na vida, eu alcanço a caixa de pizza e pego uma fatia que está coberta de carne de todas as variedades, juntamente com azeitonas verdes. — Uhuuuuu! — Eu posso tolerar qualquer coisa em uma pizza enquanto ela tenha azeitonas verdes nela. — Obrigada, Spider.

Ele dá de ombros, já se deixando cair de bruços com o controle remoto apontado para a tela plana na mão. — Qualquer coisa para você, querida.

Eu estou no meio da minha primeira fatia quando notei a contusão em sua mandíbula. — Quem teve a coragem de lhe dar um soco? — Eu exijo, tirando uma azeitona da pizza e mastigando-a.

— Apenas um punhado de homens têm esse tipo de bolas, querida. Este veio do chefe. — Ele toca dois dedos na contusão rapidamente inchando. — Ele me encontrou na porta quando eu estava fechando a loja. Dois socos e, em seguida, ele estava de volta em sua maldita motocicleta.

A pizza de repente tinha gosto de serragem, e eu joguei a fatia meio terminada de volta na caixa. — Desculpe, Spider.

— Isso não é culpa sua, querida. Se qualquer coisa, se trata de Willa, não de você.

Spider e Bash agora estão brigando por Willa. Esse deve ser o caso, porque Bash não se preocupou em aparecer aqui. Claro, isso não dói. Eu sou notícia velha, afinal. Bash tem a sua nova mulher e sua filha com ele agora. Ele não tem que se preocupar em me reconquistar com Willa por perto.

Não, não dói nem um pouco.

— Tudo bem. — Eu pego a pizza de volta e me forço a terminá-la de comer. — Amanhã é quinta-feira. Fica bastante ocupado no bar. Eu acho que é melhor eu ir para o trabalho e ajudar meus irmãos.

Eu não tenho trabalhado nas últimas três noites, e meus irmãos estão começando a sentir a pressão de não me ter por perto para ajudar. A visita de Raiden e Colt hoje tinha sido toda sobre fazer eu me sentir culpada para voltar para casa e assim eu poder fazer a minha parte no bar. Eu fiz um compromisso. Eu continuarei a ficar no apartamento de Spider, mas vou voltar a trabalhar.

Eles admitiram a contragosto e saíram logo depois. Sem dúvida, tudo vai para nos ouvidos de Jet - porque, sim tudo fica nas costas dele - e ele vai praguejar comigo durante seu telefonema semanal quinta de manhã. Isso é bom pra mim. Eu vou praguejar com ele também.

— Não, deixa no Bad Ink. — eu exclamo quando Spider parou no canal de surf logo que ele encontra o seu reality show favorito. — Vimos isso até as três da manhã. Por favor? — Eu faço beicinho para ele, mas ele me ignora. — Spider!

— Raven, Eu te amo, mas eu não vou mudar o canal, nem mesmo para você. — Ele pisca. — Além disso, eu sei que você tem uma queda por esse cara.

Eu lhe atiro os dois dedos do meio, porque ele está certo, caramba! Então eu voltei para o meu travesseiro e fiquei confortável. Vai demorar pelo menos três horas antes que eu possa convencê-lo a assistir outra coisa.

Na noite seguinte, eu não tenho que me preocupar em assistir mais Bad Ink com Spider. Chego ao bar mais cedo do que o habitual para que eu possa ajudar a arrumar tudo antes que o lugar fique ocupado. Sextas-feiras são para as reuniões de clube com Os Originais. Sábados são para a festa de Vadias-Para-Todos. Quintas-feiras? Isso é uma incógnita. Poderia ser tão parada que você pedia para alguém entrar em uma luta apenas para aliviar o tédio. Ou pode ser tão ocupada não só com motoqueiros indo e vindo, mas qualquer número de pessoas diferentes se arriscando a entrar no bar, e você acabaria andando 50 quilômetros antes da noite acabar.

Colt já estava estocando cerveja nos coolers atrás do bar quando eu entrei. Raider está lavando os copos com a mão. Hawk está carregando gelo. Como sempre, nenhum deles presta nenhuma atenção em mim enquanto eu me ocupo. Eu coloquei um avental e comecei a encher taças com nozes e pretzels. Eu limpo todas as mesas, porque sei que ninguém tinha feito isso nos últimos dias.

Na hora em que acabei, pelo menos vinte motoqueiros já estavam entrando. Eu cumprimento todos pelo nome, mas não tento iniciar conversas com qualquer um deles. Não tem porque. Eles estão com medo de dizer mais do que um “oi” para mim de qualquer maneira.

Felicity me manda mensagens aleatoriamente ao longo da noite. Ela está estudando com Gracie esta noite. Hawk não quer que Gracie venha para o bar, assim Felicity a faz companhia nas noites em que ele trabalha. Não pela primeira vez, eu me pergunto o que está acontecendo com Hawk e Gracie...

Spider me dá um tapa na bunda enquanto ele caminha em direção a sua mesa de sempre na parte de trás. Eu grito, não esperando o súbito ardor do contato, depois sorrio. Alguém está vivendo no lado selvagem esta noite, batendo na minha bunda na frente dos meus irmãos? — Quer uma cerveja? — Eu pergunto.

— Uma garrafa de tequila, querida.

Meus olhos arregalaram, mas eu vou buscar a garrafa com um saleiro e algumas fatias de limão. Na hora em que eu volto, ele está olhando para baixo em seu telefone e eu estreito meus olhos. Spider não gosta do seu telefone na metade do tempo. Ele só o usa quando necessário e somente com grande relutância. — Você sabe mesmo o que você está olhando?

Spider levanta os olhos frios para mim. Eles perdem um pouco da frieza quando seus olhos encontram os meus, mas ele não diz nada. Eu conheço esse olhar. É o que ele tem antes de deixar um homem quebrado e sangrando no chão. Eu derramo a sua primeira dose para ele e o deixo para destruir o pedaço de tecnologia cara em suas mãos. — Me avise se precisar de alguma coisa.

Ele apenas acena com a cabeça, engolindo a dose sem usar o limão ou do sal. Eu aperto o seu ombro e vou pegar as garrafas vazias espalhadas nas mesas vazias.

Eu continuo de olho nele enquanto a noite avança e vejo como ele esvazia a garrafa. Eu nem sequer pisco quando o telefone é jogado contra a parede e explode em três direções diferentes. Por volta da meia-noite, eu o empurro para o meu Challenger e o levo para casa, sem me importar que deixo meus irmãos para fechar o bar por conta própria.

Não é fácil carregar um homem do tamanho de Spider por dois lances de escadas quando ele está tão bêbado. Ele quase cai em cima de mim duas vezes, e eu tropeço algumas vezes. Na hora em que eu destravo a porta do apartamento, estou sem fôlego e exausta.

Eu o empurro para a cama, tiro suas botas, e tento tirar seu jeans fora. É claro que ele não está usando nada por baixo, então eu cubro sua bunda antes de ir ao banheiro para um banho.

A batida aumentando na porta me para. Eu olho para Spider, sabendo que ele está fora para a noite. Quem está na porta parece chateado pela batida desolada, então estou debatendo sobre a possibilidade de responder ou não.

— Abra a maldita porta, Raven! — Bash comanda com uma voz cheia de raiva. — Abra ou eu a quebro!

Suspirando, eu destravo a porta e a abro alguns centímetros. Bash está encostado no batente da porta. A luz das lâmpadas de rua no estacionamento brilham atrás dele, fazendo-o parecer quase ameaçador. — O quê? — Eu pergunto, levantando uma sobrancelha como se parecesse entediada, na esperança de que ele não possa ver como eu estou afetada por sua presença.

Corpo fraco estúpido! Excitado e quase ofegante apenas com a visão de Bash Reid. Estou com nojo de mim mesma.

— Você já teve os seus dias de espaço, Raven. Você não tem mais nada. — Ele empurra a porta aberta e agarra o meu pulso. — Vamos.

Eu tento puxar meu pulso de sua mão. — Eu não vou a lugar nenhum com você! — Ele não pareceu notar que estou lutando para me libertar. — Bash, me solte. Você está me machucando.

Ele não está, mas é a única coisa que posso pensar para ele me soltar. Isso funciona. Ele deixa cair o meu pulso logo que as palavras saem da minha boca. Mas qualquer chance que pensei que teria de fugir dele é rapidamente perdida. Ele se vira, me joga por cima do ombro e se dirige para as escadas, deixando a porta de Spider aberta.

— Espere! Pare, Bash. Spider vai morrer de frio. Por favor, feche a porta! — Eu bato nas grandes costas de Bash. — Não o deixe assim vulnerável.

Murmurando uma maldição, ele muda de direção, trava e bate a porta do apartamento de Spider, então vai em direção à escada mais uma vez. Demora menos de dois minutos para chegar até o estacionamento onde a moto está estacionada ao lado do meu carro. Ele me coloca de pé então arruma a sua Hog antes de me colocar atrás dele.

Eu nem sequer protesto enquanto ele se dirige para casa. Discutir com ele não vai me levar a lugar nenhum. Mas eu realmente quero? Não tenho me escondido dele e dos meus sentimentos por muito tempo? É hora de puxar para cima a minha calcinha de menina grande e encarar essa coisa de cabeça erguida.

Não há nada como andar na parte de trás de uma Hog com Bash. Mesmo confusa por dentro como eu estou, a alegria de ter duas das coisas que eu amava tanto de uma só vez é suficiente para me fazer relaxar e aproveitar o passeio. Minhas mãos se apertam ao redor da cintura de Bash e ele cobre as minhas mãos com uma das suas.

O contato inocente de sua mão na minha não deveria ter me afetado. Não devia ter despertado uma dor que só Bash tem sido capaz de produzir em mim. Meus mamilos endureceram instantaneamente, minha calcinha cada vez mais molhada a cada quilômetro que a moto potente consumia. Não parece importar para o meu corpo que este homem tem quebrado meu coração repetidamente. Eu estou queimando por ele e eu mal posso pensar claramente, de tão grande o meu desejo.

Preciso que Bash me foda. Agora!

— Por favor. — Eu acho que sussurro, mas de repente ele está saindo para fora da estrada principal para um caminho escondido que leva para a floresta. Meu coração bate ainda mais rápido, e minha respiração vem em pequenos ofegos que lhe dizem o quão necessitada estou sem ter que implorar.

Bash não desperdiça tempo, assim que estamos longe da estrada principal. Ele desliga a moto e coloca para baixo o suporte de apoio. Então me oferece a mão para me ajudar antes de sair ele mesmo. Seu aperto sobre a minha mão fica mais forte quando tento me afastar para colocar algum espaço entre nós para que eu possa pensar claramente mais uma vez.

Ele não me dá essa chance. Me puxando contra seu peito duro, ele solta minha mão e aperta minha bunda com ambas mãos grandes. Bash me levanta até que o meu centro esteja direito sobre sua ereção. Eu sou incapaz de conter o gemido cheio de prazer que me escapa. Eu pressiono minha testa contra seu peito enquanto o tremor começa. Eu tremo como uma viciada precisando de sua próxima dose.

Bash sempre foi a minha droga de escolha.

— Eu quero você pra caralho, Raven. — Ele rosna, me esfregando contra a sua palpitante ereção. — Não importa o que, essa tem sido sempre a nossa melhor forma de comunicação. Eu sempre fui capaz de mostrar o quanto você significa para mim quando eu estou dentro de você.

— Isso não vai resolver os nossos problemas agora. — eu sussurro enquanto eu mesma me aperto contra ele, buscando algum alívio que ele possa dar a essa dor que está começando a me consumir. — Não vai fazê-los desaparecer.

— Eu sei. Eu sei. — Bash enterra o rosto no meu pescoço, sua língua se esgueirando para me provar. — Podemos lidar com tudo isso mais tarde. Agora eu quero estar dentro de você, Raven.

Eu pego o cabelo dele em minhas mãos e puxo a cabeça para trás para forçá-lo a encontrar o meu olhar. É quase um breu aqui na floresta, mas a meia-lua brilha sobre nós, e vejo seu rosto, seus olhos. — Você me diz agora. Jure para mim pelo clube que não tem havido qualquer outra pessoa desde nós.

— Eu juro, Raven. Pelo clube, pela minha vida. Pela sua. Juro por tudo o que eu amo que não tive relações sexuais com ninguém desde antes da noite que você costurou o meu braço. Nem Willa, nem ninguém. — Olhos azul-prateados estão pegando fogo com desejo, ardendo com uma necessidade tão forte quanto a minha. — Você é a única mulher eu quero. Você consegue me ouvir, Raven?

A única resposta que posso dar a ele é pressionar os meus lábios com força contra os seus. Bash deve estar satisfeito com essa resposta, pois suas mãos começam a puxar as minhas roupas. Eu não tento ajudar, sabendo que só vou atrapalhá-lo. Em vez disso, eu me perco no seu gosto, com a sensação de suas mãos sobre cada parte do meu corpo.

Eu mal registro o som de seu zíper abaixando, nem percebo quando ele me move para o chão úmido. Eu ainda estou o beijando e beijando quando ele empurra para dentro de mim. Eu solto o cabelo dele para arranhar minhas unhas em suas costas, sabendo que isso só vai deixá-lo louco e desesperado com desejo. Sou recompensada com um grunhido e um duro impulso profundo dentro do meu corpo.

Minhas pernas se envolvem em volta de sua cintura, e eu o encontro impulso, levando-o tão fundo quanto humanamente possível. — Sim, Bash. Sim! — Eu choro, sentindo minhas paredes internas começando a contrair muito em breve. — Bash, eu... — Eu balanço minha cabeça —... estou vindo.

— Bom. — ele rosna, mordendo meu ombro e me fazendo apertar ainda mais em torno de seu pênis inchado. — Deixe-me senti-la, Raven. Deixe-me sentir você vindo para mim. Eu amo como você está molhada, baby, o quanto mais molhada você vai estar quando você gozar.

Minhas unhas penetram nos músculos de suas costas, afundando cada vez mais com cada impulso que me leva mais perto da borda. Eu quebro, convulsionando com a minha libertação. Eu não ouço o barulho que vem de Bash enquanto eu o levo comigo, não o ouço amaldiçoar enquanto ele se esvazia dentro de mim sem camisinha pela primeira vez na história. Eu estou cega, surda, muda enquanto o prazer me empurra mais e eu flutuo para fora do meu próprio corpo por um momento.

— Raven? — Bash escova um beijo na minha testa suada. — Abra os olhos. Baby, eu te machuquei?

Eu pisco meus olhos com relutância. — Não podemos dormir aqui? — Eu sussurro sonolenta.

Ele sorri. — Talvez da próxima vez. Vamos para casa e dormir na nossa própria cama, baby.

— Um, você está pensando em jogar Willa para fora da minha cama? — Eu não me esqueci que a outra mulher está no meu quarto agora.

— Vejo que Flick foi compartilhar as notícias. — Bash beija meus lábios de um jeito rápido e forte antes de se afastar. — Sim, Willa e Lexa estão dividindo seu quarto. Mas temos a nossa própria cama, Raven. O quarto principal é nosso, cortesia de seus irmãos.

Eu pisco, incerta se o ouvi corretamente. — Meus irmãos estão nos deixando usar o quarto dos meus pais?

— Eu posso tê-los persuadido de que era do melhor interesse de todos me deixar fazer do meu jeito. — Ele rola sobre suas costas, colocando o seu pau ainda meio duro de volta em seu jeans antes de fechá-los. — É a melhor solução que eu pude chegar até que eu encontre uma casa para nós, baby.

— Quem você quer dizer quando diz nós? — Eu exijo, rolando para o meu lado para vê-lo, não me importando que eu estou completamente nua ou que a grama está fria e úmida. Se isso não me incluir, eu não posso ser responsável por perfurá-lo nas bolas.

— Considerando como a nossa longa conversa está atrasada? Lexa, Willa, eu... e você.

Eu me sento, pegando a minha a minha camiseta e a empurrando sobre a minha cabeça. — Me leve para casa, Bash. — eu digo a ele enquanto eu puxo meus jeans. Eu não consigo ver minha calcinha em lugar algum, mas eu não estou preocupada com elas.

— O quê? — Bash reclama enquanto se senta, mas não faz nenhum esforço para ficar de pé. — E agora, Raven?

O ciúme me come por dentro, e eu odeio o quão fraca ele me faz sentir. Eu penteio os dedos pelo meu cabelo emaranhado e puxo um elástico de cabelo do bolso das minhas calças para puxá-lo em um rabo de cavalo. — Por que Willa? — Pergunto, finalmente me virando para encará-lo. — Por que ela vai morar com a gente?

— Porque eu prometi que iria cuidar dela. — Bash me alcança e eu hesito por apenas um segundo antes de deixar ele me puxar para baixo em seu colo. — Ela não é como Tasha, Raven. Você vai ver se você der uma chance a ela. Willa sabe desde o primeiro dia como me sinto sobre você, e ela entende e respeita. Ela apenas tem me ajudado com Lexa. É isso aí. Nada mais.

Eu não digo nada. Como posso aceitar a sua palavra sobre isso ou qualquer outra coisa? Eu não confio nele. Será que eu vou confiar nele novamente? Então por que já o estou considerando uma parte do meu futuro? Por que eu já estou pensando em Lexa como nossa e não apenas sua?

Porque eu sou uma idiota. Porque eu o amo, e por tabela, também amo a filha dele.


Capítulo Dezessete

Willa

A casa está tranquila quando eu saio da cama ao lado de Lexa e desço as escadas. Eu não sei por que, mas sinto todos os tipos de sensações hoje. Eu tive pesadelo após pesadelo à noite toda. Cada vez que acordava eu estava coberta de suor, com o coração disparado. E toda vez que eu voltava a dormir, eu acabava exatamente onde havia parado no sonho.

Puxando meu longo cabelo escuro em um rabo de cavalo, eu cheguei à geladeira para pegar o leite e peguei uma caixa do cereal favorito de Lexa. Lucky Charms é o único alimento que ela e eu realmente concordarmos. Depois de colocar tudo no devido lugar, me sento para tentar aproveitar meu café da manhã.

Se eu for honesta, eu sei qual é o meu problema. Assim como eu sei que o meu sonho - pesadelo - tem tudo a ver com isso também. Aranhas sobre mim são apenas uma metáfora para a minha ansiedade sobre ver Spider de novo. Eu gostaria de ter a coragem de apenas ir até a casa dele e tirar isso do caminho.

Mas eu não tenho coragem. Eu sou uma garotinha assustada ainda tremendo com o pensamento do homem que quebrou meu coração.

Fazendo uma careta quando o cereal frio bateu no meu estômago e só aumentou a minha inquietação, eu empurro a taça para longe. O pensamento de café só me dava vontade de vomitar, e eu procuro na despensa até encontrar uma caixa de chá. Isso é ridículo. Eu não deveria ser tão doente sobre um homem. Especialmente aquele homem.

Gracie está na cozinha quando eu abro a porta da despensa de novo e saio. Eu gostei de Gracie logo de cara, o que não é algo que eu normalmente faço quando se trata de mulheres. A minha irmã tinha me desligado do todo o — Vamos ser melhores amigas e contar uns aos outros todos os nossos segredos. — Tasha era uma sádica. Felizmente aquela cadela morreu e Bash pôde impedir que sua filha se transformasse nela.

— Bom dia, Willa. — Gracie me cumprimenta com um sorriso sonolento. Ela está vestida para suas aulas matinais com jeans e uma blusa simples, mostrando sua feminilidade com algumas curvas. Ela é pequena, com cabelo castanho-avermelhado e grandes olhos da cor de um antigo Bourbon. Minha primeira impressão dela era que ela era inocente, o que me surpreendeu pra caramba, especialmente porque ela estava dividindo uma cama com Hawk Hannigan.

Fale sobre confuso. Eu mal posso acompanhar o drama em volta dessas pessoas. Aparentemente, apesar de os dois dormirem na mesma cama, não há mais nada acontecendo. Eles são amigos. Nada mais. Foi o que eles me disseram em inúmeras ocasiões. É claro que eu tinha começado a acreditar neles. Isso não significa que aqueles longos olhares de saudade que Hawk dá a Gracie quando ela não está olhando não passam despercebidos. Ou o jeito quase faminto com que Gracie segue Hawk com seus olhos quando ela assume que não está sendo observada.

O drama não termina com esses dois. Observar Felicity é como assistir a um filme da Vida. Ela está quebrada por dentro, sofrendo por algo que eu nunca entenderia. Talvez porque eu nunca tinha carregado uma vida dentro de mim e, em seguida, a perdido. Felicity estava na miséria, mas ela é muito boa em esconder isso. Ou talvez seja porque metade da casa Hannigan não presta muita atenção nela. Olhar para Felicity me faz doer.

Então há Bash e sua mulher. Eu nunca conheci Raven Hannigan, mas as poucas fotos que vi pela casa dela são realmente sexys. Sim, eu posso dizer honestamente que encontrei uma garota quente. Minha irmã teria ficado tão escandalizada. A cadela tinha estado em todos os tipos de preferências sexuais, e eu tenho certeza que flutuar para os dois lados tinha sido uma das coisas mais leves que ela experimentou.

Raven não se parece nada com seu homônimo . A primeira vez que escutei Bash falar sobre ela, eu a imaginei em minha mente. Longos cabelos negros de corvo, curvas em todas as direções, talvez algumas tatuagens e piercings. A mulher nas fotos tinha o cabelo dourado até o meio de suas costas, os olhos que eram de um verde jade-oliva como seus irmãos, e enquanto ela é cheia de curvas, ela também é fina, quase esbelta. Não havia tatuagens em qualquer uma das fotos que vi, mas isso não significa que ela não tenha nenhuma. Quaisquer piercings que ela pode ter estão cobertos também.

Eu não vi Raven sorrindo em nenhuma das fotos. Não um sorriso verdadeiro de qualquer maneira, o tipo que vai por todo o caminho até seus olhos. Seu sorriso a faz parecer solitária, desejando algo que tinha sido negado a ela por tanto tempo que ela desistiu de esperar por isso. Carinho? Amor? Não tenho certeza.

— Bom dia, Gracie. — Eu coloquei a chaleira no fogão para esquentar a água para o meu chá. — Quantas aulas você tem hoje?

— Eu só tenho uma na sexta-feira. — Ela faz uma careta enquanto ela se virava para a cafeteira. — Mas também é a minha classe menos favorita. Eu odeio química.

— Eu não sei nada sobre isso. — Química não fazia parte do programa de educação on-line que eu tinha feito alguns anos atrás. Minha mãe tinha sido paranoica sobre me proteger, e eu só via meu pai e irmã a cada poucas semanas com exceção das poucas semanas que ela cedeu e me deixou ficar com o meu pai no armazém dos Red Dragons. Após esse desastre, ela nem sequer me deixou ver o meu pai a não ser que ele viesse para casa.

— É feio. Muito feio. — Gracie dá um arrepio simulado me fazendo rir.

— O que é feio? — Hawk pergunta enquanto ele entra na cozinha com nada mais do que um par de calças de moletom. Ele coça a mão sobre o peito largo fazendo tanto os meus olhos quanto os de Gracie seguir seus movimentos.

Uau! QUENTE! Músculos em todas as direções. Um abdômen duro e bem definido. Ao meu lado, vejo as bochechas de Gracie preencherem com uma bonita cor rosa antes dela virar a cabeça e se ocupar fazendo para ambos, Hawk e ela mesma, uma caneca de café quente. — Eu estava contando a Willa sobre a minha aula de química.

— Eu queria que você não fosse hoje. — murmura Hawk enquanto toma um gole do café que ela lhe entrega. — Eu não gosto daquele cara que está na sua classe.

Gracie suspira. — Eu só tenho mais algumas semanas até a pausa, Hawk. Eu não vou perder uma classe que tenho lutado tanto para manter um A só por causa desse babaca.

— Se ele até mesmo olhar para você errado, você me diz. — ele rosna antes sair violentamente da cozinha.

Oh merda! A parte de trás era tão inspiradora como a frente tinha sido. Forçando meus olhos para longe das costas esculpidas, eu virei para despejar a água quente em uma caneca antes do apito da chaleira. — Ele é um pouco intenso, às vezes, não é?

Gracie dá de ombros. — Parece que sim.

— Algum cara está te incomodando?

— Eu não percebi isso, mas um dos caras que tentaram... — Ela para, os olhos ficando assombrados. — Foi só ontem que percebi que eu teria que enfrentá-lo.

— Talvez Hawk deva ensiná-la a se defender. Ouvi dizer que Raven é uma pessoa agressiva com quem ninguém quer mexer, talvez ela vá lhe ensinar se ele não quiser. — Eu tiro o saco de chá da caneca depois que ele tinha ficado nela por pouco mais de um minuto, em seguida, sopro sobre a parte superior do chá enfraquecido.

— Isso não é uma má ideia. — Ela toma mais dois goles de seu café antes de derramar o resto na pia e enxaguar sua caneca. — É melhor eu ir. Felicity está me dando uma carona hoje e sua aula começa uma hora antes da minha.

— Boa sorte. — eu chamo atrás dela enquanto ela abre a porta dos fundos.

Um olhar para o relógio em cima da pia me diz que já passou da hora que Lexa deve se levantar, e eu vou em direção à sala e as escadas. Enquanto eu ando pela sala, a campainha toca e eu franzo a testa. É a primeira vez em toda a semana que eu ouço a campainha. A maioria das pessoas simplesmente entra e se sente em casa.

Quando não vou imediatamente para a porta, quem quer que fosse começa a bater na porta. Soa mais como se eles estivessem usando uma marreta para bater, pela forma que ela treme com a força da batida. Murmurando uma maldição, porque eu não tenho certeza de que tipo de louco eu vou encontrar do outro lado, eu vou até a porta da frente e abro apenas uma polegada ou algo assim.

O punho cai longe da porta, mesmo quando eu a abro alguns centímetros a mais. Meu coração para. Meus pulmões param de trabalhar. Minha mente pisca relembrando cada segundo que eu já passei com esse homem.

Maldição! Por que ele tem que parecer tão bem?

Ele é o homem mais assustador que eu já vi. De sua cabeça raspada - sempre coberta com aquela estúpida bandana – ao seu piercing de argola no nariz, por todo o caminho para baixo dessa pessoa de tamanho enorme. Ele dá um grita assustador. Ninguém consegue olhar para ele e não tremer de medo... ou no meu caso - porque sim, eu sou uma idiota boba - tremer de desejo. Me lembro de cada vez que segui meus dedos sobre a cabeça suavemente raspada. Eu odeio como apenas a visão daquele piercing no nariz me faz querer erguer a mãe e tocar o nariz ligeiramente curvado. O cavanhaque? Eu amo tanto quanto odeio. Droga, eu queria ver a covinha por baixo.

— Willa.... — sua voz é áspera, cheia de cascalho, e acaricia a minha espinha como uma luva de seda. Ele vira a cabeça levemente, me dando um vislumbre da Viúva Negra que está subindo no seu pescoço. Como pode uma coisa que me assusta tanto de olhar parecer tão bonita na carne deste homem?

— James... — Eu sussurro e ele recua. — Spider...

Ele fica parado olhando para mim. Seus olhos negros não me dão nenhuma dica sobre o que ele está sentindo, e depois de apenas alguns momentos, ele balança a cabeça, como se para limpá-la. — Raven. Ela está aqui?

Eu pisco, me sentindo subitamente destruída. Será que eu vou superar a dor que ele poderia me causar? Será que eu vou me organizar e seguir em frente com o fato de que eu nunca fui suficiente para ele? — Eu... — Eu limpo minha garganta —... eu não sei. Fui para a cama antes de Bash chegar em casa ontem à noite.

Ao som do nome de seu amigo, os olhos de Spider se reduziram a meras fendas. — Vá acordar aquele maldito!

— Por quê? — Eu pergunto, cruzando os braços sobre o peito. Assim que ele entrar, ele irá começar a me mandar para lá e para cá. Eu não sou mais aquela menina estúpida que pode ser controlada com tanta facilidade.

— Porque ele e eu temos negócios para lidar. — Quando eu fico na porta com minha sobrancelha arqueada, ele agarra meus quadris e me levanta para fora do caminho. Eu suspiro, despreparada para lidar com o contato físico. Calor líquido derrama entre as minhas pernas, me fazendo tremer com uma necessidade que tenho suprimido desde o dia em que ele quebrou meu coração em um bilhão de pedaços. — Tudo bem. — ele range. — Eu mesmo vou acordá-lo.

 

Raven

O calor vindo do corpo de Bash me acorda. Sério, o homem irradia calor, sem sequer tentar. É reconfortante e irritante. Eu não consigo dormir quando estou quente, e é muito cedo para estar acordada, especialmente quando eu não tinha adormecido até de madrugada porque alguém me manteve acordada fodendo até dizer chega.

Eu chuto atrás de mim e pouso com sucesso uma sólida pancada em sua canela. Ele mal grunhe e envolve seus braços em minhas costas ainda mais apertado. Apesar de tudo, eu não posso segurar o sorriso que levanta dos cantos dos meus lábios. Suspirando, eu me mexo até que eu possa virar e enfrentar a fera me segurando tão confortável. Sua mandíbula está sombreada com quase um dia inteiro de barba, a testa enrugada com o estresse, mesmo no sono.

— Bash... — Eu traço um dedo sobre as rugas e enterro meu rosto em seu peito. Droga, ele cheira tão bem — uma pitada de suor, uma pitada de seja qual perfume que ele sempre usa, e completamente masculino. Meus travesseiros cheiravam como ele, pela primeira vez desde que ele me deixou. Meu peito doía cada vez que eu colocava minha cabeça para dormir, e eu lutei quando chegou a hora de trocar os meus lençóis e fronhas. Foi a última ligação que eu tinha do nosso relacionamento e eu me odiava por sequer pensar sobre querer o último elo cortado.

— Raven. — O corpo de Bash veio rapidamente à vida. Ele me puxa contra seu comprimento duro, torcendo os dedos no meu cabelo e puxando a cabeça para trás para que o seu olhar sonolento capture o meu. Seu pau duro como rocha contrai sugestivamente contra o meu centro. — Eu te quero tanto que dói, Raven.

Minha buceta aperta apenas com o pensamento dele em mim de novo. Eu fiquei encharcada com a necessidade e as minhas pernas abriram, deixando seu pênis descansar exatamente onde eu o queria. — Então, faça algo sobre isso.

Suas narinas dilataram, olhos azul-prateados dispararam raios para mim. — Você está bem? Você não está sofrendo de ontem à noite?

Eu não vou ficar toda sentimental com sua preocupação por mim. Eu não vou! — Estou doída. — digo com sinceridade. Tem sido um longo tempo desde que eu tinha sido fodida tanto assim, especialmente por algo tão grande como o belo pau de Bash. Durante o tempo em que estivemos separados, eu apenas tive orgasmos com o pequeno vibrador que ele me deu de sua primeira corrida depois que começamos a dormir juntos. — Mas é uma dor boa.

Seus lábios atacam os meus, não antes de deixar as palavras saírem da minha boca. Ele me empurra para ficar de costas, sem quebrar o beijo, a mão esquerda se movendo entre nós para sentir como eu estou pronta para ele. Eu sinto mais do que ouço, o rosnado que ele libera quando descobre o quão molhada estou para ele. Sua língua empurra profundo e duro em minha boca enquanto o pau dele faz o mesmo com a minha boceta molhada.

Minhas unhas passeiam em suas costas e ele se encolhe enquanto eu reabro um arranhão. Eu sinto sangue formar gotas contra meus dedos. — Desculpe. — eu sussurro em um gemido.

Bash sorri para mim. — Não sinta. Eu amo com o quão selvagem você fica. Amo como você rasga minhas costas. Embora ainda esteja um pouco sensível da nova tatuagem. Tenho certeza que você acabou de destruir a obra prima de Spider.

Ele fez uma nova tatoo? Eu queria ver, mas ele se move mais fundo dentro de mim, e eu perco toda a linha de pensamento. Eu deixo cair as minhas mãos de suas costas e torço os dedos nos lençóis de cada lado de mim para não rasgar suas costas mais do que eu já fiz.

Meus músculos internos começam a se apertar antes mesmo de eu perceber que estou perto do orgasmo. — Não! — Eu lamento. — Eu não quero gozar ainda.

— Só deixe ir, baby. — Ele enterra o rosto entre meus seios, beijando e lambendo o vale. — Eu vou fazer você gozar de novo e de novo, eu juro.

Eu sou impotente para parar o primeiro orgasmo quando ele desce sobre mim, me deixando tremendo e me agarrando a ele. Minhas costas arqueiam com tanta força que ela estala...

E, em seguida, a porta do quarto bate contra a parede, enquanto Spider entra sem pedir licença.

Eu grito. Bash ruge algo que eu não entendo enquanto os meus olhos encontram uma bela mulher em pé ao lado de Spider, tentando se libertar de suas garras.

Ela tem que ser Willa. Todos os rumores de como ela é linda são verdadeiros. O cabelo longo e escuro, com olhos grandes tão cinzas quanto um céu tempestuoso. Pequena e curvilínea. Pele de alabastro que é assustadoramente perfeita. E ela está morando com Bash há mais de um ano.

— Cai fora! — Bash grita com Spider.

Spider o ignora enquanto ele vira o olhar para mim. Eu mordo meu lábio. Tão confortável como nós éramos juntos, ele nunca tinha me visto nua, mesmo que eu já tivesse visto cada centímetro dele. — Você está bem?

— Hum... — Eu deixei meus olhos se moverem para Bash, que surpreendentemente ainda estava duro como pedra e profundo dentro de mim. — Muito bem.

— Ele forçou você a voltar para casa? Você pode voltar para o meu apartamento se quiser. — Spider mantém seu olhar no meu rosto, parecendo não notar que estou nua como o dia em que nasci.

Bash faz um barulho de rosnado que vibra dentro do meu corpo inteiro. Eu passo a mão pelo seu braço, na tentativa de acalmá-lo. De jeito nenhum eu quero que ele mate Spider, mas eu tenho certeza de que é o que ele vai fazer se Spider não sair em breve. — Eu vou manter isso em mente... — Bash olha pra mim e eu reviro os olhos. — Não comece. Só porque nós temos fodido não significa que estamos juntos novamente.

— Pelo que parecem as costas dele, parece que você fez mais do que foder. — Willa comenta, parecendo ter desistido de se libertar das garras de Spider. Há um sorriso malicioso em seu rosto enquanto ela inclina a cabeça para examinar suas costas. — Uau. Esse corvo está rasgado de todas as formas.

— Cale a boca, Willa. — Spider estala sem olhar para ela. — Eu já vou descer. Quando estiver pronta, podemos conversar.

A porta bate atrás deles e eu caio para trás contra os travesseiros. Acima de mim, Bash permanece completamente imóvel, ainda completamente duro e fundo dentro de mim. — Bem, você vai acabar de me foder ou eu posso levantar?

A garganta de Bash trabalha e ele soa quase estrangulado quando as palavras o deixam. — Eu não quero te foder, Raven. Quero fazer amor com você. Eu pensei que era o que vínhamos fazendo durante toda a noite...

Meu coração se aperta e eu fecho meus olhos para esconder a dor que eu vejo brilhando para mim naqueles olhos incríveis que eu tanto amo. — Nós estávamos? — Eu sussurro.

— Sim. — Ele escova um beijo suave sobre os olhos fechados. — Por mais que eu te ame, como eu poderia chamar isso de qualquer outra coisa?

— Tudo o que tenho é sua palavra de que você me ama. — Eu abro meus olhos e encontro seu olhar. — Para mim, ações falam mais alto do que palavras, e até agora as suas ações só me disseram que você cobiça o meu corpo. Exceto que você não poderia dar a mínima para mim e meus sentimentos. Então, na minha opinião, nós estávamos apenas fodendo. — Eu empurrei contra seu peito até que ele saiu de mim.

— Raven... O que eu posso fazer para fazer você ver que eu te amo? — Ele exige enquanto eu vou para a porta do banheiro do outro lado da sala. — O que você precisa de mim?

Faço uma pausa com a mão na porta do banheiro. O que eu preciso? Eu nem tenho certeza se eu sei a resposta para isso. Se eu soubesse, eu teria com prazer dado a ele para que ele pudesse colocar nós dois fora de nossa miséria e poderíamos seguir em frente. Em vez disso, eu estou tão perdida quanto ele sobre a resposta para o nosso problema - ok, então era um problema meu. — Eu não sei. — eu finalmente digo honestamente. — Eu realmente não sei, Bash. — Eu me viro para encará-lo. — Eu quero a verdade. Só isso. Cada detalhe. Até agora, tudo que eu tive são desculpas esfarrapadas que nem sequer arranharam a superfície. Você teve uma filha de quem eu não sabia nada. Não teria me incomodado tanto assim se você tivesse me contado sobre ela no início. Eu te amo o suficiente para aceitá-la. Para querer fazê-la minha. Mas depois que eu descobri sobre Willa, eu... O que mais eu não sei Bash? O que mais você está escondendo de mim?

— Nada! — Ele salta para fora da cama e se aproxima de mim em questão de alguns segundos. — Willa é a única coisa que eu não quis te dizer por que eu sabia que você reagiria assim. Você fica quase irracional quando está com ciúmes, querida. E acredite em mim, eu entendo isso, porque eu fico homicida quando se trata de você. Mas não há absolutamente nada que eu tenho escondido de você.

Eu quero acreditar nele, quero aceitar o que ele diz como verdade, mas eu não posso. Só o tempo dirá.

— Preciso de um banho. — eu digo, meu olhar se movendo para o seu pau ainda duro. — Venha lavar minhas costas?


Capítulo Dezoito


Raven

Minhas pernas ainda estão tremendo enquanto saio correndo do chuveiro muito tempo depois. Bash me deixou tremendo contra a parede do chuveiro mais de dez minutos atrás. — Eu vou fazer panquecas. — ele prometeu, com um último beijo prolongado antes de desaparecer.

De alguma forma, eu consegui me lavar durante esse tempo, e agora eu fico na frente do espelho até o chão que sempre foi na parte de trás da porta do banheiro que tinha sido o quarto dos meus pais. Parece estranho estar aqui, quando ele sempre esteve fora dos limites enquanto eu crescia. Este é o meu quarto agora, no entanto. Meu e de Bash.

As poucas vezes que eu tinha vindo aqui como uma criança, o banheiro tinha sido sempre uma bagunça. Agora estava impecável, com uma nova porta no chuveiro, bem como uma nova pia. O quarto tem uma cama tamanho king size nova, em comparação com a antes, que tinha sido a mesma que o meu pai compartilhou com minha mãe. A roupa de cama é nova também, vermelha e creme, cumprimentando o novo tapete cor de vinho. Bash deve ter gasto uma pequena fortuna arrumando este espaço para nós nos últimos dias.

O cheiro de bacon frito e o som de um pequena menina rindo me atinge enquanto eu descia as escadas. O som faz meu coração apertar, mas não inteiramente de uma maneira ruim. É errado que esteja feliz que sua mãe se foi? Isso faz de mim uma pessoa horrível por querer assumir esse trabalho?

Eu decido que, se isso acontecer eu não vou me importar. Eu sou uma pessoa ciumenta, egoísta. Eu não sou agradável, ou necessariamente uma pessoa boa na maioria das vezes. Eu vou rasgar a vadia com pouca ou nenhuma provocação. Mas eu vou tentar duramente ser uma boa mãe para Lexa.

Spider está sentado na sala de estar, e eu paro na parte baixa da escada para olhar para ele. Ele está no longo sofá sentado na beira da almofada com os cotovelos sobre os joelhos e sua cabeça em suas mãos. Ele parece meio doente, e me pergunto o quão ruim é a ressaca com que ele está lutando.

Eu me movo para sentar na mesa de café na frente dele. Cuidadosamente, eu toco uma de suas mãos e sua cabeça se levanta. Quando ele me vê sentada na sua frente todo o seu corpo relaxa, mesmo que apenas um pouco. — Você está bem?

— Você está bem? — Pergunta ele, ao mesmo tempo que eu.

Eu bufo. — Talvez. Eu não sei ainda. Você?

Ele encolhe os ombros. — Eu estou todos os tipos de fodido, Raven. — Spider fica reclina-se com um suspiro, olhando para o teto como se fosse ele tivesse chutado seu cachorro. — Eu só quero ir para casa e dormir por cerca de um ano. Talvez essa merda vá toda embora, se eu fizer isso.

Lembro-me de quão forte ele estava segurando a mão de Willa. — Ela quebrou seu coração? — Se aquela vadia tinha machucado meu amigo, eu iria pessoalmente acabar com ela!

— Mais como eu quebrei ambos os nossos corações. — ele murmura, passando a mão sobre o rosto antes de se levantar. — Eu vou falar sobre isso em outro momento. Eu vou para casa roubar mais algumas horas de sono antes de ter que ir para a corrida.

Eu levanto e o sigo até a porta, odiando o modo como seus ombros estão caídos em derrota. Antes dele pisar sobre o limiar, eu o abraço. — Lembre-se que não importa o que, eu ainda te amo, Spider. Ok?

Seus braços se apertam em volta de mim por um segundo antes dele recuar e me oferecer um sorriso forçado. — Eu também te amo, Rave.

Eu espero até que ele esteja em sua moto antes de fechar a porta e ir para a cozinha. Colt, Raider, Tanner, e Matt estão sentados na mesa da cozinha com Willa e a menina mais bonita que já vi na minha vida. Eu congelo, observando cada centímetro dela.

Um longo cabelo grosso tão escuro quanto o do seu pai. Aqueles mesmos olhos azuis de prata marcantes. Aquele maldito sorriso! Minha respiração engatou e eu engoli em seco ao redor do nódulo que estava começando a se formar na minha garganta. Em um piscar de olhos, meu coração se empossou por essa menina...

— Lá está ela! — Tanner me cumprimenta com um sorriso maroto. — Finalmente está limpa, Rave?

Normalmente, eu teria mostrado o dedo para ele, mas o olhar de Lexa se moveu para mim assim que Tanner falou. Estou presa naquele olhar que era tão parecido com o do pai. Meu coração dói, literalmente, enquanto eu espero que ela me julgue apenas como filhas podem fazer quando se trata das mulheres da vida de seu pai, temendo que ela vá me multar por faltar de alguma maneira.

Depois de quase um minuto inteiro, o rosto de Lexa relaxa em um sorriso, e ela me dá um tímido aceno antes de voltar sua atenção para a panqueca no prato. Eu roubo um olhar de Bash, que está me observando de perto. Há uma carranca franzindo a testa, mas um sorriso maroto nos lábios. — Bom dia, Raven. — ele finalmente diz com uma piscadela.

— Bom dia. — Isso sai praticamente como um sussurro e eu corro para a mesa. Existem apenas três lugares sobrando, um entre Tanner e Raider, um entre Willa e Lexa, e um entre Lexa e Colt. De jeito nenhum eu quero Bash sentado tão perto de Willa, de modo que isso torna a minha decisão consideravelmente mais fácil de fazer.

Eu puxo a cadeira entre as mais duas recentes adições à minha família e cuidadosamente me sento. Eu não vou gostar de Willa Blackstone. Eu não vou! Então eu a ignoro, enquanto observo Lexa rasgar cuidadosamente um pedaço de sua panqueca com o garfo e mordiscá-la. Quando percebo que ela não está comendo calda sobre ela, eu franzo a testa. — Você não gosta de xarope? — pergunto antes mesmo de perceber que eu vou falar.

O cabelo de Lexa cai para trás de seu belo rostinho e suas bochechas se enchem de rosa antes que ela finalmente balance a cabeça. — Ele pode ter nozes.

— Oh.... — eu sussurro.

— Lexa tem alergia a nozes. — Willa comenta do meu lado, e eu viro a cabeça para encontrá-la me dando um pequeno sorriso. — Eu espero que você não goste de manteiga de amendoim, Raven. Porque ela não pode sequer tocar nessas coisas.

Meus olhos se arregalaram e eu volto para a menina que parece quase envergonhada. Eu balanço minha cabeça. — Eu nunca poderia tolerar manteiga de amendoim. — digo a menina de três anos, que relaxa imediatamente. — Ela fica presa no céu de sua boca e leva uma eternidade para sair.

— Papai jogou fora uma penca de coisas quando chegamos aqui. — Lexa me informa com um rápido olhar para o pai. — E trouxe coisas novas só para mim.

— Isso foi muito agradável do seu pai. — murmuro. — Ele tem que te amar muito para garantir que todo o alimento é seguro para a sua linda menina.

Lexa sorri para mim. — Ele ama! — Então seus olhos se arregalam. — Você acha que eu sou bonita?

— É claro! — Eu exclamo. — Não é o que todos acham?

— Não Bobby McMillian. — Lexa suspira. — Ele diz que sou muito feia para ser sua amiga.

— Lexa! — Murmura Bash. — Eu lhe disse que Bobby é muito ignorante até mesmo para saber o que ser bonita significa. E você não precisa se preocupar com esse pequeno bosta nunca mais. Você mora aqui agora... Tudo bem?

— Tudo bem, papai. — Lexa sussurra antes de dar outra mordida de sua panqueca simples.

Eu sorrio. — Bem, parece que Bobby tem uma queda por você, Lexa. Os meninos são sempre malvados com as meninas que eles gostam na sua idade.

— Ewwww! — Lexa faz uma cara de engasgo fazendo com que todos à mesa riam. — Ele é bruto. Bobby não lava as mãos quando ele usa o banheiro.

— O quê? Que nojento! Ainda bem que seu pai a trouxe para morar aqui. Todos os meninos que conheço sempre lavam as mãos depois de ir ao banheiro.

Eu sinto o calor do Bash contra as minhas costas, antes dele se inclinar para frente para colocar um prato de panquecas e bacon na minha frente. — Eu te amo. — ele sussurra em meu ouvido antes de recuar.

Arrepios aparecem por todo o meu corpo, e eu mal posso conter meu tremor pelo seu toque. Limpando a garganta, eu alcanço o prato de açúcar em pó na minha frente. — Obrigada.

Todo mundo está mais calmo em volta de mim enquanto eu praticamente inalo a metade do meu prato de comida. Quando percebo que alguém está faltando, eu olho para Raider. — Onde está o Hawk? Ele normalmente não dorme por todo esse tempo, então eu sei que ele não está na cama.

— Gracie teve uma aula de manhã. Aparentemente, um dos idiotas da festa está na mesma classe. Ela tentou fazer parecer que não a incomodava, mas Hawk não podia tolerar isso. Então, ele a seguiu pouco tempo depois que Flick a pegou. — Raider encolhe os ombros. — Eu acho que ele vai persegui-la durante toda a manhã ou até mesmo se sentar com ela durante as aulas. — Colt, Tanner, e Matt bufam. — Essa garota o tem amarrado com todos os tipos de nós. — murmura Colt, tomando um gole de seu café. — Nunca imaginei que Hawk deixaria um pequeno pedaço de bunda o prender assim.

— Não. — eu estalo para o mais novo dos meus irmãos. — Só não. Gracie é diferente. Mostrem algum respeito. Hawk tem algo especial, algo que você vai ter sorte se encontrar. Então, mantenha seus comentários degradantes para si mesmo, Colton Hannigan.

— Relaxe, Rave. — diz Tanner, limpando o açúcar em pó de seus lábios. — Só porque Hawk é de repente um pau mandado não significa que você tem cortar todos os nossos.

A mão de Bash bate em cima da mesa tão de repente que eu pulo. Lexa grita, pegando a minha mão e segurando instintivamente. — Cuidado com o que você diz, primo. Eu não vou pensar duas vezes antes de rasgar você eu mesmo se continuar a falar assim na frente das minhas meninas.

Tanner não parece levá-lo a sério. Ele encontra o olhar de Bash com um sorriso idiota no rosto. — Que meninas seriam essas, Bash? Willa e Lexa? Ou Raven foi adicionada em algum lugar?

Posso realmente sentir a raiva fervendo dentro da besta de um homem em pé atrás de mim, posso sentir a tensão crescer tão espessa que eu poderia até cortá-la com a minha faca de manteiga. Empurrando meu prato, eu puxo a mão de Lexa. — Vamos encontrar algo para assistir na televisão no meu quarto novo, Lexa. Seu pai me comprou uma tela plana grande e eu aposto que desenhos parecem impressionantes nela.

Enquanto me levanto com a mão de Lexa segurando a minha, eu escovo contra o braço de Bash. — Não o mate. — eu sussurro.

— Ligue a televisão o mais alto que puder. — ele sussurra, sem tirar os olhos do homem atrás de mim. Uma parte de mim se sente mal por Tanner. Uma parte maior espera que Bash acabe com ele até que ele não possa andar. Esse pobre idiota nunca sabe quando manter sua boca fechada.

Quando Lexa e eu chegamos à porta da cozinha, eu olho para trás para Willa. — Você gosta de desenhos animados também?

— Não, mas eu tenho certeza que vai ser mais divertido do que o banho de sangue que está prestes a acontecer aqui.

 

Bash

Assim que ouço a porta no andar de cima eu conto até vinte - tempo de sobra para Raven ter colocado a televisão em um volume alto o suficiente para Lexa não ouvir o que está prestes a acontecer. Durante esse tempo, Tanner poderia ter fugido. Se tivesse, eu não teria seguido, pelo menos não até que soubesse que Raven e Lexa estão fora de perigo.

Tanner não foge. Apesar de quão nervoso eu posso ver que ele está, ele é homem o suficiente e fica lá disposto a receber o castigo que eu iria servir com prazer. Ninguém diz uma palavra. Eles sabem a pena por interferir. Eu sou o presidente agora. É a lei no clube. Até este segundo, tenho certeza de que pelo menos um deles tinha esquecido esse pequeno detalhe, e é por isso que ele não parou para pensar antes de abrir sua boca.

— Para responder a sua pergunta... — As palavras saem em um ofego com o esforço que leva para me manter imóvel e não quebrar a porra do pescoço dele instantaneamente. — Raven e Lexa. Sempre foi Raven, entende? Willa pode estar sob minha proteção, mas não confunda isso com o que há entre eu e Raven. Você acabou de desrespeitar não só a minha filha, mas a mulher com quem eu vou me casar... Sabe o que isso faz de você?

— Morto? — Tanner atira de volta, soando tão arrogante quanto aterrorizado.

— Ela me pediu para não matá-lo, primo. Quando eu acabar com você, você estará pedindo para ela me deixar terminar com você.


Capítulo Dezenove

Gracie

Felicity para em frente ao prédio de Ciência e me dá um sorriso terno, mas cansado. Não era a primeira vez que eu me perguntava o que ou quem a tinha quebrado completamente. Eu costumava ver o mesmo sorriso no rosto da minha mãe todas as manhãs depois do meu pai chegar tarde em casa na noite anterior. No final, ele fazia isso todas as manhãs, e me machucava ver esse sorriso no rosto bonito da minha mãe.

Doía ver esse sorriso do rosto de Felicity também.

— Você tem laboratório hoje? — Ela perguntou, desligando o rádio com um botão no volante. — Eu tenho um laboratório independente com o ajudante do professor, que ensina no laboratório normal. Eu fiz um acordo com ele, ele me dá alguma ajuda extra e eu o ajudo com o seu trabalho de Inglês. Embora isso não aconteça até segunda-feira à tarde. — Eu tenho sorte em ter um professor de laboratório que é brilhante em Química, mas deixou sua aula de Inglês 120 porque continuava a tirar notas baixas em seus trabalhos. Desde o início do semestre em Janeiro nós tínhamos estado excecionalmente bem em cada disciplina.

Felicity realmente sorri, mesmo que não atingisse os seus incríveis olhos azuis.

— Qual é o seu curso mesmo? Vai ser advogada e mediadora de negócios difíceis?

Dei de ombros. — É uma das várias carreiras diferentes em que estive pensando. — Meu pai tinha sido um grande advogado corporativo de Boston. Toda a sua família tinha sido de advogados. Meus avós tentaram colocar na minha cabeça que eu também deveria ser uma advogada, e seguir os passos dos meus antepassados. Lei corporativa não era o que eu queria. Se eu me decidir por me tornar uma advogada, que é a mais provável das minhas opções, visto que eu tinha me transferido para a Universidade de Creswell este semestre. E eles tem um programa de direito excecional, oferecendo um ambiente escolar de pequeno porte. Eu quero fazer algo parecido com assistência jurídica. Ajudar aqueles que mais precisam de ajuda, mas que não podem arcar com os preços mais elevados dos advogados corruptos, algo que eu tenho certeza que o meu pai tinha sido.

Pego o meu livro de Química. — Vejo você mais tarde.

— Eu vou esperar por você no café. Podemos pegar um lanche ou algo assim antes de ir para casa. — oferece Felicity.

— Parece bom. Tchau, Flick... — Fiz uma careta. Parece que estou ganhando o hábito de chamá-la por seu apelido, tal como todos os Hannigans tendiam a fazer. — Desculpe. Felicity.

Ela ri. — Eu não me importo de você me chamar de Flick. Você é da família agora, quer você saiba disso ou não.

Estupidamente, isso me traz lagrimas aos olhos, e eu rapidamente abro a porta antes que ela consiga vê-las. Chorei demais na frente dela e de todo o mundo recentemente. Felicity acenava enquanto ia embora, atravessando o campus para sua classe. Não tenho nada para fazer nos próximos 45 minutos, por isso tenho algum tempo para matar.

Me dirijo para o Edifício de Ciência, localizando a pequena biblioteca reservada para estudos. Eu adoro o cheiro do velho pergaminho dos livros e inspiro profundamente enquanto eu me sento e abro o meu livro, juntamente com as notas da minha última aula de Química.

Mas minha mente não me deixava concentrar no material complicado, o comentário de Felicity sobre eu ser da família agora me distraia. Era bobagem, mas eu realmente me sentia um pouco da família agora. Parece que eu tinha irmãos já que Raider, Colt, Tanner e até mesmo Matt tinham começado a me provocar ultimamente, e eu sentia que tinha uma irmã em Felicity e agora em Willa. Tenho certeza que posso acrescentar Raven nessa categoria também, mas não a tinha visto mais desde domingo de manhã. Bash se sentia como o patriarca da família, pela maneira como estava sempre distribuindo ordens para as pessoas, em sua maior parte para os rapazes do clube, que continuavam aparecendo na casa dos Hannigan para pedir ajuda.

E Hawk... bem, eu não tenho certeza de qual categoria colocá-lo. No entanto, eu sei bem onde eu queria que ele estivesse.

As coisas estão complicadas com Hawk. Estou confusa sobre ele. A lógica me diz que eu deveria estar com medo de todos os homens por causa do que tinha acontecido na festa há apenas uma semana atrás. Eu ficava nervosa com a maioria dos caras agora, até mesmo depois de aprender a aceitar os amigáveis, como Raider e Colt. Hawk era uma história diferente.

Vou dormir todas as noites na sua cama sozinha. Acordo todas as manhãs envolvida em seus braços fortes. Seu peito quente e nu pressionado contra as minhas costas, seu hálito quente contra a minha nuca me enviando arrepios até a espinha. Não me lembro dele vir para a cama, não me lembro de nada, exceto de que não houve pesadelo.

Suspirando, tiro o meu cabelo para trás do meu rosto me forço a me concentrar nas notas que tirei com diligência. Eu tenho uma prova hoje, e eu precisava desesperadamente tirar um A nela. Só temos três testes por semestre, intercalares, finais e de laboratório. Mesmo com ajuda eu mal tinha conseguido um C no intercalar. Felizmente o professor era um cara decente. Já que a maioria da classe não tinha conseguido passar nesse primeiro exame, ele começou a dar testes antes de cada classe. Os pontos ganhos de cada teste valiam para a nota final do exame.

Trinta minutos mais tarde, o professor entra na classe com um olhar determinado em seu rosto. Eu mantenho o meu olhar sobre ele, então eu não seria tentada a olhar para trás de mim para ver qualquer-que-seja-seu-nome. Não foi até que eu deixei o campus na noite anterior que me lembrei que o cara que tentou ajudar Brayden a me estuprar também era da minha turma de Química. Isso me manteve acordada a maior parte da noite, e quando Hawk finalmente chegou, eu ainda estava acordada.

Eu estupidamente lhe disse o que me estava me incomodando, e ele tentou várias vezes me convencer a não ir para aula de hoje. Ele estava chateado quando eu finalmente cai no sono, e ainda tentou me convencer a não vir esta manhã. Eu odeio quando ele está chateado comigo, mas este é o meu último semestre e eu preciso da aula de química para completar o meu curso e entrar no programa de Lei de Creswell.

Eu não vou deixar um verme que tentou me destruir ficar no meu caminho!

O Professor Schmidt passa os nossos testes da matéria da semana anterior. Nunca sabemos o que conseguimos sobre essas malditas coisas, pelo menos até a semana anterior das provas finais. Felizmente ela está apenas a algumas semanas de distância. Se eu não passar nesta classe com pelo menos um B, então não vou conseguir me formar com honras. Eu quero este prestígio, por nenhuma outra razão a não ser deixar a minha mãe orgulhosa.

Eu sei que é uma razão estupida, mas parece que cada vez que eu tinha sucesso em alguma coisa na escola, minha mãe sempre ficava mais feliz. Agora que ela se foi, eu gosto de pensar que ela sorri para mim de onde ela estiver, de onde quer que ela esteja sempre que eu terminar o semestre na lista do reitor. Que isso a faça feliz e orgulhosa de mim, mesmo na morte.

Logo que o teste é recolhido, o professor mergulha em uma nova palestra e não para de falar até o nosso tempo acabar. Eu espero até que a sala estar vazia antes de me levantar. Minha viagem para o banheiro feminino é tranquila, mas eu não consigo parar e continuo olhando em volta como se fosse um fugitivo fugindo da polícia. Eu nem sei o nome daquele perdedor, e ele ainda está me deixando paranoica ao ponto do embaraço.

No caminho de volta para a sala de aula, eu paro na frente da máquina de venda automática. Estou morrendo de fome e sei que não vou aguentar o resto da aula a menos que tenha um lanche. O saco de amendoins salgados teria sido a melhor opção, mas o meu olhar continuava indo para o pão de mel pegajoso. Quando a menina que esperava atrás de mim limpou a garganta, eu empurro um dólar na máquina, mas o meu dedo paira sobre os botões.

— Pegue o pão de mel, Gracie. — uma voz profunda murmura ao meu lado direito.

Pisco e viro a cabeça para encontrar Hawk bem ali. Bem ali! Meu coração torce como um pretzel, e em seguida, se derrete. Com um sorriso, ele chega perto de mim e aperta o botão que faz cair o pão de mel. Ele se inclina para pegar o meu lanche e me entrega. — Vamos voltar para aula.

Franzo a testa para ele enquanto ele caminha ao meu lado em direção à sala, sem qualquer indicação minha. As salas são complicadas. Como é que ele sabe para onde ir? — O que você está fazendo aqui?

— Eu queria garantir que você estava bem. — Ele empurra as mãos nos bolsos das calças jeans. — Eu odiava a ideia de você estar na mesma sala com aquele filho de puta. A propósito, o nome dele é Kevin Samson. Seu pai tem uma espécie de grande negócio em San Francisco. A festa do último fim-de-semana não foi a primeira vez que ele... — Ele para, com sua mandíbula apertada —...tentou machucar uma garota. Ele foi transferido para cá vindo da UCLA , porque foi expulso por fazer a mesma coisa.

— Como você sabe de tudo isso? — Eu pergunto, abrindo o meu lanche e beliscando um pequeno pedaço.

— Eu tenho conexões, querida. Conexões poderosas. — Ele pisca enquanto me deixa entrar na sala a sua frente. Eu vou para a minha mesa em frente da sala e me sento. Hawk descuidadamente cai na cadeira ao meu lado.

Eu sorrio. — Oh, sim. — Rolo os meus olhos para ele. — Eu me esqueci.

Ele coloca um braço ao redor da parte de trás do meu assento, inclinando-se mais perto. — Você é muito bonita quando está bastante concentrada, Gracie. Você nem percebeu que estava torcendo o cabelo em volta do seu dedo enquanto estava fazendo o seu teste?

— O quê? Não, eu nem percebi. — Arranco outro pedaço do pão de mel e ofereço a ele. — Então você esteve aqui durante a aula toda?

Hawk se inclina para frente um pouco mais e ele morde o bocado que lhe tinha oferecido com os seus lábios, sua língua demorando-se no meu polegar, pouco antes de se afastar. Ele não parece afetado, mas eu tenho a certeza que parei de respirar. Doce Santo Sexy!

— Eu cheguei aqui antes de você. Estava na parte de trás mantendo um olho em Samson.

Antes que conseguisse encontrar a minha voz, o Professor Schmidt entra na sala de aula, e eu tive que encontrar o poder do cérebro para me concentrar no resto da sua palestra. Mais fácil dizer do que fazer quando o meu coração estava acelerado e a minha calcinha estava úmida de repente, e cada respiração que faço, inalo o aroma de Hawk.

Eu estou tão ferrada para o teste da próxima sexta-feira!

 

Raven

Eu realmente não quero gostar de Willa.

Quero odiá-la. Quero arrancar os olhos dela enquanto olho para ela. Ela é a razão do meu amigo estar infeliz. Ela tem vivido com o meu namorado por mais de um ano, brincando de uma família feliz que eu nem sei se quero jogar.

Não consigo odiá-la.

Eu tentei muito... Por cerca de uma hora. Mas durante o tempo que esperei no meu quarto novo mantendo Lexa longe da feiura que estava ocorrendo lá em baixo, eu percebo que gosto de Willa Blackstone. Ela é mal-humorada, divertida... boa. Quando me pego sorrindo de algo sarcástico que ela disse, me sinto como uma traidora. Spider estava magoado e aqui estou eu, tentando animar a mulher que lhe causou tanta dor.

Quando Colt bate na porta do quarto, estou além de aliviada por sair de lá. Meu irmão abre a porta parecendo como se ele não tivesse acabado de ver o seu presidente do clube bater no seu amigo. Ele realmente sorri. — Tudo limpo, senhoras.

Olho para a menina de três anos agora dormindo aconchegada debaixo das cobertas. — Ela costuma tirar uma soneca? — Pergunto a Willa.

— Normalmente não, mas tem sido uma semana louca para ela. Deixe-a dormir um pouco mais, se quiser. — Willa sai de cima da cama e caminha em direção à porta, franzindo a testa para Colt. — Faz duas horas. Certamente ele não passou todo esse tempo lidando com o seu primo.

Colt balança sua cabeça desgrenhada. — Não. Tivemos que limpar a bagunça. Bash não queria que Lexa questionasse algumas manchas de sangue.

Deixei o meu olhar demorar sobre a garotinha que estava dormindo um pouco mais, antes de colocar as cobertas um pouco mais apertadas em torno dela e segui-los para fora. Quando a porta se fechou atrás de nós, eu seguro o braço de Colt. — O quanto ele está ferido? — Ele dá de ombros. — Quebrou o nariz. Provavelmente algumas costelas quebradas. Talvez a mandíbula. Raider o levou para ver o Dr. Robertson. Ele mereceu. Tanner sabia bem o que ia acontecer ao abrir a boca para falar sobre você na frente de Bash. Não é a primeira vez que Tanner teve que enfrentar Bash, então ele sabia a surra que iria tomar.

Eu aperto a minha mandíbula. Dr. Robertson é o médico do MC. Ele lida com as coisas das quais eu não posso, como os ossos quebrados ou os ferimentos de bala que são mais do que apenas um arranhão. Tinha um consultório particular, mas era o Angel’s Halo que realmente lhe dava lucro.

Lá em baixo, eu encontro Matt colocando os pratos na máquina de lavar enquanto Bash estava sentado à mesa com um saco de gelo em sua mão esquerda. Eu me ajoelho na frente dele e pego sua mão, examinando as juntas machucados. Ele não mostrou dor enquanto eu verificava se a sua mão não estava quebrada.

Sinto o seu olhar em cima da minha cabeça e posso sentir o seu corpo se aquecer a cada segundo que passa. Esse é o jeito que sempre foi conosco. Eu precisava garantir ficar a pelo menos um metro dele quando andávamos escondidos, caso contrário o seu corpo reagiria de uma forma que era difícil esconder.

— Você está com raiva de mim? — Ele finalmente pergunta.

Ponho a mão sobre a mesa e coloco o bloco de gelo de volta em cima dela. — Não. — Vou para o armário de remédios ao lado da geladeira e pego o analgésico. Encho um copo com água e entrego-lhe os comprimidos.

— Então o que está de errado?

Dou de ombros. — Eu estava pensando... Não podemos construir mais um ou dois quartos nesta casa?

— Por quê? — Perguntou ele, olhando para mim enquanto eu andava pela cozinha ajudando Matt.

— Eu quero viver aqui. Eu cresci nesta casa. Eu gostaria de criar nossos filhos aqui.

Minhas costas estão viradas para ele, mas eu posso sentir a diferença assim que as palavras deixam a minha boca. Matt deve ter sentido isso também e, silenciosamente deixa a cozinha, incerto da emoção que irradia do seu primo depois de assistir a outro banho de sangue. Mordo o interior da minha bochecha, não sei o que se passa na cabeça do Bash também.

Seu peito se pressiona contra as minhas costas me fazendo tremer com uma necessidade profunda da alma. Braços fortes se envolveram ao redor da minha cintura em um abraço gentil, mas inquebrável. Seu nariz desliza sobre a minha orelha e os lábios se fecham no meu pescoço. — Diga isso de novo. — ele exige rosnando naquela voz animalesca que nunca deixa de molhar as minhas calcinhas.

— Eu gos-gostaria de... — um gemido me escapa enquanto ele chupa o pulsar latejante em meu pescoço. —... d-de aumentar a nossa... Bash, eu não consigo pensar quando você faz isso! — Meu corpo está vivo com um desejo ardente que ameaça me destruir.

— Diga isso de novo, Raven! — Ele comenta, soltando o seu aperto no meu pescoço e lambendo a pequena vermelhidão que continua lá. — Diga.

— Eu quero criar os nossos filhos aqui. Nesta casa. — eu respondo com pressa. — Eu quero ajudá-lo a cuidar de Lexa... se você me deixar. — As últimas palavras saem em um sussurro, num apelo. Eu me apaixonei por Lexa instantaneamente, meu amor por ela era tão intenso como era pelo pai da menina.

Seus braços me apertam quase dolorosamente. — Isso significa que... Porra, Raven. O que isso significa?

Me viro em seus braços, precisando ver seu rosto. — Se você está perguntando se eu já superei a coisa de você estar vivendo com Willa, então a resposta é não. Eu não tenho certeza se vou confiar em você. Talvez um dia sim, talvez não. — Seus olhos escureceram e eu conseguia ver a luta que ele estava tendo refletidos naqueles olhos azul-prateados. — Isso não significa que eu não te amo, Bash. Eu gostaria de poder mudar os meus sentimentos por você, mas não posso.

— Raven...

— Não faça isso. — Coloco ambas as mãos na sua mandíbula áspera. — Nós temos muitas coisas para resolver, e eu quero pelo menos tentar trabalhar nelas.

 

 

Bash

Ela quer tentar.

Essa não é a resposta que eu queria, mas é melhor do que a que eu temia. Então eu pego o que me está sendo oferecido e fico com ele. Ela quer ser parte da vida de Lexa, e isso me dá mais esperança.

Durante as próximas duas semanas eu observo as duas mulheres que são o meu mundo. Em menos de 14 dias eu testemunhei uma mudança na minha menininha. Quando Raven estava em casa, Lexa nunca estava longe da sua vista. Minha filha era a nova sombra de Raven. Lexa começou a agir cada vez mais como se ela fosse a sua nova melhor amiga, e eu tenho certeza que deveria estar preocupado, porque porra, uma Raven era o suficiente, mas isso só me fez amá-las ainda mais.

Raven também estava mudando diante dos meus olhos. Ela estava amadurecendo cada vez mais, se transformando na mulher que eu sempre soube que ela seria, dura e suave, mal-humorada e amorosa. A mulher que eu preciso, ao meu lado, a mulher que eu quero que crie a minha filha, os meus filhos.

É sexta-feira à noite e Lexa não está contente por Raven ter que ir trabalhar. Eu também não quero que ela vá, mas estou tentando deixar as duas felizes, convencendo todos de que Willa será uma ótima substituta. Colt, Raider e Hawk não parecem se importar se for Raven ou Willa enquanto eles tiverem ajuda, especialmente nas noites de sexta-feira. Claro, Raven é teimosa.

— O bar é tanto meu como é de qualquer um dos meus irmãos. Quero ganhar o meu sustento. — ela me diz quando puxa o seu cabelo para fora do uniforme de trabalho, ela apenas encostou a cabeça. — Eu não quero discutir mais sobre isso, Bash.

— Tudo bem. — murmuro, mas não vou desistir. Tem de haver alguma maneira de convencê-la a parar de trabalhar no bar. Posso não achar a solução hoje ou na próxima semana, mas vou encontrar uma.

Lá em baixo eu encontro Lexa aconchegada no sofá com Gracie, que está lendo um livro.

Hawk me pedir para contrata-la como babá para dar à menina um pouco de dinheiro extra, e eu concordei prontamente. Lexa gosta de Gracie. Com Willa tentando se distanciar de Lexa para tornar as coisas mais fáceis para Raven, algo que ela realmente não tinha que fazer, visto que Lexa esquece tudo sobre Willa ou qualquer outra pessoa quando ela tem a atenção de Raven, Willa não consegue ver Lexa tanto quanto ela costumava fazer.

Quando Lexa vê que Raven está pronta para ir trabalhar, ela não tenta implorar novamente, ela pula para Raven dando-lhe um abraço apertado. — Você promete que vai ficar em casa comigo amanhã à noite?

Raven se agacha na frente dela, abraçando-a apertadamente. — Eu prometo, Lexa. Assim que chegar em casa depois de fazer os livros amanhã, eu sou toda sua.

Lexa se afasta o suficiente para olhar o rosto de Raven. Depois de um longo momento, como se a menina estivesse tentando procurar por qualquer mentira e não a tivesse encontrado, Lexa sorri. — Você vai trançar o meu cabelo?

— Claro. E você pode pintar as minhas unhas. — Raven lhe dá outro abraço apertado e beija a sua bochecha antes de se levantar. — Seja boa para Gracie, ok?

— Tudo bem.

Retiro a minha carteira e entrego a Gracie algum dinheiro. — Encomende uma pizza.

Lexa bate palmas alegremente.

— Mostrei-lhe como usar a epinefrina. Sei que ela provavelmente não vai precisar disso, mas se ela precisar, use-a e em seguida me ligue. — Raven pega as chaves. Ela vai sozinha esta noite, tenho algumas coisas para fazer antes que consiga ir para o bar para a habitual reunião de sexta-feira com os Originais.

— Não se preocupe, Raven. — Grace dá um sorriso tranquilizador. — Lexa vai ficar bem.

— Sim... — Ela suspira, e em seguida sopra um beijo para Lexa. — Eu te amo.

— Eu também te amo, Raven. — ela responde enquanto Raven caminha em direção a porta da frente. Antes que ela consiga passar pela porta, eu pego o seu cotovelo e a viro para me encarar. Ela levanta uma sobrancelha para mim, mas eu só coloco um beijo demorado em seus lábios. Quando a afasto ela está sem fôlego.

— Eu te amo. — murmuro contra os seus lábios enquanto roubo um último beijo e depois empurro-a para fora da porta.

Quando ouço o Challenger sair da garagem, coloco um beijo no topo da cabeça da minha filha e saio. Tenho que me encontrar com Spider, e eu não estou ansioso por isso. Não falava com ele desde que ele entrou no quarto quando Raven e eu estávamos fazendo amor. Sei que Raven passou algumas horas com ele no sábado anterior quando ela fazia os livros de Razor. Ela até mesmo foi ao apartamento dele à noite depois do trabalho.

Eu não o queria ver agora, mas ele era o meu executor, e tenho algumas coisas que precisavam da sua atenção. Entro no estacionamento de Razor e desligo a minha moto. A moto de Spider é a única que está lá, e posso dizer que ele está fechado para a noite. Eu tinha avisado através de Raider que eu iria passar aqui hoje à noite para que ele soubesse que teria que ter o lugar vazio.

Quando entro, Spider está digitando algo no computador atrás do balcão da frente. Mal olha para mim antes de voltar a sua atenção para a tela. — Eu ainda lhe devo por ter batido em mim, filho da puta. — Simples assim eu sei que somos amigos de novo. Tem sido sempre dessa forma entre eu e Spider. Eu provavelmente poderia matá-lo e ele ainda iria me perdoar.

Sorrio. — O que doeu mais, cara? Sua mandíbula ou seu orgulho?

Spider bufa. — Nós dois sabemos que eu tenho um queixo frágil. Idiota. Essa é a única razão pela qual você foi direto para ele. Provavelmente, a razão da sua bunda ter fugido antes mesmo de saber o que estava pra acontecer.

— Provavelmente. — Eu concordo, me encostando no balcão. Não existe argumento sobre isso. Eu não sou estúpido. Spider é o único que me iguala em uma luta, exceto Jet, mas ele está na prisão.

— Então quem está causando problemas? — Spider finalmente para de mexer no computador e vai pegar uma garrafa de água da mini geladeira.

— Não é ninguém no clube... — Faço uma careta —... ainda, embora Hawk provavelmente irá ficar furioso quando descobrir. Eu estou tentando mantê-lo calmo, tanto quanto possível.

— Me deixe adivinhar. Universitários?

Felicity tinha falado comigo ontem. Ela ouviu sussurros no campus. Os rapazes da fraternidade perceberam que tínhamos sido nós a queimar a casa. Eles queriam vingança. Claro que eles podiam ir à polícia, mas não tinha como eles provarem que tínhamos sido nós a colocar o fogo. Em vez disso, falava-se que eles queimariam algo que o clube valorizasse tanto quanto eles valorizavam a casa. Felicity disse que havia duas opções.

O armazém ou o bar.

Eu não poderia me importar menos sobre o armazém. Aquele lugar é segurado duas vezes mais do que aquilo vale, se ele ficar em chamas, construía-se outro novamente. O bar? Isso é uma história completamente diferente. É segurado, provavelmente mais do que vale, mas o dinheiro não iria substituir o que seria perdido se algo acontecesse a ele. O bisavô de Raven tinha construído aquele bar. É o porto seguro do clube, é o nosso lar quando estamos longe de casa. Não importa o que estava acontecendo em nossas vidas fora do clube, uma vez que um de nós entrava por aquelas portas, nada mais importava. O bar é sagrado.

Digo a Spider o que Felicity disse, observando os seus olhos se estreitarem perigosamente. — Eu vou fazer um reconhecimento.

— Me ligue assim que descobrir alguma coisa.


Capitulo Vinte

Raven

As coisas estão começando a se estabelecer em casa. Eu não sinto como se tivesse sendo puxada em uma centena de diferentes direções. Lexa e eu nos aproximamos mais a cada dia. Estou, embora com relutância, desenvolvendo uma amizade com Willa. Gracie tornou-se uma parte do meu cotidiano.

Bash fica cada vez mais envolvido em volta do meu coração. Eu durmo em seus braços todas as noites, faço amor com ele todas as noites. Fazemos amor, não sexo ou foda. Ele faz amor comigo lentamente e apaixonante todas as noites, e às vezes fico emocionada por ser tão perfeito.

Embora algo não estivesse perfeito.

Eu deveria saber que algo estava errado e percebido mais cedo que ela não estava bem. Engolindo em seco, eu me agacho em frente do grande cão que estava sentando do lado de fora da minha porta.

— Sua nota dizia para trazê-lo até aqui. — Marcie Bolton, a mãe de Felicity me diz enquanto colocava o enorme saco de comida de cachorro ao lado do cão que parecia assustado. — Ela disse que você iria cuidar melhor dele do que eu.

Levanto a minha mão para coçar o topo da cabeça de Toby. O mastiff geme de prazer, sua língua grande sai para lamber o meu queixo. Dou-lhe um pequeno sorriso triste. Jet tinha dado o cão a Felicity há dois anos atrás em seu aniversário, quando ele era apenas um filhote de cachorro. Entre nós duas, Felicity e eu tínhamos-lhe treinado bem. Ele era enorme e aterrorizante. Seu pelo vermelho escuro brilhava com saúde, com a cabeça larga e seu rosto todo enrugado. Toby pesa pelo menos sessenta quilos. Ele também é o cão mais doce que eu já conheci.

Engolindo em seco o nó da minha garganta, eu aceno. — Fico com ele. — Sussurro.

— Eu não sei para onde ela foi... — Marcie interrompe, soprando fumaça de cigarro para longe de mim, porque ela sabe que eu vou socá-la na boca, se soprasse em mim. — Sua carta apenas dizia que ela precisava de um tempo... Longe.

Concordo com a cabeça, piscando para conter as lágrimas que eu não queria que ninguém visse. — Ela não tem sido a mesma desde que Jet foi para a cadeia.

— Foi antes disso, Raven. Perder o bebê mexeu com ela.

O mundo ao meu redor congela. — Bebê? — Eu sussurro.

Marcie assentiu. — O espancamento de Westcliffe a fez abortar. Ela não te disse?

Eu não respondo, não conseguiria mesmo se a minha vida dependesse disso. Felicity tinha perdido o bebê? Era de Jet? Oh meu Deus! Porque que ela não me contou?

As mãos pequenas de Lexa tocaram na minha perna nua, me fazendo saltar com surpresa. — Um filhote de cachorro. Oi, filhote de cachorro. — Ela ri enquanto Toby lhe lambe o rosto, deixando um rastro de baba sobre o seu belo rosto.

Limpando a garganta, eu levanto Lexa. — Este é Toby. Ele vai ficar conosco por...enquanto.

— Raven, quem é? — Bash caminha na nossa direção com o seu cabelo ainda emaranhado da nossa noite louca de amor e um par de calças de moletom.

Acordei cedo esta manhã e ia começar a fazer o café da manhã, mas tinha sido interrompida pelo toque da campainha da porta da frente. Quando ele vê Marcie parada do outro lado da porta seus olhos se estreitam. — O que está acontecendo?

Meu queixo treme e seus braços se envolvem em minha volta imediatamente. A sensação dos seus fortes braços quentes em torno de mim quebra a represa que tenho por dentro, e eu sou incapaz de manter o soluço dentro por mais um segundo. — Flick fugiu.

Felicity

San Quinton é a prisão mais antiga da Califórnia. É a única prisão que detém prisioneiros do sexo masculino no Corredor da Morte. Está situada em 432 hectares de imóvel a beira-mar, com vista para o lado norte da Baia de San Francisco e é onde Jet Hannigan vai cumprir a sua sentença de prisão.

Eu provavelmente não deveria ter vindo. Ele não quer me ver, na realidade ele até me ligou duas vezes para me dizer que não tenho permissão para vê-lo. Não importa que ele não quer me ver. Eu preciso vê-lo. Uma vez. Só uma vez antes de deixar tudo para trás.

Há semanas que eu estava pensando em ir embora, desde que recebi a carta que me oferecia o trabalho para o qual eu me tinha inscrevido em Janeiro, que eu não estava esperando conseguir e nem sequer sabia que o queria até muito recentemente. Foi feita uma verificação de antecedentes e tinha certeza que perderia essa oportunidade por completo. Ninguém quer uma pessoa como eu, uma menina que cresceu perto de um Clube de Motoqueiros e se tornou uma de suas filhas. Mas a oferta tinha sido feita com um contrato que incluía grandes benefícios e muito dinheiro.

Sei que preciso deste novo começo. Eu preciso ficar longe de tudo o que me lembra o que perdi e o que nunca terei, o que nunca tive para começar. Meu coração doía mais e mais a cada dia. A minha alma está definhando.

Meu coração e minha alma não me deixam ir embora sem vê-lo por uma última vez.

Você tem que marcar hora para ver um preso em San Quinton. Fiz a minha no último minuto e tive sorte de ter conseguido uma hora disponível. Agora estou sentada na sala de recepção, ansiosa por acabar logo com isso para que eu possa seguir em frente com a minha vida. Também estou com medo. Medo de não ser capaz de lhe dizer adeus...

— Eu lhe disse para não vir.

Me recuso a levantar a cabeça imediatamente ao som daquela voz forte e masculina. Em vez disso, junto a minha coragem e lentamente levanto os olhos para encontrá-lo sentado do outro lado da mesa. Droga, porque meu coração tem que bater mais forte cada vez que eu o vejo?

Seu cabelo loiro sujo estava mais longo. Sofro com a vontade de passar os meus dedos por ele. Ele tem barba de alguns dias em seu rosto e seus olhos verdes de jade estão escuros de raiva, mesmo que tenha a certeza que só estou vendo o que quero ver, o que preciso ver. Ele está ficando mais magro, mas seus músculos estão mais definidos. Jet parece perigoso, e estupida como sou, sempre fui uma idiota por isso. Sofro por tocá-lo como uma vez eu pensei que tinha o direito de fazer. Meu corpo pulsa com uma necessidade que nunca mais ficará satisfeita por ele.

— Não vou demorar. — asseguro, orgulhosa de mim mesma por não mostrar como eu estava devastada por dentro. Sinto como se estivesse ficando quebrada, pronta para quebrar de dentro para fora. — Eu só queria dizer adeus.

Todo o corpo de Jet estremece. — O que você quer dizer? — Ele rosna. — Eu estou saindo daqui a três meses, Flick. Três meses e eu vou estar em casa, então não venha aqui para começar a derramar melodrama. Isso é coisa da sua mãe, não sua.

Eu aperto as minhas mãos debaixo da mesa para que ele não veja como elas tremem.

Eu nunca vou deixá-lo ver como ele me afeta novamente. — Eu não vou estar em Creswell Springs quando você sair. Vou embora e não pretendo voltar.

Encolho os ombros como se isso não tivesse importância para mim, como se eu não estivesse destruída por deixar tudo o que amo para trás. — Achei que devia a você uma despedida cara-a-cara.

Suas mãos estão ligadas entre si com algemas que estavam presas à cadeira. — Não. Eu não vou deixar você ir. Você não pode simplesmente ir.

— Porque você não quer que eu vá? — Eu exijo, confusa com sua reação. — Nós tivemos um caso curto e louco. Não significou nada para você. Eu não significo nada para você. Se alguma coisa, eu teria pensado que você ficaria feliz em me ver indo embora, Jet. Agora você pode voltar para como as coisas eram antes de eu estupidamente dizer que te amava.

—Eu não quero que as coisas voltem a ser como eram antes. — ele gritou, parecendo selvagem. O guarda que estava de pé cinco metros atrás dele deu um passo a frente. — Eu não quero o maldito clube ou qualquer outra coisa. Eu só quero você esperando quando eu chegar em casa. Então vá para casa, Flick!

— Eu não posso. Eu não vou. — Me levantei, pronta para ir antes de me quebrar e implorar para que ele me amasse. — Eu tenho que seguir em frente com a minha vida, e eu não posso fazer isso em Creswell Springs. Eu não posso fazer isso em qualquer lugar perto de você. Eu tentei parar de te amar, e eu tentei te odiar. Eu não posso fazer nenhum dos dois. Só tenho duas opções a seguir. Me matar para fugir de toda essa dor... Ou deixar tudo para trás.

— Flick! — Se levanta, fazendo o guarda atrás dele dar outro passo cauteloso. — Não vá. Não faça isso comigo.

— Adeus, Jet. — murmuro. Com um último olhar eu tomo tudo dele. Um último olhar e eu vou. Mordendo o interior da minha bochecha para não dizer mais nada, eu me afasto.

— FLICK! — ele grita meu nome atrás de mim.

Eu não olho para trás.

O voo de San Francisco para Los Angeles não é muito longo. É a primeira vez que eu coloco os pés em um avião. Tenho pavor de altura, por isso ele é longo demais para o meu gosto. Poderia ter dirigido por várias horas, mas eu tenho as minhas razões para não ir com o meu Jeep.

Tive que vender o Jeep para pagar a minha passagem de avião. Além disso, eu sei que o clube pode me seguir através do Jeep. Eles tem conexões em todos os ramos da aplicação da lei. Cortei os meus cartões de crédito, esvaziei a minha conta bancária e joguei fora o meu celular. Deixei para trás tudo aquilo que eles podem usar para me rastrear.

Assim que recebo as minhas duas malas de bagagem, cheias pelas únicas coisas que eu agora possuía, pego um táxi e digo ao motorista o endereço. Quando enviei por fax o contrato assinado de volta para o meu novo empregador, eu lhe disse que estaria chegando hoje. Quando ela sugeriu que iria mandar um carro para mim, eu não quis, precisava de um tempo extra só para mim e deixar tudo daquilo que eu evitava para trás.

Eu não estava surpresa com o portão do condomínio ou o guarda corpulento que impedia o motorista de táxi de passar. Abro a minha janela e dou ao homem o meu nome. Depois de um momento consultando sua prancheta, ele acena com a cabeça e as portas se abrem. Eu sorrio para o guarda enquanto o táxi passava. Ele me lembrava do tio Jack.

Demorou mais dez minutos antes do motorista parar numa garagem atrás de dois grandes SUVs pretos e um carro esportivo vermelho. O condutor abre a porta para mim antes de ir para a parte de trás do carro para descarregar a minha bagagem.

Eu sai com as minhas pernas tremendo. Estou prestes a entrar em um mundo novo. Um que é desconhecido, mas que eu espero que seja bonito e de cura para mim.

Mordendo o interior da minha bochecha pela milésima vez, eu passo os dedos pelo meu cabelo cortado recentemente. Fui direto de San Quinton para o salão mais próximo. Se eu vou deixar tudo e seguir em frente, eu quero fazê-lo como uma pessoa completamente diferente. Meu cabelo está curto e espetado, e está de um vermelho cereja vibrante. Adoro o novo visual, mas me pergunto se Raven também teria gostado.

O taxista me dá um pequeno sorriso amigável quando vou para trás do carro. Entrego-lhe o que devo a ele, juntamente com uma gorjeta. — Obrigada. — eu murmuro, tomando conta das duas malas rolantes.

Finalmente olho para a casa que eu vou chamar de lar num futuro próximo.

Eu nunca teria imaginado morar numa casa de praia em Malibu, nunca pensei que estaria usando o meu diploma de Jardim de Infância em nada mais do que ensinar em creches.

Agora estava prestes a começar o meu primeiro dia como babá.

Lentamente eu ando em direção à porta da frente. Toco a campainha e espero. Meu coração está acelerado, como se de repente eu estivesse me perguntando se eu estava fazendo a coisa certa. Eu deixei tudo, mas tudo para trás. As pessoas que amo provavelmente estão frenéticas me procurando.

Eu engulo a ansiedade. Está tudo bem. Eu ainda tenho tempo. O motorista de táxi só agora está indo embora. Me viro para acenar. Eu vou para casa. Eu quero ir para casa.

Não! Não, eu não vou para casa. Não há nada para mim lá, nada mais do que uma concha quebrada e vazia da menina que eu tinha sido uma vez.

Felizmente a porta se abre e a minha ansiedade se acalma. Levanto os meus olhos azuis para encontrar um homem com cabelo bagunçado e com uns surpreendentes olhos azuis cor de gelo olhando para mim com um sorriso muito sexy no rosto. É um Demon. O marido da minha chefe. — Olá. Acho que você é a babá que Em contratou. — Ele recua me deixando entrar. — Eu sou Nik.

 

 

                                                    Terri Anne Browning         

 

 

 

                          Voltar a serie

 

 

 

 

      

 

 

O melhor da literatura para todos os gostos e idades