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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


FREEING HIM / A. M. Hargrove
FREEING HIM / A. M. Hargrove

 

 

                                                                                                                                                

  

 

 

 

Kolson Hart e Gabriella Martinelli...
Destinados a ficarem juntos, fadados a se despedaçarem.
Depois de evitar seu pai por anos, Kolson sabia que pedir um favor a seu pai, Langston Hart, seria como vender sua alma ao diabo.
Só que o diabo iria querer mais... Mais do que Kolson está disposto a pagar.
Mas algumas promessas não podem ser quebradas, não sem perder o que é mais importante.
Para Kolson, o mais importante é Gabriella Martinelli.
Deixando-o com duas escolhas, pague ou arrisque tudo, a única saída de Kolson é fazer algo drástico, algo tão monumental que nem Langston será capaz de interferir.
A questão é: será o suficiente para garantir a segurança de Gabriella de seu pai?
Kolson libertou Gabriella de seu passado e agora ele está arriscando tudo por ela novamente.
Ela será capaz de salvá-lo do demônio que o caça?
Ou o destino é muito forte para eles lutarem?

 

 

 

 

 

 

PRÓLOGO

Kolson

— Mamãe! Mamãe! Tenho medo. Onde você está? — Escuro. Está tão escuro. Não consigo ver nada e minha garganta dói tanto. Eu quero minha mamãe. Mas ela não vai me responder. Por que ela não vem? Ela sempre vem quando eu a chamo à noite. Mas ela não veio desta vez. E eu continuo chamando por ela. Meu pijama do Homem Aranha está molhado e quero meu cobertor porque estou com frio. Meus dentes fazem um barulho de clique porque eles continuam batendo e não param. Tenho que fazer xixi de novo e não sei onde fica o penico. Já me molhei uma vez e não quero fazer isso de novo. Mamãe vai ficar brava comigo e não quero estragar meu pijama do Homem Aranha. Talvez se eu me enrolar como se fosse uma bola fique mais quente. Depois de um tempo, não ajuda muito, então chamo mamãe mais um pouco. Mas ela ainda não vem.

Há um barulho em algum lugar e levanto a cabeça. Eu acho que estava dormindo. — Mamãe é você? Mamãe! — Sento e ainda está tão escuro. Quero ver meu pijama do Homem-Aranha, então seguro meu braço na frente do meu rosto, mas está escuro demais para ver qualquer coisa. Eu grito tanto que minha garganta dói. E choro. — Mamãe! Eu quero minha mamãe! — Me enrolo, joelhos no peito, e me balanço, chorando pela mamãe. Mas ela nunca vem.

Algo se mexe na minha frente. É um monstro? Acho que tem um monstro aqui e eu grito.

— Cale-se! Pare com essa gritaria ou eu vou embora.

Não consigo parar de gritar. Eu tento, mas eles continuam saindo de mim, mesmo que não queira. Algo cobre minha boca, e um homem malvado me diz que se eu não calar a boca, vou ter que ficar no escuro para sempre. Sua voz me assusta mais que a escuridão. Mais do que não ter minha mãe. Meu corpo treme e de repente minha voz se foi. Não posso falar.

— Assim é melhor. Agora escute. Esta é a sua nova casa e quanto mais cedo você aprender algumas maneiras, melhor será. Comporte-se e sua vida será fácil. Obedeça-me e receberá guloseimas. Desobedeça, e você vai ficar aqui sozinho. Você me entende?

O homem mau me diz coisas, mas eu não sei o que elas significam. Só sento e tento vê-lo. Mas só vejo a escuridão.

— Bom. Agora coma isso.

Algo é empurrado para a minha boca. Não posso comer porque minha garganta dói tanto. E começo a engasgar. Então vomito.

O homem malvado grita e limpa meu rosto. É tão escuro que não consigo vê-lo.

— Beba.

Ele enfia um canudo na minha boca e eu bebo. Quando faço, queima minha garganta e choro.

— Mais.

Bebo, mas dói. Meu rosto está molhado de chorar.

— Bom.

Então ouço o som de raspagem e fica quieto de novo. E me enrolo e choro. Eu quero minha mamãe. Quero que ela cante para mim e esfregue minhas costas como faz quando minha cabeça está doendo. Quero que ela me beije e me conte uma história. Quero dizer-lhe que não quis dizer isso quando fiz aquelas coisas más e não lhe dei ouvidos. Talvez seja por isso que ela não está aqui agora. Desculpe-me, mamãe. Eu não quis dizer isso. Serei bom. Volte, mamãe.


# # #


Costuma dizer-se que um viciado precisa atingir o fundo do poço antes de começar sua jornada para a recuperação. Minha história é muito diferente. Surpreendentemente, não sou um viciado e nunca fui. Mas tenho estado no fundo. Mais de uma vez. Caí a primeira vez quando tinha apenas sete anos de idade. Não só era o fundo, era o inferno. Foi quando aprendi a lamber as chamas ardentes do próprio diabo. Só que meu diabo era um dragão. Também conhecido como meu pai. O que eu não percebi foi que o tempo era apenas uma passagem comparada ao que aconteceria comigo mais tarde.

A primeira vez eu pensei que ele me destruiria, mas não sabia o quão errado estava. Foi somente mais tarde que percebi que tipo de destruição ele poderia gerar. E nesse momento eu não só quebrei, ele me separou pedaço por pedaço, até que não tinha mais nada para esmagar.

William Shakespeare escreveu: — Se você nos fere, não sangramos? Se você nos faz cócegas, nós não rimos? Se você nos envenenar, nós não morremos? E se você nos enganar, não devemos nos vingar? — Bem, durante anos eu fui injustiçado e agora pretendo me vingar. Com cuidado, devagar e metodicamente. E quando for a hora certa, vou atacar com tudo o que tenho.


CAPÍTULO UM

Kolson


As árvores passam rapidamente como se fossem um borrão enquanto entro na curva com mais velocidade do que deveria. Preciso diminuir a velocidade. Mas meu humor não permite isso. Reduzindo, dou a ela tudo o que pode segurar enquanto percorro a estrada, com o motor ronronando. A adrenalina me puxa para fora do meu modo de corrida de fantasia e piso no acelerador ligeiramente.

— Desculpe. Às vezes eu não consigo evitar quando estou nessas estradas de duas pistas.

— Isso é realmente tudo o que é?

— Claro. E não comece de novo, Kea. Além disso, eu nunca confessei meu segredo para você? Eu sempre tive um profundo desejo de ser um piloto de corridas.

— Sério? Então, dirigir um Lamborghini não deixou isso de lado. — Ela faz uma crítica e eu gostaria de dar uma olhada em seu rosto, mas não ouso tirar meus olhos da estrada.

Risos borbulham no meu peito e posso sentir seus olhos analisando dentro de mim, tentando descobrir o que está na minha cabeça. Esse é o problema quando sua namorada é uma psiquiatra.

— Pare com isso. Agora.

— O quê? — Inocência brota de dentro dela com aquela única palavra, mas eu sei muito bem que me entende.

— Aproveite o passeio, o cenário. Não é sempre que saímos da cidade assim.

— Eu prefiro desfrutar de outro tipo de passeio.

Minha boca se curva com o comentário dela.

— Oh, não se preocupe. Eu tenho planos para você linda. Planos altos.

— Oh?

— Hmm.

— Kolson, que tipo de planos?

— Você vai ver. — Jogá-la fora do meu conflito interior é o meu objetivo. A última coisa que quero é que ela veja através da minha fachada. Meu estômago está prestes a enlouquecer. O Covil do Dragão é para onde estamos indo e é o último lugar na terra que eu escolheria ir. Mas não tenho escolha. Só Gabriella não sabe disso e meu plano é manter assim.

— Então?

— Então o quê? — Sua pergunta me confunde.

— Você gosta do seu novo bebê?

Meu sorriso tem que lhe dar a resposta. — Eu amo isso.

— Eu não saberia pela maneira como seus ossos parece que vão surgir através da pele em suas mãos. Com esse aperto de morte?

Eu rapidamente olho para baixo e raios me partam se ela não está certa.

— Quer explicar isso? Ou você acha que o volante vai tentar fugir, ou você está prestes a surtar por causa dessa pequena visita ao seu pai. Kolson, você evitou isso nas últimas duas semanas. Você movimentou-se em torno disso, e toda vez que eu perguntei se era o fim da linha. Você sabe que não vou tolerar mentira. Eu quero a verdade e quero antes de chegarmos lá.

— Droga, Gabriella. Não podemos simplesmente passar uma maldita noite e esquecer?

— Não! Porque não é assim que vai funcionar. Pare o carro. Agora, por favor.

Sua obstinação é a última coisa com que preciso lidar. Eu tenho o suficiente no meu prato com o encontro com o próprio dragão e esta viagem esta noite. Eu não preciso dela cutucando as coisas. Meu pé abaixa o pedal até o chão e o motor ruge para a vida, ainda mais do que antes, aumentando a velocidade.

— Kolson, estou te avisando. Pare. Este. Maldito. Carro. Agora!

Estamos juntos há vários meses. Eu vi essa mulher passar pelo inferno e voltar, mas ela nunca falou comigo nesse tom, nem mesmo quando eu a tratei como lixo depois da nossa última visita aqui.

Localizo um lugar à frente onde posso sair e assim que o carro para, a porta do passageiro se abre. Uma coisa sobre Gabriella é que, quando está com raiva, seus olhos cor de caramelo lançam faíscas de fogo. Juro por Deus parece que eles se transformam em fogos de artifício explodindo no dia 4 de julho.

Ondas de castanho o rodeiam enquanto ela usa um caminho ao lado do carro. Eu estou em um conflito interno, em busca de um argumento. Meu cérebro busca todas as desculpas possíveis quando saio do carro.

— Quando? Quando você vai me contar?

Minhas mãos alcançam seus ombros, mas ela os retira com os braços.

— Não me toque! — ela fala — Lembra? Honestidade. Essa é a única coisa que eu pedi de você. Realmente, é a única coisa que eu já pedi, Kolson. Agora me responda. Quando você vai me contar?

Afasto-me dela, mas a voz dela me detém.

— Não se atreva a fazer isso. Eu quero que você me olhe nos olhos quando responder.

Isso não deve ser um problema para mim porque sou um mestre em mascarar minhas emoções. Ou pelo menos eu costumava ser, antes de conhecer Gabriella. As coisas são diferentes com ela.

Eu me viro para encará-la e minha mão se move automaticamente para o meu cabelo. Existe tensão em seu rosto, mas as linhas suavizam quando ela vê isso. Eu solto um suspiro. — Kea, é difícil explicar e não tenho certeza se você quer ouvir de qualquer maneira. — Minha voz é baixa e soa fraca, até mesmo para mim. Parece que um exército de vespas foi liberado para dentro do meu estômago e está subindo pelo esôfago. Tenho estado assim desde que fiz meu acordo com o dragão. Seu fogo já me queima e minha guerra com ele nem sequer começou.

Sua mão toca na minha camisa e ela implora: — Por que você não pode me dizer?

— Porque isso poderia destruir você. Eu não posso correr esse risco. Você pode, por favor, deixar pra lá? Quando for a hora certa, direi a você. Mas agora não. Não hoje. — Talvez seja o tom da minha voz, ou o jeito que imploro com meus olhos. Mas ela balança a cabeça e, em seguida, pressiona meu peito, envolve-me em seus braços e me segura.

— Você é a pessoa mais importante do mundo para mim, Kolson. Então, se você não pode me dizer, saiba que ainda confio em você. Mas Jesus, eu estou cansada de você não me dizer coisas.

Eu respiro e saboreio sua doçura. Ela não sabe que o que temos entre nós não pode durar para sempre. O dragão sabe que ela é minha fraqueza e vai encontrar uma maneira de destruí-la. Mas até que chegue a hora, vou apreciar cada segundo com ela. Beijando o topo de sua cabeça, eu sussurro: — Eu sei. E sinto muito. — Eu a seguro por mais um momento. — Vamos? — Voltamos para o carro e voltamos para a casa dos meus pais.

Chegamos à longa e sinuosa estrada que leva à sua imensa mansão renascentista grega. Toda vez que olho para o local, lembro-me como é típico de Langston, exageradamente grande e a ostentação, e sinto vontade de pegar o carro e imediatamente me virar e sair. Chegamos à frente e somos recebidos por um de seus muitos funcionários tentando agradar de todas as formas possíveis. Tudo o que eu quero fazer é dizer a ele para ficar descansado e que podemos seguir sozinhos. Em vez disso, mantenho minha boca fechada enquanto ele nos leva a um dos quartos de hóspedes.

— Não vamos ficar no meu quarto? — Pergunto.

— Não, senhor. Seu pai queria que você tivesse este quarto.

Não é surpresa por quê. Seus painéis de mogno e cortinas de marinho profundo mergulham a sala na escuridão, não importando a hora do dia. Gabriella aperta minha mão, pois sabe como eu odeio o escuro.

Quando estamos sozinhos, olho ao redor.

— Tudo bem, Kolson. Vamos manter as cortinas abertas e as luzes acesas.

— Essa não é a questão. Ele sabe e faz isso de propósito.

— Claro que faz, mas se você mostrar que isso te incomoda, ele ganha.

Ela está certa.

— Além disso, este é um espetáculo de um quarto. — Ela ri. Cama enorme. Banheiro de luxo. Parece algo que você pagaria mil por noite no St. Regis.

— Oh sim. O bom e velho papai tem bom gosto.

— Se você chama assim. Eu prefiro aberto e arejado, mas seja o que for.

Eu tento rir, mas soa mais como um bufo.

— Então me diga — ela diz, — o que alguém faz em uma dessas festas extravagantes?

— Devemos ir e descobrir?

— Sim vamos, mas primeiro me beije. Ela me agarra e dá um beijo que envia sensações por todo o meu corpo, deixando meu pau tão duro que não consigo pensar direito..

— Jesus, Gabriella. O que você está tentando fazer comigo?

— Hum nada, por quê? — Ela olha para mim inocentemente.

— Caralho. — Olho para baixo para a minha ereção claramente delineada e puxo minha camisa para fora do meu jeans para cobrir a maldita coisa. — Vamos sair daqui antes que eu arranque suas roupas.

Agarro a mão dela e enquanto andamos, ela pergunta: — Você acha que estamos apropriadamente vestidos de jeans?

— Boa pergunta. Não tenho a menor ideia.

Vemos um dos criados no fundo da enorme escadaria e ele nos dirige para o terraço nos fundos. É início de setembro e é um dia lindo, ainda quente enquanto o verão acaba. Somos os últimos a chegar e não estamos vestidos adequadamente. Meu pai nos recebe com desdém.

— Kolson. Gabby. Tão bom que vocês se juntaram a nós. Deixe-me apresentar-lhe. — Os nomes são familiares, todos os seus conhecidos de negócios. Nenhum eu realmente me importo de saber. Colo o meu sorriso de plástico no rosto, mas uso o meu genuíno para a minha mãe.

— Kolson. Gabby. Tão bom ver você. — Ela nos abraça e segura minha mão.

— Mãe, me desculpe, não estamos vestidos adequadamente. Eu quero levar Gabriella para um passeio no Storm mais tarde. Depois disso, vamos nos trocar.

— Oh, que maravilha. Sente-se e almoce conosco.

Nós nos juntamos aos outros na mesa e comemos um almoço de salada, camarão, caranguejo e um monte de coisas que eu não posso provar enquanto observo meu pai babar em cima de Gabriella. Ele está fazendo o melhor para manipulá-la, mas agora que ela está com ele, ela está jogando o jogo dele.

Só que ela não está comprando a história dele. Ele também está em si para notar, e eu tenho que entregá-lo para ela. Ela é muito boa. Ela está realmente manipulando-o na conversa. Eles estão conversando sobre instituições de caridade. Ela participa de suas atividades voluntárias e ele acha que está com ela por causa do seu dinheiro, porque está tentando menosprezá-la por dar seus serviços. Então ela totalmente cravou nele.

— Então, o que você está dizendo é que eu não deveria ser voluntária e que deveria cobrar tudo o que faço? Não foi Sócrates quem disse: se um homem tem orgulho de sua riqueza, ele não deve ser elogiado até que se saiba como o emprega? Você está orgulhoso da sua riqueza, Langston?

Seu rosto instantaneamente fica vermelho e manchado. Ele não gosta de ser desafiado. Eu gentilmente aperto sua perna, dizendo-lhe para aliviar.

— Gabriella, quero te mostrar uma coisa. Você vai nos desculpar? Obrigado pelo almoço. Vemo-nos no final da tarde.

Gabby se levanta e pega minha mão. Eu não estou exatamente confortável com a forma como essa conversa foi. Quando nos dirigimos para um dos carrinhos de golfe estacionados abaixo, não é difícil sentir os olhos do dragão perfurando nossas costas quando saímos.

— Essa não foi a coisa mais sensata a fazer, Kea.

— Ele estava tentando me atrair.

— É verdade, mas você o insultou na frente de seus convidados. Ele não é um homem que gosta de brincar. E pior que isso, ele é um adversário perigoso.

— Eu não tenho medo dele.

— Oh, Kea, você deveria ter. Você deveria estar com muito medo dele.

Sua mão aperta a minha. Nós continuamos no carrinho e eu dirijo para os estábulos.

— Então, você está me levando para um passeio? Nunca montei um cavalo na minha vida e acho que posso deixar isso de lado. Eles me assustam bastante. Hum, sim. Muito grande e perigoso. Você sabe.

Eu me levanto e ouço-a. — Vamos. — Estendendo a mão, espero que ela a pegue. Quando o faz, eu a levo para dentro.

Deus, eu amo esse lugar. Foi um dos poucos lugares em que pude vir e me sentir seguro quando era criança. Mas não a princípio. Ah não. Essa foi minha punição. Ele me trouxe aqui e pensou que iria me ensinar uma lição. Mas saiu pela culatra, ainda me lembro de tudo.

— Você ama isso aqui, não é?

— Isso é óbvio, hein?

— Uh, sim. Você está radiante.

Eu me sinto tonto. — Não posso esperar para você conhecer Storm.

— Storm?

— Sim. Meu melhor amigo de infância.

Nós caminhamos pela fileira de estábulos, tudo limpo como um alfinete, nada fora do lugar.

— É isso que eu acho que é?

Eu me viro para ver Grady parado ali.

— Grady!

— Sr. Kolson Já faz alguns meses! Como você está?

— Estou bem e você?

— Ah, você sabe que estou sempre bem quando estou nos estábulos.

Ele sempre me faz rir.

— Grady, esta é Gabriella Martinelli.

— Senhora Martinelli. Prazer em conhecê-la.

— Hum Grady, é Dra. Martinelli.

— Ah, agora você não é uma coisa, Sr. Kolson, trazendo uma médica linda de volta para cá.

Gabriella ri da nossa troca.

— É um prazer conhecê-lo, Grady.

— Bem, como ele está indo, Grady? Eu tenho sido terrível em não vir aqui ultimamente.

— Ah, senhor Kolson. Você sabe que ele sente sua falta como louco. Quer saber onde seu melhor amigo esteve. Ele sente falta de seus passeios com ele, senhor.

— Venha. — Eu pego a mão de Gabby e a puxo para a última baia.

— Hey, amigo. — Storm agita suas orelhas e se agita quando me vê. Eu esfrego entre os olhos dele; suas pálpebras vibram e ele me bate com o nariz e as patas no chão. Ele sabe o que está prestes a acontecer e eu posso sentir sua excitação.

— Storm, eu quero que você conheça Gabriella. Você precisa ser bem gentil com ela. Ela nunca esteve em um cavalo antes, então você tem que lhe dar o tratamento real.

Ele joga a cabeça para cima e sua crina longa e sedosa voa para trás como se dissesse: — Como eu faria qualquer outra coisa? Nem pensar!

— Exibido— Eu rio.

Gabby se aproxima devagar e o inspeciona. Não há um cavalo vivo que seja mais impressionante que Storm. Mas eu sou um pouco tendencioso. Nós crescemos juntos, cavalo e cavaleiro, e eu aprendi minhas habilidades com ele quando ninguém mais podia tocá-lo. E não foi fácil. Nenhum de nós confiava no outro.

— Você pode acariciá-lo, Kea. Na verdade, se você não fizer isso, ele se sentira insultado.

Ela me lança um olhar.

— Eu não acredito em você.

— Estou falando sério. Storm não é qualquer cavalo. Ele é o rei do estábulo e sabe disso. Não é amigo? — Para confirmar minha declaração, Storm relincha.

Gabby diz: — Eu não acredito nisso. Vocês dois têm algum tipo de coisa acontecendo aqui.

— Storm e eu temos uma coisa acontecendo há anos, não é amigo? — Storm sacode sua cabeça. — Ei, Grady, você pode selar ele para mim enquanto eu me troco?

Gabby olha para mim com horror.

— Você não vai me fazer montar algo assim, vai?

— Não se preocupe Kea. Ele não vai te machucar. Eu vou deixar você montar nele, mas estarei com você todo o caminho.

— Kolson! Eu nunca montei a cavalo na minha vida.

— Está bem. Venha comigo. — Eu puxo-a para o prédio ao lado da sala onde o equipamento de montaria é armazenado, mudo rapidamente minhas calças e calço minhas botas. — Vamos. — É difícil conter minha excitação.

— Estou usando sandálias, Kolson.

Eu paro por um segundo e me viro para ela.

— Aqui— Entrego a ela um par de botas da minha mãe. — Estas devem caber. — A hesitação nela me incomoda, mas sei que uma vez que ela esteja montada em Storm, irá ficar bem. Caminhamos para fora e Grady nos encontra com Storm, que está literalmente impaciente.

— Espere aí, amigo. Estamos a caminho. — Digo.

Grady ri.

— Ele com certeza está animado em vê-lo, senhor. É melhor você segurar as rédeas dele ou ele vai enlouquecer com você.

— Grady, eu o estou deixando à sua vontade. Já faz muito tempo para ele.

Grady ri novamente. — Sim, senhor.

— Meu Deus, ele é enorme. — Gabby olha para ele.

— Quase dezessete palmos de cavalo. Ele é de uma raça equina europeia e tem muito orgulho de si mesmo. — Puxando-me para Storm, me sento atrás da sela. Pegando a mão de Gabby, digo: — Grady, você pode dar um impulso?

— Eu estou andando com você?

— Você não acha que eu deixaria você fazer isso sozinha, não é? Eu disse que você não tinha nada com o que se preocupar.

Batendo a palma da mão contra a minha, ela sorri.

— Tudo bem então, vamos dar uma chance a essa coisa.

Ela se instala na minha frente na sela.

Peço a Grady que encurte os estribos. Ele olha para a posição das pernas dela, faz as devidas modificações e estamos prontos.

— Eu não tenho ideia do que fazer com o meu corpo. —Diz Gabriella.

Eu não consigo parar de rir.

— Eu tenho todos os tipos de ideias do que você pode fazer com o seu corpo.

Ela me dá uma cotovelada.

— Tudo o que você precisa fazer é sentar e relaxar. Por que você não acaricia sua crina? Ele ama isso.

Seus dedos afundam em sua seda e ela suspira. — Meu Deus, é tão macio. E brilhante. Eu nunca vi uma tão longa. Ele é tão lindo. Ele é quase azul, de tão negro. — Ela coça o pescoço dele e Storm se levanta.

— Ele gosta disso. Você vai estragá-lo. Você está pronta para cavalgar?

— Não sei. Eu não sei o que fazer.

— Vou andar um pouco para que você se acostume com a sensação. E então você vai se divertir. Como isso soa?

— Bem. Mas a que me apego?

— Se segure na sela ou você pode usar a crina dele. Mantenha os pés nos estribos. Você se sentirá mais segura assim. E não se preocupe. Eu vou segurar você.

— Uh o quê?

— Sim, eu tenho você. Outra coisa. Nós vamos rápido. Então não tenha medo. Apenas se divirta.

— Por que isso soa assustador?

— Porque você está deixando soar assustador. Vê esse campo à frente?

— Sim.

— É aí que a diversão começa. Não é verdade, Storm?

Storm vira a cabeça no ar. Eu rio. Não quero que Gabriella tenha medo, mas já estou pronto para dar a Storm a liderança nisso.

— Eu estou o deixando ir agora. Se você acha que precisamos parar, apenas diga. Eu não quero que você enlouqueça. E só para você saber, eu preciso das rédeas para guiá-lo, então não pegue nelas.

— Você será capaz de fazer tudo isso comigo na sua frente?

— Não se preocupe, Kea. Eu posso fazer um monte de coisas com você na minha frente.

— Muito engraçado.

Com um movimento das rédeas, Storm está livre. Gabby solta um grito alto e por um segundo suas mãos voam no ar e depois se agarram à crina de Storm.

— Relaxe, Gabriella. Está tudo bem.

O vento sopra e Storm nos leva no seu passo. É um dia perfeito para um passeio: ensolarado e quente, não há uma nuvem carregada no céu.

Um braço apertado em volta de Gabriella e outro nas rédeas e deixo o sol me aquecer. O fluxo do vento limpa minha apreensão do que está por vir esta noite. Como sempre acontece, uma calma se infiltra em mim quando Storm nos carrega sobre pequenas colinas e vales.

Leva mais tempo do que o habitual para se cansar, o que só posso atribuir à minha ausência prolongada, mas no devido tempo ele o faz. Seu galope completo diminui a um galope e finalmente um passeio. Ele nos leva ao seu bebedouro de água favorito, um riacho borbulhante, e sacia a sede que criou.

— Quer esticar as pernas?

— Não acho que possa me mover.

Estico meu pescoço e percebo que seu rosto está mais do que um pouco pálido.

— Droga, você está bem?

— Além de estar com muito medo? Porra, Kolson, eu pensei que ia quebrar a porra do meu pescoço!

Depois que desmonto, ajudo-a a descer. — Kea, eu te disse para não se preocupar. Posso contar uma história?

Ela sacode a cabeça e tenta se afastar. Suas pernas bambas não a deixam ir longe.

— Ouça, por favor,— Minha mão a para e nos encaramos. Na verdade, é mais como se eu olhasse e ela olha de volta para mim. Eu me recuso a quebrar o contato, no entanto. Ela precisa ouvir isso.

Finalmente, um leve aceno dela me dá o sinal verde.

— Storm era o único amigo que eu tinha quando crescia. O dragão comprou-o como uma piada. Eu tinha doze anos e nunca tinha andado a cavalo antes. Storm não era adulto, mas perto disso. E você vê o quão grande ele é. Meu pai me colocou nele e me soltou. Eu estava com muito medo. Storm me jogou fora e papai me fez voltar. Eu não queria, mas nunca em um milhão de anos era permitido mostrar medo. Meu castigo teria sido infinitamente pior. E assim foi. A cicatriz no meu lábio é de uma das quedas. Eu quebrei meu braço também. Estava constantemente machucado, mas meu pai me fez continuar a montá-lo.

— Eu comecei a me esgueirar até os estábulos porque ouvi que Storm não deixava ninguém montá-lo. Não era só eu. Papai me fez pensar que era o único que não conseguia lidar com ele. Me fez acreditar que eu era um covarde. Mas eu escutei os garotos do estábulo um dia e o quanto meu pai estava chateado porque ele estava tentando montar Storm e não conseguia nem colocar o assento da sela. Então tomei uma decisão: eu faria o que fosse necessário para montar aquele cavalo. Comecei a lhe trazer cenouras e maçãs, todos os tipos de doces. Mas então eu entrava no estábulo depois da meia-noite, quando todos estavam dormindo, e apenas conversava com ele. Eu percebi que se ele se acostumasse a ouvir minha voz, não ficaria assustado quando estivesse nas suas costas.

— Não sei bem o que foi, mas um dia, montei, e ele sacudiu sua crina gloriosa, como se dissesse: Para onde, chefe? E desde então, nós compartilhamos um vínculo. Além de mim, apenas outra pessoa pode montá-lo, e esse é Grady. Meu pai não pode se aproximar dele sem que Storm crie um tumulto. Eu acho que ele pode sentir o quão filho da puta ele é. Eu tento vir aqui a cada duas semanas para exercitá-lo, porque Grady não gosta de dar rédea solta a ele como eu faço. Storm não deixa nada acontecer comigo. Ele sente meu assento, Kea. Ele entende que sou eu nele. Há uma coisa entre nós. Eu amo esse cara quando não tinha mais para onde ir, podia correr até ele, e ele me levava a lugares e me deixava esquecer por um tempo. Seu pescoço nunca esteve em perigo. Eu nunca a colocaria em perigo. E Storm nunca colocaria o meu em perigo.

Ela está diante de mim, estende a mão com o dedo indicador e traça a cicatriz que se estende pelo meu queixo. A próxima coisa que sinto, é a boca dela sobre isso. E eu quero rasgar a porra da roupa dela bem ali. Mas não o faço. Eu dou a ela esse momento.

— Obrigada por compartilhar essa parte de si mesmo comigo. — Suas mãos se movem para o meu cabelo e ela se levanta para pressionar um beijo nos meus lábios. Mas isso não vai fazer nada. Eu a agarro e esmago seu corpo exuberante contra o meu. Contra a sua boca, eu digo a ela: — Kea, eu quero te dizer cada coisa sobre mim, e quando chegar a hora certa, mas agora eu preciso da sua boca na minha. E então quero compartilhar outra parte de mim com você.


CAPÍTULO DOIS

Gabriella


Se eu não o amasse para caralho, iria socá-lo agora. Mas não posso porque ele compartilhou uma parte profunda de si mesmo e é tudo por causa daquele maldito cavalo. Sim, aquele que eu pensei que seria minha morte. Estar aqui viva é uma maravilha para mim, e mais ainda pensar no fato de que Kolson acaba de revelar uma parte significativa de seu passado para mim. Seu pai e o meu deveriam ser amigos. Eles são ambos fodidos malvados que deveriam ser trancados em uma masmorra.

— Então eu suponho que preciso fazer amizade com seu amigo lá, hein?

Kolson ri. — Foi tão ruim assim?

— Pense na primeira vez que você o montou.

— Sinto muito. Eu não pensei assim. Eu sabia que ele não iria...

— Você sabia. Eu não. Eu conheço os bastidores agora. Mas por que você não me disse de antemão? Acho que teria gostado mais do passeio. Eu estava enlouquecendo, Kolson. Mas acho que você estava tão animado em vê-lo que não percebeu.

Ele chega a mim como um raio.

— Kea, sinto muito. Essa não foi minha intenção.

— Eu sei disso. No entanto, isso não muda o fato de que eu estava com medo. Então, agora que você explicou. — Faço uma pequena alça com o dedo. — Leve-me ao seu melhor amigo e vamos ser todos amigos.

Um canto da boca dele aparece. — Ainda não. Eu quero você para mim mesmo por um tempo.

Suas mãos sobem a minha camisa e o calor envia arrepios na minha espinha. Seus polegares pressionam minha cintura e afundam em minha carne enquanto ele inclina a cabeça em direção ao meu pescoço. Ele não me toca; ele só inala. Profundamente. Como se estivesse preenchendo uma necessidade urgente. Depois de um tempo, ele deixa todo o ar ir e seu calor me derruba.

— Seu perfume é tão intoxicante.

Suas mãos saem da minha cintura e ele puxa minha camisa sobre a minha cabeça. Quando estou de pé no meu sutiã de algodão branco, olho em volta para me certificar de que estamos sozinhos.

— Não há ninguém a quilômetros de nós.

Como ele sempre lê minha mente?

Um dedo se prende sob uma alça e ele desliza do meu ombro. Sua boca aperta um leve beijo no lugar onde minha pulseira costumava ficar. Ele repete a ação com a outra alça.

— Solte seu sutiã.

Não penso em desobedecê-lo. Por que deveria? O olhar em seu rosto é tão convincente; eu não quero nada mais do que agradá-lo. Meu sutiã cai no chão em uma penugem branca.

— Calça.

Eu aperto o botão da minha calça jeans e desfaço. Segundos depois, ela se junta ao meu sutiã. Com nada além de uma calcinha de biquíni branca de algodão, fico em pé diante dele.

— Vire-se.

Ele gosta de olhar para minha bunda, então eu dou a ele um show.

— Só você poderia fazer o algodão parecer incrivelmente sexy. Livre-se de sua calcinha, a menos que queira deixá-la em pedaços. — Normalmente, eu não me importo, mas a ideia de andar de volta sem calcinha não me atrai, então as deslizo.

Kolson me adora com as mãos. Ele acaricia meus seios, puxando meus mamilos até que eles queimam. Eu arqueio para ele, mas quero sua boca sobre eles mais do que suas mãos. Ele me vira, me puxa contra ele e abre a mão no meu abdômen.

— Você é linda, perfeita, Kea. Você sabe isso? Toda vez que eu toco em você, só me faz querer tocá-la mais.

Cabeça mergulhando, boca tocando, língua lambendo, sensações em erupção em todo o meu corpo como milhares de faíscas acendendo ao mesmo tempo. Meus braços alcançam seu pescoço porque quero me aproximar dele, se isso for possível.

— Eu quero você. Não, eu preciso de você, Kolson. Por favor.

Tão rápido que mal consigo pensar, ele me vira para encará-lo. Os dedos desabotoam sua camisa com uma velocidade incrível. Quando ele tira e entrega para mim, minhas sobrancelhas levantam.

— Coloque isso. Você verá por quê em um momento.

Ele termina de tirar e puxa-me pela mão para a árvore mais próxima. Antes que eu possa compreender qualquer coisa além da árvore, ele esmaga sua boca na minha, tomando qualquer pensamento razoável. Tanto sexo derramado em um homem não deve ser legal. Pele morena embrulhada firmemente sobre o músculo afiado, ele é profundamente bonito. E toda vez que eu o vejo, meus pensamentos sobre sua beleza se tornam mais profundos. Ele cantarola na minha boca enquanto sua língua procura a minha, mordiscando meu lábio inferior.

— Seus lábios são tão macios e doces. Eles..., — ele balança a cabeça, — eu preciso de você, Kea. Eu sempre preciso de você. Você me pegou. Faça tudo certo novamente.

Ele cai de joelhos e enterra o rosto entre as minhas pernas. Eu choro. E isso só o faz lamber mais rápido. Minha perna está sobre seu ombro, ele já fez isso comigo muitas vezes antes, meu corpo sabe exatamente como se posicionar para o melhor ângulo. Seus dedos me espalham, me abrindo para ele, expondo meu clitóris. Sua língua circunda, mas é quando seus lábios se envolvem e chupam que eu mais amo. E então ele faz essa coisinha com a língua enquanto suga e me manda para o limite. Sempre. E quando chego ao clímax, minhas mãos estão segurando seu cabelo, quase arrancando, e o pobre homem nunca se queixa.

Ele ainda está de joelhos e diz: — Você é tão suave, como as pétalas de uma rosa. Eu já te disse isso? E você tem gosto de caramelo salgado. — Seus polegares roçam de um lado para o outro em mim, me tocando, não de uma maneira sexual, mas mais tátil. Como se ele não conseguisse chegar perto o suficiente.

— Kolson. Faça amor comigo. Eu preciso de você. Dentro de mim.

— Sim. — Ele se levanta e tem seus olhos cheios de amor e luxúria, e puxa meu cabelo para trás.

— O que é isso? Há algo diferente em você. Eu posso sentir isso.

— Eu te amo.

— Eu te amo também.

Sua testa toca a minha enquanto suas mãos se envolvem ao meu redor, me levantando para ele. Ele lentamente entra em mim, mas depois balança a cabeça.

— O quê?

— Eu pensei que isso seria rápido e furioso, contra esta árvore, mas acho que te quero devagar agora.

Ele se vira, cai de joelhos e gentilmente me coloca de costas. Seus quadris giram e ele está em mim, até o punho, até eu engasgar. Então ele puxa para fora, tão lentamente, e repete o movimento. É atormentador enquanto mordo meu lábio para não gritar.

— Grite Kea. Ninguém pode te ouvir.

Quando abro a boca para fazê-lo, o grito é engolido pelo beijo dele. Ele enlaça meus dedos com os dele enquanto levanta minhas mãos acima da minha cabeça, mantendo nosso ritmo enquanto continua a me torturar, retirando quase todo o caminho, depois empurrando de volta até que seu piercing acaricia aqueles lugares dentro de mim que me fazem tremer. Mão no meu quadril, sua boca afunda no meu peito e seus dentes afundam suavemente em mim. Oh, meu sangue aquece em minhas veias e meu prazer se eleva. Sua boca viaja para o lado do meu peito, onde ele suga e belisca. Apenas intensifica a sensação de seu pênis quando ele entra e sai.

— Mais rápido! — Insisto.

— Não.

Ele faz isso... Gosta de estar no controle.

Um segundo ele está bem ali e no próximo ele está de joelhos, recostado, minhas pernas bem abertas e ele entrando e saindo em um ritmo dolorosamente lento. Ele nunca para de me observar... Minha reação. Suas mãos estão abaixo de mim, levantando minha bunda, e é tão bom. Cada vez que ele me enche, gira seus quadris no final e eu gemo quando seu piercing bate naquele ponto, o que me deixa louca. Meu orgasmo se aproxima e eu digo a ele.

— Eu sei. Eu posso sentir isso. Gabriella quero você no meu colo quando gozar.

Ele se senta e me puxa em cima dele, me envolve em seus braços, e agora eu tenho controle, então me movo mais rápido. E então começa... Aquela sensação cambaleante que sempre começa nos arcos dos meus pés e sobe por minhas pernas, alcançando meu núcleo, estendendo-se para cima e jogando meu corpo em euforia instantânea. Chamo o nome dele e ele goza também.

Este é um momento de ternura entre nós. Algo está diferente com Kolson. Ele não vai me dizer, mas eu sei que tem a ver com essa maldita visita. Minha aposta é se ele pudesse fisicamente rastejar dentro de mim agora, ele iria.

Recostando-me apenas um pouco, eu o estudo.

— Um dia desses, eu vou lamber cada centímetro de você e depois mordiscar você em pedaços. Especialmente sua bunda. Eu amo sua bunda. Isso me lembra um pêssego perfeito.

Suas sobrancelhas arqueadas.

— Um pêssego, hein?

— Sim. Perfeitamente formado, firme, delicioso. Só estou te dando um aviso justo.

— Aviso tomado. Estou ansiosa para isso.

— Eu amei isso. Não que eu não ame toda vez que fizemos sexo, mas foi muito legal. Foi doce. E intenso ao mesmo tempo. — Eu gentilmente passo meus dedos em suas bochechas.

— Estar aqui me faz pensar sobre o quanto eu te amo e como eu aprecio o fato de ter você em minha vida.

— Isso é tudo?

— O que você quer dizer?

Ele é tão adorável, sentado nu na minha frente. Empurro minhas mãos pelos cabelos e, em seguida, passo o dedo sobre a cicatriz. Colocando minha bochecha contra a dele, eu digo: — Você está agindo um pouco diferente, é tudo.

Ele endurece.

— Sinto muito. É este lugar.

— Não se desculpe. Apenas fale comigo. Isso é tudo que eu peço. Não estou te pressionando para me dizer coisas que você não quer, mas para ser aberto comigo.

Ele concorda.

— Uma coisa, Kea. Não aborreça o dragão. Ele é um homem muito perigoso. Eu sei que você não tem medo dele, mas deveria ter. Ele tem conexões que podem arruinar você.

— Eu não entendo.

Kolson olha para o céu por um momento e depois de volta para mim. — O dragão está no ramo do cassino há muito tempo. Ele passou por muitas mudanças, mas ainda existem algumas entidades dominantes. E ele é parte disso. Você está me acompanhando?

Eu me inclino para perto. — Você está falando sobre o crime organizado?

Ele olha de volta. Isso, por si só, é resposta suficiente.

— Porra. — Minha testa franze enquanto engulo. Os raios do sol perfuram os galhos, riscando a paisagem com lanças douradas de luz. Apesar da beleza que nos envolve, sinto que há uma escuridão nos cercando. Isso lança ainda mais luz sobre o pai de Kolson. Ele está me alimentando com migalhas de pão. Não admira que a mãe dele seja ignorante.

— Só não o antagonize mais. Prometa-me, Kea.

— OK. Eu vou me comportar. — Agora que minhas entranhas estão em nós, eu me pergunto como ele vai agir quando retornarmos. Ouço um som estrondoso e olho para cima para ver uma cabeça preta e dois orbes negros me observando.

Kolson ri. — Você está checando ela, Storm? Muito gostosa, não é?

— Oh meu Deus. Você não perguntou opinião ao seu cavalo, pois não?

— Isso aí. Eu conto tudo ao meu cavalo.

A orelha de Storm cintila. Então ele balança a cabeça.

— Ei, ele está relacionado com esse cavalo falante? Você sabe nesse antigo programa de TV?

Kolson solta uma gargalhada. — Você quer dizer Sr. Ed?

— Sim, Sr. Ed. Este é o Senhor Storm? Ele vai me chamar de Wilbur?

Nesse exato momento, Storm bate no chão e Kolson ri ainda mais.

— Ok, este cavalo está possuído.

— Possuído? Com o quê?

— Um ser humano. Eu acho que ele é realmente um homem.

— Você sabe, eu estou apaixonado por esta grande psiquiatra e ela está tomando novos pacientes.

Eu não posso deixar de rir de novo.

— Sim, e eu ouvi que ela precisa do negócio.

— Venha cá. — Estou de volta ao seu colo e ele está me beijando.

— Você tem todo o negócio que precisa. Bem aqui, Kea.

— Hmm. Eu gosto desse tipo de negócio. Posso morder sua bunda agora?

— Não que eu não possa esperar por isso, mas terá que ser hoje à noite. Precisamos voltar antes de irritar ainda mais meu pai.

Nós nos vestimos e não posso deixar de notar as manchas de grama na camisa de Kolson.

— Hum querido, sua camisa está um pouco verde.

— Então?

— Apenas dizendo.

— Não é como se eles não conseguissem descobrir o que estamos fazendo.

— Você já trouxe um encontro aqui? — Minha curiosidade deixa minha boca um pouco sem filtro.

Ele está pegando as rédeas de Storm quando a cabeça dele gira. — De jeito nenhum. Por que diabos eu faria isso?

Estou tão chocada com a reação dele. Eu estava esperando um simples sim ou não. Quando ele vê meu rosto, sua expressão dura suaviza imediatamente.

— Sinto muito. Eu não queria pular em você. É que desprezo este lugar e raramente venho aqui. Na verdade, eu me esgueiro até aqui para montar Storm e é só isso. Estar aqui me deixa doente, na verdade. Eu nem digo a minha mãe que estou indo. Pensei em mover Storm para um estábulo mais perto da cidade, mas Grady cuida tão bem dele e Storm é tão dedicado que não deixa ninguém além de Grady ou eu perto dele. Eu acho que se o mudasse iria matá-lo. Além disso, tecnicamente não sou proprietário de Storm. Meu pai ainda é. Eu só posso imaginar o alvoroço que ele faria se eu o levasse para longe daqui.

— Entendo. Bem, foi algo idiota para peguntar. — Digo.

Penso que ele acha isso reconfortante porque às vezes eu posso sentir sua tensão se dissipar. Meu coração bate na minha caixa torácica quando olho para ele. Só ele é capaz de me fazer sentir assim. Se eu olhar para ele por muito mais tempo, vou tirar a roupa novamente.

— Kea, não olhe para mim assim ou você estará de volta contra aquela árvore.

— Exatamente o que estava pensando.

Rédeas de Storm na mão, Kolson monta e depois me puxa para cima. Quando estou montada, ele me lembra onde colocar minhas mãos. Seu braço está apertado em volta da minha cintura e minhas costas estão contra ele. — Não tenha medo desta vez. — Sua respiração quente faz cócegas na minha orelha e eu tremo. — Está com frio?

— Não.

— Assustada, então?

— Ainda não. Você é simplesmente sexy quando fala no meu ouvido. — Seus dentes gentilmente puxam a carne macia do meu lobo e arrepia-se em erupção. — Pare. Isso não é justo. Você está se aproveitando de mim.

— E o que há de errado com isso?

— Eu não posso lutar de volta.

Ele ri e aperta as rédeas.

— Relaxe agora e deixe Storm fazer o seu exercício.

Em um instante, o cavalo está a todo vapor, junto com meu coração. Eu não posso negar que estou com medo. É estimulante, mas minhas mãos apertam a crina de Storm e espero que eu não arranque as coisas pelas raízes. Como Kolson faz isso, eu nunca vou saber.

— Respire Kea.

Eu faço.

— Novamente.

Sua mão se espalha em meu abdômen e me conforta quando ele me puxa para mais perto dele.

— Eu tenho isso. Você está segura comigo. Eu adoraria ver você sozinha, cavalgando como o vento.

— Uh... — Minha mente não consegue pensar em falar.

— Sinta a força da Storm abaixo de nós. Não é incrível?

Não é exatamente o que eu estava pensando, mas não vou estragar sua diversão.

— Você deve senti-lo quando ele pula.

— Saltos? Ele pula?

Eu sinto mais do que ouço sua risada retumbando em seu peito. Se eu fosse capaz, o acotovelaria.

— Não se preocupe; eu não vou levá-lo a isso hoje. Mas ele é majestoso quando o faz.

Uma grande parte de mim adoraria ver Kolson cavalgando Storm e vê-los pular. Mas não quero estar no cavalo com ele quando o fizer. Estranhamente, começo a me acomodar no cavalo. Kolson imediatamente percebe.

— Boa garota.

— OK. Agora você está falando comigo como se eu fosse um cachorrinho.

— Não, estou feliz em sentir você relaxando. Eu quero que você se divirta.

Antes que eu saiba, estamos de volta aos estábulos. Grady me ajuda a desmontar enquanto Kolson pula fora como se nada fosse.

— Então, doutora, como foi?

— Assustador.

Grady ri. — Sr. Kolson cavalga como se sua cauda estivesse em chamas e Storm também. Quando monto Storm, ele não fica tão feliz como quando o Sr. Kolson o leva para fora.

— Hmm. Então nem todo mundo anda tão rápido assim, hein?

— Não Senhora. Esses dois são um par, no entanto.

— Eu posso ver isso.

— Gabriella, nós precisamos voltar para casa. Diga adeus a Storm.

Olho para Kolson, está completamente sério. Ele age como se Storm fosse uma pessoa. Está bem, então.

Movendo-me para a cabeça de Storm, sinto que preciso sacudir seu casco ou algo assim. Talvez eu deva me curvar a ele. Ele parece tão digno e digno de arco.

— Storm, foi um prazer conhecê-lo hoje. Obrigada pela linda tarde. Além disso, sinto muito por puxar sua juba tão forte. Espero não ter te causado muita dor. — E sou sincera sobre isso. Coitado o pobre provavelmente terá um pescoço dolorido por dias.

Storm balança a cabeça.

— Tem certeza de que você não é um humano preso nesse corpo de cavalo?

Kolson ri. — Até mais, amigo.

Nós entramos no carrinho de golfe e voltamos para casa. No caminho, Kolson me lembra de ser boa.

— Não antagonize o dragão.

— Eu não vou. Juro.

Quando voltamos, somos informados de que os coquetéis são às sete. Dirigimo-nos para o nosso quarto e, no caminho, lembro-me da última vez que visitamos. Tudo é tão escuro e severo aqui. O mobiliário é enorme e ornamentado. Tudo é exagerado, não é de bom gosto, dando a impressão de que os Harts querem que todos saibam que têm dinheiro. Este lugar me dá arrepios. Nada é reconfortante e convidativo. Não há calor. Não é de admirar que Kolson odeie tanto.

— São cinco e meia. Precisamos tomar banho e nos trocar. Chegar atrasado não é uma opção, — informa ele.

— Não se preocupe. Eu prometo não irritar o velho Papai Querido, — eu digo enquanto vou ao enorme banheiro para tomar banho. A última coisa que quero fazer é balançar este barco mais do que já fiz, minha boca ficará fechada hoje à noite.

O que Kolson me disse anteriormente continua passando pela minha cabeça. Crime organizado. Papai é um homem perigoso, de fato. Quanto mais cedo este fim de semana acabar e quanto mais rápido pudermos dar o fora daqui, melhor nós dois estaremos.


CAPÍTULO TRÊS

Kolson


Os coquetéis são servidos no terraço, como eu esperava. É o lugar favorito de minha mãe e esta é uma vez que o pai vai se render a ela. Em todas as outras coisas, ele consegue o que quer. Nós somos os primeiros a chegar, para surpresa do meu pai. Eles contrataram novos funcionários desde a última vez que estive aqui. O temperamento cortante de meu pai e sua incapacidade de ficar satisfeito torna difícil manter os criados por qualquer período de tempo. Quando criança, eu nunca conseguia acompanhar seus nomes.

Mamãe tem o terraço decorado com aquelas pequenas luzes que ela ama. Ainda não está escuro, mas imagino que, quando chegarmos ao jantar, o sol já se pôs. Flores estão dispostas em toda parte e suas lanternas a gás já estão acesas. Ela faz um excelente trabalho de decoração, vou lembrar-me de dizer a ela. A noite de setembro está começando a esfriar, então ela tem a lareira acesa, assim como os aquecedores. Nós recebemos champanhe, quer queiramos ou não. — Mãe ama champanhe. É sua marca registrada em suas funções.

— Obrigada, — diz Gabriella enquanto toma um copo. —Hummm delicioso.

— Meu favorito. — Minha mãe se junta a nós.

— O que é isso? — Gabby pergunta.

— Espere, deixe-me adivinhar! — Interrompo. — Charles Heidsieck Brut Reserve?

Minha mãe ri. — Meu filho me conhece tão bem. — Abstenho-me de comentar. Eu gostaria de dizer que mal nos conhecemos porque ela esteve escondida de mim a vida toda, temendo tudo que meu pai diria ou faria. O que eu lembro é que ela passou a maior parte do tempo em seu quarto.

— Mãe, o que aconteceu com o seu amor por Dom Pérignon?

— Oh, eu ainda amo isso, mas essa safra é tão gostosa. Você não concorda?

— Concordo porque eu mesmo amo isso. O que você acha Gabriella?

— Hum meus gostos não são tão sofisticados quanto os seus. Mas é maravilhoso. — Ela sorri, mas tenho a sensação de que está desconfortável. E não é de admirar. Ela não podia comprar um café Starbucks há alguns meses. Mas as coisas mudaram para ela desde que mudou seu escritório para Case.

— Vocês dois gostaram do seu passeio esta tarde?

— Mãe, você tem que perguntar?

— Filho, eu estava pedindo mais pelo amor de Gabby. Eu não sabia que ela montava. Em qual cavalo você a colocou? Espero que você a tenha colocado na Daisy.

— Não, ela montou Storm.

Minha mãe olha para mim com horror. — Você não fez isso!

Eu ri. — Pare de se preocupar. Nós o montamos juntos.

— Kolson, você quase me deu um derrame.

— Sylvia, ele quase me deu um também.

Mamãe lança um olhar simpático para Gabby. — Pobrezinho. Esse cavalo é bastante ameaçador. Ele me assusta aos montes. Eu nem vou perto de sua baia.

— Sabe Sylvia, depois de um tempo, acho que ele se acostumou comigo.

— Oh, Gabby, não se engane. Ele só fez isso por causa do meu filho. Se você tentasse montá-lo sozinha, ele quebraria seu pescoço.

Gabby olha para a minha mãe e vê o quão, séria ela está.

— Jesus, mãe, você a está assustando. Storm não machucaria Gabriella. Além disso, eu nunca a colocaria sozinha nele. Ela é uma cavaleira inexperiente, pelo amor de Deus.

— Bem, eu sou experiente e não vou me aproximar dessa fera.

Agora estou chateado. — Aquela besta salvou minha vida. Então pare com isso. Acho que precisamos mudar o assunto aqui.

Nesse momento, a porra do dragão decide se juntar a nós.

— O que tem todo mundo aqui tão confuso?

Minha mãe, em sua maldita estupidez, abre a boca. — Kolson tinha Gabby em cima de Storm hoje. — Ela dá um tapinha no peito, como se fosse desmaiar.

O dragão olha Gabby e, em seguida, joga a cabeça para trás e ri. — Eu aposto que ele te deu um bom passeio.

— Jesus Cristo, eu estava com ela. O que diabos está errado com todo mundo?

Gabriella fala desta vez. — Eu estava com medo da primeira parte, mas depois me acomodei e achei muito empolgante.

E droga, eu gostaria que ela não tivesse dito isso.

O dragão olha para ela. — Você sabe? O suficiente para montá-lo sozinha? — Ele desafia.

Minha mandíbula aperta. Ele está atraindo-a novamente. Porque ele faz aquilo? E mamãe estupidamente fica com aquele sorriso inocente em seu rosto. Como alguém pode ser tão cego?

— Sério pai. Você cavalgaria Storm sozinho? — Ok, isso foi idiota. Por que diabos eu disse isso? Ele franze a testa para mim com olhos ardentes. Eu juro que às vezes eles brilham em vermelho.

Um empregado se aproxima, sem perceber a tensão, e segura uma bandeja de aperitivos. Eu não presto atenção ao que eles são, mas pego um e coloco na minha boca. Gabriella, sempre educada, pega uma e delicadamente a come. Enquanto eu a observo, fico excitado pela maneira como as pálpebras dela vibram em resposta às papilas gustativas dela. Como isso é possível em meio a todo o tumulto da nossa conversa recente? Só ela poderia fazer isso comigo.

— Mmm, isso é delicioso, Sylvia. Seu chef é excelente.

— Obrigada, querida.

Bingo. Boa mudança de assunto. Até papai relaxa. Outros convidados se juntam a nós e ele sai para conversar com eles, graças a Deus. Quando mamãe sai, Gabby diz: — Isso foi divertido. — A cara engraçada que ela fez me faz rir. — Eita, ele tem uma coisa por esse cavalo, hein?

— Algo parecido. Ou é mais como ele tem uma coisa para tudo que eu gosto.

— Eles realmente são estranhos sobre o seu cavalo.

— Como eu disse ninguém pode montá-lo.

Gabby inclina a cabeça e diz: — Você ama isso, não.

— Claro que sim, — Eu envolvo um braço em volta da sua cintura. — É melhor irmos e nos misturarmos.

Cumprimos nosso dever e realizamos breves conversas com pessoas de quem não me importo. Eu me pergunto o quão apertadas tem meu pai suas bolas. Risos falsos e sorrisos forçados estão ao nosso redor, exceto pela minha mãe crédula. Ela fica lá em sua glória, amando cada minuto.

Quando meu pai se aproxima de Gabby e eu de novo, pergunto onde Kestrel está.

— Oh, ele não conseguiu. Surgiu uma coisa.

— Isso é interessante! — Digo. Meu comentário não passa despercebido.

— Por que você diz isso?

— Porque ele está sempre colado ao seu lado.

— Sim, está. Ele e eu estamos bem próximos.

Isso é o que ele chama. Eu diria que é um relacionamento doentio. Kestrel aguenta cada palavra dele por algum pequeno sinal de elogio. Isso me deixa mal ao vê-los juntos.

Papai sorri. — Sem dúvida ele está acalmando uma pobre garota que ofendeu.

Eu não estou interessado nas conquistas femininas de Kestrel. Tem havido muitas para eu contar. Sempre isso ou aquilo. Papai pagando para ficar longe depois do rompimento. Kestrel não pode ficar sem uma mulher. Tem que ter uma pendurada nele constantemente. Há uma razão para isso, mas não discutimos isso.

— Então, Gabby, você está gostando de estar no campo?

— Eu gosto da mudança do ritmo frenético da cidade. Uma boa pausa.

— Boa. Diga-me, como vão as coisas com a sua atividade?

— Papai, eu pensei que você falou sobre isso no almoço.

Ele não se importa com a minha interrupção.

— Eu só quero conhecer a garota que roubou o coração do meu filho. Isso é uma coisa tão terrível?

Como diabos eu devo responder isso sem parecer um idiota? — Nem um pouco. — Eu faço uma careta, embora eu tente não fazê-lo.

— Está bem. Ocupada. Sempre há algo.

— Bom. Bom.

Ele não é genuíno.

— Estou trabalhando muito com viciados em drogas.

— Sim. Eu estou ciente. — Ele é curto com ela. Ele não quer discutir isso. Eu aceno com a cabeça ligeiramente, indicando que este tópico está fora de alcance.

— O que exatamente você gostaria de saber sobre mim?

— Conte-me sobre o seu primo Danny.

Meu champanhe bate quando ela engasga. O filho da puta tinha que ir lá.

— Com todo o respeito, senhor prefiro não contar. — Diz ela, olhando-o diretamente nos olhos.

Ele recua. Ele não esperava essa resposta, tenho certeza, e não é boa. Porra. Esta vai ser uma noite ruim.

— Compreensível. Deve ter sido uma experiência muito ruim para você.

Ele persiste. Que imbecil.

— Bastante.

— Então, pai, como vai o negócio?

Carrancudo, ele diz: — A expansão de Vegas está indo bem.

— Vegas?

— Sim. Você não sabia. Mas então, como você pôde? Você não está mais envolvido no negócio.

— Não, não estou.

— Você aposta, Gabby? — Pergunta ele.

— Receio que não.

— Oh. Isso é uma vergonha. Pode ser muito divertido.

— Eu nunca tive dinheiro extra para jogar, Langston. Então nunca aprendi como jogar qualquer um dos jogos.

— Filho, você precisa trazê-la para um dos cassinos. Ensine-a. Ela gostaria disso.

Eu me encolho. O pensamento de Gabriella pisando em um dos seus lugares quase me faz estremecer.

— Certo.

Alguém puxa meu pai para longe. Gabriella se vira apenas para que eu pudesse ver seu rosto.

— O que é que foi isso? Ele não se importa nem um pouco em se aproximar de seu alvo, não é?

— Você está começando a ver o verdadeiro Langston agora.

Ela pega minha mão, se inclina e me dá um beijo rápido na bochecha. — Graças a Deus você acabou diferente.

Eu solto uma risada amarga quando jogo meu braço sobre seus ombros e a trago para mais perto. — Seria apenas a minha teimosia.

— Hmm. Acha que precisamos nos misturar?

— Sim, mas dane-se se eu quero.

Ela pega minha mão e nos movemos pela multidão. Novamente somos engolidos pelas conversas estúpidas que eu mal presto atenção. Nós nos mudamos para a casa para o jantar e servimos um extravagante festival de sete pratos e depois não consigo me lembrar de nada do que comi.

Então o dragão puxa sua besteira habitual perfeitamente orquestrada. Ele tem Gabby presa em uma conversa unilateral e casualmente me pede para ir à adega para pegar mais algumas garrafas de vinho. Aparentemente ele não trouxe o suficiente para a refeição. Certo. Eu não sou um idiota. Conheço esse jogo. É o lugar ideal. Eu me contorço e Gabby me dá uma olhada. Ela não sabe... Não sei por que detesto este momento. Congelo. Meus pensamentos pingam. Como posso me livrar disso? Que desculpa posso usar para evitar a adega?

Sua mão está na minha coxa e ela aperta, trazendo-me de volta ao meu dilema. Eu pego a dela e ela sente minha angústia.

— Kolson, me leve com você. Eu nunca vi uma adega.

Ah, doce resgate.

Minha voz é rouca quando respondo.

— Certo. Venha, Kea.

O dragão dispara adagas para nós dois. Seu plano sai pela culatra e ele não gosta nem um pouco.

Nós nos movemos pela casa e descemos os degraus. Minha respiração ofegante através da minha traqueia enquanto tento ganhar o controle da minha ansiedade. Está tão escuro aqui embaixo. Este é o lugar onde meu terror nasceu. Onde tudo começou. Abaixo nesta profundidade do caralho. Eu congelo novamente e me inclino contra a parede, na metade dos degraus.

— Tudo está bem, amor. Eu estou bem aqui com você. Está escuro, mas nada pode te machucar. Eu quero que você olhe para mim, Kolson. Você pode fazer isso?

Assentindo, olho em seus lindos olhos. Ela sorri.

— Bom. Muito bom. Ouça. Você está quase lá. Mais alguns passos e vejo uma luz ali. Estamos bem, você me ouve?

Eu concordo. Ela segura minha mão e eu desajeitadamente me movo pelas escadas restantes. Quando chegamos ao fundo, ela me gira e me beija como se não tivesse me visto em dias. Eu a puxo para longe do chão e quase a devoro. Ficamos sem fôlego quando finalmente terminamos e ela ri nos meus lábios.

— Eu já contei a você a história de Lenny Cramer?

— Não.

— Ele era esse cara na faculdade que me convidou para sair, então fui. Quando me levou para casa, ele me deu um beijo de boa noite e eu senti como se estivesse beijando um aspirador de pó. Sua boca se abriu tão larga que envolveu tudo, do meu queixo ao meu nariz e ele começou a chupar tudo. Eu não tinha certeza se restaria alguma coisa do meu rosto quando ele terminasse. Eu não sabia se era um beijo ou uma experiência de laboratório. Estou tão feliz que você não seja um beijador de Cramer. — A palma da mão dela está no meu rosto e eu quero me fundir nela.

— Kea, eu prometo nunca beijar você como o Cramer. Nunca. Deus, eu te amo. — É mais um apelo desesperado do que uma declaração de amor e ela entende.

— Você está pronto para pegar esse vinho?

— Jesus, está tão escuro aqui embaixo. — Ela não pode saber por que eu realmente desprezo esse lugar. Esta prisão. Eu não vou contar a ela agora. Mas um dia...

— Verdade, mas você sabe o quê, não há escuridão real quando você está por perto, apenas imaginário. Você ilumina meu mundo, Kolson.

— Você é linda. Vamos fazer isso.

Eu lidero o caminho, embora não seja fácil. Nós andamos através do meu tormento e eu quero me enrolar em uma bola apertada como fiz quando era jovem, mas não. Entramos no porão, coletamos o vinho e voltamos para a mesa de jantar, embora eu esteja um pouco suado, só meu pai sabe o porquê.

O jantar finalmente termina e nos mudamos para outra sala para charutos e bebidas. Eu quero dar o fora daqui e subir as escadas para ficar sozinho com Gabriella.

O tempo se arrasta, mas a hora da fuga finalmente chega e nós somos um dos primeiros a liderar.

— Ok, então esse foi o jantar mais horrível que eu já estive, desculpa, acho que comi serragem.

Eu caio para trás na cama e rio. — Graças a Deus acabou. Eu juro que nunca vou te torturar assim novamente.

— Eu olhei ao redor e todos tinham sorrisos falsos em seus rostos. Exceto sua mãe. Ela estava alheia. Ela precisa conhecer minha mãe. Exceto que minha mãe tem vodka por sua desculpa. Eu não sei como é a sua mãe.

— Medo, ela tem medo dele. Você não viu hoje à noite, eu duvido que você vá ver alguma vez, mas ela se esconde dele. Tenho certeza que ele bate nela, embora eu nunca tenha visto em primeira mão. Mas ela é tão fiel a ele.

— Isso é típico de uma mulher que foi abusada, e seu pai, ele gosta de atrair as pessoas. Ele é...

— Um sociopata.

— Não, ele não é nada disso. Ele ama ser o centro das atenções, um sociopata é muito antissocial. Mas Langston é muito impulsionado e controlador.

— Oh, você está certa sobre isso.

— Mas há algo mais acontecendo lá. Ele certamente obtém um senso de poder de humilhar as pessoas, que é o que define um transtorno de personalidade sádico, embora isso não seja mais reconhecido como uma categoria válida de diagnóstico psiquiátrico.

— Ele procura poder sobre tudo, não importa o custo e não vai parar até que tenha. E não é sexual.

Gabby olha para mim e pergunta de repente: — Você não foi molestado sexualmente?

— Não.

— Nunca?

— Nunca, nem uma vez na minha vida.

— Mas eu pensei...— Ela parece chocada com a minha resposta.

— Sinto muito, Kea, se é isso que eu te levei a acreditar, ele é um filho da puta doente, mas ele nunca me tocou assim.

— Graças a Deus.

— Eu suponho que sim, mas o que ele fez foi... — Eu não posso evitar o arrepio violento que me rasga.

Ela rasteja pra cima e me abraça, depois de um momento, pergunta: — Quer ficar nu?

— Achei que você nunca iria perguntar.

Eu a viro para que fique abaixo de mim e puxo seu lóbulo aveludado com meus dentes. Eu amo essa parte dela.

— Seu perfume é tão gostoso, — eu inalo.

Minha boca desce devagar pelo seu pescoço, aproveitando meu tempo para apreciar sua pele sedosa. Suas mãos desabotoam minha camisa e deslizam para baixo enquanto seus dedos massageiam os músculos das minhas costas. Só ela sabe aliviar minha tensão. Suas mãos repentinamente desaparecem das minhas costas e estão puxando a cintura das minhas calças, desabotoando e abrindo o zíper.

O que começou como lento e fácil tornou-se apressado e tumultuado, e agora ela está em cima de mim. Camisa voa, vestido segue, calças logo depois, até que estamos nus e ofegantes. Ela me monta e pressiona o meu pau duro em sua boceta quente e apertada, ela está sempre molhada pra mim. Meus quadris se levantam para encontrá-la e começamos nossa dança pélvica.

Nós nos movemos um contra o outro, balançando para lá e para cá, suas mãos nas minhas, palmas contra palmas, e eu a observo quando sua cabeça cai para trás. Libero uma mão para que possa segurar seu seio e quando o faço, ela alcança meu mamilo perfurado.

Meu gemido é alto. Muito alto.

— Kea, você sabe exatamente como me tocar, firme e gentil. O que você fez comigo?

Seu lábio inferior pega entre os dentes e porque isso é tão sexy, eu não posso responder. Mas é e eu puxo a cabeça dela para que eu possa morder também.

— Diga meu nome. Diga-me a quem você pertence.

— Você, Kolson, eu pertenço a você, só você.

Então ela levanta os quadris e eu deslizo para fora até a minha coroa estar em sua entrada. Ela se senta novamente, ferozmente, e geme para que os músculos do meu abdômen se mexam. Eu levanto meus cotovelos para ter uma visão melhor e ela repete essa ação várias vezes, estou perto, tão perto, sempre tenho esse desejo urgente de segurá-la, mas esta noite é especialmente forte, então eu sento. Minha mão gira em torno de seus cabelos e eu digo a ela: — Goze para mim, minha linda Kea, eu quero que você me segure com força com sua boceta.

Seu braço se enrola no meu pescoço e ela geme:

— Oh, sim. Ah...

Seus músculos se apertam em torno de mim em uma série de espasmos e então eu fico com o meu conforme libero. Mas isso não será tudo para hoje à noite. Vou levá-la de novo e de novo porque ela alivia minha ansiedade como nada mais pode.

— Você é indescritível — Eu provo seus lábios, minha língua passa por eles e brinca com os dela enquanto respiramos juntos. Nós caímos de volta na cama, e eu rolo para o lado, ainda unido a ela.

— Você me acalma, já te disse isso antes?

— Talvez, uma vez ou duas.

— Eu tenho algo para você, eu queria dar a você antes, mas sei como você é quando se trata de coisas.

— Hmm coisas, que tipo de coisas?

— Algo pequeno — Eu não quero levantar, mas quero dar-lhe o presente, beijando-a, eu levanto e vasculho minha bolsa até que minha mão cai sobre ela.

— Aqui— Eu sorrio e entrego-lhe a caixa.

Ela sorri ao abrir a caixa, engasga e depois fica imóvel olhando para o conteúdo da caixa. Finalmente, ela diz em voz baixa: — É tão bonito— Seu dedo traça o desenho delicado enquanto o segura na mão.

É um medalhão de filigrana de ouro que eu criei especialmente para ela. É um intrincado coração entrelaçado com uma haste abstrata de Asclépio, o símbolo associado à medicina e aos cuidados de saúde.

— Isso é... Você projetou isso?

— Eu tive uma pequena ajuda, — confesso. — Eu queria lhe dar algo especial por muito tempo e sei como você está com esse tipo de coisa. Então eu meio que surgiu essa ideia. A vara de Asclépio é óbvia, mas o coração é, bem, meu último nome, se você olhar de perto, nossas iniciais estão lá também, mas isso se abre, olhe dentro.

Ela faz. Dentro há uma foto nossa com laser no metal.

Com lágrimas nos olhos, ela diz: — Este é de longe o melhor presente que já recebi.

— Estou feliz que você gostou.

Ela se lança em mim. — Não só gostei, eu amo, nunca vou tirá-lo, — diz ela enquanto o coloca.

Meu dedo toca no peito dela. — Parece adorável contra a sua pele de marfim.

— Você sempre diz as coisas mais legais para mim.

Levantando as cobertas, eu digo: — Eu gostaria de poder lhe dar o mundo, mas eu não digo tantas coisas legais, eu poderia dizer mais, mas às vezes tenho receio.

— Receio? Sobre o quê?

Minha língua cutuca o interior da minha bochecha. — Assustar você.

— Por quê?

— Porque eu quero você para sempre, Gabriella, mas algo está prestes a acontecer e estou preocupado que isso interfira nos meus planos, estou preocupado com o que você vai sentir por mim.

— O que você quer dizer? Você fala em enigmas, eu não entendo.

— Eu sei, prometa-me uma coisa, lembre-se desta noite, este medalhão. E que eu te amo mais que tudo, mais que minha própria vida.

— Kolson, você está me assustando.

— Eu não quero, mas apenas me prometa. — Eu preciso ouvi-la dizer as palavras.

— Eu prometo.

Adormecemos nos braços um do outro, com a cabeça no meu peito, logo depois de ter certeza de que todas as cortinas estão bem abertas e a luz da cabeceira acesa, às vezes, no meio da noite, acordo quando ouço um baque.

— Ouch.

— O que há de errado? — Estou fora da cama num piscar de olhos, tentando encontrar Gabriella, que está no banheiro.

— Nada. Eu bati meu dedo mindinho.

Eu caio de volta na cama e ela volta também.

— Que bela visão você é, — diz ela.

— Hmm?

— Você está me tentando.

Levantando a cabeça, pergunto: — O que você quer dizer?

— Essa sua bunda.

Antes que eu saiba o que ela está fazendo, sinto sua língua deixar uma marca quente e úmida na minha bochecha esquerda.

— Cristo, Kea, se você continuar assim, não vai dormir muito hoje à noite.

Ela me ignora, a próxima lambida é acompanhada pela adição de seus dentes, eu assobio, tento não fazer isso, mas droga. Então ela afunda seus dentes na minha bunda, uma mordida completa, não é dura, mas não é suave. E ela é uma coisa.

— Oh, porra— Os músculos do meu abdômen sacodem em resposta e meu pau reage. Agora está duro e em um ângulo estranho, então eu deslizo minha mão debaixo de mim para ajustar.

— Não se atreva a se tocar, — diz ela, com voz rouca de paixão.

— Desculpe, mas eu tive que fazer, estava desconfortável.

Ela me morde de novo.

— Ahh— Eu me contorço ao redor, ela corre os dedos pela minha rachadura e os sacode para que possa alcançar meu saco, em seguida me aperta enquanto suga onde me mordeu, sinto sua língua me lambendo e me pergunto por que diabos eu nunca pensei em fazer isso com ela.

— Afaste suas pernas para mim.

Oh porra, se ela continuar assim, eu vou gozar nos lençóis.

Suas mãos delicadas massageiam minhas bolas e ela suga, morde e lambe as bochechas da minha bunda. Meu pau está tão duro; não tenho certeza de quanto mais posso suportar.

— Jesus, Gabriella, você está tentando me matar?

— Não se atreva a gozar, você está me ouvindo? Eu quero lamber e te chupar, querido, você não tem permissão para gozar ainda.

Oh meu Deus. De onde tudo isso veio? Ela nunca fez isso antes, é como se ela estivesse me dando um boquete reverso, então ela me morde de novo, minha bunda vai ficar machucada.

— Você realmente tem a melhor bunda. — Sua boca me excita daquele jeito que ela estava falando.

— Kea, se você não quer que eu goze você vai ter que parar ou me deixar virar e te foder. Porque eu não posso segurar por muito mais tempo.

— Virar, então, mas você não vai me foder. Estou te chupando.

Virando, ela está no meu pau como se estivesse esperando por isso o dia todo. Ele desliza em sua boca e sua língua funciona para cima e para baixo do meu eixo, tornando-o mais duro do que já está. Apenas quando penso que não posso mais aguentar, minhas bolas apertam quando ela morde e chupa a pele sensível da parte interna das coxas. Santa porra! De onde ela surgiu com isso? Eu vou estar coberto de hematomas da bunda aos joelhos, mas eu me importo? De jeito nenhum!

Sua boca quente cobre minha cabeça e sua língua brinca com o meu piercing. De um lado para o outro, ela sacode a língua, me levando a um frenesi ainda maior, meu coração está martelando tão forte, rapidamente me pergunto como ele pode ficar dentro do meu peito. Ela leva tanto de mim quanto pode em sua boca, então puxa para trás e mantém a mão apertada na base, bombeando e apertando. Eu gemo enquanto sinto seus dentes gentilmente arrastarem até meu eixo enquanto sua mão bombeia e me aperta. Sua boca e língua continuam a trabalhar sua mágica.

— Porra, eu vou gozar!

Sua boca cai até que eu esteja o mais longe possível e ela olha para mim. Nossos olhos se conectam e trancam, e ela se afasta e depois me atrai de volta. Gemendo, meus dedos afundam em seu cabelo e eu a seguro com as duas mãos enquanto gozo em sua boca. Ela cantarola e as vibrações me fazem gozar ainda mais. Ela suga e lambe até à última gota, prestando atenção especial ao meu piercing. Jesus, que diabos foi isso?

Quando meus espasmos cessam, minhas mãos ainda estão em seus cabelos, acariciando sua cabeça e rosto. Demora alguns minutos até que minha respiração se normalize. Totalmente alucinante.

— Que porra foi essa? — Eu pergunto.

— Você gostou?

— Se eu gostei? Porra! Foi... WOW!

— Sim, disse que sua bunda era doce, eu quero fazer isso há muito tempo.

— Por que você não fez?

— Eu não sei.

— Não se preocupe, eu vou retribuir o favor um dia. Mas agora eu quero fazer uma coisa.

— O que seria isso?

— Eu quero que você monte na minha cara.

Ela pula a bordo e eu faço o que faço, ela é tão doce, do seu gosto aos sons que faz quando goza. Não há nada melhor que Gabriella. E sei que tudo isso vai acabar. Eu posso ver isso desmoronando diante dos meus olhos. O dragão... O jeito que ele olhou para ela esta noite, ele sabe que ela é minha fraqueza e vai fazer a minha dívida de alguma forma envolvê-la. Não sei como, mas ele vai. E vou ter que deixá-la para salvá-la.

Ela fica tensa e aperta meus braços, então os suspiros e choramingos que apertam meu coração e o giram para dentro me atingem e ela goza por toda a minha boca e língua, e esta noite é o som mais triste para mim porque sei que não vou mais ouvir muito.

— Kolson, você está machucando minhas pernas. Você está me segurando muito forte.

Eu a soltoi. — Oh, me desculpe, eu estava perdido no momento.

Ela suspira novamente. — Eu também, isso foi... — Ela desliza para baixo e me beija completamente.

— Kolson, por que tenho a sensação de que algo está errado?

— Porque estamos neste lugar de lixo neste momento.

— E isso é tudo? Prometa-me que você não está escondendo nada?

— Você sabe como eu odeio isso aqui, — Eu odeio não dizer a verdade, mas não posso, nunca, não sobre o que fiz e meu papel na morte de Danny.

— OK.

— Vamos dormir um pouco. Nós vamos sair logo após o café da manhã. Eu te amo. Você é, de longe, a melhor coisa que já aconteceu comigo.

Ela se envolve em volta de mim, eu gostaria de ficar acordado e apreciar cada momento que me resta com ela, e não perder um segundo no sono.


CAPÍTULO QUATRO

Kolson


Enquanto o sol se arrasta no horizonte, eu encorajo Gabriella a acordar.

— Vou tomar um banho rápido, não sabia se você queria se juntar a mim.

Ela se alonga e diz: — Um banho só?

— Por que você não vem e descobre? — Pegando a mão dela, eu gentilmente a puxo para fora da cama, ela protesta um pouco, mas não vai durar, eu vou fazer as pazes com ela. E faço. Ela ama o nosso tempo de banho, especialmente quando a ponho toda ensaboada e escorregadia em todo lugar.

Quando estamos limpos, eu a envolvo em uma toalha primeiro, e depois eu mesmo, sua pele é rosa a partir da combinação de nosso amor e do calor da água e eu acho que não me fartarei dela.

— Eu te limpei? Acho que perdi um lugar.

— O que você quer dizer?

— Você sabe, acho que me esqueci de lavar sua boceta.

Sua boca cai aberta, eu puxo a toalha, a pego e a jogo na cama.

— Tudo bem, no entanto, eu posso te banhar com a minha língua.

— Kolson, você é insaciável.

— Sim, eu sou, por você, só você. — Minha cabeça se move entre suas coxas e minha língua começa a banhar sua suavidade. Eu sou insaciável quando se trata dela, seu gosto é melhor que qualquer coisa. E talvez seja porque eu sei que vou sentir falta disso mais do que qualquer coisa... Nossa proximidade, nosso vínculo... Mas eu não consigo me satisfazer o suficiente agora.

Seus gemidos, todos os sons que ela emite me incitam, eu chupo, eu desenho nela; Eu lambo tão fundo quanto posso até senti-la tremer ao meu redor. Quando ela goza na minha língua, não tenho certeza qual de nós deriva mais prazer. Dou-lhe mais algumas lambidas e depois beijo-a, é como o ato final para mim. Eu tenho que beijar sua boca depois.

— Agora, Kea, eu acredito que você tem uma bocetinha intocada.

— Você é um homem muito ruim, Kolson Hart.

— Hmm, e todo esse tempo, pensei que fosse muito bom.

— Conte-me, por favor, eu sei que tem alguma coisa, você pode confiar em mim.

Deus, eu quero, mas não posso. Minha expressão dolorida deve dizer-lhe todo tipo de coisa.

— Eu confio em você com minha vida, Kea. E eu te amo muito mais. Vamos nos vestir?

Agora é a expressão dela que está ferida, eu a machuquei e não quero. Mas isso é algo que eu não posso compartilhar com ela.

— Podemos usar jeans? — Ela pergunta.

— Sim, isso é o que eu estou vestindo.

Nós nos vestimos, embalamos e vamos para o café da manhã. Minha esperança é vencer todos, então só temos que dizer um rápido adeus antes de sairmos. Infelizmente, o dragão já está aqui embaixo, passamos pela sala de jantar enquanto nos dirigimos para o carro.

— Não vão ficar para o café da manhã? — Ele pergunta.

— Sim, precisamos colocar essas coisas no carro primeiro.

Ele concorda. Eu não vejo minha mãe, espero que não tenhamos que esperar muito para ela aparecer.

Depois que colocamos a bagagem no carro, nos juntamos ao meu pai para o café da manhã. Panquecas para Gabby, uma omelete para mim, café em volta. Mamãe se junta a nós alguns minutos depois. A conversa é insana, como de costume, com ela: o clima, o verão terminando em algumas semanas, como ela terá que começar a tirar suas roupas de inverno em breve. Nossa comida chega e nós comemos. É tudo muito desconfortável para nós. Mamãe está agitada e Gabby pega sua comida enquanto eu inalo a minha.

Quando finalmente terminamos, meu pai entrega seu golpe.

— Kolson, gostaria de ter uma palavra. Em particular.

Gabriella olha para mim. Mamãe em sua cabeça como usual, levanto-me e sigo-o até o seu escritório no final do corredor.

— Então, eu estive pensando sobre sua dívida.

— Eu imagino que você tenha, eu queria saber quando você me contaria.

— Eu quero você de volta aos negócios da família, — diz ele.

— Isso não é possível. — Estou fumegando por dentro. Afastei-me dele e de seus métodos inescrupulosos anos atrás para começar a HTS.

— Oh, é, você concordou em pagar a dívida, Kolson, e isso é uma parte do retorno.

— Uma parte?

— Uh-huh. A outra parte é que eu quero a HTS.

— Isso não é possível, e não só não é possível, é inegociável.

— Kolson, você não está escutando, você concordou em pagar uma dívida. Esse é o pagamento que eu preciso. Quando você concordou, foi minha escolha quanto ao que o pagamento seria você não ter nada a dizer sobre isso. E filho, tudo é negociável, você deveria saber disso. Eu te ensinei muito.

Minha mandíbula aperta com tanta força que temo pela integridade dos meus dentes. O maldito idiota quer me separar, pedaço por pedaço, eu esperava isso, mas ouvir isso é pior do que imaginá-lo.

— Eu vou te dar um mês para colocar seus assuntos em ordem, incluindo entregar a HTS para mim. E então você pode retornar aqui como funcionário da Hart and Sons Entertainment Incorporated. Ficaremos felizes em ter você de volta. Eu quero você em Vegas correndo com esse braço do negócio. Você vai amar lá fora.

Eu não posso falar porque estou fervendo e se eu disser qualquer coisa, isso me levará à violência física, isso não pode acontecer. Eu tenho que sair daqui, rápido. Há coisas que tenho que fazer, planos que fiz caso isso acontecesse, preciso colocá-los em ação. AGORA.

Assentindo, eu digo: — Como quiser, — com os dentes cerrados.

— Bem, isso foi fácil, Kestrel ficará tão feliz em ter seu irmão mais velho de volta ao redil.

Foda-se o Kestrel, eu quero cuspir na cara dele, em vez disso, eu me afasto do homem que odeio agora mais do que nunca. Quando chego à sala de jantar, beijo minha mãe na bochecha, digo adeus, e Gabby e eu saímos. Meu pé bate com força no acelerador ao sair da estrada, tenho certeza que deixei para trás centenas de quilômetros de borracha.

— Whoa, querido, vá devagar.

Meu cérebro está sobrecarregado, eu tenho que sair daqui, Gabby está pirando na velocidade do carro, dez milhas de distância daquele pedaço de lixo, eu paro. Meus nervos estão disparados, fúria irradia através de mim, mas eu não posso deixar isso me controlar.

— Kolson, o que diabos aconteceu lá atrás? Você está me assustando.

Sua voz penetra minha raiva, balançando a cabeça, olho para ela e digo: — Dê-me um minuto.

Pego meu telefone e envio uma mensagem para minha equipe de advogados: Inicia a Operação Dragon Slayer, STAT.

Meu telefone cai no meu colo e eu inalo quando deixo minha cabeça cair para trás, então eu rio, não é um riso engraçado de ha-ha também, e isso me ultrapassa até eu chorar. Eu choro porra, Jesus, o que está acontecendo comigo?

Braços me puxam, envolvendo em torno de mim.

— Eu não posso te ajudar se você não fala comigo.

Oh Deus, me ajude! Eu não posso falar com ela, não posso contar a ela sobre o acordo que fiz com o diabo. Como ele colocou o contrato na vida do primo de Gabriella, Danny, como eu me vendi para ele, agora estou pagando o preço, porra. Eu engulo o medo que me agarra e endireito.

— Eu sinto muito, me perdi um pouco, ele tem um jeito de fazer isso comigo.

— Deus, eu gostaria que você falasse comigo.

— Eu vou, em breve, prometo.

— Eu te amo, eu vou te ajudar querido, eu vou. Mas eu não posso, se eu não souber de nada.

Eu só aceno porque não há nada a dizer, ela está certa.

— Vamos dar o fora daqui. — Eu dirijo o carro de volta na estrada e voltamos para Manhattan.

Algumas horas depois, entramos na garagem e eu suspiro, não demorará muito para não vir mais aqui.

— Isso foi um suspiro de alívio?

— Sim, apenas feliz por estar em casa, — eu digo.

— Hum. Muito estressantes essas vinte e quatro horas.

Eu não respondo. Não é necessário, nós pegamos nossas coisas e vamos para a cobertura. No caminho recebo um texto dos meus advogados: Feito.

Sorrindo, eu respiro mais fácil.

— Isso deve ter sido uma boa notícia.

— Você não tem ideia.

— Gostaria de compartilhar?

— Oh, é apenas um negócio.

— OK. Mas você sabe que eu estou interessada em seu negócio.

Concordo com a cabeça, mas na verdade fico feliz que ela esteja interessada. É melhor que ela esteja porque não tem ideia do que acabou de acontecer. Ela vai, no entanto, daqui a algumas semanas. Oh, ela nunca vai.


CAPÍTULO CINCO

Gabriella


Kolson me preocupa. Seu comportamento foi completamente fora das cartas. De amor a errático, não consigo fazer com que ele se acalme. Desde aquela maldita visita à casa de seus pais, ele está agindo diferente. E ele não vai discutir comigo, o que me agita ainda mais. Estou no meu limite. Por que ele não vai discutir isso comigo, eu não sei. Ele confia em mim, eu sei disso, ele me ama mais do que tudo, mas há algo mais que não está me dizendo, ele está assustado eu vejo isso em seus olhos é mais do que o medo do passado, ele encobre e é bom nisso, muito bom, mas eu sou uma psiquiatra. Eu posso dizer quando as pessoas estão escondendo coisas. Eu estudei e analisei comportamentos. De vez em quando, vejo aquela parede, aquele véu escorregadio. Eu me recuso a confrontá-lo, no entanto. Essa é uma maneira infalível de fazer com que ele desligue.

Ele não está dormindo bem e murmura muito. Não consigo entender o que ele diz, mas ele treme e isso me assusta também. E então há aquele pequeno detalhe de informação que ele compartilhou sobre o querido e velho papai. Crime organizado. Isso lança uma nova luz sobre os negócios de seu pai. Não admira que Kolson tenha saído e tenha começado sua própria empresa.

Isso me faz pensar em que tipo de inferno aquele homem colocou Kolson. Eu estava totalmente preparada para ele me dizer que foi abusado sexualmente. Tudo parecia apontar nessa direção, sua necessidade inicial de controle no quarto, como ele queria me dominar, e como ele tirou minha própria história de mim através do uso do sexo. Mas quando ele me disse que nunca foi molestado, fiquei chocada. E ele sabia disso.

Então, seu pai claramente fez outra coisa hedionda que faz minha pele arrepiar. Isso parte meu coração por Kolson. O que quer que tenha sido, deve ter sido horrível.

Sky e Cara, minhas amigas mais próximas, também não têm nenhum conselho a oferecer. Não tenho certeza do que fazer sobre isso.

Estou sentada no trabalho, intrigada com tudo isso quando meu telefone toca. É o advogado que me representa no meu processo civil contra meus pais. Honestamente, desde que Danny morreu, eu realmente não me importava com isso agora.

— Martinelli.

— Dra. Martinelli, aqui é Stan Harrison.

— Stan, como vai você?

— Estou bem e espero que você também esteja.

— Sim. O que posso fazer por você? — Pergunto.

— Seus pais querem conversar com os dois conjuntos de advogados presentes.

— OK. Eu estou bem com isso. Eu não me importaria de passar por tudo isso, agora que Danny está fora de cena.

— Você tem certeza disso?

— Sim. Você estará lá?

— Absolutamente.

— Então marque uma data.

— Vou ligar e avisar quando e onde.

Eu mando uma mensagem para Kolson e ele me chama de volta para ter certeza de que estou bem com essa reunião. Garanto-lhe que estou e que podemos discutir mais no jantar.

— Que tal eu te trazer almoço? — Pergunta ele.

— Você está livre?

— Sim.

— Certo.

Ele aparece com sua variedade habitual de comida, o suficiente para um exército. Eu sacudo minha cabeça. Um dia desses, ele descobrirá que não podemos comer tanto assim.

— Então, eu estive pensando, — eu começo.

— Sobre?

— Danny. E a maneira como ele morreu.

Algo estranho passa pelo rosto de Kolson. Como se ele acabasse de ver um fantasma. Mas então isso se foi tão rapidamente quanto apareceu.

— O que você quer dizer? — Pergunta ele.

— Danny não se encaixa no paciente suicida. Ele era tão egocêntrico. Tudo sempre foi sobre ele. E mesmo naquele dia nos túneis, ele estava tão seguro de si. Ele não estava desistindo. Ele foi enfático sobre isso. E então fugiu. Por que alguém assim se mataria? Sem mais nem menos?

— Eu não sei. Talvez ele tenha se cansado de viver fugindo? Ele estava acostumado com as coisas boas da vida e sendo o centro das atenções. Perdeu tudo o que tinha por se esconder do jeito que fez.

— Sim, eu também pensei nisso. Mas isso era muito melhor do que estar morto. E para ele, esconder-se seria apenas temporário.

— Ei, o que trouxe tudo isso?

— Eu acho que a reunião com meus pais.

— Coloque esses pensamentos de Danny de lado. Ele se foi e você está segura agora. Isso é o que é importante.

— Sim, mas há algo que me incomoda sobre isso.

— Quando é a consulta com seus pais?

— Oh, Stan deverá me ligar.

— Deixe-me saber para que eu possa ir com você.

— Você não precisa.

— Gabriella. Não é sobre ter que ir. É sobre querer estar lá para te apoiar. Eu te amo, sabia.

— Eu quero apoiar você também, mas às vezes você não me deixa entrar, Kolson.

Ele cobre minha bochecha e me beija. — Eu sei. E me desculpe. Eu juro que vou. Isso me machuca também.

Quando ele diz essas palavras, eu sei que as quer dizer. Empurrando minha cadeira para trás, me aproximo e subo em seu colo. — Oh, Kolson. Estou tão preocupada com você.

— Não fique, Kea. Eu posso cuidar de mim mesmo. Eu tenho feito isso desde que eu tinha sete anos de idade.

— Mas eu quero ajudar. Meu coração dói por você.

Ele se inclina para trás e seus olhos rasgam minha alma. — Escute-me. A melhor coisa que você pode fazer por mim agora é ser minha linda Gabriella e não se preocupar comigo. Eu quero você aqui e feliz. Estou bem. Entendido?

Ele está apenas me dizendo isso, então não vou me preocupar, mas sei que não é verdade.

Eu aceno para fazê-lo feliz, mas ele vê meus olhos brilharem com lágrimas.

— Jesus, não chore. Por favor, não chore.

Sua boca está na minha e eu não posso evitar, mas eu choro como um bebê enquanto ele me beija.

— Eu sinto muito. Mas não posso evitar. Eu sei que posso ajudar. É o que eu faço, o que sou treinada para fazer. Não vou te julgar. Nunca. E vou te amar até que não haja ar para eu respirar. Apenas me diga como posso ajudá-lo porque posso ver a dor que você tenta esconder. E não só isso, eu também vejo o medo. Por favor, Kolson. — Quando termino, estou soluçando.

— Oh, Gabriella, — Seus braços me seguram e ele sussurra palavras suaves, mas não haverá conforto até que ele me diga. E eu sei que ele não vai e eu não entendo o porquê. Ele solta um longo suspiro e enxuga meu rosto. Eu sei que pareço uma bagunça; meu rímel deve estar correndo por todo o lugar. Seus polegares passam por baixo das minhas pálpebras inferiores e ele pressiona seus lábios nos meus, nossas testas se encontram.

— Estamos uma bagunça, não estamos?

Só por causa de você, eu quero dizer. Mas eu fico quieta.

— Vamos fugir disso. De tudo. Mudamos para alguma ilha e esquecemos nossas vidas aqui.

Ele me dá o olhar mais estranho.

— Você está falando sério?

— Claro que não.

— Por um minuto, você me enganou.

— Você quer fazer isso?

— Eu iria com você.

— Eu não posso. Minha prática. Meus pacientes. EU...

— Eu sei, Kea, — Seus dedos passam pelos meus cabelos e a decepção marca seu rosto. Seu olhar abatido me surpreende.

— Kolson, você realmente deixaria tudo?

— Eu gostaria. Se isso significasse ter você ao meu lado todos os dias. Sem exceção.

Ele está tentando me dizer algo aqui e eu não estou entendendo. Seu telefone emite um sinal sonoro e ele diz: — Essa é a minha deixa. Eu tenho uma reunião esta tarde. Vou vê-la hoje à noite.

Eu me levanto e ele me beija brevemente. — Verifique seus olhos. Eles podem precisar de um pequeno retoque.

— Sim, eu imaginei isso. Um pouco de guaxinim, hein?

— Sim.

— Desculpe pelo colapso.

Seus braços me envolvem e ele me levanta.

— Não se desculpe por isso. Eu te amo. Cada pedaço de você. O feliz e o triste.

— Sim, bem, parece que nós tivemos muita tristeza ultimamente. Eu quero ter o nosso feliz de volta.

— Eu também, Kea.

E ele se foi, deixando-me com meus pensamentos preocupados novamente. Ainda bem que tenho uma tarde movimentada.


# # #


Quando chego em casa, Lydia já se foi pela noite. Kolson não está em casa e eu estou acabada. É mais do que o habitual e eu atribuo isso à minha preocupação constante. Verifico a geladeira para ver o que está reservado para o jantar e encontro uma nota do Kolson.

— Surpresa. Nós vamos sair para jantar fora hoje à noite. Eu pensei que uma visita no Giuseppe estava em ordem. Vejo-te em breve.

Amor, K

Ah, eu amo o Giuseppe. Minha boca imediatamente rega quando me lembro da última vez que comemos lá. Eu mal posso esperar pelo tiramisu. Já que não é um restaurante vistoso, quero mudar para jeans, então vou para o quarto. Eu estou de sutiã e calcinha quando Kolson entra.

O Sr. Insaciável me vê e diz: — Esta é uma boa saudação de trabalho em casa.

— Seria melhor se você tivesse menos roupas.

Ele ri. — Estou suado. — Ele acabou de malhar.

— Eu gosto de suado. Lembra?

E essa é a verdade. Vendo-o todo brilhando, como eu não posso gostar dele suado?

— Agora quem é insaciável?

Quando ele tira a camisa e a joga no cesto, eu posso babar. Seus seis gomos. Como se tivesse vida própria minhas mãos alcançam seu peito. Eu traço sua linha V até onde encontra o cós de seus shorts.

— Você me faz desse jeito. Você é tão tentador. Você sabe o quanto você me excita?

— Kea— Sua voz envia arrepios pela minha pele exposta. Tudo aperta de uma só vez quando eu respondo a ele. Estou molhada entre as coxas e sei que devo tê-lo.

Minha mão desliza para baixo de seu short e eu pego seu pênis semiduro. Apertando-o gentilmente a princípio, começo uma série de carícias e ele geme. Minha outra mão puxa seus shorts e seu pênis agora ereto fica livre. Quando eu me movo para cair de joelhos, ele me para.

— Não. Eu quero estar dentro de você. Agora. — Sua mão torce minha tanga e estala, arrancando de mim. Eu não posso nem contar o número de tangas que ele destruiu assim. Ele me acaricia com os dedos e testa para ver se estou pronta. Mesmo que eu esteja, ele ainda provoca meu clitóris. Estou em chamas por este homem. Meu sexo está pesado e pronto para ele enquanto eu o sinto dentro de mim. Então suas mãos seguram minha bunda e ele me puxa para cima e eu o guio para dentro de mim. Em um movimento, ele afunda todo o caminho até o punho e eu grito.

Então a diversão começa. Com as mãos nos ombros, nos movemos para o nosso ritmo. E é lindo. Ele não apenas entra e sai, mas também tem esse jeito de girar seus quadris para que seu piercing acerte todos os lugares certos dentro de mim. Tudo o que ele faz me faz gozar a todos os lugares. E é de alta intensidade. Minhas costas estão contra uma parede enquanto ele empurra em mim mais e mais e quando meu orgasmo bate, seu nome rola da minha língua como uma ladainha. Dedos pressionam a carne macia da minha bunda e apertam enquanto ele fica com o seu próprio e rosna não tanto como gemidos, e é tão sexy que eu quero começar tudo de novo.

— É sempre melhor que o anterior.

— Sim.

— Eu costumava pensar que me cansaria disso, mas agora, tenho certeza que nunca vou me cansar.

Ele ri de mim.

— Por que você pensaria isso?

— É o que todo mundo sempre diz.

Ele se arrisca. — Isso é porque eles não sabem como foder para começar. Eles estão com medo de jogar. Eles não usam brinquedos quando necessário. Eles não experimentam.

— É isso que você acha?

— Claro. Se as coisas ficarem obsoletas conosco, eu vou pegar minha bolsa de truques. Não me oponho a tentar qualquer coisa, desde que encontre sua aprovação.

— OK. Eu amo sexo com você e espero que sempre possamos ser assim.

Ele nos leva até o chuveiro e nos banhamos juntos.

Não muito tempo depois, seguimos para o restaurante, famintos pelo esforço. O tráfego não é ruim, então não demora muito tempo para Sam nos levar até lá.

Giuseppe nos cumprimenta e nos acompanha até a nossa mesa. Ele irrita Kolson enquanto me bajula, mas eu acho engraçado. Logo, prato após prato de comida fica na toalha quadriculada vermelha e branca, e nós comemos até que nosso estômago não aguenta mais.

— Eu vou ter que desabotoar meu jeans. Não posso respirar, — eu digo.

— Você tem que ter a sobremesa.

— Eu não acho que possa, — eu gemo. — Estou com dor. Acho que vou estourar.

— Pobre Giuseppe. Ele vai ter uma bagunça aqui. Sem mencionar toda aquela comida que você irá desperdiçar.

Eu dou risada. — Eu tenho que deixar assentar.

— Gabriella, é melhor você ter uma perna oca, então.

— Oh Deus, não me faça rir. Estou machucada.

Ele ri. Sua mão acaricia minha barriga. — Sim, parece um pouco arredondado. Eu gosto disso.

— Ugh. Como você pode gostar? Eu sou como uma bola de banha.

— Não, uh-uh. Você apenas parece grávida.

— O quê? Grávida! Eu...— eu cuspo.

Ele ri. O homem tem a coragem de rir.

— Como você pode dizer isso? — Estou insultada.

— Você parece adorável. Como se você engolisse um pequeno melão. Ou talvez uma grapefruit. Esse tipo de gravidez.

— OK. Para começar, nunca, sob qualquer circunstância, mesmo quando ela está grávida, diga a uma mulher que ela parece estar grávida. Essa é a última coisa que ela quer ouvir.

— Mas...

Eu o fechei com a palma da minha mão.

— Segundo, nunca é adorável dizer a uma mulher que ela parece ter engolido um minúsculo melão. Nunca. Entendeu isso, Skippy?

Ele tem uma expressão estupefata no rosto. É bem cômico, mas eu me recuso a deixá-lo saber disso. Ele tem que aprender sua lição.

— Mas...

— Absolutamente não, nunca. Está claro?

— Sim. Extremamente.

— Bom. — Eu sorrio docemente para ele. Ele ainda parece ter sido surpreendido por um cruzamento entre Lord Voldemort e Miss Piggy.

— Você está bem? — Pergunta ele.

— Eu estou agora. Ainda cheia, no entanto. Comi demais, você sabe.

Ele raspa o lábio inferior com os dentes. Agora tenho o desejo de morder esse lábio.

Eu me inclino sobre a mesa e sussurro: — Venha aqui um segundo.

Ele se inclina para mais perto de mim e eu prendo seu lábio em uma mordida. Então eu chupo e o beijo.

— Jesus, Gabriella. Tem certeza de que está bem?

— Mmm tudo bem— Mas eu não tenho certeza se estou bem ou não. Eu estou errática, minhas emoções estão em todo lugar. É ele, mas uma vez que não vai falar, eu vou lidar com isso da única maneira que sei.

— Então, como estão Ryder e Skylina?

Eu sorrio.

— Engraçado você perguntar. Eu estou encontrando a Sky para almoçar amanhã. Fiquei inundada no trabalho e não tive a chance de vê-la. Ryder está ocupado com a escola. Ele já está no meio do semestre e ela está reclamando que não está vendo o suficiente.

— Eu posso imaginar. Ele está tentando sair da escola cedo para poder entrar na faculdade de direito. Sua carga de classe é pesada. Não admira que eles nunca se vejam.

— Sim, ele está muito na biblioteca. Sky diz que ele mora lá.

Nós dois rimos, então eu acrescento: — Eu me lembro de morar na biblioteca durante a escola de medicina. Não é nada divertido.

Giuseppe traz sobremesa e eu quero morrer quando olho para ela. Uma mordida é tudo de bom, mas ela não faz enrolar os dedos dos pés.

— Você estava certo, — eu digo.

— Sobre o quê?

— A última vez que estivemos aqui. Eu disse que essa sobremesa era melhor que sexo. Você disse que não era melhor do que sexo com você. Você estava certo, não é. E tem outra coisa, não há nada nessa terra que seja melhor do que sexo com você, Kolson Hart.

Ele sorri.


CAPÍTULO SEIS

Kolson


Já se passaram três semanas desde o pedido do meu pai. Demanda é mais parecido com isso. Eu não ouvi uma palavra, não que o esperasse, virá depois da marca de trinta dias. Todos os meus planos estão no lugar. Tudo está definido. Mas isso está me matando porque uma vez que eu saia da face da terra, Gabriella é quem vai sofrer mais.

Hoje nos encontramos com os pais dela e fico feliz por estarmos fazendo isso enquanto ainda estou por perto. Tenho certeza de que eles querem deixar isso para trás. Mas eu quero que eles sofram... paguem pelo que fizeram com ela.

Sam e eu a pegamos e fomos para o escritório de Stan, onde a reunião será realizada.

— Você está bem? — Eu pergunto.

— Sim. Eu estou bem. Só quero que tudo acabe.

Ela aperta minha mão com a sua gelada. Espero poder acalmá-la. Entramos na sala de conferências de Stan e, alguns minutos depois, os pais dela entram. Ela agarra minha mão e eu sei que está enlouquecendo.

Stan faz as apresentações desnecessárias e eu só agradeço com um breve movimento de minha cabeça. Não quero conhecê-los. O que me mata é como eles se parecem com bons membros da sociedade. Provavelmente vão à igreja todos os domingos. Pertencem aos clubes certos. Caralho, eles provavelmente doam para abrigos de mulheres para ajudar as vítimas de abuso. Filhos da puta. Hipócritas.

Seu pai começa imediatamente.

— Gabby, sua mãe e eu queremos colocar essas coisas tolas para trás...

Eu paro essa conversa.

— Não se atreva a falar outra palavra, — Estou furioso, então digo: — Stan...

Stan continua: — Sr. Martinelli, minha cliente fez seus desejos conhecidos. Um reconhecimento público do que aconteceu, como você sabia que estava ocorrendo e como você decidiu não fazer nada para ajudá-la é o que ela quer. Essa é a nossa oferta. É pegar ou largar.

Gabriella aperta minha mão. — Papai, ele está certo. Eu não quero nada mais ou menos. Não me importo com o seu precioso dinheiro. Eu só quero que você reconheça o fato de que vim até você e disse que Danny estava me estuprando. Repetidamente. No entanto, você escolheu me ignorar. Até tentei me matar. E você, mamãe, sua maldita vodca era mais importante para você do que sua própria filha.

O que a mãe dela diz nos surpreende a todos. — Eu não estou mais bebendo. E se seu pai não falar a verdade, eu vou.

O pai dela se vira para a mãe dela. — Cale a porra da sua boca! — O rosto de John Martinelli é carmesim de raiva.

Ela inclina a cabeça, em silêncio por ele. Isso só ficou interessante.

— Mãe?

Ela não diz uma palavra.

— Então, estamos de volta a isso. Eu permaneço firme. Vou levar isso ao tribunal e arrastar seus nomes pela lama. Vou trazer o psiquiatra que me tratou e fazer tudo o que puder para fazer vocês se parecerem com os pais de lixo que são. E então vou ter Kolson aqui para testemunhar os textos e cartas que ele leu de Danny que recebi enquanto ele me perseguia. Ah, e vou trazer o caso Russell também à polícia, quando Danny tentou me raptar do restaurante. Tudo vai desmoronar ao seu redor, papai, e fazer você parecer um idiota. Reconheça isso publicamente, peça desculpas e acabe com isso. Ou você estará arruinado. Bem, você estará arruinado de qualquer maneira. Quem diabos vai querer alguém como você, alguém com integridade zero, representando-os em um tribunal? Ah, eu sei, talvez estupradores e molestadores de crianças.

— Isso é o suficiente, Gabriella.

— Não, nunca será suficiente. E nunca me chame assim. Eu sou a Gabby para você. Apenas um homem ganhou o direito de me chamar assim e certamente não é você.

Porra! Ela simplesmente bateu nele. E ele está murchando como uma maldita flor no Saara.

Ela se vira para Stan. — Acho que terminamos aqui. — E saímos de mãos dadas.

Quando chegamos ao carro, sinto-a tremendo. — Você está bem? — pergunto.

— Droga. Não sei.

Eu a levo para dentro do carro e entro atrás dela.

— Para alguém que não tem certeza, você acabou de chutar a sua bunda.

— Eu fiz um bom show.

— Confiança.

— Hã?

— Você precisa ter mais confiança em si mesma. Você é inteligente, pensa rápido. Você foi cara a cara com alguém que a assustou toda a sua vida e ainda fez isso com sua mãe. E você não bateu um olho. Você é mais do que capaz de enfrentar alguém, Gabriella e o colocar em seu lugar como uma campeã. Eu te colocaria contra alguém. Na verdade, você seria uma grande parceira de negócios.

— Mesmo?

— Claro que sim. Pense nisso. Você passou pela escola de medicina e lidou com médicos idiotas o tempo todo. Isso não te ensinou algo sobre confiança?

— Você está certo. Isso aconteceu. Mas eu sempre acho que isso só se aplica ao meu campo.

— Errado. Sua paixão anula tudo quando você acredita em algo. Você estava incrível lá.

Ela olha para mim e vejo a dúvida deixando-a. Um sorriso hesitante quebra a tensão em seu rosto e ela pergunta: — Você está sendo honesto?

— Completamente. E digo mais. Passei muito tempo em negociações de contrato e negócios. Você é boa, Kea. Muito boa.

Agora ela me honra com um enorme sorriso que ilumina seu rosto. Isso me faz querer derreter e chorar ao mesmo tempo. Porque essa é uma visão da qual vou sentir falta. Deus, eu vou sentir falta disso.

Ela me abraça e fico feliz porque agora ela não consegue ver a tristeza que nubla meus olhos.

— Obrigada por estar sempre aqui por mim. Eu não sei o que faria sem você.

Eu a abraço de volta. Duro. Porque eu não sei como diabos vou sobreviver um dia sem ela. Eu mal posso sugar o oxigênio só de pensar nisso. Sinto meu corpo fragmentando já. Porra. O que eu vou fazer?

— Deus, eu amo você, Gabriella. — Eu não a consigo deixar, embora Sam tinha nos parado na frente de seu escritório, o carro em marcha lenta.

— Eu também te amo, querido — Ela acaricia meu pescoço e eu simplesmente não posso libertá-la. — Você está bem?

— Hmm. Só quero te abraçar por um tempo — Que desculpa frágil.

— Bem, é melhor eu voltar.

— Tudo bem. ? Eu a solto e saio. Quando ela vai embora, eu sei que uma parte de mim também vai.


# # #


Gabriella está deitada de costas, e eu estou dentro dela. — Porra, você é tão sexy. Olhe seus seios. Seus mamilos são escuros e rosados de desejo. Você tem uma linda boceta. Toda lisa e macia, apertada em volta do meu pau. Você é linda pra caralho, minha Kea. — A visão no espelho é incomparável.

Sua respiração está pesada de luxúria enquanto ela me observa brincar com seus picos duros. Meus quadris empurram com força dentro dela e ela solta um suspiro profundo quando toco seu clitóris com meu mindinho. Minha mão está espalhada sobre seu abdômen e eu amo descer quando empurro para dentro dela. Um de seus braços circula meu pescoço e sua mão entra no meu cabelo. Quanto mais eu esfrego seu clitóris e balanço contra ela, mais forte ela puxa meu cabelo. E mais alto ela geme.

— Ah sim. Bem desse jeito. Eu amo isso aí mesmo.

Eu faço isso de novo e de novo. Até que ela é uma luxuriosa agitação de seu orgasmo e então eu sigo o mesmo. Meu pau entra nela, banhando-a até que seus músculos internos me espremem ate à última gota de gozo.

Mas não terminei com ela. É a minha vez de morder a bunda dela, do jeito que ela fez com a minha. Depois que coloco o rosto dela na cama, eu me movo sobre ela. Então beijo o ombro dela. Movendo o cabelo para o lado, eu lambo seu pescoço.

— Hmm, você tem um gosto tão bom. Como sempre.

Casualmente saio dela e vou para sua bunda deliciosa. Rosada e moldada do jeito que deveria ser, eu afundo meus dentes e a ouço gritar primeiro e depois dou uma risadinha. Ela não vai rir por muito tempo. Logo ela geme seus pequenos e suaves sons. Mas quando abro as pernas dela e abaixo, mordendo o vinco onde sua bunda encontra suas coxas, ela começa a enlouquecer.

— Ah!

Minha língua lambe. Meus dentes mordem. E meus polegares separam suas bochechas para que eu possa me aproximar de suas áreas mais sensíveis. Ela se contorce contra mim e implora por mais.

— O que você quer, Kea?

— Eu... eu não sei. Mais!

Então eu continuo nisso e sei que vou fazê-la gozar assim com apenas um pequeno toque ou uma pequena lambida.

— Por favor, Kolson. Por favor.

Sua parte interna das coxas, suas costas, nada escapa à tortura da minha boca. E finalmente enterro minha língua em sua fenda e ela goza como uma coisa selvagem, gritando meu nome.

Faz-me tão duro, empurro meu pau nela, e ela continua gozando.

— Oh Deus.

Isso é tudo que ela pode dizer e isso me deixa em um frenesi também. Porra, não consigo o suficiente dela. E então gozo tão duro quanto gozei há pouco tempo atrás.

Assim que me aproximo dela, ela sobe em cima de mim e molda seus lábios nos meus.

— Mmmm. Isso foi tão incrível.

E isso me faz querer abraçá-la ao meu lado e nunca deixá-la ir.

Toda essa beleza maravilhosa é destruída pelo som do meu telefone.

— Porra.

— Você tem que atender isso?

— Provavelmente. Já estamos atrasados.

— Sim, mas valeu totalmente a pena.

— Verdade. — Alcançando através dela para a mesa de cabeceira, pego meu telefone e meu corpo instantaneamente endurece.

— O que é isso?

— Besteira de trabalho. Um contrato em que estamos trabalhando acaba de atingir um obstáculo. Tenho que ir ao chuveiro.

— OK.

Ela me segue porque é a nossa rotina. Quando começa a lavar o cabelo, puxo a garrafa da mão dela. — Deixe-me fazer isso.

Eu amo fazer isso. Sentir seus cabelos sedosos em minhas mãos. Faço espuma e enterro meus dedos nela, esfregando seu couro cabeludo. Ela afunda em resposta.

— Você é tão bom nisso.

— Você que o diz.

Enquanto a espuma lava, eu memorizo tudo sobre ela. Uma dor profunda aperta meu peito, e então eu sei que não é verdade o que eles dizem sobre o seu coração se partindo. Não chega nem perto. Seu coração não se quebra. Um corte divide seu peito bem aberto e, em seguida, ele se expande para o seu esterno até que seu coração exploda para fora do seu peito. A porra da coisa não está quebrada. É totalmente aniquilado. E não há supercola suficiente em todo o mundo para juntar tudo. Então partes de você começam a cair, uma por uma. Você sabe que não é possível voltar a ser colocado novamente. Você está fodendo Humpty Dumpty.

Aperto o condicionador na palma da mão e esfrego no cabelo dela. Então limpo a rouquidão e digo: — Ei, Kea, ouço meu telefone. Eu preciso atender isso. Grande reunião hoje. Desculpa.

— OK, baby.

Saio correndo de lá para não fazer papel de bobo. Eu me visto em tempo recorde e entro no escritório. A mensagem que veio me colocou no inferno:

Seu pagamento da dívida começa em vinte e quatro horas. Não posso esperar para ter você de volta, filho. Arrume suas malas. Você está voando para Vegas de manhã.

Como diabos que eu vou. O único lugar que eu estarei voando é o maldito galinheiro.

Essas são suas malditas porcarias. Eu preciso ficar aqui até Gabriella sair, então ela não suspeitará de nada. Em trinta minutos, ela enfia a cabeça para dentro.

— Você ainda está aqui?

— Sim. Eu tenho que tirar isso antes de ir. — Invento uma desculpa esfarrapada. Novamente.

— Oh. Estou indo embora.

— OK. Ei, eu vou estar bem atrasado hoje. Estou trabalhando neste novo contrato e tenho uma reunião tardia. Não espere por mim para o jantar. — Eu sorrio.

— OK. Você está voando em algum lugar?

— Talvez D.C., mas se eu o fizer, vou mandar uma mensagem para você.

— Bom. Amo você, Skippy.

Nos beijamos.

Eu ri. — Amo você também. E gostei de sua bunda de pêssego.

— Não tanto quanto eu gosto.

— Oh, eu não sei sobre isso.

E ela se foi. Dou cinco minutos antes de me permitir me mover. Eu quero cair ao chão, mas não posso. Haverá tempo para isso depois. Tenho coisas que preciso fazer primeiro. Coisas importantes.

Agarrando a mochila da prateleira de cima no meu armário, coloco as roupas que já reservei. Há uma mochila que carreguei com cinquenta mil em dinheiro, um passaporte, carteira de motorista e dois cartões de crédito, tudo em nome de Jason Ackerman. Ele também contém um telefone celular que será ativado assim que eu fizer a ligação. Eu troco de roupa, coloco um moletom e óculos de sol e saio da cobertura. Usando a entrada lateral do prédio, ando vários quarteirões e pego um ônibus onde encontro Sam no lado oeste da cidade. Ele será o único que sabe como entrar em contato comigo.

— Sr. H. tem certeza disso?

— Sam, é o único jeito. Eu não posso voltar ou ele encontrará uma maneira de arruiná-la. Você sabe que ele vai. Ela não pode saber de nada para isso funcionar.

— Sim, senhor.

— Ela não pode saber que você sabe. Lembre-se de limpar as fitas de segurança de mim saindo assim que puder. Isso tem que parecer que eu desapareci no ar. Todas as minhas coisas estão na casa. Ninguém, absolutamente ninguém sabe. Compreende?

— Sim, senhor.

— E você sabe como limpar as fitas?

— Eu posso fazer isso em meu horário de sono, Sr. H.

— Bom, — eu digo. — Ele vai descobrir que eu fiz isso, mas não quero que ele suspeite de você. Se ele descobrir, você sabe o que vai acontecer.

— Sim, senhor eu sei.

— Eu odeio envolver você, Sam.

— Sr. H. estou preocupado com você.

— Sam, eu vou ficar bem. Sobrevivi a ele quando era criança. Eu sobreviverei a ele agora. Se precisar de alguma coisa, ligarei para você. Mas será de um número não rastreável porque você será assistido e não entrarei em contato por um tempo.

— Sim, senhor. Boa sorte, senhor.

— Obrigado. Agora eu preciso sair daqui e o caminho mais rápido é em um trem, então vou embora. Você nunca me viu.

— Não, senhor. E vou voltar agora para verificar as fitas.

— Observe cada passo seu, Sam.

Vou até à escadaria mais próxima e pego o trem para Brooklyn. É lá que minha nova vida espera por mim.


CAPÍTULO SETE

Gabriella


São onze horas e nem uma palavra de Kolson. Enviei uma mensagem, liguei e, no entanto, nada. Mesmo seu assistente, Jack McCutcheon, não pode ser alcançado. Onde diabos estão todos?

Às 2 da madrugada, estou doente de preocupação. Não sei para quem ligar, então ligo para Sam. Uma voz sonolenta responde.

— Sam, você falou com Kolson hoje?

— Não, Dra. M.

— Ele não está em casa e não ouvi falar dele o dia todo. Algo aconteceu.

— Você tem certeza?

— Claro que tenho certeza! — Grito para Sam. Estou enlouquecendo. — Estou ligando para meu amigo, Case. Ele saberá o que fazer.

— Ok, senhora, mas talvez ele tenha sido detido em algum lugar.

— Sam. Kolson teria ligado.

Porra. Porra. Porra.

Minhas mãos estão tremendo tanto que tenho problemas para discar. Finalmente consigo ligar.

— Gabby? O que se passa? — Case atende.

— Não consigo encontrar Kolson.

— Vocês dois estão bem?

— Sim, estamos bem! Ele está desaparecido, droga!

— Ok, acalme-se.

— Não posso. Meu namorado não retornou nenhuma ligação ou mensagem e são duas horas da manhã e você está me dizendo para me acalmar. Não consigo me acalmar, porra!

— Jesus. Estou chegando.

Case leva uma eternidade para chegar aqui. Estou meio louca quando ele chega. Eu sei que pareço com um dos meus pacientes que precisa ser internada, mas não consigo me controlar. Tenho certeza de que algo terrível ocorreu.

Case pega em minhas mãos nas dele. — Onde está seu armário de bebidas?

— Lá.

Ele me arrasta atrás dele e derrama um copo de alguma coisa. Nem percebo o que é. Minha mente está fodida agora.

— Sente-se. — Ele aponta para o sofá e se senta ao meu lado. — Comece do começo.

Eu faço, e quando termino, ele pergunta: — Se importa se eu der uma olhada ao redor?

— Não, vá em frente.

— O que ele estava vestindo?

— Não sei. Ele estava em sua mesa e não prestei atenção. Uma camisa esportiva e calça. Sem gravata, mas não sei qual camisa ou calça.

Case acena e entra no nosso quarto. Ele olha no armário e sai, olha ao redor da sala, mas não diz nada.

— Onde é o escritório dele?

— Lá em baixo. Siga-me.

Eu lidero o caminho e ele entra e dá uma olhada ao redor, pega um monte de coisas e vasculha os papéis.

Ele inclina a cabeça e diz: — Ele nunca foi trabalhar.

— Hã?

— O que aconteceu, aconteceu daqui. Quem vai trabalhar sem o celular ou a maleta?

Caminho até à mesa dele e lá está seu telefone. Agarrando-o, olho para todas as chamadas perdidas e textos que enviei, entre os muitos outros de Jack e Deus sabe quem mais.

— Que diabos?

— Vê alguma coisa lá que você reconhece?

— Não. Eu sei que ele disse algo sobre uma reunião hoje e que ia se atrasar. Ele disse para não o esperar para o jantar.

Eu continuo a rolar e me deparo com o de seu pai.

— Que porra é essa!

— O que é isso?

— Um texto de seu pai sobre como ingressar em sua empresa e ir para Vegas.

— Interessante.

— Sim, já que Kolson odeia seu pai e nunca iria considerar isso.

— Gabs, o quanto você sabe sobre o pai de Kolson?

— O suficiente para saber que eu não quero mais nenhum contato com ele. Ele é um idiota, um idiota e um filho da puta!

— Você sabe o envolvimento dele suspeito em...

— Crime organizado?

— Ok, desde que estejamos na mesma página.

— Sim. Kolson não é como ele de qualquer forma, Case. Você precisa saber e entender isso agora. Ele deixou a organização de seu pai por esse motivo. Bem, essa é uma das razões.

Case olha em volta um pouco mais, mas finalmente diz: — Está tarde. Eu vou ficar por aqui esta noite e de manhã, vou ligar para minhas conexões de NYPD. Você não pode denunciar uma pessoa desaparecida antes de vinte e quatro horas de qualquer maneira. Essa será nossa linha do tempo. Como isso soa?

— O melhor que podemos fazer. Temo que o pai dele tenha feito alguma coisa com ele.

Case não parece muito reconfortante quando diz: — Não vamos tirar conclusões precipitadas ainda.

— Obrigada por ter vindo aqui.

Ele me abraça.

— O que mais eu poderia fazer, minha amiga?


# # #


De manhã, o telefone de Kolson toca. Eu pego. É Jack.

— Você falou com ele? — Eu pergunto.

— Não. Ele perdeu as reuniões ontem. Não sei onde ele está.

— Oh, Jack. É como se ele tivesse desaparecido. Encontrei seu telefone aqui em seu escritório ontem à noite. Meu amigo, um investigador particular, está investigando, mas você pode ligar para a equipe de segurança da HTS.

— Boa ideia, Dra. Martinelli.

— Meu amigo, Case, vai chamar a polícia quando acordar. Que horas são?

— São seis horas.

— Vou ligar se souber de alguma coisa.

— Obrigado, doutora.

Eu vou para a cozinha fazer café porque Case e eu com certeza precisaremos. O telefone de Kolson toca novamente. Nem me incomodo em ver quem está ligando. Apenas respondo.

— Olá?

— Quem é?

— Quem é? — Eu pergunto de volta.

— É Langston Hart. Estou ligando para o meu filho.

— Langston, é a Gabby. Eu não sei onde ele está. Ele desapareceu.

— Ele o quê?

— Sim. Eu saí para o trabalho ontem e ele estava aqui, foi a última vez que o vi.

— O quê, aquele idiota conivente.

— Do que você está falando?

— Não é da sua maldita conta!

— É aí que você está errado. Tudo sobre Kolson é da minha conta.

— Oh, médica espertinha. Mantenha seu maldito nariz fora disso. Este não é o seu problema.

— Sim, é problema meu, porque por acaso eu amo seu filho e ele está desaparecido e eu farei o que for preciso para encontrá-lo!

— Bem, pelo menos temos algo em comum.

— Em quê? A parte sobre o encontrar ou a parte sobre amá-lo? Porque de alguma forma eu acho que nossos sentimentos não poderiam estar mais distantes.

— Cuide do seu próprio maldito negócio. Se você ouvir algo desse lixo sorrateiro, diga a ele que papai o está esperando.

— Vá se foder!

— Oh, baby. Eu tomaria muito cuidado ao dizer isso para mim. Muito, muito cuidado!

E a chamada termina. Não percebo o quanto estou tremendo até desligar o telefone. E então grito, o que leva Case correndo para a cozinha.

— O que aconteceu?

— Era o pai dele. Ele é tão idiota!

— O que ele disse?

Quando conto a Case, ele não está surpreso.

— Tome um banho. Isso fará você se sentir melhor.

Certo. A única coisa que me fará sentir melhor é Kolson passando por aquela porta.

Com movimentos de zumbi, tomo banho e me visto. Atender pacientes nesse estado mental está fora de questão. Devo trabalhar na clínica do hospital hoje à noite. Eu cortei minhas horas de volta, porque não preciso do dinheiro como precisava. Com as despesas de aluguel do meu escritório reduzidas em dois terços desde que me mudei, minhas contas diminuíram. E não estou gastando dinheiro com comida, já que como na casa de Kolson ou com ele toda noite, então posso colocar mais dinheiro para meus empréstimos. Claro, não é muito mais, mas tudo ajuda.

Uma vez vestida, ligo para a recepcionista e peço-lhe para reprogramar meu dia. Meu estômago parece que está em um passeio de carnaval, e eu quero pular fora. Como sua vida pode virar de cabeça para baixo tão rapidamente? Um minuto tudo é ótimo e no seguinte, o amor da sua vida desaparece sem deixar vestígios.

Onde diabos ele foi? Alguém invadiu e o sequestrou? Se sim, onde está a nota do resgate? Seu pai, que é o meu principal suspeito, ficou chocado, então Kolson não estava aqui. Claro, existe a possibilidade de ele ser simplesmente um ótimo ator. Então, se alguém levou Kolson, ele é esperto o suficiente para não deixar pistas.

Corro pelo corredor até o escritório de Kolson.

— O que aconteceu? — Pergunta Case.

— E se alguém o sequestrou?

— Eu liguei para a segurança e eles estão olhando para as fitas de ontem. Eles devem me ligar se encontrarem alguma coisa. Eu quero vê-las.

A mesa de Kolson está bem cuidada. Intocada, realmente. Mas ele sempre foi assim. Folheio seus papéis e nada me parece incomum. Acordos comerciais ordenados, contratos para ele revisar, mensagens que precisa responder.

— Porra. Se ele fosse sequestrado, deixaria uma pista. Eu sei que Kolson o faria.

— Olhe as coisas, então, e veja se você encontra alguma coisa.

Eu mexo através de sua pasta e suas gavetas. Nada. Não há absolutamente nada aqui. Minha frustração aumenta.

Seu telefone toca.

— Olá?

— Dra. Martinelli. É Jack. Qualquer notícia?

— Nenhuma ainda. Estou vasculhando o escritório dele, procurando por pistas. Ele simplesmente desapareceu. — Minha voz racha quando solto um soluço.

— Ninto muito. Eu não quero afligir você.

— Não, está tudo bem. Vou ligar se tiver notícias dele. Vamos notificar a polícia a qualquer momento.

— Bom. Entrarei em contato.

— Obrigada, Jack.

Meu telefone toca em seguida e é Sam. Quando ouço sua voz, as comportas se abrem. Ele não consegue nem entender o que estou dizendo. Sou muito barulhenta, Case anda para o quarto.

— O quê?

Eu não posso responder então entrego meu telefone para ele. Ele fala com Sam e me diz que Sam está vindo com seu irmão, Ovaltine.

— Onde ele está? Você não pode simplesmente desaparecer no ar, Case.

— Exatamente.

— O que diabos isso significa? — E soco ele no peito, braço, em qualquer lugar que minhas mãos possam pousar.

Ele me envolve em seus grandes braços e me abraça. Mas não é Kolson. E eu quero Kolson. Quero que o cheiro dele me envolva. Quero o calor dele. O toque dele. Ele, droga!

Case me leva até à sala e me coloca no sofá. O interfone vibra e é Manny do andar de baixo. — Tem uma Sky O’Donnell aqui para ver você, Dra. Martinelli.

— Envie-a para cima. — Minha voz é rouca.

— Você ligou para ela? — Pergunto a Case.

— O que você acha? Estou prestes a reunir o pelotão aqui.

— Chame a polícia. Agora.

Ele acena e faz a ligação. O elevador se abre e Sky corre para os meus braços.

— Porra. Porra. Porra, Gabs.

— É ruim quando você amaldiçoa.

— Isto é mau. Ryder estará aqui assim que sair da aula. Cara está a caminho.

— Estou perdida, Sky. Eu só quero saber o que aconteceu com ele. Alguém o levou? Ele foi atropelado por um carro? O que aconteceu? Não saber está me matando.

O elevador se abre novamente e Sam sai.

— Sam. Desculpe-me, eu tive um colapso.

— Tudo bem, Dra. M. Você tem direito a um.

— Quando foi a última vez que você o viu, Sam?

— Anteontem. Você disse que ele nunca foi trabalhar, hein?

— Sim. Tudo estava aqui. Oh Deus, eu continuo tendo essa visão de que ele está ferido, deitado em algum lugar e ninguém pode ouvi-lo. E ele está sozinho. No escuro. Ele odeia o escuro. Oh Deus, nós temos que encontrá-lo!

— Ouça agora. O Sr. H. é duro e pode cuidar de si mesmo, então você tem que parar de ter esses maus pensamentos, Dra. M.

— É só que eu estou tão preocupada com ele.

— Eu sei que você está, mas pensar assim só vai te deixar em uma bagunça. Você me escuta?

Ele está certo e eu sei disso. Mas às vezes você não pode evitar o jeito que pensa.

O dia continua assim. Sky segura minha mão a maior parte do dia, me oferecendo o conforto que ela pode. Cara e Ryder tentam ajudar, mas não há muito que possam fazer. As pessoas entram e saem, e meus nervos se desgastam até o último fio estar aparecendo. A polícia publicou um relatório sobre pessoas desaparecidas e sua foto está sendo divulgada. Se ele não estava no Google antes, ele com certeza agora está.

A polícia procura pelo apartamento e recolhe material para impressões digitais. Eu lhes digo tudo o que sei, e eles me questionam repetidamente. Mas nada surge. Nada está faltando, e nenhuma carta de resgate foi recebida por ninguém.

Todos saem, então é apenas Case e eu quando ele finalmente dá a notícia. — Gabby, tudo é um beco sem saída. A polícia chamou o FBI por causa do pai de Kolson. Você será questionada em breve.

— Eu não me importo com quem eles chamam. E ele teve que ir a algum lugar.

— Vamos falar sobre as últimas semanas. Você diz que tudo estava ótimo entre vocês dois.

Eu recuo. Case é brilhante. Ele percebe.

— O que você não está me dizendo?

— É pessoal.

— Porra. Nesse ponto, nada é pessoal. Estamos tentando encontrar Kolson. Você quer que eu ajude ou não?

— Sim — Explico tudo o que está acontecendo e a situação com o pai dele durante o fim de semana em sua casa. Eu digo tudo a Case.

— Então você diz que ele está agindo de forma estranha. Diferente.

— Sim. Mas não com relação a nós. Na verdade, eu diria que ele era ainda mais para nós. Você entende?

— Explique.

— Quase como se ele não conseguisse o suficiente.

Case estreita os olhos. Eu o vi dar esse olhar antes e isso me faz contorcer.

— Você acha que ele estava dizendo adeus?

Se ele tivesse me dado um soco no estômago, eu me sentiria melhor. Porque, como seres humanos, tendemos a evitar o óbvio. Todos os sinais que apontam para as coisas, coisas dolorosas que não queremos admitir ou querer ouvir. Sim, eu tinha visto esses sinais. Mas escolhi ignorá-los. O jeito que Kolson me segurou. O jeito que ele me beijou e quase me adorou. E especialmente a maneira como ele olhou para mim. O dia em que ele me segurou no carro depois que nos encontramos com os advogados. Como se ele simplesmente não pudesse deixar ir. Eu conhecia esses sinais. Mas me recusei a vê-los pelo que eles eram.

Eu nem percebi que estava chorando de novo até que Case me entregou lenços.

— Você... Você acha que ele me deixou?

— Gabs, eu não sei. Estou tentando resolver isso.

— Mas por que ele iria se afastar de todas as suas coisas? — Meus braços acenam descontroladamente, indicando o conteúdo da cobertura.

— Isso é um monte de coisas. Se ele quisesse, ele poderia ter me dito para sair.

— Porque ele te ama com tudo o que ele tem e quer que você tenha tudo? Eu não sei. Estou puxando tudo e qualquer coisa agora. Nada faz sentido.

— Você vai ficar comigo esta noite?

— Sim. Eu preciso correr para casa e pegar algumas coisas. Você ficará bem por um tempo?

— Posso ir com você? Eu não quero ficar sozinha.

Ovaltine espera na frente para nos levar a casa de Case. Demora cerca de uma hora de ida e volta. E o tempo todo estou pensando, como diabos eu vou voltar para a minha vida novamente?


CAPÍTULO OITO

Kolson


Meu apartamento fica no Brooklyn e está muito longe da vida que deixei para trás. Mas não é disso que sinto falta. É do calor que costumava envolver em torno de mim todas as noites e a suavidade em que eu iria me enterrar. É a voz que murmura em meu ouvido e o hálito doce que se espalha pela minha bochecha. E é a calma que se infiltra em mim toda vez que ela está perto. Tudo o que ela tinha que fazer era tocar ou estar perto de mim e tudo mudaria.

Eu abasteci este lugar com comida e bebidas suficientes para durar algumas semanas. E também peguei uma tintura de cabelo e um computador barato. Minha única ligação com minha vida anterior é uma pen drive insignificante. Nela estão as centenas de fotos que eu tirei de Gabriella no último mês, junto com informações sobre meu pai que reuni ao longo dos anos. As imagens são uma coisa da qual não consigo me separar. Se algo acontecer, sei que posso levar este pedaço de mim onde quer que eu vá. E o pior cenário, sua destruição é uma tarefa simples. Os arquivos do dragão, embora não sejam suficientes para mandá-lo para a prisão, é um ponto de partida.

Nas próximas semanas, não tenho intenção de sair deste apartamento, a menos que seja forçado a isso. E Sam me avisará se estou em perigo de ser descoberto com esse fim. Eu estabeleço meu único contato com o mundo exterior, este pedaço de lixo de computador.

Meu rosto está espalhado por todas as notícias. Seria bom que usasse óculos de sol e um moletom quando sair. Menos chance de ser reconhecido. Eu também tive o cuidado de usar roupas mais esfarrapadas, então não chamei a atenção.

Gabriella puxou todas as paradas em sua busca por mim. NYPD está chamando-o de um incidente com pessoas desaparecidas, mas não há pistas no apartamento. Ela chama Case, ele foi entrevistado. Eu sabia que ela faria isso e tenho certeza que não deixei nada para ele encontrar. Mas ele é muito bom no que faz, então espero que não descubra isso.

Eu rezo para que ela desista em breve. Quando a polícia não encontrar provas de crime, eles não terão escolha. Eles vão dar-lhe a notícia de que não podem continuar a pesquisa depois de certo período de tempo e isso será tudo o que há para ela. Pelo menos é o que eu espero.


# # #


É tão escuro e o homem malvado me assusta. Ele tirou meu pijama do Homem Aranha e me deu algumas outras coisas para usar. Eu não sei se eles são do homem aranha ou não, mas me dão coceira. Eu quero meus outros de volta. Chorei e ele disse que se eu não calasse a boca não ia pegar água ou outras coisas para comer. Tentei parar, mas não pude então coloquei meu punho na boca para me fazer parar, mas o homem saiu e não voltou. Estou com muita fome e sede. Por que minha mãe não vem por mim? O homem malvado disse que ela nunca mais vai voltar. Por que ela não vai voltar? Eu quero minha mamãe e meu pijama do Homem Aranha. E minha lâmpada Thomas o Trem. Não vejo nada.


Memórias daqueles primeiros dias me inundam. Houve um tempo em que fui capaz de empurrá-las para trás, encobri-las e escondê-las. Mas todas as noites, desde que estou neste apartamento sem Gabriella, elas se chocam contra mim quando a escuridão se instala. Não adianta nem tentar mais mantê-las fora. Elas rasgam-me com a velocidade da luz, muitas delas de uma só vez. É como se a luta tivesse sumido de mim. Estou mole e sem vida enquanto estou deitado aqui, pensando, pensando, pensando. Sobre como ele roubou minha infância. Como ele roubou minha juventude. Como ele roubou minha vida. E como ele está fazendo isso de novo.

Eu ando, mas estou enjaulado. Estou tão tenso. E não sei como liberar. Preciso lutar para gastar essa energia, mas estou preso aqui. O exercício não faz muito. Corro de madrugada, quando tenho certeza de que ninguém vai me ver. Mas isso não é suficiente. É aí que o álcool ajuda. Eu bebo para me entorpecer. É a única maneira.

Quando estou sóbrio, lembro-me de como há apenas uma coisa que pode me limpar e não posso falar com ela agora. Então começo a delinear um plano. Um plano que vai derrubá-lo. Peça por peça. Um plano calculado e frio. Tem que ser executado perfeitamente porque seus tentáculos são de longo alcance e assim é o seu fogo. E se eu queimar no final, junto com ele, vou importar-me? Na verdade não. Porque, a que tipo de vida ele me condenou? Ele roubou o último fragmento de qualquer coisa que eu já tive. Então eu devo encontrar uma maneira de roubar tudo de volta.


# # #


O homem malvado me disse que meu nome era Kolson. Por que ele me diz isso? Este não é meu nome. Mamãe não vai gostar disso. Meu nome é Jason, mas ele me disse que tenho que dizer que é Kolson ou não vou comer. Estou com fome, então digo que é Kolson. Mas eu sei que não é. Eu digo Kolson em voz alta, mas Jason na minha cabeça. O homem mau diz que se eu disser Kolson, ele acenderá a luz. Eu digo, Kolson, — o mais alto que pude. Mas minha garganta queimou porque estou com muita sede. Ele me deu água e acendeu a luz, mas meus olhos doíam tanto que os cerrei. Ele riu e eu fiquei com medo e chorei. Então ele desligou e me disse que eu precisava ficar quieto e ser um menino grande e não um bebê chorão o tempo todo.


Memórias vívidas, tão distintas. Eu quero bater seu rosto em uma parede até que ele não possa respirar novamente. Mas meu objetivo não será sua morte. Vai ser pior. Eu quero que ele vá para a prisão. Eu quero que ele passe tempo em uma gaiola como eu passei. Só ele vai estar lá com outros como ele. E isso será muito mais prejudicial para ele do que a morte. Humilhação por humilhação. Remoção de poder para o poder faminto. A queima do próprio dragão.

Minha esperança é que o arquivo que eu tenho sobre ele me leve a algum lugar, então me aprofundo e começo minha longa busca. Procuro por quaisquer nomes ou conexões que possam me apontar para algo em que eu possa afundar meus dentes. Langston tem sido ligado a todos os tipos de atividades ilegais, mas ninguém nunca o derrotou. Eu sei os nomes de alguns dos seus contatos da máfia, então se eu puder colocar dois e dois juntos, talvez eu possa ser o único a fazê-lo cair. O tempo é tudo o que tenho agora, por isso pretendo passar horas e horas procurando por qualquer coisa que possa me guiar para a informação certa.


CAPÍTULO NOVE

Gabriella


Duas semanas após o desaparecimento de Kolson, estou de volta ao trabalho, mas de forma extremamente limitada. Provavelmente não é a coisa mais sensata a fazer, eu estar no trabalho, mas não posso ficar em casa sozinha. Gloria, a recepcionista bate na minha porta. Isso é muito incomum porque estou com uma paciente e ela nunca me interrompe.

Depois de pedir desculpas ao paciente pela interrupção, e digo a quem quer que seja para entrar.

Ela abre a porta e diz: — Há um Jack McCutcheon aqui para vê-la, e diz que é extremamente urgente.

Meu coração se agita porque eu imediatamente acho que ele ouviu falar de Kolson.

— Diga-lhe que estarei com ele em quinze minutos. Estou com um paciente.

— OK. E tem outro homem com ele, mas ele não deu o nome.

Eu aceno e continuo com o compromisso. Quando terminamos, acompanho meu paciente e saúdo Jack. Ele me apresenta a William Parrish.

— Dra. Martinelli, estou tentando fazer você ligar para mim por vários dias.

— Sinto muito, Jack, mas eu não quero mais divulgar essa história sobre o paradeiro de Kolson.

— Não é isso que preciso discutir com você. Podemos ir a algum lugar privado? — Ele pergunta.

Eu os levo para uma das salas de conferência.

William começa. — Dra. Martinelli, eu sou o principal advogado da HTS e há algumas coisas que você precisa saber. Também precisarei da sua assinatura em vários documentos legais.

Agora estou confusa.

— Para quê?

William olha para Jack. — Ela não sabe disso?

— Aparentemente, não.

Os dois homens olham para mim. William diz: — Dra. Martinelli, você sabe o que é uma pílula venenosa?

— Uma o quê?

— Uma pílula venenosa. É uma estratégia que as corporações às vezes empregam para desencorajar aquisições hostis. No caso da HTS, a empresa não é de capital aberto, portanto, uma verdadeira aquisição corporativa não é realmente possível. No entanto, com o desaparecimento de Hart, havia a possibilidade de que sua família, Langston Hart, pudesse entrar e invadir a empresa. É aí que você entra na cena. Você é a pílula venenosa de Kolson. Cerca de dois meses atrás, ele mudou completamente a estrutura da HTS e no caso de sua ausência ou morte, esta corporação reverte para você. Então você está agora em posse total da HTS. Jogos, trapaças e dois canos fumegantes1, como eles gostam de dizer. Nada pode acontecer sem a sua aprovação. Ele confiava em você, Dra. Martinelli, com as rédeas desta corporação. Ou mais especificamente, para mantê-la fora das mãos de seu pai.

— Eu tenho toda a papelada no escritório, se você quiser dar uma olhada, o que eu sugiro que você faça. Você é a atual CEO e proprietária da Hart Transportation Services. Vale mais de oitocentos milhões de dólares. E você mantém todo o controle disso em suas mãos. Isso não quer dizer que você não tem uma excelente equipe à sua disposição, com Jack aqui no comando. Mas, Dra. Martinelli, precisamos da sua assinatura em vários contratos pendentes. Hoje, assim que você puder.

De alguma forma, por uma força de vontade invisível, suponho e pego o telefone que está na mesa de reuniões. — Gloria, é Case?

— Sim, doutora.

— Você pode mandá-lo para a Sala de Conferências Um, por favor.

— Sim, senhora.

Alguns minutos depois, Case entra e eu me volto para William. Você pode repetir tudo o que acabou de me dizer?

Case senta ao meu lado e ouve o que eles dizem. Então ele olha para mim. — Precisamos ir para a HTS. Agora. E você precisa cuidar dos negócios.

— Eu tenho outro paciente, — eu digo atordoada.

Case pega em minhas mãos.

— Gabs, eu sei que isso é muito para assimilar, mas Kolson fez isso por uma boa razão. Foi bem pensado. Dê ao homem algum crédito. Há uma corporação em risco e só você pode impedir sua destruição. Você sinceramente quer que isso aconteça? Assine essa porcaria, vá até à HTS, cuide dos negócios e deixe Jack lidar com o que precisa ser tratado. Kolson confiava nele e você também deveria. Você pode ver seu paciente mais tarde.

— Ele me deixou.

— Mais uma vez, você não está me ouvindo. Ele deve ter um motivo. Vamos nos mover daqui.

Eu rabisco meu nome no documento que Jack segura para mim.

— Jesus, deixe-me ver isso. Posso realmente confiar em você? — Agora estou ficando paranoica.

Case pega o contrato das minhas mãos e entrega para Jack.

— Dra. Martinelli, dediquei minha vida à HTS e ainda farei isso. Eu sei o quanto o Sr. Hart odiava seu pai. Você pode confiar em mim. Eu não vou falhar com você, — diz Jack.

Case me puxa para levantar e nós seguimos os dois homens para fora da porta. Eu digo a Gloria para cancelar e reprogramar o resto dos meus compromissos. Parece que é tudo que faço hoje em dia. Minha prática está indo para o inferno.

Um motorista que eu nunca vi está no volante e nos leva para a sede da HTS. A única vez que eu já estive aqui foi no andar de helicóptero com Kolson. Pegamos o elevador até o andar executivo e Jack me leva ao escritório de Kolson. Quando vejo o nome dele na porta, me descontrolo.

Case pede a Jack por alguns minutos e me empurra na porta, fechando-a atrás de nós.

Eu olho em volta e fico chocada com todas as minhas fotos. Minha mão cobre minha boca enquanto tento absorver o que estou vendo. Tropeçando para trás até que bato na parede, deslizo para baixo e soluços estridentes me ultrapassam. Sua presença está ao meu redor. E eu só quero saber onde ele está e por que foi embora. O que diabos eu vou fazer com essa empresa? Eu não sei nada sobre essas coisas.

Então noto uma foto enorme de nós na parede dele. Eu me esforço para ficar de pé e caminhar lentamente até lá. Foi uma das selfies que ele fez logo antes de sairmos para jantar uma noite. Estou sorrindo e ele está olhando para mim. Ele tem um olhar intenso em torno de sua boca e eu quero beijá-lo tanto que não aguento mais. Corro meus dedos em seus lábios e, em seguida, uma raiva feroz assume. Tirando essa foto da parede, eu soco a minha mão e rasgo em pedaços.

— Por que você fez isso comigo? Por que você foi embora?

Case se move para trás e me agarra. Ele tenta me acalmar, mas estou com tanta raiva. Eu só quero respostas.

— Eu preciso descobrir quanto dinheiro ele me deixou, Case.

— Por quê?

— Porque eu quero contratar alguém para encontrá-lo. Se você não pode fazer isso, quero que encontre alguém que possa. Eu preciso de respostas. Se eu não conseguir, isso vai me arruinar. Está me comendo viva.

— OK. OK. Mas agora, você precisa se controlar. Temos que ir lá e fazer um trabalho. E você precisa estar no controle. Você é a CEO de uma grande corporação. Nós vamos falar sobre isso depois de sairmos. Entendido?

Demora um pouco, mas consigo me acalmar. Nós entramos em uma reunião com Jack, minha secretária Chloe, o que é estranho pensar em mim tendo uma secretária, e toda a equipe legal. Eu assino tudo e criamos um horário onde eu vou entrar toda semana por duas manhãs. Jack lidará com as decisões de negócios do dia-a-dia, mas eu terei a palavra final sobre todo o resto.

Quando essa reunião termina, tenho outra com William. Ele me entrega mais documentos legais que me declaram a co-proprietária de todos os bens pessoais de Kolson. Em outras palavras, Kolson me adicionou a todas as suas contas, propriedades pessoais, propriedades, etc. Eu tenho acesso a tudo. Cada último centavo. E há uma grande quantidade. Minha cabeça está girando. Eu nunca vi tantos zeros no final dos números.

Depois de colocar minha assinatura em tudo, Case e eu voltamos ao escritório da Russell Serviços de Investigação. Nós precisamos conversar. Muito. Eu tenho mais perguntas do que respostas, mas ele é esperto e pode me guiar em uma direção geral.

— Vamos pegar um pouco de comida e pensar sobre isso, — ele sugere. Ele pede comida chinesa e nós conversamos sobre frango e carne com brócolis.

— Então, aqui está o que eu estou pensando, — diz ele. — Kolson não saiu apenas por um capricho. Ele planejou tudo isso. Você não passa por todas as coisas que acabamos de ver em um piscar de olhos.

Ele tem razão.

— É o pai. Ele é um filho da puta assustador. Ele quer a empresa por qualquer motivo e Kolson está totalmente contra isso, então ele faz o que precisa fazer. Ele sabe que pode confiar em você para fazer a coisa certa. E ele já está alinhado com as pessoas certas na corporação. Então essa parte está pronta. Você foi a última peça do quebra-cabeça.

— Você acha que ele me usou?

— NÃO! Isso não foi o que eu quis dizer. O que estou dizendo é que ele lhe deu a empresa para que ele possa fazer o que ele precisa fazer. Quando ele voltar, ele saberá que será tão bom quanto era quando foi embora, ou melhor ainda.

— Eu não acho que ele esteja voltando.

Case franziu o cenho. — O que te faz dizer isso?

— Ele me adicionou toda sua riqueza pessoal. Se ele estivesse voltando, ele não teria feito isso.

Balançando a cabeça, Case diz: — Eu discordo. Ele te ama. Ele não queria deixar você sem fundos. Além disso, acho que ele está enviando uma mensagem para você.

— Uma mensagem? Dizendo o quê?

Case ri. — Vamos garota. Use esse seu cérebro psicológico. Ele quer que você saiba que está lá fora cuidando bem de você.

— Besteira. Eu quero saber que ele está bem aqui, cuidando bem de mim.

— Sim. Isso é uma mulher pensando. Você tem que pensar como um homem. Ouça o que estou dizendo. Se ele saísse, tipo, realmente te deixasse, ele teria ido embora e você não teria dinheiro. Ele teria te deixado sem dinheiro. Você conhece o jogo. Esse não era o plano dele.

Case faz um ponto forte.

— Eu só quero falar com ele. Para ter certeza de que ele está bem.

Ele dá um tapinha nas minhas costas. — Eu sei, e não posso culpá-la por isso. Eu também acho que há uma rede de segurança para você nesta corporação.

— O que você quer dizer com isso?

Case olha ao redor do escritório e depois de volta para mim. — Você sabe como eles mencionaram aquela coisa da pílula venenosa? Com você aqui, Langston não consegue nada, certo?

— Sim, mas como isso é uma rede de segurança?

— Se alguma coisa acontecer com você, ele está ferrado na medida em que a HTS vai estar. Kolson montou isso para proteger você e a empresa. Além disso, se você desaparecer também, todos os dedos certamente apontarão no caminho dele.

— Eu suponho que faz sentido, mas eu não confiaria em nada até onde Langston vai.

— Eu não te culpo por isso. Ele não tem a reputação de ser do tipo confiável.

— Mudando de assunto, e eu sei que vou parecer muito chorona aqui, mas sinto falta dele. Quanto tempo essa porcaria demora?

— Um tempo. Quando você ama alguém, você não se levanta e esquece. Isso facilita alguns, mas leva muito tempo.

— Posso dormir com você esta noite?

Case estava levantando a taça para tomar uma bebida e o conteúdo caiu. Ele franze a testa enquanto limpa a água derramada. — Uh, Gabby, eu não acho que seja uma boa ideia.

— Eu não quero dizer assim.

— Eu ainda não acho que seja uma boa ideia.

— Eu posso dormir no sofá. Eu não quero ficar sozinha. Por favor.

Ele não me quer, mas eu forço o assunto. Minha autopiedade me deixou mais ousada. Mas então eu acho que talvez ele tenha alguém especial que não conheça. Então eu rapidamente acrescento: — Oh, esqueça isso. Eu realmente não quis dizer isso.

— Não, está tudo bem. Você precisa correr para casa e pegar algumas coisas?

— Não, eu tenho algumas das minhas coisas aqui.

— Porquê aqui?

— Eu passo algumas noites aqui. Não é grande coisa. — Eu não quero olhar nos olhos dele, porque agora estou um pouco envergonhada.

— Você não disse nada.

Minha cabeça cai para frente, meu cabelo cobrindo meu rosto. É um velho hábito dos dias de Danny. — Não queria ser um incômodo.

— Como se isso pudesse acontecer. Vamos lá.

Mas isso não é verdade. Quando penso nisso, tenho sido um grande incômodo para Case nas últimas semanas. Chamando a todas as horas da noite, mandando mensagens para cada pequena coisa. Não é de admirar que ele não me queira em sua casa esta noite.

— Você sabe o quê? Acho que vou para casa depois de tudo.

Eu acabei de ver seus ombros relaxarem?

— Tem certeza? Porque você sabe que é sempre bem-vinda.

Sorrindo, eu digo: — Pode deixar. Eu acho que quero dormir na minha própria cama. Preciso recuperar um pouco da situação aqui primeiro. Está ficando um pouco fora de controle.

Ele expira o fôlego, e eu acho que ele vai descobrir meu blefe, mas então ele acena e diz: — Vejo você amanhã, então. Noite, Gabs. — Um abraço e ele se foi.

Quando ouço a tranca da porta atrás dele, vou ao meu escritório. Como minha vida chegou a esta uma montanha russa? Eu me fecho para a raiva e tristeza que parecem estar dominando minhas emoções ultimamente. Preciso passar por isso ou serei um desastre esperando para acontecer. Eu mal consigo me concentrar em meus pacientes quando os vejo como estão. O sofá se torna minha cama enquanto eu me enrolo de lado.

Meu celular vibra.

— Você ainda está no escritório, não é? — Pergunta Case.

— Sim. Estou trabalhando nesse faturamento e preciso terminar.

— Você pode pelo menos ser honesta comigo.

— OK. Eu não estou trabalhando.

— Gabby, vá para casa.

— Eu não posso neste minuto.

— Você precisa dormir um pouco.

— Case, você não entende.

— Sim, eu entendo.

Eu suspiro minha respiração presa na garganta. — Não, você não entende. O homem que eu adoro se afastou da nossa vida. Eu o beijei disse adeus e ele disse que me veria naquela noite. Ele me disse que chegaria atrasado porque tinha uma reunião. E foi isso. Essa foi a última vez que falei com ele. Você não consegue entender. Ele não morreu de alguma doença terrível. Ele não foi morto em um acidente horrível. Ele não foi espancado até à morte por algum criminoso rabugento. Ele levantou e saiu. Foi embora sem deixar vestígios. E eu não tenho ideia de onde ele está ou o que está fazendo. Estou fazendo o melhor que posso, mas não me diga para ir para casa e dormir, porque eu não posso. Seu cheiro está em toda a nossa cama. Está em todo lugar. Toda vez que eu inalo, ele está lá, e não consigo descobrir por que ele se foi.

Meus pulmões se apertam numa faixa em volta do meu peito e garganta, e eu não consigo respirar fundo.

— Gabby?

Eu o ouço chamando meu nome, mas o pânico toma conta. O chão me cumprimenta quando rolo do sofá e caio de joelhos. Rosto formigando, palmas das mãos suadas, eu estou lutando o máximo que posso para ter controle sobre as coisas, mas as manchas na minha visão me permitem saber que perdi a batalha. Eu vou desmaiar em breve e as coisas podem se normalizar. Quem sabe? Minha frequência cardíaca é elevada e minha pressão arterial é indubitavelmente alta. Talvez eu sofra um ataque cardíaco. Mas então eu penso sobre HTS e enlouqueço ainda mais. O que vai acontecer com a empresa se eu morrer?

Eu me forço a respirar do jeito que preciso, para ajudar a equilibrar meus níveis de oxigênio e dióxido de carbono. Logo sinto as coisas se nivelarem. A essa altura, Case está entrando correndo para o meu escritório e me tirando do chão.

— Estou bem. — As palavras saem fracas.

Ele me libera. — Porra, você me assustou! O que aconteceu?

— Ataque de pânico. — Ainda estou um pouco ofegante.

— Que diabos você estava pensando? — Ele joga os braços para o ar.

Como ele ousa? Como ele pode me acusar de alguma coisa?

— Você acha que fiz isso de propósito? Saia.

— Não, não é isso que eu acho.

— Case, apenas saia. — Estou cansada e não quero discutir com ele.

— Mas você estava...

Eu me sento de novo e minha cabeça desce. Sem olhar para ele, eu digo: — Eu aprecio você correndo de volta aqui. E me desculpe por tudo isso. Mas eu estou fazendo o melhor que posso. Eu quis dizer o que eu disse no telefone. — Respire profundamente, Gabby.

— Eu não posso ir para casa e dormir. Todo mundo tem sua própria situação, você recebeu uma mão quando foi assaltado e, por favor, não leve a mal, mas você teve um problema concreto. Eu estou lidando com algo tão abstrato que eu não posso nem mesmo envolver meu maldito cérebro em torno disso ainda. Mas estou tentando. Por Deus, estou tentando. Todo dia eu acordo e penso: talvez hoje eu vá ouvir a voz dele. Ou talvez hoje, eles encontrarão seu corpo. Ou talvez hoje, eu recebo uma nota de resgate. Ou talvez hoje seu pai assustador vá ligar e me dizer que ele fez algo para ele. Mas nada. Todo dia é o mesmo. Então eu continuo, mas sinto que estou morrendo por dentro porque não sei mais o que fazer ou como ajudá-lo. E é a pior sensação do mundo.

— Jesus, Gabs. Eu gostaria de poder fazer alguma coisa.

— Eu queria que você também pudesse. Então vá para casa e me deixe ir. Eu ficarei bem.

— Não. Você vai para casa comigo.

— Não. Eu não posso, Case. Eu já me aproveitei de você por muito tempo. E preciso continuar com as coisas. Se eu não começar um dia de cada vez, eu nunca farei isso. — Eu me forço a levantar a cabeça.

Ele me dá o olhar mais duro que já vi, mas depois sacode a cabeça e sai. Quando ele se vai, eu me inclino para trás e me enrolo em uma bola e tento dormir. Por ventura eu faço, mas intermitentemente. E meus sonhos são de Kolson me chamando, mas não posso alcançá-lo. Meu braço não é longo o suficiente e ele desaparece antes que eu possa tocá-lo.


CAPÍTULO DEZ

Kolson


Três semanas se passaram e agora posso me arriscar a sair. Minha barba cresceu e meu cabelo tingido é mais longo. Eu sempre uso um moletom com capuz já que o tempo arrefeceu com a queda em pleno andamento agora, ou eu uso óculos escuros ou saio à noite. Eu tenho que estar perto dela.

Eu me escondo em frente ao seu escritório e no tempo certo para ter um vislumbre dela indo ou vindo. Sam sabe que eu vou estar aqui. Ele não acha que seja inteligente, mas não me importo. Eu preciso vê-la por mim mesmo.

Ele a deixa e sai para acompanhá-la até à porta. Quando eles chegam, ele para e conversa com ela. Ela está mais magra e seu rosto parece angustiado. Eu não estou perto o suficiente para dar uma boa olhada, mas posso sentir sua infelicidade. É sua postura inclinada e ombros flácidos. Seus dedos da mão no medalhão que eu dei a ela, como se isso lhe desse conforto. Isso me faz pensar se isso acontece. E então me encho de arrependimento... Arrependimento por ouvi-la... Arrependimento por não tê-la enchido de presente após presente. Eu poderia ter dado a ela todos os tipos de joias e bugigangas. Mas escolhi não o fazer, porque ela disse que não queria. E agora estou cheio de remorso doloroso por não ter feito isso. Por que eu escutei?

Kahlil Gibran disse: — E já se sabe que o amor não conhece sua própria profundidade até à hora da separação.

A primeira vez que li essas palavras, pensei em minha mãe biológica. Mas agora eu sei o que ele realmente quis dizer quando os escreveu. Eu reconheci que meu amor por Gabriella era intenso e verdadeiro, mas não tinha ideia de suas profundezas ilimitadas até nos separarmos.

Eu deveria ter escutado Sam.


CAPÍTULO ONZE

Gabriella


Semana quatro D.K. É assim que eu meço o tempo agora. Antes de Kolson e Depois de Kolson. Eu me forço a comer, mas a comida tem um gosto horrível e mal posso mantê-la no meu estômago. Minhas roupas se penduram no meu corpo e meu rosto parece a própria morte. Meias luas roxas sombreiam meus olhos e meu cabelo está liso e sem brilho. Meu brilho desapareceu do lado de fora, assim como no interior. O lado positivo, se houver, é eu ficar no meu antigo estúdio. As noites são ruins, mas durmo lá. Dormir na cama que compartilhei com Kolson não está perto de ser viável. Sua presença ainda permanece e me coloca em um estado tão deprimido que eu fico fisicamente doente. Eu vou para a cobertura todos os dias para coletar correspondências e fazer todo o resto, mas não consigo passar a noite lá. É ridículo, mas minhas lembranças vívidas do que nós compartilhamos naquela cama são demais. As coisas são melhores no meu pequeno estúdio.

Saio do elevador da cobertura e paro abruptamente. Kestrel fica lá como um predador. Não tenho certeza se devo ficar com medo. Ele não se comunicou comigo uma vez durante tudo isso, então esta visita me pegou de surpresa.

— Gabby. Eu não queria assustar você.

Sua voz, maneirismos, olhares, tudo é tão atraente e assustador que quero fugir. Mas permaneço firme.

— Uma ligação seria legal. Ele está desaparecido há quatro semanas. — Estou de repente com raiva. Este é o irmão dele. Que porra é essa!

— Eu sei. Eu estava em Vegas e acabei de voltar. Vim o mais depressa que pude.

— Foda-se isso, Kestrel. É de Kolson que estamos falando. Seu irmão. Sejamos honestos. A verdadeira razão pela qual você não veio foi por causa do seu pai maldito.

Ele joga a cabeça para trás. Ah sim, eu choquei o pobre coitado.

— O quê? Surpreso?

Ele solta uma risada nervosa.

— Uh, eu só não esperava essa reação.

— Tenho certeza disso. — Eu cruzo meus braços.

Ele penteia os dedos pelos cabelos e diz: — Eu queria ver como você estava.

— Sem dúvida. Então você poderá reportar ao papai.

— Eu já disse alguma coisa para te chatear?

Ele é genuinamente sem noção.

— Vamos esclarecer uma coisa. Eu não gosto do seu pai. Ele é uma foda assustadora e já que você está aqui me diz uma coisa. Ele lhe enviou para obter informações. Ele tem você em uma corda tão curta que provavelmente você está engasgando com isso agora. Estou certa, Kestrel?

Ele agita. Então ele realmente esfrega o pescoço. Inacreditável.

— O que exatamente Kolson lhe contou?

Sua pergunta me diz que ele não tem certeza de onde ir com isso.

Eu rio.

— É sério? Você acha que eu vou compartilhar alguma coisa com você do que Kolson e eu discutimos? — Eu me inclino para ele. — Mas vou compartilhar isso com você. Eu sou uma psiquiatra, estudo comportamentos para viver. Fui para a escola por doze anos estudando essas coisas e sei quando vejo alguma porcaria doentia, e seu pai... Ele é a nata da colheita. Agora, enquanto estou aqui e olho para você se remexendo e se mexendo, isso me diz uma coisa. Você está com medo, Kestrel. Tenho certeza de que o dragão, como vocês o chamam, tem algum tipo de influência sobre você. Seja física, emocional, psicológica ou todas as situações acima, é forte. É tão forte que você cheira mal. Então, até que você possa cortar esses laços com ele, eu não vou te contar nada. Está entendido?

Ele balança a cabeça enquanto esfrega os braços. De novo e de novo. Tátil. Ele tem que se tocar. Foi algo que eu vi na festa, mas guardado por causa do que aconteceu entre eu e Kolson. Jesus, o que diabos aquele filho da puta fez com esses meninos quando eram jovens? Kolson com o escuro e agora Kestrel esfregando os braços repetidamente, incapaz de parar?

Estendo minha mão para ver se ele me permite tocá-lo. Eu não estou preparada para a reação dele. — Kestrel, estou preocupada com ele, e espero que você também esteja.

Ele pega minha mão e a prende em seu braço. Seus olhos se fecham e sua cabeça cai para trás como se estivesse em êxtase.

— Kestrel?

Ele está quase em transe.

— Kestrel? — Eu digo mais alto desta vez.

Sua cabeça volta a posição normal. — Desculpa. Eu estava perdido em pensamentos. Sim, espero que ele esteja bem. Você vai me ligar se ouvir alguma coisa? — Ele ainda segura a minha mão no topo do seu braço. Esquisito.

— Sim.

— Gabby. Eu sei que você o ama.

— Mais do que eu posso te dizer.

— Todos nós tivemos... Momentos difíceis com o nosso pai.

— Sinto muito que você chame disso. Eu chamaria isso de abuso.

— Sim, eu posso ver como você chamaria.

Olho intencionalmente para a mão dele apertando a minha e ele segue meu olhar. Ele imediatamente me libera.

— Kestrel, se você quiser ou precisar falar, eu conheço um bom psiquiatra.

Seu suéter subiu sobre seu braço e eu posso ver uma tatuagem espreitando.

Sem perguntar, empurro sua manga para trás. Não só ele tem uma, ele tem uma manga inteira. Ele puxa o braço da minha mão.

— Eu adoraria olhar, se você não se importa.

Ele é cauteloso quando sua postura vacila. Mas ele cede e empurra a manga para trás para revelar uma peça de arte intricada. É impressionante. Há tantas coisas escondidas que levaria dias para separá-las.

— Quanto tempo isto durou?

— Isso nunca terminará. Eu tenho coisas adicionadas o tempo todo.

— É irreal. Nunca vi nada tão bonito.

A dúvida se insinua em sua voz. — Você quis dizer isso?

— Bem, sim. Eu não diria se não o fizesse.

— Oh. — Ele me deixa olhar. — Eu tenho muita tinta. Muita. Por toda a parte.

Tudo táctil. Interessante.

Eu rio. — Eu gostaria de ver, mas tenho certeza de que algumas seriam inadequadas.

Ele ri e concorda.

E de repente, ele deixa escapar: — Você está certa sobre o meu pai. — E então ele sussurra, — Ele é um doente do caralho.

Eu acho estranho que ele não diga isso em voz alta.

Nossos olhos se encontram em reconhecimento, mas eu sei que nunca confiarei em Kestrel. Não até ele deixar o lado do pai.

— Por que você fica?

Ele franze a testa e coloca as mãos nos bolsos e murmura: — Você sabe quem é meu pai? Quer dizer, você realmente o conhece? Não posso sair. Kolson foi embora, mas ele voltará um dia. Você verá. Tenha cuidado, Gabby. Você não está segura. Não com Langston Hart chateado com você. Atenda minhas palavras. E eu não estou te ameaçando. Eu estou apenas dando-lhe um aviso. — Ele se inclina sobre a mesa enquanto espera o elevador. Então entra e se vai.


# # #


Na tarde seguinte, o telefone de Kolson toca. Sim, eu ainda carrego isso. Sim, é uma loucura, atendo e a voz feroz de Langston vem para mim.

— Onde está meu filho?

— Nenhuma pista. Mas se eu soubesse, com certeza não diria a você.

— Você pequena... Isso é tudo culpa sua. HTS deveria ser minha. Como você conseguiu tudo isso?

— Consegui o quê? Você teve algo a ver com o desaparecimento dele? Porque tenho certeza de que a polícia gostaria de saber disso.

— Ouça-me, sua pequena cadela conivente. Você não tem ideia de com quem está falando. Você não brinca comigo ou vai se arrepender. Se meu filho ligar, diga que estou esperando que essa dívida seja paga.

— Que dívida e quanto ele deve?

Langston ri.

— Oh, menina, ele não te contou, não é?

— Contar o quê?

— Sobre o negócio que ele fez comigo?

— Qual negócio?

Ele gargalha e eu quero jogar o telefone do outro lado da sala.

— Oh, isso é divino. Mas você vai ter que esperar. Eu não vou te dizer. Vou deixar Kolson contar. — E então sua voz muda de alegre para ameaçadora. — Ele não está morto nem está desaparecido. Este é apenas o seu pequeno plano para evitar pagar. Ele não está cumprindo sua parte no trato e quando eu o encontrar, vou fazê-lo pagar. Ninguém fode com Langston Hart. Tenha isso em mente.

Ele termina a ligação e saio do escritório de Kolson, passo pela secretária, pela entrada do nível executivo e no elevador. Com as mãos trêmulas, pressiono o botão que me leva ao saguão. Os guardas me cumprimentam e eu só aceno. Não tenho um destino em mente... Apenas em qualquer lugar, menos aqui. Livrar minha cabeça daqueles pensamentos daquele homem horrível é meu objetivo. Saio do prédio e os ruídos da cidade são uma invasão bem-vinda. Pela primeira vez, o cheiro de exaustão de carros, vendedores ambulantes com seus cachorros-quentes e pretzels e pizza me fazem sentir calma. Minhas mãos param de tremer.

Até eu sentir duas mãos apertando meus braços.

— Dra. Martinelli. Venha conosco.

— Quem é você?

— Isso não importa. Não lute contra nós e não vamos prejudicá-la.

Quem são eles?

Eles me levam para o fundo de uma limusine, onde as janelas estão escuras. Quando eu entro e a porta bate, o carro decola.

Langston Hart está sentado na minha frente.

— Comporte-se e você não se machucará. Não se comporte e eu não posso prometer nada.

— O que você quer? — Eu coloquei uma frente corajosa, mas o medo ondula por minha espinha.

— Kolson. Claro e simples.

— Eu não sei onde ele está. Já te disse isso.

— Gabby, você também me disse que não me diria se soubesse. Então isso me leva a acreditar que você sabe alguma coisa.

— Você é louco.

Ele ri e, em seguida, agarra meu pulso com firmeza. Isso dói. Muito. Ele pressiona até que seja extremamente doloroso. Ele se inclina para mim e sua voz desagradável diz: — Eu vou contar a você um pequeno segredo. Você pode descobrir exatamente o quão maluco eu posso ser se você não cooperar.

Eu tento puxar meu braço, mas não sou páreo. Entre os dentes cerrados, eu grito: — E daí? Você vai me fazer desaparecer também?

— O que você quer dizer com também?

— Assim como você fez Kolson desaparecer?

— Eu não o obriguei a fazer nada.

Estou suando agora de dor. Se ele não soltar meu pulso logo, tenho certeza de que ele quebrará.

— Certo. Agora você está aqui, vai fazer o mesmo comigo.

Seu comportamento se altera e ele solta meu pulso. Talvez tenha finalmente percebido que eu não sei onde Kolson está.

— Eu acho que poderia acreditar em você, menina.

Eu puxo meu braço para o meu peito e o seguro. Ele ri.

— Mas lembre-se disso. Se ele aparecer, você será a primeira que ele entrará em contato e então você precisa me ligar. — É aí que ele me assusta. Eu não quero deixar transparecer, mas sei que ele sabe. É difícil sufocar a transpiração de orvalho que marca meu lábio superior e testa. E é quase impossível conter os estremecimentos que ameaçam me ultrapassar.

— Porque se você não o fizer, e eu colocar minhas mãos naquele filho da puta, tenha certeza que vou matá-lo.

Ele acerta o teto do carro diversas vezes com o punho. O motorista para, estou em choque, não estou ciente de que é minha dica para sair. Isso é até que a porta é aberta e meu braço é quase arrancado de meu corpo quando sou retirada e deixada em pé na calçada enquanto o carro se afasta.

Estou tão perplexa com o que acaba de acontecer que minhas pernas não conseguem se mexer. As pessoas empurram para passar por mim e, eventualmente, acho que estou perto de um prédio, fora do caminho do tráfego de pedestres. Eu nem tenho certeza de onde estou. Verifico as placas da rua para descobrir que estou a quinze quarteirões do meu escritório. Meus pensamentos se encaixam como peças de um quebra-cabeça e isso confirma que Langston está muito além do que eu lhe dei crédito. Ele é maníaco e ameaçador. E não duvido que ele matará Kolson. Mas por quê? Qual é o seu objetivo? É HTS? Isso é tudo? Claro, é enorme. Mas tem que haver mais por trás disso.

E essa dívida. O que é isso tudo? Minhas respostas estão com Kolson. Mas onde diabos ele está? E como vou encontrá-lo antes de Langston?

Olho para o meu pulso e vejo a contusão e o inchaço roxo já se formando. Naquela tarde, chamarei Case e farei com que ele me matricule em uma aula de autodefesa. Eu não tenho certeza de quão efetivo será contra um homem armado, mas pelo menos é alguma coisa.

Quando faço a ligação, Case diz que ele mesmo vai me ensinar como atirar e me dará uma arma. Não posso andar por aí me sentindo como Langston Hart poderia me puxar para sua limusine novamente. Da próxima vez que ele tentar fazer isso, eu vou lutar e lutar muito. Ele não está mexendo com alguma idiota simpatizante. Já se foram os dias em que eu não lutava de volta. Desta vez, vou até ele com tudo o que tenho.

Eu tenho que proteger Kolson, onde quer que ele esteja. Aquele dragão causou dano suficiente.


CAPÍTULO DOZE

Kolson


Já é suficiente. Um mês. Quatro semanas. Vinte e oito dias. Seiscentos e setenta e duas horas. Nem uma palavra ou toque. Eu tenho que a ver. Não posso esperar mais um minuto. Para que ela saiba que estou bem. Para ver se ela está bem.

Trabalho com Sam para fazer uma entrega falsa para a cobertura. Mas em vez disso, fico no prédio e não saio. Eu planejo isso para que a entrega ocorra em torno da mudança das equipes de segurança. Eles não acompanham quando entro e saio.

É uma dor na bunda, porque eu tenho que fugir das pessoas, então termino saindo nas escadas. Quando penso que Gabriella estará na cama, subo até o último andar. Usando o teclado, entro na cobertura. Desarmo o sistema de segurança e silenciosamente atravesso o apartamento. Quando chego ao nosso quarto, está desocupado. O banheiro tem tudo, assim como no dia em que saí. Todas as minhas coisas estão do meu lado perto da pia e todas as dela estão do lado dela. Sua gaveta de maquiagem está estocada e me permite saber que ela ainda está morando aqui. Eu paro para pensar; ela deve estar dormindo em seu antigo estúdio.

Eu ando até meu escritório e abro a gaveta de cima para as chaves sobressalentes. Lá estão elas, na bandeja onde eu as deixei. Antes que perca a coragem, saio, com cuidado para redefinir o sistema de segurança. Pego as escadas de novo e quando chego ao seu andar, observo para ver quando posso abrir a porta. É depois da meia-noite, então o corredor está vazio. Quando coloco a chave na fechadura, sinto uma sensação momentânea de culpa, mas isso é algo que nós dois precisamos. Se ela me mandar embora, tudo bem. Mas pelo menos eu vou saber.

Fecho a porta gentilmente atrás de mim e me inclino contra ela por um segundo, tentando dominar meu batimento cardíaco acelerado. As persianas estão abertas e a sala brilha com o luar prateado. O contorno de seu corpo é visível na cama, mesmo de onde eu estou. Meu pulso bate no meu pescoço enquanto meu desejo se eleva. Não é sexual, no entanto. É o desejo de vê-la, tocá-la, cheirá-la e senti-la ao meu lado. Minha necessidade de me cercar de seu calor é fundamental para minha existência. Se ela me disser que só posso segurá-la, tudo bem.

Eu desalojo meus sapatos e os chuto. Então me desfaço das roupas enquanto caminho até à cama. É só quando deslizo entre os lençóis que ela se mexe.

— Não tenha medo. Sou eu, Kea.

Ela fica de pé, pronta para gritar. Estou bem atrás dela enquanto a agarro e coloco minha mão sobre sua boca.

— Sou eu, Gabriella. Kolson. Por favor, não tenha medo.

Ela está de costas para o meu peito e balança a cabeça enquanto gira. Seus olhos se fecham com os meus e o reconhecimento se registra lá dentro. Então eles disparam com a faísca que eu lembro e a raiva surge nela. Ela me acotovela no plexo solar e me inclino quando o fôlego sopra para fora de mim. Punhos voam quando ela joga socos à esquerda e a direita. Eu tento impedi-la, só o meu diafragma não vai soltar. Ela está muito chateada e não posso culpá-la. Finalmente, facilita bastante para que eu possa falar.

— Uau! Pare, Gabriella. Pare!

— Foda-se você!

Eu não sei quem a ensinou a se balançar, mas ela vem até mim com alguns golpes e realmente se conecta. Sua força não é igual, então ela não causa muito dano, mas eu sei quando começa a se cansar.

— Kea. Por favor, deixe-me segurar você.

— Vá para o inferno. Exatamente onde eu estive no último mês, pensando que você estava morto ou deitado em uma vala em algum lugar.

E então a luta sai dela. Ela cai em meus braços, vazia. Os braços que me atingiram há apenas alguns segundos me envolvem e ela se agarra a mim como hera em tijolo velho. Seus dedos cravam em minha pele enquanto suas lágrimas me inundam. Seu corpo estremece com soluços e o momento é de partir o coração, porque eu sou a causa de seu desespero.

Então vêm as perguntas. Elas saem tão rápido de sua boca, que não consigo acompanhar. Eu finalmente digo: — Shh. Não mais. Eu estou aqui para esta noite porque tive que ver por mim mesmo que você estava bem e eu queria que soubesse que eu também estava. — Ela começa a falar de novo, mas eu a paro. — Gabriella, há tanta coisa que quero dizer para você, mas é muito arriscado agora. Meu pai, ele é um homem muito perigoso e me quer por coisas que não posso explicar. Por favor, confie em mim. Eu estou fazendo isso para nos manter seguros. Eu não saí porque queria. Eu fiz porque não tinha outra escolha. Por favor, saiba disso.

Ela acena com a cabeça.

— Não. Isto é suficiente. Você desaparece por um mês, sem uma palavra, e espera que eu o aceite cegamente? Eu não vou, Kolson. Seu pai está me ameaçando e eu estou com medo!

— Jesus. Porra. Eu sei que você está. Mas você está segura. Ele não vai te machucar sabendo que estou aqui ou em algum lugar. Eu sou o prêmio que ele quer, não você.

— Como você sabe disso?

— Conte-me algo. O que ele diz para você quando ele liga?

— Ele quer saber onde você está.

— Ele me quer, Gabriella. Só eu. Por favor, me dê sua confiança por mais algum tempo.

— Por que você não pode me dizer?

— Porque quanto menos você souber mais segura você estará.

Ela engole e eu vejo quando ela aceita. Alívio me inunda.

Movendo-se na minha frente, ela diz: — Tudo bem. — Suas mãos roçam minha barba e cabelo.

— Eu sinto muito. Desculpe por colocar você em tudo isso. Por te deixar tão brava. Mas eu prefiro ter sua raiva a arriscar sua segurança.

Ela suspira alto e depois fala, sua voz rouca. — Kestrel veio me ver e seu pai também.

— Eles estarão de volta. Não diga a eles que você me viu. Faça o que fizer, não conte nada ao meu pai. Fique o mais longe possível dele.

— Ele me ligou. E então alguns homens me arrastaram para um dos seus carros onde ele estava me esperando. Ele queria saber onde você estava. Ele disse algo sobre uma dívida. Ele disse que ia te matar.

— Jesus. — Aquele filho da puta. Já indo atrás de Gabriella para chegar até mim. — Ele quer HTS em pagamento. Foi por isso que te coloquei no comando.

— Oh, Kolson. Espero que você saiba o que está fazendo. E todos os seus bens pessoais. Eu nunca consegui mil dólares, muito menos centenas de milhões. — Ela segura a minha camisa e enterra o rosto nela.

— Eu não estou preocupado com a empresa. Você tem uma equipe sólida para ajudá-la.

Ela fala no meu peito. — Eu posso confiar em Jack?

Eu coloco meus dedos sob o queixo dela, levantando o rosto para que possa olhar para ela. — Escute-me. Sem dúvida, você pode confiar em Jack. E todo mundo na HTS. Todos foram avaliados pela minha equipe de segurança. E se você precisar de alguém verificando mande o Tom fazer isso. Ele é muito qualificado.

— Estou tão cega aqui.

— Não está cega, nem um pouco. Apenas inexperiente, mas você vai ficar bem, — eu digo.

— Você vai voltar algum dia?

— Eu gostaria de pensar assim. Fique longe do meu pai e não vá a lugar nenhum sozinha. E você precisa comer, Kea. Você perdeu muito peso.

— Comer tem sido difícil. Você parece tão diferente. Seu cabelo. E você tem barba. — Ela abafa um soluço.

Eu não planejei isso, mas a boca dela está bem ali e eu não consigo me controlar. Meus lábios tocam os dela, levemente a princípio, mas a resposta dela é tão robusta que eles ficam rudes e frenéticos, e antes que eu perceba o que estou fazendo, estamos nos beijando como se fosse a primeira vez. Em vez de se afastar, ela se arqueia para dentro de mim, apertando-se mais perto. Somos duas pessoas famintas de amor que não estão juntas há muito tempo e nossa paixão se eleva fazendo com que nossos corpos fiquem ansiosos um pelo outro.

Minha mente é uma contradição. Eu quero ser duro e rápido com ela porque estou tão carente. No entanto, quero que isso seja lento... Lento e memorável para que eu possa imprimir esta noite em meu cérebro. Mãos, bocas, línguas, lábios pressionam, provam, lambem e chupam até que nós dois gememos nossa luxúria.

— Eu tenho saudade de você. Cada parte, — eu digo a ela. — Todas as curvas e contornos, como essa música, não consigo tirar você da cabeça2. Isso me faz pensar em você toda vez que eu ouço.

Seu rosto está úmido porque ela não consegue parar as lágrimas. E é minha culpa. Eu sou o único que fez isso com ela.

— Eu preciso sentir você dentro de mim, Kolson. Quando você saiu, pegou essa parte de mim e eu preciso disso de volta. Por favor, me dê isso.

— Gabriella, eu vou encontrar uma maneira de resolver isso. Prometo. Eu não quero apenas o seu amor. Eu quero cada pedaço de você... Sua carne, ossos, respiração e alma. Eu quero você enrolada em mim pela manhã, seu cabelo espalhado pelo meu corpo. Quero ouvir meu nome quando você goza ao meu redor e sinto você se derreter em meus braços. Eu quero que você seja a última coisa que toco antes de dormir todas as noites e a primeira coisa que provo quando acordo todas as manhãs. E vou encontrar uma maneira de fazer isso acontecer.

Sua boca interrompe minhas palavras e sua mão me guia para dentro dela. Quente e escorregadia, ela está pronta quando me recebe em casa. Casa. Eu senti falta disso. Se houvesse uma coisa que eu pudesse fazer, seria fazer esta noite durar para sempre. Mas o tempo acelera, rápido demais, e preciso sair daqui antes do amanhecer. Eu preciso estar de volta ao Brooklyn, onde estou mais seguro. Onde ela está mais segura.

O pensamento cruza minha mente sobre sair sem dizer adeus, mas sei que seria errado.

— Kea, eu tenho que ir. — Meus lábios provam a carne macia em seu pescoço.

— Kolson, há algo que eu possa fazer do meu lado? Langston disse que vai te matar.

Sorrindo, eu digo: — Não se preocupe comigo. Você está em segurança. Eu quero que você tenha um guarda-costas. Não viaje sozinha. E mantenha a HTS forte. Eu sei que você consegue.

— Eu estava falando sobre seu pai.

Eu franzo a testa.

— Não! Fique fora disso. É muito perigoso você se envolver. O jeito que ele te puxou para dentro do carro dele... É apenas um gostinho do que ele é capaz. Ele tem conexões que...

— Kolson, estou com medo.

— E você deveria estar Gabriella. Fique longe dele. Tema ele. Mais do que qualquer coisa que você já temeu em sua vida. Incluindo Danny.

Colocar esses pensamentos em sua cabeça me deixa doente, mas é a verdade. Danny não era nada comparado ao dragão. Ele vai queimá-la viva se souber que pode me atingir através dela.

— Feche os olhos e sonhe comigo.

Eu me visto rapidamente e saio. Brooklyn não é uma comparação com o conforto dos braços de Gabriella, mas é com alguma segurança que me sento e vejo o sol nascer, ela sabendo que estou seguro. Esse jogo de espera é difícil, mas é inevitável. Eu quero que a raiva do meu pai seja tão potente que ele esteja a ponto de perder o controle. Só então meu plano será colocado em ação.


CAPÍTULO TREZE

Gabriella


Kolson sai e eu saio da cama e vejo-o caminhar até às escadas. Estou desesperada para segui-lo, mas não. Meu cérebro vibra com tudo o que está acontecendo. No tempo que levaria para me vestir, ele teria ido embora há muito tempo. Eu não tenho ideia de onde ele está hospedado, e se eu tentar segui-lo, isso apenas despertará suspeitas especialmente se Langston estiver me observando. E isso coloca outra questão. E se ele tem câmeras aqui? Minha paranóia aumenta. Eu preciso pedir a Case para varrer o lugar em busca de microfones, câmeras escondidas e bugs antes que eu esteja confortável aqui novamente.

Sentando na cama, puxo meus joelhos para o peito. Exatamente em quanto perigo eu estou? Langston tentaria me matar? É isso que Kolson estava dizendo? Quanto disso devo dizer a Case? Ou devo dizer-lhe alguma coisa?

Kolson me disse para não dizer uma palavra, então eu não vou. Por agora. Eu confio minha vida a Case. Ele é leal a mim, mas também opera do lado certo da lei. Se Kolson fez alguma coisa no passado que pode colocá-lo atrás das grades, não quero envolver Case.

Meu cérebro está a caminho de um colapso. Não posso simplesmente sentar aqui. Pulando da cama, começo a procurar no meu apartamento por coisas incomuns... Coisas que vi em filmes e na TV. Olho sob lâmpadas, na parte de trás dos porta-retratos, eu até dissimulo a unidade de aquecimento e ar condicionado procurando por insetos de qualquer tipo. Não encontro nada na minha busca.

Até o momento que eu tenho que ir para a cobertura para me preparar para o trabalho, estou esgotada.

Eu não gasto um minuto pensando sobre o que vestir. Em vez disso, tomo banho, jogo a primeira coisa em que minhas mãos chegam e vou para o escritório. Ninguém chegou ainda, então eu coloco café e pego meu computador. É incrível o que você pode encontrar no Google nos dias de hoje. Corro uma pesquisa sobre como varrer seu apartamento para dispositivos de escuta. O que surge é irreal; eu rapidamente percebo que precisarei pedir ajuda a Case.

Quando ouço a porta abrir, eu ando até à frente e vejo que é Gloria.

— Dra. Martinelli. Você chegou cedo.

— Uh, sim. Gloria, eu preciso que você cancele meu dia. Na verdade, decidi tirar uma licença.

— Dra. Martinelli, você está bem?

— Não exatamente. Com tudo o que está acontecendo, não estou fazendo justiça aos meus pacientes vendo-os quando minha mente está em outro lugar. No mês passado, cancelei mais do que estive aqui e é bobagem continuar assim. Não é justo para meus pacientes. Posso encaminhá-los a um dos meus colegas, se quiserem ou não. Mas você pode cuidar disso para mim?

— Certamente. E tenha certeza que sinto muito, mas sei que você vai superar isso.

— Espero que sim, Gloria. — — A verdade é que, no momento, estou mais preocupada com a possibilidade de Langston Hart matar Kolson ou eu — do que com minha prática psiquiátrica. — E Gloria, você pode me avisar quando Case entrar?

— Certo.

Vinte minutos depois, Case enfia a cabeça no meu escritório.

— Ei. Então você decidiu tirar licença depois de tudo?

— Sim. — Eu faço sinal para ele entrar. Quando ele fecha a porta atrás dele, rabisco uma nota.

Eu preciso falar com você sobre algo de vital importância. Longe de olhares e ouvidos indiscretos. Onde não há risco de alguém nos ouvir. Nós podemos fazer isso?

Ele lê a nota e acena com a cabeça. Então escreve de volta:

— Gramercy Park. Portão Oeste, 1 hora.

Meus olhos se arregalam e eu digo: — Como diabos você conseguiu a chave para Gramercy Park?

Ele encolhe os ombros e ri. Então se levanta e sai.

Gramercy Park não é muito longe daqui, então eu tenho cerca de quarenta e cinco minutos antes de precisar sair. Mas saio em trinta e pego café e donuts no caminho. Quando chego lá, Case espera por mim no portão.

— Sim, então, você tem que explicar isso.

Ele encolhe os ombros. — Acredite ou não, era Narcóticos Anônimos. Você sabe que ajudei muita gente a se limpar. Alguns deles são ricos. E um deles uma vez me prometeu que, se eu viesse por ela, me daria a chave. Então aqui estamos nós. Este lugar é o mais privado possível. Nenhuma possibilidade de olhares indiscretos ou ouvidos. A menos que eles soubessem antes do tempo, que nós estávamos chegando.

Nós nos sentamos em um dos bancos e não posso deixar de suspirar com a beleza que nos rodeia. O parque é pequeno, tem apenas dois acres e é o único parque privado de Manhattan. Fale sobre exclusividade. Proprietários das chaves, e há apenas cerca de trezentos e cinquenta, pagam uma taxa anual para acesso exclusivo. É uma fatia pitoresca e encantadora da natureza dentro de um bairro charmoso que me faz respirar com mais facilidade e me sinto mais tranquila. Exuberantes com grama e sebes perfeitamente aparadas, as flores do outono de novembro ainda pontilham a paisagem, pois ainda não houve uma geada forte para matá-las. É como se eu tivesse sido transportada para um país de fadas. Enquanto examino os tons variados de ocre sobre o que resta das árvores de sombra de outono que pintam o parque, só posso imaginar que este seria um lugar maravilhoso para se sentar e ler um livro favorito.

— Antes de começarmos, você promete me trazer de volta aqui em melhores condições um dia? Isto é como uma cena de um conto de fadas.

Case ri. — É meio romântico, não é?

— Sim. — Isso me faz pensar em Kolson.

Nós silenciosamente mastigamos nossos donuts, apreciando a paisagem. Finalmente, ele pergunta: — Então?

Eu embarco na minha explicação da razão pela qual queria encontrá-lo aqui.

— Tudo isso provavelmente parece loucura para você. E você vai achar que eu sou delirante ou paranóica, mas quero que você varra meu estúdio para dispositivos de vigilância.

— Ele veio até você na noite passada. Eu tinha a sensação de que ele estava por perto em algum lugar. A maneira como ele lhe entregou HTS, eu sabia que não iria deixar a área.

— Deus, Case. Por favor, não diga nada. Ele diz que nossas vidas podem estar em perigo.

— Gabby, eu sei. Langston Hart foi amarrado ao Mob. O FBI nunca foi capaz de conseguir provas sólidas.

— Estou preocupada com Kolson. Estou preocupada que, se conseguirem Langston, também encontrarão algo em Kolson.

Case esfrega o queixo.

— Eu posso descobrir se eles suspeitam dele.

— Como?

— Tenho um amigo.

— Eu não sei, Case. — Meu estômago quer me devolver o donut que acabei de engolir.

— Pense nisso. É só uma ideia. Tenho certeza de que o FBI já está procurando por Kolson, já que Langston está no radar há anos. Enquanto isso farei o que você quiser que eu faça. E você sabe que pode confiar em mim, Gabby. Sempre.

— Isso é tão louco. Quero dizer, ele levanta e sai. E quando ele apareceu na noite passada, eu nem o reconheci. No começo eu me assustei. E aqui está o que é mais estranho. Contei-lhe sobre a visita de Kestrel e a ligação de Langston e como ele me puxou para sua limusine.

— Por mais que seu coração queira alcançar seu irmão, não confie nele. Em qualquer circunstância. Kolson está certo. Ele está colado ao quadril do pai. Se você usa o Google, mal consegue encontrar uma foto de um sem o outro.

— Compreendo. Isso não é incomum em vítimas de abuso. Eu vejo isso o tempo todo. Há um vínculo inquebrável. A vítima teme o agressor, mas não vai denunciá-lo e fica com ele.

— Eu acho que com Kestrel, é mais que isso. Langston deve tê-lo sobre um barril sobre alguma coisa. De qualquer forma, vamos voltar ao que você precisa que eu faça. Eu vou fazer isso hoje à noite.

— Não podemos ir agora?

— Não. É imperativo manter um cronograma normal. Aja como se você nunca o tivesse visto. Se eles estão te observando, o que eu acho que estão, eles notarão se você começar a fazer coisas fora do comum, como me encontrar no parque. Vamos dizer que esta é uma exceção e não faremos isso novamente. Eu vou pegar outro telefone hoje. Um que você só usará para entrar em contato comigo. Pelo que sabemos, eles estão me observando também porque precisam saber que você e eu estamos próximos.

— Não pensei nisso.

— Comunique-se por texto, se é algo que você não quer que ninguém ouça. Fora isso, vamos nos ater ao nosso costume. A licença lhe tirará do seu escritório, mas a colocará na HTS. Eles vão verificar você lá com certeza. Eles querem essa companhia. Quer seja por vingança ou apenas ganho financeiro, quem sabe? Mas seja qual for o motivo, certifique-se de vigiar suas costas. Pare em seu escritório no RIS algumas vezes por semana para manter as coisas no caminho certo. Isso vai mostrar que você ainda está mantendo sua prática viva.

A informação se acumula na minha cabeça como tijolos. Espero que o trabalho de alvenaria seja estável o suficiente para ficar parado, porque o pedreiro, ou seja, eu, está carregando um conjunto de nervos que estão completamente desgastados.

— Agora me faça um favor e chore.

— Hã?

— Eu quero que você chore, então parece que estou consolando você.

Eu não estou muito longe desse estado, então deito minha cabeça em seu ombro e cubro meu rosto. Ele coloca o braço em volta de mim e dá tapinhas nas minhas costas, fazendo com que pareça a qualquer um que possa estar nos espiando que ele está sendo um bom amigo.

Ele inclina a cabeça e sussurra: — Esfregue os olhos contra a minha camisa para manchar seu rímel.

Eu murmuro de volta: — Por que você está sussurrando?

— Apenas faça.

— Eu acho que tenho alguns em meus olhos. Agora eles estão regando.

— Perfeito.

— Por quê?

— Nós temos uma audiência.

— O quê?

— Silêncio. — Sua mão ainda me dá tapinhas nas costas. — Você está bem?

— Sim. — Eu levanto a cabeça e pergunto: — Bem?

Ele usa um dos guardanapos de rosquinha para passar por baixo dos meus olhos. Nós caminhamos então até ao mesmo portão de saída.

O braço de Case está ao meu redor enquanto andamos para parecer que está me apoiando, mas ele me diz para checar o cara de terno escuro sentado no banco do lado de fora do parque.

Quando estamos limpos, ele explica que o homem nos observou por cerca de dez minutos.

— Como você acha que ele sabia que iria para lá?

— Ele deve ter te seguido do escritório. Acho que ele estava à espreita e decidiu se sentar quando percebeu que estaríamos lá por um tempo.

— Você acha que o escritório está grampeado? — Eu pergunto.

— Vou fazer uma varredura quando voltarmos para ter certeza, mas duvido.

— Então Langston está me seguindo, então. Eu preciso fazer Kolson ciente.

— Tenho certeza que ele já sabe. Se eu fosse um homem de apostas, eu diria que Kolson também está seguindo você.

Quando minha cabeça se sacode, Case assobia: — Pare com isso. Você quer que eles pensem que você está com eles?

Droga! Sou tão idiota.

Nós caminhamos o resto do caminho de volta para o escritório em silêncio e Case me diz que estará na cobertura às sete.

Às onze, eu ligo para Sam que me leva até à HTS, onde me encontro com Jack e o deixo saber dos meus planos de estar mais envolvida com o negócio. Sua reação me diz que ele não está feliz. Eu não esperava que ele ficasse.

— Jack, deixe-me assegurar-lhe, você estará dirigindo esta companhia. O que eu gostaria de fazer é passar algum tempo ao seu redor para ver como as coisas são feitas. Eu não tenho experiência prévia e, portanto, não tenho expectativas. Langston Hart me ligou ontem, ele quer a HTS. Ele pretende fazer o melhor para conseguir. Quero ter certeza de que posso evitar isso de qualquer maneira possível. Você e eu sabemos que essa é a última coisa que Kolson queria. Eu gostaria que fizéssemos tudo o que pudéssemos para que isso não aconteça.

— Dra. Martinelli, você tem minha total cooperação.

— Excelente. E, por favor, me chame de Gabby. Como, espero, forjaremos uma forte relação de trabalho.

Jack sorri sua expressão se suavizando.

— Gabby, eu sei que este tem sido um mês muito difícil para você. Espero que passar algum tempo aqui talvez faça você se sentir melhor sobre as coisas de alguma forma.

— Essa é a minha esperança também, Jack.

— Sr. Hart deve ter pensado muito em você para colocar sua empresa em suas mãos.

— Uh, sim. Mas eu estou confiando em você para mantê-la onde está, Jack. Estou atravessando a lama agora mesmo.

— Eu acho que você vai se sair bem. Por que não te levo aos nossos maiores clientes e depois podemos ir a partir de lá?

Jack passa várias horas comigo. Estamos sentados no escritório de Kolson, não posso chamá-lo de meu, quando ouvimos uma comoção do lado de fora das portas. Minha secretária levanta a voz e há outras vozes gritando também. De repente, a porta se abre e em marcha entra Langston. Ele não para até que alcance a frente da mesa. Jack se levanta, assim como eu.

— Onde diabo está meu filho? — Sua voz trovejante reverbera em torno da grande sala.

Jack avança, mas eu o paro com a palma da mão estendida.

— Quem diabos você pensa que é entrando aqui assim?

— Eu quero saber onde meu filho está. Onde diabos ele está se escondendo?

— Eu já disse a você. Não sei. Se você tivesse me escutado antes, você poderia ter se poupado a uma viagem.

Ah, se olhares pudessem matar...

— Ouça aqui, minha menina...

— Eu não sou agora, nem nunca fui, sua menina. E vou dizer isso mais uma vez. Não sei onde Kolson está. Agora saia.

— Não se atreva a ter esse tom comigo.

— Eu ouso qualquer coisa que eu queira. Você parece estar esquecendo alguma coisa. Você está de pé na HTS. No meu escritório. Dentro das paredes da minha empresa. Você está me ameaçando enquanto está invadindo. Agora saia antes que ligue para o segurança para ter você escoltado daqui para fora. E se você aparecer aqui de novo, eu ligo para a polícia e o mando prender. Fui clara?

Em todos os meus anos, nunca vi raiva irradiar de alguém como vi hoje. Langston Hart amaria nada melhor do que me ver morta. Kolson está certo. Estou lidando com uma situação muito perigosa aqui e acabei de fazer um inimigo mortal.

Ele apoia as mãos na minha mesa. — Você acabou de se foder, menina. E você não tem ideia do quanto.

Eu levanto meu telefone. — Eu não estou preocupada, Langston. Tenho testemunhas aqui e acabei de registrar que você está me ameaçando. Se alguma coisa acontecer comigo, a polícia saberá onde procurar.

Ele ri. — Ah, e você acha que a polícia vai te ajudar? Pense de novo. Você pode se encontrar em um país estrangeiro, fazendo coisas que você nunca pensou que estaria fazendo.

— O que você quer dizer com isso?

— Continue me testando e você descobrirá. E a propósito, da próxima vez que você falar com meu filho, e não achar que sou ingênuo o suficiente para pensar que você não o está vendo, pergunte a ele sobre sua pequena dívida comigo?

Ele se vira e sai em disparada, um furacão determinado a destruir tudo em seu caminho.

Jack olha para mim.

— Esse é um filho da puta louco.

— Você não tem ideia.

— Gabby, você sabe onde Kolson está?

Minha cabeça vai explodir. — Não. Langston é delirante. Ele é um louco faminto por poder.

— Sim, eu posso dizer. Ouvi os rumores sobre como ele matou pessoas. O Sr. Hart nunca tentou esconder sua aversão por ele. Mas Langston nunca apareceu aqui antes.

— Ele não gosta muito de mim, — eu digo. Uma risada que beira a histeria escapa. Minha mão aperta minha boca.

— Você pensa?

— Sim, — eu digo — E, dadas as circunstâncias, devemos encerrar o dia.

— Eu ia sugerir isso. Você deveria ir para casa e tentar relaxar. Isto é demais. Você parece que passou por um ringue e é a última coisa que precisa. E Gabby. Com toda seriedade. Seja cuidadosa.

Eu aceno ao tom grave de Jack. Embora tente disfarçar, esse encontro com Langston me abalou muito mais do que gostaria de admitir. Sozinha no escritório de Kolson, não consigo deixar de imaginar até onde Langston irá para chegar a Kolson através de mim. E sobre essa dívida a que ele se refere? Devo lembrar-me de perguntar a Kolson sobre isso. Droga! Eu gostaria que houvesse alguma maneira de contatá-lo. Ele está certo sobre estar em perigo. E eu gostaria de poder avisá-lo.

Minha mão escava minha bolsa e encontro o celular que Case me deu. Mando um texto sobre a visita de Langston. Ele imediatamente responde e me diz para ir para a cobertura para fazer as coisas parecerem normais. Ele vai me encontrar lá esta noite. Então ele me diz que vai me ligar. E agir como se eu não soubesse.

Meu telefone toca alguns minutos depois.

— Martinelli.

— Ei, você está pronta para alguma companhia hoje à noite?

— Eu não sei, Case. Eu ia relaxar.

— Desde quando você não pode relaxar comigo?

— Você vai me trazer uma pizza da Baldoni?

— Certo. Que horas?

— Sete é bom.

— Vejo você então.


# # #


Às sete horas Case aparece com sua pizza e uma nota dizendo que vamos comer e assistir a um filme. Enquanto o filme está ligado, ele vai procurar os dispositivos de vigilância. Ele me pede para acender todas as luzes. A única coisa que encontra é um pequeno microfone no foyer, bem perto do elevador. Em vez de destruí-lo, ele deixa lá. Então ele me escreve outra nota.


Kestrel deve ter colocado lá quando veio visitá-la o outro dia. Agora que temos esse lugar coberto, vamos dar uma olhada no seu estúdio.


Nós descemos e ele não encontra nada. Estou aliviada.

— Por que você acha que Langston fez essas acusações sobre eu saber onde Kolson estava?

— Porque ele tem um palpite. Ele sabe que Kolson é muito esperto. E ele sabe que a primeira pessoa a quem ele viria seria você. Raciocínio dedutivo.

— Então este lugar está seguro?

— Eu não iria tão longe, mas não está grampeado. Eu me sentiria mais confortável se você tivesse um guarda-costas.

— Kolson disse a mesma coisa.

— Eu não posso justificar que você não tenha um.

— Eu vou buscar Sam, então.

— Eu quero alguém melhor que Sam.

— Case, se eu conseguir mais alguém, eles vão descobrir sobre Kolson. Eu não posso arriscar isso.

Ele se inclina para frente e bate os dedos na mesa de café. — Eu sei que você confia em Sam. E o irmão dele?

— Ovaltine?

— Sim.

— Eu confio nele, mas não sei se confio nele o suficiente com isso.

— Então parece que vai ter que ser Sam. Nós não temos outra escolha.

— Talvez possamos conversar com Sam sobre Ovaltine assim que pudermos.

— Não. Isso envolve mais uma pessoa. Antes que eu perceba, o mundo inteiro vai saber.

— Jesus, foi apenas uma pergunta.

— Desculpe, mas você não tinha um maldito mafioso em seu escritório hoje, ameaçando-o. — Minha perna pula para cima e para baixo até que a mão dele agarra e para.

— Eu ouço alto e claro.

— Jack disse que há rumores sobre Langston. Que ele teve pessoas assassinadas.

Case acena. — Sim, o FBI está tentando encontrar evidências disso. Mas acho que ele compensa alguém no alto escalão da polícia local.

— Aqui ou em Atlantic City?

Case diz: — Talvez os dois. Não sei. Mas ele é intocável e, para que isso aconteça você precisa estar conectado de alguma forma.

— Assassinato. Isso é assustador.

— É por isso que você precisa de um guarda-costas. Ele poderia levá-la para tentar atrair Kolson.

Um pensamento aparece na minha cabeça.

— Eu não preciso de um guarda-costas aqui no meu estúdio, mas não me importo de um na cobertura. Ninguém sabe sobre o estúdio, então me sinto segura aqui. Todos pensam que estou morando na cobertura. Mas se eu conseguir um guarda-costas lá, como poderei me esgueirar de um lado para o outro? Terá que ser alguém em quem eu possa confiar para trazer para o rebanho.

— Concordo. E eles não têm a menor ideia sobre esse lugar porque eles tentaram plantar um bug aqui. A propósito, certifique-se de alterar os códigos da cobertura.

— Não até Kolson revisitar.

Case fechou a boca e eu pude ver aquela pequena contração muscular. Então ele diz: — Você está louca? Kestrel voltará aqui para cumprir as ordens de Langston. Faça isso agora. Se Kolson não puder entrar, ele irá ao seu estúdio e descobrirá o porquê.

Eu penso sobre isso por um momento e decido que Case está certo. Agora que Kolson sabe que eu durmo aqui, ele nem se incomoda com a cobertura, e se o fizer mantê-lo longe o manterá seguro.

— OK. E nós mantemos esse microfone lá em cima para fazer Langston acreditar que ele está obtendo conhecimento em primeira mão do que está acontecendo. Quão sensível é essa coisa?

— Eu vou descobrir. Mas vamos voltar antes que alguém suspeite de alguma coisa.

O filme ainda está em exibição quando entramos na ponta dos pés. Quando acabou, conversamos por um minuto e depois digo que o vejo na noite seguinte em NA. Eu ainda apareço e ajudo-o às vezes em suas reuniões.

— Você não precisa você sabe, — diz ele.

Eu sorrio. — Eu sei. Eu amo fazer isso. Ei, eu queria te perguntar. Você ainda está mostrando aquela foto de Kade, o irmão de Kolson, por ai?

— Sim. Eu tenho isso postado no quadro de avisos também.

— Obrigada. Talvez um dia ele apareça.

Case sai e eu estou sozinha com meus pensamentos estridentes. Pensamentos de Langston, pensamentos de Kestrel e de Case. Mas principalmente pensamentos de Kolson entrando no meu estúdio ontem à noite e como suas mãos se apertaram em mim, como sua boca parecia na minha pele febril, e a maneira como seu corpo queimava contra o meu. Meus músculos doíam esta manhã quando acordei e isso só me fez querer me aproximar e puxá-lo para dentro de mim. Eu preciso dele. Sofro por ele. E a parte mais triste de tudo é que eu não sei quando vou vê-lo novamente.


CAPÍTULO QUATORZE

Kolson


A visita da noite passada a Gabriella só aumentou meu desejo por ela. Eu pensei que poderia acalmar meus nervos irregulares, mas não. Ela está no meu sangue tanto que não consigo pensar em mais nada. Agora estou mais ousado do que nunca. Meu medo é que eu me torne imprudente em minha vontade de vê-la.

O garçom pergunta se quero outra bebida e aceno com a cabeça. O efeito entorpecedor de Jameson é a única coisa que vai tirá-la da minha cabeça. Deus, o jeito que ela gritou quando gozou, não uma vez, não duas vezes, mas três vezes. Sem ela, minha vida é um acidente de trem colossal. Os pesadelos aumentaram. O sono é uma piada. Se alguém pode até chamar assim. Na melhor das hipóteses, eu durmo uma hora ou duas quando posso, antes de acordar em um emaranhado de suor e lençóis.

O barman desliza a minha bebida.

— Última chamada, cara.

Eu sinalizo que quero mais uma, enquanto tomo o conteúdo do copo. Ele me traz minha bebida final da noite, junto com minha conta. Eu coloco dinheiro suficiente e depois um pouco para cobrir as despesas, viro meu último drinque e saio pela porta. Estou muito destruído. Não o suficiente para afastar meus pensamentos de Gabriella.

Quando chego a casa, sento na minha cadeira habitual em frente à porta de vidro que dá para a ponte. Eu vejo o sol nascer antes de dormir por algumas horas.


— Qual é o seu nome? — O homem malvado sempre grita comigo.

— Jason.

— Não! Seu nome é Kolson! Se você não disser o seu nome correto, não vou te alimentar hoje! Compreendeu?

— Mamãe vai ficar brava se eu disser que meu nome não é Jason. — Eu continuo dizendo ao homem malvado, mas ele acha que meu nome é Kolson.

— Sua mãe não se importa mais com você.

— Não, não, não. — Por que ele diz isso? — Mamãe se importa. Eu sei que ela se importa. Eu grito com ele.

— Meu nome é Jason!

Ele bate a porta e não volta. Estou com tanta fome. Meu estômago dói.


O pesadelo me acorda e eu estou imediatamente de pé, meu coração batendo no meu pescoço, meu estômago revirando. Minhas pernas doem e eu caio no chão, o tapete raspando minha bochecha. Meu estômago balança e eu vomito por todo o chão. Não adianta negar que bebi demais na noite passada, mas o maldito pesadelo não ajudou. Sempre com fome nas primeiras semanas. Ele me matou de fome, esse monstro. Meu corpo estremece furiosamente.

Levei alguns minutos para ficar de pé, mas finalmente consegui e depois fui para a cozinha pegar um pouco de água. Limpo a bagunça no carpete e me forço a comer alguma coisa. Não me lembro da última vez que comi uma refeição completa. Dias atrás, provavelmente. Depois que eu como alguns ovos, tomo banho, desmorono na cama e durmo mais um pouco.

De manhã cedo, alguém bate na minha porta. Ninguém sabe que eu moro aqui, então sou cauteloso. Olho pelo olho mágico e vejo que é um mensageiro. Ele me entrega um pequeno envelope.

Dentro está uma nota de Sam.

— Preciso conversar.

É isso aí. Sem assinatura. Mas é assim que nós organizamos isso.

O único lugar seguro em que posso pensar que não vai desencadear a dúvida é o prédio de apartamentos. O dragão e seus homens só vão pensar que Sam está lá para cuidar de Gabriella.

Escrevo uma nota breve, nomeando o edifício e a hora. Desta forma, se alguém interceptar, não parecerá fora do comum. Contrato um mensageiro e instruo-o a entregá-lo a Sam no saguão da HTS. Sam geralmente leva Gabby para o trabalho. Se ele não levar, a recepcionista vai segurar lá para ele.

Demora três dias antes de eu receber uma resposta. Sam e eu combinamos de nos encontrar no estúdio de Gabby na noite seguinte, quando ele a deixa. Desta forma, parece que ele está indo como geralmente faz. E se alguém suspeitar, ele pode apenas dizer que estava verificando o prédio, como de costume. Agora terei que descobrir uma maneira de entrar. Ainda tenho todos os códigos de segurança e posso usar a entrada da garagem. Minha aparência é tão diferente que decido dar uma chance.

A energia nervosa é difícil de conter quando você sabe que algo está errado. Eu ando no chão do estúdio esperando Sam chegar. Quando ele finalmente bate, eu confirmo para ter certeza de que é ele.

Ele entra na sala e balança a cabeça.

— Eu nunca teria reconhecido você, Sr. H.

— Bom. Esse é o meu plano.

— O Dragão Sr. H. foi à HTS há alguns dias e ameaçou a Dra. M.. Ela me disse que seu irmão também estava.

— Caralho.

— Ela tirou uma licença de sua atividade.

Eu concordo. Isso é realmente uma coisa boa para ela. Menos perturbador.

— Ela sabe que você está aqui? — Sam pergunta.

— Não.

— OK.

— Sam, você acha que ela está em perigo?

— Não posso dizer com certeza. Eles estão observando cada movimento dela. Eu acho que seu pai pensa que ela sabe onde te encontrar. E ela o irritou como um louco no outro dia. Ele pode usá-la para tentar fazer você se mostrar.

— Porra.

— Exatamente. Sr. H., você confia nesse cara Case?

— Sim. Por quê?

— Eu acho que ele sabe. Sobre você.

— O que você quer dizer?

— Que você está aqui. Por aí.

— Você acha que Gabriella disse a ele?

— Eu... Sim.

Por que essa informação não me surpreende? Claro que ela diria a Case. Ele é a primeira pessoa que ela diria. Ela sabe que estou em perigo e confia nele. Ela sabe que ele ajudará e também manterá seu segredo. Ele é esperto e saberá como Langston está conectado ao Mob, então ele vai querer me ajudar.

— Ok, ele pode ser o único que podemos usar para nos conectar uns aos outros, em vez de ter a chance de nos encontrarmos.

— Como? — Sam pergunta.

— Vá até Case amanhã e diga a ele o que está acontecendo. Peça-lhe para não envolver mais ninguém. Pergunte se podemos enviar mensagens através dele. Ele saberá uma forma.

— OK. Vou lhe enviar outra mensagem usando um mensageiro depois que falar com ele. É melhor eu ir andando.

— Obrigado, Sam, e sempre cuide das suas costas. Ah, e você pode me dar um uniforme da HTS? Isso tornará mais fácil para eu entrar e sair deste prédio sem levantar questões.

Sam acena com a cabeça.

— Eu vou dar para a Dra. M. Se ela perguntar, eu vou apenas dizer a ela para deixá-lo em seu apartamento como um sobressalente para mim.

— Isso vai funcionar. E obrigado por tudo, Sam.

Eu espero por Gabby porque se ela teve um confronto com Langston, eu preciso saber do que se tratava, e existem coisas que ela precisa estar ciente.

Não há garantias de que ela virá até aqui hoje à noite, mas estou preparado para esperar se precisar. Por volta das dez e meia, uma chave gira a fechadura e a porta se abre. Ela está surpresa por me ver sentado no balcão dela. Meus dedos estão em meus lábios, sinalizando para ela ficar em silêncio, até que feche a porta atrás dela. A porta se fecha, as trancas são viradas, e tudo que eu vejo é o cabelo dela que flui atrás dela enquanto se aproxima de mim e nós não somos nada além de uma massa de membros emaranhados.

As pontas dos dedos dela pressionam a pele nas minhas bochechas, sob meus olhos, e vagam por meus lábios enquanto ela me inspira.

— Oh Deus, eu estou tão preocupada com você. — Palavras saem dela apressadamente, sem filtro e apressadas, como se tivesse um milhão de coisas para dizer no menor período de tempo.

— Shh, shh, lentamente.

— Não! Nós não temos tempo, Kolson. E nós nunca vamos ter tempo. — Ela reprime um soluço. — Langston veio me ver novamente.

— Eu sei. É por isso que estou aqui.

— Como?

— Sam.

— Sam sabe sobre você?

— Sim. Mas não muito. Apenas algumas coisas.

— Alguém mais?

— Só você, e posso adivinhar que Case também sabe?

Ela agita. Com culpa, talvez?

— Tudo bem, Kea. Se você confia nele, eu também.

— Ouça-me, Kolson. A cobertura. Kestrel deixou um microfone quando veio no outro dia. No foyer. Case verificou o local e não encontrou mais nada.

— Esse lugar?

— Nada.

Meu corpo cai de alívio. Eu nunca pensei que eles fossem tão longe.

— Jesus. Kestrel.

— Eu sei.

— Não o deixe entrar de novo.

— Eu mudei o código.

— Bom.

Eu seguro o rosto dela na minha mão, como se estivesse segurando o tesouro mais querido. E, oh Deus, ela é tão crua, tão frágil agora, estou quase com medo de lhe perguntar o que tenho que perguntar.

— Gabriella, o que Langston queria?

— Você. Ele me disse que eu estraguei tudo com ele.

— Me explique.

E quando ela faz, o mundo parou. Não era mais apenas eu. Ela fez um inimigo. Um mortal. A única coisa a favor dela agora é o fato de que eu estou como desaparecido e Langston precisa dela até que eu seja encontrado. Se meu corpo aparecer, eles podem matá-la também.

— Bem, eu tenho que dar créditos a você, Kea. Você certamente lhe entregou suas bolas. Não posso dizer que foi a coisa mais inteligente a fazer.

— Estraguei tudo, não foi?

— Sim. Sim, você estragou.

— Kolson, o que é essa coisa sobre uma dívida?

— Venha aqui. — Eu me movo para onde podemos sentar e nos encarar. Ela precisa ouvir algumas coisas e o tempo está passando há muito tempo para eu adoçá-las.

— Vou contar algumas coisas e você pode me odiar por elas. Você pode me expulsar de sua vida para sempre e, se fizer isso, eu vou entender. Mas saiba disso, fiz tudo isso para sua segurança. Agora, olhando para trás, não tenho tanta certeza de que tenha sido a coisa mais sábia, mas se for apresentado com essas escolhas, não posso dizer que não faria tudo novamente.

— Do que diabos você está falando?

Respire profundamente Kolson. Você consegue fazer isso.

— Certo. Quando Danny desapareceu. Eu contratei alguém para encontrá-lo. E então liguei para meu pai para cuidar das coisas.

Minhas mãos seguram as dela com força, nossos olhos trancados. Suas pupilas se dilatam, o sangue negro se transformando em íris marrom-caramelo enquanto ouve. Mas uma coisa me dá esperança. Seus dedos não soltam. Pelo contrário, eles prendem os meus com mais força, as unhas arranhando a pele nas costas das minhas mãos.

— Então, o que você está dizendo é que Danny não cometeu suicídio, que os mafiosos do seu pai o mataram. Estou certa?

A histeria envolve sua voz, mas eu a seguro firme e aceno.

— E, por favor, lembre-me exatamente o porquê novamente.

— Nunca haveria um fim. Mesmo que ele tivesse cumprido vinte anos, eu sabia que ele seria libertado e viria atrás de você então. Naquela época, teríamos filhos e ele iria atrás deles para chegar até você. A ideia de você e nossa filha sendo estuprada por aquele homem e depois sequestrada ou assassinada era mais do que eu poderia suportar. Então eu fiz o chamado para o próprio diabo. Concordei com essa dívida. Mas foi aí que criei a Operação Caçador de Dragão. Eu mudei tudo na minha vida e nas participações legais da HTS e coloquei você como CEO.

— E Langston nunca terá um pedaço da empresa. Não sei se você está ciente disso, mas se algo acontecer a nós dois, tudo será desviado para Case. Eu sei que você confia nele e mesmo que sua empresa seja pequena, ele é justo e honesto. Ele faria o certo pela HTS.

— Jesus. — Ela esfrega a testa com as mãos apertadas. — Jesus. Jesus. — Eu não sei dizer se ela está repetindo isso como uma ladainha ou porque não há outros descritores adequados. — Eu sei que deveria me sentir mal e ficar puta com isso. Estamos falando de assassinato. Mas eu queria matá-lo naquele dia. Eu deveria ter Kolson. Deveria ter sido eu a fazer isso.

— Não, não, Kea. É melhor assim.

— Não é melhor assim, porque agora seu pai vai ganhar depois de tudo.

— Não. Ele não vai. Estou tentando elaborar um plano e não vou deixar que ele leve nenhum de nós.

Ela levanta de repente e se afasta de mim. Eu posso sentir os limites desgastados dos meus nervos que se uniram começar a se desenrolar novamente.

— O que foi?

— Eu não quero que você arrisque nada. Eu quero que a gente saia. Ir embora — ela diz.

Minhas mãos alcançam seus ombros e eu a puxo de volta para o meu peito.

— Eu não vou arriscar nada. Nenhuma chance disso.

— Mas se sairmos, ele não pode nos machucar. — Ela é insistente.

— Pensei nisso, mas o alcance dele é muito grande e, se você sair, eles procurarão por você. Eles saberiam que você está comigo. Pense nisso. Não é preciso muito para ele pedir uma execução. Seria uma questão simples para ele encontrar a nós dois se você fosse para cima e desaparecesse. Eu tive um mês para me preparar para o meu. E então você gostaria de viver o resto da sua vida se escondendo? Meu plano é melhor. Expulse-o e peça às autoridades que o levem.

Ela exala e eu a sinto esvaziar. Eu a viro para me encarar.

— Confie em mim, Gabriella. Eu lidei com ele por um longo tempo. Conheço suas fraquezas e pontos fortes e sei o que vai funcionar. Eu preciso de mais tempo aqui. Por favor.

Ela suspira e pressiona sua bochecha contra o meu peito. Eu sinto a cabeça dela subir e descer de acordo.

— Gabriella, eu quero que você me prometa uma coisa.

— Qualquer coisa.

— Consiga um guarda-costas. Um em quem você pode confiar. Sam talvez. Ou Ovaltine. Alguém que possa protegê-la dele. Alguém que não tem medo dele.

— É tão ruim assim?

— Sim.

— Por que você não é meu guarda-costas?

— O que você quer dizer?

Levantando a cabeça, ela olha para mim.

— Exatamente o que eu disse. Você pode vir aqui, de uniforme da HTS, à noite. Obter uma peruca cinza ou algo assim. Disfarce-se ainda mais. Como com um daqueles trajes gordos. Você pode trabalhar várias noites por semana e eu posso conseguir outra pessoa nas outras noites. Nas noites em que você não está comigo, ficarei na cobertura, mas nas outras, ficarei aqui. Contigo. E Case pode destruir o microfone que encontrou. Ou posso colocar algo para abafar.

Esta pode ser a ideia mais brilhante de sempre. Eu sorrio e então ela também. Então nós rimos. E pela primeira vez em dias, nos beijamos sem urgência, enquanto nossos lábios se encaixam ao redor uns dos outros. Roupas caem como uma poça no chão e nós pousamos em uma pilha de calor em sua cama.

Mas logo, ela está correndo, as mãos chicoteando meu torso como se um fogo as estivesse perseguindo. Eu me viro para que ela esteja debaixo de mim e coloque seus quadris em minhas coxas. Minhas mãos apertam as dela e eu beijo cada dedo.

— Devagar, Gabriella. Não se apresse agora.

Minha cabeça cai para sua clavícula, onde eu gentilmente chupo e deixo uma trilha com a minha língua até o mamilo.

— Dentes. Use seus dentes — ela diz.

Eu deslizo para baixo e chupo seu mamilo com minha boca primeiro e sigo com meus dentes enquanto a mordo. Seus dedos cravam em meus quadris enquanto ela rosna.

— Mais.

Eu deslizo para baixo de seus quadris e continuo a lamber e morder, mas depois me inclino sobre ela e digo: — Eu tenho o maior desejo de marcar você. Para marcar sua pele cremosa com a minha boca e deixar evidências de mim para trás. Mas não posso porque não quero que ninguém suspeite que você esteve com alguém e isso está me matando e me alimentando de uma só vez.

— Faça isso, Kolson, onde ninguém nunca vai ver. Faça isso para que eu possa lembrar- me de você quando olhar para isso amanhã.

Minha garganta se contrai quando olho para ela. E então minha boca cai ao lado de seu osso do quadril e eu a chupo e mordo, marcando-a e puxando seu sangue para a superfície enquanto ela se contorce debaixo de mim. Minha mão a acalma quando encontra sua boceta. Ela é escorregadia com necessidade e desejo.

— Oh, Kolson. Mais. Eu preciso de mais.

— Me diga.

— Você. Eu preciso de você.

— Como? Você quer me orientar?

— Não. Eu quero que você oriente.

Tomando a cabeça do meu pau, eu giro em torno de seu clitóris e ela faz aqueles doces e sensuais sons que eu amo tanto. Eu quero que este seja o melhor momento da sua vida. O melhor de tudo que já fizemos.

— Kolson.

A frustração a deixa nervosa. Passando a mão pelo pescoço até o ombro, digo: — Devagar, Kea. Nós temos tempo. Olhe para mim. Olhe nos meus olhos, meu amor.

Um rubor floresce em seu pescoço e o jeito que ela olha para mim retira o ar para fora dos meus pulmões.

— Humm, eu senti sua falta. Senti falta disso, — eu digo a ela.

Essa ternura em seus olhos transforma meus ossos de sólidos em líquidos. Eu quero que esse momento dure horas e horas.

Meus quadris empurram para a frente, por vontade própria, e eu me sento totalmente nela.

— Você é como seda quente enrolando meu pau, Kea. Tão bom. Bom pra caralho.

Olhos vidrados me encaram e tudo que eu posso ouvir são os suspiros de ar que ela absorve. Seus quadris encontram os meus enquanto ela combina com o meu ritmo e eu alcanço abaixo para segurar seu traseiro. Girando contra ela, que geme alto, me dizendo o que eu preciso ouvir. Ela levanta as pernas mais alto, abrindo-se mais, dando-me mais espaço para mover e então ela torna-se mais vocal. Começo a alternar minha velocidade, rápido às vezes, depois diminuindo a velocidade para prolongar esse momento, observando seu rosto, sentindo cada movimento dela sob mim. O suor contorce minha testa e um brilho fino a cobre. Mãos atravessam meu cabelo e puxam, meus músculos sacodem ao menor toque, e eu a beijo então, tomando meu tempo para provocar toda a sua boca.

Roubo um orgasmo dela e continuo a me mover, não parando nem um pouquinho enquanto ela goza. Minhas mãos ficam inquietas, movendo-se por toda a parte, gananciosas para cada parte dela enquanto eu mantenho meu ímpeto. Os sons que ela faz aumentam, tornando-se mais fracos e fico faminto por mais. Eu acelero até que ela geme alto e então desacelero e puxo todo o caminho e paro, apenas para empurrar de volta e começar tudo de novo. Meu corpo é um fio vivo, pronto para acender a qualquer momento. E então ela geme o que eu quero ouvir.

— Estou gozando, Kolson.

— Eu também estou Kea. Goze comigo. — Eu me inclino para ela, meus movimentos selvagens. Bocas juntas, eu engulo seus gritos quando sinto os espasmos de seu clímax me impulsionando para o meu próprio. Coxas tensas, arrepios correm em minha espinha até que eu me liberto nela enquanto ela se arqueia para cima.

Quando tudo cessa, eu desmorono, rolando para o lado, levando-a comigo. — Eu não quero me separar. Eu quero ficar conectado com você para sempre.

E com essas palavras, assim, ela está em cima de mim, me beijando e nós começamos de novo. No começo, são apenas movimentos lentos e curtos de movimentos, até que eu endureço novamente. Demora um pouco, mas ela morde meus lábios, provoca meus mamilos, puxa meu piercing. E então, eu estou deslizando, deslizando com ela, contra ela, e nós vamos rápido e duro, áspero desta vez. É ela quem me marca agora. Seus dentes afundam no meu peito enquanto ela chupa e puxa. É um passeio selvagem para nós dois. Suas unhas raspam enquanto ela senta em mim e eu não consigo pensar em qualquer dor ou prazer que prefira experimentar. Eu não sei como é possível se sentir assim... Torcido com tanta emoção que eu quero gritar de alegria e chorar de dor de uma vez.

Suas mãos seguram meu rosto e ela pergunta: — Você pode gozar de novo?

O que ela está me perguntando? Meus pensamentos são tão confusos que não consigo decifrar sua pergunta.

— Goza para mim, Kolson. — Não é uma pergunta, mas uma demanda.

Ela se inclina sobre mim e toma meu lábio inferior em sua boca e suga forte. Por um momento eu estou perdido em um mar de seu perfume, tudo misturado com o cheiro do seu sexo. Então ela diz ofegante, na minha boca: — Goza para mim. Eu preciso sentir seu clímax e não posso segurar por muito mais tempo. — Ela levanta um pouco, apenas o suficiente para sua mão escorregar entre nós e ela puxa meu piercing no mamilo. — Eu amo você, Kolson. Tudo sobre você. Você entende o que estou dizendo?

Minhas sobrancelhas franzem enquanto registro totalmente o que ela admitiu para mim. — Sim, eu sei Kea. — E esmago seus lábios com os meus. Não me importa que meus dentes machuquem nossos lábios. Não me importa que nosso ato de amor tenha acabado de se tornar violento novamente. Não me importa que esta noite acabe e eu tenha que deixá-la em breve. Ela acabou de me dizer que entende o que eu fiz e ela ainda me ama e me entregou o mundo na palma da sua mão.

A realidade da nossa situação completa e sabemos que não posso viver sem ela ao meu lado. Temos que estar juntos de alguma forma. E eu vou fazer isso acontecer. Eu não me importo se tiver que matar meu pai para fazer isso.

— Kolson— Sua voz me traz de volta. — Goze para mim.

Quando eu me concentro, a boca dela está aberta e ela ofega, implora para que me mova mais rápido.

— Ah, sim. — E embora eu não goze com ela, o orgasmo dela me envia para um dos meus. Ela desmorona em mim, enterrando a cabeça no meu pescoço, sua respiração quente contra a minha pele.

— Este é um dos meus momentos favoritos. Logo depois que você goza, e está toda trémula e relaxada. Adoro quando você se envolve ao meu redor e me aquece, de dentro para fora. Eu não quero que esse sentimento, essa perfeição, acabe. Você é o ser humano mais bonito que já conheci, Gabriella Martinelli. Eu quero passar o resto da minha vida com você.

Ela não responde, mas eu a sinto tremendo, então sei que está chorando.

— Não. Vai ficar tudo bem, — eu digo a ela.

— Oh, Kolson, estou com medo por você.

Eu rio. — E eu estou com medo por você! Então estamos quites.

— Pare de brincar sobre isso. Quando você sair daqui esta noite, eu não sei quando vou vê-lo de novo.

Ela está certa. Eu não sei quando voltarei.

— Eu vou trabalhar nessa coisa de guarda-costas.

— Isso não será impossível com a segurança da HTS e com a maneira como eles avaliam os funcionários?

— Eu não seria um funcionário oficial. Eu falo com Sam e faço-o pegar um uniforme.

Nós dormimos e eu acordo várias horas depois, sabendo que preciso sair daqui em breve. É a última coisa que quero fazer, mas solto os braços dela e saio de seu abraço, com cuidado para não perturbá-la. Rabisco uma nota e saio em silêncio. Sair do prédio antes dos madrugadores é crucial.

Ainda está escuro quando chego ao Brooklin. Sento-me na minha cadeira habitual e vejo o sol nascer. Novos planos precisam ser feitos. Os que eu comecei são inúteis. Langston é muito volátil. Ele precisa ser parado e mais rapidamente do que eu pensava. E vou precisar de algo muito mais substancial do que o que tenho para desmontá-lo. Meu problema é que estou basicamente de mãos vazias. Eu não sei o que ele tem sobre meus irmãos ou eu. A última coisa que quero é que qualquer um deles vá para a prisão. Não tenho certeza do envolvimento de Kestrel no negócio ou se Langston tem algum registro do meu envolvimento na morte de Danny.

Isto é um peso sobre a minha cabeça, mas eu tenho que pensar em algo rapidamente antes que ele machuque Gabriella. Preciso chegar a Case também. Jesus, que cacete! Gabby deveria estar lendo a nota que deixei a qualquer momento, e a única coisa de que tenho certeza é que quero estar com ela agora mais do que nunca.


CAPÍTULO QUINZE

Gabriella


Meu alarme dispara às seis e meia, mas já estou acordada. O lugar ao meu lado está vazio e eu odeio isso. Eu gostaria que ele tivesse me beijado quando saiu. Talvez ele tenha dormido bem. Quando eu vou ficar em pé, meu corpo está tão dolorido em muitos lugares que não posso começar a contá-los. Eu preciso de um banho quente para resolver os problemas. Problemas. Hmm. Escolha interessante de palavras.

Pousada no balcão está uma nota.


Eu tive que sair antes do sol nascer, linda. Deus, eu te amo tanto que dói pensar em você às vezes. Vigie suas costas e não instigue nada com ele. Prometa-me. Ele não vai parar em nada até conseguir o que quer. Eu vou entrar em contato com Case. Se você confia nele, é o suficiente para mim. Espero que até o final de hoje tenhamos um jeito de nos contatarmos. Vou trabalhar na coisa de guarda-costas. Eu gostaria de pensar que te veria hoje à noite, mas sem promessas. Eu não quero arriscar muito e você também não deveria. TENHA CUIDADO em todos os momentos e saiba que eu te amo mais do que tudo neste mundo.

Queime isso depois de ler.

Xoxo


Eu o abraço no meu peito por um momento antes de procurar um fósforo na cozinha. Seguro a nota sobre a pia até que não seja nada além de cinzas. Depois, eu enxugo no ralo. Então vou para a cobertura para me preparar para o trabalho.

Quando me dispo no banheiro, fico chocada ao ver os hematomas espalhados pelos meus quadris e pélvis. Ele realmente me marcou ontem à noite. Meus membros ficam pesados quando minha barriga aperta com o pensamento do que fizemos. Olhando para baixo, vejo como a trilha de manchas roxas se estende dos meus quadris até à dobra onde minha perna se junta ao meu sexo. Eu coro enquanto meu corpo se aquece com desejo. Pensar nas mãos dele, em como me tocou e no que fez com a boca me deixa lânguida de necessidade. Minha respiração passa pelos meus pulmões e eu decido que preciso de um banho para relaxar. Mas uma vez lá, isso me lembra mais de Kolson. Eu estou toda dolorida, por dentro e por fora, então rapidamente me lavo e passo xampu, mas não consigo fazer nada para aliviar minha dor sempre em expansão. Eu vou me sentir assim o tempo todo? Movo minha mão entre as pernas e percebo que estou molhada, escorregadia para Kolson. Eu poderia sair, mas tenho medo de só agitar as coisas e piorar. Água desligada, eu estou fora e vestida, pronta para ir trabalhar para tirar minha mente das coisas.

Irritada não seria a descrição do meu humor. Discuto com todos, bato as gavetas, sacudo as coisas na mesa de Kolson. Estou deixando Jack nervoso.

— Gabby, posso pegar outra xícara de café? — Pergunta ele.

— Não. O café não pode resolver meus problemas.

— Eu, uh, acho que talvez devêssemos revisar os contratos que a HTS tem pendentes, então.

Jesus, quem diabos eu estou enganando? Não funciono assim.

— Jack. Eu sinto muito. Não dormi muito na noite passada. Os últimos dois dias foram difíceis. Você sabe. — Minha voz racha.

— Você não precisa explicar.

— Não, você está errado. Eu preciso. Meu comportamento é inaceitável. Eu não sou uma adolescente mimada e geralmente não ajo assim. Você deve saber que tirei uma licença do meu consultório de psiquiatria e acho que talvez precise de alguns dias de folga aqui também. Isso é muito ruim, visto que comecei agora minha função como membro ativo dessa equipe, não é?

Jack fica em silêncio por um minuto.

— Você quer saber o que eu realmente acho?

Recostando na minha cadeira, eu digo: — Sim. Quero.

— Acho que você recebeu o maior sanduíche de porcaria que eu já vi. E vê-la aqui, sentada à mesa do Sr. Hart, tentando administrar uma grande corporação e mantê-la unida, é um maldito milagre no meu livro. Honestamente, se eu fosse você, eu estaria em uma maldita ilha em algum lugar, afogando minhas mágoas em um copo de Grey Goose3 esperando perder minha memória dele no processo. Ele era tão grande... Tão dinâmico. Você simplesmente não pode sentar aqui e não absorver isso. E estar em seus malditos sapatos... Para amá-lo. Eu não sei como você se segura do jeito que você faz.

Ele coloca um punhado de lenços na minha mão e fecha a porta atrás dele enquanto sai. Desta vez, quando olho para todas as fotos, eu faço isso com paciência, para ver o que Kolson viu quando as tirou. Eu tento entender como ele olhou para mim, mas não há um único tema comum. Feliz, séria, cômica, apaixonada, intensa, admirada, tudo ali para ele olhar todos os dias. Eu também nunca soube, mas gostaria de ter sabido. Eu gostaria de ter tido tempo para vir até aqui, visitá-lo, compartilhar um almoço juntos e rir de algo bobo. Mas eu não o fiz, não como ele fez. Ele me trouxe o almoço e nós comemos na minha pequena mesa da cozinha enquanto me fazia todos os tipos de perguntas. Eu raramente lhe perguntava alguma coisa. Eu era egoísta? Ou estava tão enterrada em meus próprios problemas que não dava a mínima para ele?

Algo começa a crescer dentro de mim. Cria raízes e posso sentir os tentáculos se estendendo da minha alma, fortalecendo minha determinação. Isso é onde tudo começa. Langston Hart fodeu com a pessoa errada. Eu vou encontrar uma maneira de derrubá-lo. Não me importo com o que tenha que fazer, mas tem que haver algo que eu possa desenterrar em Langston que irá pará-lo. Case disse que o FBI está tentando derrubá-lo. Tem que haver um jeito, e vamos descobrir isso.

Os lenços na minha mão estão amassados, mas ainda são bons o bastante para secar meu rosto. Eu os atiro no lixo e vou para o escritório de Jack. O olhar de surpresa quando entro me deixa saber que devo ter evoluído daquela bagunça chorosa para algo parecido com uma fúria.

— Jack, — eu começo quando me sento em frente a ele, — Kolson já discutiu seu pai com você?

— Não muito mais do que o fato de Langston estar sujo.

— O que você sabe?

— Novamente, não muito, Gabby. O homem a quem você deveria estar perguntando é Tom Barret.

— Onde é o escritório de Tom?

— Vamos. Eu vou te levar e fazer as apresentações.

Alguns minutos depois, estamos todos sentados no escritório de Tom Barrett.

— Dra. Martinelli, o Sr. Hart sempre me deu instruções firmes para ficar longe da Hart and Sons Entertainment.

— Compreendo. Mas o Sr. Hart não está mais no comando aqui. Tom, Langston Hart veio ao meu escritório ontem e me ameaçou. Eu quero vê-lo na cadeia. Nós todos sabemos que ele é um criminoso. Eu quero descobrir o máximo que puder sobre ele. Quão difícil seria tocar em seus computadores?

Tom lança um olhar para Jack, mas Jack não pisca.

— Dra. Martinelli, o que você está pedindo é ilegal.

— Só se formos pegos.

Tom solta o ar.

— Isso é altamente incomum.

— Assim como ser ameaçada no meu escritório, Tom. Nós todos sabemos que Langston é perigoso. Ele disse estar pagando à polícia. Eles não podem me ajudar. Mas você pode, se você puder nos fornecer qualquer tipo de informação útil que eu possa alimentar o FBI.

— Não sei.

— Pense nisso e me avise. E a propósito, a vida de Kolson pode depender disso.

Eu ando de volta para o meu escritório e Jack me segue.

— Isso não foi muito bem, — eu digo.

— Não seja tão rápida com isso. Tom não é um daqueles caras que pula quando você diz pule. Ele é TI. Muito analítico. Você conhece o tipo.

— Na verdade, eu não sei muito sobre TI, mas sou analítica. Eu sou o tipo de cientista.

Jack acena com a cabeça.

— Bem, não se ofenda, mas há muitas semelhanças. Esses caras são nerds. Eles gostam de ver as coisas de diferentes perspectivas.

— Quantos dias devo dar a ele antes de procurar ajuda em outro lugar?

— Uma semana. É assim que esses caras trabalham.

— Mas eu pensei que Tom era segurança.

— Ele é. Mas começou em TI. Esses caras têm uma atenção para detalhes que está além de qualquer coisa. Ele tem uma excelente equipe, mas sabe o que está fazendo.

— Eu não duvido disso. Se Kolson o colocou nessa posição, sei que ele é o melhor.

— Gabby, você está bem? — Jack pergunta.

— Sim. Obrigada pelo que você disse antes. Isso significou muito. Você realmente não me conhece...

— Sr. Hart não falava muito sobre sua vida pessoal, mas ele falava muito sobre você. Desde o início, Gabby. Não foi preciso ser um gênio para descobrir que ele estava de cabeça para baixo por você. Ele não era o tipo de homem que se permitia se distrair facilmente. Desde o início, você era sua única distração. Eu sabia. Eu estava com ele todos os dias.

Mordo meu lábio enquanto sorrio.

— Há algo mais que você deveria saber. Ele evitava mulheres quando se tratava de negócios. E acredite em mim quando te digo, elas se jogavam nele. A menos que fosse um contrato multimilionário, ele me encarregaria, se o cliente fosse do sexo feminino. Elas geralmente se tornavam agressivas com ele e ele não gostava disso.

É fácil para eu acreditar nisso.

— Essa foi uma regra que ele nunca quebrou. E você pode sorrir enquanto te conto isso.

Eu faço. E então rio. É engraçado ouvir isso de Jack porque ele é um sujeito despretensioso. É atraente, mas também não é alguém que você notaria.

— Jack, você tem uma família?

— Uma esposa e dois filhos. Um filho de nove anos e uma filha de cinco anos.

— Espero que Kolson te compense bem.

Jack ri.

— Ele recompensa bem.

— Você quer um aumento?

Ele ri.

— Jack. Estou falando sério. Você está fazendo o meu trabalho e o seu. Eu acho que você está atrasado. Agora, não tenho certeza do que é justo aqui e eu nem mesmo olhei para os cronogramas de compensação, mas tenho certeza que você é um funcionário contratado com ações ou algum tipo de participação nos lucros da empresa. É óbvio que preciso de você. Eu não quero você correndo para um concorrente, então vou fazer valer a pena ficar. Acho que é o que Kolson queria também. Então me diga o que você quer e eu farei isso acontecer.

— Você fala serio.

— Sim.

Nós estabelecemos um número com que ele fica mais do que feliz.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Pergunte — eu digo.

— Você e o Sr. Hart estavam planejando se casar?

Uau. Isso me bate por um loop4 e me leva de volta à minha conversa com Kolson quando ele nunca me contou sobre seus problemas.

— Acho que teríamos eventualmente. Mas não imediatamente. Nós não estávamos com pressa, sabe?

— Eu não queria incomodar você. Sinto muito.

— Não, Jack. Está tudo bem.

— Há mais alguma coisa que você precisa rever comigo? Se não, há algumas coisas que precisam da minha atenção.

— Não. Você está fora de alcance aqui.

— Gabby, obrigado por cuidar de mim financeiramente.

— Isso não fui eu, Jack. Você merece isso. Você fez isso sozinho.

Jack me deixa com meus pensamentos, então folheio os arquivos do computador de Kolson. Ele é esperto e inteligente. Tem que haver algum tipo de arquivo que ele mantém sobre Langston. Pesquisando seu banco de dados, eu entro em todos os parâmetros conhecidos que posso inventar, incluindo o nome dele, o dragão, o caçador de dragão, o rastejador, o agressor, e assim por diante, mas todos surgem de mãos vazias. Como não consigo encontrar nada aqui, me conecto no Google e faço buscas nele. Eu incluo o FBI neles e começo a inventar todo o tipo de crimes a que o seu nome está ligado. Há assassinatos, aquisições obscuras de negócios, a maioria lidando com Atlantic City ou Las Vegas, acordos de investimento que deram errado onde os investidores perderam dinheiro, mas nada pôde ser provado, e a lista continua. Não é de admirar que Kolson quisesse sair de lá. E as fotos... Meu Deus, em cada uma, Kestrel está ao lado dele. E ele parece terrivelmente desconfortável. É lamentável, na verdade. Há algo tão perturbador nisso que quero alcançar cada foto e tirar Kestrel.

Alguns artigos de notícias detalham como eles suspeitam que os cassinos de Langston usem roletas e revendedores corruptos. Infelizmente, nada disso foi verificado pelo uso de câmeras de segurança ou das autoridades regionais de jogos de azar.

Meus pensamentos giram com informações sobre ele. Talvez eu precise falar com Case sobre isso, mas quando verifico meu relógio, vejo como é tarde e percebo que ainda não almocei.

Fecho o computador, pego minha bolsa e me despeço de Jack. Estou encontrando Case em NA hoje à noite e preciso ir para casa e comer alguma coisa primeiro.

Lydia ainda está aqui quando saio do elevador e minha boca fica imediatamente molhada quando sinto o cheiro da evidência de seus talentos culinários.

— Ah, Dra. Martinelli. Estou tão feliz por ter te apanhado. Eu deixei pra você coq au vin5 no fogão fervendo. Você tem purê de batatas para acompanhar. Por favor, coma. Você está ficando muito magra, — ela recrimina.

— Lydia, você vai me chamar de Gabby?

— Não. Nunca. — Ela ri. — Ah, e o irmão do Sr. Kolson continua ligando para o telefone da casa. Ele diz que precisa falar com você.

— Que pena. Ele pode esperar.

— Você está trabalhando novamente esta noite?

— Estou, tenho que sair por volta das seis.

— OK. Prometa-me que você vai comer!

— Eu irei comer.

— Sr. Kolson não gostaria se soubesse que você não está comendo.

— Lydia, Langston já veio aqui?

— Não, não que eu esteja ciente disso. E se ele viesse o Sr. Kolson teria dito para sair. Ele não gosta desse homem.

— Obrigada por me alimentar e cuidar de mim, Lydia.

Ela recolhe suas coisas e se vai. Eu arrumo um prato; a comida cheira divinamente e tem um gosto ainda melhor. Lydia é uma cozinheira fabulosa. O frango é macio e cai do osso e as batatas são tão gostosas.

Quando termino, corro para o escritório de Kolson e ligo o computador dele. Ainda estou em busca de qualquer coisa que ele possa ter de Langston. Mas depois de quarenta e cinco minutos, não encontro nada. É hora de encontrar Case então saio, a minha carona já está esperando por mim.

A caminho de NA, decido que Kolson não seria tão descuidado em deixar informações sobre seu pai guardadas em um arquivo em seu computador. Ele levaria com ele ou teria em algum lugar inacessível, escondido atrás de códigos de segurança. Discutirei isso com ele na próxima vez que o vir.

Sky também liga e nós nos atualizamos brevemente. Eu sou distraída sobre as coisas porque a verdade é que não posso dizer muito a ela. Eu também não quero estar perto dela porque não quero dar mais combustível para Langston do que ele já tem. Evitar meus amigos é a melhor maneira de mantê-los seguros por enquanto.

Assim que vejo Case, praticamente me atiro a ele. Quando o estou abraçando, pergunto: — Ele fez contato com você?

— Sim. Nós vamos falar sobre isso mais tarde, — ele murmura de volta.

A reunião acontece como sempre acontece. Case é mágico na forma como transforma as atitudes em torno da sala. Dependentes entram, desanimam e perdem a esperança, e dentro de poucos minutos ouvindo-o, há uma pitada de faísca em seus olhos. Eu posso sentir o otimismo florescer na sala. Case deveria ter sido psiquiatra, não eu. Ele provavelmente ajudou mais pessoas do que eu jamais irei. E considerando o que está acontecendo na minha vida, meus objetivos certamente mudaram. Salvar Kolson e mutilar seu pai, no mínimo.

Enquanto sento e reflito, penso em quanto mudei no ano passado. Acabou a garota tímida e assustada que mal podia pagar por uma xícara de café. No lugar dela fica uma das mulheres mais ricas do estado, e estou pensando em como vou tirar alguém da face da terra. Chame-me de Dra. Evil. Eu rio interiormente. Talvez eu deva dar-lhe uma dose de eletroconvulsoterapia sem anestesia e ver como ele gosta. Oh, o pensamento me faz rir. Jesus, Gabby, você está doente.

Volto meu foco para um tópico mais saudável: Case e seus dependentes. Ele está no momento em que está pedindo que as pessoas participem da conversa, se elas se sentirem à vontade para fazê-lo. Alguns novatos se apresentam e outros não. Alguns nunca mais voltarão, mas alguns o farão e, se o fizerem, Case fará o melhor que puder para mantê-los voltando de novo e de novo. Ele é tão dedicado. Ele faz meu coração se sentir otimista também. No final, ele menciona-me e deixa-os saber que estou lá se precisarem de mim. Algumas pessoas se aproximam e me fazem perguntas sobre a reabilitação e a clínica. Suas maiores preocupações são a retirada. Explico que a clínica é supervisionada por médicos e digo que é segura e eficaz, mas não é fácil. Eles ainda terão ânsias. Eles ainda vão querer usar e ainda haverá uma forte possibilidade de recaída. É aí que Case e NA entram.

— As perguntas que você deve fazer a si mesmo são o quanto você quer parar de usar? Você quer que essa substância controle seu dia a dia, sua vida, ou você quer assumir o controle dela? Quando você me der as respostas certas, posso ajudar a guiá-lo na direção certa.

Um homem, talvez da minha idade, com vinte e tantos anos, olha para mim e diz: — Estou pronto. Eu quero desistir e estou cansado de não estar no controle. Já perdi tudo. Não há mais nada a perder, a não ser talvez a minha vida.

Entrego a ele um cartão, com o endereço da clínica e meu nome, com informações escritas sobre exatamente aonde ir e quem ver.

Ele me agradece e, antes de partir, eu digo: — Nos vemos daqui a seis semanas.

— Sim — Ele balança a cabeça e sai.

Quando todos se vão, nós conversamos. Nossas vozes são silenciosas quando nos sentamos no canto, nossas cadeiras fechadas.

— Então, Kolson passou por aqui.

— O quê? — Era difícil não gritar.

— Não se preocupe. Ele estava vestido como um mensageiro e nós os usamos o tempo todo. Ele usava um capacete com viseira, por isso seria difícil ver o rosto dele.

— Não tenho certeza se gosto dessa ideia.

— Eu vou destruir esse microfone e então você vai se encontrar com Kestrel em um café e perguntar a ele sobre isso. Preste atenção a sua reação. Diga a ele que Lydia o encontrou e o colocou para você com uma nota e você a largou e quebrou. Você me ligou para ver o que era e eu lhe disse.

— Ok, mas e sobre Kolson ser meu guarda-costas? — Eu pergunto.

— Pode ser arriscado, até mesmo como um funcionário falso. Os homens de Langston estão observando todos de perto e, se virem alguém novo, tiram fotos. É melhor deixar as coisas como estão.

— Bom ponto. Pedi a Tom Barrett que invadisse os computadores da Hart Entertainment.

— Você fez o quê?

Eu explico.

— Gabby. Isso está colocando-o em risco. Ligue para ele. Isso precisa ser feito do lado de fora. Ele pode ser morto.

— Mas...

— Sem desculpas.

— Jack estava comigo.

— Jack McCutcheon?

— Sim.

— Porra. Diga a eles que quanto mais você pensa sobre isso, mais você decide que foi uma má ideia. — Case levanta a cabeça e olha ao redor. Então coloca a boca ao lado do meu ouvido. — Gabby, isso é um problema sério. Ninguém saberá disso. OK? Não discuta isso com ninguém. As únicas pessoas com quem você fala sobre isso são comigo, Kolson ou Sam. Compreende? Quanto mais pessoas você envolve, mais perigoso se torna.

— OK. Acho que foi um plano ruim.

— Não. Você quer ajudá-lo. É compreensível. Mas lidar com um mafioso conhecido por assassinatos por contrato é outra história. É melhor ouvir Kolson. Ele está tentando descobrir evidências sobre Langston e alguns de seus associados. Se ele puder fazer isso, Langston irá para a prisão. Isso faz muito mais sentido. Temos que ser muito pacientes.

— Kolson disse quando voltaria?

— Não. Mas ele agora tem um celular não rastreável, como o seu. Se você precisar dele, em uma emergência, Gabby, e eu quero dizer isso, ligue para ele. Não envie mensagens de texto ou use essa coisa para bate-papo. Você entendeu? Você tem que estar morrendo ou perto da morte para usá-lo. Caso contrário, me ligue. Entendeu?

— Sim.

— Prometa-me.

— Prometo.

Meu carona está me esperando enquanto Case me leva até o carro. Vai ser uma noite longa e sem sono enquanto processo todas essas informações. Eu gostaria que houvesse alguma maneira que pudesse ajudar.


CAPÍTULO DEZESSEIS

Kolson


Case está certo. Eu servir como guarda-costas de Gabriella é muito arriscado. Minha equipe de segurança que pessoalmente montei na HTS iria descobrir meu disfarce tão rápido que eu não duraria um minuto. Eu posso ver Tom Barrett batendo palmas já. Sam e Ovaltine serão os seguranças que a protegerão, e eu só os visitarei quando estiverem trabalhando. Essa é a melhor solução que podemos resolver.

Quando Case me viu pela primeira vez, me conduziu ao seu escritório e quis saber se eu estava usando drogas. Eu sei que pareço um lixo hoje em dia, mas acho que não percebi o quão ruim estava.

Meu único vício, eu disse a ele, é Gabriella. Dias sem ela me deixam nervoso pra caralho. Estou preocupado que algo lhe aconteça. Felizmente, como Case costumava estar na polícia, ele entende a gravidade da situação com meu pai. Case também mencionou que ele tem um amigo próximo no FBI que compartilhou alguns dos arquivos de Langston com ele. Ele está examinando esses arquivos de como Langston foi implicado em mais de uma dúzia de assassinatos no passado. A conexão do caso pode ser útil se eu puder descobrir qualquer evidência em minha investigação dele.

Vamos agora passar para o próximo estágio. Com Case ajudando, talvez meus planos para coletar mais evidências concretas se materializem. Eu estou esperando para chegar a Kestrel. Para levá-lo à caverna. Mas não posso deixá-lo saber que ainda estou por perto. É por isso que preciso que Gabriella se encontre com ele para tentar convencê-lo a falar. Os registros do computador que tenho são datados, as informações são escassas. Case disse que eles precisam de algo mais atual. Eu pretendo criar uma lista de contatos para ele e depois partir de lá. Ele não tem certeza de como isso vai ajudar, mas eu sei. Mesmo que eu tenha que ir além da lei, eu vou, embora não tenha mencionado isso ao Case.

Ele sugeriu que eu ficasse longe de Gabby pelos próximos dias. Os homens de Langston estão observando-a como um falcão e ele não quer aumentar seu interesse, mais do que já é. Ele prometeu deixá-la saber o que estava acontecendo e me disse para ir para casa, e quando fosse mais seguro, ele me avisaria.

Agora eu estou uma bagunça ainda maior do que quando fui vê-lo. Enquanto estou sentado aqui no meu apartamento, sozinho com meus pensamentos, minha mente se debate com ideias de como posso derrubar meu pai. Eu vou ter que entrar no seu complexo. Mas não sei como posso fazer isso. Minha chave será Kestrel. Mas ele não pode saber que eu o estou usando, porque suas amarras ao dragão são muito fortes. Ele não tem forças para enfrentá-lo. É aqui que posso ter que confiar em Gabby.

Inquieto, saio do Brooklyn e subo no metrô. Eu monto os trens o dia todo em busca de respostas. Mas não encontro nada, exceto na minha conexão com Kestrel. Eu gostaria de poder confiar nele o suficiente para usá-lo. Mas não posso. Meu pai iria quebrá-lo em menos de um segundo. Enquanto espero por outro trem, perambulo por meus pensamentos quando percebo um homem que parece familiar. Estou chocado ao ver que é Kade. Ele está imundo e parece horrível. E fede. Tenho certeza que não tomou banho em semanas, talvez até meses.

Ele não me viu, então caminho até ele e digo: — Ei.

Ele se vira e nem um vislumbre de reconhecimento passa por suas feições. Seus olhos estão mortos. Sem esperança. Isso me esmaga.

— Kade?

— Sim. O que você quer? — Ele se apoia em uma lata de lixo.

— Está com fome?

— O que você tem a ver com isso?

— Venha comigo. Eu vou te comprar um pouco de comida.

Ele foca seus olhos nebulosos em mim. — Por quê?

— Porque você está com fome.

Ele faz uma pausa e balança a cabeça. — Não. Eu estou bem.

— Não, você não está. Olhe para você. Você precisa comer. — Pego seu braço e suas sobrancelhas se unem. Ele está tão perdido que me faz querer abraçá-lo. Mas eu sei que isso vai assustá-lo.

— Vamos amigo, vamos ao Mcdonalds — Esse costumava ser seu lugar favorito quando era criança, e eu espero que ele faça a conexão.

— Sim, ok.

Nós caminhamos até o nível da rua, e olho para ele ao longo do caminho. Ele parece uma merda. Tão ruim quanto já vi. Se ele não receber ajuda em breve, vai morrer. Eu posso dizer que é preciso muito esforço para ele se locomover, mas vejo um McDonalds à frente. Quando entramos, digo a ele que se sente e peço todas as suas coisas favoritas.

Suas mãos tremem quando ele desembrulha seu Big Mac. Ele enfia batatas fritas em sua boca tão rápido que me pergunto quando foi sua última refeição real. Ele bebe sua Coca e eu peço uma recarga.

— Kade, amigo, você sabe quem eu sou?

— Sim.

— Bom. Apenas certificando-me.

— Você não vai tentar me fazer ir para a reabilitação novamente, vai?

Eu deixo cair a cabeça em minhas mãos. Eu literalmente poderia chorar agora. Ele cheira tão mal e parece que está a uma semana longe da morte, mas eu quero abraçá-lo com tanta força que ele não faz ideia.

— Não, não vou.

— Ok, mas você sabe, eu poderia estar pronto desta vez.

O quê? Puta que pariu!

Eu me inclino para ele e murmuro: — O que você disse?

Seus olhos vidrados, que costumavam ser tão penetrantes, tentam se concentrar em mim e falham. Em vez disso, ele olha de volta para seu Big Mac e diz suas palavras confusas, — Eu acho que poderia estar pronto desta vez, Kol.

Eu pego sua mão. Não me importo que não tenha visto sabão em semanas. — Kade, você tem que me prometer uma coisa.

— Sim?

— Você não pode dizer a ninguém que me viu.

— Por que não?

— Só por que não! Você pode me prometer?

— Uh-huh.

Eu seguro a mão dele com firmeza.

— Bom. Se eu te disser um lugar para ir, você pode chegar lá? É um lugar onde alguém chamado Case pode ajudar você.

— Sim. Eu posso fazer isso. — Então seus olhos vidrados caçam os meus novamente. — Mas Kol, eu estou muito ruim. Não sei se vou conseguir.

— Você irá. Ele pode te ajudar. Apenas me prometa que irá. Prometa. — Eu quero chorar.

Kade acena e termina de comer. Quando termina, eu digo: — Kade, eu tenho que deixar você agora. Mas vá ver Case. E não se preocupe. Ele vai ajudar.

Eu saio, mas antes de ir, eu entrego-lhe algum dinheiro. Não sei se ele vai usá-lo para comida, transporte para chegar a Case, ou drogas. Vê-lo em tão mau estado quebra meu coração. Volto para o Brooklyn, tentando descobrir se ele realmente vai pedir ajuda.

Estou bebendo minha dose pesada de Jameson quando o telefone que Case me deu emite um bipe. É um texto dele:

— Tenho que conversar. Esta noite. Onde?

Eu respondo de volta imediatamente:

— Um bar no Brooklyn.

Eu lhe dou a localização do meu bebedouro favorito. Uma hora a partir de agora.

Estou sentado no canto quando ele chega e me vê. Ele se senta à minha frente, mal controlando seu temperamento.

— Você está deliberadamente tentando matar todo mundo?

Sua pergunta me atrapalha.

— O quê? Sem resposta? Seu irmão cambaleia para NA e me diz que você o enviou. Depois que você o levou para almoçar hoje. Sim, você, que deveria estar desaparecido. Que porra, cara?

Eu não tenho uma resposta adequada para ele porque está certo.

— Ouça-me e ouça bem. Você está colocando Gabby em risco. Eu a amo. Faria qualquer coisa por ela. Você, por outro lado, eu poderia dar uma besteira sobre isso. Só estou ajudando você porque ela daria o braço e a perna direita por você. Então vamos esclarecer uma coisa: cale a porra da boca desse ponto em diante. Eu não tenho ideia de como vou manter seu irmão quieto. Agora ele é uma maldita bomba de hidrogênio prestes a explodir. Você tem alguma ideia de como é um viciado quando passa pela retirada?

Sacudo minha cabeça. Obviamente não sei.

— Deixe-me te informar. Eles venderiam seu primogênito ao demônio por uma dose. Então, se seu pai souber que Kade está em reabilitação, ele vai entrar e tentar descobrir o que puder. E acredite em mim, Kade vai cantar como Pavarotti no Metropolitan Opera e vai ser um desempenho estelar.

Meu corpo inteiro está enrolado e pronto para saltar. Eu esfrego a parte de trás do meu pescoço enquanto o ar explode pela minha boca.

— Porra.

— Exatamente.

— Ele é meu irmão. Quando o vi, não pensei.

— Não brinca, idiota.

— O que eu deveria fazer? Ir embora e deixá-lo morrer?

— Algumas escolhas são difíceis, amigo. Mas você tem que pesá-las. Gabby foi jogada nessa situação e não tinha escolha. Seu irmão tem.

Imagens passam pela minha cabeça... Todos nós, garotos, crianças e o que o dragão fez para nós. Minha mão envolve o pulso de Case enquanto eu grito: — Agora é aí que você está errado. Nenhum de nós tinha alguma escolha. O dragão levou as escolhas para longe de nós.

Eu libero seu braço como se estivesse queimando meus dedos. Case pergunta: — O que diabos ele fez com você?

Minhas mãos se fecham no meu cabelo e eu só posso balançar a cabeça. Garganta queimando com ódio e minha mente mexendo com lembranças horríveis, eu fico em silêncio enquanto tento me recompor.

— Porra. Não é de admirar que seu irmão seja um viciado.

Depois de algumas respirações profundas, acrescento: — Se você soubesse a metade disso, provavelmente não acreditaria. Ele é um maldito monstro.

— Isso não apaga o fato de que temos que considerar o controle de danos.

Quando estou calmo novamente, digo: — Precisamos mandar Kade para algum lugar. Informe Gabby sobre isso. Faça com que ela prepare tudo.

— Não vai calar a boca dele, — diz Case.

— Pode ser, mas Kade odeia meu pai mais do que qualquer um de nós. Ele teve o pior. Meu pai foi especialmente cruel com ele.

— Ele abusou de vocês, crianças?

— Oh sim. Mas não do jeito que você está pensando. Meu pai era... Deixe-me apenas dizer que ele gostava de nos privar das coisas. E Kade era o mais carente de todos.

— Jesus, me desculpe, cara.

— Então, quando eu o vi cavando através do lixo, eu realmente não tinha escolha. Eu o levei ao McDonald's e o alimentei. Eu conversei com ele e perguntei casualmente se ele consideraria NA. Nunca em um milhão de anos achei que ele diria sim. Ele resistiu tantas vezes no passado e eu sabia que ele estava perto do fim apenas olhando para ele, mas quando ele disse que iria, eu tinha que contar a ele sobre você. Não pude ir embora. Apesar de todos os seus defeitos, ele é meu irmão. E se você conhecesse toda a história, também gostaria de falar com ele. E também Gabriella. Desculpe, Case.

Estamos ambos quietos por um tempo. Então, Case fala.

— Eu conheço um lugar. Fica no Colorado. Eles são muito discretos. Não fazem perguntas, mas são extremamente bons. Se você puder fornecer o transporte e pagar por ele, posso fazer as coisas.

— Fale com Gabriella, ela controla o dinheiro. Diga o que está acontecendo e ela cuidará disso. Ela precisa pagar pelos fundos pessoais, mas ela saberá disso.

Case toca a mesa com a palma da mão.

— Eu cuidarei disso. E fique longe dela por um tempo. Estou preocupado com você. Você precisa se calar. Fique em casa, cara. Assista alguns filmes ou algo assim. Mantenha seu nariz limpo.

Eu concordo.

— E outra coisa. Pare de beber whisky como se fosse suco ou você estará em reabilitação também.

— Não, eu estou bem.

— Uh-huh. Eu já ouvi isso antes.

— Falou como um profissional, — eu digo carregado de sarcasmo.

— Porque eu sou um, seu idiota.

Dou uma boa olhada nele. Ele sabe do que está falando. Seus olhos são duros e não relaxam em mim. Case tem vivido em torno do bloco com abuso de substâncias, então eu acho que ele é o profissional e eu sou um grande idiota.

— Eu não estou dando conselhos para merdas e risos. Você pode ser inteligente quando se trata de ficar rico, mas eu sei da minha bagunça quando se trata de vício. Fique. Longe. Da. Maldita. Garrafa. Gabby é importante. Não foda isso.

— Aye Aye capitão.

Ele sai da cabine e vai embora. Quando penso sobre isso, vejo que Case não é alguém que eu gostaria de foder. Ele é duro e teve sua parte de duros golpes. Mas ele é sério sobre cuidar de Gabriella e não hesitaria em me agarrar pelo colarinho da camisa e dar algum sentido em mim. Olho para o meu copo meio cheio e empurro de lado. Ficar bêbado não vai mudar o resultado das coisas. Só vai mudar a maneira como me sinto pela manhã.

Deixo uma pilha de notas sobre a mesa e caminho para casa. Há apenas um lugar que quero estar agora, e é na cama com Gabriella. Como isso não vai acontecer, vou para casa e faço o meu melhor para adormecer sem ela.


CAPÍTULO DEZESSETE

Gabriella


Kestrel é o único caminho para Langston. E eu preciso descobrir isso. Já faz vários dias desde que vi Kolson e estou morrendo de vontade de ligar para ele, mas não posso me permitir fazer isso.

Ironicamente, quando chego do trabalho, Lydia está com o jantar pronto, mas ela também me mostra a pequena coisa preta, que encontrou na mesa de entrada quando estava limpando o pó. Eu quero rir histericamente, mas não faço. Ela pergunta se eu sei o que é, e digo que não. Nós a inspecionamos e determinamos que é uma daquelas coisas que você costuma encontrar por aí, então ela a joga no lixo e a leva para a lata de lixo quando sai.

Estou tonta quando chamo Case e digo a ele.

Ele não ri. Bem, talvez um pouquinho, mas não o que eu espero.

— O que há de errado?

— Nada. Você está ocupada?

— Não. Eu ia jantar.

— Quer companhia? — Pergunta ele.

Ele chega cerca de meia hora depois e eu sirvo a nós algumas das deliciosas piccatas de vitela de Lydia.

Ele geme enquanto come, e não posso culpá-lo. Lydia é uma maravilha na cozinha.

— Então, o que você não poderia dizer pelo telefone?

— Isso é muito engraçado sobre Lydia encontrar o microfone.

Eu rio.

— Kolson encontrou Kade. Ele vai se reabilitar.

Largo o garfo que faz barulho na bancada de granito.

— Você pode repetir isso?

— É realmente necessário?

— Hmm sim.

Ele me conta toda a bagunça e eu estou dividida entre rir e chorar. Então ele pergunta: — Você tem alguma ideia do que o pai deles fez com eles?

— Oh Deus, Case, eu gostaria que ele me contasse. Mas ele não conta. Ele diz que vai, mas está com medo.

— Eu o encontrei de novo ontem.

Ele me conta tudo o que ele disse para Kolson.

Minha mão cobre minha boca para não gritar com Case. Eu quero amaldiçoá-lo por ser tão insensível. Mas como ele saberia?

— Gabs, ele agarrou meu braço e eu sabia, eu só sabia que tinha algo muito errado com tudo isso.

— Ele não vai parar até que Kade esteja melhor. Ele estava procurando por ele. É estranho que eles tenham se encontrado desse jeito.

— Sim, não é?

— Eu estive pensando, — eu digo.

Case limpa os nossos pratos e os coloca na lava-louças. Eu sigo e me inclino no balcão enquanto ele trabalha.

— O único caminho para Langston é através do Kestrel. Preciso ligar para ele e marcar uma reunião e depois tentar manipulá-lo. Eu acho que posso fazer isso.

— Como? — Pergunta ele. — E é melhor que seja bom.

— Todos eles têm problemas. Kade são as drogas. Eu não vou te dizer qual é o do Kolson. Mas o Kestrel é o ponto básico. Eu só descobri isso no outro dia por acidente. Tenho certeza que posso chegar até ele. Mas isso não vai acontecer em uma visita.

Case fica quieto.

— Bem? — Eu pergunto.

— Eu preciso digerir isso um pouco.

— Case, me desculpe, isso envolveu você tanto. Essa nunca foi minha intenção. E o aspecto de perigo disso.

— Gabs, eu sou um polícial aposentado. Lembra?

Eu o agarro e abraço.

— Tenho que ir. Apenas esteja segura, — diz ele.

Eu o vejo entrar no elevador. Mais uma vez, estou no computador de Kolson, procurando qualquer coisa que possa de seu pai. Depois de várias horas, estou tão cansada que encerro a noite. Meu telefone vibra. É Ovaltne.

— Dra. M., estou no andar de baixo.

— Pode entrar, Ovaltine.

Quando ele chega, estou pronta para ir ao meu estúdio. Eu cuidei de lavar meu rosto e escovar os dentes.

— Ovaline, você tem certeza que não se importa com isso?

— Não, Senhora. É o meu trabalho.

Nós descemos e ele senta na minha minúscula cozinha enquanto eu me deito na cama. É estranho ter alguém aqui. Teremos que criar outro plano. Talvez Kolson possa me mandar uma mensagem se ele está vindo para que eu possa começar a dormir na cobertura. Então, Ovaltine estaria mais confortável.

Fico surpresa quando acordo de manhã porque não achei que conseguiria dormir. Mas dormi, e bem longe da presença dele. O sol está alto no céu e eu olho para encontrarOvaltine bem acordado.

— Que horas são?

— Cerca de nove, Dra. M.

— O quê!

Eu pulo e corro pelo estúdio, pegando as coisas enquanto vou.

— Vamos lá, estou atrasada.

Ele ri enquanto me segue subindo os degraus até à entrada dos fundos. Nós mal chegamos antes de Lydia.

Meu banho é breve e ele aguarda enquanto termino de me arrumar. Lydia fica surpresa ao me ver correndo.

— Desculpa. Eu dormi demais.

Ovaltine ainda está rindo de mim. Eu também não sei por quê. Nós pegamos o elevador até à garagem subterrânea e entramos no carro.

— O que é tão engraçado?

— Eu apenas nunca vi você acordar tão tarde antes.

— Eu nunca estou atrasada, é por isso.

— Ei, está tudo bem, Dra. M. Você é a chefe.

Então eu paro e penso, sim, eu sou. E sorrio.

— Meu substituto já está aqui, — diz Ovaltine.

Minha porta se abre e o maior homem negro que eu já vi está diante de mim. Ele é maior que Sam ou Ovaltine, e isso é incrível.

— Dra. Martinelli, meu nome é Axel e estarei com você hoje.

— Axel. Prazer em conhecê-lo.

— Igualmente.

Nós levamos o elevador até o nível executivo, onde a recepcionista, Alice, nos diz olá. Apresento Axel e continuamos nossa jornada. Quando chegamos ao escritório de Kolson, eu o apresento a Chloe, minha secretária, antes de dispensá-lo. Mas ele fica do lado de fora, perto da porta.

— Dra. Martinelli, ninguém entra neste escritório sem sua permissão expressa. Eles têm que passar por mim para chegar até você.

— Isso é bom, Axel.

Ele concorda.

— Hum você gostaria de um pouco de café?

— Não, Senhora.

E então ele fica como um tipo de soldado, de braços cruzados, me protegendo. Bem, admito que me sinto mais segura com ele aqui.

Cerca de uma hora depois, ouço vozes e uma batida. Axel enfia a cabeça e diz: — Há um Sr. Jack McCutcheon solicitando uma audiência com você, senhora.

Ah, pelo amor de Pete.

— Hum, Axel, não somos tão formais por aqui. E sim, Jack pode entrar a qualquer momento.

Jack entra um sorriso bobo no rosto.

— O que há com o Conan?

— Uh, sim, depois das ameaças de Langston, todos os meus conselheiros decidiram que é melhor eu ter um guarda-costas. O que me lembra, preciso fazer uma visita a Tom Barrett e pedir que ele cancele a busca.

— Oh. Bem, eu ia ver se você queria rever algumas aquisições futuras, mas podemos fazer isso mais tarde.

— Você não se importa?

— De modo nenhum.

Eu sigo Jack, Axel e eu andamos até à segurança.

Quando falo com Tom, ele parece aliviado por eu ter cancelado a busca a Langston.

— Quanto mais eu pensava nisso, mais percebia o quão tolo era. Eu posso deixar Langston gritar comigo o dia todo. E estou deixando ir.

— Obrigado, Dra. Martinelli. Eu aprecio isso. Mas quero que você saiba que tentei entrar no sistema deles. Eu fiz isso de um computador externo.

— O quê? Não o seu, espero?

— Não. Um público. Na Biblioteca.

— Graças a Deus.

— Eu queria que não fosse rastreável. Mas a Hart Entertainment emprega segurança em seu sistema, como nós fazemos. Então demoraria muito para entrar. Eu queria checar antes de fazer uma tentativa real. Seria difícil hackear6.

— Bem, eu estou feliz que você não tenha feito isso de algum lugar que eles pudessem rastrear.

Tom ri.

— Não, Senhora. Eu nunca faria isso. Mas obrigado por desistir. Levaria um tempo para entrar.

Isso resolvido volto para fazer algum trabalho. Tenho pilhas de coisas para passar e sento lá tentando descobrir o que estou lendo. Chloe entrega a correspondência e eu a deixo de lado momentaneamente.

Termino minha pilha atual e Jack volta para me fazer perguntas. Enquanto ele está lá, eu abro um enorme envelope pardo. Eu acho que é outro contrato. O que mais seria em um envelope tão grande?

Eu estava errada. Oh, como eu estava errada? Eu deveria ter prestado mais atenção ao manuscrito e que ele estava rabiscado e não com um rótulo digitado. E eu deveria ter notado o quão pesado era. Mas quando chego lá dentro e pego o conteúdo, fico horrorizada com o que vejo. No começo minha boca se abre. E então eu grito. E grito. O conteúdo cai em minha mesa em câmera lenta e eu freneticamente alcanço a lixeira porque começo a vomitar.

Vozes altas gritam ao meu redor, mas não consigo responder. Ouço Jack amaldiçoando. Então Axel corre para dentro.

Finalmente, quando a respiração termina, eu choro. Não, eu choro. A coisa toda me atinge e eu caio sentada, chorando pelo que eu sei. Aquele maldito cretino. Monstro nojento e vil.

Tom Barrett está agora olhando as fotos. Jack está agachado ao meu lado.

— Gabby, você está bem?

Estou resmungando porque não posso acreditar que alguém possa ser tão cruel. Tão desumano e frio de coração.

Jack empurra uma garrafa de água em minhas mãos.

— Devo chamar Case?

— Por favor.

Eu olho para a nota na minha mão... A nota que ele escreveu.


Eu te disse você fodeu com a pessoa errada, menina.


E é isso. Mas realmente, o que mais ele precisava escrever?

Não muito tempo depois, Case entra. Ele dá uma olhada nas fotos e diz: — Aquele pedaço de merda. Gabby?

— Aqui embaixo.

Eu ainda não me mexi.

Ele se agacha ao meu lado também. Jack senta agora, de pernas cruzadas, ao meu lado. Parece que estamos tendo um conselho para a fogueira.

— Gabby, o que...

— É o cavalo de Kolson, ele se chamava Storm. Ele atirou e matou seu cavalo, Case. Por vingança. Para chegar a mim. Pelo que eu disse. E então ele me enviou essas fotos. Kolson amava aquele cavalo. Oh meu Deus. É tudo culpa minha.

— Não. Pare de pensar isso. É culpa do Langston. Ele é o único que fez isso. Venha aqui.

Ele me puxa para seus braços e me segura enquanto eu choro. Oh Deus, como vou dizer a Kolson? O que eu vou dizer?

— O que mais ele vai fazer?

Case rosna. — Nada. Certo, Axel?

— Sim, senhor.

— Vamos. Precisamos tirar você daqui, — diz Case.

Axel nos segue até o carro que está esperando e nos dirigimos para casa. Lydia está surpresa por eu estar em casa tão cedo. Quando explico, ela entra em fúria e Case, nós nos fechamos no escritório de Kolson.

— Gabby, — ele começa sua voz baixa, — você não pode dizer a ele. Ainda não, de qualquer maneira. Talvez quando tudo acabar. Mas agora não. Ele está nervoso e no limite. Isso vai pressioná-lo e não podemos permitir isso. Eu sei que vai ser difícil não dizer nada, mas você tem que fazer isso. Especialmente depois dos problemas com Kade.

Eu olho pela janela para o horizonte. Por um minuto, deixo-me refletir sobre o tempo que Kolson me levou no helicóptero para me ajudar a esquecer todos os abusos pelos quais passei. Eu gostaria que houvesse uma maneira de aliviar a perda de Storm para ele.

— Case, quando fomos ao pai dele, Kolson me levou para um passeio em Storm e me contou a história de como eles se tornaram próximos como cavaleiro e cavalo. Kolson era uma das duas únicas pessoas que poderiam montar Storm. Isso realmente vai matá-lo. É muito mais do que apenas um cavalo para ele. Storm era o melhor amigo de Kolson enquanto crescia. Você sabe, era para ele a quem Kolson corria quando Langston era especialmente cruel.

— Droga. Então talvez você precise contar a ele.

— Se eu negar isso, ele ficará muito chateado comigo.

— Envie um texto para ele agora, e diga para encontrá-la aqui esta noite.

Eu faço como Case sugere. Kolson responde imediatamente, e o resto do dia é um inferno total.

Uma vez que o sol se foi pela noite, eu espero no meu estúdio; Sam está comigo. Assim que ouço o som da chave na fechadura, meus olhos ardem em lágrimas.

Kolson entra. Sam diz: — Eu vou estar no corredor se você precisar de mim.

Meus braços alcançam Kolson e o puxam para mim, e ele sabe. Ele sabe que algo está errado.

— Conte-me.

Eu beijo os cantos de sua boca primeiro, pensando que talvez isso alivie as palavras duras que estão prestes a perfurar o coração deste homem. Mas sou mais esperta que isso. Então eu apenas começo.

— Eu recebi um envelope no trabalho hoje. Era grande. Eu abri e continha fotos.

Eu paro e respiro, engolindo ar.

Engolindo, eu continuo, ignorando o modo como meu coração bate contra o meu esterno. — Quando eu olhei para elas, eu gritei. Seu pai é um monstro, Kolson. E é minha culpa. Eu causei isso. Em retaliação pelos meus comentários, ele se vingou... Matando Storm. — Eu não consigo mais conter meus soluços. — Eu sinto muito. Eu sei o quanto você o amava e o quanto ele significava para você. Eu sinto muito.

Eu seguro seu corpo tenso em meus braços, mas ele não responde. Ele é como mármore, apenas parado ali, em silêncio.

— Kolson, por favor, diga alguma coisa.

Ele mal consegue falar; sua mandíbula está tão apertada. — O que você quer que eu diga? Que estou triste? Você já sabe disso. Que eu odeio o meu pai? Você também sabe disso. Não há nada que valha a pena dizer agora.

Seus punhos estão cerrados e eu quero que ele faça algo diferente do que ficar lá. Mas ele não faz e se fecha. Mesmo a parte dele que costumava falar comigo. E é isso que mais me preocupa.

Eu deslizo meus dedos em seus cabelos e olho em seus olhos. Eu preciso de uma conexão com ele. Uma onde eu posso vê-lo, mas ele nem sequer olha para mim.

— Kolson, deixe-me entrar. Por favor.

— Gabby, você não quer estar onde estou agora — Sua voz é plana e vazia. E isso me preocupa mais do que qualquer tipo de raiva faria. Pelo menos com raiva vem a paixão. O que está na minha frente é sem vida.

— Eu preciso ir.

— Vai? Onde?

E ele se afasta de mim.

É o sentimento mais impotente que consigo lembrar.


# # #


Na manhã seguinte, estou no escritório quando meu celular toca.

— Martinelli.

— Gabby. É Kestrel.

— O que você quer?

— Eu preciso ver você.

— Por quê? Então você pode me trazer mais fotos?

— Não! Você não acha que eu tive nada a ver com isso, não é?

— Kestrel, eu não sei mais o que pensar.

— Por favor, me encontre. Podemos nos encontrar em um café ou restaurante de sua escolha.

Este é o momento perfeito, embora eu nunca deixe transparecer.

— OK. Você conhece o The Market Café perto do Park no East 60th? — Pergunto.

— Não, mas vou encontrar. Eu estarei lá à uma e meia.

Ele está me esperando quando eu chego. Ele fica de pé para me cumprimentar, seus modos impecáveis, exatamente como os de Kolson.

— Oi, — eu digo. — Eu gostaria de dizer que é bom ver você, mas sou uma pessoa honesta, Kestrel.

— Eu sei. Quero que você saiba que sinto muito pelo que meu pai fez.

— Por quê?

— Porque é detestável.

— Então por que você não parou isso?

— Eu não sabia que ele ia fazer isso! Eu só descobri depois de consumado.

Alcançando através da mesa, eu coloco minha mão na dele.

— Por que ele faria algo tão horrível?

Seus olhos se fixam, nos meus. — Meu pai é um homem horrível. — Então eu sinto sua mão em cima da minha.

— Por que você continua com ele?

— Eu... Eu tenho que continuar.

— Não, você não tem.

— Você não entende.

— Esclareça-me. Eu aprendo rápido.

Agora ele levanta minha mão e a leva entre as suas e apenas a segura. Eu faço um movimento para puxar de volta, mas ele aperta com força. Então eu me aproximo e me inclino para a frente. Então coloco minha outra mão em seu braço. Ele fecha os olhos enquanto suspira. Este é um homem que vive para ser tocado. Eu envolvo meus dedos ao redor dele e seguro com força. E isso não é de forma alguma uma coisa sexual. É puramente tátil.

— Meu pai gosta de controlar tudo e todos ao seu redor. E ele fez um ótimo trabalho conosco. Ainda faz comigo. — Ele me dá um sorriso triste. — Minha mãe chorou a noite toda. Papai veio dos estábulos gritando sobre como ele derrubou o poderoso Storm. Nós não sabíamos do que ele estava falando e então ele jogou o celular para mim e me mostrou as fotos. Mamãe e eu estávamos mortificados. — Ela passou mal e foi para o quarto dela. Ela ainda estava lá quando saí para o trabalho de manhã. Então, ontem à noite, ela estava tão chateada que ainda não falava com ele. Nunca a vi assim.

— Bem, bom para ela. — Minha voz goteja sarcasmo. — Por que ele fez isso comigo?

— Ele não fez isso com você, Gabby. Ele fez isso com Kolson. Ele acredita que ele está aqui em algum lugar e acha que está voltando para ele. Ele acha que você vai contar a ele e então será a vingança do meu pai.

— O que ele quer?

— Kolson. Isso é tudo que ele sempre quis. Ele é o único que nosso pai nunca poderá quebrar. Bem, ele e Storm. Agora Storm está morto e não me surpreenderia que quando ele encontrar Kolson, ele não o mate também.

— Kestrel, o que faz você pensar que Kolson ainda está vivo?

Kestrel ri.

— Eles ainda não encontraram um corpo, não é?

Em uma voz muito suave, eu pergunto: — Kestrel, Langston quebrou você?

— Olhe para mim, Gabby. O que você acha?

— Eu acho que você pode ter uma lasca faltando aqui e ali, e talvez até mesmo uma fissura ou duas, mas eu não acho que você esteja quebrado. Eu não acho que você esteja quebrado de modo algum.

— Não? — Uma risada amarga escapa. — Então você não me conhece muito bem.

— Posso te ajudar.

Ele sacode a cabeça.

— O quê? Porque você é uma psiquiatra? Eu não preciso desse tipo de ajuda. Eu sei o que há de errado comigo. O que eu preciso é encontrar uma maneira de escapar. E enquanto meu pai estiver vivo, isso não será possível.

— Por que você não pode ir embora como Kolson fez? Começar sua própria empresa?

Ele balança a cabeça e depois murmura: — Tão ingênua — Então ele diz mais alto: — Não funciona assim com ele. Eu saio e ele encontraria um jeito de me achar.

Eu continuo. — Você não pode ir às autoridades?

— Autoridades? Meu pai é dono das autoridades, — diz ele, ressentido.

— Nem todos eles. O FBI o quer.

— Você não pode estar falando sério.

Eu paro aqui. Meu melhor julgamento anula meu desejo de ajudá-lo. Tanto quanto eu quero e tanto quanto sei que ele quer sair, há aquela gravata distorcida que ele tem em Langston. Eu já falei demais. Em vez de falar, eu entrelaço meus dedos com os dele.

— Se você decidir sair pode vir até mim. Farei qualquer coisa para ajudá-lo.

Suas pálpebras fecham e ele abaixa a cabeça para frente. A batalha interna que acontece dentro dele é alta. Eu questiono se estou sendo justa com esse homem que já passou por isso. Mas anulo esse pensamento porque sei que faria qualquer coisa, qualquer coisa, para trazer Kolson de volta.

O garçom vem tomar nosso pedido. Não posso comer nada agora, então peço café. Kestrel faz o mesmo.

— O que ele fez depois que voltou para casa? Depois que matou Storm?

— Ele se trancou em seu escritório. Saí de casa porque estava muito enojado.

— Onde você foi?

Ele levanta as sobrancelhas. — Gabby, você realmente quer saber?

Minhas bochechas esquentam. É óbvio o que ele diz.

— Não. Eu não queria me intrometer.

Seus lábios se curvam. — Não é como se eu não tivesse nenhum tipo de vida longe do meu pai, você sabe.

— Então me diga exatamente por que você queria me ver.

— Desculpar-me.

— Não, não é isso. Você poderia ter feito isso por telefone.

Ele olha para longe e fico com a impressão de que está nervoso de repente.

— Langston colocou você nisso?

— Não. Mas ele sabe que estou aqui.

— Eu percebi isso.

Seus olhos de jade verde me prendem novamente. Mas desta vez, a raiva os escurece.

— Não pelas razões que você pensa.

— Esclareça-me, então. — Eu tento puxar minha mão, mas ele aperta com força. Suas pálpebras se fecham brevemente, então ele me olha novamente.

— Você está sendo vigiada. Mesmo agora. Cada movimento que você faz, desde o momento em que você sai do seu prédio até o momento em que você retorna. Seus carros estão sendo seguidos. Eles sabem exatamente aonde você vai.

— Você teve algo a ver com aquela pequena coisa preta que Lydia encontrou na mesa de entrada da cobertura?

— Sim. Ele me fez fazer isso.

— Kestrel, ele está nos ouvindo agora?

— Não. Porque ele não sabia que eu tinha planejado vê-la. Bem, isso não é exatamente verdade. Ele não sabia, mas agora já sabe, porque os homens que estão te observando lhe ligarão.

— O que você vai dizer a ele?

— Que eu queria que você soubesse o quanto eu estava arrependido por Storm. Ele comprará porque sabe que sou próximo de Kol. E ele sabe que eu também me importo com esse cavalo. Nós todos crescemos no estábulo, montando. Ele é um babaca, Gabby.

— Eu não confio em você.

— Eu sei. E você não deveria. Nunca.

Uau.

— Você me confunde pra caralho.

— Eu também sei disso. Por que você acha que estou de costas para a porta? Eu não quero que eles vejam o que eu te digo.

— Então, — eu inclino minha cabeça quando digo isso, — se o que você diz é verdade, então em todos os lugares que vou, eles comunicam para seu pai. Certo?

— Sim. Em toda a parte. Por exemplo, ele sabe que você foi para NA com seu amigo Case. Ele sabe que você o encontrou no Gramercy Park. Ele sabe tudo, Gabby. Estou dizendo para você vigiar suas costas. Se Kolson estiver por perto e você estiver com ele, pare porque vai levar meu pai diretamente a ele.

— Eu não estou vendo o Kolson e não sei onde ele está. Você pode dizer isso ao seu pai.

Um sorriso triste aparece em seu rosto.

— Eu não estou te encontrando para transmitir qualquer coisa para o meu pai. Eu sou sincero em querer que você saiba como sinto muito por causa das ações repreensíveis do meu pai.

— Essa palavra não chega nem perto. Ele está doente, Kestrel.

— Quanto você sabe?

— Sobre o quê?

— Ele? O Dragão?

— Eu não estou entendendo.

— Kolson nunca te disse, não é?

— Não.

— Há uma razão para chamá-lo de dragão. Ele é um monstro do pior tipo.

Eu estou irritada agora. Tão brava. Estou cansada de ouvir o quão horrível esse homem é. Todas as evidências apontam para isso, mas ninguém vai me dizer o que ele fez.

— Estou farta de ouvir sobre essa porcaria de dragão! Diga-me o que ele fez. Kolson nunca falará disso.

Ele está rasgado. E meu tom duro não faz nada para abri-lo. Eu temo que tenha apenas engrossado a parede entre nós.

O garçom nos interrompe para encher nossas xícaras de café. Quando ele sai, o silêncio é tangível. Dizem que o primeiro a falar sempre perde. Eu acho que sou o perdedor porque estou cansada de esperar.

— Eu sei que é inútil. Sempre me senti impotente com Kolson quando se tratava de Langston e sinto isso com você. — Minha voz soa pesada. Estas últimas semanas tiveram um grande impacto.

— É difícil discutir algo quando você mal consegue pensar nisso. Isso faz sentido?

— Kestrel, você está falando com alguém que foi molestada, repetidamente, por seu primo, enquanto seus pais ignoravam e não faziam nada para pará-lo. Claro que faz sentido. Eu vivi essa vida. Até Kolson. — Meu tom está irritado e ressentido.

— Mas isso é diferente.

— Pessoas em casas de vidro...

— Eu sei. Você sabe que ele nos comprou? Todos nós? Ele fez parecer que ele nos adotou, mas não foi assim. Ele achava mulheres em seus cassinos que acumularam dívidas demais para pagar e então as pesquisava. Encontrava aquelas com crianças pequenas. Trocava as crianças para acabar com a dívida. Ele queria três filhos para continuar sua dinastia. Ele nos roubou de nossas mães. Então ele tentou nos fazer lavagem cerebral. Nós éramos meninos.

Sua voz é baixa, monótona, e se eu não estivesse sintonizada, eu poderia ter perdido metade do que ele me disse. Não consigo disfarçar o choque e o desgosto que sinto.

— Jesus.

— Isso foi apenas o começo. Eu não quero mais falar sobre isso. Talvez mais tarde.

— Oh Deus. Todos vocês?

Ele balança a cabeça, mas apenas ligeiramente.

— Eu preciso sair daqui. Se ficar muito tempo, esses caras vão se perguntar do que falamos. Gabby, eu não estou tentando te machucar. Eu só queria que você soubesse que sinto muito.

Ele coloca várias notas na mesa e sai. Eu penso no que ele me revelou. Estou zangada, triste, doente, angustiada, confusa, conflituosa... Há tantas emoções me inundando, não consigo me mexer. Preciso me recompor, porque quando sair, esses homens precisam pensar que estou bem e que Kestrel e eu tivemos uma boa visita. De repente me sinto muito protetora com ele. Puta que pariu que tipo de monstro é Langston Hart?

Recomponha-se, Gabby. Pare de pensar sobre isso. Você precisa sair daqui como seu eu normal.

Pego minha bolsa em busca do meu telefone e puxo on-line, receitas sempre me distraem então vou para o Pinterest. Quando estou equilibrada o suficiente para sair, saio pela porta onde Axel está esperando por mim. Mexo no meu celular, tentando parecer ocupada. Eu decido que não posso voltar ao trabalho. Minha concentração é eliminada, então vou para casa. Quando chego lá, mando um texto. Preciso falar com alguém. Ele responde imediatamente e depois me liga. Ele empresta um ouvido solidário enquanto despejo tudo nele.

— Eu acho que você pode eventualmente ter uma hipótese com Kestrel. Ele quer sair, — diz ele.

— Duvido. Ele está com muito medo de fazer qualquer coisa. Estou tão preocupada com Kolson, não consigo pensar direito.

— Eu sei que você está. Ele vai aparecer.

— Ligue para mim se você souber de alguma coisa — Eu termino a ligação.

Minha vida não é nada além de uma montanha-russa interminável. Estou enjoada e não consigo dormir. Quando essa porcaria terminará?


CAPÍTULO DEZOITO

Kolson


Case diz para largar a garrafa, mas caralho, isso é a única coisa que me entorpece. Storm. Ele atirou em Storm! Por que eu não o roubei de lá há anos? O lindo animal que me salvou tantas vezes. Eu sei a resposta para isso. O dragão o teria encontrado e levado para casa já que ele era o legítimo dono. E então ele teria pressionado as acusações, tenho certeza. Eu quero gritar com a agonia que me despedaça. Preciso encontrar meu caminho de volta para Gabriella. Eu preciso muito dela agora. Meu corpo anseia por ela. Mas não posso ir para ela assim. Sou um desastre, tenho vontade de ir até à porra da sua casa e atirar em sua bunda... Para que ele veja como é. Melhor ainda, trancá-lo no escuro!

Pego meu copo e jogo através da sala, observando-o quebrar em pequenos pedaços. Então pego outro e outro até que não haja mais copos para jogar. Isso é o que ele continua fazendo comigo, me dividindo em nada além de cacos. Ele continuará até que não reste mais nada, a menos que eu encontre uma maneira de detê-lo. O ódio me envolve e eu não quero isso. Não quero me sentir assim. Preciso da luz de Gabriella. Eu preciso sentir sua alma.

O que vou fazer agora? Meu sangue ferve com aversão, mas vou encontrar um jeito. Tenho que encontrar, porque agora eu não apenas busco vingança para mim e Gabriella, mas também tenho que vingar a morte de Storm. Storm me deu minha vida de volta e eu vou pegar a de Langston em troca.


CAPÍTULO DEZENOVE

Gabriella


A cama muda sob seu peso enquanto ele desliza ao meu lado. Não estou alarmada, apesar de que deveria estar. Faz dias desde que o vi, toquei nele, o cheirei e o provei. Isso não é algo que eu deveria querer. Eu deveria estar gritando para ele sair. Minha raiva me incomoda. Estou irritada com ele por ter me deixado como fez, mas estou em conflito porque quero puxá-lo para mim e acalmá-lo. Empurre-o para longe, minha mente grita. Diga a ele como você se sente. Eu não posso, no entanto. Meu corpo anseia por ele, me traindo, reagindo de maneira tão perversa. Seu braço desliza ao meu redor, me puxando para a curva do seu lado, e eu o ouço inalar enquanto ele esfrega meu cabelo. Minha respiração engata quando a mão dele está mais alta e segura meu queixo. Lábios roçam minha bochecha e eu sinto algo cru sobre ele, sobre o jeito que ele me toca. Ele está diferente agora. Irritadiço, talvez. E triste.

Cutucando-o, eu rolo e me contorço debaixo dele e, em seguida, agarro seu rosto com as duas mãos. Na penumbra, é quando percebo o quanto de sua plenitude se foi. São todos ângulos e sombras. Minhas mãos deslizam para o corpo dele, procurando a beleza e simetria que eu sei que vou encontrar. Aço inabalável é o que minhas mãos descobrem. Quente e suave, mas novamente, toda a suavidade desapareceu. Não que ele fosse realmente suave, mas agora... A mudança é drástica.

Ele não me dá tempo para resolver. Minha camisa está rasgada quando ele rosna no meu ouvido. Ele é todo língua, lábios e dentes enquanto sensualmente me agride, aumentando meu desejo. Minha raiva é esquecida quando a luxúria enche minhas veias. Eu me aproximo ansiosa para sentir seu pênis na minha mão. Ele empurra violentamente minhas mãos para longe, mas não fala enquanto continua a invadir meu corpo com sua língua. Quando chega ao meu sexo, eu grito seu nome, o que o estimula. Ele abre minhas pernas ainda mais e leva sua língua para dentro do meu túnel, em seguida, circunda meu clitóris enquanto desliza primeiro um, depois dois dedos dentro de mim. Meu orgasmo se aproxima e quando ele não para, eu aperto seus dedos com meus músculos enquanto gozo por toda sua mão e boca.

Quando meus espasmos passam, ele sobe em cima, e se posiciona para eu chupá-lo. De bom grado dou o que ele quer. Ele tem o gosto de nada que eu já tive e, oh, como eu senti falta disso! Ele está hesitante no começo, mas, coloco meus braços em torno de suas coxas e o puxo para dentro de mim, enviando seu pênis diretamente para o fundo da minha garganta. Eu gemo e aquela pequena vibração provoca uma série de gemidos profundos. Esse som, que só ele pode fazer, é quase um orgasmo em si mesmo. Dobro meus esforços apenas para continuar ouvindo. Seu saco fica pesado na minha mão e eu o aperto exatamente como ele ama, pressionando meu dedo no lugar diretamente atrás dele. Eu posso dizer que ele está perto da maneira como se esforça quando sai com um puxão vicioso. Ele se abaixa, e ainda me segurando, provoca meu clitóris com seu pênis. Ao redor e, para cima e para baixo, mas depois ele para, pega meu braço e me puxa para cima, então estamos cara a cara.

— Coloque seus braços em volta do meu pescoço e não solte — Essas são as únicas palavras que ele falou comigo até agora, e elas fazem com que meu fraco domínio sobre as lágrimas que eu tenho forçado para trás se solte. Elas passam por minhas pálpebras e escorrem pelo meu rosto quando ele entra em mim com um ritmo dolorido e sem pressa.

Sua língua pega as gotas brilhantes enquanto ele lentamente pulsa para a frente e para trás, para trás e para frente, e aquece dentro de mim, me deixando em chamas. Estou cheia, ele está tão profundo, me beijando onde nenhum homem o fez, e estou me recuperando de emoções.

— Não — ele murmura enquanto lambe minhas lágrimas novamente. A última coisa que quero fazer é quebrar na frente dele, mas ele está dificultando muito.

Minha respiração está irregular enquanto tomo ar.

— Ame-me, Kea. Apenas... Apenas me ame. Eu preciso da sua alma. Preciso da sua luz para me curar.

Um gemido me escapa, um que eu tentei segurar, enquanto meu coração bate descompassado. Estremeço quando ele me enche profundamente. Meus pensamentos voam de volta para o dia em que ele confessou como achava que não era bom o suficiente para mim e meu aperto aumenta em torno dele. Então sua boca bate contra a minha. Sua língua empurra meus lábios entreabertos enquanto me beija rudemente, completamente, selvagemente. Ele procura algo, mas não tenho certeza do quê. Garantia? Segurança? Ajuda com sua dor sobre Storm? Eu gostaria de saber, mas essas são coisas que poderia usar agora também.

— Deus, eu senti falta da sua boca doce todos os dias. Nenhum homem deveria ter permissão de viver sem nunca provar algo assim.

Nossas línguas rodopiam, torcendo juntas, pegando e dando quando nós fodemos as bocas um do outro. Intenso. Movendo-se. Sensualmente. Todas as coisas acima alinhadas. Isso é o que Kolson Hart é. E neste exato momento, não tenho certeza de onde ele termina e eu começo.

Enquanto nos beijamos, sua pélvis se inclina contra a minha e ele a pega mais e mais rápido. Seu piercing desliza sobre o meu ponto G, acertando-o, provocando-o, estimulando-o até que eu tremo em seus braços e, de repente, clímax, me separando, meu sexo apertando seu pênis em uma série de fortes contrações.

— Aaahh, aaahh, Gabriella! — Ele geme quando goza. Sinto seu gozo quente me banhar e quando terminamos, olhamos um para o outro. É quando o constrangimento se instala?

Mais uma vez, Kolson tem o elemento de surpresa do seu lado. Ele chuta o inferno fora de mim quando diz: — Eu te amo, Kea. Eu estava certo o tempo todo quando disse que você era muito pura para mim — Ele descansa sua testa contra a minha. — Existem coisas que você precisa saber. Coisas que preciso te contar. Eu sinto muito. Desculpe, tive que te deixar do jeito que fiz. Simplesmente não consegui lidar com a perda de Storm. Você sabe.

— Kolson, eu...

Ele me para com um beijo. E então diz contra a minha boca: — Lembra-se que um dia te disse que nunca pretendi que você se apaixonasse por mim?

— Sim. Eu me lembro bem disso.

— Eu queria que você não tivesse. Por toda a beleza que existe dentro e ao redor de você, temo que eu seja apenas uma fonte de mágoa e decepção. Mas saiba que não pretendi que isso acontecesse dessa maneira. Eu só queria te manter segura. Para sempre. Prometa-me que pelo menos tentará entender por que fiz isso.

— Kolson...

Ele me empurra para trás e está acima de mim, descansando seu peso em seus braços. Olhos, nebulosos com tormento, perfuram os meus. — Nunca conheci nada tão bonito na minha vida. — Ele cobre meu rosto e pressiona seus lábios nos meus. — Agora vou sujar você com meus segredos feios e desagradáveis. Você finalmente vai ouvir a verdade doentia sobre o quão fodido realmente sou. — Os músculos em sua garganta se contraem e ele trabalha para engolir. — Você finalmente saberá por que não pude lhe contar. Por que era tão difícil para mim — Seu rosto contorce-se de agonia quando um fino brilho de suor brilha em sua pele.

Puta que pariu! Isso não era o que eu esperava que ele dissesse.


CAPÍTULO VINTE

Kolson


Gabriella me surpreende quando diz: — Antes de começar, Kestrel me encontrou para almoçar no outro dia e me contou uma coisa. Ele disse que seu pai comprou você.

Ela acabou de abrir a porta para mim.

Seu lábio inferior treme. Eu sei que o coração dela dói por mim. Ela é assim sobre as coisas. Tão compreensiva.

— Sim. Ele comprou. Foi tudo legal. Ele fez com que tudo fosse feito de uma maneira que nunca poderia ser desafiada. Ele tinha funcionários que se envolviam em dívidas de jogo. Mães solteiras. Fez sua pesquisa sobre elas para se certificar de que não tinha pais na foto em nenhum lugar. Então ele as socorria comprando seus filhos. Nós éramos esses garotos. Ele queria uma tríade para continuar seu nome. Ele fez parecer que era algum tipo de filantropo mergulhando para nos salvar ainda meninos. Agradável, hein? — Amargura e ódio ameaçam me consumir, mas tenho que tirar isso. Ela precisa ouvir tudo porque escondi a verdade dela por muito tempo. Por mais doloroso que seja para mim, tenho sido egoísta. Ela merece saber.

Então, do jeito dela, rasteja em cima de mim onde posso ver suas bochechas brilhantes, e ela pega suas mãos e embala meu rosto. — Kolson, seja lá o que ele fez nunca se sinta envergonhado. Ele fez isso com você. Ele é um homem horrível e vil. Ele forçou as coisas em você que não tinha controle. Você me entende? E eu te amo e te amarei, não importa o que você me diga. Eu juro.

— Jesus, Kea, você simplesmente não sabe.

Seus polegares suavizam as linhas sobre os meus olhos e depois pressionam suavemente por baixo deles.

— Conte-me.

É um esforço para divulgar as palavras, mas eu as forço. — Minha primeira lembrança é acordar na escuridão total. Eu estava com tanto frio. Congelando de frio. Muito assustado. Chamando a minha mãe até que minha garganta ficou em carne viva. Ninguém veio. Não tenho certeza de quanto tempo estive lá. A principal coisa que eu lembro é o meu pijama do Homem-Aranha. Lembro-me de usá-lo para a cama. Ele era fino e macio e não era muito quente. Era escuro como breu. A escuridão me cercou, junto com sua presença maligna. Podia ouvir aquela porta chiar e raspar no chão toda vez que ele vinha e abria, e eu estava com tanto medo. Continuei gritando por minha mãe. Por muito tempo ele não disse nada.

— Então eu acho que ele eventualmente se cansou e foi quando começou a me ameaçar. Ele me disse que ela não me queria mais e não voltaria. Ele disse que se me comportasse, traria comida e água. Eu não tinha banheiro, então eu estava fazendo xixi em mim mesmo. Droga, eu estava uma bagunça.

Suas mãos acariciam meu cabelo para trás e ela diz em sua suave e doce voz: — Ele não está aqui agora, Kolson. Eu tenho você. — Seus lábios perfeitos tocam minha bochecha e eu quero que eles fiquem lá, porque ela me faz inteiro novamente.

— Esse nem é meu nome real. Ele me transformou nisso. Obrigou-me a me tornar Kolson. Eu nasci Jason Ackerman. E chorei quando ele gritou comigo. Ele me disse que esse não era mais o meu nome. Manteve-me no escuro por semanas e semanas. Disse-me que ficaria lá até saber qual era o meu nome próprio. Não iria me alimentar até que eu dissesse que meu nome era Kolson. Ele me disse que minha mãe não me queria mais porque eu era um menino mau. E por anos eu acreditei nele. Eu mal tinha sete anos quando ele me roubou. Eu morava em uma gaiola, Gabriella. Eu não sabia até que finalmente vi a luz do dia. Uma porra de gaiola. Um minúsculo quarto com três paredes negras, sem janelas e barras, como uma cela de prisão. Eu não tinha uma cama para dormir, apenas um cobertor no chão. O quarto ficava no andar de baixo. Perto da sua porra de adega. Foi por isso que congelei naquele dia que ele queria que buscasse mais vinho.

E então acontece. Eu estou de volta em uma daquelas memórias do caralho. É por isso que eu nunca quero falar sobre isso. Estou tentando pará-lo, mas perco o controle. A sala gira, a voz dela desvanece, e mais uma vez, eu sou aquele garoto de sete anos de idade, enrolado naquela sala escura como breu.


— Eu quero minha mamãe! — Minha garganta queima de gritar por não sei quanto tempo. Está tão rouca que mal posso falar.

— Sua mãe não vem atrás de você. Nunca. Ela não te quer. Pare com isso! Agora.

Uma mão grande aperta minha camisa e me levanta, mas eu estou tão desorientado da escuridão que não sei o que está acima ou abaixo. Estou tonto e com medo. Choramingo.

— Pare de chorar.

O homem malvado me puxa para perto de seu rosto. Sinto seu cheiro. Ele cheira... Legal. Mas odeio isso. Odeio esse cheiro. Porque cheira como ele.

— Qual o seu nome?

— Ja... K-K-Kolson.

Ele ri.

— Novamente. Qual o seu nome?

— K-K-Kolson — Estou suspenso no ar e de repente faço xixi nas calças. Está quente e desce pela minha perna até o meu pé e pinga do meu dedão do pé.

— Bem, maldito. Acho que finalmente consegui você. Qual o seu nome?

— Kolson.

— Kolson o quê?

— Kolson Hart.

— Qual o seu nome?

— Kolson Hart.

— E quem sou eu?

— Eu não sei.

Ele me coloca para baixo e ouço alguns ruídos. Algo clica e pela primeira vez em muito tempo, uma luz fraca acende. Eu cubro meus olhos porque dói. Parece que estou olhando para o sol.

— Kolson Hart, conheça seu pai — E o homem malvado ri.

Eu abro meus dedos, em parte porque meus olhos doem pela luz, mas também porque estou com tanto medo do homem monstro. Mas ele não é feio e assustador. Ele é bonito. Não é como se ele pudesse ser o homem malvado que vem até mim. Mas eu sei que é. É a mesma voz. E esse cheiro. Eu o conheceria em qualquer lugar.


Suas mãos correndo pelo meu cabelo são meus primeiros indicadores de que estou de volta com Gabriella. Quando abro meus olhos, percebo que estou enterrado no colo dela, meu rosto esmagado contra o seu estômago e meus braços em volta dela.

Nossos olhos se encontram e ela pergunta: — Você está de volta comigo?

Demora um segundo para me orientar, mas digo a ela que estou. Percebo sua pele úmida das minhas lágrimas. Tenho chorado. Preciso levantar, mas quando tento me mover, ela aperta o nosso encaixe.

— Não se mexa. E não fique envergonhado. Eu te conheço melhor do que você pensa. Isso é o que você está sentindo agora, não é?

Eu inclino a cabeça porque estou humilhado.

— Kolson. Por favor, fale comigo. Você caiu de volta em uma memória reprimida. Não se afaste agora.

Ela está certa. Então eu digo a ela tudo sobre isso enquanto me segura em seu colo.

— Você estava falando sobre isso, gritando um pouco também, então eu meio que percebi isso. — Suas mãos continuam correndo pelo meu cabelo.

— Ah, porra. É por isso que eu odeio abrir as portas do meu passado. É como se eu fosse sugado de volta naquele maldito buraco escuro. E coisas que eu escondi, até de mim mesmo, sabe? Elas vêm me rasgando e eu perco o controle, e desde que deixei você, tenho pesadelos novamente. Eles pararam quando te conheci. Desapareceram. Mas quando estou longe de você, eles voltam e me roubam o sono.

— Kolson, isso é uma coisa boa. Bem aqui. Você e eu, falando sobre o seu passado. Sua memória reprimida. E eu sei o que você provavelmente está pensando. Eu a psiquiatra e você o paciente. Mas isso não é o que quero dizer. A psicanálise é tão variada, de paciente para paciente. Se alguém está funcionando e não deprimido, suicida, prejudicial aos outros, e assim por diante, vivendo uma vida plena, então seu passado é o que é. Você entende o que estou dizendo aqui? Às vezes ajuda a limpar o ar. Expurgar os esqueletos. Eu sei que você tem muito deles. Mais como um demônio gigante. E isso te machuca. Levar você de volta para encará-lo é um pequeno passo ao longo do caminho. Mas você nunca deve se sentir envergonhado. Eu sei o que é. Eu costumava me sentir assim. Agora, quando olho para trás, é chocante para mim que eu o fiz. E você foi quem esclareceu tudo para mim. Não é engraçado?

Eu me levanto e viro para encará-la.

— O quê?

— É tão fácil reconhecer o que é certo nos outros, mas muitas vezes falhamos em ver isso em nós mesmos.

— Isso me assusta. Eu acho que quando as memórias vêm, eu nunca vou sair delas.

— Mas você irá. Você sempre sairá. Porque elas são apenas memórias. Elas terminam e, quando terminam, você volta ao ponto em que estava quando começou. E se você estiver comigo, eu estarei bem aqui, segurando você. Vou me certificar de que você volte para mim.

— Você sempre me traz para casa. Você apenas nunca soube. Toda vez que estou com você, estou em casa.

— Kolson, por que Sylvia não fez nada?

— Minha mãe. — Eu gemo. — Por todas as boas intenções, ela é tão útil quanto uma bateria descarregada. Ele a mandou embora. Ela estava no sul da França em uma longa viagem. Uma viagem de seis meses, pelo que me disseram. Eu não sabia que ela existia. Ela não sabia que eu existia. Quando ela voltou, ele me apresentou a ela como Kolson, seu novo filho adotivo. E ele me disse que se eu dissesse algo sobre o meu quartinho no andar de baixo, me colocaria de volta na escuridão. Ela nunca foi permitida lá embaixo. Ela nunca desceu, para o meu conhecimento.

— A mulher tem cérebro? Ela nunca faz perguntas?

— Ela faz qualquer coisa que ele diz. Se ele diz pule, ela só quer saber o quão alto. Ela tem medo dele, como todo mundo. Eu sempre me perguntei se ele a ameaça, como ele fez conosco.

— Você acha que ele te manteve no escuro durante os seis meses inteiros?

Meus braços enrolam ao redor dela enquanto eu enterro minha cabeça em seu pescoço. Eu respiro o cheiro dela e sinto isso me acalmar.

— Eu realmente não sei. Eu era tão jovem que era difícil quantificar o tempo. Como eu disse depois que te deixei, os pesadelos voltaram. Eu não tive desde que estamos juntos. Você me tirou da escuridão. É tão difícil falar sobre isso. Você sabe como é isso? Quando você tem que se colocar de volta dentro de uma memória? É insuportável pensar sobre isso.

— Há algo que eu não entendo. Por que você disse que isso me sujaria?

— Porque me sinto sujo. Se você pudesse ter visto o jeito que eu vivi. Eu era apenas um garotinho, mas ainda me lembro como se fosse ontem. Ele me tratou como um cachorro. Alimentando-me em tigelas no chão, me dando água três vezes ao dia. Eu era magro e estava com fome o tempo todo. No final, eu provavelmente teria feito qualquer coisa por comida.

— Nunca se sinta sujo ou envergonhado. Você deve se sentir orgulhoso do homem em que você se tornou, apesar do que passou.

— Eu quero matá-lo, Kea.

Ela ri. E não é muito agradável também.

— Eu também. Ele não merece viver. Mas precisamos obter provas contra ele. Precisamos derrubá-lo da maneira correta desta vez.

— Eu não acho que isso vai funcionar. Ele construiu uma fortaleza de proteção ao redor dele.

— Sim, mas e se pudermos entrar?

— O que você quer dizer?

— Kestrel.

— Não confie nele.

— Eu não. Mas e se houver uma fissura que eu possa explorar?

— Oh, Gabriella, não o machuque. Ele passou por mais do que eu.

— É o toque, não é?

Como ela sabe disso?

— Por favor, não me peça para divulgar nada disso. A história de Kestrel é sua para contar.

— Quando estive com ele nas últimas duas vezes, toquei seu braço e foi como se ele estivesse no céu. Eu reconheci isso, Kolson. Ele foi privado disso também, não foi?

— Sim. O dragão foi um pouco experimental. Ele decidiu que, uma vez que eu era tão teimoso, aparentemente, ele acrescentou outra coisa ao Kestrel. Ele não permitiu que ninguém ou qualquer coisa tocasse nele por anos. Até minha mãe não podia tocá-lo. E Kade... Sem luz, sem toque, sem som.

— Meu Deus. Isso é cruel. E Sylvia... Ela simplesmente concordou com isso?

— Tenho certeza que ele contou uma história de merda. Meu pai pode ser muito persuasivo. Eu era tão jovem e com medo. Eu estava com medo de que ele me colocasse de volta naquela cela. Não comecei a crescer até que conheci Storm. — Uma dor penetrante me tortura.

— Oh Deus. Ele nunca vai parar, não é?

— Nunca. E ele sabe precisamente como atacar e onde, — Digo.

— Kestrel também me disse que estou sendo observada e seguida em todos os lugares.

— Ele é uma fonte de todo tipo de informação, não é?

— Me beija.

Eu quero sorrir para sua demanda aleatória, mas seus lábios estão tão próximos, eu não resistiria se tentasse. E por que eu iria? Quando levemente pressiono meus lábios nos dela, eles são suaves e salgados de suas lágrimas. Ela se abre para mim e nossas línguas dançam. Engulo seus gemidos e paro por um segundo.

— Eu quero te beijar por horas para compensar todos os dias perdidos que não conseguimos fazer isso.

— É mesmo possível?

— Nós poderíamos tentar descobrir.

Nós rimos, lábios pressionados juntos.

— Kolson, você vai se casar comigo?

— O que você disse?

— Uh, sim. Acho que você me ouviu.

— Gabriella penso que vale a pena repetir.

— Eu acho que foi um pouco impulsivo. Esqueça que eu disse isso.

— E se eu não quiser esquecer? E se eu quiser que você repita, cem vezes? Ou melhor, ainda. Como é isso? Gabriella quer casar comigo? E antes de responder, quero lhe dizer por que quero isso mais do que tudo. Os últimos dois meses foram uma merda sem você. E queria perguntar isso dezenas de vezes, mas nunca o fiz, porque não era justo para você, já que você não sabia minha verdade completa. Estou loucamente apaixonado por você. Acho que você sabe isso. Viver sem você é uma porcaria. Da pior maneira possível. Preciso de você para as grandes coisas. Meio como o que você fez por mim agora. Mas também preciso de você para todas as pequenas coisas. Compartilhar refeições, acordar de manhã. Adormecer ao lado e ter um tempo de silêncio com você. Sinto falta de ver você escovar os dentes e colocar sua maquiagem. Sinto falta dos barulhos que você faz quando dorme e quando você cantarola uma música que gosta. Eu não agüento quando mordo um pedaço de brócolis e você não está lá para me ver fazer uma careta, porque você sabe que eu não amo isso. Então você vai permitir que eu me torne o Sr. Martinelli?

Ela começa a rir quando eu termino e sacode a cabeça. — Jamais. Eu só farei isso se eu puder me tornar a Sra. Hart.

Ela se move para me beijar e eu a paro com meus dedos. — Espere. E que tal Dra. Hart?

— Bem, tem isso. Mas é doloroso mudar todas as minhas credenciais. Você sabe minhas licenças, coisas da DEA, e assim por diante.

Meu rosto cai.

— Eu só estou brincando, Kolson. Claro que vou mudar meu nome para Hart. Não tenho fidelidade a Martinelli. Você sabe disso.

— Hmm. Eu gosto do som disso. Dra. Hart.

Então o sorriso dela desaparece.

— O que foi?

— Temos muito trabalho a fazer antes que eu possa me tornar a Dra. Hart.

— Sim. Mas vamos descobrir. Enquanto isso, eu tenho uma ideia.

— Tenho certeza que sim, seu maníaco por sexo.

— Eu não vejo você reclamando.

E minha mão a encontra molhada e pronta para mim. Empurro-me para dentro e me perco para ela.


# # #


Horas depois, ainda estamos conversando. O sol vai nascer em breve e nenhum de nós se preocupa com isso.

— Eu dei a Jack um aumento.

Eu sorrio alto. — Tenho certeza de que ele está enrolado em seu mindinho.

— Ele é um ótimo cara. Eu estava com medo de que se não fizesse alguma coisa, ele sairia. Ele está fazendo seu trabalho e o dele.

Ela é muito esperta. Esse pensamento nunca passou pela minha cabeça.

— Bom trabalho. Veja, sabia que você pegaria rapidamente.

— Oh, certo. Eu olho através de pilhas de papéis e não tenho ideia do que estou lendo. Esses contratos são tão longos.

— Ah, e suas revistas médicas não são? Gostaria de vê-la em uma sala cheia de um punhado de pessoas negociando um acordo. Eu aposto que você chutaria as bundas deles.

— Você está brincando. Eu não saberia o que fazer.

— Sim, saberia. Você pode apresentar um artigo para um grupo em uma conferência médica?

— Desde que eu estivesse confortável com o assunto.

— Então você poderia fazer isso. Depois de aprender tudo o que há para saber sobre a HTS, você ficará muito confiante em nossos serviços.

— Nossos serviços?

— Uh-huh. Depois de tudo isso planejo manter você.

— Não. Eu vou voltar a medicar novamente. Sinto falta dos meus pacientes.

Estou sendo muito egoísta com tudo isso e não pensei nisso.

— Quando isso acabar vamos preparar você para uma prática agradável que permita que você tenha um lugar onde possa ajudar suas vítimas de abuso e onde Case possa ajudar seus dependentes. Talvez possamos até construir um novo centro e dedicar isso a ele.

— Isso seria algo, não seria? Ele também merece isso. Ah, e Kade está indo para o Colorado. Configurei tudo e assim que ele estiver desintoxicado e puder fazer a viagem com segurança, nós o enviaremos.

— Você pode contratar um vôo privado para que ele não precise voar pelos canais normais? Se meu pai estiver vigiando os aeroportos por minha causa, o nome dele acionará os parâmetros de pesquisa que eles configuraram.

Gabby não tinha pensado nisso, então estou feliz por ter mencionado isso. Ela vai ter Case para fazer os arranjos e irá transferir o dinheiro para ele através da conta privada.

— Outra coisa: quero que Case compre uma arma para você e lhe ensine como usá-la. Você precisa estar armada o tempo todo.

Ela me surpreende ao me dizer que ele já fez isso e também está fazendo aulas de autodefesa.

— Obrigada por me contar sobre o seu passado, Kolson. Eu sei que há muito mais que você não compartilhou. Coisas que você pode não querer contar ainda, mas quando estiver pronto, poderemos conversar mais. Eu te amo não importa o que você me diga. Você tem que saber disso.

E eu faço. Meus medos de perdê-la se foram. Há muitas coisas, mas eu não preciso contar a ela. A crueldade com aquele garotinho que era Jason queima o meu coração. E tenho certeza que está queimando o de Gabriella também.


CAPÍTULO VINTE E UM

Gabriella


Quando é hora de Kolson ir embora, toda a força que eu retive evapora como um vapor e eu caio incapaz de manter minha fachada de poder por mais tempo. Soluços torturantes tomam conta do meu corpo e sou uma mulher possuída, preocupada com sua segurança.

— Não saia. Por favor, não saia por aquela porta. Toda vez que você vai, temo que nunca mais o veja. Não posso lidar com isso.

— Eu não vou para sempre. Eu voltarei. — Estou aninhada em seus braços e quero absorver cada coisa sobre ele, tomar todo o seu ser dentro de mim.

Ele me leva de volta para a cama onde está comigo.

— Eu não estou deixando você. Eu juro.

— Você não pode jurar coisas assim. Você não sabe.

— Ok, você está certa. Mas você nunca estará sozinha. Eu estou bem aqui com você. — Ele pega minha mão e a coloca sobre o medalhão que ele me deu que está em cima do meu peito. — Eu estou aqui, Kea, bem ao lado do seu coração, ouvindo a batida, a cada minuto de cada dia. Então, por favor, espere que eu volte para casa. Por favor, porque de alguma forma estarei aqui um dia para sempre. E enquanto eu estiver fora, vou lembrar o gosto de seus lábios, como você me beijou e como me segurou bem aqui. E saberei que você está esperando por mim. Você vê, é a coisa que me dá força para ir todos os dias. Prometa-me, prometa que você vai espalhar suas belas asas e voar enquanto eu estiver fora, diga para mim, Kea.

Com um rosto encharcado e uma garganta tão apertada que estou quase engasgando, digo a ele que vou. Mas não sei como.

E então ele beija a ponta do meu nariz, se levanta e sai pela porta.


# # #


Um motorista com o qual não estou muito familiarizada senta atrás do volante e nos leva ao RIS. Preciso checar as coisas no meu antigo escritório, ou essa é a impressão que dou. Enquanto sento na parte de trás do carro, um ódio ardente cresce dentro de mim. Kolson pode ter um plano para seu pai, mas eu estou desenvolvendo um dos meus, um que não o inclui. Langston Hart fez mais do que sua parte de arruinar vidas e já passou da hora de acabar.

O carro para e eu saio antes que o motorista tenha tempo de abrir a porta. Meu guarda-costas do dia corre atrás de mim e eu me viro e digo a ele para esperar na área de recepção. Ele não é necessário para onde estou indo. Ele dá de ombros e se senta. Gloria nos cumprimenta e eu digo um breve olá para ela, mas volto para o meu escritório. Rapidamente verifico o meu computador em busca de quaisquer mensagens pendentes ou contas que precisam ser manipuladas e, em seguida, vou direto para o escritório de Case. Entro e fecho a porta atrás de mim.

Ele parece surpreso por me ver.

— Você mencionou uma vez um amigo seu que é um PI com melhores conexões do que você.

— Oh sim. Drex Wolfe. O quê sobre ele?

— Você pode organizar uma teleconferência?

— Agora? — Ele pergunta.

— Se possível.

— Ele está em Denver, então está duas horas atrasado. Vou verificar para ver se ele está dentro.

Case faz a chamada. Ao terminar, ele olha para mim e diz: — Trinta minutos. Nós vamos conversar aqui.

— Obrigada.

— Você vai me dizer o que é tudo isso?

— Eu vou atrás de Langston.

Case se recosta na cadeira e aperta os dedos.

— Você acha que é inteligente?

— Sim. E não quero sua opinião. Eu me decidi.

— OK.

— Outra coisa. Não quero você envolvido.

Ele está chocado. E ferido. E não tem que dizer uma palavra para eu saber disso. Está escrito em todo o rosto dele.

— Case, não posso te contar tudo, mas apenas porque não quero que você seja pego no fogo cruzado. Por favor, deixe isso ir. Quanto menos você souber, melhor.

Seus lábios formam uma linha fina e dura, mas ele não protesta. Ele apenas acena com a cabeça uma vez. Um silêncio constrangedor se forma entre nós e eu odeio porque nós sempre fomos abertos um com o outro. Mas não posso correr nenhum risco.

São uns longos trinta minutos, mas o telefone toca finalmente.

— Russell.

— Case. Aqui é Wolfe. O que você precisa cara?

— Drex, eu tenho uma amiga. Minha melhor amiga de fato, que precisa de seus serviços. Eu nos tenho no viva voz agora.

— Diga.

— Olá, eu sou Gabby Martinelli e preciso contratá-lo para me ajudar a derrubar Langston Hart. Mas eu preciso fazer isso através de uma reunião privada.

— OK. Quando quer se encontrar?

— Quanto antes melhor.

— Eu posso estar lá amanhã.

— Sr. Wolfe, não podemos nos encontrar aqui. É muito perigoso. Langston Hart está seguindo cada movimento meu.

— Sra. Martinelli, você está falando sobre o mafioso, Langston Hart?

— Certo.

— Você pode vir para Denver?

— Sim.

— Então me dê a hora de chegada do seu vôo e eu vou ter alguém para pegá-la.

— Ok, tudo bem.

— Sra. Martinelli...

— Hum, Drex, é Dra. Martinelli, — Case interrompe.

— Oh, desculpe. Dra. Martinelli, não sou barato. Só estou dizendo na frente para salvar o choque da etiqueta amanhã.

— Isso é bom.

— Case pode fornecer minhas informações de contato. Vejo-te amanhã. E nós vamos cuidar de pagar pelo seu vôo.

— Isso não é necessário.

— Sim. Basta nos dar os detalhes quando você os tiver e organizaremos o pagamento.

— OK. E obrigada.

Eles desligam e eu pergunto a Case: — Por que ele não hesitou um pouco quando disse a ele quem eu queria ir atrás?

Case ri.

— Você vai descobrir quando encontrá-lo.

— Sabe, de alguma forma isso parece um pouco sombrio.

— Não, ele não é sombrio. Apenas duro.

Uma vez que confio em Case, sei que ele não vai me enviar para algum louco que é algum tipo de mercenário contratado.

— Eu vou com você, — Case anuncia.

— Não. Você não pode. Vai parecer muito suspeito com ambos de nós indo. Se eu pegar o helicóptero para Filadélfia e pegar um vôo para Denver, eles não vão descobrir onde fui. Vou sair de manhã cedo e voltar cedo no dia seguinte.

— Você pensou em tudo isso, não foi?

— Tanto quanto possível. Há coisas que não posso fazer sozinha. Mas há algo mais que preciso de você. Sua promessa solene de não dizer uma palavra disso para Kolson. Ele não pode saber, sob nenhuma circunstância, o que estou fazendo. Jure para mim, Case.

— Droga, Gabby, isso é loucura!

— Não, não é. É a única maneira de parar Langston, e tenho certeza que posso fazer isso. Outra coisa. Kade está pronto para ser transferido para Denver? Estava pensando que talvez fosse um bom momento para fazer isso. Você sabe... Dois pássaros, uma pedra?

— Sim. Boa ideia. Eu acho que ele acabou e tenho tudo configurado. Tudo o que você precisa é fazer as ligações.

— Estou nisso.

Depois que os arranjos de Kade são feitos, estou sentada na mesa de Kolson, esperando que ele fique satisfeito quando meu telefone toca. É Stan Harrison me dizendo que meu pai concordou com minhas exigências.

— O quê?

— Eu acho que ele finalmente voltou a si. Ele está enviando tudo e realizando uma coletiva de imprensa amanhã.

— Stan, pare a conferência de imprensa. À vista do desaparecimento de Kolson, realmente não me importo de ter mais atenção. O reconhecimento formal por escrito é o suficiente para mim agora.

— Dra. Martinelli, tem certeza?

— Positivo. Não quero chamar mais atenção para mim.

— OK. Eu vou deixá-lo saber.

— Obrigada, Stan.

Esta é uma coisa a menos que eu preciso me preocupar. Tenho certeza de que meu pai vai sufocar quando escrever esse reconhecimento formal. Foda-se. Ele está ficando fácil. Mas a última coisa que preciso é que Langston veja essa porcaria na mídia. Quanto menos atenção sobre mim, melhor.


# # #


Na manhã seguinte às 7 da manhã, o helicóptero me leva ao Aeroporto Internacional da Filadélfia. Eu acordo com Steven, o piloto, para uma viagem de volta no dia seguinte.

Um carro de espera me leva ao terminal principal. No caminho, recebo uma mensagem de que tudo correu bem com o vôo de Kade e o check in na clínica de reabilitação no dia anterior. Essa é uma coisa a menos que eu tenho que me preocupar. Faço check in e embarco para o vôo de quatro horas para Denver. Quando chego à bagagem, um homem alto de cabelos castanho-médios sorri e pergunta se sou a Dra. Martinelli. Ele se identifica como Troy Huffington e me diz que vai me acompanhar até o DWI no centro de Denver.

— Estou supondo que Case enviou uma foto minha? — Pergunto.

Huff sorri e diz: — Não, Drex fez uma pesquisa no Google sobre você. Ele gosta de descobrir tudo o que puder sobre seus clientes.

— Entendo.

É final de novembro, então o ar está fresco e fico chocada porque não há neve no chão. Huff, como ele prefere ser chamado, ri e aponta na direção em que estamos viajando. Ao longe, vejo montanhas cobertas de neve.

— É aí que você vai encontrar a neve. Nas terras altas. Dirija menos de uma hora e você encontrará alguma, se quiser.

Logo entramos em um estacionamento subterrâneo na Drexel Wolfe Investigative Services, ou DWI. A segurança é louca, fora das paradas aqui. Huff coloca a mão em uma tela e toda a sua mão se acende antes que a porta da garagem se levante. Isso é antes de chegarmos aos guardas.

— Muito paranóico? — Pergunto.

— Não é paranóico, apenas extremamente cauteloso. Nós levamos nossos empregos, nossos clientes e nossa segurança a sério por aqui.

— Eu posso ver isso. — É muito reconfortante, no entanto.

Nós batemos no portão de segurança e eles reconhecem o Huff. Ele se vira para mim. — Eles precisam do seu ID para que possam criar um crachá para você.

Entrego a carteira de motorista e, em poucos minutos, a segurança entrega minha carteira de identidade e um crachá DWI para mim.

— Você precisará usar isso sempre que estiver dentro do prédio.

— Ok. — Prendo em meu casaco.

Ele estaciona e nós caminhamos para outro elevador, o que requer sua impressão de mão. Uma câmera de segurança e um feed de vídeo rastreiam todos os nossos movimentos.

— Bom dia, Sr. Huffington. Você e sua convidada estão liberados para entrar.

A porta se abre e subimos o elevador até ao nível mais alto. Quando saímos, ainda há mais segurança para percorrer.

— É assim em todos os andares?

Huff ri.

— Sim, mas você se acostuma com isso. Temos materiais sensíveis com os quais lidamos, por isso nunca nos arriscamos.

— É bom saber. — E é.

Passamos por esse andar de escritórios e chegamos a um conjunto de portas duplas grossas de vidro fosco. Há outro scanner biométrico de mão e logo antes de entrarmos, ele pergunta: — Você precisa usar o banheiro?

— Não, mas se eu fizer, vou precisar usar minha impressão da mão assim?

Huff ri. — Eu preciso compartilhar esse com Gemini.

— Gemini?

— Você vai encontrá-la em um minuto.

— Oh.

— Entre, — Diz ele.

As portas se abrem para revelar algo parecido com a nave espacial Enterprise.

— Puta que pariu! Transporte-me, Scotty. O que é este lugar?

— Usina de ideias e cérebro central para a DWI.

A voz profunda me faz pular. Eu giro e olho para uma enorme parede de músculo sólido. Olhos azul-acinzentados penetrantes olham para mim e este é um cara seriamente assustador. Não gostaria de cruzar com ele.

— Sente-se. Sou Drexel Wolfe.

— Oi. Gabby Martinelli. Prazer em conhecê-lo.

— Da mesma forma, Dra. Martinelli.

— Por favor, me chame de Gabby.

— E você pode me chamar de Drex.

As portas mal fecharam quando a mais deslumbrante mulher entra. Tenho certeza de que minha boca está no chão. Cabelo longo e preto, olhos mais escuros que eu já vi. Ela é positivamente exótica.

— Ei! Desculpe, estou atrasada. Você deve ser a Dra. Martinelli. Eu sou Gemini. É muito bom conhecê-la.

Sua mão alcança a minha e eu a agito. É forte e firme, e a confiança rola dela. Eu me surpreendo.

— Também é um prazer te conhecer. Por favor, me chame de Gabby.

— Que tipo de médica você é? — Ela pergunta.

— Uma psiquiatra.

— Oh, eu adoraria saber a sua opinião sobre aquele ali. — Ela aponta para Drexel, um olhar travesso no rosto.

— Gem, pare. Temos trabalho a fazer.

— Uh-huh. — Ela se inclina para mim. — Homens. Eles sempre têm trabalho a fazer quando querem mudar de assunto, não é? — Ela pisca para mim.

Eu imediatamente gosto dela. Eu me sento e Gemini senta ao meu lado. Drex e Huff sentam-se à nossa frente.

— Então, Gabby, o que podemos fazer por você?

Não há como ir pelo início, então é onde eu começo. Não paro até que eu termine de contar tudo o que sei sobre Langston Hart e o que eu quero que eles façam. Ou melhor, o que eu espero que eles me ajudem a fazer.

Ninguém diz uma palavra. Finalmente, Drexel diz: — Então, o que estou recebendo de você é que quer que de alguma forma te leve para dentro de sua casa e ajude você a fazê-lo confessar que ele é parte da Máfia e que está relacionado a uma série de crimes, que datam de quando Kolson era uma criança? E você também quer que ele admita que seus filhos não participaram dessas atividades criminosas? E você quer que ele lhe diga que basicamente comprou seus filhos sob coação e mentalmente abusou deles para fazê-los fazer o que ele queria por anos? E tudo isso enquanto você está usando um fio.

— Sim, mas quando você coloca desse jeito, parece loucura.

— Isso é porque é.

E ele apenas me entrega sua dúvida sobre a situação. Esta é minha única chance de persuadi-lo a me ajudar. Sem ele, não tenho chance de derrubar Langston.

— Eu posso ver porque você diz isso. Mas preciso explicar uma coisa para você. Kolson e seus dois irmãos foram basicamente roubados de suas mães. Langston fez algumas coisas terríveis para os três garotos. — E eu começo com a maneira como ele manteve Kolson no escuro por meses. Como ele o privou de luz. De comida e água quando ele não se comportava, e então eu digo a ele o que eu acho que aconteceu com Kestrel. — Eu nem sei ao certo o que aconteceu com Kade, mas ele está vivendo nas ruas, é viciado em drogas, e só Deus sabe o que mais ele passou. Langston Hart é um monstro e precisa ser mandado para a prisão. Mas ele ergueu uma barreira de proteção em torno de si mesmo que é praticamente impenetrável. Kolson vai se matar tentando derrubar Langston sozinho. E se eu não fizer algo, e rápido, para detê-lo, isso vai acontecer em breve. Por favor, me ajude. Eu não sei o que você pode ou não pode fazer. Tudo o que estou pedindo é que você me dê a ajuda para fazer isso. Eu sei que é perigoso e caro, mas estou disposta a pagar qualquer que seja o seu preço.

Então Drexel me choca, dizendo: — Você sabia que Kolson me contratou para encontrar Danny Martinelli?

Os cantos da minha boca se curvam.

— Eu me perguntei como ele o encontrou. Kolson me contou o que ele fez. Olha eu sei que esta é a máfia que estamos falando e é provavelmente a coisa mais perigosa que você já fez. É por isso que não te encontrei em Nova York. Eles estão seguindo cada movimento que eu faço. Não é seguro para mim lá. Tenho que viajar com um guarda-costas agora.

— Drex, — diz Gemini. Eu não posso ver o rosto dela, mas todo o seu comportamento suaviza quando ele se concentra nela.

Então fico confusa quando Drexel se volta para Huff.

— Huff, você vai nos desculpar por um minuto?

Huff se levanta sem dizer uma palavra e sai.

Drex se apoia na mesa com os antebraços e olha para mim. Não, eu aceito isso. Ele não olha; ele avalia, analisa e me disseca. — Dra. Martinelli. Gabby. Este negócio de máfia. Isso não me assusta nem um pouco. E eu sei tudo sobre o escuro. Eu vivi em uma caixa subterrânea no Iraque por semanas até que minha unidade descobriu onde eu estava sendo mantido prisioneiro. Eu fui espancado, torturado e mantido faminto. Tive terroristas atrás da minha bunda, assassinos tentaram me matar, sem mencionar que eu vi minha esposa, aquela linda mulher sentada ao seu lado, amarrada com C-4 suficiente para derrubar seis quarteirões da cidade. Então foda-se a máfia. O que me preocupa é se você tem os meios para fazer isso e se podemos reunir informações suficientes para entrar na casa de Hart no tempo necessário e obter o que é necessário enquanto estivermos lá. Não tenho certeza de que informações você tem sobre ele, mas se o FBI não conseguir o que precisa para derrubá-lo, tenho certeza que o que você tem é minúsculo.

Uau. Estou espantada. Um buraco no chão no Iraque? Que diabos? Quem é esse homem?

— Eu não sei o que dizer.

— Por que não começamos exatamente com o que você tem?

— Eu não tenho nada. É para isso que eu preciso de você. Tudo o que sei é que Kolson se afastou dos negócios de seu pai porque disse que estava envolvido com o crime organizado e que Kolson não queria ter nada a ver com isso. Kolson desapareceu após a morte de Danny. Seu pai foi responsável por isso. Kolson deveria pagar uma dívida e seu pai queria a HTS como pagamento. Kolson tinha tudo assinado para mim e desapareceu para que Langston não o conseguisse.

— Você sabe onde Kolson está?

— Sim e não. Eu tenho contato com ele e ele me visita, mas eu não sei onde ele está.

Drexel acena com a cabeça. — Você quer o FBI envolvido?

— Eu não quero que Kolson ou seus irmãos sejam implicados. Eles não merecem ir para a prisão. Se cometeram algum erro, foi porque foram forçados, sob pressão.

— Entendido. — Ele pega o telefone no centro da mesa e bate em um número. — Ellie, você pode ter Huff de volta aqui?

Ele se levanta e se move para um dos computadores. Uma das telas se acende e parece um banco de dados do FBI porque o emblema do FBI aparece no topo da página. Ele faz uma ligação em seu celular.

— Colt. Wolfe aqui. Eu preciso de um favor. E é um desses favores — Pausa. — Uh, sim — Pausa. — Langston Hart — Pausa. — Eu sei quem ele é, mas você pode me recomendar em sua informação? — Pausa. — Você nunca saberá que estivemos lá. Você sabe como nós operamos. — Pausa. — Consegui. Palavra de escoteiro. — Pausa. — Tudo bem, mano, você entendeu. E obrigado.

Huff entra e Drexel diz: — Temos um mafioso que precisamos derrubar.

Drexel pega o telefone novamente e diz: — Ellie, você pode mandar Blake e Nikolai.

Alguns minutos depois, dois outros homens se juntam a nós e eu sou apresentada.

Drexel começa. — Tudo bem, todo mundo, essa é a nossa nova cliente, Dra. Gabby Martinelli. Ela acabou de nos contratar para derrubar Langston Hart, que faz parte da máfia de jogo da Costa Leste. — Então ele sorri, franze as sobrancelhas e fura a língua entre os dentes, como se tivesse acabado de comprar um novo brinquedo.

Gemini põe a mão no meu braço e diz: — Não se preocupe, ele age assim o tempo todo quando assume um trabalho desafiador. Eu acho que é testosterona.

— Gabby, precisamos de um local para o endereço de casa de Hart, — diz Drexel.

Eu dou a ele.

— Nikolai, puxe o GPS. Blake veja se já consegue entrar nos arquivos do FBI. Acabei de falar com Colt há dez minutos. Ele estava indo para limpar um caminho para você. E precisamos fazer isso rápido. Pode não estar aberto ainda.

— Ok, chefe. Ele lhe deu uma senha?

— Oh, sim, isso ajudaria, não é? É scouts!Honor a letra H maiúscula com um ponto de exclamação entre as palavras.

Os dedos de Blake voam pelo teclado e, alguns segundos depois, ele está dentro. Langston tem bastante arquivo. Parece que o FBI está olhando para ele há algum tempo. A extorsão é sua prioridade número um, mas parece não conseguir encontrar evidências sólidas. Há também suspeita de assassinato, equipamento manipulado, traficantes corruptos e assim por diante. Blake faz o download do arquivo e diz: — Eu tenho tudo.

— Certifique-se de não deixar vestígios, — Diz Drex.

— Como se eu fizesse isso. — Blake ri.

— Apenas dizendo. Não quero que Colt fique chateado comigo, — Drex joga de volta.

— Não podemos perder essa conexão com o FBI. E a última coisa que quero é comprometer sua posição.

A tela do GPS mostra o composto de Langston.

— Gabby, o que você sabe sobre a casa dele? Ele tem guardas? Cães? Coisas dessa natureza?

— Nenhum cão que eu saiba. Nós fomos andar a cavalo e não vi nenhum.

— Guardas armados?

— Eu não vi nenhum armado, mas vi homens perambulando por aí.

Ele se vira para os outros homens e diz: — Eles estão armados.

— Muito a expor, — observa Huff.

— Uh, sim. É enorme.

— Ele tem um escritório em casa? — Drexel pergunta.

— Sim, primeiro andar, direto no corredor principal à esquerda.

Então ele pergunta: — Você pode nos dar um layout rudimentar da casa?

Ele me entrega um bloco de notas e eu vou para o trabalho. Quando termino, arranco o papel, entrego para ele e continuo desenhando. Quando termino, eu digo: — Este é o porão, onde a adega está localizada.

Ele arqueia as sobrancelhas.

— É também onde as gaiolas e os quartos estão localizados. Você sabe, onde Langston fez todos os seus abusos para os três garotos quando eles eram jovens. Eu gostaria de obter evidências disso quando estiver lá. Eu quero pegá-lo por isso.

— Gabby, seria bom prendê-lo por qualquer infração, mas o principal é levá-lo para as piores enquanto pudermos.

— Drexel, você não entende. Eu sou vítima de abuso mesmo. Por anos eu fui estuprada por Danny Martinelli, enquanto meus pais ficaram parados e não fizeram nada. Eu mantive esse pequeno segredo sujo para mim até que conheci Kolson. Eu acho que uma vez que fui uma vítima, muito parecida com Kolson, eu quero fazer Langston pagar pelo que ele fez com aqueles homens quando eles eram garotinhos.

As narinas de Drexel se inflamam e ele diz: — Aquele filho da puta. — Ele fica em silêncio por um período e posso ouvi-lo respirando. Então ele diz: — Eu entendo o quanto isso é importante para você e que você quer vingança. E vou me certificar de que ele pague por seus crimes. Pode não ser do jeito que você quer, mas ele vai receber a mensagem alta e clara.

— Ok. — Não tenho certeza do que ele quer dizer, mas não irei discutir.

— Gabby, isso vai levar a melhor parte do dia. Precisamos que você nos conte todos os pequenos detalhes possíveis sobre o que você sabe sobre Langston Hart. Você pode pensar que não é nada, mas vamos ser o juiz disso.

Então eu conto. Eles gravam tudo o que eu digo. Eles me fazem perguntas para desencadear lembranças de coisas que Kolson disse. Conto o que aconteceu na festa em que passamos a noite. A visita que Langston me pegou no escritório, e a minha primeira visita à sua casa. Cada encontro que eu tive com ele, Kestrel e Sylvia e nos detalhes mais específicos que eu posso administrar. Forço meu cérebro por qualquer coisa que eu possa lembrar sobre Storm, onde Kolson se apavorou com pequenas coisas que ele disse para mim que eu arquivei no início de nosso relacionamento.

É um processo tedioso, mas necessário, se eles fizerem o trabalho com sucesso.

No momento em que terminamos, estou mental e emocionalmente esgotada. Gemini me leva até uma porta e insere um código. Entramos em um estúdio.

— Aqui é onde você vai ficar esta noite.

— Oh. — Olho em volta, surpresa. — Eu pensei que estaria em um hotel.

— Colocamos nossos clientes de alto nível aqui. É mais seguro assim. Então você não deixa uma trilha de cartão de crédito.

— Entendo. Foi por isso que você lidou com o custo da minha passagem de avião?

— Exatamente. Irei deixá-la agora para que você possa relaxar um pouco. E virei pegá-la por volta das sete para o jantar. Sinta-se em casa e à vontade para ligar para qualquer pessoa, mas lembre-se de que, apesar de nossas linhas estarem seguras, quem quer que você ligue, talvez não seja.

Relaxar é a última coisa em minha mente. Eu me vejo pensando sobre o que Drexel Wolfe me contou sobre si mesmo. Ele é um homem interessante. Assustador. Resistente. Alguém com quem eu não gostaria de cruzar. E fico feliz por ter vindo aqui. Não o vejo recuando para ninguém. E a maneira como interage com Gemini. O relacionamento deles me deixa curiosa. Ela é forte e dinâmica. Posso ver como eles batiam cabeças, mas seria preciso uma mulher forte para enfrentá-lo. Ele não parece ser alguém que faria bons relacionamentos. Ferraria a maioria das mulheres. Caralho, ele ferraria a maioria dos homens com um olhar. Mas não ela. Todo o seu comportamento muda quando ele se aproxima dela. O jantar deve ser interessante.

Algumas horas depois, Gemini me pega e a sigo para outra parte do prédio. Ela me conduz através de um conjunto de portas duplas, mas desta vez nós entramos em um escritório onde duas escrivaninhas combinadas aguardam no fim do quarto. Há um sofá cor creme pontilhado com almofadas coloridas, duas cadeiras correspondentes e uma mesa de café, além de uma pequena mesa de jantar com quatro cadeiras. Um pequeno bar com quatro bancos fica ao longo de outra parede e o que parece ser um banheiro atrás dele. Adoráveis obras de arte adornam as paredes e belos tapetes persas em tons de azul e cinza estão espalhados pelo chão. É tudo muito elegante com uma parede inteira de vidro que dá para a cidade. Está escuro agora, mas as luzes estão brilhando, a vista espetacular.

Drexel está sentado em uma das mesas. Ele fica em pé enquanto eu entro.

— Esperamos que você não se importe com o nosso jantar sendo entregue hoje à noite. Nós temos trabalhado no seu caso, então pensamos em comer aqui.

— Não, tudo bem pra mim.

Eles me oferecem uma bebida, mas eu prefiro água.

Gemini distribui cardápios para nós escolhermos. — Este é o meu restaurante italiano favorito, embora você provavelmente discorde, já que você é de Nova York, — Diz ela.

— Honestamente, eu não sou exigente. E o italiano é o meu favorito — Eu penso em Kolson e a primeira vez que fomos ao Giuseppe.

Uma vez que o jantar é encomendado, Drexel revisa tudo o que discutimos anteriormente. Então me informa que eles estabeleceram um plano preliminar para mim, mas não me diz nada sobre isso.

— Por que não?

— Porque é assim que eu opero, quanto menos você souber, melhor. A única coisa que peço é que você mantenha Kolson e Case fora disso. Claro?

— Sim. Essa foi a minha intenção desde o começo.

— Bom. Quanto menos pessoas envolvidas, melhor. Outra coisa. Se conseguirmos o suficiente para derrubá-lo, gostaria de entregar essa evidência ao FBI.

— Enquanto isso não incriminar Kolson ou seus irmãos.

— Tudo bem. Mas Gabby, eu também devo dizer a você do que nós supomos, achamos que você está em uma situação muito precária, — diz Drexel.

— O que você quer dizer?

— Langston Hart não gosta de ser contrariado. No momento, achamos que é isso que ele acredita que você está fazendo. Você precisa tomar muito cuidado. Você tem um guarda-costas em todos os momentos. Um pode não ser suficiente. Uma equipe é o que nós recomendamos.

— Porra. — Isso não é o que eu esperava.

Gemini olha para Drexel e ele concorda.

— Gabby, eu fui procurada por terroristas não faz muito tempo e uma equipe inteira de guarda-costas foi derrubada, incluindo o cara grande aqui. Pode acontecer. Então, o que estamos dizendo é que você precisa tomar precauções sérias aqui. Langston Hart tem muitas conexões e você não quer esquecer nada. Na sua próxima comunicação com Kolson, você precisa conscientizá-lo disso também.

— Terroristas? — Pergunto.

— Longa história. Drex e eu nos conhecemos em circunstâncias incomuns, você pode dizer — Ela ri.

— Jesus. E eu que pensei que minha história era louca.

— Podemos superar a loucura em qualquer dia da semana, não podemos Drex?

Ele meio sorri e concorda. O telefone de Gemini toca e ela felizmente nos informa: — A comida está aqui. Eu vou buscá-la.

— Você fica. Eu vou buscar. — diz Drex.

Ela bufa um pouco quando ele sai.

— Ele não é muito tagarela com estranhos. Mas você se acostuma com ele depois de um tempo. Uma coisa, porém, é que ele leva esse negócio muito a sério e ir atrás de bandidos é algo que ele adora fazer. Então, se ele disser que vai pegar Langston Hart, ele pegará Langston Hart. Ele ainda tem a coisa militar indo onde o fracasso não é uma opção.

A comida é muito boa e quando terminamos, Drexel diz: — Gabby, você ouvirá falar de mim horas antes dessa coisa explodir. Apenas esteja pronta para se mover quando você fizer isso. Você tem certeza de que quer fazer isso? Quando as rodas estão em movimento, não há como pará-lo. Compreende?

— Tenho certeza. Vou sentir grande prazer em derrubar esse homem.

— Alguém baterá à sua porta de manhã às seis da manhã para levá-la ao aeroporto. E lembre-se do que recomendamos no que se refere aos guarda-costas. Por favor, considere isso.

— Eu vou e obrigada.

Gemini me leva de volta para a minha suíte e me avisa antes de sair que a segurança neste nível está ativada e eu não devo sair desta unidade a menos que haja uma emergência. Se eu fizer isso, os alarmes irão disparar e acordar os mortos daqui para Los Angeles.

— Fico feliz que você tenha me contado, não que eu estivesse planejando vagar por aí. Obrigada por tudo. Eu vou te ver de novo? — Eu pergunto.

— Isso ainda não foi decidido.

— Bem, então, se não, foi ótimo conhecê-la.

— O mesmo aqui. Espero que as coisas saiam do jeito que você quer.

Eu também, Gemini, eu também.


CAPÍTULO VINTE E DOIS

Gabriella


Huff bate na minha porta no horário combinado e me leva de volta para a garagem subterrânea. Quando chegamos ao carro, eu pergunto: — Você se importa se fizermos uma parada não programada?

Sua cabeça inclina, suas sobrancelhas se curvam em suspeita.

— Onde você precisa ir?

— O Mountain Air Center. Você sabe onde é?

— Eu ouvi falar disso. Uma clínica exclusiva de reabilitação, certo.

— Sim. O irmão de Kolson, Kade, foi levado ontem e internado por três meses. Ele está passando por um intenso programa de recuperação e reabilitação. Eu gostaria de verificá-lo. Eu posso pegar um táxi para o aeroporto de lá, se você não puder esperar. Não será um problema.

— Não, está bem.

Ele programa o GPS no SUV e nos dirigimos para o centro de reabilitação. Mesmo que seja cedo, há alguém para me receber porque eu avisei que viria esta manhã. O médico encarregado do programa diz que o check in de Kade era rotineiro, mas que ainda está tendo problemas de retirada das drogas. Ele tem um longo caminho a percorrer e provavelmente estará aqui por seis meses em vez de três.

— Você se importa se eu o ver? — Eu pergunto ao médico.

— Sob as circunstâncias, eu acho que é melhor se você não fizer isso. Ele continua falando sobre ver seu irmão, Kolson. Aquele que está desaparecido. Tenho certeza que é apenas devido à retirada. Eles tendem a divagar muito, como você sabe. Ver você pode causar ainda mais ansiedade de separação.

— Compreendo. Se você precisar de mim para qualquer coisa, você sabe como entrar em contato. E obrigado por aceitá-lo aqui. Tente não discutir sobre Kolson com ele. Eles eram especialmente próximos - Kolson era seu protetor.

— Obrigado por me avisar, Dra. Martinelli.

Eu me sinto melhor sabendo que Kade está em boas mãos, mas também que eles achem que suas divagações sobre Kolson são apenas isso... Divagações.

Huff me leva até ao aeroporto e tantas coisas lotam minha mente quando o avião me leva de volta a Philly. Eu rezo para que tudo corra como planejado.


CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Kolson


Onde está Gabriella? Eu paro no estúdio e ela não está aqui. Ela não está na cobertura também. Espero por ela a noite toda e ela nunca aparece. Esta manhã vou a Case e ele diz que não falou com ela, mas posso dizer que ele não está dizendo a verdade. Ele sabe de algo e não está sendo honesto comigo. Seus olhos dizem tudo.

Sam age como se não soubesse nada. Ele, pelo menos, está dizendo a verdade.

O que está acontecendo? É melhor que esteja tudo bem ou eu vou atrás de Langston. Eu darei mais um dia e se ela não aparecer hoje à noite, é isso. Eu vou para Langston.


CAPÍTULO VINTE E QUATRO

Gabriella


Meus braços estão carregados enquanto pego minha bolsa e uma valise, além da minha bolsa. Eu me atrapalho com as chaves, enfiando uma na fechadura da porta do estúdio. Não tenho a chance. A porta se abre e uma mão se estica me puxa para dentro, e eu estou de costas contra a porta e brutalmente beijada. Uma boca faminta me devora, tomando, possuindo, até que não haja nada intocado.

Quando Kolson me libera, estou tonta, desprovida de ar, mas querendo mais. Minhas mãos o puxam de volta para mim e minha boca é a que devora a dele dessa vez. Não há nada como beijar Kolson Hart. Ele me faz esquecer que há um mundo lá fora, um mundo perigoso, onde nós dois podemos ser mortos. Ele me faz esquecer o meu maldito nome. Desejo sem mente ruge através de mim e tudo que eu quero é mais. Mas não vou conseguir. Pelo menos não neste momento.

Ele nos separa e diz: — Onde diabos você estava? Eu fiquei acordado a noite toda esperando. Fui para a cobertura. Esta manhã Case disse que não sabia onde você estava. Que porra é essa, Gabby?

Ele está com raiva, preocupado. Como eu estaria? Ele nunca me chama de Gabby.

— Eu fui para Denver. Kade fez check-in em uma clínica de reabilitação e eu queria ter certeza de que tudo correu bem. Ele foi no vôo privado, mas eu fui em um vôo comercial.

— O quê? Por que diabos você fez isso?

— Acalme-se. Agora mesmo, Kolson. Eu não sou uma idiota. Foi um plano bem pensado.

Suas mãos rasgam seus cabelos enquanto seus olhos fixam os meus. É difícil para esse homem desistir do controle.

— Você está certa. Peço desculpas.

— Aceitas. Fui em um vôo separado porque sou sempre seguida. Eu levei o helicóptero para Philly onde embarquei em um vôo comercial. Kade nem sabe que eu estava lá. O médico disse que ele está divagando sobre você. Eu me certifiquei de que ele saiba que é apenas divagar. Foi por isso que fui também.

— Eu sinto muito. Por que Case não disse nada?

Oh garoto, eu odeio mentir. Espero que ele não veja através de mim.

— Ele não sabia que eu ia a Mountain Air.

— Oh.

— Eu percebi que quanto menos pessoas participarem, melhor.

Kolson começa a andar. — Jesus. Jesus.

— O quê?

Ele para e rapidamente caminha até mim e agarra meus ombros. — Por favor, não saia assim novamente. Eu quase fui até ao covil do dragão e o acusei de te sequestrar.

— Oh, porra! — Meu coração afunda até os dedos dos pés. Esse pensamento nunca passou pela minha cabeça, que ele faria algo tão drástico. Eu alcanço seu rosto. — Graças a Deus você não fez isso.

Então ele me esmaga em seu peito, dolorosamente, e sinto seu coração batendo contra o meu. Somos duas bagunças, agarrando a morte uma da outra.

Eu finalmente digo: — Eu não sei sobre você, mas poderia usar uma boa cama agora.

Ele ri. Então estamos rindo juntos. É um daqueles momentos em que a ansiedade nos faz rir em vez de chorar, suponho.

— Kea, me faz um favor, sim?

— Sim.

— Nunca mais saia assim. Se você tem que ir a algum lugar, me deixe uma nota ou algo assim. Um texto. Qualquer coisa. Só para me deixar saber que você não vai estar aqui.

— Você está certo. Sinto muito. Isso foi uma falta de consideração de minha parte. Mas vou compensar se você tirar minhas roupas.

Ele balança a cabeça e eu deslizo a mão pela frente da calça jeans. Como eu esperava, ele está duro. A blusa que estou usando não tem chance. Botões voam quando ele abre as mãos.

— Eu amo essa blusa.

— Você é uma mulher rica. Compre outra. Compre vinte. Eu não dou a mínima.

Ele solta meu cabelo.

— Eu gosto do seu cabelo para cima.

— Eu não. Eu gosto disso pendurado em cima de mim quando a gente fode.

Em seguida, vai o jeans. Estou sempre curiosa sobre como ele faz isso. Ele é capaz de rasgar um jeans em pedaços.

O botão voa pela sala e o zíper agora é inútil.

— Ei! Aqueles jeans eram caros! — Digo.

— Então? Eles estavam no caminho.

E maldito se eu não tivesse na minha calcinha La Perla favorita. O fio de cetim branco com os elegantes laços de cetim caídos na frente.

Eu estou surpresa que ele não destrói isso. Ah, mas espere. Ele cai de joelhos e seus dentes começam a desatar cada um dos arcos costurados à mão. Sim, ele tritura isso também.

— Eu amo essas calcinhas.

Com a boca ao redor do cetim cobrindo minha boceta, ele diz em uma voz abafada: — Ah, eu também, Kea, eu também.

Sua língua viaja sob o elástico perto da minha perna, e seus dentes rasgam o que sobrou do material delicado. Poof, eles se foram e eu também.

Beijar a boca de Kolson é uma coisa. Mas a boca de Kolson entre minhas coxas... Ele é um leitor de mentes e sabe como agradar a essa mulher. Sua língua deve ter sido mergulhada em pó de fada em algum momento de sua vida, porque pode funcionar como mágica, como nada que eu conheça. Ele entra no meu túnel, gira em torno do meu cerne, mas eu adoro quando ele chupa aquela coisinha e usa a língua ao mesmo tempo. Um longo e sábio dedo entra em mim e logo se junta a outro enquanto sua boca continua fazendo maravilhas no meu clitóris. Ele me faz puxar o seu cabelo com tanta força, estou surpresa que ele não esteja gemendo tão alto quanto eu. Mas, oh Deus, ele está me enviando para o meu Éden num orgasmo. E antes mesmo de eu parar, seu pênis empurra para dentro de mim enquanto ele envolve minhas pernas em volta de sua cintura e nos leva até à cama.

Ele me deita suavemente e fecha os olhos.

— Kolson. Olhe para mim.

Quando ele olha, tudo o que vejo faz meu coração tremer. Ele está assustado, mas é por causa de eu não estar aqui na noite passada ou é por causa de Langston e o que está acontecendo?

Ele acaricia minha bochecha enquanto suas sobrancelhas sulcam.

— Eu te amo por toda a minha vida. Eu estive esperando por você, Gabriella, desde que Langston me jogou no escuro. Eu só percebi isso. Agora, temo que algo aconteça com você.

— Sshh. Faça amor comigo. E enquanto estamos juntos, não vamos pensar sobre o que está lá fora.

Ele lentamente entra em mim e depois inverte seu movimento. Minha mão agarra sua bunda e eu aliso através do buraco, o lugar do lado que se inclina quando ele flexiona.

— Eu já te disse o quão lindo você é mesmo com seu cabelo escuro e barba? — Eu digo.

Ele descansa a boca na minha e ficamos assim enquanto ele faz amor comigo. Então ele me puxa para cima e me acomoda em seu colo.

— Eu amo todas as posições com você, mas essa é a minha favorita, você me envolve quando está no meu colo. Eu quero que nos unamos, Kea. — Sua mão varre meus seios, demorando-se em meus mamilos, provocando-os.

É difícil para mim apenas olhar para ele. Minhas mãos estão em todo o seu torso, tocando, apertando, massageando.

Seu pau desliza para dentro e para fora. O que eu pensei que seria um passeio rápido e áspero, não é. Ele leva isso devagar. Tão lento. Como se estivesse memorizando tudo sobre isso. Ele me observa atentamente, focando em mim, nunca se desligando, apenas piscando.

— Você é tão apertada. E úmida. Sempre molhada para mim, Kea. Eu sonho com você quando não estou aqui. À noite. Eu acordo, pensando que estava transando com você, e quando descubro que não estava não posso voltar a dormir porque tudo o que quero é você. Eu quero estar dentro de você. Enterrado como estou agora. Tocando você e ouvindo o quanto te faço gemer. Como você está agora. Os sons, os pequenos suspiros e gemidos que você deixa escapar da sua boca são as coisas mais sexy que já ouvi. Eu já te disse isso?

Sua voz rouca enquanto sua respiração entra e sai. Isso me estimula.

— Estou perto, tão perto! — Aviso.

— Só mais um pouco, — Diz ele.

— Faça durar.

Meus dedos tocam o anel do mamilo e ele assobia.

— Oh, porra, porra, porrrrra, eu estou gozando!

Eu também me deixo ir. Mas observá-lo é quase tão intenso quanto o clímax. Seus dentes capturam seu lábio inferior e mordem quando rosna. Ele não fecha os olhos, mas olha para mim. Seu pescoço está esticado enquanto ele se esforça, junto com seu abdômen e seus braços enquanto me segura. Eu sinto seu calor dentro de mim, seu pênis pulsando. E eu contraio por sua vez.

Ele cai para o lado e ainda estamos juntos, embora ele se incline o suficiente para eu soltar minha perna. Ele puxa um pedaço do meu cabelo e traz para o seu rosto.

— Eu amo seu cabelo, mas você já sabia disso. Eu me envolveria com todo o seu corpo todos os dias, se pudesse.

Meu polegar brinca com seus lábios.

— Kolson?

— Hmm?

— Eu quero que você desista de sua missão contra Langston.

Ele não é mais lânguido e preguiçoso, mas alerta quando se concentra em mim.

— Por quê?

— O óbvio. Sua segurança.

— Mas e nós?

— Vamos nos mudar daqui.

— Ele nos encontraria.

— Na Suíça?

— Sim! Ele nos encontraria em qualquer lugar.

Eu me apoio no cotovelo e inclino minha cabeça na minha mão.

— Como?

— Você subestima seu alcance.

— Eu acho que sim.

Kolson imita minha posição.

— Você tem que entender. Não há lugar seguro dele. Talvez em alguma ilha remota. Mas ele eventualmente nos encontraria. Não, precisamos nos ater ao plano.

— O que aconteceria se ele te encontrasse? — Eu tenho que perguntar. Eu preciso saber a resposta para isso.

— Eu posso pensar em algumas coisas que ele faria. Mas ele quer a HTS. É uma viagem de poder para ele. Ele odeia que eu tenha sucesso, apesar de tudo, então ele quer que eu lhe entregue a empresa. Esse seria seu objetivo final, daí o pagamento da dívida. E uma vez que eu estou obviamente ligado a você, ele também te quer. Ele quer destruir tudo o que tenho. E agora, que me afastei dele duas vezes, ele não hesitaria em terminar comigo.

— Então você acha que ele ia te matar?

— Não até que tivesse a HTS.

— E eu?

Ele se protege.

— Eu não sei, Kea. — Sua mão alcança a minha e ele a leva aos lábios. — Tenho certeza que ele não hesitaria em te machucar, no entanto.

É a resposta que eu esperava.

— Acho que é hora de aumentar minha proteção e aumentar minha segurança. Acho que preciso de um time de guarda-costas e não um.

— Eu odeio que isso aconteça, mas concordo. Fale com Sam para ajudar. Ele é o mais confiável.

Na manhã seguinte, antes de o sol nascer, Kolson faz sua habitual partida apressado.

— Espero que isso possa terminar em breve, porque essa é a parte que eu mais odeio. — Digo a ele logo antes de ele me dar um beijo de despedida.

— Eu odeio tanto quanto você. Mas tenha cuidado e faça essa ligação para Sam hoje. Eu me sentiria muito melhor sabendo que você tem um grupo de pessoas assistindo suas costas.

— Eu vou. E me prometa que você não correrá riscos desnecessários. E veja se Case pode ajudá-lo a desenterrar coisas em Langston.

Eu o vejo sair pela porta. Mais tarde naquela manhã, eu arranjo minha nova equipe de guarda-costas.

 

CAPÍTULO VINTE E CINCO

Gabriella


Ter uma equipe de guarda-costas é como ser um adolescente e tentar fugir de casa enquanto dispara um canhão. Pelo menos essa é a melhor analogia que posso fazer porque nunca tentei fugir de casa quando era adolescente. Mas é a maior dor na bunda com que eu já lidei. Em todos os lugares que eu viajo, quatro pilares gigantes de músculos humanos me flanqueiam. É impossível me ver porque estou protegida por quatro cantos de aço. Mas tomar o conselho de Drexel Wolfe me deu um elemento de conforto.

Eles ladeiam a porta do meu escritório e ficam lá até eu sair todos os dias, acompanhando-me até o carro. Minha vida social é limitada. Mas tem sido desde o desaparecimento de Kolson. Isso foi minha culpa, principalmente porque eu não queria expor meus amigos ao perigo que Langston poderia representar para eles. Tem sido difícil afastá-los, mas eu não queria dar a eles muita informação sobre Kolson ou Langston, porque quanto menos eles sabem, melhor para eles. Sky e Cara ligaram mais cedo e imploraram para que eu fosse jantar hoje à noite, mas elas estão vindo para a cobertura. Eu dou a Lydia um alerta para que ela possa preparar algo para nós.

Vou para casa, ansiosa por uma noite com minhas amigas.

Às sete, elas saem do elevador e eu entrego a cada uma delas uma taça de vinho.

— Você não parece tão quente — Diz Sky.

— Sim, você não parece, — Cara entra.

— Eu sei. Estresse. Venham. O jantar está pronto. Vamos comer porque estou morrendo de fome.

Nós vamos para a sala de jantar e eu trago tudo para a mesa. Lydia nos fez galinha marsala e eu os pego em tudo da melhor maneira possível.

— Esse cara Langston é um cretino, — Diz Sky.

— Totalmente. Garota, você tem um pouco de azar, — Diz Cara.

— Diga-me algo que eu não sei.

— Então é por isso que você tem esses caras grandes por aí.

— Sim. Guarda-costas de agora em diante. Eu me cerquei de um time inteiro.

Elas ainda não abordaram o elefante na sala, mas Cara finalmente faz isso.

— Então, nenhuma palavra sobre Kolson?

— Não. O FBI e a polícia ainda estão procurando. Eu acho que, já que não houve uma nota de resgate e nenhum corpo, eles pensam que ele saiu por conta própria. Então não há mais urgência. Ou pelo menos foi o que me disseram da última vez que falei com eles. Honestamente, eu acho que eles não estão mais procurando. — Olho para os meus pés porque nunca fui uma boa mentirosa e eu quero que elas pensem que ainda estou chateada com isso.

— É o que Case disse a Ryder, — disse Sky.

Concordo.

— Eu acho que foi o pai dele. Mas ele não está dizendo nada.

— Sim, eu concordo. Tenha cuidado, Gabby. Esse cara é má notícia.

— Eu sei. — Eu tremo quando penso nas fotos de Storm.

Depois que elas saem, penso no risco que Kolson assume a cada dia quando se expõe ao mundo exterior. Agulhas geladas picam minha pele. Rapidamente se transforma em transpiração e coração acelerado. Respire Gabby.

Quando recupero o controle, a raiva se instala em mim. Langston Hart está roubando nossas vidas. E isso não é justo. Ele já roubou demais a vida de Kolson. Não roubará mais. Se eu não tivesse essa equipe de guarda-costas bem na minha porta, eu iria para a casa de Langston agora e faria o meu melhor para matá-lo. Tenho certeza de que não iria muito longe, mas esse ódio precisa ser amenizado de alguma forma.

Eu me sirvo de uma bebida e desço as escadas para o estúdio. Kolson está me esperando quando chego lá.

Ele me beija e diz: — Bebeu uísque hoje à noite?

— Estou um pouco zangada com seu pai. Eu precisava de algo forte. Cara e Sky vieram jantar.

— Você deve saber que Langston tem homens rastejando por todo o lado de fora. Eu acho que ele está chateado com a sua nova fortaleza humana.

— Que pena.

— Você está bem?

— Não.

— Diga-me — Ele se inclina contra a parede, mas não se aproxima de mim.

— Esse filho da puta já fez o suficiente.

— Gabriella... — Sua voz carrega um aviso. — A última vez que você disse algo assim, foi atrás de Danny e quase se matou. Por favor, me jure que você não fará nada de maluco assim. O dragão está além de sua capacidade.

Eu bufo: — Eu sei, e é tão frustrante.

Ele se afasta da parede e vai até onde eu estou. Suas mãos se enfiam no meu cabelo. — Você parece desligada esta noite. Vamos para a cama e apenas nos abraçar. Eu preciso do seu corpo em volta de mim.

Há algo em simplesmente segurar a pessoa que você ama, e fazer com que ele a segure em troca, fazendo com que lhe diga que ele te pega, percebendo que você precisa daquela parede de força sólida para se apoiar, de confiar em momentos como esses. Porque sem ele, você se sente fraco e vazio, e ele alimenta você, dá a você o poder de suportar. E não é sobre o sexo. Não é sobre a luxúria. É sobre algo mais profundo. Algo tão elementar e primitivo, tão necessário quanto o ar e a água. Isso é o que Kolson é para mim. Minha centelha de vida.


# # #


Não é até à semana seguinte que percebo que cometi um grave erro. Como convidar seus amigos para jantar acaba sendo um evento tão devastador? Tem consequências tão profundas?

Meu escritório está repleto de atividades enquanto Jack me entrega vários contratos, juntamente com propostas para outros possíveis negócios que ele está negociando. Ele quer que eu tenha o pensamento de participar de uma reunião com ele. Eu vacilo, argumentando que não estou pronta. Ele discorda.

Minha tela de computador tem um alerta de notícias no topo. Por acaso olho para ele e meu celular vibra ao mesmo tempo. Então meu telefone ‘secreto’ canta com um texto.

Que diabos?

— Com licença, Jack.

Ele sorri enquanto eu respondo.

— Case. Tudo bem?

— Você viu as notícias?

— Ainda não. Eu estava me preparando para ler no meu computador. Por quê?

— Sente-se, Gabs.

— Oookay. Você está me enlouquecendo. Eu também tenho um texto.

— Não, não isso. É...

— Maldição, Case! Conte-me.

— É Cara. Eles encontraram seu corpo esta manhã em seu apartamento.

— O-o qu-quw... — O telefone cai da minha mão.

Jack corre e pega e fala com Case. Não tenho certeza do que dizem. Tudo o que sei é que Cara jantou na minha casa na semana passada e agora está morta. E eu sei quem a matou.

Quantas ‘mensagens’ mais Langston Hart vai me enviar?

— Jack, eu preciso de um pouco de privacidade, por favor.

— Absolutamente.

Ele sai e eu olho para o número da DWI. Eu peço para falar com Gemini ou Drex. Drex vem na linha.

— Podemos precisar avançar já com esse plano.

— Gabby. O que aconteceu?

— Ele acabou de assassinar uma das minhas melhores amigas.

Eu ouço sua respiração assobiar quando ele deixa sair.

— Você está bem? — Pergunta ele.

— Caralho, não.

— Eu não quero dizer mentalmente. Eu quero dizer fisicamente. Você colocou uma equipe de guarda-costas no lugar?

— Sim.

— Eu vou entrar em contato.

Ele termina a ligação.

Cara. Resistente, brilhante, linda, espirituosa, nunca machucou ninguém. Morta. Nas mãos dele. Idiota do caralho.

Minha porta se abre e Case está lá.

— Como? — Eu pergunto.

— Tiros. Três no peito, e um na cabeça.

Tenho medo de perguntar, mas preciso saber. — Você acha que ela sofreu?

— Não.

Fechando meus olhos, eu aceno. Ele vai sofrer não importa como. Eu vou ter certeza que ele sofra. Eu me abaixo e pego minha pasta e bolsa de mão.

— Estou indo para casa. Venha comigo.

Ele me segue para fora da porta, junto com meus pilares humanos. Estou fervendo e não sei o que fazer. Eu quero chorar, gritar e socar alguém, mas o que quero é estar fora de alcance.

Chamamos Sky. Ela e Ryder estão a caminho também. Eu ligo para Sam e digo que ele precisa colocar uma equipe em ambos novamente, assim como em Case.

Nós todos nos sentamos no covil. — Eu sou um amuleto de má sorte, pessoal.

Ninguém sabe o que dizer. É surreal, estar sentado aqui.

— Ela tinha alguma família? Quem está cuidando do seu funeral?

Sky responde: — Eu acho que os pais dela estão voando de São Francisco. Você sabe como eles não eram próximos. Acho que eles vão levar o corpo dela para casa.

— Temos que ter uma cerimônia fúnebre aqui, — Digo.

— Você sabe o quê? — Sky diz. — Ela não iria querer isso. Ela gostaria que fôssemos a um de seus lugares favoritos e a levássemos aos céus.

— Você está certa. Deveríamos pelo menos conversar com os pais dela?

— Você poderia tentar. Eles podem gostar de você, já que você é respeitável. Eles nunca quiseram ter nada a ver com seus amigos por causa de sua profissão. Ela não era nada além de lixo para eles.

Respeitável? Eu? Certo. Eu sou a única responsável pela morte da filha deles.

Meu estômago se contorce com a culpa que me consome. Por que eu os convidei aqui? Porque eu estava com medo de sair. Consequentemente, Cara está morta.

Meus olhos travam em Case e ele balança a cabeça. Acho que ele está me dizendo que entende minha culpa. Mas como pode? Ele não é aquele que é responsável por isso.

— Alguém quer uma bebida? — Eu pergunto.

Case e Ryder riem.

— Os viciados em recuperação não bebem.

— Certo. Desculpe por isso. — Eu digo.

— Sky, e você?

— Não, é um pouco cedo.

Eu olho para o relógio, são apenas onze da manhã.

— Porra! Eu sinto que é meia-noite. Case, você pode checar para ver quando os pais de Cara estarão na cidade? Eu gostaria de falar com eles.

— Sim. Vou ligar para o meu amigo na estação.

— Você pode ver se eles têm alguma pista? Você acha que deveria mencionar Langston para eles?

— Não adiantaria nada. Langston faria com que outra pessoa fizesse seu trabalho sujo, — responde Case.

— Mas vou checar as pistas. Duvido que eles divulguem essa informação para mim.

Eu penso o quanto eu gostaria de poder voltar no tempo e remover minha conexão com ela. Mas isso não é possível. O monstro pegou e correu. Espero receber uma ligação em breve de Drex Wolfe para que possamos dar o pontapé inicial.

Quando entro no estúdio naquela noite, Kolson está lá, esperando por mim. Nenhum de nós diz uma palavra; apenas ficamos nos braços um do outro. É a segurança de que preciso. A força. Ele me leva até o banheiro e me ajuda a escovar meus dentes. Então ele me despe e nós subimos sob as cobertas. É aqui que eu deixo tudo ir. Eu seguro como se fossem palitos construídos vagamente, mas desço quando ele me puxa para o lado dele.

Não tenho certeza de quanto mais de Langston posso suportar.


# # #


Na tarde seguinte, combino encontrar os pais de Cara no hotel deles. Eu me vesti com cuidado, querendo enviar uma mensagem, principalmente que a filha deles não era apenas uma simples prostituta. Eu estou usando uma blusa de seda cor creme, uma saia lápis cinza na altura do joelho e sapatos pretos Christian Louboutin. Tudo de grifes, chiques e caras, com um lenço Hermes e uma bolsa Louis Vuitton.

O Sr. Lee é frio e distante, nada como sua filha. A Sra. Lee, por outro lado, parece estar chorando. Seus olhos estão inchados e vermelhos, mas sua postura conta uma história diferente. Ela é orgulhosa demais para admitir isso? Ou o Sr. Lee é arrogante e a controla o suficiente para dizer a ela para refrear suas emoções? Cara raramente falava sobre sua família e quando ela o fazia, sempre era com tristeza. Ela disse que eles não a apoiavam e não tinham amor, e olhando para a foto à minha frente, não é preciso muita imaginação para ver isso.

Eu me apresento. Eles acham que sou uma prostituta, como Cara, mas ficam chocados ao descobrir que sua filha era amiga de uma psiquiatra.

— Por que você era amiga de alguém como nossa filha? — Pergunta o Sr. Lee.

Ele é tão arrogante que eu imediatamente não gosto dele. A Sra. Lee ergue um lenço nos olhos e enxuga as lágrimas que passam pelas pálpebras.

— Sua filha era uma amiga brilhante, atenciosa, linda e maravilhosa. Ela estava sempre lá quando eu precisava dela. Ela era realmente uma pessoa especial. Quer você acredite ou não, Cara não era uma prostituta. Você pode não querer ouvir isso, mas ela era um ser humano adorável.

Meu coração sofre pela Sra. Lee. Ela sente a perda de uma criança e de uma jovem que nunca teve a chance de conhecer e amar. Está gravado em todo o rosto dela. Ela está embutida em seus movimentos rígidos e na maneira como o corpo dela parece se quebrar em pequenos pedaços a qualquer momento. O Sr. Lee, por outro lado, é reservado e age como um idiota que não se importa com a perda de sua filha ou com o fato de sua esposa estar de luto.

— Sra. Martinelli.

— É Dra. Martinelli.

— Sim, bem, nossa filha se vendia para os homens.

— Richard, por favor. Cara era nossa filha, — a Sra. Lee murmura de uma maneira tão quebrada que eu não tenho certeza se a ouvi corretamente.

— Bem, ela fez, — Ele insiste.

— Sim, ela fez. Mas talvez a razão pela qual ela fizesse isso foi porque ela nunca recebeu qualquer amor ou carinho de você. — A Sra. Lee diz.

— Eu não quero ser repreendido por você agora, — Diz Lee.

— E eu também não quero ouvir você depreciar nossa filha.

— Eu prefiro não ouvir isso também. Ela era uma das minhas melhores amigas. — Digo.

— Você me surpreende, — Diz Lee.

— Oh, por quê isso?

— Você não parece ser o tipo de pessoa que seria amiga de uma...

Eu tento controlar minha raiva, mas isso sangra nas minhas palavras.

— Você obviamente não ouviu uma palavra que eu disse. Eu não escolho meus amigos com base em quem ou o que eles são. Cara era uma pessoa bonita, por dentro e por fora. E é uma pena que você nunca tenha se dado a chance de conhecê-la. Eu gostaria de saber os nomes das irmãs mais novas de Cara.

— Por quê?

Normalmente eu nunca faria isso, jogar o título, mas ele é tão indiferente e arrogante que não consigo me controlar.

— Como CEO da Hart Transportation Services, irei montar um memorial em nome de Cara em uma casa para mulheres e crianças vítimas de abuso que também estará ligada a uma clínica de reabilitação. Eu gostaria de levá-las para a inauguração quando isso acontecer. Ainda não abrimos as portas, mas quando tudo estiver completo, eu gostaria de convidá-las para as cerimônias, já que sua irmã será homenageada.

Sr. Lee responde: — Eu não acho que elas vão estar interessadas.

— Você não acha que deveria ser a escolha delas, Richard? — Pergunta a Sra. Lee.

— Na verdade, não.

Eu interponho.

— Não importa. Minha equipe de segurança irá localizá-las. — E então olho para a Sra. Lee porque eu não dou a mínima para o seu marido pomposo. — Mais uma vez, sinto muito pela sua perda. Os amigos de Cara e eu vamos sentir sua falta terrivelmente. O mundo perdeu uma das suas estrelas mais brilhantes. Bom Dia.


CAPÍTULO VINTE E SEIS

Kolson


Langston está fora de controle e eu não sei o que fazer. Se eu aparecer na frente dele, tenho certeza que ele vai me matar e depois ir atrás de Gabriella. Eu preciso de mais evidências sobre ele, mas todas as minhas informações são antigas e levam a lugar nenhum. Se eu pudesse entrar em seus arquivos pessoais, mas tudo que tentei falhou. Todos os meus esforços em invadir o sistema de computador da Hart Entertainment não funcionaram. Não sou especialista, mas conheço um pouco. Mesmo assim, tenho certeza de que Langston não manteria suas informações pessoais no sistema da empresa. Eu tenho que descobrir onde está e acho que Gabriella está certa. Kestrel pode ser a chave.

Quando entro no Russell Serviços Investigations, há guarda-costas em todos os lugares e eles me revistam. Eles não me reconhecem, graças a Deus, e eu também não os reconheço. Espero que Tom tenha investigado esses caras e eles não estejam na folha de pagamento do dragão.

Eles me escoltam até ao escritório de Case e quando a porta se fecha atrás de mim, eu afundo na cadeira em frente a ele. Não nos falamos por um tempo. Palavras são difíceis de encontrar.

— Você está bem? — pergunto.

— Na verdade, não. Isso tudo é um pouco demais. Como vai Gabs?

— Nada bem. Ela viu os pais de Cara na noite de ontem e estava muito abalada na noite passada. É por isso que estou aqui. Temos que detê-lo e estou em um beco sem saída.

— Não faça nada, cara.

— Case, eu não posso sentar e permitir que ele mate pessoas inocentes.

— Você acha que eu posso?

— Não! Isso não foi o que eu quis dizer! Eu preciso fazer alguma coisa.

— Se você tentar vai acabar no maldito necrotério. E então como Gabby se sentirá? Você já se perguntou isso?

Eu conheço pessoas. Eu os estudei. Eu sou um especialista em negócios. Trabalhei com meu pai durante anos no ramo de jogos de azar. Posso dizer quando alguém está escondendo alguma coisa. Case está escondendo algo de mim.

— Por quê, Case? O que está acontecendo?

Ele se recusa a encontrar meus olhos.

— Apenas descanse, cara. Há muita atividade. Langston está tentando te tirar daqui. Você não entende?

— Sim, mas há algo mais também, não é?

O rápido piscar de seus olhos, a completa falta de contato visual, puxando o lóbulo da orelha, arranhando o nariz, em seguida, a pista final, como ele desloca seu corpo para longe de mim e se encosta à parede, confirma minhas suspeitas. O que ele está escondendo? Eu uso outra tática, apenas para satisfazer minha curiosidade.

— Então, você gosta da sua nova equipe de guarda-costas?

Como eu esperava, ele se vira para mim e solta um suspiro: — De jeito nenhum. Eu quero minha vida de volta.

Seu alívio pela mudança de assunto é palpável.

— Pensamos a mesma coisa, cara. — Mas não vou desistir. — Que porra você está escondendo, Case?

Os olhos dizem tudo. E ele acabou de entregá-lo.

Ele deixa cair a cabeça nas mãos.

— Eu não posso te dizer por que nem eu mesmo sei direito. Por favor, não me pergunte mais nada.

— Diga-me se Gabriella está envolvida e se ela está em perigo.

— Ela não está em perigo, mas se você não ficar fora disso, você estará.

— Droga. Isso é fodido, Case, e você sabe disso.

— Sim, eu sei. Eu também a amo, você sabe.

— O que diabos eu devo fazer agora?

— Ir para casa. E fique quieto. Confie em mim sobre isso.

— Sim, bem, eu vou ter uma pequena conversa com Gabriella hoje à noite. Eu não posso simplesmente ficar quieto e você sabe disso.

Depois que saio, sei muito bem que Case irá ligar para Gabriella antes mesmo que eu atinja a porta da frente.

Naquela noite, quando chego ao estúdio, sou saudado por uma nota.


Você disse que se eu não aparecesse ou se tivesse que ir a algum lugar para informá-lo, eu não posso estar aqui hoje à noite. Não se preocupe comigo querido, estou bem. Eu voltarei antes que você perceba. Eu te amo com tudo que tenho.

Sua,

G

xoxo


E eu tenho um sentimento muito ruim sobre tudo isso.


CAPÍTULO VINTE E SETE

Gabriella


Drex Wolfe finalmente liga e agora eu quase desejo que ele não tivesse. Estou encarregada de descobrir uma maneira de encontrá-lo. Como diabos eu vou fazer isso, sem ser detectada, com meu time de montanhas me seguindo?

Então, para meu horror, Case liga e fala sobre a visita de Kolson. Agora eu tenho que me preocupar também. Pergunto a Case se ele tem alguma peruca loira. Ele vem e traz uma para mim no meu escritório, junto com um almoço que eu não posso comer.

— O que você vai fazer?

— Eu tenho que encontrar um jeito de passar pelos meus guarda-costas e encontrar Drex.

— Acha que pode andar de lambreta?

— Não sei. Eu nunca tentei. Só dirigi carros.

— Sem marchas. Você acaba de virar a chave, inicia e vai embora. O acelerador está no guidão direito e você o vira assim. — Ele demonstra isso com a mão. — Eles são uma brisa. Mas você pode usar um capacete com uma viseira. E couro.

— Eu vou congelar. É dezembro.

— Sim, mas vai disfarçar você. Se vista com roupas quentes por baixo do couro.

Quando penso nisso, com uma peruca loira, pode ser perfeito.

Case acrescenta: — Use as escadas dos fundos para passar por seus guarda-costas, como você tem feito, e saia pela garagem usando seu capacete.

— Eu não vou parecer estranha?

— Não se você tiver uma lambreta estacionada do lado de fora, esperando por você.

— E as câmeras de segurança?

— Pegue as escadas para o terceiro andar ou algo assim e entre no elevador. Em seguida, leve-o ao nível da garagem. Você tem todos os códigos para entrar e sair. Eles não vão pensar em nada se você não estiver entrando e saindo. Ninguém está denunciando qualquer roubo.

— Certo. — Tudo faz perfeito sentido.

— Que horas você tem que encontrá-lo? — Pergunta ele.

— Sete.

— Eu vou tê-la esperando por você. Vou mandar o pacote com os couros e o capacete para a cobertura em uma caixa, como um presente.

— Obrigada, Case.

Ele me dá uma breve explicação sobre como dirigir uma lambreta e me garante que vou ficar bem.

Naquela tarde, chego em casa mais cedo. Nervosismo tem me atrapalhado com tudo e as borboletas no meu estômago me fazem querer vomitar. Lydia está lá e quer saber se está tudo bem. Claro que não, quero gritar. Mas, em vez disso, coloco um sorriso falso e digo para ela tirar o resto da tarde. Ela quer perguntar, mas não posso lidar com isso agora.

Estou encontrando Drex do outro lado do Holland Tunnel em Jersey City, Nova Jersey, e preciso me acalmar antes de ir. Quando Lydia finalmente sai, eu desempacoto a caixa que estava esperando por mim, exatamente como Case prometera. Tudo se encaixa e com a peruca e o capacete, fico irreconhecível. Vou ter que me vestir no escritório para passar pelo meu guarda-costas que fica na cobertura perto do elevador. Os outros permanecem no saguão.

Eu sei que os homens de Langston estão lá fora e rezo para que eu possa manobrar essa moto boba através do tráfego e chegar a Drex e seus homens sem ser detectada. O tempo avança para as seis horas, saio do apartamento pela entrada dos fundos e subo as escadas até ao oitavo andar. Então pego o elevador e vou para o nível da garagem, o tempo todo prendendo a respiração. Com os couros e o capacete, o suor escorre pelo meu peito, amortecendo minha roupa sob as camadas externas. Eu posso sentir meu cabelo ficando úmido sob a peruca também. Espero não congelar quando estiver naquela maldita lambreta. Já está escuro e no meio de dezembro, então está congelando lá fora. Pelo menos é uma noite clara e não está nevando.

Chego à garagem e ando com confiança, como se estivesse em uma missão, o que estou. Quando chego à porta de metal que me separa do mundo exterior, vejo o segurança. Em vez de sair pela porta grande, saio pela outra, a que requer os números num teclado. Ele me observa e eu aceno para ele antes de entrar. Estou fora.

Na minha frente está uma lambreta negra. Mais elegante e maior do que eu imaginava. Não há tempo para me preocupar com isso. Subo a bordo, ligo a ignição e vou embora. Há homens por toda a parte que olham, mas não prestam muita atenção. Talvez seja porque o cabelo pendurado até à cintura é loiro e eles não pensam que é possível eu ter cabelos loiros. Idiotas.

Eu vou direto para o Holland Tunnel. Vou até à 59th Street e atravesso a cidade. O tráfego é pesado, como sempre, mas é muito mais rápido navegar nessa engenhoca. Acho que gosto de entrar e sair das linhas de carros. Isso me faz esquecer o que estou prestes a fazer. Por estranho que pareça, começo a notar que Manhattan está decorada para o Natal. E me ocorre que eu não percebi que as férias estão chegando. Embora Drex não tenha compartilhado nada sobre os planos para esta noite, eu sei que estou correndo um grande risco. O suor do meu caso anterior de nervos agora está secando, me esfriando.

Alguns buzinam, eu aceno de volta para eles e rio. Talvez eu esteja um pouco louca. Alcanço o Henry Hudson Parkway e vou para o centro. Acelero essa coisa e isso aumenta a velocidade. Minha peruca loira voa atrás de mim, mas minha cabeça ainda está suada. Este capacete é bem quente. Mais adiante vejo a saída para o Holland Tunnel e suspiro de alívio. Eu não posso acreditar que fiz isso.

Quando entro no túnel, isso me assusta. Cheira a exaustão e me faz claustrofóbica. O tráfego é muito forte e tudo o que vejo são longas filas de luzes traseiras vermelhas dos carros à frente. Eu não tenho tempo para isso, então continuo a movimentar-me entre eles para tentar ir em frente. Os outros carros não gostam disso, os motoristas amaldiçoam e gritam comigo. Alguém realmente joga uma garrafa vazia. Idiota. Continuo. Eu posso ver o final à frente. Graças a Deus. Mais algumas manobras e estou fora.

Eu faço as curvas para sair e seguir as instruções que Drex me deu. Há dois SUVs pretos esperando por mim quando chego. Drex abaixa a janela do passageiro.

— Fez boa viagem, — comenta.

— Sim. Eu fiz.

— Deixe lá e entre.

Eu estaciono a Vespa atrás de uma lixeira e retiro as matrículas, como Case me pediu para fazer, só então subo no banco de trás e retiro meu capacete e minha peruca.

— Você não é tão ruim loira, — diz Drex.

— Está quente. — Eu corro os dedos pelo meu cabelo suado para desembaraçá-lo.

— Oi, Gabby. — Eu olho e vejo Gemini nas costas ao meu lado. — Conheça o seu grupo. Você já conheceu Huff. — Ele está dirigindo. — Este é Riley. — Ele está sentado perto da janela e eu alcanço Gemini para apertar sua mão. — A outra metade está no outro veículo. Diga olá a Mick, Jim, Juan, Brax e Houston. — Drex tem um telefone no alto-falante enquanto faz as apresentações.

— Oi pessoal.

— Oi, Gabby, — eles dizem em uníssono.

— Bem. Aqui está o plano. — Drex começa.

Ele mapeia o que eles estabeleceram. O SUV atrás de nós, trailers, dois ATVs que Brax, Houston, Mick e Jim vão usar. Eles observaram qualquer guarda que encontraram no perímetro da propriedade. O que eles notaram é que dois caras patrulham à noite. Eles montaram um serviço noturno que fica atrás da propriedade, logo atrás do terraço. Dois outros guardas estão estacionados no telhado. Enquanto os guardas do solo estão sendo manipulados por Brax e Houston, Mick e Jim escalam até o telhado e tiram os caras lá.

— Os caras do telhado não perceberão que os caras no chão estão desaparecidos? — Pergunto.

— Sim. Mas nós estaremos lá em cima tão rápido que eles não terão tempo para pensar muito, — Responde Drex.

— Eles não vão disparar um alarme?

— Não terão tempo, — Diz Gemini.

Eu dou de ombros, só porque é difícil imaginar tudo isso.

Riley diz: — Não se preocupe. Isso é mamão com açúcar para nós. O que você precisa se preocupar é com seu papel.

— Certo.

— Tire seu casaco, Gabby. — Gemine escava através de uma mochila no seu colo. Eu finalmente percebo que todos estão vestindo preto.

Eu me esforço para remover o couro apertado. Por baixo, meu suéter ainda está úmido.

— Ugh, estou tão suada.

— Nervos? — ela pergunta.

— Sim.

— Tire.

Eu olho em volta e penso sobre isso. Ela quer que eu tire na frente de Riley.

— Você tem que deixar sua modéstia de lado agora mesmo. Temos que te secar para podermos te ligar. Este adesivo vai ficar depois de você suar, mas não antes. Eu não quero que caia quando você estiver lá.

— Certo.

Eu puxo meu suéter e o ar bate na minha pele. Isso é bom. Então ela me passa uma toalha. Riley olha para a frente.

— Isso é um pouco estranho.

Riley pigarreia.

— Se é algum consolo, é estranho para mim também. Mas não é tão ruim quanto quando a esposa do meu chefe se desnuda na minha frente.

Eu rio porque Drex não parece ser do tipo que aprecia Gemini estando seminua na frente de qualquer um. Gemini sorri também.

— Vocês dois não são nem um pouco engraçados. — A voz de Drex vinda do banco da frente tem um toque de humor, embora ele esteja tentando esconder isso.

— O ruim é que eu estou nervosa e fico suando.

Gemini me entrega um pouco de talco de bebê. Eu polvilho tudo.

— Seja cuidadosa. Nós não queremos parecer puffs de pó branco. Devemos estar camuflados pelo nosso negro.

— E nós também não queremos que eles cheirem mal a uma milha de distância, — diz Drex secamente.

— Huff, ligue o AC.

Isso finalmente faz o truque. Quando paro de suar, Gemini enfia pequenas almofadas presas a fios no meu peito. Então ela me entrega uma camiseta preta apertada de mangas compridas.

— Isso ajudará a manter os fios no lugar.

Eu puxo-a e, em seguida, escovo meu cabelo novamente.

— Você parece uma porcaria —Diz ela.

— Obrigada. Eu também sinto isso. Eu acho que poderia vomitar agora.

— Compreensível. Quando chegarmos mais perto, eu lhe darei seu colete.

— Um colete?

— Sim. Nós não estamos nos arriscando. — Ele declarou.

Drex se vira em seu assento para olhar para mim. — Gabby, nós queremos que você entenda uma coisa. Nós não estamos no negócio de matar pessoas e não pretendemos matar ninguém hoje à noite. Estamos claros sobre isso?

— Sim. Mas você tem que saber que eu gostaria de ver Langston Hart morto. Não haveria um pingo de pesar em mim se ele morresse esta noite.

— Entendido. Mas se ocorrer isso, não estará em nossas mãos. Estamos aqui para coletar provas e fazê-lo admitir e incriminar a si mesmo. Estamos confiantes de que podemos fazer isso. E uma coisa você precisa entender sobre nossas operações: nós não falhamos.

— Isso é exatamente o que eu espero.

Drex se vira e diz para todo mundo: — Então vamos fazer uma revisão. Brax, Houston, Mick e Jim deixamos vocês no ponto designado. Você corre nos ATVs. Uma vez que os guardas externos são retirados, você entra pelo acesso ao telhado. Lá você vai para a sala de segurança e cuida dos feeds da câmera. Os caras lá precisarão de um pouco de amarração também, imagino. Uma vez que você tenha a porta da frente liberada para entrar, você deixa o resto de nós saber.

Eu o interrompo. — O caminho para dentro da casa é pelo menos...

— Uma milha de comprimento. Nós sabemos, Gabby. Fizemos nossa lição de casa. — Gemini continua: — Você vai ficar no carro comigo e o restante da equipe estará no outro carro.

Drex acrescenta: — Vamos dirigir, usando nossa visão noturna, até chegarmos a um quarto de milha de distância. Então vamos pular. Nós entramos na janela da frente, tirando os caras na frente ao longo do caminho. Quando estivermos dentro, temos certeza absoluta de que o grandalhão estará em seu escritório. Pelo menos é isso que estamos esperando. Se ele não estiver, vamos colocá-lo lá e esperar por você. O resto dos capangas que desativamos será trancado naquelas pequenas gaiolas que você nos contou no porão.

Eu aceno, mas então um pensamento aparece na minha cabeça.

— E Sylvia?

— Infelizmente, a pobre vai ser vítima de algum tipo, — diz Drex.

— O que você quer dizer?

— Temos que mantê-la silenciosa e trancada. Ela não vai se machucar, mas ela vai ficar com medo. Nós vamos sedá-la e trancá-la em seu quarto. Quando terminarmos, ela vai acordar pensando que dormiu com tudo isso. Ela vai lembrar de pouca coisa, mas nada pode ser feito sobre isso. Ela não pode interferir. Talvez se tivermos sorte, ela nem estará lá.

— Isso seria legal, mas duvido. Ele controla todos os seus movimentos. Outra coisa. Há um cara nos estábulos chamado Grady.

— Porra! Por que você não nos contou? — Drex está chateado.

— Eu esqueci. Ele é próximo de Kolson. Se você topar com ele, diga a ele que você está aqui para ajudar Kolson. Diga a ele para ficar dentro e manter a boca fechada.

— Não sei.

— Apenas faça. Diga a ele que isso é uma retaliação por Storm. Diga a ele para ficar dentro de casa, — Insisto.

— Ok, mas eu não gosto disso. Eu não trabalho assim, Gabby. Todas as pontas soltas estão amarradas, e isso não está.

— Vai funcionar. E você não pode vê-lo. Se você ficar longe dos estábulos, você não vai.

Eu olho para Gemini.

— Onde você estará?

— Aqui, monitorando sua gravação. Tenho que ter certeza de que podemos ouvir você e Langston. Você vai usar um minúsculo fone de ouvido. Se eu não puder ouvir o que ele está dizendo, eu vou te dizer para você se aproximar.

— Quando estiver com Langston, onde todos vocês estarão? — Pergunto a Drex.

— Logo do lado de fora, certificando de que nada dê errado.

— Ele é louco. É provável que tudo dê errado.

— Você não tem fé, não é? — Pergunta ele.

Eu solto um suspiro, que sinto como se estivesse segurando por um mês.

— Não mais. Eu costumava, mas toda vez que tenho alguém tira tudo.

Drex se vira de novo em seu assento e me olha nos olhos.

— Bem, Gabby, iremos devolvê-la a você hoje à noite. Fé para o resto da sua vida.

Ele estende a mão e eu a agarro, quase posso sentir a fé fluindo dele para mim. Espero que sim, porque eu preciso de uma grande dose disso.


CAPÍTULO VINTE E OITO

Gabriella


Nós deixamos os quatro homens e vejo quando eles descarregam os dois ATVs. Eles montam, checam seus links de rádio com os outros membros da equipe, dão um sinal de positivo e acertam. Meu coração vibra em antecipação. Por favor, Deus, mantenha-os em segurança.

O resto de nós retorna aos carros e segue em frente. Quando estamos a cerca de um quilômetro e meio da entrada de Hart, paramos e saímos da estrada. Estamos em silêncio enquanto esperamos.

De vez em quando ouvimos o rádio estalar enquanto falam, mas é insignificante. Eles chegam aos pontos designados e deixam os veículos, continuando a pé até os primeiros guardas. Eles decidem ignorar completamente os estábulos. A menos que Grady esteja fora por algum motivo, ele não deve ter nenhuma ideia sobre o que está acontecendo, já que os estábulos estão longe da casa.

— Equipe Alpha estamos prontos para atacar. Parece bom da nossa posição.

— Roger. Essa é sua vez, Equipe Wheels.

Tudo o que podemos ouvir é movimento, depois o som de grunhidos e gemidos abafados.

— Equipe Alpha, dois guardas estão desativados.

— Entendido. Equipe Wheels, certifique-se de que eles estejam fora de operação até que possamos movê-los para as gaiolas.

— Sim, eles não vão a lugar nenhum por um tempo.

— Entendido.

— Drex, temos faróis na parte traseira. — A voz de Juan vem até nós pelo viva-voz.

— Vamos, Huff — Diz Drex.

Huff dirige, com Juan seguindo.

— Equipe Wheels, desista por um minuto. Estamos em movimento. Nós temos companhia de estrada.

— Entendido equipe Alpha.

— Juan, mantenha os olhos.

— Entendido, chefe.

Passamos a curva para a mansão de Hart e continuamos. Depois de um tempo, Juan diz: — Chefe, esse carro. Acho que se direciona para a entrada de Hart.

— Pode ser ele, — diz Gemini.

— Gabby, há outra entrada?

— Não que eu saiba. Mas há uma estrada que circunda a propriedade.

— Sim, nós sabemos disso. Mas isso não nos adianta de nada, porque só leva você de volta. Vamos nos sentar por um minuto e depois veremos.

Esperamos por dez minutos e, em seguida, estamos em movimento novamente. É doloroso sentar aqui e esperar.

Voltamos ao ponto de um quarto de milha.

— Equipe Wheels. As luzes que vimos se voltaram para cá. Você notou alguma atividade?

— Não. Mas precisamos nos mover antes que percebam a falta deles. Prosseguimos?

— Entendido. É sua vez.

Nós ouvimos o movimento de novo, os pés levemente atravessando o asfalto e a grama e, em seguida, os sons sussurrantes, talvez os pés arrastando-se pelas folhas secas ou palha. Então algo rangendo. Uma porta? Uma janela talvez? Então grunhidos e gemidos mais abafados. É óbvio que eles estão derrubando esses caras.

— Equipe Alpha, sala de segurança tomada. Todas as mãos desativadas e seguras.

— Entendido. Agora vá buscar a mamãe e seja gentil, Houston. Não, repito não a deixe gritar. Você sabe em qual quarto ela está e cuidado com o papai.

— Entendido, Wolfe.

Sentar e esperar de novo, talvez por cinco minutos. Nós dirigimos para o portão principal e ele se abre para nós. Os dois carros, sem luzes, entram. Huff coloca seus óculos de visão noturna, eles são muito maiores em pessoa do que nos filmes. Drex coloca os seus também.

Pergunto a Riley: — Por que você não está colocando nenhum?

— Eu estou acompanhando você, então não preciso de nenhum.

Gemini me entrega um colete Kevlar e Riley me ajuda a colocá-lo. Ele ajusta as correias para o aperto adequado. É desconfortável.

— Desculpe, mas tem que ficar apertado.

— Nossos peitos nos fodem nessas coisas, Gabby, — Diz Gemini. — Eles são pesados e nossos peitos ficam no caminho. Os homens têm mais facilidade.

Eu quero rir, mas estou nervosa demais. O riso sai mais como uma gagueira.

— Sim, é desconfortável.

— Coloque esta jaqueta, — diz ela.

Ela me entrega uma parka volumosa.

— Será que o fio funciona sob tudo isso?

— Oh sim. A coisa que pega a gravação está bem aqui no seu pescoço. Não vai estar debaixo do colete. — E ela aponta para o pequeno fio fora da área do colete.

— Equipe Alpha, está tudo bem. Mamãe está dormindo. Nem uma criatura está se mexendo, nem mesmo um rato. A porta da frente é sua para a tomada.

— Bom trabalho, Equipe Wheels. Quando entrarmos, vocês vão trabalhar no andar de baixo. Olhos abertos para qualquer coisa que possa ser um cofre de dados.

— Entendido, Wolfe.

Estou confusa. — O que isso significa?

Drex responde: — Não se preocupe com isso.

Estamos a cerca de 400 metros da casa agora. Drex se vira para nós e diz: — Riley, você tem suas ordens. Gem, você tem as suas. Gabby, assim que estiver limpo, vá para o escritório e ele é todo seu. Uma vez lá, demore o quanto quiser. Riley aqui estará com você o tempo todo. Uma coisa - o filho da puta é desequilibrado. Não o subestime. Entendido? Nós todos estaremos dentro. Você precisa de nós, você liga.

— Entendi. Você acha que ele sabe que seus homens estão dentro?

Drex ri. — Duvido. Meus caras são todos ex-militares. Eles poderiam roubar um banco se quisessem, durante a luz do dia, e os funcionários do banco não notariam.

Meus nervos estão disparados e minha risada reflete isso.

— Nós temos isso, Gabby. E Gem. Fique aí. Sua bunda não é para deixar este veículo.

— Sim, capitão — Ela lhe dá uma pequena saudação.

Ele parece que poderia devorá-la. Este é um casal sério. Eu pensei que Kolson e eu éramos maus.

Drex, Huff e Juan saem e correm em direção à casa, desaparecendo na escuridão.

Gemini pergunta: — Equipe Alpha, você já vê alguma coisa?

— Negativo.

— Entendido, — Responde Gemini.

Então é um jogo de espera. Nós ouvimos grunhidos, mais grunhidos abafados e silêncio. Então a voz de Drex diz: — Nós temos o controle. Equipe Alpha entrando.

Esperamos de novo até ouvirmos Drex dizer: — Ok, Gabby, nos dê uns dez minutos. Nós estamos movendo corpos para o porão e então ele é todo seu.

Gemini diz: — Entendido.

— Como pode Langston não ouvi-los?

Gemini ri. — Todos os homens de Drex são ex-forças especiais. Eles foram treinados para fazer esse tipo de coisa.

— O que eles são? Ninjas silenciosos?

— Sim. Algo parecido.

Estou tão tensa que todo músculo quer quebrar. Eu nunca poderia fazer isso para viver.

— Como você faz isso? — Pergunto.

— Depois de um tempo, você se torna mais acostumado a isso.

— Eu não ficaria. Sou um desastre.

— Isso é por causa do que você está se preparando para fazer.

— Talvez. Mas eu não sou de aço, então... — Esfrego e giro meu pescoço. Os músculos gritam.

— Depois que isso acabar, você precisa reservar uma viagem de spa7.

Descanso meu cotovelo nos joelhos e jogo minha testa na palma da mão. — Você sabe, eu realmente só quero sair para jantar com Kolson. Ter uma boa refeição. E não me preocupar com o pai matando qualquer um de nós.

O rádio começa a funcionar com a voz de Drex. — A unidade está garantida. Repetindo: tudo é seguro. Hora do show, Gabby.

Riley olha para mim e pergunta: — Você está pronta?

— Acho que sim.

Nós dirigimos até à porta da frente. Eu me volto para Gemini antes de sair. — Tem certeza que você pode ouvir?

Ela me entrega um minúsculo fone de ouvido. — Coloque isso no seu ouvido.

Quando coloco, ela fala em um microfone. — Teste.

— Deixa comigo.

— Não é para ser alto de jeito nenhum. Se eu precisar que você faça alguma coisa, pense que somos bons.

Eu aceno e saio. Entramos e eu vou direto para o escritório de Langston. Não me importo em bater, simplesmente abro a porta e entro. Riley fica do lado de fora da porta, onde Langston não pode vê-lo.

Quando entro, Langston está sentado em sua mesa, lendo. Ele olha para cima. Seu rosto não mostra nenhuma surpresa quando me vê.

— Bem, Gabby, gentil de sua parte aparecer hoje à noite.

— Corte as besteiras, Langston.

— Bem, então, a que devo essa honra?

— Confie em mim, não é uma honra. E você sabe muito bem por que estou aqui. O que mais você planejou? Matar Storm não foi suficiente? Você teve que matar Cara também. O que há com sua obsessão doentia em destruir pessoas inocentes? Como você fez com Kolson. Ou devo dizer Jason Ackerman?

— Estou vendo que ele te contou. E Cara. A prostituta. Você está chateada porque sua amiga está morta.

— Estou chateada porque você matou minha amiga. Qual será o próximo? Outro amigo? Meus colegas? As pessoas da clínica? O quê, Langston? Quando isso acaba?

— Eu vou-te dizer quando termina. Quando você me entregar o paradeiro de Kolson.

— Você é ridículo. Acha que eu entregaria qualquer coisa, a um homem que eu soubesse que roubou um menino de sete anos de sua mãe? Comprou-o como recompensa por uma dívida de cassino.

Ele não pode acreditar que eu sei disso. Seus olhos me dizem isso quando se alargam. Seus lábios pressionam juntos em um único golpe. Seus dedos embranquecem quando ele agarra a beirada da mesa.

— Termina aqui hoje à noite, Langston. Estou notificando as autoridades de seus pequenos segredos sujos. Do que você fez para aqueles garotos. Como você fodeu Kestrel e Kade também. E não vou parar com isso. Você vê, eu não tenho medo de você. Você acha que as pessoas se acovardam ao seu redor. Eu não. Quando terminar aqui esta noite, o FBI estará à sua porta. Você pode ter pago a polícia local. Mas o FBI está tentando pegar você há anos. Eles suspeitam de você de extorsão, e uma série de outras coisas. Você sabe disso, e muitas outras pessoas também.

— Oh, Gabby. Você não quer ir por aí, menina. Ou você não vai sair desta casa viva.

— Por quê, Langston? Por que eu não saio viva? Você vai me matar, como fez com Cara? Hã?

— Menina, você não tem o poder de fazer nada para mim.

— Não? Talvez não. Mas eu sei o que você fez com aqueles garotos, sua porra doente.

— E daí? Então, e se eu os comprei?

— Você os comprou depois que permitiu que as mulheres acumulassem dívidas e depois disse que não tinham alternativa. Você extorquiu os filhos delas. E então você abusou deles.

— Eu nunca bati naqueles garotos.

— Kolson foi mantido em um quarto escuro por meses para que parasse de se chamar de Jason. Você basicamente o torturou. É uma forma de tortura psicológica! Você é um homem malvado.

— E daí? Olhe para o homem que ele se tornou. Eu o ajudei fazendo isso.

— Ele se tornou bem sucedido só porque prometeu a si mesmo que faria isso apesar do que você fez com ele. Mas por que você teve que matar Cara?

Suas mãos batem na mesa e ele grita: — Se você tivesse me dito onde está meu filho, ela estaria viva. A culpa é sua, Gabby. É tudo culpa sua ela estar morta. — Ele abre uma gaveta e pega uma arma. — E isso é algo que eu deveria ter feito há muito tempo. Você causou muita interferência no que respeita ao meu filho.

— Oh, então você vai atirar em mim também? — Eu esperava que ele puxasse uma arma.

Riley se move para a porta, arma disparada.

— Largue a arma agora.

— Quem diabos é ele? — Langston pergunta.

Então, como se costuma dizer, até mesmo os melhores planos dão errado.

De repente, ouço vozes gritando, passos batendo, e Riley é empurrado por trás. E lá está Kolson na porta.

 

 

 

 

 

 

 


CAPÍTULO VINTE E NOVE

Kolson


— Você tem tudo o que você quer agora. Estou aqui. Você pode deixá-la ir.

Langston olha para mim e ri.

— Bem. Se não é o filho pródigo. Eu queria saber quando você apareceria.

— Kolson. O que você está fazendo aqui? — Pergunta Gabriella.

— Eu vim para dar a ele o que ele quer. Eu. Agora saia daqui, Kea.

— Não, eu não penso assim, filho. Não é assim que isso vai funcionar. Você está certo, no entanto. Sempre foi sobre você. Eu realmente não dou a mínima para a sua maldita companheira.

— Bem, agora você me tem. Você pode deixá-la ir. — Eu sacudo minha cabeça em direção a Gabriella.

— Você está brincando comigo? Por que diabos eu faria isso? Eu tenho vocês dois onde eu quero.

Gabby pergunta: — Mas por que você teve que matar Cara? Ela nunca machucou ninguém.

Langston ri. — Para chamar vocês dois para fora. Veja como isso funcionou lindamente.

— Não funcionou tão bem quanto você gostaria de pensar — Um cara alto e de cabelos escuros diz enquanto me empurra para o lado.

— Quem diabos é você? — Langston grita.

Isso é o que eu quero saber.

— Alguém que vai arruinar sua noite. Não, isso não é bem verdade. Eu vou estragar o resto da sua vida. — Sua arma está apontada para Langston. Então, em seu rádio, ele diz: — Gem, você tem o suficiente?

Essa pessoa Gem responde: — Recebido.

O grandalhão comanda o cara que eu empurrei para baixo, Riley, para me levantar.

Langston diz: — Se ele se mover, atiro na menina aqui.

— Não, você não vai. Meu homem do lado de fora tem uma mira a laser apontada para sua cabeça e qualquer tipo de movimento de sua parte resultará em sua massa cinzenta sendo espalhada por sua mesa. A escolha é sua, amigo.

O cara chamado Riley se levanta, se move para Gabriella e alcança dentro de seu casaco. Ele puxa um fio. Eu vou ser amaldiçoado. Ela veio aqui para provas.

— Abaixe a arma. Não há mais chances.

O rádio do grandalhão crepita e a voz da mulher volta a soar. — Equipe Alpha, seus caras estão descarregando o jackpot.

De que diabos ela está falando?

Langston abaixa a arma. O cara de cabelos escuros diz para Riley: — Desça e ajude-os a descarregar.

Riley sai.

Agora somos os quatro de nós.

Então eu digo para Langston: — Então acho que você estava feliz por eu ter contatado você sobre Danny.

Ele ri. — Oh aquilo. E depois de tudo, aquele tolo idiota se atira do topo do prédio depois de tudo. Meus caras me ligaram rindo disso.

— Então nunca houve uma dívida?

— De jeito nenhum. Mas você não sabia disso. Funcionou perfeito para mim. Você viria rastejando de volta para pagar. Mas então você desapareceu e passou tudo para ela. Você arruinou tudo. Não era para ser assim.

O cara de cabelos escuros interrompe e diz: — Desculpe desapontar.

Quem diabos é ele?

Então o dragão começa a divagar.

— Você está cometendo um grande erro. Minhas conexões vão te ver morto dentro de um dia depois disso.

— Acho que não. Com o que temos sobre você e suas conexões, você não verá a luz do dia pelo resto de sua vida.

— Do que você está falando? — Eu pergunto.

Então Gabriella ri. Muito.

Sem tirar os olhos do meu pai, ele me diz: — A propósito, sou Wolfe.

Wolfe. Como se isso significasse algo para mim.

Então ele diz ao meu pai: — Gabby nos contou sobre como você manteve os meninos lá embaixo. Você é um pedaço de lixo, sabe disso? Ela também mencionou que você nunca permitiu que sua esposa fosse lá embaixo.

Eu imediatamente me sinto traído por Gabriella. A umidade surge na minha testa, gotas escorrendo pelas minhas têmporas.

— Por que seria isso, Langston? Por que você quer impedir que todos desçam até lá? Especialmente depois de todos esses anos? A menos, claro, que você esteja escondendo alguma coisa. Então fomos dar uma olhada. E aí, adivinha o que encontramos?

O rosto do meu pai não é branco, é cinza. Seus olhos parece que estão olhando para Abraham-Fodido-Lincoln, e sua boca... Bem, porra, se ela se abrisse ainda mais, poderíamos usá-la como uma pá de lixo.

Por que eu nunca pensei nisso? O porão? Sua porra de armazenamento? Bem, claro que sei a resposta para isso. Nunca me atrevi a ir àquele lugar... O lugar que evocou minhas memórias do inferno. E ele sabia disso. Ele sabia que nenhum de nós garotos iria para lá. Ele sabia que a equipe não iria. E ele sabia que minha mãe, sua porra de marionete, nunca se atreveria a se aventurar em qualquer lugar que ele dissesse para não se arriscar. Ele poderia ter guardado vinte cadáveres lá embaixo e nós nunca saberíamos.

— Jackpot — Repito.

Então algo deve disparar em seu cérebro, porque ele me olha com tanto ódio e diz: — Você era inquebrável. Eu pensei que tinha conseguido, mas nunca o fiz, ou fiz? Eu deveria ter te matado quando tive a chance. Quando te prendi naquela cela lá embaixo, seu lixo miserável.

Então tudo acontece tão rápido, mas se desenrola em câmera lenta, exatamente como repetição instantânea em um jogo de futebol. Sua arma está em cima de sua mesa, longe de suas mãos, e ele está gritando e gesticulando sobre o quão duro eu estava, que ninguém, nem mesmo Wolfe, percebe que ele pegou outra arma. Ele deve tê-la escondido debaixo de sua mesa. Certamente, ele tem armas por toda a parte aqui.

Ele pega, e a sala se transforma em caos, todo mundo gritando de uma vez, mas ele aponta a arma para Gabby e um tiro é disparado. Eu grito, pensando que Gabby foi atingida, mas depois fico confuso quando vejo sua cabeça estalar para trás. Seu corpo cai para frente e bate na mesa. Wolfe estava errado. Sua massa cinzenta não está espalhada em sua mesa. É pulverizado na parede atrás dele em uma exibição horrível.

Gabby grita. Eu a agarro e tento protegê-la do desastre que se desenrola diante de nós.

Não consigo descobrir o que diabos aconteceu até ver minha mãe de pé um pouco atrás de nós, ainda apontando uma arma, olhando para Langston.

Wolfe calmamente se aproxima dela e diz: — Sra. Hart deixe-me ter a arma.

Sem sequer uma palavra, ela a entrega para Wolfe, vira para mim e diz: — Eu deveria ter feito isso anos atrás.

— Tire Gabby daqui! — Diz Wolfe.

Eu puxo Gabby para fora do escritório até chegarmos à sala e caio em um dos sofás, levando-a comigo.

Uma mulher de cabelos escuros voa e então pouco tempo depois retorna.

— Todo mundo está bem aqui?

— Sim. Não, eu não tenho certeza. Meus pensamentos estão todos confusos enquanto tento envolver minha cabeça em torno do fato de que minha mãe acabou de matar meu pai.

— Você não está ferido? — Pergunta a mulher.

— Não. Pelo menos... Gabriella?

— Estou bem, — Ela responde, tremendo.

Gabriella ainda está no meu colo e percebo o quão perto ela chegou da morte.

— Jesus. Jesus Cristo — Minhas mãos correm sobre ela, deixando-a afundar, ela está bem.

A mulher de cabelos escuros está diante de mim e estende a mão.

— Eu sou Gemini Wolfe, a esposa de Drex. Você deve ser Kolson Hart.

— Sou.

Então ela vai para a mesa lateral e nos serve um conhaque.

— Aqui, isso pode ajudar com os nervos.

Eu aceito os copos e entrego um para Gabriella.

— Você escolheu um momento interessante para fazer uma aparição. — Seus olhos brilham um pouco. Então ela ri. — Por um minuto, pensei que Drex iria estrangular você.

Drex. Drexel Wolfe. Agora a ficha caiu. Ela deve ver o reconhecimento amanhecer em mim.

— Oh! Você não sabia quem todos nós éramos, sabia?

— Caralho não, eu não sabia! — Eu explodo. — Esta aqui, — aponto para Gabby, — desaparece e me deixa uma nota enigmática. Então, eu tenho uma ideia de que ela está em outro de seus esquemas irracionais, como quando ela foi atrás de seu primo Danny. Eu sei o que aconteceu da última vez que ela fugiu, então eu vim aqui, pensando que ela estava enfrentando a porra do dragão sozinha. E vocês enxameiam o lugar. — Minhas mãos passam por entre meu cabelo e eu gemo. — Jesus, porra, Gabriella, quando você vai parar de me dar malditos ataques cardíacos?

— Se ela é parecida com a mulher com quem eu sou casado, provavelmente nunca, — Diz uma voz profunda. — Drex Wolfe, em carne e osso. Eu gostaria de dizer que é bom conhecê-lo pessoalmente, já que só falamos ao telefone quando você me contratou para encontrar Danny Martinelli, mas...

Nós apertamos as mãos.

— Eu gostaria de dizer que é um prazer conhecê-lo também, mas agora eu não posso decidir se quero estrangular essa mulher aqui ou beijá-la.

— Nós vamos dar-lhe alguns momentos sozinhos. E apenas um conselho. Eu iria pelo beijo. E depois gostaria de conversar com vocês dois.

— Minha mãe? — Eu pergunto.

— Ela está no outro quarto. Nós a tranqüilizamos mais cedo e nunca esperamos que ela acordasse tão rápido. Ela deveria estar trancada em seu quarto.

— A fechadura da porta dela está quebrada há anos. Meu pai quebrou. Eu acho que ele queria acesso a ela para que não pudesse se esconder dele. Você acha que ela vai ficar bem?

— No momento, ela parece muito satisfeita consigo mesma, mas tenho certeza de que haverá um choque. Nunca é fácil matar alguém, não importa o quão terrível eles sejam, — Diz Drex. — Ela vai ser interrogada, mas houve três testemunhas presentes que vão dizer que ela fez isso para impedi-lo de matar Gabby aqui.

— Verdade.

Eles nos deixam em paz. O rosto de Gabby carrega um olhar culpado. Eu já vi isso antes, quando ela estava nos túneis depois que a encontramos com Danny.

— Você está bem?

— Sim. Foi intenso lá. Meu coração está aqui em cima. — Sua mão envolve seu pescoço. — Mas... — Sua voz se interrompe.

— Eu não estou nem um pouco triste por ele estar morto. De fato, lamento não ter sido o responsável por atirar nele. — E essa é a porra da verdade.

— Oh, nem eu estou. Apenas chocada e enojada pela maneira como se desenrolou. Espero que sua mãe esteja bem.

Eu aperto meus braços em volta dela e a beijo.

— Que diabos, Gabriella? Eu pensei que você tinha me prometido que nunca faria algo assim novamente.

— Eu não estava em perigo, — Ela insiste.

— Como! Quando alguém tem uma arma apontada para você, isso constitui perigo no meu livro!

Ela se afasta, abre a jaqueta e me mostra seu colete de Kevlar.

— Foda-se isso. E se ele tivesse atirado na sua cabeça? Olha onde minha mãe atirou em Langston! — Sua boca se abre e fecha várias vezes. — Você consegue ver a porra do meu ponto de vista agora?

— Eu tinha que fazer isto. Depois de Cara, o que ele faria em seguida? Ele achava que era invencível. Ele não teria parado até ter você. Teríamos vivido em reclusão para sempre, escondendo e correndo? Vamos, Kolson. Você sabe que estou certa. Drex tinha um plano de som.

Eu aperto meu lábio inferior entre o polegar e o dedo indicador. Eu vou dar isso a ela. Seu plano era muito melhor que o meu. Eu não tinha nenhum. Eu estava correndo em vazio, meio armado.

— Eu gostaria de tê-lo contratado antes. Mas por que você não me contou?

— A sério? Você teria me parado. Você sabe que teria.

— Sim. Eu teria.

— Então, supere-se e admita que eu estava certa. E vamos seguir em frente com nossas vidas. Está feito, Kolson. Você está realmente livre agora. Não só isso, assim como Sylvia, Kestrel e Kade.

— Sim, eu acho que todos nós estamos.


# # #


Drex e sua esposa se sentam em frente a Gabby e a mim.

— A polícia e o FBI estão a caminho. Você ouviu o que eu disse lá. Para Langston. Não fazia sentido. O porão, isto é. Então fomos trabalhar lá embaixo. E encontramos muito mais do que poderíamos esperar. Ele tem algum tipo de cofre de dados lá... Arquivos que datam de meados dos anos setenta. O suficiente para incriminar todos os envolvidos no braço da Máfia da Costa Leste. E eu quero dizer todo mundo. Uma coisa sobre Langston Hart. Ele era um escrupuloso goleiro. Quando o papel virou para arquivos de computador, ele converteu tudo. Ele manteve fotocópias das coisas também. Por que ele não os destruiu não sabemos, a menos que ele quisesse ter certeza de que tinha provas suficientes sobre todos para queimá-los, caso eles decidissem se virar contra ele. Nós não precisaremos de nenhum áudio que capturamos no fio que Gabby usou. Esses arquivos têm muito mais do que poderíamos esperar. E pegue isso. Ele estava executando uma operação escrava sexual. Toda a informação está lá embaixo. Ele localizava suas vítimas nos cassinos e as seguia. Ele também tinha um anel de drogas e prostituição que operava e lavava dinheiro através do cassino. Foi por isso que ele abriu o Vegas e queria a HTS porque Atlantic City caiu em tempos difíceis e foi ficando cada vez mais difícil passar o dinheiro por lá.

— Oh meu Deus! — Gabby grita.

— O quê? — Eu pergunto. Drex e Gemini olham para ela e esperam.

— Uma das vezes que Langston veio ao escritório e me ameaçou, ele disse que eu precisava assistir, porque eu poderia me encontrar em um país estrangeiro fazendo coisas que eu nunca esperava. Ele me colocaria nesse anel de escravidão sexual — Explica Gabby.

— Jesus — É tudo o que posso dizer. — Eu nunca percebi o quanto ele iria. Se eu soubesse, nunca te deixaria lá fora assim. Estou doente com o pensamento do que poderia ter acontecido.

— Estou tão feliz que o monstro está morto.

— Sim, o mundo está livre de um cretino doente, — Acrescenta Drex.

— Mas pelo que podemos reunir, por qualquer motivo, Langston manteve você e seus irmãos limpos dessa bagunça. Sylvia também não sabia de nada. Quando colocamos arquivos no computador, nada em nenhum de vocês aparece.

— Você tem certeza disso? Eu não estou preocupado com Kade. Ele está envolvido em drogas há tanto tempo que não poderia funcionar no negócio, mas Kestrel é outra história.

— Você quer ligar para ele? Enquanto estamos aqui?

— Sim. Ele precisa estar aqui para isso.

Wolfe acena com a cabeça.

— Outra coisa. Aqueles quartos fodidos onde ele manteve vocês quando garotos, ainda estão lá embaixo. Quando os federais chegarem aqui, eles investigarão. Você quer que removamos o que está lá? Existem apenas algumas coisas.

Gabriella aperta minha mão. Se os federais virem alguma coisa desse tipo, abrirá uma lata de vermes que não precisa ser aberta. Eu me volto para ela em busca de orientação.

— Kolson, ele agora não pode ser punido pelo que fez com você. Ele se foi. Não adianta desenterrar todas essas lembranças feias. Deixe-os ir atrás da multidão pelos crimes que cometeram.

Eu digo para Wolfe: — Mova tudo deles. Faça com que pareçam que ele as usou para atividades da máfia.

— Nós podemos fazer isso. Eu suponho que este lugar tem um sótão? Existem apenas alguns pequenos itens, coisas de crianças de qualquer maneira. Levará apenas alguns minutos. Mas precisamos fazer isso agora.

— Sim. Eu vou te mostrar.

Depois que mostro a ele onde arrumá-lo, Gabriella chama Kestrel e diz a ele para vir até aqui. A polícia chega, seguida pelo FBI. A casa está cheia de todos os tipos de pessoas andando. Quando Kestrel entra pela porta, primeiro ele fica chocado de me ver, mas depois de explicar brevemente, ele quer ver mamãe e depois o corpo do dragão. Eu hesito, mas Gabriella diz que eu deveria deixá-lo. Eu tinha em mente que ele iria desmoronar. Mas ele dá uma olhada, acena com a cabeça e diz: — Muito mais gentil do que ele jamais mereceu.

Sylvia senta em uma pequena sala onde ela está sendo interrogada por um dos detetives. Kestrel vai se sentar com ela. Quando ela termina, os dois se juntam a nós na sala de estar e discutimos o que vai acontecer. Kestrel não sabe de nada. Papai não iria envolvê-lo em nenhuma das ‘Reuniões’. — Elas foram realizadas na terceira quinta-feira de cada mês em um local secreto. Kestrel nunca soube onde. Papai nunca disse a ele. E mamãe não sabe nada. Ela está muito quieta enquanto se senta conosco e eu me pergunto o que está passando por sua cabeça.

As mãos de Kestrel tremem.

— É difícil explicar. Eu o odiava você sabe. Kolson, eu sei que você nunca entendeu como eu poderia ficar perto dele e não sei se posso explicar. Mas eu nunca poderia deixá-lo. Ele tinha esse poder sobre mim.

Mamãe finalmente fala.

— Ele ameaçou a todos. Ninguém estava a salvo ao seu redor. Eu deveria ter levado vocês garotos para longe anos atrás, mas ele me disse que se eu tentasse, ele teria me trancado em um hospital psiquiátrico. Ele era cruel e implacável. Eu deveria tê-lo matado há muito tempo. Sinto muito por ter falhado com vocês, garotos.

Gabriella lhe dá um tapinha nas costas.

— Sylvia, você estava com medo de fazer qualquer coisa. Você era tão vítima quanto os garotos. Está tudo no passado e a melhor coisa a fazer agora é seguir em frente.

Eu entrego a Sylvia e Kestrel um copo de conhaque.

— Aqui. Isso pode ajudar um pouco.

— Sabe, me sinto mais à vontade sem ele do que sentia há muito mais tempo do que posso lembrar-me. Quando cheguei a casa da minha viagem a França, ele me disse que tínhamos um filho. Era você, Kolson. Ele não me disse de onde você veio, além de termos adotado você. Quando fui fazer perguntas, ele me bateu. Ele me disse para nunca mais perguntar sobre isso. Ele quase me estrangulou uma vez. Eu deveria ter ido às autoridades, mas depois, ele as pagava, então teria sido inútil.

— Eu sei, mamãe. Está tudo acabado agora.

Gabby se senta ao lado dela e tem o braço em volta dela. Estamos todos em silêncio por um tempo.

— Kol, o que você acha que vai acontecer com a empresa? — Pergunta Kestrel.

— Eu não sei. Tenho certeza de que os agentes federais vão investigar separadamente e ver quais atividades ilegais estão acontecendo. Você conhece alguma?

— Não, mas ele não me deixaria chegar perto de algo assim. Ele não confiava em mim. Eu sei que você provavelmente acha isso difícil de acreditar, mas ele me usou como sua frente. Acho que ele sentiu como se eu desse a ele aquele ar de honestidade. Minhas mãos estão limpas. Eu juro. Eu só fiz acima das coisas do conselho com o negócio e eu vou cooperar com eles no que quiserem.

Quando digo a Kestrel o que Drex encontrou no porão sobre o tráfico sexual humano, e o anel de drogas e prostituição, ele empalidece.

— Eu nunca soube, Kolson. Bem debaixo do meu nariz esse tempo todo. E ele me usou.

— Então, quando eles te intimarem, é o que você vai dizer a eles. Isso é o que eu vou dizer a eles também. Eu estava preocupado que se fizéssemos alguma coisa para Langston, ele faria você pagar, enquadrando você de alguma forma.

Kestrel esfrega os braços. — Tenho certeza que ele poderia ter encontrado uma maneira de fazer isso. E quanto ao dinheiro todo? — Pergunta ele.

— O dinheiro da empresa?

— Sim.

— Se está limpo, eles não podem tocá-lo. Mas se estiver sujo, é deles. Olha Kestrel, se você está preocupado com isso, você sempre tem um lugar na HTS. Meu palpite é que todos os ativos ficarão congelados por um longo tempo até que possam descobrir tudo.

Seu joelho bombeia para cima e para baixo. Gabriella olha para mim. Eu aceno e saio do quarto. Eu acho que pode ser melhor se ela conversar com ele, os dois sozinhos. Eu saio na varanda da frente. Quando olho para o vasto céu escuro, percebo que o monstro viverá dentro da minha cabeça nos próximos anos. O dano que ele infligiu não pode ser apagado com o fim de sua vida. Penso no que ele fez com a minha mãe e como a tratou também. O ressentimento ameaça me consumir, mas eu o afasto. Não vou permitir que isso aconteça. Não mais. Ele não vai me controlar na morte como fez em vida. Deste ponto, neste segundo, começo de novo.

Respirando fundo, deixo o ar gelado arder meus pulmões de volta à vida. Então eu lembro que é quase Natal com um ano novo ao virar da esquina. Depois de mais uma respiração, eu giro e marcho de volta para dentro.

Quando entro na sala, Kestrel, Gabriella e mamãe sentam-se juntos, as mãos entrelaçadas.

Eu me agacho na frente deles e coloco minhas mãos em cima das deles. — Eu sei que eles não nos deixarão sair da área, mas todo mundo, é quase Natal. Eu quero que vocês voltem para casa conosco. Para Manhattan. Passem as férias conosco. Fiquem até o ano novo ou pelo tempo que quiserem. Nós temos muito espaço. Eu quero que façamos um novo começo. E quando você estiver pronto para voltar para cá ou para qualquer lugar, ajudaremos você. Se todos vocês quiserem se mudar para a cidade, podemos encontrar um lugar em nosso prédio. Eu quero que vocês façam um novo começo. O que me dizem?

Drex entra e diz: — Temos todos os arquivos prontos para serem levados para lá. E parece que essas celas podem ter sido usadas para atividades da máfia. Você quer dar uma olhada?

— Não estou interessado, — eu digo. Olho para Kestrel e ele recusa.

Gabby diz: — Eu quero.

Antes de segui-lo, ele diz: — Todos os guardas que seu pai empregou foram libertados. Nós lhes dissemos o que aconteceu. Depois que os questionamos, percebemos que eles não sabiam nada sobre as atividades da máfia. Eles só foram contratados como seguranças. Serão questionados pela polícia e pelo FBI, mas, como eles não sabem de nada, tenho certeza de que serão libertados.

— Como explicamos sua presença aqui?

— Isso é fácil. Eu já expliquei que Gabby me contratou para encontrar você e viemos aqui para ver se seu pai sabia alguma coisa. Nós também sabíamos que ele estava envolvido na morte de Cara, mas precisava tirá-lo. Diga a verdade. Você suspeitou que ele estivesse envolvido em atividades de Máfia. Os rumores estão girando há anos. Foi por isso que você deixou a empresa dele, não foi?

— Sim.

— Você só precisa ser honesto. Diga-lhes que ele estava te ameaçando e você sentiu que precisava desaparecer para manter Gabby e você a salvo. Não se preocupe comigo. O FBI me conhece. Eu trabalho muito com eles. Eles não ficarão surpresos em me ver aqui. Eles já sabem que Sylvia atirou em Langston para salvar Gabby. Apenas diga a verdade, Kolson.

— Ok. — Mas ainda me enerva.

Então Drex e Gabby vão para o porão. Ela volta um pouco pálida.

— Não. Só não diga nada, por favor. — Eu não quero a pena dela. É hora de seguir em frente.


# # #


É uma noite longa lidando com a polícia e o FBI. Eles pegam o corpo e pela minha vida, eu não consigo entender porque eles têm que fazer uma autópsia, mas eles vão. Qualquer idiota pode ver que Langston Hart foi morto por um tiro na cabeça. O atirador confessou e três testemunhas afirmam que a viram fazê-lo.

Eles o colocaram em um saco preto e o levaram para o necrotério. Então somos todos interrogados. De novo e de novo.

O FBI tem algumas perguntas sobre por que Drex esteve aqui e porque eu desapareci em primeiro lugar e eu mantenho a história que Drex criou. Nós dois dizemos que Langston estava me ameaçando porque ele queria a HTS e que eu tenho mantido o controle de Gabby e quando ela decidiu ir ao meu pai, eu fiquei preocupado e a segui. Dado o fato de que Langston admitiu ter assassinado Cara Lee, era óbvio que eu tinha muito que me preocupar. Era tudo verdade, de uma maneira indireta.

Mas eles acreditam em nós, especialmente quando colocam as mãos em todos os arquivos que meu pai guardou em seu precioso porão. É inacreditável quando penso nisso. Todo esse tempo, estava bem debaixo do meu nariz. E ele sabia que eu nunca descobriria isso. Tudo por causa do meu medo daquele lugar infernal.

O FBI e a polícia local interrogam minha mãe, mas todos confirmaram sua história. Um psicólogo é chamado e é determinado que ela sofre de transtorno de estresse pós-traumático e também tem os sintomas clássicos de um cônjuge abusador. As acusações contra ela não serão apresentadas.

O FBI se move rapidamente para prender os outros membros da Máfia, antes que eles percebam o que aconteceu naquela noite. A evidência é tão forte que a fiança é negada para todos eles. Trinta e dois homens são presos em conexão com a informação que foi encontrada no porão do meu pai. Alguns membros já estavam mortos, mas o resto deles está olhando para longas sentenças de prisão, graças à evidência de vários assassinatos nesses arquivos. Ainda bem que Langston era tão meticuloso sobre sua manutenção de registros. O FBI é especialmente grato.

 

 

 

CAPÍTULO TRINTA

Kolson


Minha mãe se recusa a deixar a mansão, então Kestrel está ficando com ela. Gabriella está preocupada com eles. Gabriella diz que Sylvia precisa de aconselhamento de luto. Meu pai era tão controlador que mamãe nunca aprendeu a funcionar sem ele. E Kestrel é igualmente ruim.

— Eles precisam sair de lá, — Diz Gabriella.

— Você pode falar com eles? Eu não tenho influência porque ambos sabem o quanto eu o odiava.

— Seu pai deixou um rastro de lixo em seu caminho.

— Mesmo na morte, ele ainda fode com a gente.

Voltar à HTS foi quase monumental. Jack tinha relatórios brilhantes sobre Gabby. Todo mundo olha para ela como uma santa. Até mesmo os clientes com quem ela lidava estavam felizes, provavelmente porque ela não estava tão comprometida em contratos quanto eu. Ela não fez nada disso. Jack trabalhou duro fazendo todo o trabalho sujo. Ela apenas ficou sentada lá e sorriu, provavelmente enrolou o cliente em torno de seu mindinho e conseguiu o acordo.

— Sr. Hart, quero que você saiba o quanto Gabby trabalhou duro, — Diz Jack.

Estamos sentados no meu escritório.

— Primeiro, acho que é hora de você começar a me chamar de Kolson. Segundo, Gabby me disse que se não fosse por você, a HTS teria desistido. Então, eu gostaria de dar outro aumento bem merecido. Eu sei que Gabriella lhe deu um enquanto ela estava sentada nessa cadeira, mas você realmente é uma grande parte da razão pela qual esta empresa vai superar um bilhão de dólares este ano.

Eu choco o pobre homem.

— Eu não sei o que dizer.

— Você não precisa dizer nada. Apenas assine isso e aceite.

Ele rabisca seu nome na linha ao lado do X.

— Agora, a próxima coisa que quero que você faça é tirar o próximo mês. Você tem uma esposa e filhos. O Natal está chegando. Você tem trabalhado em dobro nos últimos três meses e é hora, Jack, de tirar tempo pra você. Vá e divirta-se.

— Mas, o contrato de Wilcox...

— Sim. Vou pedir a Peterson que o preencha. Saia daqui. Vá para casa e faça Biscoitos.

— Biscoitos? — Pergunta ele.

— Você sabe. Aquelas coisas que as pessoas comem na época do Natal?

— Você está bem, Sr. Har... Kolson?

— Eu estou ótimo, Jack. Perfeito. Mais que perfeito. Agora pegue. Antes de ligar para sua esposa e dizer a ela para vir buscar você. Ou preciso ligar para Sam para te levar para casa?

Ele ri.

— Minha esposa vai pensar que eu fui demitido.

— Você quer que eu ligue para ela?

— Uh, só se eu te ligar para uma confirmação nas minhas férias de um mês.

— Oh, e Jack?

Ele se vira quando sai do meu escritório.

— Se eu descobrir que você está verificando e-mails e procurando trabalho durante este mês, posso considerar demitir você. Fui claro?

— Hum sim. Tudo bem. — Ele sai, coçando o topo da cabeça quase careca. Eu me pergunto se fui eu que o fiz perder o cabelo.

Quando ele vai embora, eu ligo para Gabriella.

— Hey, — Ela responde.

— Eu fiz isso.

— Você quer dizer Jack?

— Sim. E você deveria ter visto o rosto dele. Foi realmente algo.

— Estou orgulhosa de você. Agora não fique ai até meia-noite.

— Eu não vou. Tenho alguém que preciso atender em casa.

— Oh sim?

— Uh-huh. E ela é bem exigente às vezes.

— Tenho a sensação de que ela vai estar com muita fome esta noite também.

— Bom, porque eu estou levando o jantar para ela. E vai ser bastante. Então diga a ela para estar pronta.

Sua risada borbulhante é contagiante e enche meu coração de alegria quando eu termino a ligação.


# # #


Não são nem cinco horas quando saio do elevador. Lydia está reunindo suas coisas para sair por hoje. Eu disse a ela que estava chegando um pouco cedo porque quero o lugar só para nós hoje à noite. Ela diz adeus quando sai.

Eu estou supondo que Gabriella esteja no meu escritório. Eu deveria corrigir isso, nosso escritório. Nós adicionamos outra mesa e computador.

O vinho favorito de Gabriella está esfriando na geladeira, então eu sirvo dois copos e os levo pelo corredor.

Quando chego à porta, observo-a por alguns instantes. Ela está envolvida em algo em seu computador e não me percebe. Sua testa está enrugada e eu quero beijar essas linhas, mas não faço. Eu fico lá com um sorriso bobo no rosto. Sua mão se move para o pescoço e isso me faz pensar que ela está sentada lá por horas.

Ela estica os braços no ar e é quando eu chamo sua atenção.

— Há quanto tempo você está aí parado?

— Tempo suficiente para olhar você. Aqui. — Eu entrego-lhe um copo.

— Obrigada.

Sento-me na minha mesa, ao lado da dela, e movimento minha cadeira para que fique de frente para ela.

— Como foi seu dia? — Eu pergunto.

— Bom, mas muito melhor agora — Ela se inclina para me dar um beijo. Então ela coloca seu copo de vinho na mesa e sobe no meu colo. — Eu gosto deste assento muito mais.

— Você gosta? Agora, por quê isso?

— Oh, vamos ver. É muito mais confortável, porque me abraça de volta, ao contrário daquele ali.

Eu rio enquanto minhas mãos a acariciam.

— Bom. Mas não é difícil trabalhar neste?

— Depende de que tipo de trabalho você está falando. Eu acho que há certo tipo de trabalho que pode ser realizado muito bem aqui.

— Hmm. Você poderia demonstrar?

Ela desata minha gravata e lentamente desabotoa minha camisa. Suas mãos deslizam sob o algodão engomado e quando suas unhas marcam minha pele, eu gemo. Ela me desfaz. Sempre.

— Devo continuar? — Ela pergunta.

— Por todos os meios.

Quando a língua dela bate no meu piercing no mamilo, meu pau duro como pedra quer arrebentar minhas calças, mas não pode porque ela está no meu colo.

— Porraaa, Kea. Você está me matando.

Ela solta meu cinto. Em seguida, lentamente abre minhas calças enquanto se contorce no meu colo. Ela se ajoelha entre as minhas coxas e puxa minhas calças para baixo, levando minha boxer junto. Meu pau sai livre e ela suspira. Ela suspira e esse som me deixa ainda mais duro. Essa mulher me deixa de joelhos, mas vê-la de joelhos, na minha frente, é outra coisa.

Mas quando sinto seus lábios quentes, macios e úmidos envolvendo meu pau, eu quero gritar com o prazer. Sua mão aperta sobre a base e então sua língua trabalha sua mágica. Ela sabe exatamente como eu gosto, sabe quanta pressão exercer e onde, como, apertar meu piercing, frente e verso. Eu até amo o jeito que ela usa os dentes. Então a mão dela pega meu saco e ela aperta, não muito forte, nem muito macio, e ela estica um dedo para aquele lugar e aperta. Eu quase gozo.

— Gabriella. — Seu nome sai em um gemido longo e ofegante. — Pare. Agora. Eu não quero entrar na sua boca. Eu quero entrar em você.

Seus olhos meio encapuzados olham para mim e foda-se tudo, eu sou um caso perdido.

— Oh, porrra. — Eu gozo quando ela me chupa.

Seus lábios, escorregadios e ligeiramente inchados, são deliciosos demais para serem ignorados. Eu a puxo de volta para o meu colo e corro meu polegar pelo seu lábio inferior. Ela pega minha mão e leva o meu polegar em sua boca e chupa, em seguida, lambe. Minha boca bate em seus lábios, devorando-os e beijando cada pedacinho dela.

— Nunca vi nada mais sexy do que você. Sinto muito. Eu não consegui parar.

— Como você não estará pronto de novo? O homem com quase nenhum período refratário? Além disso, você me prometeu jantar e disse que seria grande.

Eu saio rindo.

— Tira as tuas roupas. Não parece justo que eu esteja seminu e você não esteja.

— Por uma mudança.

Ela tira e depois eu digo: — Você vai me entregar minhas calças?

— Uh, sim. Indo para algum lugar?

— Não, no futuro próximo. — Eu cavo no meu bolso e encontro meu prêmio.

— Bom, porque você me deve uma coisinha.

— De fato eu devo, e pretendo pagar. Mas há uma coisinha primeiro. — Eu empurro meu computador para fora do caminho e a pego, colocando-a na minha mesa. Então eu abro suas pernas e caio de joelhos. Ela acha que sabe o que vem a seguir, mas está parcialmente certa.

Eu olho para o rosto dela, corada de antecipação e desejo e começo, passando minha língua por dentro de uma de suas coxas. Eu não posso negligenciar a outra, então eu faço o mesmo. Então me mudo para a matança. Mas antes que eu diga a ela para assistir. Assim que minha língua toca seu lugar favorito, ela suspira. Esse som sempre me tira, me faz cantarolar, faz meu pau duro como pedra. Mas hoje eu estou aproveitando meu tempo e não me importo se isso me mata. Eu provoco e brinco com ela até me implorar.

— Por favor, Kolson.

— Por favor, o quê?

— Eu preciso disso.

— O que você precisa?

— Eu preciso gozar.

— Você precisa disso?

— Sim!

Minha boca volta ao trabalho, sugando e provocando, e meus dedos deslizam para dentro dela, mas quando sinto que ela está perto, tão perto, eu paro.

— Kolson. — Ela está ofegante com a necessidade.

— Você quer mais?

— Sim, — ela grita.

— O quanto você quer isso?

— Muito!

Meus dedos brincam com ela, circulando, deslizando para dentro e para fora, provocando.

— Muito o suficiente para casar comigo?

— Sim.

— No dia de Natal?

— Sim.

Eu sorrio quando minha boca a encontra novamente e eu a levo para um clímax gritando enquanto suas mãos quase arrancam meu cabelo. Quando seus sentidos e respiração retornam, ela olha para mim e morde o lábio inferior.

— O quê? — Eu pergunto.

— Você é um demônio.

— Não exatamente. Eu sou um homem apaixonado.

— Essa foi a proposta menos convencional de todos os tempos.

— Provavelmente. Mas você vai lembrar até o dia em que morrer. — Eu a beijo, roubando-lhe o fôlego novamente.

Quando nós dois precisamos de ar, ela pergunta: — Natal, hein?

— Sim. Eu não quero mais esperar. Esperei tempo suficiente.

— Eu também.

Deslizando o polegar pela sua bochecha, — Gabriella Martinelli, você faz meu coração bater forte; você faz isso bater com um tipo de vida que nunca tive antes. Você mudou o jeito que eu penso sobre tudo... Meu passado, meu presente e meu futuro. Certa vez eu te disse que você me deu um curto-circuito, me reorganizou e me fez inteiro novamente. E eu estava certo. Mas você faz muito mais que isso. Você me libertou dos fantasmas que me assombravam, o monstro que tentou me destruir, e você me fortaleceu. E eu te amo por isso. Mas essa não é a única razão pela qual eu te amo. Você me propôs uma vez, e eu pedi para você se casar comigo também, mas o tempo estava errado. Não está fora agora. Então este é o negócio real, Kea. Você quer casar comigo e se tornar minha parceira em tudo? Você vai se tornar Gabriella Hart?

— Eu vou.

Abrindo minha palma, entrego-lhe um anel. Seu rosto suaviza quando ela pega e desliza em seu dedo. É um diamante redondo de três quilates em uma ampla faixa de platina. Eu teria conseguido para ela o maior e mais requintado anel do mundo, mas esse não é o estilo de Gabriella. Ela teria recusado algo assim. Eu me preocupei com o tamanho desse, mas ao vê-la sorrir, eu sei que acertei.

— Não poderia ser mais perfeito. Eu amo isso, Kolson. — Ela me beija. — Então Natal né? Onde?

— Aqui. Na cobertura. Eu tenho um amigo de um amigo que é juiz.

— Mas no dia de Natal?

— Bem, o dia depois do Natal. Então, não interferiríamos nos planos familiares de ninguém.

— Só nós?

Eu rio.

— Eu pensei que poderíamos ter minha mãe, Kestrel, Case, Ryder e Sky.

— Isso é exatamente o que eu quero.

— E então você e eu estamos indo embora para algum lugar. Para uma ilha onde é quente e podemos relaxar sem qualquer interferência.

— Mesmo?

— Oh, mais do que realmente, — Digo. — Eu tenho grandes planos para nós, Kea. Grandes, grandes planos.


CAPÍTULO TRINTA E UM

Gabriella


O dia depois do Natal é nítido, claro e perfeito. Acordo nos braços de Kolson enterro-me no seu pescoço como sempre faço, com um sorriso no rosto. Hoje vou me tornar Gabriella Hart.

Então franzo a testa. Kestrel e Sylvia ficaram conosco ontem à noite, e nenhum deles parece estar indo bem. Eles precisam sair da mansão. Ela guarda muitas memórias. Sylvia se recusa a sair e Kestrel se sente obrigado a ficar com ela. Hoje, vou dar uma última chance para tirar Sylvia de lá. O que ela realmente precisa é ir a um lugar para se recuperar. Quase como uma clínica de reabilitação. Há lugares assim, mas não tenho certeza se posso persuadi-la a ir. Se eu puder, Kestrel se sentiria livre para seguir em frente.

— O que você está pensando que está deixando-a tão preocupada?

— Sua mãe.

— Hmm. Você está preocupada?

— Sim. Ela está deprimida, entre outras coisas, e ela precisa se afastar daquela maldita mansão. Receio que, como Langston era tão controlador, ela é incapaz de tomar decisões sem ele. Ela precisa de terapia intensa. Existem vários lugares que lidam com problemas como o dela, mas é uma questão de conseguir que ela consinta. E depois tem o Kestrel.

Kolson rola em cima de mim. Ele sabe quando eu preciso de cem por cento dele.

— Você sempre pensa em todo mundo. Este é o dia do seu casamento, Kea.

— Sim, é, e nós estamos bem, mas eles não estão. Estou dando mais uma chance.

— É por isso que eu te amo.

— Isso é tudo?

— Não. Eu te amo porque você tem uma linda voz de cantora.

Eu dou risada. Ele não pode estar mais longe da verdade.

— Devo cantar para você no nosso casamento?

— Acho que seria uma ideia maravilhosa.

Então ele se empurra contra mim e eu posso dizer que ele não está realmente pensando na minha linda voz de cantora.


# # #


Nós dois decidimos deixar que cada um escolhesse o que o outro usará em nosso casamento. Quando Kolson me entrega sua seleção, não estou nada surpresa. É um vestido de seda vermelha que mostra um pouco de clivagem. Ele sorri e diz que são as férias e ele acha que a cor é mais apropriada. Ele sempre me disse que me ama de vermelho, então eu deveria ter adivinhado que esse seria o escolhido. O que mais me choca é o colar de rubi que ele apresenta para mim depois que me visto. Ele me pede para fechar os olhos e quando o faço, ele prende em volta do meu pescoço. Quando me vira para encarar o espelho, a gema de lágrima, aninhada perto do meu coração, parece perfeita em contraste com a minha pele.

— É exatamente certo, Kea. Assim como eu imaginei — Ele me beija enquanto eu pisco para parar minhas lágrimas.

— Isso é inesperado.

— Espero fazer muitas surpresas para você nos próximos anos.

Sorrindo, eu escovo um pedaço de fiapo do terno cor de ardósia que escolhi. Ele também está vestindo uma camisa azul francesa com uma gravata vermelha rubi. Nós dois rimos quando nos vimos pela primeira vez. Os cantos de sua boca aparecem enquanto ele olha para mim.

— Você parece perfeito, Kolson. Eu amo essa cor em você. Parece ótimo com seus olhos.

— Vou ter que me lembrar disso. Mas se você continuar olhando para mim assim, não chegaremos ao nosso casamento na hora certa.

No final da tarde, quando o sol se põe abaixo do horizonte, ficamos em frente às janelas que dão para a vista de Manhattan. É um casamento íntimo, sua mãe, irmão, Case, Sky, Ryder e Sam presentes quando o juiz nos pronuncia marido e mulher. Lydia também está lá, e ela fez um banquete. Deliciosa comida e amplo champanhe nos aguardam após a cerimônia.

Quando olho para o meu novo marido, sinto muito orgulho dele por tantas coisas, mas principalmente por se tornar o homem que é hoje. Muitas pessoas não poderiam ter resistido à tempestade turbulenta a que ele resistiu, pelo tempo que ele o fez, e acabar sendo o homem que é.

— O quê? — Pergunta ele.

— Eu te disse que sua mãe e Kestrel concordaram em ficar aqui até voltarmos da nossa lua de mel?

— Como você fez isso?

— Eu disse a eles que se eles fizerem isso por um período de duas semanas, e não se sentissem ligeiramente melhores, então falaríamos sobre isso quando retornássemos. E eles concordaram.

— Você definitivamente precisa trabalhar na HTS. Você é um acordo mais próximo, Kea.

— Eu sou uma psiquiatra, Kolson.

— É verdade, mas pense em como você poderia estudar os comportamentos de meus clientes em potencial. — Ela sorri para mim.

— Boa tentativa, ás.

Então ele me puxa para seus braços e me beija. E não é um beijo nos lábios, mas um beijo longo, sexy e delicioso que me deixa sem fôlego.

Case grita: — Peguem um quarto!

Kolson responde: — Pode deixar, estamos embarcando em um avião. Vamos lá, Gabriella, temos um jato com nossos nomes escritos por todo o lado.

Sam carrega nossas bolsas e todos nos desejam boa viagem quando encabeçamos para o elevador. Kolson disse apenas que estamos indo para alguma ilha particular no Caribe e que eu só precisarei de alguns itens de roupas e biquínis. Tudo bem por mim. Estou muito mais do que pronta para isso.

Quando nos dirigimos para a garagem, Sam diz: — Parabéns, Sr. e Sra. Hart.

Nós rimos.

Sam nos leva a HTS, onde Steven está esperando para nos levar de helicóptero para o aeroporto. Kolson finalmente me conta. Um dos jatos da HTS nos levará para a Ilha Beef, nas Ilhas Virgens Britânicas. Uma vez lá, pegaremos um barco para a ilha de Guana, que é particular. Kolson alugou uma casa em uma praia isolada por duas semanas. Seremos apenas nós dois, além de um chef e mordomo particulares.

Depois da loucura dos últimos meses, estamos mais do que prontos para relaxar e nos soltarmos.

Embora Kolson seja bem viajado, ele afirma que nunca esteve em nenhum lugar que o tenha excitado tanto quanto esta viagem. Eu, por outro lado, não estive em lugar nenhum. Meus pais viajaram, mas eu nunca fui incluída. Então, quando tenho meu primeiro vislumbre dos mares azuis do Caribe, fico sem palavras.

É claro que já estive na costa antes de... Fire Island e da costa de Jersey. Mas isso não é nada como eu já vi. A água turquesa é quente e clara, eu posso ver todo o caminho até os dedos dos pés e a areia é tão branca, parece que foi artificialmente branqueada. É magnífico. Nossa casa é a única no extremo norte da ilha, para que possamos tomar sol totalmente nus, se quisermos. Não há ninguém para nos perturbar porque o único acesso à nossa praia é de barco ou a poucos passos da nossa casa. Está bloqueado por enormes afloramentos de rochas dos dois lados. Estamos tontos de emoção quando a vemos.

E a nossa casa é perfeita. É pitoresca, mas luxuosa. O quarto tem uma cama king-size no centro da sala; tudo nele é branco. O banheiro é opulento, com banheira de hidromassagem dupla, box amplo e pia dupla com penteadeira. Portas duplas fora do quarto, aberto para um deck com piscina privativa e banheira de hidromassagem com vista para o mar. Em seguida, um pequeno lance de escadas leva você a nossa praia particular. O deck também é acessível fora de nossa sala de estar, que é preenchido com mobiliário branco e tabuas de madeira escura. Há uma cozinha completa e sala de jantar. Todas as manhãs, uma cesta fresca de pão e croissants, juntamente com frutas frescas, sucos e café são entregues. Em uma palavra, paraíso.

Kolson me estraga. Ele me leva para mergulhar e sou viciada. Vamos velejar, pescar em alto mar, visitar as outras ilhas nas Ilhas Virgens Britânicas, e passar muito tempo nus, fazendo coisas um com o outro que nos arrebentam.

O sol descora seu cabelo escuro de volta ao seu tom mais claro, e eu sorrio enquanto passo meus dedos por ele.

— O quê? — Pergunta ele.

— Você parece com meu velho Kolson novamente. Eu gosto mais de você desse jeito. Mas mantenha a barba no seu rosto. É muito sexy.

— Sim?

— Oh sim.

Logo é hora de voltar para nossas vidas... Para Manhattan e para o que deixamos para trás. É bom, porque agora começamos a construir o que começamos juntos. E eu tenho um profundo sentimento de excitação.

— Você está triste? — Pergunta ele.

— De modo nenhum. Estas têm sido as duas melhores semanas da minha vida. E o começo do que construímos juntos como uma família.

— Ah, e isso me lembra. Eu tenho uma surpresa para você quando voltarmos.

Eu odeio quando ele faz isso.

— Não é justo. Agora estarei em suspense por horas.

— É verdade, mas pense dessa maneira. Será como receber outro presente quando você chegar em casa.

Eu me inclino e beijo sua bochecha.

— Eu não preciso de outro presente. Eu tenho o melhor de todos, bem aqui ao meu lado.

É tarde quando chegamos a casa. Sylvia foi para a cama, mas Kestrel ainda está acordado, esperando por nós.

Nós conversamos brevemente, ele quer saber como a viagem foi. Ele parece achar que Sylvia está melhor, já que ela está longe da mansão. Esta pode ser minha oportunidade de tirá-la de lá para sempre. O FBI está desmantelando a Hart Entertainment and Sons por causa do envolvimento em tantas atividades ilegais. Kestrel e Kolson serão chamados para testemunhar, mas até agora, todos os registros indicam o que Drex nos disse anteriormente. Eles não conseguem encontrar nada que mostre seu envolvimento em atividades ilícitas. É um paradoxo quando penso nisso. Por mais que quisesse destruir Kolson, Langston fez um grande esforço para proteger seus filhos no que diz respeito a seus negócios. Não faz sentido algum.

— Como você se sente sobre tudo isso? — Pergunta Kolson.

— Aliviado. Eu sinto pelos funcionários — Diz Kestrel.

— Não. Depois que o FBI descobrir quanto dinheiro foi ganho ilegalmente, eles aceitarão isso e deixarão o resto para você. Você estará livre para recuperar o controle, se quiser. Se não, alguém vai entrar e comprar a empresa. Eles vão ficar bem. Uma corporação tão grande trará todo tipo de interesse.

— Eu sei. É um pouco inquietante. Eu não quero ficar lá. Quero estar longe de tudo associado a Langston. Além disso, os cassinos em Atlantic City não estão indo muito bem agora.

— E sobre Vegas?

— Não, ainda tem o toque de Langston. Eu quero sair disso completamente.

— Quer vir trabalhar para mim?

— Eu aprecio isso, mas agora, eu preciso entender isso tudo direito. Tenho meu fundo fiduciário, que é considerável. E depois das consequências de tudo isso vou pegar o que sobrou e investir em algo... Fazer alguma coisa. Eu não tenho certeza do quê ainda.

— Você vai ficar bem. Você tem dinheiro suficiente nesse fundo e nunca mais terá que trabalhar novamente se não quiser. Eles não podem tocar nisso uma vez que veio do lado da mamãe. Não tinha nada a ver com papai. Mas eu preciso de alguém no sul para abrir uma filial da HTS, se você estiver interessado.

— Talvez, Kolson. Dê-me um tempo.

— Deixe-me saber quando — Kolson olha para ele. Enquanto assisto a sua troca, noto que Kestrel já parece melhor. Toneladas melhor.

— O quê? — Pergunta Kestrel.

Eu não dou a Kolson a chance de responder.

— Você parece descansado, Kestrel. Como se você estivesse de férias também.

Ele realmente sorri.

— Eu gosto daqui. Vocês têm um bom lugar. Eu disse a mamãe que ela é louca por não se mudar para cá. E eu tenho que dizer, tenho colocado pressão nela como você não acreditaria. Eu tenho dito a ela que um lugar menor seria muito melhor.

— Sim? — Kolson pergunta.

— Sim!

— Deixando as brincadeiras de lado, espero que funcione. Isso seria a melhor coisa para ela. Psicologicamente falando, eu digo.

Nós somos interrompidos pela voz de Sylvia.

— Ok, eu sei quando estou sendo falada.

Nós nos viramos para encará-la, como criancinhas apanhadas com as mãos no pote de biscoitos. Eu assumo a liderança.

— Sylvia, nós sabemos o quanto você odeia sair, mas realmente, a mudança seria boa para você.

— Você está certa. Depois que me soltei, percebi. Aquela mansão meio que me segurou.

Nós todos nos encantamos com ela.

Kolson diz: — Você pode repetir isso?

— Estou vendendo. A Mansão. E tudo dentro dela.

Agora é a vez de Kestrel. — Ah?

Eu anuncio: — Deixe-me repetir isso para você. Sylvia está vendendo a propriedade e tudo nela. Ela está se mudando para Manhattan, onde ela pode estar perto de nós. Eu acho que isso pede champanhe. Kolson?

— Com certeza!

Eu a abraço e digo: — Você não vai se arrepender por um minuto, e eu vou te ajudar com qualquer coisa que você precisar.

É depois da uma da manhã quando finalmente vamos para a cama, mas não me importo. Que maneira de terminar uma lua de mel.

— Então você acha que ela vai ser feliz aqui? — Pergunta Kolson.

— Eu acho que ela vai ser feliz em qualquer lugar longe daquele lugar terrível em que ela esteve presa por anos.

— Eu acho que você está certa.

— Então, você me disse que tem uma surpresa para mim.

— Eu tenho.

— Bem?

— Paciência.

Então, fiel a Kolson, ele assume o comando e me faz esquecer tudo, menos ele, suas mãos, sua boca e seu corpo.

Logo antes de adormecer, quando estou enrolada no meu marido, ouço um zumbido suave.

— O que é isso? — Eu murmuro.

— Nada. Vá dormir Kea.

Eu estou desossada por fazer amor, então não me importo em discutir e caio em um sono profundo e sem sonhos.

Eu acordo e está escuro no quarto. Olho para o relógio na mesa de cabeceira e fico chocada ao ver que são nove e meia. Kolson rola ao meu lado e me puxa contra ele.

— O que há de errado? — Pergunta ele.

— É tarde, mas está escuro.

— Surpresa — Sua voz é rouca de sono e estou confusa. Em seguida, ele acrescenta: — Você sempre odiou o brilho da manhã, então eu tinha as cortinas que escureciam o quarto, instaladas enquanto estávamos fora.

Eu me sento e olho para as janelas, mas não consigo vê-las porque está muito escuro aqui.

— Mas você odeia a escuridão.

— Não com você ao meu lado. Você aliviou meus medos, Kea. Você não descobriu isso até agora?

Eu não posso deixar de subir em cima dele, envolvendo seu corpo com minhas pernas e braços. — Eu nunca pensei...

— Eu admito, o porão no covil do dragão estará fora dos limites quando voltarmos para ajudar minha mãe, mas eu estou bem com isso. Eu estou surpreso que você não tomou nota disso enquanto estávamos em nossa lua de mel. Nós tínhamos as cortinas todas as manhãs.

— Agora eu me sinto egoísta que não reparei.

— Nunca sinta isso. Fico feliz que você não tenha pensado nisso.

— Obrigada. Essa é a melhor surpresa. Mas agora provavelmente nos atrasaremos para o trabalho todos os dias. — Eu rio. — Olha as horas.

— Não. Vamos definir um alarme.

— Vamos. Vamos levantar e cozinhar um grande café da manhã familiar. Eu adoraria fazer isso por sua mãe. Isso é algo que eu nunca fiz.

— Só depois de você me beijar primeiro.

Um beijo rápido não é possível com Kolson, mas não o vou deixar fazer mais nada. Tenho certeza de que somos os últimos a acordar, então eu o empurro, mas ele tenta me segurar. Eu acabo fugindo fazendo cócegas nele.

Chegamos à cozinha para descobrir que somos, de fato, os últimos a acordar. Depois que oferecemos nossas desculpas, preparamos um grande café da manhã.

Kolson está encarregado do bacon, um erro, porque ele faz uma grande bagunça. Kestrel lida com os bolinhos de salsicha e torradas e eu faço ovos e batatas fritas. Nós não deixamos Sylvia fazer nada além de nos fazer companhia no bar com vista para a área de culinária.

É uma refeição deliciosa, complementada por mimosas, Bloody Marys8 e café. Isso se transforma em uma manhã divertida. Nós conversamos sobre a mudança de Sylvia e Kolson diz que ele terá sua divisão de imóveis para investigar isso por ela.

— Você pode ficar aqui o quanto quiser. O lugar é certamente grande o suficiente. Você também Kestrel, — eu ofereço.

— Oh, não sei, — diz Kestrel. — Vocês dois acabaram de se casar.

— Eu ainda tenho meu estúdio neste prédio. Você pode até ficar lá, se quiser. Você sabe, por privacidade, se quiser, — acrescento. Ele entende meu significado e sorri.

— Talvez isso funcionasse melhor.

Kolson acrescenta: — A HTS possui vários edifícios. Eu poderia acomodar vocês dois. Mesmo temporariamente, se você preferir. Avise-me e eu farei as chamadas.

— Eu aprecio isso, Kol, mas por enquanto, acho que posso usar o estúdio de Gabby até decidir o que vou fazer.

— Parece bom, Kestrel. Posso tirar minhas roupas hoje — Acrescento.

— Obrigado.

— Kolson, eu acho que gostaria que você me encontrasse algum lugar, se você não se importa, — diz Sylvia.

— Nem um pouco, mãe.

O resto do fim de semana voa e quando a noite de domingo chega, Kolson e eu encontramos Case, Sky e Ryder no Extra Dirty, um dos bares preferidos de Cara. Nós nunca tivemos um serviço memorial para ela e decidimos que iríamos nos encontrar em seu bar favorito e brindá-la em seu lugar. Com as férias e depois o nosso casamento e lua de mel, este foi o primeiro encontro que pudemos ter.

Pedimos uma rodada de Sugar Tits que são virgens para Case e Ryder, já que essa bebida tem um significado especial para nós.

Assim que nossas bebidas chegam, Sky diz: — Isso é para você, Cara. Não passa um dia em que não pense no seu rosto sorridente. E as coisas que você costumava dizer para me animar quando eu estava no meu nível mais baixo. Que você esteja em um lugar melhor agora e esteja esperando por nós, de Sugar Tit na mão, quando nos juntarmos a você um dia.

E então eu tomo a minha vez.

— Cara, embora eu não seja irlandesa, sempre achei que essa era a coisa mais apropriada para dizer:


Que a estrada suba para te encontrar

Que o vento esteja sempre em suas costas,

Que o sol brilhe no seu rosto,

As chuvas caiam suavemente sobre seus campos e,

Até nos encontrarmos novamente

Que Deus te abrace na palma da mão dele.


Nossos copos esvaziaram, um clima solene paira sobre a mesa. Então Kolson diz: — Eu não conheci Cara assim como o resto de vocês, mas eu não acho que ela gostaria que vocês ficassem tão tristes.

— Claro que não, ela não iria, — Diz Sky.

— Ela ficaria com raiva se pudesse nos ver agora.

— Precisamos ser felizes, então, — Digo.

Pedimos outra rodada de bebidas e a noite continua. Kolson acaba me colocando para dormir naquela noite e eu não vou trabalhar no dia seguinte, mas tudo bem porque eu sou a chefe e casada com um bilionário e sou a Sra. Kolson Hart.

Quando acordo com uma britadeira no crânio, lembro-me da primeira vez em que pus os olhos nesse homem delicioso que agora é meu marido. Quem teria pensado? Ele está do meu lado da cama, vestindo um jeans desbotado, o botão de cima desfeito, sem camisa, cabelo bagunçado, e me entrega um copo de suco de laranja e três ibuprofenos.

Depois de engolir meu remédio de ressaca, eu o inspeciono.

— Gosta do que está vendo?

— Uh-huh. Eu amo o que vejo. Tire a calça jeans e volte para cá. — Minha mão estende e abro o zíper da roupa ofensiva, embora não seja realmente ofensiva. Está bloqueando minha visão de algo espetacular.

Ele ri.

— Você é a coisa mais descarada esta manhã, não é?

— Essa não é uma das vantagens de ser uma esposa?

— Você foi muito descarada na noite passada também.

Eu rapidamente penso em nossa pequena festa memorial.

— Ah não!

— Ai sim.

Então, rindo, dizemos ao mesmo tempo: — Sugar Tits!

O olhar em seu rosto é cômico quando ele sobe em cima de mim.

— Você só tem permissão para essas bebidas na frente de amigos muito próximos.

— Eu quero saber?

— Não. E nunca pergunte a ninguém.

Então eu sinto a cama tremendo de sua risada.

— Você vai me dizer apenas uma coisa que eu disse?

— Você tem certeza que quer saber?

— Sim!

— OK. Mas não diga que eu não te avisei. Você ficou no bar e gritou: Por que andar de cavalo quando você pode andar de vaqueiro? Então você pulou em cima de mim, enrolou as pernas em volta da minha cintura e gritou. Eia baby!. Enquanto me montava.

— Oh meu Deus.

— Sim. E todo o bar começou uma salva de palmas. Depois disso, eu te carreguei enquanto você tentava bater na minha bunda.

— Oh, pare. Não mais.

— Mas você era a vaqueira mais fofa lá.

— De onde veio isso?

— Você disse a todos que grande cavaleiro eu era. Então se transformou em uma ótima viagem.

— NÃO. Pare. Por favor.

— Você é adorável quando cora.

— Oh, Kolson. Eu nunca vou poder enfrentá-los novamente.

— Não se preocupe. A Sky estava bem ruim. Ela estava dizendo a todos sobre o piercing de Ryder. Pelo menos você não falou do meu.

— Oh, ela não fez isso.

— Case declarou que ele não conhecia nenhum de vocês e foi embora.

— Oh, a humilhação.

— Não se preocupe, Kea. Foi tudo muito divertido. E você sabe de uma coisa?

— O quê? — Eu grito.

— Vocês, garotas, teriam deixado Cara orgulhosa.

E de repente me ocorre que minha querida, doce e linda amiga se foi para sempre e eu acho que por estar de ressaca e cheia dos efeitos posteriores de todo aquele álcool, eu choro.

E meu marido maravilhoso está lá para me abraçar e cuidar, e eu percebo como a vida é boa.

Depois de todos os problemas que nós dois passamos, nós conseguimos nos encontrar e compartilhar um amor que é inestimável.


EPÍLOGO

Gabriella

Dois meses depois


A verdadeira surpresa não foram as cortinas. São os planos para o Russell Rehabilitation Center e o abrigo para mulheres Cara Lee. Kolson não mostrou para mim até uma semana depois que voltamos. Ele queria vê-los primeiro e fazer as revisões necessárias que ele sabia que eu iria querer. Então, quando os vi, perdi-o. Completamente. E absurdamente.

Como ele fez isso? Ele diz que era meu presente de casamento real. Que ele sabia que isso significaria mais para mim do que qualquer bugiganga. E ele está certo.

Assim, numa tarde fria de final de fevereiro, Case Russell, o convidado de honra, Kolson e eu, abrimos caminho para os novos centros. Surpreendentemente, Sra. Lee e as duas irmãs de Cara também participam. Não é de surpreender que o Sr. Lee esteja ausente. E agora a captação de recursos começa. Kestrel diz que vai ficar por um tempo e ajudar. A família de Ryder também está investida, já que Case praticamente salvou sua vida. E Case tem tantas conexões das pessoas que ele ajudou ao longo dos anos que sabemos que esse projeto vai voar muito mais rápido do que o previsto. Também ajuda que Kolson adoçou a causa com cinquenta milhões e desafiou todos os seus associados de negócios a ajudar. A Wolfe Investigative Services acrescentou outros cinco milhões. Este projeto está muito alto.

Sylvia também está tomando este projeto. Ela diz que isso lhe dará algo em que ela pode se lançar e sentir-se desejada e útil. Mas ela é particularmente investida por causa de Kade. Ele está progredindo tão bem quanto pode ser esperado. Mas o centro no Colorado sugeriu que ele permanecesse por um período mínimo de seis meses antes de se transferir para um aqui em Nova York. Kade está bem com isso. Ele quer ficar bem. E agora que Langston se foi, ele diz que está pronto para deixar seu passado para trás. Posso visualizá-lo cumprindo um papel no novo centro de Case, desde que continue no caminho da recuperação.

Tudo está se encaixando, pouco a pouco. Ainda estou preocupada com Kestrel. Ele parece perdido às vezes. Ele precisa de terapia, mas não vai. Não posso mais discutir isso porque falei o máximo que posso dizer. Ele sabe que minha porta está aberta a qualquer momento.

Um dia, quando estamos apenas nós dois, eu o desafio e digo: — Kestrel, como estão as coisas?

— Oh, dias bons e ruins.

Eu estendo a mão e toco seu braço, mas ele não responde do jeito que costumava fazer. Ele é mais neutro em relação ao meu toque hoje em dia.

— Eu vou ficar bem, Gabby.

— Kolson costumava evitar falar... Antes que eu soubesse o que Langston fazia. Ele estava com medo de suas memórias.

— É difícil para mim agora. Sem ele. E achei que seria fácil.

— Você estava com ele todos os dias. Você não se esquece disso tão rápido.

— Gabby, eu sei que você está tentando, e eu agradeço, mas preciso fazer isso sozinho. Eu tomei uma decisão. Depois que terminar de ajudar com a captação de recursos, vou embora.

— O quê? Aonde você irá?

— Kolson mencionou que precisa de alguém para abrir um escritório no sul. Vou tirar um tempo e talvez, se ele ainda me quiser, eu vá a qualquer lugar. Mas eu acho que vou para Charleston por um tempo.

— Sim. OK. Charleston. Nunca estive lá, mas ouvi dizer que é um ótimo lugar.

— E é. Eu já estive antes e será uma mudança total. Eu não me importo se você falar com Kolson sobre isso, mas não menciona nada para minha mãe. Quero ser eu a dizer a ela quando for a hora certa.

— Compreendo. Mas Kestrel, prometa que você vai falar sobre isso um dia. Para alguém. E lembre-se de que você sempre tem um lugar aqui também.

— Eu prometo.

Eu o vejo sair, a leve inclinação em sua postura, em seus ombros, e quero tirar sua dor. Mas a cura tem que vir de dentro dele. Ele tem que ser o único a iniciá-la. Talvez uma mudança para Charleston ajude. Diminua o aperto de todas as suas lembranças terríveis.


# # #


Vários dias depois, eu encontro Kolson em seu escritório tarde da manhã e digo a ele que estamos indo para algum lugar. Ele tenta me dizer que não pode, mas eu me recuso a sair sem ele, então me segue até o carro, onde Sam espera por nós.

— Aonde vamos?

— Você verá.

Nos dirigimos para Nova Jersey e ele está perplexo, mas eu não digo nada. Sam continua e, eventualmente, chegamos ao cemitério Morning Side.

— Por que estamos aqui? — Pergunta ele.

— Estamos indo para uma visita.

Sam segue a estrada de pista única e logo faz o carro parar. Eu saio e Kolson segue. Caminho um pouco e paro na frente de um pequeno marcador de granito que está nivelado na terra. Diz apenas:

Susan Mary Ackerman

23/07/1958 — 25/12/1991

— Pelo que pudemos encontrar, ela morreu de overdose de drogas.

Ele cai de joelhos e passa os dedos sobre a placa.

— Você não tinha outros irmãos. Eu pensei que era importante que você soubesse.

— Como?

— Case. Eu tentei encontrar seu pai, mas como você sabe, ele não foi mencionado em sua certidão de nascimento, então Case acabou em becos sem saída.

Ele concorda.

— Kestrel e Kade?

— Não sei. O Case não pesquisou. Eu queria discutir isso com você primeiro. Eu tenho todas as informações de Susan, se você quiser, mas Langston a deixou em um estado terrível, Kolson. Ela queria você. Ela não te odiou como ele te levou a acreditar. Ela te amava muito. Ela acabou em drogas e álcool. Ela não podia viver com o que aconteceu. E sua vida terminou tragicamente por causa dele. Ele era um homem malvado, não que eu esteja contando algo que você ainda não saiba. Eu só queria que você soubesse que ela te amava muito. Mas acho que Sylvia também. E do seu próprio jeito, ela também era uma vítima.

— Susan tem alguma família?

— Uma irmã que mora na Califórnia agora. Você tem primos. Eu também tenho essa informação, se você quiser segui-la.

— Acho que não. O que eu diria? É horrível de se abrir, sabe?

— Sim. Algumas coisas estão melhores deixadas em paz.

— Obrigado por encontrá-la. Eu pensei sobre isso ao longo dos anos, mas nunca fiz isso. Acho que estava com medo do que iria encontrar.

— Vamos. Temos mais uma parada para fazer.

Suas sobrancelhas levantam, mas ele não diz uma palavra. Voltamos para o carro e Sam nos leva para fora de White Plains, Nova York, no condado de Westchester.

— Por acaso você comprou uma casa de fim de semana? — Pergunta Kolson.

— Não. Algo muito melhor que isso.

Chegamos a um ponto em que preciso vendá-lo para surpreendê-lo. Eu puxo um lenço preto da minha bolsa e digo: — Eu preciso cobrir seus olhos.

— Ei, não podemos fazer isso aqui. Sam pode nos ver.

— Não é o que você pensa, — Digo, acotovelando-o nas costelas. Eu me inclino mais perto dele e amarro o lenço ao redor dos olhos dele.

— Diga-me que você não pode ver nada.

— Eu não consigo ver nada.

— Sério?

— Sim.

— Bom. Eu quero que isso seja uma surpresa.

— Você me tem no limite do meu lugar, — Diz ele secamente.

O carro para e eu vejo Grady nos esperando. Eu seguro a mão de Kolson quando ele sai do carro e o guio atrás de Grady enquanto ele nos leva onde a surpresa espera.

— Você está pronto?

— Como eu sempre estarei.

Eu tiro o lenço e vejo sua expressão. Eu pensei que ele sorriria. Mas não, ele cai de joelhos e chora.

— Oh, Kolson. Eu sinto muito. Eu pensei que você gostaria dele. — Eu caio de joelhos e tento consolá-lo.

Ele levanta a cabeça e agarra-me. — Ele é perfeito. Mas muito inesperado.

— Eu suponho que eu deveria ter lhe dado algum tipo de pista.

Ele me abraça tão perto dele que sinto como se minhas costelas estivessem machucadas.

— Não. Este é o melhor presente que você já me deu, além de você mesma. Obrigado. — Ele se levanta, pega minhas mãos e me ajuda. — Vamos conhecer meu novo amigo?

O Friesian negro é jovem, tem apenas dois anos e está com 1,60m.

— Você deve saber que a linhagem deste garanhão é o famoso Friesian premiado que ganhou mais prêmios do que qualquer outro na história. Demorou um pouco para persuadir o proprietário a vendê-lo.

Kolson se vira para mim e diz: — Não é o Karel?

— Sim.

Então Grady pergunta: — Você gostaria de montá-lo, Sr. Kolson?

— Sim, mas eu quero conhecer meu novo amigo primeiro. — Kolson coça atrás de suas orelhas e depois entre elas. — Qual é o seu nome, meu amigo?

Grady e eu compartilhamos um olhar e risos. Eu digo: — Sim, bem, aqui está a coisa. Seu nome é Karel’s Xander. Significa defensor do homem. Seu antigo dono era de nomes holandeses por causa da herança da raça. O acordo de compra declara que não podemos mudar o nome dele e, se você quiser colocá-lo no stud, será especialmente importante que você não o faça.

— Xander. Hmm. Eu amo isso.

Xander bate no chão com o casco da frente.

— Você tem que estar brincando comigo. — Eu olho para Grady e ele dá de ombros.

Kolson está atordoado enquanto caminha e inspeciona Xander. Suas mãos escovam seu pelo, ele passa os dedos por sua longa e sedosa juba, e ele levanta cada uma de suas pernas, mesmo verificando cada um de seus cascos.

— Oh, Sr. Kolson, esse é um ótimo garanhão que você tem aí. Storm ficaria orgulhoso de seu substituto.

Kolson para e pergunta: — Você acha que ele aprovaria, Grady?

— Oh, de fato, senhor, ele faria. Olhe para ele. Ele com certeza é uma beleza. E espere até você montá-lo. Não tão animado quanto Storm, mas eu aposto que ele vai chegar lá com um pouco mais de idade sobre ele.

Kolson chega até mim e depois me choca quando ele me pega e me gira ao redor.

— Obrigado. Xander é o melhor. — Ele chove dezenas de beijos no meu rosto enquanto eu rio.

— Eu suponho que você vai querer montar. Eu trouxe algumas roupas para você. Elas estão no carro.

Então Grady menciona que ele realmente trouxe o equipamento de montaria de Kolson da mansão.

— Há uma área de troca por lá.

Enquanto Kolson se troca, Grady sela o cavalo. Sam e eu conversamos um pouco e depois seguimos o cavalo e o cavaleiro até o ringue e observamos enquanto Kolson coloca Xander em seus passos. Então Kolson e Grady conversam por um minuto e Grady leva o cavalo para fora do ringue para um lugar onde eles podem andar a céu aberto. Eu os vejo decolar e sei que foi uma ótima ideia.

— Dra. M., você fez muito bem aqui.

— Sim, Sam, eu tenho que concordar. Mas há uma coisa.

— Oh? O que é isso?

— Você vai ter que começar a me chamar de Dra. H.

Nós dois rimos um pouco. Então eu me pergunto se Kolson não quer uma casa de fim de semana aqui para que ele possa estar mais perto de Xander. Ou até mesmo uma que seria grande o suficiente para ter um estábulo próprio.

Kolson retorna de seu passeio e decide voltar para casa em suas roupas de montaria. Seu rosto está vermelho e eu diria que ele está no topo do mundo com alegria.

— Ele é lindo, Kea. Um cavalo absolutamente lindo. Eu não poderia ter selecionado nada melhor.

— Grady foi a maior ajuda. Eu não saberia por onde começar sem ele. Não sei nada sobre cavalos. Mas ele sabia exatamente aonde ir.

— Mas foi ideia sua e é isso que conta. Obrigado um milhão de vezes. Eu pensei em pegar outro, mas isso me assustou. Xander nunca será para mim o que Storm era, mas ele certamente ajudará a preencher um vazio.

Eu estendo minha mão e digo: — Vamos para casa.

Ele me lança um olhar. Um que diz muito mais do que qualquer palavra pode transmitir.

— Você não descobriu isso até agora?

— Descobriu o quê?

— Eu estou em casa. Eu estou sempre em casa quando estou com você, Kea Não importa onde estamos.

Nós entrelaçamos nossas mãos e voltamos para o carro que está esperando.

Kolson está certo. O lar está em nossos corações. E não importa onde estamos, enquanto estivermos juntos, é o lar de nós dois.

Kolson Hart e Gabriella Martinelli...
Destinados a ficarem juntos, fadados a se despedaçarem.
Depois de evitar seu pai por anos, Kolson sabia que pedir um favor a seu pai, Langston Hart, seria como vender sua alma ao diabo.
Só que o diabo iria querer mais... Mais do que Kolson está disposto a pagar.
Mas algumas promessas não podem ser quebradas, não sem perder o que é mais importante.
Para Kolson, o mais importante é Gabriella Martinelli.
Deixando-o com duas escolhas, pague ou arrisque tudo, a única saída de Kolson é fazer algo drástico, algo tão monumental que nem Langston será capaz de interferir.
A questão é: será o suficiente para garantir a segurança de Gabriella de seu pai?
Kolson libertou Gabriella de seu passado e agora ele está arriscando tudo por ela novamente.
Ela será capaz de salvá-lo do demônio que o caça?
Ou o destino é muito forte para eles lutarem?

 

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PRÓLOGO

Kolson

— Mamãe! Mamãe! Tenho medo. Onde você está? — Escuro. Está tão escuro. Não consigo ver nada e minha garganta dói tanto. Eu quero minha mamãe. Mas ela não vai me responder. Por que ela não vem? Ela sempre vem quando eu a chamo à noite. Mas ela não veio desta vez. E eu continuo chamando por ela. Meu pijama do Homem Aranha está molhado e quero meu cobertor porque estou com frio. Meus dentes fazem um barulho de clique porque eles continuam batendo e não param. Tenho que fazer xixi de novo e não sei onde fica o penico. Já me molhei uma vez e não quero fazer isso de novo. Mamãe vai ficar brava comigo e não quero estragar meu pijama do Homem Aranha. Talvez se eu me enrolar como se fosse uma bola fique mais quente. Depois de um tempo, não ajuda muito, então chamo mamãe mais um pouco. Mas ela ainda não vem.

Há um barulho em algum lugar e levanto a cabeça. Eu acho que estava dormindo. — Mamãe é você? Mamãe! — Sento e ainda está tão escuro. Quero ver meu pijama do Homem-Aranha, então seguro meu braço na frente do meu rosto, mas está escuro demais para ver qualquer coisa. Eu grito tanto que minha garganta dói. E choro. — Mamãe! Eu quero minha mamãe! — Me enrolo, joelhos no peito, e me balanço, chorando pela mamãe. Mas ela nunca vem.

Algo se mexe na minha frente. É um monstro? Acho que tem um monstro aqui e eu grito.

— Cale-se! Pare com essa gritaria ou eu vou embora.

Não consigo parar de gritar. Eu tento, mas eles continuam saindo de mim, mesmo que não queira. Algo cobre minha boca, e um homem malvado me diz que se eu não calar a boca, vou ter que ficar no escuro para sempre. Sua voz me assusta mais que a escuridão. Mais do que não ter minha mãe. Meu corpo treme e de repente minha voz se foi. Não posso falar.

— Assim é melhor. Agora escute. Esta é a sua nova casa e quanto mais cedo você aprender algumas maneiras, melhor será. Comporte-se e sua vida será fácil. Obedeça-me e receberá guloseimas. Desobedeça, e você vai ficar aqui sozinho. Você me entende?

O homem mau me diz coisas, mas eu não sei o que elas significam. Só sento e tento vê-lo. Mas só vejo a escuridão.

— Bom. Agora coma isso.

Algo é empurrado para a minha boca. Não posso comer porque minha garganta dói tanto. E começo a engasgar. Então vomito.

O homem malvado grita e limpa meu rosto. É tão escuro que não consigo vê-lo.

— Beba.

Ele enfia um canudo na minha boca e eu bebo. Quando faço, queima minha garganta e choro.

— Mais.

Bebo, mas dói. Meu rosto está molhado de chorar.

— Bom.

Então ouço o som de raspagem e fica quieto de novo. E me enrolo e choro. Eu quero minha mamãe. Quero que ela cante para mim e esfregue minhas costas como faz quando minha cabeça está doendo. Quero que ela me beije e me conte uma história. Quero dizer-lhe que não quis dizer isso quando fiz aquelas coisas más e não lhe dei ouvidos. Talvez seja por isso que ela não está aqui agora. Desculpe-me, mamãe. Eu não quis dizer isso. Serei bom. Volte, mamãe.


# # #


Costuma dizer-se que um viciado precisa atingir o fundo do poço antes de começar sua jornada para a recuperação. Minha história é muito diferente. Surpreendentemente, não sou um viciado e nunca fui. Mas tenho estado no fundo. Mais de uma vez. Caí a primeira vez quando tinha apenas sete anos de idade. Não só era o fundo, era o inferno. Foi quando aprendi a lamber as chamas ardentes do próprio diabo. Só que meu diabo era um dragão. Também conhecido como meu pai. O que eu não percebi foi que o tempo era apenas uma passagem comparada ao que aconteceria comigo mais tarde.

A primeira vez eu pensei que ele me destruiria, mas não sabia o quão errado estava. Foi somente mais tarde que percebi que tipo de destruição ele poderia gerar. E nesse momento eu não só quebrei, ele me separou pedaço por pedaço, até que não tinha mais nada para esmagar.

William Shakespeare escreveu: — Se você nos fere, não sangramos? Se você nos faz cócegas, nós não rimos? Se você nos envenenar, nós não morremos? E se você nos enganar, não devemos nos vingar? — Bem, durante anos eu fui injustiçado e agora pretendo me vingar. Com cuidado, devagar e metodicamente. E quando for a hora certa, vou atacar com tudo o que tenho.


CAPÍTULO UM

Kolson


As árvores passam rapidamente como se fossem um borrão enquanto entro na curva com mais velocidade do que deveria. Preciso diminuir a velocidade. Mas meu humor não permite isso. Reduzindo, dou a ela tudo o que pode segurar enquanto percorro a estrada, com o motor ronronando. A adrenalina me puxa para fora do meu modo de corrida de fantasia e piso no acelerador ligeiramente.

— Desculpe. Às vezes eu não consigo evitar quando estou nessas estradas de duas pistas.

— Isso é realmente tudo o que é?

— Claro. E não comece de novo, Kea. Além disso, eu nunca confessei meu segredo para você? Eu sempre tive um profundo desejo de ser um piloto de corridas.

— Sério? Então, dirigir um Lamborghini não deixou isso de lado. — Ela faz uma crítica e eu gostaria de dar uma olhada em seu rosto, mas não ouso tirar meus olhos da estrada.

Risos borbulham no meu peito e posso sentir seus olhos analisando dentro de mim, tentando descobrir o que está na minha cabeça. Esse é o problema quando sua namorada é uma psiquiatra.

— Pare com isso. Agora.

— O quê? — Inocência brota de dentro dela com aquela única palavra, mas eu sei muito bem que me entende.

— Aproveite o passeio, o cenário. Não é sempre que saímos da cidade assim.

— Eu prefiro desfrutar de outro tipo de passeio.

Minha boca se curva com o comentário dela.

— Oh, não se preocupe. Eu tenho planos para você linda. Planos altos.

— Oh?

— Hmm.

— Kolson, que tipo de planos?

— Você vai ver. — Jogá-la fora do meu conflito interior é o meu objetivo. A última coisa que quero é que ela veja através da minha fachada. Meu estômago está prestes a enlouquecer. O Covil do Dragão é para onde estamos indo e é o último lugar na terra que eu escolheria ir. Mas não tenho escolha. Só Gabriella não sabe disso e meu plano é manter assim.

— Então?

— Então o quê? — Sua pergunta me confunde.

— Você gosta do seu novo bebê?

Meu sorriso tem que lhe dar a resposta. — Eu amo isso.

— Eu não saberia pela maneira como seus ossos parece que vão surgir através da pele em suas mãos. Com esse aperto de morte?

Eu rapidamente olho para baixo e raios me partam se ela não está certa.

— Quer explicar isso? Ou você acha que o volante vai tentar fugir, ou você está prestes a surtar por causa dessa pequena visita ao seu pai. Kolson, você evitou isso nas últimas duas semanas. Você movimentou-se em torno disso, e toda vez que eu perguntei se era o fim da linha. Você sabe que não vou tolerar mentira. Eu quero a verdade e quero antes de chegarmos lá.

— Droga, Gabriella. Não podemos simplesmente passar uma maldita noite e esquecer?

— Não! Porque não é assim que vai funcionar. Pare o carro. Agora, por favor.

Sua obstinação é a última coisa com que preciso lidar. Eu tenho o suficiente no meu prato com o encontro com o próprio dragão e esta viagem esta noite. Eu não preciso dela cutucando as coisas. Meu pé abaixa o pedal até o chão e o motor ruge para a vida, ainda mais do que antes, aumentando a velocidade.

— Kolson, estou te avisando. Pare. Este. Maldito. Carro. Agora!

Estamos juntos há vários meses. Eu vi essa mulher passar pelo inferno e voltar, mas ela nunca falou comigo nesse tom, nem mesmo quando eu a tratei como lixo depois da nossa última visita aqui.

Localizo um lugar à frente onde posso sair e assim que o carro para, a porta do passageiro se abre. Uma coisa sobre Gabriella é que, quando está com raiva, seus olhos cor de caramelo lançam faíscas de fogo. Juro por Deus parece que eles se transformam em fogos de artifício explodindo no dia 4 de julho.

Ondas de castanho o rodeiam enquanto ela usa um caminho ao lado do carro. Eu estou em um conflito interno, em busca de um argumento. Meu cérebro busca todas as desculpas possíveis quando saio do carro.

— Quando? Quando você vai me contar?

Minhas mãos alcançam seus ombros, mas ela os retira com os braços.

— Não me toque! — ela fala — Lembra? Honestidade. Essa é a única coisa que eu pedi de você. Realmente, é a única coisa que eu já pedi, Kolson. Agora me responda. Quando você vai me contar?

Afasto-me dela, mas a voz dela me detém.

— Não se atreva a fazer isso. Eu quero que você me olhe nos olhos quando responder.

Isso não deve ser um problema para mim porque sou um mestre em mascarar minhas emoções. Ou pelo menos eu costumava ser, antes de conhecer Gabriella. As coisas são diferentes com ela.

Eu me viro para encará-la e minha mão se move automaticamente para o meu cabelo. Existe tensão em seu rosto, mas as linhas suavizam quando ela vê isso. Eu solto um suspiro. — Kea, é difícil explicar e não tenho certeza se você quer ouvir de qualquer maneira. — Minha voz é baixa e soa fraca, até mesmo para mim. Parece que um exército de vespas foi liberado para dentro do meu estômago e está subindo pelo esôfago. Tenho estado assim desde que fiz meu acordo com o dragão. Seu fogo já me queima e minha guerra com ele nem sequer começou.

Sua mão toca na minha camisa e ela implora: — Por que você não pode me dizer?

— Porque isso poderia destruir você. Eu não posso correr esse risco. Você pode, por favor, deixar pra lá? Quando for a hora certa, direi a você. Mas agora não. Não hoje. — Talvez seja o tom da minha voz, ou o jeito que imploro com meus olhos. Mas ela balança a cabeça e, em seguida, pressiona meu peito, envolve-me em seus braços e me segura.

— Você é a pessoa mais importante do mundo para mim, Kolson. Então, se você não pode me dizer, saiba que ainda confio em você. Mas Jesus, eu estou cansada de você não me dizer coisas.

Eu respiro e saboreio sua doçura. Ela não sabe que o que temos entre nós não pode durar para sempre. O dragão sabe que ela é minha fraqueza e vai encontrar uma maneira de destruí-la. Mas até que chegue a hora, vou apreciar cada segundo com ela. Beijando o topo de sua cabeça, eu sussurro: — Eu sei. E sinto muito. — Eu a seguro por mais um momento. — Vamos? — Voltamos para o carro e voltamos para a casa dos meus pais.

Chegamos à longa e sinuosa estrada que leva à sua imensa mansão renascentista grega. Toda vez que olho para o local, lembro-me como é típico de Langston, exageradamente grande e a ostentação, e sinto vontade de pegar o carro e imediatamente me virar e sair. Chegamos à frente e somos recebidos por um de seus muitos funcionários tentando agradar de todas as formas possíveis. Tudo o que eu quero fazer é dizer a ele para ficar descansado e que podemos seguir sozinhos. Em vez disso, mantenho minha boca fechada enquanto ele nos leva a um dos quartos de hóspedes.

— Não vamos ficar no meu quarto? — Pergunto.

— Não, senhor. Seu pai queria que você tivesse este quarto.

Não é surpresa por quê. Seus painéis de mogno e cortinas de marinho profundo mergulham a sala na escuridão, não importando a hora do dia. Gabriella aperta minha mão, pois sabe como eu odeio o escuro.

Quando estamos sozinhos, olho ao redor.

— Tudo bem, Kolson. Vamos manter as cortinas abertas e as luzes acesas.

— Essa não é a questão. Ele sabe e faz isso de propósito.

— Claro que faz, mas se você mostrar que isso te incomoda, ele ganha.

Ela está certa.

— Além disso, este é um espetáculo de um quarto. — Ela ri. Cama enorme. Banheiro de luxo. Parece algo que você pagaria mil por noite no St. Regis.

— Oh sim. O bom e velho papai tem bom gosto.

— Se você chama assim. Eu prefiro aberto e arejado, mas seja o que for.

Eu tento rir, mas soa mais como um bufo.

— Então me diga — ela diz, — o que alguém faz em uma dessas festas extravagantes?

— Devemos ir e descobrir?

— Sim vamos, mas primeiro me beije. Ela me agarra e dá um beijo que envia sensações por todo o meu corpo, deixando meu pau tão duro que não consigo pensar direito..

— Jesus, Gabriella. O que você está tentando fazer comigo?

— Hum nada, por quê? — Ela olha para mim inocentemente.

— Caralho. — Olho para baixo para a minha ereção claramente delineada e puxo minha camisa para fora do meu jeans para cobrir a maldita coisa. — Vamos sair daqui antes que eu arranque suas roupas.

Agarro a mão dela e enquanto andamos, ela pergunta: — Você acha que estamos apropriadamente vestidos de jeans?

— Boa pergunta. Não tenho a menor ideia.

Vemos um dos criados no fundo da enorme escadaria e ele nos dirige para o terraço nos fundos. É início de setembro e é um dia lindo, ainda quente enquanto o verão acaba. Somos os últimos a chegar e não estamos vestidos adequadamente. Meu pai nos recebe com desdém.

— Kolson. Gabby. Tão bom que vocês se juntaram a nós. Deixe-me apresentar-lhe. — Os nomes são familiares, todos os seus conhecidos de negócios. Nenhum eu realmente me importo de saber. Colo o meu sorriso de plástico no rosto, mas uso o meu genuíno para a minha mãe.

— Kolson. Gabby. Tão bom ver você. — Ela nos abraça e segura minha mão.

— Mãe, me desculpe, não estamos vestidos adequadamente. Eu quero levar Gabriella para um passeio no Storm mais tarde. Depois disso, vamos nos trocar.

— Oh, que maravilha. Sente-se e almoce conosco.

Nós nos juntamos aos outros na mesa e comemos um almoço de salada, camarão, caranguejo e um monte de coisas que eu não posso provar enquanto observo meu pai babar em cima de Gabriella. Ele está fazendo o melhor para manipulá-la, mas agora que ela está com ele, ela está jogando o jogo dele.

Só que ela não está comprando a história dele. Ele também está em si para notar, e eu tenho que entregá-lo para ela. Ela é muito boa. Ela está realmente manipulando-o na conversa. Eles estão conversando sobre instituições de caridade. Ela participa de suas atividades voluntárias e ele acha que está com ela por causa do seu dinheiro, porque está tentando menosprezá-la por dar seus serviços. Então ela totalmente cravou nele.

— Então, o que você está dizendo é que eu não deveria ser voluntária e que deveria cobrar tudo o que faço? Não foi Sócrates quem disse: se um homem tem orgulho de sua riqueza, ele não deve ser elogiado até que se saiba como o emprega? Você está orgulhoso da sua riqueza, Langston?

Seu rosto instantaneamente fica vermelho e manchado. Ele não gosta de ser desafiado. Eu gentilmente aperto sua perna, dizendo-lhe para aliviar.

— Gabriella, quero te mostrar uma coisa. Você vai nos desculpar? Obrigado pelo almoço. Vemo-nos no final da tarde.

Gabby se levanta e pega minha mão. Eu não estou exatamente confortável com a forma como essa conversa foi. Quando nos dirigimos para um dos carrinhos de golfe estacionados abaixo, não é difícil sentir os olhos do dragão perfurando nossas costas quando saímos.

— Essa não foi a coisa mais sensata a fazer, Kea.

— Ele estava tentando me atrair.

— É verdade, mas você o insultou na frente de seus convidados. Ele não é um homem que gosta de brincar. E pior que isso, ele é um adversário perigoso.

— Eu não tenho medo dele.

— Oh, Kea, você deveria ter. Você deveria estar com muito medo dele.

Sua mão aperta a minha. Nós continuamos no carrinho e eu dirijo para os estábulos.

— Então, você está me levando para um passeio? Nunca montei um cavalo na minha vida e acho que posso deixar isso de lado. Eles me assustam bastante. Hum, sim. Muito grande e perigoso. Você sabe.

Eu me levanto e ouço-a. — Vamos. — Estendendo a mão, espero que ela a pegue. Quando o faz, eu a levo para dentro.

Deus, eu amo esse lugar. Foi um dos poucos lugares em que pude vir e me sentir seguro quando era criança. Mas não a princípio. Ah não. Essa foi minha punição. Ele me trouxe aqui e pensou que iria me ensinar uma lição. Mas saiu pela culatra, ainda me lembro de tudo.

— Você ama isso aqui, não é?

— Isso é óbvio, hein?

— Uh, sim. Você está radiante.

Eu me sinto tonto. — Não posso esperar para você conhecer Storm.

— Storm?

— Sim. Meu melhor amigo de infância.

Nós caminhamos pela fileira de estábulos, tudo limpo como um alfinete, nada fora do lugar.

— É isso que eu acho que é?

Eu me viro para ver Grady parado ali.

— Grady!

— Sr. Kolson Já faz alguns meses! Como você está?

— Estou bem e você?

— Ah, você sabe que estou sempre bem quando estou nos estábulos.

Ele sempre me faz rir.

— Grady, esta é Gabriella Martinelli.

— Senhora Martinelli. Prazer em conhecê-la.

— Hum Grady, é Dra. Martinelli.

— Ah, agora você não é uma coisa, Sr. Kolson, trazendo uma médica linda de volta para cá.

Gabriella ri da nossa troca.

— É um prazer conhecê-lo, Grady.

— Bem, como ele está indo, Grady? Eu tenho sido terrível em não vir aqui ultimamente.

— Ah, senhor Kolson. Você sabe que ele sente sua falta como louco. Quer saber onde seu melhor amigo esteve. Ele sente falta de seus passeios com ele, senhor.

— Venha. — Eu pego a mão de Gabby e a puxo para a última baia.

— Hey, amigo. — Storm agita suas orelhas e se agita quando me vê. Eu esfrego entre os olhos dele; suas pálpebras vibram e ele me bate com o nariz e as patas no chão. Ele sabe o que está prestes a acontecer e eu posso sentir sua excitação.

— Storm, eu quero que você conheça Gabriella. Você precisa ser bem gentil com ela. Ela nunca esteve em um cavalo antes, então você tem que lhe dar o tratamento real.

Ele joga a cabeça para cima e sua crina longa e sedosa voa para trás como se dissesse: — Como eu faria qualquer outra coisa? Nem pensar!

— Exibido— Eu rio.

Gabby se aproxima devagar e o inspeciona. Não há um cavalo vivo que seja mais impressionante que Storm. Mas eu sou um pouco tendencioso. Nós crescemos juntos, cavalo e cavaleiro, e eu aprendi minhas habilidades com ele quando ninguém mais podia tocá-lo. E não foi fácil. Nenhum de nós confiava no outro.

— Você pode acariciá-lo, Kea. Na verdade, se você não fizer isso, ele se sentira insultado.

Ela me lança um olhar.

— Eu não acredito em você.

— Estou falando sério. Storm não é qualquer cavalo. Ele é o rei do estábulo e sabe disso. Não é amigo? — Para confirmar minha declaração, Storm relincha.

Gabby diz: — Eu não acredito nisso. Vocês dois têm algum tipo de coisa acontecendo aqui.

— Storm e eu temos uma coisa acontecendo há anos, não é amigo? — Storm sacode sua cabeça. — Ei, Grady, você pode selar ele para mim enquanto eu me troco?

Gabby olha para mim com horror.

— Você não vai me fazer montar algo assim, vai?

— Não se preocupe Kea. Ele não vai te machucar. Eu vou deixar você montar nele, mas estarei com você todo o caminho.

— Kolson! Eu nunca montei a cavalo na minha vida.

— Está bem. Venha comigo. — Eu puxo-a para o prédio ao lado da sala onde o equipamento de montaria é armazenado, mudo rapidamente minhas calças e calço minhas botas. — Vamos. — É difícil conter minha excitação.

— Estou usando sandálias, Kolson.

Eu paro por um segundo e me viro para ela.

— Aqui— Entrego a ela um par de botas da minha mãe. — Estas devem caber. — A hesitação nela me incomoda, mas sei que uma vez que ela esteja montada em Storm, irá ficar bem. Caminhamos para fora e Grady nos encontra com Storm, que está literalmente impaciente.

— Espere aí, amigo. Estamos a caminho. — Digo.

Grady ri.

— Ele com certeza está animado em vê-lo, senhor. É melhor você segurar as rédeas dele ou ele vai enlouquecer com você.

— Grady, eu o estou deixando à sua vontade. Já faz muito tempo para ele.

Grady ri novamente. — Sim, senhor.

— Meu Deus, ele é enorme. — Gabby olha para ele.

— Quase dezessete palmos de cavalo. Ele é de uma raça equina europeia e tem muito orgulho de si mesmo. — Puxando-me para Storm, me sento atrás da sela. Pegando a mão de Gabby, digo: — Grady, você pode dar um impulso?

— Eu estou andando com você?

— Você não acha que eu deixaria você fazer isso sozinha, não é? Eu disse que você não tinha nada com o que se preocupar.

Batendo a palma da mão contra a minha, ela sorri.

— Tudo bem então, vamos dar uma chance a essa coisa.

Ela se instala na minha frente na sela.

Peço a Grady que encurte os estribos. Ele olha para a posição das pernas dela, faz as devidas modificações e estamos prontos.

— Eu não tenho ideia do que fazer com o meu corpo. —Diz Gabriella.

Eu não consigo parar de rir.

— Eu tenho todos os tipos de ideias do que você pode fazer com o seu corpo.

Ela me dá uma cotovelada.

— Tudo o que você precisa fazer é sentar e relaxar. Por que você não acaricia sua crina? Ele ama isso.

Seus dedos afundam em sua seda e ela suspira. — Meu Deus, é tão macio. E brilhante. Eu nunca vi uma tão longa. Ele é tão lindo. Ele é quase azul, de tão negro. — Ela coça o pescoço dele e Storm se levanta.

— Ele gosta disso. Você vai estragá-lo. Você está pronta para cavalgar?

— Não sei. Eu não sei o que fazer.

— Vou andar um pouco para que você se acostume com a sensação. E então você vai se divertir. Como isso soa?

— Bem. Mas a que me apego?

— Se segure na sela ou você pode usar a crina dele. Mantenha os pés nos estribos. Você se sentirá mais segura assim. E não se preocupe. Eu vou segurar você.

— Uh o quê?

— Sim, eu tenho você. Outra coisa. Nós vamos rápido. Então não tenha medo. Apenas se divirta.

— Por que isso soa assustador?

— Porque você está deixando soar assustador. Vê esse campo à frente?

— Sim.

— É aí que a diversão começa. Não é verdade, Storm?

Storm vira a cabeça no ar. Eu rio. Não quero que Gabriella tenha medo, mas já estou pronto para dar a Storm a liderança nisso.

— Eu estou o deixando ir agora. Se você acha que precisamos parar, apenas diga. Eu não quero que você enlouqueça. E só para você saber, eu preciso das rédeas para guiá-lo, então não pegue nelas.

— Você será capaz de fazer tudo isso comigo na sua frente?

— Não se preocupe, Kea. Eu posso fazer um monte de coisas com você na minha frente.

— Muito engraçado.

Com um movimento das rédeas, Storm está livre. Gabby solta um grito alto e por um segundo suas mãos voam no ar e depois se agarram à crina de Storm.

— Relaxe, Gabriella. Está tudo bem.

O vento sopra e Storm nos leva no seu passo. É um dia perfeito para um passeio: ensolarado e quente, não há uma nuvem carregada no céu.

Um braço apertado em volta de Gabriella e outro nas rédeas e deixo o sol me aquecer. O fluxo do vento limpa minha apreensão do que está por vir esta noite. Como sempre acontece, uma calma se infiltra em mim quando Storm nos carrega sobre pequenas colinas e vales.

Leva mais tempo do que o habitual para se cansar, o que só posso atribuir à minha ausência prolongada, mas no devido tempo ele o faz. Seu galope completo diminui a um galope e finalmente um passeio. Ele nos leva ao seu bebedouro de água favorito, um riacho borbulhante, e sacia a sede que criou.

— Quer esticar as pernas?

— Não acho que possa me mover.

Estico meu pescoço e percebo que seu rosto está mais do que um pouco pálido.

— Droga, você está bem?

— Além de estar com muito medo? Porra, Kolson, eu pensei que ia quebrar a porra do meu pescoço!

Depois que desmonto, ajudo-a a descer. — Kea, eu te disse para não se preocupar. Posso contar uma história?

Ela sacode a cabeça e tenta se afastar. Suas pernas bambas não a deixam ir longe.

— Ouça, por favor,— Minha mão a para e nos encaramos. Na verdade, é mais como se eu olhasse e ela olha de volta para mim. Eu me recuso a quebrar o contato, no entanto. Ela precisa ouvir isso.

Finalmente, um leve aceno dela me dá o sinal verde.

— Storm era o único amigo que eu tinha quando crescia. O dragão comprou-o como uma piada. Eu tinha doze anos e nunca tinha andado a cavalo antes. Storm não era adulto, mas perto disso. E você vê o quão grande ele é. Meu pai me colocou nele e me soltou. Eu estava com muito medo. Storm me jogou fora e papai me fez voltar. Eu não queria, mas nunca em um milhão de anos era permitido mostrar medo. Meu castigo teria sido infinitamente pior. E assim foi. A cicatriz no meu lábio é de uma das quedas. Eu quebrei meu braço também. Estava constantemente machucado, mas meu pai me fez continuar a montá-lo.

— Eu comecei a me esgueirar até os estábulos porque ouvi que Storm não deixava ninguém montá-lo. Não era só eu. Papai me fez pensar que era o único que não conseguia lidar com ele. Me fez acreditar que eu era um covarde. Mas eu escutei os garotos do estábulo um dia e o quanto meu pai estava chateado porque ele estava tentando montar Storm e não conseguia nem colocar o assento da sela. Então tomei uma decisão: eu faria o que fosse necessário para montar aquele cavalo. Comecei a lhe trazer cenouras e maçãs, todos os tipos de doces. Mas então eu entrava no estábulo depois da meia-noite, quando todos estavam dormindo, e apenas conversava com ele. Eu percebi que se ele se acostumasse a ouvir minha voz, não ficaria assustado quando estivesse nas suas costas.

— Não sei bem o que foi, mas um dia, montei, e ele sacudiu sua crina gloriosa, como se dissesse: Para onde, chefe? E desde então, nós compartilhamos um vínculo. Além de mim, apenas outra pessoa pode montá-lo, e esse é Grady. Meu pai não pode se aproximar dele sem que Storm crie um tumulto. Eu acho que ele pode sentir o quão filho da puta ele é. Eu tento vir aqui a cada duas semanas para exercitá-lo, porque Grady não gosta de dar rédea solta a ele como eu faço. Storm não deixa nada acontecer comigo. Ele sente meu assento, Kea. Ele entende que sou eu nele. Há uma coisa entre nós. Eu amo esse cara quando não tinha mais para onde ir, podia correr até ele, e ele me levava a lugares e me deixava esquecer por um tempo. Seu pescoço nunca esteve em perigo. Eu nunca a colocaria em perigo. E Storm nunca colocaria o meu em perigo.

Ela está diante de mim, estende a mão com o dedo indicador e traça a cicatriz que se estende pelo meu queixo. A próxima coisa que sinto, é a boca dela sobre isso. E eu quero rasgar a porra da roupa dela bem ali. Mas não o faço. Eu dou a ela esse momento.

— Obrigada por compartilhar essa parte de si mesmo comigo. — Suas mãos se movem para o meu cabelo e ela se levanta para pressionar um beijo nos meus lábios. Mas isso não vai fazer nada. Eu a agarro e esmago seu corpo exuberante contra o meu. Contra a sua boca, eu digo a ela: — Kea, eu quero te dizer cada coisa sobre mim, e quando chegar a hora certa, mas agora eu preciso da sua boca na minha. E então quero compartilhar outra parte de mim com você.


CAPÍTULO DOIS

Gabriella


Se eu não o amasse para caralho, iria socá-lo agora. Mas não posso porque ele compartilhou uma parte profunda de si mesmo e é tudo por causa daquele maldito cavalo. Sim, aquele que eu pensei que seria minha morte. Estar aqui viva é uma maravilha para mim, e mais ainda pensar no fato de que Kolson acaba de revelar uma parte significativa de seu passado para mim. Seu pai e o meu deveriam ser amigos. Eles são ambos fodidos malvados que deveriam ser trancados em uma masmorra.

— Então eu suponho que preciso fazer amizade com seu amigo lá, hein?

Kolson ri. — Foi tão ruim assim?

— Pense na primeira vez que você o montou.

— Sinto muito. Eu não pensei assim. Eu sabia que ele não iria...

— Você sabia. Eu não. Eu conheço os bastidores agora. Mas por que você não me disse de antemão? Acho que teria gostado mais do passeio. Eu estava enlouquecendo, Kolson. Mas acho que você estava tão animado em vê-lo que não percebeu.

Ele chega a mim como um raio.

— Kea, sinto muito. Essa não foi minha intenção.

— Eu sei disso. No entanto, isso não muda o fato de que eu estava com medo. Então, agora que você explicou. — Faço uma pequena alça com o dedo. — Leve-me ao seu melhor amigo e vamos ser todos amigos.

Um canto da boca dele aparece. — Ainda não. Eu quero você para mim mesmo por um tempo.

Suas mãos sobem a minha camisa e o calor envia arrepios na minha espinha. Seus polegares pressionam minha cintura e afundam em minha carne enquanto ele inclina a cabeça em direção ao meu pescoço. Ele não me toca; ele só inala. Profundamente. Como se estivesse preenchendo uma necessidade urgente. Depois de um tempo, ele deixa todo o ar ir e seu calor me derruba.

— Seu perfume é tão intoxicante.

Suas mãos saem da minha cintura e ele puxa minha camisa sobre a minha cabeça. Quando estou de pé no meu sutiã de algodão branco, olho em volta para me certificar de que estamos sozinhos.

— Não há ninguém a quilômetros de nós.

Como ele sempre lê minha mente?

Um dedo se prende sob uma alça e ele desliza do meu ombro. Sua boca aperta um leve beijo no lugar onde minha pulseira costumava ficar. Ele repete a ação com a outra alça.

— Solte seu sutiã.

Não penso em desobedecê-lo. Por que deveria? O olhar em seu rosto é tão convincente; eu não quero nada mais do que agradá-lo. Meu sutiã cai no chão em uma penugem branca.

— Calça.

Eu aperto o botão da minha calça jeans e desfaço. Segundos depois, ela se junta ao meu sutiã. Com nada além de uma calcinha de biquíni branca de algodão, fico em pé diante dele.

— Vire-se.

Ele gosta de olhar para minha bunda, então eu dou a ele um show.

— Só você poderia fazer o algodão parecer incrivelmente sexy. Livre-se de sua calcinha, a menos que queira deixá-la em pedaços. — Normalmente, eu não me importo, mas a ideia de andar de volta sem calcinha não me atrai, então as deslizo.

Kolson me adora com as mãos. Ele acaricia meus seios, puxando meus mamilos até que eles queimam. Eu arqueio para ele, mas quero sua boca sobre eles mais do que suas mãos. Ele me vira, me puxa contra ele e abre a mão no meu abdômen.

— Você é linda, perfeita, Kea. Você sabe isso? Toda vez que eu toco em você, só me faz querer tocá-la mais.

Cabeça mergulhando, boca tocando, língua lambendo, sensações em erupção em todo o meu corpo como milhares de faíscas acendendo ao mesmo tempo. Meus braços alcançam seu pescoço porque quero me aproximar dele, se isso for possível.

— Eu quero você. Não, eu preciso de você, Kolson. Por favor.

Tão rápido que mal consigo pensar, ele me vira para encará-lo. Os dedos desabotoam sua camisa com uma velocidade incrível. Quando ele tira e entrega para mim, minhas sobrancelhas levantam.

— Coloque isso. Você verá por quê em um momento.

Ele termina de tirar e puxa-me pela mão para a árvore mais próxima. Antes que eu possa compreender qualquer coisa além da árvore, ele esmaga sua boca na minha, tomando qualquer pensamento razoável. Tanto sexo derramado em um homem não deve ser legal. Pele morena embrulhada firmemente sobre o músculo afiado, ele é profundamente bonito. E toda vez que eu o vejo, meus pensamentos sobre sua beleza se tornam mais profundos. Ele cantarola na minha boca enquanto sua língua procura a minha, mordiscando meu lábio inferior.

— Seus lábios são tão macios e doces. Eles..., — ele balança a cabeça, — eu preciso de você, Kea. Eu sempre preciso de você. Você me pegou. Faça tudo certo novamente.

Ele cai de joelhos e enterra o rosto entre as minhas pernas. Eu choro. E isso só o faz lamber mais rápido. Minha perna está sobre seu ombro, ele já fez isso comigo muitas vezes antes, meu corpo sabe exatamente como se posicionar para o melhor ângulo. Seus dedos me espalham, me abrindo para ele, expondo meu clitóris. Sua língua circunda, mas é quando seus lábios se envolvem e chupam que eu mais amo. E então ele faz essa coisinha com a língua enquanto suga e me manda para o limite. Sempre. E quando chego ao clímax, minhas mãos estão segurando seu cabelo, quase arrancando, e o pobre homem nunca se queixa.

Ele ainda está de joelhos e diz: — Você é tão suave, como as pétalas de uma rosa. Eu já te disse isso? E você tem gosto de caramelo salgado. — Seus polegares roçam de um lado para o outro em mim, me tocando, não de uma maneira sexual, mas mais tátil. Como se ele não conseguisse chegar perto o suficiente.

— Kolson. Faça amor comigo. Eu preciso de você. Dentro de mim.

— Sim. — Ele se levanta e tem seus olhos cheios de amor e luxúria, e puxa meu cabelo para trás.

— O que é isso? Há algo diferente em você. Eu posso sentir isso.

— Eu te amo.

— Eu te amo também.

Sua testa toca a minha enquanto suas mãos se envolvem ao meu redor, me levantando para ele. Ele lentamente entra em mim, mas depois balança a cabeça.

— O quê?

— Eu pensei que isso seria rápido e furioso, contra esta árvore, mas acho que te quero devagar agora.

Ele se vira, cai de joelhos e gentilmente me coloca de costas. Seus quadris giram e ele está em mim, até o punho, até eu engasgar. Então ele puxa para fora, tão lentamente, e repete o movimento. É atormentador enquanto mordo meu lábio para não gritar.

— Grite Kea. Ninguém pode te ouvir.

Quando abro a boca para fazê-lo, o grito é engolido pelo beijo dele. Ele enlaça meus dedos com os dele enquanto levanta minhas mãos acima da minha cabeça, mantendo nosso ritmo enquanto continua a me torturar, retirando quase todo o caminho, depois empurrando de volta até que seu piercing acaricia aqueles lugares dentro de mim que me fazem tremer. Mão no meu quadril, sua boca afunda no meu peito e seus dentes afundam suavemente em mim. Oh, meu sangue aquece em minhas veias e meu prazer se eleva. Sua boca viaja para o lado do meu peito, onde ele suga e belisca. Apenas intensifica a sensação de seu pênis quando ele entra e sai.

— Mais rápido! — Insisto.

— Não.

Ele faz isso... Gosta de estar no controle.

Um segundo ele está bem ali e no próximo ele está de joelhos, recostado, minhas pernas bem abertas e ele entrando e saindo em um ritmo dolorosamente lento. Ele nunca para de me observar... Minha reação. Suas mãos estão abaixo de mim, levantando minha bunda, e é tão bom. Cada vez que ele me enche, gira seus quadris no final e eu gemo quando seu piercing bate naquele ponto, o que me deixa louca. Meu orgasmo se aproxima e eu digo a ele.

— Eu sei. Eu posso sentir isso. Gabriella quero você no meu colo quando gozar.

Ele se senta e me puxa em cima dele, me envolve em seus braços, e agora eu tenho controle, então me movo mais rápido. E então começa... Aquela sensação cambaleante que sempre começa nos arcos dos meus pés e sobe por minhas pernas, alcançando meu núcleo, estendendo-se para cima e jogando meu corpo em euforia instantânea. Chamo o nome dele e ele goza também.

Este é um momento de ternura entre nós. Algo está diferente com Kolson. Ele não vai me dizer, mas eu sei que tem a ver com essa maldita visita. Minha aposta é se ele pudesse fisicamente rastejar dentro de mim agora, ele iria.

Recostando-me apenas um pouco, eu o estudo.

— Um dia desses, eu vou lamber cada centímetro de você e depois mordiscar você em pedaços. Especialmente sua bunda. Eu amo sua bunda. Isso me lembra um pêssego perfeito.

Suas sobrancelhas arqueadas.

— Um pêssego, hein?

— Sim. Perfeitamente formado, firme, delicioso. Só estou te dando um aviso justo.

— Aviso tomado. Estou ansiosa para isso.

— Eu amei isso. Não que eu não ame toda vez que fizemos sexo, mas foi muito legal. Foi doce. E intenso ao mesmo tempo. — Eu gentilmente passo meus dedos em suas bochechas.

— Estar aqui me faz pensar sobre o quanto eu te amo e como eu aprecio o fato de ter você em minha vida.

— Isso é tudo?

— O que você quer dizer?

Ele é tão adorável, sentado nu na minha frente. Empurro minhas mãos pelos cabelos e, em seguida, passo o dedo sobre a cicatriz. Colocando minha bochecha contra a dele, eu digo: — Você está agindo um pouco diferente, é tudo.

Ele endurece.

— Sinto muito. É este lugar.

— Não se desculpe. Apenas fale comigo. Isso é tudo que eu peço. Não estou te pressionando para me dizer coisas que você não quer, mas para ser aberto comigo.

Ele concorda.

— Uma coisa, Kea. Não aborreça o dragão. Ele é um homem muito perigoso. Eu sei que você não tem medo dele, mas deveria ter. Ele tem conexões que podem arruinar você.

— Eu não entendo.

Kolson olha para o céu por um momento e depois de volta para mim. — O dragão está no ramo do cassino há muito tempo. Ele passou por muitas mudanças, mas ainda existem algumas entidades dominantes. E ele é parte disso. Você está me acompanhando?

Eu me inclino para perto. — Você está falando sobre o crime organizado?

Ele olha de volta. Isso, por si só, é resposta suficiente.

— Porra. — Minha testa franze enquanto engulo. Os raios do sol perfuram os galhos, riscando a paisagem com lanças douradas de luz. Apesar da beleza que nos envolve, sinto que há uma escuridão nos cercando. Isso lança ainda mais luz sobre o pai de Kolson. Ele está me alimentando com migalhas de pão. Não admira que a mãe dele seja ignorante.

— Só não o antagonize mais. Prometa-me, Kea.

— OK. Eu vou me comportar. — Agora que minhas entranhas estão em nós, eu me pergunto como ele vai agir quando retornarmos. Ouço um som estrondoso e olho para cima para ver uma cabeça preta e dois orbes negros me observando.

Kolson ri. — Você está checando ela, Storm? Muito gostosa, não é?

— Oh meu Deus. Você não perguntou opinião ao seu cavalo, pois não?

— Isso aí. Eu conto tudo ao meu cavalo.

A orelha de Storm cintila. Então ele balança a cabeça.

— Ei, ele está relacionado com esse cavalo falante? Você sabe nesse antigo programa de TV?

Kolson solta uma gargalhada. — Você quer dizer Sr. Ed?

— Sim, Sr. Ed. Este é o Senhor Storm? Ele vai me chamar de Wilbur?

Nesse exato momento, Storm bate no chão e Kolson ri ainda mais.

— Ok, este cavalo está possuído.

— Possuído? Com o quê?

— Um ser humano. Eu acho que ele é realmente um homem.

— Você sabe, eu estou apaixonado por esta grande psiquiatra e ela está tomando novos pacientes.

Eu não posso deixar de rir de novo.

— Sim, e eu ouvi que ela precisa do negócio.

— Venha cá. — Estou de volta ao seu colo e ele está me beijando.

— Você tem todo o negócio que precisa. Bem aqui, Kea.

— Hmm. Eu gosto desse tipo de negócio. Posso morder sua bunda agora?

— Não que eu não possa esperar por isso, mas terá que ser hoje à noite. Precisamos voltar antes de irritar ainda mais meu pai.

Nós nos vestimos e não posso deixar de notar as manchas de grama na camisa de Kolson.

— Hum querido, sua camisa está um pouco verde.

— Então?

— Apenas dizendo.

— Não é como se eles não conseguissem descobrir o que estamos fazendo.

— Você já trouxe um encontro aqui? — Minha curiosidade deixa minha boca um pouco sem filtro.

Ele está pegando as rédeas de Storm quando a cabeça dele gira. — De jeito nenhum. Por que diabos eu faria isso?

Estou tão chocada com a reação dele. Eu estava esperando um simples sim ou não. Quando ele vê meu rosto, sua expressão dura suaviza imediatamente.

— Sinto muito. Eu não queria pular em você. É que desprezo este lugar e raramente venho aqui. Na verdade, eu me esgueiro até aqui para montar Storm e é só isso. Estar aqui me deixa doente, na verdade. Eu nem digo a minha mãe que estou indo. Pensei em mover Storm para um estábulo mais perto da cidade, mas Grady cuida tão bem dele e Storm é tão dedicado que não deixa ninguém além de Grady ou eu perto dele. Eu acho que se o mudasse iria matá-lo. Além disso, tecnicamente não sou proprietário de Storm. Meu pai ainda é. Eu só posso imaginar o alvoroço que ele faria se eu o levasse para longe daqui.

— Entendo. Bem, foi algo idiota para peguntar. — Digo.

Penso que ele acha isso reconfortante porque às vezes eu posso sentir sua tensão se dissipar. Meu coração bate na minha caixa torácica quando olho para ele. Só ele é capaz de me fazer sentir assim. Se eu olhar para ele por muito mais tempo, vou tirar a roupa novamente.

— Kea, não olhe para mim assim ou você estará de volta contra aquela árvore.

— Exatamente o que estava pensando.

Rédeas de Storm na mão, Kolson monta e depois me puxa para cima. Quando estou montada, ele me lembra onde colocar minhas mãos. Seu braço está apertado em volta da minha cintura e minhas costas estão contra ele. — Não tenha medo desta vez. — Sua respiração quente faz cócegas na minha orelha e eu tremo. — Está com frio?

— Não.

— Assustada, então?

— Ainda não. Você é simplesmente sexy quando fala no meu ouvido. — Seus dentes gentilmente puxam a carne macia do meu lobo e arrepia-se em erupção. — Pare. Isso não é justo. Você está se aproveitando de mim.

— E o que há de errado com isso?

— Eu não posso lutar de volta.

Ele ri e aperta as rédeas.

— Relaxe agora e deixe Storm fazer o seu exercício.

Em um instante, o cavalo está a todo vapor, junto com meu coração. Eu não posso negar que estou com medo. É estimulante, mas minhas mãos apertam a crina de Storm e espero que eu não arranque as coisas pelas raízes. Como Kolson faz isso, eu nunca vou saber.

— Respire Kea.

Eu faço.

— Novamente.

Sua mão se espalha em meu abdômen e me conforta quando ele me puxa para mais perto dele.

— Eu tenho isso. Você está segura comigo. Eu adoraria ver você sozinha, cavalgando como o vento.

— Uh... — Minha mente não consegue pensar em falar.

— Sinta a força da Storm abaixo de nós. Não é incrível?

Não é exatamente o que eu estava pensando, mas não vou estragar sua diversão.

— Você deve senti-lo quando ele pula.

— Saltos? Ele pula?

Eu sinto mais do que ouço sua risada retumbando em seu peito. Se eu fosse capaz, o acotovelaria.

— Não se preocupe; eu não vou levá-lo a isso hoje. Mas ele é majestoso quando o faz.

Uma grande parte de mim adoraria ver Kolson cavalgando Storm e vê-los pular. Mas não quero estar no cavalo com ele quando o fizer. Estranhamente, começo a me acomodar no cavalo. Kolson imediatamente percebe.

— Boa garota.

— OK. Agora você está falando comigo como se eu fosse um cachorrinho.

— Não, estou feliz em sentir você relaxando. Eu quero que você se divirta.

Antes que eu saiba, estamos de volta aos estábulos. Grady me ajuda a desmontar enquanto Kolson pula fora como se nada fosse.

— Então, doutora, como foi?

— Assustador.

Grady ri. — Sr. Kolson cavalga como se sua cauda estivesse em chamas e Storm também. Quando monto Storm, ele não fica tão feliz como quando o Sr. Kolson o leva para fora.

— Hmm. Então nem todo mundo anda tão rápido assim, hein?

— Não Senhora. Esses dois são um par, no entanto.

— Eu posso ver isso.

— Gabriella, nós precisamos voltar para casa. Diga adeus a Storm.

Olho para Kolson, está completamente sério. Ele age como se Storm fosse uma pessoa. Está bem, então.

Movendo-me para a cabeça de Storm, sinto que preciso sacudir seu casco ou algo assim. Talvez eu deva me curvar a ele. Ele parece tão digno e digno de arco.

— Storm, foi um prazer conhecê-lo hoje. Obrigada pela linda tarde. Além disso, sinto muito por puxar sua juba tão forte. Espero não ter te causado muita dor. — E sou sincera sobre isso. Coitado o pobre provavelmente terá um pescoço dolorido por dias.

Storm balança a cabeça.

— Tem certeza de que você não é um humano preso nesse corpo de cavalo?

Kolson ri. — Até mais, amigo.

Nós entramos no carrinho de golfe e voltamos para casa. No caminho, Kolson me lembra de ser boa.

— Não antagonize o dragão.

— Eu não vou. Juro.

Quando voltamos, somos informados de que os coquetéis são às sete. Dirigimo-nos para o nosso quarto e, no caminho, lembro-me da última vez que visitamos. Tudo é tão escuro e severo aqui. O mobiliário é enorme e ornamentado. Tudo é exagerado, não é de bom gosto, dando a impressão de que os Harts querem que todos saibam que têm dinheiro. Este lugar me dá arrepios. Nada é reconfortante e convidativo. Não há calor. Não é de admirar que Kolson odeie tanto.

— São cinco e meia. Precisamos tomar banho e nos trocar. Chegar atrasado não é uma opção, — informa ele.

— Não se preocupe. Eu prometo não irritar o velho Papai Querido, — eu digo enquanto vou ao enorme banheiro para tomar banho. A última coisa que quero fazer é balançar este barco mais do que já fiz, minha boca ficará fechada hoje à noite.

O que Kolson me disse anteriormente continua passando pela minha cabeça. Crime organizado. Papai é um homem perigoso, de fato. Quanto mais cedo este fim de semana acabar e quanto mais rápido pudermos dar o fora daqui, melhor nós dois estaremos.


CAPÍTULO TRÊS

Kolson


Os coquetéis são servidos no terraço, como eu esperava. É o lugar favorito de minha mãe e esta é uma vez que o pai vai se render a ela. Em todas as outras coisas, ele consegue o que quer. Nós somos os primeiros a chegar, para surpresa do meu pai. Eles contrataram novos funcionários desde a última vez que estive aqui. O temperamento cortante de meu pai e sua incapacidade de ficar satisfeito torna difícil manter os criados por qualquer período de tempo. Quando criança, eu nunca conseguia acompanhar seus nomes.

Mamãe tem o terraço decorado com aquelas pequenas luzes que ela ama. Ainda não está escuro, mas imagino que, quando chegarmos ao jantar, o sol já se pôs. Flores estão dispostas em toda parte e suas lanternas a gás já estão acesas. Ela faz um excelente trabalho de decoração, vou lembrar-me de dizer a ela. A noite de setembro está começando a esfriar, então ela tem a lareira acesa, assim como os aquecedores. Nós recebemos champanhe, quer queiramos ou não. — Mãe ama champanhe. É sua marca registrada em suas funções.

— Obrigada, — diz Gabriella enquanto toma um copo. —Hummm delicioso.

— Meu favorito. — Minha mãe se junta a nós.

— O que é isso? — Gabby pergunta.

— Espere, deixe-me adivinhar! — Interrompo. — Charles Heidsieck Brut Reserve?

Minha mãe ri. — Meu filho me conhece tão bem. — Abstenho-me de comentar. Eu gostaria de dizer que mal nos conhecemos porque ela esteve escondida de mim a vida toda, temendo tudo que meu pai diria ou faria. O que eu lembro é que ela passou a maior parte do tempo em seu quarto.

— Mãe, o que aconteceu com o seu amor por Dom Pérignon?

— Oh, eu ainda amo isso, mas essa safra é tão gostosa. Você não concorda?

— Concordo porque eu mesmo amo isso. O que você acha Gabriella?

— Hum meus gostos não são tão sofisticados quanto os seus. Mas é maravilhoso. — Ela sorri, mas tenho a sensação de que está desconfortável. E não é de admirar. Ela não podia comprar um café Starbucks há alguns meses. Mas as coisas mudaram para ela desde que mudou seu escritório para Case.

— Vocês dois gostaram do seu passeio esta tarde?

— Mãe, você tem que perguntar?

— Filho, eu estava pedindo mais pelo amor de Gabby. Eu não sabia que ela montava. Em qual cavalo você a colocou? Espero que você a tenha colocado na Daisy.

— Não, ela montou Storm.

Minha mãe olha para mim com horror. — Você não fez isso!

Eu ri. — Pare de se preocupar. Nós o montamos juntos.

— Kolson, você quase me deu um derrame.

— Sylvia, ele quase me deu um também.

Mamãe lança um olhar simpático para Gabby. — Pobrezinho. Esse cavalo é bastante ameaçador. Ele me assusta aos montes. Eu nem vou perto de sua baia.

— Sabe Sylvia, depois de um tempo, acho que ele se acostumou comigo.

— Oh, Gabby, não se engane. Ele só fez isso por causa do meu filho. Se você tentasse montá-lo sozinha, ele quebraria seu pescoço.

Gabby olha para a minha mãe e vê o quão, séria ela está.

— Jesus, mãe, você a está assustando. Storm não machucaria Gabriella. Além disso, eu nunca a colocaria sozinha nele. Ela é uma cavaleira inexperiente, pelo amor de Deus.

— Bem, eu sou experiente e não vou me aproximar dessa fera.

Agora estou chateado. — Aquela besta salvou minha vida. Então pare com isso. Acho que precisamos mudar o assunto aqui.

Nesse momento, a porra do dragão decide se juntar a nós.

— O que tem todo mundo aqui tão confuso?

Minha mãe, em sua maldita estupidez, abre a boca. — Kolson tinha Gabby em cima de Storm hoje. — Ela dá um tapinha no peito, como se fosse desmaiar.

O dragão olha Gabby e, em seguida, joga a cabeça para trás e ri. — Eu aposto que ele te deu um bom passeio.

— Jesus Cristo, eu estava com ela. O que diabos está errado com todo mundo?

Gabriella fala desta vez. — Eu estava com medo da primeira parte, mas depois me acomodei e achei muito empolgante.

E droga, eu gostaria que ela não tivesse dito isso.

O dragão olha para ela. — Você sabe? O suficiente para montá-lo sozinha? — Ele desafia.

Minha mandíbula aperta. Ele está atraindo-a novamente. Porque ele faz aquilo? E mamãe estupidamente fica com aquele sorriso inocente em seu rosto. Como alguém pode ser tão cego?

— Sério pai. Você cavalgaria Storm sozinho? — Ok, isso foi idiota. Por que diabos eu disse isso? Ele franze a testa para mim com olhos ardentes. Eu juro que às vezes eles brilham em vermelho.

Um empregado se aproxima, sem perceber a tensão, e segura uma bandeja de aperitivos. Eu não presto atenção ao que eles são, mas pego um e coloco na minha boca. Gabriella, sempre educada, pega uma e delicadamente a come. Enquanto eu a observo, fico excitado pela maneira como as pálpebras dela vibram em resposta às papilas gustativas dela. Como isso é possível em meio a todo o tumulto da nossa conversa recente? Só ela poderia fazer isso comigo.

— Mmm, isso é delicioso, Sylvia. Seu chef é excelente.

— Obrigada, querida.

Bingo. Boa mudança de assunto. Até papai relaxa. Outros convidados se juntam a nós e ele sai para conversar com eles, graças a Deus. Quando mamãe sai, Gabby diz: — Isso foi divertido. — A cara engraçada que ela fez me faz rir. — Eita, ele tem uma coisa por esse cavalo, hein?

— Algo parecido. Ou é mais como ele tem uma coisa para tudo que eu gosto.

— Eles realmente são estranhos sobre o seu cavalo.

— Como eu disse ninguém pode montá-lo.

Gabby inclina a cabeça e diz: — Você ama isso, não.

— Claro que sim, — Eu envolvo um braço em volta da sua cintura. — É melhor irmos e nos misturarmos.

Cumprimos nosso dever e realizamos breves conversas com pessoas de quem não me importo. Eu me pergunto o quão apertadas tem meu pai suas bolas. Risos falsos e sorrisos forçados estão ao nosso redor, exceto pela minha mãe crédula. Ela fica lá em sua glória, amando cada minuto.

Quando meu pai se aproxima de Gabby e eu de novo, pergunto onde Kestrel está.

— Oh, ele não conseguiu. Surgiu uma coisa.

— Isso é interessante! — Digo. Meu comentário não passa despercebido.

— Por que você diz isso?

— Porque ele está sempre colado ao seu lado.

— Sim, está. Ele e eu estamos bem próximos.

Isso é o que ele chama. Eu diria que é um relacionamento doentio. Kestrel aguenta cada palavra dele por algum pequeno sinal de elogio. Isso me deixa mal ao vê-los juntos.

Papai sorri. — Sem dúvida ele está acalmando uma pobre garota que ofendeu.

Eu não estou interessado nas conquistas femininas de Kestrel. Tem havido muitas para eu contar. Sempre isso ou aquilo. Papai pagando para ficar longe depois do rompimento. Kestrel não pode ficar sem uma mulher. Tem que ter uma pendurada nele constantemente. Há uma razão para isso, mas não discutimos isso.

— Então, Gabby, você está gostando de estar no campo?

— Eu gosto da mudança do ritmo frenético da cidade. Uma boa pausa.

— Boa. Diga-me, como vão as coisas com a sua atividade?

— Papai, eu pensei que você falou sobre isso no almoço.

Ele não se importa com a minha interrupção.

— Eu só quero conhecer a garota que roubou o coração do meu filho. Isso é uma coisa tão terrível?

Como diabos eu devo responder isso sem parecer um idiota? — Nem um pouco. — Eu faço uma careta, embora eu tente não fazê-lo.

— Está bem. Ocupada. Sempre há algo.

— Bom. Bom.

Ele não é genuíno.

— Estou trabalhando muito com viciados em drogas.

— Sim. Eu estou ciente. — Ele é curto com ela. Ele não quer discutir isso. Eu aceno com a cabeça ligeiramente, indicando que este tópico está fora de alcance.

— O que exatamente você gostaria de saber sobre mim?

— Conte-me sobre o seu primo Danny.

Meu champanhe bate quando ela engasga. O filho da puta tinha que ir lá.

— Com todo o respeito, senhor prefiro não contar. — Diz ela, olhando-o diretamente nos olhos.

Ele recua. Ele não esperava essa resposta, tenho certeza, e não é boa. Porra. Esta vai ser uma noite ruim.

— Compreensível. Deve ter sido uma experiência muito ruim para você.

Ele persiste. Que imbecil.

— Bastante.

— Então, pai, como vai o negócio?

Carrancudo, ele diz: — A expansão de Vegas está indo bem.

— Vegas?

— Sim. Você não sabia. Mas então, como você pôde? Você não está mais envolvido no negócio.

— Não, não estou.

— Você aposta, Gabby? — Pergunta ele.

— Receio que não.

— Oh. Isso é uma vergonha. Pode ser muito divertido.

— Eu nunca tive dinheiro extra para jogar, Langston. Então nunca aprendi como jogar qualquer um dos jogos.

— Filho, você precisa trazê-la para um dos cassinos. Ensine-a. Ela gostaria disso.

Eu me encolho. O pensamento de Gabriella pisando em um dos seus lugares quase me faz estremecer.

— Certo.

Alguém puxa meu pai para longe. Gabriella se vira apenas para que eu pudesse ver seu rosto.

— O que é que foi isso? Ele não se importa nem um pouco em se aproximar de seu alvo, não é?

— Você está começando a ver o verdadeiro Langston agora.

Ela pega minha mão, se inclina e me dá um beijo rápido na bochecha. — Graças a Deus você acabou diferente.

Eu solto uma risada amarga quando jogo meu braço sobre seus ombros e a trago para mais perto. — Seria apenas a minha teimosia.

— Hmm. Acha que precisamos nos misturar?

— Sim, mas dane-se se eu quero.

Ela pega minha mão e nos movemos pela multidão. Novamente somos engolidos pelas conversas estúpidas que eu mal presto atenção. Nós nos mudamos para a casa para o jantar e servimos um extravagante festival de sete pratos e depois não consigo me lembrar de nada do que comi.

Então o dragão puxa sua besteira habitual perfeitamente orquestrada. Ele tem Gabby presa em uma conversa unilateral e casualmente me pede para ir à adega para pegar mais algumas garrafas de vinho. Aparentemente ele não trouxe o suficiente para a refeição. Certo. Eu não sou um idiota. Conheço esse jogo. É o lugar ideal. Eu me contorço e Gabby me dá uma olhada. Ela não sabe... Não sei por que detesto este momento. Congelo. Meus pensamentos pingam. Como posso me livrar disso? Que desculpa posso usar para evitar a adega?

Sua mão está na minha coxa e ela aperta, trazendo-me de volta ao meu dilema. Eu pego a dela e ela sente minha angústia.

— Kolson, me leve com você. Eu nunca vi uma adega.

Ah, doce resgate.

Minha voz é rouca quando respondo.

— Certo. Venha, Kea.

O dragão dispara adagas para nós dois. Seu plano sai pela culatra e ele não gosta nem um pouco.

Nós nos movemos pela casa e descemos os degraus. Minha respiração ofegante através da minha traqueia enquanto tento ganhar o controle da minha ansiedade. Está tão escuro aqui embaixo. Este é o lugar onde meu terror nasceu. Onde tudo começou. Abaixo nesta profundidade do caralho. Eu congelo novamente e me inclino contra a parede, na metade dos degraus.

— Tudo está bem, amor. Eu estou bem aqui com você. Está escuro, mas nada pode te machucar. Eu quero que você olhe para mim, Kolson. Você pode fazer isso?

Assentindo, olho em seus lindos olhos. Ela sorri.

— Bom. Muito bom. Ouça. Você está quase lá. Mais alguns passos e vejo uma luz ali. Estamos bem, você me ouve?

Eu concordo. Ela segura minha mão e eu desajeitadamente me movo pelas escadas restantes. Quando chegamos ao fundo, ela me gira e me beija como se não tivesse me visto em dias. Eu a puxo para longe do chão e quase a devoro. Ficamos sem fôlego quando finalmente terminamos e ela ri nos meus lábios.

— Eu já contei a você a história de Lenny Cramer?

— Não.

— Ele era esse cara na faculdade que me convidou para sair, então fui. Quando me levou para casa, ele me deu um beijo de boa noite e eu senti como se estivesse beijando um aspirador de pó. Sua boca se abriu tão larga que envolveu tudo, do meu queixo ao meu nariz e ele começou a chupar tudo. Eu não tinha certeza se restaria alguma coisa do meu rosto quando ele terminasse. Eu não sabia se era um beijo ou uma experiência de laboratório. Estou tão feliz que você não seja um beijador de Cramer. — A palma da mão dela está no meu rosto e eu quero me fundir nela.

— Kea, eu prometo nunca beijar você como o Cramer. Nunca. Deus, eu te amo. — É mais um apelo desesperado do que uma declaração de amor e ela entende.

— Você está pronto para pegar esse vinho?

— Jesus, está tão escuro aqui embaixo. — Ela não pode saber por que eu realmente desprezo esse lugar. Esta prisão. Eu não vou contar a ela agora. Mas um dia...

— Verdade, mas você sabe o quê, não há escuridão real quando você está por perto, apenas imaginário. Você ilumina meu mundo, Kolson.

— Você é linda. Vamos fazer isso.

Eu lidero o caminho, embora não seja fácil. Nós andamos através do meu tormento e eu quero me enrolar em uma bola apertada como fiz quando era jovem, mas não. Entramos no porão, coletamos o vinho e voltamos para a mesa de jantar, embora eu esteja um pouco suado, só meu pai sabe o porquê.

O jantar finalmente termina e nos mudamos para outra sala para charutos e bebidas. Eu quero dar o fora daqui e subir as escadas para ficar sozinho com Gabriella.

O tempo se arrasta, mas a hora da fuga finalmente chega e nós somos um dos primeiros a liderar.

— Ok, então esse foi o jantar mais horrível que eu já estive, desculpa, acho que comi serragem.

Eu caio para trás na cama e rio. — Graças a Deus acabou. Eu juro que nunca vou te torturar assim novamente.

— Eu olhei ao redor e todos tinham sorrisos falsos em seus rostos. Exceto sua mãe. Ela estava alheia. Ela precisa conhecer minha mãe. Exceto que minha mãe tem vodka por sua desculpa. Eu não sei como é a sua mãe.

— Medo, ela tem medo dele. Você não viu hoje à noite, eu duvido que você vá ver alguma vez, mas ela se esconde dele. Tenho certeza que ele bate nela, embora eu nunca tenha visto em primeira mão. Mas ela é tão fiel a ele.

— Isso é típico de uma mulher que foi abusada, e seu pai, ele gosta de atrair as pessoas. Ele é...

— Um sociopata.

— Não, ele não é nada disso. Ele ama ser o centro das atenções, um sociopata é muito antissocial. Mas Langston é muito impulsionado e controlador.

— Oh, você está certa sobre isso.

— Mas há algo mais acontecendo lá. Ele certamente obtém um senso de poder de humilhar as pessoas, que é o que define um transtorno de personalidade sádico, embora isso não seja mais reconhecido como uma categoria válida de diagnóstico psiquiátrico.

— Ele procura poder sobre tudo, não importa o custo e não vai parar até que tenha. E não é sexual.

Gabby olha para mim e pergunta de repente: — Você não foi molestado sexualmente?

— Não.

— Nunca?

— Nunca, nem uma vez na minha vida.

— Mas eu pensei...— Ela parece chocada com a minha resposta.

— Sinto muito, Kea, se é isso que eu te levei a acreditar, ele é um filho da puta doente, mas ele nunca me tocou assim.

— Graças a Deus.

— Eu suponho que sim, mas o que ele fez foi... — Eu não posso evitar o arrepio violento que me rasga.

Ela rasteja pra cima e me abraça, depois de um momento, pergunta: — Quer ficar nu?

— Achei que você nunca iria perguntar.

Eu a viro para que fique abaixo de mim e puxo seu lóbulo aveludado com meus dentes. Eu amo essa parte dela.

— Seu perfume é tão gostoso, — eu inalo.

Minha boca desce devagar pelo seu pescoço, aproveitando meu tempo para apreciar sua pele sedosa. Suas mãos desabotoam minha camisa e deslizam para baixo enquanto seus dedos massageiam os músculos das minhas costas. Só ela sabe aliviar minha tensão. Suas mãos repentinamente desaparecem das minhas costas e estão puxando a cintura das minhas calças, desabotoando e abrindo o zíper.

O que começou como lento e fácil tornou-se apressado e tumultuado, e agora ela está em cima de mim. Camisa voa, vestido segue, calças logo depois, até que estamos nus e ofegantes. Ela me monta e pressiona o meu pau duro em sua boceta quente e apertada, ela está sempre molhada pra mim. Meus quadris se levantam para encontrá-la e começamos nossa dança pélvica.

Nós nos movemos um contra o outro, balançando para lá e para cá, suas mãos nas minhas, palmas contra palmas, e eu a observo quando sua cabeça cai para trás. Libero uma mão para que possa segurar seu seio e quando o faço, ela alcança meu mamilo perfurado.

Meu gemido é alto. Muito alto.

— Kea, você sabe exatamente como me tocar, firme e gentil. O que você fez comigo?

Seu lábio inferior pega entre os dentes e porque isso é tão sexy, eu não posso responder. Mas é e eu puxo a cabeça dela para que eu possa morder também.

— Diga meu nome. Diga-me a quem você pertence.

— Você, Kolson, eu pertenço a você, só você.

Então ela levanta os quadris e eu deslizo para fora até a minha coroa estar em sua entrada. Ela se senta novamente, ferozmente, e geme para que os músculos do meu abdômen se mexam. Eu levanto meus cotovelos para ter uma visão melhor e ela repete essa ação várias vezes, estou perto, tão perto, sempre tenho esse desejo urgente de segurá-la, mas esta noite é especialmente forte, então eu sento. Minha mão gira em torno de seus cabelos e eu digo a ela: — Goze para mim, minha linda Kea, eu quero que você me segure com força com sua boceta.

Seu braço se enrola no meu pescoço e ela geme:

— Oh, sim. Ah...

Seus músculos se apertam em torno de mim em uma série de espasmos e então eu fico com o meu conforme libero. Mas isso não será tudo para hoje à noite. Vou levá-la de novo e de novo porque ela alivia minha ansiedade como nada mais pode.

— Você é indescritível — Eu provo seus lábios, minha língua passa por eles e brinca com os dela enquanto respiramos juntos. Nós caímos de volta na cama, e eu rolo para o lado, ainda unido a ela.

— Você me acalma, já te disse isso antes?

— Talvez, uma vez ou duas.

— Eu tenho algo para você, eu queria dar a você antes, mas sei como você é quando se trata de coisas.

— Hmm coisas, que tipo de coisas?

— Algo pequeno — Eu não quero levantar, mas quero dar-lhe o presente, beijando-a, eu levanto e vasculho minha bolsa até que minha mão cai sobre ela.

— Aqui— Eu sorrio e entrego-lhe a caixa.

Ela sorri ao abrir a caixa, engasga e depois fica imóvel olhando para o conteúdo da caixa. Finalmente, ela diz em voz baixa: — É tão bonito— Seu dedo traça o desenho delicado enquanto o segura na mão.

É um medalhão de filigrana de ouro que eu criei especialmente para ela. É um intrincado coração entrelaçado com uma haste abstrata de Asclépio, o símbolo associado à medicina e aos cuidados de saúde.

— Isso é... Você projetou isso?

— Eu tive uma pequena ajuda, — confesso. — Eu queria lhe dar algo especial por muito tempo e sei como você está com esse tipo de coisa. Então eu meio que surgiu essa ideia. A vara de Asclépio é óbvia, mas o coração é, bem, meu último nome, se você olhar de perto, nossas iniciais estão lá também, mas isso se abre, olhe dentro.

Ela faz. Dentro há uma foto nossa com laser no metal.

Com lágrimas nos olhos, ela diz: — Este é de longe o melhor presente que já recebi.

— Estou feliz que você gostou.

Ela se lança em mim. — Não só gostei, eu amo, nunca vou tirá-lo, — diz ela enquanto o coloca.

Meu dedo toca no peito dela. — Parece adorável contra a sua pele de marfim.

— Você sempre diz as coisas mais legais para mim.

Levantando as cobertas, eu digo: — Eu gostaria de poder lhe dar o mundo, mas eu não digo tantas coisas legais, eu poderia dizer mais, mas às vezes tenho receio.

— Receio? Sobre o quê?

Minha língua cutuca o interior da minha bochecha. — Assustar você.

— Por quê?

— Porque eu quero você para sempre, Gabriella, mas algo está prestes a acontecer e estou preocupado que isso interfira nos meus planos, estou preocupado com o que você vai sentir por mim.

— O que você quer dizer? Você fala em enigmas, eu não entendo.

— Eu sei, prometa-me uma coisa, lembre-se desta noite, este medalhão. E que eu te amo mais que tudo, mais que minha própria vida.

— Kolson, você está me assustando.

— Eu não quero, mas apenas me prometa. — Eu preciso ouvi-la dizer as palavras.

— Eu prometo.

Adormecemos nos braços um do outro, com a cabeça no meu peito, logo depois de ter certeza de que todas as cortinas estão bem abertas e a luz da cabeceira acesa, às vezes, no meio da noite, acordo quando ouço um baque.

— Ouch.

— O que há de errado? — Estou fora da cama num piscar de olhos, tentando encontrar Gabriella, que está no banheiro.

— Nada. Eu bati meu dedo mindinho.

Eu caio de volta na cama e ela volta também.

— Que bela visão você é, — diz ela.

— Hmm?

— Você está me tentando.

Levantando a cabeça, pergunto: — O que você quer dizer?

— Essa sua bunda.

Antes que eu saiba o que ela está fazendo, sinto sua língua deixar uma marca quente e úmida na minha bochecha esquerda.

— Cristo, Kea, se você continuar assim, não vai dormir muito hoje à noite.

Ela me ignora, a próxima lambida é acompanhada pela adição de seus dentes, eu assobio, tento não fazer isso, mas droga. Então ela afunda seus dentes na minha bunda, uma mordida completa, não é dura, mas não é suave. E ela é uma coisa.

— Oh, porra— Os músculos do meu abdômen sacodem em resposta e meu pau reage. Agora está duro e em um ângulo estranho, então eu deslizo minha mão debaixo de mim para ajustar.

— Não se atreva a se tocar, — diz ela, com voz rouca de paixão.

— Desculpe, mas eu tive que fazer, estava desconfortável.

Ela me morde de novo.

— Ahh— Eu me contorço ao redor, ela corre os dedos pela minha rachadura e os sacode para que possa alcançar meu saco, em seguida me aperta enquanto suga onde me mordeu, sinto sua língua me lambendo e me pergunto por que diabos eu nunca pensei em fazer isso com ela.

— Afaste suas pernas para mim.

Oh porra, se ela continuar assim, eu vou gozar nos lençóis.

Suas mãos delicadas massageiam minhas bolas e ela suga, morde e lambe as bochechas da minha bunda. Meu pau está tão duro; não tenho certeza de quanto mais posso suportar.

— Jesus, Gabriella, você está tentando me matar?

— Não se atreva a gozar, você está me ouvindo? Eu quero lamber e te chupar, querido, você não tem permissão para gozar ainda.

Oh meu Deus. De onde tudo isso veio? Ela nunca fez isso antes, é como se ela estivesse me dando um boquete reverso, então ela me morde de novo, minha bunda vai ficar machucada.

— Você realmente tem a melhor bunda. — Sua boca me excita daquele jeito que ela estava falando.

— Kea, se você não quer que eu goze você vai