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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


THE SEDUCTION OF MISS AMELIA BELL / Paula Quinn
THE SEDUCTION OF MISS AMELIA BELL / Paula Quinn

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

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Enquanto o século dezoito anuncia uma nova rainha e um tratado que unirá os três reinos na Grã-Bretanha, os MacGregors de Skye vivem escondidos de seus inimigos, aninhados nas montanhas ao redor de Camlochlin. Eles são orgulhosos, ferozes, emergindo das brumas para atacar quando a honra e o dever para com a Escócia o chamam. Com o sangue do lendário laird da névoa fluindo em suas veias, os netos de Callum MacGregor não são menos problemáticos e aterrorizantes do que os guerreiros que vieram antes deles.
Na maioria das vezes, eles preferem lutar contra os clãs vizinhos e uma frota ocasional de corsários, em vez de cavalgar até a Inglaterra para chutar o traseiro de homens que usam perucas. Existem, no entanto, aqueles filhos mais audaciosos que são conhecidos por cavalgar arduamente pelos vales e ir direto para os bailes particulares de Londres ou bordéis espalhafatosos para atacar seus inimigos, enquanto suas cabeças nobres não usam peruca e seus traseiros não vestem calças. Plaids desafiadores tremulam sobre seus joelhos musculosos, e eles declaram seus nomes e fazem seus pontos na ponta de uma Claymore.
Ainda assim, alguns argumentariam que as filhas são piores.
Mas quer lutem no campo, no mar ou no quarto de dormir, eles vivem e amam com a paixão desenfreada e indomável que pertence apenas aos herdeiros das Highlands.

 

 

Escócia - Lowlands
Primavera, início do século xviii

Capítulo 01

Edmund MacGregor se arrastou ao longo do corredor da flor de Vênus, um pequeno bordel em Barkley Lane, e desembainhou sua claymore. Se ele estivesse certo, vários membros do Parlamento estavam dentro desses quartos, desamparados com suas chausses em volta dos tornozelos e seus valores morais lançados aos quatro ventos. Colin MacGregor, seu pai e o maior espião dos três reinos, havia lhe ensinado que era sempre melhor pegar as vítimas desprevenidas e desesperadas para salvar suas vidas. Qualquer um coletaria a maior parte das informações dessa maneira.

E Edmund precisava de informações.

Ele ouviu uma mulher gritar do outro lado do corredor comprido e mal iluminado e prendeu a respiração, sabendo que seu primo Lucan MacGregor acabara de entrar no quarto que ela dividia com Lorde Aimsley, de Cambridge. A invasão das Highlands havia começado.

Eles faziam incursões frequentes, ele e seus primos MacGregor e Grant, invadiam de tudo, de bordéis a grandes bailes. Eles até conseguiram convencer vários MacKinnons e MacDonalds a se juntar a eles em algumas excursões às Lowlands e conseguiram adiar a união da Escócia com a Inglaterra duas vezes. Eles eram temidos em todos os reinos, mas ninguém conhecia suas verdadeiras identidades. Eles eram bandidos, pertencentes a um clã quase totalmente extinto e escondido nas nuvens.

Edmund abriu a porta à sua frente com um chute. Da cama, uma mulher gritou, seu grito seguido por mais dois de outras prostitutas em todo o bordel. O homem que compartilhava o colchão desta mulher empalideceu quando viu o Highlander encapuzado vindo em sua direção. O sorriso de Edmund permaneceu oculto sob o linho preto cobrindo seu rosto. Ele ergueu a espada sobre o ombro.

— Lorde Sunderland. É um prazer finalmente conhecê-lo.

O homem apavorado mijou na cama de que o selvagem tivesse conhecimento de sua identidade. Sim, Edmund sabia quem era o cidadão. Respeitado barão, membro do Parlamento.

Ele se moveu ao redor da cama e apontou sua lâmina para o nobre nu.

— Quem mais precisa colocar seu nome no ato? Você tem cinco respirações para me dizer ou tirarei sua vida aqui e agora.

O barão fechou os olhos com força e choramingou. Edmund aproveitou o momento para olhar rapidamente para a mulher, sem fôlego e com medo, na cama ao lado de sua vítima.

— Eu não sei de qual ato você fala.

Edmund foi para trás dele e puxou-o pelos cabelos.

— Então deixe-me ser mais preciso. — Ele posicionou sua lâmina na garganta de seu prisioneiro e esperou pacientemente que o nobre cessasse sua histeria. — Quem mais precisa assinar o Ato de União com a Inglaterra, aquele que porá em vigor o Tratado de União, que unirá os três reinos e escravizará a Escócia à Inglaterra? — Ele pressionou a ponta de sua lâmina mais profundamente, desejando que Sunderland já não tivesse assinado. Não havia mais razão para matá-lo. — O ato que você e traidores como você foram subornados pelo duque de Queensberry para assinar. Esse ato. — Ele se inclinou para o ouvido de Sunderland e sussurrou: — Seu tempo está se esgotando.

— Apenas alguns, — gritou Lorde Sunderland. — O duque de Roxburgh, o lorde chanceler e o próprio Queensberry!

Apenas três e estaria feito. O estômago de Edmund afundou. Ele e seus primos chegaram tarde demais? Eles poderiam ter sucesso agora? Ele fechou os olhos e invocou sua determinação feroz para ver isso. Ele já tinha feito isso antes. Ele poderia fazer isso de novo.

— Quando? — Ele enfiou a lâmina ainda mais fundo, tirando uma gota do sangue de Sunderland. — Quando será concluído?

— Num mês! — O barão gritou.

Um mês antes que o bastardo traidor, o duque de Queensberry, tivesse todas as suas assinaturas e levasse o ato perante os dois parlamentos. O Tratado de União seria promulgado logo depois disso e a Escócia se tornaria parte da nova Grã-Bretanha.

Um mês para planejar o sequestro do homem encarregado de obter o restante dos votos necessários. Eles não o matariam. Isso apenas adiaria o tratado até que a Inglaterra encontrasse outra pessoa para fazê-lo. Desta vez, eles fariam de forma diferente. Muitos disseram a Edmund que era impossível, mas ele não quis ouvir. Ele faria o que fosse necessário pela Escócia. Ele desistiria de qualquer coisa, incluindo sua vida, para salvar seu país adotivo de mais subjugação à Inglaterra.

— Não me mate! — O barão choramingou.

— Dê-me uma razão para não fazer isso. — Disse Edmund sobre ele. — Vós vendestes sua terra natal por um pouquinho mais do que Judas recebeu.

— Não! Não! Eu vou te ajudar!

Quando Edmund recebeu a informação do que precisava para seguir em frente, ele libertou seu prisioneiro. Ele observou o barão tropeçar em seus pés ao sair do quarto, tentando se vestir enquanto saía. A zombaria de Edmund se misturou com a de Lucan MacGregor quando seu primo o encontrou no corredor.

— O que você descobriu?

— Eles precisam de apenas mais três nomes. Temos um mês para detê-los. — Disse Edmund.

Luke balançou a cabeça levemente, mas não deu voz à dúvida do que eles poderiam fazer isso.

— Não recebi muito mais do que isso de Aimsley.

— Eu ganhei um pouquinho mais. — Edmund continuou enquanto caminhavam juntos. — Depois que Sunderland me implorou para poupar sua vida, ele me disse que logo haveria um anúncio.

— Sim? — Luke baixou a máscara e esperou.

— A sobrinha do duque de Queensberry deve ser prometida ao lorde chanceler. Ambos estarão presentes em Edimburgo ao mesmo tempo.

— Matará a ele?

Edmund balançou a cabeça.

— Discutiremos os detalhes mais tarde com os outros.

— Sim. — Luke concordou. — Devemos tomar o resto do lugar? A madame me disse que há três outros nobres lá em cima.

Edmund preferia cavalgar direto para Edimburgo, mas sabia que seus primos estavam cansados da jornada de Skye a Stirling. Eles precisavam de uma noite de bebedeira e corpos quentes e macios para encorajá-los em sua luta para salvar seu país.

— Sim, vamos expulsá-los e ter o lugar para nós durante a noite.

Eles alcançaram seu primo Malcolm um pouco mais tarde na sala de estar com três mulheres em seu colo.

— Onde está Darach? — Luke perguntou, sua máscara enfiada em seu cinto. Ele aceitou uma caneca de vinho quente de uma mulher com um sorriso ainda mais caloroso.

— Ele está pegando o que Lorde Lincoln deixou para trás. O bastardo pode até estar fazendo o conde se mijar. Agora que penso nisso, não me lembro de ver Lincoln partir.

Edmund não tinha dúvidas de que Darach faria uma coisa dessas. Ele ergueu sua taça a seus dois camaradas e eles brindaram, enquanto vinho e mulheres fluíam, para a derrota de seus inimigos. Eles tinham uma tarefa a cumprir e cuidariam disso. Amanhã eles dariam um passo em direção a Edimburgo em um esforço para salvar a Escócia, seus direitos e suas crenças. Mas esta noite eles iriam beber e desfrutar de risos e corpos quentes.

Refreando sua montaria, Edmund fixou seu olhar no magnífico horizonte de Edimburgo à distância. Embora já a tivesse visto muitas vezes antes, a visão nunca deixou de cativá-lo. Ele amava as Highlands, elas eram sua casa, e sua paixão por salvá-las o atraiu para a capital como a Estrela do Norte na Noite Santa.

— Devemos chegar a Queensberry House um pouco antes do amanhecer.

Edmund desviou o olhar para Luke, o menos falador de seu escasso grupo. Na maioria das vezes, os outros gostavam de seu silêncio, preferindo-o ao gume afiado de sua língua e ao zelo de suas opiniões sobre o reino e tudo o que havia de errado nele. Luke era apaixonado pelo que sabia, e o homem sabia muito, graças à afinidade de seu pai por livros. Sempre que Edmund ficava entediado em suas viagens, ele contava com Luke para estimular a conversa. Ele estava pronto para algo com um pouco mais de vigor depois de ouvir o tópico anterior de interesse entre Malcolm e Darach.

— Você tem nossos agradecimentos pela informação, Luke. Não viajamos para Edimburgo vezes o suficiente para descobrir isso por nós mesmos.

Lucan ergueu a cabeça para devolver o sorriso cáustico de Edmund e com um brilho em seus olhos que disparou os tons dourados de dentro, aceitou o desafio.

— Se espera que eu peça desculpas por pensar que o resto de vocês é muito burro para sentir o tempo, terá que fazer algo mais do que discutir a forma dos seios de uma moça nas últimas quatro léguas para me convencer.

— Nosso discurso rude ofendeu suas sensibilidades delicadas, Luke? — Darach Grant, o mais jovem entre eles com dezenove anos completados nesta primavera, entrou na briga, imperturbável que Luke fosse o maior entre eles. — Se você espera que nos desculpemos por desfrutar o que ainda não é familiar para você...

— Também não é familiar para você, filhote. — Malcolm Grant, primo dos três e amigo mais próximo de Edmund, riu. — Os únicos seios que você provou foram os de sua mãe quando era bebê.

— E isso foi o que, — Luke brincou, — quase um mês atrás agora?

— Sim, — Darach disse a eles com uma onda sinistra inclinando a borda de seus lábios. O rapaz nunca recuou do desafio de nenhum homem, ou de qualquer um deles. — Foi na mesma época em que provei a sua bela Colleen MacKinnon que alguns homens são melhores em certas habilidades do que outros.

Luke lançou-lhe um sorriso depreciativo antes de libertar uma bolsa de água de seu alforje.

— Ser mais rápido em uma habilidade não o torna necessariamente melhor nisso, rapaz. Eu só espero que você não a tenha acostumado com isso.

Eles compartilharam risos, e Edmund estava grato, tanto quanto ele havia sido durante toda a sua vida por aqueles homens com quem crescera. Homens que tanto podiam receber um soco quanto lançá-lo. Homens que ele amava como irmãos, embora seu vínculo com eles não fosse forjado com sangue. Edmund não nasceu MacGregor. Na verdade, ele nem era escocês. Ele foi adotado pelo clã quando tinha quase cinco anos, criado como filho do homem que amava mais do que qualquer outro, Colin, seu pai. Ele tinha muito em comum com seus primos, especialmente seu amor pela Escócia, sua casa em Skye e seu ódio pela renovação das leis contra seu nome.

— Eu preferiria que cavalgássemos até Edimburgo e concluíssemos nossa tarefa como MacGregors e Grants. — Disse Darach um pouco mais tarde. — Fizemos uma luta decente há mais de três meses.

— Haverá muita luta em breve, — Edmund disse a ele. Ele se virou na sela e assobiou, fazendo uma besta grande e desajeitada de quatro patas galopar em sua direção, a longa língua pendurada para fora da boca, o rabo abanando. — Hoje entramos em Edimburgo como nobres. Não devemos nos desviar do plano. — Edmund não os deixaria se desviar. Ele pensou muito sobre o que eles deveriam fazer. Ferir seus inimigos não adiantaria. Havia muito mais. A única maneira de salvar a Escócia era dissolver o tratado. E havia apenas uma esperança de conseguir isso. Eles entrariam na Casa de Queensberry como convidados disfarçados e levariam a sobrinha do duque, não deixando nada em seu rastro, exceto um bilhete de resgate. Assim que tivessem a garota, eles a levariam para a propriedade da família de Malcolm, o castelo Ravenglade, em Perth. Ela seria libertada somente depois que o duque e o chanceler denunciassem a união.

— É agora ou nunca. — Ele continuou. — Devemos parar a união.

As coisas já eram perigosas o suficiente para os MacGregors desde que William de Orange renovou a proscrição contra eles após sua ascensão ao trono há quase vinte anos. Poucos MacGregors deixaram o abrigo de Camlochlin em Skye. Não que estivessem com medo. Eles estavam simplesmente contentes, certos de que as consequências da perda de seu Parlamento não os alcançariam tão ao Norte.

Edmund não tinha tanta certeza sobre a continuidade da segurança deles, nem estava contente em ficar em Camlochlin ignorando as leis aprovadas contra seus compatriotas. Ele preferia cavalgar com seus primos até os bordéis espalhafatosos da Inglaterra para coletar informações de seus inimigos, enquanto suas cabeças nobres não usam peruca e seus traseiros não usam chausses. Plaids desafiadores balançam sobre seus joelhos musculosos, e eles apostavam em suas pontas claymores.

O ato logo seria assinado. Eles sabiam quem, sabiam onde, e agora sabiam quando. Eles não eram tolos o suficiente de invadir às portas do Parlamento e esperar enfrentar a Guarda Real. Eles eram qualificados, mas nenhum era bom o suficiente para lutar contra um exército. Não, eles tinham que parar o duque de Queensberry e o Lorde chanceler da Escócia sem trazer uma guerra total para seus parentes.

— Eu quero ter a chance de ser um Gordon desta vez.

— Não, Darach, — Malcolm disse, — Eu tenho um título de Huntley. Eu devo ser um Gordon. Eu sei mais sobre eles.

— Você foi um Gordon nas últimas duas vezes, Cal, — Darach argumentou. — Estou cansado de você ganhar todas as moças por causa de seu título.

— Darach, — Malcolm emitiu com uma leve curvatura em seus lábios e um flash nas covinhas gêmeas, — o nome não tem nada a ver com isso.

— Och, pelo amor de Deus, — disse Lucan, — não o faça começar a falar de seus 'muitos atributos'.

Malcolm lançou seu sorriso libertino para ele.

— Luke, ao contrário do seu caso, se eu não me gabar deles, outros o farão.

Luke riu brevemente.

— Parte de sua situação é que você pensa assim.

— Que situação é essa, primo? Que não desejo seguir seus antigos ideais e valores há muito mortos? Que eu acredito que há mulheres demais para se contentar com apenas uma?

— Lembra-se daquele bardo em Inverness que cantou sobre a nossa Srta. Bell? — Felizmente, Darach saiu do assunto com um flash de travessura iluminando o verde de seus olhos. — Ele cantou sobre como ela estava procurando um marido, mas ninguém a aceitou porque dizem que a má sorte a seguia. Não temos medo dessa tolice, temos, rapazes? Um de nós poderia cortejá-la, — sugeriu ele, sem esperar resposta à sua pergunta. — Imagine a reação de Queensberry quando ele descobrir que, depois que pegarmos o resgate dela, um de nós plantou nossa semente em seu jardim.

Lucan lançou-lhe um olhar repugnante e balançou a cabeça para o céu.

— Por que o trouxemos de novo? Ele é tão sem sentido quanto Malcolm.

— Ele parece o mais inocente, — Edmund o lembrou. — As pessoas têm menos medo de nós quando o veem e suas feições angelicais.

Darach imediatamente se ofendeu.

— Eu não pareço angelical. Você é o único com ondas douradas saltando sobre os olhos, Edmund.

— Você não tem um fio de cabelo em seu lindo rosto, Darach, — Malcolm o lembrou enquanto passava por ele em seu cavalo. — E não parece que nenhuma barba aparecerá tão cedo.

— Não se preocupe — emendou Edmund, não querendo irritar Darach antes de chegarem ao destino. — Eu disse que você parecia inocente. Todo mundo aqui sabe que você é um canalha desviante com chifres sob o gorro que usa.

E todos sabiam que Darach era apenas isso. Mas aqueles que o conheciam melhor, como Edmund e os outros com eles, sabiam que escondido nas profundezas de seu verniz áspero, Darach gostava de recitar atos e fatos, muito parecido com seu pai, o amado bardo de Camlochlin, Finlay Grant. Muitas vezes, quando pensava que passava despercebido, ele cantava. Os homens não encontravam falhas nos desejos que sua herança gerou. Se Darach quisesse algum dia ser um grande bardo, eles não o veriam como menos que um guerreiro. Darach tocava flauta melhor do que qualquer pessoa que Edmund conhecia. E ele poderia lutar melhor também.

— A propósito — acrescentou ele, examinando o rapaz com um olhar mais atento — certifique-se de colocar seu traje das Lowlands antes de chegarmos lá, e não se preocupe, você não pode usar seu gorro sobre a peruca.

— Não quero usar peruca... ou chausses. — Reclamou Darach. — Eles me deixam com calor e coceira.

— Não temos convites para a celebração. — Lembrou Edmund. — Depois de encontrarmos outra maneira de entrar, nos misturaremos. Não podemos fazer isso em nossos plaids. Basta usar a peruca e parar de resmungar.

— Você é meu pai agora?

Edmund lançou-lhe um olhar irônico, quase imperceptível ao luar, mas audível em sua voz.

— Por quê? Quer que eu cante para você antes de deitar sua cabeça esta noite?

— Se vós cantar como meu pai, — Darach rebateu, — você provavelmente teria uma esposa agora, ou uma noiva... ou o corpo quente de alguém para repousar sua cabeça à noite, além dessa sua cadela vira-lata.

Edmund sorriu para Malcolm se aproximando de seu primo mais novo. Ele observou, com o mais leve sorriso de satisfação quando Malcolm esticou o punho e derrubou Darach do cavalo.

O ombro de Edmund subiu para a orelha, com o barulho alto do traseiro de Darach batendo no chão.

A outra razão pela qual gostavam de ter o Grant mais jovem em suas excursões era porque ele tinha algo a provar a si mesmo, e não havia ninguém melhor para ajudá-lo a crescer do que seus três companheiros. Eles ajudariam a fazer dele um homem.

Edmund não participava com tanta frequência quanto seus parentes escoceses, mas gostava de um pouco de esporte tanto quanto o resto deles. Por enquanto, porém, ele tinha uma tarefa a planejar e realizar. Ele faria o que fosse necessário para impedir a assinatura. Disso ele não tinha dúvidas. A Escócia dependia disso. De acordo com Lorde Lincoln, o duque estava longe do castelo, então esta era a melhor hora para entrar e pegar o que era dele. Os quatro não teriam problemas para derrubar Queensberry House inteira, se necessário. O desafio de evitar esse cenário era mais excitante para Edmund do que colocar sua espada ao redor dos dedos de homens que gostavam de apontá-los e cortar. Felizmente, a maioria dos homens que o acompanhavam concordou.

— O rapaz fala a verdade. — Luke cavalgou ao lado dele enquanto Darach saltou de pé e jurou a todos os três.

— Sobre o quê? — Edmund perguntou com um suspiro um pouco prolongado. Ele sabia o que seu primo queria dizer. Eles haviam tido essa conversa centenas de vezes antes.

— Quando você pensa que poderá começar a procurar uma esposa e parar de lutar nas batalhas da Escócia?

— Alguém precisa fazer isso, Luke. Estamos sendo engolidos pela Inglaterra. Estamos prestes a perder nosso Parlamento. Os nobres nos falam sobre as vantagens de uma união política com a Inglaterra, declarando que é do nosso interesse para a paz e a riqueza. Mas são os protestantes que ganharão segurança no reino, e nós, os católicos, que perderemos todos os nossos direitos. Como MacGregors, já não perdemos o suficiente? Nosso nome é mais uma vez negado e proibido de ser falado. Tudo pelo que nosso avô lutou se perdeu mais uma vez.

— Sim, eu sei disso, mas estamos seguros em Camlochlin.

— Por quanto tempo? — Edmund perguntou a ele. Seu primo não conseguiu responder. — Não se trata apenas de nós, Luke. A Escócia vai sofrer. Sir George Lockhart, de Carnwath, é abertamente contra a união e afirmou que toda a nação aparece contra ele, mas Queensberry e Lorde Chanceler Seafield e seus comissários compraram e pagaram para não o ouvirem. Outros negociadores do tratado observaram que isso é contrário às inclinações de pelo menos três quartos do reino. Mas as petições de condados, burgos e paróquias foram praticamente ignoradas. — Ele dirigiu seu olhar determinado para seu destino. — Alguém deve fazer os homens no poder ouvirem.

Mantendo seu cavalo no mesmo ritmo do de Edmund, Luke sorriu para ele.

— Você não é escocês.

— Não importa. Escócia é o meu país. — Edmund olhou para ele e fez uma careta. — Por que diabos você ainda está sorrindo?

— Você está mais comprometido com a Escócia e sua soberania do que a maioria dos homens que nasceram aqui. Para você, é uma escolha adotar seus caminhos. É uma coisa honrosa, Edmund. Tenho orgulho de chamá-lo de meu parente. Ao contrário de que eu sou para aqueles dois.

— Och, inferno, Luke, — Darach reclamou, de volta na sela e cavalgando atrás deles. — Você não vai começar com toda a sua besteira de honra e virtudes de cavaleiro, vai? Cal está correto sobre você.

Luke riu baixinho, deixando Darach passar por ele.

— Você faria melhor em aprender algumas das baboseiras se alguma vez tiver a intenção de cantar nos corredores de Camlochlin.

Darach jurou algo sobre cantar que se perdeu no vento enquanto ele colocava seu garanhão em um pleno galope.

O cachorro que viajava com eles era de Edmund desde o momento em que deixou o corpo da mãe. As orelhas se animaram com a partida furiosa de Darach, a besta alegremente se juntou à perseguição, alcançando rapidamente sua presa.

— Às vezes, — Edmund disse sobre os latidos altos de Grendel e os gritos subsequentes de Darach para que o vira-lata o soltasse, — eu acho que Darach gosta de ter seu traseiro removido da sela várias vezes ao dia.

— Sim, — Malcolm concordou, tomando o lugar de Luke ao lado de Edmund e assistindo à comoção à frente. — Ele é a fonte de cada fio de cabelo prateado na cabeça de sua mãe.

Edmund riu e depois se encolheu um pouco com os juramentos que saíram dos lábios de Darach, tão diferente da poesia eloquente que seu pai produzia.

— Grendel! — Ele gritou para o cão monstruoso fugindo com o gorro de Darach entre os dentes e Darach perdendo terreno atrás dele. — Bom menino!

Malcolm deu vivas ao cachorro, então se virou para seu melhor amigo.

— Se ao menos pudéssemos fazer com que Grendel fechasse as mandíbulas em volta da garganta de Queensberry. Depois que o duque tirar as calças, poderíamos convencê-lo a não assinar.

Edmund balançou a cabeça e sorriu, observando seu cachorro correr em círculos largos enquanto Darach o perseguia.

— Grendel não faria mal a uma mosca. — Disse ele, com o sorriso sumindo. — Sou eu a quem o duque deve temer.

 


Capítulo 02


— Juro por minha mãe morta, que era mais comprido que meu antebraço.

Lady Amélia Bell olhou fixamente, olhos arregalados, a boca ligeiramente aberta para sua melhor amiga, que estava sentada em frente a ela na cama, e então as duas caíram na gargalhada.

— Não foi engraçado quando pus os olhos nele. — Sarah Frazier confidenciou, seus olhos verdes brilhando com maldade. — Eu me senti como Eva quando ela avistou a serpente pela primeira vez no jardim. Eu queria correr, mas a tentação era muito grande.

Amélia ofegou na palma da mão.

— Oh, Sarah! Isso é definitivamente uma blasfêmia!

Sarah balançou a cabeça e tirou uma mecha de cabelo ruivo do ombro.

— Você se preocupa muito com o que os outros pensam.

— Eu não! — Amélia atacou, tirando a mão da boca para cruzar os braços sobre o peito. — Salvo pelo pobre do meu pai, — ela acrescentou como uma reflexão tardia, sempre atormentada pelos problemas que causou a ele. — Você acha que eu escaparia pelos jardins para ir e ouvir todos os seus segredos sórdidos se me importasse com o que os outros pensavam? Você sabe o que minha mãe ou meu tio fariam se descobrissem.

— Sim, — Sarah concordou com ela, caindo de costas no colchão. — Eu não sei o que os irritariam mais, o assunto de nossas conversas, ou que você às vezes passa suas noites nos aposentos dos criados.

— Ambos. — Amélia bocejou e se esticou ao lado dela.

— Mas ainda assim você vai.

Virando-se para ela, Amélia pegou sua mão e a segurou em sua bochecha.

— Você sempre foi minha amiga mais querida. Jamais deixarei que o título de meu tio ou as rígidas intolerâncias de minha mãe atrapalhem isso. Eu farei o que acredito ser certo.

O sorriso de Sarah suavizou contra a luz bruxuleante das chamas das velas gêmeas e então desvaneceu.

— Você acredita que casar com o chanceler é a coisa certa então?

Amélia desviou o olhar e balançou a cabeça.

— É a coisa certa a fazer por meus pais, Sarah. Minha mãe...

— Sua mãe é uma esnobe insuportável tanto quanto seu prometido. Amélia, você não será feliz como esposa de Walter Hamilton!

Amélia sabia que sua amiga estava certa, mas o que ela poderia fazer? Desonrar seus pais mais uma vez ao rejeitar uma proposta de casamento do chanceler da Escócia? Sua mãe nunca a perdoaria e seu pai, bem, ele nunca a culpou, mas não era ruim o suficiente que ela fosse a razão de todos os cabelos grisalhos em sua cabeça?

— Minhas irmãs não queriam se casar com seus maridos, Sarah. Não temos nenhuma noção tola de amor. É o preço que pagamos pela nobreza. Casar-se com o chanceler ajudará meu pai a ganhar o respeito de muitos nobres e o torná-lo menos devedor a meu tio. Portanto, é isso que devo fazer, queira ou não.

— Mas eu não quero que você saia de Queensberry House, Amélia. — Os olhos de Sarah brilharam quando os medos que ela tentou negar se espalharam. — O que farei sem você quando for para Banffshire com seu novo marido?

E o que Amélia também faria sem ela? Eram inseparáveis, amigas desde que aprenderam a dar os primeiros passos e tropeçaram direto uma na outra. A mãe de Amélia tentou mantê-las separadas, repreendendo Archie, o ferreiro, por não controlar sua filha com mais rigor. Mas a verdade era que Lady Millicent Bell estava muito ocupada em beijar seu irmão o duque e tentar encontrar maridos adequados para as três irmãs mais velhas de Amélia para fazer algo realmente drástico sobre a amizade de sua filha mais nova com uma serva. Conforme as meninas cresciam, o martelo descia um pouco mais forte, principalmente devido ao comportamento pouco modesto de Sarah. Mas se não fosse pelas histórias às vezes grosseiras de sua amiga sobre seus casos, Amélia não saberia absolutamente nada sobre o leito conjugal. Suas irmãs certamente nunca compartilhariam seu conhecimento sobre o que um homem gostava em sua cama.

— Não se preocupe com meu prometido, Sarah, — Amélia prometeu, com o coração partido por estar deixando Sarah também. — Vou usar o que você me ensinou para convencer Walter a mandar buscá-la.

Sarah não pareceu convencida ao enxugar uma lágrima da bochecha.

— Eu gostaria que você fosse uma serva como eu Amélia. Então você poderia escolher seu próprio marido. Gostaria que você pudesse persuadir seu pai a escolher outra pessoa. Não há nada que possamos fazer?

— A celebração do noivado é amanhã, em vez de hoje, — ela corrigiu olhando para a janela. — Além disso, não há ninguém mais que se ofereceu por mim. — Graças ao que sua mãe chamava de sua natureza imprudente, não havia mais ninguém interessado em sua mão. Amélia fez o que pôde para evitar, mas a desgraça parecia segui-la aonde quer que fosse, em tudo o que fazia, desde quando ela era criança e deixou cair o único filho de seu tio de cabeça. Ela queria carregar o bebê pequeno, mas seu pedido foi negado. Destemida, ela o ergueu de seu berço de qualquer maneira. O bebê não morreu após o terrível acidente, mas ficou louco. Louco o suficiente para fazer com que seu pai o prendesse para sempre e sua mãe a culpasse por tudo que deu errado em suas vidas depois disso.

E, é claro, ela não pretendia deixar seu bordado na cadeira de Walter na última visita dele. Ela não tinha ideia de como a agulha estava espetada para cima, abrindo um buraco de sete centímetros em suas nádegas.

Ela certamente não tinha a intenção de encharcar quatro dos homens de seu tio com água suja na semana passada. Ela não queria que Sarah tivesse que limpar seus sapatos depois de pisar em esterco de cavalo, então os limpou sozinha e jogou a água pela janela do quarto. Como ela saberia que os homens de seu tio estavam diretamente abaixo?

As coisas simplesmente davam errado quando Amélia estava por perto. Ela não gostava disso mais do que qualquer outra pessoa, mas ela tentou não deixar que isso a preocupasse ao ponto da distração. Ela frequentemente falhava.

— Tudo ficará bem, Sarah, você verá. — Ela deu um tapinha na mão da amiga e fez o possível para mascarar sua apreensão e sofrimento. Ela não queria deixar Queensberry House, casar-se com um homem de quem mal gostava, simplesmente para satisfazer o desejo de sua mãe de ver sua última filha unida a um homem rico e em posição. Ela não queria uma vida sem escolhas, cheia de obrigações, uma vida sem sua amiga querida para ajudá-la a esquecer seu dever. Mas ela não traria mais vergonha a seu pai ao recusar sua escolha de maridos diante de todo o reino. — Já é tarde e logo devo partir. Conte-me mais sobre o notório libertino de Ayr, Lorde Thomas Lamont, e seu colossal... atributo.

— Bem. — Enfrentando sua melhor amiga, Sarah se aconchegou mais fundo em seu travesseiro e baixou a voz para um sussurro. — Ele é escocês, sabe. Eu te digo, Amélia, Deus vê com bons olhos os escoceses. Eles tendem a ser mais bem dotados do que os ingleses e sabem mais sobre como usar o que receberam. — Ela sorriu, sua apreensão por ter perdido a amiga banida por toda a atenção de Amélia.

— Doeu? — Amélia perguntou, levando os dedos à boca para abafar sua pergunta audaciosa, embora ninguém estivesse lá para ouvir, exceto Sarah.

— Sim, mas ele era um amante gentil.

Amélia fechou os olhos e suspirou melancolicamente enquanto Sarah continuava a descrever seu encontro com o nobre escocês. Walter seria um amante gentil? Ela o agradaria o suficiente para trazer um sorriso ao seu rosto horas depois, do jeito que Lorde Lamont sorriu quando viu Sarah hoje cedo? Ela imaginou sua vida com Walter. Ela encontraria a felicidade com ele? Sua mãe garantiu-lhe que encontraria se ela se esforçasse muito para ser uma dama de graça e dignidade, cordialidade e inteligência. Amélia não se importava particularmente em ser essas coisas. Pelo menos não da maneira que sua mãe queria dizer, que era, ficar parada, ficar bonita e manter a boca fechada. Amélia queria amor e o tipo de paixão que vinha sem restrições, o tipo que seu pai contava em suas histórias de amor cortês. Mas não era para ser e ela aprendera a aceitar isso.

Ela começava a adormecer, satisfeita por sonhar com a vida que desejava. Mas a verdade rapidamente se deu conta dela e ela abriu os olhos antes de adormecer completamente. Ela se sentou. Seu noivado estava sendo anunciado esta noite. Ela tinha que voltar para seu quarto antes que sua velha ama Alice se levantasse e descobrisse que ela estava desaparecida!

— Sarah. — Ela sacudiu a amiga, sem saber se Sarah estava dormindo ou não. — Eu preciso ir. — Ela saiu da cama e correu para a porta. — Está quase amanhecendo! Eu a verei na festa. — Alcançando a porta, ela pressionou o ouvido na madeira, ouvindo os sons de qualquer pessoa no corredor. Ela puxou a maçaneta e se virou para lançar a sua amiga um sorriso alegre antes de sair. — Vou tentar não rir se encontrar Lorde Lamont hoje.

Os pés descalços de Amélia pisaram de leve no caminho de lajes que levava à casa principal. O jardim estava silencioso, exceto pelo grito dos filhotes do pássaro robin exigindo ser alimentados em algum lugar das árvores cuidadosamente podadas de seu tio. O luar que se desvanecia lançava sombras mais profundas ao longo da arcada, oferecendo ocultação sob o alto dossel de pedra de sua visita noturna aos aposentos dos criados. Normalmente, o jardim era o caminho mais seguro de volta para a casa, mas hoje os criados estariam ocupados correndo de um lado para o outro se preparando para as festividades. Convidados estariam chegando de todo o reino para a celebração de uma semana em comemoração ao sucesso de seu tio em quase obter o voto da Escócia a favor da Lei da União com a Inglaterra e seu noivado com o Lorde Chanceler da Escócia. Os quartos tinham de ser arejados e a comida preparada. Na verdade, alguns dos cozinheiros já estavam cumprindo suas obrigações, pois os aromas de pão assando e carne de veado defumada impregnavam o ar.

Ela acelerou o passo e abafou um grito quando seu dedo do pé colidiu com a base de uma das amadas estátuas de sua mãe. Amélia ergueu os olhos e fez um juramento a Netuno. Havia dez delas alinhando a parede interna da arcada, cada uma meticulosamente colocada entre altas colunas de pedra para parecer emoldurado dentro dos arcos escavados da arcada, todos em tamanho natural e esculpidos em pedra, todos nus, ou perto disso, e ridiculamente musculosos. Havia Zeus, Hércules, Apolo, Netuno, Apoxyomenos, o Gália Moribundo, Hermes, Esculápio, até mesmo um César nu.

Paul Tolson, o pastor residente de Queensberry House, detestava a afinidade de Millicent Bell com deuses gregos, mas Amélia sabia que a devoção de sua mãe tinha menos a ver com divindades pagãs e mais a ver com o físico masculino. Amélia não compartilhava da apreciação de sua mãe por tendões protuberantes e força bruta absoluta. Ela preferia um homem como... ele.

O sol começou sua ascensão preguiçosa sobre o jardim, envolvendo a estátua no final da arcada em tons quentes de rosa pálido e dourado. Uma réplica do David de Michelangelo era sublime, suprema sobre as outras. Sua postura era relaxada, exalando confiança, sua graça divina antes de sua batalha com Golias. Sua funda jogada casualmente por cima do ombro representava um homem que usava fé e inteligência, não força, para lutar contra o inimigo. Movendo-se para ficar abaixo dele, o olhar de Amélia vagou apreciativamente sobre os contornos elegantes de suas pernas, tão bem formadas que fizeram seu coração palpitar. Refinado e vigilante, seu corpo mantinha-se em absoluta compostura, consciente de seu poder para enfrentar seu maior inimigo. Sim, ela pensou, recuando para se sentar por um momento ou dois no banco de mármore diante dele, não havia homem mais perfeito do que David.

Ela sabia que deveria se apressar, mas olhar para a estátua de David a fez contemplar seu futuro. Oh, como ela desejava que um homem como David viesse resgatá-la de seu destino. Um forte guerreiro que nunca permitiria que o mal acontecesse, mesmo o mal que ela poderia trazer para si mesma, alguém que não a forçaria a entrar no tipo de vida rígida em que nasceu. Como ela encontraria a felicidade em Banffshire? Sua mãe a deixaria levar David junto?

Ela estava com muito sono e deitar com Sarah só a deixava mais cansada.

Seus pés estavam frios, então ela os colocou embaixo dela no banco. Ela deveria ter usado seus chinelos quando atravessou os jardins para ir ficar com Sarah. Ela suspirou, pensando em como sua mãe ficaria brava se visse Amélia em um estado tão desgrenhado. Ela só teria que se certificar de que sua mãe nunca descobrisse seus encontros secretos com Sarah. Ela sorriu para o belo rosto moldado em pedra e fechou os olhos.

Ela sonhava que ouviu um cachorro latindo em algum lugar à distância.

 


Capítulo 03


Edmund e seus primos tinha participado de muitos bailes e encontros sem convites no passado. Este não era nada novo, exceto que havia mais guardas em Queensberry House e mais nobres presentes que poderiam reconhecer Edmund ou um de seus primos de um ataque anterior. Eles teriam que entrar na casa furtivamente e então se misturar.

Deixando Grendel e seus cavalos em um estábulo próximo, eles rastejaram pelos gramados do jardim atrás da casa, usando árvores e o véu da escuridão para esconder sua aproximação.

Edmund a viu quando o sol começou a espalhar seus raios finos sobre a arcada, de costas para ele, mechas castanha caindo em seus quadris enquanto sua cabeça se inclinava para cima, para uma estátua do guerreiro de Deus, David.

Silenciosamente, ele sinalizou para os outros se conterem, para que ela não os visse. Ele a observou, esperando que ela saísse da arcada, mas ela permaneceu imóvel. No silêncio da terra prestes a acordar, ele pensou ter ouvido a respiração dela, acelerada pela visão que a cativava. Quem era ela? O que ela estava fazendo aqui sozinha, vestida com sua camisola? Seu olhar a seguiu quando ela se sentou em um banco de frente para a escultura.

Ele esperou, contando a respiração enquanto ela permanecia imóvel, a cabeça apoiada na coluna ao lado dela. O que ela estava fazendo? Ele se perguntou, quando Malcolm lançou a ele um olhar questionador. Ele não queria assustá-la. Um grito e ela alertaria os guardas de sua presença.

Depois de mais vinte respirações, ele percebeu que a moça deve ter adormecido. Saindo da cobertura de um grosso tronco de macieira, ele gesticulou para que os outros invadissem as portas na parede leste. Enquanto eles se apressavam, mal fazendo barulho, Edmund seguiu em direção à arcada, agachando-se quando as pesadas portas se abriram. Ele ergueu a palma da mão para Lucan, que parou para esperá-lo, gesticulando para que fossem à sua frente. Edmund queria ver o rosto dela, na esperança de que isso pudesse convencê-lo de que ela era feita de carne, e não um anjo vagando pela madrugada, esperando que seu deus despertasse. Ela despertou sua curiosidade. Ela o cativou como parecia que David a tinha encantado.

Entrando na galeria, ele olhou primeiro para a estátua e depois para ela. Sua respiração parou em seu peito. O suave brilho âmbar do sol emprestou seu brilho a sua beleza surpreendente. Cílios exuberantes e longos manchavam as bochechas de veludo liso. Lábios carnudos e rosados se separaram em uma respiração transitória, como se ela estivesse esperando para ser beijada em seus sonhos. Cabelo negro e espesso caia solto sobre os ombros. Uma mecha acariciou a curva de sua mandíbula, tentando-o a tocá-la antes que ela desaparecesse com a noite. Ele deixou seus olhos se demorarem na delicada simetria de seus traços, incapaz de se distrair. Ela era esguia, com seios perfeitamente ajustados para caber em suas palmas. Suas mãos eram pequenas, assim como seus pés descalços. O último trouxe um sorriso aos lábios.

A visão completa dela o excitou, acendeu um desejo que ele não sentira antes.

Como uma das divindades de Deus, a serenidade emanava de suas feições adormecidas. Com quem ela estava sonhando? Ele se virou, desviando o olhar dela para olhar para o David de Michelangelo, e depois para os vários reis e deuses alinhados na parede, todos músculos bulbosos, carrancudos e temíveis, evidência de seu poder. Mas foi este guerreiro ágil tendo nada além de uma frágil funda apoiada no ombro e uma testa franzida que ganhou a admiração dessa moça.

Ele voltou sua atenção para ela, incapaz de tirar os olhos dela. Ela era uma serva roubando alguns momentos antes de seus deveres diários para alimentar seus sonhos? Ele se aproximou, curvando-se sobre ela para inalar seu perfume, para se aquecer por mais um momento, talvez para nutrir algo que faltava em seus sonhos também. Algo que até este momento, ele não achava que precisava. Ele se perguntou de que cor os olhos dela eram sob a camada de seus cílios pesados, e se eles reconheceriam o poder de seu propósito, como ela reconheceu David. Ele estava tentado a beijar sua testa, seus lábios, tão perto agora que sua respiração aqueceu seu queixo. Mas se ela acordasse e gritaria ao ver um estranho parado acima dela. Pena, pois ele queria apenas um gosto dela, para imprimir em sua mente a lembrança de algo doce, algo apaixonado, antes de ir para a batalha.

— O que diabos está prendendo você? — A voz abafada de Malcolm ecoou por toda a arcada coberta. — Edmund?

Inclinando a cabeça, Edmund olhou ferozmente para a cabeça aparecendo para fora da porta aberta. Um suspiro estrangulado chamou sua atenção de volta para a moça antes que ele pudesse se afastar.

Ela não gritou quando os olhos dele caíram sobre ela novamente. Ela permaneceu imóvel, exceto por seu seio subindo e descendo com força sob sua sombra pairando. Seus olhos eram profundos, de belo mogno, da cor do calor e gloriosamente enormes e faiscavam de terror.

Ele levou o dedo aos lábios, implorando por silêncio antes de se afastar e desaparecer no castelo.

Amélia ficou em pé. Seu coração batia em uma ladainha desenfreada em seu peito. Segurando o peito, ela contou nove respirações em um esforço para se controlar. No décimo, seus olhos se voltaram para David.

— Eu estava sonhando. — Disse ela, mais para si mesma do que para ele. Ela tinha que estar, pois nenhum homem mortal poderia queimar uma alma apenas com o calor de seu olhar. Como safiras presas entre luz e sombra, seus olhos brilhavam enquanto se moviam sobre ela, escaldando suas terminações nervosas, roubando seus sentidos. Um sonho.

Mas seu cheiro ainda pairava sobre ela. Ela inalou, enchendo seus sentidos com a fragrância de orvalho e couro. Ela respirou fundo, fechando os olhos desta vez. Quem era ele? Um convidado que havia chegado cedo, talvez? Um convidado muito ousado, esculpido no ouro que Deus usou para pavimentar as ruas do céu.

Suas pálpebras pesadas se abriram. Convidados! Meu Deus, ela havia adormecido!

Subindo as saias, ela correu para as portas, não dando mais atenção ao homem cujo nome sussurrado a despertou de seus sonhos com David.

Edmund.

Ela chegou ao quarto, dando três passos de cada vez, e saltou para a cama. Assim que ela fechou os olhos, seu pai entrou, carregando o desjejum de Amélia em uma bandeja.

— Bom dia, amor. — John Bell a cumprimentou. — Alice está ocupada, então pensei em trazer para você... — Ele olhou para cima e parou, olhando para ela. — Você está mortalmente pálida! — Ele colocou a bandeja em uma mesa próxima e foi para a cama. — Você está doente, Mellie? — Ele cobriu o rosto de Amélia com os dedos. — Você está úmida e sem fôlego. Vou chamar um dos médicos de sua mãe.

— Não, papai! — Amélia segurou seu pulso enquanto seu pai se movia para sair. Senhor, ela não esperava vê-lo tão cedo. — Eu não estou doente. Estou... ansiosa com meu futuro, só isso. — Ela se concentrou em diminuir sua frequência cardíaca. Quando a expressão de seu pai tornou-se simpática, Amélia soube que havia escolhido o caminho certo. A última coisa que ela queria era uma dúzia dos médicos de sua mãe amontoando-se em sua cama. Lady Selkirk tinha um médico diferente para cada doença, o que era bom para ela, já que sofria com a maioria deles.

— Tem certeza de que é só isso? — Ele perguntou, descansando na beira da cama e passando as costas dos nós dos dedos pela testa de Amélia.

— Sim, eu mal dormi. — Era verdade e ela realmente estava preocupada com seu futuro.

— Não se preocupe com o seu casamento, — disse o pai, pegando a mão de Amélia e levando-a aos lábios. — Você será feliz.

Ela pensou em sua conversa com Sarah. Ela jamais poderia pedir ao pai que voltasse atrás com seu consentimento e tentasse encontrar um marido diferente para ela. Mesmo que o noivado não tenha sido anunciado oficialmente, todos sabiam. Seu pai ficaria envergonhado se eles desistissem agora. Ela não amava Walter de forma alguma. Oh, ela sabia que o amor era irrelevante, mas maldição, teria sido bom ter alguns sentimentos pelo homem que seria seu marido. Ela sabia pouco sobre o chanceler, exceto que ele erguia o altivo nariz para Sarah.

— Vou, papai? Serei feliz?

— Por que você pergunta? — Ele procurou seu olhar. — O chanceler ofendeu você de alguma forma?

Ela desejou que Walter a tivesse ofendido para que ela pudesse responder com sinceridade. Mas acusar seu noivo de algo que ele não fez não era apenas errado, mas muito perigoso para seu pai.

— Não, papai, ele tem sido gentil.

Ele relaxou os ombros e permitiu que um sorriso indulgente se espalhasse por seus lábios.

— O que você está sentindo acontece com a maioria das noivas... e noivos. — Ele piscou para ela. — Mas você não tem razão para temer.

— Aconteceu com você, papai?

Ele acenou com a cabeça e sorriu, lembrando.

— Sim. Eu não conhecia sua mãe. Eu não sabia se ela era bonita ou tinha dois olhos ou um.

Amélia sorriu para seus olhos cor de mogno, amando-o mais do que a qualquer homem vivo.

— Seu coração já pertencia a alguém, papai?

Ele encolheu os ombros, ainda largos mesmo na meia-idade.

— Meu coração pertenceu a muitas. Mas isso não preocupava. Sua mãe acabou sendo uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. Nós nos casamos e tivemos meninas e permanecemos juntos até hoje.

Mas ele a amava? Amélia não teve coragem de perguntar.

— Você se importa com Walter, não é, Mellie?

Ela piscou para ele. Ele nunca tinha feito essa pergunta a ela antes. A resposta dela faria diferença? Ela não teve a chance de descobrir, já que a porta de seu quarto se abriu e sua ama entrou no quarto. Quando ela viu o pai de Amélia, se desculpou por sua interrupção e recuou.

— Alice, — seu pai chamou, interrompendo sua partida. — Volte. Eu estava saindo. — Ele se levantou e limpou o casaco. — Verei você esta noite na celebração, amor. — Ele se curvou para beijar o topo da cabeça de Amélia, então se virou e sorriu para Alice antes de sair do quarto.

— Temos muito que ver hoje, querida. — Alice entrou e foi direto para as janelas para abrir as cortinas. — Termine seu desjejum e vamos continuar com o resto deste dia miserável.

Amélia suspirou e se aconchegou mais fundo em seu travesseiro. Ela não queria continuar com isso tanto quanto Alice não queria.

— Eu sei, jovem, — sua ama concordou depois de ouvir Amélia suspirar em sua cama. — Mas pelo menos seu marido morrerá algum dia e você estará livre da subjugação de sua vontade. Este tratado permanecerá em vigor para sempre, e a Inglaterra sempre sairá por cima.

— Eu sei que você está infeliz com o tratado com a Inglaterra, Alice. Mas tenho certeza de que tudo ficará bem para você.

— Claro, é minha alegria. — Sua ama concordou, virando-se para sorrir para ela.

— Agradeço a Deus todas as noites por você, Alice, — Amélia disse a ela, amando-a como uma mãe, — e por Sarah também. — Ela bocejou. — Mas, se eu tivesse que aceitar isso somente por minha mãe, temo que teria rejeitado tudo. Eu não me importaria com as consequências de minhas próprias ações... ou palavras... e Walter não seria o suficiente para mim.

Alice apareceu diante dela e puxou as cobertas.

— Amo você como se fosse minha, mas não há tempo para refletir sobre essas coisas.

— Mas deve haver tempo, — Amélia pressionou. — Eu não quero sair da minha cama ainda. Por favor, Alice, apenas alguns momentos. Sente-se e converse comigo.

Sua ama fez uma careta para ela, mas cedeu facilmente.

— Você parece esgotada e exausta, — Alice disse após uma inspeção mais detalhada. — Você ficou acordada a noite toda com Sarah de novo?

— Bem, sim, eu estava. O tempo me escapou. Verdadeiramente.

— Jovem, se sua mãe te descobrir...

— Eu sei. — Amélia enterrou o rosto no travesseiro, odiando que sua amizade com Sarah fosse proibida. Amélia sabia que se sua mãe as descobrisse juntas, Sarah poderia ser mandada embora. Então Amélia fazia o possível para garantir que sua mãe não a descobrisse. Até esta manhã, quando ela adormeceu no jardim. Hoje, alguém a viu.

— Alice. — Ela se sentou na cama. — Algum dos convidados chegou mais cedo? — Talvez se sua ama o conhecesse...

— Apenas Lorde Lamont e dois de seus homens.

Lorde Lamont! Claro! O homem no jardim era um dos homens de Lorde Lamont! Mordendo o lábio, Amélia limpou um grão de sujeira em sua camisola. Ela ousaria falar o nome dele e despertar a curiosidade de Alice sobre como ela o conhecia? Ela tinha que saber quem ele era.

— Dos homens de Lorde Lamont, algum deles se chama Edmund?

— Eu não acredito nisso. — Alice lançou-lhe um olhar investigativo. — Por que você pergunta?

Na verdade, por que ela perguntou? Ela não podia dizer a Alice que tinha sido descuidada e adormeceu no jardim e que, quando ela acordou, havia um homem lindo observando-a dormir.

— Sarah o mencionou.

Alice pensou por um momento.

— Este é o padeiro que sua mãe contratou de Ayr. Ele chegou ontem e preparou bolos a noite toda.

O homem da arcada era o novo padeiro? Não, Amélia balançou a cabeça. Os padeiros eram homenzinhos gordinhos com farinha manchando o nariz. Não eram? Eles não eram altos e de ombros largos, com mandíbulas polvilhadas de ouro e cinzeladas por um mestre escultor, ou cabelos dourados que cresciam em suas cabeças e pareciam absorver toda a luz do jardim. Oh, ela nunca se esqueceria de ter acordado e olhado em seus olhos, de se sentir apavorada e encantada ao mesmo tempo, tão emocionantemente ciente do potente poder de um homem.

Alice viu o vestido de Amélia pendurado em uma cadeira e saiu da cama para pegá-lo. Ela ergueu o vestido para inspeção. O tecido lilás pálido brilhava contra um raio de sol que entrava pela janela. O vestido era lindo, ostentando um corpete longo e pontudo em direção a barriga e uma anágua de cetim e, de acordo com a moda, como sua mãe insistia, volumosas mangas de três quartos, pregueadas nos ombros e nos punhos.

— Oh, olhe essas rugas! Vou ter que alisá-las. Ah, e suas irmãs já chegaram com seus maridos e insistem em arrumar seu cabelo. Eu lhes dei tempo para vir acordar você primeiro.

— Isso foi atencioso de sua parte. — Amélia agradeceu. — Não tenho certeza se suportaria ouvir como foi difícil a jornada para chegar aqui, ou como o clima simplesmente não combina com suas constituições delicadas. Senhor, e se eu tiver que ouvir a mais uma história de como o bebê não nascido de Eleanor é desagradável em sua barriga, vou gritar.

— Eu sei, amor. — Respondeu a ama, dobrando o vestido cuidadosamente sobre o braço. — É por isso que eu não as deixei subir. Agora vamos. A conversa acabou. Temos muito que fazer para te preparar para esta noite.

— Alice? — Amélia perguntou enquanto se vestia. — Quando minha má sorte vai acabar?

— Todo mundo tem um período, garota.

— Mas os períodos acabam.

— Assim como o seu. — Alice prometeu.

Amélia sorriu para ela.

— Sim, vai. Acho que preferiria que Sarah trabalhasse no meu cabelo hoje. Ela sabe melhor do que ninguém como livrar-se dos emaranhados. — Ela não tinha pressa em ver suas irmãs e tinha que suportar os estalos da língua de Elizabeth toda vez que fazia uma pergunta a ela, ou um dos olhares de desaprovação de Anne se Amélia ousasse rir muito alto.

Ela se perguntou se Edmund havia chegado com um dos grupos de suas irmãs. Edmund. O pensamento de vê-lo novamente hoje na cerimônia fez seu coração acelerar um pouco e ela se puniu por isso. Ela pertencia a outra pessoa, um homem que concordou em aceitá-la apesar de todas as suas deficiências. Talvez ela contasse ao ousado convidado de seu pai o que pensava dele por assustá-la até deixá-la sem sentido enquanto dormia. Por outro lado, talvez fosse mais prudente não falar com ele, simplesmente esquecê-lo, tirá-lo de seus pensamentos e ocupar sua mente com Walter. Senhor, se ela fizesse isso, ela poderia adormecer novamente. Não que Walter fosse chato... Bem, na verdade, ele era. Ele se importava com ela? Ela duvidava, já que ele nunca havia lhe confessado isso.

— Mandarei chamar Sarah para ver o que posso descobrir sobre um hóspede chamado Edmund. — Disse Alice, dirigindo-se para a porta com o vestido de Amélia na mão.

Prudência, Amélia, ela se avisou como sua mãe em inúmeras ocasiões. Tire sua cabeça das nuvens e pare de ser tão problemática para seu pobre pai.

— Não, Alice. Apenas o mencionei. Eu vou me casar em breve. É hora de tirar minha cabeça das nuvens.

 


Capítulo 04


A celebração estava na segunda hora e ainda não havia sinal da estátua viva de Amélia. Também não havia sinal de seu noivo. Foi anunciado ao pai de Amélia que o telhado de seu próximo quarto em Banffshire havia caído. O noivado teria que ser adiado junto com o anúncio.

Amélia se mexeu na cadeira da mesa alta e gemeu baixinho. O som atraiu um olhar crítico de sua irmã Anne, mas Amélia não se importou. Seu traseiro a estava matando. Ela sentia uma dor terrível nas têmporas por causa dos grampos incrustados de pérolas que Sarah havia tecido ao longo do grosso nó na parte de trás de sua cabeça. Ela mal conseguia manter as pálpebras levantadas, mas estava com muito medo de roncar para deixá-las fechar, mesmo que por um instante. Adormecer em sua cadeira, na frente dos nobres convidados de seu tio, certamente faria sua mãe ter ataques. E o que o misterioso Edmund pensaria dela se a encontrasse dormindo mais uma vez, e nada menos durante o banquete de noivado adiado?

Ela não havia feito perguntas sobre ele ao pai, mas havia falado com Sarah e encarregado sua amiga de descobrir quem era o estranho. Sarah ficou mais do que feliz em obedecer, mas até agora, ela não tinha descoberto nada. Edmund não tinha chegado com Lorde Lamont, nem com nenhum dos convidados que chegaram depois.

Ele tinha que ser alguém! Ela disse a si mesma, passando os olhos pela miríade de rostos abaixo. Ela encontrou Sarah de pé sobre a mesa de um conde francês vindo de Anjou. Arqueando uma sobrancelha elegante, Amélia balançou a cabeça de brincadeira quando Sarah lhe lançou um sorriso caprichoso por cima do ombro. Como é que sua amiga parecia tão alerta e vivaz depois de ficar acordada a noite toda?

Querida Sarah, nasceu uma serva, com a liberdade de se comportar como quisesse. Ninguém se importava como a filha do ferreiro passava seus dias ou suas noites. Amélia suspirou, levando a caneca aos lábios. Ela invejava Sarah, embora ela tivesse nascido de uma serva, ainda assim não se jogaria na cama de qualquer homem que sorrisse para ela. O rosto dourado de Edmund brilhou diante dela. Não importa o quão decadentemente esculpidos seus lábios fossem.

— John. — Sua mãe se inclinou para frente sobre a cadeira vazia à esquerda de Amélia. — Você disse ao chanceler para se apressar em Banffshire, não foi?

— Claro que sim, Millicent. — O tom de aborrecimento em sua voz não impediu a mãe de soltar um longo suspiro de sofrimento. E por que deveria? Seu pai franzia o cenho com mais frequência do que sorria. Salvo quando ele pegou os olhos de Amélia. De suas filhas, ela era a favorita. E ela sabia disso.

— De todos os dias esse era um momento terrível para o telhado desabar! — Millicent soprou e lançou a seu marido um olhar acalorado. — Eu espero que você esteja feliz, Amélia.

— Ela não teve nada a ver com isso, Millicent. Você parece tão louca quanto seu sobrinho acorrentado no quarto abaixo da escada.

Amélia fechou os olhos, desejando que a noite acabasse.

— É uma coisa horrível de se dizer, John. Especialmente esta noite! Como meu irmão pôde permitir que o chanceler fosse e deixasse nossa filha sentada aqui sozinha como uma criança abandonada esquecida em sua própria celebração?

— Seu irmão também não está aqui. — John lembrou a sua esposa. — Esta celebração é por suas realizações, bem como pelo noivado de nossa filha. Você pensaria que ele teria adiado sua viagem a Roxburgh por alguns dias, pelo menos.

Amélia chamou a atenção de Sarah e revirou os olhos, sinalizando que seria uma noite torturantemente longa. Seus pais discutiam frequentemente. Amélia se perguntava se eles eram felizes juntos. Ela achava que não. Ela mal, ou nunca, os viu compartilhar afeto. A história que seu pai lhe contou esta manhã foi apenas uma pequena parte de sua vida. Millicent sempre reclamava de se casar abaixo de sua posição. O casamento, assim como o de Amélia, foi forçado graças ao afeto do pai de Millicent, o primeiro duque de Queensberry, pela família Bell. Depois que Robert Bell, avô de Amélia, um soldado do Exército Real, salvou a vida do duque em uma excursão de caça, o duque prometeu sua filha ao filho de Robert. Millicent nunca o perdoou.

— Meu irmão está garantindo seu último apoio a união. Ele tem todos os motivos para não estar aqui.

— E Seafield achou necessário fazer os reparos ele mesmo, Millicent. Afinal, o teto caiu em seu futuro quarto de dormir.

As bochechas de Amélia ficaram vermelhas como o clarete girando em sua caneca. Por favor, não os deixe começar uma discussão sobre meu quarto, ela orou silenciosamente. Velando seus olhos sob seus cílios escuros, ela moveu seu olhar através do salão. Nenhuma obra-prima de cabelo lustroso que ganhou vida estava presente.

Deus ajude sua alma problemática, ela se repreendeu. Como podia ser tão curiosa sobre outro homem quando seu atencioso futuro marido tinha corrido para preparar um novo lar seguro para ela? E pior, por que a menção de seu quarto instigou sua curiosidade? Ela era repreensível. Walter Hamilton, conde de Seafield, Lorde Chanceler da Escócia, não era tão ruim, realmente. Com sua juba negra e intensos olhos azul-cobalto, ele virou a cabeça de muitas mulheres na corte, mas não a dela. Ele trabalhou duro para agradar seu tio, e o fez porque se importava com ela. E daí se ele era entediante e enfadonho, para não falar de um esnobe doentio. Senhor, ela não queria se casar com ele. Soluçar durante o jantar não ajudaria em nada, especialmente depois que seu pai se esforçou tanto para garantir que a comida fosse fresca e preparada por cozinheiros excelentes. Ela não podia fugir e não podia recusar. Mas oh, como ela desejava que pudesse.

— Isso poderia ter esperado alguns dias, John. — Sua mãe bateu com a palma da mão suavemente na mesa. — Eu não me importo que quarto era.

Graças a Deus. Amélia bocejou.

— Millicent, pelo amor de Deus, não me irrite mais com isso. Já tenho o suficiente para manter minha mente ocupada pensando em quanto essa celebração vai drenar o que resta nos cofres.

— É a moeda do meu irmão. Por que o custo de tudo isso deveria preocupar você?

Amélia deslizou a mão sobre a do pai e deu-lhe um tapinha simpático.

— Todos aqui pensam que o chanceler mudou de ideia, — sua mãe continuou, baixando a voz para um sussurro quando Lady Josephine Hartington olhou através da mesa. — Eles sussurram que talvez ele tenha decidido esperar por uma esposa mais sensata. Todos eles sabem como ela é desde aquele infeliz incidente no casamento do Conde de Clare na primavera passada.

O rosto carmesim de John provou que aquele evento em particular estava marcado para sempre em seu cérebro.

Querido Deus, se Amélia não tivesse Sarah para rir com ela sobre o incidente quando ela voltou para casa, teria chorado por um mês. Alice tentou convencê-la de que não era culpa dela, mas mesmo assim Amélia lamentou por arruinar o segundo casamento do conde.

Aconteceu na manhã da cerimônia. O jovem filho do conde, Lorde Albert, a convidou para cavalgar. Claro, ela aceitou, o que, de acordo com sua mãe, foi seu primeiro erro de bom senso. A viagem pelo interior da Inglaterra foi revigorante, inocente e bastante segura. Ela era uma excelente amazona e Lorde Albert um cavaleiro perfeito. Eles até voltaram um pouco antes do casamento. Mas, como as circunstâncias costumavam acontecer no caso de Amélia, a catástrofe estava à espreita em algum lugar a apenas alguns centímetros dos cascos de seu cavalo. Até hoje, ela não tinha ideia do que tinha assustado sua montaria a um pleno galope, ou por que a besta se recusou a desacelerar, apesar de seus melhores esforços. Ela quase foi jogada e teria quebrado o pescoço se não estivesse se segurando para salvar sua vida, quando o garanhão louco saltou sobre uma fileira de convidados de queixo caído. Amélia deu as rédeas mais um puxão desesperado quando seus olhos arregalados encontraram os do conde horrorizados. A única coisa que restou a fazer foi apertar os dela e rezar para que o conde, sua noiva e o padre se movessem para fora do caminho.

Eles tinham. Ninguém ficou ferido, exceto o nome de seu pai. Graças a ela, o nome Bell se tornou sinônimo de desastre. Amélia lamentava por isso, pelo bem de seu pai. Ela sentia muito por tudo.

— É o suficiente. — O olhar sombrio de John sobre a cabeça de Amélia advertiu sua esposa de que ela finalmente havia conseguido exaurir sua paciência. — Qualquer homem se consideraria um dos afortunados por receber nossa filha, sensata ou não.

Seu querido pai. Ele a amava apesar de seus defeitos. Amélia se virou para ele e sorriu suavemente, trazendo felicidade ao rosto dele pela primeira vez naquela noite. O que ela teria feito sem ele em sua vida? Quando ele se inclinou e beijou sua testa, seus olhos se encheram de lágrimas.

— Eu te amo, papai. — Ela sussurrou baixo o suficiente para sua mãe não ouvir.

— E eu a você, querida.

Satisfeita, Amélia apoiou o cotovelo na mesa e deixou cair o queixo na palma da mão, alheia a um dos cachos presos pendurados em suas têmporas caindo em sua sopa. Céus, ela estava começando a perder a sensibilidade nas pernas. Quanto tempo mais essa celebração iria durar? Ela fechou os olhos. Apenas por um momento.

— E se o chanceler não voltar por ela?

John Bell jurou para si mesmo que se sua esposa continuasse com isso por mais um instante, ele se levantaria e a deixaria sentada ali sozinha.

— O chanceler voltará pela manhã. — Ele murmurou. — Os convidados não vão a lugar nenhum.

— Não é o amanhã que me preocupa, mas esta noite, — Millicent disse com o canto da boca. — Esta noite o noivado seria anunciado.

— Pelos santos, mulher! Você não tem...? — Seu meio juramento sussurrado foi cortado quando seu filho em lei, o Conde de Bedford, aproximou sua cadeira e puxou sua manga.

— O quê? — John perguntou e tirou o ouvido dos lábios de Bedford. — Onde?

Seu filho em lei apontou e pai de Amélia levantou-se e olhou para um homem de pé no final do salão envolvido em uma conversa tranquila com outro homem que ele nunca tinha visto antes.

— Tem certeza de que ele foi apresentado como Lorde Huntley?

— Eu mesmo ouvi a introdução. Malcolm Gordon, conde de Huntley.

— E o homem com ele?

— Edmund Dearly, visconde de Essex. Eles viajam com um Campbell e um Drummond, também.

John lançou um olhar para sua esposa. Ele não se lembrava de ter visto seus nomes na lista de convidados. Senhor, ele esperava que ninguém os tivesse insultado ao se esquecer de adicioná-los.

— Eles estão vindo para cá. — John endireitou os ombros e alisou o casaco, preparando-se para uma apresentação.

— Você sabe que a família de Huntley é parente distante da rainha, não sabe? — Millicent perguntou, arrumando o cabelo.

Ajustando a peruca, John ofereceu aos convidados um sorriso amigável, mas o visconde de Essex desviou os olhos para a única pessoa ainda sentada em sua cadeira no estrado.

De repente, nauseante, John olhou para o topo da cabeça de Amélia. Ele se encolheu visivelmente quando um pequeno ronco escapou de seus lábios. Lutando para manter seu comportamento agradável enquanto seus convidados olhavam para ela, ele a pôs de pé.

Amélia acordou bruscamente, mas levou um momento para sua cabeça clarear completamente e para ela perceber que estava dormindo em sua cadeira. Mas mesmo essa mortificação não foi nada comparada ao que ela sentiu quando olhou para os homens que estavam diante dela.

— Lorde Huntley, Lorde Essex, — a voz de seu pai falhou quando ele gritou. — Bem-vindo a Queensberry House. Não estávamos esperando vocês.

Esquecendo seus cachos caídos, os olhos de Amélia se arregalaram. Seu Edmund era Lorde Essex? Seu amigo era Lorde Huntley? E ela tinha adormecido durante o jantar? Ela ansiava por espiar o pai, implorar por seu perdão.

— Talvez se tivéssemos sido convidados... — A voz de Edmund... A voz de Lorde Essex era uma mistura profunda e sensual pertencente à Inglaterra e à Escócia. O som suave e constante dançou em seus ouvidos, invadindo seus pensamentos.

— Um descuido pela qual eu imploro perdão. — Seu pai se curvou.

Amélia desviou o olhar para Edmund enquanto ele avançava. Isso era duas vezes agora que ela acordou de seus sonhos para encontrá-lo em seu mundo.

Ele era real. Mas tudo o que ela achou atraente nele antes, desapareceu com o amanhecer. Ele se erguia agora, com total autoridade enquadrando seus ombros, e uma indiferença fria e inflexível endurecendo suas feições. Ele era apenas mais um nobre faminto por poder, então? Ele puniria seu pai por seu erro?

Ele ergueu a palma da mão para seu pai.

— Não há necessidade de desculpas. Lorde Huntley e eu preferimos ser discretos. Não é correto, Huntley?

— Sim. — Seu amigo concordou, sorrindo para Sarah quando ela apareceu com uma bandeja de vinho. Céus, mas ele era tão travesso e bonito que Sarah quase deixou cair a bandeja. Com os olhos mergulhados em tons insondáveis de azul e verde e um sorriso com covinhas que poderia fazer um anjo cair do céu, ele era a encarnação da tentação. Como um lobo em caça, seus olhos seguiram a partida de Sarah, esquecendo, ou não se importando, a conversa que acontecia na frente dele.

Lembrando que Sarah não era um anjo, Amélia voltou sua atenção para Edmund.

Ele tinha sido discreto, sem dúvida, uma sombra rondando o jardim entre a noite e o dia. Os olhos de Amélia se arregalaram de alarme. O Jardim! Ela engoliu de repente. Seu olhar disparou para seu pai. O visconde diria a seu pai que encontrou sua filha obstinada dormindo ao ar livre sozinha enquanto o sol nascia?

— O duque está presente? — Essex perguntou, mal olhando para ela. — Esperávamos apresentar-lhe os nossos melhores votos de sucesso com a união.

— Ai de mim, — disse seu pai, lançando um olhar infeliz para a esposa, — ele foi chamado para Roxburgh.

— Infelizmente, — disse Essex. O gelo em seus olhos endureceu seu sorriso rápido. — Eu darei meus elogios ao conde de Seafield, pois ele é o braço direito do duque.

— De novo, — Seu pai se encolheu até os ossos ao som do leve gemido de sua mãe. Pobre homem, Amélia pensou. Sua mãe nunca iria parar de reclamar disso mais tarde. — Lamento que ele tenha sido chamado de volta a Banffshire para consertar o telhado de sua câmara nupcial.

Essex ergueu uma sobrancelha dourada.

— Ah, sim, ouvi rumores de que o conde ficaria noivo.

— Isso ele vai. — Seu pai o informou. — Com a dama mais bonita aqui, na verdade.

Lorde Essex direcionou seu olhar para ela antes que seu pai a identificasse como a noiva e fizesse o coração de Amélia acelerar. Ela mal conseguia respirar vendo aqueles olhos duros como diamante se aquecerem nela. Esta noite ele usava uma peruca empoada que lhe dava uma aparência mais nobre do que etérea. Sombras dançavam através dos ângulos esculpidos de seu rosto bronzeado de sol e sua sobrancelha, adicionando profundidade a seus olhos azuis esfumados.

Suas roupas eram ainda mais finas do que Amélia havia pensado no jardim. Ele usava um justacorps1 bordado escarlate com um laço combinando amarrado sob o queixo aristocrático. Os punhos da camisa poeta2 por baixo eram imaculados e brancos como se raramente fosse usados. Ele usava breeches3, ostentando panturrilhas fortes e musculosas. Seus sapatos estavam engraxados e curvados, como estava na moda.

Ele se movia mais como uma pantera do que um pavão, entretanto; ágil, silencioso e perigoso. No entanto, ele caminhou entre eles o dia todo, sem ser notado. Discreto.

Ele ficou bem na frente de sua mesa e inclinou o rosto para ela. Depois de um interminável momento de silêncio e uma oração frenética de Amélia para que ele não estivesse decidindo a melhor forma de contar a seu pai sobre sua travessura noturna, o tom rouco de sua voz soou no salão.

— Devo presumir que este é o prêmio que o conde ganhou?

Amélia não sabia se deveria se sentir lisonjeada ou insultada por ser chamada de tal coisa. Enquanto ela tentava decidir, algo fresco e úmido escorregou por seu corpete. Ela olhou para baixo para encontrar seu cacho encharcado de sopa pingando sobre seu seio, manchando o tecido fino de seu vestido.

Oh, maldição, esta noite poderia ficar pior?

 


Capítulo 05


Sua sorte ficaria melhor? O olhar de Edmund se demorou na moça que esfregava a palma da mão sobre o seio. Esta era a moça por quem eles vieram. O adormecido anjo do jardim que se demorou em seus pensamentos o dia todo era a sobrinha do duque, e com seu tio e seu futuro marido ausentes, o duque sem dúvida obteve a terceira assinatura, ela estava livre para que tomasse.

Quase livre.

— Você está certo, Lorde Essex. — Disse o barão Selkirk, aproximando-se da filha. — Apresento minha esposa, Lady Selkirk, e minha filha Lady Amélia Bell.

Amélia. Edmund repetiu o nome dela repetidamente em sua cabeça. Lindo, assim como ela.

Felizmente, ele não era movido por rostos bonitos. Ele estava aqui com um propósito. Nada se moveu. Nada o afastaria de seus planos, não quando se tratava da Escócia, não pela terra que lhe deu uma nova vida quando menino. Srta. Bell era a moça mais adorável que ele já vira, mas a Escócia detinha a posse de seu coração.

Ainda assim, isso não significava que ele não poderia encantá-la nesta noite estúpida. Visto que o duque e o chanceler estavam ausentes, Edmund poderia tomar todo seu tempo com o plano, apreciá-la... ela, um pouco. Se ele jogasse certo, não teria que forçá-la a ir com ele e ela poderia não odiá-lo tanto pela manhã. Ela despertou seu interesse dormindo ao ar livre em sua camisola, descalça e vulnerável sob o olhar permanente do maior guerreiro que já viveu. Adormecida novamente ao pé da cadeira de seu pai, em sua própria celebração. Ele esperava que a sobrinha do duque fosse mais elegante e adequada; o que ele obteve foi uma alma peculiar revestida de mistério e travessura. Fazê-la confiar nele esta noite não deveria ser difícil, mas seria agradável.

— É uma honra conhecê-la, Lady Selkirk. — Edmund curvou-se primeiro para a mãe de Amélia, depois para ela. — Srta. Bell, sua beleza é homenageada em canções por trovadores viajantes, mas o esplendor de seu semblante não foi grosseiramente exagerado. — Seus olhos ardiam sob seu verniz glacial quando ela ergueu os olhos para ele. — Você é mais adorável do que qualquer coisa que eu já sonhei.

A Srta. Amélia Bell poderia fazer um homem feliz, Edmund pensou, deleitando-se no sorriso delicado que ela lhe lançou, no brilho sensual de seu olhar encoberto como cavalos correndo nas charnecas. Seafield, traidor da Escócia, não a merecia. Edmund sabia que seduzi-la para fora de Queensberry House seria uma tarefa fácil quando seus lábios se separaram em uma respiração suspensa antes de se dirigir a ele.

Ele jurou que antes que a noite acabasse, ele beijaria aquela boca.

— Você fala essas palavras todas as damas que encontra, meu lorde?

Ele sorriu, encantado com sua ousadia e o brilho de humor em seus olhos.

— Ninguém jamais me ouviu falar assim.

Ela o agraciou com outro sorriso mais genuíno que trouxe um gemido suave à garganta de Malcolm. Edmund compartilhava do sentimento, mas permaneceu em silêncio sobre isso.

— Bem, então, — ela continuou, alheia ao horror de sua mãe próximo dela, — no que diz respeito aos sonhos, eu compartilho seu sentimento.

— Amélia! — Com uma das mãos no peito e a outra na cadeira, a Baronesa de Selkirk estava boquiaberta, horrorizada com a filha. Seu marido bebeu seu vinho e olhou para o céu antes de se colocar ao lado de sua esposa e firmá-la de pé. Mas era Amélia quem precisava ser resgatada, Edmund pensou enquanto uma enxurrada de sussurros surgia da multidão atrás dele. Seu sorriso desapareceu e ela desviou o olhar dele.

— Meu senhor. — Lady Selkirk desviou sua atenção de sua filha. — Você deve desculpá-la. Ela é...

— Deliciosa. — Edmund terminou por ela, e percebeu a leve inspiração que ergueu o seio de Amélia abaixo do queixo.

— Se vocês me dão licença, — ela disse em voz baixa para seus pais. — Eu preciso usar o... — Ela lançou outro olhar mortificado para Edmund, então para a expressão escandalizada de sua mãe. — Eu gostaria de me refrescar.

— Vá. — Seu pai permitiu, soando tão depreciado quanto sua filha.

O olhar de Edmund seguiu sua figura esguia enquanto ela saía da mesa e desaparecia por uma porta à sua direita. Um momento depois, uma serva com cabelo da cor do pôr do sol a seguiu. Ela era a mesma moça que Malcolm tinha visto antes. Ele foi atrás dela, compartilhando um aceno com Edmund e nenhuma palavra para o barão.

— Lorde Essex. — A voz grave de Selkirk desviou a atenção de Edmund da saída dela. Ele se virou para descobrir que o barão também havia deixado seu assento e vindo para ficar ao seu lado.

— Mandarei preparar nosso melhor aposento para você e seus homens. Com tantos convidados presentes, infelizmente não temos quartos de sobra para sua privacidade. Enquanto isso, — ele estendeu a mão e pousou no ombro de Edmund, — por favor, participe de nossa festa, ainda não é uma celebração, e me conte algumas notícias da Inglaterra. — Ele fez sinal para que um servo trouxesse duas canecas de vinho fresco. — Estamos todos muito satisfeitos com o tratado. E nos ajudará a recuperar do desastre financeiro.

— Ah, então você está do lado inglês. — Edmund respondeu vagamente. Nenhuma revelação aí. Os barões escoceses beijavam o mesmo traseiro inglês que os duques e condes beijavam. Eles vendiam seu país e suas filhas pela oferta mais alta.

Traidores.

— Sua filha e o chanceler compartilham afeto?

— Perdoe-me?

Edmund lançou-lhe um olhar impaciente.

— Eles estão apaixonados? — Em seu cumprimento do dever, ele fazia perguntas. Ele precisava saber como o chanceler se sentia em relação a Srta. Bell. Se ele não estivesse manteria seu nome do tratado para ela.

— Eu... eu acredito que sim. — Seu pai disse. — A razão pela qual ele não está aqui não tem nada a ver com minha filha, mas com seu desejo de ver seu telhado adequado para sua noiva.

— Claro. — Edmund respondeu com um sorriso fácil que não alcançou seus olhos. — Então, ela está satisfeita com o casamento.

— Certamente.

Útil saber que ela concordava com o resto da família, Edmund pensou, enquanto seus olhos captaram o retorno da serva de cabelos ruivos na porta. Ela olhou para a mesa de Lady Selkirk, que estava compartilhando uma palavra com uma moça que se parecia com Amélia, exceto por seus lábios contraídos e barriga inchada, então correu de volta na direção de onde ela veio. Desta vez foi Lucan quem a avistou e caminhou a pernadas para segui-la. Malcolm estava longe de ser visto, provavelmente chamando a atenção de alguma outra moça que não estava ocupada espionando para sua senhora.

Quando Amélia finalmente reapareceu, ela também olhou para a mesa e decidiu não voltar a ela. Ela seguiu na direção oposta.

— Ele a ama.

— O quê? — Edmund se voltou para o pai dela.

— O lorde chanceler. — Lorde Selkirk repetiu. — Ele ama minha filha. Ele me assegurou isso.

— Fico feliz em saber disso. — Disse Edmund. Amá-la significava que o chanceler faria o que eles mandassem enquanto ela estivesse sob a custódia de Edmund e não assinaria.

— Mesmo sua maldita má sorte não o impediu de tentar ganhar seu favor. Infelizmente, ela afastou mais pretendentes do que posso contar. — Ele suspirou, avistando-a do outro lado do salão. — Mas eles eram tolos. Todos menos Lorde Seafield. Ele tem...

Edmund parou de ouvir quando o caminho de Amélia foi interceptado por um lorde de rosto severo que parecia mais velho que seu pai, mas ainda estava em forma para representar uma ameaça.

— Quem é aquele homem falando com sua filha?

Seu pai se inclinou em volta do braço de Edmund para dar uma olhada.

— Esse é Lorde Bedford, o marido de minha Eleanor. Ela está esperando seu primeiro filho no próximo...

Quando Bedford agarrou o braço de Amélia, Edmund deixou o lado de seu pai sem ouvir o resto.

Ele não correu para o lado dela, mas avançou em silêncio, procurando captar um pouco da conversa, que parecia ficar mais acalorada a cada momento.

— Eu voltarei para o lado de minha mãe em um momento, Bedford. — Amélia insistiu, puxando seu braço para que ele a soltasse.

— Ela insiste que você volte agora. — Ele a puxou para frente. — Antes de que bata em um candelabro e incendei a casa.

Amélia cravou os calcanhares no chão e, com um movimento rápido de seus cílios, seus olhos escuros marcaram sua carne.

— Você maltrata minha irmã também?

— Não há necessidade. — Ele se inclinou na direção dela e praticamente rosnou na cara dela. — Ela não é indisciplinada como você, e faz o que se manda.

— Que pena para você, então. — Disse ela, de alguma forma recuperando sua compostura completa, ou parecendo. O fogo em seus olhos ainda queimava, acendendo o sangue de Edmund.

Seu irmão em lei riu, um som arrogante e senhorial.

— Onde está a pena em ter uma esposa obediente?

— Ela acaba com um marido terrivelmente entediado. — Disse Edmund, alcançando-os.

Bedford se virou, surpreso com sua aparição repentina.

— Lorde Essex.

Edmund juntou as mãos nas costas e inclinou a cabeça.

— Lorde Bedford. — Ele saudou agradavelmente. — Tenho certeza de que, por mais tentadora que seja a perspectiva de ser arrastada por todo este salão seja para Srta. Bell, ela não se oporia a que eu a acompanhasse de volta à mãe.

— Claro, meu senhor. — Bedford a soltou com um sorriso e saiu apressado.

Edmund podia sentir os olhos dela nele. Ele os sentiu examinando-o desde o momento em que falou, deixando-o louco de desejo de olhar para ela. Quando eles ficaram sozinhos, ele finalmente o fez. Ele evitou que sua respiração ficasse curta.

— Você deu a essas pessoas pelo menos uma semana de fofocas. — A voz dela era uma carícia leve e provocante que o fez duvidar que fosse apenas sua beleza que provocou seus pensamentos de beijá-la sem sentido.

— Que imprudente da minha parte. — Ele disse e dobrou o braço, oferecendo-o a ela. Quando ela aceitou, enlaçando o braço no dele, ele deu um sorriso malicioso que brilhou em seus olhos e a acompanhou até a extremidade oposta do salão, longe da mesa.

— Eu realmente devo me desculpar pelo que eu disse antes. — Ela disse a ele enquanto eles caminhavam.

— Portanto, não tinham homens mais graciosos do que eu em seus sonhos, então?

Ela olhou para ele e seu sorriso se tornou ainda mais impressionante por sua falta de astúcia.

— Bem, eu durmo com bastante frequência.

— E em lugares estranhos. — Edmund concordou, surpreso com a facilidade com que ela falava e sorria para ele. Não havia nada tímido ou calculista nela, e Edmund sentiu vontade de traçar com os dedos sua boca, sobre o leve rubor que se espalhou por suas bochechas. Uma vez que ele a fizesse prisioneira, ela não iria querer beijá-lo, e ele não era o tipo de homem que se obrigava a uma moça. Se ele iria provar o doce néctar de seus lábios, teria que ser esta noite.

— Sinto muitíssimo por estar dormindo durante a sua chegada. — Seu rubor passou tão rápido quanto seu arrependimento. — Eu mal tive a chance de fechar meus olhos desde que te vi no jardim esta manhã.

— Você não está com sono agora, está?

— Não. — Ela deu uma risadinha. — Por quê?

— Porque pretendo passar a noite dançando com você.

Ela olhou para ele por baixo da escura espessura de seus cílios.

— Seria ótimo, mas meu cartão já está cheio. É obra da minha mãe. Um estratagema para fazer as outras ladies acreditarem que sou extremamente desejada.

Ela não precisava de um ardil, Edmund pensou consigo mesmo quando ela se inclinou um pouco mais perto dele e encostou os lábios em seu ouvido. Ele abaixou a cabeça para ouvi-la.

— Na verdade, esperava passar um momento a sós com você para discutir nosso primeiro encontro, e então lá estava você e aqui estamos nós. Eu diria que isso é uma sorte, não é?

— Eu gostaria. — Seu olhar moveu-se sobre as curvas sedutoras de seu perfil.

— Eu queria pedir para você não mencionar que me encontrou na arcada para meus pais. Minha mãe ficaria terrivelmente aborrecida em saber que eu estava... — Ela fez uma pausa, e desviou o olhar dele. — Vagando pelo jardim em uma hora tão ímpia.

Edmund ficou surpreso ao descobrir que estava curioso sobre o que ela estava fazendo ali. Ele não perguntou, no entanto. Não era pertinente à causa dele, então por que perder tempo pensando nisso? Pela manhã, ela o odiaria por tirá-la de todos que ela amava, incluindo seu noivo. Esta noite, ele pretendia ganhar o favor dela e talvez algo mais. Depois que tivesse, ele não teria que falar com ela novamente.

— Por que você dorme no jardim quando sabe que sua mãe desaprova? — Ele torceu a boca para ela. — Você é rebelde então, Srta. Bell?

— Não particularmente, meu lorde. — Ela respondeu. — Eu simplesmente não concordo com seus motivos pelos quais eu não deveria.

Edmund sorriu ao ver a mecha de cabelo castanho e lustroso pendurado em seu ombro, lembrando-o da expressão cômica de Selkirk quando viu sua filha dormindo na sopa.

Ela lançou-lhe um olhar preocupado e ele piscou para que ela soubesse que não via nada de errado em sua maneira de pensar.

— Então você não vai dizer nada?

— Sob pena de morte, tem minha palavra.

Ela deu a ele um sorriso agradecido e então se virou para deixá-lo quase antes que ele pudesse impedi-la. Ela fez uma pausa e se voltou para ele.

— Será que um trovador realmente me mencionou na música?

Ele olhou para ela e pensou em quantas maneiras seu tio Finn poderia descrevê-la.

— Ele o faz.

— E o que ele disse?

Se algo mais estivesse em jogo além de tudo em que ele acreditava e amava, teria dificuldade em manter as mãos longe dela uma vez que a tirasse daqui. Ela estava perto o suficiente para beijar agora, se ele apenas abaixasse a cabeça no ângulo certo.

— Ele disse que você era mais adorável do que uma rosa no inverno, mais radiante do que um dos próprios anjos de Deus sonhando ao amanhecer.

O leve rubor em seu nariz acentuou o brilho em seus grandes olhos negros quando olharam para ele.

— Tem certeza de que foi sobre mim que ele cantou?

Ele sorriu, pego completamente desprevenido por sua franqueza. Ele estava tentado a roçar o polegar sobre sua mandíbula, seus lábios, e inclinar seu rosto para tomar sua boca.

Um momento se passou entre eles quando Edmund parou de ver ou ouvir qualquer outra pessoa além dela. Ela sorriu como se compartilhasse seus pensamentos.

— Como você sabia o que eu estava pensando antes? — Quando ele não respondeu de imediato, ela esclareceu. — Com Bedford, sobre estar entediado com sua esposa chata?

— Porque seria enfadonho e cansativo para mim.

Seus olhos se encontraram de novo e tanta coisa se passou entre eles no espaço daquela respiração que Edmund se sentiu exposto e aberto mais do que nunca. Ele desviou o olhar primeiro, com medo de que, se ela olhasse com atenção o suficiente, ela veria seus segredos, seu verdadeiro propósito de estar aqui. Mas todo mundo tinha segredos, não é? Até mesmo este anjo tentador. Ele podia vê-los claramente na inclinação envolta de seu olhar, a inclinação travessa na curva de seus lábios. Quais eram eles? Ele queria descobrir todos eles, mas não descobriria nada se ela estivesse dançando com todos os outros.

— O que há no David de Michelangelo que te cativa tanto?

Desta vez, ela permaneceu ao seu lado, seu cartão de dança esquecido. Provavelmente, tentá-la a desobedecer à mãe e usar o rei David para isso era um pecado, mas Edmund se arrependeria disso mais tarde.

— Ele era o homem perfeito.

— Você sabe muito sobre ele.

— Eu li as escrituras, — disse ela, retomando os passos e seguindo-o em direção às portas do jardim. — Ele era destemido e fiel, e... — Sua voz sumiu e ela corou novamente. — Esta noite sonhei que ele ganhava vida.

Ele riu e balançou a cabeça.

— Eu não sou nada como ele.

— Oh? — Apoiando as costas contra a parede, ela lançou a ele um olhar cheio de capricho. — Você não vai matar gigantes então?

— Na verdade, — ele se inclinou mais perto, tentado a beijar o sorriso de seus lábios. — Eu estou caçando um gigante agora.

Quando ela riu, ele decidiu não deixá-la ir esta noite. Para o inferno com seu cartão de dança. Querendo ficar sozinho com ela, ele a levou para fora do salão e para o jardim. A preocupação marcou sua testa por apenas um instante antes de ser substituída pela luz da lua.

— Não devemos estar sozinhos.

— Nós não estamos sozinhos, minha senhora. Seu campeão está a apenas alguns metros de distância.

Ela olhou por cima do ombro para a estátua de David, então se virou para ele quando ele a tomou nos braços. Ele não tentou beijá-la, embora a batalha não fosse facilmente vencida. A música de dentro flutuava pelas janelas e se misturava com o canto dos grilos e Edmund queria dançar com ela. Ele a segurou gentilmente, indecentemente de acordo com a moda padrão de dança do dia. Ele não aprendeu esses passos no salão de nenhum nobre, mas nos bordéis espalhados pela Escócia. Ela não se opôs, mas respirou rapidamente quando ele se balançou com a melodia.

— Que forma de dança é essa? É escandalosa. — Ela não parecia ofendida.

Ele sorriu, afrouxando o aperto para olhar para ela.

— É a nova dança da Espanha.

Ela deu a ele um sorriso duvidoso.

— As cabeças rolariam se as pessoas dançassem assim na Espanha.

— França, então. — Ele riu quando ela lhe deu um empurrão brincalhão.

— Eu deveria gritar.

— Por quê? — Ele se inclinou, sorrindo. — O que estamos fazendo parece perigoso?

Ela riu suavemente contra ele.

— Sim, é verdade. Comigo, todo dia é perigoso. O destino é tentador, roubando esses momentos com você, provavelmente terminará em algum tipo de catástrofe.

— Então por que você faz isso?

— Você realmente deseja saber?

Ele assentiu.

— Porque esses momentos são fantasiosos e passageiros. Você me lembra dos sonhos que tive quando criança, aqueles que às vezes ainda me perseguem. Eu arriscaria roubá-los, mas nada mais. Não sou mais criança.

— Então fantasia é só para crianças?

Ela encolheu os ombros delicados e riu com ele.

Edmund cumpriu seu objetivo de mantê-la para si mesmo durante a noite. Eles dançaram por muito tempo e a cada momento que passava com Srta. Amélia Bell, ele sabia que se ela não fosse a sobrinha do duque, a futura esposa do chanceler e uma defensora do tratado, ela poderia ser algo significativo em sua vida. Ele tinha que ser extremamente cuidadoso com ela e não deixá-la chegar perto de seu coração.

 


Capítulo 06


— O que eu disse a vocês sobre os escoceses? Eles são muito viris.

Amélia sentiu o sangue correr para suas bochechas com o que mais Sarah havia dito a ela sobre eles.

Elas se sentavam na cama de Sarah, sem se importar com as protuberâncias no colchão fino cutucando suas costas ou com a luz fraca da única vela obscurecendo sua visão. Elas esperavam ansiosamente o fim da noite, quando poderiam abandonar suas posições na sociedade, ser elas mesmas e compartilhar seus segredos, embora os de Sarah fossem muito mais estimulantes.

— Mas Edmund não é escocês.

— De acordo com seu amigo Lorde Huntley, seu Edmund foi criado na Escócia. Portanto, ele pode muito bem ser um escocês.

O que quer que ele fosse, era o homem mais divino que Amélia já tinha posto os olhos. Ela fechou os olhos, querendo gritar, dançar e rir de alegria em cima da cama frágil de Sarah. Ela não estava com sono ou cansada, embora tivesse passado a maior parte da noite dançando com Edmund sozinha no jardim. Ela disse a ele que seu cartão de dança estava cheio, mas não estava. Na verdade, não havia nenhum nome nele. A princípio, ela não se importou que ninguém quisesse dançar com ela, mas se sentiu mortificada por deixar Edmund saber disso. Isso, e ela achou a melhor ideia passar a noite inteira dançando com ele quando foi sugerido. Um cartão de dança completo deveria tê-lo afugentado, mas não o fez.

No final, ela estava feliz que não estivesse. Ela estava grata a ele por roubá-la tão habilmente, por ser um cavalheiro e manter sua palavra. Um deles, pelo menos. Ele não tentou beijá-la. Ela desejou que ele tivesse, mas estava feliz que não tivesse beijado. Ela não tinha nenhuma ilusão de que algum dia poderia haver algo com Edmund Dearly de Essex. Ela deveria se casar com Walter. Ela não tinha esquecido seu dever. Nada mudou. Ela não estava livre para se casar com quem ela quisesse, mas podia pensar sobre isso. Ela poderia fingir por apenas uma noite que as coisas eram diferentes, que poderiam ser diferentes. E que noite mágica tinha sido. Edmund a fez rir e fez perguntas que a fizeram pensar, em vez de tentar constantemente fazê-la corar com palavras floreadas que ele poderia ou não querer dizê-las. Céus, mas ele não precisava de palavras. Não quando ele olhava para ela como se estivesse faminto por mais dela. Não com algo que seus olhos pudessem ver, mas algo mais profundo. Nenhum outro homem jamais olhou para ela assim.

Ela queria beijá-lo. Ah, mas ela doía de desejo de ser abraçada por ele, beijada até perder o fôlego e a lógica. Ela tinha passado muito tempo contemplando sua noite de núpcias com Walter. Agora essas imagens foram substituídas por Edmund. E elas ganharam vida e aqueceram seu ventre. Então, ela era fantasiosa. A única que desaprovou foi sua mãe, e esta noite, apenas esta noite, Amélia não se importava com o que sua mãe pensava dela.

Seu sorriso sonhador desapareceu e ela abriu os olhos.

— Você não levou Lorde Huntley para a cama, levou?

Sarah revirou os olhos para ela.

— Honestamente, Amélia, eu acabei de conhecê-lo esta noite.

— Você levou?

— Não. — Sarah balançou a cabeça. — Ele perseguiu Lizbeth Cameron e seus seios gigantescos pela maior parte da noite. Acho que até o vi flertando com a esposa do duque. Quando ele falou comigo, seu amigo, o Sr. Lucan Campbell, apareceu ao nosso lado para discutir alguma obra de arte que, claro, eu não sabia de nada. Confesso que ele me assusta um pouco com aqueles olhos penetrantes da cor de lobo. Eu os encontrei no meu pensamento durante a maior parte da noite. Ele tem uma aparência de ávido e capaz de derramar sangue, e muito sangue. Mas chega de falar dos outros. Fale-me de seu Edmund! Och, Amélia, ele é bonito. Certamente você estava certo sobre isso. Ele ficou terrivelmente chateado por te encontrar desacompanhada no jardim ao amanhecer? Achei que ele poderia ter se afastado para adverti-la.

Amélia balançou a cabeça.

— Ele foi maravilhoso sobre isso. — Sua falta de ar não escapou da observação de Sarah. — Ele não é enfadonho. Ele jurou nunca falar sobre isso.

— Que coisa, mas eu gosto mais dele por você. Você acha que seu pai iria...

— Sarah. — Amélia a parou antes que ela fosse mais longe. — Meu destino está selado. Por favor, não torne isso mais difícil. Além disso, Lorde Essex não está interessado em mim como esposa. E depois de tudo o que ele provavelmente ouviu esta noite sobre meus 'incidentes', tenho certeza de que ele mal pode esperar para deixar Queensberry House.

— Oh, que bobagem! — Sarah exclamou, batendo em sua coxa. — Todos os homens no Salão Principal gostariam de estar sentados ao seu lado naquela mesa esta noite, incluindo Lorde Essex! Você é a mulher mais linda que já enfeitou esta casa.

— Sarah, não seja ridícula. Você viu meu cabelo? Adormeci na minha sopa!

A boca de Sarah se curvou em um sorriso.

— Sim, e ele a chamou de encantadora. Eu o ouvi.

— Sim, ele não vacilou quando minha mãe pediu desculpas por mim.

— Você gosta dele então.

— Claro que eu gosto. Quem não gostaria? Mas ele parte de manhã e eu vou ser a esposa de um dos homens mais poderosos da Escócia.

— Mas Amélia, pense no que Lorde Essex esconde naquela chausses confortável!

As bochechas de Amélia ficaram em chamas antes que as duas mulheres explodissem em gargalhadas.

Mais tarde, quando elas se deitaram na cama olhando para as sombras bruxuleantes ao longo do teto, os braços lançados sobre suas cabeças, os pensamentos de Amélia foram preenchidos com Edmund.

— Sarah?

— Sim?

— Como é beijar um escocês, bem, um inglês que foi criado na Escócia?

— É muito bom, e muito... indecente. — Sarah respondeu com uma voz profunda e sonolenta.

A ideia de Edmund beijando-a indecentemente agitou o sangue de Amélia.

— Diga-me como eles beijam, sim?

E Sarah o fez, deixando pouco para a imaginação de Amélia.

— Walter nunca colocou a língua na minha boca. — Amélia confidenciou quando sua amiga terminou.

— Claro que não. Ele é tão opaco quanto grama molhada.

Amélia sorriu para o teto. Quando a respiração de Sarah ficou mais lenta e até mesmo alguns momentos depois, Amélia deu um beijo na testa de sua querida amiga e saiu da cama.

Edmund sentava-se nas sombras do jardim do duque de Queensberry e esperava que Amélia voltasse de onde quer que tivesse ido. Fora encontrar seu amante? O pensamento não o agradou, mas ele disse a si mesmo que era porque significava que as coisas não estavam tão bem entre ela e o chanceler, e se o chanceler não se importasse se ela fosse sequestrada, ele assinaria o tratado e tudo isso seria em vão.

Foi o que Edmund disse a si mesmo.

Ele esperou como um ladrão na noite, pronto para roubá-la das pessoas que ela amava, ansioso para começar o processo de vencer esta batalha para a Escócia.

Ansioso por vê-la, por falar com ela novamente. Ele tinha gostado sinceramente da noite que passou com Amélia e quanto mais ela sorria para ele, ria com ele, se abria com ele, mais odiava a ideia de usá-la como um peão. Ela não era nada parecida com algumas das filhas de outros nobres que ele conheceu no passado. Ele gostaria que ela fosse arrogante, como sua mãe e suas irmãs. Isso tornaria o que ele pretendia fazer mais fácil. Mas ela parecia genuinamente se importar com os servos de seu tio e o bem-estar de seu pai.

Ele não a beijou. Ele prometeu a si mesmo que faria. Mas agora, sentindo-se atraído por ela, ele decidiu que era melhor manter sua boca e suas mãos longe dela.

Ele tinha sido mentiroso com as mulheres antes em sua busca por informações, mas nunca havia saído de seu caminho para fazê-las confiar nele, acreditar que era alguém que não era. Ele não era um guerreiro cortês e de coração puro enviado do céu para lutar contra gigantes com uma funda. Não, ele usava mulheres inocentes para ganhar sua guerra.

Mas não havia tempo para arrependimentos. Ele deveria executar o plano dele e de seus primos e salvar seus parentes, seu clã, seus compatriotas da repressão. Nada o deteria. Nem mesmo a ligeira sacudida de seu coração ao vê-la entrar no jardim em sua camisola, cantarolando para as estrelas.

Amélia olhou para as estrelas espalhadas pelo céu violeta quente. Ela estava atrasada de novo ou mais cedo, dependendo de como se olhasse. Ela não se importou. Ninguém sentiria sua falta se ela dormisse algumas horas extras. Ao atravessar a galeria, amaldiçoou sua má sorte de que um homem como Edmund tenha entrado em sua vida apenas para lembrá-la de como seus dias seriam enfadonhos com Walter. Edmund, que achava que uma esposa obediente e sempre zelosa era cansativa. Pare com isso, Amélia, ela se repreendeu. Você vai se casar em um mês.

Ela piscou, tentando ajustar sua visão enquanto se aproximava da estátua de David. A figura sombria de um homem se afastou da arcada como se saísse da escultura de pedra para se tornar carne.

— Ed... Lorde Essex, você me assustou. — Ela tateou em seu roupão de noite quando ele entrou em seu caminho. A fragrância de terra e couro flertou em suas narinas, indo direto para sua cabeça. Ela deu um passo para trás. Ele se aproximou. — O que você está fazendo aqui?

— Tive problemas para dormir e vim aqui em busca dos meus sonhos.

A cadência esfumaçada de sua voz acima de sua cabeça enviou um tremor quente por sua espinha. Ela inclinou o rosto e a respiração dele caiu em seus lábios.

— Um amante?

— O quê? — Ela piscou lentamente, extasiada por sua proximidade, sua altura, seu cheiro a envolvendo. Todos os outros pensamentos fugiram de sua mente, exceto um. Ela queria beijá-lo. Apenas uma vez para ajudá-la a se lembrar, durante seu casamento com Walter, de como era algo apaixonado.

— Você foi encontrar um amante, Srta. Bell?

Sua cabeça clareou instantaneamente e ela recuou, então o contornou para se dirigir às portas.

— Amélia. — Sua respiração irregular quando ela passou por ele a parou.

Ela não olhou para ele antes de falar. Ela não queria ver a censura em seus olhos quando ela lhe contasse a verdade.

— Eu estava me encontrando com alguém cuja amizade eu valorizo. Ela é desaprovada pela minha mãe, por isso nossa amizade é proibida. — Ela não queria falar com ele sobre isso. Ele não. Ela pegou a bainha e saiu, mas ele a seguiu e a alcançou em duas longas passadas.

— Por que é proibido?

— Porque ela é uma serva. — Ela deixou escapar, não diminuindo o ritmo. — Você a deve ter notado no Salão Principal. Sarah é difícil de não a notar. Ela é muito adorável; cabelos ruivos, olhos verdes dançantes, um coração gentil. — Querido Deus, por que ela estava tentando convencê-lo de que Sarah não tinha outros defeitos além de sua posição?

— Eu a notei.

Seu coração vacilou, assim como seus passos.

— Sim? — Ela perguntou, virando-se para olhar para ele. Ela amava Sarah, mas a ideia de Edmund notá-la fez Amélia querer chorar.

— Sim, ela a seguiu quando você deixou a mesa e então pairou por perto por quase toda a noite. Um dos homens com quem viajei para cá tem falado dela a noite toda, o que é parte do motivo pelo qual não consegui dormir.

— Lorde Huntley. — Amélia quase suspirou em voz alta de alívio.

— Não. Sr. Campbell.

— Entendo. — Ela desviou o olhar do dele. — E ele falou gentilmente dela?

— Sim, eu sinto que já a conheço. — Ele disse, e a cadência provocante em sua voz atraiu um sorriso aos lábios dela.

— E o fato de sermos amigas? — Ela perguntou apreensiva, mas agora ela tinha que saber. — O que você acha disso?

— Se você está me perguntando se eu aprovo você ser amiga de uma serva, eu não encontro nenhuma falha nisso. Onde eu moro não temos servos. Somos todos iguais, exceto nosso laird.

Amélia olhou para ele. Ela queria dizer algo a ele sobre sua bondade, mas o sol começou a nascer no horizonte e banhou os ângulos ásperos de seu rosto com sua luz quente e a tentou a prometer sua vida a ele, se ela pudesse. Sim, ela sabia que era uma loucura e se tivesse aberto a boca provavelmente teria se comprometido, mas Deus a ajudasse, tudo nele era tão lindo, tão gentil, e onde diabos ele morava? Sem servos? Ela queria ir para lá.

— Não direi nada a seus pais. — Ele prometeu, pensando que ela tinha medo de que ele dissesse. — Você não tem nada a temer de mim, Amélia.

Seus olhos a puxaram para mais perto. Eram brasas azuis intensas e quentes refletindo seus pensamentos, devorando-o, assim como ela fazia. Ele queria beijá-la, e se ela ficasse quieta por mais um momento, ele o beijaria e ela o deixaria.

— Eu devo ir.

— Sim. — Ele aproximadamente concordou. Ele pegou a mão dela e levou-a à boca. — Mas não sem isso.

Sua respiração era quente contra os nós dos dedos, seus lábios finamente esculpidos, firmes, mas tenros. Ela amaldiçoou sua posição nesta vida e o dever que a prendia. Ela queria explorar todos os sentimentos que Edmund acendia nela. Ela queria sentir como era sua boca, se seu beijo seria indecente ou casto, como o de Walter. Ele não queria que ela se fosse, mas como ela poderia ficar? Se eles fossem descobertos aqui, sozinhos...

Ele não parecia se importar com as consequências quando, ainda segurando a mão dela, ele a puxou para perto o suficiente para cobri-la com seu tamanho, seu hálito de mel.

— Conceda-me apenas mais alguns momentos roubados, Amélia.

O nome dela saindo de sua boca soou rico e muito quente. Ela queria conceder a ele tudo o que ele desejasse. Mas outro escândalo acabaria com seu pai. Então ela se afastou, tremendo com uma dor desconhecida que achava que não poderia resistir a outro momento em sua companhia.

— Eu devo ir. — Ela disse novamente e se libertou dele.

Ela não foi muito longe quando se virou e olhou para ele parado ao lado de David. Seu primeiro erro. Ela nunca esqueceria sua noite com ele. Ela não queria que acabasse. Ainda não. Ninguém iria descobri-los. Só mais um momento roubado e ela ficaria satisfeita. Levantando a camisola, ela correu para ele, para seus braços.

Ele a encontrou no meio do caminho e embalou seu rosto nas mãos. Seu beijo foi aberto, faminto e duro com o desejo, enviando fogo direto para sua barriga e mais abaixo. Ele brincou com sua boca, saboreando seus lábios, devorando sua língua para saboreá-la mais plenamente. Quando o beijo se aprofundou, ele segurou sua nuca com uma palma e as costas com a outra e puxou-a para mais perto de seus ângulos rígidos e flexíveis.

O coração dela bateu furiosamente com a paixão escandalosa de seu abraço. Ele a envolveu como fumaça, moldou seu corpo mole e flexível a todos os seus planos rígidos e musculosos. Ela gemeu contra ele, certa de que nenhum homem, especialmente o chanceler, jamais a beijaria assim.

Finalmente, e com lânguida relutância, ele se retirou. Amélia viu seus olhos se abrirem, o resíduo de paixão ainda ardendo em suas profundezas. Isso fez sua cabeça girar. Oh, ela não podia se casar com Walter. Não depois disso!

— Venha comigo. — Ele sussurrou, não a deixando ir.

— Como? — Ela riu contra sua boca. — Para onde iremos a esta hora?

— Você vai ver.

— Tudo bem então, eu... — Ela não se lembrou do que ia dizer depois disso, apenas viu um pano cobrindo seu rosto, os frios olhos azuis de Edmund olhando para ela, e um único pensamento.

Ela sabia que algo terrível aconteceria por se comportar de forma tão imprudente com ele. Ela estava certa. Ele a estava sequestrando! O mentiroso, bastardo, canalha.

Edmund abaixou uma Amélia inconsciente nos braços de Darach. Só por um momento, ele deixou seu olhar permanecer em seu rosto, a mancha escura de seus cílios descansando em suas bochechas. Ele ignorou a batida de seu coração contra suas costelas. Ele gostava dela. Ele queria beijá-la e o fez. Agora estava acabado e era hora de levar a sério o que precisava ser feito. Ele gostaria que houvesse outra maneira.

Não havia. Ele manteria seu curso, firme e implacável, cumprindo seu dever para com a Escócia. Nada o deteria. Ele nasceu para fazer isso e nenhuma mera moça iria atrapalhar.

— Siga a estrada para Canongate. — Disse ele a Darach. — Luke vai te encontrar lá.

— E você?

— Devo deixar a carta para Queensberry e Seafield. Depois de fazer isso, recuperarei Grendel e alcançarei você. Não sei onde Cal está, mas ele conhece o plano. Ele estará lá.

Darach acenou com a cabeça e ergueu Amélia por cima do ombro.

— E Darach, — Edmund gritou antes que Darach deixasse o jardim. — Se ela acordar antes de eu chegar lá, assegure-a de que nenhum mal vai lhe acontecer, sim?

Darach acenou com a cabeça novamente e saiu sem outra palavra.

Edmund o observou partir. Ele se certificaria de que nenhum dano acontecesse a ela. Amélia era um valioso peão na causa de Edmund. Mas havia mais do que isso. Ele a sequestrou. Agora ela era sua responsabilidade. Ele esperava não se arrepender.

Tudo o que faltava agora era escrever um bilhete para o tio de Amélia e outro para seu noivo. Se eles queriam vê-la com vida novamente, deveriam dispensar seus comissários e denunciar publicamente o Tratado de União. Ele entraria em contato com eles depois disso, sobre o retorno dela. Ele escreveria em francês apenas para despistá-los e mantê-los na dúvida por um tempo.

Ele sorriu enquanto se dirigia para o escritório do duque. Em breve, a Escócia seria libertada.

 


Capítulo 07


Edmund estreitou os olhos para seu grupo esperando por ele na distância. Ele estava feliz com o amanhecer e a luz que proporcionava. Ele podia ver Amélia sentada reta na sela de Darach. O que ele diria a ela? Como ele explicaria o que fez? Por que ele fez isso? Ela entenderia, quando seu próprio tio era o único que lutava para que o ato fosse assinado? Seu pai até se enganou acreditando que a Escócia ficaria melhor subjugando-se à Inglaterra. Então, novamente, talvez Edmund estivesse sendo muito gentil. Talvez tudo com que John Bell se importasse eram com seus cofres e foi por isso que ele garantiu um marido rico para sua filha.

Edmund apertou a mandíbula. O que ele se importava com a moça e com quem ela se casaria? Ele planejava nunca mais vê-la quando tudo acabasse. Ainda assim, a lembrança de seus doces lábios, seu corpo macio e flexível contra o dele, sua risada fácil...

Ele balançou a cabeça, tentando livrar seus pensamentos dessa lembrança.

Grendel, correndo ao lado de seu cavalo, disparou a galope quando ouviu a voz de Lucan. No início da madrugada, Edmund viu Amélia recuar com a abordagem do cão. Ele gritou e Grendel parou bruscamente e voltou para ele.

— Onde diabos está Cal? — Luke perguntou quando Edmund os alcançou. — Precisamos sair daqui antes que o sol nasça totalmente.

Edmund acenou com a cabeça. Maldito Malcolm por fazer o que quer que estivesse fazendo em vez de estar ali com eles. Edmund conversaria com ele mais tarde. Agora, ele fixou seus olhos em Amélia. A fúria em seu olhar quase o fez desviar o olhar.

— Eu sei que você...

— Por favor. — Ela ergueu a mão, então fez uma careta de dor e colocou a mão no colo. — Não fale comigo. Já ouvi mentiras suficientes de você por uma noite.

— Qual é o problema com sua mão?

Quando ela não respondeu, ele se virou para Darach, depois para Luke.

Luke respondeu primeiro.

— Ela se recusou a me deixar aliviá-la de Darach.

— Eu nem sabia que ela estava ferida. — Darach encolheu os ombros. — Ela tentou dar uma mordida em mim e saltou do meu cavalo.

— Eu não saltei. — Amélia o corrigiu bruscamente. — Eu não sou uma tola. Eu caí quando...

Ela gritou de surpresa ou susto, ou ambos, quando Edmund estendeu a mão por cima da sela, colocou as mãos sob os braços dela e a colocou no colo.

— Deixe-me dar uma olhada.

— Tire suas mãos de mim! — Ela tentou afastá-lo com a mão boa. Quando Edmund não se mexeu, ela se jogou contra ele, errou e quase caiu no chão.

Grendel saltou e agarrou-se a ela.

— O que em nome de Deus é essa coisa? — Ela gritou, erguendo o rosto das presas gotejantes da besta e se firmando ainda mais contra seu captor.

— Um cachorro. Ele não gosta quando alguém tenta me bater. Agora me dê sua mão e pare de ser teimosa.

— Eu não lhe darei a minha mão. Esses dois estavam discutindo o que precisa ser feito com isso e não vou deixar você me tocar.

— Amélia.

Quando ele falou o nome dela, ela olhou para ele e seus grandes olhos brilharam na luz suave da manhã.

Seu coração se partiu um pouco por ela, pelo que ele a fez passar e pelo que estava prestes a fazê-la passar. Ele queria proteger seu país. Isso não o tornava um patife sem coração.

— Seus dedos precisam de cuidados. Isso deve ser feito.

Ela fechou os olhos, lutando contra as lágrimas que ameaçavam derramar. Silenciosamente, ela estendeu a mão para ele e apertou os olhos com mais força. Quando ele a tocou, ela se assustou e abriu os olhos.

— Espere! Faça-me dormir como o fez antes.

— Eu não tenho mais nada. O que eu tinha, roubei de um dos alquimistas de sua mãe.

Ela lançou-lhe um olhar azedo, então fechou os olhos e se preparou novamente. Ele pegou a mão dela gentilmente e a examinou. Dois dedos precisavam ser reajustados. Ele sabia que a dor seria intensa e odiava ter que fazer isso.

— Aí está Cal, — Darach os informou, olhando por cima do ombro de Edmund. — Parece que tem alguém com ele.

Amélia abriu os olhos para olhar e Edmund puxou-a para perto e colocou um dedo de volta no lugar, depois o outro. Ele fez isso rapidamente, ignorando o primeiro grito dela. Quando ela enterrou o rosto em seu peito para abafar outro grito, ele segurou a cabeça dela com a mão e a segurou mais perto, mais suavemente do que pensou que se poderia tocar em alguém.

— Aí está agora, moça. — Ele sussurrou em seu cabelo. — Está tudo feito. Perdoe-me. Perdoe-me, Amélia.

Ela estremeceu contra ele, soluçando baixinho e ensopando sua camisa. Ele desviou sua montaria dos olhos atentos de Darach e Lucan... e ficou cara a cara com a serva de Amélia, Sarah.

— Pelos santos! — Luke gritou, trazendo seu cavalo para perto do de Malcolm. — O que diabos você estava pensando em trazê-la?

Edmund teve que concordar.

— Cal, leve-a de volta. — Ele avisou, enquanto a mulher em seu colo e a de Cal se esticavam e começavam um diálogo estridente que Edmund não entendia.

— Não há tempo. Os guardas estão acordando. Seremos descobertos.

Lucan se voltou para Edmund.

— Isso é loucura. Lutar pela Escócia é uma coisa, sequestrar garotas e trazê-las para Ravenglade é algo totalmente diferente. Não há honra nisso.

— É tarde demais para a integridade, Luke. — Malcolm disse a ele, seu braço enlaçado ao redor da cintura de Sarah como se quisesse mantê-la para sempre. Edmund o conhecia melhor do que isso. — Temos que pensar em nossos parentes, irmãos e irmãs que não queremos escravizados pelas leis da Inglaterra. Estamos fazendo a coisa certa.

— E o que esta bela moça tem a ver com nosso dever para com a Escócia ou nossas famílias? — Luke perguntou a ele, apontando para Sarah.

Malcolm sorriu e encolheu os ombros.

— Muito pouco, eu imagino. Ela está aqui para me manter de bom humor.

Edmund olhou para ele. Amava Malcolm como um irmão, mas às vezes o frívolo Highlander pensava inteiramente com a virilha e não com a cabeça.

— Malcolm, você pode passear por qualquer vila ou taverna daqui até Perth e ter uma dúzia de moças à sua disposição. Porque ela?

— Och, Amélia, o que eles fizeram com você? — A serva olhou para Edmund e balançou a cabeça como uma mãe desaprovadora. — Você não tinha que sequestrá-la, seu bruto. Ela estava encantada por você a noite toda.

— Sarah!

Sarah lançou à amiga um olhar de desculpas.

— Vê como elas se importam uma com a outra? — Malcolm apontou. — Isso poderá funcionar a nosso favor se a dama aqui, — ele acenou para Amélia. — Tentar escapar ou avisar seu tio.

— Lembre-me de bater em sua cabeça com algo duro quando chegarmos a Ravenglade. — Luke disse, em seguida, virou seu cavalo.

— O que está feito, feito está. — Disse Edmund, sabendo que, para que isso funcionasse, seus parentes precisavam ficar calmos, determinados e focados. A última coisa que eles precisavam era de outra mulher para distraí-los, mas era tarde demais para levar Sarah de volta. — Precisamos ir antes que as descobertas sejam feitas.

— Por quê? — Amélia perguntou enquanto cavalgavam para longe de Edimburgo. Sua voz suave atraiu a atenção de Edmund para ela. Ele olhou para o perfil dela, apontando para a frente. Ele lutou para não se arrepender do que tinha feito. — Por que você me beijou e depois cobriu meu rosto com um pano intoxicado? Que tipo de bárbaro faz essas coisas?

Inferno, o que ele poderia dizer? Ela não gritou com ele desta vez. Ele desejou que ela fizesse. Ela parecia derrotada e traída, e ele se sentia um canalha porque era o responsável por isso.

Ele se inclinou mais perto de seu ouvido para que ela pudesse ouvi-lo.

— Falarei com você sobre isso mais tarde, quando montarmos acampamento e...

Ela se virou na sela e ele fechou os braços em volta dela para evitar que ela caísse novamente.

— Estou de camisola, seu bastardo!

— Despir-se é a moda, moça. — Ele queria dizer-lhe como a achava completamente arrebatadora com o cabelo solto e caindo sobre os ombros cremosos e envoltos em gaze.

Ela balançou a cabeça para ele.

— Eu estava terrivelmente errada sobre você.

Ele sabia que ela ficaria com raiva dele. Mas não gostava disso.

— Sim, você estava.

— Eu saberei de suas intenções agora. Você pretende me forçar a deitar com você?

— O quê? — Seus olhos se arregalaram. — Não, claro que não.

Ela se virou, recusando-se a olhar para ele. Ele se odiava por pensar isso, mas deveria haver outra maneira de salvar a Escócia.

— Não temos planos hediondos para nenhuma de vocês. Este é um movimento puramente político contra o duque. Infelizmente, vocês foram pegas no fogo cruzado.

— Meu tio?

— Sim.

— Você está me sequestrando para chegar ao duque?

— Ou seu noivo. Queremos impedi-los de assinar o Tratado de União. — Ele poderia muito bem contar tudo a ela.

— Entendo, então isso é sobre a assinatura e nada mais. O que aconteceu entre nós esta noite foi apenas...

Sua voz ficou tão suave que ele quase não a ouviu e se inclinou para mais perto. Uma brisa soprou alguns fios soltos de seu cabelo em seu rosto. Ele inalou o cheiro dela. Flores silvestres. Madressilva, talvez.

— ... uma mentira inteligente para conseguir o que queria. Nada daquilo significava para você.

Ele pensou em dançar com ela, rir com ela, beijá-la.

— Isso não é inteiramente verdade.

Ela se virou e olhou para ele agora, permitindo que ele visse a decepção e a mágoa em seus olhos.

— Nada do que você disser pode ser confiável. Seu nome é mesmo Edmund Dearly?

Ele balançou sua cabeça. Ele não mentiria mais. Seria melhor se ela soubesse a verdade sobre tudo desde o início. Além disso, ele estava orgulhoso de quem ele era. Ele nunca negaria seu nome.

— Eu sou Edmund MacGregor do clã MacGregor.

Seus olhos se arregalaram sobre ele.

— O proscrito clã MacGregor? — Quando ele acenou com a cabeça, ela estreitou os olhos em sua peruca. Ele rapidamente a puxou e lançou uma chuva de ondas douradas sobre seus olhos.

Ela agarrou a peruca, deu um tapa nele e a jogou no chão, onde foi prontamente agarrada por Grendel e despedaçada.

— Não fale mais comigo, Edmund MacGregor. — Ela avisou. — Não quero mais mentiras passando pelos meus ouvidos.

Edmund ficou aliviado por não ter que explicar mais nada no momento. Haveria tempo suficiente para isso mais tarde.

Eles cavalgaram por mais algumas horas com Amélia se virando para procurar Sarah por cima do ombro tantas vezes quanto Luke olhava para a serva ruiva. Edmund deveria falar com seu primo sobre sua óbvia atração por ela. Essas mulheres não estavam aqui por esporte ou por algo mais profundo. Todos eles tinham que manter isso em mente.

Ainda assim, o fisgou nas entranhas um pouco quando Amélia continuou a evitar uma palavra e duas vezes, quando ele queria lhe falar, ela se enrijecia em seus braços como se o mero som de sua voz a repugnasse. Ele entendia. Ele a sequestrou. Ela tinha todo o direito de odiá-lo. Ele a deixou quieta e ela adormeceu contra seu peito por um tempo.

Eles pararam tarde naquele dia para comer e acampar nos arredores de Perth. Sarah parecia mais animada por estar na companhia de rufiões infames do que assustada com eles. Edmund deixou as mulheres sentarem juntas enquanto comiam. Ele não se preocupou que eles fugissem. Estavam a cerca de nove léguas de Queensberry, um longo caminho a pé. De seu lugar de pé contra uma árvore, ele as observou compartilhar palavras, as cabeças inclinadas juntas enquanto observavam os homens. Edmund tentou sustentar o olhar dela quando chamou a atenção de Amélia, mas ela parecia preferir atirar nele com balas de mosquete a lhe dar um instante de atenção.

— É bom estar de volta no meu plaid.

Edmund olhou para Malcolm, que se curvava para tirar uma maçã de seu alforje jogado no chão.

— Peço-lhe isso como amigo e irmão. Não quebre o coração da serva.

Malcolm olhou para ele, se endireitou, então jogou a maçã no ar e a pegou novamente.

— Que preocupação você tem com ela?

— Ela é a amiga mais querida de Amélia. Você não deveria tê-la trazido junto.

Retornando com lenha, Lucan parou do outro lado de Edmund e se juntou a eles.

— Concordo.

— Calma, Luke, nenhum mal vai acontecer com ela. — Malcolm prometeu. — Ela pode ter nos ouvidos falar sobre manter nosso resgate em Ravenglade. Não quero os homens do duque e do chanceler às portas do meu castelo. Meu avô levou anos para consertar e meu pai mais anos depois disso.

— Você deveria ter mencionado isso antes. — Luke disse a ele.

— Por falar em Ravenglade. — Disse Edmund. — Está tudo pronto para nós lá, certo?

Malcolm assentiu.

— Sim. Mantive alguns de nossos criados para ajudar a manter o lugar habitável entre minhas visitas. Chester, meu mordomo, ainda mora lá, para manter os negócios dos Grants em ordem. Och, e você ficará feliz em saber que consegui encontrar Henrietta, a velha cozinheira de meus pais. Achei que ela tivesse ido embora para a França depois que nos mudamos para Skye, mas desistiu, ela ainda estava morando bem aqui na Escócia. Estaremos comendo bem amanhã, rapazes.

— Querida Henrietta. — Resmungou Darach, saindo de trás de uma árvore e recolocando o gorro onde antes estava a peruca. — O pensamento de seus bolinhos de creme e tortas faz minhas entranhas tremerem como as de uma virgem

— Estava falando em termos de seus guardas, — disse Edmund, interrompendo Darach. — Maldição, Cal, você nunca pensa em termos de batalha e proteção, ou sua cabeça está cheia apenas de pensamentos sobre mulheres, comida e conforto?

Malcolm deu a eles seu melhor sorriso.

— O que há de errado com um pau satisfeito, uma barriga cheia e um lugar macio para descansar meu traseiro?

Edmund e Lucan trocaram um olhar entediante. Por que eles esperavam mais dele?

Percebendo a reação deles, Malcolm riu e cedeu.

— Contratei uma dúzia de mercenários para proteger o castelo até nossa chegada. Isso faz com que vocês dois se sintam melhor? Embora o único problema que possamos enfrentar seja com os Buchanans. Esses bastardos nunca desistirão de sua reivindicação de Ravenglade desde os dias que meu tio Connor Stuart lutou com o traidor James Buchanan.

— E continuaremos a diminuir o clã deles, — Edmund prometeu com uma palmada nas costas do amigo. — Vamos descansar aqui esta noite e viajar o resto do caminho ao amanhecer.

— O que vamos fazer com um par de moças? — Darach reclamou. — Não podemos ficar em Ravenglade para sempre. Eu quero ir para casa e aqueles duas provavelmente não farão nada a não ser reclamar até Skye.

— Deixe-me oferecer uma sugestão. — Malcolm mordeu sua maçã tão pecaminosamente quanto Adam poderia ter feito no jardim. — Eu digo que devemos fazer uma boa fogueira, prometer o mundo a elas e dar-lhes o melhor fogo...

— Malcolm. Cuidado com sua maldita boca. — Luke avisou.

Edmund permaneceu em silêncio no meio deles, deixando-os lutar como sempre faziam. Ele amava os dois, mas Malcolm foi a primeira criança com quem brincou quando chegou a Camlochlin anos atrás. E embora ele tivesse muito mais em comum com Luke, perdoava Malcolm mais facilmente do que os outros por suas faltas.

— De uma vez, lembra que elas são senhoras, sim? — Sem outra palavra, Luke foi embora. Ele jogou a lenha no chão a poucos metros das mulheres e se agachou para acender o fogo.

— Ele tem estado muito azedo ultimamente. — Malcolm se virou para dar a Edmund um olhar curioso. — Você notou?

— Sim. — Edmund acenou com a cabeça. — Você sabe como ele se sente sobre tratar as moças descuidadamente. — E especialmente Sarah. Luke havia falado sobre ela quase toda a noite antes de deixarem Queensberry House. Edmund esperava que seu primo não estivesse começando a gostar dela, já que Malcolm provavelmente iria usá-la para seu prazer e depois deixá-la.

— Não viemos para Edimburgo para dormir com moças ou para perder nossos corações por elas. — Edmund lembrou ao amigo.

— Quem diabos disse alguma coisa sobre perder nossos corações para elas? — Malcolm perguntou e riu da ideia absurda.

Edmund continuou.

— Estou começando a acreditar que sequestrar a Srta. Bell foi imprudente. Visitar o sexo frágil em suas casas ou em suas camas é uma coisa, sequestrá-las e depois cavalgar para Perth e possivelmente mais longe com elas, é outra coisa.

— Sim. — Malcolm suspirou. — Eu concordo com você aí. A garota provavelmente se apaixonará por mim, especialmente depois de ver a grandeza de meu castelo. Vou ficar preso com ela por Deus sabe quanto tempo.

Edmund fechou os olhos e fez uma oração silenciosa para que Sarah não se apaixonasse por Malcolm e que Malcolm ganhasse alguma clareza sobre não ser o deleite perfeito para todas as mulheres nos três reinos.

— Acho que você deveria deixar Sarah com Lucan agora. Ele vai mantê-la segura e...

— O que você acha sobre eu cavalgar com sua linda Amélia pelo resto do caminho?

— Malcolm...

— Isso beneficiaria a todos nós, se você pensar sobre isso. A garota está com raiva de você, se bem se lembra.

— Tire isso da sua mente.

— Pelo menos se algo acontecesse entre nós dois, haveria menos consequências, visto que eu não sou um MacGregor.

— Eu acho que ela gosta de você, Cal. — Darach entrou na conversa. — Eu a vi olhando para você duas vezes agora.

Malcolm mostrou suas covinhas para Edmund.

— Vê? Poderíamos...

— Não, não poderíamos. — Edmund o interrompeu. — Não fale sobre isso com ela. Na verdade, não fale com ela. — Ele se afastou antes de dizer algo de que se arrependesse mais tarde, como tocá-la e quebrarei seu pescoço. E antes que ele tivesse tempo para ponderar por que poderia ter dito isso. Ele olhou na direção dela e percebeu tarde demais que seus pés o conduziam direto para ela. Ele desejou que ela sorrisse quando seus olhos se encontraram. Ela não fez; na verdade, Amélia o amaldiçoou em duas línguas diferentes quando Grendel a alcançou primeiro e deixou cair uma peruca suja, encharcada de saliva e rasgada em seu colo e abanou o rabo para ela.

 


Capítulo 08


Amélia queria ter medo do homem, ou melhor, do pequeno grupo de homens observando-a e a Sarah no final da clareira, mas ela estava com muita raiva. Ela foi enganada, e poderosamente enganada! Agora, porque ela se permitiu ser encantada por um belo sorriso e algumas palavras floridas, o Tratado de União poderia não ser assinado. Seu tio ficaria furioso! Sua mãe a culparia e com razão! Seu tio disse que a Lei da União com a Inglaterra era histórica. A história poderia ser mudada e era tudo culpa dela. Oh, se tivesse uma pistola, atiraria em Edmund MacGregor justo onde ele estava olhando para ela. Ele a tirou de sua família para usá-la como um peão. A proposta de Walter provavelmente seria retirada e ela acabaria uma solteirona miserável. Como estava, lamentou, por que tudo o que ela fazia causava uma catástrofe? Era tão terrível, que ela estava tão desesperada para não pensar em seu casamento forçado com o chanceler, que confiou em um estranho? Ela supôs que era, quando o estranho acabou por ser um inimigo de seu tio... ou noivo. E o que ele pretendia fazer com Walter, ou com o tio dela? Ela tinha ouvido histórias terríveis sobre os MacGregors e do que eles eram capazes. Ele tentaria machucar Walter, ou sua família, se não conseguisse o que queria? Ele a sequestrou e a estava segurando como resgate. Querido Senhor, quais eram seus planos? Ela tinha que descobrir. E o que ela poderia fazer para detê-los? Nada enquanto ela permanecesse em cativeiro. Ela tentou falar com Sarah sobre uma fuga, mas sua amiga a advertiu para não ser tão tola. Esses eram os MacGregors. Eles certamente as perseguiriam e as matariam onde as pegassem se tentassem fugir. E para onde elas iriam? A que distância elas já estavam de Edimburgo? Algumas vezes Amélia teve que lutar contra as lágrimas. Lágrimas por seu pai e a ideia de que ela nunca poderia vê-lo novamente. Lágrimas de que mais uma vez, por causa dela, seu nome ficaria envergonhado, talvez até entrando para a história como o pai da idiota que estragou o Tratado de União. Ela queria reclamar e se enfurecer contra seus captores, um em particular, por enganá-la com tanta facilidade, mas quando ele saiu de trás das árvores em seu traje das Highlands, ela mal conseguia se lembrar de seu nome, muito menos do que queria dizer para ele. Ela lutou para lembrar que o odiava e por quê.

No salão do pai dela, ele parecia bonito e um comandante em seus justacorps e chausses, mas aqui, cercado por árvores grossas e um céu azul ao fundo, ele era nada menos que glorioso de se ver. Envolto em lã macia e esvoaçante que caía até o topo de suas rótulas, ele permaneceu como um deus de bronze mantendo a corte sobre mortais inferiores. Ele passou seu olhar azul cristalino sobre ela e ela parou de respirar.

Mas ele a enganou. Ele a encantou, dançou a noite toda com ela, levantou-a do chão e a beijou, oh, como ele a beijou e foi tudo um estratagema para chegar até seu tio. Ela o odiava por fazê-la sorrir para ele como uma leiteira estúpida demais para reconhecer um lobo. Ela se sentia tola por ter gostado tanto dele, por pensar tão bem dele quando ele não era nada além de uma cobra, um homem em quem não se podia confiar.

— Que Deus nos ajude, Amélia. — Sarah sussurrou perto de seu ouvido. — Dê uma olhada neles. Fomos sequestradas por quatro Highlanders! Olhe para essas espadas! Elas são tão longas e mortais. Nós vamos precisar ser fortes, querida, ou eles vão colocar nossas saias sobre nossas cabeças em pouco tempo.

Amélia tinha certeza de que sua melhor amiga acabara de ronronar.

— Sarah, — ela se virou para encará-la completamente, surpresa que sua amiga pudesse pensar neles com desejo. — Por que você acha que eles nos sequestraram? Teremos sorte se eles não nos matarem! Eles só se preocupam em parar meu tio. E se meu tio não for impedido, nem mesmo por mim? Que valor teremos para esses quatro Highlanders?

Satisfeita com o gemido baixo de Sarah de que ela a tinha assustado o suficiente, Amélia voltou seu olhar para os homens reunidos perto das árvores. Eles certamente pareciam perigosos o suficiente para ser uma ameaça ao bem-estar dela e de Sarah. De propósito, ela manteve os olhos longe de Edmund, magoada demais com ele para querer o olhar novamente.

Ela mudou seu olhar para Lorde Huntley, Malcolm Grant, provavelmente o mais letal entre eles. Ele sorriu para ela duas vezes enquanto cavalgavam e Amélia ficou impotente contra o flash de covinhas profundas e olhos turquesa sensuais eclipsados por trás de traços bem formados de castanho e ouro.

Nenhuma mulher estava segura contra isso.

Dele, ela passou para seu primo Darach, o bastardo que a deixou cair de seu cavalo e tirar fora do lugar os dedos. Ela não tentou pular da sela. Ele a soltou quando ela o mordeu e a deixou cair sem oferecer uma mão. Ele possuía toda a arrogância de um príncipe e a beleza inocente de um anjo.

Realmente mortal.

Finalmente, ela examinou o último, que estava tentando acender a fogueira. Ela tinha ouvido os outros chamá-lo de Lucan e as vezes de Luke. Aquele que Edmund dissera que mencionara Sarah. Ele era o mais alto dos quatro, com uma cauda lustrosa de cabelo escuro amarrado na nuca e braços nus e musculosos. Ele pareceu zangado o dia todo e não tinha falado uma palavra com ela ou Sarah.

— Eu nunca vi um par de olhos dessa cor antes. — Sarah disse, seguindo seu olhar pelo acampamento. — Eles são como o pôr do sol contra as planícies escuras e áridas da...

— Eles nos sequestraram. Eles mentiram para nós. Sim, eles são agradáveis de se olhar, mas nós confiaremos em uma moldura só porque é encantador?

— Silêncio. Ele está vindo.

Amélia se virou para ver a quem sua amiga se referia e foi saudada por um grande conjunto de presas brancas, baba e uma bola do que antes era uma peruca totalmente branca. Ela não percebeu que tinha falado, ou mesmo o que ela disse, até que Edmund se abaixou para tirar a peruca de seu colo onde seu cachorro monstruoso a tinha deixado cair, e ofereceu a ela o menor traço de um sorriso.

— Grendel é um macho. — Ele corrigiu seu juramento estrangeiro, seu potente olhar nivelado com o dela. — Eu acho que ele gosta de você. Ele geralmente não compartilha.

— Nem eu, — Amélia respondeu, se recompondo enquanto ele se endireitava acima dela, — mas se ele não parar de babar em mim, eu posso compartilhar minha última refeição com os dois.

Ele ordenou que seu vira-lata se calasse, então olhou para o colo dela.

— Como está sua mão?

— Melhor. Você tem meu agradecimento pelo menos por isso, canalha.

Ele curvou a boca em um sorriso irritantemente bonito, então voltou sua atenção para Sarah.

— Acho que não fomos apresentados de maneira adequada. Já ouvi muito sobre você.

Sarah corou e sorriu para Amélia.

— Amélia é muito gentil.

— Nem sempre, — Amélia a corrigiu e olhou para seu captor. — Por que acha que meu tio ou o chanceler farão o que você mandar? Você sabe há quanto tempo eles estão se preparando para esta união de reinos?

Ele franziu o cenho e Amélia desviou o olhar para Sarah para descobrir se ela era a única que estava sem fôlego com a raiva do homem.

— Eles não estão se preparando há mais tempo do que a Escócia vem lutando por sua independência.

— Ah, você é um patriota. — Ela balançou a cabeça para ele. — Eu pensaria que vocês MacGregors tinham pouco amor pelo país que continuam tentando tirar seu nome da memória.

— Não foi a terra, mas os homens que nos temiam que nos tornaram bandidos. Homens como o falecido William de Orange. Homens como o duque e o homem com quem você vai se casar.

— Aqueles homens tinham e ainda têm boas razões para temer você, — ela argumentou, levantando-se e puxando Sarah com ela. — A partir do momento em que o rei William assumiu o trono, os Highlanders se opuseram e lutaram contra ele. Eles usaram táticas bárbaras para...

— Pelo direito divino dos reis, — Edmund interrompeu, seus olhos se endurecendo o suficiente para fazê-la dar um passo para trás, — William não tinha direito ao trono.

— Uma crença puramente católica. — Ela conseguiu dizer, determinada a não permitir que o poder de seu olhar a perturbasse.

— Uma que tenho certeza que os MacDonalds desejavam ter confirmado quando William enviou os Campbells a Glencoe para massacrá-los porque eles não lhe ofereceram sua lealdade no prazo estabelecido. Setenta e oito foram mortos. Mais de quarenta deles eram mulheres e crianças. Não me fale de bárbaro.

Amélia era uma criança quando o massacre foi ordenado, mas ela se lembrava de seu pai falando com seu tio sobre isso alguns anos depois de acontecer. Seu tio assumiu o papel do rei e não expressou remorso pelos mortos. As crianças, disse ele, só teriam crescido como católicos realistas, treinados para lutar contra o rei.

Isso havia enojado Amélia na época, assim como a enojava agora.

— Perdoe-me por usar o termo. O que aconteceu em Glencoe foi trágico e eu de forma alguma tolero tal coisa ou qualquer crueldade sobre esse assunto.

— Claro. — Sua expressão se suavizou, concedendo sua absolvição facilmente.

— Sr. MacGregor. — Sarah felizmente interrompeu antes que Amélia tivesse tempo de pensar sobre a maneira como as mechas dele caíam até as sobrancelhas, criando sombras no índigo frio de seus olhos. Ou só apareceram com o traço de seu sorriso? — O Sr. Grant é casado?

Ele voltou seu olhar para Sarah.

— Não.

— Noivo?

Amélia poderia tê-la chutado. Ela fechou os olhos e fez uma oração silenciosa para que sua melhor amiga deixasse o Sr. Grant em paz.

— Ele não está interessado em se tornar nenhuma dessas coisas. — Edmund disse a ela. — Você faria bem em manter uma boa distância dele. Ele é conhecido por deixar muitos corações partidos em seu caminho.

Sarah realmente riu. Amélia quase chorou.

— Och, sou conhecida por fazer o mesmo. Eu duvido que ele...

— Sarah. — Amélia a interrompeu. Sua amiga não podia estar honestamente falando sério sobre seu interesse por um homem que ajudou a sequestrá-las. — Eu acho melhor você deixar o Sr. Grant para...

Ela deixou suas palavras se desvanecerem enquanto Sarah se afastava para cortar a clareira e enlaçar seu braço com o de Malcolm Grant. No centro da clareira, Lucan finalmente acendeu uma fogueira. As chamas repentinas que surgiram assustaram Amélia e combinaram com seus olhos enquanto ele observava Sarah caminhar para trás da árvore com o Sr. Grant.

— Nossa conversa a entediava.

Amélia balançou a cabeça com a observação de Edmund e tentou pensar em alguma defesa a oferecer para a grosseria de sua amiga.

— Ela não é obrigada a se preocupar com o estado das coisas. Eu a invejo.

Ela sentiu os olhos dele nela e olhou para ele.

— Com o que você se preocupa, Srta. Bell?

— Além de estar sozinha em uma floresta com quatro homens que procuram me usar para ferir meu tio e meu futuro marido?

— Você não sofrerá nenhum dano. Você tem minha palavra.

Ela riu.

— Além de tudo o mais que é, já que você é, antes de tudo, um mentiroso. Já me causou dano, Sr. MacGregor. Acha que ninguém nos viu dançando? Eu me culpo pelo meu comportamento escandaloso, e por isso, isso será considerado minha culpa. Você não tem ideia do que meu pai e eu seremos submetidos. Espero que meu tio e Walter assinem o tratado, apesar de suas ameaças, porque se não o fizerem, será pior para mim quando for devolvida.

Ele a encarou por um momento, sua mandíbula apertando em torno de algo que ele queria dizer. Algo que ela adivinhava que não poderia ser gentil. Ele desviou o olhar, parando para pensar em suas palavras.

— Pior para você? — Ele perguntou baixinho. — Você sabe o que significa para o meu país se eles assinarem? — Ele não deu tempo para ela responder. — Isso significa que nunca poderá haver outro católico no trono. O Reino Unido da Grã-Bretanha se tornará um reino protestante e alguns de nós perderemos o direito de orar como acharmos adequado. Perderemos nossa antiga independência e seremos engolidos pelas mandíbulas escancaradas da Inglaterra, assim como Gales.

Por um instante, ele quase ganhou sua simpatia. Ela se conteve rapidamente.

— Desperdiça palavras comigo, Sr. MacGregor; não importa o quão apaixonadamente elas caiam de seus lábios, elas caem em ouvidos surdos. Conheço sua língua prateada da maneira mais dolorosa.

Ele teve a decência, pelo menos, de baixar os olhos e evitar o olhar dela.

— Eu entendo sua raiva. — Ele disse a ela. — Você tem direito a isso, mas minha causa é importante para mim e, infelizmente, você é a única que pode ajudar no momento.

Atualmente, ela não dava a mínima para a causa dele, ou qualquer outra causa onde seja usada como um peão para ganhar vantagem. Mas ela estava curiosa sobre sua paixão por isso.

— Se a união é tão ruim, por que os escoceses assinam?

— Depois que a Escócia tentou e falhou em se tornar uma nação comercial mundial, muitos nobres perderam tudo. A Inglaterra prometeu-lhes um retorno em moeda por não mostrarem mais resistência ao tratado.

Amélia absorveu tudo. Sim, poderia ser imprudente se juntar à Inglaterra, mas isso não mudava o fato de que ele a beijou e causou a lembrança indelével de sua boca para sempre em seu coração. E então ele cobriu o rosto dela com um pano e a levou para longe.

— Você me tirou da minha vida. Acha que eu posso perdoar você por isso?

Sua expressão não suavizou nela.

— Não, eu não acho. Mas não estou pedindo isso e nem sua ferocidade.

Oh, ela o odiava!

— Então não temos mais nada para conversar, Sr. MacGregor.

— Há mais uma coisa, Srta. Bell. — Disse ele. — Você o ama?

— Se eu disser que sim, o quão terrível isso me torna por beijar você?

— Se você disser que sim, — ele rebateu baixinho, — quão terrível isso me faz por querer beijá-la novamente?

Os santos ajudassem a ela e a seu corpo traiçoeiro pelo tremor em seu ventre e a vibração ofegante de seu coração lamentável. Ela não olhou para ele, mas protegeu o olhar sob os cílios.

— Não acho que Walter vá contra meu tio e todos os seus partidários renunciando a união.

— Então ele é um tolo.

Ela ergueu os olhos para ele novamente, esperando que seu significado não fosse ameaçador. Ela não queria que ninguém morresse por causa dela. Nem mesmo Walter. Sua expressão solene e sincera a convenceu de que não era isso.

— Se você fosse minha, — ele disse a ela, — eu poderia ser tentado a desistir de tudo para mantê-la.

O coração de Amélia inchou com algo que fez sua boca ficar seca e as palmas das mãos úmidas. Ele não podia estar falando sério. Ele não tinha falado palavras bonitas na véspera, tudo para afastá-la de seu tio e Walter? Ele enganava com a facilidade casual do próprio diabo. Ele esteve no Salão Principal de Queensberry e corajosamente se apresentou como um lorde de Essex quando na verdade ele pertencia a um clã proscrito.

Ela ofereceu a ele um sorriso gelado.

— Como eu disse, Sr. MacGregor, você desperdiça suas palavras comigo. Faça o bem por nós dois e me poupe de mais.

Ele respirou fundo, pensativo, e sorriu antes de deixá-la.

— Como você desejar.

 


Capítulo 09


Edmund a observou por cima das brasas que faiscavam acima das chamas. À luz vacilante do fogo, ela parecia ter saído de seus sonhos; cintilante, quente, luminescente. Ela manteve os dedos enrolados em torno dos de Sarah enquanto sua amiga se sentava ao lado dela e conversava com Malcolm e Darach. Edmund pensou que ela poderia estar tentando evitar que sua amiga fugisse com Malcolm e fizesse coisas das quais ela poderia se arrepender pela manhã. Ela era, ele decidiu, uma boa amiga. Quando Luke se sentou do outro lado dela, ela ofereceu a ele um sorriso que se tornou mais genuíno em um instante quando ele sorriu de volta para ela.

Edmund mudou de posição, lutando contra o instinto natural de se levantar e ir até ela. Ela não precisava da proteção de Lucan, e ele com certeza não tinha nenhum direito sobre ela. Parte dele lamentou tê-la sequestrado. Se isso trouxe vergonha para ela ou para sua família, ele realmente lamentava. Mas ele não podia... ele não voltaria atrás agora. Ele nunca considerou desistir de sua causa. Ele não iria começar agora. Ele faria bem em se lembrar disso, não importava o quanto sua risada, seu beijo, suas últimas palavras, ferissem seus pensamentos.

Ele não queria que ela o odiasse. Se as coisas corressem como planejado, eles ficariam juntos em Ravenglade por algum tempo. Não adiantava gastar esse tempo brigando com ela. Ela deixou claro que não queria falar com ele. Ele poderia mudar sua mente, amolecê-la um pouco?

Ele a estudou quando respondeu a uma pergunta que Luke fez a ela. Ele observou a maneira como ela velou os olhos sob os cílios, evitando o contato com ele da maneira que se fazia quando tinha segredos que temia que pudessem ser revelados em seu olhar ou porque a visão dele a repelia. Em pouco tempo, porém, a disposição naturalmente encantadora de Luke a persuadiu no que parecia ser uma conversa muito agradável. Ela até soltou a mão de Sarah.

Deixaria para o cavaleiro de armadura brilhante quebrasse a pedra.

Edmund poderia ter se sentado onde estava e observado as diferentes nuances de seus sorrisos por horas, lembrando-se de como seus lábios eram contra os dele... mas as mulheres se apaixonavam por Luke rapidamente e não seria bom para qualquer uma delas formar ligações que só precisariam ser quebradas mais tarde.

Ele se levantou, sem saber realmente o que dizer antes de cobrir a distância dos dois passos que seriam necessários para alcançá-la. Ele mentiu para ela, roubou-a de sua casa, de sua família. Ela tinha todo o direito de nunca perdoá-lo. Ele lidaria com sua raiva com o respeito que ela merecia e que falhou em dar a ela. Ele passou os dedos pelo cabelo e caminhou diante do fogo. O que diabos estava acontecendo com ele? Ela não era a primeira garota que ele achava a seu gosto. Então, o que naquele sorriso cativante tocou em sua lembrança como um canto de sereia acenando para segui-la e reconquistar seu favor? Sim, a curva de seus lábios, a inclinação de seu nariz e a profundidade de seu olhar o fizeram querer começar a pintar para tentar capturar sua imagem para sempre.

Ele parou de andar e quase riu alto de si mesmo. O que diabos ele estava pensando? Ela era sobrinha de seu inimigo e ele não era um idiota faminto por amor. Ele era filho e neto de dois dos guerreiros mais temíveis que os três reinos já conheceram. Ele com certeza não se rebaixaria a uma mulher.

Ele estava prestes a voltar ao seu lugar anterior perto do fogo quando Luke o parou.

— Primo, você parece perplexo e um pouco agitado. O que foi?

O olhar de Edmund pousou em Amélia quando ela finalmente olhou para ele. O que ele viu nessas grandes profundidades negras? Mágoa, insulto, raiva. A enganou para que gostasse dele, confiasse nele, dando um pequeno pedaço de si mesma para ele, e então pisou nos poucos momentos de felicidade que eles compartilhavam.

— Conte-me o segredo de fazer a dama sorrir. Eu tentei sem sucesso.

— Não parece haver um segredo. — Luke disse a ele. — A dama sorri com bastante facilidade.

— Sim? — Edmund perguntou, finalmente sentando ao lado deles. — A lembrança disso se desvanece em sua ausência.

— Você me sequestrou, Sr. MacGregor, — ela apontou um pouco firmemente. — Antes das garantias reconfortantes de Lucan de que nenhum de vocês machucará Sarah ou a mim, senti-me assustada por nossas vidas. Você esperava sorrisos então?

Edmund achava que lembrá-la de que ele já havia feito a garantia não faria diferença.

— Não, claro que não, Srta. Bell. Mas agora que você foi devidamente consolada, talvez me agradeça, como fez na noite passada, com um sorriso.

— Na véspera passada, você era outra pessoa.

Parecendo um pouco desconfortável por ouvir algo que não precisava saber, Luke se inclinou para frente e se dirigiu a Edmund.

— Voltemos então ao assunto que a fez sorrir, primo, sim? Estávamos falando de Henry Purcell.

— Você provavelmente nunca ouviu falar dele. — Amélia disse laconicamente. — Ele era um compositor inglês que, embora incluísse elementos franceses e italianos em sua música, ficou famoso por sua forma distintamente inglesa de música barroca. — Ela lançou-lhe um olhar de lado, acompanhado por um sorriso mal disfarçado. — Perdoe me. É descuido de minha parte pensar que sabe o que é barroco. Devo explicar?

Edmund sorriu para ela.

— Deixe-me pensar. Não se origina da palavra portuguesa barroco, que significa 'pérola malformada'? Não é também um estilo de composição musical marcado por expressivas dissonâncias e elaborada ornamentação?

Ela parecia tão bonita à luz do fogo, seus lindos lábios entreabertos e seus olhos extraordinários arregalados de surpresa atordoada e um pouquinho de irritação.

— Isso... isso soa correto.

Ele não tinha visto esse lado dela. Ele ficou satisfeito em achá-la animada e atrevida.

— E como Purcell, — Edmund continuou, voltando sua atenção para as chamas ao invés de sorrir para ela com a satisfação de saber que Amélia pensava que ele não sabia. — Ele escreveu muitos dramas musicais enquanto ocupava cargos reais em Westminster e servia a três reis. Algumas de suas obras mais notáveis incluem Rei Arthur e minha favorita, The Fairy Queen.

— Blasfemo, — disse Lucan, fingindo desgosto. — Nenhum drama é melhor do que o Rei Arthur.

— Você sabe minha afinidade com Shakespeare, Luke. — Ele se voltou para Amélia. — Embora The Fairy Queen fosse mais uma máscara do que uma ópera, o libreto, escrito por um autor desconhecido, foi baseado em Sonhos de uma noite de verão, de William Shakespeare.

Ela estreitou os olhos para ele e o avaliou com a curiosidade despertando seus olhos. Isso fez seu sangue ferver.

— Você pensa que é muito inteligente, não é, Sr. MacGregor.

— Me chame de Edmund, por favor. Não somos estranhos e estamos na companhia de amigos.

Ela ignorou seu sorriso mais encantador.

— O que mais você está escondendo de mim?

Ele estendeu os braços.

— Pergunte-me o que você gostaria de saber.

Ele conseguiu o que queria. Ela sorriu para ele, embora fosse um sorriso endurecido por uma borda fria.

— Se eu pudesse arrancar a verdade de você, poderia ser tentada. — Ela se voltou para Lucan. — Você me dirá. Sim, eu confio em você.

Lucan se curvou em sua posição sentada e o fez de forma impressionante. Edmund revirou os olhos. Seu primo levava a honra e os deveres de cavaleiro um pouco a sério demais.

— Ele fala quatro línguas, — Luke começou. — Inglês, gaélico, francês e espanhol.

Ela olhou boquiaberta para Luke, depois se virou para Edmund e perguntou-lhe em francês se isso era verdade.

— Est ce vrai?4

— Non, il avait oublié l'italien.5

— Estou corrigido. — Luke reconheceu. — Ele fala cinco.

— Passei meus dias de bebê aprendendo com minha mãe como ler em diferentes idiomas, — explicou ele. — Havia pouco mais a fazer.

— Por que foi isso?

Ele sorriu para seu rosto iluminado pelo fogo.

— Por que foi o quê? — Ele não percebeu que tinha falado em voz alta.

— Por que havia pouco mais a fazer?

Seu sorriso permaneceu enquanto ele olhava para as chamas crepitantes e pensava em contar a ela. Ele não pensava em seus dias antes de Camlochlin há anos. Ao recordar sua infância, sempre se viu rodeado de homens, mulheres e crianças que o amavam.

— Não nasci na Escócia, mas sim na Inglaterra.

— Então, este não é mesmo o seu país.

— Sim, é. É meu país por escolha. A terra do meu coração porque me tirou de um lodo escuro e sombrio e me ensinou a viver. Eu daria minha vida pela Escócia, por meus parentes.

— Você tem irmãos ou irmãs?

Ele assentiu.

— Eu tenho um irmão, Kyle, que tem a mesma idade de Darach, e uma irmã mais nova, Nichola. Tudo o que faço, faço por eles também. Não permitirei que vivam com medo de proclamar seu nome ou sua fé.

Ela assentiu com a cabeça, seus olhos brilhando com tons de castanho escuro e zibelina quente. Ele se sentiu como quando eles se conheceram, cativado, um pouco distraído. Ele achou um bom sinal que o sorriso dela tivesse se suavizado em algum momento durante sua curta história. Ela estava gostando de sua honestidade e ele descobriu que queria contar mais a ela.

— E seu pai? — Ela perguntou a ele. — O que ele ensinou a você?

O sorriso de Edmund se alargou, pensando no homem que o criou.

— Ele me ensinou como ser corajoso, compassivo e como pescar.

Seu sorriso suavizou por apenas um instante antes de se transformar em algo menos amigável.

— Inteligência, bravura e um bom pescador... qualidades tão boas. Pena que a honestidade não está entre elas.

Sentado por perto e aparentemente captando a conversa, Darach riu e Edmund se lembrou por que tantos habitantes de Camlochlin se alegravam em espancar o Grant mais jovem até deixá-lo sem sentido.

— Seu pai lhe ensinou esse traço particular também. Colin MacGregor era um mestre em enganar as pessoas quando era espião do Rei James.

Edmund pegou um pedaço de carne seca que sobrou do jantar. Chamou Grendel e jogou a carne para Darach, perto de seu rosto. Muito perto. Grendel quase arrancou a orelha de Darach quando saltou para pegá-la.

— Você vai acordar um dia, — Darach avisou, o rosto pálido, — e encontrar aquele vira-lata jogado no lago mais próximo.

— Você teria que pegá-lo para colocá-lo no lago. — Edmund o lembrou. Darach nunca tocou em Grendel, exceto para empurrá-lo quando Grendel tentava brincar com ele.

— Você está correto. Ele é ainda mais feio do que seu pai, Aurelius.

— Cuidado com a boca — advertiu Edmund, meio sério. — Deixe Aurelius fora disso.

— Quem é Aurelius? — Amélia perguntou.


— Um cachorro. — Darach a informou. — O pai deste vira-lata.

Grendel sentou-se de cócoras, latiu na cara de Darach, depois começou a ofegar, seus grandes olhos castanhos nunca deixando o jovem Highlander.

Darach tentou ignorar a besta, mas finalmente cedeu, se levantou e saiu.

Lucan também os deixou e seguiu atrás de Malcolm e Sarah, quando eles buscavam vagar nas sombras além das árvores. Ele os parou, puxando Malcolm para o lado. Edmund observou por um momento, fazendo uma nota mental para falar com seus dois primos. Mas agora não.

— Então seu pai é um espião?

Ele se virou para Amélia e fez o possível para manter seus pensamentos longe de beijá-la no brilho suave do luar, sob a sombra do David de Michelangelo.

— Foi.

Ela moveu as pernas para baixo dela e cruzou os braços ao redor de si mesma.

— Ele deve ter sido excepcional em enganar para servir ao rei.

— Você está com frio, moça?

— Só um pouco.

Ele se levantou de um salto e tirou um cobertor de seu alforje. Ele voltou e colocou o cobertor em volta dos ombros dela. Ela agradeceu, cortando seu olhar para ele, mas não oferecendo mais sorrisos.

— Você aprendeu como mentir para os outros tão facilmente com ele?

Edmund não tinha certeza se queria rir ou bater em Darach até deixá-lo sem sentido por mencionar seu pai e seu serviço anterior ao rei.

— Meu pai fez o que ele acreditava ser o melhor para o reino, assim como eu. E ele não mentiu para mim ou para minha mãe quando decidiu nos salvar.

Ela se virou para ele agora, seu perfil brilhando contra a luz do fogo.

— Do que ele te salvou?

Ela olharia para ele se soubesse que nasceu um bastardo? Seus pais sempre lhe disseram que não havia vergonha em sua herança. Eles certamente nunca o fizeram sentir nada além de adorado e aceito. Às vezes, porém, se sentia separado, uma emoção que ele mesmo criou. Talvez fosse a força motriz de sua paixão oferecer algo em troca à Escócia pelo que essa pátria fez por ele. Ele devia algo a ela e aos MacGregors.

Ele sorriu para si mesmo. Ele não era um bastardo e ela não o desprezaria. Não esta moça, que desafiou seus pais porque sua melhor amiga era uma serva.

— Minha mãe me deu à luz fora do casamento e, como punição, seu pai a mandou viver em reclusão com seu primo, o conde de Devon, na beira do estuário de Dart.

Seus olhos se estreitaram e ele imediatamente se encontrou apreciando o brilho inteligente neles. Edmund se perguntou se seu futuro marido apreciava a disposição daquela que seria sua esposa em breve.

— O sobrinho do conde de Essex é o conde de Devon. — Ela ressaltou. Quando ele acenou com a cabeça, ela cruzou os braços em volta de si mesma e o estudou. — Então você não estava sendo completamente mentiroso em Edimburgo. Sua mãe é filha de Lorde Essex?

— Sim, mas eu não tenho nenhum título. Não vejo meu avô desde que tinha quatro anos. — Ele contou a ela sobre Colin MacGregor e como o homem que se tornou seu pai o ensinou a lutar contra monstros durante a noite e a confiar não importando quão grandes ou poderosos esses monstros fossem, eles poderiam ser vencidos com coragem, determinação, habilidade e um exército de parentes em suas costas.

Antes que ele soubesse, as horas se passaram e Amélia Bell sabia mais sobre sua vida do que qualquer garota antes dela. Mesmo as que vivem em Camlochlin.

— Seu monstro agora é o Tratado de União6, não é? — Ela adivinhou mais tarde, quando a voz dele finalmente ficou baixa.

— Sim.

— Você fará o que for preciso para impedir isso?

— Sim.

— Até matar meu tio ou o chanceler?

Ele desviou o olhar para o fogo. Ele não queria mentir para ela novamente.

Quando ela colocou a mão trêmula em seu braço, ele a olhou.

— Eu pediria que você fosse misericordioso e honrado e me prometesse que não os matará.

Como ele poderia prometer isso a ela? Se as coisas se complicassem, ele pretendia viver. Ele ficou surpreso com o quanto ela amava o chanceler por implorar por sua vida. A maneira como eles dançaram, a maneira como ela o abraçou, o beijou... ela não podia amar o chanceler tanto quanto afirmava. Então ele percebeu que ela não havia reivindicado nada. Seu pai tinha.

— Vou tentar, pelo seu bem, não deixar chegar a esse ponto.

— Você tem meus agradecimentos por isso. — Sua voz estava baixa e ela se levantou. — Boa noite, Sr. MacGregor.

— Boa noite, Srta. Bell. — Respondeu ele, observando-a se afastar.

 

Capítulo 10


— Ele é estranho. — Sarah sussurrou sob o grosso plaid de lã que recebeu para mantê-la aquecida durante a noite.

— Sr. Grant? — Amélia sussurrou de volta. Ela pensava que se estivesse dando atenção total a Sarah, ela saberia de quem sua amiga estava falando. Mas toda a sua atenção estava ocupada em outro lugar.

— Não, Lucan MacGregor. — Como se falar o nome dele tivesse algum poder intangível sobre ela, Sarah empurrou a ponta do cobertor ao redor do pescoço e passou o olhar pelos lados e pela clareira, procurando aquele de quem falava.

Amélia se permitiu fazer o mesmo, já que Sarah estava olhando para todos os lados. A verdade é que ela não tinha sido capaz de tirar Edmund de seus pensamentos desde que o deixou, há mais de uma hora. Ela ainda estava brava com ele por enganá-la, sequestrá-la e arruinar sua vida, e odiava por encontrar tanto interesse na vida dele, mas não conseguia esquecer o quão emocionante era estar em seus braços naquela noite, enquanto dançavam. Ou quão deliciosamente escandaloso era beijá-lo.

Conseguir um olhar oblíquo e ligeiramente distorcido para ele sentado ao redor do fogo com os outros homens não ajudaria em sua indesejável obsessão, mas ela queria outro olhar dele da mesma forma.

Edmund ria silenciosamente, pensativo, percebeu, quando ele virou a cabeça para olhar onde ela estava deitada com Sarah. Ela puxou o cobertor de volta sobre o rosto e prendeu a respiração.

— Ele sabe que não estávamos dormindo, Amélia.

— Não importa. Se nos virem a observá-los, vão pensar que gostamos deles.

— O que há de tão terrível nisso? Você gosta de Edmund. — Sarah acusou.

A boca de Amélia se abriu.

— Como você pode pensar isso? Sarah, ele nos sequestrou! — Ela protestou em um tom abafado. — Você percebe o que minha mãe vai dizer? Ou se os Highlanders conseguirem o que querem, como vou desgraçar meu pai? Sem falar que eles ainda podem nos matar e nos deixar na beira da estrada! Como você pode pensar que eu poderia gostar dele?

— Não seja idiota, Amélia. Eles não vão nos matar.

— Eles são Highlanders, Sarah! Quem sabe o que eles farão? Bem, Edmund não é verdadeiramente um Highlander. Mas os outros são.

Sarah puxou o cobertor até passar pelos olhos e examinou a clareira novamente.

— Och, meu amor, mas Edmund é um Highlander, e nada menos.

Por mais que tentasse, Amélia tinha que espiar.

Ele se sentava em um certo ângulo que o posicionava diretamente sob um fio de luar prateado. Dava a ele a aparência de ser esculpido em mármore. Em contraste, a luz dourada do fogo definia suavemente a forma de seu perfil clássico masculino e iluminava as ondas encaracoladas em torno de sua testa como um halo.

Ela se virou para a amiga. Sarah também viu? Ele era simplesmente de tirar o fôlego. Ela tinha que parar de olhar ou a sua lembrança quando o deixasse, se vivesse, isto é, iria assombrá-la. Ela se enterrou sob o cobertor, mas ele ainda estava com ela, em seus pensamentos. Ela pensou sobre a história que ele contou e sobre sua educação. Os MacGregors haviam dado muito a ele; liberdade, vastos prados forrados de urze. Ele sorriu ao falar de sua primeira amizade com um cachorrinho chamado Aurelius, que lhe ensinou lealdade e firmeza. Ela invejava suas aventuras com Malcolm e Lucan, embora a família de Lucan tivesse permanecido em sua ancestral Campbell Keep em Glen Orchy por vários anos depois que William assumiu o trono. Ele cresceu até a idade adulta com os filhos e netos de grandes guerreiros. A Escócia e os MacGregors realmente lhe deram muito. Não era surpresa que ele estivesse tão apaixonado por salvá-los da Inglaterra.

Ele ainda se parecia com David, sublime, invencível, sem medo de gigantes... ou monstros.

Walter e seu tio tinham um exército por trás deles, mas Golias também tinha. O que aconteceria quando eles estivessem juntos? Quem morreria? Claro, ela não queria que seu tio ou Walter morressem. Ela não amava Walter. Mas ela não queria que Edmund o matasse. Tinha que haver uma maneira de salvá-los, mas ela não conseguia pensar em nada agora. Não com Edmund na cabeça... e um nariz frio e úmido nas suas costas.

— Não tenho medo de você, Grendel. — Sussurrou ela, afastando-o. — Dê-me algum espaço. — Ela exigiu quando ele não se moveu.

Sinceramente, que tipo de animal era Grendel? Edmund havia dito que era filho de Aurelius, mas certamente nenhuma mãe, nem mesmo uma das Highland, permitiria que seu filho brincasse com a criatura que gerou esta fera.

— O que há de estranho nele? — Ela perguntou a Sarah na tentativa de que afastasse sua mente de um Highlander não convidado e seu cão do demônio.

— Quem?

— Lucan MacGregor. — Amélia a lembrou. — Você disse que ele era estranho. Eu o acho muito atraente.

— Mais atraente do que seu Edmund?

— Ninguém é mais atraente do que ele. — Ela não sabia por que admitia; provavelmente porque era para Sarah, que sabia tudo sobre ela. Talvez, se ela confessasse considerá-lo desejável, ele parasse de atormentá-la. Além disso, na escuridão sob o cobertor, sua amiga não conseguia ver o fogo queimando as bochechas de Amélia e borbulhando em sua barriga. — Claro, não importa o que mais eu penso dele, que é muito pouco, eu lhe garanto. Estou prometida a outro e ele é...

— Mais viril do que o chanceler em seus melhores dias.

Amélia teria discutido com ela, mas qual era o ponto a ganhar quando Sarah estava certa?

— Ele me beijou. — Ela prendeu a respiração quando Sarah ofegou. Elas apertaram as mãos, tomando cuidado com os dedos doloridos de Amélia. Ela queria contar tudo a Sarah.

— Och Amélia, quando? Por que não me contou? Como foi?

Amélia fechou os olhos, lembrando-se, sorrindo. Ela seria lógica pela manhã. Esta noite, ela não queria pensar nas consequências; uma falha que sua mãe diria a ela não era nada incomum... ou aceitável.

— Foi divino. Nunca fui beijada assim. — Ela suspirou e puxou o cobertor para olhá-lo novamente.

Ela não teve que procurar muito. Edmund estava parado perto dela, sorrindo como se tivesse ouvido tudo. Amélia rapidamente percebeu que sim. Ao contrário de Sarah, ele tinha uma visão perfeita de seu rosto corado.

— O que... — Ela engoliu em seco, mortificada com o que havia dito, e levou um momento para começar de novo. — O que você está fazendo parado perto de nós? E se estivéssemos dormindo? Você teria assustado a pobre Sarah até a morte se ela... — Seu rosto se contorceu de dor quando Sarah a cutucou com força.

— Você sabe que não me assusto tão facilmente, Amélia.

Amélia olhou para ela enquanto Sarah dirigia seu sorriso mais radiante para Edmund.

— Não ligue para ela, meu lorde. — Sarah arrulhou. — Nós não estávamos dormindo.

— Eu sei, — Edmund confessou com um sorriso que provavelmente faria Amélia, por uma semana, se agitar e revirar na cama. — Eu queria ter certeza de que vocês duas estavam confortáveis antes de nós irmos dormir.

— Eu adoraria se você removesse seu cachorro das minhas costas. Não me importo de compartilhar meu pedaço de terreno com ele, mas Grendel é desengonçado. Enquanto falamos, uma de suas patas está pressionada em minha coluna.

Amélia ficou impressionada com a rapidez com que Grendel saltou ao comando suave de Edmund e que a fera fosse para outro lugar. Ela também se sentiu péssima ao ver o vira-lata fugir para as sombras além do fogo. Ele se virou para olhar para ela antes de se misturar com a escuridão. Ela pensou ter ouvido um gemido baixo.

— Luke fará a primeira vigília se você precisar de alguma coisa.

Amélia voltou seu olhar para Edmund e se perguntou se ele a achava excessivamente enjoada e mimada. Não que ela não quisesse dormir com um cachorro, era porque...

Edmund desejou-lhes boa noite e se virou para ir embora.

Amélia se sentou, querendo impedi-lo de ir ainda. Por quê? Ela se importava tanto com o que ele pensava dela? Ela mal o conhecia e o que ela sabia não era nada favorável. Ele era um fora da lei de um clã proscrito. Ele a sequestrou de sua casa e se isso não fosse ruim o suficiente, ele fez isso diretamente depois de beijá-la. Ele ameaçou ferir a vida de seu tio e a vida do lorde chanceler. O que então importava o que ele pensava dela? Mas importava. Talvez porque em algum lugar lá no fundo ela não acreditasse que ele fosse cruel ou insensível, como se dizia que os MacGregors eram. Nenhum bárbaro impiedoso poderia ter tanta pena dela enquanto ele cuidava de seus dedos.

— Sr. MacGregor? — Ela o parou antes que pudesse dar a si mesma uma boa razão para isso.

Ele se virou e conseguiu dispersar seus pensamentos com um simples movimento de seus lábios.

— Edmund. — Ele corrigiu.

Ela suspirou e acenou com a cabeça, grata pelo momento extra para fazer uma pergunta válida sobre por que ela o impediu de sair.

— Como você chamou Grendel desse nome? Nunca ouvi falar disso antes.

— É um nome tirado de um poema épico anglo-saxão.

— Sobre um herói com esse nome? — Ela quase sorriu, achando que ela estava certa. Edmund era um patriota, leal à causa da Escócia. Homens como ele procuravam heróis para serem lembrados.

— Não, moça. Beowulf era o herói dessa história, Grendel era o demônio que ele matou.

— Demônio? — Ela perguntou baixinho, olhando para as sombras onde Grendel havia desaparecido. Certamente o cachorro não era um demônio. Sim, ele era uma besta, enorme e peluda, mas... — Por que você o chamaria com o nome de um monstro?

O coração de Amélia bateu violentamente quando ele voltou para ela. Ele se agachou ao lado dela, perto o suficiente para que ela sentisse o cheiro de musgo e madeira queimada em seu plaid. Seus olhos, no mesmo nível dos dela, pareciam escuros e insondáveis na penumbra, tentando-a a cair neles, a se perder ali, a esquecer seu pai, Walter, todos, exceto ele. Quando ele falou, sua voz a acariciou em camadas de calor ardente e sensual.

— Ele odeia música.

Ela pulou para fora do feitiço que ele lançou sobre ela.

— O quê?

— Meu cachorro. Ele odeia música. Seu homônimo odiava e se tornou um demônio matando homens que faziam doer seus ouvidos com sua música.

Não era uma história engraçada, mas mesmo assim ela se viu querendo sorrir.

— Mas ele é um cachorro! Como ele pode odiar música? Eu não acredito nisso.

Edmund encolheu os ombros.

— Cante para ele e descubra.

— Ele vai rasgar minha garganta então? — Ela o desafiou, não acreditando que o cachorro iria machucá-la.

— Isso depende de quão mal você canta.

— Eu cantei para a rainha na primavera passada e ela não fez queixas.

— Ouvi dizer que ela tem ouvido surdo. Esteja certa de que Grendel não.

Contra seu melhor julgamento, Amélia riu e deu-lhe um tapa de brincadeira, então fechou os olhos com força e levou os dedos doloridos aos lábios. Ela abriu os olhos um instante depois quando ele pegou a mão dela com ternura e levou-a aos lábios.

— Eu deveria bater em Darach e deixá-lo sem sentido por deixá-la cair de seu cavalo.

— Eu... eu... — Oh, inferno, o que ela estava prestes a dizer? Ela não tinha ideia. Sua boca quente em seus dedos tirou os pensamentos de sua cabeça. Ainda assim, ela não queria que ele ficasse zangado com Darach. — Eu já caí antes. Não foi culpa dele.

— Você vai cavalgar comigo de agora em diante. Eu não vou deixar você cair.

Ela balançou a cabeça. Essa era uma ideia terrível. Ela não queria cavalgar com ele, sentir seu corpo tão perto do dela. Ela não queria gostar dele ou considerá-lo bom. Ele não era. Tudo o que ele fez, foi com um propósito. Pela Escócia. O que seria dela e de Sarah nesta Ravenglade de que falavam? Ele as deixaria ir? E se o tio dela assinasse o tratado? O que aconteceria com ela e Sarah então?

— Durma agora. — Ele puxou o cobertor até o pescoço enquanto ela se deitava. — Você está segura.

— Ele é muito charmoso.

Amélia fechou os olhos ao ouvir a voz de Sarah.

— Eu posso ver porque você se deixou ser enganado por ele.

Amélia concordou. Ela teria que ser mais cuidadosa no futuro. Ele a sequestrou. Naquele exato momento, seu pobre pai provavelmente estava muito preocupado. Esse pensamento deu a ela o impulso que precisava para continuar a não gostar dele.

Ela olhou ao redor do acampamento. Todos estavam deitados e imóveis, exceto Lucan. Uma criatura da floresta correu perto dela e quase a tirou de sua pele. Ela nunca tinha dormido ao ar livre antes. Outro som das sombras a fez rezar. Onde estava Grendel? Ela lamentou que Edmund o expulsasse.

Talvez ela pudesse fazer com que ele voltasse. Ela assobiou baixinho, atraindo a atenção de Lucan e, felizmente, do cachorro também. Desta vez, quando Grendel avançou pesadamente em sua direção, abanando o rabo, ela o convidou entrar debaixo do cobertor com ela.

Ela percebeu um instante depois que seu convite poderia ter sido um erro.

Ele cheirava a cachorro.

Mas ele era grande, quente e parecia feroz. Ela se sentia segura deitada ao lado dele. Ela acariciou a cabeça dele. Grendel. Não era um demônio. Ela decidiu colocar as palavras de Edmund à prova, certa de que ele a estava provocando. Ela nunca tinha ouvido falar de um cachorro odiando música.

Ela começou a cantarolar.

Grendel começou a uivar. E oh, se ele simplesmente uivasse como um cachorro normal, não teria sido tão ruim. Seus uivos eram agonizantes, altos e angustiantes. Ele não parou, mesmo depois que todos no acampamento acordaram e o sol nasceu sobre as colinas.

Amélia se sentia péssima por todos, até por Grendel. Ela tentou não pensar muito nisso enquanto seguiam para Perth. No entanto, duas vezes, depois que Darach bocejou, ele se virou para lançar-lhe um olhar sombrio e acusador. Ela pegou Malcolm oferecendo-lhe um olhar de pena e adivinhou que Sarah tinha contado a ele sobre os infelizes incidentes que a acompanhavam.

Sua mãe culpou os incidentes pela falta de autocontrole de Amélia; seu pai escolheu simplesmente ignorar qualquer catástrofe que ela causasse e pagava pelo dano sem lhe dizer uma palavra sobre isso.

Querida Alice e Deus, mas Amélia estranhava sempre que ela garantiu que sua temporada de infortúnios terminaria.

Ninguém, exceto seu tio, jamais declarou o que Amélia acreditava ser o problema.

A má sorte a seguia em todos os lugares que ela foi.

A calamidade a atormentava, às vezes fazendo com que se sentisse totalmente sem esperança, completamente desanimada de que algo maravilhoso pudesse acontecer em sua vida.

Na maioria das vezes, ela lutava contra sua frustração e tirava o máximo proveito do que lhe era dado, mas todos em casa sabiam a verdade. Ela dava azar.

Infelizmente Edmund e seu bando de guerreiros destemidos, embora cansados, estavam prestes a descobrir o quão ruim.

 


Capítulo 11


Nada se movia sob o céu de estanho, exceto os quatro Highlanders, suas grandes espadas desembainhadas. Sentada na frente de Edmund em seu cavalo, Amélia sentiu uma brisa esfriar a pele de sua nuca, e a gelou até os ossos de um mau pressentimento. O rosnado baixo de Grendel retumbou no silêncio da manhã.

Eles chegaram a Ravenglade logo após o nascer do sol e encontraram a ponte levadiça do castelo fechada.

— Os mercenários que você contratou deveriam estar baixando a ponte agora? — Edmund perguntou a Malcolm.

— Talvez eles não percebam como você é? — Luke acrescentou, acalmando o garanhão inquieto entre suas pernas.

Malcolm balançou a cabeça.

— Os bastardos me conhecem bem o suficiente. Se eles não atenderem a minha chamada, estão mortos.

Como se para validar sua declaração, um corvo cantou, quebrando o silêncio sinistro.

Edmund girou sua montaria, já procurando um lugar seguro para deixar Amélia.

— Buchanans?

Malcolm acenou com a cabeça, seguindo-o com Sarah empoleirada em seu colo.

— Sim. Buchanans.

Uma flecha perfurou o ar entre Darach e Malcolm e atingiu uma árvore próxima com um baque forte. Tudo aconteceu rapidamente depois disso. A manhã estourou com os sons dos latidos altos de Grendel e o trovão dos cavalos se aproximando de todas as direções.

Em segundos, Edmund e Malcolm deixaram as mulheres em um aglomerado de arbustos próximos, ordenando-lhes que ficassem paradas. Grendel também foi ordenado a ficar onde estava, perto de Amélia.

Os Highlanders moveram-se em uníssono, defendendo todos os lados contra os cavaleiros que se aproximavam. O garanhão de Edmund ergueu-se nas patas traseiras enquanto ele engatilhava o arco, apontava e disparava.

Um homem caiu! Amélia tremia enquanto seu sangue queimava em suas veias. Isso era real. E mais homens estavam chegando. Ela tinha ouvido histórias sobre a força dos Highlanders na batalha, mas ela nunca tinha visto isso até hoje.

Ela orou a Deus para nunca mais ver.

Metal colidiu com metal em uma sinfonia opressora de caos e faíscas. Ela se afastou da morte que sabia que viria para os lutadores. Ela não queria ver Edmund ou sua família cair. Ela não queria pensar no que seria dela e de Sarah se acontecesse.

Ela se sentiu como se estivesse em um sonho quando Grendel se afastou dela e correu para a briga, forçando-a a olhar na direção deles no momento em que o céu se rasgou e derramou chuva em camadas de gelo. A torrente distorceu o ar, mas Amélia pôde distinguir Edmund e os outros balançando seus pesadas claymores com terrível precisão. Ela pensou que podia sentir o cheiro de sangue, ou talvez porque havia muito sangue, ela apenas pensou que o cheiro estava saturando o ar pesado. Ela tentou se virar de novo, mas sentiu que não estava mais no controle de seu corpo. Ela assistiu, horrorizada e hipnotizada, cobrindo os ouvidos com os gritos de homens moribundos.

Ela sentiu o coração disparar no peito quando perdeu Edmund de vista. O que ela faria se ele morresse? Malcolm e os outros levariam ela e Sarah de volta para Edimburgo? Será que o rosto de Edmund, seu sorriso, seu beijo, a assombrariam pelo resto de seus dias? Ele voltou à visão dela um momento depois, para seu alívio traidor, sua espada brilhando sob uma carga de relâmpago perfurando as nuvens. O olhar dela o seguiu enquanto ele puxava as rédeas, fazendo o garanhão levantar alto o suficiente para colocá-lo acima de um homem balançando um machado a altura da sela. Amélia fechou os olhos quando os cascos do cavalo de Edmund voltaram, esmagando ossos e silenciando o grito de guerra de seu oponente.

Era difícil dizer quantos homens lutavam contra os quatro, mas os números não importavam. Eles não eram páreo para os MacGregors e Grants. A claymore de Edmund atacava com uma precisão implacável. Amélia assistiu, impotente e doente do estômago a carnificina ao seu redor, mas ela conseguiu gritar em advertência para Edmund quando outro cavaleiro se aproximou por trás. Envolvido em uma batalha com dois homens à sua frente, ele não podia se virar para se defender.

Ele não precisava. O atacante girou em sua sela para fitar os arbustos onde ela e Sarah se esconderam. Ele chutou os flancos de seu cavalo e ergueu seu machado pesado sobre o ombro enquanto cavalgava na direção delas.

Amélia agarrou Sarah e se encolheu. Ele estava vindo! Ele iria matá-las! Mas o homem não perdeu tempo cavalgando até elas. Ele arremessou o machado e esperou enquanto ele voava direto para ela.

Lucan veio até ela pela esquerda, passando pelo arbusto em seu cavalo, colocando-se em seu caminho. O machado voou de ponta a ponta e então atingiu algo duro, parando antes de alcançá-las.

O atacante voltou a atacá-los, mas desta vez foi detido pela espada de Edmund em seu pescoço.

Sarah pressionou o rosto no ombro de Amélia e chorou quando o corpo do homem caiu da sela. Amélia queria fazer o mesmo, mas não conseguia tirar os olhos de Edmund. Sentado no alto da sela, seu cabelo dourado e seu rosto respingado com o sangue de suas vítimas, ele parecia um leão selvagem para proteger o que era dele. Um momento se passou e sua expressão mudou, ficando suave com ela e depois com Sarah. Ele ofereceu a ela um aceno sutil, certificando-se de que ela não estava ferida. Quando ela balançou a cabeça, ele chamou Lucan.

— Sua perna.

— Está tudo bem.

Edmund acenou com a cabeça e voltou seu garanhão para a luta.

Ao redor dela, os inimigos dos Highlanders caíram. Alguns foram cortados até o cabo pela lâmina de Malcolm enquanto outros caiam de seus cavalos, quebrados e esmagados sob o braço poderoso de Lucan. Darach preferiu usar uma adaga e duas vezes saltou de seu cavalo para seus oponentes para matá-los mais de perto.

Logo a luta diminuiu e, com o seu fim, a ponte levadiça finalmente desceu. Edmund, Lucan, Malcolm e Darach sentavam-se em suas selas, encharcados de chuva e sangue, e observaram os três cavaleiros se aproximando do pátio interno. Malcolm esperou até que o alcançassem antes de golpear o primeiro no rosto com o punho e então ordenar aos outros dois que voltassem, pegassem seus camaradas e dessem o fora de seu castelo.

— Mercenários. — Ele se voltou para Lucan com desgosto. — Não se pode confiar em ninguém, mesmo quando se trata de manter Buchanans longe.

Lucan assentiu, então se inclinou para frente em sua montaria e olhou através do vale para onde Amélia e Sarah estavam escondidas. Seus olhos, como chamas de topázio, brilharam e depois desapareceram quando suas pálpebras se fecharam e ele caiu inconsciente da sela.

Seus três primos pularam dos cavalos e correram para ele, mas Grendel o alcançou primeiro, ganindo e cheirando a coxa de Lucan. Seu plaid estava cortado. O sangue saturou a lã e o solo onde ele estava deitado.

— Ele está sangrando! — Edmund rasgou uma longa tira do plaid ensanguentado de Lucan e amarrou-o com força na coxa do primo. — Precisamos parar o sangramento. Ajude-me a levá-lo para dentro.

— Não devemos movê-lo. — Rebateu Darach, enxugando a chuva ou as lágrimas dos olhos.

— Não podemos deixá-lo aqui fora. Leve os cavalos. — Edmund comandou. — Malcolm, me ajude.

Eles pegaram Lucan com extremo cuidado e o carregaram a pé pela ponte levadiça. Amélia segurou a mão de Sarah e correu para acompanhá-los. Ela ouviu um grito estrangulado em algum lugar atrás dela e se virou para ver Grendel fechar suas enormes mandíbulas ao redor da garganta de uma das vítimas moribundas dos Highlanders. Ela desviou o olhar e engoliu a onda de emoções cruas que ameaçavam consumi-la. Lucan estava ferido, possivelmente morrendo. Edmund não precisava vê-la desmoronar. Eles precisavam de sua ajuda.

— Minha ama Alice me ensinou a preparar alguns cataplasmas para feridas.

Edmund se virou para olhar para ela por cima do ombro.

— Bom. Ficarei em dívida com você se o ajudar.

— Assim como eu. — Malcolm concordou.

— E eu. — Darach ecoou. — Diga-me o que você precisa e eu vou buscá-lo. Há um alquimista na aldeia.

Darach ouviu cada palavra que ela disse a ele. Ela precisava de mil-folhas7 ou agrimônia8 para estancar o sangramento. Ela também precisava de canela ou cravo para reduzir a dor e desinfetar a ferida para evitar infecções. Ela deu a ele uma lista e acrescentou algumas coisas que Sarah solicitou em caso de febre ou infecção e, em seguida, mandou-o embora.

Ela seguiu Edmund e Malcolm até um quarto enorme na ala oeste e observou-os enquanto colocavam Lucan em uma cama tão grande que fazia o enorme Highlander parecer pequeno. Eles o colocaram de lado e começaram a examinar seu ferimento.

— A mãe dele vai matar todos nós se ele... — As palavras de Malcolm enfraqueceram e ele desviou o olhar.

— Ele não vai. — Edmund terminou depois que todos eles fizeram uma pausa em silêncio.

O corte na coxa, recebido do machado que ele impediu de atingir Amélia, tinha cerca de 25 centímetros de comprimento e era bastante profundo. Ele protegeu Sarah e ela porque entregou sua posição. Ela balançou a cabeça. Ela não podia se permitir pensar em nada disso agora. Ela nunca tinha visto um homem ferido antes. Ela rezou para não vomitar ao ver sua carne aberta. Ela sabia que a ferida precisava ser limpa e provavelmente costurada. O pensamento disso torceu sua barriga em um nó e produziu gotas de suor ao longo de sua testa.

— Vamos precisar de água fresca.

— E trapos limpos. — Sarah adicionou ao lado dela.

— Eu vou buscá-los.

Quando Malcolm deixou o quarto para sua tarefa, Sarah se virou para Amélia e ofereceu-lhe um sorriso reconfortante.

— Você o limpa e eu costuro, sim?

Amélia acenou com a cabeça, amando sua amiga mais querida por ser capaz de ler seus pensamentos e por ajudá-la nessa tarefa árdua.

— Mas primeiro, — Sarah continuou, arregaçando as mangas e curvando-se sobre o corpo de Lucan, — devemos descobrir se ele ainda vive.

Amélia e Edmund observaram e esperaram em silêncio enquanto Sarah pressionava a cabeça contra o peito de Lucan. Os momentos se passaram, lenta e torturantemente, com Edmund passando os dedos pelos cabelos e finalmente se virando quando Sarah não disse nada.

— Ele vive. — Ela finalmente anunciou, trazendo tanto alívio para Edmund que ele caiu para trás em uma cadeira perto da cama. Ela tocou as costas da mão na testa dele. — Ele está sensível ao toque. Precisamos começar logo.

Quando Malcolm voltou, ela pediu uma tigela e a retirada dele e de Edmund do quarto.

Amélia ficou feliz em vê-los partir. Ela não queria que Lucan morresse e mal o conhecia. Foram Edmund e Malcolm, e até mesmo Darach, quando ele voltou algum tempo depois com suas ervas, que seus nervos agitados em uma confusão complicada. Eles claramente o amavam. Ela imaginou a devastação de perder Sarah e teve que conter as lágrimas. Ela tinha que manter o controle total de suas emoções e fazer tudo o que pudesse para ajudar Lucan. Elas não podiam deixá-lo morrer.

Com esse pensamento empurrando-a para frente, ela limpou a ferida de Lucan e aplicou suas pomadas, então ajudou Sarah a consertar sua artéria cortada e costurá-lo. Depois de três horas, elas finalmente terminaram. Amélia recuou e limpou o sangue de suas mãos enquanto os Highlanders voltavam e se revezavam ao lado de Lucan. Ele ainda não tinha recuperado a consciência, mas elas fizeram tudo o que podiam. Agora tudo o que podiam fazer era esperar. Todos os homens pareciam terrivelmente preocupados e amedrontados por seu primo, mas Edmund partia seu coração um pouco mais. Ele ficou ao lado da cama, olhando para o corpo inconsciente de Lucan. Amélia não conseguia ler seus pensamentos, mas eles estavam claramente carregados de desespero. Quando ele passou os dedos pelos cabelos e desviou o olhar, ela quis ir até ele. Ele parecia ser o responsável pelo grupo, tomando as decisões mais rápidas, pronto para a ação um instante antes de todos os outros. Ele se sentia responsável da mesma forma que ela se sentia quando as pessoas que amava eram feridas? Certamente ele sabia que não era culpa dele. Eles eram guerreiros. Às vezes eles morriam.

Ela chamou a atenção de Edmund e abraçou-o por um momento, sem saber qual seria sua reação, mas querendo consolá-lo de alguma forma. Um olhar parecia ser suficiente.

— Obrigado. — Disse ele, movendo-se ao redor da cama para ficar diante dela.

Amélia sentiu seu rosto esquentar e desviou o olhar dele.

— Sarah fez a costura mais séria. Além disso, você não precisa me agradecer. Gosto de Lucan. Eu não o quero ver morrer.

Ela não percebeu que suas mãos tremiam até que ele as pegou e terminou de limpá-las com ternura com um pano. De repente, seus joelhos tremeram também.

— Estou em dívida com você.

— Não. — Ela balançou a cabeça e o quarto girou um pouco. — Eu... — Ela fechou os olhos para clarear a cabeça, mas o quarto girou ainda mais.

— Você está doente? — Ele perguntou quando ela se balançou em seus pés.

Maldição, ela não tinha tendência a desmaios como sua mãe e certamente não queria desmaiar na frente de Edmund e seus amigos. Ela era feita de uma coragem mais forte do que isso, mas o dia tinha sido tão desgastante com toda aquela matança, todo o sangue... tanto sangue...

— Estou bem. — Assegurou ela a Edmund, afastando-se dele. — Eu simplesmente preciso de um pouco de ar. Você poderia...

Ela não percebeu que estava caindo ou onde pousou, ou por que se sentia segura pela primeira vez em dois dias.

 


Capítulo 12


Edmund observava a vibração dos olhos aberto de Amélia quando a deitou em um banco de pedra no jardim murado de Ravenglade. Ele percebeu, de pé sobre ela, enquanto seus exuberantes cílios negros subiam lentamente sobre os gloriosos olhos escuros, que ela poderia ser um problema. Ele gostava dela. Ele gostava mais dela a cada momento que passava com ela, especialmente depois que salvou seu primo. Ele estaria para sempre em dívida com ela e Sarah por isso. Mas ele não podia permitir que seus sentimentos por Amélia Bell fossem além disso. Ele não tinha tempo para uma garota em sua vida, especialmente não para a sobrinha do duque de Queensberry, a futura esposa do Lorde Chanceler da Escócia. Ele jurou protegê-la e isso é o que faria. E ele junto a ela. Mas não esperava ter que proteger seu coração dela. Ele nunca teve que fazer isso com nenhuma moça antes dela. Mas guardaria seu coração, isso ele o faria.

Embora a ideia de acordar com seu rosto sonolento todas as manhãs fosse tentadora, ela era uma distração perigosa, e ele foi ensinado por homens de honra a permanecer fiel a seu curso, onde quer que o levasse.

A Escócia sempre viria primeiro. Ele não lutava sozinho. Ele tinha seus primos e mais em casa. Seu pai e seus tios, todos dispostos a morrer por seu país ou por seu nome. Ele era um deles, suas crenças e ideais gravados em seu coração desde os quatro anos de idade.

Mas que inferno, ele pensou, olhando para a grande cabeça de Grendel apoiada em seu joelho, até seu cachorro gostava dela.

Sua respiração se acelerou e ela abriu os olhos. Ele queria sorrir para ela, mas não o fez.

— O que aconteceu? — Ela se sentou, segurando uma das mãos na cabeça e colocando a outra na de Grendel. Ela olhou em volta. — Onde estamos?

— Você desmaiou. Parou de chover e achei que você precisava de um pouco de ar, então a carreguei para o jardim.

Ela espalhou o olhar sobre os arbustos e as ervas daninhas que cobriam a maior parte do solo. Embora fosse primavera, a maioria das árvores estava nua e cinza para combinar com o céu. Ainda assim, quando ela coçou a cabeça, deixando o cabelo enrolado naquele ponto, os olhos ainda um pouco vidrados e as bochechas coradas, ele pensou que ela parecia uma delicada rainha das fadas que tinha sido arrancada de sua clareira e jogada em um mundo mais feio onde ela não pertencia. Um mundo habitado por lamentáveis cavaleiros em missões para provar quem são e a que lugar pertencem.

— Está extremamente negligenciado, eu sei. — Ele disse, tentando aliviar o clima que o fazia se sentir miserável porque não podia tê-la. Ele não deveria querê-la. — Ravenglade pertence a Malcolm agora, mas ele passa muito do seu tempo em Skye.

Ela inclinou a cabeça e fixou os olhos gloriosos nele, sacudindo um pouco sua cabeça. Ele se sentou no banco ao lado dela. Seu olhar o seguiu.

— Eu me sinto uma tola por desmaiar. — Ela disse, mantendo sua atenção em seu cachorro. — Isso não acontece com frequência.

Ela ainda estava com raiva dele. Ele entendia, mas queria sua expiação.

— Bom, porque estava começando a pensar que você tinha algum tipo de distúrbio do sono que a atormentava sempre que eu estou por perto.

O sorriso dela feriu seu coração. Ela tinha passado por muito desde que o conheceu. A ausência de sua alegria era culpa dele e ele sentiu o peso disso.

— Eu gostaria de poder levá-la de volta, moça. — Ele disse a ela com sinceridade. — Mas eu não posso. Há muito em jogo para muitos.

— E eu sou o sacrifício.

Pela primeira vez ele odiou sua tarefa. Ele odiava homens que queriam poder simplesmente para tirar o que os outros tinham, e que pessoas inocentes sofressem por isso.

— Eu não vou deixar nenhum dano acontecer a você, Amélia. Não acontecerá de qualquer lugar. Mas isso deve ser feito. E assim que for, vou devolvê-la às mãos de seu pai.

Ela acenou com a cabeça, então a inclinou para longe dele para que ele não pudesse ver seu rosto.

— Compreendo.

Ele não achava que ela compreendesse. Ele esperou um momento e quando ela ficou quieta, sentiu algo mais escuro, mais profundo perturbando-a.

— Luke vai se recuperar, moça. Ele é forte e determinado.

— Eu... eu não sei. — A voz dela era uma bagunça estrangulada que o puxou, junto com Grendel, para perto.

— Amélia? — Ele se sentou à sua frente. — Eu sei que você fez tudo...

— Isto é minha culpa. — Seus olhos se encheram de lágrimas que despertaram nele um propósito mais profundo. — Chamei você e o homem me viu, Edmund. Lucan nos salvou e pode morrer por isso. — Ela cobriu o rosto com as mãos e chorou nelas. Grendel choramingou. — O infortúnio me segue. Sempre foi assim! Deve me mandar de volta antes que um de vocês morra!

Ele tinha ouvido direito? Sim, ele rapidamente percebeu que sim. Ele se lembrou do pai dela contando como a “má sorte” dela expulsou muitos pretendentes. Inferno, até bardos viajantes cantavam sobre isso. Edmund teria rido da ideia de uma crença tão tola, mas Amélia acreditava e ele não zombaria dela, então apenas sorriu e se aproximou dela.

— Ouça-me, moça, — ele disse a ela suavemente. — Você gritou tentando me ajudar, e meu primo, que acredita ter vivido na época de Arthur, fez o que estava em seu sangue. Não há vergonha neste dia. Nenhuma vergonha para você. Apenas gratidão.

— Você fala sobre isso levianamente porque não sabe tudo o que aconteceu. Quase matei meu pai no inverno passado, quando ele quase morreu sufocado com uma das pérolas do meu cabelo que se soltou e caiu em sua sopa. — Ela enxugou os olhos e fungou, mas suas lágrimas continuavam caindo. — Ele estava sentado à mesa de nossa família segurando a garganta, assumindo um tom horrível de cinza, sufocando até a morte diante dos meus olhos. Eu não sabia o que fazer. Eu não conseguia me mover, com medo de que se o tocasse ele morreria mais rápido. Sarah o salvou com uma forte pancada nas costas.

— Isso soa como um acidente e nada mais. — Ele disse suavemente e sorriu para ela.

— Não importa como alguém o chame e quando eu deixei meu primo bebê de três dias de nascido cair e provoquei sua loucura. — Suas lágrimas caíram mais pesadas quando o verdadeiro peso de sua vida veio sobre ela.

Seja lá do que Edmund se convenceu antes, desvaneceu-se com a necessidade de abraçá-la. Ele queria confortá-la e isso não seria negado.

Alcançando-a, ele a puxou para mais perto e fechou os braços ao redor dela.

Ela soluçou contra seu peito.

— Minha irmã jurou de que nunca poderei segurar minha futura sobrinha ou sobrinho.

Ele fechou os olhos, zangado.

— Sua irmã merece o marido que tem.

Ela riu e ele se afastou para vê-la e descobrir se seus ouvidos o enganavam.

— Aí está, é isso que eu desejo ver, sua felicidade. — Quando o sorriso dela permaneceu, ele considerou uma grande conquista, uma que queria continuar se esforçando para alcançar. Ele correu as costas dos nós dos dedos levemente sobre a bochecha dela, limpando sua última lágrima. — Tenho certeza de que você vale mais para seu pai do que qualquer coisa que ele possui.

— Eu faria qualquer coisa por ele.

Tipo casar com o chanceler? Ele não perguntou a ela. Ele entendia a lealdade. Ele a admirou. Ele faria qualquer coisa por seu próprio pai.

— Sua sorte não é realmente tão ruim. — Ele disse a ela em vez disso.

Ela se inclinou novamente e piscou seus olhos gloriosamente e enormes para ele. Edmund se perguntou quanto tempo levaria para um homem enlouquecer de desejo.

— Eu não chegaria perto de mim, se fosse você.

— Eu não temo o infortúnio.

— Que tal tetos caindo em seu quarto?

Ele franziu o cenho, lembrando que havia o quarto de outro homem esperando por ela.

— Foi uma boa sorte, Amélia. É um sinal de Deus para não se casar com o chanceler.

Ela ergueu o rosto para ele e olhou em seus olhos por um momento que o fez esquecer do que eles estavam falando e encheu sua cabeça com pensamentos de beijá-la.

— Eu pensei isso no começo, mas...

— Sshh. — Ele tocou o dedo indicador nos lábios dela para acalmá-la. — A infelicidade não a segue, moça. Se isso acontecesse, — ele lutou para conter-se de traçar a ponta do dedo sobre os contornos suaves de seus lábios, inclinando-se, — Meu coração não se sentiria tão leve quando eu estou com você. Mas se eu estiver errado e o infortúnio se atrever a chegar perto de você de novo, vou matá-lo como David matou Golias.

Seu sorriso se alargou em risadas.

— Você é muito audacioso em fazer tal afirmação, Edmund MacGregor. Mas ninguém nunca me prometeu tal coisa. Vou fazê-lo cumprir sua palavra.

Ele olhou nos olhos dela e se perguntou se tinha ficado louco. Ele não deveria se interessar pela vida dela. Mil vezes ele ouviu a voz de seu pai lhe dizendo para não permitir que distrações o desviassem do curso.

— Eu não vou te decepcionar.

Ela agradeceu suavemente e se levantou do banco para deixá-lo. Grendel levantou com ela. Ele deve ter enlouquecido quando pegou a mão dela e a impediu, não dando a mínima para distrações no momento.

— Fique comigo um pouquinho mais. Pelo menos até que eu possa provar a você que sou mais do que apenas um ladrão.

— E um mentiroso?

Ele deu um sorriso malicioso.

— Acho que já admitiu que eu menti para você?

Ela balançou a cabeça para ele e não se moveu para frente ou para trás em seu assento.

— Eu disse que você não foi completamente desonesto. Mas você não tem nada a provar para mim. Depois de salvar minha vida hoje, eu te perdoei por todos os seus crimes contra mim, mas posso fazer com que pague por eles ainda.

Seu sorriso se alargou e então se desvaneceu na visão gloriosa dela envolta em uma luz quente e dourada enquanto o sol rompia as nuvens. Por um ou dois instantes, ele caiu cativado pela visão dela com o cabelo úmido enrolado suavemente sobre os ombros.

— Obrigado por seu favor. Foi imerecido.

— Não. — Ela se aproximou dele e deu um tapinha em sua mão. Ele olhou para ela e depois para a mão dela. Inferno, era difícil não beijá-la sem sentido. — Verdadeiramente, o que você fez por nós hoje merece meu favor. Esse homem teria nos matado. Ele quase matou Lucan com seu machado. Você pode ser um fora da lei indigno de confiança, mas não me sinto insegura com você.

Ele deveria agradecê-la? Ele com certeza não poderia seduzi-la agora.

— Fico feliz em ouvir isso. — Disse ele, sem saber se estava ou não. E o que ela quis dizer com chamá-lo de indigno de confiança. Doeu, mas ele tinha mentido para ela. Ainda assim, ele não gostava que o considerasse tão desprezível.

— Eu posso buscar sua ferocidade por enganá-la, Amélia, mas não para sequestrar você. Isso eu tinha que fazer e faria de novo.

Ela acenou com a cabeça e soltou a mão dele.

— Compreendo.

Ele viu a mão dela vindo para ele e se preparou para isso. A palma da mão dela contra sua bochecha não doeu tanto quanto ele esperava. Ele olhou para Grendel, aliviado e um pouco insultado por seu cachorro ter ignorando a agressão.

— Eu não posso fazê-lo pagar pelo que você já recebeu de absolvição. — Ela disse. — Então isso foi por me sequestrar e virar meu mundo do avesso.

Edmund levou a mão ao rosto e observou-a sair do jardim com seu cachorro sob sua palma. Quando ela desapareceu dentro, ele fechou os olhos e jogou a cabeça para trás.

Inferno. Ela era um problema.

 


Capítulo 13


Ravenglade não era o maior castelo em que Amélia já havia estado; pelo menos, não parecia ser pelo lado de fora. O interior era outro assunto. Quando trouxeram Lucan para dentro mais cedo, ela não teve tempo nem inclinação para olhar ao redor. Agora, deixada sozinha com Grendel em seus calcanhares enquanto Edmund e Malcolm estavam conversando com o laird Buchanan, Amélia observou a grandeza do Grande Salão de Ravenglade e as paredes cobertas por tapeçarias.

Uma única mesa de madeira, longa o suficiente para acomodar pelo menos cinquenta pessoas, ficava no centro do Salão. A mesa estava vazia agora, exceto por duas pequenas velas colocadas em ambas as extremidades e anos de cortes e sulcos na superfície de madeira. Amélia o imaginou em seus primeiros dias, cercada por homens barulhentos cravando suas adagas na madeira enquanto contavam histórias de bravura e ameaça.

Um enorme lustre de ferro forjado de vela pendurado diretamente acima do teto da mesa, pronto para iluminar o interior cavernoso quando o sol se pusesse. Por enquanto, porém, a luz do sol entrava banhando por dez longas janelas gradeadas cônicas com vidro transparente. Ela imaginou que a família de Malcolm devia ser muito rica para poder pagar por uma extravagância como vidro.

Estranhamente, não havia correntes de ar vazando pelas paredes, em grande parte graças às grossas e coloridas tapeçarias que cobriam a maioria das paredes. A simplicidade das cenas retratadas na arte apenas servia para acentuar o requintado trabalho artesanal dos pontos, a consideração de todas as cores e matizes.

— O trabalho dos dedos da minha avó.

Amélia girou nos calcanhares e encontrou Darach encostado na mesa, observando-a. Ela sorriu.

Ele sorriu de volta. Desta vez, porém, Amélia percebeu a centelha de sílex em seu olhar esmeralda. Isso fez cócegas na parte de trás de seus joelhos. Ela desviou o olhar, não querendo sucumbir à sua dura atração. Ela tinha pena das mulheres que cruzassem o caminho deste Highlander.

— Elas são lindas. — Disse ela, voltando-se para admirar as tapeçarias novamente. — Sua avó é uma mestra bordadeira.

— Talvez. — Ele se levantou para se sentar na beirada da mesa, as pernas nuas com botas balançando para o lado. — Mas ela prefere ser conhecida como uma mestra espadachim.

Amélia lançou-lhe um olhar cético por cima do ombro.

— Todos os Highlander em Skye fazem o mesmo alarde? Até as mulheres?

— Elas podem tentar. Mas nenhuma delas é tão convincente em suas afirmações quanto Claire Stuart.

— Claire Stuart, Lady Huntley. — Amélia piscou para ele. — Prima dos falecidos reis Charles e James Stuart, família da rainha, é sua avó?

Ele acenou com a cabeça, então pulou para o chão e se juntou a ela em seu passeio pelo Salão Principal.

— Meu avô Graham Grant ajudou-a e ao grande General Monck na restauração do Rei Charles ao trono.

— Ele é um patriota, como você e os outros então. — Amélia disse, notando a medida de orgulho em sua voz quando ele falou.

— Ele não deu a mínima para o que era melhor para o país. Ele estava apaixonado por sua mulher. Ele ainda está.

Amélia parou e se virou para ele.

— Ainda? — Ela perguntou a ele. Os homens continuavam a amar suas esposas depois de um longo casamento? Seu pai ainda amava sua mãe? Ela não achava que ele amasse. Ela não queria esse tipo de vida para si mesma. Seu querido pai. Ela sentia falta dele. Ele estava preocupado com ela?

— Sim, ainda. — A mudança sutil na peculiaridade de seus lábios quando ele acenou com a cabeça revelou que este jovem feroz e orgulhoso possuía um coração gentil e romântico.

Ela havia julgado Darach e Grendel com muita pressa.

— E seus pais? — Ela perguntou a ele no caminho em direção às escadas para liberar Sarah da cama de Lucan e de cuidá-lo. — Seu pai é um guerreiro também?

— Não, ele é um bardo. Ele escreveu muitas odes à minha mãe.

Amélia sorriu para si mesma. Darach fazia mais sentido para ela agora.

— O amor deles ainda queima forte, também?

— Sim.

Deus, que tipo de homem cresciam nas montanhas de Skye, ela pensou enquanto alcançava a porta do quarto de Lucan. Esses Highlanders eram diferentes dos homens que ela conheceu nos bailes de seu tio. Eles não apenas se vestiam de forma diferente, mas pareciam mais fortes, maiores e mais confiantes, e menos arrogantes. Eles eram rudes e duros por fora, mas mais profundos e intensos sobre o que os apaixonavam.

Sarah ergueu os olhos do pano úmido que enrolava nas mãos e olhou para as duas pessoas entrando. Ela deveria parecer cansada depois de passar a tarde inteira ao lado do Highlander ferido, mas seus olhos ainda brilhavam como campos iluminados pelo sol atrás de mechas de ondas ruivas que haviam se soltado de sua trança.

— Como ele está? — Amélia perguntou, vindo em direção à cama. — Graças a Deus, a cor dele está voltando.

— Sim. — Sarah se inclinou sobre Lucan e gentilmente enxugou sua testa com o pano. — Ele é forte.

Ele certamente é, Amélia pensou, examinando-o com sua visão a forma longa e ágil de Lucan na cama. Ela dobrou o cobertor que o cobria e respirou fundo com tanta força que deu um soluço. Ele estava nu! Ela jogou a coberta de volta sobre ele, então deu um passo para trás e olhou para a cama.

— Sarah, onde está o plaid dele?

— Está aí. — Sua amiga apontou para a lã jogada em seus quadris, sem esconder totalmente seus quadris. — Eu tive que desfazer a maior parte dele para me certificar de que ele não estivesse cortado em nenhum outro lugar.

Amélia olhou para ela por baixo dos cílios.

— E ele estava?

Sua amiga balançou a cabeça e lançou a Darach um olhar sombrio quando ele sorriu.

— Venha aqui e dê uma olhada debaixo das cobertas. Você não estará sorrindo muito depois disso.

— Já vi cortes horríveis antes, mulher. — Darach a informou.

— Eu não estava falando de sua ferida.

Amélia sorriu em sua mão e olhou para baixo para descobrir que Lucan tinha aberto os olhos e estava apontando um sorriso suave e inebriante para Sarah.

Sua amiga se afastou de Darach a tempo de ouvir a avaliação de Lucan.

— Bem-vindo de volta. — Sarah cumprimentou suavemente. — Você nos preocupou.

— Perdoe-me. — Ele sussurrou, sua garganta rouca. Ele se virou para conceder seu sorriso a Amélia em seguida. Seus olhos extraordinários queimavam com resíduos de sua febre, ou medo antecipado da resposta de sua próxima pergunta. — Meus primos cuidaram das duas enquanto estive inconsciente?

— Se eles não tivessem. — Amélia disse a ele com uma piscadela. — Eles estariam deitados ao seu lado naquela cama.

— Já era hora de você abrir os olhos. — Darach moveu-se até a cama e sentou-se em sua extremidade. — Eu estava começando a pensar que sua coragem não era tão forte quanto a minha.

— Och. — Sarah golpeou Darach com seu pano úmido. — Suponho que sua perna foi cortada no meio antes e você quase não sangrou então?

Amélia sorriu; se alguém podia fazer Darach correr atrás de suas brincadeiras, era Sarah.

Quando Darach não respondeu, ela o enxotou.

— Malcolm mencionou uma cozinheira. Vá procurá-la, por favor, e peça-lhe para preparar algo digno de uma celebração. Vá logo então. — Ela adicionou quando Darach não se moveu rápido o suficiente.

Todos eles o observaram ir, então o olhar quente de topázio de Lucan voltou para Sarah. Ele lambeu os lábios para umedecê-los, o que levou Sarah a lhe servir um copo d'água. Ele aceitou a oferta e deu um gole. Quando sua mão tremeu, Sarah alcançou a caneca diante de Amélia e a levou aos seus lábios.

— E Malcolm? — Ele perguntou diretamente a Sarah assim que sua sede foi saciada. — Ele a tratou com honra?

Sarah parou o que estava fazendo e olhou primeiro para Amélia, depois para Lucan. Ela riu, mas Amélia a conhecia bem o suficiente para saber que seu humor não era sincero. Quando ela falou novamente, provou que Amélia estava correta.

— O que é honra e o que me importa com isso? — Ela encolheu os ombros e mergulhou o pano de volta na tigela de água. — Você não precisa se preocupar comigo, Sr. MacGregor. Como você acabou de ver, eu posso cuidar de mim mesma.

— Eu preferiria...

Ele não teve chance de terminar.

— Agora que vejo que você está bem. — Sarah abandonou o pano na tigela, pegou um pano seco e secou as mãos — Vou deixá-lo aos cuidados de Amélia. — Ela sorriu, ofereceu-lhe uma reverência sutil condizente com sua posição e saiu correndo do quarto.

Amélia a olhou, imaginando o que diabos havia acontecido com sua amiga. Esta era a primeira vez na lembrança de Amélia que Sarah realmente fugia de um homem bonito. Será que ela estava perdendo seu coração para Malcolm Grant? Ela falaria com sua amiga sobre isso mais tarde e a lembraria de que elas não poderiam ter relacionamentos com esses homens. Ela se lembrou com um sorriso pesaroso que Sarah não tinha limites. Ela poderia se casar com quem ela quisesse.

Ela sorriu para Lucan, afastando seus pensamentos. Este homem merecia sua atenção. Ela deu a ele, seu sorriso largo com felicidade genuína por que ele havia recuperado.

— Ela está certa. Preocupar-se com todos os outros não ajudará em sua cura. Vou preparar algo para você mais tarde para ajudá-lo a dormir.

— Você tem minha gratidão. — Ele disse a ela. — Eu não me importo em ser tão indefeso.

— Você estará de pé e pronto em pouco tempo. — Ela o assegurou. Ela queria verificar seu ferimento, mas não estava prestes a levantar aquele cobertor novamente.

— Você se importaria de ajustar um pouco seu plaid para que eu possa dar uma olhada em sua coxa?

Ele obedeceu e Amélia puxou a coberta novamente. Felizmente, tudo estava escondido, exceto seu ferimento. Ainda assim, isso não ajudou seus nervos quando ela o tocou. Céus, mas o homem era grande. Suas coxas, polvilhadas com pelos pretos, eram longas, e magras e com músculos. Sua barriga era plana e esculpida em pequenos quadrados que agitaram os nervos de Amélia. No entanto, Sarah trabalhou nele o dia todo sem ser afetada por sua beleza morena?

— Sarah precisará de alguma proteção contra Malcolm. Ela gosta dele, mas temo que ele vá deixá-la em uma poça de lágrimas e...

— O que é isso? — Malcolm chamou da porta, prestes a entrar com Edmund e Grendel atrás dele. — Eu dou a você minha própria cama para se recuperar e aqui está você espalhando histórias hediondas sobre mim enquanto descansa sua cabeça em meu travesseiro favorito?

— Prefiro me recuperar em seu celeiro do que em sua cama. — Murmurou Lucan.

— Eu poderia providenciar isso. — Malcolm disse a ele, então sorriu e caminhou em direção à cama.

Amélia observou Edmund ir para a cama em seguida.

Cada avaliação que ela fez a respeito dos homens aqui, e qualquer outro homem na criação de Deus, parecia loucura agora. Ela encheu sua visão com Edmund, deleitando-se com sua altura, o ritmo fácil de seu andar e a confiança que exalava. Ele era tudo o que ela encontrou de magnífico em um homem, a partir do seu sorriso e o lento e constante olhar que ele espalhava sobre ela, mas também sua atenção casual para ela. Ele a desejava? Se ele desejasse, ela poderia resistir a ele? Ela teve que resistir. Por tantos motivos, o mais importante sendo seu pai. O que seu tio faria com ele se ela arruinasse seu tratado? Ela não conseguia pensar nisso. Seu pai perderia tudo, incluindo sua esposa, sua casa, todas as suas moedas. Uma coisa era se deixar levar por pensamentos tolos e fantasiosos, mas isso era real. O inimigo da Inglaterra a estava mantendo cativa. A traição de cuidar dele destruiria sua família. E ela nunca poderia esquecer que, por causa de sua desgraça, isso poderia destruir Edmund também.

— Eu nunca o teria perdoado se você me deixasse com nada além dele. — Edmund acenou com o ombro para Malcolm. — E seu preguiçoso primo de língua grande. — Ele se abaixou e segurou Lucan pelos ombros. Eles compartilharam um sorriso. — Estou feliz que você decidiu ficar com a gente.

Ele se afastou e abriu espaço para Grendel descansar sua enorme cabeça na cama e olhar para Lucan.

— Você deveria ter cuidado das minhas costas, Grendel. — Lucan disse a ele. Sua voz estava ficando mais fraca. Ele precisava descansar.

O cachorro ganiu.

— Lucan precisa descansar. — Amélia enxotou todos para a porta. — Vocês podem vê-lo mais tarde.

Ela quase tirou todos eles quando Edmund parou e se virou tão rapidamente que Amélia quase caiu em seus braços.

Ele a pegou e a colocou de pé.

— Eu não sei sobre o passado, — ele disse calmamente, de pé sobre ela e olhando em seus olhos, — mas você trouxe boa sorte aqui, Amélia Bell.

Felizmente, ele não esperou que ela respondesse, já que nada veio à sua mente, exceto agradecê-lo e talvez chorar como uma idiota. Ele a deixou com um sorriso preocupado, o que provocou um sorriso de Lucan tão resplandecente que a fez tropeçar na perna de uma cadeira e se espatifar na mesa com a tigela de água e os trapos molhados.

Instintivamente, Lucan se moveu para pegá-la e também para evitar que a água fria se infiltrasse no colchão. Ele perdeu o equilíbrio e caiu da cama com um gemido alto.

Felizmente, ele pousou em um tapete grosso trançado em vez de um chão duro. Ela precisaria chamar os homens de volta para ajudá-la a colocá-lo na cama, mas pelo menos suas costuras não se abriram.

Talvez, ela pensou com um coração esperançoso, Edmund estivesse certo sobre sua má sorte.

 


Capítulo 14


— Quando devemos atacar?

— Quem estamos atacando? — Edmund perguntou a Darach enquanto se sentava no Grande Salão com Grendel a seus pés.

— Os Buchanans. — Darach o informou e então olhou para Malcolm, que estava sentado ao lado dele, para confirmação.

Nenhuma veio.

— O burgo deles está a apenas algumas léguas de distância! — Ele insistiu. — Nós poderíamos aniquilar todo o clã e estar de volta aqui a tempo de quebrar o jejum.

— Falaremos com William Buchanan.

— Quem diabos é ele?

— O mais novo laird dos Buchanans. — Disse Edmund. — Seu pai, o laird anterior, se afogou no Tay no mês passado. William jura que não sabia nada sobre o ataque a Ravenglade e ele mesmo deseja paz.

Darach riu, mas não havia humor no som.

— Claro que ele faz tais garantias, Edmund! Ele é igual ao resto. Ele não quer paz. Eles quase mataram Luke! Tal ofensa não pode ficar sem resposta.

— Por enquanto deve, Darach. — Edmund disse a ele. — Lutar entre nós é uma tolice quando todos temos um inimigo maior lá fora.

— O duque não tentou matar nosso primo.

— Não, ele só nos proibiria de praticar o que acreditamos. No momento, todos devemos ter um propósito comum e permanecer juntos.

Darach não disse mais nada e Edmund olhou para a entrada e se perguntou por que diabos as mulheres estavam demorando tanto para se vestir para o jantar. Malcolm mostrou a elas um punhado de vestidos pertencentes a sua mãe e então as levou ao solar privado para se vestirem. Isso foi há mais de uma hora. Ele nunca ficou impaciente para ver uma moça e se perguntou se deveria pedir a Amélia que o examinasse para ver se tinha febre.

Ele se lembrou de Malcolm e Darach e afastou seu olhar para longe da entrada.

— O que você acha que aconteceria com Amélia e Sarah se nós quatro entrássemos em guerra com os Buchanans e eles pusessem as mãos nelas?

— Que diabos me importa o que acontecerá com elas? — Darach argumentou.

Malcolm finalmente ergueu os olhos de seu prato, preparado por sua cozinheira favorita.

— Como no inferno você será capaz de cantar sobre dever e honra quando não possui um único fio de qualquer um disso?

— Quem disse alguma coisa sobre cantar, Malcolm? — Darach perguntou a ele com uma subcorrente assassina aprofundando sua voz. — Essas moças nem deveriam estar aqui e não estariam se não fosse por você e Edmund.

Edmund parou de escutar quando avistou as mulheres paradas embaixo do marco da entrada. Sarah os viu, sorriu e foi até a mesa. Amélia permaneceu, as mãos cruzadas na frente dela, seu olhar examinando a mesa, finalmente pousando nele.

Edmund levantou-se de sua cadeira e foi até ela. Cada passo que o trouxe mais perto minou seus bons sentidos. Ele não achava que ela poderia cativá-lo mais do que já havia feito, parecendo uma ninfa da floresta em sua camisola e pés descalços. Mas ele estava errado. Ela escolheu usar um dos vestidos com espartilho ligeiramente desatualizados de Mairi MacGregor. Edmund preferia o decote baixo e os ombros largos ao estilo atual de mantuas9 e anáguas. Este vestido, cortado em delicado tecido coral, acentuava a cintura fina de Amélia. Seus cachos luxuosos foram puxados para cima e dispostos no topo da cabeça como a coroa de uma imperatriz. Ela não usava nenhum adorno no pescoço. Ela não precisava de nada para adicionar às suas linhas elegantes e pele leitosa.

— Olha só que... — Ele fez uma pausa, incapaz de encontrar as palavras certas para prestar a homenagem que ela merecia. Em seus calcanhares, Grendel latiu como se o instigasse a falar. Ele obedeceu. — ...radiante.

— Obrigada. — Ela aceitou o braço que ele ofereceu e pousou a outra mão no topo da cabeça de Grendel. — Cheira maravilhoso aqui.

— É a comida de Henrietta. Ela é francesa.

— Meu Deus, não é de admirar que os Buchanans queiram este lugar. — Ela olhou em volta, inclinando o rosto para ver as paredes altas e o teto esculpido. — Ravenglade é adorável, apesar de não ser cuidada. Posso sentir sua estrutura medieval, mas que se encaixa perfeitamente em nossa era, com seus tapetes e janelas de vidro. Malcolm diz que foi obra de seu pai. É uma pena que seus pais o tenham deixado.

— As concessões permaneceram do lado dos MacGregors desde a primeira proscrição. Além disso, a mãe de Malcolm é uma MacGregor e extremamente dedicada à sua herança e a Skye.

Ela parou seus passos e olhou para ele.

— Talvez você me conte sobre Skye e os outros MacGregors no jardim depois do jantar?

— Claro. — Ele sorriu. — E você vai me contar sobre sua afinidade com os jardins.

— Jardins com estátuas. — Ela corrigiu com uma sobrancelha arqueada apontando para ele.

Eles chegaram à mesa e Edmund ficou satisfeito que Malcolm e Darach se levantaram brevemente de suas cadeiras para recebê-la. Ele piscou para Sarah, que já estava sentada. Ela piscou de volta.

— Oh, Darach. — Amélia olhou para a comida que ele estava levando à boca. — Isso é uma torta?

Ele acenou com a cabeça e para grande choque de Edmund e Malcolm, ele quebrou um pedaço da torta e entregou a ela, então sorriu quando ela o mordeu.

— Bom, sim?

Ela acenou com a cabeça, fechando os olhos com deleite. Então ela voltou um olhar mortificado para Edmund.

— Eu perdi o jantar?

— Não. — Ele disse a ela. — Eles só gostam de comer a sobremesa primeiro.

— A sobremesa de Etta. — Darach o corrigiu.

Amélia assentiu com entusiasmo, depois se recostou na cadeira e olhou ao redor do salão.

— Só falta música.

Ele queria se deleitar com seus traços adoráveis. Poderia olhar para ela a noite toda, mas inferno, ele não era um daqueles corteses floridos. Ou talvez ele fosse. Talvez simplesmente não houvesse nenhuma moça no passado que o obrigasse a abrandar por dentro. Ele não tinha certeza se queria esse tipo de garota perto dele agora. Ele tinha um país para salvar. Um país que vinha antes de tudo. Ele faria bem em se lembrar disso.

Malcolm terminou o que restava em sua caneca e passou o braço ao redor de Sarah.

— Darach toca flauta, e nós temos um instrumento na guarnição.

Darach lançou um olhar assassino para seu primo e abriu a boca para protestar. O apelo de Amélia o parou.

— Eu amo flautas! Oh, toque para nós mais tarde, Darach. Eu imploro.

Pobre moça, Edmund pensou consigo mesmo, ela ainda não sabia que o bastardo era teimoso

— Se você realmente quiser.

A mandíbula de Edmund caiu por um momento com a resposta de Darach, mas ele entendeu. Nenhum deles estava seguro perto dela.

— Ninguém toca flauta tão bem quanto Darach. — Elogiou.

— Muitos tentaram. — Disse Malcolm.

— E falhou. — Edmund concordou.

A ceia continuou quase da mesma maneira, com brincadeiras e risos trocados, e os homens bajulando suas convidadas. Não importava que fossem convidadas sequestradas. Os homens de Camlochlin foram educados melhor para não tratar as mulheres de maneira rude ou impiedosa. Enquanto Amélia e Sarah estivessem com eles, seriam tratadas com bondade.

Quando o jantar acabou, Sarah insistiu em levar um prato com as iguarias de Henrietta para Lucan. Quando ela se foi, Malcolm desculpou-se e deixou o castelo em busca de perseguições mais fáceis, e depois que Edmund removeu Grendel do local, Darach se entregou ao que Edmund sabia ser a paixão secreta de Darach.

Edmund aprendeu a tocar muitos instrumentos quando era menino, mas nunca foi capaz de dominar a flauta. Ele não precisava quando eles tinham Darach para tocar do jeito que fazia. Por mais que quisesse caminhar com Amélia no jardim, ele sabia que ela estava gostando da música pelas lágrimas escorrendo pelo rosto.

— É tão assustador e lindo. — Ela fungou baixinho. — É difícil acreditar que ele pudesse produzir tal som.

Edmund sorriu.

— Sim, ele gosta de tocar as marchas da morte. Isso o ajuda a acreditar que não está traindo seus instintos de guerreiro.

Ela sorriu e bateu palmas quando a música terminou, e Edmund não tinha certeza de fato, duvidava da bondade de seus próprios olhos ao ver uma linha de vermelho ruborizando as bochechas de Darach. Ele olhou em volta, desejando que os outros estivessem ali para ver. Eles nunca acreditariam nele.

Eles compartilharam outra bebida com Darach antes de Edmund se levantar de sua cadeira e se oferecer para acompanhar Amélia para o jardim. Ele queria ficar sozinho com ela. Ele disse a si mesmo que poderia resistir a ela. Ele poderia ficar sozinho com ela, até mesmo beijá-la, sem envolver seu coração. Ele não era o tipo de tolo que sequestrava sua inimiga e depois se apaixonava por ela. Ele se certificaria, ao caminhar com ela para o jardim, de que seu coração estava devidamente protegido e permanecia separado de seus desejos.

O jardim estava silencioso, exceto pelos sons de uma criatura, encontrando seu caminho por uma das muitas rachaduras nas paredes e correndo para o emaranhado de arbustos. A lua cheia minguante lançava seu brilho claro sobre uma velha fonte de pedra, enquanto sombras profundas se agarravam às árvores retorcidas e hera crescida.

— Deve ter sido muito bonito aqui antes. — Amélia disse suavemente, mantendo o braço enlaçado no dele.

Edmund não se lembrava de Ravenglade em seus anos mais grandiosos. Quando seu pai trouxe ele e sua mãe para Camlochlin, os parentes de Malcolm tinham mais ou menos deixado Perth depois de morar lá por três anos e Connor Grant começou a construir sua mansão sob as encostas de Bla Bheinn Skye10 para sua esposa e filhos.

— Costumávamos cavalgar até aqui anos atrás, quando éramos mais jovens, Malcolm, Luke, Adam e eu. Adam o filho mais velho de nosso laird, depois que os Grants o deixaram. Viemos para caçar e ver as moças, e para fingir que éramos senhores de nosso próprio castelo.

Ela sorriu e se aproximou um pouco mais dele.

— Você fala como se já fosse velho.

— Eu me sinto mais velho. — Disse ele pensativamente e cobriu a mão dela com a sua. — Talvez eu seja apenas mais sério.

— Sobre o quê? — Ela perguntou após uma ligeira pausa em sua respiração quando seus dedos se tocaram.

— Meu dever.

— Então você está certo, — ela disse, olhando para ele com o luar em seus olhos. — Só um homem maduro pode abandonar seus desejos egoístas por algo maior do que ele mesmo. Ou já os domina, Sr. MacGregor?

Ela estava certa. Ele tinha que deixar de lado seus desejos egoístas de estar com ela. Ele tinha que manter os olhos em seu dever, sua verdadeira paixão. Mas olhando em seus olhos, se perguntou se ela estava ciente do efeito que tinha sobre ele. Que assassina bem-sucedida ela seria se ele fosse um inimigo inteligente o suficiente para usá-la. Ela o fez duvidar de sua disciplina, lançou suas preocupações aos malditos quatro ventos, e ansiou por carregá-la para seu quarto e beijá-la e tirar suas roupas.

Ele se curvou para ela e pressionou sua boca contra o pulso em suas têmporas.

— Edmund, se isso lhe agrada, moça. E não, não aprendi a dominá-los tão bem quanto esperava.

Ela leu seu significado e afastou a cabeça, corando. Ele olhou para a garganta que ela expôs a seu desejo e foi tentado a correr seus lábios, seus dentes, por sua cremosa extensão.

— Você tem um nariz encantador, moça.

Ela encontrou seu olhar com uma curva de seus lábios que, juntamente com a curva sedutora de seu nariz, quase o deixou louco com mais do que apenas desejo. Ele queria passar mais tempo com ela, desfrutar de sua companhia, deleitar-se com sua beleza.

— Você tem um nariz forte, Edmund. — Seu sorriso se alargou junto com o dele quando ela usou seu nome de batismo. — E uma boca adorável. — Ela suspirou perto de seus lábios quando ele se aproximou para beijá-la. — Mas...

Ela se afastou dele, mas permaneceu presa em sua mão.

— Diga-me como posso confiar em um homem que já me usou para seu próprio ganho? Quer eu entenda ou não seu dever, prefiro não ser manipulada por causa disso.

Ele diminuiu os passos, parando para meditar sobre as palavras dela. Ela tinha um ponto válido. Ele a usou como um peão em uma perigosa partida de xadrez. Ele nunca poderia amá-la sem desistir de tudo em que acreditava.

Sua luta em sempre fazer a coisa certa estava ficando mais difícil por causa dela. Inferno, ele estava começando a duvidar mais do que era a coisa certa. Todos eles poderiam acabar mortos por causa disso. Será que ele se importaria com as leis e tratados se Malcolm e Luke ou Darach estivessem mortos?

Sim, ele se sentia mais velho do que o resto. Ele colocou o peso de um país sobre seus ombros.

— Não houve risos em minha vida durante os primeiros quatro anos. — Ele começou hesitante. Ele nunca falou sobre isso com ninguém. Ele queria dizer a ela para ajudá-la a entender o que o motivava. — Quando cheguei a Camlochlin, absorvi minha infância como solo árido depois de uma seca. Brinquei muito e pratiquei muito, tanto com as contas quanto na biblioteca da minha avó Kate. Fui totalmente aceito no clã, mas sentia que tinha mais a provar porque não nasci MacGregor. Pode ser tolice, mas às vezes acredito que fazer minha parte para salvar a Escócia provará meu amor e meu compromisso. Eu realmente sinto muito por trazer você para isso.

Ela ficou quieta por um momento, ponderando suas palavras.

— Seus parentes parecem que não precisam de uma prova sua. Na verdade, pelo que tenho ouvido deles, eles parecem que prefeririam que você vivesse uma vida feliz, comprometido com uma esposa e filhos, não morrendo cedo. Além disso, — ela levantou a cabeça e olhou para ele — se você está tentando salvar a Escócia para provar algo, então você não está fazendo isso pelos motivos certos.

Quando ele ficou quieto, ela puxou sua mão.

— Você está zangado com minhas palavras?

Ele balançou a cabeça e puxou-a para mais perto.

— Eu estava errado em sequestrar você. Mas não me arrependo. Eu irei mantê-la aqui comigo por mais tempo... para apaziguar meus próprios desejos egoístas.

Ela riu e o som foi refrescante para sua alma cansada.

— É realmente uma boa coisa que você me sequestrou. Por que Sarah teria vindo com ou sem mim. E eu preferiria muito mais estar com ela e cuidá-la.

— Se se lembra, moça, eu pedi que viesse comigo e você concordou. Eu não chamaria isso de sequestro. — Ele sorriu e piscou para ela.

Ela beliscou seu braço com força.

— Eu sou a sobrinha do duque de Queensberry. Você me beijou e depois me sufocou com um pano e me entregou a seu primo para me trazer aqui. Com que precisão isso não é considerado sequestro?

Quando ele considerou todas as suas respostas possíveis, nenhuma parecia digna dela.

— Esqueça tudo. — Ela sorriu alegremente para ele. — Eu vou te perdoar por tudo isso se você prometer não machucar Walter ou meu...

Suas palavras pararam abruptamente quando um braço apareceu fora dos arbustos, seguido por um corpo grande e musculoso, e a segurou.

— Edmund! — Ela gritou, apavorada, estendendo os braços para ele.

Seus pensamentos fugiram, abandonando-o junto com a dúvida e a hesitação. Sua adaga estava fora de seu cinto e foi lançada antes que o bastardo tivesse tempo de reagir e machucá-la. Ela gritou e saltou nos braços de Edmund, enquanto seu agressor desabou no chão, a adaga de Edmund em sua garganta.

— Eu tenho você, moça. — Ele sussurrou, erguendo-a para seu coração acelerado. — Não vou deixar nenhum mal acontecer a você.

Ela sorriu enquanto ele a carregava de volta para o castelo.

— Edmund?

— Sim, moça?

— Agora eu confio em você.

Ele sorriu e a puxou para mais perto dele. Nenhum deles ouviu o farfalhar dos arbustos ou os passos correndo enquanto o companheiro invisível do atacante fugia na escuridão.

Edmund a trouxe para o solar. Ele a sentou no poltrona almofadado e a cobriu com um cobertor quando ela tremeu. Droga, ele pensou enquanto acendia a lareira. Isso não teria acontecido se ele não tivesse colocado Grendel para fora enquanto Darach tocava flauta. Grendel teria fugido, talvez até Skye para ficar longe do som. Se ele estivesse aqui, teria alertado Edmund sobre o homem que esperava nas sombras. Edmund praguejou novamente. Ele não fez nada além de colocá-la em perigo desde que a pegou.

Ele engoliu em seco e se virou para olhar para ela.

Ela ergueu os olhos de sua avaliação silenciosa das chamas ganhando vida.

— Talvez, — ela disse a ele baixinho — você deva ficar longe de mim antes que eu te mate.

Ele piscou e, em seguida, lançou a ela um meio sorriso aborrecido.

— Acredito que foi seu esquecimento de má sorte que me fez lançar a adaga e matar, moça. Estou um pouco insultado por você ter tão pouca fé em minhas habilidades.

Ele decidiu então que seu sorriso irônico era tão bonito quanto o sincero dela.

— Na verdade, não há ninguém entre vocês que não pense que sua espada é a mais mortal.

— Não tão mortal quanto sua língua. — Ele rebateu, vindo se sentar ao lado dela.

Seus olhos se encontraram e eles sorriram um para o outro.

— Não há nada de mortal em mim, exceto a maldição que trago para os outros.

Ele riu suavemente, inclinando-se para a boca dela.

— Eu discordo, Amélia. Você não trouxe nada além de luz para mim.

Ele segurou o contorno delicado de sua mandíbula com a mão. Ele a observou com olhos acalorados e velados quando ela abriu os lábios para recebê-lo. Quando o corpo dela colou contra o dele, ele enrolou o braço em volta da cintura dela e puxou-a para mais perto. Seu gemido suave contra sua boca fez seu corpo estremecer como se um chicote úmido tivesse sido estapeado em suas costas. A encantadora inocência de sua língua vibrando dentro de sua boca fez cada centímetro do membro dele ficar duro como aço. Ele tinha esquecido como era bom beijá-la.

Ele tinha estado com algumas outras mulheres, brincadeiras divertidas no feno do celeiro de sua tia antes de ficar mais sério sobre seu amor e sua luta pela Escócia. Mas ninguém o havia tentado a lhes oferecer algo mais do que prazer. Nenhuma delas o encantou com seus sorrisos cativantes e seu desafio contido, embora o pior que ela fazia era tornar-se amiga de uma criada e adormecer descalça em um jardim.

Ele se afastou lentamente, relutantemente, sabendo que se continuasse a beijá-la, isso só o deixaria mais desesperado para levá-la para a cama mais próxima e acabar com a reivindicação de qualquer outro homem sobre ela. Mais desesperado para mantê-la. E não importava o que ele sentisse por ela, ele nunca poderia fazer isso sem trair sua terra natal.

 


Capítulo 15


Lucan MacGregor deitou-se na cama e vasculhou a mente, tentando se lembrar do que fizera para trazer esse infortúnio sobre ele. Estaria doente, indefeso como um bebê... Ele detestava tanto pensar nisso que não conseguia terminar o pensamento. Quanto tempo levaria para ele se levantar e lutar por ela de maneira adequada?

— Quão mal isso te dói? — Sarah ergueu os olhos do exame de seu ferimento e cutucou os pontos suavemente.

Lucan havia sido fatiado algumas vezes, tanto no campo de prática com seus tios e primos, quanto no campo de batalha, defendendo seu nome e seu país. Mas nenhuma ferida tinha sido tão séria quanto esta, nenhuma tão profunda que infeccionasse. Ele sabia que era pela dor incandescente que percorria suas terminações nervosas. Sua respiração vacilou e, ao fazê-lo, uma mecha ruiva se soltou de sua trança lateral e ficou pendurada sobre seu olho.

Ele sorriu para ela. Pelo menos, ele achava que sim. Sua cabeça ainda estava um tanto turva e para ser honesto, ele não tinha certeza se estava acordado ou sonhando. Ela parecia um sonho trabalhando tão diligentemente sobre ele. Ela chamou sua atenção desde a primeira noite em Edimburgo, quando ficou tão perto de seu querido amigo. Ele tentou compartilhar palavras com ela naquela noite na celebração, mas Malcolm o venceu. Mais tarde, quando seu primo a trouxe junto, Luke quis bater nele até deixá-lo sem sentido. Sentir-se atraído por ela e depois cavalgar para longe dela para sempre era uma coisa. Tê-la por perto dia após dia para distraí-lo e deixá-lo louco toda vez que sorria para Malcolm era outra coisa.

— Não é tão ruim?

Ele não percebeu que começou a respirar, ou que estava sorrindo como um imbecil agora.

— Está quente.

Ele a observou enquanto ela voltava sua atenção para sua carne. A extensão de seus ombros o fazia se sentir um gigante ao lado dela. Ela seria fácil de carregá-la... até Skye se ela pedisse a ele para levá-la.

Ela salvou sua vida. E o fez sonhar com ela e atenuou sua dor. Como ele deveria cortejá-la apropriadamente quando mal conseguia se sentar sozinho?

Já era ruim o suficiente que ele não pudesse salvá-la de um bastardo Buchanan esperando nas sombras, do jeito que Edmund salvou Amélia na noite anterior. Mas o que tornava tudo ainda mais indigno era que, apoiado em um travesseiro de seda, ele não podia protegê-la de Malcolm.

— Eu acho que está infectado. — Ela olhou para cima e colocou o cabelo atrás da orelha. — Eu terei que chamar Amélia. Ela sabe mais sobre ervas do que eu.

Ele a parou quando ela se virou para ir embora, fechando os dedos ao redor de seu pulso. Mas quando ela se virou para descobrir por que a impediu, ele não sabia o que diabos dizer.

— Obrigado por passar tanto tempo aqui.

Seus olhos se arregalaram de surpresa. Ela riu, como se ele estivesse louco por fazer uma declaração tão ridícula.

— Como você sabe quanto tempo passo aqui? Você esteve dormindo durante a maior parte dessas horas.

— Mas eu sei quando você está aqui.

Sua risada desapareceu e ela finalmente encontrou seu olhar de frente.

— Sim?

Ele assentiu. Maldição, este era o momento perfeito para se aproximar dela. Mas ele não conseguia.

— Você têm um cheiro de turfa e orvalho da manhã. Isso me faz pensar em casa. E em você. Já sonhei com você duas vezes. — Ele desviou o olhar, não querendo envergonhá-la quando torceu a boca, lembrando-se das imagens que surgiram em seus pensamentos. — Estou grato, — Ele continuou, capturando seu olhar novamente, — por sua atenção.

Ela não corou como as outras, mas empalideceu até que seus olhos brilharam em uma dúzia de tons diferentes de verde.

— Isso não é algo que você precise me agradecer, Lucan. É meu dever.

— Por quê? Você não é uma serva aqui.

— Não importa. — Sua coluna endureceu e ela libertou o pulso com um puxão suave. — Eu faço isso porque deveria, e por nenhuma outra razão.

— Entendo. — Ele assentiu. — Tamanha dedicação ao seu dever é ainda mais louvável.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas a porta se abriu e Malcolm, matador de corações, uma peste à pureza, entrou, todo sorrisos e abandono despreocupado.

— Bom dia, Luke, é um prazer vê-lo de pé e... — Ele estreitou os olhos e repensou sua próxima descrição. — Você não parece muito bem na verdade.

Lucan deu-lhe um sorriso afiado, ou ele franziu a testa. Ele não tinha certeza. A câmara também não parecia tão clara, e inferno, mas quando ficou tão quente aqui?

— Seus insultos não têm efeito sobre mim, Cal. Algum dia você entenderá que é o que está dentro de um homem que o torna um homem de verdade, não sua aparência.

— E algum dia, Luke, meu irmão cortês, você entenderá que é o que um homem esconde sob seu plaid e sua habilidade em usá-lo que o torna um homem. Agora não me irrite. Tive de resistir à companhia de onze Drummonds esta manhã, quando eles vieram buscar os mortos para os Buchanans. Já avisei a Will Buchanan que, se formos atacados novamente, a única paz que seu povo conhecerá é o que está esculpido na lápide de seu laird. — Ele se aproximou da cama e tocou a bochecha de Lucan com os nós dos dedos. — Quando se vai para o inferno, será queimando.

Ele se virou para Sarah.

— Onde está Amélia?

— Malcolm, não grite com ela. — Advertiu Lucan. Maldito seja por não ser capaz de fazer mais do que isso.

— Ela estava no jardim esta manhã. — A voz calmante de Sarah flertou sobre seus ouvidos.

— Eu a chamarei. — Malcolm disse. — Você fica aqui com ele.

Bendito primo por sugerir que ela ficasse, pensou Lucan, adormecendo. Ele teria que agradecê-lo mais tarde.

— Sarah.

— Sim?

— Se eu tivesse bem da perna, beijaria você, moça. Eu faria você querer-me e nenhuma outra pessoa. — Ele fechou os olhos, feliz por estar sonhando com ela novamente.


Ela sorriu e enrolou os braços em volta do seu pescoço enquanto ele flutuava em direção ao teto.

— Prove. — Ela brincou, separando os lábios.

Ele o fez, fechando os braços ao redor dela, pressionando-a mais perto de seu corpo quente. O dela estava ainda mais quente. Suas línguas se tornaram chamas que acenderam as paixões, mas desencadearam por ambos e os consumiram no fogo.

Fogo abrasador.


E então ele parou de sonhar e se viu, sozinho na escuridão ardente, sem sanidade.

Amélia estendeu o pano frio sobre a testa de Lucan em um esforço para diminuir sua febre. Ela tinha feito tudo o que podia com as ervas em mãos e com o que sabia, mas era como se um fogo se alastrasse dentro dele. Elas reabriram a ferida e Sarah a refez. Malcolm pensou em cavalgar até Skye e buscar a mãe de Lucan, Isobel. De acordo com Darach, ela sabia como curar qualquer doença. Mas os homens duvidavam que pudessem chegar até ela e trazê-la a tempo de fazer a diferença.

— Assim que ele estiver bem. — Sarah disse, mais confiante, ou talvez... mais esperançosa do que qualquer outra pessoa no quarto. — Eu vou pedir a Malcolm para trazer uma das moças da aldeia para cuidar dele.

Amélia ergueu os olhos.

— Por quê?

Sarah o olhou, o tamanho dele deitado na cama, e sua respiração parecia ter sido presa.

— Ele me deixa inquieta. — Ela falou tão baixo que Amélia quase não a ouviu.

Mas Amélia escutou, e ela não podia acreditar no que estava ouvindo.

— Como ele te deixa inquieta? Ele está indefeso como um cachorrinho. — Ela olhou para o local diante da lareira onde Grendel normalmente ficava. Ele ainda não havia retornado para Ravenglade e Amélia estava começando a se preocupar com ele.

— Och, mas ele não é tão indefeso. — Sarah sussurrou, olhando para ele e parecendo mais indefesa do que Amélia jamais ouvira em seu som.

— O que ele fez? — Amélia foi até ela e a pegou pelas mãos. — Edmund me disse que Lucan nunca faria nada desonroso. Ele foi criado em contos de cavalheirismo e...

— Ele é tão bom comigo! — Sarah deixou escapar.

— O que há de errado com isso? — Amélia franziu a testa para ela, totalmente confusa com esse lado nervoso e irracional de sua melhor amiga. — Aqui está um homem que finalmente mostra algum respeito e isso te deixa inquieta? Sério, Sarah, eu não entendo.

— Nem eu. — Sarah se afastou das mãos de Amélia. — Mas ele me deixa inquieta do mesmo jeito. Eu preferiria não ficar mais com ele.

Amélia não percebeu por que, mas teve vontade de chorar com o anúncio de Sarah. Ela quase estendeu a mão para impedi-la quando Sarah se virou para a porta, ansiosa para escapar.

— Sarah querida, podemos falar mais sobre isso mais tarde?

Sua amiga sorriu antes de sair, e uma centelha das chamas que sempre brilhava em seus olhos voltou por um instante.

— Claro.

Amélia olhou para a porta depois que ela se fechou, imaginando que tipo de amiga ela era para que houvesse acontecendo algo com Sarah Frazier que ela não sabia até este momento.

Ela se voltou para a cama e para o rosto bonito, imóvel como uma máscara.

— Bem, senhor cavaleiro. — Ela foi até ele e sorriu. — Parece que sua influência sobre uma senhora em perigo não precisa da atenção de seu corpo quando suas palavras são tão poderosas. — Ela colocou a mão sobre a mão quente dele e deu um tapinha. — E por sua bondade para com a minha Sarah, vou me certificar de que você viva. Eu prometo.

— E eu testemunho seu voto, Luke. — Edmund piscou para ela quando ela girou nos calcanhares ao som de uma voz atrás dela.

Oh, ela sabia o que era cair em transe por palavras, uma piscadela, um sorriso. Perder o controle sobre seus próprios pensamentos e desejos era uma coisa assustadora, especialmente quando ela havia prometido salvar a vida de alguém. Ela não podia deixar Edmund distraí-la, e só havia uma maneira de impedir. Se ele pretendia passar tanto tempo com ela como antes, Amélia teria que garantir que esse tempo fosse gasto se mantendo ocupado.

— Você vai me ajudar a fazer isso? Ajudar-me a salvá-lo?

— Me diga o que fazer.

— Seu corpo requer cuidados constantes. Devemos manter sua febre baixa e alimentando-o com chás medicinais especiais e mantendo-o fresco com panos e banhos. Devemos ter certeza absoluta de que nenhuma parte da infecção retornará. Para fazer isso, precisaremos manter a ferida limpa e seca. Ele vai precisar da aplicação de pomadas e, se acordar com terrores à noite, deve ficar calmo e quieto.

— Vamos começar então. — A confiança em seu tom e a firmeza de sua mandíbula a fizeram sorrir.

Duas horas depois, eles pediram a ajuda de Darach e Malcolm para ficar com Lucan por um curto período, enquanto eles descansavam pela primeira vez após seu trabalho. Eles deixaram o quarto e caminharam pelos corredores, admirando as obras de arte ao longo das paredes. Eles pararam sob pinturas de alguns dos Stuarts e Grants da história de sua família. Havia um retrato do Almirante Connor Stuart, sua postura reta e imóvel.

Alguns retratos menores, mas não muito, alinhados em um corredor particular que levava ao quarto principal. Amélia viu a semelhança no Almirante Stuart e sua irmã, a espada infame empunhada por Claire. Ela era gloriosamente bonita, com cabelos claros como o trigo e estatura de uma rainha.

— Eu acho que a pobre Sarah está perdendo seu coração para Lucan e ela não sabe o que fazer sobre isso. — Ela compartilhou com Edmund enquanto ele apontava os pais de Malcolm na parede. Que coisa, mas eles eram bonitos. Malcolm era uma mistura dos dois, com o cabelo escuro de sua mãe e as covinhas profundas de seu pai. — É por isso que ela passa tantas horas com ele.

— Tenho quase certeza de que Lucan está sofrendo da mesma forma, senhora. — Confidenciou ele, acompanhando-a de volta ao quarto. — Eu gostaria que não fosse assim.

— Por quê? — Ela perguntou, parando para olhar para ele. — É por causa da posição dela? — Ela não podia imaginar que isso importasse para Edmund, mas importava para Lucan?

— Não, é por causa de Malcolm.

— Eu não acho que ela se importe com Malcolm. — Amélia disse a ele. — Sarah é... — Ela fez uma pausa, tentando pensar na maneira mais gentil de dizer isso. — Ela não está... preocupada com o amor. Ela gosta da companhia de homens, mas...

Edmund sorriu.

— Eu sei o que você está tentando dizer. Não acho que Luke se importe com o passado dela.

— Mas eu acho que Sarah sabe.

Eles chegaram ao quarto e Edmund abriu a porta.

— O que devemos fazer?

— Nada. — Ele disse acima de sua orelha quando ela entrou.

— Eu falo depois que ele se recuperar, é claro.

— Mesmo assim, nada.

Ela formou uma palavra com os lábios e então decidiu não pronunciá-la.

— Você está correto, — ela admitiu depois que seus ajudantes deixaram o quarto. — Estaremos deixando sua companhia em breve. Não adianta ninguém se apegar.

Ela pensou ter ouvido Edmund xingar, ou talvez rir, atrás dela.

— Acho que é tarde demais para não formar ligações. — Ele moveu-se atrás dela e correu seu cabelo por cima do ombro, expondo a sua nuca. — Grendel gosta de você. — Ele a beijou uma vez, duas vezes.

Ela se afastou.

— Acho que a besta me ama. — Ela riu dele por cima do ombro. Mas sua risada desapareceu muito rapidamente. E a besta que a sequestrou? Ele estava se apegando a ela? Ele certamente a beijou como se estivesse. E ela não se importava com seus beijos. Mas ela era uma tola em pensar que poderia haver algo entre eles. Se seu tio não o matasse, ele provavelmente mataria seu tio. Ela tinha que fazer algo para parar tudo. Mesmo que ela fizesse e todos vivessem, Edmund cavalgaria de volta para suas amadas Highlands e ela... ela voltaria para uma vida que não queria. Ela não queria se casar com Walter. Ela não queria deixar Sarah para trás. Não importava como ela olhasse para isso, seu futuro parecia sombrio. Esta pode ser sua última oportunidade de experimentar a paixão. Por que ela deveria negar isso a si mesma? Mesmo assim, ficou assustada ao pensar no que era capaz de sentir por Edmund MacGregor.

Quando ele veio atrás dela, ela pegou a tigela de água de ervas de Lucan e a empurrou contra o peito de Edmund, espirrando água nele.

— Precisamos de água potável.

Seu sorriso lento a advertiu de que uma simples tigela de bronze entre eles não o deteria.

— Obrigada, Edmund. — Ela olhou para ele, seu sorriso leve, mas obviamente ainda possuindo poder suficiente para dobrá-lo à sua vontade e capricho.

— Sim, senhora, — ele cedeu com uma risada. — Qualquer coisa para meu primo.

E para ela? Ele desistiria de sua luta pela Escócia por ela? Ela tinha o direito de pedir a ele?

 


Capítulo 16


Ennis Buchanan, quinto primo afastado do notório James Buchanan, que certa vez presidiu a corte de Ravenglade e quase sozinho encerrou o reinado de Stuart, continuou caminhando em direção a Edimburgo. Não importava que ele não tivesse um cavalo para levá-lo ao seu destino mais rapidamente; logo ele teria mais ouro do que todos os membros de seu clã juntos.

Ele riu de sua boa sorte. Imagine, a sobrinha do duque de Queensberry em Ravenglade, sequestrada por um MacGregor. Fora da lei bastardos. Se ele tivesse uma pistola, teria atirado no canalha que atirou sua adaga no pobre George no jardim de Ravenglade. Ele e George tinham ido para Ravenglade naquela noite para finalmente matar Malcolm Grant, herdeiro do castelo que os Buchanans desejavam por tanto tempo. Seu clã havia perdido muitos homens após o retorno de Grant alguns dias atrás e Ennis e George buscaram a restituição. Não foi difícil entrar nas muralhas fortificadas de Ravenglade. Sem o conhecimento dos Grants, os parentes de Ennis haviam cavado túneis sob o fosso raso, atrás do castelo, há muito tempo.

Seus pés doem. Ele já estava andando há quase dois dias. Ele poderia ter chegado à cidade mais cedo, mas parou para dormir e depois para comer, e então para se divertir na cama de uma viúva que concordou em dar-lhe água quando ele passasse por sua aldeia. Ele se perguntou quanto o duque pagaria pela volta de sua sobrinha. Ele também se perguntou o que o duque pensaria de sua sobrinha beijando um MacGregor. Cabeças iam rolar, as cabeças de MacGregor, e com sorte a de Malcolm Grant.

Ele estaria em Edimburgo esta noite. Amanhã, ele seria um homem rico e presidiria o castelo de Ravenglade. Ele começou a cantar enquanto caminhava e olhou para as nuvens da tarde. Sua sorte não poderia ser melhor do que isso.

Ele ouviu um som que fez seus passos pararem. Um rosnado baixo e profundo. Ele parou de cantar e olhou em volta. Ele não viu ninguém e acelerou o passo. Estranho como os cabelos de sua nuca estavam arrepiados. Foi como se ele tivesse acabado de caminhar sobre seu próprio túmulo. Ele se moveu um pouco mais rápido, cantarolando para manter sua mente longe da sensação anormal de estar sendo seguido. As folhas farfalharam à sua direita, quase assustando-o até a morte.

— Quem está aí?

O rosnado baixo novamente. Era terrível ouvir, como a de um cão infernal que vem cobrar a punição por seus pecados.

Ennis pegou um pedaço de pau do chão e o ergueu.

— Saia! — Ele gritou na direção da linha das árvores. — Antes de me...

Sua escassa ameaça foi varrida pela brisa quando algo saiu das sombras e veio para o sol. Ennis teve vontade de gritar. Que tipo de besta era? Pelos tão negros quanto as reflexões do diabo cobriram a enorme besta. Ennis relembrou histórias de lobos que mataram homens. Ele não conseguia se lembrar como eram chamados. O terror se apoderou dele.

— O que você quer? — Ele gritou, segurando a vara como se fosse atacar.

A criatura se acomodou sobre suas musculosas ancas e se aproximou.

— Me deixe em paz!

Ennis girou no ar e então se virou para correr para salvar sua vida. Ele gritou quando as presas afundaram na parte de trás de sua panturrilha. Ele caiu. A besta recuou e esperou que ele se levantasse e corresse novamente. Pela primeira vez na vida, Ennis Buchanan começou a chorar.

Amélia abriu os olhos e se encolheu ao endireitar o pescoço. Dormir em uma cadeira por três noites estava começando a cobrar seu preço.

— Amélia, acho que a febre baixou.

Seus olhos sonolentos se arregalaram para Edmund de pé ao lado da cama de Lucan. Ele não a deixou. Nem por um momento. Ela saltou de sua cadeira, colocada ao lado de sua, onde Edmund havia dormido quando seus turnos terminaram. Quando ela alcançou a cama, Edmund sorriu e ela compartilhou sua satisfação por eles terem feito aquilo. Eles tinham feito isso juntos.

Ela se atreveria a compartilhar seu alívio tão cedo? Ela olhou para a cama e então se aproximou dela. As colchas de Lucan estavam encharcadas. Sua cor havia voltado, sua respiração desacelerou. Primeiro ela levou as pontas dos dedos ao rosto dele, depois as costas da mão.

— Ele está sem febre. — Seu sorriso se alargou quando ela se virou e apontou para Edmund. — Ele vai ficar bem.

Bastou a inclinação de seu sorriso para fazê-la pular em seus braços. Ele a abraçou, seu rosto pressionado em seu pescoço, em silêncio com ela, agradecendo a Deus, desfrutando de seu alívio. Ela pensou que estar com ele em condições tão difíceis a distrairia de tudo que ela achava tão atraente nele. Mas ela estava errada. Sempre que ela olhava para cima e o encontrava cuidando de seu primo, dedicando seu tempo e paciência ao bem-estar de Lucan, ela ficava ainda mais atraído por ele, se isso fosse possível.

— Em breve contaremos aos outros. — Ele se retirou com as pálpebras pesadas e a evidência de cansaço engrossando sua voz. — Vamos apenas passar alguns momentos a sós sem uma dúzia de tarefas em nossas mentes agora que acabou, certo?

Amélia assentiu e caminhou com ele até a janela. O amanhecer estava prestes a cair sobre Ravenglade. Ela percebeu naquele momento que Edmund fora a primeira coisa que ela via toda vez que abria os olhos todas as manhãs, desde o dia em que se conheceram.

Ela esperou enquanto ele se sentava na borda da janela da alcova e pegava suas mãos para puxá-la para mais perto antes que ela falasse.

— Estou me acostumando bastante a acordar perto de você, Edmund.

Ele arqueou uma sobrancelha para ela e correu seu sorriso sensual sobre seu rosto.

— Como eu estou com seus lindos olhos sonolentos quando você os abre.

Ela riu com ele, sem saber o que eles achavam engraçado e sem se importar. Seu olhar se estreitou e ela pensou que ele poderia dizer algo. Ele fez uma pausa, então deixou seus olhos mergulharem em sua boca.

— Você move seus lábios quando sonha.

— Eu movo?

— Sim. — Ele a aproximou mais entre os joelhos. — Sim. Como se você estivesse prestes a formar uma palavra ou apagar uma vela. É muito desarmante. O novo dia acena da janela, tentando-me olhar em direção ao Norte e a paisagem irregular de minha casa. Mas prefiro olhar para você.

Oh, ele era tão inteligente para tecer belas palavras ao redor dela como uma teia? Se ele queria capturá-la, tinha feito isso toda vez que ela o via cuidando de Lucan. Ela não pensou em Walter ou no fato de que Edmund a sequestrou, ou qualquer coisa. Esses pensamentos eram obstáculos para a felicidade. E ela queria ser feliz. Mesmo que fosse temporário. Ela decidiu que desta vez o momento era dela e que iria aproveitá-lo totalmente e com abandono.

— Eu não me lembro dos meus sonhos. — Ela disse a ele suavemente, corajosamente avançando em direção a sua boca. — Mas provavelmente estava sonhando com você. Talvez beijando você. — Ela franziu os lábios do jeito que ele disse que ela fazia quando dormia.

Ele riu suavemente contra a comissura de sua boca, então a tomou com mais posse. Nada que Sarah já disse a ela poderia se comparar com o beijo de Edmund, ou a chama sensual de sua língua. Ele a acariciou, reclamou-a com tanto cuidado que ela ficou fraca contra ele. O calor de seus lábios, a ternura em suas mãos enquanto a saboreava, tocava seu rosto, seus ombros, seus seios, a fazia doer e ficar molhada e escorregadia entre as coxas. Ela sabia, graças às instruções de Sarah, que seu corpo estava se preparando para recebê-lo. O pensamento disso a apavorou e a fez queimar até as cinzas. Ela não era uma desavergonhada, mas tinha que lutar contra o desejo louco de arrancar seu plaid, colocá-lo diante dela e absorver cada centímetro dele antes de escalar todos aqueles músculos e implorar para que ele se metesse dentro ela.

Felizmente, alguém bateu na porta.

Amélia se separou e estava endireitando seu vestido e rezando para que seu corpo parasse de formigar quando Malcolm entrou no quarto.

— Edmund...

Malcolm parou, deu uma olhada melhor nela, então lançou um sorriso conhecedor que a fez ficar vermelha.

— Darach se foi. — Ele continuou. — Ele foi até Skye para buscar Isobel e suas ervas.

— O quê? — Amélia perguntou, atordoada e um pouco magoada com a notícia. Ele não tinha fé neles. — Ele foi? Como você sabe?

— Ele acordou Sarah antes de partir e pediu que ela nos contasse depois que partisse. Ele não queria ser parado. Nem 'que eu' o impedisse. Não se ofenda, moça. — Malcolm falou, mas o olhar em seus olhos lhe disse que não se importava se ela entendesse ou não, ele diria o que tinha a dizer. — Mas Isobel MacGregor pode simplesmente trazer os mortos de volta à vida. Não queremos arriscar, mesmo a menor oportunidade e perder Luke.

Ele estava certo, é claro. Esses homens se amavam. Eles não parariam por nada para manter o resto seguro, como deveria ser.

— Eu só me preocupo que Darach esteja sozinho. — Ela disse a ele em uma voz mais suave.

— Não esteja. Ficar sozinho não é um problema para o rapaz. Agora. — Ele passou por ela e o cheiro do sabonete de Sarah correu pelas narinas de Amélia. — Como ele está?

— Ele vai conseguir. — Disse Edmund, parando ao lado dele. — A febre dele cedeu mais cedo.

— Och, inferno, isso é uma boa notícia. — Malcolm se sentou na beira da cama e deixou seus ombros tensos relaxarem. Ele ficou em silêncio por um tempo, apenas olhando para Lucan, então ele olhou para Amélia. — Você tem minha gratidão, moça. Vou contar isso ao resto de nossa família.

— Eu não poderia ter feito isso sem a ajuda de Edmund.

— Sim. — Malcolm pôs-se de pé e segurou Edmund pelos ombros. — Edmund, você é um bom homem. Muito bom para passar seu tempo perto de gente como eu.

— Och, inferno. — Edmund lançou-lhe um olhar detestável e o empurrou. — Pare de agir como uma moça.

Malcolm ajeitou seu plaid e lançou a seu primo um sorriso malicioso.

— Venha para o campo e vou mostrar a você que moça eu sou. Não praticamos há semanas. Você está ficando mole.

— Dê-me algumas horas para dormir e estarei lá. — Prometeu Edmund. — Você precisa ser lembrado quem é o melhor lutador entre nós.

— Eu não esqueci disso. E Luke também não, mas estará fora do campo por mais uma semana, pelo menos.

— Mais do que isso. — Amélia disse a eles. — E nenhum de vocês o tente ou o tire da cama mais cedo ou sofrerá minha ira.

Ela sabia que os olhos de Edmund estavam nela. Ela podia senti-los, animados, ternos, cativantes... divertidos. Deus a ajudasse, mas amar um Highlander proscrito provavelmente faria sua mãe morrer prematuramente. Sem mencionar o que isso faria a seu pai.

Um cachorro latiu do lado de fora da janela e, de repente, Edmund e Amélia correram para a borda.

— Grendel! — Edmund gritou, exultante com o retorno seguro do amigo. — Traga seu traseiro aqui! — E irritado porque a besta o preocupou.

— É só um cachorro. — Murmurou Malcolm enquanto Edmund passava por ele em direção à porta.

Amélia pulou no lugar e sufocou o que provavelmente teria soado como um grito quando Edmund puxou seu braço para trás e deu um soco nas entranhas de Malcolm, dobrando-o.

— Quantas vezes eu tenho que te dizer? Ele é mais do que um cachorro para mim.

 


Capítulo 17


Os dois dias seguintes foram sem dúvida os mais maravilhosos da vida de Amélia. Ela não temeu ou lutou contra sua atração por Edmund. Ela sabia no fundo que nunca poderia se casar com ele, não enquanto Edmund lutasse contra tudo o que sua família apoiava. Infelizmente, havia muitos obstáculos. Ela não mentiria para si mesma, fingindo um final feliz com ele. Ela iria aproveitar cada momento com ele antes de se separarem quando chegasse a hora.

Ela pensou que cuidar dele seria fácil. Mas ela nunca teve sentimentos genuínos por qualquer homem antes, nem Sarah, sua professora. Ela não poderia saber no que estava se metendo.

Amélia não se importou. Haveria tempo suficiente com sua mãe mais tarde. Millicent Bell não entendia a paixão porque tudo com o que ela se importava era poder e riquezas. Nisso, ela era muito parecida com seu irmão. Ela amava suas estátuas caras, seus criados, suas joias, mais do que jamais se importou com seu marido. Amélia se arrastava pelas reclamações da mãe sobre ela, da mesma forma que fazia sempre que era pega passando seu tempo de lazer com Sarah. Ela fez o que quis.

Chame-me de rebelde. Ela também não importava para isso.

Valeu a pena arriscar qualquer coisa pela alegria que sentiu ao passar um tempo com Edmund. O melhor e mais surpreendente de tudo, porém, era que sua temporada de infortúnios parecia ter finalmente terminado. Na verdade, as coisas estavam começando a acontecer pela primeira vez em sua vida. A dedicação dela e de Edmund a Lucan salvou vidas. O gigante Highlander estava ficando mais forte a cada dia, determinado a se levantar da cama o mais rápido possível. Ela não derramou água quente em si mesma, em seu paciente, em seu ajudante ou no cachorro. Milagre. O trabalho que ela começou no jardim com Sarah estava indo muito bem e sem uma única picada em nenhum de seus corpos. Ela não tinha posto fogo em si mesma ou em qualquer outra pessoa, e por duas vezes ela evitou tropeçar no vestido e cair escada abaixo.

Quem poderia imaginar que precisava ser sequestrada para que as coisas começassem a melhorar? Ela desejou que Alice, sua ama, estivesse aqui para que ela pudesse se alegrar com ela. Ela podia ouvir a voz de Alice agora, eu disse a você que seu período iria acabar, querida. Och, ela sentia falta de Alice.

— Você percebe com que frequência sorri?

Ela ergueu os olhos ao tentar arrancar as raízes mortas de um arbusto de groselha e semicerrou os olhos para Edmund. Que coisa, mas ele parecia especialmente lindo todo dourado e envolvido na luz do sol.

— Franzir a testa cria linhas mais profundas no rosto.

Ele riu e se abaixou para segurar o arbusto.

— Você não me parece uma mulher vaidosa.

— Você deveria ter me examinado mais de perto antes de me trazer. — Ela provocou, feliz por estar aqui, trabalhando sob o sol com Sarah, observando-o puxar a raiz. Ele era incrivelmente gracioso com músculos flexíveis e fortes ondulando sob sua camisa. — Eu tenho pelo menos cem vestidos. — Ela lutou para dominar a medida irregular de sua respiração. Sarah perceberia imediatamente qualquer mudança rápida. A paixão era difícil de esconder. — Não é correto, Sarah?

— Sim. — Sua amiga concordou do outro lado de um emaranhado de galhos que ela estava podando. — Mas você me deu mais de cinquenta deles, então não tem mais cem.

— Bem, então. — Amélia disse, passando para a próxima raiz morta. — Conte a Edmund sobre minhas terríveis birras quando não consigo fazer o que quero. Ele parece estar convencido de que sou um querubim alegre enviado para alegrar seus dias. — Ela ergueu os olhos e lançou-lhe um sorriso fugaz que não resistiu a lhe dar.

Sarah pensou sobre isso, cortando um galho.

— Não sei se enrijecer a coluna, pisar no pé e desafiar ousadamente a mãe e o tio podem ser considerados acessos de raiva terríveis, mas sobre iluminar o dia, ele seria o primeiro a pensar assim.

— Verdade. — Amélia parou o que estava fazendo e pousou as mãos no colo. — Talvez eu deva aceitar sua avaliação, já que ele é o único que pensa assim.

— Eu tenho muitos mais se você quiser ouvi-los.

Ela se virou para ele e o encontrou agachado ao lado dela e sorrindo.

— Muitas mais avaliações? — Quando ele acenou com a cabeça, ela sorriu. — Sim, eu gostaria de ouvi-los.

— Tudo certo. — Ele mudou de posição e pensou sobre isso. — Você é a combinação perfeita de inocência e malícia. Ainda não concluí se você realmente não tem consciência do efeito de seus encantos ou se apenas usa tudo para sua vantagem.

— Com que propósito eu o usaria? — Ela perguntou a ele, com os olhos arregalados de surpresa por ele realmente acreditar em tal coisa. — Para persuadir um homem de que valho as catástrofes que cairão sobre ele assim que decidir me cortejar?

— Nenhuma catástrofe se abateu sobre mim. — Ressaltou.

Ela encolheu os ombros e voltou ao trabalho.

— Você não está me cortejando.

— Och, pelo amor de Deus! — Sarah jogou sua faca de poda no chão e lançou a ambos o mesmo olhar incrédulo. — Amélia, ele não só está cortejando você, mas a beija mais do que algumas pessoas casadas fazem! E não me olhe com esse olhar atordoado. Todos aqui, incluindo Henrietta e Chester, o administrador, sabem sobre vocês dois. Por que eles...

— O que você quer dizer? — Amélia levou as mãos ao peito, borrifando terra nos seios. — O que todos sabem sobre nós?

— Que vocês dois gostam um do outro! — Sarah balançou a cabeça com impaciência. — Honestamente, Amélia, estou começando a entender a confusão de Edmund sobre sua inocência.

A boca de Amélia se abriu. Não podia ser Sarah falando. Sarah a conhecia melhor do que ninguém.

— Pelo menos, — ela respondeu, irritada por um instante com as palavras de sua melhor amiga, — Eu não estou fugindo, me escondendo de medo, do único homem que me trata com bondade. Você está tão acostumada a ser tratada como uma serva sem importância, mesmo na cama, que não sabe o que fazer ou como agir com um homem que está interessado em você, por mais que seja...

— Amélia!

— Estou incorreta, Sarah? — Amélia continuou, feliz agora por finalmente tirar isso de seu peito. — Edmund e eu ficamos com Lucan dia após dia até que ele se recuperou enquanto você não estava em lugar nenhum. Você nem perguntava sobre ele! E agora que ele está acordado, você já o visitou alguma vez? Não! Tudo o que você faz é caminhar por aqui parecendo miserável. Eu lhe disse que Lucan pergunta por você e você não parece se importar. E porque não? Porque ele te assusta. Você está com tanto medo de sentir qualquer coisa que prefere fugir e ser infeliz.

— Já terminou? — Sarah exigiu. Ela não esperou que Amélia respondesse. — É claro que eu me importava se ele vivia ou morria. Ele é um bom homem. Honestamente, Amélia, fere meu coração que você pense uma coisa tão cruel sobre mim.

Amélia fechou os olhos. Ela tinha ido longe demais. Ela se sentiu péssima.

— Sarah, eu...

Mas sua amiga a cortou com a palma da mão estendida.

— Por favor, ouça o que tenho a dizer como eu escutei você. Sim, ele me assusta e não me importo se Edmund sabe disso. — Ela a olhou, mas seu olhar sobre ela permaneceu suave. — Mas eu não tenho medo do que sinto, Amélia. Eu te amo, não amo? Nós somos irmãs. Fizemos quase tudo juntas e compartilhamos todas as nossas esperanças, nossos sonhos, nossos medos, mas, minha querida, você não é uma serva. Estou bastante confortável com minha vida. Faço o que quero e respondo apenas a sua família. Não sou tola o suficiente para acreditar que homens como Lucan MacGregor querem algo comigo fora de sua cama. Esses sonhos são para crianças, Amélia. Eles não são para mim. Eu preferia nunca amar um homem do que dar a ele meu coração e tê-lo feito em pedaços.

Amélia enxugou as lágrimas dos olhos, arrependida de ter tocado em um assunto tão delicado.

— Lucan não faria em pedaços seu coração, Sarah.

— Como você sabe disso, Amélia? Você não sabe do que ele é capaz de fazer. E se ele segurar meu coração e eu... — Ela não terminou, mas se virou para deixar o jardim.

— Sarah, — Edmund gritou atrás dela, parando seus passos. — Eu sei do que ele é capaz de fazer. Se ele conquistar seu coração, ele o tratará com cuidado e compaixão.

Ela não se virou para absorver o que ele disse. Ela retomou os passos após um momento e saiu do jardim.

Amélia se sentiu péssima. Ela enxugou as mãos e se levantou. Edmund a impediu de seguir sua amiga.

— Deixe-a descobrir o que é melhor para ela.

— E se ela não souber? Não sei o que é melhor para mim. Como posso confiar que Sarah sabe o que é melhor para ela?

Ele a puxou para seus braços e beijou seus olhos marejados.

— Ela vai descobrir, moça. E você também.

Ela se afastou dele.

— Eu não sei se eu vou, Edmund. Não sei o que fazer com Walter.

Seus olhos ficaram um pouco mais escuros, mas ele desviou o olhar e Amélia não tinha certeza do por que.

— Você o ama, Amélia?

— Não. — Ela admitiu suavemente. — Mas isso nunca teve nada a ver com isso. Por causa da insistência de minha mãe para que vivêssemos em Queensberry House, meu pobre pai teve de morder a língua enquanto ficava cada vez mais endividado com meu tio. Ele fez o melhor que pôde para encontrar bons maridos para mim e minhas irmãs. Homens que acrescentariam respeito ao nome do meu pai. Isso é tão terrível?

— Bem, — Edmund disse a ela, lembrando-a de seu último encontro com o marido de Eleanor, Bedford. — Quando esses homens exigem esposas zelosas que nunca expressam suas próprias opiniões, então eu diria que não é o ideal. É isso que você quer para você?

— Não, — ela o assegurou, torcendo as saias. Ele não entendia e ela não sabia como ajudá-lo. — Mas você não vê? Meu pai tinha muito pouco antes de se casar com minha mãe, e tudo o que temos agora, é pela graça de meu tio.

— Então você vai se casar com o chanceler porque isso vai beneficiar seu pai.

Ele parecia irritado. Mas por que ele deveria estar? Certamente ele não achava que eles poderiam ficar juntos. Eles vieram de mundos diferentes. Ele estava em dívida com a Escócia e seus parentes, dando-lhe motivos para odiar a família dela e sua fidelidade à Inglaterra. Ela estava em dívida com seu pai, dedicado a facilitar sua vida. Casar-se com o chanceler substituiria a vergonha que ela causou ao nome do pai por status. Casar com um MacGregor faria o oposto. Claro, cada dia que passava com Edmund a fazia perceber mais e mais o quão infeliz ela seria com Walter. Oh, mas o dia tinha começado tão bem. Quando tudo deu tão errado?

— Edmund, não há futuro para nós. Certamente você sabe disso. Existem muitos obstáculos no caminho, como dever, família, e...

— Sim, eu sei. — Ele respondeu calmamente, interrompendo suas palavras.

Ele sabia. Ele não negou então. Oh, o que ela esperava que ele fizesse? Negar? Mesmo se ele quisesse lutar por ela, ela não poderia destruir seu pai. Ela simplesmente não podia.

— E não esqueçamos minha desgraça, — ela continuou, mais para se convencer do que ele. — Walter era o único homem disposto a ignorar isso.

Ele deu a seu comentário a carranca que merecia. Então seu olhar baixou, assim como sua voz.

— Então você pensou em tudo. O que resta para nós?

O que sobrou? Tudo! Por que ela estava dizendo todas as coisas erradas hoje? Por que as duas pessoas com quem ela se importava eram proibidas? Quando ele se moveu para se virar e deixá-la como Sarah o fizera, ela o interrompeu, segurando seu braço. Proibição nunca a havia impedido antes. Ela não permitiria agora.

Ele se virou e ela viu o seu olhar desesperado.

Ele se importava com ela?

Ela levou a mão ao rosto dele e observou suas pálpebras se fecharem quando ela o tocou.

— Há algo entre nós, Edmund. Isso me atrai a você, mesmo quando cada pensamento em minha cabeça está gritando para manter distância pelo bem de nossos corações. É uma tentação implorar a Deus que, se isso for um sonho e eu ainda estiver dormindo aos pés de David no jardim do meu tio, nunca me deixe acordar. Não quero contemplar minha vida. Eu quero viver isso.

Ela passou o polegar sobre sua boca atraente e avançou mais perto dele.

— E todos os prazeres disso. Com você. Não conheço nenhum deles e quero aprender com você.

Ele a puxou e cobriu sua boca com um beijo quente e faminto. Ela respondeu, levantando-se na ponta dos pés e mergulhando os dedos nas suas mechas, puxando-o para baixo para responder à sua paixão. Ela se sentiu envolta em chamas. Seus mamilos queimavam, assim como o ponto crucial entre suas pernas. Seus pulmões também, então ela não perdeu o fôlego para falar, exceto para dizer:

— Leve-me para dentro.

 


Capítulo 18


Eles invadiram o castelo como uma rajada de ar tórrido. Grendel os seguiu em direção às escadas, onde quase derrubaram Malcolm em sua corrida para subir.

— Luke estava perguntando por vocês dois. — Ele gritou no caminho para baixo.

— Obrigado, Malcolm, é para onde estamos indo. — Amélia gritou de volta.

Malcolm fez uma pausa e se virou para olhá-los, seu sorriso se espalhando por seu rosto bonito.

— Você não vai a lugar nenhum perto de seu quarto, moça.

— Continue em seu caminho, Cal. Nos vemos mais tarde.

— Espero que muito mais tarde. — Murmurou Malcolm, fazendo o que Edmund lhe pediu para fazer. — Grendel! — Ele gritou por cima do ombro quando ouviu a porta do quarto de Edmund fechar e o vira-lata ganindo do lado de fora. — Venha para o Salão Principal comigo e eu compartilharei minha refeição com você.

Ele sorriu enquanto Grendel descia as escadas atrás dele.

Edmund olhou para a mulher sentada em sua cama esperando por ele. O que era isso que o atormentava com o desejo de sorrir como um tolo toda vez que a olhava? É isso que acontece com um homem quando uma moça começa a quebrar seu coração? Ele perdoou todas as ofensas; escolheu nem mesmo pensar nelas, mas sim na visão indelével de sua mulher em sua cama? Ele presumiu que fosse pelas odes que o pai de Darach, Finn, cantou para sua esposa.

— Meu coração está acelerado. — Disse ela, levando a mão ao peito e olhando para ele por trás de longas e grossas mechas de cabelos. Inocência e sedução. Sua pele era clara, seus olhos arregalados e brilhantes à luz das velas.

— Podemos voltar para o jardim. — ele administrou, movendo-se em direção a ela. Ele esperava que ela dissesse não. Ele não queria sair do quarto... por um mês. Quando ela balançou a cabeça e estremeceu com uma respiração ansiosa, ele se perguntou novamente se ela estava ciente de seu poder de seduzir homens apenas por se sentar em uma cama.

— Talvez possamos sentar e conversar um pouco?

O coração de um homem cedia a cada pedido?

— Claro. — Ele concedeu, juntando-se a ela na beira da cama. — Deixe-me começar fazendo uma pergunta a você.

— Tudo certo. — Ela enlaçou o braço no dele e colocou uma perna sob a outra. — O que é?

— Por que não houve mil pretendentes para você na porta de Queensberry?

— Havia muitos, no início. Mas quanto mais incidentes eu provoquei, menos visitantes apareceram.

— Mas seu cartão de dança estava cheio na noite em que nos conhecemos.

Ela sorriu, então balançou a cabeça.

— Não, não estava. Na verdade, estava vazio.

— Ah. — Ele riu. — Um estratagema bem jogado se sua intenção era me fazer querer mantê-la só para mim.

— Não, não era isso. — Ela se virou para esconder a mancha escarlate que se espalhava por suas maçãs do rosto. — Fiquei mortificada com o meu cartão vazio. Você era a última pessoa com quem eu queria dançar.

Ele pegou a mão dela e a beijou delicadamente.

— Como um homem pode não estar disposto a lutar contra qualquer inimigo, mesmo com infortúnio, por você?

— Havia apenas um homem, Edmund, era Walter.

Ele duvidava que Walter se importasse se ela tivesse três olhos. O casamento com ela o unia ao duque de Queensberry, que era, no momento, um dos homens mais poderosos da Escócia.

Edmund pensou na primeira vez em que o pai dela contara sobre a desgraça dela, e depois de novo pelos próprios lábios dela. Ele não deu muita importância a isso, não acreditando em tal baboseira. Mas quantas vezes nos últimos dias ele a salvou de uma catástrofe sem que ela soubesse? Ontem, quando eles estavam na biblioteca, um grande volume de Hamlet de alguma forma caiu de sua prateleira e definiu um curso direto para sua cabeça. Ele conseguiu estender a mão e agarrá-lo antes que a atingisse. Duas vezes enquanto passeavam pelos jardins de Ravenglade, ele a desviou suavemente para fora do caminho de um ninho de vespas. Quando ela quase caiu da escada duas vezes, ele pediu a Henrietta que costurasse as bainhas do vestido um pouco mais curtas para evitar que tropeçasse nelas, sem que ela soubesse, é claro.

E esses eram apenas os momentos em que ela poderia ter se machucado. Ainda estava tentando esquecer de como, por pouco, ele evitou se sentar nas picaretas de jardim que ela colocou diretamente sob ele há pouco tempo.

— E agora, — ele disse a ela suavemente, — aqui estou eu.

Ela fechou os olhos quando ele segurou seu queixo com uma das mãos e cobriu sua boca com a dele. Ele amava beijá-la, sem pressa, provocando-a, mordiscando-a, saboreando-a, tomando seu fôlego.

— Eu acho que você já conquistou a desgraça da minha vida. — Ela gemeu, prendendo a respiração.

— É o que eu faço.

Ela riu em seu pescoço, então recuou para fazer brilhar seu sorriso nele com força total.

— Edmund, o matador de gigantes. Você não vai parar por nada e me matar também?

— Não vou parar por nada para protegê-la.

Seus olhos procuraram os dele, procurando por algo que ele esperava que ela encontrasse.

— E o que eu fiz para ganhar esse campeão? — Ela sussurrou com os lábios entreabertos.

— Não foi nada que tenha feito, Amélia, e nunca poderá ser desfeito por você. — Ele se curvou para beijá-la novamente. Desta vez, ela caiu de costas na cama, levando-o junto com os punhos de sua camisa nas mãos.

Senti-la embaixo dele o deixou duro como aço. Ele a queria, palpitava por ela e ficou tentado a rasgar as duas frágeis camadas de lã entre eles, abrir bem suas pernas e afundar-se profundamente. O pensamento disso quase o trouxe ao clímax.

Mas ela não foi experimentada e nem tocada. E embora cada terminação nervosa em seu corpo queimasse por ela, doesse por ser ele o primeiro, mas não queria que ela se arrependesse de nada. Ela queria viver sua vida e todos os prazeres dela, e ela viveria. Ele a ajudaria, mas esse prazer teria que esperar até que soubesse que ela realmente queria que fosse com ele e não apenas alguma lembrança para aquecê-la enquanto estivesse deitada na cama com seu futuro marido.

— Temo que, se eu te tomar, não vou deixar ninguém mais fazer isso. — Era uma declaração da verdade que o machucou ao sair de seus lábios. Ele beijou seu queixo, a coluna de seu pescoço, para redirecionar seus pensamentos.

— E eu temo, — ela sussurrou em seu cabelo quando ele inclinou a cabeça em sua garganta, — que se você me tomar — ela abriu mais as coxas e quase ronronou em seu ouvido enquanto se movia, um movimento sutil que pressionou seu ponto crucial para seu eixo rígido e acendeu sua paixão em algo que ele não tinha mais certeza de que poderia controlar, — eu nunca estarei satisfeita com outra pessoa.

Sim, ele queria isso. Ele queria que ela recusasse a mão do chanceler, incapaz de se casar com ele por causa das lembranças que a atormentavam. Lembranças de Edmund dentro dela, em cima dela, atrás dela, embaixo dele. Ele queria deixá-la selvagem, fazê-la gritar e inundá-la de desejo. Ele sorriu enquanto pressionava seu pênis contra ela e ela ondulava seus quadris. Ela o queria.

— Quer conhecer o prazer, mulher?

Ela assentiu e riu nervosamente quando ele começou a desabotoar a frente de seu vestido. Ela prendeu a respiração quando ele deu um beijo nos montes leitosos de seus seios. Outro botão solto, mais dela exposta, sua língua quente passando como fogo sobre ela até que seus seios se derramaram em suas mãos. Ele gemeu como a besta que ela liberou e mergulhou sua boca faminta em seu doce mamilo cor de coral. Ele alternava entre chupá-la, passar a língua sobre o pequeno botão rijo e, em seguida, roçar os dentes sobre ele. Ela se contorceu de prazer quando ele amassou seu outro bico com o dedo. Quando ela gemeu, ele arrancou o resto dos botões e beijou a barriga lisa que expôs.

Ele queria dar-lhe prazer, mas não estava certo de que poderia fazer isso sem desejá-la mais do que antes. Ele tinha que permanecer forte. Ela havia decidido prosseguir com sua proposta de casamento com o chanceler. A última coisa que ele queria era se perder completamente para ela... ou trazer um bastardo ao mundo. Ele não iria mandá-la embora carregando seu filho. Ele se certificava de não deixar nenhum bebê para trás depois de se deitar com uma mulher. Não havia muitas mulheres, mas ele tomava precauções. Seu verdadeiro pai não se importou com seu filho bastardo ou a moça com quem se deitou e isso quase custou a vida de Edmund e sua mãe.

Com esse pensamento o guiando, ele controlou sua respiração e seu desejo enquanto avançava lentamente para baixo em seu corpo, expondo-a mais, beijando-a em todos os lugares, amando os sons que tirava dela. Ele puxou a saia dela sobre a barriga e se aqueceu por um momento com a visão de suas coxas com liga e suaves meias brancas cobrindo suas pernas do joelho para baixo. Ela parecia uma deusa sedutora e inebriante deitada ali, esperando que ele continuasse a despi-la. Ele o fez, sem pressa, apreciando cada centímetro dela.

Ele beijou os ralos, finos e suaves pelos ao longo de sua coxa. Ela estremeceu, mas ele foi mais longe, consciente de sua respiração curta e superficial, de cada estremecimento de sua carne. O cheiro dela tão perto o deixava selvagem, mas ele demorou para libertá-la de cada liga amarrada, rolando sua meia e arrancando-a de seus pés.

Ela riu quando ele beijou o topo de seu pé, seu tornozelo. O deslizar de seus dedos na parte de trás de sua panturrilha nua a fez arquear as costas e gritar seu nome.

Ela era tão adorável, tão perfeita. Ele se ergueu sobre as pernas traseiras, seu pênis esticando a lã de seu plaid e fazendo seus olhos grandes ainda mais arregalados. Ele abriu as pernas dela. Ela as fechou novamente.

— Moça. — Ele sorriu para ela. — Fique à vontade.

Ela acenou com a cabeça e com a cutucada suave de seus dedos, ela abriu mais as pernas.

Quando ele se curvou para ela e pressionou a boca em seu centro quente e úmido, ela gritou, depois deu uma risadinha e se contorceu. Ele riu, olhando para ela, mas logo suas intenções ficaram mais sombrias e desta vez quando ele se moveu para provar sua pérola brilhante, segurou suas nádegas e puxou-a, impedindo-a de se mover.

Ele bebeu de seu suco até se fartar, mantendo-a firme, mergulhando sua língua dentro dela. Seus gemidos ficaram mais altos, mais altos, até que ele pensou que Lucan certamente os ouviria. Ele não se importava. Ele queria levá-la ao auge da paixão.

— Edmund, eu não posso... Não pare. Não pare. — Ela ofegou, gemeu e estremeceu profundamente.

Ele lambeu seu cerne ingurgitado e sugou, seu próprio sangue correndo por ele como o mar na fúria de uma tempestade. Ele a observou se perder, agarrando punhados de sua colcha, esfregando seus quadris em seu rosto repetidamente até que ela desabou, exausta.

Ele se sentou na cama e passou a mão pela boca. Inferno, ela era irresistível deitada ali, sem fôlego, lustrosa de suor. Ela o olhou e ele sorriu, satisfeito com o que havia feito com ela. Seus olhos caíram para sua ereção projetando-se em direção ao teto sob seu plaid.

Ela estendeu a mão para ele, os olhos arregalados de apreensão. Ele se perguntou se ela já tinha visto um homem nu antes.

— Está tudo bem, Amélia, — ele disse suavemente, saindo de seu alcance. — Desta vez foi para você.

Ela acenou com a cabeça, sorriu para ele e fechou os olhos.

— Nunca pensei que algo pudesse ser tão bom.

Ele se moveu ao longo da cama para se deitar ao lado dela e tomá-la nos braços.

— Há coisas que parecem ainda melhores.

Ela encostou a cabeça no peito dele e o envolveu com o braço.

— Sarah sempre me disse isso, mas, sinceramente, não consigo imaginar nada melhor do que isso. Meu corpo ainda está formigando.

Ele se abaixou e puxou seu plaid. Ele queria mostrar a ela, mas podia esperar.

— Obrigada, Edmund. — Ela deu um beijo em seu peito, então se aconchegou mais perto dele, seus seios nus tornando extremamente difícil livrar-se de sua ereção.

Ele queria dar prazer a ela. Ele tinha dado. Por que então a gratidão dela parecia a mesma de quando ele abria a porta para uma mulher? E por que diabos isso era tão ruim?

 


Capítulo 19


Sarah estendeu a mão para a porta de Lucan pela quarta vez no espaço de dez respirações. Cada vez ela recuou, sem saber o que dizer quando entrasse. Ela tinha ficado longe dali por dias. Que desculpa ela poderia lhe dar? Ela certamente não podia dizer-lhe a verdade, que Amélia estava certa sobre ela. Ela era uma covarde. Ela sempre viveu sua vida com abandono descuidado, nunca dando seu coração a um homem, mas compartilhando com muitos. Porque ela estava com medo. Ela era jovem, bonita e livre dos grilhões da nobreza. Ela poderia fazer o que quisesse. E fez. Ela nunca se importou com o que alguém em Queensberry pensava dela, exceto Amélia.

Os homens que participavam da cama dela nunca se importaram com o que acontecesse com ela depois. Ela gostava assim. Sem apegos. Sem expectativas. Sem dor de cabeça.

Malcolm Grant era o homem perfeito para se entregar a uma aventura. Mas ela não o quis. E o motivo estava deitado em uma cama atrás daquela maldita porta.

Seu coração batia forte em seus ouvidos enquanto ela tentava pegá-lo novamente e desta vez o som de Amélia gritando interrompeu o movimento de Sarah. Ela se virou, boquiaberta, e olhou para a porta do quarto de Edmund do outro lado do corredor. Então ela sorriu.

— Bem, bom para você, Amélia querida. Adoraria ver o rosto de sua mãe se ouvisse isso.

Ela não estava zangada com a amiga por causa das palavras que haviam compartilhado no jardim. Sarah estava errada em ficar longe da cabeceira de Lucan. O pobre homem quase morreu. Ela pretendia compensar sua insensibilidade, não se desculpando por ter feito isso... se ela pudesse apenas abrir a porta!

Criando coragem pela uma última vez, ela empurrou a porta, então parou do lado de fora quando esta se abriu.

— Grendel? — Uma voz rouca e masculina gritou. Droga, mas aquela voz atormentava seus sonhos.

Ela entrou no quarto.

— Eu pareço uma besta peluda e crescida demais para você? — Ela tentou não olhar diretamente para ele, mas seus olhos tinham vontade própria. E que bom, mas ele parecia inesquecível!

A assustava que, apesar de todo o charme e beleza marcante de Malcolm Grant, era o rosto de Lucan em que ela pensava o dia todo. Seu sorriso não seduzia com covinhas, mas com sinceridade e com o tipo de graça que só a verdadeira beleza possuía. Não doía, porém, que sua cor tinha voltado e seu cabelo escuro e limpo estava solto sobre os ombros. Juntamente com o brilho de seus olhos dourados, ele parecia mais um lobo deitado do que um homem.

— Sarah. — Ele se apoiou em seu travesseiro e sorriu para ela como se nada que ela pudesse fazer pudesse ofendê-lo. — É bom ver você.

Ele não era como qualquer outro homem. Ele havia tocado o coração dela e não havia sinal de que saísse dali.

Foi um erro vir aqui. Ela acenou com a cabeça, então se virou e olhou para a porta. Era tarde demais para sair correndo? Não! Ela admitiria ter medo de sentir qualquer coisa por ele, mas não fugiria!

— Como você está se sentindo? — Ela perguntou, entrando no quarto e mantendo um controle firme sobre o que estava com muito medo de dar a alguém. — Você está bem... bem... melhor. — Ela queria morder a língua e depois se atirar para fora, pela janela por soar como uma idiota.

— Espero sair da cama em alguns dias.

Ela tinha apenas a si mesma para culpar por todo o tempo que sentiu falta de vê-lo. Ela o olhava agora, tentando preenchê-la com sua visão o mais rápido possível. Ele usava uma camisa ou camisola, possivelmente ela não poderia dizer com metade dele sob as cobertas, mas sua manta não fazia nada para prejudicar a largura de seus ombros. Ela se lembrava de ter cuidado de seu ferimento, removendo seu plaid e tendo a visão de aço de seu corpo esculpido e pensando como ele era incrivelmente bonito. Mas ela já esteve com homens bonitos antes. Lucan MacGregor era muito mais do que boa aparência. Ela não sabia muito sobre Lucan já que ele dormiu por quase metade do tempo em que estivera cuidando-o. Mas ele não tinha sido nada além de gentil com ela, e seus primos o amavam muito. Ele disse-lhe que sonhava com ela. Ela também sonhava com ele. Ela sabia como ele parecia em meio ao êxtase, graças aos sonhos que a atormentavam. Ele tinha uma covinha profunda no queixo que ela sonhava em lamber enquanto ele se afundava dentro dela, esticando-a até seus limites, fazendo-a gritar de dor e prazer. Ela balançou a cabeça para clareá-la.

— Você traz o sol com você, senhora.

— Eu não sou nenhuma senhora, senhor.

Ele sorriu.

— Eu não sou um homem cortês e bem criado. Confesso aqui e agora que algumas vezes, quando você pensou que eu estava dormindo, na verdade estava ouvindo você cantar enquanto cuidava de mim. Eu ouvi você falando consigo mesma e comigo enquanto eu flutuava deste mundo para o outro.

Ele a ouviu? O que ela disse? Sua raiva por ele a ter enganado diminuiu no momento seguinte, quando ele falou.

— Você capturou minha atenção na primeira vez que a vi, e então meu coração enquanto você me trazia de volta à vida.

Que Deus a ajude, quem ensinou este aqui a juntar as palavras e despojar em uma garota derrubando suas defesas?

Ela não sabia o que fazer sem elas.

— Você me envergonha.

— Perdoe-me.

Ela pensou naquele momento que ela poderia perdoá-lo qualquer coisa.

— Eu devo ir. — Ela ofereceu-lhe um sorriso constrangedor, com medo de que se ficasse nunca se livraria dos pensamentos dele nu e suando sobre ela... ou ainda mais perigoso, pensamentos dele cortejando-a com flores, palavras bonitas e beijos ternos como aquelas senhoras nobres sussurravam nos bailes. — Estou muito feliz em vê-lo tão bem, Lucan.

Ela se virou.

— Diga-me, — disse ele, parando-a. Ela voltou seu olhar para ele para encontrá-lo sentado mais ereto na cama e cruzando os braços sobre o peito. — Sinto como se não estivesse totalmente acordado desde que chegamos. O que você acha de Ravenglade?

— É boa... — Ela deu uma olhada rápida no quarto. — Um pouco empoeirada.

— Sim. — Ele concordou. — Você gostaria de Campbell Keep. É mais vivido. Gostaria de mostrar a você. — Ele olhou para si mesmo e depois para ela com um sorriso torto que ela achou irresistível. — Assim que eu estiver de pé e pronto.

Ela optou por ignorar o quão libertino ele era e dar atenção às saias em vez dele.

— Você se autodenominou Campbell em Queensberry.

— Minha avó é uma Campbell, assim como meu tio. A fortaleza era dele.

— E o castelo é agora seu?

— Sim, será quando eu tomar uma esposa.

Ela assentiu, mas não disse nada. Esse era um assunto que ela não queria continuar. Ela decidiu que era melhor mudar agora.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Claro.

Ela se virou para ele e até se aproximou da cama. Em todos os seus dias, ela nunca achou tão difícil falar com um homem. Ela cerrou os dentes e seguiu em frente, recusando-se a ser silenciada ou estúpida por ninguém.

— Por que você está sendo tão bom comigo mais uma vez? Eu praticamente deixei você morrer! Ora, se não fosse Amélia e Edmund cuidando de você dia após dia, provavelmente não estaria aqui agora. Eu não te trouxe de volta à vida, eles fizeram. Eu nem te visitei e aqui está você me tratando como se eu não fiz nada de errado. Por quê? O que eu fiz por você para merecer tal consideração?

Por um momento, ele simplesmente ficou lá sentado olhando para ela como se não a conhecesse ou o que dizer. Então ele pigarreou.

— Admito que sua ausência me incomodou. Houve até dias em que fiquei zangado com você, mas era porque me sentia magoado. Mas decidi que quando a visse de novo, não perderia tempo me apegando a esses sentimentos. Estou perplexo com o que fiz para mantê-la longe, no entanto. Temo que talvez a tenha insultado em meu delírio.

Ela ponderou sobre algumas desculpas para explicar por que tinha ficado longe, mas todas pareciam tão banais e inventadas. Droga, ela não podia mentir para ele, e isso era apenas outra coisa que era perigosa. Ela nunca teve problemas em mentir para outros homens.

— Não, claro que você não me insultou. Delirante ou não, duvido que saiba ser descortês. Eu só... Bem, eu não posso... Sim... Oh, pelo amor de Deus, eu gosto de você.

O quarto ficou silencioso, exceto pelas batidas do coração de Sarah soando em seus ouvidos como um tambor retumbante. Por um momento, ela não conseguiu engolir. Sua cabeça estava um pouco pesada e ela temeu desmaiar. Ela acabou de admitir que gostava dele? Ela estava louca? Ela riu, rezando para que ele risse também, e eles pudessem rir de uma declaração tão ridícula.

— O que eu quis dizer foi... Acho que você é muito... Bem, sua consideração me faz... — Ela finalmente desistiu e bateu com as mãos nas coxas. — Sua gentileza me incomoda. Eu sei que você provavelmente é bom com todos, mas...

— Entendo.

Não! Não era isso que ela quis dizer.

— Você prefere um homem como Malcolm, que a usará para sua satisfação e então a rejeitará friamente.

— Não foi isso que eu quis dizer.

A peculiaridade irônica de sua boca era dolorosa e irritante.

— Você pode ter achado um tanto problemático falar, mas seu significado ficou claro.

— Não, não ficou. — Ela deixou a janela e marchou em direção a ele. — Um homem como Malcolm nunca vai ganhar meu coração. Mas você me deixa inquieta e não sou uma tola para tentar o destino e perder.

Sarah percebeu pelo brilho de aço em seu sorriso que ele não entendia o que ela queria dizer. Ela estava feliz.

— Então, eu a deixo desconfortável e inquieta. Algo mais?

— Sim, com raiva! — Ela girou nos calcanhares para sair do quarto. E ela não estava correndo. Ela estava indo embora!

— Você também me deixa com raiva. — Confessou ele, fazendo-a parar. — Raiva de que uma mulher bonita como você se contente com um homem que não se incomoda em olhar para ela para ver mais profundamente do que o formato de seus seios e a curva de seus quadris. Embora não haja nada de errado com eles.

— Então você olha. — Sarah disse, virando-se lentamente, arqueando a sobrancelha para ele.

— Eu posso não ser um patife inconstante. — Uma ponta de sua boca se ergueu. — Mas eu sou um homem.

Ela o avaliou e lembrou-se de seu corpo enquanto o costurava. Ele era um homem certo. Ela daria isso a ele.

— Você não é um patife. Você é mais como um cavaleiro de antigamente. Eu nunca conheci um.

— Obrigado. — Ele iluminou o quarto com seu sorriso e sua força total, deixando-a um pouco fraca nos joelhos. — Recebi o nome de um.

— Um cavaleiro?

— Sim, Sir Lucan do Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda. Sir Lucan era o mordomo de Arthur.

— Ele era um servo? — Sarah perguntou, deliciosamente surpresa. Quando Lucan assentiu, Sarah fez o possível para manter o coração sob controle. Ela gostava de tudo sobre este homem e isso a assustava profundamente.

— E se eu não quiser que um homem olhe mais profundamente? — Ela perguntou baixinho.

— Então você não conheceu o homem certo.

Ela riu.

— E como vou reconhecê-lo nos meus sonhos?

Ele estendeu os braços para os lados, involuntariamente convidando-a a cair neles.

— Ele vai fazer você sorrir tanto fora da cama quanto em cima dela. Ele vai saber o que te faz feliz e então fará tudo ao seu alcance para dar isso a você. Encontrará seu interesse nas coisas que são importantes para você e sua proteção contra as coisas que a desanima. Ele verá seus defeitos e os amará apesar deles.

Deus a ajudasse, ela poderia amar este homem. Cada terminação nervosa em seu corpo ficou em chamas com o aviso. Corra e vá para o inferno com o que todos proclamam! Mas ela deu um passo em direção à cama e contornou-a.

— Não acredito nesse tipo de amor, senhor MacGregor.

— Sorte sua, ele vai te convencer de que está errada.

Por alguma razão maluca, Sarah teve vontade de rir e sorrir como uma louca. Ele era arrogante? Ela não tinha pensado assim. O que mais ele estava escondendo dela? Ela queria descobrir, mas não agora. Agora, seu coração estava batendo muito forte, e suas pernas não pareciam que poderiam mantê-la de pé mais um momento. Agora ela precisava de um pouco de ar fresco.

— Eu terei certeza de manter meus olhos abertos para este homem. — Ela prometeu e se virou para sair.

— Ele estará bem aqui.

O sangue de Sarah correu por suas veias quando ela fechou a porta atrás de si e se encostou nela, antes de começar a andar pelo corredor.

Ela sabia que a coisa certa a fazer seria ficar longe dele. Nada de bom poderia vir disso. Ele era sobrinho do Laird do Clã MacGregor de Skye. Isso provavelmente o transformava em algo superior. Ela era uma serva. Se queria proteger seu coração, ela deveria ficar longe.

A porta em frente a ela se abriu e Edmund colocou a cabeça para fora. Quando ele a viu, sorriu e pulou para fora do quarto, fechando a porta atrás de si.

— Você sabe onde minha tia guardava seus vestidos?

Ela apontou para a direita, então o observou ir. Ela olhou para a porta, debatendo por apenas um momento antes de bater e mergulhar para dentro.

Amélia se sentava escorada na cama, agarrando o vestido rasgado de Mairi Grant junto ao peito. Quando ela viu Sarah, sua mortificação diminuiu.

— Eu falarei com você quando terminar. — Sarah disse a ela.

Amélia sorriu, ela parecia estar borbulhando.

— Eu falarei com você também.

Sarah foi para a cama e beijou a bochecha de Amélia como fazia quase todas as noites desde que eram crianças.

— Eu serei aquela que precisa de conselhos sobre os assuntos do coração desta vez, irmã.

— Oh, Sarah. — Amélia ofereceu seu sorriso mais terno. — O que eu sei sobre o amor?

Sarah sorriu e encolheu os ombros ao sair do quarto.

— Então talvez possamos ensinar uma a outra. — Ela parou na porta e se virou para olhar para sua amiga mais querida mais uma vez. — Deus sabe que é um sentimento que falta em nossas vidas. Talvez seja hora de mudar.

 


Capítulo 20


Darach não tinha ido longe quando sua viagem para Skye foi abruptamente encerrada com o aparecimento de dez cavaleiros bloqueando a estrada.

Buchanans.

Ele poderia matar todos eles, bastardos desleixados e inadequados que eram. Mas isso o atrasaria e ele precisava voltar para casa e buscar Isobel.

— Temos um acordo de paz com seu laird. — Gritou ele. — Deixe-me passar antes que eu mate cada um de vocês.

Alguém riu de sua afirmação, provocando um sorriso tenso na boca de Darach.

— Alguns de nós não querem paz. Queremos sangue e queremos o que nos pertence. Ravenglade!

— Bem, rapazes, quero três mulheres na cama todas as noites e gostaria de ajudar a livrar a Escócia de Buchanans de uma vez por todas, mas nem todos nós conseguimos o que queremos.

Ele arrastou sua claymore para fora da bainha e se preparou para a luta. Nenhuma veio. Algum covarde hediondo o derrubou e caiu do cavalo antes que ele tivesse tempo de atacar.

Horas, ou talvez dias depois, Darach abriu um fio de cílios nas pálpebras inchadas para ver onde estava. A dor lancinante em seu rosto e lado o ajudou a lembrar.

Deitado no chão, prostrado, ele se moveu, ou tentou, e gemeu quando a dor de seus ferimentos o dominou.

Devia haver mais de dez.

Suas costelas estavam quebradas, era difícil dizer quantas. Seu nariz também, pois ele mal conseguia respirar através dele. Seus olhos estavam quase inchados e fechados, mas ele conseguiu discernir que estava em algum tipo de celeiro. A única fonte de luz vinha através de rachaduras nas portas e paredes. Não era muito e Darach estava grato. Mesmo com o nariz quebrado, o fedor do celeiro ameaçou dominá-lo.


Para o inferno com a paz. Isso significava guerra e Darach pretendia vê-la acontecer mesmo que ele mesmo tivesse que trazê-la. Ele tentou se mover novamente, apenas um centímetro de cada vez, em direção às portas de madeira e ao ar fresco. A dor atravessou cada centímetro de seu corpo e ele lutou com cada grama de força que possuía para não desmaiar.

As portas se abriram e o sol derramou dentro, momentaneamente cegando Darach. Ele estava certo sobre o celeiro, infelizmente. Moscas zumbiam por toda parte, procurando as dezenas de montículos de esterco deixados para apodrecer no escuro. Ou era a carcaça de tudo o que morreu aqui, para que diabos eles estavam guardando?

Alguém entrou. Darach tentou se sentar e percebeu que seus tornozelos estavam presos a baia. Em vez disso, ele alcançou o cabo de algum tipo de ferramenta no feno mofado e fechou os dedos ao redor dela.

— Ah, o filho do poeta. — Disse uma voz masculina da entrada.

Verdadeiramente? Darach pensou com desgosto. Depois de todas as lutas que ganhou e de todos os Buchanans que deixou sangrando na estrada, seu atributo distintivo era ser filho de um poeta? Isso era algo que ele teria que remediar em breve.

— Você está com sede? — A voz perguntou.

— De seu sangue, sim.

Riso. Divertimento, zombaria.

— Vou te dizer uma coisa, Grant. Se algum dia você ficar sobre seus pés novamente nesta vida, vou jogar minha espada para baixo e deixá-lo dar o golpe.

Darach fez o possível para se concentrar no homem, mas tudo o que conseguiu distinguir foi uma juba de cabelos louros e estatura mediana. Ele tossiu e pensou ter sentido gosto de sangue.

— Você tem um acordo. — Darach prometeu. — Só não jogue sua espada agora. Não quero que digam matei um homem desarmado. Não importa o quão baixo e tímido ele possa ser.

O homem jogou a cabeça para trás e uivou de alegria.

— Gosto da sua confiança, apesar de ser uma tolice. O que vai acabar o matando, no entanto, não é sua bravata, mas o que você se preocupa que os outros pensem de você. — Ele se aproximou de Darach e se agachou acima de sua cabeça. — Talvez o fato de eu ser um tímido de nascença. — Disse ele suavemente enquanto puxava a arma da mão de Darach. — Seja a razão pela qual não me importo em esmagar seu crânio enquanto você não pode nem mesmo lutar.

— Ou talvez você nunca queira me ver lutar. — Darach forçou seus olhos a se abrirem o máximo que pôde. Se fosse sua hora de morrer, ele não faria isso de olhos fechados.

O homem riu.

— Não quero te matar. A Escócia vai precisar de guerreiros jovens e destemidos como você quando formos subjugados à Inglaterra.

Darach esfregou a cabeça.

— O que você sabe sobre a união?

— O suficiente para saber que todos vamos perder muito mais do que os castelos que acreditamos, com razão ou não, que são nossos. Falei longamente com seu parente Edmund MacGregor sobre nossos problemas. Ambos acreditamos que a luta entre clãs é boba e precisa acabar.

Portanto, este era o novo laird, William Buchanan. Darach fez uma careta, pois doía muito rir.

— Parece que o resto de seus parentes não concordam, e depois disso, nem eu.

— Vergonha. — O homem foi até um banquinho e se sentou. — Aqueles que atacaram você, já foram tratados por mim. Alguns eram filhos dos homens mortos em seu retorno ao castelo. É por isso que eles...

— Aqueles homens estavam esperando que voltássemos. Eles mereciam suas mortes.

— Vê, Will. — Veio uma voz das sombras. Tão inesperado foi que Darach quase saltou de suas correntes. E o mais surpreendente, era a voz de uma mulher. — Nós deveríamos simplesmente deixá-lo morrer.

Os olhos de Darach ainda estavam abertos, então ele conseguiu dar uma olhada decente para a moça quando ela entrou na luz. Um rosto claro e redondo de querubim eclipsado por montes de cachos dourados que se espalham como um cobertor sobre os ombros. Há quanto tempo ela estava escondida lá, olhando para ele, antes que o laird chegasse? Ele não gostava do fato de que ela o queria morto e se achava impotente no momento para impedir que seus desejos se realizassem.

— Bobagem, — William disse a ela severamente. — A briga tem que parar, Janet. Matá-lo apenas manteria a luta. E da próxima vez que você cavalgar com Kevin e o resto, com problemas em sua mente, vai pensar novamente e voltar para mim, senão eu a acorrentarei às baias. Eu sou o laird agora e você vai me obedecer. Entendido?

Ela olhou primeiro para William, depois para Darach, e disparou em direção às portas.

— Eu deveria tê-lo matado quando tive a chance.

William acompanhou sua partida com seu olhar preocupado e depois se voltou para seu prisioneiro.

— Ela é sua esposa?

— Minha irmã. Seu prometido estava entre os mortos em Ravenglade.

— Meu primo... — Darach de repente se lembrou de Lucan e sua razão para cavalgar até Skye. Ele tentou se sentar. — Eu tenho que ir para casa. Se Luke morrer, juro, voltarei aqui e matarei todos vocês.

William observou-o lutar para se levantar e depois afundar de volta no chão.

— Você não está em condições de viajar, Grant. Não posso deixar você sair até que esteja curado. Não quero que seus primos venham aqui para cortar nossas cabeças. — Ele se levantou e se dirigiu para as portas. — Espero que seu primo viva, mas os homens morrem em batalha. É por isso que devem terminar.

Ele saiu para a luz e fechou as portas atrás de si, envolvendo Darach na escuridão mais uma vez.

Darach não perdeu tempo. Ele tateou o chão atrás de sua cabeça em busca da arma. Ele a encontrou e, fazendo uma careta de dor, puxou-o para perto do corpo. Ele deveria ter percebido antes que não tinha forças para balançar a cabeça. Ele precisava escapar. Ele precisava se recuperar um pouco para fazer isso. Mas ele faria. E então ele iria matar cada um deles.

Ele iria começar com William.

Amélia deu uma gargalhada, passou por Sarah e irrompeu no quarto de Lucan com Edmund e Grendel logo atrás dela. Uma vez lá dentro, ela percebeu seu erro ao se prender dentro de quatro paredes. Seu olhar disparou e a risada borbulhou até a superfície.

— Ah, ela foge em busca do cavaleiro e de ajuda. — Edmund parou embaixo da porta, um pouco sem fôlego por causa da perseguição que ela o conduzira. Grendel mostrou menos reserva quando passou pelas pernas de seu mestre e saltou sobre ela.

Ela guinchou, animando os ouvidos de Grendel, e girou para fora de seu caminho para a janela.

Foi necessário um único comando falado suavemente de Edmund para interromper o avanço do cão e reassumir sua autoridade.

— Mas seu campeão está na cama, moça.

Sua voz profunda e harmônica a parou também. Ela virou. Seus olhos se voltaram para Lucan. Ela sorriu quando ele lhe piscou e então se virou para seu perseguidor.

— Mesmo se ele não estivesse, — Edmund continuou, movendo-se lentamente em direção a ela. — Ele não me impediria de fazer o que pretendo fazer. Você impediria, Luke?

— Não, irmão. Eu não iria impedi-lo.

Amélia lançou-lhe um olhar ferido, sabendo que isso a ajudaria a puxar os princípios de Lucan, mas seus olhos já estavam fora dela e em Sarah, que estava entrando no quarto com uma pilha de toalhas.

Tudo aconteceu tão rapidamente logo após Amélia virar os olhos para sua melhor amiga que sabia que se ela repassasse tudo em sua mente pelo próximo ano, não seria capaz de dizer o momento exato em que o infortúnio descobrira onde ela tinha estado se escondendo.

Ela já havia começado a dar o passo para trás quando Lucan jurou não ajudá-la. Ela olhou para Sarah, não em busca de ajuda, mas de apoio, como uma moça para outra.

— Não se mova, Amélia!

Como o destino, bruxa horrível que era, queria, não foi a voz de Edmund, mas a de Sarah que deu a ordem. Se fosse de Edmund, Amélia tinha certeza de que teria obedecido.

Seu traseiro bateu no parapeito da janela, ou o que ela descobriu mais tarde no penico de Lucan. Ela sabia que tinha feito algo terrível quando Sarah cobriu a boca quando o aparelho caiu da janela. Ela sabia que era o penico quando a voz de Malcolm retumbou através do pátio e todos no quarto, exceto ela e Lucan, correram para todos os lados.

— Eu me esconderia se fosse você. — Brincou Edmund quando ela perguntou se ele achava que Malcolm estava zangado com ela.

Ela mordeu o lábio e se afastou da janela, imaginando que sua vítima estava olhando para cima e a veria.

— Foi um acidente. — Lucan foi um pouco mais reconfortante. — Se nada mais, vamos lembrá-lo disso.

— Amélia. — Edmund se aproximou e ela deixou que ele a tomasse nos braços. — Você ouve toda essa gritaria, amor?

Ela assentiu, sentindo-se péssima por ser a causa de algo tão vil.

— Isso significa que ele está vivo e a comadre não o matou. Poderia ter atingido em um certo ângulo. Por mais irritante que ele às vezes possa ser...

— E isso é frequente. — Lucan interrompeu.

— Nenhum de nós quer vê-lo morto. Eu acho que você entendeu tudo errado. — Ele se afastou e olhou nos olhos dela. — Eu acho que você traz sorte para o que de outra forma teria trazido calamidade.

O coração de Amélia se encheu de calor e adoração tão forte que quase a sufocou. A única maneira de liberar era através de seus olhos. Ela sorriu, deixando-o saber como a afetou. Cada dia que passava com ele tornava mais difícil imaginar um dia sem ele, então ela optou por não fazê-lo.

Ele não precisava falar sobre seu coração com ela; ela podia ver em seus olhos quando ele a olhava e em seu sorriso quando lhe falava. Ele a fez se sentir boba, sensual e livre para expressar ambos. Depois de seu primeiro encontro em sua cama alguns dias atrás, ele não a levou novamente, mas queria. Ele disse a ela que sim.

Ele também lhe disse que, uma vez que a tivesse, poderia ficar com ela, gostasse ou não, de algo sobre uma ridícula lei das Highlands que Amélia já havia esquecido. O verdadeiro dilema, porém, era que ela queria estar com ele. Ela queria que ele a tomasse, para fazer essa “reivindicação” de que ele falou. Mas como ele poderia reivindicá-la sem causar a ruína de seu pai? Como ela poderia dizer a seu pai que ela preferia ser a esposa de um patriota das Highlands proscrito do que do chanceler da Escócia? Ela não conseguiria. Ela não conseguia. Meu Deus, ele teria convulsões. Seu tio provavelmente derrubaria um exército inteiro sobre os MacGregors.

Edmund se separou dela quando a gritaria lá embaixo invadiu o castelo. Ele pegou um pequeno pedaço de sabão da mesa e foi até a porta aberta.

— Malcolm. — Ele chamou descendo as escadas em direção a seu primo. — Foi Grendel tentando olhar para fora. Desculpe, irmão. — Ele jogou o sabonete para ele quando Malcolm rugiu até o topo do patamar. — Vá se lavar no rio. Amélia e eu estávamos lá há pouco tempo para pegar algumas roupas limpas e vi Meg Walker chegando com sua irmã Mary.

A confusão terminou com uma pergunta curta e um juramento murmurado sobre Grendel ser uma série de coisas não mencionáveis.

Amélia lançou ao cachorro um olhar culpado. Ele abanou o rabo e deitou no tapete trançado da sálvia que caía de sua papada lambendo-o.

Quando ele reapareceu na porta, Edmund estendeu os braços ao lado do corpo.

— Lady. — Seu sorriso lento a tentou ao abandono total. — Onde está o infortúnio agora?

Ela se moveu em direção a ele e se virou brevemente para Lucan enquanto caminhava.

— Eu não gostaria que você o parasse.

Edmund pegou a mão dela e beijou-a ao sair.

 


Capítulo 21


O campo passava por Amélia em uma explosão de cores e nas doces fragrâncias primaveris de urze e pinheiro. Mas ela fechou os olhos e pressionou a bochecha contra o peito de Edmund, preferindo senti-lo enquanto eles galopavam pela paisagem em seu garanhão. Ele cheirava como este lugar, com vestígios de outra coisa. Algo que ela não conseguia definir, como o vento em um lago.

— Por quanto tempo você teria me perseguido hoje?

Sua bochecha subia e descia com a respiração dele e ela caiu como uma enfeitiçada com a cadência de sua voz rouca reverberando em seu ouvido.

— O tempo que levou para te pegar.

Ela riu e passou os dedos por sua barriga.

— Minha resposta não teria mudado. Eu não posso me casar com você.

— Isso teria mudado depois que eu a levar de volta para minha cama.

Ela ergueu a cabeça dele e o cutucou na lateral do corpo.

— Você é bastante arrogante sobre suas habilidades.

— Não, mas você nunca ficaria desapontada. Ainda assim, não é sobre isso. É porque uma vez que consinta-se a meu corpo, o resto de você é minha também, se assim o desejar. Eu disse isso a você.

Ela riu. Honestamente, ele não poderia realmente ter noções tão bárbaras sobre o casamento e ter a aparência que tinha, ou encantá-la sem sentido do jeito que fazia desde o momento em que ela abria os olhos para ele.

— É toda a verdade.

— De acordo com quem? — Sua risada relaxou em um sorriso. Ela quase desejou que fosse verdade e Edmund decidisse tê-la para si. Essa fantasia que eles estavam vivendo era realmente maravilhosa, mas logo tudo viria à tona.

— De acordo com a lei das Highlands.

Ela encostou a cabeça nele novamente e fechou os olhos para pensar por um momento, para ter certeza de que estava certa. De acordo com suas leis, se o deixasse fazer amor com ela, poderia muito bem estar consentindo com o casamento.

— Então, como eu disse a você esta manhã, antes de me perseguir, resistirei até que me devolva a Queensberry.

Ele se virou lentamente e a olhou por cima do ombro. Ela fez o possível para não rir.

— Admirável. — Ele falou lentamente, surpreendendo-a.

Ele diminuiu a velocidade do cavalo até parar, escorregou para fora da sela e estendeu a mão para ela.

— Eu quero você, Amélia. — Ele disse a ela enquanto ela se deslizava em seus braços esperando, descendo por seu corpo rígido. — Eu quero explorar cada centímetro delicioso de você e deixar seus nervos em chamas. — Ele beijou seu rosto, sua boca e soprou fogo nela, confirmando sua promessa. Ela ficou fraca em seu abraço e a vitória acendeu seus olhos como um raio no céu noturno. — Eu quero te ensinar como me tomar. — Ele a curvou sobre o braço e pressionou os lábios em seu seio. — Eu quero deixá-la molhada, quente e pronta com alguns golpes de minha língua e a ponta dura de meu desejo. — Ele roçou os dentes em sua garganta e deslizou a mão por baixo de suas saias. Ela já estava molhada e com ardor, gemendo como uma sereia com o domínio de seus dedos. Havia pouco que ele precisava fazer para deixá-la pronta. — Eu não vou te machucar, mas pretendo fazer você gritar com frequência.

O tom aveludado de sua voz descendo por sua espinha e a maneira como ele acariciava e brincava com ela a fez querer gritar agora.

— Cesse!

Ele parou quase imediatamente, puxando a mão e colocando-a de pé. Ele não parecia zangado, mas seus olhos pareciam ter sido cortados de aço, assim como o resto dele, ela pensou quando ele se afastou dela e olhou para baixo.

— Estou tentando o meu melhor. — Ele deu outro passo para trás e levou os dedos ao nariz e fechou os olhos, perdido por um momento em seu cheiro. — Para que continue a dar a mínima para sua resposta.

Ela o perseguiu quando ele se afastou.

— Isso não é verdade! Não acredito nem por um momento que você me tomará contra minha vontade. Ou me engane para pertencer a você. Os proclamas devem ser lidos. Precisaríamos de um padre.

Ele balançou sua cabeça.

— Os proclamas são anúncios públicos de um casamento em uma igreja. Muitos padres não casam os MacGregors como parte da proscrição. Portanto, não há igreja. Sem missa. Quando queremos nos unir, precisamos apenas de consentimento. Não há proclamas e não precisa haver um padre, mas é tudo muito obrigatório.

— Em que lugar?

— Aqui. Em Skye.

— Skye é bárbara então.

Ele pegou a mão dela e assobiou para Grendel e seu cavalo, em seguida, conduziu todos em direção a um bosque de árvores gigantes ao lado de uma cachoeira. Amélia ofegou com a beleza e o poder bruto do lugar e do homem ao lado dela, a brisa suave agitando suas ondas douradas ao redor de seu rosto.

— Skye é bárbara... — Ele disse, olhando para a cena da floresta diante dele, — ...e linda. Eu era um menininho quando a vi pela primeira vez. Eu pensei que era o Éden que minha mãe me ensinou no Livro Sagrado. Mas eu sabia que não era. Era muito brutal, muito inóspito. — Ele se virou para ela e sorriu, arrancando seu coração do lugar. — Mas eu adorei desde o instante em que pisei fora da balsa.

Eles se sentaram em uma saliência rochosa aquecida pelo sol e viram Grendel perseguir um pequeno animal em volta de um toco de árvore. Eles riram sobre o casamento, ambos admitindo que era impossível, mas agradável de imaginar. Eles ficaram em silêncio por um tempo, aproveitando o dia, mas suas palavras, embora risse com ele, pesaram muito sobre ela. Ela estava se apaixonando por ele. Ela não podia mais negar. Ela realmente queria as coisas sobre as quais ele brincava tão facilmente. Oh, mas seu pai tinha feito muito para garantir seu futuro, o futuro dele e de sua mãe.

Edmund se importava com ela, mas ela sabia que ele amava seu país e sua família muito mais. A assustou pensar o que ele faria por qualquer um. Ele mataria seu tio ou Walter para impedir que os reinos se unissem? Se ele fizesse, o que seria de seu pai? O que seria de seus parentes quando a guerra fosse declarada aos MacGregors?

— Quando você entrará em contato com meu tio sobre meu resgate?

— Eu já entrei. — Ele disse a ela. — Na noite em que a pegamos, escrevi uma carta para ele com minhas exigências. Claro, eu não disse a ele quem somos. Não há necessidade de mandar um exército para Skye.

— E suas demandas quais são?

— Impedir que o Tratado de União seja assinado. Elaborar algo novo que proteja os homens e mulheres da Escócia contra os caprichos dos reis.

Amélia balançou a cabeça.

— Ele nunca vai desistir da influência e poder que tem sobre os ingleses para fazer qualquer uma dessas coisas.

— Mesmo que ele pensasse que custaria sua vida se não o fizesse?

— Temo que não.

— E o homem que tem a sorte de ser seu futuro marido? — Ele olhou nos olhos dela e Amélia sabia o que ele faria se tivesse esse título.

Ela sorriu em vez de dar uma resposta imediata.

— Não é justo o que você faz.

— O que eu faço? — Ele perguntou, curvando um canto da boca em um sorriso suave.

— Tendes os outros homens a seus elevados princípios. Não é justo, porque nenhum deles pode se comparar a você.

Ele jogou a cabeça para trás e riu. Ela se deleitou com a sua visão, encantada com o som dele. Ela queria olhar para ele, ouvi-lo, tocá-lo e muito mais pelo resto de seus dias. De volta à estrada, ficou tentada a deixá-lo carregá-la até o arbusto mais próximo e fazer o que quisesse com ela. Nunca, nunca em sua vida, nenhum homem a fez sentir uma paixão tão pungente. Ela ansiava pelo golpe quente de sua língua... no meio de suas pernas. Suas mãos grandes e largas em suas nádegas enquanto ele erguia seus quadris mais alto para que ele pudesse beber profundamente de seu suco.

Ela tinha que manter a cabeça limpa. Ela tinha deveres com sua família, assim como ele.

— Estou satisfeito que você pense assim de mim, moça. — Ele sorriu, dispersando seus pensamentos. — Mas há homens cujos padrões fazem os meus parecerem adequados para um tolo. Homens que dariam suas vidas pelo que acreditam e por aqueles que amam. Homens que entendem que nada é mais vital para sua respiração do que proteger o que é deles, seja sua família, suas terras, sua religião ou seu nome.

Ela olhou para ele, amando seus princípios porque os entendia. Ela faria qualquer coisa para manter seu pai seguro. E odiar esses mesmos princípios porque eles impediriam que Edmund fosse dela, e ela, dele.

— O que você luta para proteger, Edmund?

— Tudo isso. A Escócia é minha casa, Amélia. Os MacGregors são meus parentes. Estou unido a eles por algo mais do que o casamento de minha mãe ou o amor de Camlochlin. Estou unido a eles pelo sangue. Já mencionei meu irmão e minha irmã, não mencionei? — Quando ela assentiu, sorrindo, ele contou a ela sobre eles.

— Kyle é muito parecido com meu pai. Na verdade, se parece quase exatamente com ele. Ele é bastante furtivo e reservado e é muito próximo de Caitrina, a irmã de Malcolm. Ele queria vir conosco, mas não o quero lutando na minha linha de visão. Isso me distrairia.

— Você o ama.

— Muito, e Nichola também. Você gostaria dela. Ela está cheia de vida e alegria. Todos em Camlochlin a adoram.

Amélia sorriu, gostando que ele fosse tão próximo de seus irmãos.

— O que é Camlochlin?

Ele fechou os olhos e inalou como se tivesse acabado de ser transportado para outro lugar. Um lugar melhor.

— Minha casa.

Ela sorriu, vendo o amor em seus olhos quando ele os abriu e olhou para ela.

— Nós somos fora da lei, moça. — Ele a lembrou. — Preferimos que as pessoas não saibam onde vivemos. Skye é uma grande ilha.

— Os MacGregors me lembram Sarah. — Ela disse a ele, enlaçando o braço no dele e descansando a cabeça em seu ombro.

Ele riu.

— Como?

— As pessoas não podem se associar a vocês. Eles são desprezados como se valessem menos do que os outros. Sarah é vista dessa forma porque ela é uma serva.

Ele beijou o topo de sua cabeça.

— Mas você desafia as regras. Você a ama e fica ao seu lado, apesar da desaprovação de seus parentes.

Ela fechou os olhos e acenou com a cabeça.

— Sim. Eu fico.

— Não são apenas os MacGregors que sofrem injustamente o desprezo dos outros. É Escócia, também. Os ingleses não estimam nossa lei ou nosso Parlamento. Somos nosso próprio país. Não precisamos nos unir àqueles que nos querem subjugar.

Suas palavras deixaram Amélia zangada, não com Edmund, mas com seu tio e Walter. Ela não prestava muita atenção à política, mas ouvir o lado de Edmund a fez desejar ter aprendido mais para poder confrontar os homens que estavam tomando as decisões.

Ela ouviu enquanto Edmund lhe contava o que acreditava que aconteceria à Escócia assim que a união ocorresse. Quanto mais ele compartilhava seus sentimentos sobre o assunto, mais ela estava determinada a ficar do lado da Escócia quando voltasse para casa.

Quando seria isso? Ela não queria voltar. Oh, ela não queria se casar com Walter ou retornar às constantes críticas de sua mãe. Ela sentia falta de seu pai e de Alice, no entanto. E como eles deviam estar preocupados com ela.

Ela não queria pensar em nada disso agora.

Ela queria ficar ali com ele, beijando-o, sendo abraçada por seus braços, pelo resto do dia, mas os latidos de Grendel os interromperam duas vezes.

Finalmente, com uma praga abafada, Edmund deixou a saliência e chamou o cachorro. Quando Grendel não voltou depois de um momento, Edmund se virou para Amélia, um pouco pálido, e saiu em direção à floresta. Amélia o seguiu, chamando o nome de Grendel e se sentindo mal do estômago quando o ouviram gemer.

Eles seguiram os sons lamentáveis até que o alcançaram. Mas Grendel não estava sozinho.

— O que diabos você quer em não vir quando eu chamo você? — Edmund perguntou como se esperasse que o cachorro respondesse.

Grendel olhou para a cachorra um pouco menor ao lado dele e depois de volta para Edmund, dando todas as respostas que pôde.

Amélia sorriu e puxou a manga de Edmund.

— Ela é muito bonita.

— Grendel. — Edmund exigiu. — Volte para o cavalo.

— Edmund. — Amélia o puxou para longe. — Dê a ele algum tempo com ela.

— Amélia, eu não posso. Ela pode estar doente

— Ela parece bastante saudável. Agora venha. Deixe o pobre menino com seu namoro. — Antes que ele pudesse protestar mais, ela o puxou.

— Se meu cachorro pode pegar uma namorada, eu também posso.

Amélia riu quando Edmund estendeu a mão para ela. Ela saiu correndo, mas parou abruptamente quando bateu em uma parede de músculos.

Ela olhou nos profundos olhos azuis escuros e um sorriso de escárnio que poderia ter impedido o sol de brilhar. Quando o bruto fechou os dedos carnudos ao redor de seu pulso, a respiração de Amélia parou, junto com seu coração.

— Onde está minha cadela, mulher?

— Deixe-a ir, Alistair. — Edmund avisou em um rosnado baixo atrás dela.

— Ou o quê, MacGregor?

— Ou você enfrentará o mesmo destino que o resto de seus parentes quando eles aparecem em nossa porta. Esta é a terra de Malcolm. Ravenglade é dele. Aceite e vá embora.

— Vou assim que pegar minha cadela. Agora onde ela está?

Amélia se virou e lançou um olhar de desculpas para Edmund. Isso era culpa dela. Alistair era obviamente um Buchanan e sua cadela provavelmente não voltaria para ele nos próximos minutos.

— Melhor ainda, fique com minha cadela. — Alistair sorriu para ela, expondo dois dentes faltando atrás de sua barba escura. — Eu vou levar esta moça em vez disso. — Ele se virou para ir, puxando-a pelo pulso.

— Amélia, — Veio a voz sedosa de Edmund atrás dela. — Cubra seu rosto. — O clique metálico que se seguiu provavelmente não foi mais alto do que o estalo de um galho sob seus pés, mas retumbou e trovejou em seu ouvido e sacudiu seus joelhos.

Alistair deixou cair o pulso dela como se estivesse pegando fogo. Ele ergueu as mãos e se virou lentamente para olhar para o cano da pistola de Edmund.

— Não há necessidade disso agora, MacGregor. Eu não a machuquei.

— Olhe para ela.

Alistair obedeceu ao comando de Edmund e deslizou seu olhar cauteloso para ela. Ele fechou os olhos com força quando Edmund empurrou a ponta do metal frio em sua têmpora. A pistola estava engatilhada e carregada, pronta para disparar.

— Lembre-se dela. Avise seus parentes sobre ela. Porque se algum mal acontecer a ela por suas mãos ou nas mãos de qualquer um de seu clã, irei buscá-lo primeiro. Entendeu, Buchanan? Serei eu quem acabará com sua vida.

— Sim, eu entendo.

Amélia desviou o olhar, tendo pena do Buchanan que seria um sequestrador. Bem, o segundo sequestrador, na verdade.

— Vá então. — Edmund largou a pistola ao lado do corpo. — Espere na curva pela sua cadela.

Ele não teve que esperar muito. Ele ainda não havia feito a curva da estrada quando os dois cães se precipitaram para a clareira, então correram em direção a Alistair com pernas longas e músculos esguios.

— Grendel! — Edmund gritou para ele.

Grendel parou com um gemido. Ele lançou um último e breve olhar para a cadela de Alistair e então voltou para o lado de Edmund.

Alistair parou e olhou para trás para a confusão, e vendo sua cadela com Grendel, ele deduziu onde ela estivera enquanto estava perdida.

Ele gritou algo para ela que foi pego pelo vento e levado embora antes que chegasse aos ouvidos de Amélia. Então ele a chutou, fazendo com que Grendel decolasse novamente. Edmund o segurou firme.

— É minha culpa que ele está batendo nela. Devo ajudá-la. — Amélia disparou em direção a eles, deixando Edmund para assistir enquanto Alistair virava a cabeça e a via chegando.

Seu rosto escureceu em uma máscara de raiva.

— Seus bastardos ladrões arruinaram minha cadela deixando minha companheira com aquele vira-lata. — Ele puxou uma espada curta do cinto e a ergueu sobre a cabeça.

Amélia gritou, sem saber se ele iria matá-la ou ao cachorro.

Uma bala de pistola o parou no meio do movimento, uma vez que atingiu sua mão, levando pedaços de carne de seus dedos e espirrando sangue no rosto de Amélia.

Ela gritou novamente. E então desmaiou.

 

Capítulo 22


Amélia abriu os olhos em uma das poltronas de veludo do solar privado. Um fogo baixo queimava na lareira, aquecendo a câmara o suficiente para torná-la perfeitamente aconchegante. Ela se aconchegou ainda mais em seu cobertor. Um pensamento a atingiu. Como ela chegou aqui? Ela se sentou, os olhos bem abertos.

Ela lembrou. Ela fechou os olhos, sentindo-se enjoada novamente. O sangue de Alistair Buchanan... Ela tocou o rosto. Alguém o limpou.

Algo roçou sua mão e ela olhou para baixo para ver Grendel sentado ao seu lado. Ela se lembrou da fêmea e olhou em volta. A cadela não estava com eles. Edmund a havia deixado lá, na cachoeira? Amélia teria que ir buscá-la se ele tivesse deixado. Ela jogou as pernas para fora da poltrona quando a porta se abriu e Edmund entrou no solar com a namorada de Grendel logo atrás e Sarah atrás deles, carregando chá em uma bandeja.

— Graças a Deus, você está acordada. — Sua amiga murmurou sobre ela. — Eu estava pronta para esfolar Edmund vivo com medo de que ele tivesse acertado em você.

— Estou bem, Sarah. — Amélia sorriu para ela, então olhou para a cadela. Edmund não a havia deixado.

— Ela nos seguiu até em casa. — Edmund disse a ela, vindo se sentar ao lado dela. — Ela não deixou meu calcanhar desde que chegamos. Ela quase me fez tropeçar escada abaixo três vezes. Eu tropecei nela na cozinha e caí em Henrietta, quase jogando a pobre mulher em seu forno.

Amélia cobriu a boca com a mão.

— Tentando evitar pisar nos pés dela. — Continuou Edmund, — Deixei cair a bandeja de chá que pretendia trazer para você e queimei meu peito. Sarah finalmente teve pena de mim.

Amélia deu uma risadinha, incapaz de se conter. Especialmente quando ela olhou para Sarah, tentando esconder seu sorriso.

— Nós temos que mandá-la de volta.

— O quê? Não! — Amélia segurou o braço de Edmund. — Por favor, Edmund.

— O que é toda essa conversa de nós? — Sarah perguntou, olhando para os dois com um pequeno brilho inteligente em seus olhos esmeralda, um brilho que Amélia conhecia muito bem. — E por que você se importa se ele tem cachorros que nunca mais verá, Amélia?

— Sim, — Edmund concordou, próximo a ela. — Você está voltando para Seafield. Qual é a preocupação para você sobre uma cadela?

Ela piscou para ele e cruzou os braços sobre o peito. Ela não o deixaria chantageá-la com uma cadela.

— Eu acredito que ela foi maltratada com os Buchanans. Olha como ela é ossuda. Não há brilho em seus pelos. Não vou permitir que ela volte lá.

— Talvez seu marido não se importe em tomá-la quando a tomar, — Edmund meditou.

— Tenho certeza de que, para mim, ele abriria uma exceção.

— O que o chanceler faria. — Sarah brincou, servindo o chá de Amélia. — Com você e uma cadela fazendo uma catástrofe cair em sua cabeça?

— Pode ser o fim dele. — Disse Edmund com um sorriso malicioso nos lábios. — Talvez você deva ir até ele e depois de um mês, quando provavelmente ele estiver morto, eu voltarei para buscá-la e você não terá que se preocupar com a ruína de seu pai.

Amélia apenas o olhou por um momento, então ela balançou a cabeça quando ele piscou para ela.

— O que te faz pensar que eu gostaria que você voltasse para mim assim que ficasse viúva e livre da promessa de casamento?

— Porque eu teria sua cadela.

Amélia olhou para a garota de Grendel, a língua pendurada para fora de um lado da boca ofegante, enormes olhos castanhos fixos em Edmund. Amélia teve que sorrir. Ele teria a cadela dela sem problemas. A besta já o amava. Ela suspirou e sorriu, deixando Edmund ter a vitória, por enquanto.

— Ela precisa de um nome.

— Incômodo. — Edmund forneceu.

— Não.

— Srta. Sorte.

Amélia lançou a Sarah um olhar sombrio por sua sugestão.

— Peste.

— Edmund! Pare com isso! Ela o adora e você está sentado aqui ferindo seus sentimentos! Como você pôde?

— Eu não preciso de outro cachorro, Amélia. Honestamente. Grendel é o suficiente para lidar.

— Que tal Gazardiel? — Amélia sugeriu, ignorando-o. — É o nome do anjo de novos começos.

À menção de seu novo nome, Gazardiel balançou o rabo. Edmund lançou um olhar para o céu, e Sarah lançou-lhe um olhar de pena.

Bastante satisfeita consigo mesma, Amélia se recostou no poltrona e acenou para Lucan e Malcolm quando este o ajudou a entrar no solar mancando.

— O que você está fazendo arrastando-o pelo castelo? — Sarah repreendeu Malcolm enquanto ajudava Lucan a sentar-se em uma cadeira. — Eu disse que ele não está pronto para se levantar ainda.

— Ele está forte o suficiente para... — Malcolm começou, então parou quando Gazardiel pisou na frente dele e quase o jogou no chão. — Que diabo é isso?

— Ela é uma cadela, Cal. — Disse Lucan, pegando sua cabeça desgrenhada e coçando-a atrás das orelhas.

— Eu posso ver isso. O que ela está fazendo aqui?

— O nome dela é Gazardiel. — Amélia disse a eles com um sorriso feliz. — Podemos chamá-la de Gaza que é mais curto. Edmund a salvou de Alistair Buchanan e estamos ficando com ela.

Por um momento, Malcolm simplesmente olhou para eles. Então:

— Devo perguntar a você, Edmund, acha que tudo isso é sábio? Eu não digo nada? Como posso? Mas até onde isso vai?

Edmund o olhou como se tivesse acabado de brotar um rabo.

— Até onde vai o que vai?

— Isso. — Ele acenou para Amélia. — Gostar dela é uma coisa...

— Cal! — Lucan rosnou quando Amélia corou até as raízes onde estava sentada.

— Och, inferno, ela sabe que ele deve deixá-la ir. — Malcolm argumentou com seu primo. — Os dias estão ficando mais curtos. Logo saberemos se o tratado está sendo adiado ou não. Se não for...

— Malcolm, — Edmund o interrompeu com um aviso silencioso.

— Pense bem, Edmund! — Seu primo continuou. — Ela é muito valiosa para nós agora. Você se esqueceu de nossa causa.

— Não, eu não esqueci. — Edmund ficou de pé. — Nem por um momento.

Amélia ouviu com o coração pesado. Ela sabia de tudo isso. Ela sabia sobre a causa de Edmund e sua devoção a ela desde o início. Eles fingiram, viveram como se tivessem todo o tempo do mundo. Mas eles não tinham. Nenhum deles queria abandonar suas responsabilidades com suas famílias, fugindo deles e para os braços um do outro. Mas ela quase fez isso. Ela se permitiu cuidar dele, talvez até amá-lo. Ela presumiu que ele sentia o mesmo. Mas ele permaneceu afastado. Ele manteve seus sentimentos por ela separados de seu propósito. Isso partiu seu coração e a fez desejar ter sido tão forte.

A verdade bateu forte, fazendo-a se sentir mal. Ela tinha que sair antes que caísse no chão em uma pilha de soluços.

— Você está deixando ela manter uma cadela, primo. — Ela ouviu Malcolm dizer. — Quanto mais você vai lhe conceder se ela pedir?

Amélia não queria ouvir sua resposta. De qualquer forma, era o fim para eles. Ela não estava preparada para a dor. Ela disparou com Grendel logo atrás. Deus a ajudasse, ela amava o cachorro dele. Ela fugiu para o jardim e sentou-se no banco de pedra, abraçando Grendel. Toda aquela conversa sobre possuí-la, sobre ter uma vida com ela e um par de cachorros, parecia tão certo, como tudo que ela sempre quis.

Doía muito perder.

Mas ela sabia que nunca tinha sido dela, para começar.

 


Capítulo 23


Edmund assistiu Amélia fugir do Hall com Grendel e moveu-se para ir atrás dela. Malcolm o deteve.

— Ela não deveria significar nada para você. — Cal o pegou pelos braços e fixou seu olhar nivelado nele. — Achei que você entendesse isso, Edmund. Você é sempre o mais sensato do grupo. Se cair por ela, nossa causa estará perdida.

Sim, Edmund sabia que seu primo falava a verdade. Mas... Ah, inferno, havia tantos mas. Ele queria estar com ela. Ele não suportava a ideia dela se casar com o chanceler... ou qualquer outra pessoa. Eles fizeram um jogo perigoso, fingindo que não se importavam, ou um propósito ou dever. Ele estava tão envolvido nisso que se esqueceu... Mas ele não conseguia esquecer. A Escócia precisava dele. Malcolm estava certo, ela era muito valiosa para o que eles precisavam fazer.

Um ano atrás, ele estava preparado para fazer qualquer coisa para impedir que o tratado fosse promulgado. Por duas vezes, ele conseguiu adiar a assinatura dos Atos do Parlamento. Ele estava tão perto agora, e desta vez, poderia funcionar. Mas, não, se ele jogasse tudo fora por causa de seu coração. Ela o tentava além da razão. Mas como ele poderia levá-la para Skye com ele e ainda usá-la como resgate? Ele estava disposto a desistir de seu único meio de fazer seu tio ouvi-lo? Ele estava disposto a desistir de sua luta?

Não.

Ele precisava colocar seu coração de volta onde pertencia. Ela entenderia. Ela tinha sua própria lealdade para defender e lutar. O bom nome de seu pai era uma causa que ele admirava, mas ela ter preferido se casar com o chanceler não fazia parte dessa causa.

— Nós precisamos dela.

Edmund acenou com a cabeça para Malcolm, limpando a cabeça.

— Eu sei.

Com o canto do olho, ele viu Sarah caminhando até ele. Ele se virou para olhar para ela e desejou não ter feito isso. Decepção puxava sua boca enquanto a raiva disparava seus olhos esmeralda. Ele não recuou quando ela levantou a mão e deu um tapa forte no rosto dele. Nem negou quando ela o chamou de bastardo sem coração. Ela afastou o braço de Lucan quando ele a teria impedido de partir.

Edmund a observou ir, provavelmente para o lado da amiga.

Sem nada mais a dizer a nenhum de seus primos, ele os deixou, com Gaza em seus calcanhares.

Ele pensou em Amélia enquanto caminhava pelos corredores de Ravenglade. Ele poderia envelhecer feliz com ela. E se seus anos não fossem longos, acordar com ela para mais alguns deles seria tudo o que ele pediria.

Se ela não fosse a sobrinha protestante de seu maior inimigo.

Ele sabia o suficiente sobre sequestro para saber que se a amasse, ela não seria mais uma alavanca para o lado dele, mas para o seu tio, se o duque descobrisse.

Graças aos santos, não foi tão longe. Ele não a amava.

Ele diminuiu o passo quando chegou à entrada do jardim e ouviu Amélia chorar. Ele não foi até ela, determinado a criar distância entre eles. Ele se encostou na entrada de pedra fria e a observou chorar no ombro de Sarah. Duas vezes, ele parou seus pés de se mover. Mas ele não conseguia evitar que seu peito doesse por ela. Cada parte dele doía por ela. O que aconteceu com ele, agonizava enquanto os soluços dela alcançavam seus ouvidos. Ele parou de pensar na Escócia e começou a pensar nela. O tempo todo. Ele sentia falta de seus sorrisos, de seu toque. Ele sentia falta de tudo dela e se sentia perdido sem ela ao seu lado.

Deus o ajude, ele pensou, fechando os olhos quando a verdade lhe ocorreu. Ele estava errado. Ele tinha ido tão longe.

Ele estava sentado há tanto tempo que seu traseiro que doía. Och, mas com o que ele se importa? Logo, ele teria seu peso em ouro. Seu clã não precisaria de Ravenglade. Ele teria construído algo ainda maior. Ele o chamaria de Buchanan Hall e seria o laird de seus parentes em vez do filho de seu irmão morto, William.

Ennis olhou ao redor dos aposentos privados do duque de Queensberry e bateu com o dedo no joelho. Ele se perguntou se o mordomo do duque repetiu a mensagem corretamente. O convidado do duque sabia o paradeiro de alguém que poderia estar faltando entre eles. Ennis refletiu sobre isso em sua cabeça e franziu a testa. Agora que ele pensou sobre isso, poderia facilmente ser citado incorretamente.

Certamente, se o duque entendesse que isso se referia ao paradeiro de sua sobrinha, ele teria entrado imediatamente.

Não importava, logo o duque saberia e Ennis seria recompensado. Ele poderia ser paciente e esperar a noite toda, se fosse necessário. Ele foi paciente na casa de Jane Ogilvy, não foi? Depois que aquele cão do inferno o atacou, ele teria morrido se não fosse por Jane. Ela o pegou e cuidou dele até que recuperasse a saúde. Ele se lembraria dela quando tivesse sua fortuna.

Ele tinha ficado preso por tanto tempo que temia que a sobrinha do duque já tivesse sido encontrada. Se ela tivesse, Ennis orou para que o resto de sua mensagem tivesse algum valor. Simpatizar com um MacGregor era um crime. Ele se perguntava como beijar alguém seria considerado?

As portas largas da câmara se abriram e Ennis ficou de pé quando o duque entrou com um exército de outros homens e uma mulher atrás dele. A maioria dos homens carregavam armas.

— Fique de pé, por favor. — O duque estalou os dedos para Ennis e se sentou atrás de uma mesa enorme que parecia engoli-lo. Seu peito mal alcançava a superfície da mesa.

— Você afirma ter notícias do paradeiro de minha filha? — Outro homem, parado ao lado, perguntou.

— Selkirk! — A voz do duque estalou de aborrecimento. Ele olhou para o outro homem, esperando que este recuasse. Mas Selkirk continuou esperando pela resposta de Ennis.

— Bem, você fez tal afirmação?

— Millicent. — O duque rosnou, mudando seu olhar duro para a mulher presente, — se seu marido fizer outro som, eu removerei os dois.

Millicent estendeu a mão e agarrou o marido pelo pulso.

— Feche sua boca e deixe que ele cuide disso, John. — Ela ordenou. — Não quero ser removida e perder o que este homem tem a dizer. E você?

Ele balançou a cabeça e deu um passo para trás, para as sombras.

— Agora você pode falar. — Disse o duque a Ennis. — Conte-me tudo. Não deixe nada de fora ou isso significará sua cabeça.

Ennis esfregou a mão na garganta. Isso não estava saindo da maneira que ele planejou. Mas talvez ele pudesse mudar isso.

— Os MacGregors estão com sua sobrinha.

Selkirk avançou, mas foi interrompido por uma espada que bloqueou seu caminho. Millicent cobriu a boca e então desmaiou.

— Mate esse idiota por perder meu tempo. — O duque apontou para Ennis, levantou-se e foi embora.

— James! — Millicent gritou, parando-o. — E se eles a tiverem?

— Você quer dizer que os franceses a pegaram? — O duque sorriu. — Você tinha certeza sobre isso, não era, Millicent?

— Em minha defesa, irmão, o bilhete que deixou...

Queensberry ergueu a palma da mão, acalmando-a.

— Já sabemos que Lorde Dearly, visconde de Essex, e Lorde Huntley, primo distante da rainha Stuart, a levaram.

— Não sei quem é Lorde Dearly, mas conheço Edmund MacGregor. — Disse Ennis, esclarecendo a discussão e esperando salvar sua vida. — Huntley é Malcolm Grant. Seus parentes, os Grants, não são apenas parentes da rainha, mas também dos MacGregors.

— Eles são bandidos! — Millicent gemeu, depois cambaleou sobre os joelhos fracos. Instantaneamente, dois homens mais velhos de sua fila de seguidores avançaram para ajudá-la. — Não, não, — ela chorou. — Isto não pode ser verdade!

— Eu vi MacGregor com meus próprios olhos. — Ennis continuou, — Falando com uma moça que disse que era sobrinha do duque de Queensberry.

— Eles fingiram ser...

— Obviamente, — o duque rosnou para seu irmão em lei. Quando ele voltou sua atenção para Ennis, gotas de suor começaram a se formar na testa de Ennis. — Onde ela está?

— Quero moedas pelo que devo dizer a vocês.

O duque se moveu em direção a ele, parando a um fio de cabelo de distância. Ele olhou Ennis dos pés à cabeça, e então com uma expressão de puro desgosto, ele concordou.

— Muito bem, diga-me onde eles estão e eu lhe retribuirei imensamente pela informação.

Ennis sorriu, deixando o alívio lavá-lo.

— Castelo Ravenglade em Perth.

O duque sorriu e voltou para a mesa. Ele acenou com a mão para seus guardas.

— Dê-lhe duas moedas de ouro e mande-o embora.

Duas moedas de ouro? Isso tudo valia a sobrinha de Queensberry? Ennis parou quando dois guardas o acompanharam até a porta.

— Tem mais. Eu espero que essa informação extra possa adoçar meus bolsos um pouquinho mais.

— Veremos.

— Sua sobrinha, — Ennis disse, lançando um olhar lamentável para os pais da moça. — Ela não parece machucada.

Seus pais relaxaram visivelmente.

— Na verdade, ela parece bastante à vontade com seus captores. À vontade o suficiente para beijar um deles.

Millicent levou as mãos trêmulas à boca.

O duque levantou-se novamente.

— Qual?

Agora era uma boa hora, decidiu Ennis, para dar um fim adequado a Malcolm Grant. Uma pequena mentira iria garantir a morte de Grant, e uma vez que ele estivesse morto, ele ou alguém de seu clã poderia assumir Ravenglade.

— Malcolm Grant, — Ennis mentiu. — Mas seria do interesse de sua sobrinha resgatá-la antes que ela se torne uma conspiradora dos bandidos.

O duque franziu o cenho para sua irmã quando ela gemeu, então se virou para um homem um pouco menor saindo das sombras.

— Queensberry, — disse o homem, sua voz grave, como se ele precisasse limpá-la. — Eu não quero uma conspiradora para uma esposa. Faça algo a respeito com esse mentiroso.

A pele de Ennis empalideceu.

— Meu senhor, eu nunc...a

— O que você quer que eu faça, Lorde Chanceler? — O duque zombou.

— Capitão Pierce, — o chanceler gritou para o guarda mais próximo de Ennis. — Veja que ele nunca fale mal da minha futura mulher novamente.

— Espere! Por favor, meu senhor. — Ennis tentou, mas sem sucesso. Ele foi arrastado para o pátio externo e baleado com um tiro no coração.

Lá dentro, o duque esfregou a mão no rosto.

— Bem, nós sabemos quem a tem e onde ela está.

— Você não pode assinar o ato. — Disse John Bell, a raiva claramente definida em sua voz.

O duque riu dele.

— E o que devo fazer? Denunciar o tratado que passei o ano passado preparando? Desistir de tudo que venho trabalhando há anos por causa de uma carta prometendo matar Amélia se a união acontecer?

— Eles são MacGregors. — John Bell argumentou, implorando. — Eles vão pensar matá-la. Você tem que fazer o que eles dizem. Por favor, estarei para sempre em dívida com você.

O duque ficou em silêncio por um momento. Depois disse:

— Já adiei a reunião de ambos os Parlamentos. Acho que mais algumas semanas para ir buscar a garota não fará tanta diferença.

— Não esqueçamos que Srta. Bell foi vista nos braços de um conspirador MacGregor. —Acrescentou o chanceler com amargura. — Espero que seja apenas um boato.

— Quer seja ou não, — disse o duque, voltando-se para ele, — você vai cumprir a promessa que fez a ela e ao pai dela de se casar com Amélia ou eu cuidarei pessoalmente de que seja removido do cargo antes da união ocorrer. Você ainda quer ser Alto Lorde Chanceler da Inglaterra, não é, Seafield?

A expressão do chanceler passou de amarga para amável em um instante.

— Claro, meu senhor. — Ele se curvou para todos, deixando seus olhos permanecerem em Millicent. — Se você me der licença.

Millicent Bell sorriu para ele e o observou partir, então deu um tapinha na mão do duque.

— Devemos muito a você, irmão. Não é, John? Mais uma vez, ele encobre as indiscrições de nossa filha. Oh, como ela pôde fazer isso conosco? Como ela poderia simpatizar com os bandidos e se entregar a eles?

— Isso não é culpa de Amélia. — Seu marido retrucou. — Pare de pensar em si mesma por um maldito momento, mulher, sim? Temos que trazê-la de volta! — Ele se voltou para o duque. — Nós sabemos onde ela está. Quando podemos partir?

O duque olhou para ele da mesma forma que olhava para seu filho louco.

— Você já lutou contra os Highlanders? A história foi feita em inúmeras ocasiões por causa da vontade e determinação desses fanáticos bárbaros.

— O que você sugere, então?

— Não quero fazer guerra com meus próprios compatriotas pouco antes de colocar meu nome em um tratado contra o qual metade da Escócia é contra. Precisamos de uma demonstração de força, mas apenas uma demonstração. Acho que quando esses homens da Highlands virem nossos números, eles vão entregar Amélia sem lutar.

— Então vamos lá. — Disse John.

— Precisamos do exército e isso vai demorar um pouco.

— Amélia pode não ter tempo. — Seu pai argumentou.

— John pode estar correto. — Millicent apontou. — E se ela nos envergonhar ao se apaixonar por um de seus captores? Eu conheci esses dois homens e eles eram charmosos e muito bonitos.

— Amélia não é tão idiota por jogar fora uma vida com o lorde chanceler, irmã. — Disse o duque. — Ela pode ser a portadora de nuvens negras, mas sabe que é melhor não ir contra nossos desejos e planos para ela.

John Bell sentiu um nó no estômago. Ele não tinha dormido e mal comera desde a noite em que ela desapareceu. Sua pobre garota. Ele não sabia se ela estava viva ou morta. Agora que ele sabia, agora que tinha esperança novamente, ele estava ansioso para salvá-la.

Millicent Bell saiu para o jardim e olhou em volta. Quando ela encontrou quem estava procurando, de costas para ela, sorriu e se dirigiu para ele. Quando ela o alcançou, deslizou as palmas das mãos nas costas dele. Ela desejava que ele tivesse mais músculos, como suas amadas estátuas, mas não poderia ser muito exigente.

— Pronto, tudo ficará bem.

— É melhor ficar. — Ele se virou para encará-la e ela pensou em como ele era bonito, em como sua filha ingrata tinha sorte.

— Tudo que tem a fazer é continuar a provar a John o quanto Amélia significa para você. Ele já deu seu consentimento. Não perca o controle e não deixe que ele saiba que meu irmão está envolvido nisso. Você entende?

Seu sorriso gelou seu sangue.

— E você entende? — Ele beliscou o rosto dela entre os dedos. — Se sua filha me fizer de idiota...

— Walter não...

— Eu vou destruir todos vocês. Começando com seu irmão.

 


Capítulo 24


Darach estava sentado com as costas pressionadas em um canto de uma baia no celeiro dos Buchanans, as pernas esticadas à sua frente e cruzadas nos tornozelos. Seus hematomas, e havia muitos na verdade, ele não sabia até este ponto em sua vida que seu corpo poderia doer tanto quanto estava se curando.

Cura. O pensamento trouxe imagens de Luke para ele. Ele estava morto? Darach falhou com ele? Por favor, Deus...

A cada dia que passava em seu cativeiro, ele ficava mais forte. Mais ele mesmo. Em breve, ele escaparia desse lugar e mataria todos que o impediram de ajudar seu primo e que lhe causaram dor.

— Vocês se associaram com MacGregors. Você sabe que isso é um crime, certo? Você poderia ser enforcado por isso. Posso simplesmente entregá-lo antes que meu irmão volte. Melhor assistir você balançar de um laço do que ter que ficar sentada aqui, de olho em você.

Darach deslizou seu olhar para sua anfitriã, Janet Buchanan. Ele gostaria de começar com ela. Por duas vezes ele amaldiçoou as correntes que o mantinham fora do alcance de sua garganta. Ele nunca estrangulou uma mulher antes, mas esta gata selvagem o tentava dolorosamente.

— Acho difícil acreditar que você estava realmente prometida. Você é bonita, mas eu já vi mulheres mais bonitas.

— Eu deveria ter batido em sua cabeça com mais força e o matado, em vez de deixar a tarefa simples para Kevin e seus amigos patéticos. A sua visão me repele.

Darach sorriu nas sombras. O esforço doeu, já que seu lábio ainda estava inchado, cortado em dois lugares e provavelmente roxo. Com um olho ainda fechado pelo inchaço, ele imaginou que estava realmente repulsivo.

— Aí está a porta, moça. Eu chutaria seu traseiro no caminho de fora, mas estou contido.

Ela riu dele. Darach teve que admitir que o som aqueceu seu sangue.

— Me deixe te informar, já que você está tão indefeso aqui. Um dos seus amigos MacGregor roubou a cadela do meu primo e explodiu sua mão. Hoje à noite, eles foram para Ravenglade para pegar o que é deles. Eles provavelmente vão matar seus primos durante o sono.

Darach esqueceu por um momento que estava preso pelos tornozelos e quase saltou de pé. Ravenglade! Ele percebeu quase instantaneamente que seus primos poderiam lidar com qualquer número de Buchanans que fosse contra eles.

— Espero que dê a seu primo um adeus adequado. — Disse ele, voltando a mergulhar nas sombras. — Provavelmente não o verá novamente.

— Ele vai voltar, — ela corrigiu com a mesma confiança. — Talvez com uma ou duas cabeças para que pudéssemos pendurar como decoração.

— Janet! — Ao som da voz de seu irmão, ela e Darach se viraram em direção às portas do celeiro. — Por que diabos você não me disse o que os rapazes estavam planejando? Eles vão nos trazer guerra, sua idiota! Pense nisso. Nós os matamos e então o resto deles vem nos procurar. Não vamos durar uma semana contra eles.

Darach concordou, e enquanto William arrastava a irmã em direção à saída, ele lançou um sorriso gelado quando ela olhou por cima do ombro para ele.

Normalmente, o latido ensurdecedor de Grendel era suficiente para alertar Edmund de problemas, mas quando Gaza se juntou a ele, eles acordaram o castelo.

Edmund foi o primeiro a sair da cama, pois em algum momento durante a noite os dois cães conseguiram entrar em seu quarto.

— O que é isso? — Amélia perguntou, apavorada, de sua porta quando viu Edmund no corredor.

Inferno, ele sentia falta dela. Ele não tinha passado mais de uma hora com ela desde sua conversa reveladora com Malcolm. Ele estava infeliz.

— Não sei. — Edmund disse a ela, colocando o resto do plaid em volta do ombro. — Fique aqui. Não saia de seu quarto.

Ela acenou com a cabeça, observando-o se curvar para colocar adagas de vários tamanhos em suas botas, pistolas em seu cinto e sua ampla claymore em sua bainha.

Lucan, Malcolm, uma moça que Edmund nunca tinha visto antes, e Sarah estavam todos saindo de seus quartos. Edmund puxou as mulheres para si e depois as empurrou para o quarto de Amélia.

— Alguém está dentro do castelo. — Malcolm disse, seguindo os sons dos cães latindo abaixo das escadas.

— Você deixou a ponte levantada? — Lucan perguntou incrédulo.

— Eu não me lembro. Eu estava bêbado e Elizabeth estava ansiosa. — Malcolm disse a ele sem se desculpar. — Não vamos nos preocupar com como eles chegaram aqui, mas cuidar deles agora que estão.

— Lucas. — Edmund parou seu primo mancando. — Por que você não fica aqui até...

Lucan o empurrou para fora do caminho e puxou uma claymore muito longa de sua bainha.

— Você fica com as mulheres se for se preocupar como uma delas.

Edmund observou Lucan caminhar em direção à escada e depois o seguiu para baixo.

Malcolm estava correto. Alguém estava dentro do castelo. Grendel e Gaza haviam partido, seus latidos incessantes cessaram. Edmund sabia que Grendel não estava ferido, mas, sim, sua caça.

Assim como ele. Assim como seus irmãos.

Eles não tiveram que esperar muito para encontrar o que estavam caçando. Nem um momento se passou depois que eles se separaram no saguão, quando um homem irrompeu pela porta do alojamento dos empregados com uma Henrietta chorosa debaixo do braço e uma pistola apontada para Malcolm.

— É isso que você guarda durante longas noites solitárias, Grant?

— Essa é minha cozinheira, seu bastardo. — A voz de Malcolm saiu como um trovão, gelando o ar quando ele corajosamente deu um passo em direção a eles. — É melhor você atirar com essa arma agora, Andrew Buchanan, porque se eu colocar minhas mãos em você...

Andrew atirou, alertando a todos sobre eles, incluindo os cachorros, e enchendo o saguão de fumaça.

Ele errou seu alvo, e nunca parou de vir para Malcolm até que o alcançou. Malcolm tirou a arma da mão de Andrew enquanto ele tentava desesperadamente carregar outra bala. Ele arrancou Henrietta do braço do Buchanan, então agarrou Andrew pela parte de trás da garganta e esmagou seu rosto contra a parede mais próxima.

Deixando Andrew desabar no chão, ele se virou para se certificar de que sua querida cozinheira não foi ferida. Pelo canto do olho, ele viu mais três homens aparecendo de três direções diferentes e outro grupo de pelo menos doze saindo do Salão Principal.

Ele sorriu, sua espada em uma mão e uma adaga na outra. Uma mulher fogosa em sua cama e o desafio de uma boa luta depois disso era tudo que queria. Era uma boa noite, de fato.

Edmund teria concordado com os sentimentos de seu amigo mais querido, se não tivesse apenas avistado Grendel galopando escada acima até o topo, onde Amélia estava olhando para baixo aterrorizada.

Droga! Por que ela não ficou no quarto?

— MacGregor! — Alguém chamou entre os intrusos. — Quero minha mão e minha cadela de volta. — Alistair Buchanan deu um passo à frente e apontou com a única mão para a cadela amarela que estava sentada aos pés de Edmund.

Edmund olhou para Gaza e sentiu seu coração amolecer. Ele balançou a cabeça em frustração consigo mesmo e com os Buchanans. Quando esses idiotas aprenderiam? E é nisso que o amor de Amélia o transformou? Um patife lamentável com uma fraqueza por olhos castanhos enormes em uma mulher bonita?

— Alistair, pegue seus homens e saia antes que eu te livre de sua outra mão e talvez de sua cabeça vazia.

— Eu quero minha cadela!

O olhar de Alistair se elevou ao som de um leve gemido vindo do patamar superior. Edmund não piscou. Se Alistair se movesse em sua direção, ele morreria.

— Chame a cadela, Alistair. Se ela for até você, pode lutar comigo por ela. De qualquer forma, ela fica comigo. Se é uma luta que quer, vou matar você e todos os seus amigos.

O Buchanan de uma só mão lançou um olhar inquieto para seus camaradas. Cabeça vazia ou não, Alistair entendeu que suas opções eram poucas.

Um grito alto soou, ecoando pelos corredores, salvando Alistair de ter que tomar uma decisão. Grendel e Gaza permaneceram em seus postos, alertas, prontos para o ataque.

— MacGregor! É William. — A voz gritou de algum lugar lá dentro. — William Buchanan.

Edmund trocou um olhar com Cal e Luke.

— Onde você está, Buchanan? E como diabos você entrou aqui?

O jovem laird apareceu na entrada do hall que dava para a cozinha.

— A ponte estava baixada. Eu entrei pelo bailey11 traseiro.

Edmund lançou a Malcolm um olhar acusatório por ter deixado a ponte abaixada.

— Will, — Edmund raciocinou, — que diabos você está fazendo perdendo seu tempo com pequenas pendengas do clã quando seu país está prestes a perder seu Parlamento, sua independência? Você está lutando por um castelo que provavelmente será tirado de você no momento em que esta união for formada.

— Eu não vim para lutar. — Disse o laird, entrando no hall lentamente. — Eu peço misericórdia por meus parentes. Eu retribuirei oferecendo-os à sua causa.

A Escócia não precisava de homens forçados a lutar. Ela precisava de homens que quisessem, que entendessem que eles precisavam lutar pela Escócia.

— Minha causa e a sua são as mesmas. Se você e seus parentes entendessem o que se pode perder, não estaria tão ansioso para lutar conosco.

— Então diga-nos.

— Olha, vamos lutar ou não? — Malcolm apoiou a ponta de sua claymore no chão e esperou impacientemente. — Eu não vou abrir mão de uma cama quente e uma garota mais quente ainda por longos discursos sobre coisas que eu já sei.

— Não haverá luta. — William anunciou, então se virou para encarar seus homens. — Mas se você esperar apenas um momento antes de retornar aos seus prazeres, Grant, há algo que devo dizer, como um símbolo de minha boa vontade.

Malcolm olhou escada acima para seu visitante rechonchudo e piscou.

— O jovem, Sr. Grant, está sob nossos cuidados.

O coração de Edmund batia violentamente em seus ouvidos. Violência foi o que reconheceu nos olhos de Malcolm e Luke.

— Darach? — Ele se ouviu perguntando.

— Ele está vivo e bem, eu lhe dou minha palavra! — William ergueu as palmas das mãos quando Edmund e seus primos se aproximaram dele.

— Você está mentindo. — Malcolm rosnou.

— Não. Contra minha vontade, alguns dos rapazes foram atrás dele e o capturaram em uma estrada que levava ao Norte.

— Ele foi ferido? — Luke perguntou.

Quando o laird não respondeu de imediato, Lucan ergueu a espada.

— Se qualquer um de nós não retornar, meus parentes têm ordem para matá-lo! — William levou a mão ao punho da lâmina, mas recuou. — Era a única maneira de garantir nossa segurança.

— Muito bem. — Edmund disse, embainhando sua lâmina. — Não vamos matar nenhum de vocês. Todos vocês vão voltar vivos, mas eu, para começar, pretendo fazer com que todos desejem nunca ter posto os olhos em Darach Grant.

Ele avançou com Luke e Malcolm ao seu lado e Grendel voltou para seus calcanhares, e a luta começou.

 


Capítulo 25


— Devíamos ir buscá-lo agora. — Malcolm insistiu, e então lançou um olhar irritado a Amélia quando ela puxou o pano em torno de sua mão deixando muito apertado. — Dois dedos estão quebrados, moça. Deixe os outros três intactos, eu imploro.

— Perdoe me. — Ela respondeu calmamente, mantendo seu olhar baixo.

— Isso é exatamente o que eles esperam que façamos, Cal. — Lucan disse enquanto Sarah cuidava de cortes em seu rosto. — Essa coisa toda pode ser uma armadilha para nos levar a sua propriedade. Podemos ter enviado alguns deles para casa com ossos quebrados, mas há muitos mais deles em sua aldeia. Se eles matarem todos nós, eles não terão que se preocupar em trazer nosso parente de volta com eles.

Edmund observou Amélia enquanto seus primos discutiam sobre o resgate de Darach. Ele já sabia o que fazer com Darach. Ele não sabia o que fazer com ela. Esse era um problema enorme, já que ele deveria saber. Continuar com o plano. Devolvê-la ao seu tio assim que o tratado for dissolvido ou matá-la se não for. É claro que ele não poderia matá-la e nenhum de seus primos. Eles nunca mataram uma moça antes, e nunca o fariam. Ele nunca pensou por um instante que o duque não faria tudo ao seu alcance para salvar sua sobrinha. Qualquer que fosse o resultado, Edmund a perderia.

Nos últimos dois dias, ela o evitou a cada passo e ele não fez nada além de ficar amuado pelo castelo, desejando outra maneira de ter um futuro com ela. Uma maneira em particular continuou a invadir seus pensamentos. Era algo quase como uma blasfêmia para seu coração, mas implacável mesmo assim. Se o duque recusasse suas exigências, Edmund poderia ficar com Amélia. Ele poderia mantê-la viva com ele em Skye. Era realmente uma blasfêmia esperar que o duque e o chanceler levassem adiante o tratado. A Escócia se tornaria parte do novo Reino Unido. Tudo por que ele lutou estaria perdido. Ele odiava seu coração traidor por pensar isso... por esperar por isso, mas ele não queria deixá-la ir. Quando ele pensava em nunca mais ver Amélia novamente... Santos o ajudassem, era pior. Ela o tentava a desistir de tudo por ela. Isso o assustava e tirava todas as suas defesas, mas ele não conseguia parar. Ele não queria parar.

Ele chamou sua atenção e lhe sorriu quando ela olhou para cima. Ela não sorriu de volta.

A luta com os Buchanans foi demais para ela.

Ele teria preferido que Amélia nunca o testemunhasse em tal estado impiedoso. Ela não disse uma palavra desde que a luta terminou e Edmund e seus primos jogaram os Buchanans no fosso e então conduziram as mulheres para o solar. Talvez ela não fosse adequada para a vida nas Highlands. Seria um bom motivo para deixá-la ir.

— Edmund, qual é a sua sugestão? — Malcolm perguntou a ele, afastando sua atenção de Amélia.

— Luke está correto. Pode ser uma armadilha.

— E se eles o matarem nesse meio tempo? — Malcolm perguntou a ele.

— Se eles realmente o tiverem, não o matarão. — Edmund assegurou-lhe e então observou Amélia se levantar e se desculpar para sair. Seu olhar a seguiu para fora do solar com Grendel ao seu lado. Gaza permaneceu a seus pés, mas os observou também, e então olhou para Edmund. Ele continuou falando. — Ou Darach já está morto ou William disse a verdade e ele vive. Acredito que William disse a verdade. Ele não teria sofrido tal surra se estivesse mentindo. Enquanto Darach viver, os Buchanans estarão a salvo de nós. Eles sabem disso. Seu laird sabe disso. Eles não vão matá-lo. Precisamos nos recuperar, reagrupar e ter um plano. Eles estarão nos esperando quando a noite cair. Isso vai deixá-los nervosos quando não aparecermos.

Malcolm assentiu e passou os dedos pelo cabelo escuro. Ele olhou para Elizabeth, adormecida em seu poltrona.

— Se não formos hoje à noite, voltarei ao meu quarto. — Ele se levantou, foi até o poltrona para pegar Elizabeth no colo e saiu do solar sem dizer mais nada.

— Se vocês dois me derem licença. — Sarah disse a seguir. — Amélia está preocupada. Eu quero...

— Não, por favor, deixe-me. — Edmund se levantou antes que ela pudesse responder. Sarah ainda estava zangada com ele e não queria discutir com ela.

Ele não procurou muito. Ele teve a sensação de onde ela poderia estar, mas Gaza o levou direto para lá.

Ele não entrou no jardim imediatamente. Os soluços suaves de Amélia o pararam. Por um bom tempo ele permaneceu em silêncio absoluto e com o coração partido ao ouvir o choro dela. O que ele poderia dizer a ela, mas implorar seu perdão por arrastá-la aqui, em um mundo de luta e sangue coagulado que nenhuma nobre senhora estaria acostumada a ver? Para homens rudes, brutais, jardins sombrios e mortes.

Outro motivo para deixá-la ir.

Mas nada de sua lógica ajudava. Quando ele não conseguia mais respirar sem abraçá-la, empurrou o emaranhado de arbustos retorcidos e a tomou nos braços.

— Amélia, meu amor. — Ele sussurrou, pressionando-a perto, acariciando seus cabelos, respirando-a como se ela fosse todo o ar que ele precisava para viver. — Perdoe-me, eu imploro, por minha tolice.

Ela olhou para ele com lágrimas nublando seus olhos para um rico mogno. Olhar para eles sacudiu seu coração de seus alicerces.

— Oh, Edmund, você não foi tolo sobre os Buchanans. — Disse ela, mais sedutora para o coração dele por causa de sua sinceridade. — O que aconteceu com Darach não é sua culpa. Se eu não tivesse te importunado para deixar Grendel com sua namorada Gaza, então Alistair Buchanan ainda teria sua mão e sua cadela, e... — Ela fungou e tentou se recompor. A força que ela convocou fez Edmund adorá-la ainda mais.

— Você acha que isso é sua culpa? — Ele perguntou baixinho, zangado com as mentiras que a família dela a alimentava sobre sua má sorte. — Amor, Darach deixou Skye muito antes de eu atirar em Alistair. Sua captura nada teve a ver com Gaza. Na verdade, se não fosse por eles vindo buscá-la, talvez nunca soubéssemos o que aconteceu com Darach.

Ela enxugou o nariz.

— Eu não pensei dessa forma.

Ele sorriu e enxugou suas lágrimas.

— Você continua a nos trazer boa sorte, Amélia. Eu estava falando sobre como fui tolo a nosso respeito.

— E eu entendo isso também. — Ela disse a ele. — Admito que quando Malcolm falou sobre isso eu fiquei magoada, mas sei que nunca poderemos ficar juntos, Edmund. — Ela levou o dedo aos lábios dele quando ele teria falado novamente. — Não somos crianças. Devo me casar com Walter. Não posso envergonhar meu pai e você não pode desistir de sua luta pela Escócia. Nunca pediríamos tal sacrifício um do outro.

Ele se sentou. Ela estava certa. Mas ele não queria que ela se fosse. Isso o enojava. Ele tinha que encontrar uma maneira de mantê-la com ele. Era mesmo possível? Ambos tinham muito a desistir.

— O que você quer que eu faça? Como posso simplesmente ir embora?

Ela olhou para ele com olhos brilhantes.

— Como posso responder quando me pergunto a mesma coisa?

— Não posso.

— Você deve. — Eles não tinham escolha. — Mas não quero voltar para Walter sem saber como é fazer amor com um homem que realmente sente algo por mim. Então, esta noite, — ela disse contra seus lábios, incapaz de evitar que um soluço suave escapasse. — Esta noite, você me reivindicará, Highlander. Mas apenas por uma noite.

— Não. — Ele balançou sua cabeça. — Se eu tiver você, nunca vou deixá-la ir.

— Se você se importa comigo, Edmund, não me negue isso. — Ela pegou seu rosto nas mãos e trouxe sua boca para a dela.

Ele não negaria isso.

 


Capítulo 26


Edmund abriu a porta com a bota e levou Amélia a seu quarto. Parte dele gritava para colocá-la no chão e trancá-la em algum lugar. Mas seu coração o empurrava para frente. Ele não pensava em quantas noites eles teriam juntos. Ele se importava apenas com esta.

Ele se sentia tolo e vulnerável com a forma como seu coração batia para ela, como seu sangue corria como fogo derretido em suas veias por ela. Ele conhecia histórias de grandes homens que entregaram seus corações às mulheres. Mas isso nunca tinha acontecido com ele antes. Graças a seus livros... e aos contos poéticos de Finlay Grant sobre o amor cortês de Camlochlin, ele suspeitava que um dia aconteceria. Mas ele não estava preparado para a mudança total e absoluta que isso trouxe em sua maneira de pensar.

— Eu não quero deixar você ir, Amélia. — Ele disse a ela, levando-a para sua cama. — O que posso fazer para te convencer de que seria mais feliz comigo do que com qualquer outra pessoa?

Ela se agarrou a ele quando a abaixou para o colchão e arrastou sua voz acetinada em seu ouvido.

— Você não pode fazer nada. Meu coração já me convenceu.

Ele pressionou seus lábios nos dela e o fogo queimou sua boca, a sua barriga, abaixo de seu umbigo.

O gemido de Gaza na entrada o puxou com um juramento de cavalgar até o Buchanan mais próximo e deixá-la na porta.

Depois de garantir que eles estavam sozinhos e trancados, Edmund se virou, olhou como se tivesse sido atingido, e ele foi, pela deusa deitada em sua cama, e então voltou para ela.

— Minha cadela já te ama. — Ela disse a ele, então prendeu a respiração enquanto ele se despia em seu caminho de volta para ela.

Seu plaid caiu quando ele se deitou ao lado dela e a tomou nos braços.

— Se ela me ama, como posso devolvê-la ao chanceler?

— Não vamos falar dele agora. — Ela sussurrou contra sua boca.

Ele adorava beijá-la. Ele amava o gosto, a sensação, o cheiro dela. Mas ele queria mais. Ele começou a desamarrar seu vestido, sem pressa, saboreando cada momento.

— Eu não sei o que fazer... sobre agradar você. — A voz dela tremeu contra sua bochecha quando ela interrompeu o beijo.

— Você pode praticar o que quiser comigo.

Ele sentiu o sorriso dela em seu pescoço.

— Eu não posso fazer nada?

— Sim. — Ele fechou os olhos quando ela mordeu seu pescoço e, em seguida, traçou a língua sobre onde ela mordeu.

— Eu nunca vi o corpo nu de um homem antes. — A respiração dela chamuscou seu queixo. — Mas eu sonhei com uma estátua fria e dura sob meus dedos.

Ele tomou sua boca com uma demanda dura enquanto ela corria as palmas sobre seus ângulos rígidos. Ele queria arrancar o vestido de seu corpo e jogar suas roupas no fogo e afundar nela o mais profundo que pudesse. Mas ele não queria que essa noite acabasse. Nunca, então ele demoraria.

Mas estimulado por seu desejo de reivindicar, ele a tirou de seu vestido mais rápido do que ela já havia feito.

Ele a envolveu em seus braços e pernas, saqueando sua boca e ficando duro contra ela. Quando ela marcou suas costas com as unhas, ele ergueu a cabeça para olhar em seus olhos, desembaraçou seus membros e montou nela em um movimento fluido. Seu pênis pesado descansou em sua barriga enquanto ele segurava seus seios firmes em suas palmas e traçava seus mamilos com a língua. Seu corpo embaixo dele o tentava à loucura. Ele só precisava abrir seus joelhos e enfiar seu pênis profundamente.

Ela o empurrou suavemente, mas apenas para se inclinar e fixar seus olhos nele pairando sobre ela. E ela fez um banquete. Edmund sentiu o olhar dela como se fosse uma marca, queimando-o em todos os lugares que ela olhasse. Ela sorriu, suas pálpebras pesadas, seu cabelo caindo sobre seu rosto como uma ninfa devassa de jardim enquanto ela corria os dedos sobre os gomos de sua barriga, abaixo de seus quadris e, finalmente, sobre seu eixo rígido. Ela ergueu os olhos, seu olhar escuro e brilhante ao mesmo tempo.

— Você é feito como ele, só que maior.

Ele inclinou seus quadris para frente, oferecendo a ela mais dele. Com a respiração rápida e superficial, ela o segurou com as duas mãos. Ele gemeu e derramou uma gota de sua semente em seus dedos quando ela o apertou.

Preso na agonia da paixão, ele se curvou para ela e agarrou seu lábio inferior entre os dentes. Ele correu sua língua em sua boca, profunda e ampla, e ergueu seus quadris para cima dela. Ela não o soltou, mas acariciou seu membro ternamente com suas mãos pequenas e quentes até que as chamas enlaçassem seus nervos.

Ele cobriu uma de suas mãos com a dele e a guiou sobre ele mais rápido, mais forte. O desejo de deslizar para dentro dela, de ser envolvido em seu invólucro apertado, era enlouquecedor, mas ainda não. Quase gozou.

Por pouco.

— Mais tarde, provarei você em minha boca. — Ela afirmou.

Och, inferno, como ela conseguia falar palavras que o fizessem lançar seu controle ao vento? Como ela poderia ser tão inocente e tão sexy ao mesmo tempo?

Ele não sabia se era a promessa dela, o tom rouco com que ela falava, o ritmo de suas mãos, ou tudo combinado que era sua ruína. O fogo escaldante o lambeu, borbulhando profundamente, aumentando a pressão até que seus músculos tremeram de êxtase e ele gemeu como uma besta em dor.

Ele guiou seu membro, em suas mãos, para sua entrada e o esfregou contra ela uma última vez antes que sua semente explodisse em sua abertura. Ela gritou quando ele a soltou e a deixou movê-lo no ritmo que quisesse.

Ela enrolou as pernas ao redor dele e se mexeu embaixo dele, contra ele, enquanto o resto de seu esperma disparava em um fluxo espesso.

Ele falou em seu ouvido, dizendo como ela era linda, como ele queria mergulhar dentro dela e fazê-la tremer até seu centro. Ele estava pronto novamente. Ela sorriu, um sorriso lento e lânguido, e guiou a ponta dele para dentro dela. Ela o provocava, recuando alguns centímetros e depois colocando, ansiosa com a dor que ele causaria. Quando ela fez isso mais três vezes, cada vez levando-o um pouco mais fundo, ele quase gozou novamente.

Mas agora era a vez dela.

Beijando sua boca faminta, ele empurrou mais e mais fundo dentro dela até que ela gritou de dor quando rompeu sua virgindade. Ele a acalmou, permanecendo ainda em cima dela, olhando em seus olhos. Pegando o rosto dela nas mãos, ele falou baixinho contra sua respiração rápida.

— Amo você, Amélia.

Seus olhos se encheram de grandes lágrimas brilhantes enquanto ele começava a se mover novamente. Lentamente, significativamente.

— Você não deveria agarrar meu coração, moça. Mas você o pegou.

Como na primeira noite em que dançaram, ele fez amor com ela, acariciando-a em seus braços como se ela fosse tudo para ele. Ela era. Ele a explorou, compartilhou seus sorrisos íntimos e beijou suas lágrimas.

Mais tarde, quando descansaram, Edmund pensou no que Malcolm lhe dissera. Seu primo estava correto sobre o curso deles. Eles se desviaram e ele lideraria o ataque. Tão preciosa quanto Sarah era para Amélia e Luke, ela não significava nada para os dois homens mais poderosos da Escócia. Mas, Amélia, sim. Ele sabia o quão valiosa ela era. Ele não sabia o que faria sobre o curso deles, mas sabia que amava essa mulher e pedira a seu melhor amigo para ficar com ele nisso. Claro, Malcolm jurou que faria.

— Edmund?

— Sim, amor.

— Há um jardim em Camlochlin?

Ele se moveu para beijá-la.

— Camlochlin é o jardim, amor. Só falta seu anjo.

A quietude da noite era quebrada pelos sons de risadas como em uma taverna, enquanto ela vagava ao redor da cama do lorde de Ravenglade, a conversa tranquila de um servo e um cavaleiro que se falavam por causa do vinho doce e do fogo quente, e as promessas sussurradas de amantes momentâneos presos no abraço da paixão.

— Esta é a terceira vez que você deitou comigo, moça. — Edmund observou os lábios de Amélia se curvarem em um sorriso zombeteiro enquanto ela o abraçava com mais força.

— Você pretende me ter então, Highlander?

Sua voz estava cheia de paixão, seu olhar sobre ele cheio de desejo e acendeu com a mesma fome que sentia correndo por ela.

— Sim, Amélia. — Ele beijou seu queixo, sua garganta e se dirigiu ao meio de suas pernas se enterrando profundamente nela. Ele quase gozou quando ela gritou. — Mas eu não reivindicaria uma mulher como minha sem o consentimento dela. — Ele mordeu seu queixo, então tomou sua boca com golpes longos e lentos de sua língua que combinavam com o ritmo de suas investidas. — Você me dá seu consentimento, apenas para esta noite? — Ele perguntou, quebrando o beijo sem fôlego para olhar nos olhos dela, diminuindo seus movimentos e lutando contra o efeito que as coxas apertadas em volta de sua cintura estavam tendo sobre ele.

— Eu dou. — Ela acenou com a cabeça, as lágrimas brotando em seus olhos e arqueou as costas, empurrando os quadris para cima. Ela se moveu em uma pequena dança embaixo dele, com ele, que o sacudiu profundamente.

Ele deslizou o braço em volta da cintura fina dela e virou deitando de costas, trazendo-a sobre ele. Ele sorriu e puxou seu lábio inferior quando ela montou nele, bravamente tomando seu tamanho real.

Olhando para ela, ele sabia que seu coração estava perdido para Amélia. Talvez estivesse desde aquela primeira noite. Ele estava apaixonado por ela.

Colocando as palmas das mãos nos quadris dela, ele a guiou por um tempo e então a puxou para baixo sobre ele, seus seios pressionados contra seu peito, sua respiração tornando-se a dela, as mãos apertadas em seu traseiro. Ele a guiou para cima, para baixo, uma, duas vezes, e então a sentiu estremecer e ficar mais apertada ao redor do pênis dele. Ele diminuiu suas estocadas, roçando seus quadris contra os dela em uma dança que puxou gemidos curtos e apertados de seus lábios.

— Me cavalgue, amor. — Ele sussurrou enquanto ela obedecia.

Ele a observou e fez o mesmo por ela.

 


Capítulo 27


Por enquanto, Sarah conhecia quase cada curva, cada arco, e todos os ângulos de Lucan MacGregor. Mas nada era mais perfeito do que seu queixo com covinhas, ela pensou, enxugando os últimos vestígios de sangue, a plenitude sensual de seus lábios e a facilidade com que se encurvava sempre que ele a olhava. Ele era, ela decidiu, o homem mais perfeitamente formado que já conheceu. Ela terminou de limpar a última das feridas em seu rosto, um corte leve ao longo do queixo feito pelo punho de um homem ainda maior do que ele. Lucan recebeu o golpe direto, balançou a cabeça e então desferiu um golpe violento em seu oponente que Sarah temia ter matado o homem. Não o tinha.

— Você é muito perigoso sem sua espada. — Ela não se moveu de sua posição, de pé, entre seus joelhos com ele sentado.

— Foi uma boa luta. — Ele olhou para ela, seu nível de olhar com o dela. — Eu prefiro lutas mais sérias.

Ela acenou com a cabeça, percebendo pela primeira vez, por causa de sua proximidade, que o olho esquerdo dele era um pouco mais dourado e o direito, um pouco mais verde.

— Você é muito bonito.

— Obrigado. — Seu sorriso se alargou e arrancou a respiração dela. — Mas devo ser eu a dizer o quão bonita você é. Desde o momento em que te vi, não me importei se todos os outros no mundo desaparecessem, desde que você me permanecesse.

Ela balançou a cabeça e desviou o olhar do dele, ainda não familiarizada com tal adoração.

Ele tirou uma mecha de seu cabelo de sua bochecha e traçou seu lábio inferior com o polegar.

— Você vai ter que se acostumar com essas palavras, Sarah. Porque desejo concedê-las a você até ficar velho e grisalho.

Ela fechou os olhos. Och, como esse homem maravilhoso poderia cuidar dela?

— Sarah?

Ela abriu os olhos, fixou-os nos dele e sorriu. Ela tinha que sorrir, pois ele fez seu coração disparar. Ela pensou nas horas que passaram juntos na noite anterior, conversando, rindo, aprendendo um sobre o outro. Nunca em toda sua vida ela havia compartilhado tanto com um homem... com ninguém, exceto Amélia. Ela queria beijá-lo, explorá-lo, mas estava assustada porque, ao contrário dos outros homens em sua vida, Lucan significava algo para ela. Ela gostava muito dele... e estava cansada de ter medo. Amélia estava certa, Lucan era diferente. Era hora de confiar em um homem.

Quando ela segurou o rosto dele e se abaixou para beijar seus hematomas, ele envolveu sua cintura com o braço e a puxou contra o peito. Ele abriu a mão, espalhando seus dedos largos sobre a parte inferior das costas dela, e inclinou o rosto para o dela. Ela beijou sua boca, e seus joelhos quase cederam. Seus lábios eram suaves, a própria tentação. Ele os moveu com puro domínio do movimento, abrindo a boca e roçando a língua dentro da dela, retirando-se apenas o suficiente para compartilhar sua respiração. Suas entranhas queimavam com chamas que só ele poderia extinguir.

Ele se levantou da cadeira e a conduziu a uma das poltronas do solar. Lá, ele se sentou e puxou-a suavemente consigo. Eles se deitaram, enredados nos braços um do outro, suas pernas longas e musculosas ao redor dela.

Quão segura ela se sentia, querida mais do que os prazeres que poderia dar a ele. Pela primeira vez em anos ela se sentia inocente, inexperiente, vulnerável. Seu coração batia loucamente, mas ela tentou não lutar contra o que ele a fazia sentir. Seus beijos eram como o melhor vinho, suaves, quentes, inebriantes. Os dedos dele se moveram pelo cabelo dela, pela garganta e pelos quadris até que ela se sentiu inebriante de desejo.

Ele segurou o rosto dela entre beijos e lhe disse como era bonita e como o fazia se sentir um homem. Ela riu um pouco. Ele não precisava de ajuda para ser um homem.

— Como é possível que nenhuma mulher o tenha agarrado ainda, Lucan?

— Algumas tentaram, mas nenhuma era a certo para mim. Até você.

Seu coração acelerou e ela teve vontade de fugir, de encontrar o controle que costumava ter com os homens que parecia ter perdido com aquele. Mas ela não conseguia se mover. Ela não queria. Ela não se importava se não estava no controle. Não dessa vez.

— O que é isso sobre mim?

Ele balançou sua cabeça.

— Admito que sua beleza me atraiu no início, mas havia algo mais. Você parecia muito exposta, em risco para as coisas ao seu redor... como uma andarilha no covil dos dragões.

— Ah, — Ela sorriu. — Então era uma coisa cavalheiresca. Você queria me salvar do perigo. O que acontecerá quando eu estiver segura e não precisar mais de um protetor?

— Se você me deixar, — sua voz era baixa e rouca ao longo de sua boca — Eu sempre a protegerei do perigo.

— Isso soa permanente, Lucan.

— É como eu pretendia que soasse, senhora. Eu quero você em minha vida. Quero fazer amor com você e vê-la engordar com meus filhos.

Ele a beijou e a segurou em seus braços enquanto ela tremia.

Filhos? Isso era realmente permanente. Ela algum dia estaria pronta para tal permanência com um homem? Como ela saberia? Ela o olhou e ele sorriu. E ela já sabia.

— Então você não recuperou nem a mão de seu primo, nem sua cadela. — Darach não se importou se fosse espancado até perder os sentidos pela segunda vez; ele tinha que se regozijar quando William entrou no celeiro naquela manhã quase tão machucado quanto quando eles o capturaram. — Devia ter-lhe dito que ir para Ravenglade por uma mão foi uma tolice. Tenho certeza de que meus parentes riram muito disso. A cadela... — Ele deu de ombros. — Se foi Edmund quem a pegou, você provavelmente não verá a besta novamente. Edmund tem afinidade com caninos. Possui o mais feio da Escócia.

— E você pode não ver Edmund de novo, — William o avisou e se sentou em um banquinho próximo, — ou o resto deles.

— Quantos eram?

— O quê? Você sabe muito bem quantos eram. Eram três! Em minha defesa, dei uma série de golpes de esmagamento intestinal.

— Bem, então. — Darach disse enquanto o alívio o enchia. Eram três. Lucan vivia e lutara. — Deixe-me agradecer por dar aos rapazes um esporte adequado. Com sorte, quando eu estiver recuperado, você me permitirá o mesmo prazer. Quanto ao segundo aviso que está prestes a me dar, provavelmente verei todos eles. Eles não o mataram, nem mesmo um dos outros. Isso significa que uma barganha foi feita pela minha vida. — Sua boca se curvou em um sorriso malicioso. — Você sabia que não poderia enfrentá-los, não é? Viemos pronto para uma luta. Você cavalgou até o castelo do meu primo e foi direto para o inferno. Você prometeu algo pela minha vida?

William olhou para ele por um longo tempo. Tanto tempo, na verdade, que Darach pensou que ele poderia ter morrido em algum tipo de consequência retardada depois de ser espancado.

— Eu tinha quinze homens armados ao meu lado. — William finalmente disse. — Dezesseis para começar, mas me disseram que Grant acabou rapidamente com Andrew ao bater sua cabeça na parede. Ainda assim, os Highlanders estavam em menor número. Eu não tinha ido para uma luta, mas mesmo que tivesse, eles não estavam com medo, mesmo com os números maiores contra eles. Foi um pouco intimidador, isso. — A princípio, o laird parecia estar falando consigo mesmo, e não com Darach, o que explicaria melhor por que ele elogiava seus inimigos. Mas então ele claramente olhou para seu prisioneiro e sorriu levemente. — Nem a mão de Alistair nem sua cadela valem a pena morrer, então eu te usei como um peão.

— Nem sempre é uma boa ideia. — Darach disse a ele, com mais respeito por ter sido honesto. — Meus parentes não respondem bem às vidas de Grants ou MacGregors sendo ameaçadas.

— Sim. — Disse William secamente. — Eu imaginei isso enquanto eles batiam com nossos traseiros no chão.

Darach sorriu, fazendo uma nota mental para se lembrar das palavras de William para uma ode futura que ele poderia querer um dia escrever para os rapazes.

— Eles são bastardos brutais. Você perdeu algum dente?

— Não. — William realmente riu, surpreendendo Darach ainda mais. — Mas Janet disse que meu nariz está quebrado e ela teve que suturar minha testa.

— E ele não gritou e choramingou do jeito que você fez quando eu costurei aquele corte que não estava fechando na última véspera, Grant.

Darach não tinha certeza se o som da voz de Janet Buchanan o fazia querer sorrir ou gritar blasfêmias. Ele olhou para o céu enquanto ela entrava no celeiro. Quando ele seria libertado desta diabinha de língua afiada?

— Você também usou uma agulha de costura quase sem ponta nele, bruxa?

— Claro que não, desgraçado. Ele é meu irmão. — Ela deu a ele um sorriso frio. — A cicatriz dele será muito mais reta do que a sua também.

— Piedade por ele. — Darach bocejou. — Nós, Highlanders, temos orgulho de nossas cicatrizes.

— Estou certa de que suas mulheres não se sentem da mesma maneira. — Ela atirou nele, então se virou para William.

— Nossas mulheres não são sensíveis prostitutas de celeiro que recuam ao ver um homem de verdade.

Suas costas se enrijeceram.

— Deixe-me matá-lo, William.

— Não toque nele, Janet. Estou falando sério. Não fui jogado em um maldito fosso ontem à noite por nada.

— Você foi jogado no fosso? — Darach perguntou a ele, fazendo o possível para esconder seu sorriso.

— A maioria de nós foi...

— William, você deve contar a ele? — Sua irmã reclamou. — Ele só vai chafurdar nisso.

— Eu não me importo. Essa rivalidade é uma tolice. Talvez MacGregor esteja correto e haja inimigos maiores e mais ameaçadores esperando em nossa névoa.

— Ele está correto. — Disse Darach. — E há.

William concordou.

— Mas atualmente, seus parentes são mais perigosos do que qualquer lei. Eu pretendia o tempo todo levar você para eles. Eu só queria esperar alguns dias até que você não parecesse tão abatido.

— Vou avisá-los. — Prometeu Darach.

— Diga-me, eles certamente virão para você então?

— Certamente. — Darach o assegurou.

— Quando?

Darach encolheu os ombros. Mesmo se soubesse, não diria a ele.

— Bem, eu deveria ter dito a eles que o levaria, mas o fosso chegou rapidamente aos nossos traseiros. Se eles não vierem esta noite, vou providenciar para que você seja levado de volta pela manhã.

Ele se virou para a irmã.

— Cuide para que ele coma e seja limpo. Preciso preparar a todos e cuidar para que não haja mais derramamento de sangue.

— Estou cansada de cuidar dele, Will! — Janet chamou seu irmão, e então moveu seu olhar para Darach quando eles estavam sozinhos. — Mais um dia e então me livrarei de você.

Darach deu a ela um sorriso preguiçoso.

— Você vai sentir minha falta. O que mais você terá para preencher seus dias monótonos?

Ela riu e ele quase odiou porque era bonita demais quando o fez. Ele não gostava dela, mas não podia negar que nenhuma moça na Inglaterra ou na Escócia era tão bonita quanto ela.

— Eu praticarei minhas habilidades para que, se tiver a infelicidade de encontrá-lo novamente, possa matá-lo rapidamente.

Inferno, ela era uma mulher ardente. Ele ofereceu a ela um sorriso frio que cuidadosamente escondeu o que ele realmente pensava dela.

— Se eu for torturado por sua companhia novamente, ficarei feliz em deixar você me matar.

 

Capítulo 28


O sol quente era tão bom na pele de Amélia, embora ela ainda estivesse um pouco mortificada com o quanto de sua pele estava exposta.

Edmund a levara a um adorável lago ao norte de Ravenglade, cercado em três lados por majestosos salgueiros e carvalhos e conduzindo a riachos menores. Situado em um vale de floresta densa, ele oferecia o isolamento que eles desejam para nadar e fazer amor na água fria.

Eles haviam prometido a si mesmos apenas uma noite, mas uma noite não fora suficiente. Amélia não tinha certeza se uma vida inteira seria o suficiente. Ela sabia que eles eram tolos por continuarem juntos, mas não se importava. Amanhã traria suas próprias lágrimas. Ela não queria pensar no inevitável. De que adiantaria se negar nas últimas semanas juntos?

Ela nunca tinha nadado nua ao ar livre. No início, ela pensou que eles eram loucos por se despirem ao ar livre. Ela já tinha enlouquecido por continuar esta obsessão com ele. Mas quando ele se despiu sob o sol, ela quase desmaiou ao vê-lo, todo alto e dourado contra um pano de fundo da natureza. Quando ele lhe acenou para que o seguisse na água gelada, ela o seguiu, tão nua quanto ele.

Ela mal sabia nadar. Morar em Edimburgo e ser sobrinha do duque não lhe proporcionava muitas oportunidades de nadar em um lago ou em qualquer outro lugar. Edmund a segurou enquanto ela flutuava de costas, deslizando pela superfície. Ele a firmou quando ela se debateu com a ausência de suas mãos e, em seguida, mergulhou a boca em seus mamilos brilhantes.

Quando a levou para águas mais profundas, ela quase entrou em pânico, mas ele puxou seu corpo para o dele e a segurou no alto. Ela se agarrou a ele, não porque tinha medo das profundezas, mas porque ela nunca queria deixá-lo ir. Como ela faria? Ela preferia morrer a viver uma vida vazia sem ele. Isso a assustava porque ela não esperava se sentir assim. Ela pensou que poderia ser forte e deixá-lo quando chegasse a hora. Mas a realidade disso vazou mais fundo em suas veias a cada momento que ela passava com ele. Ela estava apaixonada por ele. Enlouquecedora e apaixonadamente enamorada por ele.

Ela enfrentou o ardor de seu beijo com igual medida. Ela envolveu as pernas em volta da cintura dele e acenou para ele com os quadris para guiar sua espada rígida para dentro dela. Ela gritou quando ele a empalou. Ela se sentia leve em seus braços e depois de um momento seus músculos da vagina relaxou ao redor do membro dele. Pressionando as mãos em seu peito duro e úmido, ela se empurrou para cima e para trás, movendo-se sobre ele enquanto ele embalava seu traseiro em um braço e a arrastava para ele para que pudesse beijar sua boca, sua garganta, seus seios. Ele a deixava louca e a fazia duvidar de que existisse alguma coisa no mundo, exceto ele. Ela desejou que nada acontecesse.

Mais tarde, eles descansaram na praia, nos braços um do outro, enquanto suas roupas secavam nas pedras. Eles compartilharam lembranças de infância enquanto Grendel e Gaza perseguiam esquilos vermelhos e exploravam a área circundante.

— Eu estava no meu décimo terceiro ano quando eu e meus primos vimos a batalha pela primeira vez. Os Menzies tinham vindo a Camlochlin para reclamar um rebanho de gado que nos acusaram de roubar.

— Vocês roubaram? — Amélia perguntou contra seu peito nu.

— Não, embora já tivéssemos roubado gado antes. Naquela época não eram os MacGregors. Meu tio Rob cavalgou através do vasto vale e tentou falar com eles racionalmente, mas pelo que eu entendi, os Menzies e MacGregors são inimigos há muito tempo, desde os dias em que meu avô guerreou com os Campbells.

— Highlanders se lembram dos erros cometidos contra eles por muito tempo, não é? — Não foi uma pergunta. Amélia e cada Lowlander sabiam que era verdade.

— Sim. Mas pretendo ajudar a mudar isso. Nossas seculares divisões nos tornaram fracos contra a Inglaterra. As contendas precisam acabar. De qualquer forma, alguns pensaram que Rob deveria ter usado os canhões no instante em que os Menzies puseram os pés em nossas terras, mas nosso laird é justo e não tem sede de sangue, então ele tentou falar com eles primeiro. Mas um homem entre os Menzies não queria conversa e atirou sua adaga na pequena multidão que se reunia em torno de nossos guerreiros. Atingiu o jovem Hamish MacKinnon e o matou. Foi quando o inferno abriu suas mandíbulas de fogo e engoliu Camlochlin um pouquinho.

— O que aconteceu?

— Eles lutaram. Meus tios, meus parentes, eles derrubaram homens diante dos meus olhos, com espada e machado. Eles eram brutais e impiedosos, como se cada mal que já fizeram a eles viesse novamente à superfície e lhes desse poder para matar o que quer que enfrentassem. Eu assisti e também peguei minha espada, assim como meus primos Adam, Malcolm e Luke. — Ele sorriu como se a lembrança o agradasse. — E o pequenino Darach. Foi quando soubemos que ele era destemido, talvez destemido demais para seu próprio bem. Ele tinha nove anos, eu acho, e pulou na confusão com um grito de guerra que quase fez sua pobre mãe cair morta.

— Meu Deus, deve ter sido difícil para ela perceber que seu filho tão jovem tinha a luta em seu sangue.

— Sim. E mais difícil ainda para minhas tias Isobel e Mairi quando suas filhas, apenas um par de anos mais velhas que Darach, também tentaram lutar. Embora eu ache que Mairi esperava isso de Caitrina, mas não tão cedo.

— Eu nunca vi um homem morto até chegar aqui. — Amélia disse, lembrando-se de seu passado com ele. — Não me permitiram entrar dentro do quarto do meu avô quando ele morreu de uma doença nos pulmões.

— Eu me sinto responsável por estragar sua inocência.

Ela se apoiou em um cotovelo e olhou para ele.

— Estragar a inocência dos meus olhos ou do meu corpo?

Ele piscou, então sorriu, parecendo inseguro sobre qual resposta deveria dar.

— Seus olhos, — ele finalmente admitiu. — Eu não terminei com seu corpo.

Ela balançou a cabeça de brincadeira, então fugiu de seu alcance quando ele tentou mantê-la com ele.

— Onde você está indo? — Ele perguntou, observando seus olhos semicerrados e sonolentos enquanto ela colocava a camisa pela cabeça.

— Eu vi lindas frutas vermelhas bem ali. — Ela apontou para um grupo de salgueiros quando ele olhou. — Eu quero escolher alguns para nós comermos.

— Estou perfeitamente contente em comer as bagas rechonchudas diante de mim.

— Och, pelo amor de Deus, você está começando a soar como Malcolm. Feche os olhos e descanse. Vou levar os cachorros comigo.

Ele acenou com a cabeça e fechou os olhos.

— Apresse-se, Amélia.

— Eu vou. — Ela prometeu e saiu correndo, descalça.

Grendel a seguiu no instante em que ela entrou na floresta. Gaza decolou primeiro em direção a Edmund e depois de volta a Amélia quando percebeu que seu novo e amado mestre não viria.

Amélia deu um tapinha na cabeça da cadela.

— Eu sei, Gaza. Eu também o amo.

Ela caminhou mais longe até que viu o que estava procurando. Bagas gordas de groselha cresciam em cachos, tentando-a ir em frente. Ela deveria ter trazido uma cesta com ela do castelo. Henrietta poderia fazer algumas tortas deliciosas com a baga doce.

— Eu não gosto de ser tirado da minha cama para ir atrás de uma senhora. Eu não me importo quem ela é.

Amélia parou, acalmando o gemido baixo de Gaza e impedindo Grendel de correr para fora das árvores.

— Bem, é melhor você se importar, Humphrey. — Disse outra voz mais profunda. — Ela é sobrinha do duque, e logo será esposa do lorde chanceler.

Amélia não se moveu. Ela não respirou. Ela estava com medo de nunca mais se mover.

— Se o capitão Pierce ouvir você falando de seu dever assim será ruim.

O capitão Pierce estava aqui! Amélia olhou ansiosamente para o caminho de onde viera, na direção de Edmund. Ela tinha que contar a ele, contar aos outros. Se Pierce estava aqui, então também estava seu tio, possivelmente Walter, definitivamente um exército. Ela queria se mover. Mas e se ela quebrasse um galho ou farfalhasse as folhas? Havia três homens em Ravenglade, sem incluir Chester, o antigo administrador. Ela não se importava com o quão habilidosos Edmund e seus primos eram. Eles perderiam contra um exército.

Ela orou para que os cães ficassem quietos. Ela sabia que Grendel foi treinado para fazer exatamente o que ela precisava. Felizmente, Gaza seguiu seu exemplo.

— Você acha que a fofoca é certa? — Perguntou o primeiro homem, provavelmente um soldado. — Você acredita que ela fugiu com esses bandidos para que pudesse fugir do lorde chanceler?

— Não é da nossa conta, Humphrey. Terminou de mijar?

— Eu acredito nisso. Ela deve saber o bastardo impiedoso ele é. Acha que ele já bateu nela?

— Maldito seja, Humphrey, você vai fazer com que nós dois morramos.

Humphrey ficou quieto por um momento. Amélia rezou para que tivessem terminado para que ele e seu amigo fossem embora. Então:

— Lembra daquela garota que ele pegou no inverno passado em sua visita a Edimburgo? Aquela que ele pediu para levarmos da taverna local? Talvez a Srta. Bell saiba como ela foi encontrada morta na manhã seguinte.

Amélia não sabia. Ela agarrou a barriga e lutou para se manter de pé. Walter matou uma mulher? Não podia ser verdade. Não, era exato isso que eles estavam dizendo.

— Eu investiguei um pouco depois da descoberta horrível e descobri que Lorde Seafield gosta de alguns desejos sexuais muito perversos.

— Isso não o torna um assassino, Humphrey.

Amélia pensou que ela devia estar sonhando. Como ela poderia se casar com um homem perverso depois de ter estado com Edmund? E se Walter assassinou aquela mulher? Seu pai sabia? Ele não poderia saber.

— E onde diabos está o duque? Por que nos enviar a Perth e depois demorar tanto para chegar aqui?

— Ele estará aqui em um ou dois dias, Humphrey. Então podemos acabar com esse assunto e voltar para casa. Agora se apresse!

Amélia esperou que eles saíssem da clareira e, depois de se certificar de que haviam partido, correu de volta para Edmund.

 


Capítulo 29


Edmund sentou-se no solar com os outros discutindo o que Amélia tinha ouvido naquela manhã no lago. O duque os havia encontrado e estava trazendo seus homens, possivelmente seu exército.

— Como ele nos encontrou? — Malcolm perguntou.

Edmund balançou a cabeça.

— Eu não sei. Talvez alguém nos tenha reconhecido em Edimburgo. A maioria sabe que Ravenglade pertence aos Grants.

— Por que eles não estão aqui? — Luke bateu com a bota no chão. — O que eles estão esperando?

— O mais provável é que o duque chegue. — Amélia disse a eles. — Os dois soldados que ouvi conversaram falaram sobre a chegada do duque em alguns dias.

— Meu palpite é que eles não vão atacar até que ele chegue. — Disse Edmund.

No entanto, o duque descobriu que não importavam mais. Eles foram encontrados. Um exército estava chegando. Edmund e seus primos precisariam de ajuda.

— Nós vamos precisar dos Buchanans nisso.

Malcolm jogou a cabeça para trás e riu.

— Você está louco, primo. Prefiro morrer em batalha.

— Você pode realizar seu desejo, então. — Edmund disse a ele. — Como você acha que lutamos contra soldados armados? Podemos matar uma dúzia ou mais, mas somos três, Cal. Não temos chance.

Malcolm fechou os olhos e apertou a mandíbula.

— O que você propõe que façamos?

— Acho que William está procurando uma maneira de sair dessa confusão com Darach.

— Eu concordo. — Luke disse.

— Precisamos cavalgar até a propriedade Buchanan hoje, enquanto ainda temos tempo de deixar o castelo, e falar com William sobre o dever de seus parentes para com a Escócia.

Malcolm balançou a cabeça.

— William é novo como laird. Ele é jovem e ainda não tem o respeito de seus parentes.

Edmund discordou.

— Depois da noite passada e da surra que ele levou para salvá-los, acho que as coisas vão mudar. Ofereceremos a eles algo em troca de Darach e sua ajuda com o duque.

— O que nós damos a eles?

— A cadela deles. — Malcolm sugeriu.

Edmund olhou para ele com aviso suficiente nos olhos para acalmá-lo.

— Nós vamos oferecer-lhes termos.

— Como o quê? — Malcolm perguntou, já parecendo que odiava a ideia.

— Eles querem Ravenglade. Vamos oferecer a eles cargos pagos aqui. O lugar fica vazio por meses a fio. Você mantém seu mordomo, Chester, aqui e ofereceu a Henrietta seus próprios aposentos se ela concordasse em ficar. Por que não assumir mais servos? Você tem o quarto.

Malcolm riu e jogou o pé com a bota sobre o braço da cadeira.

— Acha que os Buchanans permaneceriam como criados?

— Não. Eles não seriam servos. Você estaria pagando em moedas ou em proteção, o que quer que queira oferecer. Eles estariam morando aqui. Isso é o que eles sempre quiseram. Você precisa de um jardineiro e poderia usar um ferreiro e um cervejeiro. Que tal um mestre cavalariço?

— Um mestre cavalariço de quais cavalos, Edmund? — Malcolm balançou a cabeça para ele. — Eu não tenho carroças ou vagões. Mas já que estamos nisso, por que não contrato alguns menestréis de Buchanan para cantar para mim? Och, também posso usar um curtidor, um fabricante de sabão e um porteiro.

— E um ajudante de cozinha. — Sarah acrescentou. — Esta manhã ouvi Henrietta reclamando da limpeza da cozinha.

Malcolm olhou para ela por um momento, e então sorriu com indulgência.

— Não estou dando nenhuma consideração verdadeira, moça.

Sarah sorriu de volta.

— Eu sei que você não está, Malcolm. Você só considera a si mesmo.

A risada de Lucan puxou o olhar duro de Malcolm em sua direção.

— Não é verdade.

— É sim. — Luke insistiu.

Malcolm se virou para Edmund e se levantou de seu assento quando Edmund acenou com a cabeça em concordância.

— O que vocês todos querem que eu faça, então? — Ele ergueu as mãos. — Convidar os Buchanans para Ravenglade de braços abertos? Permitir que eles fiquem aqui na minha ausência e depois confiar que eles vão devolvê-la quando eu voltar?

— Por que não? — Disse Luke. — Alguém tem que dar o primeiro passo para acabar com essa briga tola.

— Os acordos serão escritos e assinados. — Disse Edmund a Malcolm. — Vou começar a escrever tudo agora. Enviaremos Chester uma ou duas horas antes de chegarmos para avisá-los de que vamos com uma oferta de paz. Ravenglade é sua, Malcolm, e sempre será. Se tentarem tomá-la novamente, perderão suas posições aqui e possivelmente suas vidas.

— Por que diabos eu concordaria com isso, Edmund?

— Porque, Cal, isso nos dá o que precisamos e trazemos Darach de volta em segurança.

— Quem disse que eu quero o demônio de volta?

Edmund sorriu para o primo, conhecendo-o bem.

Malcolm jogou a cabeça para trás e exalou um suspiro tempestuoso.

— Tudo bem então. Vamos fazer isso.

Janet Buchanan estava nas sombras do celeiro enquanto seu irmão falava com Darach sobre os eventos da tarde. Eles receberam um visitante cerca de uma hora atrás na forma de Chester, o administrador de Malcolm Grant. Chester era franzino e de estatura mediana, sem nenhuma ameaça para seus parentes. Na avaliação de Janet, ele parecia ter mais ou menos a mesma idade que o pai de William.

O administrador foi enviado à frente para preparar os Buchanans para a chegada de Malcolm Grant e sua escolta, os MacGregors.

Todos os parentes dela ouviram em silêncio quando ele desdobrou um pergaminho e começou a ler em voz alta.

— Malcolm nos oferece um lugar em Ravenglade. — William informou Darach. — Poderíamos fazer nossa casa lá e...

— Como servos. — Janet murmurou.

— Como ladrões que vão roubar tudo o que puderem. — Darach murmurou de volta.

Janet olhou furiosamente para ele e abriu a boca para respondê-lo. A voz de William a parou.

— Grant e os MacGregors querem acabar com a luta e trabalhar pela paz. Alguns de nós aqui também querem isso. De qualquer maneira, Darach, seus parentes virão em breve para discutir tudo.

— Eles estão vindo sem oposição? — Perguntou o prisioneiro. — Ou eles apenas pensam que serão bem-recebidos?

— Não há armadilha sendo armada aqui. — William assegurou-lhe. — Meu pai sempre soube que matar Malcolm ou seu pai antes dele e tomar Ravenglade à força colocaria todo o clã de Skye sobre nossas cabeças. Eu estou em seu lugar agora, e ele não criou um idiota.

Darach sorriu para ele e a coluna de Janet amoleceu. Como era possível que o bastardo ficasse mais atraente e viril cada vez que ela o via?

Seu olhar encontrou o dela sob o brilho âmbar suave de uma lamparina pendurada nas vigas baixas. Ela já havia olhado nos olhos de homens perigosos antes, mas ninguém tão perigoso quanto Darach Grant. Com o rosto menos inchado e descolorido, ela teve que admitir que ele era o homem mais bonito que já tinha visto.

Janet sabia que estava louca e nunca iria admitir isso em voz alta, mas não queria que seus parentes viessem atrás dele.

— Que garantia tenho de que ela foi criada com você, Will?

Os dedos de Janet se fecharam em punhos e ela se lembrou por que o odiava.

— Não sou idiota, Grant. — Disse ela secamente. — Acho que provei isso não tropeçando em meus pés toda vez que olha na minha direção.

Seu olhar esmeralda cintilou quando pousou nela novamente.

— Sim, sim. — Ele admitiu suavemente.

Sua barriga revirou e ela se virou para o irmão, apenas para encontrar Will olhando para ela. Ela recuou para as sombras mais uma vez.

— Quando chegarem, — William continuou, — eu falarei com eles e então o levarei até seus primos.

Darach acenou com a cabeça.

— Diga a seus parentes, — ele gritou para William quando ele se virou para deixar o celeiro, — que se alguém sacar uma arma, eu usarei as suas para matá-los.

William riu, mas depois deixou o riso sumir com um aceno de cabeça, como se de repente acreditasse que Darach poderia fazer o que ele disse.

— Não vou sentir falta de seu excesso de confiança descarado, Grant. — Disse Janet quando ficaram sozinhos. Ela deveria ter saído logo atrás de seu irmão.

— O que você vai perder então?

Ela não deveria ter olhado para ele. Ela ouviu o sorriso em sua voz. Ela não precisava ver isso.

Seu sorriso ligeiramente sinistro e o brilho de algo selvagem em seu olhar.

— A esperança e expectativa que experimento todas as manhãs quando entro no celeiro de que um cavalo de alguma forma matou você durante a noite.

Ele torceu a boca. Por mais louco que fosse, ele iria sentir falta dessa moça temperamental e seus cachos loiros.

— Você tem uma língua ácida, Janet Buchanan. — Ele foi até ela, mas fez uma parada brusca, interrompido pelas restrições em seus tornozelos. — Acho que é muito atraente e gostaria de...

Gritos vindos de fora interromperam tudo o que ele pretendia dizer. Janet achou melhor assim, mas ficou um pouco decepcionada, embora nunca fosse admitir tal coisa. Seus parentes estavam aqui. Ele estava indo embora. Na próxima vez que o visse, ele provavelmente estaria casado... ou, mais provavelmente, morto. Não importava para ela. Contanto que ele estivesse fora de seu alcance.

— Adeus, Darach. — Ela deu um passo para trás assim que as portas do celeiro se abriram novamente e Will voltou.

Janet não olhou para trás ao sair. Ela não pensaria nele nunca mais. Nada mudou.

Ela continuou repetindo isso continuamente em sua mente enquanto saía do celeiro e desaparecia na multidão daqueles que tinham vindo ver seus inimigos de perto.

 


Capítulo 30


John Bell caminhava por uma trilha gasto na grama. Ele olhou para longe, para onde ele entendia que o Castelo de Ravenglade estava. Ele não podia vê-lo de onde seu irmão em lei havia feito o acampamento do exército. Por que eles estavam tão distantes? O que eles estavam esperando? Ele não se importava se o duque ainda não estava aqui. Se Amélia significava mais para seu tio do que sua posição, ele já estaria aqui, e também seu prometido. Como Walter não poderia estar aqui? John fechou os olhos para afastar a verdade de que Amélia significava pouco para seu futuro marido. Eles deveriam ter avançado e a tomado com a força de seus números.

Ah, ele normalmente era um homem paciente. Deus sabe que ele era paciente com sua esposa durante anos, ouvindo suas reclamações constantes sobre sua vida e como ela foi forçada a se casar abaixo dela. Ele tinha sido paciente quando ela arranjou o casamento de suas filhas Elizabeth e Anne com nobres mais velhos e ricos. Ele sabia que o poder era importante para Millicent e ela queria que suas filhas tivessem tudo, então ele a deixou seguir seu caminho. Além disso, suas duas filhas mais velhas eram exatamente como a mãe, pois buscavam o poder em suas uniões, não o amor. Amélia era diferente. Ela sempre foi diferente. Ele se amaldiçoou, como fazia todos os dias, por não protegê-la o suficiente da língua crítica de sua mãe. Ele havia cometido muitos erros em sua vida, como concordar em morar em Queensberry House com sua família, um lugar que não era seu, para o qual ele não havia trabalhado e poderia ser tirado dele a qualquer momento. Ele fez isso por sua esposa. Mas deixar Millicent repreender Amélia constantemente era seu maior arrependimento. Se o que aquele tal de Buchanan dissera fosse verdade, que sua Amélia fora vista beijando seu captor, então ele não tinha ninguém para culpar a não ser ele mesmo e sua esposa. Ele tinha sido um covarde, com medo de que Millicent mandasse seu irmão jogá-lo na rua. Houve muitas vezes em que ele quis partir sozinho, mas ele havia feito votos e não podia deixar Amélia. Ele ficou por ela. Ele fez tudo por ela. Ele pode não tê-la protegido o suficiente, mas estava lá para amá-la e lembrá-la de que ela era um presente para ele, um raio de sol em um inferno sombrio. Ele se perguntou como sua filha estava se saindo. Ele ficava acordado todas as noites, alternando entre lágrimas e raiva. Ele veria sua filha viva novamente? Quando ouviu Buchanan falar dela, quase caiu de joelhos de alívio.

Os bandidos a machucaram? Se tivessem, ele próprio os matariam. Ele sabia como disparar uma pistola e até empunhar uma espada, embora não empunhasse uma em anos. Nada o impediria de acabar com a vida de quem colocasse as mãos em sua garota.

— Aí está você!

John não se virou ao ouvir a voz aguda de sua esposa. Ele fechou os olhos e orou por ainda mais paciência. Quando tudo isso acabasse...

— O que você está fazendo aqui sozinho, John? — Ela caminhou ao redor dele para que pudesse vê-lo, ou melhor, para que ele pudesse vê-la quando balançou a cabeça para ele. — Às vezes você é tão estranho. — Ela piscou e então alisou uma ruga em seu casaco. — Walter e meu irmão finalmente chegaram e planos estão prestes a ser discutidos sobre como proceder. Você quer ser incluído ou não?

— Claro que sim. — Ele disse, tirando-a de seu caminho. — Que tipo de pergunta tola é essa? Estou esperando para continuar desde que Amélia desapareceu. Desde que descobrimos onde ela estava e seu irmão levou muito tempo indo atrás dela.

— John, — Sua esposa olhou em volta nervosamente. — Abaixe sua voz antes que alguém ouça você!

— Deixe-os ouvir! — Ele gritou, frustrado e farto do ritmo lento do resgate de sua filha. Ele estava cansado de ser um covarde. Ele iria lutar por sua Amélia. — Eu não dou a mínima para política ou...

— Nós já sabemos disso. — Millicent silenciou amargamente.

— Bom! Saiba disso também. Eu não me importo com o que as pessoas pensam sobre nós matarmos Highlanders que sequestraram minha filha. Não me importa quais são as regras do Parlamento, ou se a Escócia e a Inglaterra se unem. Eu me importo apenas com a minha Amélia, como você deveria, mulher!

Ela apertou as mãos contra o peito em uma demonstração de choque e ofensa absolutos, um gesto que John tinha visto nela sempre que ela respirava.

— Como você ousa! Claro que me importo com ela!

— Sim, você se importa que ela se case com um dos homens mais poderosos da Escócia. Não porque seja o que ela deseja, mas porque beneficiará seu lugar na sociedade. Não estou correto, Millicent? Você sempre foi dura com Amélia, mas depois que ela chamou a atenção do chanceler, você examinou tudo o que ela fez, cada movimento que ela fazia, ainda mais do que antes, até que provavelmente a jogou nos braços de um Highlander!

Millicent parecia tão atordoada e ferida que John quase cedeu e a deixou sozinha. Mas então ela abriu a boca e ele mudou de ideia.

— Com sua tendência natural para o desastre, suas explosões de risadas nada femininas e outras emoções que ela ainda precisa aprender a conter, assim como seu pai, sem mencionar sua estreita aliança com uma criada, você poderia me culpar por me preocupar e tentar supervisionar suas ações?

— Sim, eu poderia culpar você, mas eu me culpo também, por não afastá-la de você antes. — Ele não tinha mais nada a dizer a ela e saiu furioso, deixando-a para pensar, sem mais palavras.

Ele entrou no acampamento sentindo-se um novo homem.

— Bell. — O duque mal ergueu os olhos de uma carta que estava lendo quando John entrou em sua tenda. — Onde está minha irmã?

John não se importava onde ela estava. Ele não ia deixar passar outro instante. Ele olhou para Seafield, que estava sentado em uma cadeira perto da pequena mesa.

— Vamos pegar minha filha ou o noivo dela está pensando na proposta dele? — Ele se virou para olhar mais completamente para o chanceler. — Se for assim, eu concordo que seja rompido o noivado.

— John. — Seu irmão em lei olhou para cima.

— Eu sou o pai dela. — John o lembrou. Se ele se recusasse a dar Amélia para Seafield, ninguém poderia forçá-la.

— Lorde Bell. — Seafield saltou da cadeira. — Se eu lhe dei motivos para duvidar de meu amor e devoção por sua filha, imploro seu perdão. Deixe-me fazer o que for preciso para provar que ela é tudo para mim?

John olhou em seus olhos.

— Vá buscá-la.

Amélia colocou a última caneca no lugar na mesa comprida no Salão Principal de Ravenglade e deu um passo para trás para admirar seu trabalho. Ela, Sarah e Henrietta ficaram acordadas a noite toda preparando um banquete francês para o desjejum de Darach. Enquanto Amélia aprendia a fazer tortas de mousse de chocolate, crème brûlée e patê de salmão com manjericão que quase a fazia chorar de tão bom gosto, Henrietta falava em conhecer os Grants e, mais tarde, os MacGregors. Henrietta contou a elas sobre os pais de Edmund e Malcolm e, ao ouvir sobre eles, Amélia se sentiu mais próxima da família proscrita. Ela já amava Luke, Darach e até Malcolm.

Como ela iria deixá-los? Sair de Edmund? A hora estava chegando. Estava do lado de fora da porta. Como ela poderia se casar com Walter sabendo o que ele pode ter feito, que tipo de homem ele pode realmente ser? Ela não tinha contado a Edmund sobre a mulher morta na vida de Walter. Oh, como ela desejou que seu pai tivesse vindo com o exército. Como ela gostaria de poder falar com ele. Se seu pai soubesse sobre Walter, ele... E mesmo se soubesse, Edmund sempre seria o inimigo de sua família. Não, ela não pensaria nisso hoje. Eles tinham até pelo menos amanhã para esquecer o exército que tinha vindo por ela. Hoje eles estavam celebrando o fato de Darach estar em casa. Ele havia chegado na noite anterior, parecendo muito bem, exceto pelos hematomas desbotados em seu rosto e o cheiro de feno e outros odores de celeiro saturando suas roupas. Amélia não percebeu o quão preocupada ela estava até que o viu e sentiu o alívio esmagador de sua segurança e compartilhou a alegria de sua risada.

Ela olhou para a mesa agora, repleta de pratos quentes e deliciosos, grandes canecas de hidromel quente e dois enormes vasos cheios de campânulas e lindas urzes roxa, obtida nas colinas logo depois da aldeia de Ravenglade.

— Eles vêm! — Sarah gritou da entrada, depois correu para ficar com Amélia e Etta à mesa.

Elas o viram entrar no Salão Principal, limpo e sorrindo de orelha a orelha quando viu a mesa; Amélia chamou a atenção de Edmund de seu lugar ao lado de seu primo e sorriu, satisfeita quando os quatro homens grandes que entraram no Salão fecharam os olhos e inalaram os deliciosos aromas do desjejum.

— Isso é crème brûlée? — Darach perguntou, sua voz trêmula pela primeira vez desde que Amélia o conheceu. — Amo você. — Disse ele a Henrietta quando ela disse que sim.

— As senhoras me ajudaram a prepará-lo. — Disse a graciosa cozinheira.

Ele lançou a Amélia e Sarah um olhar agradecido.

— Eu beijaria as duas, mas não quero que Edmund e Cal me acusem de roubar suas mulheres.

— Och. — Malcolm disse. — Luke já roubou Sarah de mim.

Darach piscou para Sarah enquanto passava por ela para se sentar à mesa.

— Eu sabia que você era uma moça inteligente.

— Incrível. — Disse Lucan, sentando-se. — O que eles fizeram com você naquele celeiro para fazê-lo me elogiar?

— Atualmente. — Darach fechou os olhos e inspirou profundamente. Ele gemeu e pegou uma torta. — Eu elogiaria até mesmo aquela cachorra horrivelmente feia que ocupou o lugar de Grendel nos calcanhares de Edmund.

— Viu? — Edmund olhou para Amélia enquanto mergulhava o pão no brûlée. — Eu disse a você para envenenar suas tortas.

— Oh, não temos que ir a tais extremos, não é? — Perguntou ela, sentando-se na cadeira mais próxima de Darach. Ela apoiou o queixo na mão e sorriu para ele quando ele olhou para cima, mastigando.

— O nome dela é Gazardiel. Nós a chamamos de Gaza.

— Quem? — Ele perguntou, dando outra mordida.

— Nosso novo cachorro.

Ele lançou a Edmund um olhar questionador, então voltou para sua comida.

— Ela pertencia a Alistair Buchanan. — Ela acenou com a cabeça quando a luz do amanhecer brilhou em seus olhos. — Você viu Alistair lá?

— Não, moça, eu vi apenas William.

— Ninguém mais?

Ele olhou para ela. Ela ergueu a sobrancelha para ele.

— Não havia mais ninguém. Posso começar a comer, então?

— Edmund e os outros nos disseram que havia uma garota ao lado de William que apegou e prendeu seu olhar.

— Assim? Eu capto e prendo a atenção de muitas mulheres.

— Não, Darach, ela pegou você. Este era... Edmund. — Ela se virou para ele. — Quem lhe disse que ela era a irmã do laird?

— O próprio laird quando estávamos saindo, e eu os convidei aqui para jantar.

— Ah, sim. — Ela o agraciou com um sorriso que desejava conceder a ele pelo resto de sua vida. — Agora eu lembro. Janet é o nome dela.

— Nome de quem? — Darach perguntou.

Amélia piscou, voltando-se para ele.

— De Janet.

Do outro lado da mesa, Edmund sorriu.

— Do que diabos você está falando, moça?

— Muito bem, deixe-me ser clara. — Ela avançou e deu um tapinha no braço de Darach. — Todos nós queremos saber sobre essa Janet, que, de acordo com Luke, brincou sobre você ser impotente em seu celeiro.

A risada de Sarah fez o resto deles rir com ela. Darach continuou comendo.

— Ele tem vergonha. — Malcolm falou, então tomou um gole de sua bebida.

— Vergonha de estar algemado? — Ele perguntou, passando para o brûlée. — Isso é o que ela quis dizer.

— Então você a conhece.

— Sim, você a trouxe de volta à minha lembrança. Janet Buchanan, uma demônia cujo propósito nesta terra é fazer os homens desejarem nunca ter nascido. Ela é uma cabeça de javali, orgulhosa e impiedosa. Ela costurou minha testa sem uma gota de uísque para amenizar a dor e com uma agulha quase sem ponta.

— Inferno, você não chorou, não é? — Malcolm perguntou, revirando o salmão. — Quero dizer, a moça enfiou uma agulha em você. Não tenho certeza se alguém pode se recuperar disso.

— Eu não me mijei como você fez quando Luke selou aquele ferimento em seu ombro na primavera passada.

— Ele selou com uma espada incandescente. — Malcolm o lembrou. — Você teria desmaiado como uma mulher.

— Ha! Ha! Ha! — Darach rebateu. — Eu o deixarei me cortar mais tarde e então deixarei você selar com um ferro apenas por esporte.

Amélia revirou os olhos quando Edmund e Luke se juntaram à conversa, zombando um do outro e de suas fraquezas que, é claro, todos negaram ter. Era assim que todos os Highlanders eram?

Grendel sentou-se sobre as patas traseiras e rosnou. Ele esperou um momento, os ouvidos se alertaram e saiu galopando do Salão. Edmund imediatamente se levantou de sua cadeira e o seguiu, conhecendo bem seu cachorro e sabendo que algo estava errado. Gaza disparou atrás dele. O salão ficou em silêncio por um momento. Amélia estava prestes a deixar sua cadeira para ir atrás de Edmund quando o latido ressonante de Grendel quebrou a paz matinal.

Luke, Malcolm e Darach foram os próximos a sair, ordenando que as mulheres ficassem paradas. As senhoras não deveriam vir atrás deles.

Ela ouviu o grito de Edmund como um vento impetuoso, trazendo calamidade e desgosto.

— É o duque! Ele chegou.

 


Capítulo 31


— Edmund, — Amélia disse, o coração acelerado, a boca seca, ela o seguia entre a guarnição e o Salão enquanto ele juntava suas armas. O exército de seu tio estava acampado bem além do portão e da ponte levadiça e fora do alcance de quaisquer flechas ou canhões, que Ravenglade não tinha. — Não quero que morra, Edmund. Você deve me deixar ir.

Ele parou de se mover e se virou para ela, tomando-a nos braços.

— Eu não sei se posso, Amélia. — Ele olhou profundamente em seus olhos e ela viu seu propósito e seu amor pela Escócia e por ela disparados de dentro. Ele deveria escolher entre os dois desejos de seu coração. Ele não poderia ganhar os dois.

E ela? Ela também travava uma batalha na qual sabia o resultado que perderia, mas ainda tinha que lutar, do contrário seu pai perderia junto com ela, por causa dela.

— E você, Amélia? — Ele perguntou a ela. — Você realmente quer voltar? Diga-me o que seu coração quer e eu o honrarei, se for preciso.

Claro que ela não queria voltar. Ela tinha que voltar. Ela deveria abandonar seu pai? Deus a ajudasse, ela poderia?

— Mas Edmund, e a união com a Inglaterra? — Ela perguntou a ele e sentiu uma lágrima cair de seus olhos em sua bochecha. — E quanto a tudo que você fez? Você poderia abandonar tudo?

— Não há mais nada a fazer, — disse ele. — Sempre lutarei pela liberdade da Escócia. Quer seja agora ou daqui a cinco anos, lutarei com o restante do meu povo, mas enquanto isso, quero viver minha vida com você. Farei o que for preciso para levá-la comigo para Skye, mas sei o sacrifício que você estaria fazendo e preciso saber se deseja fazê-lo.

Oh, ela queria isso. E se o que ele devia fazer significasse matar seu tio? Walter? Isso a salvaria de sua obrigação de se casar com o último.

Querido Senhor, ela ofegou. Ela estava se tornando tão selvagem quanto seu amado.

As lágrimas escorreram por suas bochechas e ele as enxugou suavemente. Ela nunca seria feliz com qualquer homem, exceto ele. Ela nunca amaria outro homem, especialmente Walter. Deixar Edmund significava sentenciá-la a uma vida de miséria, mas ficar com ele significava arruinar seu pai. Seu coração se partiu com a decisão que ela teve que tomar.

— Eu devo voltar, Edmund.

Ela pensou que choraria por um ano sem parar com a lembrança dos olhos dele sobre ela naquele momento. Ela desejou que ele conhecesse seu pai para que isso pudesse ajudá-lo a entender por que ela não podia deixá-lo impotente nas mãos de seu tio. Foi seu pai quem assegurou, durante sua infância, que ela fosse uma lady feliz e bem-intencionada. Sem ele, vivendo sob o peso das palavras pesadas de sua mãe após o acidente com seu primo louco, ela teria desmoronado e se tornado uma menina muito sombria e triste.

— Falaremos mais sobre isso mais tarde. — Disse Edmund, trazendo sua atenção de volta para ele.

Ele saiu antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa. Ela o observou sair. Ele a deixaria ir? Ele disse a ela que não havia assinado sua carta de resgate. Ele não tinha planejado lutar contra um exército. Quatro homens não teriam nenhuma chance e nenhuma esperança contra um regimento. Quanto tempo eles poderiam ficar aqui? Quanta comida sobrou? E quando os dois lados finalmente se encontrassem, ela veria Edmund morrer? O pânico minou sua força. Ela tinha que fazer algo. O exército estava aqui por ela.

— A entrada está segura. — Lucan gritou quando Edmund entrou no pátio interno. Ele encontrou Sarah no caminho e a pegou pela mão. — Diga a Etta, podemos precisar de alcatrão fervido e uma fonte de fogo.

— Vocês quatro não podem segurá-los por muito tempo. — Sarah falou seus medos em voz alta quando Amélia entrou no pátio interno.

— Só até descobrirmos algo. — Lucan prometeu. — Não tenha medo, senhora. Meus primos e eu saímos de circunstâncias piores do que essa. Não foi, Edmund?

— Sim. — Edmund concordou. — Nós saímos.

Deus, como eles poderiam permanecer tão calmos, tão confiantes, quando claramente não haveria vitória? Amélia queria chorar, mas eles achariam um insulto nisso. Eles eram orgulhosos e leais uns aos outros. Nenhum deles sugeriu o óbvio: mandá-la embora. Abaixar a ponte levadiça e livrar-se dela e seguir em frente com suas vidas.

Não importava de quem era a culpa, problemas a seguiam. E, neste caso, veio para as Highlands na forma do maldito Exército Real.

— Nós veremos o que você precisa. — Sarah prometeu e se apressou.

Amélia foi com ela. Ela descobriria como convencer Edmund de que ele precisava devolvê-la. Ela não queria que todos morressem por causa dela. Ela nunca deixaria isso acontecer.

— Sarah falava a verdade, Edmund. Não podemos esperar detê-los por muito tempo.

— Sim, eu sei, Cal.

— Quanto tempo você acha que vai demorar para Darach voltar com reforços?

— Um dia, talvez dois.

Muitos clãs da Escócia, incluindo os das Terras Baixas, eram contra o tratado e já haviam jurado lutar contra ele. Parar Queensberry era vital, e os MacGregors e Grants o mantiveram e seu exército sentados em um só lugar, sem suspeitar de resistência por trás. Darach precisava recrutar aqueles homens agora e trazer o máximo que pudesse na volta.

Eles estavam em uma janela pequena na face norte do castelo. Com seu terreno pantanoso e onde a parte mais profunda do fosso era mais larga, ninguém estava por lá. Claro, isso significava que Darach teria dificuldade em nadar, mas ele tinha conseguido. Agora, ele estava a caminho da próxima aldeia.

— Os Murray e os Gordons virão com certeza.

Edmund concordou.

Eles ficaram juntos no lado oeste das ameias com Luke segurando a parede leste. Uma chuva fraca começou a cair, tornando as muralhas escorregadias se alguém pensasse em escalá-las. Ninguém o fez, pois eles teriam que atravessar o fosso primeiro, e Malcolm nunca limpou o fosso.

— Tive o cuidado de não fazer nenhuma menção de quem éramos ou em que direção estávamos indo com Amélia. — Edmund quebrou a cabeça pela centésima vez, tentando entender como o duque os havia encontrado. Ele escreveu apenas que levou Amélia e se o tratado fosse assinado, ele a mataria.

— Não será o suficiente para eles tê-la de volta. — Malcolm alisou seu cabelo escuro para tirar a chuva de seus olhos. — Eles vão querer nosso sangue.

— Eu sei.

— Então não a devolva. Use-a.

Edmund ergueu os olhos do fosso.

— Pelo que sabemos, o tratado ainda não foi assinado. Enquanto a tivermos, ainda há tempo para se impedir.

Malcolm sorriu.

— Você já pensou sobre isso.

— Isso nos dará mais tempo para descobrir uma maneira de escapar.

— É esse o motivo? — Malcolm perguntou a ele com ceticismo. — Ou será que nem mesmo ela pode separá-lo da Escócia, seu verdadeiro amor?

Edmund balançou a cabeça e voltou sua atenção para o exército abaixo. Mas ele não disse nada. Ele não podia negar que pensava em maneiras de ainda salvar seu país. Afinal, a Escócia o salvou. Mas ele começou a duvidar que a Escócia fosse seu verdadeiro amor. Amélia roubou esse título. Ele faria qualquer coisa para mantê-los vivos. Mas por ela, ele entregaria qualquer coisa, sua vida ou seu país. Ela não queria machucar seu pai e estava disposta a se condenar a uma vida miserável e a um casamento sem amor com o chanceler para evitar envergonhar o nome Bell. Edmund entendeu, e se o tratado fosse dissolvido, ele honraria sua palavra. Se não fosse...

— Devemos continuar esperando por ele, ou mandar um recado primeiro?

Edmund encontrou o duque entre os homens, fazendo o que os covardes costumavam fazer, ficando muito atrás de suas linhas.

— Vou pegar minha pena. — Ele suspirou e saiu para ver sua palavra cumprida.

Pouco depois, ele voltou com uma carta com os seus termos. Ele o rolou, então o amarrou a uma das flechas de Malcolm, e observou seu primo atirar nele.

— Você se lembrou de dizer a ele que eu desfrutei de sua esposa? — Malcolm perguntou a ele.

— Vou guardar isso para mais tarde.

— Mary, eu acredito que é o nome dela.

— Inferno. — Edmund riu e balançou a cabeça para ele. — Você fala sério? Existe uma mulher com quem você não dormiu em Queensberry?

— Pelo menos duas. — Malcolm piscou para ele. — Eu sabia que Luke estava atraído por Sarah. Mas eu lhe digo, primo, você tem sorte de ter conhecido sua Amélia antes de mim.

— Talvez, se tivesse, não estaríamos todos neste dilema.

Malcolm o empurrou.

— Não duvide do que fazemos agora. Fizemos o que fazemos pela Escócia.

Sim, e isso colocava Amélia, todos eles, em perigo. Ele não disse nada, mas pousou a mão na cabeça de Grendel e coçou-o atrás das orelhas.

A pior coisa de ficar preso em um castelo era esperar. A única defesa estratégica em Ravenglade era a ponte levadiça. Se fosse Camlochlin, os canhões já teriam sido disparados. Seus parentes não precisavam de fosso e ponte levadiça quando havia centenas de homens capazes de lutar e apenas uma direção de onde se aproximar do castelo.

— Você precisa de canhões.

— Para usar contra quem. — Malcolm olhou para ele. — Os Buchanans?

Antes que Edmund pudesse responder, eles avistaram uma flecha de fogo voando em direção a eles. Antes que batesse em uma parede e caísse inofensivamente no chão, Luke se juntou a eles e esperou enquanto Malcolm ia buscá-la.

— Bem, vamos ouvir o que ele tem a dizer então. — Malcolm disse, pegando a flecha e desenrolando a missiva anexada a ela.

— Senhores, — ele leu em voz alta. — O que você exige é impossível. As ações relativas ao grande Tratado da União já estão em curso e não podem ser interrompidas, nem desejo que o sejam. Você tem minha sobrinha, Srta. Amélia Bell. Você tem uma hora para soltá-la ilesa, ou solto meus homens em Ravenglade. Não me importa quantos soldados os acompanhem, nenhum sobreviverá.

Malcolm ergueu os olhos da nota.

— Ele é um bastardo arrogante. — Disse ele antes de continuar.

— Eu prefiro não ter guerra com os MacGregors ou os Grants, então se minha sobrinha for libertada, vamos nos despedir sem mais brigas.

— Não é provável. — Luke disse em voz alta o que o resto estava pensando. — Ele a resgata e então tenta nos matar.

— Eu não quero devolvê-la. — A confissão de Edmund atraiu seus olhares. — Mas não posso pedir a nenhum de vocês que se sacrifique quando nossa causa está quase perdida. Nosso tempo acabou, rapazes. Temo que, se não desistirmos dela, ele trará uma batalha aqui. Não quero arriscar a vida dela.

— Vamos pensar em algo, Edmund. — Malcolm disse a ele. — Vamos levá-la para Camlochlin.

Ela não gostaria de ir. Edmund não contou a eles sobre a escolha de Amélia. Ele deveria honrá-la, mas como poderia? Era como observar alguém caminhando em direção a um penhasco, alguém que ele amava. Ele deveria ficar quieto e deixá-la sacrificar sua vida, ou gritar para ela ir para o outro lado?

Edmund olhou para Luke.

— Não é só ela, Sarah não vai deixá-la ir sozinha.

Luke deu a ele um sorriso perplexo.

— Por que você me lembra isso como se eu pudesse realmente considerar baixar aquela ponte e deixar qualquer um deles fora de nossas vistas? Não conseguimos o que queríamos e neste ponto, mesmo se conseguirmos, ainda não quero enviar Sarah de volta.

— Está resolvido então. — Malcolm amassou a nota e jogou-a sobre a parede. — Estamos em guerra, rapazes.


Edmund acenou com a cabeça. Ele falaria com Amélia sobre sua escolha mais tarde.

— Precisamos trazer as mulheres aqui, Chester e os outros servos, também. Disfarçados, o duque acreditará que são nossos soldados. Depois que eles forem vistos, podemos colocá-los em segurança novamente lá dentro. Vamos trazer todas as nossas armas para o pátio e mantê-las prontas. Vou precisar levar Amélia ao limite. Segurar uma lâmina em sua garganta, colocar uma pistola em sua cabeça. O que for preciso para fazer o duque acreditar que vamos matá-la.

Malcolm concordou que era um bom plano e voltou à sua posição. Luke se moveu um pouco mais devagar, observando Edmund por baixo da coroa de seus cílios escuros.

— Acha que o duque vai acreditar em nosso pequeno desempenho?

— Por que ele não iria? Ele não conhece nenhum de nós ou do que somos capazes. — Edmund sabia que tinha que fazer o duque acreditar se eles planejavam sair de Ravenglade com vida.

— Eu vou buscá-la. — Ele disse, virando-se para ir embora. — Vou falar com ela... com todos eles antes de mencioná-los. Sim?

Lucan acenou com a cabeça e bateu em seu braço.

— Sim.

Quando Edmund deixou as ameias, pensou em como sua vida teria sido sem aqueles homens nela. Sem sua família. Ele os amava e sentia falta daqueles que havia deixado para trás. Seu irmão, que não havia desistido da esgrima, mas preferia aperfeiçoar a arte de ser indefinível e obscuro, e descobrir os segredos de todos. Nichola, sua irmã pequenina, bem, não tão pequenina, ele pensou, alcançando o segundo patamar e descendo para a cozinha. Aos dezessete anos, ela estava desabrochando em uma bela mulher e ele deveria estar em casa cuidando de seu bem-estar.

Ele parou do lado de fora da cozinha, onde o cheiro de piche queimado picou suas narinas, e pensou em seu pai. Edmund sentia falta de praticar com ele atrás de sua mansão no início da manhã, antes que o resto de Camlochlin acordasse. Como os pais de Malcolm, os de Edmund escolheram não morar dentro do castelo, preferindo a intimidade de manhãs tranquilas e noites quentes e aconchegantes em vez de corredores frios e desjejuns barulhentos. Não que eles não passassem muito tempo dentro da fortaleza cavernosa; Edmund e seus primos brincaram em cada câmara, exploraram cada caverna, enquanto seu clã se reunia e compartilhava risos e uísque.

Ele queria ver todos novamente. Ele queria sair dessa vivo e ir para casa. E ele queria levá-la com ele.

Ele observou Amélia sair da cozinha. Ele não conseguia tirar os olhos dela. Desde o momento em que colocou os olhos nela, ele não quis parar de olhar. Ele se perguntou se seu pai sentiu o mesmo quando viu sua mãe.

Ao vê-lo, ela acenou e caminhou em direção a ele.

Aqui estava, tudo o que ele queria da vida. Ele amava a Escócia e tudo que ela lhe dera, mas não queria mais morrer por isso. Ele queria viver e compartilhar tudo com Amélia.

Ele pegou as mãos dela quando ela o alcançou e puxou-a para mais perto.

— Fique comigo, moça. Construa uma vida comigo. Seja a mãe dos meus filhos. Vou te dar tudo o que tenho. Farei tudo ao meu alcance para te fazer feliz. Vou construir seu próprio jardim privado.

Ela olhou para ele, seus olhos enormes ficando ainda mais arredondados, procurando os dele.

— Edmund, sabe o que significa para mim? Você sabe que eu te amo?

— Sim, eu sei.

— Mas meu pai...

— É o responsável por sua própria vida, Amélia. Acha que ele gostaria que fosse infeliz com um homem que se casa com você para seu próprio benefício? Se seu pai te ama, e eu sei que ama, ele quer que seja feliz com um homem que daria a vida por você.

Quando ela pareceu estar ponderando e não disse mais nada, ele contou a ela sobre a carta do duque e explicou que eles precisavam convencê-lo de que eram sinceros em suas convicções. Pelo menos até que Darach retornasse com reforços.

— Confie em mim, amor.

Quando ela acenou com a cabeça, fazendo o que ele pediu sem mais perguntas ou brigas, ele quis carregá-la para a cama e agradecê-la devidamente, mas isso também teria que esperar.

— Desde o momento em que você olhou para mim pela primeira vez, — ele disse a ela, — eu sabia que meu coração estava perdido.

— Eu também. — Ela sussurrou de volta, enxugando uma lágrima.

Edmund sorriu e beijou-a, depois pôs-se a trabalhar.

 


Capítulo 32


— Milordes! — Edmund gritou do parapeito mais baixo ao redor da casa do portão uma hora depois, quando o tempo deles, de acordo com a nota de Queensberry, acabou. — É esta por quem esperam? — Ficando atrás dela, ele empurrou Amélia para frente para apresentá-la aos homens quinze metros abaixo.

Amélia olhou para baixo. Ela viu seu tio e lutou contra uma onda de culpa e arrependimento. O que ele diria... seu pai? Ela viu John Bell parado sozinho, à direita dos homens. Ela deveria saber que ele viria. Quando ela o encontrou, pálido e magro no meio dos outros, ela teve vontade de chorar. Oh, o que ele deve ter passado, se preocupar com ela enquanto ela estava feliz se apaixonando. Ela se sentia pesada de culpa, carregada de tristeza por ele. Ela precisava falar com ele. Ela tinha que deixá-lo saber que ela estava ilesa.

— Não, não pode ser ela. — Edmund continuou atrás dela. — Porque, minha primeira nota para você afirmava claramente que se a união acontecesse, a Srta. Bell morreria. Talvez você tenha me achado insincero.

Ele puxou a ponta opaca de sua adaga contra sua garganta. Lá de baixo, seu pai gritou, uma mulher gritou.

— Minha mãe? — A voz de Amélia quebrou suavemente com o silêncio repentino. Ela a encontrou embaixo, sentada em um cavalo ao lado do de Walter. O que diabos Millicent Bell estava fazendo aqui?

Amélia fechou os olhos e apoiou a cabeça em Edmund, atrás dela. Sua mãe tinha vindo para ver com seus próprios olhos em que problemas sua filha tinha se metido desta vez, para que ela nunca pudesse deixar Amélia esquecer. Ela se deixou ser sequestrada e mantida em busca de resgate, colocando todos em perigo. Ela era uma idiota, sua mãe lhe diria. Uma vergonha para sua família.

— Edmund, eu... — Ela se virou para dizer que não podia fazer isso. Ela não podia deixar seu pai acreditar que ela estava em tanto perigo, pronta para ser morta.

Seu tornozelo torceu. Ela perdeu o equilíbrio e caiu para trás sobre a mureta. Edmund agarrou a mão dela a tempo para que ela não caísse para a morte.

Ela desejou que ele não tivesse agarrado. Melhor morrer do que cair de cabeça, os dedos dos pés apontados para o céu, as saias sobre a cintura e sua mão agarrada à de Edmund entre seus joelhos nus...

Seu infortúnio havia retornado.

Só que dessa vez ela percebeu o quão pior era quando uma flecha cortou o ar e caiu como um baque nauseante em Edmund.

Ele se agarrou a ela. Ele não a deixou cair, mesmo quando a flecha perfurou seu ombro. Ela chorava enquanto cuidava de sua ferida. O que esses homens estavam fazendo? Como eles puderam ser tão tolos a ponto de acreditar que poderiam sair dessa com vida? Como ela iria deixá-lo? Ela tinha que fazer isso, pelo bem dele e de seu pai. Querido Deus, seu pai estava aqui! O que aconteceria quando Darach voltasse com mais homens? E se o pai dela fosse morto? E se Edmund fosse morto? Ela tinha que parar.

— É só uma ferida na carne, amor. Um arranhão. — Ele pegou sua mão trêmula e beijou-a. — Foi uma sorte que eu te peguei e uma sorte que a flecha de seu pai mal me atingiu.

Querido Deus, era a flecha de seu pai. Ela ainda não conseguia acreditar. Ela não sabia que seu pai sabia disparar uma flecha.

— A visão de você segurando aquela adaga no meu pescoço deve ter sido demais para ele. Sinto muito que ele atirou em você. Ele geralmente não é violento. — Ela enxugou os olhos, mas foi inútil. — Se você tivesse me soltado, o duque e minha mãe o teriam culpado e... — Ela não conseguia pensar nisso. — E minha mãe... ela está aqui para garantir que eu retorne e não traga vergonha para ela.

— Por que você se importa com o que sua mãe pensa, Amélia? — Sarah estava parada na porta, os braços cruzados sobre o peito, observando sua amiga. — Ela é e sempre será um ser humano miserável. Você não é mais responsabilidade dela. Você é uma mulher adulta que tem compartilhado a cama de um Highlander e...

— Sarah, por favor. — Amélia gemeu, terminando seu trabalho em Edmund e enfaixando-o.

— O quê, pelo amor de Deus? — Sua amiga parou e avançou. — Você pode estar carregando seu bebê. Você poderia...

— Você acha que eu não sei disso? — Amélia ignorou Edmund quando ele se virou para sorrir para ela. — Quão egoísta de nossa parte trazer um bebê para o meio disso.

— Não, Amélia. — Disse Edmund com firmeza, levantando-se e virando-se para tomá-la nos braços. — Não pense assim. Um bebê nosso será uma bênção, são e salvo e feliz em Camlochlin. — Ele a beijou e sorriu contra sua boca. — Eu preciso voltar para as ameias e mostrar a seu tio que não fui ferido. Falaremos mais sobre isso mais tarde, certo?

Ela acenou com a cabeça, realmente não querendo falar de mais nada. Ela não iria para Camlochlin com ele e, oh, como isso despedaçou seu coração miserável. Ela queria uma vida com ele mais do que qualquer coisa. Mas muito estava em jogo. Mesmo que seu pai não estivesse envolvido, seu tio nunca deixaria Edmund levá-la. Se ela estivesse grávida... Oh, os Santos a ajudassem, se ela estivesse grávida, o inferno cairia em Queensberry House.

— Sarah, — disse ela à amiga depois que ele saiu. — Quando penso em nunca mais vê-lo, nunca mais ouvi-lo falar meu nome de novo, isso faz meu coração, não, minha alma, sentir que está morrendo.

— Você não tem que deixá-lo, querida. — Sua amiga disse suavemente. — Você pode ter a vida que deseja. A vida com a qual você sempre sonhou. Podemos ficar juntas também, Amélia. — Sarah pegou suas mãos. -Eu quero ir para Skye com Luke... com você.

Amélia fechou os olhos.

— Meu tio nunca o deixará viver. Ninguém entende isso?

— Amélia...

Mas Amélia ergueu a palma da mão quando Sarah a teria interrompido.

— Eu o comparei a Davi. Eu flertei com ele e o deixei me cativar, apesar de ter sido prometida a outro. E agora me deixei apaixonar por ele e outros sofrerão por isso.

— Você não pode viver sua vida para seu pai. — Sarah insistiu. — Ele quer que você seja feliz e é feliz com Edmund.

Ela não podia contar a Sarah seus planos. Sua amiga tentaria impedi-la.

— Eu sou, — ela concordou em vez disso. E ela estava. Estava mais feliz do que nunca em sua vida. — Mas eu odeio que minha mãe me considere uma idiota. Eu odeio isso depois de tudo, quase caí para a morte na frente dela.

— Sua mãe é uma bruxa miserável que provavelmente se beneficia de um pau duro em cima dela

— Sarah!

— Bem, é a verdade.

— Não é um que eu gostaria de ouvir!

— Tudo bem então. — Sarah sorriu e se moveu para beijar sua bochecha. — Vou me trocar e colocar uma roupa de homem e depois vou para as ameias. Você deve permanecer aqui.

— Não. — Amélia se levantou. — Sou perfeitamente capaz de subir e não cair.

Sarah lançou-lhe um olhar duvidoso.

— Precisamos que pareça que temos mais números do que temos. — Amélia a lembrou. — Cada cabeça é importante. Estou indo.

Mas Sarah não a deixou seguir seu caminho.

— Eu te amo, moça, e não vou ver você cair de uma muralha duas vezes mais alta do que a que quase caiu há pouco. Eu sei como você fica quando sua mãe está por perto. Você vai ficar aqui. Você vai ficar aqui e decidir de uma vez por todas que caminho escolherá em sua vida. Um caminho com Edmund e felicidade, e no ritmo, vocês dois brincando na cama e uma dúzia de crianças. —Ela sorriu quando Amélia corou até as raízes dos cabelos. — Ou uma vida com o chanceler, que é muito parecido com sua mãe quando se trata dos menos privilegiados. Sem mencionar aquela mulher morta de quem você me falou. Ele provavelmente vai lhe bater e fazer com que você faça todos os tipos de coisas sexuais perversas. Vamos nos perder de vista. O mais importante, você perderá sua felicidade e tudo o mais que você ama.

Suas palavras trouxeram lágrimas aos olhos de Amélia. Ela as enxugou, abriu a boca e fechou-a novamente. Sarah estava certa. Ela perderia tudo se deixasse Edmund. Mas ela perderia muito se permanecesse com ele. Ela perderia seu pai e se seu tio atacasse, ela provavelmente perderia Edmund. Ela tinha que encontrar uma maneira de voltar para seu pai e pôr fim a qualquer nova luta.

Ela olhou para baixo e viu Grendel a seus pés. Ela caiu no chão ao lado dele e fechou os braços em volta do seu pescoço.

— O que devo fazer, caro amigo? Amo seu pai, mas amo o meu também. — Ela suspirou e beijou sua bochecha peluda. — Você vai me ajudar, não é?

Ele lambeu o rosto dela uma vez e voltou a ofegar.

— Ugh! — Ela enxugou o rosto e olhou para seu perfil desinteressado, enquanto ele mantinha os olhos na porta.

— Vá até ele então. — Ela se levantou e caiu para trás na poltrona. — E beije-o por mim.

Ela enterrou o rosto na pele de Grendel e chorou quando ele veio para ela, saltou para o poltrona e para seu colo.

A boa sorte de Darach o deixou com um humor especialmente agradável em seu caminho de volta para Ravenglade apenas um par de horas depois que ele partiu. Devia ser por isso que ele ainda não tinha se sufocado com a respiração de Janet Buchanan. Ele se encontrou com William e sua irmã no caminho para Ravenglade em resposta ao convite de Edmund ontem. Quando Darach explicou que o duque de Queensberry e toda sua guarnição haviam chegado para tomar o castelo e reivindicá-lo de volta ao trono, William concordou em segui-lo de volta a Ravenglade.

— Não, espere por mim aqui. — Darach disse a ele. — Voltarei em um ou dois dias com muitos homens atrás de mim.

— Seus parentes podem estar mortos até lá. — William argumentou. — Nós iremos agora. Enviarei meus homens de maior confiança para reunir os outros clãs.

Foi quando ele contou a Darach sobre os túneis. Inferno, havia túneis! Os Buchanans começaram a cavá-los logo depois que os avós de Darach deixaram Ravenglade. Eles tiveram muito tempo para cavar!

— Foi assim que entramos na outra noite. — William admitiu. — A ponte foi deixada baixada, mas seríamos tolos se passássemos pelas portas da frente do nosso inimigo.

O bastardo estava certo e inteligente também. Túneis! Todos eles poderiam brigar por isso mais tarde. Agora ele tinha uma maneira de tirar seus primos sem serem descobertos. Ele queria gritar de gratidão. Ele amava uma boa luta tanto quanto qualquer outro Highlander. Mas quatro contra duzentos eram inúteis, mesmo para Grants e MacGregors. E William estava correto. Enquanto Darach estava recrutando ajuda, seus parentes poderiam morrer.

Ele iria tirá-los todos vivos. Teria sido um dos dias mais perfeitos de sua vida se Janet não tivesse insistido em ir com eles. Ele não tinha certeza se ela poderia cuidar de si mesma se encontrassem um ou dois soldados perdidos quando se aproximassem do castelo. Ele tinha visto seus reflexos rápidos. Ele pode ter gostado de sua companhia, já que o sorriso dela permaneceu em seus pensamentos quando ele acordou esta manhã. Mas até agora, ela não tinha feito nada além de discutir com seu irmão e admoestá-lo por contar a Darach seu grande segredo.

— Então seu plano, — ela perguntou a William agora, — é tirar o resto deles e então voltar para buscar nossos homens e atacar por trás?

— Isso é correto, Janet, — seu irmão disse lentamente, suplicando aos céus. — Eu já expliquei isso. Os homens do duque não esperam nenhuma oposição por trás deles.

— Hmmm, sim, eu me lembro de você ter mencionando isso. O que ainda não sei é por quê? — Ela gritou a última palavra e finalmente conseguiu irritar Darach.

— Agora que você conseguiu aliviar o seu nervosismo, podemos ter, por favor, um ou dois momentos de paz de sua língua ferina?

Janet estreitou os olhos para ele e forçou um sorriso tenso.

— Vou ficar em silêncio. Mas primeiro eu quero saber por que não deixamos eles matarem todos vocês. Ravenglade seria nossa.

— Sim, logo depois que você derrotasse o exército a trinta metros de distância.

— Por que devemos lutar por você? — Ela perguntou a ele com veemência. — Se devemos ser nada além de servos dos Grants, por que diabos deveríamos lutar por Ravenglade?

— Porque vou dizer pela última vez, vocês não serão servos. — Darach lançou-lhe um olhar sombrio, então lembrou por que ele estava naquela tarefa em primeiro lugar. Pode ter sido Edmund cuja paixão deu vida à causa, mas Darach também acreditava nisso.

— Ravenglade é apenas a primeira coisa que eles levarão. O duque e seus homens desejam nos vender por um preço. E embora nobres como Queensberry e o chanceler vão coletar o ouro, somos nós que realmente teremos que pagar. Nosso país está prestes a ser conquistado pelos ingleses. Eles tomarão decisões sobre nossos impostos, nossos deveres e responsabilidades para com o trono, o que provavelmente nunca verá outro rei escocês. Nossa terra será tirada de nós, especialmente se possuirmos algo de valor sobre ela.

— Estamos com você, Grant. — William prometeu e lançou a sua irmã um olhar castigador. — Ela não vai mais falar sobre isso.

O olhar frio de Janet captou o de Darach, e dane-se se isso não o fez sorrir. Ela era atrevida e ele gostava de suas moças atrevidas. Ela não era a primeira garota que ele desejou, mas foi a primeira garota que ele quis ir para a cama e depois atirar no penhasco mais próximo.

— O que você se importa com as leis aqui? É como se seus parentes não as obedecessem.

Ele poderia ter ignorado e fingir que não a ouviu. Afinal, ela resmungou sua réplica.

— E que leis você quis dizer? — Ele perguntou, virando-se para olhar para ela. — Aquelas que proíbem o nome de um clã de ser usado ou falado? Os que impedem meus parentes de revidar, mesmo que sejam inocentes?

— Eu reconheço que a proscrição contra os MacGregors é injusta...

— Ah, você reconhece isso. — Ele a interrompeu momentaneamente para lançar um sorriso zombeteiro. — Ainda há esperança para a nossa espécie.

Ela ignorou seu comentário, que curvou seus lábios com algo mais genuíno.

— É desumano, — Ela continuou. — Mas os decretos contra vocês quase nunca são executados.

Seu olhar sobre ela se endureceu e ele gostou do jeito que a fez endireitar os ombros, como se ela estivesse se preparando para enfrentá-lo.

— Como você sabe o que é exercido contra nós? Você estava lá toda vez que um de nós foi preso? Nenhum jamais retorna. Eles não podem mais nos caçar com cachorros e marcar os rostos de nossas mulheres, mas somos considerados mais inferiores do que as botas de um nobre. E eles não pensam assim somente sobre nós, mas sobre todos os escoceses. Eles sempre buscarão nos subjugar. Sempre. Se nenhum de nós reagir, não serão apenas os MacGregors cujos direitos são roubados por baixo de seus traseiros indefesos.

Finalmente, ele conseguiu silenciá-la. Ele queria gritar uma saudação de vitória. Mas, loucamente, a decepção o dominou primeiro. Ele queria contar a ela sobre seus parentes, sobre as ações dos homens que ele considerava muito acima de qualquer homem em qualquer outro lugar. Camlochlin criou grandes guerreiros, heróis que enfrentaram seus inimigos de frente e deixaram respeito e medo em seu rastro. Ele ansiava por contar a ela sobre seu avô Graham Grant e seus feitos heroicos em prol do trono de Stuart. Mas seu avô foi parte da razão pela qual James Buchanan morreu. Então ele suspeitava que ela não gostaria de ouvir isso.

— Estou me transformando em meu pai. — Ele murmurou baixinho. Ele já suspeitava disso há algum tempo, mas tentava negar. Mas ele sentia a força das letras, a chamada da música em seu sangue.

— Ele é tão ruim assim?

Darach piscou para ela.

— Quem?

— Seu pai?

Inferno. Ele tinha falado alto o suficiente para ela ouvir?

— Ele é pior, — Respondeu ele. — Ele é um poeta.

 


Capítulo 33


Ninguém viu Darach e seus dois convidados de Buchanan entrarem em Ravenglade, já que o fizeram pelo norte e de um túnel começando a pelo menos oitocentos metros de distância. Eles entraram no castelo através de um alçapão secreto dentro de um pequeno quarto de armazenamento além da despensa, no corredor da cozinha. Henrietta e Amélia os descobriram primeiro, graças aos rosnados baixos de Grendel arranhando a porta para entrar no pequeno quarto.

Amélia ficou bastante atordoada ao ver os três entrando no corredor de outra sala que parecia estar fechada por fora. Ela reconheceu William de sua última visita aqui e adivinhou que a garota com ele era sua irmã, Janet.

— O que você está fazendo aqui e como diabos entrou? — Ela perguntou a Darach, dando-lhe um breve abraço.

— Túneis, — disse ele enquanto ela os seguia até as ameias, onde Edmund vigiava com os outros. Eles ficaram todos tão chocados ao ver Darach e os Buchanans quanto ela. Todos eles ouviram William explicar sobre os túneis. Malcolm fez uma careta durante toda a interpretação. Suas palavras murmuradas como “toupeiras”, “ratos”, “ladrões” e “bastardos” lhe trouxeram uma carranca tão sombria quanto a do rosto de Janet, mas ela não olhou para Malcolm por muito tempo. Nenhuma mulher o faria se quisesse manter seus bons sentidos. Edmund parecia tão aliviado com a notícia que Amélia pensou que ele poderia lançar os braços em volta de William, e talvez Janet também.

— O duque fez algum outro movimento? — Darach perguntou depois que William olhou por cima da muralha e assobiou para a quantidade de homens abaixo.

Edmund contou-lhes sobre a nota presa à flecha do duque. Ele também contou a ele em breves detalhes sobre Amélia quase caindo para o lado e ele sendo flechado por seu pai.

— Eles provavelmente acreditam que eu a empurrei e então a balancei acima do solo como uma ameaça. Isso nos deu um pouco mais de tempo, mas não sei quanto. Assim que eles começarem a tentar entrar, não teremos muito tempo.

— O que a quase queda dela tem a ver com o exército?

Todos se voltaram para Janet, que tinha feito a pergunta, menos Darach, que espalhou o olhar sobre a paisagem, para qualquer coisa, menos para eles, e inalou uma rajada de ar.

— A Srta. Bell é a sobrinha do duque. — Lucan forneceu.

— Nós a sequestramos. — Acrescentou Malcolm.

— Assim. — Os olhos de Janet se estreitaram e escureceram em Darach. — Eles vieram por ela então e não por Ravenglade?

— Ravenglade? — Malcolm perguntou, parecendo não muito satisfeito com ela ou seu irmão. — Os únicos que querem tentar tirá-lo de mim são seus parentes.

— Inferno. — Darach murmurou e fechou os olhos. Quando ele os abriu novamente, ele pegou o olhar de Amélia.

Ela sorriu suavemente para ele, entendendo o que ele tinha feito.

— Não de acordo com seu primo Grant, o mentiroso. — Janet corrigiu Malcolm. — Viu, Will? — Ela se virou para o irmão. — Eu disse a você que não deveríamos ter confiado nele.

— Suas intenções não eram enganá-la, Srta. Buchanan. — Amélia se virou para ela e se perguntou se o céu frio de estanho tinha algo a ver com a cor gelada de seus olhos.

— E como você sabe disso, minha senhora? — Ela perguntou a Amélia, cruzando os braços sobre o peito.

— Porque eu sei que ele disse a você tudo o que precisava dizer para que pudesse encontrar seus túneis e nos tirar daqui. Se isso o torna um canalha para você, então talvez, Janet, precise de um ou dois amigos leais para provar que está errada.

Janet encontrou o olhar de Darach e pareceu recuperar o fôlego. Ela voltou sua atenção para Amélia e respondeu ao seu sorriso caloroso com outro.

— Eu não estou acima de admitir quando estou errada.

— Aonde isso leva? — A pergunta de Edmund chamou sua atenção de volta para os homens.

— Cerca de meia milha a Leste, além do exército.

— Impressionante. — Luke disse.

— Meus parentes tiveram muitos anos para construí-lo. — William disse a eles. — É mais impressionante do que você pode imaginar.

— É, — Darach validou. — Um homem não precisa abaixar a cabeça para passar por ele.

— Mostre-nos. — Edmund deu um tapinha nas costas de William e o levou a Luke. — Se for seguro o suficiente, podemos partir esta noite. Eu vou em um momento.

Antes de partir, Edmund se voltou para Darach.

— Você vai vigiar um pouco? Fique de olho em Amélia enquanto ela está aqui?

— Sim.

— Eu quero ver o túnel, Edmund. — Amélia disse.

— Sim, moça. — Prometeu ele, tocando seu rosto com as costas dos dedos. — Depois que eu considerar seguro para você.

Ela assentiu. Ela veria o túnel e o usaria mais tarde. Nada havia mudado para ela, exceto que Edmund estaria seguro e agradeceria a Deus por isso. Mas ela ainda não podia deixar seu pai. Agora, pelo menos, ela tinha uma maneira de voltar para ele. Seu tio já havia declarado em sua carta que o tratado não seria dissolvido. Não havia mais nada a ser feito. Edmund a odiaria por deixá-lo? Ela não choraria e tentaria se concentrar no que precisava fazer.

Edmund se virou para sair e chamou Darach por cima do ombro.

— Você salvou a todos nós, rapaz.

— Sim, — Malcolm falou, em sua saída. — Você vai precisar de uma ode para si mesmo. Agora existe um desafio.

Amélia sorriu através de sua tristeza e se virou para Darach enquanto todos os outros deixaram as ameias.

— Eu gosto dela.

— Quem?

Ela deu um tapa no braço dele.

— Você sabe muito bem quem é. — Quando ele cedeu com um sorriso malicioso, ela balançou a cabeça.

— Eu também gosto dela, — ele admitiu. — Mas eu não quero uma esposa ainda.

Amélia fez beicinho por um momento, sabendo que ela não poderia discutir seu ponto. Ele tinha dezoito anos, dezenove no máximo. Se ele não estava pronto, era bom que soubesse disso.

— Espero não estar interrompendo, — Disse Janet, alcançando-os. — Já vi os túneis, mas nunca um exército. — Ela fixou seu olhar além do fosso e vasculhou o terreno com a vista, nenhuma vez olhando na direção de Darach.

Amélia suprimiu a vontade de sorrir para os dois e deu desculpas para deixá-los sozinhos. Ela contaria a Darach mais tarde o que pensava da Srta. Buchanan. O que a idade deles importava quando havia tanta energia e poder entre eles? O ar ardia e crepitava e os dois lutavam para negar. Era uma bobagem. Darach devia se permitir o prazer de amar uma mulher. Amélia contaria isso a ele mais tarde, se tivesse tempo.

Primeiro ela tinha que se preparar para sua fuga. A ideia de fugir de Edmund quase a fez cair de joelhos. Ele não entenderia por que ela o deixaria. Ela deveria contar a ele, mas o que diria? E se ele a impedisse à força? O que seria de seu pai?

Quando Edmund voltasse de ver os túneis, ela se retiraria para seu quarto, alegando que precisava de um cochilo depois de um dia tão cansativo e perigoso. Ela iria embora logo depois disso. Claro, viajar pelo túnel sozinha iria assustá-la, mas o que mais ela poderia fazer? Deus a ajudasse, ela nunca seria feliz com Walter. Ela nunca seria feliz com qualquer outro homem além de Edmund. Ela tinha saboreado o amor. Ela foi acariciada por ele.

As coisas eram diferentes agora.

Ela havia mudado, mas seu futuro não.

Ela foi para a cozinha, onde Sarah e Etta preparavam o jantar. Sarah. A ideia de deixá-la, de nunca mais ver sua amiga mais querida, provocou mais lágrimas. Ela amava Sarah mais do que ela jamais poderia expressar, e não iria expressá-los agora. Ela não podia se deixar influenciar. Sarah teria uma vida maravilhosa com Lucan. Isso é o que importa.

Ela pegou um avental e se juntou a elas em sua tarefa, mantendo sua mente longe do que precisava fazer.

Ela pensou em contar a Sarah seu plano, mas desistiu. Sua amiga tentaria dissuadi-la de ir. Muitas coisas poderiam dar errado, mas Amélia estava disposta a arriscar. Ela precisava arriscar.

Com sua decisão tomada, ela se concentrou em assar shortbread12, os favoritos de qualquer escocês.

Quando uma hora se passou, ela saiu da cozinha sem contar a Sarah seus planos. Ela voltou para as ameias para se certificar de que Edmund e os outros haviam retornado e o túnel estava limpo e seguro. Depois de trocar uma palavra com Janet, ela olhou para o exército de homens abaixo. Ela seria capaz de encontrar seu pai entre eles, especialmente com o sol se pondo? Ela teria que tentar.

— Podemos ver onde o túnel nos deixará sair daqui? — Ela perguntou casualmente.

William olhou, apertando os olhos contra o sol poente.

— Deixe-me pensar. — Ele mediu a distância com os dedos e apontou para o Leste, a uma boa distância do exército. — Sim, eu acredito que é por ali que vamos sair. É difícil dizer daqui. A floresta é parecida.

— Quando o duque souber que fomos, — Edmund disse, vindo por trás dela e fechando os braços em volta de sua cintura, — estaremos na metade do caminho para Skye. Precisamos conversar sobre isso agora, meu amor. Vamos entrar, sim?

Ela fechou os olhos, com medo de que se a virasse para o olhar, ela se agarraria a ele e nunca mais o soltasse. Como ela iria insistir em ir embora? Exigir, se necessário, que ele a devolvesse ou a deixasse aqui enquanto escapava? Ele não concordaria com isso e ela não era forte o suficiente para resistir a ele por muito tempo. Ela poderia realmente deixá-lo? Quão diferente seria sua vida agora que ela conhecia o amor? Ela poderia viver sem isso? Sem ele? Ele era seu David, seu matador de gigantes, só que não matou o gigante desta vez. Qual era a diferença desta vez, com ela na vida dele? O que mais aconteceria com ele se ela ficasse? Ela tinha que ir. Mas se ele soubesse, não permitiria.

— Não há necessidade de falar mais sobre isso, — ela disse e respirou fundo em seus pulmões para ajudá-la a sorrir quando se virou em seus braços. — Amo você e não posso deixá-lo.

Seu alívio era evidente em sua respiração abalada, o calor em seus olhos, o belo sorriso se formando em seu rosto.

Depois de um beijo, ele moveu-se para voltar aos seus planos, mas ela o deteve com uma mão em seu braço.

— Quando iremos embora?

— Vamos sair um pouquinho antes da meia-noite, — ele disse a ela. — O túnel é alto e largo o suficiente para que nossos cavalos possam sair.

— Bem, então. — Amélia fechou os olhos e rezou para continuar respirando um pouco mais quando Edmund deu um beijo em sua têmpora — Acho que vou tirar uma soneca. Estou cansada do dia e precisarei de descanso durante a viagem. Edmund, — Ela o parou novamente quando ele se virou para sair, — você deu vida aos meus sonhos. Amarei você e nenhum outro pelo resto da minha vida.

Seu sorriso sumiu um pouco e ele deu um passo para trás.

— Edmund? — Malcolm chamou. — William concordou em levar Henrietta e Chester para sua aldeia até que o exército deixe Ravenglade. Venha, mais preparativos precisam ser feitos.

— Vá, meu amor, — ela o encorajou. — Eu te vejo depois.

Ela o observou sair, chamando Darach quando ele deixou as ameias. Ela não devia pensar. Apenas fazer. Mover-se antes que ela nunca mais partisse. Ela correu para a despensa. No caminho, ela pegou uma vela para iluminar seu caminho dentro do túnel. Ela tinha que fazer isso rapidamente, antes que alguém a visse. Antes de ouvir seu coração e tirar uma soneca em vez de fugir.

Puxando o alçapão, ela fez uma oração silenciosa e engatinhou para dentro. Como ela suspeitava, era assustador estar no subsolo, cercado por vigas de madeira e terra. Felizmente, havia tochas acesas ao longo do caminho, para iluminar seu caminho. Os Buchanans realmente realizaram uma proeza impressionante cavando este túnel, mas ela ainda não gostava de estar nele. Ela avançou, recusando-se a pensar no que estava deixando para trás. Ela não ouviu o gemido baixo atrás dela, a respiração pesada a seguindo. Ela não ouviu nada além do som de seu próprio coração batendo... quebrando.

 


Capítulo 34


Edmund olhou para o rosto que o encarava e ajustou o olho esquerdo. Ele enfiou mais feno no plaid do boneco do Highlander e o poliu um pouco. Afinal, era para ser ele, não uma mulher. Havia oito bonecos de feno ao todo, quatro dos quais vestidos com os plaids pertencentes a Edmund e seus primos Highlanders. Nenhum deles se importou em deixar seus plaids para trás. Eles tinham mais coisas em casa e havia muitas roupas em Ravenglade para vestir, deixadas aqui por Connor Stuart e os homens que vieram depois dele.

Agora, Edmund usava colete, calça marrom escura e camisa branca com babados. O ajuste não era tão ruim, um pouco apertado, mas Sarah assobiou para ele quando passou por ele no corredor e Janet o olhou, no pátio atrás da parede cortina onde vestiam seus bonecos. Felizmente, sua aparência agradaria Amélia também. Ele olhou ao redor do pátio iluminado por tochas procurando por ela. Ele não a via há uma hora e o jantar estava quase pronto. Ele checou seu quarto, mas ela não estava lá. Ele pensou que ela poderia estar empacotando algumas coisas ou ajudando Etta e Sarah na cozinha. Quando ele não a encontrou, saiu para o pátio e encontrou os outros fazendo seus bonecos modelos. Ele decidiu esperar por ela lá.

— Alguém viu Amélia? — Ele perguntou agora, sentindo uma onda de medo repentino dominá-lo por quão escuro tinha se tornado. Ele encolheu os ombros. Ela não tinha deixado o castelo. Ela tinha? Quando ele viu seu cachorro pela última vez? Ele queria rir do medo bobo que ameaçava dominá-lo novamente. Ela estava aqui, em algum lugar do castelo... fazendo algo. Provavelmente a caminho de encontrá-lo agora.

— Achei que ela estava na cozinha. — Disse Malcolm.

— Ela não está, — Luke disse a eles. — Sarah estava procurando por ela um pouquinho atrás.

Edmund permaneceu calmo e se voltou para Darach e Janet. Ambos balançaram a cabeça. Eles não a tinham visto. Ele não correu de volta para o castelo. Ele queria, mas não queria que os outros acreditassem que ele a achava tola, o suficiente para partir sozinha. Ou que ele era o idiota por acreditar nela quando ela disse que o amava e que queria ficar com ele. Ele fez seu caminho para dentro da fortaleza e então correu para a cozinha e entrou. Ela não estava lá. O Jardim. Ele correu para lá e entrou no ar frio da noite.

— Amélia! — Ele gritou na escuridão. — Grendel!

Ele se virou quando nenhuma resposta veio e correu através do longo corredor e irrompeu por três portas, a última sendo a que levava à despensa.

Quando ele viu o alçapão do piso afastado, ele soube. Ela foi embora. Ela o deixou, e sem nem mesmo uma maldita despedida.

Ele desapareceu no buraco, deixando o alçapão como estava.

Amélia parou e apoiou as palmas das mãos na parede. Deus a ajude, quanto tempo ficaria neste túnel? Ela odiava. Ela odiava as sombras que dançavam ao longo de suas paredes e teto. Ela teve que parar duas vezes para fechar os olhos e se esforçar para não entrar em pânico. Ela não conseguia respirar. Ela se sentia como se estivesse sufocando com o ar viciado e quente e queria voltar correndo. Se não fosse por Grendel, ela teria caído. Ela falou com ele e o observou respirar sem esforço.

— Não vou dizer que é um bom menino por me seguir, Grendel, mas estou feliz que esteja aqui, querido amigo. — Ela pensou no quanto Edmund amava aquele cão digno. Ela fungou outra enxurrada de lágrimas. Houve duas outras fungadas desde que ela entrou no túnel. A primeira veio graças a Edmund e a segunda, por Sarah. Ela duvidava que seu coração se curasse e ela passaria todas as noites de sua vida chorando.

— Acho que estou sentindo uma leve brisa. — Ela parou e tentou se concentrar no sopro de ar mais fresco que tinha certeza que acabava de soprar em seu rosto. — Eu rezo para que estejamos perto. Tenho medo de enlouquecer neste lugar.

Grendel ergueu os olhos para ela, seus olhos escuros grandes e quase compreensivos. E então ele apurou os ouvidos, virou a cabeça para olhar para a frente e saiu disparado.

— Grendel! — Ela gritou por ele. Ela não queria que ele a deixasse sozinha. Ela correu atrás dele, o coração batendo loucamente enquanto se apressava por um caminho tortuoso resfriado pelo ar noturno. Ela estava se aproximando da abertura.

Graças a Deus.

Um tiro de pistola soou perto, parando-a em seu caminho. Seguiu-se outro som que caiu tão pesadamente em seu coração que ela teria caído de joelhos com o peso dele se não estivesse segurando a parede.

O choro de um cachorro. Grendel.

Ela correu em direção ao som, mas parou antes de deixar o limiar de seu esconderijo. Um soldado estava sob uma coluna de claro luar, uma pistola fumegante na mão, e Grendel caído a seus pés.

Não! Não! Não Grendel! Amélia caiu contra a parede e depois de joelhos. Isso não poderia estar acontecendo. Não Grendel. Oh, Deus, por favor, Grendel por favor, não, ela orou enquanto o soldado empurrava seu amado amigo com a bota. Grendel não se mexeu. Amélia tapou a boca com as mãos para não gritar. Mesmo em seu tormento, ela não poderia entregar o túnel. Ela não podia ir até ele. Ela não podia sair correndo e deixá-los vê-la. O exército entraria em Ravenglade e mataria todos. Ela queria gritar porque era sua culpa. A cena horrível diante dela era culpa dela. Não havia como negar desta vez. Ela observou ao longo da entrada do túnel, cuidadosamente escondida atrás da vegetação densa e das árvores enquanto mais soldados apareciam, alertados pelo tiro da pistola.

Ela se esqueceu do pai, da mãe, de todos em sua vida, enquanto esperava escondida na escuridão, tremendo, contando os momentos até que se tornasse totalmente insuportável, esperando os soldados irem embora.

O que ela fez? Ela tentou o melhor que pôde para não soluçar enquanto as imagens de Grendel, sempre a seus pés, a assaltavam. Ela passou a amar a maneira como uma de suas orelhas apontava para cima enquanto a outra caía sobre a testa. Isso o fazia parecer especialmente adorável. Sim, ele pode ter sido criado para lutar ao lado de Edmund, mas ao redor dela, Grendel era só um cachorrinho enorme.

— Venho pegar um ar em particular, — disse o soldado ao amigo, — quando esse vira-lata apareceu do nada e me atacou.

O outro riu.

— Deve ter sido aquele seu canto horrível.

Amélia soluçou baixinho em suas mãos.

Quando eles deixaram a cena alguns momentos depois, ela deixou seu esconderijo e caminhou lentamente até o corpo de Grendel caído nas folhas, sem vida.

Ela caiu de joelhos.

— Grendel. — Ela moveu a cabeça dele para seu colo e passou a mão sobre sua cabeça desgrenhada, as lágrimas caindo em seu pelo. — Oh, por favor, garoto, não vá. O que vou fazer sem você? — Ela havia causado isso. Se ela não tivesse deixado Ravenglade, Grendel provavelmente estaria dormindo a seus pés no Salão Principal agora, não morto em seu colo. Ela pensou que nada poderia acontecer depois desse instante que pudesse ser pior. Ela estava errada. Ela estava muito errada.

Ela sabia que o que havia acontecido era trágico, algo para nunca ser esquecido. Mas quando ouviu Edmund chamar seu nome, ela se lembrou de que a tragédia não era só dela. Grendel era dele.

Ela não queria olhar, vê-lo chegando, ver a verdade e o horror e a tristeza despontando em seu rosto.

— Amélia! — Ele saiu gritando, sem se importar com quem alertava.

Incapaz de se conter, ela se virou para encará-lo, para acalmá-lo, para que eles não atirem nele também. Seus passos vacilaram quando a viu de joelhos.

Ele se moveu para correr para ela, mas ela ergueu a palma da mão, parando-o.

— Não chegue mais perto! — Ela não queria que ele visse. Ela desejou que ele nunca tivesse que ver.

— Amélia, você levou um tiro? — Sua voz quebrou com a emoção, e recusando seu desejo, ele deu um passo mais perto. — Você está ferido, meu amor? Eu ouvi um... — Ele parou. Essa era uma boa maneira de descrever o que aconteceu nos próximos segundos. Edmund parou.

Seus lindos olhos azuis se encheram de lágrimas enquanto se fixavam no que ela segurava em seus braços. Sua cabeça balançou, negando o que via. Ele deu um passo para trás, desejando, Amélia adivinhou, que ele pudesse voltar. Sua boca se abriu para o ar que ele não se importava em respirar. Suas pernas se moveram de repente, estimuladas, ao que parecia, pelo gemido tenso que escapou de seus lábios. Quando ele parou sobre eles, Amélia pensou que ele jogaria a cabeça para trás e uivaria como uma besta ofendida, mas sua tristeza era muito mais dolorosa.

Ele caiu de joelhos ao lado dela e estendeu a mão para seu cachorro. Amélia se rendeu a Grendel sem dizer uma palavra. Ela queria se levantar e fugir, correr e nunca mais trazer tanta tristeza para ninguém novamente. Mas ela não conseguia se mover. Ela não podia deixar Edmund sozinho.

— Como isso aconteceu? — Ele perguntou baixinho, tentando olhar para a fera em seus braços através das lágrimas.

— Ele me seguiu. Um soldado estava cantando.

Mas Edmund não ouviu. Ele fechou os olhos e enterrou o rosto na pele de Grendel.

Ela fez isso com ele. Quem seria o próximo? Darach? Um dos outros? Seria alguém em Camlochlin quando seu tio a seguisse até lá? O amado pai de Edmund, talvez? Quanto tempo ela ficaria com ele, arriscando sua vida e as vidas de sua família com seu infortúnio?

Os outros surgiram do túnel, provavelmente alertados pelo tiro de pistola. Amélia não sabia há quanto tempo eles estavam lá, mas eles recuaram, dando a Edmund seu respeito. Ela ouviu um dos homens soluçar e outro praguejar e ir embora. Luke, Malcolm e Darach haviam perdido um amigo e Amélia sentia o peso dessa perda cada vez mais. Mas quando ela avistou Gaza a alguns metros de distância, sentada entre as árvores, seus olhos fixos em Edmund e Grendel enquanto um uivo longo e agudo deixou seu corpo, Amélia finalmente se levantou e correu.

 


Capítulo 35


Amélia não demorou muito para encontrar o exército. Tentar permanecer escondida enquanto ela encontrava seu tio era outro assunto completamente diferente. Não havia sentido em encontrar seu pai primeiro. Ele não conseguiria impedir o ataque a Ravenglade. Seu tio poderia.

Ela estava mais convencida do que antes de que fizera a coisa certa ao deixar Edmund. Ele iria acabar como Grendel. No fundo, ela sempre soube. Ou sua desgraça o pegaria, ou o exército de seu tio.

Ela foi finalmente localizada e levada à custódia do capitão David Pierce, um homem que Amélia conhecia da guarnição de Queensberry. Ele não a tratou rudemente enquanto a levava para a tenda de seu tio. Mesmo quando ela tentou se livrar dele, ele simplesmente a puxou para frente.

— O duque ficará curioso para saber de onde você veio.

O coração de Amélia bateu forte. Bom Deus, ela não tinha pensado no que dizer a ele!

— Eu escapei.

— Isso é óbvio, — disse o capitão, seus lábios se curvaram em um sorriso que não alcançou seus olhos cinza de aço. — Mas como? A ponte não baixou.

Amélia olhou para ele.

— Onde está a tenda do meu tio, capitão? — Ela se lembrou de respirar quando ele apontou. Era apenas uma curta distância. Ela precisava de mais tempo para pensar sobre como havia escapado de seus captores e chegado aqui.

— E meu pai? — Ela perguntou. — Onde ele está? Eu gostaria de vê-lo primeiro. — Seu pai não se importaria sobre como ela veio parar ali, apenas que ela estava segura. Falar com ele lhe daria mais tempo para pensar.

— Tenho certeza de que seu tio mandará chamar Lorde Selkirk depois que ele falar com você.

Droga, mas ele era um homem teimoso, provavelmente porque nunca se casou, mas graças às instruções anteriores de Sarah sobre como conseguir o que você precisa de um homem, Amélia sabia o que fazer.

— Capitão. — Ela fungou e enxugou os cantos dos olhos com as mangas. — Passei por uma provação tremenda. Sinceramente, não sei como vivi esta noite. — Foi fácil fazer-se chorar. A morte de Grendel e a tristeza de Edmund ainda estavam frescas em sua mente. — Foi o pior da minha vida, — ela soluçou, dizendo a ele a verdade. — Eu não quero nada mais do que me sentir segura novamente nos braços de meu pai.

Ele a olhou, tentando ver mais em seus olhos do que ela gostaria de mostrar a ele. Quando ela pensou que lhe negaria, ele olhou em volta e assentiu.

— Você terá apenas alguns momentos. Vou trazer sua mãe para sua tenda.

— Não. — Amélia tocou o braço dele com os dedos. — Ela ficará zangada com você por não me trazer diretamente a seu irmão.

O capitão Pierce sabia que era verdade. Todos que conheciam Millicent Bell sabiam que sua lealdade era para com o irmão antes do marido. Se ela descobrisse que o capitão da guarda de seu irmão cumpria as ordens de alguém antes da do duque, ela se certificaria de que o duque soubesse disso.

— Venha comigo então, senhora. — Ele a puxou para frente. — Veja seu pai rapidamente.

Amélia esboçou um sorriso suave e enxugou o nariz com as costas da mão. O capitão sorriu de volta.

Eles se moveram rapidamente, silenciosamente através das sombras até chegarem à tenda de seu pai. Na entrada, o coração de Amélia bateu forte em seu peito. Ela sentia muito a falta de seu pai. Pareciam meses desde que ela o abraçou, o beijou, disse que o amava. Ela mal podia esperar mais um segundo e afastou a aba da tenda.

Amélia pensou que seu poço de lágrimas havia secado, mas ela estava errada. No instante em que seu pai se virou na cadeira e a viu, as comportas se abriram novamente.

— Papai.

Seus olhos escuros brilharam como se uma chama que tivesse morrido fosse reacendida. Ele a encarou por um ou dois momentos como se ela fosse um fantasma e nem um pouco real. Então sua voz quebrou em uma nota irregular enquanto as lágrimas enchiam seus olhos.

— Amélia? — Ele deu um passo à frente. — Minha filha?

Ela correu o resto do caminho até ele que a pegou em seu abraço ansioso e esperado.

— Você está bem, Mellie? — Ele gritou em seu cabelo, segurando-a.

Ela estava agora. Por esta noite, pelo menos. Oh, ela tinha muito a dizer a ele. Ela contaria tudo a ele, desde a noite em que foi dançar.

Parado na entrada, o capitão Pierce manteve sua expressão estoica inalterada quando Amélia sorriu para ele, agradecendo silenciosamente por este tempo.

— Eu sabia que seu tio não concordaria com as exigências. Temia que quem quer que a tivesse, a matasse.

Ela balançou a cabeça, sentando-se aos pés do pai um pouco depois.

— Lamento que esteja tão preocupado, papai. Fui bem cuidada, bem protegida.

— Fomos informados por um Ennis Buchanan que ele viu você sendo beijada por Grant. Suspeito que depois de sua noite de dança, ele se referia a Edmund MacGregor.

Ela não negou, mas acenou com a cabeça.

— Sim, ele se referia a Edmund, — ela admitiu calmamente. Ela desviou o olhar de seu olhar perscrutador, sem saber como dizer a verdade. Que ela se apaixonou por um fora da lei das Highlands.

— Entendo, — seu pai disse suavemente. — Você se importa com ele?

Ela acenou com a cabeça novamente e depois baixou o rosto para o joelho dele.

— Estou loucamente apaixonada por ele, papai. E esta noite, matei o cachorro dele.

— A tenda do duque?

Edmund espiou através da cortina pesada bloqueando parcialmente sua visão da estrutura acima mencionada.

— Poderia ser. — Ele se inclinou para trás e esfregou a mão no queixo. Como diabos ele sabia de quem era a tenda? O que ele sabia sobre alguma coisa? Ela o enganou. Por que ela o enganou? Por que não contar a verdade a ele, que ela queria voltar para o pai, para Walter? Por que ela mentiu na cara dele pouco antes de partir? No instante em que teve a chance de ir, ela fugiu sem dizer uma palavra. Duas vezes! Ela era tão sem coração? Ele não sabia. Mas ele iria descobrir.

— Edmund, — sussurrou o homem à sua direita. — Esta é uma ideia ruim. Não podemos lutar contra todos esses homens.

— O que você quer que eu faça, Luke?

— Nós gostaríamos que você usasse sua cabeça, — Malcolm disse em voz baixa. — Não, a perca. Precisamos traçar um plano. Nós a traremos de volta, mas não morrendo.

— Volte então e planeje algo, — Edmund disse a ambos. — Eu não vou embora.

— Vou ficar com você, Edmund.

Edmund se voltou para Darach. Em qualquer outro momento, ele teria saudado a lealdade destemida de Darach. Mas não agora. Não quando eles enfrentariam um exército. Inferno, ele não queria que eles estivessem aqui. Quando ele percebeu que Amélia foi embora por Grendel... ele tentou sair por conta própria para encontrá-la, mas os rapazes o seguiram. Eles tentaram impedi-lo de chegar perto do acampamento do duque, mas Edmund sabia que era para lá que Amélia tinha ido. Ele não seria interrompido.

Ele se arrependeu de sua decisão apenas porque colocou seus primos em perigo. Mas agora não era hora de duvidar de si mesmo. Ele tinha que falar com ela, para descobrir como ela poderia deixá-lo e há quanto tempo estava se preparando para isso.

— Isso não diz respeito a nenhum de vocês, — ele disse a eles suavemente. — Voltem para Ravenglade. Reúna os outros e vão. Eu irei mais tarde.

— Não.

— Darach, você vai fazer o que eu digo.

Darach deu uma risadinha.

— Você ainda gosta de pensar em si mesmo como meu pai então.

Ele estava prestes a dizer ao jovem diabinho que chutaria seu traseiro como seu pai nunca tinha feito antes quando Malcolm cruzou os braços e se acomodou atrás de um grosso tronco de árvore. Luke fez o mesmo, deixando Edmund saber que nenhum deles iria a lugar nenhum.

Muito bem então. Ele foi paciente. Ele esperaria até que eles estivessem dormindo e então a encontraria.

Demorou mais do que ele esperava. Três horas depois, Malcolm e Luke mandaram Darach de volta ao castelo para informar William e os outros de seu atraso. Amélia foi tirada da tenda pelo mesmo homem de cabelos escuros que a levou para dentro, e então escoltada para outra tenda maior atrás das tropas.

Edmund assistia, alerta e incansável, enquanto sua mãe era trazida para junto dela, escoltada pelo Lorde Chanceler da Escócia, Conde de Seafield, futuro marido de Amélia.

Ele quase deixou seu esconderijo quando viu Seafield. Amélia tinha escolhido o conde em vez dele? Ela o estava beijando agora, dizendo a ele como essas últimas semanas foram horríveis para ela?

Ele sabia que estava à beira da loucura ao sequer considerar tal traição dela. Ele saber melhor, mas ainda considerou invadir o acampamento e levá-la de volta.

Depois de mais uma hora, seus primos finalmente começaram a roncar. Edmund fez uma oração silenciosa e então esticou os membros e rastejou pelas sombras até outra tenda para onde Amélia fora levada. Ainda havia guardas de Queensberry acordados o suficiente para causar um problema. Edmund não queria causar distúrbios e derrubar o resto deles em sua cabeça, então teve o cuidado de não fazer barulho e entrou na tenda de Amélia sem ser visto.

Ela se sentava no chão, entre cobertores e travesseiros, os joelhos pressionados contra o peito. Iluminada pela luz de velas, ela parecia assustada e sozinha... e bonita.

Mas ela não estava sozinha. Ela não ficou sozinha a noite toda. Sua família e os guardas de seu tio estavam por perto. Ele tinha que se apressar.

— Amélia. — Sua voz era baixa, baixa, angustiada.

Ela olhou para cima e ofegou, então saltou sobre seus pés.

— Edmund, o que você está fazendo aqui? Você deve ir! Alguém virá e encontrará você aqui e...

— O que você está fazendo aqui, Amélia? — Ele perguntou, interrompendo-a. — Por que você fugiu? É esta a vida que você deseja?

Ela balançou a cabeça e as lágrimas caíram de seu rosto.

— É o melhor.

— Melhor para quem? — Ele exigiu, levantando a voz e não dando a mínima para quem o ouvia. — Não é o melhor para mim ou para você.

— Edmund. — Ela estendeu a mão para ele. — Só vou trazer mais dor. Meu pai...

— Mais dor do que isso? — Ele se afastou dela. Muita coisa aconteceu esta noite. Ele se sentiu à beira de quebrar e fazer algo de que se arrependeria, como jogá-la por cima do ombro, carregá-la para fora daqui e matar quem quer que estivesse em seu caminho. — Como que algo que você pode fazer pode causar mais dor do que essa que me tortura agora? — Ele viu as lágrimas dela deslizarem por seu rosto e sentiu a ardência de suas próprias lágrimas cair. — Fizemos planos para um futuro juntos, Amélia.

— Eles eram caprichos, Edmund.

— Não, eles eram reais. Eu pedi para você ficar comigo. Para ser a mãe dos meus filhos...

— Eu quero isso, Edmund.

Ele queria rir, zombar de suas palavras. Mas ele não conseguia rir. Não essa noite. Talvez não por muito tempo.

— É por isso que saiu de Ravenglade pelo túnel esta noite? É por isso que Grendel está morto?

Ele não quis que suas palavras trouxessem tanta tristeza ao rosto dela. Ele sabia que a morte de Grendel não era culpa dela. Mas isso o deixaria vazio, no entanto.

— Eu tive que vir, Edmund. Devo muito ao meu pai, — gritou ela. — Eu nunca quis que Grendel morresse! Você não vê? Essa dor me segue, Edmund. Você tentou lutar contra isso, mas isso nunca vai parar e sua morte será a próxima! Você realmente acredita que meu tio nos teria deixado em paz? Ele teria matado você, talvez sua família.

Alguém fez um barulho fora da tenda. Amélia ergueu a mão como se fosse tocá-lo.

— Vá! Saia daqui rapidamente.

— Você me ama, Amélia?

— Mais que a vida. Mas...

— Então venha comigo.

— Por favor, não seja idiota, Edmund, — gritou ela, empurrando-o agora para a abertura. — Você deve ir! Não é seguro!

— É muito tarde para isso, — ele disse a ela enquanto dois guardas correram e o agarraram. Eles puxaram seus pulsos para trás e gritaram para que mais guardas viessem.

Mas Edmund não revidou. Ele os deixou pegar suas armas e depois sem dizer uma só palavra, manteve os olhos em Amélia enquanto o puxavam para fora. Ela o seguiu, exigindo que o soltassem.

— Por favor, capitão, ele não queria fazer mal!

— Eu já cedi aos seus desejos uma vez esta noite, minha senhora.

Edmund reconheceu o capitão como o mesmo homem que a havia acompanhado ao redor do acampamento antes. Ele prestou pouca atenção ao soldado enquanto o acampamento ganhava vida ao seu redor. Ele olhou para a linha das árvores, esperando que seus primos ficassem onde estavam. Ele sabia que sim. Luke, pelo menos, não era impetuoso. Ele manteria os outros dois seguros.

— Por que você fez isso? — A voz angustiada de Amélia chamou sua atenção de volta para ela. — Eles vão matar você. Por que você veio aqui?

— Por você. — Ele disse a ela suavemente.

Eles pararam e Edmund ouviu a ordem do capitão para alertar o duque de que um prisioneiro estava sendo levado até ele.

— Edmund MacGregor? — O capitão perguntou enquanto esperavam e mais guardas foram acordados.

— Sim, Edmund MacGregor. — Ele disse, enfatizando seu sobrenome.

O capitão não pareceu impressionado, mas avaliou-o dos pés à cabeça com leve interesse.

— Os Highlanders usam trajes ingleses agora?

— Os capitães do exército de um traidor se preocupam tanto com a moda quanto com a guerra agora?

O capitão riu e puxou-o pelo cotovelo.

— Você tem coragem de entrar aqui quando metade dos meus homens ainda estão acordados. Vou te dar isso como crédito, MacGregor.

— Capitão Pierce, por favor. — Amélia gritou, seguindo-os. — Isso é tudo minha culpa. Por favor, deixe-o ir. — Ela colocou a mão na manga do capitão, tentando detê-lo.

Atrás deles, outro soldado que estava cutucando Edmund nas costas o tempo todo empurrou a mão dela com força e estava prestes a adverti-la quando Edmund girou nos calcanhares e o encarou.

— Toque-a de novo, — ele avisou lentamente, sua voz uma combinação mortal de seda e aço, — e eu partirei seu crânio em dois.

O soldado riu, mas não disse mais nada a Amélia.

O capitão Pierce o puxou em direção a outra tenda, uma em que Amélia estivera antes. Edmund imaginou que fosse do duque. Quando ele entrou, viu que estava certo.

— Edmund MacGregor, meu senhor. — Pierce anunciou.

O duque de Queensberry parou de olhar para além de uma grande aba na parte de trás da tenda e sorriu. Ele não era um homem imponente e Edmund não pôde deixar de se perguntar como ele conseguiu que tantos concordassem em assinar seu tratado.

— Você está com uma aparência mais limpa do que eu esperava.

Edmund o examinou.

— Você é mais baixo.

O duque olhou para Pierce e acenou com a cabeça. Edmund dobrou-se com um punho na barriga. Amélia gritou quando mais três pessoas entraram na tenda.

— Qual é ele? — Um homem que Edmund reconheceu como o chanceler ficou boquiaberto e então estreitou os olhos para Amélia. — É este quem beijou a minha senhora? Grant, é isso?

— Walter, — a mãe de Amélia bajulou, — não sabemos se ela beijou algum deles. Ennis Buchanan não estava dizendo a verdade. Não é correto, Amélia?

— Sim, mãe.

Edmund olhou para Amélia enquanto ela o negava. Ele não queria pensar por que ela estava fazendo isso. Ele esperava que fosse para se proteger.

— Sou um MacGregor, — disse ele ao chanceler. — E posso dizer com certeza que ela não beijou nenhum dos Grants.

O chanceler olhou para ele e depois para o duque.

— Eu convidei este criminoso incivilizado para falar comigo diretamente? — Quando o duque balançou a cabeça, Seafield atacou o capitão. — Ensine este selvagem seu lugar.

O capitão acertou Edmund na barriga pela segunda vez e depois no queixo.

Desta vez, Amélia gritou com ele e agarrou seu braço para impedi-lo de golpear Edmund novamente. Alguém a empurrou para fora do caminho e a jogou no chão. Millicent Bell gritou com a visão e John, o pai de Amélia, lançou um olhar mortal para o homem que havia batido em sua filha.

Mas era tarde demais.

Todos eles assistiram incrédulos enquanto Edmund, amarrado pelos pulsos, girava sobre os calcanhares e encarava o soldado que colocara a mão em Amélia pela segunda vez. Antes que alguém pudesse detê-lo, ele girou a cabeça para trás e a acertou na testa do soldado com um estalo retumbante. O soldado caiu no chão. Seu corpo estremeceu uma vez, duas e depois parou de se mover.

 


Capítulo 36


Amélia nunca tinha visto um homem cair tão rápido. Até o capitão Pierce deu um passo involuntário para trás quando Edmund se virou para encará-los. Todos na tenda, incluindo Amélia, desviaram o olhar do prisioneiro do duque para o soldado sem vida no chão. Amélia pensou que ela iria desmaiar de terror pelo pobre Edmund. Se seu tio não fosse matá-lo por sequestrá-la, Edmund certamente seria enforcado por matar um de seus soldados. Ela queria implorar a ele por sua vida. Ela imploraria a seu tio para poupá-lo.

Surpreendentemente, foi seu pai quem se adiantou primeiro e falou.

— Sr. MacGregor, por que você veio aqui? Você entende que é um fora da lei?

Algo se passou entre eles que apenas Amélia notou, porque ela conhecia e amava muito os dois. Seu pai sabia sobre ela e Edmund. Ela tinha contado tudo a ele. Ele a lembrou então, como fazia a Edmund agora, das consequências que se abateriam sobre qualquer um que simpatizasse com o clã proscrito. Ele estava com medo por ela.

— Depois que deixei sua filha vir, — Edmund o informou, sentindo o motivo por trás das palavras do pai, — percebi que ela havia roubado minha cadela.

Seu coração despencou ao chão, sabendo que se Edmund vivesse, ele nunca a perdoaria.

— Gaza, — ele forneceu e se virou para lançar seu olhar azul pesado sobre ela.

— Bem, — seu pai perguntou a ela, — você está de posse da cadela dele?

— Não. — Disse ela delicadamente, odiando ter que infligir mais dor a Edmund. — Ela fugiu.

Ele pegou e segurou seu olhar, falando com ela tão claramente sem palavras como se ele as tivesse pronunciado. O mesmo que você.

— MacGregor, — disse o chanceler, sem chegar muito perto. Amélia não tinha percebido o quão baixo Walter não era, tão baixo quanto seu tio, ou mais baixo. Nem ela notou como suas panturrilhas eram magras em sua meia. — Não estou surpreso em vê-lo matar um dos soldados do duque, mas questiono seu motivo para matá-lo. Você se importa com Srta. Bell?

Walter poderia ser baixo e frágil em comparação com Edmund, mas ele era inteligente. Ele se aproximou dela, perto o suficiente para aquecer sua bochecha com sua respiração.

— Este doce inocente capturou seu coração, Highlander? — Ele sorriu para ela, então afastou uma mecha de cabelo de sua bochecha. Ele deslizou seu olhar escuro para Edmund e com uma peculiaridade satisfatória de sua boca, virou-se para o tio de Amélia. — Ele está com raiva. É claro ver em seus olhos que ele não a seguiu aqui por causa de uma cadela. Eu quero a verdade antes de levá-la para minha cama. Não deitarei aonde um selvagem já deitou.

Amélia empalideceu e desviou o olhar para Edmund. Por favor, por favor, não diga nada, ela silenciosamente implorou.

Ele parecia tê-la ouvido e deixou Walter passar por ele ileso quando saiu da tenda.

— Walter. — Millicent Bell moveu-se para seguir o chanceler para fora. — Você pode ter certeza de que, apesar dos defeitos da minha filha, ela nunca dividiria a cama com um deles.

Amélia baixou o olhar para os sapatos. Surpreendeu-a como sua mãe sempre poderia fazê-la se sentir pior. Quando ela pensou que nada poderia ficar pior, sua mãe provou que ela estava errada. Amélia percebia agora que Millicent Bell nunca mudaria. Ela amava Amélia, à sua maneira. Mas Amélia era muito parecida com seu pai para ganhar o respeito de sua mãe. Ela não se importou mais.

— Meu lorde, — seu pai falou para seu tio, puxando sua atenção de volta. — Minha filha tem plena consciência da impossibilidade de união entre ela e um homem com crenças opostas.

— Isso é verdade, sobrinha?

Ela sentiu todos os olhos dos homens sobre ela. Todos esperavam por uma resposta. Ela queria olhar para Edmund, mas temia que, se o fizesse, cairia de joelhos e se mostraria uma mentirosa.

— Sim, tio. — Disse ela, esperando que não fosse tarde demais para salvar Edmund. Seu pai sabia que ela amava Edmund, mas não era hora de confessar. — Estou totalmente ciente. O que o chanceler não consegue lembrar é que escapei e vim direto para você.

— Achei que o Sr. MacGregor a tivesse deixado vir.

— Eu desci pela janela mais baixa. — Amélia disse, controlando o tremor em sua voz. — Ele me viu correndo e me deixou vir sem perseguir-me.

— Até que ele descobriu sua cadela desaparecida. — Seu tio a lembrou.

Amélia assentiu e se virou para olhar para Edmund. Ela não conseguia tirar os olhos dele, mas precisava. Ela ansiava por correr para ele, tocá-lo, libertá-lo. E então fugir dele. Deixá-lo era a única maneira de garantir sua segurança. Ou assim ela pensava. Ela fugiu e ele a seguiu e agora ele estava em mais perigo do que antes. O que ela poderia fazer para ajudá-lo? Como ela poderia salvá-lo?

— Você causou muitos problemas à minha família, MacGregor.

— Tio, se eu puder...

— Talvez você não possa! — O duque não gritou. Ele a cortou como uma lâmina descendo. Limpa, precisa, final. Ele se virou para seu capitão. — Se ela fizer outro som, remova-a.

Amélia não quebrou o contato visual com seu tio imediatamente. Ela cresceu vendo ele intimidar todos ao seu redor. Ela estava cansada disso. Ela não o desafiaria enquanto ele ameaçasse a vida de Edmund. Ninguém, especialmente Edmund, perderia a vida por causa dela, novamente.

— Sabe, — Walter voltou e desviou a atenção de sua mãe para Edmund. — Que você pode ser julgado por traição?

— Traição contra quem? — Edmund perguntou. — Rainha Anne? — Ele balançou sua cabeça. — Ela favorece os políticos conservadores moderados, como eu. Ou você pretende me acusar no nosso Parlamento, que logo será dissolvido?

— O Parlamento da Inglaterra também será dissolvido. — Walter sorriu para ele, como se Edmund fosse muito ignorante para saber. — Os dois reinos finalmente estarão em pé de igualdade.

O sorriso de Edmund era igualmente zombeteiro.

— E temos motivos para confiar na Inglaterra porque eles cumpriram todas as promessas feitas no passado? — Ninguém falou, mas todos sabiam a resposta. — Todos vocês perderão seu poder, e então seus direitos, assim como os escoceses mais puros antes de vocês quando forem descobertos. Chanceler, — Disse ele, voltando-se para ele, — Não é tarde para mudar de ideia. Se você decidir nos próximos dias lutar pela independência de seu país dos subjugadores, terá o apoio de muitos.

Walter estreitou os olhos para ele e depois riu.

— Um fanático. Agora eu entendo porque sua espécie é sempre a primeira a morrer. Vocês não podem controlar suas paixões. Diga-me, Amélia. — Inesperadamente, ele se virou para ela, pegando-a desprevenida. — Quantas vezes ele falou com você sobre suas opiniões, e ele sempre foi tão apaixonado por elas?

— Deixe-a, Seafield. — Seu pai avisou. — Não é tarde demais para recusar minha bênção.

Amélia lançou a seu pai um sorriso orgulhoso e ligeiramente surpreso.

Ela sabia o que Walter estava tentando insinuar e os outros também. Ela endureceu a mandíbula contra ele. Ele a acusaria de traição também? Ameaçaria bater nela? Ela demorou a falar, querendo mostrar o quão pouco ele a intimidava.

— Sr. MacGregor tem muitas opiniões e é apaixonado por todas elas. Mas ele não me forçou nenhuma de suas crenças.

— O que ele forçou a você, querida? — Perguntou o chanceler.

Edmund foi em sua direção, mas foi interrompido pelo capitão Pierce, que, após uma segunda ordem de Walter, deu-lhe um soco no rim. Amélia lutou desesperadamente contra as lágrimas que brotaram de seus olhos quando Edmund se dobrou. Ela olhou para Pierce primeiro, e depois para Walter.

— Ele não me forçou nada, — Amélia respondeu, olhando para os dois. Ela estava dizendo a verdade. O que ela fez com Edmund, fez por sua própria vontade.

— Então você permanece pura para nosso leito matrimonial?

— Seafield! — O pai de Amélia interceptou. — Este interrogatório com minha filha já foi longe o suficiente. Não vou ficar aqui e ouvir você desonrá-la com tais perguntas. Me remova. Eu não me importo. Na verdade, nos tire de Queensberry

— John! — Sua esposa gritou com ele.

Ele a ignorou e continuou ou tentou. O aceno sutil do duque ao capitão Pierce encerrou o discurso atípico de John Bell.

Amélia observou seu pai sendo escoltado para fora da tenda e queria segui-lo. Mas ela não estava prestes a partir quando o destino de Edmund estava nas mãos de seu tio.

— Pelo bem da minha irmã, não permitirei que seja mais questionada esta noite, Amélia.

Amélia não agradeceu ao tio.

— Vamos voltar nossa atenção para o prisioneiro. Devemos? Senhor MacGregor, asseguro-lhe que ocorrerá a união entre a Escócia e a Inglaterra. Raptar minha sobrinha não teria impedido. A única coisa que você conseguiu foi perder meu tempo e o tempo do meu exército nos forçando a vir aqui. Você angustiou minha irmã até que eu tive que pagar mais quatro médicos para examiná-la e confiná-la em sua cama.

Amélia olhou para sua mãe do outro lado da tenda e balançou a cabeça, respondendo às suas perguntas silenciosas quando sua mãe cortou o olhar e se virou.

— E o mais importante, — seu tio continuou, — você incorreu em minha ira ao me roubar. Não me importo com sua causa ou suas crenças, MacGregor. Existem centenas como você cujas vozes serão silenciadas eventualmente, assim como a sua será quando voltarmos para Edimburgo. Você se tornará o exemplo deles.

— Tio...

Ele ergueu a mão para silenciá-la.

— Defenda-o e sua morte será mais lenta. Capitão! — Gritou por Pierce e ordenou que Edmund fosse levado embora. — Partimos ao amanhecer. — Anunciou ele a seus homens ao sair da tenda.

Amélia observou o capitão Pierce levar Edmund embora. Ela tinha que fazer algo para ajudá-lo.

Ela se recusou a falar com sua mãe e voltou para sua tenda sem escolta. Quando ela entrou, uma mão sobre sua boca silenciou seu grito.

— Och moça, somos apenas nós. — O sussurro rouco de Malcolm caiu em seu ouvido.

— Deixe-a, Cal, — Lucan disse, deixando as sombras. — Ela não vai gritar, vai, Amélia?

Ela balançou a cabeça negativamente, tão aliviada em vê-los que se sentiu um pouco tonta. Eles o ajudariam. Eles salvariam Edmund.

— Por que você voltou aqui? — Malcolm a soltou e se moveu para ficar diante dela, seus olhos fixos nos de Amélia. — Você tinha que saber que ele a seguiria.

— Tive de voltar por vários motivos. — Ela começou, esperando que eles entendessem. — Eu pensei que estava salvando Edmund da destruição e a ruína completa de meu pai.

— Como você estaria evitando a destruição de Edmund? — Malcolm perguntou baixinho e mais significativamente do que ela o ouviu soar desde que o conheceu. — Poderíamos ter escapado do exército do duque, moça. Nenhum dano teria acontecido a nenhum de nós.

Ela balançou a cabeça e enxugou os olhos, determinada a manter o senso depois de uma noite tão terrível.

— Você não entende. Grendel. Eu... eu trago desastre... eu... — Nada estava saindo direito e não ajudava que ela tivesse começado a soluçar. Lucan estava olhando para ela com pena brilhando em seus olhos cor de topázio e Malcolm a olhava para evitar que sua cabeça simplesmente rolasse de seus ombros e batesse no chão. — Meu pai... ele tem sido minha fonte de força por tanto tempo. Não importa o quanto eu ame Edmund, não importa o quanto eu queira viver minha vida com ele, não posso simplesmente abandonar meu pai para...

A aba da tenda se abriu novamente. Os Highlanders sacaram suas claymores, prontos para lutar. O pai de Amélia empalideceu com o tamanho e a altura deles, mas ergueu as palmas das mãos e desviou o olhar para a filha.

— Você está em perigo com eles?

Ela teria sorrido para ele se não tivesse medo por sua vida. Ela balançou a cabeça e colocou as mãos nas pontas das espadas de Luke e Malcolm para abaixá-las.

— Não, papai, e nem você.

— Bem, veremos.

— Malcolm! — Ela o silenciou com um olhar sombrio. Quando eles ficaram quietos, ela espiou para fora para ter certeza de que ninguém mais estava vindo. Ela se voltou para os homens e encontrou o olhar triste de seu pai. Ele desviou o olhar dela e seu coração doeu para correr para ele.

— Nós sabemos que você amava Grendel, moça. O que aconteceu com ele não foi sua culpa.

Amélia amava Lucan por tentar confortá-la. Ele simplesmente não entendia.

— E você deve saber o quanto amo Edmund. Mas o que acontece agora com ele é de fato minha culpa. Meu tio quer levá-lo à justiça em Edimburgo. Devemos salvá-lo.

— Nós vamos. — Eles a asseguraram. — Darach tem... — Eles pararam e olharam para o pai dela.

— Minha lealdade pertence exclusivamente à minha filha. — Disse John Bell. — Você pode falar livremente.

Malcolm esperou outro momento, olhando o barão cuidadosamente, então disse:

— Darach voltou a Ravenglade para pegar William e trazer mais homens aqui. Tiraremos Edmund de onde o estão prendendo, mas temo que ele não saia daqui sem você.

— Eu não posso ir com vocês. — Ela chorou.

—Claro que pode. — Lucan a corrigiu.

— Moça. — Malcolm assumiu um tom mais sério. — Ele já perdeu Grendel. Não o tente em mais algum motivo que você considere nobre.

— Você está sugerindo, — seu pai finalmente falou, estreitando os olhos para eles, — que minha filha desista de sua vida com o lorde chanceler e fuja com um fora da lei?

Amélia desviou o olhar. Aqui estava seu maior obstáculo. Mesmo que o destino não estivesse contra ela, seu pai sofreria se ela escolhesse Edmund.

— Papai, eu...

— Porque acho que é a melhor ideia que ouvi em um mês.

Amélia piscou e deixou seu queixo cair com o que ouviu.

— Papai, o que você está dizendo?

Seus olhos caíram sobre ela, um olhar amoroso e sacrificial que arrancou um pequeno soluço de sua garganta.

— Eu ouvi o que você disse antes, Mellie. Eu vivi minha vida toda sendo miserável porque queria agradar meu pai. Não me arrependo de ter casado com sua mãe porque ela me deu você, mas meus anos... Se eu tivesse que fazer tudo de novo, eu o faria. Eu vi como seu Highlander olha para você, como ele estava disposto a lutar por você. Não precisava me dizer que o amava porque posso ver isso claramente em seus olhos. Não precisa se preocupar comigo. Não me importo com poder e prestígio. Eu quero que você seja feliz mesmo se isso signifique que estará vivendo em uma cabana

— Uma cabana? — Luke riu. — Ela estará vivendo em um paraíso enevoado guardado por duzentos guerreiros.

— Papai, e o Walter? Mamãe tornará sua vida miserável se eu não me casar com ele.

— Eu não me importo. — Ele foi até ela e a tomou nos braços. — Ficarei bem sabendo que minha moça está feliz.

— Papai. — Suas lágrimas vieram com mais força agora. — Eu não quero casar com Walter. Eu não amo ele. Mas como posso deixá-lo à mercê do duque?

— Och, inferno. — Malcolm disse, ficando impaciente e um pouquinho sentimental, se o brilho em seus olhos falasse verdade. — Ele pode vir conosco. Mas vamos decidir já e dar o fora daqui!

Seu pai em Camlochlin? Viver entre centenas de guerreiros? Ela olhou para ele, esperando que ele consentisse. Ele balançou a cabeça e ela cobriu o rosto contra seu peito.

— Aí está, minha doce filha, eu não posso deixar sua mãe, entretanto... — Ele balançou a cabeça. — Eu vou ficar bem. Você tem minha bênção para ir.

Ela teve a bênção de seu pai, mas ainda não sabia o que fazer. Ela ousaria colocar a vida de Edmund em perigo por ficar com ele?

Ela ouviu enquanto Luke e Malcolm discutiam o resgate de Edmund e depois os tirariam apressadamente de sua tenda. O que ela faria? Ela sabia apenas uma coisa. Ela já sentia falta de Edmund. Deus ajudasse os dois, ela precisava vê-lo.

Uma hora antes do amanhecer, Amélia deixou sua tenda e se dirigiu ao local onde o capitão Pierce havia levado Edmund. Ela caminhou pela grama e por cima de corpos adormecidos sem esmagar nenhum dedo sob os sapatos ou mesmo quebrar um galho. O destino, ao que parecia, estava do lado dela esta noite.

Ela avistou Edmund deitado entre um grupo de homens adormecidos e se aproximou dele. Quando ele a viu, ele lentamente se levantou, seu corpo tenso à luz do fogo. Ela queria correr para ele e implorar seu perdão.

— Minha senhora, — veio uma voz na escuridão a parou instantaneamente, a apenas alguns centímetros de Edmund. — Eu estava certo então.

Ela se virou e enfrentou o capitão Pierce atrás das árvores.

— Correto sobre o quê? — Ela sussurrou, odiando-o por estar ali e a ela mesma por ser tão previsível.

— Você — ele se virou para Edmund — e ele.

— Por favor, capitão. — Sua voz permaneceu controlada, exceto por uma sugestão de falta de ar. — Por favor, fique quieto. — Por favor, ela murmurou, rezando para que ele atendesse a seu desejo como havia feito antes.

Ele não disse nada. Ela quase sorriu quando avistou uma sombra atrás dele.

Um clique de metal e um flash de aço contra a têmpora do capitão acalmou seu coração.

— Você também estava nos esperando, capitão? — Veio o rosnado baixo e o grosso rugido das Highlands que Amélia aprendera a amar.

Ela encontrou o olhar cerúleo de Malcolm sobre a cabeça do capitão e ergueu a palma da mão. O capitão tinha sido gentil com ela esta noite. Ela devia algo a ele por isso.

— Capitão, — ela disse suavemente quando ele alcançou o punho de sua espada. — Já vi o que eles fazem em uma luta e nunca mais quero ver. Por favor, confie em mim. Você vai perder muitos homens.

O capitão ficou imóvel por um momento, seus lábios se curvando para cima, a única coisa que se movia sobre ele.

— Se essa pistola for disparada, posso morrer, mas todos vocês também morrerão. — Ele olhou Edmund diretamente nos olhos quando ele estava diante dele. — Todos vocês estão no meio do meu exército. Quando são acordados, os homens não param para ver quem estão matando.

Edmund apertou o queixo e olhou para ela. Amélia sabia o que ele estava pensando porque ela estava pensando a mesma coisa. Ela não queria vê-lo morrer. Ela não deixaria suas lágrimas caírem. Agora era o momento de manter sua coragem.

Ele olhou para Malcolm em seguida, segurando a pistola contra a cabeça do capitão. Ele acenou com a cabeça e, em seguida, mudou seu olhar para Pierce.

— Dê-me um motivo para não dar a meu primo o sinal para atirar em você, e faça-o bem com um motivo melhor do que a ameaça da morte de Srta. Bell. Já que você esperava que ela viesse para mim, vai entender que, para nós, a morte é uma alternativa melhor do que estar separados. Se morrermos aqui, que assim seja. — Ele se virou para Amélia e fixou os olhos nela. — Sim, meu amor?

— Sim, — ela disse humildemente. Ela não estava realmente pronta para morrer, mas adivinhou que nem Edmund. Foi um ardil astuto para mostrar destemor ao seu captor.

— Que glória há para você em sua morte? — O capitão pressionou corajosamente. — Na morte de alguns Highlanders e da filha de um nobre?

— É provável que perca mais homens do que eu, — prometeu Edmund. — Você acha que meus salvadores viriam sozinhos? Olhe para a linha das árvores, capitão. Um exército de... Quantos você diria, Cal?

Atrás do capitão, Malcolm encolheu os ombros.

— Duzentos, da última vez que verifiquei.

— Duzentos homens aguardam nosso sinal para atacar. — Disse Edmund.

Amélia olhou para longe, mas como a linha das árvores estava além da luz de muitas fogueiras, ela não conseguia ver nada além da escuridão. Haviam duzentos homens preparados? Malcolm e Luke disseram a ela que Darach foi buscar mais homens. Eles já podiam estar aqui? Ela olhou para o capitão, perguntando-se no que ele acreditava.

Ele mostrou a ela um momento depois, quando levantou as palmas das mãos para o topo da cabeça em sinal de rendição.

— Me diga o que você quer.

 


Capítulo 37


— Vai clarear em uma hora, — Edmund disse o capitão. — Dê-nos uma hora para escapar antes de alertar o duque. Leve seu regimento para Ravenglade e então vá para o Leste quando descobrir que o castelo está vazio.

— Muito bem. — Pierce concordou.

Homem inteligente, pensou Edmund. Corajoso também. Pena que ele era um traidor da Escócia.

— Mais uma coisa.

— O que é, — Pierce perguntou.

— Estou levando ela. — Ele alcançou a mão de Amélia e quase caiu para frente quando ela se afastou dele.

— O que você está fazendo? — Ele perguntou a ela, lembrando de alguma forma de manter a voz baixa. Ele teve muito tempo para pensar sobre o que ela lhe disse em sua tenda mais cedo. Ele entendia agora o motivo pelo qual ela o deixou. Ele achava que ela tinha superado essa ideia ridícula de ter que proteger seu pai e a ele. Não foi por isso que ela veio até ele no meio de um exército, para dizer que o amava? Ou ela tinha vindo para lhe dar um último adeus?

— Amélia. — Ele disse o nome dela em uma respiração irregular. — Eu não vou embora sem você, moça. Nada mais importa em minha vida, exceto você. Eu quero ser seu marido. Sarah me contou sobre as perversões sexuais do chanceler. Seu pai não iria querer esse tipo de vida para você.

— Eu sei, — ela disse a ele. — Ele me deu sua bênção. Mas... — Ela parecia querer pular em seus braços, mas balançou a cabeça em vez disso. — Eu não poderia viver com a morte de outra pessoa em meus ombros. Eu amei Grendel. Eu o amei tanto. Temo que você seja o próximo.

— Amélia, eu disse que lutaria contra o infortúnio por você. Eu estarei seguro, mas não me importo se estou ou não. Como por Grendel, eu também o amava. — Ele disse a ela com um suspiro quebrado.

— Eu sei. — Ela o torturou ainda mais, deixando suas lágrimas caírem sem um único golpe para limpá-las. — Esta noite vai me assombrar para sempre. Eu não quero mais isso. Eu não irei com você.

Ele sentiu seu estômago apertar em um nó. Ele olhou para Malcolm e depois para Luke parado atrás dele, sem ser notado até agora por Pierce. Ele deveria deixá-la aqui? Deixá-la casar com o chanceler? Ela estava louca?

Ele sabia o que ia fazer, mas o som da voz de sua mãe gritando enquanto ela corria para fora de sua tenda ou era a tenda do chanceler? Alertando o resto dos homens colocou Edmund em ação.

Em um movimento fluido, ele deu um passo à frente, baixou-se sobre Amélia e a levantou do chão.

O capitão estendeu a mão para pegá-la de volta, mas caiu no chão quando Malcolm o atingiu na nuca com o cabo de sua pistola. Edmund não esperou para ver o que aconteceria a seguir. Ele jogou Amélia por cima do ombro e saiu correndo em direção à linha das árvores.

Por duas vezes os guardas do duque lançaram-se contra ele com longos floretes, mas eles os detiveram. Felizmente, eles foram instruídos a não atirar para não atingir a sobrinha do duque.

Quando Malcolm jogou para ele sua claymore, Edmund lutou com uma mão, aparando, golpeando e espirrando sangue nas costas de Amélia. Malcolm atirou em um soldado que estava prestes a se aproximar dele, então enfiou a pistola no cinto e puxou outra, pronta para atirar. Luke arrastou um homem ao seu lado enquanto corria. Edmund percebeu que era o pai de Amélia e se perguntou o que diabos seu primo estava fazendo.

A essa altura, todos os homens do duque estavam acordados e espalhados, esperando por comandos de seu capitão que não viriam nos próximos minutos, pelo menos. Esse foi todo o tempo que eles tiveram para escapar.

Edmund pensou que tudo estava perdido quando o que parecia ser mais de cem homens saíram de trás das árvores, arcos apontados para cima e flechas prontas para voar.

— Buchanans? — Edmund perguntou a Malcolm enquanto eles corriam em direção a eles.

— Sim, William provou ser sincero. Darach também trouxe com ele alguns MacLarens.

— E eu pensei que estávamos blefando com Pierce. — Edmund sorriu genuinamente pela primeira vez naquela noite. A manhã seguinte já parecia ser melhor.

— Solte ela! — Veio um grito do duque correndo atrás deles, — Ou eu não vou arrancar seu coração e enviá-lo para sua família em Skye.

Edmund parou um pouco antes das árvores e se virou. Ele colocou Amélia no chão e seus lábios serpentearam para cima ao longo de sua têmpora.

— Posso dizer com confiança, — gritou ele — que minha família adoraria recebê-lo para uma visita, Lorde Queensberry. Traga todos os homens que tiver. Meus parentes retornarão mais tarde para confortar as viúvas dos soldados e talvez tragam seus filhos na volta de casa e os crie como Highlanders.

De pé ao seu lado, Malcolm riu, então se virou para ele.

— Devíamos matá-lo agora e ao chanceler depois dele.

Sim, eles deveriam, Edmund concordou. A união poderia ser dissolvida sem as assinaturas de seus dois líderes. Mas isso apenas atrasaria o inevitável novamente e matar dois homens proeminentes como eles, levaria o Parlamento à guerra contra os MacGregors e os Grants.

— Edmund. — A voz suave de Amélia na frente dele o puxou de volta. — Você não pode matá-los. O duque é meu tio e o chanceler... — Ela fez uma pausa, a respiração suspensa sob a curva do braço dele. Ela se virou para encará-lo, oferecendo-lhe uma visão da curva suave de sua testa, a emoção real que iluminava seus olhos vinha de um lugar que ele queria continuar perseguindo. Ele a amava. Ele não queria nada além dela. — Por mais terrível que ele seja, não posso ter mais sangue nas mãos.

— O sangue deles não estaria em suas mãos, moça. Isso é sobre a união.

— Por favor, Edmund, — ela implorou. — Sem mais mortes. Eu irei com você. Deixemos este lugar para vivermos outros dias. Eu imploro. Eu não poderia viver sabendo que você não estava mais aqui.

— Edmund? — Malcolm insistiu.

Edmund ergueu a palma da mão para silenciá-lo. Ele faria qualquer coisa por ela. Mas ele poderia deixar com vida os dois homens cujos nomes poriam a união em movimento? Ah, se ele não a tivesse conhecido... mas ele tinha. Ele nunca pensou que algo ou alguém pudesse significar mais para ele do que a Escócia. Mas ela significava. Ela era tudo para ele. Ele se lembrou das histórias sobre seu pai e de como ele fora a Dartmouth com a missão de salvar o Rei James de William de Orange. Ele não tinha planejado se apaixonar pela mãe de Edmund, ou por Edmund. Mas ele se apaixonou e, por fim, desistiu de sua batalha contra o usurpador holandês para manter Edmund e sua mãe a salvo. O amor mudava tudo. Como seu pai, Edmund faria qualquer coisa por Amélia.

— Chame seus homens, Queensberry. — Ele ordenou, olhando os homens que vinham em direção a eles, alguns a pé e outros a cavalo. — Muitos morrerão aqui hoje se você não o fizer. Incluindo você. Vamos liberar Lorde Selkirk assim que...

— Selkirk não me preocupa, MacGregor. — Queensberry gritou, fazendo com que as costas de Amélia se enrijecessem contra Edmund quando ela se virou para seu tio. — Eu quero a garota. Ou, devo dizer, o chanceler a quer. Se você a soltar agora, não terei suas bolas cortadas e apresentadas a ele como um presente de casamento, eu te aviso

Uma flecha perfurou seu braço e a voz de Darach gritando das árvores cortou o resto de seu aviso.

— Estou cansado de suas ameaças, duque. A próxima flecha entra em seu coração. — Ele gritou sua promessa, outra flecha engatilhada e apontada. — Depois disso, vou matar o chanceler e qualquer outro homem que se atrever a seguir em frente.

— Edmund. — Ele voltou os olhos para o primo. — Não vamos demorar. O exército não tem seu capitão, mas logo eles terão. Os cavalos estão esperando. Nossos amigos vão nos cobrir. Vamos dar o fora daqui.

Edmund acenou com a cabeça, grato como sempre por ter Darach ao seu lado em uma luta. Agora, as duas pistolas de Malcolm estavam novamente prontas para disparar, assim como as de Luke. Se os Buchanans e os MacLarens pudessem segurar os homens do duque por um tempo, Edmund e seus primos seriam capazes de colocar Amélia em segurança. Eles conheciam famílias suficientes no caminho para Skye que lhes dariam abrigo.

Ele se voltou para o duque. Inferno, havia tantas coisas que Edmund queria dizer a ele. Principalmente, para não se fundir com a Inglaterra. Mas o homem não quis ouvir.

— Sereis uma testemunha do nascimento de uma nova oposição contra o seu Reino Unido. Lembre-se de minha misericórdia quando falar deste dia nos anos que virão.

— Eu vou me lembrar disso, Edmund.

Edmund olhou por cima do ombro para o bardo guerreiro Darach e sorriu.

— Fico feliz em ouvir isso, — ele disse e puxou Amélia por cima do ombro novamente. — Vamos dar o fora daqui então, sim? Cubram-nos. — Ele se virou para correr e quase tropeçou em um monte de pelos loiros, dentes e olhos castanhos adoradores. — Gaza! — Edmund quase gritou de alegria. — Amélia, é Gaza!

Darach os observou decolar juntos e apontou seu arco para o céu.

— Arqueiros prontos! — Ele gritou, impondo silêncio enquanto seus primos desmontados montavam suas selas.

— Onde está Sarah? — Amélia perguntou a Darach quando ele os alcançou alguns momentos depois.

— Janet levou Sarah, Etta e Chester para Killiecrankie, — ele disse a ela, então se virou para os outros. — Vamos nos encontrar com eles lá, na passagem da montanha, e depois continuar para Rannoch. Jack Robertson estará nos esperando.

— É por isso que o trouxemos, — Edmund gritou para os primos, que concordaram de todo o coração. — Devemos muito aos Buchanans também, — disse Edmund a Malcolm, cavalgando atrás dele.

— Eu sei. Eu sei. — Malcolm murmurou no caminho.

Eles cavalgaram forte e rápido por mais de meia hora antes de parar para descansar seus cavalos e se separar de John Bell e dos Buchanans.

— Onde você acha que ela esteve? — Amélia perguntou a Edmund enquanto coçava atrás das orelhas da cadela e lhe dava as boas-vindas.

— Eu não sei, mas estou feliz que ela voltou. — Ele a observou à luz do sol acariciando Gaza e sorrindo para ela. Seu coração se encheu de emoção. — Amélia...

Ela olhou para ele, seu sorriso desaparecendo.

— Eu não quero forçá-la a permanecer comigo. Só não tenho certeza se posso continuar sem você em minha vida.

— Edmund. — Ela se endireitou e levou a palma à bochecha dele. — Você disse ao capitão Pierce que a morte era uma alternativa melhor para nós do que estarmos separados. É a verdade. Não quero viver sem você, mas não suporto a ideia de saber que lhe trouxe mais dor.

— A pior dor seria perder você, — disse ele, tomando-a nos braços. — Amo você, Amélia. Eu nunca vou parar de te amar. Se você me deixar...

— Perdão. — O pai de Amélia os interrompeu. — Posso ter uma palavra com vocês dois?

— Claro. — Como Edmund poderia dizer mais alguma coisa?

— Lamento que Luke tenha trazido você conosco. — Amélia disse. — Eu não sei por que ele o fez.

No sorriso de John Bell, Edmund podia ver seu amor por sua filha brilhar de uma luz interior.

— Pedi a ele que me trouxesse um momento depois que todos começassem a correr. Eu queria minha chance de me despedir de você. Ele foi muito esperto, fazendo parecer que eu estava sendo levado contra a minha vontade. Estou em dívida com ele. — Seu pai lançou um breve olhar de lado para Edmund, que estava ouvindo. — Tive a sorte de ter algum tempo para falar com Lucan sobre ideais há muito mortos. Códigos de honra a Deus, rei e às mulheres que amamos. — Ele riu de si mesmo. — Viver tanto tempo dessa maneira me fez esquecer deles. Você acredita nesses códigos? — Ele perguntou, virando-se para Edmund.

— Sim, meu senhor. Todo mundo em Camlochlin tem e acredita.

— Eu gosto desses Highlanders. — Disse John à filha. — Eles me fizeram lembrar das origens deste país. Quando os homens enfrentaram gigantes como os romanos, saxões, normandos e os ingleses pela terra.

Amélia olhou para Edmund e sorriu.

— Sim, o próprio Golias não poderia resistir a eles.

Edmund balançou a cabeça com a insinuação secreta dela sobre Davi.

— Minha filha me falou muito sobre você, MacGregor.

Edmund sorriu para ela.

— Sim? — Foi bom saber que ela falou dele. — Bem, meu lorde, — Ele disse, voltando sua atenção para o pai dela. — Nem tudo que você ouve sobre os MacGregors é verdade.

— Eu não sei sobre todo o resto de seu clã, mas sobre você, — John disse a ele, — ela me disse que você é leal e bom, e nem sempre diz a verdade.

Edmund riu e, inferno, foi bom fazê-lo de novo.

— E que além de mim, você é o único homem que ela amará. Então, eu queria dar a vocês dois minha bênção. Meu único pedido é que me dê sua palavra de honra de que sempre cuidará dela.

— Sim. — Edmund prometeu.

Amélia lançou os braços em volta do pai e o abraçou.

— Oh, papai, como posso deixá-lo? O que será de você? A vergonha de sua filha problemática fugindo com...

John Bell segurou a filha com o braço estendido para que pudesse olhá-la nos olhos.

— Você nunca me envergonhou, Amélia. Nunca. Você não fez nada além de trazer alegria para minha vida. Lamento não ter defendido você com mais força. — Quando ela tentou negar suas palavras, ele a acalmou com um dedo nos lábios. — Perdoe-me por quase falhar novamente ao aceitar a oferta de Seafield por você. Mas parece que sua sorte mudou para melhor na noite em que seu noivado seria anunciado, mas adiado por causa de um teto desabado. — O barão sorriu por cima do ombro para Edmund. — Pensando bem, esse também foi o dia em que você chegou a Queensberry House, sim, MacGregor?

Seu pai a puxou para um beijo e a entregou a Edmund.

— Escreva para mim, filha.

Ela assentiu com a cabeça, as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto seu pai a deixava e montava seu cavalo para a cavalgada de volta a Edimburgo com a escolta de uma dúzia de Buchanans.

Quando eles estavam prontos para continuar em direção ao lugar que Darach lembrou afetuosamente como sendo o local onde os jacobitas quase derrubaram todo o exército de William de Orange na Batalha de Killiecrankie em 1689, Edmund puxou Amélia para perto antes que eles montassem seus cavalos.

— Eu gosto de seu pai.

Ela assentiu e sorriu contra ele.

— Eu sabia que você gostaria.

 


Capítulo 38


Edmund assistiu despedida chorosa de Amélia com seu pai e jurou silenciosamente em fazer as pazes com ela algum dia. De alguma forma, ele encontraria uma maneira de reuni-los novamente, seja em Edimburgo ou em Skye. Ele também ficou feliz com o reencontro alegre de Amélia e Sarah. Ele cuidaria para que nunca se separassem no futuro. Ele sorriu. Parecia que ele não conseguia parar sorrir. Ela era sua. Não havia mais obstáculos.

A despedida de Darach e Janet não foi chorosa, mas interessante de ver da mesma forma.

Edmund frequentemente se perguntava que tipo de moça poderia interessar a Darach além do dormitório. Sim, o rapaz tinha olho para as moças. Embora pudesse negar, ele amava música tanto quanto apreciava seu arco. Mas foi a luta que mais disparou sua paixão. Janet Buchanan atendia a todos esses desejos do jovem poeta guerreiro.

Ele inclinou o ouvido para a conversa. Por que não? Ele pode ouvir algo que pode ser divertido para provocar Darach mais tarde.

— Seu primo Malcolm pediu a William para supervisionar Ravenglade enquanto ele estiver fora. — Ele ouviu Janet dizer.

Hmmm. Edmund se virou para Cal e piscou para ele. Ele sabia que era difícil para seu melhor amigo ceder. Isso tornava o sacrifício mais genuíno.

— Então você vai viver lá? — Darach perguntou a ela. Quando ela assentiu, um sorriso malicioso curvou a parte superior de sua boca. — Em meu quarto, sem dúvida. Sonhando com o homem que se opôs a seus golpes e algum dia retornará para conquistá-la debaixo dele.

O vento empurrou seus cachos em seu rosto, eclipsando seu sorriso confiante.

— Não, e deixar o sonho da mulher que lutou contra sua paciência e sacudiu um pouco seu coração, morrer? Esta é uma moça que você nunca vai ganhar. Adeus, Grant. — Ela falou, afastando-se dele e indo em direção ao irmão, esperando para partir. — Quando me casar, terei a certeza de que meu marido o agradecerá por usar sua cama, se algum dia você voltar.

Darach olhou para ela por um momento e depois apontou os punhos cerrados para o céu. Ele percebeu o sorriso de Edmund e balançou a cabeça enquanto ia até ele.

— Você já quis matar Amélia? — Darach perguntou inocentemente por entre os dentes cerrados. — Quero dizer, apenas... — Suas palavras foram sumindo enquanto ele torcia as mãos na frente dele, como se estivesse estrangulando alguém.

— Você está muito à frente de nós nessa área. — Edmund assegurou-lhe. — Quando você pensa em voltar?

Darach riu, mas seus olhos permaneceram frios.

— Por quê? Se eu esperar dez anos, ela ainda não teria encontrado um marido com aquela língua viperina. Se ela fizer isso, ele provavelmente a matará depois de um mês.

— Darach, isso é uma coisa horrível de se dizer. — Amélia surgiu atrás deles. — Janet é muito gentil e adorável de se ver. E uma vez que seu irmão assuma Ravenglade no lugar de Malcolm, os homens vão encontrar ainda mais interesse nela.

Darach olhou para ela e depois piscou.

— Você não é muito melhor do que ela, não é? — Ele fixou seu olhar verde sobre Edmund e ofereceu-lhe seu olhar mais compassivo. — E eu pensei que estava com problemas. Você não tem chance, meu amigo. — Ele deu um tapinha no ombro de Edmund e caminhou em direção ao cavalo.

— Ele pensou que estava com problemas. — Amélia sorriu, captando o significado de suas palavras.

— Eu sei. — Edmund riu, concordando com ela.

Ela pegou sua mão e o levou de volta ao cavalo.

— Ele está correto. — Ela disse suavemente, olhando para ele e colocando seu coração em ruínas.

— Quem?

— Meu pai, quando ele apontou a mudança em minha sorte. Ele estava certo. Mudou com a sua chegada.

Ele a tomou nos braços e olhou em seus olhos.

— Eu disse que lutaria contra o infortúnio por você. — Eles riram e ele a beijou, amando sua boca, seu sabor, o pequeno gemido que ele puxou dela.

— Quanto tempo vai demorar para chegar a Skye? — Ela perguntou, se afastando enquanto ainda conseguia ficar de pé.

— Vários dias, — ele respondeu, sua própria respiração pesada em seu peito. — Vamos cavalgar para o Leste até Rannoch e depois para Glencoe. Temos amigos com barcos e vamos navegar para Skye em vez de cavalgar para o Norte.

— Mas Rannoch e Glencoe estão ao Leste. — Ela o lembrou enquanto eles continuavam caminhando para seu cavalo que esperava. — Você disse ao capitão Pierce para cavalgar para o Leste quando não nos encontrassem em Ravenglade.

— Mais uma razão para ele não ir para o Leste. Por que eu diria a ele qual caminho nos seguir? Ele provavelmente irá para o Norte.

Ela sorriu e o beijou na boca.

— Você é inteligente, Edmund. — Ela ficou quieta por alguns momentos enquanto eles cavalgavam, então disse: — Quanto tempo você acha que vai demorar até que meu tio ou Walter venha me buscar?

— Não importa. Ele não encontrará Camlochlin, e se algum deles encontrar, haverá canhões esperando por ele e por qualquer idiota atrás dele. Não se preocupe com eles, ou com o infortúnio por mais tempo, Amélia. — Ele a beijou uma vez e depois novamente. — Nenhum dos dois vai nos encontrar.

Ela aqueceu seu sangue e derreteu seu coração. Ele queria se deitar com ela, abraçá-la até o sol descer e depois subir novamente, tocá-la, beijá-la, agradecê-la. Haveria tempo para essas coisas mais tarde. A ideia iluminou seu humor e o impulsionou a se mexer.

— Venha, — disse ele, — vamos embora. Podemos chegar a Rannoch ao anoitecer e então poderei dizer o que você significa para mim no conforto de uma cama macia.

Henrietta, que optou por permanecer em Perth em vez de viajar para as Highlands, teria feito uma careta ao jantar colocado na frente de Amélia e os outros dentro da pousada de Jack Robertson.

Amélia estava feliz com a comida quente e com os alojamentos ainda mais quentes. Ela comeu até se fartar, sem perceber como estava com fome, até que se viu limpando a tigela com o pão. Edmund sorriu, olhando para ela.

— Estou sendo desagradável? — Ela perguntou a ele.

Ele balançou sua cabeça.

— Só estava pensando em como minha família vai te amar.

— Por causa de como eu sou?

— Porque você não tem vergonha ou medo de ser quem você é.

— Vocês duas viverão da maneira que quiserem. — Lucan concordou, sorrindo para Sarah. — Você vai ser feliz em Camlochlin.

Amélia mal podia esperar para chegar lá, apesar da voz mansa e delicada dizendo que ele não estava seguro.

Felizmente, compartilhar o jantar com Sarah, quatro Highlanders desordeiros e uma cadela temperamental a ajudou a esquecer seu passado. Eles riram até tarde da noite e, quando chegou a hora de dormir, Edmund seguiu Amélia até o quarto.

Ela estava exausta. Todos os músculos de seu corpo doíam com a viagem, mas quando Edmund fechou a porta e a tomou nos braços, se sentiu renascida.

— Você planeja se casar comigo, Sr. MacGregor, ou vai ficar com seus princípios bárbaros de reivindicar sua moça na cama?

Seus olhos brilharam com um azul cheio de intenções sombrias.

— Ambos. — Ele baixou a cabeça e roçou a boca na dela. — Meus filhos não serão bastardos.

— Você planeja ter muitos então? — Ela riu contra seus lábios, então seus dentes quando ele tomou seu lábio inferior entre eles.

— Sim, bastante. — Ele segurou seu traseiro com as duas mãos e puxou-a para cima de forma que ela montasse nele onde estavam.

Ela ofegou com a lança de aço empurrando suas calças para tê-la.

— Eu quero que nós tomemos nosso tempo e saboreamos cada momento ao fazê-los.

Sua voz estava rouca e cheia de desejo. O som acariciou e aqueceu sua barriga, então mais abaixo. Ela não tinha ideia de como simplesmente olhar para ele, ouvir a melodia melodiosa de sua voz, poderia invocar imagens de seu corpo nu e de sua língua lambendo cada centímetro dele, mas a fazia imaginar. Ela afundou seus dedos por suas ondas douradas e sacudiu sua língua dentro de sua boca.

Ele gemeu e a carregou para a cama. Ele a deitou gentilmente, depois se aproximou dela e começou a se despir. Ela o observou tirar a camisa para expor a parte superior do corpo esculpida em granito. Os olhos dela traçaram os tendões tensos de seus braços e tórax, depois desceram, lentamente, sobre sua barriga rígida e lisa. Ela queria cravar os dentes na curva sensível dos quadris dele, mais abaixo...

Alguém bateu na porta.

Com uma praga abafada, Edmund caminhou até ela e a abriu. Uma serva estava do outro lado carregando uma bandeja. No topo havia duas garrafas de vinho, algumas frutas e queijo.

— Cortesia do proprietário, senhor.

Edmund sorriu e aceitou a oferta.

— Dê a ele nossos agradecimentos.

Amélia se apoiou em um cotovelo quando ele voltou e pegou uma caneca. Ela o ergueu.

— Vamos beber para fazer um filho ou filha esta noite.

Ele pegou sua caneca, sentou-se ao lado dela na cama e concordou.

— E não parar até conseguirmos um.

Eles beberam com gosto a sua missão e beijaram o vinho de seus lábios. Amélia não podia esperar muito mais para ter o que queria com ele. Ela havia passado muitas noites conversando com Sarah sobre coisas diferentes para fazer a um homem e estava ansiosa para experimentar algumas delas em Edmund.

Ela se sentou e empurrou-o para baixo no colchão e montou nele. Eles riram quando suas bebidas saíram e ficaram sérios quando ela lambeu as gotas de seu peito. Ela tirou uma baga da bandeja e colocou-a cuidadosamente em seu mamilo. Ela pegou outra e colocou em seu umbigo. Outra ela colocou em seu quadril e a última, ela deslizou para baixo suas calças.

— Você está com fome esta noite. — A voz rouca dele estremeceu quando a boca dela percorreu seu torso, pegando frutas enquanto avançava.

— Doce. — Ela sussurrou com um sorriso provocador, olhando para ele por baixo de seus cílios escuros e exuberantes.

Ela tomou outro gole de sua bebida, precisando aumentar sua coragem para fazer coisas com ele que as “damas” provavelmente nunca fizeram.

O vinho ajudou, libertando-a do temor com a ideia de tomá-lo na boca. Sarah disse que os homens adoravam. Amélia queria fazer isso por Edmund. Mas primeiro, ela queria brincar um pouco com ele.

Que coisa, mas ele era tão grande e tão duro sob o tecido esticado de suas calças. Ela passou a palma da mão sobre ele e observou seus olhos escurecerem. Com o sangue agitado; ela mordeu o lábio inferior e puxou os laços que a prendiam. Ela sorriu quando encontrou sua baga aninhada na dobra de sua coxa e abaixou a cabeça para pegá-la. Ele gemeu e disse algo que ela não conseguiu entender. Ela olhou para cima apenas para descobrir que havia dois dele. Ela piscou. De repente, ela não se sentia nada bem. Uma névoa estava se aproximando rapidamente. Seus membros estavam pesados. Sua língua, grossa.

— Edmund, eu... — Ela não terminou, mas desabou em cima dele.

Edmund usou cada grama de força que possuía para se sentar. Sua cabeça parecia uma bigorna. O vinho. O vinho estava drogado ou envenenado. Mas por quê? O duque não poderia tê-los encontrado já. Quem mais faria isso? Ele olhou para Amélia, a cabeça apoiada em sua virilha. Quem fez isso morreria. Ele empurrou Amélia e tirou as pernas da cama. Ele tinha que chegar até os outros, mas suas pernas não se endireitaram. Ele olhou ansiosamente para a porta e se levantou mais uma vez.

Ele caiu duro e rápido, desaparecendo na escuridão. De algum lugar muito além, ele ouviu um cachorro arranhando as unhas na madeira e ganindo para entrar.

Gaza.

Inferno, era uma sorte que ele a tinha.

 


Capítulo 39


As botas do Capitão Pierce clicavam contra o piso de madeira da pousada de Jack Robertson, enquanto ele andava pelo andar de baixo taverna.

— Devíamos subir e verificar, capitão. Estamos perdendo tempo.

Sem fazer uma pausa em seu andar, Pierce lançou seu olhar irritado para o chanceler.

— MacGregor matou um dos meus soldados com a testa. — Ele rosnou. — Se você quiser subir as escadas correndo e alertá-lo junto com seus amigos, fique à vontade. — Inferno, ele desejou que ele fizesse. Ele não queria que o conde de Seafield viajasse com ele para Rannoch, mas não teve escolha. O duque insistiu em trazer o chanceler para resgatar sua prometida.

Pierce não estava totalmente certo de que a senhora pertencia a Seafield, mas não era sua decisão. Ele conhecia seu lugar e o guardava. Ele não gostava do chanceler, mas tinha suas ordens de trazer a sobrinha do duque de volta para Queensberry.

Pelo menos ele sabia onde encontrá-los, graças a Alistair Buchanan. Parece que MacGregor cortou a mão de Buchanan... e tomou sua cadela. O homem odiava o Highlander, apesar de um tratado de paz entre seus clãs. Ele queria recompensa. Buchanan ouviu um deles mencionar a pousada de Robertson em Rannoch e foi rápido em entregá-los.

Leste. Inteligente.

O capitão partiu para Rannoch imediatamente com doze de seus melhores homens e depois de estabelecer que eles estavam no lugar certo, ameaçou o proprietário para drogar o vinho do Highlander ou entregar a pousada ao trono.

Aterrorizar um estalajadeiro não incomodava o capitão. Desejando ter mais homens em seu exército como MacGregor tinha. Fora da lei ou não, Edmund MacGregor era perigoso e destemido quando se tratava do que queria. Pena que tudo o que ele defendia fosse contra o Parlamento. Ele teria sido um excelente soldado.

Aquele Highlander que o atingiu, embora Pierce, lembrava-se da picada de fogo em seu ferimento na cabeça e tinha vindo atrás dele para pagar pela dor de cabeça constante que tinha.

— Acho que já passou tempo suficiente, capitão. — Seafield falou e bateu o pé na parte inferior da escada. — Tenho muita vontade de ficar longe deste estabelecimento e dos que aqui frequentam.

Ele parecia prestes a tremer em suas chausses, tentando Pierce imaginar como seria a sensação de jogar o pequeno verme chorão do outro lado da pousada.

Ele caminhou até ele e passou o braço pela cintura.

— Depois de você, meu lorde.

Eles subiram as escadas, fazendo pouco ou nenhum som, exceto pelo rangido do terceiro e quarto degraus. A criada que entregara as bebidas nos quatro quartos pagos pelos Highlanders esperava no topo.

— Onde está a senhora?

A moça apontou para a terceira porta à esquerda.

Antes que Pierce pudesse detê-lo, Seafield correu e abriu a porta. Ele desapareceu dentro dele e saiu furioso um instante depois, antes que o capitão pudesse olhar para dentro. Ele marchou em direção à taverna com os olhos apertados e estreitos. Quando ele a alcançou, ele a pegou pelo rosto, segurando seu queixo.

— Mulher naquele quarto não está uma senhora. Ela é uma serva, como você! — Ele gritou com ela. — Onde está a senhora de cabelos escuros? Até mesmo uma serva pobre como você pode notar a diferença.

Desta vez, ela apontou entre soluços para uma porta diretamente à direita deles.

Quando ele se moveu para ir até lá, Pierce estendeu a mão, parando-o. O idiota se mataria e o duque culparia Pierce.

— Espere aqui. Eu vou trazê-la para fora.

O capitão abriu a porta com mais cautela para o caso de alguém não ter bebido. Ele parou na entrada, espada desembainhada, e olhou para dentro.

Seafield não ficaria satisfeito.

Eles encontraram Lady Amélia, mas ela não estava sozinha. Seu amante sem camisa estava caído no chão a poucos centímetros da porta. Ele tentou pedir ajuda. A dama estava deitada na cama. Ela caiu primeiro.

— É ela?

A consulta de Seafield parou abruptamente quando ele desafiou o capitão e entrou. O silêncio caiu como um aviso assustador se preparando para algo mais.

— Mate-a.

— Isso não vai acontecer. — Pierce se virou para olhar para ele. — Se você tentar, vou cortar sua cabeça e atirá-la aos pés do duque.

Seafield se manteve firme por um momento e então gritou.

— Pegue-a então. Mate-o. — Ele ordenou bruscamente, então girou nos calcanhares e saiu do quarto.

Pierce quase desejou que MacGregor acordasse. Ele se sentia enganado pelo que tinha certeza que seria uma boa luta. Ele não concordava em matar homens quando eles eram incapazes de se defender, especialmente quando esses homens eram guerreiros. MacGregor merecia algo melhor.

Com a sobrinha do duque por cima do ombro, ele ergueu a espada sobre a cabeça com a outra mão e estava prestes a desferir o golpe final quando ouviu um som profano.

Um cachorro estava bloqueando a porta, orelhas em pé, olhos arregalados, presas expostas e pingando saliva no chão.

Pierce baixou a espada e ergueu a palma da mão.

— Calma, besta.

A criatura não se acalmou nem um pouco e saltou, de fato, para a garganta do capitão. Pierce bloqueou as enormes presas prestes a se fechar em torno dele com a mão. O osso do punho esmagado que o cão estava segurando. Ele gritou.

A besta se virou para encontrar um chanceler de rosto pálido, convocado de volta pela fanfarronice.

Sem provocação, o animal cravou as presas no tornozelo de Seafield, deixando o chanceler de joelhos antes de correr escada abaixo e sumir de vista.

— O que diabos foi isso? — O chanceler lamentou. — Um demônio?

— Talvez. — Disse Pierce. Ele rasgou uma tira de tecido do vestido da senhora e enrolou em sua mão ensanguentada. — Você pode andar? — Ele perguntou, vindo até a porta. Quando Seafield balançou a cabeça, Pierce chamou abaixo da escada para que um de seus homens subisse e carregá-lo.

— Espere! — Seafield gritou quando o capitão se virou para ir com a senhora ainda pendurada em seu ombro. — O que tem ele? Eu disse para você matá-lo.

Pierce balançou a cabeça. Ele não queria matar MacGregor em primeiro lugar. Agora ele tinha uma desculpa para não o fazer.

— Se ele tem demônios cumprindo suas ordens, não quero fazer parte de machucá-lo. Essa coisa me atacou apenas porque levantei minha espada para seu dono. Você quer MacGregor morto? Você o mate.

Ele não esperou para ver o que Seafield faria. Ele sabia que deixar MacGregor vivo era provavelmente um erro do qual se arrependeria mais tarde, quando o Highlander acordasse e descobrisse que sua dama havia partido. MacGregor viria atrás deles. Pierce tinha certeza disso. Ele tinha ouvido o que o casal tinha falado no campo. Havia amor entre eles. Ele queria que MacGregor viesse. Que ele roubasse sua mulher de volta, se pudesse. Com as duas mãos ou uma, Pierce estava ansioso para descobrir se seu oponente era tão habilidoso com a espada quanto Pierce esperava que ele fosse. Se MacGregor precisava morrer, então que fosse em uma boa luta.

Ele deixou a pousada com a arrogância ousada de um homem com um exército às costas. Ninguém o parou, homem, demônio ou cachorro, nem foi questionado sobre para onde estava levando a mulher inconsciente em sua posse.

Ele teria preferido mais tempo em silêncio, tempo para refletir sobre seu próximo movimento, mas Lady Amélia se mexeu quando ele a colocou em sua sela.

— Faça o bem a si mesma e mantenha a boca fechada. — Ele avisou um instante antes de se sentar atrás dela.

— A vagabunda está acordada. — Apoiado por dois dos homens de Pierce, um de cada lado, Seafield rosnou ao passar por ela. — Eu deveria te bater até perder o sentido pelo que vi naquele quarto.

Pierce apertou seu membro ferido em volta da cintura dela. Ela permaneceu em silêncio.

— Eu fiz o que você falhou em fazer, capitão. — O pequeno pavão gritou estridentemente por cima do ombro enquanto era colocado na sela. — Eu o matei. Eu matei MacGregor.

Nada que Pierce pudesse fazer depois disso poderia impedir a senhora de trair seu coração. Seafield a faria pagar mais tarde. Cada soldado conhecia as preferências do chanceler na cama. Seafield gostava de bater em suas mulheres. Ele queria golpear a Srta. Bell agora. Pierce podia ver em seus olhos enquanto seus ouvidos captavam seu ódio por ele e sua adoração por seu amante.

Ele perguntaria a seus homens mais tarde se o chanceler falava a verdade e ele havia, de fato, matado MacGregor. Ele desenrolou o pano ensanguentado em volta da mão e o deixou cair no chão, caso estivesse mentindo.

Amélia olhou para as chamas à sua frente e ignorou os homens comendo e falando ao seu redor. Por que ela acordou naquela noite no jardim do seu tio? Por que nenhum dos convidados da festa a apunhalou no coração? Por que ela concordou em ir para Skye com ele? Ela não impediu que as lágrimas caíssem em seu colo, mas não fez nenhum som de tristeza.

Edmund estava morto.

— É melhor você comer alguma coisa. — Walter ordenou, parando um soldado atarracado que aparecia sobre ela. Quando ela não respondeu, ele a cutucou no lado com seu pé bom.

— Apodreça no inferno. — Ela obedeceu.

Ela não gritou quando ele agarrou um punhado de seu cabelo e puxou sua cabeça para trás para fazê-la olhar para ele.

— Eu vou apodrecer aí, amor, com você bem ao meu lado.

Ela o odiava. Ela odiava a visão dele, o cheiro dele, o som de sua voz.

— Eu prefiro morrer a me casar com você.

Ele retirou a mão para dar um tapa nela, mas a voz do capitão Pierce o deteve.

— Você ainda não é o marido dela. Até você ser, manterá suas mãos longe dela enquanto ela estiver sob meus cuidados. Do contrário, arrancarei seu coração e direi ao duque que você foi morto na luta para manter a sobrinha dele a salvo.

— Eu a tratei bem, capitão. — Argumentou Walter. — Eu concordei em me casar com ela quando ninguém mais o faria.

— Eu não me importo. — O capitão deu de ombros e olhou para seu soldado. — Lewis, encontre uma árvore para o chanceler dormir e coloque-o lá.

— Queensberry vai ouvir sobre seu desafio aos seus deveres. — Walter avisou enquanto era levado. — Você perderá seu título!

Amélia dobrou os joelhos contra o peito e os abraçou.

— Você vai? — Ela perguntou baixinho ao capitão.

— Isso não é da sua conta.

— Vou falar por você... com meu tio. — Ela enxugou os olhos, mas desviou o olhar de qualquer maneira. Ela queria perguntar a ele o que aconteceu com sua mão, com a perna de Walter. Mas ela não queria saber a resposta. Ainda não. Se eles lutaram contra Luke ou Darach e foram feridos por isso, como os amigos dela se saíram? Onde estava Sarah? O que esses homens fizeram? Ela queria saber, mas seu coração, sua mente, não estava preparada para ouvir.

— Como você nos encontrou? — Ela perguntou ao invés.

— Ennis Buchanan na primeira vez e Alistair Buchanan na segunda.

Ela desviou o olhar para ele novamente, o coração batendo forte contra as costelas.

— Alistair? Quando você falou com ele?

— Logo depois que vocês todos deixaram Ravenglade. — Ele se levantou, espreguiçou-se e olhou ao redor em busca de uma árvore. — Parece que seu MacGregor fez muitos inimigos Buchanan ao longo dos anos.

Amélia fechou os olhos e cerrou os dentes para não gritar. Alistair. Ele era inimigo de Edmundo por causa de sua mão, por causa de Gaza, por causa dela.

Ela sabia que isso iria acontecer. Edmund estava morto por causa dela.

Ela não sabia que estava chorando até que o capitão pousou a mão em seu ombro.

— Venha, senhora. Durma um pouco. As coisas podem ser diferentes amanhã.

 


Capítulo 40


Edmund correu para fora da pousada de Jack Robertson com seus primos e Gaza atrás dele. Jack disse a ele quem o drogou e quem levou sua mulher. Lá fora, ele olhou para o amanhecer que se aproximava e respirou fundo, preparando-se para o que estava por vir. Ele puxou a gola da camisa. Ele sentia falta de seu plaid. Ele odiava usar trajes ingleses ou das Terras Baixas. Ele era um Highlander e hoje iria lutar como tal. Hoje ele iria matar como um.

Ele não falou com seus primos enquanto eles montavam em seus cavalos. Não havia nada a dizer. Eles voltariam para a pousada por Sarah mais tarde, depois de resgatar Amélia. E eles iria resgatá-la.

De quem era o sangue que ele encontrou no chão de seu quarto quando acordou de seu sono?

Edmund não queria cavalgar devagar, mas as pegadas eram mais fáceis de encontrar dessa forma. Ele não podia presumir que Amélia estava sendo levada diretamente de volta para Edimburgo. Isso seria muito fácil. Ele sabia quem a levou, e o capitão David Pierce não era um idiota. Ainda assim, ele tinha que saber que seria seguido. Por que o capitão não os matou quando teve a chance? Por que deixar quatro guerreiros furiosos vivos?

Ele balançou a cabeça, sem realmente se importar por quê. Em breve, e provavelmente mais cedo ou mais tarde, graças ao fato de Gaza sentir seu cheiro e levá-los adiante, Amélia estaria de volta aos braços de Edmund e seus inimigos estariam esparramados em poças de sangue.

— O que é isso? — Luke apontou para algo pendurado em um arbusto.

Era um trapo ensanguentado, Edmund percebeu da sela quando olhou para ele. O sol começou a subir e espalhou um raio de luz dourada sobre o tecido. Ele o reconheceu e saltou de seu cavalo para arrancar o trapo de seu lugar.

— O que é isso? — Malcolm cavalgou perto dele e olhou para ele.

— É de Amélia. — Edmund disse baixinho. Ele segurou o pano longe dele e o deixou se desenrolar em sua mão. Era dela. O sangue em seu quarto. Agora isso. O pânico que ele vinha subjugando desde que abriu os olhos finalmente o engolfou. O que eles fizeram com ela? Por que o trapo foi deixado para ele encontrar? Ele iria matá-los, fossem quantos fossem, ele mataria todos eles.

— Pode não ser o sangue dela.

Malcolm estava correto. Edmund olhou para ele e acenou com a cabeça. Poderia não ser o sangue dela.

Ele enfiou o pano sob o cinto e saltou para a sela com vigor renovado.

— Vamos pegá-la.

Estavam cavalgando por um quarto de hora quando chegaram ao acampamento do capitão mal escondido por entre as árvores.

— É uma armadilha. — Luke sussurrou, examinando a cena diante dele.

— Sim, — Malcolm concordou. — Eles querem que nos apressemos e...

Edmund marchou por ele e direto para o acampamento, interrompendo o resto das palavras de Malcolm.

Edmund ouviu seus primos chamá-lo de volta em voz baixa, mas ele os ignorou. Enquanto eles estavam parados contemplando-o, ele matou o primeiro soldado adormecido que a protegia. O próximo guarda despertou de seu sono e agarrou sua garganta cortada antes de cair de volta no chão. Edmund mal teve tempo de estripar sua próxima vítima quando o resto deles começou a acordar. Ele acertou mais dois com meia volta, um corte com as duas mãos e um golpe para trás que o deixou sobre um joelho.

Malcolm e os outros mal o alcançaram quando um grito interrompeu o movimento de todos.

— MacGregor! — A voz chamou. — Mova um fio de cabelo e eu começarei a atirar em seus parentes.

— Onde ela está, capitão? — Edmund gritou.

— Ela está segura e sob meus cuidados. Se você quiser vê-la novamente, não mate outro dos meus homens.

— Traga-a para mim!

O capitão se virou para um homem à sua direita. Eles o viram desaparecer e então retornar com Amélia em suas mãos.

— Edmund! — Ela gritou, puxando seu captor para chegar até ele.

Ele não se moveu para pegá-la, mas desviou o olhar para a pistola apontada para Darach.

— Se você a machucou...

— Eu disse que ela estava segura.

— O pano ensanguentado? — Edmund puxou o pano do cinto.

— Meu. — Pierce sorriu e ergueu a mão. — Seu cachorro me atacou quando me virei para matá-lo na pousada.

Edmund olhou para ele como se seus ouvidos o tivessem acabado de enganá-lo.

— Meu cachorro? — Ele pensou que estava sonhado.

— Sim. — Pierce apontou para Gaza. — Você tem sorte de possuir a besta. Isso salvou sua vida.

Edmund olhou para Gaza sentada a seus pés e pela primeira vez, ele a viu. Ela quase não saiu do lado dele desde que ele a tirou de Alistair. Mesmo quando Grendel o abandonou por Amélia, Gaza permaneceu a seus pés.

Ele acariciou sua cabeça agora.

— Eu gostaria de ficar com ela depois que terminar com você.

Edmund ergueu os olhos para o capitão novamente com um sorriso malicioso na boca.

— Esta noite eu vou sair daqui com as duas, a senhoras, minha cadela e sua cabeça.

Pierce encolheu os ombros e riu.

— Você pode, de fato. — Ele baixou a pistola e a enfiou no cinto. — Vamos descobrir se você está certo. — Ele puxou uma espada de uma bainha pendurada em seu lado e chamou seus homens para se retirarem. Ele esperou que Edmund fizesse o mesmo.

— Capitão! — Amélia gritou. Ela olhou feio para o chanceler quando ele finalmente acordou do sono e se aproximou. — Se o machucar, não voltarei com você para meu tio ou para meu ex-prometido. Na verdade, — Ela puxou a saia, atraindo todos os olhos para o joelho nu e a pequena pistola presa a ela; ela o tirou e mirou em Seafield. — Vou matar o chanceler e fazer o possível para matá-lo também.

Pierce estreitou os olhos sobre ela como se estivesse tentando descobrir se ela faria isso. Finalmente, chegando à sua conclusão, ele baixou a espada.

Edmund achou que ele parecia mais desapontado do que qualquer homem que já vira.

— Eu não faço isso por você, Seafield. — Pierce suspirou, guardando sua espada. — Eu faço isso por ela. Se ela está disposta a ser enforcada para salvar MacGregor, então merece salvá-lo.

— Mantenha a pistola nele, moça. — Malcolm gritou quando ela começou a se afastar do chanceler.

Era tarde demais. No tempo que levou para formar uma única respiração, Seafield saltou sobre ela, derrubando o soldado que a trouxera até eles.

A pistola disparou. Todos congelaram, exceto Edmund. Ele correu para Amélia e a alcançou enquanto Seafield escorregava por seu corpo para o chão.

— Walter! — Amélia gritou, agarrando-se a ele. — Eu não queria...

Ele olhou-a.

— Você ainda não acabou comigo. — Ele fez uma careta por tudo que valia e então desmaiou.

Infelizmente, ele estava certo. A bala entrou em seu lado. O dano foi mínimo. Ele viveria para ver outro dia.

— Traga-o para os cavalos. — Pierce ordenou a seus homens. — Amarre-o à sela, se for preciso. — Ele sorriu para Amélia quando ela o olhou.

— Você não gosta dele. — Disse ela.

Ele encolheu os ombros, esticando a camisa sobre eles.

— Eu ainda tenho que devolvê-la em segurança para Edimburgo.

— E a mim?

— Eu gosto de você.

Ela sorriu e abriu a boca para falar, mas Edmund se adiantou.

— Você gosta dela, mas está disposto a deixá-la se casar com um homem que desmaia com um ferimento na carne?

Pierce contornou seu cavalo e parou bem na frente de Edmund. A confiança iluminou seu olhar duro e curvou as pontas de sua boca.

— Ela não é minha mulher, MacGregor. Se ela fosse, eu não me deixaria levá-la.

— Não pretendo deixar que a leve a lugar nenhum, capitão.

Pierce sorriu.

— Boa! Uma luta por ela então. Não até a morte. — Ele se virou e sorriu para Amélia. — Se você me desarmar, ela é sua.

— Devemos simplesmente acreditar na sua palavra, então? — Darach gritou, ouvindo a conversa.

— Se ele estiver mentindo, — Edmund assegurou-lhes calmamente, — eu o matarei.

— Ah, um homem confiante. Eu gosto disso. — Pierce desembainhou sua espada e conduziu Edmund para o centro da clareira. — Há quanto tempo você empunha uma espada?

— Desde os quatro anos. — Edmund disse a ele, desembainhando a lâmina.

— Quem é que te ensinou?

— Meu pai. — Edmund o encarou e olhou para a mão ferida do capitão. Pierce era um tolo terrível ou um dos mais confiantes

Seus pensamentos pararam abruptamente quando, usando apenas uma mão, Pierce girou e quase arrancou a espada de Edmund de suas mãos.

Tudo bem então, lutar com uma mão não era uma das fraquezas do capitão. Edmund reposicionou e defendeu três golpes sucessivos em diferentes partes do corpo dado pelo capitão no espaço de duas respirações.

— Embora eu odeie perder homens, fiquei impressionado com sua entrada.

Edmund não respondeu, mas deu um golpe nas costas das pernas do capitão, inclinando sua lâmina no último instante de modo que apenas a superfície plana o acertasse, sem causar danos.

Pierce quase caiu sobre um joelho enquanto girava em um círculo completo. Ele se manteve ereto por pura força de vontade. Quando corrigido, ele parou de costas para Edmund e de frente para os parentes de Edmund. Luke acenou para ele e Darach riu.

Edmund esperou enquanto os rapazes se divertiam. Eles mereciam por serem tão pacientes. Pierce não pareceu se importar; quando ele girou, já estava sorrindo.

— Falar não te distrai então.

Edmund riu.

— Você não conhece Darach. Ele nunca para de falar.

Ele observou o guerreiro girar o punho na mão, de ponta a ponta, fazendo-o brilhar sob o sol e dançar como se fosse uma extensão de seu braço.

— E você não fica desconcertado por ter apenas uma mão.

— Deixe-nos testar sua teoria. — Pierce veio até ele em uma tempestade de golpes muito rápidos.

Edmund rebateu cada golpe que chovia sobre ele, golpeando a força do pulso do capitão, bombardeando-o repetidamente com golpes pesados de dois punhos. Ele não poderia dar ao capitão tempo para lançar um ataque diferente e talvez descansar seu braço por um ou dois momentos. Pierce era experiente, como o pai e os tios de Edmund. Sua experiência poderia salvá-lo se tivesse a chance. Edmund não poderia lhe dar uma chance. Ele estava lutando por Amélia. Por ela, ele iria vencer Pierce e derrubá-lo em um monte vivo na grama diante dele, implorando por misericórdia.

Malcolm e os rapazes foram estimulados e irritados pela habilidade e poder de seu primo. A excitação deles fez o sangue de Edmund ferver, sua determinação de vencer.

Ele balançou com força e ficou momentaneamente cego pelas faíscas que caíram em suas lâminas afiadas. Com os olhos fechados, ele abaixou o joelho e girou sua claymore para baixo e paralela à de Pierce. Metal bateu em metal novamente. Edmund se levantou com a força e o poder de todo o corpo e acertou a lâmina do outro.

O olhar atordoado de Pierce seguiu a descida de sua espada quando ele caiu na grama. Quando ele olhou para cima novamente, ofereceu a Edmund um aceno com uma pitada de espanto que arregalou seus olhos.

— Lute para mim. — Disse Pierce, segurando a mão de Edmund.

— Não posso lutar pelo que não acredito. — Disse Edmund. — Você vem lutar comigo.

Pierce riu e balançou a cabeça, se afastando.

— Nós nos encontraremos novamente, MacGregor. Por enquanto, pegue seu prêmio e vá embora.

Edmund foi até ela como se não tivesse outra escolha a não ser ir. Ele não a via assim. Não desde a noite em que ele a acordou no jardim onde ela foi deixada por Deus, e novamente adormecida em sua sopa.

— Não é um prêmio, mas um presente. — Ele disse a ela, pegando-a em seus braços.

— Mais uma coisa. — Pierce gritou, olhando para o chanceler. — Ele faz pior do que desmaiar com um ferimento na carne. Ele também se deita com a esposa do barão.

 

Capítulo 41


Um raio de luz carmesim se derramou dentro do quarto, lançando a câmara cavernosa em uma luz rosada aconchegante. Não muito brilhante para acordar, mas um convite suave para começar outro dia.

Amélia abriu os olhos e se espreguiçou. Ela passou a mão sobre o corpo quente ao lado dela. Quando ele gemeu, ela se virou e se enrolou em suas costas. Pressionando o nariz em seu ombro nu, ela respirou fundo.

— Como é que tudo em Camlochlin é perfeito?

— Não era até você chegar aqui.

Ela sorriu atrás dele e beijou seu ombro. Ele não estava dizendo a verdade, é claro. Ele estava sendo gentil. Ele disse a ela muito sobre sua casa no caminho para cá, mas nada em sua imaginação mais louca poderia tê-la preparado para este lugar. Ela não tinha certeza do que era mais primitivamente bonito, o Castelo de Camlochlin, esculpido na natureza, ou as terras que o cercavam. Quando ela colocou os olhos em tudo pela primeira vez, incluindo os penhascos que eram tão bonitos quanto traiçoeiros, ela não tinha certeza se algum dia se acostumaria com o isolamento de Skye.

Dois meses depois, nada poderia levá-la embora. Ela nunca estava sozinha. Sempre. Como ela poderia estar quando sua amiga mais querida em todo o mundo morava bem no final do corredor dela? Casada, no mesmo dia de Amélia, uma igual, aceita, adorada.

— Eu quero ficar aqui pelo resto do dia. — Ela sussurrou.

— Gosto dessa ideia. — Concordou Edmund em voz baixa, meio adormecido. — Vamos fazer isso.

— Eu não posso. Vou caçar com Abby e Caitrina. Depois vou encontrar Sarah e Mailie na cozinha onde sua tia Isobel vai nos ensinar a cozinhar mais uma de suas deliciosas receitas. Depois do jantar prometi...

Ele virou e trocou suas posições, embalando-a contra seus ângulos nus e endurecidos. Quando ele aninhou o rosto nas dobras de seu cabelo, ela perdeu a linha de pensamento.

Quando ele deslizou o braço em volta da cintura dela e pressionou suas nádegas com mais força contra sua ereção completa, ela se lembrou de mais alguma coisa.

— Prometi a Nichola e a Violet que os ensinaria a fazer tortas. Darach tem me deixado louca para fazê-las.

— Todas essas promessas para todos os outros. E seu marido?

— O que tem ele? — Ela perguntou, não fazendo nada para esconder sua autoconfiança arrogante do que seu marido queria.

— Ele tem fome.

— Comida de verdade? — Ela riu, tendo o cuidado de manter a voz baixa.

Ele afastou o cabelo dela de seu pescoço e beijou sua carne sensível. Ele pressionou beijos mais lentos e sensuais ao longo de sua garganta até chegar ao lóbulo.

— De você. — Ele rosnou em seu ouvido.

Suas pernas se abriram por conta própria enquanto ele empurrava seu pênis contra ela. O movimento dela apenas o ingurgitou ainda mais. Quando ela ergueu o braço atrás dele para puxar seu cabelo, ele baixou a cabeça e fechou a boca em torno de seu mamilo tenso.

Seu grito de êxtase apenas o provocou a apertar suas mãos e empurrá-la para baixo na cama. Ele subiu em cima dela, sua lança grossa, dura e pulsante para ela. Ele abriu mais os joelhos dela e empurrou seu eixo profundamente. Quanto mais ela gritava, mais ele se afundava nela. Ele a tomou em golpes longos e ardentes que o levaram à beira da loucura com a necessidade de gozar até desmaiar.

Mas ele não fez isso.

Ele deslizou a mão por baixo dela e tomou seu cerne quente entre os dedos. Ele a pegou e rolou até que ela ofegou embaixo dele. Então ele os virou mais uma vez, com ele montado as suas costas, seu pênis faminto enterrado até o cabo, e seus dedos trabalhando duro no seu centro, eles se juntaram em uma sinfonia de gemidos e gritos.

Eles ficaram ali, prontos, respirando com dificuldade, relaxados, por um momento antes de começar a falar.

— Você quer ir mesmo? — Ela perguntou, esperando que ele dissesse sim. Ela estava tão cansada de novo.

Ela o viu se levantar da cama, o sol, um pouco mais forte agora, derramando ouro por todos os contornos de seu corpo elegante.

David.

Ela fechou os olhos, mas foi despertada um momento depois por uma boca fria e peluda.

— Edmund, você sempre pega esse. E as irmãs dele? — Quando ela saiu da cama, se virou e observou Edmund segurando o único filhote macho de Gaza em suas mãos. Ela sorriu, sabendo porque ele sempre pegava aquele. Parecia exatamente com seu pai.

Curvando-se para recuperar o vestido que havia colocado na cadeira na noite anterior, ela começou a se vestir para o dia e sorriu quando Gaza se levantou de seu lugar com seus filhotes e foi até a beira da cama ao lado de Edmund.

— Gaza ainda te ama mais.

Edmund sorriu.

— Não, ela não ama. Ela ama Golias mais do que a mim.

Amélia foi até ele e o beliscou e então beijou o filhote em suas mãos.

— Você acha que o capitão Pierce recebeu sua carta falando sobre os cães? Você acha que ele vai querer um? Oro para que ele atenda ao meu pedido e fale do oferecimento de um lugar aqui a meu pai. Você vai amá-lo tanto quanto eu.

— Tenho certeza que vou, amor. Como Pierce, sim, ele vai trazer seu pai e vai querer um cachorro. Todo mundo quer um. Eles são de Gaza e Grendel. Eles vêm de um estoque excelente, sim, garota?

Gaza descansou a cabeça em seu colo, feliz quando ele a acariciava. O que ele fazia o tempo todo. Ela nunca saiu do lado dele... até ter seus filhotes.

Ela o ajudou a se curar da perda de Grendel e ele também curou o coração de Amélia. Graças a Gaza, Amélia nunca mais se considerou infeliz. Como poderia ela, se não fosse por implorar a Edmund que ficasse com a cadela, Gaza não teria estado na pousada para salvar sua vida. Ele não teria agora o filho desalinhado e de orelhas caídas de Grendel para treinar.

— Edmund?

— Sim, meu amor?

Ela ficou de pé sobre ele e sorriu com a mão na barriga ainda lisa.

— Prometa-me que, depois que nosso filho nascer, você não escolherá um nome de monstro.

Ele riu, colocou Golias de volta no chão e então se acomodou para mais algumas horas de sono.

— Eu prometo.

— Obrigada. — Ela se curvou para beijar a cabeça dele e então saiu do quarto.

Os olhos de Edmund se abriram e ele olhou para a porta que sua esposa acabara de usar para sair. Uma criança? Ela disse... Ela estava acariciando sua barriga... sorrindo?

Ele se sentou, entorpecido por um momento, e então saltou da cama.

A porta se abriu novamente e ela estava lá, esperando... esperando pela reação dele.

Ele sorriu para ela e abriu os braços quando Amélia saltou para eles.

Eles caíram de volta na cama, as promessas de Amélia esquecidas.

 

 


Notas

 

[1] Um justacorps ou justaucorps é um casaco longo, na altura do joelho, usado pelos homens na segunda metade do século 17 e ao longo do século 18.
[2] Camisa poeta – uma camisa com babados no peito.
[3] Breeches - meia-calça
[4] Est ce vrai? – Isso é verdade?
[5] Non, il avait oublié l'italien - Não, ele esqueceu o italiano.
[6] O Tratado de União de 1707, originalmente "Union with Scotland Act 1706", foi um tratado que surgiu na sequência do Decreto de Estabelecimento de 1701 e de outro conhecido por apenas Tratado de União realizado no ano anterior, em 1706, que aboliu União das Coroas, a independência dos estados do Reino da Inglaterra e do Reino da Escócia, em favor de um novo Estado que veio a chamar o "Reino da Grã-Bretanha".
Aconteceu principalmente para deixar de haver desacordo entre os dois reinos, para reforçar o protestantismo, em detrimento das Terras Altas da Escócia que era predominante católica jacobita, e fazer prevalecer internamente o Decreto de Estabelecimento de 1701.
[7] Mil-em-rama - uma planta euro-asiática da família das margaridas, com folhas penugentas e pontas de pequenas flores aromáticas brancas, amarelas ou rosa.
[8] Agrimônia - uma planta da família das rosas com pontas de flores finas e frutos espinhosos. Nativa das regiões temperadas do norte, tem sido tradicionalmente usada na medicina fitoterápica e tinturaria.
[9] Originalmente um frouxo vestido, o mantua mais tarde foi um overgown ou robe normalmente usado sobre estadias, Stomacher e uma coordenação saia . O Mântua ou manteau era uma nova moda que surgiu na década de 1680.
[10] Blà Bheinn, é uma montanha na Ilha de Skye, na Escócia. É geralmente considerado um desvio para o Cuillin Negro. É composta principalmente de gabbro.
[11] Bailey - a parede externa de um castelo.
[12]O biscoito amanteigado é um biscoito tradicional da Escócia, geralmente feito de uma parte de açúcar branco, duas partes de manteiga e três partes de farinha de trigo comum.

 

 

                                                    Paula Quinn         

 

 

 

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